eterna a todos [3] quantos lhe déste.
3 E [4] a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, [5] por unico
Deus verdadeiro, e a Jesus Christo, [6] a quem enviaste.
4 [7] Eu glorifiquei-te na terra, [8] tendo consummado a obra [9] que me
dés-te a fazer.
5 E agora glorifica-me tu, ó Pae, junto de ti mesmo, com aquella gloria
que [10] tinha comtigo antes que o mundo existisse.
6 Manifestei [11] o teu nome aos homens [12] que do mundo me déste: eram
teus, e tu m’os déste, e guardaram a tua palavra.
7 Agora _já_ teem conhecido que tudo quanto me déste vem de ti,
8 Porque lhes dei as palavras [13] que tu me déste; e elles _as_
receberam, [14] e teem verdadeiramente conhecido que sahi de ti, e creram
que me enviaste.
9 Eu rogo por elles: não [15] rogo pelo mundo, mas por aquelles que me
déste, porque são teus.
10 E todas as minhas coisas são tuas, [16] e as tuas coisas são minhas; e
n’elles sou glorificado.
11 E [17] eu já não estou mais no mundo; porém elles estão no mundo, e eu
vou para ti. Pae sancto, [18] guarda em teu nome aquelles que me déste,
[19] para que sejam um, [20] assim como nós.
12 Estando eu com elles no mundo, guardava-os em teu nome. [21] Tenho
guardado aquelles que tu me déste, [22] e nenhum d’elles se perdeu, senão
o [23] filho da perdição, [24] para que a Escriptura se cumprisse.
13 Mas agora vou para ti, e digo isto no mundo, para que tenham a minha
alegria completa em si mesmos.
14 Dei-lhes [25] a tua palavra, [26] e o mundo os aborreceu, porque não
são do mundo, [27] assim como eu não sou do mundo.
15 Não rogo que os tires do mundo, [28] mas que os livres do mal.
16 Não [29] são do mundo, como eu do mundo não sou.
17 Sanctifica-os [30] na tua verdade: [31] a tua palavra é a verdade.
18 Assim [32] como tu me enviaste ao mundo, tambem eu os enviei ao mundo.
19 E por elles [33] me sanctifico a mim mesmo, para que tambem elles
sejam sanctificados na verdade.
20 E não rogo sómente por estes, mas tambem por aquelles que pela sua
palavra hão de crêr em mim.
21 Para [34] que todos sejam um [35] como tu, ó Pae, em mim, e eu em
ti; que tambem elles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me
enviaste.
22 E eu dei-lhes a gloria que a mim me déste, [36] para que sejam um,
como nós somos um:
23 Eu n’elles, e tu em mim, [37] para que sejam perfeitos em um, e para
que o mundo conheça que tu me enviaste a mim, e que os tens amado a elles
como me tens amado a mim.
24 Pae, [38] aquelles que me déste quero que, onde eu estiver, tambem
elles estejam comigo, para que vejam a minha gloria que me déste: [39]
porque tu me has amado antes da fundação do mundo.
25 Pae justo, [40] o mundo não te conheceu; mas [41] eu te conheci, [42]
e estes conheceram que tu me enviaste a mim.
26 E eu [43] lhes fiz conhecer o teu nome, e _lh’o_ farei conhecer mais,
para que o amor com [44] que me tens amado n’elles esteja, e eu n’elles.
[1] cap. 12.23 e 13.32.
[2] Dan. 7.14. Heb. 2.8.
[3] ver. 6, 9, 24.
[4] Isa. 53.11.
[5] I Cor. 8.4.
[6] cap. 3.34.
[7] cap. 13.31 e 14.13.
[8] cap. 4.34.
[9] cap. 14.31.
[10] cap. 1.1. Phi. 2.6.
[11] ver. 26. Psa. 22.23.
[12] ver. 2, 9, 11.
[13] cap. 8.28.
[14] ver. 25. cap. 16.27, 30.
[15] I João 5.19.
[16] cap. 16.15.
[17] cap. 13.1 e 16.28.
[18] I Ped. 1.5. Jud. 1.
[19] ver. 21, etc.
[20] cap. 10.30.
[21] cap. 6.39. Heb. 2.13.
[22] I João 2.19.
[23] cap. 6.70.
[24] Psa. 109.8. Act. 1.20.
[25] ver. 8.
[26] cap. 15.18, 19. I João 3.13.
[27] cap. 8.23.
[28] Mat. 6.13. II The. 3.3. I João 5.18.
[29] ver. 14.
[30] Act. 15.9. Eph. 5.26. I Ped. 1.22.
[31] II Sam. 7.28. Psa. 119.142, 151.
[32] cap. 20.21.
[33] I Cor. 1.2, 30. I The. 4.7. Heb. 10.10.
[34] ver. 11, 22, 23. Rom. 12.5. Gal. 3.28.
[35] cap. 10.38.
[36] cap. 14.20. I João 1.3.
[37] Col. 3.14.
[38] cap. 12.26 e 14.3. I The. 4.16.
[39] ver. 5.
[40] cap. 15.21 e 16.3.
[41] cap. 7.29.
[42] ver. 8. cap. 16.27.
[43] ver. 6. cap. 15.15.
[44] cap. 15.9.
_Jesus preso em Gethsemane._
Mat. 26.36-56 e refs.
18 Tendo Jesus dito estas _coisas_, [1] saiu com os seus discipulos para
[2] além do ribeiro de Cedron, onde havia um horto, no qual elle entrou e
seus discipulos.
2 E Judas, que o trahia, tambem conhecia aquelle logar, [3] porque Jesus
muitas vezes se ajuntava ali com os seus discipulos.
3 Tendo [4] pois Judas tomado uma [AHV] companhia _de soldados e alguns_
creados dos principaes dos sacerdotes e phariseos, veiu para ali com
lanternas, e archotes e armas.
4 Sabendo pois Jesus todas as coisas que sobre elle haviam de vir,
adiantou-se, e disse-lhes: A quem buscaes?
5 Responderam-lhe: A Jesus Nazareno. Disse-lhes Jesus: Sou eu. E Judas,
que o trahia, estava tambem com elles.
6 Quando pois lhes disse: Sou eu, recuaram, e cairam por terra.
7 Tornou-lhes pois a perguntar: A quem buscaes? E elles disseram: A Jesus
Nazareno.
8 Jesus respondeu: _Já_ vos disse que sou eu: se pois me buscaes a mim,
deixae ir estes.
9 Para que se cumprisse a palavra que tinha dito: [5] Dos que me déste
nenhum d’elles perdi.
10 Então [6] Simão Pedro, que tinha espada, desembainhou-a, e feriu o
servo do summo sacerdote, e cortou-lhe a orelha direita. E o nome do
servo era Malco.
11 Porém Jesus disse a Pedro: Mette a tua espada na bainha; [7] não
beberei eu o calix que o Pae me deu?
_Jesus perante o synhedrio: Pedro nega-o._
Mat. 26.57-75 e refs.
12 Então a cohorte, e o tribuno, e os servos dos judeos prenderam a Jesus
e o manietaram.
13 E conduziram-n’o primeiramente a [8] Annás, por ser sogro de Caiphás,
o qual era o summo sacerdote d’aquelle anno.
14 Ora, Caiphás [9] era quem tinha aconselhado aos judeos que convinha
que um homem morresse pelo povo.
15 E [10] Simão Pedro e outro discipulo seguiam a Jesus. E este discipulo
era conhecido do summo sacerdote, e entrou com Jesus na sala do summo
sacerdote.
16 E [11] Pedro estava fóra, á porta. Saiu então o outro discipulo que
era conhecido do summo sacerdote, e fallou á porteira, e levou a Pedro
para dentro.
17 Então a porteira disse a Pedro: Não és tu tambem dos discipulos d’este
homem? Disse elle: Não sou.
18 Ora estavam ali os servos e os creados, que tinham feito brazas, e se
aquentavam, porquanto fazia frio; e com elles estava Pedro, aquentando-se
tambem.
19 E o summo sacerdote interrogou Jesus ácerca dos seus discipulos e da
sua doutrina.
20 Jesus lhe respondeu: [12] Eu fallei abertamente ao mundo; eu sempre
ensinei na synagoga e no templo onde todos os judeos se ajuntam, e nada
disse em occulto;
21 Para que me perguntas a mim? pergunta aos que ouviram o que é que lhes
tenho fallado: eis que elles sabem o que eu lhes tenho dito.
22 E, tendo elle dito isto, um dos creados que ali estavam deu [13] uma
bofetada em Jesus, dizendo: Assim respondes ao summo sacerdote?
23 Respondeu-lhe Jesus: Se fallei mal, dá testemunho do mal; e, se bem,
porque me feres?
24 E [14] Annás mandou-o, manietado, ao summo sacerdote Caiphás.
25 E Simão Pedro estava ali, e aquentava-se. [15] Disseram-lhe pois: Não
és tambem tu dos seus discipulos? Elle negou, e disse: Não sou.
26 E um dos servos do summo sacerdote, parente _d’aquelle_ a quem Pedro
cortara a orelha, disse: Não te vi eu no horto com elle?
27 E Pedro negou outra vez, e [16] logo o gallo cantou.
_Jesus perante Pilatos._
Mat. 27.1, 2, 31 e refs.
28 Depois levaram [17] Jesus da casa de Caiphás para a audiencia. E era
pela manhã. [18] E não entraram na audiencia, para não se contaminarem,
mas poderem comer a paschoa.
29 Então Pilatos saiu fóra e disse-lhes: Que accusação trazeis contra
este homem?
30 Responderam, e disseram-lhe: Se este não fosse malfeitor, não t’o
entregariamos.
31 Disse-lhes pois Pilatos: Levae-o vós, e julgae-o segundo a vossa lei.
Disseram-lhe pois os judeos: A nós não nos é licito matar alguem.
32 (Para [19] que se cumprisse a palavra que Jesus tinha dito,
significando de que morte havia de morrer.)
33 Tornou [20] pois a entrar Pilatos na audiencia, e chamou a Jesus, e
disse-lhe: Tu és o rei dos judeos?
34 Respondeu-lhe Jesus: Tu dizes isso de ti mesmo, ou disseram-t’o outros
de mim?
35 Pilatos respondeu: Porventura sou eu judeo? a tua nação e os
principaes dos sacerdotes entregaram-te a mim: que fizeste?
36 Respondeu [21] Jesus: [22] O meu reino não é d’este mundo: se o meu
reino fosse d’este mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não
fosse entregue aos judeos: porém agora o meu reino não é d’aqui.
37 Disse-lhe pois Pilatos: Logo tu és rei? Jesus respondeu: Tu dizes
que eu sou rei. Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, para dar
testemunho á verdade. Todo aquelle que [23] é da verdade ouve a minha voz.
38 Disse-lhe Pilatos: Que é a verdade? E, dizendo isto, tornou a sair
para os judeos, e disse-lhes: [24] Não acho n’elle crime algum;
39 Mas [25] vós tendes por costume que eu vos solte um pela paschoa.
Quereis pois que vos solte o Rei dos Judeos?
40 Então [26] todos tornaram a clamar, dizendo: Este não, mas Barrabbás.
[27] E Barrabbás era um salteador.
[1] Mar. 14.32.
[2] II Sam. 15.23.
[3] Luc. 21.37 e 22.39.
[4] Mat. 26.47. Mar. 14.43. Act. 1.16.
[5] cap. 17.12.
[6] Mat. 26.51. Luc. 22.49, 50.
[7] Mat. 20.22.
[8] Luc. 3.2.
[9] cap. 11.50.
[10] Mat. 26.58. Mar. 14.54. Luc. 22.54.
[11] Mat. 26.69. Mar. 14.66. Luc. 22.54.
[12] Mat. 26.55. Luc. 4.15.
[13] Jer. 20.2. Act. 23.2.
[14] Mat. 26.57.
[15] Mat. 26.69, 71. Mar. 14.69. Luc. 22.58.
[16] Mat. 26.74. Mar. 14.72.
[17] Mar. 15.1. Act. 3.13.
[18] Act. 10.28 e 11.3.
[19] Mat. 20.19. cap. 12.32, 33.
[20] Mat. 27.11.
[21] I Tim. 6.13.
[22] Dan. 2.44 e 7.14. Luc. 12.14.
[23] cap. 8.47. I João 3.19.
[24] Mat. 27.24. Luc. 23.4. cap. 19.4, 6.
[25] Mat. 27.15. Mar. 15.6. Luc. 23.17.
[26] Act. 3.14.
[27] Luc. 23.19.
19 Pilatos [1] pois tomou então a Jesus, e o açoitou:
2 E os soldados, tecendo uma corôa de espinhos, _lh’a_ pozeram sobre a
cabeça, e lhe vestiram uma veste de purpura.
3 E diziam: Salve, Rei dos Judeos. E davam-lhe bofetadas.
4 Então Pilatos saiu outra vez fóra, e disse-lhes: Eis aqui vol-o trago
fóra, para [2] que saibaes que não acho n’elle crime algum.
5 Saiu pois Jesus fóra, levando a corôa de espinhos e o vestido de
purpura. E disse-lhes _Pilatos_: Eis-aqui o homem.
6 Vendo-o pois [3] os principaes dos sacerdotes e os servos, clamaram,
dizendo: Crucifica-_o_, crucifica-_o_. Disse-lhes Pilatos: Tomae-_o_ vós,
e crucificae-_o_; porque eu nenhum crime acho n’elle.
7 Responderam-lhe os judeos: [4] Nós temos uma lei, e, segundo a nossa
[5] lei, deve morrer, porque se fez Filho de Deus.
8 E Pilatos, quando ouviu esta palavra, mais atemorisado ficou.
9 E entrou outra vez na audiencia, e disse a Jesus: D’onde és tu? [6] Mas
Jesus não lhe deu resposta.
10 Disse-lhe pois Pilatos: Não me fallas a mim? não sabes tu que tenho
poder para te crucificar e tenho poder para te soltar?
11 Respondeu Jesus: [7] Nenhum poder terias contra mim, se de cima te não
fosse dado; porém aquelle que me entregou a ti maior peccado tem.
12 Desde então Pilatos procurava soltal-o; mas os judeos clamavam,
dizendo: [8] Se soltas este, não és amigo do Cesar: [9] qualquer que se
faz rei [AHW] contradiz ao Cesar.
13 Ouvindo pois Pilatos este dito, levou a Jesus para fóra, e assentou-se
no tribunal, no logar chamado Lithostrótos, e em hebraico Gabbatha.
14 E [10] era a preparação da paschoa, e quasi á hora sexta; e disse aos
judeos: Eis aqui o vosso Rei.
15 Mas elles bradaram: Tira, tira, crucifica-o. Disse-lhes Pilatos: Hei
de crucificar o vosso Rei? Responderam os principaes dos sacerdotes: [11]
Não temos rei, senão o Cesar.
16 Então [12] entregou-lh’o, para que fosse crucificado. E tomaram a
Jesus, e o levaram.
_A crucifixão._
Mat. 27.31-56 e refs.
17 E, levando [13] elle ás costas a sua cruz, saiu [14] para o logar
chamado Caveira, que em hebraico se chama Golgotha,
18 Onde o crucificaram, e com elle outros dois, um de cada lado, e Jesus
no meio.
19 E Pilatos [15] escreveu tambem um titulo, e pôl-o em cima da cruz; e
_n’elle_ estava escripto: JESUS NAZARENO, REI DOS JUDEOS.
20 E muitos dos judeos leram este titulo; porque o logar onde Jesus
estava crucificado era proximo da cidade; e estava escripto em hebraico,
grego _e_ latim.
21 Diziam pois os principaes sacerdotes dos judeos a Pilatos: Não
escrevas, Rei dos Judeos; mas que elle disse: Sou Rei dos Judeos.
22 Respondeu Pilatos: O que escrevi, escrevi.
23 Tendo pois [16] os soldados crucificado a Jesus, tomaram os seus
vestidos, e fizeram quatro partes, para cada soldado uma parte, e a
tunica. Porém a tunica, tecida toda d’alto _a baixo_, não tinha costura.
24 Disseram pois uns aos outros: Não a rasguemos, mas lancemos sortes
sobre ella, _para vêr_ de quem será. Para que se cumprisse a Escriptura
que diz: Dividiram [17] entre si os meus vestidos, e sobre a minha
vestidura lançaram sortes. E os soldados, pois, fizeram estas coisas.
25 E [18] junto á cruz de Jesus estava sua mãe, e a irmã de sua mãe,
Maria, _mulher_ [19] de Cleophas, e Maria Magdalena.
26 Ora Jesus, vendo ali _a sua_ mãe, e [20] o discipulo a quem elle amava
estando presente, disse a sua mãe: [21] Mulher, eis ahi o teu filho.
27 Depois disse ao discipulo: Eis ahi tua mãe. E desde aquella hora o
discipulo a recebeu [22] em sua _casa_.
28 Depois, sabendo Jesus que já todas _as coisas_ estavam [23] acabadas,
para que a Escriptura se cumprisse, disse: Tenho sêde.
29 Estava pois ali um vaso cheio de vinagre. [24] E encheram de vinagre
uma esponja, e, pondo-_a_ n’um hyssope, lh’_a_ chegaram á bocca.
30 E, quando Jesus tomou o vinagre, disse: [25] Está consummado. E,
inclinando a cabeça, entregou o espirito.
31 Os judeos, pois, para [26] que no sabbado não ficassem os corpos na
cruz, porque era a preparação [27] (pois era grande o dia de sabbado),
rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas, e fossem tirados.
32 Foram pois os soldados, e, na verdade, quebraram as pernas ao
primeiro, e ao outro que com elle fôra crucificado;
33 Mas, vindo a Jesus, e vendo-o já morto, não lhe quebraram as pernas.
34 Porém um dos soldados lhe furou o lado com uma lança, e logo saiu [28]
sangue e agua.
35 E aquelle que _isto_ viu _o_ testificou, e o seu testemunho é
verdadeiro; e sabe que é verdade o que diz, para que tambem vós o creiaes.
36 Porque estas _coisas_ aconteceram para que [29] se cumprisse a
Escriptura, que diz: Nenhum dos seus ossos será quebrado.
37 E outra vez diz a Escriptura: [30] Verão o que traspassaram.
_A sepultura de Jesus._
Mat. 27.57, etc. e refs.
38 Depois d’isto, [31] José de Arimathea (o que era discipulo de
Jesus, mas occulto, [32] por medo dos judeos) rogou a Pilatos que lhe
permittisse tirar o corpo de Jesus. E Pilatos _lh’o_ permittiu. Então foi
e tirou o corpo de Jesus.
39 E foi tambem [33] Nicodemos (aquelle que anteriormente se dirigira de
noite a Jesus), [34] levando quasi cem arrateis d’um composto de myrrha e
aloes.
40 Tomaram pois o corpo de Jesus e o envolveram em lençoes com as
especiarias, como os judeos teem por costume preparar para o sepulchro.
41 E havia um horto n’aquelle logar onde fôra crucificado, e no horto um
sepulchro novo, em que ainda ninguem havia sido posto.
42 Ali pois (por causa da preparação [35] dos judeos, e por estar perto
aquelle sepulchro), [36] pozeram a Jesus.
[1] Mat. 20.19. Mar. 15.15. Luc. 18.33.
[2] cap. 18.38. ver. 6.
[3] Act. 3.13.
[4] Lev. 24.16.
[5] Mat. 26.65. cap. 5.18.
[6] Isa. 53.7. Mat. 27.12, 14.
[7] Luc. 22.53. cap. 7.30.
[8] Luc. 23.2.
[9] Act. 17.7.
[10] Mat. 27.62.
[11] Gen. 49.10.
[12] Mat. 27.26, 31. Luc. 23.24.
[13] Mar. 15.21, 22.
[14] Num. 15.36. Heb. 13.12.
[15] Mat. 27.37. Luc. 23.38.
[16] Mat. 27.35. Mar. 15.24. Luc. 23.34.
[17] Psa. 22.18.
[18] Mat. 27.55. Mar. 15.40. Luc. 23.49.
[19] Luc. 24.18.
[20] cap. 13.23 e 20.2.
[21] cap. 2.4.
[22] cap. 1.11 e 16.32.
[23] Psa. 69.21.
[24] Mat. 27.48.
[25] cap. 17.4.
[26] ver. 42. Mar. 15.42.
[27] Deu. 21.23.
[28] I João 5.6, 8.
[29] Exo. 12.46. Num. 9.12. Psa. 34.20.
[30] Psa. 22.17, 18. Zac. 12.10. Apo. 1.7.
[31] Mar. 15.42. Luc. 23.50.
[32] cap. 9.22 e 12.42.
[33] cap. 3.1, 2 e 7.50.
[34] Act. 5.6.
[35] ver. 21.
[36] Isa. 53.9.
_A resurreição._
Mat. 28.1-10 e refs.
20 E no [1] primeiro _dia_ da semana Maria Magdalena foi ao sepulchro de
madrugada, sendo ainda escuro, e viu a pedra _já_ tirada do sepulchro.
2 Correu pois, e foi a Simão Pedro, e ao [2] outro discipulo, a quem
Jesus amava, e disse-lhes: Levaram o Senhor do sepulchro, e não sabemos
onde o pozeram.
3 Então [3] Pedro saiu com o outro discipulo, e foram ao sepulchro.
4 E estes dois corriam juntos, porém o outro discipulo correu mais
apressadamente do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulchro.
5 E abaixando-se, viu postos os lençoes; todavia não entrou.
6 Chegou pois Simão Pedro, que o seguia, e entrou no sepulchro, e viu
postos os lençoes,
7 E [4] que o lenço, que tinha sido _posto_ sobre a sua cabeça, não
estava com os lençoes, mas enrolado n’um logar á parte.
8 Então entrou tambem o outro discipulo, que chegara primeiro ao
sepulchro, e viu, e creu.
9 Porque ainda não sabiam a Escriptura: [5] que era necessario que
resuscitasse dos mortos.
10 Tornaram pois os discipulos para casa.
_Jesus apparece a Maria Magdalena._
11 E Maria [6] estava chorando fóra, junto ao sepulchro. Estando ella
pois chorando, abaixou-se para o sepulchro.
12 E viu dois anjos _vestidos_ de branco, assentados onde jazera o corpo
de Jesus, um á cabeceira e outro aos pés.
13 E disseram-lhe elles: Mulher, porque choras? Ella lhes disse: Porque
levaram o meu Senhor, e não sei onde o pozeram.
14 E, tendo [7] dito isto, voltou-se para traz, e viu Jesus em pé, [8]
porém não sabia que era Jesus.
15 Disse-lhe Jesus: Mulher, porque choras? Quem buscas? Ella, cuidando
que era o hortelão, disse-lhe: Senhor, se tu o levaste, dize-me onde o
pozeste, e eu o levarei.
16 Disse-lhe Jesus: Maria! Ella, voltando-se, disse-lhe: Rabboni (que
quer dizer, Mestre).
17 Disse-lhe Jesus: Não me toques, porque ainda não subi para meu Pae,
mas vae para [9] meus irmãos, e dize-lhes: [10] Subo para meu Pae e vosso
Pae, [11] e _para_ meu Deus e vosso Deus.
18 Maria Magdalena foi [12] e annunciou aos discipulos que vira o Senhor,
e que elle lhe dissera estas _coisas_.
_Jesus apparece aos onze. A incredulidade de Thomé._
Luc. 24.33-43 e refs.
19 Chegada [13] pois a tarde de aquelle dia, o primeiro da semana, e
cerradas as portas onde os discipulos, com medo dos judeos, se tinham
ajuntado, chegou Jesus, e poz-se no meio, e disse-lhes: Paz comvosco.
20 E, dizendo isto, mostrou-lhes as suas mãos e o lado. [14] De sorte que
os discipulos se alegraram vendo o Senhor.
21 Disse-lhes pois Jesus outra vez: Paz comvosco; [15] assim como o Pae
me enviou, tambem eu vos envio a vós.
22 E, havendo dito isto, assoprou _sobre elles_ e disse-lhes: Recebei o
Espirito Sancto:
23 Áquelles a quem [16] perdoardes os peccados lhes são perdoados: _e_
áquelles a quem os retiverdes _lhes_ são retidos.
24 Ora Thomé, um dos doze, chamado [17] Didymo, não estava com elles
quando Jesus chegou.
25 Disseram-lhe pois os outros discipulos: Vimos o Senhor. Porém elle
disse-lhes: Se eu não vir o signal dos cravos em suas mãos e não metter
o dedo no logar dos cravos, e não metter a minha mão no seu lado, em
maneira nenhuma _o_ crerei.
26 E oito dias depois estavam outra vez os seus discipulos dentro, e com
elles Thomé. Chegou Jesus, estando as portas fechadas, e apresentou-se no
meio, e disse: Paz comvosco.
27 Depois disse a Thomé: Chega aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; [18]
e chega a tua mão, e mette-a no meu lado; e não sejas incredulo, mas
crente.
28 Thomé respondeu, e disse-lhe: Senhor meu, e Deus meu!
29 Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Thomé, creste; [19] bemaventurados
os que não viram, e creram.
30 Jesus pois operou tambem em presença de seus discipulos muitos outros
[20] signaes, que não estão escriptos n’este livro.
31 Porém [21] estes foram escriptos para que creiaes que Jesus é o
Christo, o Filho de Deus, [22] e para que, crendo, tenhaes vida em seu
nome.
[1] Mar. 16.1. Luc. 24.1.
[2] cap. 13.23 e 19.26 e 21.7, 20, 24.
[3] Luc. 24.12.
[4] cap. 11.44.
[5] Psa. 16.10. Act. 2.25 e 13.31, 34, 35.
[6] Mar. 16.5.
[7] Mat. 28.9. Mar. 16.9.
[8] Luc. 24.16, 31. cap. 21.4.
[9] Mat. 28.10. Heb. 2.11.
[10] cap. 16.28.
[11] Eph. 1.17.
[12] Mat. 28.10. Luc. 24.10.
[13] Mar. 16.14. I Cor. 15.5.
[14] cap. 16.22.
[15] Mat. 28.18. cap. 17.18, 19. II Tim. 2.2. Heb. 3.1.
[16] Mat. 16.19 e 18.18.
[17] cap. 11.16.
[18] I João 1.1.
[19] II Cor. 5.7. I Ped. 1.8.
[20] cap. 21.25.
[21] Luc. 1.4.
[22] cap. 3.15, 16 e 5.24. I Ped. 1.8, 9.
_Jesus apparece a alguns dos discipulos junto do mar de Tiberiades._
21 Depois d’isto manifestou-se Jesus outra vez aos discipulos junto do
mar de Tiberiades; e manifestou-se assim:
2 Estavam juntos Simão Pedro, e Thomé, chamado Didymo, [1] e Nathanael,
o de Caná da Galilea, [2] os _filhos_ de Zebedeo, e outros dois dos seus
discipulos.
3 Disse-lhes Simão Pedro: Vou pescar. Dizem-lhe elles: Tambem nós vamos
comtigo. Foram, e subiram logo para o barco, e n’aquella noite nada
apanharam.
4 E, sendo já manhã, Jesus se apresentou na praia, [3] porém os
discipulos não conheceram que era Jesus.
5 Disse-lhes [4] pois Jesus: Filhos, tendes alguma coisa de comer?
Responderam-lhe: Não.
6 E elle lhes disse: [5] Lançae a rede para a banda direita do barco, e
achareis. Lançaram-_n’a_ pois, e já não a podiam tirar, pela multidão dos
peixes.
7 Então [6] aquelle discipulo a quem Jesus amava disse a Pedro: É o
Senhor. E, quando Simão Pedro ouviu que era o Senhor, cingiu-se com a
tunica (porque estava nu) e lançou-se ao mar.
8 E os outros discipulos foram com o barco (porque não estavam distantes
da terra senão quasi duzentos covados), levando a rede dos peixes.
9 Logo que desceram para terra, viram ali _umas_ brazas, e um peixe posto
em cima, e pão.
10 Disse-lhes Jesus: Trazei dos peixes que agora apanhastes.
11 Simão Pedro subiu, puxou a rede para terra, cheia de cento e cincoenta
e tres grandes peixes, e, sendo tantos, não se rompeu a rede.
12 Disse-lhes Jesus: [7] Vinde, jantae. E nenhum dos discipulos ousava
perguntar-lhe: Quem és tu? sabendo que era o Senhor.
13 Chegou pois Jesus, e tomou o pão, e deu-lh’o, e, similhantemente o
peixe.
14 E já [8] _esta_ era a terceira vez _que_ Jesus se manifestava aos seus
discipulos, depois de ter resuscitado dos mortos.
15 E, depois de terem jantado, disse Jesus a Simão Pedro: Simão, _filho_
de Jonas, amas-me mais do que estes? E elle respondeu: Sim, Senhor; tu
sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta os meus cordeiros.
16 Tornou a dizer-lhe segunda vez. Simão, _filho_ de Jonas, amas-me?
Disse-lhe: Sim, Senhor; tu sabes que te amo. [9] Disse-lhe: Apascenta as
minhas ovelhas.
17 Disse-lhe terceira vez: Simão, _filho_ de Jonas, amas-me? Simão
entristeceu-se por lhe ter dito terceira vez: Amas-me? e disse-lhe:
Senhor, tu [10] sabes todas as _coisas_; tu sabes que eu te amo. Jesus
disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas.
18 Na [11] verdade, na verdade, te digo, _que_, quando eras mais moço,
te cingias a ti mesmo, e andavas por onde querias: mas, quando já fores
velho, estenderás as tuas mãos; e outro te cingirá, e te levará para onde
tu não queiras.
19 E disse isto, significando com [12] que morte havia elle de glorificar
a Deus. E, dito isto, disse-lhe: Segue-me.
20 E Pedro, voltando-se, [13] viu que o seguia aquelle discipulo a quem
Jesus amava, e que na ceia se recostara tambem ao seu peito, e que
dissera: Senhor, quem é que te ha de trahir.
21 Vendo Pedro a este, disse a Jesus: Senhor, e d’este que _será_?
22 Disse-lhe Jesus: Se eu quero que elle fique [14] até que eu venha, que
te importa a ti? Segue-me tu.
23 Divulgou-se pois entre os irmãos este dito, que aquelle discipulo não
havia de morrer. Jesus, porém, não lhe disse que não morreria, mas: Se eu
quero que elle fique até que eu venha, que te importa a ti?
24 Este é o discipulo que testifica d’estas _coisas_, e estas _coisas_
escreveu; e [15] sabemos que o seu testemunho é verdadeiro.
25 Ha, porém, ainda [16] muitas outras _coisas_ que Jesus fez, as quaes,
se cada uma de per si fosse escripta, [17] cuido que nem ainda o mundo
todo poderia conter os livros que se escrevessem. Amen.
[1] cap. 1.45.
[2] Mat. 4.21.
[3] cap. 20.14.
[4] Luc. 24.41.
[5] Luc. 5.4, 6, 7.
[6] cap. 13.23 e 20.2.
[7] Act. 10.41.
[8] cap. 20.19, 26.
[9] Act. 20.28. Heb. 13.20. I Ped. 2.25 e 5.2, 4.
[10] cap. 2.24, 25 e 16.30.
[11] cap. 13.36. Act. 12.3, 4.
[12] II Ped. 1.14.
[13] cap. 13.23, 25 e 20.2.
[14] Mat. 16.27, 28 e 25.31. I Cor. 4.5 e 11.26. Apo. 2.25 e 3.11 e 22.7,
20.
[15] cap. 19.35. III João 12.
[16] cap. 20.30.
[17] Amós 7.10.
ACTOS DOS APOSTOLOS.
_Introducção. A ascenção._
[Anno Domini 33]
1 Fiz o primeiro tratado, ó [1] Theophilo, ácerca de todas _as coisas_
que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar,
2 Até [2] ao dia em que [3] foi recebido em cima, depois de ter dado
mandamentos, pelo Espirito Sancto, aos apostolos que escolhera;
3 Aos [4] quaes tambem, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com
muitas e infalliveis provas, sendo visto por elles por espaço de quarenta
dias, e fallando do que respeita ao reino de Deus.
4 E, [5] ajuntando-os, determinou-lhes que não se ausentassem de
Jerusalem, mas que esperassem a promessa do Pae que (_disse elle_) de mim
[6] ouvistes.
5 Porque, [7] na verdade, João baptizou com agua, [8] porém vós sereis
baptizados com o Espirito Sancto, não muito depois d’estes dias.
6 Aquelles pois que se haviam ajuntado perguntaram-lhe, dizendo: [9]
Senhor, [10] restaurarás tu n’este tempo o reino a Israel?
7 E disse-lhes: [11] Não vos pertence saber os tempos ou as estações que
o Pae poz em seu proprio poder.
8 Mas [12] recebereis a virtude do [13] Espirito Sancto, que ha de vir
sobre vós; e ser-me-heis [14] testemunhas, tanto em Jerusalem como em
toda a Judea e Samaria, e até aos confins da terra.
9 E, [15] havendo dito estas _coisas_, vendo-_o_ elles, [16] foi elevado
ás alturas, e uma nuvem o recebeu, _occultando-o_ a seus olhos.
10 E, estando elles com os olhos fitos no céu, emquanto elle ia
_subindo_, eis que junto d’elles se pozeram dois varões [17] vestidos de
branco,
11 Os quaes então disseram: [18] Varões galileos, porque estaes olhando
para o céu? Esse Jesus, que d’entre vós foi recebido acima no céu, [19]
ha de vir assim como para o céu o vistes ir.
12 Então [20] voltaram para Jerusalem, do monte chamado das Oliveiras, o
qual está perto de Jerusalem, á distancia do caminho de um sabbado.
13 E, entrando, subiram [21] ao cenaculo, onde ficaram [22] Pedro e
Thiago, João e André, Philippe e Thomé, Bartholomeo e Matheus, Thiago,
_filho_ de Alpheo, [23] Simão, o zelador, e [24] Judas, _irmão_ de Thiago.
14 Todos [25] estes perseveravam unanimemente em orações e supplicas, com
[26] as mulheres, e Maria mãe de Jesus, [27] e com seus irmãos.
_Mathias é escolhido apostolo em logar de Judas._
15 E n’aquelles dias, levantando-se Pedro no meio dos discipulos, disse
(ora [28] a multidão junta era de quasi cento e vinte pessoas):
16 Varões irmãos, convinha que se cumprisse a Escriptura [29] que o
Espirito Sancto predisse pela bocca de David, ácerca de Judas, [30] que
foi o guia d’aquelles que prenderam a Jesus;
17 Porque foi [31] contado comnosco e alcançou sorte n’este [32]
ministerio.
18 Ora este [33] adquiriu um campo com o [34] galardão da iniquidade;
e, precipitando-se, arrebentou pelo meio, e todas as suas entranhas se
derramaram.
19 E foi notorio a todos os que habitam em Jerusalem; de maneira que na
sua propria lingua esse campo se chama Aceldama, isto é, Campo de sangue:
20 Porque no livro dos Psalmos está escripto: [35] Fique deserta a sua
habitação, e não haja quem n’ella habite, [36] e tome outro [AHX] o seu
bispado.
21 É necessario pois que, dos varões que conviveram comnosco todo o tempo
em que o Senhor Jesus entrou e saiu d’entre nós,
22 Começando [37] desde o baptismo de João até ao dia [38] em que d’entre
nós foi recebido em cima, um d’elles se faça comnosco [39] testemunha da
sua resurreição.
23 E apresentaram dois: José, chamado [40] Barsabbás, que tinha por
sobrenome o Justo, e Matthias.
24 E, orando, disseram: Tu, Senhor, conhecedor [41] dos corações de
todos, mostra qual d’estes dois tens escolhido,
25 Para [42] que tome parte n’este ministerio e apostolado, de que Judas
se desviou, para ir para o seu proprio logar.
26 E lançaram-lhes sortes, e caiu a sorte sobre Matthias. E por voto
commum foi contado com os onze apostolos.
[1] Luc. 1.3.
[2] Mar. 16.19. Luc. 9.51 e 24.51. ver. 9. I Tim. 3.16.
[3] Mat. 28.19. Mar. 16.15. João 20.21. cap. 10.41, 42.
[4] Mar. 16.14. Luc. 24.36. João 20.19, 26 e 21.1, 14. I Cor. 15.6.
[5] Luc. 24.43, 49.
[6] Luc. 24.49. João 14.16, 26, 27 e 15.26 e 16.7. cap. 2.33.
[7] Mat. 3.11. cap. 11.16 e 19.4.
[8] Joel 3.18. cap. 2.4 e 11.15.
[9] Mat. 24.3.
[10] Isa. 1.26. Dan. 7.27. Amós 9.11.
[11] Mat. 24.36. Mar. 13.32. I The. 5.1.
[12] cap. 2.1, 4.
[13] Luc. 24.49.
[14] Luc. 24.48. João 15.27. ver. 22. cap. 2.32.
[15] Luc. 24.51. João 6.62.
[16] ver. 2.
[17] Mat. 28.3. Mar. 16.5. Luc. 24.4. João 20.12. cap. 10.3, 30.
[18] cap. 2.7 e 13.31.
[19] Dan. 7.13. Mat. 24.30. Mar. 13.26. Luc. 21.27. João 14.3. I The.
1.10 e 4.15. II The. 1.10. Apo. 1.7.
[20] Luc. 24.52.
[21] cap. 9.37, 39 e 20.8.
[22] Mat. 10.2, 3, 4.
[23] Luc. 6.15.
[24] Jud. 1.
[25] cap. 2.1, 46.
[26] Luc. 23.49, 55 e 24.10.
[27] Mat. 13.55.
[28] Apo. 3.4.
[29] Psa. 41.9. João 13.18.
[30] Luc. 22.47. João 18.3.
[31] Mat. 10.4. Luc. 6.16.
[32] ver. 25. cap. 12.25 e 20.24 e 21.19.
[33] Mat. 27.5, 7, 8.
[34] Mat. 26.15. II Ped. 2.15.
[35] Psa. 69.25.
[36] Psa. 109.8.
[37] Mar. 1.1.
[38] ver. 9.
[39] João 15.27. ver. 8. cap. 4.33.
[40] cap. 15.22.
[41] I Sam. 16.7. I Chr. 28.9 e 29.17. Jer. 11.20 e 17.10. cap. 15.8.
Apo. 2.23.
[42] ver. 17.
_A descida do Espirito Sancto._
2 E, cumprindo-se [1] o dia de Pentecostes, [2] estavam todos
concordemente reunidos.
2 E de repente veiu do céu um som, como de um vento vehemente _e_
impetuoso, [3] e encheu toda a casa em que estavam assentados.
3 E foram vistas por elles linguas repartidas, como que de fogo, e
pousaram sobre cada um d’elles.
4 E todos foram [4] cheios do Espirito Sancto, [5] e começaram a fallar
n’outras linguas, conforme o Espirito Sancto lhes concedia que fallassem.
5 E em Jerusalem estavam habitando judeos, varões religiosos, de todas as
nações que estão debaixo do céu.
6 E, correndo aquella voz, ajuntou-se a multidão, e estava confusa,
porque cada um os ouvia fallar na sua propria lingua.
7 E todos pasmavam e se maravilhavam, dizendo uns aos outros: Pois que!
não [6] são galileos todos esses homens que estão fallando?
8 Como pois os ouvimos, cada um, na nossa propria lingua em que somos
nascidos?
9 Parthos e medas, elamitas e os que habitam na Mesopotamia, e Judea, e
Cappadocia, Ponto e Asia,
10 E Phrygia e Pamphylia, Egypto e partes da Lybia, junto a Cyrene, e
forasteiros romanos, tanto judeos como proselytos,
11 Cretenses e arabes, ouvimos todos em nossas proprias linguas fallar
das grandezas de Deus.
12 E todos se maravilhavam e estavam suspensos, dizendo uns para os
outros: Que quer isto dizer?
13 E outros, zombando, diziam: Estão cheios de mosto.
_O discurso de Pedro no dia de Pentecostes._
14 Porém Pedro, pondo-se em pé com os onze, levantou a sua voz, e
disse-lhes: Varões judeos, e todos os que habitaes em Jerusalem, seja-vos
isto conhecido, e escutae as minhas palavras;
15 Estes homens não estão embriagados, como vós pensaes, sendo [7] a
terceira hora do dia.
16 Mas isto é o que foi dito pelo propheta Joel:
17 E [8] nos ultimos dias acontecerá, diz Deus, [9] que do meu Espirito
derramarei sobre toda a carne; e os vossos filhos [10] e as vossas filhas
prophetizarão, os vossos mancebos terão visões, e os vossos velhos
sonharão sonhos;
18 E tambem do meu Espirito derramarei sobre os meus servos e as minhas
servas n’aquelles dias, [11] e prophetizarão;
19 E [12] farei apparecer prodigios nas alturas, no céu; e signaes em
baixo na terra, sangue, fogo e vapor de fumo:
20 O [13] sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes de chegar
o grande e illustre dia do Senhor;
21 E acontecerá [14] _que_ todo aquelle que invocar o nome do Senhor será
salvo.
22 Varões israelitas, escutae estas palavras: A Jesus Nazareno, varão
approvado por Deus [15] entre vós com maravilhas, prodigios e signaes,
que Deus por elle fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis:
23 A este, [16] sendo entregue pelo determinado conselho e presciencia
de Deus, [17] tomando-_o_ vós, o crucificastes e matastes pelas mãos de
injustos:
24 Ao [18] qual Deus resuscitou, soltas as dôres da morte, pois não era
possivel que fosse retido por ella;
25 Porque d’elle disse David: Sempre via diante de mim ao Senhor, porque
está á minha direita, para que eu não seja commovido:
26 Por isso se alegrou o meu coração, [19] e a minha lingua exultou; e
ainda a minha carne ha de repousar em esperança;
27 Pois não deixarás a minha alma no inferno, nem permittirás que o teu
Sancto veja a corrupção:
28 Fizeste-me conhecidos os caminhos da vida; com a tua face me encherás
de jubilo.
29 Varões irmãos, seja-me licito dizer-vos livremente [20] ácerca do
patriarcha David, que elle morreu e foi sepultado, e entre nós está até
hoje a sua sepultura.
30 Sendo pois elle propheta, [21] e sabendo que Deus lhe havia promettido
com juramento que do fructo de seus lombos, segundo a carne, levantaria o
Christo, para _o_ assentar sobre o seu throno,
31 Prevendo isto, fallou da resurreição de Christo, [22] _dizendo_ que a
sua alma não foi deixada no inferno, nem a sua carne viu a corrupção.
32 Deus [23] resuscitou a este Jesus, do [24] que todos nós somos
testemunhas.
33 De [25] sorte que, exaltado _já_ pela dextra de Deus, [26] e recebendo
do Pae a promessa do Espirito Sancto, [27] derramou isto que vós agora
vêdes e ouvis.
34 Porque David não subiu aos céus, mas diz: [28] Disse o SENHOR ao meu
Senhor: Assenta-te á minha direita,
35 Até que ponha os teus inimigos por escabello de teus pés.
36 Saiba pois com certeza toda a casa d’Israel que a esse Jesus, a quem
[29] vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Christo.
_As primeiras conversões._
37 E, ouvindo elles _estas_ [30] _coisas_, compungiram-se em seu coração,
e disseram a Pedro e aos demais apostolos: Que faremos, varões irmãos?
38 E disse-lhes Pedro: [31] Arrependei-vos, e cada um de vós seja
baptizado em nome de Jesus Christo, para perdão dos peccados; e
recebereis o dom do Espirito Sancto;
39 Porque a promessa vos pertence, a vós, [32] a vossos filhos, e a [33]
todos os que estão longe: a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar.
40 E com muitas outras palavras testificava e os exhortava, dizendo:
Salvae-vos d’esta geração perversa.
41 De sorte que foram baptizados os que de bom grado receberam a sua
palavra; e n’aquelle dia ajuntaram-se _á egreja_ quasi tres mil almas;
42 E [34] perseveravam na doutrina dos apostolos, e na communhão, e no
partir do pão e nas orações.
43 E em toda a alma havia temor, [35] e muitas maravilhas e signaes se
faziam pelos apostolos.
44 E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo [36] em commum.
45 E vendiam suas propriedades e fazendas, [37] e repartiam com todos,
segundo cada um havia de mister.
46 E, [38] perseverando unanimes todos os dias [39] no templo, e [40]
repartindo o pão de casa em casa, comiam juntos com alegria e singeleza
de coração,
47 Louvando a Deus, [41] e tendo graça para com todo o povo. E todos
os dias accrescentava o Senhor [42] á egreja aquelles que se haviam de
salvar.
[1] Lev. 23.15. Deu. 16.9. cap. 20.16.
[2] cap. 1.14.
[3] cap. 4.31.
[4] cap. 1.5.
[5] Mar. 16.17. cap. 10.46 e 19.6. I Cor. 12.10, 28, 30 e 13.1 e 14.2,
etc.
[6] cap. 1.11.
[7] I The. 5.7.
[8] Isa. 44.3. Eze. 11.19 e 36.27. Joel 2.28, 29. Zac. 12.10. João 7.38.
[9] cap. 10.45.
[10] cap. 21.9.
[11] cap. 21.4, 9, 10. I Cor. 12.10, 28 e 14.1, etc.
[12] Joel 2.30, 31.
[13] Mat. 24.29. Mar. 13.24. Luc. 21.25.
[14] Rom. 10.13.
[15] João 3.2 e 14.10, 11. cap. 10.38. Heb. 2.4.
[16] Mat. 26.24. Luc. 22.22 e 24.44. cap. 3.18 e 4.28.
[17] cap. 5.30.
[18] ver. 32. cap. 3.15 e 4.10 e 10.40 e 13.30, 34 e 17.31. Rom. 4.24 e
8.11. I Cor. 6.14 e 15.15. II Cor. 4.14. Gal. 1.1. Eph. 1.20. Col. 2.12.
I The. 1.10. Heb. 13.20. I Ped. 1.21.
[19] Psa. 16.8, 11.
[20] I Reis 2.10. cap. 13.36.
[21] II Sam. 7.12, 13. Psa. 132.11. Luc. 1.32, 69. Rom. 1.3. II Tim. 2.8.
[22] Psa. 16.10. cap. 13.35.
[23] ver. 24.
[24] cap. 1.8.
[25] cap. 5.31. Phi. 2.9. Heb. 10.12.
[26] João 14.26 e 15.26 e 16.7, 13. cap. 1.4.
[27] cap. 10.45. Eph. 4.8.
[28] Psa. 110.1. Mat. 22.44. Heb. 1.13.
[29] cap. 5.31.
[30] Zac. 12.10. Luc. 3.10. cap. 9.6.
[31] Luc. 24.47. cap. 3.19.
[32] Joel 2.28. cap. 3.25.
[33] cap. 10.45 e 11.15, 18.
[34] ver. 46. cap. 1.14. Rom. 12.12. Eph. 6.18.
[35] Mar. 16.17. cap. 4.33 e 5.12.
[36] cap. 4.32, 34.
[37] Isa. 58.7.
[38] cap. 1.14.
[39] Luc. 24.53.
[40] cap. 20.7.
[41] Luc. 2.52. Rom. 14.18.
[42] cap. 5.14 e 11.24.
_Cura d’um côxo; discurso de Pedro no templo._
3 E Pedro e João subiam [1] juntos ao templo [2] á hora da oração, a nona.
2 E [3] era trazido um varão que desde o ventre de sua mãe era côxo, o
qual cada dia punham á porta do templo, chamada Formosa, [4] para pedir
esmola aos que entravam no templo.
3 O qual, vendo a Pedro e João, que iam entrando no templo, pediu que lhe
déssem uma esmola.
4 E Pedro, com João, fitando os olhos n’elle, disse: Olha para nós.
5 E olhou para elles, esperando receber d’elles alguma coisa.
6 E disse Pedro: Não tenho prata nem oiro; mas o que tenho isso te dou.
[5] Em nome de Jesus Christo, o Nazareno, levanta-te e anda.
7 E, tomando-o pela mão direita, _o_ levantou, e logo os seus pés e
artelhos se firmaram.
8 E, saltando [6] elle, poz-se em pé, e andou, e entrou com elles no
templo, andando, e saltando, e louvando a Deus;
9 E [7] todo o povo o viu andar e louvar a Deus;
10 E conheciam-n’o, que era elle o que [8] se assentava á esmola á porta
Formosa do templo, e ficaram cheios de pasmo e assombro, pelo que lhe
acontecera.
11 E, apegando-se o côxo, que fôra curado, a Pedro e João, todo o povo
correu attonito para junto d’elles, ao alpendre [9] chamado de Salomão.
12 E Pedro, vendo _isto_, disse ao povo: Varões israelitas, porque vos
maravilhaes d’isto? Ou, porque olhaes tanto para nós, como se por nossa
propria virtude ou sanctidade o fizessemos andar?
13 O [10] Deus d’Abrahão, e de Isaac e de Jacob, o Deus de nossos paes,
[11] glorificou a seu filho Jesus, a quem vós [12] entregastes e [13]
perante a face de Pilatos negastes, julgando elle que devia ser solto.
14 Mas vós negastes [14] o Sancto e [15] o Justo, e pedistes que se vos
désse um homem homicida.
15 E matastes o [16] Principe da vida, ao qual Deus resuscitou dos
mortos, [17] do que nós somos testemunhas.
16 E [18] pela fé no seu nome o seu nome fortaleceu a este que vêdes e
conheceis; e a fé que é por elle deu a este, na presença de todos vós,
esta perfeita saude.
17 E agora, irmãos, eu sei que _o_ fizestes [19] por ignorancia, como
tambem os vossos [AHY] principes:
18 Mas Deus [20] assim cumpriu o que já d’antes pela bocca de todos os
seus prophetas havia [21] annunciado; que o Christo havia de padecer.
19 Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os
vossos peccados, quando vierem os tempos do refrigerio pela presença do
Senhor,
20 E elle enviar a Jesus Christo, [22] que _já_ d’antes vos foi prégado:
21 O [23] qual convem que o céu contenha até aos tempos da restauração
[24] de todas as _coisas_, [25] das quaes Deus fallou pela bocca de todos
os seus sanctos prophetas, desde _todo_ o seculo.
22 Porque Moysés disse aos paes: [26] O Senhor vosso Deus levantará
d’entre vossos irmãos um propheta similhante a mim: a elle ouvireis em
tudo quanto vos disser.
23 E acontecerá que toda a alma que não escutar esse propheta será
exterminada d’entre o povo.
24 E tambem todos os prophetas, desde Samuel, e todos quantos depois teem
fallado, já d’antes annunciaram esses dias.
25 Vós [27] sois os filhos dos prophetas, e do concerto que Deus fez com
nossos paes, dizendo a Abrahão: [28] Na tua descendencia serão bemditas
todas as familias da terra.
26 Resuscitando [29] Deus a seu Filho Jesus, primeiro o enviou [30] a
vós, para que n’isso vos abençoasse, [31] e vos desviasse, a cada um, das
vossas maldades.
[1] cap. 2.46.
[2] Psa. 55.17.
[3] cap. 14.8.
[4] João 9.8.
[5] cap. 4.10.
[6] Isa. 35.6.
[7] cap. 4.16, 21.
[8] João 9.8.
[9] João 10.23. cap. 5.12.
[10] cap. 5.30.
[11] João 7.39 e 12.16 e 17.1.
[12] Mat. 27.2.
[13] Mat. 27.20. Mar. 15.11. Luc. 23.18, 20, 21. João 18.40 e 19.15. cap.
13.28.
[14] Psa. 16.10. Mar. 1.24. Luc. 1.35. cap. 2.27 e 4.27.
[15] cap. 7.52 e 22.14.
[16] Heb. 2.10 e 5.9. cap. 2.24.
[17] cap. 2.32.
[18] Mat. 9.22. cap. 4.10 e 14.9.
[19] Luc. 23.34. João 16.3. cap. 13.27. I Cor. 2.8. I Tim. 1.13.
[20] Luc. 24.44. cap. 26.22.
[21] Psa. 22. Isa. 50.6 e 53.5, etc. Dan. 9.26. I Ped. 1.10, 11.
[22] cap. 2.38.
[23] cap. 1.11.
[24] Mat. 17.11.
[25] Luc. 1.70.
[26] Deu. 18.15, 18, 19. cap. 7.37.
[27] cap. 2.39. Rom. 9.4, 8 e 15.8. Gal. 3.26.
[28] Gen. 12.3 e 18.18 e 22.18 e 26.4 e 28.14. Gal. 3.8.
[29] Mat. 10.5 e 15.24. Luc. 24.47. cap. 13.32, 33, 46.
[30] ver. 22.
[31] Mat. 1.21.
_Pedro e João perante o synhedrio._
4 E, estando elles fallando ao povo, sobrevieram os sacerdotes, e o
capitão do templo, e os sadduceos,
2 Doendo-se [1] muito de que ensinassem o povo, e annunciassem em Jesus a
resurreição dos mortos.
3 E lançaram mão d’elles, e _os_ encerraram na prisão até ao dia
seguinte, pois era já tarde.
4 Muitos, porém, dos que ouviram a palavra crêram, e chegou o numero
d’esses homens a quasi cinco mil.
5 E aconteceu, no dia seguinte, reunirem-se em Jerusalem os seus
principaes, e anciãos e escribas,
6 E [2] Annás, o summo sacerdote, e Caiphás, e João, e Alexandre, e todos
quantos havia da linhagem do summo sacerdote.
7 E, pondo-os no meio, perguntaram: [3] Com que poder fizestes isto, ou
em nome de quem?
8 Então [4] Pedro, cheio do Espirito Sancto, lhes disse: Principaes do
povo, e vós, anciãos d’Israel.
9 Visto que hoje somos interrogados ácerca do beneficio _feito_ a um
homem enfermo, do modo como foi curado,
10 Seja conhecido a vós todos, e a todo o povo d’Israel, [5] que em nome
de Jesus Christo, o nazareno, aquelle a quem vós crucificastes [6] e
a quem Deus resuscitou dos mortos, em nome d’esse é que este está são
diante de vós.
11 Este [7] é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual
foi posta por cabeça d’esquina.
12 E [8] em nenhum outro ha salvação, porque tambem debaixo do céu nenhum
outro nome ha, dado entre os homens, em que devamos ser salvos.
13 Então elles, vendo a ousadia de Pedro e João, [9] e informados de que
eram homens sem lettras e indoutos, se maravilharam; e conheciam que
elles haviam estado com Jesus.
14 Mas, vendo [10] estar com elles o homem que fôra curado, nada tinham
que dizer em contrario.
15 E, mandando-os sair fóra do conselho, conferenciaram entre si,
16 Dizendo: [11] Que havemos de fazer a estes homens? porque a todos os
que habitam em Jerusalem [12] é manifesto que por elles foi feito um
signal notorio, e não _o_ podemos negar;
17 Mas, para que não se divulgue mais entre o povo, ameacemol-os para que
não fallem mais n’esse nome a homem algum.
18 E, [13] chamando-os, disseram-lhes que absolutamente não fallassem,
nem ensinassem, no nome de Jesus.
19 Respondendo, porém, Pedro e João, lhes disseram: [14] Julgae vós se é
justo, diante de Deus, ouvir-vos antes a vós do que a Deus;
20 Porque [15] não podemos deixar de fallar do que temos [16] visto e
ouvido.
21 Mas elles ainda os ameaçaram mais, e, não achando motivo para os
castigar, [17] deixaram-n’os ir, por causa do povo; porque todos
glorificavam a Deus ácerca [18] do que acontecera:
22 Pois tinha mais de quarenta annos o homem em quem se operara aquelle
milagre de saude.
23 E, soltos elles, foram [19] para os seus, e contaram tudo o que lhes
disseram os principaes dos sacerdotes e os anciãos.
24 E, ouvindo elles _isto_, unanimes levantaram a voz a Deus, e disseram:
[20] Senhor, tu _és_ o Deus que fizeste o céu, e a terra, e o mar, e
todas as _coisas_ que n’elles ha;
25 Que disseste pela bocca de David, teu servo: [21] Porque bramaram as
gentes, e os povos pensaram _coisas_ vãs?
26 Levantaram-se os reis da terra, e os principes se ajuntaram á uma,
[22] contra o Senhor e contra o seu Ungido.
27 Porque verdadeiramente contra [23] o teu sancto Filho Jesus, [24] que
tu ungiste, se ajuntaram, não só Herodes, mas Poncio Pilatos, com os
gentios e os povos d’Israel;
28 Para [25] fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham
anteriormente determinado que se havia de fazer.
29 Agora pois, ó Senhor, põe os olhos nas suas ameaças, e concede aos
teus servos que [26] fallem com toda a ousadia a tua palavra;
30 Estendendo a tua mão para curar, [27] e para que se façam signaes e
prodigios [28] pelo nome do [29] teu sancto Filho Jesus.
31 E, tendo orado, [30] moveu-se o logar em que estavam reunidos; e todos
foram cheios do Espirito Sancto, [31] e fallavam com ousadia a palavra de
Deus.
_A communidade de bens entre os primeiros christãos: Ananias e Saphira._
32 E era um [32] o coração e a alma da multidão dos que criam, e ninguem
dizia que coisa alguma do que possuia era sua propria, [33] mas todas as
coisas lhes eram communs.
33 E os apostolos davam, [34] com grande poder, [35] testemunho da
resurreição do Senhor Jesus, [36] e em todos elles havia abundante graça.
34 Não havia pois entre elles [37] necessitado algum; porque todos os que
possuiam herdades ou casas, vendendo-as, traziam o preço do vendido, [38]
e o depositavam aos pés dos apostolos.
35 E [39] repartia-se por cada um, segundo a necessidade que cada um
tinha.
36 Então José, cognominado pelos apostolos Barnabé (que, traduzido, é
Filho de consolação), levita, natural de Chypre,
37 Possuindo uma [40] herdade, vendeu-a, e trouxe o preço, e o apresentou
aos pés dos apostolos.
[1] Mat. 22.23. Act. 23.8.
[2] Luc. 3.2. João 11.49 e 18.13.
[3] Exo. 2.14. Mat. 21.23. cap. 7.27.
[4] Luc. 12.11, 12.
[5] cap. 3.6, 16.
[6] cap. 2.4.
[7] Psa. 118.22. Isa. 28.16. Mat. 21.42.
[8] Mat. 1.21. cap. 10.43. I Tim. 2.5, 6.
[9] Mat. 11.25. I Cor. 1.27.
[10] cap. 3.11.
[11] João 11.47.
[12] cap. 3.9.
[13] cap. 5.40.
[14] cap. 5.29.
[15] cap. 1.8 e 2.32.
[16] cap. 22.15. I João 1.1, 3.
[17] Mat. 21.26. Luc. 20.6, 19 e 22.2. cap. 5.26.
[18] cap. 3.7, 8.
[19] cap. 12.12.
[20] II Reis 19.15.
[21] Psa. 2.1.
[22] Mat. 26.3. Luc. 22.2 e 23.1, 8.
[23] Luc. 1.35.
[24] Luc. 4.18. João 10.36.
[25] cap. 2.23 e 3.18.
[26] ver. 13, 31. cap. 9.27 e 13.46 e 14.3 e 19.8 e 26.26 e 28.31. Eph.
6.19.
[27] cap. 2.43 e 5.12.
[28] cap. 35.16.
[29] ver. 27.
[30] cap. 2.2, 4 e 16.26.
[31] ver. 29.
[32] cap. 5.12. Rom. 15.5, 6. II Cor. 13.11. Phi. 1.27 e 2.2. I Ped. 3.8.
[33] cap. 2.44.
[34] cap. 1.8.
[35] cap. 1.22.
[36] cap. 2.47.
[37] cap. 2.45.
[38] ver. 27. cap. 5.2.
[39] cap. 2.45 e 6.1.
[40] ver. 34, 35. cap. 5.1, 2.
5 E um _certo_ varão chamado Ananias, com Saphira, sua mulher, vendeu uma
propriedade;
2 E reteve parte do preço, sabendo-_o_ tambem sua mulher; [1] e, trazendo
uma parte _d’elle_, a depositou aos pés dos apostolos.
3 Disse [2] então Pedro: Ananias, porque encheu [3] Satanás o teu
coração, para que mentisses ao Espirito Sancto, e retivestes parte do
preço da herdade?
4 Guardando-a, não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder?
Porque formaste este designio em teu coração? Não mentiste aos homens,
mas a Deus.
5 E Ananias, ouvindo estas palavras, caiu [4] e expirou. E um grande
temor veiu sobre todos os que isto ouviram.
6 E, levantando-se os mancebos, pegaram d’elle, [5] e, transportando-_o_
para fóra, o sepultaram.
7 E, passando um espaço quasi de tres horas, entrou tambem sua mulher,
não sabendo o que havia acontecido.
8 E disse-lhe Pedro: Dize-me, vendestes por tanto aquella herdade? E ella
disse: Sim, por tanto.
9 Porém Pedro lhe disse: Porque é que entre vós vos concertastes para [6]
tentar o Espirito do Senhor? Eis ahi á porta os pés dos que sepultaram a
teu marido, e _tambem_ te levarão a ti.
10 E [7] logo caiu aos seus pés, e expirou. E, entrando os mancebos,
acharam-n’a morta, e a sepultaram junto de seu marido.
11 E [8] veiu um grande temor a toda a egreja, e a todos os que ouviram
estas coisas.
12 E [9] muitos signaes e prodigios eram feitos entre o povo [10] pelas
mãos dos apostolos. E estavam todos unanimes no alpendre de Salomão.
13 E dos [11] outros ninguem ousava ajuntar-se com elles: mas o povo
tinha-os em grande estima.
14 E a multidão dos que criam no Senhor, tanto homens como mulheres,
crescia mais e mais.
15 De sorte que transportavam os enfermos para as ruas, e _os_ punham em
leitos e em camilhas [12] para que a sombra de Pedro, quando passasse,
cobrisse alguns d’elles.
16 E até das cidades circumvisinhas concorria a multidão a Jerusalem,
conduzindo [13] enfermos e atormentados de espiritos immundos; os quaes
todos eram curados.
_Os apostolos são milagrosamente tirados da prisão, e dão testemunho
perante o synhedrio. O conselho de Gamaliel._
17 E, [14] levantando-se o summo sacerdote, e todos os que estavam com
elle (que era a seita dos sadduceos), encheram-se de inveja,
18 E [15] lançaram mão dos apostolos, e os pozeram na prisão publica.
19 Mas [16] de noite um anjo do Senhor abriu as portas da prisão, e,
tirando-os para fóra, disse:
20 Ide apresentar-vos no templo, e dizei ao povo [17] todas as palavras
d’esta vida.
21 E, ouvindo elles _isto_, entraram de manhã cedo no templo, e
ensinavam. [18] Chegando, porém, o summo sacerdote e os que estavam com
elle, convocaram o conselho, e a todos os anciãos dos filhos d’Israel, e
enviaram ao carcere, para que de lá os trouxessem.
22 Mas, tendo lá chegado os [AHZ] servidores, não os acharam na prisão,
e, voltando, _lh’o_ annunciaram,
23 Dizendo: Achámos realmente o carcere fechado, com toda a segurança,
e os guardas, que estavam fóra, diante das portas; mas, quando abrimos,
ninguem achámos dentro.
24 Então o capitão do templo e os principaes dos sacerdotes, ouvindo [19]
estas palavras, estavam perplexos ácerca do que viria a ser aquillo.
25 E, chegando um, annunciou-lhes, dizendo: Eis que os homens que
encerrastes na prisão estão no templo e ensinam ao povo.
26 Então foi o capitão com os servidores, e os trouxe, não com violencia
(porque [20] temiam ser apedrejados pelo povo).
27 E, trazendo-os, _os_ apresentaram ao conselho. E o summo sacerdote os
interrogou, dizendo:
28 Não [21] vos admoestámos nós expressamente que não ensinasseis n’esse
nome? E eis que _já_ enchestes Jerusalem d’essa vossa doutrina, [22] e
quereis trazer sobre nós [23] o sangue d’esse homem.
29 Porém, respondendo Pedro e os apostolos, disseram: [24] Mais importa
obedecer a Deus do que aos homens.
30 O [25] Deus de nossos paes resuscitou a Jesus, ao qual vós matastes
suspendendo-_o_ no madeiro.
31 Deus com a sua [26] dextra o elevou a [27] Principe e [28] Salvador,
para dar a Israel [29] o arrependimento e remissão dos peccados.
32 E [30] nós somos testemunhas ácerca d’estas palavras, e tambem o
Espirito Sancto, que [31] Deus deu áquelles que lhe obedecem.
33 E, [32] ouvindo elles _isto_, se enfureciam, e deliberaram matal-os.
34 Mas, levantando-se no conselho um certo phariseo, chamado [33]
Gamaliel, doutor da lei, venerado por todo o povo, mandou que por um
pouco levassem para fóra os apostolos;
35 E disse-lhes: Varões israelitas, acautelae-vos, emquanto ao que haveis
de fazer ácerca d’esses homens,
36 Porque antes d’estes dias levantou-se Theudas, dizendo ser alguem:
d’este se acercou o numero de uns quatrocentos homens; o qual foi morto,
e todos os que lhe deram ouvidos foram dispersos e reduzidos a nada.
37 Depois d’este levantou-se Judas, o galileo, nos dias do alistamento, e
levou muito povo após si; e tambem este pereceu, e todos os que lhe deram
ouvidos foram dispersos.
38 E agora digo-vos: Dae de mão a estes homens, e deixae-os, [34] porque,
se esse designio, ou essa obra, é de homens, se desfará,
39 Mas, [35] se é de Deus, não podereis desfazel-a; para que não aconteça
serdes [36] tambem achados combatendo contra Deus.
40 E concordaram com elle. [37] E, chamando os apostolos, [38] e
tendo-_os_ açoitado, mandaram que não fallassem no nome de Jesus, e os
deixaram ir.
41 Retiraram-se pois da presença do conselho, [39] rogozijando-se de
terem sido julgados dignos de padecer affronta pelo nome de Jesus.
42 E todos os dias, [40] no templo e nas casas, não cessavam de ensinar,
e de annunciar a Jesus Christo.
[1] cap. 4.37.
[2] Num. 30.2. Deu. 23.21. Ecc. 5.4.
[3] Luc. 22.3.
[4] ver. 10, 11.
[5] João 19.40.
[6] ver. 3. Mat. 4.7.
[7] ver. 5.
[8] ver. 5. cap. 2.43 e 19.17.
[9] cap. 2.43 e 14.3. Rom. 15.19. Heb. 2.4.
[10] cap. 3.11.
[11] João 9.22 e 12.42. cap. 2.47 e 4.21.
[12] Mat. 9.21 e 14.36. cap. 19.12.
[13] Mat. 16.17, 18. João 14.12.
[14] cap. 4.1, 2, 6.
[15] cap. 21.12.
[16] cap. 12.7 e 16.26.
[17] João 6.68 e 17.3. I João 5.11.
[18] cap. 4.5, 6.
[19] Luc. 22.4. cap. 4.1.
[20] Mat. 21.26.
[21] cap. 4.18.
[22] cap. 2.23, 36 e 3.15 e 7.52.
[23] Mat. 23.35 e 27.25.
[24] cap. 4.19.
[25] cap. 3.13, 15. cap. 10.39. Gal. 3.13. I Ped. 2.24.
[26] cap. 2.33, 36. Phi. 2.9. Heb. 2.10.
[27] cap. 3.15.
[28] Mat. 1.21.
[29] Luc. 24.47. cap. 3.26 e 13.38. Eph. 1.7. Col. 1.14.
[30] João 15.26, 27.
[31] cap. 2.4 e 10.44.
[32] cap. 2.27 e 7.54.
[33] cap. 22.3.
[34] Pro. 21.30. Isa. 8.10. Mat. 15.13.
[35] Luc. 21.15. I Cor. 1.25.
[36] cap. 7.51 e 9.5 e 23.9.
[37] cap. 4.18.
[38] Mat. 10.17 e 23.34. Mar. 13.9.
[39] Mat. 5.12. Rom. 5.3. II Cor. 12.10. Phi. 1.29. Heb. 10.34. Thi. 1.2.
I Ped. 4.13, 16.
[40] cap. 4.20, 29.
_A instituição dos diaconos._
6 Ora n’aquelles dias, [1] crescendo o numero dos discipulos, houve uma
murmuração dos [2] gregos contra os hebreos, porque as suas viuvas [3]
eram desprezadas no ministerio quotidiano.
2 E os doze, convocando a multidão dos discipulos, disseram: [4] Não é
razoavel que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos ás mesas.
3 Escolhei pois, irmãos, [5] d’entre vós, sete varões de boa reputação,
cheios do Espirito Sancto e de sabedoria, aos quaes constituamos sobre
este importante negocio.
4 Porém nós [6] perseveraremos na oração e no ministerio da palavra.
5 E este parecer contentou a toda a multidão, e elegeram Estevão, homem
cheio de [7] fé e do Espirito Sancto, [8] e Philippe e Prochoro, e
Nicanor, e Timon, e Parmenas e Nicolau, [9] proselyto de Antiochia:
6 E os apresentaram ante os apostolos, e estes, [10] orando, lhes
impozeram [11] as mãos.
7 E crescia [12] a palavra de Deus, e em Jerusalem se multiplicava muito
o numero dos discipulos, e grande multidão [13] dos sacerdotes obedecia á
fé.
_Estevão, o primeiro martyr._
8 E Estevão, cheio de fé e de poder, fazia prodigios e grandes signaes
entre o povo.
9 E levantaram-se alguns que _eram_ da synagoga chamada dos libertinos, e
dos cyreneos e dos alexandrinos, e dos que eram da Cilicia e da Asia, e
disputavam com Estevão.
10 E não [14] podiam resistir á sabedoria, e ao espirito com que fallava.
11 Então [15] subornaram uns homens, para que dissessem: Ouvimos-lhe
proferir palavras blasphemas contra Moysés e _contra_ Deus.
12 E excitaram o povo, os anciãos e os escribas; e, arremettendo _contra
elle_, o arrebataram e o levaram ao conselho.
13 E apresentaram falsas testemunhas, que diziam: Este homem não cessa de
proferir palavras blasphemas contra este sancto logar e _contra_ a lei:
14 Pois nós lhe ouvimos dizer que esse Jesus Nazareno ha de destruir este
logar e mudar os costumes que Moysés nos deu.
15 Então todos os que estavam assentados no conselho, fixando os olhos
n’elle, viram o seu rosto como o rosto de um anjo.
[1] cap. 2.41. ver. 7.
[2] cap. 9.29 e 11.20.
[3] cap. 4.35.
[4] Exo. 18.17.
[5] Deu. 1.13. cap. 1.21 e 16.2. I Tim. 3.7.
[6] cap. 2.42.
[7] cap. 11.24.
[8] cap. 8.5, 26 e 21.8.
[9] Apo. 2.6, 15.
[10] cap. 1.24.
[11] cap. 8.17 e 9.17. I Tim. 4.14 e 5.22.
[12] cap. 12.24 e 19.20. Col. 1.6.
[13] João 12.42.
[14] Luc. 21.15. cap. 5.39. Exo. 4.12. Isa. 54.17.
[15] I Reis 21.10, 13. Mat. 26.59, 60.
7 E disse o summo sacerdote: Porventura é isto assim?
2 E elle disse: [1] Varões, irmãos, e paes, ouvi. O Deus da gloria
appareceu a nosso pae Abrahão, estando na Mesopotamia, antes de habitar
em Haran,
3 E disse-lhe: [2] Sae da tua terra e d’entre a tua parentela, e
dirige-te á terra que eu te mostrarei.
4 Então [3] saiu da terra dos chaldeos, e habitou em Haran. E d’ali,
depois que seu pae falleceu, o fez passar para esta terra em que agora
habitaes.
5 E não lhe deu n’ella herança, nem ainda o espaço de [4] um pé:
mas prometteu que lh’a daria em possessão, e depois d’elle á sua
descendencia, não tendo elle _ainda_ filho.
6 E fallou Deus assim: [5] Que a sua descendencia seria peregrina em
terra alheia, e a sujeitariam á escravidão, e a maltratariam por [6]
quatrocentos annos.
7 E eu julgarei a nação a quem servirem, disse Deus. E depois d’isto
sairão, [7] e me servirão n’este logar.
8 E deu-lhe [8] o pacto da circumcisão; [9] e assim gerou a Isaac, e o
circumcidou ao oitavo dia: [10] e Isaac _gerou_ a Jacob, e [11] Jacob aos
doze patriarchas.
9 E [12] os patriarchas, movidos de inveja, venderam a José para o [13]
Egypto; e Deus era com elle,
10 E livrou-o de todas as suas tribulações, [14] e lhe deu graça e
sabedoria ante Pharaó, rei do Egypto, que o constituiu governador sobre o
Egypto e toda a sua casa.
11 E a [15] todo o paiz do Egypto e de Canaan sobreveiu fome e grande
tribulação; e nossos paes não achavam alimentos.
12 Porém [16] Jacob, ouvindo que no Egypto havia trigo, enviou _ali_
nossos paes, a primeira vez.
13 E [17] na segunda foi José conhecido por seus irmãos, e a linhagem de
José foi manifesta a Pharaó.
14 E [18] José mandou chamar a seu pae Jacob, [19] e a toda a sua
parentela, _que era de_ setenta e cinco almas.
15 E [20] Jacob desceu ao Egypto, [21] e morreu, elle e nossos paes;
16 E [22] foram transportados para Sichem, e depositados [23] na
sepultura que Abrahão comprara por certa somma de dinheiro aos filhos de
Hemor, pae de Sichem.
17 Approximando-se, [24] porém, o tempo da promessa que Deus tinha jurado
a Abrahão, o povo [25] cresceu e se multiplicou no Egypto;
18 Até que se levantou outro rei, que não conhecia a José.
19 Este, usando de astucia contra a nossa linhagem, maltratou nossos
paes, ao ponto de lhes fazer [26] engeitar as suas creanças, para que não
se multiplicassem.
20 N’esse tempo nasceu Moysés, e [27] era mui formoso, e [28] foi criado
tres mezes em casa de seu pae.
21 E, sendo [29] engeitado, tomou-o a filha do Pharaó, e o criou como seu
filho.
22 E Moysés [30] foi instruido em toda a sciencia dos egypcios; e era
poderoso em suas palavras e obras.
23 E, [31] quando completou o tempo de quarenta annos, veiu-lhe ao
coração ir visitar seus irmãos, os filhos d’Israel.
24 E, vendo maltratado um _d’elles_, o defendeu, e vingou o offendido,
matando o egypcio.
25 E elle cuidava que seus irmãos entenderiam que Deus lhes havia de dar
a liberdade pela sua mão; porém elles não entenderam.
26 E [32] no dia seguinte, pelejando elles, foi por elles visto, e quiz
leval-os á paz, dizendo: Varões, sois irmãos; porque vos aggravaes um ao
outro?
27 E o que offendia o seu proximo o repelliu, dizendo: [33] Quem te
constituiu principe e juiz sobre nós?
28 Queres tu matar-me, como hontem mataste o egypcio?
29 E a esta palavra fugiu [34] Moysés, e esteve como estrangeiro na terra
de Madian, onde gerou dois filhos.
30 E, [35] completados quarenta annos, appareceu-lhe o anjo do Senhor, no
deserto do monte Sinai, n’uma chamma de fogo de um sarçal.
31 Então Moysés, vendo-_o_, se maravilhou da visão; e, approximando-se
para vêr, foi-lhe dirigida a voz do Senhor,
32 Dizendo: [36] Eu _sou_ o Deus de teus paes, o Deus d’Abrahão, e o Deus
d’Isaac e o Deus de Jacob. E Moysés, todo tremulo, não ousava olhar.
33 E disse-lhe [37] o Senhor: Descalça as alparcas dos teus pés, porque o
logar em que estás é terra sancta:
34 Tenho [38] visto attentamente a afflicção do meu povo que está no
Egypto, e ouvi os seus gemidos, e desci a livral-os. Agora, pois, vem, e
enviar-te-hei ao Egypto.
35 A este Moysés, ao qual haviam negado, dizendo: Quem te constituiu
principe e juiz? a este enviou Deus como principe e [AIA] libertador,
[39] pela mão do anjo que lhe apparecera no sarçal.
36 Este [40] os conduziu para fóra, [41] fazendo prodigios e signaes na
terra do Egypto, [42] e no Mar Vermelho, [43] e no deserto, por quarenta
annos.
37 Este é aquelle Moysés que disse aos filhos d’Israel: [44] O Senhor
vosso Deus vos levantará d’entre vossos irmãos um propheta como eu; [45]
a elle ouvireis.
38 Este é [46] o que esteve entre a congregação no deserto, com [47]
o anjo que lhe fallava no monte Sinai, e com nossos paes, [48] o qual
recebeu as palavras de vida [49] para nol-as dar.
39 Ao qual nossos paes não quizeram obedecer, antes o rejeitaram, e de
coração se tornaram ao Egypto,
40 Dizendo a Aarão: [50] Faze-nos deuses que vão adiante de nós; porque
a esse Moysés, que nos tirou da terra do Egypto, não sabemos o que lhe
aconteceu.
41 E [51] n’aquelles dias fizeram o bezerro, e offereceram sacrificios ao
idolo, e se alegraram nas obras das suas mãos.
42 E [52] Deus se affastou, e os abandonou a que servissem [53] ao
exercito do céu, como está escripto no livro dos prophetas: [54]
Porventura me offerecestes victimas e sacrificios no deserto por quarenta
annos, ó casa d’Israel?
43 Antes tomastes o tabernaculo de Molech, e a estrella do vosso deus
Remphan, figuras que vós fizestes para as adorar. Transportar-vos-hei
pois para além de Babylonia.
44 Estava entre nossos paes no deserto o tabernaculo do testemunho, como
ordenara aquelle que disse a Moysés [55] que o fizesse segundo o modelo
que tinha visto.
45 O [56] qual nossos paes, recebendo-o tambem, o levaram com Josué
quando entraram na possessão das nações [57] que Deus expulsou da face de
nossos paes, até aos dias de David:
46 Que [58] achou graça diante de Deus, [59] e pediu para achar
tabernaculo para o Deus de Jacob.
47 E [60] Salomão lhe edificou casa;
48 Mas o [61] Altissimo não habita em templos feitos por mãos _d’homens_,
como diz o propheta:
49 O [62] céu _é_ o meu throno, e a terra o estrado dos meus pés. Que
casa me edificareis? diz o Senhor: ou qual é o logar do meu repouso?
50 Porventura não fez a minha mão todas estas coisas?
51 Duros [63] de cerviz, [64] e incircumcisos de coração e ouvidos: vós
sempre resistis ao Espirito Sancto; tambem vós _sois_ como vossos paes.
52 A qual [65] dos prophetas não perseguiram vossos paes? Até mataram os
que anteriormente annunciaram a vinda [66] do Justo, do qual vós agora
fostes traidores e homicidas;
53 Vós, que [67] recebestes a lei por disposição dos anjos, e não _a_
guardastes.
54 E, [68] ouvindo estas _coisas_, enfureciam-se em seus corações, e
rangiam os dentes contra elle.
55 Mas [69] elle, estando cheio do Espirito Sancto, fixando os olhos no
céu, viu a gloria de Deus, e Jesus, que estava á direita de Deus;
56 E disse: Eis que [70] vejo os céus abertos, [71] e o Filho do homem,
que está em pé á mão direita de Deus.
57 Elles, [72] porém, clamando com grande voz, taparam os seus ouvidos, e
arremetteram unanimes contra elle.
58 E, expulsando-o da cidade, [73] _o_ apedrejavam. [74] E as testemunhas
depozeram os seus vestidos aos pés de um mancebo chamado Saulo.
59 E apedrejaram a Estevão, [75] invocando _elle ao Senhor_, e dizendo:
Senhor Jesus, recebe [76] o meu espirito.
60 E, pondo-se [77] de joelhos, clamou com grande voz: [78] Senhor, não
lhes imputes este peccado. E, tendo dito isto, [79] adormeceu.
[1] cap. 22.1.
[2] Gen. 12.1.
[3] Gen. 11.31 e 12.4, 5.
[4] Gen. 12.7 e 13.15 e 15.3, 18 e 17.8 e 26.3.
[5] Gen. 15.13, 16.
[6] Exo. 12.46. Gal. 3.17.
[7] Exo. 3.12.
[8] Gen. 17.9, 10, 11.
[9] Gen. 21.2, 3, 4.
[10] Gen. 25.26.
[11] Gen. 35.23.
[12] Gen. 37.4, 11, 28.
[13] Gen. 39.2, 21, 23. Psa. 105.17.
[14] Gen. 41.37 e 42.6.
[15] Gen. 41.54.
[16] Gen. 42.1.
[17] Gen. 45.4, 16.
[18] Gen. 45.9, 27.
[19] Gen. 46.27. Deu. 10.22.
[20] Gen. 46.5.
[21] Gen. 49.32. Exo. 1.6.
[22] Exo. 13.19. Jos. 24.32.
[23] Gen. 23.16 e 33.19.
[24] Gen. 15.13. ver. 6.
[25] Exo. 1.7, 8, 9. Psa. 105.24, 25.
[26] Exo. 1.22.
[27] Exo. 2.2.
[28] Heb. 11.23.
[29] Exo. 2.3, 10.
[30] Luc. 24.19.
[31] Exo. 2.11, 12.
[32] Exo. 2.13.
[33] Luc. 12.14. cap. 4.7.
[34] Exo. 2.15, 22 e 4.20 e 13.3, 4.
[35] Exo. 3.2.
[36] Mat. 22.32. Heb. 11.16.
[37] Exo. 3.5. Jos. 5.15.
[38] Exo. 3.7.
[39] Exo. 14.19. Num. 20.16.
[40] Exo. 12.41 e 33.1.
[41] Exo. caps. 7 até 14. Psa. 105.27.
[42] Exo. 14.21, 27, 28, 29.
[43] Exo. 16.1, 35.
[44] Deu. 18.15. cap. 3.22.
[45] Mat. 17.5.
[46] Exo. 19.3, 17.
[47] Isa. 63.9. Gal. 3.19. Heb. 2.2.
[48] Exo. 21.1. Deu. 5.27, 31 e 33.4. João 1.17.
[49] Rom. 3.2.
[50] Exo. 32.1.
[51] Deu. 9.16. Psa. 106.19.
[52] Psa. 81.12. Rom. 1.25. II The. 2.11.
[53] Deu. 4.19. II Reis 17.16. Jer. 19.13.
[54] Amós 5.25, 26.
[55] Exo. 25.40 e 26.30. Heb. 8.5.
[56] Jos. 3.14.
[57] Neh. 9.24. Psa. 44.2, 3. cap. 13.19.
[58] I Sam. 16.1. II Sam. 7.1. Psa. 19.20.
[59] I Reis 8.17. I Chr. 22.7. Psa. 132.4, 5.
[60] I Reis 6.1 e 8.20. I Chr. 17.12. II Chr. 3.1.
[61] I Reis 8.27. II Chr. 2.6.
[62] Isa. 66.1, 2. Mat. 5.34, 35.
[63] Exo. 32.9 e 33.3. Isa. 48.4.
[64] Lev. 26.41. Deu. 10.16. Jer. 4.4 e 6.10. Eze. 44.9.
[65] II Chr. 36.16. Mat. 21.35. I The. 2.15.
[66] cap. 3.14.
[67] Exo. 20.1. Gal. 3.19. Heb. 2.2.
[68] cap. 5.33.
[69] cap. 6.5.
[70] Eze. 1.1. Mat. 3.16. cap. 10.11.
[71] Dan. 7.13.
[72] I Reis 21.13. Luc. 4.29. Heb. 13.12.
[73] Lev. 24.16.
[74] Deu. 13.9, 10 e 17.7. cap. 22.20.
[75] cap. 9.14.
[76] Psa. 31.5. Luc. 23.46.
[77] cap. 9.40 e 20.36 e 21.5.
[78] Mat. 5.44. Luc. 6.28 e 23.34.
[79] cap. 7.58 e 22.20.
_O evangelho em Samaria._
[Anno Domini 34]
8 E tambem Saulo consentia na morte d’elle. E fez-se n’aquelle dia uma
grande perseguição contra a egreja que estava em Jerusalem; [1] e todos
foram dispersos pelas terras da Judea e da Samaria, excepto os apostolos.
2 E _alguns_ varões piedosos foram enterrar a Estevão, [2] e fizeram
sobre elle grande pranto.
3 E Saulo [3] assolava a egreja, entrando pelas casas: e, arrastando
homens e mulheres, _os_ encerrava na prisão.
4 Mas [4] os que andavam dispersos iam por toda a parte, annunciando a
palavra.
5 E, [5] descendo Philippe á cidade de Samaria, lhes prégava a Christo.
6 E as multidões estavam attentas unanimemente ás _coisas_ que Philippe
dizia, porquanto ouviam e viam os signaes que elle fazia;
7 Pois [6] os espiritos immundos sahiam de muitos que _os_ tinham,
clamando em alta voz; e muitos paralyticos e côxos eram curados.
8 E havia grande alegria n’aquella cidade.
9 E havia um certo _varão_, chamado Simão, que anteriormente exercera
n’aquella cidade a arte magica, [7] e tinha illudido a gente de Samaria,
dizendo [8] que era um grande _personagem_:
10 Ao qual todos attendiam, desde o mais pequeno até ao maior, dizendo:
Este é a grande virtude de Deus.
11 E attendiam-n’o a elle, porque _já_ desde muito tempo os havia
illudido com artes magicas.
12 Mas, como crêram em Philippe que [9] lhes prégava ácerca do reino
de Deus, e do nome de Jesus Christo, se baptizavam, tanto homens como
mulheres.
13 E creu até o mesmo Simão; e, sendo baptizado, ficou de continuo com
Philippe; e, vendo os signaes e as grandes maravilhas que se faziam,
estava attonito.
14 Os apostolos, pois, que estavam em Jerusalem, ouvindo que Samaria
recebera a palavra de Deus, enviaram-lhes Pedro e João.
15 Os quaes, tendo descido, oraram por elles [10] para que recebessem o
Espirito Sancto.
16 (Porque [11] sobre nenhum d’elles tinha ainda descido; mas sómente
eram [12] baptizados em [13] nome do Senhor Jesus.)
17 Então [14] lhes impozeram as mãos, e receberam o Espirito Sancto.
18 E Simão, vendo que pela imposição das mãos dos apostolos se dava o
Espirito Sancto, lhes offereceu dinheiro,
19 Dizendo: Dae-me tambem a mim esse poder, para que qualquer sobre quem
eu pozer as mãos receba o Espirito Sancto.
20 Mas disse-lhe Pedro: O teu dinheiro seja comtigo para perdição, pois
cuidaste [15] que o [16] dom de Deus se alcança por dinheiro.
21 Tu não tens parte nem sorte n’esta palavra, porque o teu coração não é
recto diante de Deus;
22 Arrepende-te pois d’essa tua iniquidade, e ora a Deus, [17] para que
porventura te seja perdoado o pensamento do teu coração;
23 Pois vejo que estás [18] em fel de amargura, e em laço de iniquidade.
24 Respondendo, porém, Simão, disse: Orae vós por mim ao Senhor, para que
nada do que dissestes venha sobre mim.
25 Tendo elles pois testificado e fallado a palavra do Senhor, voltaram
para Jerusalem, e em muitas aldeias dos [19] samaritanos annunciaram o
evangelho.
_Philippe e o eunucho._
26 E o anjo do Senhor fallou a Philippe, dizendo: Levanta-te, e vae
para a banda do sul, ao caminho que desce de Jerusalem para Gaza, que é
deserta.
27 E levantou-se, e foi; e eis que um [20] homem ethiope, eunucho,
mordomo-mór de Candace, rainha dos ethiopes, o qual era superintendente
de todos os seus thesouros, e tinha ido a [21] Jerusalem a adorar,
28 Regressava, e, assentado no seu carro, lia o propheta Isaias.
29 E disse o Espirito a Philippe: Chega-te, e ajunta-te a esse carro.
30 E, correndo Philippe, ouviu que lia o propheta Isaias, e disse:
Entendes tu o que lês?
31 E elle disse: Como o poderei eu, se alguem me não ensinar? E rogou a
Philippe que subisse e com elle se assentasse.
32 E o logar da Escriptura que lia era este: [22] Foi levado como a
ovelha para o matadouro, e, como está mudo o cordeiro diante do que o
tosquia, assim não abriu a sua bocca.
33 Na sua humilhação foi [AIB] tirada a sua sentença; e quem contará a
sua geração? porque a sua vida é tirada da terra.
34 E, respondendo o eunucho a Philippe, disse: Rogo-te, de quem diz isto
o propheta? De si mesmo, ou d’algum outro?
35 Então Philippe, abrindo a sua bocca, [23] e começando n’esta
Escriptura, lhe annunciou a Jesus.
36 E, indo elles caminhando, chegaram ao pé d’alguma agua, e disse o
eunucho: Eis aqui agua; que impede [24] que eu seja baptizado?
37 E disse Philippe: [25] É licito, se crês de todo o coração. E,
respondendo elle, disse: [26] Creio que Jesus Christo é o Filho de Deus.
38 E mandou parar o carro, e desceram ambos á agua, tanto Philippe como o
eunucho, e o baptizou.
39 E, quando sairam da agua, o Espirito do Senhor arrebatou a Philippe,
[27] e não o viu mais o eunucho; e, jubiloso, continuou o seu caminho.
40 Porém Philippe achou-se em Azoto, e, indo passando, annunciou o
evangelho _em_ todas as cidades, até que chegou a Cesarea.
[1] cap. 11.19.
[2] Gen. 23.2 e 50.10. II Sam. 3.31.
[3] cap. 7.58 e 9.1, 13, 21. I Cor. 15.9. Gal. 1.13. Phi. 3.6. I Tim.
1.13.
[4] Mat. 10.23. cap. 11.19.
[5] cap. 6.5.
[6] Mar. 16.17.
[7] cap. 13.6.
[8] cap. 5.36.
[9] cap. 1.3.
[10] cap. 2.38.
[11] cap. 19.2.
[12] Mat. 28.19. cap. 2.38.
[13] cap. 10.48 e 19.5.
[14] cap. 8.6 e 19.6. Heb. 6.2.
[15] Mat. 10.8. II Reis 5.16.
[16] cap. 2.38 e 10.45 e 11.17.
[17] II Tim. 2.25.
[18] Heb. 12.15.
[19] Gen. 20.7, 17. Exo. 8.8. Num. 21.7. I Reis 13.6. Job 42.8. Thi. 5.16.
[20] Sof. 3.10.
[21] João 12.20.
[22] Isa. 53.7, 8.
[23] Luc. 24.27. cap. 18.28.
[24] cap. 10.47.
[25] Mat. 28.19. Mar. 16.16.
[26] Mat. 16.16. João 6.69 e 9.35, 38 e 11.27. cap. 9.20. I João 4.15 e
5.5, 13.
[27] I Reis 18.12. II Reis 2.16. Eze. 3.12, 14.
_A conversão de Saulo no caminho de Damasco._