Produced by Rita Farinha, Alberto Manuel Brandão Simões
and the Online Distributed Proofreading Team at
http://www.pgdp.net (This file was produced from images
generously made available by National Library of Portugal
(Biblioteca Nacional de Portugal).)
*Nota de editor:* Devido à existência de erros tipográficos neste
texto, foram tomadas várias decisões quanto à versão final. Em caso
de dúvida, a grafia foi mantida de acordo com o original. No final
deste livro encontrará a lista de erros corrigidos.
Rita Farinha (Março 2012)
BIBLIOTECA DE PEDOLOGIA NACIONAL
Dr. ALVES DOS SANTOS
Professor da Universidade de Coimbra
EDUCAÇÃO NOVA
AS BASES
I
O CORPO DA CRIANÇA
(Com 32 figuras, no texto)
[Figura]
Livrarias Aillaud e Bertrand
PARIS--LISBOA
Livraria Chardron
PÔRTO
Livraria Francisco Alves
RIO DE JANEIRO
1919
Educação Nova
DO AUTOR:
1) Estatística (numérica e gráfica) _das escolas da 2.^a circunscrição
escolar_, Lisboa, 1906, ed. oficial, 1 vol.
2) A nossa escola primária (o que tem sido; o que deve ser), Pôrto,
1910, 1 vol.
3) Psicologia e pedologia (uma missão scientífica, no estrangeiro),
Coímbra, 1913, 1 fasc.
4) O ensino primário em portugal (nas suas relações com a história geral
da Nação), Pôrto, 1913, 1 vol.
5) O crescimento da criança portuguesa (subsidios para a constituição de
uma pedologia nacional), Coímbra, 1915, 1 vol.
6) Elementos de filosofia scientífica, Coímbra, 1915; 2.^a ed., Lisboa,
1918, 1 vol.
7) Educação nova (As bases)--_O corpo da criança_--Lisboa, 1919, 1 vol.
EM PREPARAÇÃO:
8) Educação nova (As bases)--_A mentalidade da criança_--1 vol.
BIBLIOTECA DE PEDOLOGIA NACIONAL
Dr. ALVES DOS SANTOS
Professor da Universidade de Coimbra
EDUCAÇÃO NOVA
AS BASES
I
O CORPO DA CRIANÇA
(Com 32 figuras, no texto)
[Figura]
Livrarias Aillaud e Bertrand
PARIS--LISBOA
Livraria Chardron
PÔRTO
Livraria Francisco Alves
RIO DE JANEIRO
1919
_Todos os exemplares desta edição teem a rubrica autógrafa do autor_
Educação Nova: As Bases
«Oh! le bruit des petits pieds de l'enfant! ce bruit léger et doux
des générations qui arrivent, indécis, incertain comme l'avenir.
L'avenir, c'est nous qui le déciderons peut-être, par la manière
dont nous aurons élevé les générations nouvelles».
Preface de _l'Education et hérédité_, I, de
M. Guyau
Nota Preambular
Mero _subsídio_ para a constituìção de uma _pedologia nacional_, não tem
outras pretensões o presente livro que, no pensamento do seu autor, se
destina, tam sómente, por agora, a desbravar um terreno, a monte ainda
quási, nos domínios da nossa pedagogia.
Os _elementos_, de que nos servimos, longe de serem respigados em _obras
estrangeiras_, como é de uso corrente, entre nós, derivam de
_observações e experiências_, feitas sobre crianças da nossa terra.
Assim, se irá organizando uma _pedologia portuguesa_, tam necessária à
nossa _educação_.
Neste primeiro volume, ocupar-nos hemos do _corpo da criança_, com o fim
de investigar as _leis do crescimento_, em Portugal; no segundo[1],
estudaremos a _mentalidade da criança_, para conhecer as _energias
psíquicas_, que são características do nosso _agrupamento étnico_.
Importa ponderar que, em o nosso país, sem desprimor para ninguêm, em
vez de _sciência_, tem-se feito _literatura pedagógica_...
Há excepções, bem o sei; mas, de tal guisa, fica confirmada... a
_regra_.
¿Não terá soado ainda a hora de enveredar pelo caminho das nações
cultas?...
Introdução
«On ne connoît point l'enfance:... Commencez donc par mieux étudier
vos élèves car très-assurément, vous ne les connoissez point.»
Preface d'_Emile_, III, de
J. J. Rousseau.
INTRODUÇÃO
I
A criança; sua concepção bio-psíquica e social
1.--Como _organismo vivo_ que é, a _criança_, do mesmo modo que as
_plantas_ e os _animais_, está sujeita às _leis físico-químicas_ e
_biológicas_, que regulam a _actividade_ de todos os _sêres vivos_, que
existem à superfície da terra.
Mas, alêm da _vida vegetativa_, que pertence às _plantas_, e da _vida
sensitiva_, que é própria dos _animais superiores_, possue ainda a
_criança_ a _vida intelectual_, apenas partilhada com o _homem_, do qual
incessantemente se aproxima, desde o início da sua _evolução_.
2.--Por virtude da _vida vegetativa_, a criança «_cresce_», isto é,
_aumenta de volume e de densidade_, à medida que se afasta do
_nascimento_, de conformidade com as _leis específicas_, que determinam
o _ritmo_ e as outras _características_ dêsse «_crescimento_».
Sob êste aspecto, a _criança_ não tem outra _função_ senão a de
«_crescer_», isto é, de adquirir um _desenvolvimento somático_, cujo
termo, em _circunstâncias normais_, só à _hereditariedade_ pertence
estabelecer e fixar.
3.--Mercê da _vida sensitiva_ que, no sentido rigoroso do têrmo, é
apanágio exclusivo dos sêres dotados dum _sistema nervoso_, a _criança_
aprende, cada vez com maior eficácia e precisão, a manter com o _meio_,
em que tem de viver, o _equilíbrio_, de que carece, para a conservação
da sua _vida_, isto é, a _adaptar-se_.
Seja qual fôr o conceito que se fizer da _sensação_, como expressão mais
simples, e elemento irredutível da _consciência_; mas, tendo em vista o
_processo evolutivo_ da _diferenciação_ e da _complexidade orgânica_,
não padece dúvida que o _fenómeno da irritabilidade_, que já se encontra
no _mundo vegetal_, de par com os _tropismos das plantas_, pode ajudar a
esclarecer o _mistério_ da _sensibilidade geral_, que os _animais
superiores_ tambêm usufruem, e por cuja virtude a _criança_ se torna
capaz de tirar o máximo proveito das suas _experiências_, em relação ao
_mundo externo_[2].
4.--Finalmente, pela _vida do pensamento_, que se manifesta sempre em
perfeita correlação com o _desenvolvimento cerebral_, a criança adquire
a _capacidade de reagir_, por um _dinamismo progressivo_, à _acção das
influências cosmo-telúricas_, subtraíndo-se a essas e a outras
_influências_, ou atenuando-as, em proveito da sua _individualidade_.
Manifestações desta _vida_ (tambêm chamada _de relação_), alêm da
_espontaneidade_, que torna possível a resistência ao _automatismo dos
instintos_ e dos _hábitos orgânicos_, são a _reflexão_, que prepara o
advento e a consolidação da _personalidade_, e a tendência de
_integração no meio social_, como uma das bases essenciais do
_carácter_[3].
5.--Importa, porêm, advertir que, apesar desta tríplice _existência
funcional_, a _vida da criança_, como a do _homem_, não se scinde, nem
sofre _soluções de continuidade_, antes constitue uma _unidade
orgânica_, e uma _concentração de energias_, que não divergem entre si,
senão pelo _mecanismo_, a que dão origem, e pelas _tendências_ e
_impulsividades_, que despertam[4].
6.--Vê-se, pois, que a _criança_, na integral complexidade dos
_elementos_ que a constituem, e na plenitude das _fôrças_ que a
caracterizam, é um _organismo_, cuja _estrutura_ e _actividade_
dependem, não sómente das _energias físico-químicas_, a que todo o
_Universo_ está sujeito, como tambêm sofrem a influência de tôdas as
_leis biológicas e psíquicas_, que interveem, tanto na formação da
_consciência reflexa do homem adulto_, como na _dinamogenia dos
instintos_, que engendram a _vida social_[5].
II
Sciências da Criança: Pedologia, Psico-pedagogia, Pedagogia
experimental; outros ramos da Pedagogia
1.--A _pedagogia moderna_, aceitando a proposta do professor Blum, de
Lyon[6], emprega a palavra _pedologia_ para designar a _sciência natural
da criança_[7].
Mas a _criança_ pode ser estudada _em si mesma_, sem outro intuito que
não seja o de a _conhecermos_, do mesmo modo que o botanista estuda as
_plantas_, ou o entomólogo, os _costumes dos animais_. Neste caso, o
_estudo_ da criança será _desinteressado_; e, para ser profícuo, não
poderá deixar de submeter-se às _regras do método_, que a sciência
preconiza para a _investigação_ de não importa que _fenómenos da
natureza_. Teremos, então, a _pedologia pura_ que, sendo o _estudo
integral da criança_, compreende:
1) a _biologia infantil_ (conhecimento da _natureza física da criança_,
em todos os _estádios da sua evolução_);
2) a _psicologia infantil_ (estudo da _mentalidade da criança_); e
3) a _sociologia infantil_ (estudo da _sociabilidade da criança_).
Pelo seu lado, cada um dêstes _ramos_ da _pedologia_ subdivide-se ainda
em diferentes _capítulos_, consoante as necessidades da _especialização
scientífica_.
Assim, a _biologia infantil_ ou _fisio-pedologia_ inclue o estudo da
_anatomia_ e da _fisiologia do embrião_; do _recêm-nascido_; e da
_criança_, em tôdas as _idades do «crescimento»_[8].
A _psicologia infantil_ ou _psico-pedologia_, consoante descreve os
_processos mentais da criança_, ou procura explicar a _sua origem e
evolução_, assim se denomina _estrutural_ ou _estática_, e _funcional_
ou _dinâmica_[9].
A _psico-pedologia estrutural_ deve os seus mais assinalados progressos
aos _trabalhos_ de Tiedemann, Sigismund, Kussmaul, Preyer, etc.[10]
Quanto à _psico-pedologia dinâmica_, importa ainda distinguir o estudo
dos _processos mentais da criança_, na sua _continuidade vital
(genética)_, ou no seu _funcionamento orgânico (cinemática)_, como
fizeram, alêm doutros psicólogos notáveis, John Dewey, de Chicago, e o
seu discípulo Irving King[11].
2.--Considerando, porêm, a _criança_, sob um _aspecto utilitário_, isto
é, estudando-a com _determinados intuitos_, ou para _determinado fim_, é
da _pedologia aplicada_ que temos de nos socorrer, ou da _pedotecnia_,
como agora se diz.
Esta tambêm sofre divisões, conforme incide sobre a _criança doente_,
que importa _curar (pediatria)_, ou sobre a _criança delinqùente_, que é
necessário _regenerar (pedotecnia judiciária)_, ou ainda sobre a
_criança_, que nos propomos _educar (pedagogia experimental)_.
A _pediatria_ compreende a _higiene infantil_, a _clínica infantil_ e a
_psiquiatria infantil_; e a _pedotecnia judiciária_ subdivide-se em
_criminologia infantil_, e _profiláctica pedológica_.
Resta a _pedagogia experimental_, que se desdobra na _psico-pedagogia_
(_psicologia infantil_ aplicada à _pedagogia_), na _higiene escolar_, e
na _ortofrenia_ (estudo das _crianças mentalmente anormais_).
O _esquêma_ que, a seguir, publicamos condensa e mostra as relações que
as _sciências pedológicas_ manteem, entre si.
Como se observa, nêsse _quadro_, pelo lugar que nêle ocupa, a _pedagogia
experimental_ é a sciência que aplica ao estudo da _criança normal_ os
_princípios_ da _pedologia teórica ou pura_, no intuito de a _educar_.
3.--Há, porêm, outros _ramos da pedagogia_ que, embora na aparência
independentes, todavia, não derivam doutra _fonte_ que não seja da
_pedologia_: _sciência comum e geral da criança_. São os seguintes:
1) a _pedagogia filosófica_, que estuda as _questões gerais da pedagogia
e da pedologia_ (_conceito e natureza da educação_; _fins_ a que tende;
_leis_ que a regulam; _possibilidade e necessidade da educação_;
_factores da educação_; e seus _agentes_; _princípios gerais_ e
_fundamentais da pedagogia_[12];
2) a _pedagogia histórica_, que estuda os _sistemas de educação_, _na
vida da humanidade_, _através da história_[13];
3) a _pedagogia propedêutica_, ou _arte de educar_ (aprendizagem da
_técnica do ensino_);
4) a _pedagogia escolar_, que se ocupa da _organização material e
pedagógica das escolas_[14];
5) e, finalmente, a _pedagogia administrativa_, que trata da
_administração e do govêrno do ensino_[15].
{ _Geral ou Pura_ { _Bio-pedologia_ { _anatomia
{ (_Desinteressada_){ (_Somática_) { infantil._
{ { { _fisiologia
{ { { infantil._
{ {
{ {
{ { _Psico- { _estrutural._
{ { -pedologia_ {
{ { (_Psíquica_) { _funcional_ { _genética._
{ { { _cinemática._
{ { _Sócio-pedologia._
PEDOLOGIA { { (_Social_)
(_Sciência {
natural da { { _higiene
criança_).[16] { { infantil._
{ { _Pediatria_ { _clinica
{ { (a criança { infantil._
{ { doente ou { _psiquiatria
{ { anormal) { infantil._
{ {
{ _Aplicada ou { _Pedotecnia { _criminologia
{ Pedotecnia_ { Judiciária_ { infantil._
{ (_Intencional_){ (a criança { _profiláctica
{ delinqùente) { pedológica._
{
{ _Pedagogia { _psico- { _psico-
{ experimental_ { -pedagogia_ { -diagnóstica._
{ (a criança sã { {
{ e normal) { { _psico-
{ { -técnica._
{
{ _higiene escolar._
{
{ _ortofrenia_.
III
A vida da criança; fases que atravessa durante o «crescimento», ou
idades da evolução do organismo humano
1.--A _vida da criança_, tanto sob o ponto de vista _somático_, como em
relação à sua _actividade psíquica_, varia com a _idade_ e com o _sexo_;
e difere, não só _em quantidade_, como tambêm e principalmente _em
qualidade_, da vida do adulto[17].
A existência incontestável desta _diferenciação estrutural e dinâmica_
das crianças entre si, e da _criança_ com o _adulto_, levanta o problema
dos _factores do desenvolvimento_, e o da _progressão funcional das
energias bio-psíquicas_, que nêle interveem.
¿Em que medida é que a _hereditariedade_ e o _meio_ influem na _evolução
da criança_; e porque é que o _aparecimento_ e a _acção dos processos
psíquicos_ estão sujeitos à lei do _progresso contínuo_?
Dum modo mais geral, pode preguntar-se, se existe alguma relação entre o
_desenvolvimento bio-psíquico da criança_ e o da _espécie humana_,
através das _idades geológicas_; ou se, pelo contrário, a _doutrina da
recapitulação_ carece de _apoio sólido_, em que se firme[18].
Nós, remetendo o leitor para os _estudos especializados_, que se referem
à _interpretação genética das energias orgânicas do crescimento_, e à
_apreciação das influências mesológicas_, que sôbre elas agem[19],
passamos à enumeração das _fases da vida das crianças_, de conformidade
com o _critério fisiológico da dentição, combinado com o da maturidade
sexual_[20].
2.--São seis as _idades da evolução do organismo humano_, desde o início
da _vida extra-uterina_, até à _idade adulta_:
1) _recêm-nascença_ (até ao fim do _primeiro mês_, depois do
_nascimento_);
2) _infância_ (desde o fim do _primeiro mês_, até aos _três anos_);
3) _puerícia_ (desde os _três anos_, até aos _sete_);
4) _adolescência_ (desde os _sete_, até à idade que oscila, para os
rapazes, _entre os doze e os catorze anos_; para as raparigas, _entre os
onze e os treze_);
5) _puberdade_ (desde o _fim da adolescência_, até a _uma época_ que,
segundo as circunstâncias, tambêm varia, em relação a cada _sexo_; não
indo, porêm, entre nós, em regra, alêm dos _dezasseis anos_, para os
rapazes, e dos _quinze_ para as raparigas);
6) _nubilidade_ (desde os _quinze ou dezasseis_ anos, até aos
_vinte_)[21].
3.--A _recêm-nascença_ inicia-se pela _crise_, resultante da passagem da
_vida intra-uterina_ do _feto_ para a _vida extra-uterina_; e
assinala-se, no _recêm-nascido_, pela existência de _características_,
que importam o mais absoluto _automatismo_[22].
À _criança que vem de nascer_, chamou Virchow «_um ser espinhal_», para
significar, sem dúvida, que é como um _anencéfalo_, que ela se comporta,
em todos os seus movimentos.
Efectivamente, o _recêm-nascido_ é uma pura _máquina de reflexas_, que a
_necessidade de adaptação ao meio_ exclusivamente acciona, _sob risco de
morte_. A _espontaneidade_ só virá com o _funcionamento sensorial_ que,
nesta curtíssima _idade_, só muito imperfeitamente se manifesta[23].
4.--A _infância_ é a época, em que se completa a _primeira dentição_ (os
vinte _dentes do leite_)[24]; e em que, ao _ser fisiológico_, que era a
_criança_, se ajunta agora um _ser intelectual_[25].
Compreende duas _fases principais_, indo a _primeira_, desde o início do
_segundo mês_, até aos _catorze ou dezasseis meses_; e a _segunda_,
desde aí, até aos _três anos completos_.
_Infância_, quer dizer: _idade em que se não fala_ (de _infans_,
_antis_); todavia, a partir dos _doze ou trêze mêses_, a criança
principia já a emitir _sons articulados_; e, desde os _dezoito_ até aos
_vinte e quatro_, mostra-se possuidora da _linguagem pròpriamente
dita_[26].
Alêm desta aquisição, tambêm pertence à _segunda fase da infância_ a
_auto-locomoção_ ou a _marcha_, que entra de ensaiar-se, em regra, nos
rapazes, entre os _doze e os dezasseis mêses_; e, nas raparigas, entre
os _dez e os quinze_[27].
5.--À terceira _idade do «crescimento»_ chamou (e com muita propriedade)
o nosso Garrett _puerícia_ (de _puer_, _[)e]ris_). É a _segunda
infância_, dos franceses, que se compreende entre os _três anos_ e os
_sete_ (início da _segunda dentição_, que apenas se completará, aos
_vinte anos_)[28].
Como, em seu lugar, veremos, as _tendências_ dominantes desta _idade_
são os _jogos_; a _imitação activa_; a _sugestibilidade_; e os
_interesses_, que predominam, ligam-se ao _desenvolvimento da vida
mental_.
6.--A _fase peri-pubertária_ costuma designar-se pela palavra
_adolescência_ (de _adol[)e]scens_, _[)e]ntis_).
[Figura: 10 anos]
[Figura: 11 anos]
[Figura: 12 anos]
Alunos do Colégio Moderno
FASE PUBERTÁRIA
[Figura: 14 anos]
[Figura: 15 anos]
Nesta _idade_, como veremos, «a _criança_ principia a _emancipar-se_; a
sua _personalidade_ desenha-se, esboça-se»[29]; numa palavra, a
_natureza_, neste _estádio da evolução_, cuida de preparar o _individuo_
para a grande _transformação orgânica e psíquica_, que vai ser
realizada, na idade seguinte.
7.--Essa _idade_ é a _puberdade_.
Segundo Paul Godin, a _fase pubertária_ é «o momento do desenvolvimento
humano, em que o _poder germinal_ orienta tôdas as fôrças do organismo
para a _função da reprodução_»[30].
Outros chamam-lhe a _idade crítica_; o _eixo do crescimento_; e todos
são concordes em atribuir os _desequilibrios biológicos e psíquicos_, em
que é fertil, à _convulsão orgânica_, produzida pelo _despertar do
gérmen vivo_, que _dormitava na criança_, desde o dia do _nascimento_.
A _puberdade_, cuja aparição, entre nós, eu tenho estudado[31], alêm dos
_efeitos pilares do púbis e das axilas_, da _mudança da voz_ e, no sexo
feminino, do aparecimento do _fluxo menstrual_, manifesta-se tambêm pelo
aumento do _tecido conjuntivo_, pelo engrossamento dos _ossos_, pelo
robustecimento dos _músculos_, e pelo máximo de _volume e densidade do
cérebro_[32].
8.--A última _fase da evolução_ é a _nubilidade_, que muitos identificam
já com a _idade adulta_.
O _indivíduo_, perdendo as _características infantis_, diferenciou-se,
segundo a _lei dos sexos_; e tornou-se definitivamente apto para _viver
sobre si_, e para assegurar a _persistência da espécie_.
IV
Elementos e subsídios, de que podemos dispor, para a constituição de uma
pedologia nacional
1.--De modo análogo ao que sucede em países estrangeiros, tambêm, entre
nós, se há procurado obter (embora com fortuna vária) _factos em
primeira mão_, que possam esclarecer os _problemas relativos ao
«crescimento» da criança portuguesa_.
Podem considerar-se como _centros de investigação pedológica_ os
seguintes _institutos_:
1) a _Escola-oficina n.^o 1_, de Lisboa, que é uma _escola de ensino
integral e de preparação profissional_, destinada a _adolescentes_ (dos
7 aos 14 anos)[33];
2) o _Instituto médico-pedagógico da Casa Pia_, de Lisboa, dirigido pelo
ilustre pedagogista, Dr. Costa Ferreira, que é autor de _publicações_
interessantes sobre _pedologia_;
3) a _Tutoria do Pôrto_, onde teem sido feitos _exames e observações
antropométricas e psiquiátricas em menores delinqùentes_, pelo distinto
antropologista, Dr. Mendes Corrêa;
4) a _Tutoria de Lisboa_, de que foi _juiz presidente_ o Dr. Pedro de
Castro[34];
5) a _Sociedade de estudos pedagógicos_[35];
6) a _Escola preparatória Rodrigues Sampaio_, de que foi director o
consideradíssimo professor e eminente pedagogista, Dr. Adolfo Coelho;
7) a _Escola Central de Reforma, de Caxias_, dirigida pelo P.^e António
d'Oliveira;
8) o _Laboratório de psicologia experimental da Faculdade de Letras da
Universidade de Coímbra_, que nós fundámos e dirigimos, por deliberação
desta _Faculdade_, que, em 1912, nos mandou à França e à Suíça, a fim de
estudarmos a organização dos _laboratórios psicológicos_, e de
adquirirmos os _utensílios_ e _aparelhos necessários_ para o
funcionamento de um, em Coímbra[36].
2.--Algumas das _investigações_, realizadas nestes _Institutos_, tanto
sobre _pedometria_, como sobre _psico-física dos órgãos dos sentidos_, e
outros _processos psicométricos_, foram divulgadas pela _imprensa_; mas
o maior número das _observações_ e _experiências pedológicas_, de que
felizmente podemos dispor, tem-se conservado _inédito_, mercê de várias
causas, entre as quais avulta aquela que se refere à carência de
_recursos pecuniários_, para ocorrer às despesas a efectuar com a sua
publicação, dada a criminosa _indiferença do Estado_ por esta _ordem de
serviços_, que tem reputado de _somenos importância_, visto que ainda se
não resolveu a votar as _verbas necessárias_ para a sua _organização_,
como _base essencial_ de todo o _sistema de ensino público_ e de tôda a
_obra de educação nacional_.
No _laboratório de psicologia_ da Universidade de Coímbra, desde 1912,
que se não cessa de _observar_ e _experimentar_ sobre _crianças_ e
_adultos_, no intuito de esclarecer alguns dos mais importantes
_problemas da psico-física_, da _psico-fisiologia_ e da _pedologia_,
sendo considerável já o _dossier_ dos _trabalhos realizados_,
principalmente na parte que se refere à _acuidade sensorial_; _função
mnésica_; _tempos de reacção_; _ergografia_; _sugestibilidade_;
_psico-patologia da atenção, da imaginação, da inteligência_; _sentido
cromático_; _doenças oculares_; _psicologia do testemunho_; _dinamogenia
dos sentimentos_; etc.; etc.
Universidade de Coímbra:
Laboratório de Psicologia Experimental
[Figura: Sala de conferências]
[Figura: Sala do laboratório]
Os _resultados_ de tôdas estas _experiências_ serão devidamente
considerados, no presente trabalho (principalmente, no 2.^o volume), de
par com as _observações e estudos_ análogos feitos nos outros
_estabelecimentos_ que indicamos.
V
Bibliografia portuguesa de assuntos relativos à psicologia e à pedologia
1.--*Questões gerais de pedagogia e pedologia:*
1) Almeida Garrett, _Da Educação_, 1.^a ed. Londres, 1829;
2) Dr. Adolfo Coelho, _Os elementos tradicionais da educação_, Pôrto,
1883;
3) Idem, _Questões pedagógicas_ (os exercícios militares na escola),
separata do _Instituto_, Coímbra, 1911;
4) Idem, _A pedagogia do povo português_, apud _Portugalia_, V. I, fasc.
I;
5) Idem, _O estudo da criança_, apud "_A Tutoria_" (revista mensal
defensora da infância), n.^{os} correspondentes aos anos de 1912 e 1913,
Lisboa;
6) Idem, _Educação e Pedagogia_, apud _Boletim da Direcção Geral de
Instrução Pública_, Lisboa, 1902, fasc. I-V;
7) Dr. Alves dos Santos, _A nossa escola primária_, Pôrto, 1910;
8) Idem, _O ensino primário em Portugal_ (nas suas relações com a
história geral da Nação), Pôrto, 1913;
9) Agostinho de Campos, _Educação e Ensino_, Pôrto, 1911;
10) Idem, _Casa de pais, escola de filhos_, 3.^a ed., Lisboa, 1917;
11) D. Virgínia de Castro e Almeida, _Como devemos criar e educar os
nossos filhos_, Lisboa, 1908;
12) Idem, _Como devo governar a minha casa_, Lisboa, 1916;
13) Carneiro de Moura, _A instrução educativa e a organização geral do
Estado_, Lisboa, 1909;
14) Faria de Vasconcelos, _Lições de Pedologia e Pedagogia
experimental_, Lisboa;
15) Mário Fortes, _Manual de educação fisica_, Viseu, 1906;
16) F. Palyart Pinto Ferreira, _Algumas notas pedagógicas_, Lisboa,
1916;
17) António Sérgio, _Educação Cívica_, Pôrto;
18) Luísa Sérgio, _O Método Montessori_, Pôrto;
19) Dr. Mendes Corrêa, _Crianças delinqùentes_, Coímbra, 1915;
20) P.^e António d'Oliveira, _Criminalidade-Educação_, Lisboa, 1918;
21) J. Augusto Coelho, _Manual Prático de Pedagogia_, Pôrto.
2.--*Assuntos especiais, e monografias sobre pedometria e pedotecnia:*
1) Dr. Alves dos Santos, _Psicologia e Pedologia_, Coímbra, 1913;
2) Idem, _O Crescimento da criança portuguesa_, Coímbra, 1917;
3) J. Freire de Matos, _Medida da atenção, por meio dos tempos de
reacção_, apud _Revista da Universidade de Coímbra_, vol. IV, n.^{os} 2
e 3;
4) A. C. Barroso da Silveira, _Determinação do valor físico do adulto_
(memento das mensurações mais importantes do corpo humano), Lisboa,
1917;
5) Dr. Costa Ferreira, _O pêso do corpo da criança_, apud _Archivo de
Anatomia e anthropologia_, Lisboa, 1915, vol. 3.^o, n.^o 2;
6) Idem, _Sobre psicologia e pedagogia do gesto_, Lisboa, 1916;
7) Idem, _Sobre umas provas de exame da atenção voluntária visual_,
Coímbra, 1916;
8) Idem, _Agudeza visual e auditiva das crianças_, Lisboa, 1916;
9) Idem, _A visão das côres_, Coímbra, 1916;
10) Idem, _Auxanometria Militar_, Lisboa, 1917;
11) Idem, _Sobre a pigmentação da íris nalguns escolares portugueses_,
Coímbra, 1918;
12) A. Pires de Lima, _Jogos e canções infantis_, Pôrto, 1916;
13) António Alfredo Alves, _Jogos infantis_, apud _Revista de Educação_
(boletim da S. E. P.), Lisboa, 1912, n.^o 4;
14) Alberto Pessoa, _A prova testemunhal_, Coímbra, 1913;
15) Costa Sacadura, _A escrita direita e a escrita inclinada_ (sua
influência na função respiratória), Lisboa, 1907;
16) Eugénio de Castro Rodrigues, _Méthodes d'enseignement dans les
écoles primaires_, Lisboa, 1900;
17) Salvador Marques, _Algumas palavras em defesa da criança_, Lisboa,
1918;
18) Novais e Sousa, _Assistência e Maternidade_, Coímbra, 1915;
19) Costa Ferreira e José Pontes, _Wounded of the war at the Institute
of S.^{ta} Isabel_, Lisboa, 1918;
20) A. M. de Lima Carvalho, _A reeducação da fala dos gagos e
tatibitátes_ (tratado de ortofonia), Coímbra, 1918;
21) Costa Santos, _Higiene ocular_, Lisboa, 1914;
22) A. Aurélio da Costa Ferreira, _Dois sphygmogramas de gagos_, Lisboa,
1918.
Pedologia Somática
«La nature a, pour fortifier le corps et le faire croître, des
moyens qu'on ne doit jamais contrarier».
Livre II, 99, d'_Emile_, de
J. J. Rousseau
Pedologia Somática
*(O Corpo da Criança)*
CAPÍTULO I
Fases da vida dos organismos. «Crescimento»; suas espécies; e modos
de o estudar.
Leis do «crescimento»; e factores que o modificam.
1.--Existem na _vida dos sêres organizados_ (cada vez mais
acentuadamente, à medida que da _planta_ se passa ao _animal_ e dêste ao
_homem_) tres _fases_ ou _períodos_ (de desigual extensão) que, por suas
_características essenciais_, se tornam _dissemelhantes_ e
_irredutíveis_ uns aos outros:
1) _um tempo de crescimento_ (anabolia), que se efectua, por virtude dum
_predomínio da assimilação funcional_ sobre a _desassimilação orgânica_;
2) _uma fase de decadência_ ou _decrescimento_ (catabolia) determinada,
de modo inverso, pela _preponderância da desassimilação sobre a
assimilação_;
3) _um período de relativa estabilidade_ ou _equilíbrio biológico_
(probolia), durante o qual o _organismo se reproduz_.
Temos, pois, uma _época construtiva_, de _integração orgânica_ que,
depois da _fase êmbrio-fetal_, se realiza durante um têrço
aproximadamente da _vida humana_ (desde a _nascença_ até à
_nubilidade_); um _período destrutivo_, de _desintegração biológica_,
que prepara e acompanha a _velhice_ e conduz à _morte_; e, finalmente,
uma _época intermediária_, que subsiste, durante a _juventude_ e a
_maturidade_.
2.--A _Pedologia_, considerando apenas a primeira fase do _metabolismo
humano_, distingue entre o _«crescimento» normal_ e o _«crescimento»
anormal_; e, em ambos, atende tanto à _morfologia_ (desenvolvimento
estrutural), como à _fisiologia_ (desenvolvimento funcional).
Abandonando o estudo do _«crescimento» anormal_ à _pediatria_ e à
_psiquiatria_; e, reenviando o leitor, em matéria de _«crescimento»
normal_, na parte relativa à _vida intra-uterina_, para os tratadistas
da _embriologia_, restringiremos o nosso trabalho à análise da
_ontogénese do organismo humano_, desde o _nascimento_ até à _idade
adulta_.
Sob o _aspecto estrutural_, o _corpo da criança_, através das _idades de
evolução_, varia, _em função do tempo_:
1) nas _dimensões_
2) na _forma_
3) nas _proporções_
4) nos _elementos_, de que se compõe.
E, quanto ao _desenvolvimento fisiológico_, todos sabem que as _funções
orgânicas_ divergem com a idade, e que há certos _fenómenos_, cuja
manifestação se verifica apenas em _fases_ já avançadas do
«crescimento».
A _criança transforma-se_, pois; isto é, adquire as _características_ da
_idade adulta_, por uma série de _transformações contínuas_, cuja
_sucessão_ é determinada, e cujo _aparecimento_ e _limites_ são _função
do tempo_[37].
A _isto_ se chama «_crescimento_» que, como veremos, pode ser _absoluto_
ou _relativo_, consoante se referir ao _ritmo da evolução_, ou às
_proporções do corpo_, nas diferentes _idades_ desta.
3.--Para estudar a _dinâmica do «crescimento»_, servem-se as _sciências
pedológicas_ da _pedolexia_ (observação da criança) e da _pedometria_
(mensuração da criança).
A _análise_ incide, tanto sobre os _órgãos_ e os _sistemas_, como sobre
as _funções_; e as _medidas somáticas_ devem ser _individuais_,
_periódicas_ e _polimétricas_, isto é, devem abranger todos os
_segmentos do organismo_.
É o que se designa pela expressão de _método auxanológico_.
Reduzindo a _esquêma_ esta _processologia_, temos:
{ _Pedolexia_ { _Estrutural_ (exame dos _órgãos_)
{ (Observação {
{ da criança) { _Funcional_ (exame das _funções_)
_Investigação {
do {
«crescimento»_ {
{ _Pedometria_ { _craniométrica_
{ (Mensuração { _toracométrica_
{ da criança) { _braquiométrica_
{ _cruriométrica_
{ _pelvimétrica_
4--Em o nosso país, as _observações_ e_ mensurações_, realizadas no
intuito de conhecer as _leis do «crescimento»_, são pouco numerosas;
todavia, algumas existem; e, na verdade, em quantidade bastante, pelo
que respeita ao _«crescimento» absoluto_, cujo _ritmo_, como adiante se
verá, reputamos, em relação ao sexo masculino, suficientemente
_estabelecido_ e _determinado_.
Mas, em matéria de _leis do «crescimento»_, importa separar aquelas que,
por sua natureza mesma, se tornam extensivas a _tôdas as crianças_, seja
qual fôr o _meio_ em que vivam, e as _raízes antropológicas_, donde
procedam; e aquelas que pertencem exclusivamente às _crianças de cada
agregado social_, e não abrangem senão os indivíduos que participam dum
_género de vida_ análogo, e promanam de uma mesma _origem étnica_.
Enumeraremos, entre as primeiras, como mais importantes:
1) a _lei de Buffon_ (a que chamaremos _de contraste_), em virtude da
qual o _feto_ cresce, _cada vez mais_, à medida que se aproxima do
_nascimento_, ao passo que a _criança_ cresce, _cada vez_ menos, à
medida que se avizinha da _puberdade_;
2) a _lei da periodicidade_, que regula a _sucessão de esfôrço e
repouso_ (relativo), na _dinâmica do crescimento_;
3) a _lei da alternância_, por cuja virtude os _membros do corpo_
(sobretudo, as _pernas_) crescem principalmente antes e durante a
_puberdade_, e o _busto_, depois;
4) a _lei das compensações_, que se revela na _aceleração do
crescimento_ de certos _órgãos_, em relação a outros _mais
desenvolvidos_[38].
À segunda categoria pertence, alêm da _lei do ritmo_ (modalidade ou
manifestação da _lei da periodicidade_), a _lei das proporções_, que
preside a tôda a _dinâmica_ do _crescimento relativo_.
5.--Estas _leis_, como _resumo_ e _expressão_, que são, das _relações_
entre os _fenómenos_ considerados, incluem, tambêm no caso presente, o
_conceito_ das _causas_ ou dos _factores_ que agem sôbre o
«_crescimento_».
Indicaremos:
1) entre os _determinantes fisiológicos_: a _raça_, a _gestação_, o
_sexo_, a _consanguinidade_ e a _alimentação_;
2) dos _factores mesológicos_: o _meio cosmo-telúrico_ (_clima_,
_estações_, _ar livre_, _claustração_, etc.) e _social_ (_vida
citadina_, e _de campo_, _profissões_ e _ocupações sociais_, etc.);
3) dentre os _agentes patológicos_: as _doenças_ (crónicas, ou agudas),
o _raquitismo_, a _insuficiência tiroidiana_, os _estados neuropáticos_,
etc.;
4) finalmente, das _causas pedagógicas_: os _exercicios físicos_, a
_gimnástica_, os _jogos_, etc.
Cada um dêstes _factores_ age, a seu modo, sobre o _mecanismo do
«crescimento»_, robustecendo ou embaraçando, consoante as
circunstâncias, a _energia intra-orgânica_, que é a _causa primordial_
de tudo, naquele _mecanismo_[39].
CAPÍTULO II
«Crescimento» absoluto; sua determinação, em relação à criança
portuguesa; tabelas de médias, e respectivas curvas. O ritmo do
crescimento em Portugal
1.--Como noutro lugar dissemos[40], o _«crescimento» absoluto_
(determinável pelas _medidas sintéticas_: altura, pêso, perímetro
torácico) denuncia o _ritmo da evolução_, que é diferente, segundo a
_procedência étnica_, e varia com o _meio_, tanto _físico_, como
_social_.
Para o estudo dêste «_crescimento_», entre nós, e organização das
respectivas _tabelas de médias_, dispomos de _elementos
antropométricos_, mais do que suficientes, _em quantidade_, e óptimos,
_em qualidade_.
Êsses _elementos_, já por nós seriados[41], são os seguintes:
1) _mensurações_ e _pesagens_ efectuadas, durante um período de seis
anos, duas vezes em cada ano (novembro e julho), sobre um total de 1.385
indivíduos, do sexo masculino, de idades compreendidas entre os dez e os
dezoito anos, no antigo _Colégio Militar_, pelo médico João Carlos
Mascarenhas de Melo[42];
2) _mensurações_ e _pesagens_, de Pedro Ferreira, no extinto _Colégio de
Campolide_, durante quatro anos seguidos (1905-1909) sobre 1227
crianças, do sexo masculino, de idades que variam, desde os seis até aos
vinte anos[43];
3) _mensurações_ e _pesagens_ do dr. Morais Manchego, realizadas em
_escolas primárias_, do sul do País, sobre 1.829 crianças, do sexo
masculino, desde os seis até aos dezanove anos de idade[44];
4) _mensurações_ e _pesagens_ efectuadas, na _Maternidade de Lisboa_,
sob a direcção do falecido professor Alfredo da Costa, desde 1899 a
1904, sobre mais de 2.800 crianças, de ambos os sexos, logo em seguida
ao _nascimento_[45];
5) _pesagens_ de crianças tuteladas pela _Santa Casa da Misericórdia de
Lisboa_, em número de mais de 100.000, de idades compreendidas entre o
_nascimento_ e os doze mêses, desde 1907 até 1913[46].
6) _mensurações_ e _pesagens_ do dr. Samuel Maia, realizadas em Lisboa,
no ano de 1908, sobre 5.912 crianças, de ambos os sexos, de 0 aos 10
anos de idade;
7) _mensurações_ e _pesagens_ efectuadas, no _liceu de Coímbra_, durante
doze anos (1905-1916), sobre um total de 1.180 alunos, do sexo
masculino, de idades variáveis entre os dez e os vinte anos;
8) _mensurações_ e _pesagens_, realizadas, no _Instituto Feminino de
Educação e Trabalho_, de Odivelas, sob a direcção da médica D. Adelaide
Cabete, durante dois anos consecutivos (1914-1916), sobre 157 alunas;
9) _mensurações_ e _pesagens_, empreendidas, na _Escola de Alunos
Marinheiros do norte_ (Leça de Palmeira) desde 1913 a 1916, sobre 241
alunos, do sexo masculino;
10) finalmente, _mensurações_ e _pesagens_, realizadas, desde 1912, no
_laboratório psicológico_ da Faculdade de Letras, de Coímbra, sobre
crianças de diferentes idades e procedências, como meio de iniciação dos
alunos da _Escola Normal Superior_ na prática da _mensuração
antropométrica_, pelo emprêgo do _método auxanológico_[47].
2.--De tôdas estas _medidas_, aproveitando aquelas que, por suas
_características_, se tornam _comparáveis_, organizamos os seguintes
_quadros de médias_ do _crescimento absoluto, normal, da criança
portuguesa, desde o nascimento até à idade adulta_:
3.--O _quadro n.^o 1_ (Alturas) baseia-se num total de _vinte e uma mil
e seiscentas mensurações_, assim distribuídas:
1) _Maternidade de Lisboa_ (ambos os sexos), 2.877;
2) _Samuel Maia_ (ambos os sexos), 8.685;
3) _Colégio de Campolide_ (sexo masculino), 1.221;
4) _Colégio Militar_ (sexo masculino), 1.385;
5) _Morais Manchego_ (sexo masculino), 1.829;
6) _Liceu de Coimbra_ (sexo masculino), 4.731;
7) _Instituto, de Odivelas_ (sexo feminino), 631;
8) _Escola de alunos marinheiros, do norte_ (sexo masculino), 241.
QUADRO N.^o 1
===========================================================================+
Idades | Maternidade | Samuel | Pedro |
| de Lisboa | Maia | Ferreira |
+-------+-------+-------+-------+-------+-------+
| S. M. | S. F. | S. M. | S. F. | S. M. | S. F. |
--------------+------------+-------+-------+-------+-------+-------+-------+
Recêm-nascido { Nascimento | 50,24 | 49,55 | -- | -- | -- | -- |
{ 0-1 | -- | -- | 66 | 63 | -- | -- |
Infância { 1-2 | -- | -- | 74 | 72 | -- | -- |
{ 2-3 | -- | -- | 83 | 81 | -- | -- |
Puerícia { 3-4 | -- | -- | 89 | 88 | -- | -- |
{ 4-5 | -- | -- | 96 | 94 | -- | -- |
{ 5-6 | -- | -- | 109 | 104 | 113,5 | -- |
{ 6-7 | -- | -- | 110 | 106 | 119,5 | -- |
{ 7-8 | -- | -- | 111 | 110 | 124 | -- |
Adolescência { 8-9 | -- | -- | 116 | 115 | 129 | -- |
{ 9-10 | -- | -- | 123 | 122 | 133 | -- |
{ 10-11 | -- | -- | -- | -- | 138 | -- |
{ 11-12 | -- | -- | -- | -- | 144 | -- |
{ 12-13 | -- | -- | -- | -- | 148 | -- |
Puberdade { 13-14 | -- | -- | -- | -- | 154,5 | -- |
{ 14-15 | -- | -- | -- | -- | 160,5 | -- |
{ 15-16 | -- | -- | -- | -- | 165 | -- |
{ 16-17 | -- | -- | -- | -- | 165,5 | -- |
Nubilidade { 17-18 | -- | -- | -- | -- | 166 | -- |
{ 18-19 | -- | -- | -- | -- | 169 | -- |
{ 19-20 | -- | -- | -- | -- | 171 | -- |
===========================================================================+
===========================================================================+
Idades | Colégio | Morais | Liceu |
| Militar | Manchego | de Coímbra |
+-------+-------+-------+-------+-------+-------+
| S. M. | S. F. | S. M. | S. F. | S. M. | S. F. |
--------------+------------+-------+-------+-------+-------+-------+-------+
Recêm-nascido | Nascimento | -- | -- | -- | -- | -- | -- |
| 0-1 | -- | -- | -- | -- | -- | -- |
Infância | 1-2 | -- | -- | -- | -- | -- | -- |
| 2-3 | -- | -- | -- | -- | -- | -- |
Puerícia | 3-4 | -- | -- | -- | -- | -- | -- |
| 4-5 | -- | -- | -- | -- | -- | -- |
| 5-6 | -- | -- | 108 | -- | -- | -- |
| 6-7 | -- | -- | 114 | -- | -- | -- |
| 7-8 | -- | -- | 119 | -- | -- | -- |
Adolescência | 8-9 | -- | -- | 124 | -- | -- | -- |
| 9-10 | 132 | -- | 127 | -- | -- | -- |
| 10-11 | 135 | -- | 131 | -- | 132 | -- |
| 11-12 | 139 | -- | 135 | -- | 136 | -- |
| 12-13 | 143 | -- | 139 | -- | 139 | -- |
Puberdade | 13-14 | 150 | -- | 147 | -- | 143 | -- |
| 14-15 | 157 | -- | 149 | -- | 153 | -- |
| 15-16 | 162 | -- | 156 | -- | 159 | -- |
| 16-17 | 163 | -- | 161 | -- | 164 | -- |
Nubilidade | 17-18 | 165 | -- | 163 | -- | 165 | -- |
| 18-19 | 169 | -- | 165 | -- | 166 | -- |
| 19-20 | -- | -- | -- | -- | 168 | -- |
===========================================================================+
===========================================================================
Idades | Instituto | Alunos |
| feminino | Marinheiros | Médias gerais
| de Odivelas | |
+-------+---- --+-------+-------+---------------
| S. M. | S. F. | S. M. | S. F. | S. M. | S. F.
--------------+------------+-------+-------+-------+-------+-------+-------
Recêm-nascido | Nascimento | -- | -- | -- | -- | 50,24| 49,55
| 0-1 | -- | -- | -- | -- | 66 | 63
Infância | 1-2 | -- | -- | -- | -- | 74 | 72
| 2-3 | -- | -- | -- | -- | 83 | 81
Puerícia | 3-4 | -- | -- | -- | -- | 89 | 88
| 4-5 | -- | -- | -- | -- | 96 | 94
| 5-6 | -- | -- | -- | -- | 110 | 104
| 6-7 | -- | -- | -- | -- | 114,5 | 106
| 7-8 | -- | 117 | -- | -- | 118 | 113,5
| 8-9 | -- | 120,5 | -- | -- | 123 | 117,7
| 9-10 | -- | 125 | -- | -- | 128,7 | 123,5
| 10-11 | -- | 129 | -- | -- | 134 | 129
| 11-12 | -- | 134,5 | -- | -- | 138,5 | 134,5
| 12-13 | -- | 141,5 | -- | -- | 142 | 141,5
Puberdade | 13-14 | -- | 148 | -- | -- | 148,6 | 148
| 14-15 | -- | 152 | -- | -- | 154,8 | 152
| 15-16 | -- | 152,8 | -- | -- | 160,5 | 152,8
| 16-17 | -- | 154 | 161 | -- | 162,9 | 154
Nubilidade | 17-18 | -- | 153,7 | 161,2 | -- | 164 | 153,7
| 18-19 | -- | 151 | 161,3 | -- | 166 | 151
| 19-20 | -- | 154 | 161,5 | -- | 166,8 | 154
===========================================================================
O _quadro n.^o 2_ (Pêso) foi elaborado, em presença dos _documentos_ que
acusam o elevado número de _cento e dezassete mil e dez pesagens_,
efectuadas nos seguintes _Institutos_:
1) _Maternidade de Lisboa_ (ambos os sexos), 2.549 pesagens;
2) _Misericórdia de Lisboa_ (ambos os sexos), 100.824;
3) _Colégio Militar_ (sexo masculino), 3.034;
4) _Colégio de Campolide_ (sexo masculino), 1.214;
5) _Morais Manchego_ (sexo masculino), 1.271;
6) _Liceu de Coimbra_ (sexo masculino), 2.370;
7) _Samuel Maia_ (ambos os sexos), 4.878;
8) _Instituto Feminino, de Odivelas_ (sexo feminino), 633;
9) _Escola de alunos marinheiros_ (sexo masculino), 237.
QUADRO N.^o 2
============================================================+
| Maternidade | Misericórdia | Colégio |
| de Lisboa | de Lisboa | Militar |
Idades +-------+-------+-------+-------+-------+-------+
| S. M. | S. F. | S. M. | S. F. | S. M. | S. F. |
------------+-------+-------+-------+-------+-------+-------+
Nascimento | 3.236 | 3.103 | -- | -- | -- | -- |
0-1 | -- | -- | 7.500?| -- | -- | -- |
1-2 | -- | -- | -- | -- | -- | -- |
2-3 | -- | -- | -- | -- | -- | -- |
3-4 | -- | -- | -- | -- | -- | -- |
4-5 | -- | -- | -- | -- | -- | -- |
5-6 | -- | -- | -- | -- | -- | -- |
6-7 | -- | -- | -- | -- | -- | -- |
7-8 | -- | -- | -- | -- | -- | -- |
8-9 | -- | -- | -- | -- | -- | -- |
9-10 | -- | -- | -- | -- | -- | -- |
10-11 | -- | -- | -- | -- | 29.000| -- |
11-12 | -- | -- | -- | -- | 30.500| -- |
12-13 | -- | -- | -- | -- | 33.000| -- |
13-14 | -- | -- | -- | -- | 36.500| -- |
14-15 | -- | -- | -- | -- | 42.000| -- |
15-16 | -- | -- | -- | -- | 47.000| -- |
16-17 | -- | -- | -- | -- | 51.500| -- |
17-18 | -- | -- | -- | -- | 53.000| -- |
18-19 | -- | -- | -- | -- | 55.500| -- |
19-20 | -- | -- | -- | -- | 58.500| -- |
20-21 | -- | -- | -- | -- | -- | -- |
============================================================+
============================================================+
| Colégio de | Morais | Samuel |
| Campolide | Manchego | Maia |
Idades +-------+-------+-------+-------+-------+-------+
| S. M. | S. F. | S. M. | S. F. | S. M. | S. F. |
------------+-------+-------+-------+-------+-------+-------+
Nascimento | -- | -- | -- | -- | -- | -- |
0-1 | -- | -- | -- | -- | 7.500| 7.000|
1-2 | -- | -- | -- | -- | 7.000| 8.700|
2-3 | -- | -- | -- | -- | 11.700| 11.250|
3-4 | -- | -- | -- | -- | 13.600| 14.550|
4-5 | -- | -- | -- | -- | 12.900| 14.290|
5-6 | -- | -- | -- | -- | 13.800| 15.700|
6-7 | 20.400| -- | -- | -- | 17.450| 16.450|
7-8 | 23.400| -- | -- | -- | 19.500| 18.140|
8-9 | 25.200| -- | -- | -- | 20.700| 20.950|
9-10 | 27.500| -- | -- | -- | 22.900| 23.250|
10-11 | 29.600| -- | 26.260| -- | -- | -- |
11-12 | 31.600| -- | 28.390| -- | -- | -- |
12-13 | 35.200| -- | 30.880| -- | -- | -- |
13-14 | 39.000| -- | 32.350| -- | -- | -- |
14-15 | 44.600| -- | 35.630| -- | -- | -- |
15-16 | 50.300| -- | 39.580| -- | -- | -- |
16-17 | 55.200| -- | 46.430| -- | -- | -- |
17-18 | 56.300| -- | 50.000| -- | -- | -- |
18-19 | 59.100| -- | 52.910| -- | -- | -- |
19-20 | 60.500| -- | 54.500| -- | -- | -- |
20-21 | 60.500| -- | -- | -- | -- | -- |
============================================================+
QUADRO N.^o 2 (_Continuação_)
=============================================================================
| Liceu de | Instituto | Alunos | Médias gerais
| Coímbra | feminino | Marinheiros |
| | de Odivelas | |
Idades +-------+-------+-------+-------+-------+-------+--------+-------
| S. M. | S. F. | S. M. | S. F. | S. M. | S. F. | S. M. | S. F.
------------+-------+-------+-------+-------+-------+-------+--------+-------
Nascimento | -- | -- | -- | -- | -- | -- | 3.236 | 3.103
0-1 | -- | -- | -- | -- | -- | -- | 7.500 | 7.000
1-2 | -- | -- | -- | -- | -- | -- | 7.900 | 8.700
2-3 | -- | -- | -- | -- | -- | -- | 11.700 | 11.250
3-4 | -- | -- | -- | -- | -- | -- | 13.600 | 14.550
4-5 | -- | -- | -- | -- | -- | -- | 12.900 | 14.260
5-6 | -- | -- | -- | -- | -- | -- | 13.800 | 15.700
6-7 | -- | -- | -- | -- | -- | -- | 18.900 | 16.450
7-8 | -- | -- | -- | 21.687| -- | -- | 21.450 | 16.913
8-9 | -- | -- | -- | 23.225| -- | -- | 22.950 | 22.087
9-10 | -- | -- | -- | 24.480| -- | -- | 25.200 | 23.865
10-11 | 28.000| -- | -- | 26.573| -- | -- | 28.200 | 26.573
11-12 | 30.000| -- | -- | 30.170| -- | -- | 30.100 | 30.170
12-13 | 33.000| -- | -- | 36.302| -- | -- | 33.000 | 36.302
13-14 | 37.000| -- | -- | 42.239| -- | -- | 36.200 | 42.239
14-15 | 42.000| -- | -- | 46.510| -- | -- | 41.050 | 46.510
15-16 | 48.500| -- | -- | 49.435| -- | -- | 46.300 | 49.435
16-17 | 53.000| -- | -- | 50.402| 52.500| -- | 52.000 | 50.402
17-18 | 55.000| -- | -- | 51.100| 53.500| -- | 53.500 | 51.100
18-19 | 57.500| -- | -- | 51.372| 54.000| -- | 55.125 | 51.372
19-20 | 60.000| -- | -- | 50.000| 55.000| -- | 56.675 | 50.000
20-21 | 60.500| -- | -- | -- | -- | -- | 60.500 | --
=============================================================================
Finalmente, para a elaboração do _quadro n.^o 3_ (Perímetro torácico),
cujas médias são a _expressão sintética_ de _sete mil mensurações_,
contribuíram os seguintes _estabelecimentos_:
1) _Colégio Militar_ (sexo masculino), com 1.385;
2) _Colégio de Campolide_ (sexo masculino), com 1.223;
3) _Liceu de Coímbra_ (sexo masculino), com 2.225;
4) _Escola de alunos marinheiros_ (sexo masculino),
com 2.167.
QUADRO N.^o 3
(Sexo masculino)
====================================================================
| Colégio | Colégio | Liceu | Escola | Médias
Idades | Militar | de | de | de Alunos | gerais
| | Campolide | Coimbra | Marinheiros |
----------+----------+------------+---------+-------------+---------
6-7 | -- | 57,3 | -- | -- | 57,3
7-8 | -- | 59,3 | -- | -- | 59,3
8-9 | -- | 59,3 | -- | -- | 59,3
9-10 | -- | 60,7 | -- | -- | 60,7
10-11 | 62,5 | 61,9 | 61,4 | -- | 61,9
11-12 | 64 | 63,6 | 63 | -- | 63,5
12-13 | 66 | 65,5 | 65,1 | -- | 65,5
13-14 | 69 | 67,8 | 66,9 | -- | 67,9
14-15 | 72 | 71,2 | 67,1 | -- | 70,1
15-16 | 75,5 | 74,7 | 67,8 | -- | 72,6
16-17 | 78,5 | 77,8 | 79,1 | 83 | 79,6
17-18 | 80 | 79,3 | 80,3 | 85 | 81,1
18-19 | 81,5 | 80,8 | 81,2 | 85 | 82,1
19-20 | 82,5 | 81,8 | 82,7 | 85 | 83
20-21 | -- | 82 | 82,6 | -- | 82,3
4.--As condições em que foram _mensuradas_ tôdas as crianças, a que
estes _quadros_ se referem, assim como a _técnica_ adoptada nas
_mensurações_, e ainda os _gráficos_ que exprimem as respectivas
_médias_; tudo isso se pode ver, pormenorizadamente exposto, descrito e
apreciado, em a nossa _monografia_, já citada, sobre o _«crescimento» da
criança portuguesa_.
5.--Mas, alêm dos _elementos_ enumerados, podemos acrescentar _outros_,
que daqueles não divergem sensivelmente, e são provenientes do _liceu
Pedro Nunes_, e do _Colégio Moderno_, de Coímbra, onde presentemente,
com o auxílio dos alunos da _Escola Normal Superior_, nos entregamos a
_estudos de pedometria_, no intuito de conhecer e determinar, com
precisão, as _leis do crescimento_, em _Portugal_.
A seguinte _tabela_ inscreve as médias das _mensurações_ realizadas, no
referido _liceu_, no ano lectivo de 1914-1915:
========================================================
| N.^o de | | | Ampl.
Idades | alunos | Altura | Pêso | torácica
--------+---------+-----------+-----------+-------------
9 | 12 | 1^{m},327 | 30^{k},5 | 51^{mm}
10 | 50 | 1^{m},342 | 29^{k},57 | 63^{mm}
11 | 89 | 1^{m},390 | 32^{k},21 | 73^{mm}
12 | 99 | 1^{m},431 | 34^{k},97 | 70^{mm}
13 | 97 | 1^{m},467 | 37^{k},96 | 71^{mm}
14 | 133 | 1^{m},526 | 41^{k},46 | 74^{mm}
15 | 102 | 1^{m},576 | 43^{k},39 | 82^{mm}
16 | 82 | 1^{m},629 | 50^{k},34 | 77^{mm}
17 | 46 | 1^{m},698 | 58^{k},19 | 87^{mm}
18 | 23 | 1^{m},689 | 55^{k},17 | 76^{mm},5
19 | 10 | 1^{m},671 | 59^{k},11 | 84^{mm}
20 | 1 | 1^{m},599 | 56^{k} | 110^{mm}
21 | 1 | 1^{m},683 | 47^{k},6 | 80^{mm}
--------+---------+-----------+-----------+-------------
No capítulo imediato, a propósito do _crescimento relativo_,
interpretaremos as _notações_, referentes ao _Colégio Moderno_, que
incidem sobre _cento e vinte crianças_, de diferentes idades, tôdas do
sexo masculino, _observadas e mensuradas_, segundo as prescrições do
_método auxanológico_.
6.--A _seriação_ de todos os _elementos_ considerados, assim como o
_apuramento das respectivas médias_, realizado de modo a fazer
corresponder, tanto quanto possível, à _realidade_ os resultados do
cálculo, tornaram possível o traçado dos seguintes _gráficos_, que
revelam, com suficiente clareza, o _ritmo do «crescimento»_, entre nós.