_A multiplicação dos pães_.
Mat. 14.15-21 e refs.
[Anno Domini 32]
6 Depois [1] d’isto Jesus partiu para a outra banda do mar da Galilea,
que é _o_ de Tiberiades.
2 E _uma_ grande multidão o seguia; porque via os signaes que operava
sobre os enfermos.
3 E Jesus subiu ao monte, e assentou-se ali com os seus discipulos.
4 E a paschoa, a festa dos judeos, estava [2] proxima.
5 Então [3] Jesus, levantando os olhos, e vendo que _uma_ grande multidão
vinha ter com elle, disse a Philippe: D’onde compraremos pão, para estes
comerem?
6 Mas dizia isto para o experimentar; porque elle bem sabia o que havia
de fazer.
7 Philippe respondeu-lhe: [4] Duzentos dinheiros de pão não lhes
bastarão, para que cada um d’elles tome um pouco.
8 E um dos seus discipulos, André, irmão de Simão Pedro, disse-lhe:
9 Está aqui um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos: [5]
mas que é isto para tantos?
10 E disse Jesus: Fazei assentar os homens. E havia muita herva n’aquelle
logar. Assentaram-se pois os homens em numero de quasi cinco mil.
11 E Jesus tomou os pães e, havendo dado graças, repartiu-os pelos
discipulos, e os discipulos pelos que estavam assentados; e egualmente
tambem dos peixes, quanto queriam.
12 E, quando _já_ estavam saciados, disse aos seus discipulos: Recolhei
os pedaços que sobejaram, para que nada se perca.
13 Recolheram-_n’os_ pois, e encheram doze cestos de pedaços dos cinco
pães de cevada, que sobejaram aos que haviam comido.
14 Vendo pois aquelles homens o signal que Jesus tinha feito, diziam:
Este [6] é verdadeiramente o propheta que devia vir ao mundo.
15 Sabendo pois Jesus que haviam de vir arrebatal-o, para o fazerem rei,
tornou a retirar-se, elle só, para o monte.
_Jesus anda sobre o mar._
Mat. 14.23-34 e refs.
16 E, [7] quando veiu a tarde, os seus discipulos desceram para o mar.
17 E, entrando no barco, passaram da outra banda do mar para Capernaum, e
era já escuro, e _ainda_ Jesus não tinha chegado ao pé d’elles.
18 E o mar se levantou, porquanto um grande vento assoprava.
19 E, tendo navegado uns vinte e cinco ou trinta estadios, viram a Jesus,
andando sobre o mar e approximando-se do barco; e temeram.
20 Porém elle lhes disse: Sou eu, não temaes.
21 Então elles de boamente o receberam no barco; e logo o barco chegou á
terra para onde iam.
_Jesus é o pão da vida para os que crêem._
22 No dia seguinte, a multidão, que estava da outra banda do mar, vendo
que não havia ali mais do que um barquinho, e que Jesus não entrara com
seus discipulos n’aquelle barquinho, mas _que_ os seus discipulos tinham
ido sós.
23 (Comtudo, outros barquinhos vieram de Tiberiades, perto do logar onde
comeram o pão, havendo o Senhor dado graças):
24 Vendo pois a multidão que Jesus não estava ali nem os seus discipulos,
entraram elles tambem nos barcos, e foram a Capernaum, em busca de Jesus.
25 E, achando-o na outra banda do mar, disseram-lhe: Rabbi, quando
chegaste aqui?
26 Jesus respondeu-lhes, e disse: Na verdade, na verdade vos digo que me
buscaes, não pelos signaes que vistes, mas porque comestes do pão e vos
saciastes.
27 Trabalhao, não pela comida que perece, mas [8] pela comida que
permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará; [9]
porque a este sellou o Pae, Deus.
28 Disseram-lhe pois: Que faremos, para obrarmos as obras de Deus?
29 Jesus respondeu, e disse-lhes: A [10] obra de Deus é esta: Que creiaes
n’aquelle que elle enviou.
30 Disseram-lhe pois: [11] Que signal pois fazes tu, para que o vejamos,
e creiamos em ti? Que obras tu?
31 Nossos [12] paes comeram o manná no deserto, como está escripto: [13]
Deu-lhes a comer o pão do céu.
32 Disse-lhes pois Jesus: Na verdade, na verdade vos digo: Moysés não vos
deu o pão do céu; mas meu Pae vos dá o verdadeiro pão do céu.
33 Porque o pão de Deus é aquelle que desce do céu, e que dá vida ao
mundo.
34 Disseram-lhe pois: [14] Senhor, dá-nos sempre d’esse pão.
35 E Jesus lhes disse: [15] Eu sou o pão da vida; aquelle que vem a mim
não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sêde.
36 Mas _já_ [16] vos disse que tambem vós me vistes, e não crêdes.
37 Tudo [17] o que o Pae me dá virá a mim; [18] e o que vem a mim de
maneira nenhuma o lançarei fóra.
38 Porque eu desci do céu, [19] não para fazer a minha vontade, mas a
vontade d’aquelle que me enviou.
39 E a vontade do Pae que me enviou [20] é esta: que de tudo quanto me
deu nada perca, mas que o resuscite no ultimo dia.
40 E a vontade d’aquelle que me enviou é esta: [21] que todo aquelle que
vê o Filho, e crê n’Elle, tenha a vida eterna; e eu o resuscitarei no
ultimo dia.
41 Murmuravam pois d’elle os judeos, porque dissera: Eu sou o pão que
desceu do céu.
42 E diziam: [22] Não é este Jesus, o filho de José, cujo pae e mãe nós
conhecemos? Como pois diz elle: Desci do céu?
43 Respondeu pois Jesus, e disse-lhes: Não murmureis entre vós.
44 Ninguem [23] pode vir a mim, se o Pae que me enviou o não trouxer: e
eu o resuscitarei no ultimo dia.
45 Está escripto [24] nos prophetas: E serão todos ensinados por Deus.
[25] Assim que todo aquelle que do Pae ouviu e aprendeu vem a mim.
46 Não [26] que alguem visse ao Pae, [27] senão aquelle que é de Deus:
este tem visto ao Pae.
47 Na verdade, na verdade vos digo que aquelle que crê [28] em mim tem a
vida eterna,
48 Eu [29] sou o pão da vida.
49 Vossos [30] paes comeram o manná no deserto, e morreram.
50 Este [31] é o pão que desce do céu, para que o que d’elle comer não
morra.
51 Eu sou o pão vivo [32] que desceu do céu; se alguem comer d’este pão,
viverá para sempre: e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela
vida do mundo.
52 Disputavam pois os judeos entre si, dizendo: [33] Como nos pode dar
este a sua carne a comer?
53 Jesus pois lhes disse: [34] Na verdade, na verdade vos digo que, se
não comerdes a carne do Filho do homem, e _não_ beberdes o seu sangue,
não tereis vida em vós mesmos.
54 Quem come a minha [35] carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e
eu o resuscitarei no ultimo dia.
55 Porque a minha carne verdadeiramente é comida, [36] e o meu sangue
verdadeiramente é bebida;
56 Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu
n’elle.
57 Como o Pae, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pae, [37] assim, quem
me come a mim, tambem viverá por mim.
58 Este é o pão que desceu do céu: não como vossos paes, que comeram o
manná, e morreram: quem comer este pão viverá para sempre.
59 Elle [38] disse estas _coisas_ na synagoga, ensinando em Capernaum.
_Jesus é abandonado por muitos discipulos: a confissão de Pedro._
60 Muitos [39] pois dos seus discipulos, ouvindo _isto_, disseram: Duro é
este discurso; quem o pode ouvir?
61 Sabendo pois Jesus em si mesmo que os seus discipulos murmuravam
d’isto, disse-lhes: Isto escandaliza-vos?
62 _Que_ [40] _seria_, pois, se visseis subir o Filho do homem para onde
primeiro estava?
63 O espirito é o que [41] vivifica, a carne para nada aproveita; as
palavras que eu vos digo são espirito e vida.
64 Mas [42] ha alguns de vós que não crêem. Porque bem sabia Jesus, desde
o principio, quem eram os que não criam, e quem era o que o havia de
entregar.
65 E dizia: [43] Por isso eu vos tenho dito que ninguem pode vir a mim,
se por meu Pae lhe não fôr concedido.
66 Desde [44] então muitos dos seus discipulos tornaram para traz, e já
não andavam com elle.
67 Então disse Jesus aos doze: Quereis vós tambem retirar-vos?
68 Respondeu-lhe pois Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu [45]
tens as palavras da vida eterna.
69 E [46] nós temos crido e conhecido que tu és o Christo, o Filho de
Deus.
70 Respondeu-lhe Jesus: [47] Não vos escolhi a vós os doze? e um de vós é
diabo.
71 E isto dizia elle de Judas Iscariotes, _filho_ de Simão; porque este o
havia de entregar, sendo um dos doze.
[1] Mar. 6.35. Luc. 9.10, 12.
[2] Lev. 23.5, 7. Deu. 16.1. cap. 2.13 e 5.1.
[3] Mat. 14.14. Mar. 6.35. Luc. 9.12.
[4] Num. 11.21, 22.
[5] II Reis 4.43.
[6] Gen. 49.10. Deu. 18.15, 18. Mat. 11.3. cap. 1.21 e 4.19, 25 e 7.40.
[7] Mar. 6.47.
[8] ver. 54. cap. 4.14.
[9] Mat. 3.17 e 17.5. Mar. 1.11 e 9.7. Luc. 3.22 e 9.35. cap. 1.33 e 5.37
e 8.18. Act. 2.22. II Ped. 1.17.
[10] João 3.23.
[11] Mat. 12.38 e 16.1. Mar. 8.11. I Cor. 1.22.
[12] Exo. 16.15. Num. 11.7. Neh. 9.15. I Cor. 10.3.
[13] Psa. 7.24, 25.
[14] cap. 4.15.
[15] ver. 48, 58. cap. 4.14 e 7.37.
[16] ver. 26, 64.
[17] ver. 45.
[18] Mat. 24.24. cap. 10.28, 29. II Tim. 2.19. I João 2.19.
[19] Mat. 26.39. cap. 5.30 e 4.34.
[20] cap. 10.28 e 17.12 e 18.9.
[21] ver. 27, 47, 54. cap. 3.15, 16 e 4.14.
[22] Mat. 13.55. Mar. 6.3. Luc. 4.22.
[23] Can. 1.4. ver. 65.
[24] Isa. 54.13. Jer. 31.34. Miq. 4.2. Heb. 8.10 e 10.16.
[25] ver. 37.
[26] cap. 1.18 e 5.37.
[27] Mat. 11.27. Luc. 10.22. cap. 7.29 e 8.19.
[28] cap. 3.16, 18, 36. ver. 40.
[29] ver. 33, 35.
[30] ver. 31.
[31] ver. 51, 58.
[32] cap. 3.13.
[33] Heb. 10.5, 10.
[34] cap. 7.43 e 9.16 e 10.19 e 3.9.
[35] Mat. 26.26, 28.
[36] ver. 27, 40, 63. cap. 4.14.
[37] I João 3.24 e 4.15, 16.
[38] ver. 49, 50, 51.
[39] ver. 66. Mat. 11.6.
[40] Mar. 16.19. cap. 3.13. Act. 1.9. Eph. 4.8.
[41] II Cor. 3.6.
[42] ver. 36. cap. 2.24, 25 e 13.11.
[43] ver. 44, 45.
[44] ver. 60.
[45] Act. 5.20.
[46] Mat. 16.16. Mar. 8.29. Luc. 9.20. cap. 1.49 e 11.27.
[47] Luc. 6.13. cap. 13.27.
_A incredulidade dos irmãos de Jesus._
7 E depois d’isto Jesus andava pela Galiléa, e _já_ não queria andar pela
Judéa, [1] porquanto os judeos procuravam matal-o.
2 E estava [2] proxima a festa dos judeos, a dos tabernaculos.
3 Disseram-lhe [3] pois seus irmãos: Sae d’aqui, e vae para a Judéa, para
que tambem os teus discipulos vejam as obras que fazes.
4 Porque ninguem, que procura ser conhecido, faz coisa alguma em occulto.
Se fazes estas _coisas_, manifesta-te ao mundo.
5 Porque nem [4] ainda seus irmãos criam n’elle.
6 Disse-lhes pois Jesus: [5] Ainda não é chegado o meu tempo, mas o vosso
tempo sempre está prompto.
7 O [6] mundo não vos pode aborrecer, mas elle me aborrece a mim,
porquanto d’elle testifico que as suas obras são más.
8 Subi vós a esta festa: eu não subo ainda a esta festa; [7] porque ainda
o meu tempo não está cumprido.
9 E, havendo-lhes dito estas _coisas_, ficou na Galiléa.
_Jesus ensina no templo na festa dos tabernaculos. Dissensão entre os
judeos ácerca da sua pessoa. Os phariseos mandam prendel-o._
10 Mas, tendo seus irmãos _já_ subido á festa, então subiu elle tambem,
não manifestamente, mas como em occulto.
11 Ora os judeos [8] buscavam-n’o na festa, e diziam: Onde está elle?
12 E [9] havia grande murmuração entre a multidão a respeito d’elle.
Diziam alguns: [10] Elle é bom. E outros diziam: Não, antes engana o povo.
13 Todavia ninguem fallava d’elle abertamente, [11] por medo dos judeos.
14 Porém, no meio da festa, subiu Jesus ao templo, e ensinava.
15 E os judeos [12] maravilhavam-se, dizendo: Como sabe este lettras, não
_as_ tendo aprendido?
16 Jesus lhes respondeu, e disse: [13] A minha doutrina não é minha, mas
d’aquelle que me enviou.
17 Se [14] alguem quizer fazer a vontade d’elle, da mesma doutrina
conhecerá se é de Deus, ou _se_ eu fallo de mim mesmo.
18 Quem falla [15] de si mesmo busca a sua propria gloria, mas o que
busca a gloria d’aquelle que o enviou esse é verdadeiro, e não ha n’elle
injustiça.
19 Não [16] vos deu Moysés a lei? e nenhum de vós observa a lei. Porque
procuraes matar-me?
20 A multidão respondeu, e disse: [17] Tens demonio; quem procura
matar-te?
21 Respondeu Jesus, e disse-lhes: Fiz uma obra, e todos vos maravilhaes.
22 Por isso [18] Moysés vos deu a circumcisão (não que fosse de Moysés,
mas dos paes), e no sabbado circumcidaes um homem.
23 Se o homem recebe a circumcisão no sabbado, para que a lei de Moysés
não seja quebrantada, indignaes-vos contra mim, [19] porque no sabbado
curei de todo um homem?
24 Não [20] julgueis segundo a apparencia, mas julgae segundo a recta
justiça.
25 Então alguns dos de Jerusalem diziam: Não é este o que procuram matar?
26 E eil-o ahi está fallando livremente, e nada lhe dizem. [21]
Porventura sabem verdadeiramente os principes que este é o Christo?
27 Mas [22] bem sabemos d’onde este é; porém, quando vier o Christo,
ninguem saberá d’onde elle é.
28 Clamava pois Jesus no templo, ensinando, e dizendo: [23] Vós
conheceis-me, e sabeis d’onde sou, e [24] eu não vim por mim mesmo, mas
aquelle que me enviou [25] é verdadeiro, o qual vós não conheceis.
29 Porém [26] eu conheço-o, porque d’elle sou e elle me enviou.
30 Procuravam [27] pois prendel-o, mas ninguem lançou mão d’elle, porque
ainda não era chegada a sua hora.
31 E [28] muitos da multidão creram n’elle, e diziam: Quando o Christo
vier, fará ainda mais signaes do que os que este tem feito?
32 Os phariseos ouviram que a multidão murmurava d’elle estas _coisas_; e
os phariseos e os principaes dos sacerdotes mandaram [AHS] servidores a
prendel-o.
33 Disse-lhes pois Jesus: [29] Ainda um pouco de tempo estou comvosco, e
vou para aquelle que me enviou.
34 Vós [30] me buscareis, e não _me_ achareis; e aonde eu estou vós não
podeis vir.
35 Disseram pois os judeos uns para os outros: Para onde irá este, que o
não acharemos? [31] Irá porventura para os dispersos entre os gregos, e
ensinar os gregos?
36 Que palavra é esta que disse: Buscar-me-heis, e não _me_ achareis; e,
Aonde eu estou vós não podeis ir?
37 E [32] no ultimo dia, o grande _dia_ da festa, Jesus poz-se em pé, e
clamou, dizendo: [33] Se alguem tem sêde, venha a mim, e beba.
38 Quem [34] crê em mim, como diz a Escriptura, rios d’agua viva manarão
do seu ventre.
39 E isto [35] disse elle do Espirito que haviam de receber os que n’elle
cressem; porque o Espirito Sancto ainda não fôra dado, [36] porque ainda
Jesus não tinha sido glorificado.
40 Então muitos da multidão, ouvindo esta palavra, diziam:
Verdadeiramente este [37] é o Propheta.
41 Outros diziam: [38] Este _é_ o Christo: mas diziam outros: Vem pois
[39] o Christo da Galilea?
42 Não [40] diz a Escriptura que o Christo vem da descendencia de David,
e de Bethlehem, [41] da aldeia d’onde era David?
43 Assim [42] entre o povo havia dissensão por causa d’elle.
44 E alguns [43] d’elles queriam prendel-o, mas ninguem lançou mão d’elle.
45 E os servidores foram ter com os principaes dos sacerdotes e
phariseos; e elles lhes disseram: Porque o não trouxestes?
46 Responderam os servidores: Nunca [44] homem algum fallou assim como
este homem.
47 Responderam-lhes pois os phariseos: Tambem vós fostes enganados?
48 Creu [45] n’elle porventura algum dos principaes ou dos phariseos?
49 Mas esta multidão, que não sabe a lei, é maldita.
50 Nicodemos (que era um d’elles, [46] o que de noite viera ter com
_Jesus_) disse-lhes:
51 Porventura condemna [47] a nossa lei um homem sem primeiro o ouvir e
ter conhecimento do que faz?
52 Responderam elles, e disseram-lhe: Tu és tambem da Galilea? Examina, e
verás que da [48] Galilea nenhum propheta surgiu.
53 E cada um foi para sua casa.
[1] cap. 5.16, 18.
[2] Lev. 23.34.
[3] Mat. 12.46. Mar. 3.31. Act. 1.14.
[4] Mar. 3.21.
[5] cap. 2.4 e 8.20. ver. 8, 30.
[6] cap. 15.19 e 3.19.
[7] cap. 8.20. ver. 6.
[8] cap. 11.56.
[9] cap. 9.16 e 10.19.
[10] Mat. 21.46. Luc. 7.16. cap. 6.14. ver. 40.
[11] cap. 9.22 e 12.42 e 19.38.
[12] Mat. 13.54. Mar. 6.2. Luc. 4.22. Act. 2.7.
[13] cap. 3.11 e 8.28 e 12.49 e 14.10, 24.
[14] cap. 8.43.
[15] cap. 5.41 e 8.50.
[16] Exo. 24.3. Deu. 33.4. cap. 1.17 e 5.16, 18 e 10.31, 39 e 11.53. Act.
7.38. Mat. 12.14. Mar. 3.6.
[17] cap. 8.48, 52 e 10.20.
[18] Lev. 12.3. Gen. 17.10.
[19] cap. 5.8, 9, 16.
[20] Deu. 1.16, 17. Pro. 24.23. cap. 8.15. Thi. 2.1.
[21] ver. 48.
[22] Mat. 13.55. Mar. 6.3. Luc. 4.22.
[23] cap. 8.14.
[24] cap. 5.43 e 8.42 e 5.32 e 8.26. Rom. 3.4.
[25] cap. 1.18 e 8.55.
[26] Mat. 11.27. cap. 10.15.
[27] Mar. 11.18. Luc. 19.47 e 20.19. ver. 19. cap. 8.37.
[28] Mat. 12.23. cap. 3.2 e 8.30.
[29] cap. 13.33 e 16.16.
[30] Ose. 5.6. cap. 8.21 e 13.33.
[31] Isa. 11.12. Thi. 1.1. I Ped. 1.1.
[32] Lev. 23.36.
[33] Isa. 55.1. cap. 6.35. Apo. 22.17.
[34] Deu. 18.15. Pro. 18.4. Isa. 12.3 e 44.3. cap. 4.14.
[35] Isa. 44.3. Joel 2.28. cap. 16.7. Act. 2.17, 33, 38.
[36] cap. 12.16 e 16.7.
[37] Deu. 18.15, 18. cap. 1.21 e 6.14.
[38] cap. 4.42 e 6.70.
[39] ver. 52. cap. 1.46.
[40] Psa. 132.11. Jer. 23.5. Miq. 5.2. Mat. 2.5. Luc. 2.4.
[41] I Sam. 16.1, 4.
[42] ver. 12. cap. 9.16 e 10.19.
[43] ver. 30.
[44] Mat. 7.29.
[45] cap. 12.42. Act. 6.7. I Cor. 1.20, 26 e 2.8.
[46] cap. 3.2.
[47] Deu. 1.17 e 17.8, etc. e 19.15.
[48] Isa. 9.1, 2. Mat. 4.15. cap. 1.46. ver. 41.
_A mulher adultera._
8 Porém Jesus foi para o monte das Oliveiras;
2 E pela manhã cedo tornou para o templo, e todo o povo vinha ter com
elle, e, assentando-se, os ensinava.
3 E os escribas e phariseos trouxeram-lhe uma mulher apanhada em
adulterio;
4 E, pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada, no
proprio acto, adulterando,
5 E [1] na lei nos mandou Moysés que as taes sejam apedrejadas. Tu pois
que dizes?
6 Isto diziam elles, tentando-o, para que tivessem de que o accusar. Mas
Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra.
7 E, como perseverassem perguntando-lhe, endireitou-se, e disse-lhes: [2]
Aquelle que d’entre vós está sem peccado seja o primeiro que atire pedra
contra ella.
8 E, tornando a inclinar-se, escreveu na terra.
9 Porém, ouvindo [3] elles _isto_, e accusados pela consciencia, sairam
um a um, começando pelos mais velhos até aos ultimos; ficou só Jesus e a
mulher, que estava no meio.
10 E, endireitando-se Jesus, e não vendo ninguem mais do que a mulher,
disse-lhe: Mulher, onde estão aquelles teus accusadores? Ninguem te
condemnou?
11 E ella disse: Ninguem, Senhor. E disse-lhe Jesus: [4] Nem eu tambem
te condemno: vae-te, e não peques mais.
_Discurso de Jesus sobre a sua missão._
12 Fallou-lhes pois Jesus outra vez, dizendo: [5] Eu sou a luz do mundo;
quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida.
13 Disseram-lhe pois os phariseos: [6] Tu testificas de ti mesmo: o teu
testemunho não é verdadeiro.
14 Respondeu Jesus, e disse-lhes: Ainda que eu testifico de mim mesmo,
o meu testemunho é verdadeiro, porque sei d’onde vim, e para onde vou;
porém [7] vós não sabeis d’onde venho, nem para onde vou.
15 Vós [8] julgaes segundo a carne, eu a ninguem julgo.
16 E, se eu tambem julgo, o meu juizo é verdadeiro, porque [9] não sou eu
só, mas eu e o Pae que me enviou.
17 E tambem na [10] vossa lei está escripto que o testemunho de dois
homens é verdadeiro.
18 Eu sou o que testifico de mim mesmo, [11] e de num testifica _tambem_
o Pae que me enviou.
19 Disseram-lhe pois: Onde está teu Pae? Jesus respondeu: [12] Nem me
conheceis a mim, nem a meu Pae: se vós me conhecesseis a mim, tambem
conhecerieis a meu Pae.
20 Estas palavras disse Jesus no logar do thesouro, ensinando no templo,
[13] e ninguem [14] o prendeu, [15] porque ainda não era chegada a sua
hora.
21 Disse-lhes pois Jesus outra vez: Eu retiro-me, e [16] buscar-me-heis,
e [17] morrereis no vosso peccado. Para onde eu vou não podeis vós vir.
22 Diziam pois os judeos: Porventura ha de matar-se a si mesmo, pois diz:
Para onde eu vou não podeis vós vir?
23 E dizia-lhes: [18] Vós sois debaixo, eu sou de cima; [19] vós sois
d’este mundo, eu não sou d’este mundo.
24 Por isso [20] vos disse que morrereis em vossos peccados, [21] porque,
se não crerdes o que eu sou, morrereis em vossos peccados.
25 Disseram-lhe pois: Quem és tu? Jesus lhes disse: O mesmo que tambem já
desde o principio vos disse.
26 Muitas _coisas_ tenho que dizer e julgar de vós, mas [22] aquelle que
me enviou é verdadeiro, [23] e eu o que d’elle tenho ouvido isso fallo ao
mundo.
27 _Mas_ não entenderam que elle lhes fallava do Pae.
28 Disse-lhes pois Jesus: Quando levantardes [24] o Filho do homem, [25]
então conhecereis quem eu sou, e [26] _que_ nada faço por mim mesmo; mas
[27] fallo assim como o Pae m’o ensinou.
29 E aquelle que [28] me enviou está comigo; [29] o Pae não me tem
deixado só, [30] porque eu faço sempre o que lhe agrada.
30 Fallando elle estas _coisas_, [31] muitos creram n’elle.
31 Jesus dizia pois aos judeos que criam n’elle: Se vós permanecerdes na
minha palavra, verdadeiramente sereis meus discipulos;
32 E conhecereis a verdade, e [32] a verdade vos libertará.
33 Responderam-lhe: [33] Somos descendencia de Abrahão, e nunca servimos
a ninguem; como dizes tu: Sereis livres?
34 Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo [34] que todo
aquelle que commette peccado é servo do peccado.
35 Ora [35] o servo não fica para sempre em casa; o Filho fica para
sempre.
36 Se pois o Filho vos libertar, [36] verdadeiramente sereis livres.
37 Bem sei que sois descendencia de Abrahão; [37] comtudo, procuraes
matar-me, porque a minha palavra não cabe em vós.
38 Eu [38] fallo do que vi junto de meu Pae, e vós fazeis o que tambem
vistes junto de vosso pae.
39 Responderam, e disseram-lhe: [39] Nosso pae é Abrahão. Jesus
disse-lhes: [40] Se fosseis filhos de Abrahão, farieis as obras de
Abrahão.
40 Porém [41] agora procuraes matar-me, a mim, _um_ homem que vos tenho
fallado a verdade [42] que de Deus tenho ouvido; Abrahão não fez isto.
41 Vós fazeis as obras de vosso pae. Disseram-lhe pois: Nós não somos
nascidos [43] da fornicação; temos um Pae, _que é_ Deus.
42 Disse-lhes pois Jesus; [44] Se Deus fosse o vosso Pae, certamente me
amarieis, [45] pois que eu sahi, e vim de Deus; [46] porque não vim de
mim mesmo, mas elle me enviou.
43 Porque [47] não entendeis a minha linguagem? por não poderdes ouvir a
minha palavra.
44 Vós [48] tendes por pae ao diabo, e quereis fazer os desejos de vosso
pae: elle foi homicida desde o principio, [49] e não permaneceu na
verdade, porque não ha verdade n’elle; quando falla mentira, falla do que
lhe é proprio, porque é mentiroso, e pae da mentira.
45 Mas, porque _vos_ digo a verdade, não _me_ crêdes.
46 Quem d’entre vós me convence de peccado? E, se digo a verdade, porque
não crêdes?
47 Quem [50] é de Deus escuta as palavras de Deus; por isso vós não _as_
escutaes, porque não sois de Deus.
48 Responderam pois os judeos, e disseram-lhe: Não dizemos nós bem que és
samaritano, e que [51] tens demonio?
49 Jesus respondeu: Eu não tenho demonio, antes honro a meu Pae, e vós me
deshonraes.
50 Eu [52] não busco a minha gloria; ha quem _a_ busque, e julgue.
51 Em verdade, em verdade vos digo que, [53] se alguem guardar a minha
palavra, nunca verá a morte.
52 Disseram-lhe pois os judeos: Agora conhecemos que tens demonio. [54]
Morreu Abrahão e os prophetas; e tu dizes: Se alguem guardar a minha
palavra, nunca provará a morte.
53 És tu maior do que o nosso pae Abrahão, que morreu? e tambem os
prophetas morreram: quem te fazes tu ser?
54 Jesus respondeu: [55] Se eu me glorifico a mim mesmo, a minha gloria
[56] é nada; quem me glorifica é o meu Pae, o qual dizeis que é vosso
Deus.
55 E [57] vós não o conheceis, mas eu conheço-o: e, se disser que o não
conheço, serei mentiroso como vós; mas conheço-o e guardo a sua palavra.
56 Abrahão, [58] vosso pae, exultou por ver o meu dia, [59] e viu-_o_, e
alegrou-se.
57 Disseram-lhe pois os judeos: Ainda não tens cincoenta annos, e viste
Abrahão?
58 Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que
Abrahão fosse feito [60] eu sou.
59 Então [61] pegaram em pedras para lhe atirarem; porém Jesus [62]
occultou-se, e saiu do templo, passando pelo meio d’elles, e assim se
retirou.
[1] Lev. 20.10. Deu. 22.22.
[2] Deu. 17.7. Rom. 2.1.
[3] Rom. 2.22.
[4] Luc. 9.56 e 12.14. cap. 3.17 e 5.14.
[5] cap. 1.4, 5, 9 e 3.19 e 9.5 e 12.35, 36, 46.
[6] cap. 5.31.
[7] cap. 7.28 e 9.29.
[8] cap. 7.24 e 3.17 e 12.47 e 18.36.
[9] ver. 29. cap. 16.32.
[10] Deu. 17.6 e 19.15. Mat. 18.16. II Cor. 13.1. Heb. 10.28.
[11] cap. 5.37.
[12] ver. 55. cap. 16.3 e 14.7.
[13] Mar. 12.41.
[14] cap. 7.30.
[15] cap. 7.8.
[16] cap. 7.34 e 13.33.
[17] ver. 24.
[18] cap. 3.31.
[19] cap. 15.19 e 17.16. I João 4.5.
[20] ver. 21.
[21] Mar. 16.16.
[22] cap. 7.28.
[23] cap. 3.32 e 15.15.
[24] cap. 3.14 e 12.32.
[25] Rom. 1.4.
[26] cap. 5.19, 32.
[27] cap. 3.11.
[28] cap. 14.10, 11.
[29] ver. 16.
[30] cap. 4.34.
[31] cap. 7.31 e 10.42 e 11.45.
[32] Rom. 6.14, 18, 22 e 8.2. Thi. 1.25 e 2.12.
[33] Lev. 25.42. Mat. 3.9.
[34] Rom. 6.16, 20. II Ped. 2.19.
[35] Gal. 4.30.
[36] Rom. 8.2. Gal. 5.1.
[37] cap. 7.19. ver. 40.
[38] cap. 3.32 e 5.19, 30 e 14.10, 24.
[39] Mat. 3.9. ver. 33.
[40] Rom. 2.28 e 9.7. Gal. 3.7, 29.
[41] ver. 37.
[42] ver. 26.
[43] Isa. 63.16 e 64.8. Mal. 1.6.
[44] I João 5.1.
[45] cap. 16.27.
[46] cap. 5.43.
[47] cap. 7.17.
[48] Mat. 13.38. I João 3.8.
[49] Jud. 6.
[50] cap. 10.26, 27. I João 4.6.
[51] cap. 7.20 e 10.20. ver. 52.
[52] cap. 5.41 e 7.18.
[53] cap. 5.24 e 11.26.
[54] Zac. 1.5. Heb. 11.13.
[55] cap. 5.31.
[56] cap. 5.41 e 16.14. Act. 3.13.
[57] cap. 7.28, 29.
[58] Luc. 10.24.
[59] Heb. 11.13.
[60] Exo. 3.14. Col. 1.17. Apo. 1.8.
[61] cap. 10.31, 39 e 11.8.
[62] Luc. 4.30.
_Cura d’um cego de nascença._
9 E, passando _Jesus_, viu um homem cego de nascença.
2 E os seus discipulos lhe perguntaram, dizendo: Rabbi, [1] quem peccou,
este ou seus paes, para que nascesse cego?
3 Jesus respondeu: Nem elle peccou nem seus paes; mas [2] foi para que se
manifestem n’elle as obras de Deus.
4 Convém [3] que eu faça as obras d’aquelle que me enviou, emquanto é
dia: a noite vem, quando ninguem pode trabalhar.
5 Emquanto estou no mundo, sou a luz [4] do mundo.
6 Tendo dito isto, [5] cuspiu na terra, e com o cuspo fez lodo, e untou
com o lodo os olhos do cego.
7 E disse-lhe: Vae, lava-te [6] no tanque de Siloé (que significa o
Enviado). [7] Foi pois, e lavou-se, e voltou vendo.
8 Então os visinhos, e aquelles que d’antes tinham visto que era cego,
diziam: Não é este aquelle que estava assentado e mendigava?
9 Uns diziam: É este. _E_ outros: Parece-se com elle. Elle dizia: Eu sou.
10 Diziam-lhe pois: Como se te abriram os olhos?
11 Elle respondeu, e disse: [8] O homem, chamado Jesus, fez lodo, e
untou-me os olhos, e disse-me: Vae ao tanque de Siloé, e lava-te. E fui,
e lavei-me, e vi.
12 Disseram-lhe pois: Onde está elle? Elle disse: Não sei.
13 Levaram _pois_ aos phariseos _o_ que d’antes _era_ cego.
14 E era sabbado, quando Jesus fez o lodo e lhe abriu os olhos.
15 Tornaram pois tambem os phariseos a perguntar-lhe como vira, e elle
lhes disse: Poz-me lodo sobre os olhos, lavei-me, e vejo.
16 Por isso alguns dos phariseos diziam: Este homem não é de Deus; pois
não guarda o sabbado. Diziam outros: [9] Como pode um homem peccador
fazer taes signaes? E [10] havia dissensão entre elles.
17 Tornaram _pois_ a dizer ao cego: Tu que dizes d’aquelle que te abriu
os olhos? E elle disse: Que [11] é propheta.
18 Os judeos, porém, não creram que elle tivesse sido cego, e que _agora_
visse, emquanto não chamaram os paes do que agora via.
19 E perguntaram-lhes, dizendo: É este o vosso filho, que vós dizeis ter
nascido cego? Como pois vê agora?
20 Seus paes lhes responderam, e disseram: Sabemos que este é nosso
filho, e que nasceu cego;
21 Mas como agora vê, não sabemos; ou quem lhe tenha aberto os olhos, não
sabemos: tem edade, perguntae-lh’o a elle mesmo; e elle fallará por si
mesmo.
22 Seus paes [12] disseram isto, porque temiam os judeos. Porquanto já os
judeos tinham resolvido que, se alguem confessasse ser elle o Christo,
fosse expulso [13] da synagoga.
23 Por isso é que seus paes disseram: Tem edade, perguntae-lh’o a elle
mesmo.
24 Chamaram pois segunda vez o homem que tinha sido cego, e disseram-lhe:
[14] Dá gloria a Deus; nós [15] sabemos que esse homem é peccador.
25 Respondeu elle pois, e disse: Se é peccador, não sei: uma coisa sei,
que, havendo eu sido cego, agora vejo.
26 E tornaram a dizer-lhe: Que te fez elle? Como te abriu os olhos?
27 Respondeu-lhes: Já vol-_o_ disse, e não ouvistes: para que o quereis
tornar a ouvir? Quereis vós porventura fazer-vos tambem seus discipulos?
28 Então o injuriaram, e disseram: Discipulo d’elle sejas tu: nós, porém,
somos discipulos de Moysés.
29 Nós bem sabemos que Deus fallou a Moysés, [16] mas este não sabemos
d’onde é.
30 O homem respondeu, e disse-lhes: [17] N’isto pois está a maravilha,
que vós não saibaes d’onde elle é, e me abrisse os olhos;
31 Ora nós sabemos que [18] Deus não ouve a peccadores; mas, se alguem é
temente a Deus, e faz a sua vontade, a esse ouve.
32 Desde _todos_ os seculos nunca se ouviu que alguem abrisse os olhos a
um que nasceu cego.
33 Se [19] este não fosse de Deus, nada poderia fazer.
34 Responderam elles, e disseram-lhe: Tu [20] és nascido todo em
peccados, e nos ensinas a nós? E expulsaram-n’o.
35 Jesus ouviu que o tinham expulsado, e, encontrando-o, disse-lhe: Crês
tu no [21] Filho de Deus?
36 Elle respondeu, e disse: Quem é elle, Senhor, para que n’elle creia?
37 E Jesus lhe disse: Tu já o tens visto, e é [22] aquelle que falla
comtigo.
38 Elle disse: Creio, Senhor. E o adorou.
39 E disse-lhe Jesus: [23] Eu vim a este mundo para juizo, [24] a fim de
que os que não vêem vejam, e os que vêem sejam cegos.
40 Aquelles dos phariseos, que estavam com elle, [25] ouvindo isto,
disseram-lhe: Tambem nós somos cegos?
41 Disse-lhes Jesus: [26] Se fosseis cegos, não terieis peccado; mas
agora dizeis: Vemos; por isso o vosso peccado permanece.
[1] ver. 34.
[2] cap. 11.4.
[3] cap. 4.34 e 5.19, 36.
[4] cap. 1.5, 9 e 3.19.
[5] Mar. 7.33 e 8.23.
[6] Neh. 3.15.
[7] II Reis 5.14.
[8] ver. 6, 7.
[9] ver. 33. cap. 3.2.
[10] cap. 7.12, 43 e 10.19.
[11] cap. 4.19 e 6.14.
[12] cap. 7.13. Act. 5.13.
[13] ver. 34. cap. 16.2.
[14] Jos. 7.19. I Sam. 6.5.
[15] ver. 16.
[16] cap. 8.14.
[17] cap. 3.10.
[18] Job 27.9. Pro. 1.28. Isa. 1.15. Jer. 11.11.
[19] ver. 16.
[20] ver. 2.
[21] Mat. 14.33. Mar. 1.1. I João 5.15.
[22] cap. 4.26.
[23] cap. 5.22, 27 e 3.17 e 12.47.
[24] Mat. 13.13.
[25] Rom. 2.19.
[26] cap. 15.22, 24.
_Jesus, o bom pastor._
10 Na verdade, na verdade vos digo que aquelle que não entra pela porta
no [AHT] curral das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e
salteador.
2 Mas aquelle que entra pela porta é o pastor das ovelhas.
3 A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz, e chama pelo nome
ás suas ovelhas, e as traz para fóra.
4 E, quando tira para fóra as suas ovelhas, vae adiante d’ellas, e as
ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz;
5 Mas de modo nenhum seguirão o estranho, antes fugirão d’elle, porque
não conhecem a voz dos estranhos.
6 Jesus disse-lhes esta parabola; porém elles não entenderam o que era
que lhes dizia.
7 Tornou pois Jesus a dizer-lhes: Em verdade vos digo que eu sou a porta
das ovelhas.
8 Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores; mas as
ovelhas não os ouviram.
9 Eu [1] sou a porta; se alguem entrar por mim, salvar-se-ha, e entrará,
e sairá, e achará pasto.
10 O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir: eu vim para
que tenham vida, e a tenham com abundancia.
11 Eu [2] sou o bom Pastor: o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas.
12 Mas o mercenario, e o que não é pastor, de quem não são proprias as
ovelhas, vê vir o lobo, [3] e deixa as ovelhas, e foge; e o lobo as
arrebata e dispersa.
13 Ora o mercenario foge, porque é mercenario, e não tem cuidado das
ovelhas.
14 Eu sou o bom Pastor, [4] e conheço as minhas, e das minhas sou
conhecido.
15 Assim [5] como o Pae me conhece a mim, tambem eu conheço o Pae, [6] e
dou a minha vida pelas ovelhas.
16 Ainda tenho [7] outras ovelhas que não são d’este curral; tambem me
convem trazer estas, e ellas ouvirão a minha voz, [8] e haverá um rebanho
_e_ um Pastor.
17 Por isso o Pae me ama, [9] porque dou a minha vida para tornar a
tomal-a.
18 Ninguem m’a tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho [10] poder
para a dar, e poder para tornar a tomal-a. [11] Este mandamento recebi de
meu Pae.
19 Tornou pois a haver divisão entre os judeos por causa d’estas palavras.
20 E [12] muitos d’elles diziam: Tem [13] demonio, e está fóra de si:
porque o ouvis?
21 Diziam outros: Estas palavras não são de endemoninhado; pode [14]
porventura um demonio abrir [15] os olhos aos cegos?
_A festa da dedicação. Jesus, interrogado pelos judeos, declara-se o
Messias, Filho de Deus. Desejam apedrejal-o, e elle retira-se para além
do Jordão._
22 E em Jerusalem era a _festa da_ dedicação, e era inverno.
23 E Jesus andava passeando no templo, [16] no alpendre de Salomão.
24 Rodearam-n’o pois os judeos, e disseram-lhe: Até quando terás a nossa
alma suspensa? Se tu és o Christo, dize-nol-o abertamente.
25 Respondeu-lhes Jesus: Já vol-_o_ tenho dito, e não _o_ crêdes. As [17]
obras que eu faço, em nome de meu Pae, essas testificam de mim.
26 Mas [18] vós não crêdes, porque não sois das minhas ovelhas, como _já_
vol-o tenho dito.
27 As [19] minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e ellas me
seguem;
28 E dou-lhes a vida eterna, [20] e nunca perecerão, e ninguem as
arrebatará da minha mão.
29 [21] Meu Pae, que m’_as_ deu, é maior do que todos; e ninguem pode
arrebatal-as da mão de meu Pae.
30 Eu [22] e o Pae somos um.
31 Os judeos pegaram então [23] outra vez em pedras para o apedrejar.
32 Respondeu-lhes Jesus: Tenho-vos mostrado muitas obras boas de meu Pae;
por qual d’estas obras me apedrejaes?
33 Os judeos responderam, dizendo-lhe: Não te apedrejamos por obra boa,
mas pela blasphemia; porque, sendo tu homem, [24] te fazes Deus a ti
mesmo.
34 Respondeu-lhes Jesus: [25] Não está escripto na vossa lei: Eu disse:
Sois deuses?
35 Pois, se a lei chamou deuses áquelles [26] a quem a palavra de Deus
foi dirigida (e a Escriptura não pode ser annullada),
36 _A mim_, [27] a quem o Pae sanctificou, e [28] enviou ao mundo, vós
dizeis: Blasphemas; [29] porque disse: [30] Sou Filho de Deus?
37 Se [31] não faço as obras de meu Pae, não me acrediteis.
38 Porém, se as faço, e não crêdes em mim, crêde [32] nas obras; para que
conheçaes e acrediteis que [33] o Pae está em mim e eu n’elle.
39 Procuravam [34] pois prendel-o outra vez, mas elle escapou-se de suas
mãos,
40 E retirou-se outra vez para além do Jordão, para o [35] logar onde
João tinha primeiramente baptizado; e ali ficou.
41 E muitos iam ter com elle, e diziam: Na verdade João não fez signal
algum, [36] mas tudo quanto João disse d’este [37] era verdade.
42 E muitos ali crêram n’elle.
[1] cap. 14.6. Eph. 2.18.
[2] Isa. 40.11. Exo. 34.12, 23. Heb. 13.20. I Ped. 2.25.
[3] Zac. 11.16, 17.
[4] II Tim. 2.19.
[5] Mat. 11.27.
[6] cap. 15.13.
[7] Isa. 56.8.
[8] Eze. 37.22. I Ped. 2.25.
[9] Isa. 53.7, 8, 12. Heb. 2.9.
[10] cap. 2.19.
[11] cap. 6.38. Act. 2.24, 32.
[12] cap. 7.43 e 9.16.
[13] cap. 7.20 e 8.48, 52.
[14] Exo. 4.11.
[15] cap. 9.6, 7, 32, 33.
[16] Act. 3.11 e 5.12.
[17] ver. 38. cap. 3.2 e 5.36.
[18] cap. 8.47. I João 4.6.
[19] ver. 4, 14.
[20] cap. 6.37 e 17.11, 12.
[21] cap. 14.28 e 17.2, 6, etc.
[22] cap. 17.11, 22.
[23] cap. 8.59.
[24] cap. 5.18.
[25] Psa. 82.6.
[26] Rom. 13.1.
[27] cap. 6.27.
[28] cap. 3.17 e 5.36, 37.
[29] cap. 5.17, 18.
[30] Luc. 1.35, 37.
[31] cap. 15.24.
[32] cap. 5.36.
[33] cap. 14.10, 11.
[34] cap. 7.30, 44 e 8.59.
[35] cap. 1.28.
[36] cap. 3.30.
[37] cap. 8.30 e 11.45.
_A resurreição de Lazaro._
[Anno Domini 33]
11 Estava então enfermo um _certo_ Lazaro, de Bethania, aldeia de [1]
Maria e de Martha, sua irmã.
2 E [2] Maria era a que ungiu o Senhor com unguento, e lhe enxugou os pés
com os seus cabellos; cujo irmão Lazaro estava enfermo.
3 Mandaram-lhe pois _suas_ irmãs dizer: Senhor, eis que está enfermo
aquelle que tu amas.
4 E Jesus, ouvindo _isto_, disse: Esta enfermidade não é para morte, [3]
mas para gloria de Deus; para que o Filho de Deus seja glorificado por
ella.
5 Ora Jesus amava a Martha, e a sua irmã e a Lazaro.
6 Ouvindo pois que estava enfermo, [4] ficou ainda dois dias no logar
onde estava.
7 Depois d’isto, disse aos seus discipulos: Vamos outra vez para a Judéa.
8 Dizem-lhe os discipulos: Rabbi, ainda agora [5] os judeos procuravam
apedrejar-te, e tornas para lá?
9 Jesus respondeu: Não ha doze horas no dia? [6] Se alguem andar de dia,
não tropeça, porque vê a luz d’este mundo;
10 Mas, se alguem [7] andar de noite, tropeça, porque n’elle não ha luz.
11 Isto fallou; e depois disse-lhes: Lazaro, o nosso amigo, [8] dorme,
mas vou despertal-o do somno.
12 Disseram pois os seus discipulos: Senhor, se dorme, estará salvo.
13 Mas Jesus dizia _isto_ da sua morte; elles, porém, cuidavam que
fallava do repouso do dormir.
14 Então pois Jesus disse-lhes claramente: Lazaro está morto;
15 E folgo, por amor de vós, de que eu lá não estivesse, para que
acrediteis: porém vamos ter com elle.
16 Disse pois Thomé, chamado Didymo, aos condiscipulos: Vamos nós tambem,
para morrermos com elle.
17 Chegando pois Jesus, achou que já havia quatro dias que estava na
sepultura
18 (Ora Bethania distava de Jerusalem quasi quinze estadios).
19 E muitos dos judeos tinham ido consolar a Martha e a Maria, ácerca de
seu irmão.
20 Ouvindo pois Martha que Jesus vinha, saiu-lhe ao encontro: Maria,
porém, ficou assentada em casa.
21 Disse pois Martha a Jesus: Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão
não teria morrido.
22 Mas tambem agora [9] sei que tudo quanto pedires a Deus Deus t’_o_
dará.
23 Disse-lhe Jesus: Teu irmão ha de resuscitar.
24 Disse-lhe Martha: [10] Eu sei que ha de resuscitar na resurreição do
ultimo dia.
25 Disse-lhe Jesus: Eu sou [11] a resurreição e a [12] vida; [13] quem
crê em mim, ainda que esteja morto, viverá;
26 E todo aquelle que vive, e crê em mim, nunca morrerá. Crês tu isto?
27 Disse-lhe ella: Sim, [14] Senhor, creio que tu és o Christo, o Filho
de Deus, que havia de vir ao mundo.
28 E, dito isto, partiu, e chamou em segredo a Maria, sua irmã, dizendo:
O Mestre está cá, e chama-te.
29 Ella, ouvindo _isto_, levantou-se logo, e foi ter com elle.
30 Porque ainda Jesus não tinha chegado á aldeia, mas estava no logar
onde Martha o encontrara.
31 Vendo [15] pois os judeos, que estavam com ella em casa e a
consolavam, que Maria apressadamente se levantara e saira, seguiram-n’a,
dizendo: Vae ao sepulchro para chorar ali.
32 Tendo pois Maria chegado aonde Jesus estava, e vendo-o, lançou-se aos
[16] seus pés, dizendo-lhe: Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não
teria morrido.
33 Jesus pois, vendo-a chorar, e os judeos que com ella vinham tambem
chorando, moveu-se muito em espirito, e perturbou-se.
34 E disse: Onde o pozestes? Disseram-lhe: Senhor, vem, e vê.
35 Jesus [17] chorou.
36 Disseram pois os judeos: Vêde como o amava.
37 E alguns d’elles disseram: Não podia este, [18] que abriu os olhos ao
cego, fazer tambem com que este não morresse?
38 Jesus pois, movendo-se outra vez muito em si mesmo, vem ao sepulchro;
e era uma caverna, e tinha uma pedra posta sobre ella.
39 Disse Jesus: Tirae a pedra. Martha, irmã do defunto, disse-lhe:
Senhor, já cheira mal, porque é _já_ de quatro dias.
40 Disse-lhe Jesus: Não te hei dito que, se crêres, [19] verás a gloria
de Deus?
41 Tiraram pois a pedra d’onde o defunto jazia. E Jesus, levantando os
olhos para o céu, disse: Pae, graças te dou, por me haveres ouvido.
42 Pois eu bem sei que sempre me ouves, [20] mas eu disse _isto_ por
causa da multidão que está em redor, para que creiam que tu me enviaste.
43 E, tendo dito isto, clamou com grande voz: Lazaro, sae para fóra.
44 E o defunto saiu, tendo as mãos e pés ligados com faxas, [21] e o seu
rosto envolto n’um lenço. Disse-lhes Jesus: Desligae-o, e deixae-o ir.
45 Muitos pois d’entre os judeos, que tinham vindo a Maria, [22] e que
tinham visto o que Jesus fizera, crêram n’elle.
_Os phariseos formam conselho para matarem Jesus._
46 Mas alguns d’elles foram ter com os phariseos, e disseram-lhes o que
Jesus tinha feito.
47 Depois [23] os principaes dos sacerdotes e os phariseos formaram
conselho, e diziam: [24] Que faremos? porque este homem faz muitos
signaes.
48 Se o deixamos assim, todos crerão n’elle, e os romanos virão, e
tirar-nos-hão o nosso logar e a nação.
49 E um d’elles, _chamado_ [25] Caiphás, que era summo sacerdote
n’aquelle anno, lhes disse: Vós nada sabeis,
50 Nem [26] consideraes que nos convem que um homem morra pelo povo, e
_que_ não pereça toda a nação.
51 Ora elle não disse isto de si mesmo, mas, sendo o summo sacerdote
n’aquelle anno, prophetizou que Jesus devia morrer pela nação.
52 E [27] não sómente [28] pela nação, mas tambem para ajuntar em um
_corpo_ os filhos de Deus, que andavam dispersos.
53 Desde aquelle dia, pois, consultavam-se para o matarem.
54 Jesus, [29] pois, já não andava manifestamente entre os judeos, mas
retirou-se d’ali para a terra junto do deserto, para uma cidade chamada
[30] Ephraim; e ali andava com os seus discipulos.
55 E [31] estava proxima a paschoa dos judeos, e muitos d’aquella terra
subiram a Jerusalem antes da paschoa para se purificarem.
56 Buscavam [32] pois a Jesus, e diziam uns aos outros, estando no
templo: Que vos parece? Não virá á festa?
57 Ora os principaes dos sacerdotes e os phariseos tinham dado ordem para
que, se alguem soubesse onde elle estava, o denunciasse, para o prenderem.
[1] Luc. 10.38, 39.
[2] Mat. 26.7. cap. 12.2.
[3] cap. 9.3. ver. 40.
[4] cap. 10.40.
[5] cap. 10.31.
[6] cap. 9.4.
[7] cap. 12.35.
[8] Deu. 31.16. Dan. 12.2. I Cor. 15.18, 51.
[9] cap. 9.31.
[10] Luc. 14.14. cap. 5.29.
[11] cap. 5.21.
[12] cap. 1.4. Col. 3.4. I João 1.1, 2.
[13] cap. 3.36. I João 5.10, etc.
[14] Mat. 16.16.
[15] ver. 19.
[16] ver. 21.
[17] Luc. 19.41.
[18] cap. 9.6.
[19] ver. 4, 23.
[20] cap. 12.30.
[21] cap. 20.7.
[22] cap. 2.23.
[23] Psa. 2.2.
[24] cap. 12.19.
[25] Luc. 3.2. cap. 18.14. Act. 4.6.
[26] cap. 18.14.
[27] Isa. 49.6. I João 2.2.
[28] Eph. 2.14, 15, 16, 17.
[29] cap. 4.1, 3 e 7.1.
[30] II Chr. 13.19.
[31] cap. 2.13 e 5.1.
[32] cap. 7.11.
_Maria unge com unguento os pés de Jesus._
Mat. 26.6, etc. e refs.
12 Foi pois Jesus seis dias antes da paschoa a Bethania, [1] onde estava
Lazaro, o que fallecera, e a quem resuscitara dos mortos.
2 Fizeram-lhe [2] pois ali uma ceia, e Martha servia, e Lazaro era um dos
que estavam á mesa com elle.
3 Então [3] Maria, tomando um arratel de unguento de nardo puro, de muito
preço, ungiu os pés de Jesus, e enxugou-lhe os pés com os seus cabellos;
e encheu-se a casa do cheiro do unguento.
4 Então um dos seus discipulos, Judas Iscariotes, _filho_ de Simão, o que
havia de trahil-o, disse:
5 Porque não se vendeu este unguento por trezentos dinheiros e não se deu
aos pobres?
6 Ora elle disse isto, não pelo cuidado que tivesse dos pobres, mas
porque era ladrão, [4] e tinha a bolsa, e trazia o que _n’ella_ se
lançava.
7 Disse pois Jesus: Deixae-a; para o dia da minha sepultura guardou isto;
8 Porque [5] os pobres sempre os tendes comvosco; porém a mim nem sempre
me tendes.
9 E muita gente dos judeos soube que elle estava ali; e foram, não só por
causa de Jesus, mas tambem para vêr a Lazaro, a quem [6] resuscitara dos
mortos.
10 E [7] os principaes dos sacerdotes consultaram matar tambem a Lazaro;
11 Porque [8] muitos dos judeos, por causa d’elle, iam, e criam em Jesus.
_A entrada triumphal de Jesus em Jerusalem._
Mat. 21.1, etc. e refs.
12 No [9] dia seguinte, ouvindo _uma_ grande multidão, que viera á festa,
que Jesus ia de Jerusalem,
13 Tomaram ramos de palmeiras, e sairam-lhe ao encontro, e clamavam: [10]
Hosanna: Bemdito o rei d’Israel que vem em nome do Senhor.
14 E [11] achou Jesus um jumentinho, e assentou-se sobre elle, como está
escripto:
15 Não [12] temas, ó filha de Sião; eis que o teu Rei vem assentado sobre
o filho de uma jumenta.
16 Os [13] seus discipulos, porém, não entenderam isto no principio; [14]
mas, quando Jesus foi glorificado, [15] então se lembraram de que isto
estava escripto d’elle, e _que_ isto lhe fizeram.
17 A multidão, pois, que estava com elle quando Lazaro foi chamado da
sepultura, testificava que _elle_ o resuscitara dos mortos.
18 Pelo [16] que a multidão lhe saiu ao encontro, porque tinham ouvido
que elle fizera este signal.
19 Disseram pois _os_ phariseos entre si: [17] Vêdes que nada
aproveitaes? eis que o mundo vae após elle.
_Alguns gregos desejam ver a Jesus. Jesus falla da sua glorificação;
ouve-se uma voz do céu. Jesus, a luz do mundo._
20 E [18] havia alguns gregos, entre os [19] que tinham subido a adorar
no _dia_ da festa.
21 Estes, pois, dirigiram-se a Philippe, [20] que era de Bethsaida na
Galilea, e rogaram-lhe, dizendo: Senhor, queriamos vêr a Jesus.
22 Philippe foi dizel-o a André, e então André e Philippe o disseram a
Jesus.
23 E Jesus lhes respondeu, dizendo: [21] É chegada a hora em que o Filho
do homem ha de ser glorificado.
24 Na verdade, na verdade vos digo [22] que, se o grão de trigo, caindo
na terra, não morrer, fica elle só; porém, se morrer, dá muito [23]
fructo.
25 Quem ama a sua vida perdel-a-ha, e quem n’este mundo aborrece a sua
vida guardal-a-ha para a vida eterna.
26 Se alguem me serve, siga-me, [24] e, onde eu estiver, ali estará
tambem o meu servo. E, se alguem me servir, _meu_ Pae o honrará.
27 Agora [25] a minha alma está turbada; e que direi eu? Pae, salva-me
d’esta hora, [26] mas para isto vim a esta hora.
28 Pae, glorifica o teu nome. [27] Então veiu uma voz do céu, _que dizia:
Já o_ tenho glorificado, e outra vez o glorificarei.
29 Ora a multidão que ali estava, e que _a_ tinha ouvido, dizia que havia
sido um trovão. Outros diziam: Um anjo lhe fallou.
30 Respondeu Jesus, e disse: [28] Não veiu esta voz por amor de mim, mas
por amor de vós.
31 Agora é o juizo d’este mundo: agora será expulso [29] o principe
d’este mundo.
32 E eu, [30] quando fôr levantado da terra, [31] todos attrahirei a mim.
33 E dizia isto, [32] significando de que morte havia de morrer.
34 Respondeu-lhe a multidão: [33] Nós temos ouvido da lei, que o Christo
permanece para sempre; e como dizes tu que convem que o Filho do homem
seja levantado? Quem é esse Filho do homem?
35 Disse-lhes pois Jesus: A luz ainda está comvosco [34] por um pouco
de tempo; [35] andae emquanto tendes luz, para que as trevas vos não
apanhem. E quem [36] anda nas trevas não sabe para onde vae.
36 Emquanto tendes luz, crêde na luz, para que sejaes [37] filhos da luz.
Estas _coisas_ disse Jesus; e, retirando-se, [38] escondeu-se d’elles.
37 E, ainda que tinha feito tantos signaes diante d’elles, não criam
n’elle;
38 Para que se cumprisse a palavra do propheta Isaias, que diz: [39]
Senhor, quem creu na nossa prégação? e a quem foi revelado o braço do
Senhor?
39 Por isso não podiam crêr, porquanto Isaias disse outra vez:
40 Cegou-lhes [40] os olhos, e endureceu-lhes o coração, afim de que não
vejam com os olhos, e _não_ comprehendam com o coração, e se convertam, e
eu os cure.
41 Isaias disse isto [41] quando viu a sua gloria e fallou d’elle.
42 Comtudo, até muitos dos principaes crêram n’elle; mas [42] não o
confessavam por causa dos phariseos, para não serem expulsos da synagoga.
43 Porque [43] amavam mais a gloria dos homens do que a gloria de Deus.
44 E Jesus clamou, e disse: [44] Quem crê em mim, crê, não em mim, mas
n’aquelle que me enviou.
45 E quem [45] me vê a mim, vê aquelle que me enviou.
46 Eu [46] sou a luz que vim ao mundo, para que todo aquelle que crê em
mim não permaneça nas trevas.
47 E, se alguem ouvir as minhas palavras, e não crêr, [47] eu não o
julgo: porque [48] eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o
mundo.
48 Quem [49] me rejeitar a mim, e não receber as minhas palavras, _já_
tem quem o julgue; a [50] palavra que tenho fallado, essa o ha de julgar
no ultimo dia.
49 Porque [51] eu não tenho fallado de mim mesmo; porém o Pae, que me
enviou, elle me deu mandamento [52] sobre o que hei de dizer e sobre o
que hei de fallar:
50 E sei que o seu mandamento é a vida eterna. Assim que, o que eu fallo,
fallo-o como o Pae m’o tem dito.
[1] cap. 11.1, 43.
[2] Mar. 14.3.
[3] Luc. 10.38, 39. cap. 11.2.
[4] cap. 13.29.
[5] Mat. 26.11. Mar. 14.7.
[6] cap. 11.43, 44.
[7] Luc. 16.31.
[8] cap. 11.45. ver. 18.
[9] Mar. 11.8.
[10] Psa. 118.25, 26.
[11] Mat. 21.7.
[12] Zac. 9.9.
[13] Luc. 18.34.
[14] cap. 7.39.
[15] cap. 14.26.
[16] ver. 11.
[17] cap. 11.47, 48.
[18] Act. 17.4.
[19] I Reis 8.41, 42. Act. 8.27.
[20] cap. 1.44.
[21] cap. 13.32 e 17.1.
[22] I Cor. 15.36.
[23] Mat. 10.39. Mar. 8.35.
[24] cap. 14.3 e 17.24. I The. 4.17.
[25] Mat. 26.38, 39. Luc. 12.50.
[26] Luc. 22.53.
[27] Mat. 3.17.
[28] cap. 11.42.
[29] Mat. 12.29. Act. 26.18. II Cor. 4.4.
[30] cap. 3.14 e 8.28.
[31] Rom. 5.18. Heb. 2.9.
[32] cap. 18.32.
[33] Isa. 9.7. Dan. 2.44 e 7.14, 27.
[34] cap. 1.9. ver. 46.
[35] Jer. 13.16. Eph. 5.8.
[36] cap. 11.10. I João 2.11.
[37] I The. 5.5. I João 2.9, 10, 11.
[38] cap. 8.59.
[39] Isa. 53.1. Rom. 10.16.
[40] Isa. 6.9, 10. Mat. 13.14.
[41] Isa. 6.1.
[42] cap. 7.13 e 9.22.
[43] cap. 5.44.
[44] Mar. 9.37. I Ped. 1.21.
[45] cap. 14.9.
[46] ver. 35, 36. cap. 3.19.
[47] cap. 5.45.
[48] cap. 3.17.
[49] Luc. 10.16.
[50] Deu. 18.19. Mar. 16.16.
[51] cap. 8.38.
[52] Deu. 18.18.
_Jesus lava os pés aos discipulos._
13 Ora, [1] antes da festa da paschoa, sabendo Jesus que _já_ era chegada
[2] a sua hora de passar d’este mando para o Pae, como havia amado os
seus, que estavam no mundo, amou-os até ao fim.
2 E, acabada a ceia, [3] tendo já o diabo insinuado no coração de Judas
Iscariotes, _filho_ de Simão, que o trahisse,
3 Jesus, sabendo [4] que o Pae tinha depositado nas suas mãos todas as
coisas, e [5] que havia saido de Deus e ia para Deus,
4 Levantou-se [6] da ceia, tirou os vestidos, e, tomando uma toalha,
cingiu-se.
5 Depois deitou agua n’_uma_ bacia, e começou a lavar os pés aos
discipulos, e a enxugar-_lh’os_ com a toalha com que estava cingido.
6 Approximou-se pois de Simão Pedro, e elle lhe disse: Senhor, [7] tu
lavas-me os pés a mim?
7 Respondeu Jesus, e disse-lhe: O que eu faço não o sabes tu agora, [8]
mas tu o saberás depois.
8 Disse-lhe Pedro: Nunca me lavarás os pés. Respondeu-lhe Jesus: Se eu
[9] te não lavar, não tens parte comigo.
9 Disse-lhe Simão Pedro: Senhor, não só os meus pés, mas tambem as mãos e
a cabeça.
10 Disse-lhe Jesus: Aquelle que está lavado não necessita de lavar senão
os pés, pois no mais todo está limpo. [10] Ora vós estaes limpos, mas não
todos.
11 Porque [11] bem sabia elle quem o havia de trahir; por isso disse: Nem
todos estaes limpos.
12 Depois que lhes lavou os pés, e tomou os seus vestidos, tornou-se a
assentar _á mesa_, e disse-lhes: Entendeis o que vos tenho feito?
13 Vós [12] me chamaes Mestre e Senhor; e dizeis bem, porque eu o sou:
14 Pois se [13] eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, [14] vós deveis
tambem lavar os pés uns aos outros.
15 Porque [15] eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façaes
vós tambem.
16 Na [16] verdade, na verdade vos digo _que_ não é o servo maior do que
o seu senhor, nem o enviado maior do que aquelle que o enviou.
17 Se [17] sabeis estas _coisas_, bemaventurados sois se as fizerdes.
18 Não fallo de todos vós; eu bem sei os que tenho escolhido; mas para
que se cumpra a Escriptura, [18] _que diz_: O que come o pão comigo
levantou contra mim o seu calcanhar.
19 Já [19] agora vol-o digo, antes que aconteça, para que, quando
acontecer, acrediteis que eu sou.
20 Na [20] verdade, na verdade vos digo _que_, se alguem receber o que
eu enviar, me recebe a mim, e quem me recebe a mim recebe aquelle que me
enviou.
_Jesus prediz que Judas o ha de trahir._
Mat. 26.21. Mar. 14.18.
21 Tendo Jesus dito isto, [21] turbou-se em espirito, e testificou, e
disse: Na verdade, na verdade vos digo que [22] um de vós me ha de trahir.
22 Então os discipulos olhavam uns para os outros, duvidando de quem elle
fallava.
23 Ora [23] um de seus discipulos, aquelle a quem Jesus amava, estava
reclinado no seio de Jesus.
24 Então Simão Pedro fez signal a este, para que perguntasse quem era
aquelle de quem elle fallava.
25 E, inclinando-se elle sobre o peito de Jesus, disse-lhe: Senhor, quem
é?
26 Jesus respondeu: É aquelle a quem eu der o bocado molhado. E, molhando
o bocado, o deu a Judas Iscariotes, _filho_ de Simão.
27 E, [24] após o bocado, entrou n’elle Satanás. Disse pois Jesus: O que
fazes, fal-o depressa.
28 E nenhum dos que estavam assentados _á mesa_ comprehendeu a que
proposito lhe dissera _isto_;
29 Porque, como [25] Judas tinha a bolsa, pensavam alguns que Jesus lhe
tinha dito: Compra o que nos é necessario para a festa; ou que désse
alguma coisa aos pobres.
30 E, tendo tomado o bocado, saiu logo. E era já noite.
_As ultimas instrucções de Jesus aos discipulos. A razão da sua saida do
mundo. A promessa do Consolador._
31 Tendo elle pois saido, disse Jesus: [26] Agora é glorificado o Filho
do homem, [27] e Deus é glorificado n’elle.
32 Se [28] Deus é glorificado n’elle, tambem Deus o glorificará em si
mesmo, [29] e logo o ha de glorificar.
33 Filhinhos, ainda por um pouco estou comvosco. Vós me buscareis, [30]
e, como tinha dito aos judeos: Para onde eu vou não podeis vós ir:
_assim_ vol-o digo eu tambem agora.
34 Um [31] novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros, como eu
vos amei a vós, que tambem vós uns a outros vos ameis.
35 N’isto [32] todos conhecerão que sois meus discipulos, se vós tiverdes
amor uns aos outros.
36 Disse-lhe Simão Pedro: Senhor, para onde vaes? Jesus lhe respondeu:
Para onde eu vou não podes agora seguir-me, [33] porém depois me seguirás.
37 Disse-lhe Pedro: Porque não posso seguir-te agora? [34] Por ti darei a
minha vida.
38 Respondeu-lhe Jesus: Tu darás a tua vida por mim? Na verdade, na
verdade te digo: não cantará o gallo emquanto me não tiveres negado tres
vezes.
[1] Mat. 26.2.
[2] cap. 12.23.
[3] Luc. 22.3. ver. 27.
[4] Mat. 11.27. I Cor. 15.27.
[5] cap. 8.42.
[6] Luc. 22.27. Phi. 2.7, 8.
[7] Mat. 3.14.
[8] ver. 12.
[9] Eph. 5.26. Tito 3.5. Heb. 10.22.
[10] cap. 15.3.
[11] cap. 6.65.
[12] Mat. 23.8, 10. Luc. 6.46.
[13] Luc. 22.27.
[14] Rom. 12.10. I Ped. 5.5.
[15] Mat. 11.29. I João 2.6.
[16] Mat. 10.24. Luc. 6.40.
[17] Thi. 1.25.
[18] Psa. 41.9. Mat. 26.23. ver. 21.
[19] cap. 14.29 e 16.4.
[20] Mat. 10.40. Luc. 10.16.
[21] cap. 12.27.
[22] Act. 1.17. I João 2.19.
[23] cap. 19.26.
[24] Luc. 22.3. cap. 6.70.
[25] cap. 12.6.
[26] cap. 12.23.
[27] cap. 14.13. I Ped. 4.11.
[28] cap. 17.1, 4, 5, 6.
[29] cap. 12.23.
[30] cap. 7.34 e 8.21.
[31] Lev. 19.18. I Ped. 1.22. I João 2.7, 8.
[32] I João 2.5 e 4.20.
[33] cap. 21.18. II Ped. 1.14.
[34] Mat. 26.33, 34, 35. Luc. 22.33, 34.
14 Não [1] se turbe o vosso coração: crêdes em Deus, crêde tambem em mim.
2 Na casa de meu Pae ha muitas moradas; senão, eu vol-o teria dito; [2]
vou preparar-vos logar.
3 E, se eu fôr, e vos preparar logar, [3] virei outra vez, e vos levarei
para mim mesmo, para que [4] onde eu estiver estejaes vós tambem.
4 E _já_ sabeis para onde vou, e sabeis o caminho.
5 Disse-lhe Thomé: Senhor, nós não sabemos para onde vaes; e como podemos
saber o caminho?
6 Disse-lhe Jesus: Eu sou [5] o caminho, [6] e a verdade e [7] a vida.
[8] Ninguem vem ao Pae, senão por mim.
7 Se [9] vós me conhecesseis a mim, tambem conhecerieis a meu Pae; e _já_
desde agora o conheceis, e o tendes visto.
8 Disse-lhe Philippe: [10] Senhor, mostra-nos o Pae, e _isso_ nos basta.
9 Disse-lhe Jesus: Estou ha tanto tempo comvosco, e não me tendes
conhecido, Philippe? quem me vê a mim vê o Pae: e como dizes tu:
Mostra-nos o Pae?
10 Não crês tu que [11] eu _estou_ no Pae, e que o Pae está em mim? As
palavras que eu vos digo [12] não _as_ digo de mim mesmo, mas o Pae, que
está em mim, é quem faz as obras.
11 Crêde-me que _estou_ no Pae, e _que_ o Pae _está_ em mim: crêde-me, ao
menos, por causa das mesmas obras.
12 Na verdade, na verdade vos digo que aquelle que crê [13] em mim tambem
fará as obras [14] que eu faço, e _as_ fará maiores do que estas; porque
eu vou para meu Pae.
13 E [15] tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pae
seja glorificado no Filho.
14 Se pedirdes alguma _coisa_ em meu nome, eu _o_ farei.
15 Se [16] me amaes, guardae os meus mandamentos.
16 E eu rogarei ao Pae, e [17] elle vos dará outro Consolador, para que
fique comvosco para sempre:
17 O [18] Espirito de verdade, [19] que o mundo não pode receber, porque
não o vê nem o conhece: mas vós o conheceis, porque habita comvosco, [20]
e estará em vós.
18 Não [21] vos deixarei orphãos; [22] voltarei para vós.
19 Ainda um pouco, e o mundo não me verá [23] mais, porém vós [24] me
vereis; porque eu vivo, e vós vivereis.
20 N’aquelle dia conhecereis que [25] _estou_ em meu Pae, e vós em mim, e
eu em vós.
21 Aquelle [26] que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me
ama; e aquelle que me ama será amado de meu Pae, e eu o amarei, e me
manifestarei a elle.
22 Disse-lhe [27] Judas (não o Iscariotes): Senhor, d’onde vem que te has
de manifestar a nós, e não ao mundo?
23 Jesus respondeu, e disse-lhe: Se [28] alguem me ama, guardará a minha
palavra, e meu Pae o amará, [29] e viremos para elle, e faremos n’elle
morada.
24 Quem me não ama não guarda as minhas palavras; e [30] a palavra que
ouvistes não é minha, mas do Pae que me enviou.
25 Tenho-vos dito estas _coisas_, estando _ainda_ comvosco.
26 Mas [31] aquelle [AHU] Consolador, o Espirito Sancto, que o Pae
enviará em meu nome, [32] esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará
lembrar de tudo quanto vos tenho dito.
27 Deixo-vos a [33] paz, a minha paz vos dou: não vol-a dou como o mundo
a dá. [34] Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.
28 Ouvistes que [35] eu vos disse: Vou, e venho para vós. Se me amasseis,
certamente exultarieis por ter dito: [36] Vou para o Pae; porque meu [37]
Pae é maior do que eu.
29 Eu vol-o [38] disse agora antes que aconteça, para que, quando
acontecer, vós acrediteis.
30 Já não fallarei muito comvosco; porque _já_ [39] se approxima o
principe d’este mundo, e nada tem em mim.
31 Mas para que o mundo saiba que eu amo o Pae, [40] e que faço como o
Pae me mandou, levantae-vos, vamo-nos d’aqui.
[1] ver. 27. cap. 16.22, 23.
[2] cap. 13.33, 36.
[3] ver. 18, 28. Act. 1.11.
[4] cap. 12.26. I The. 4.16.
[5] Heb. 9.8.
[6] cap. 1.17.
[7] cap. 1.4.
[8] cap. 10.9.
[9] cap. 8.19.
[10] cap. 12.45. Col. 1.15. Heb. 1.3.
[11] cap. 10.38.
[12] cap. 5.19 e 12.49.
[13] cap. 5.36.
[14] Mat. 21.21. Luc. 10.17.
[15] Mat. 7.7. Mar. 11.24. Luc. 11.9.
[16] ver. 21, 23. I João 5.3.
[17] cap. 15.26. Rom. 8.15, 26.
[18] cap. 15.26. I João 4.6.
[19] I Cor. 2.14.
[20] I João 2.27.
[21] Mat. 28.20.
[22] ver. 3, 28.
[23] cap. 16.16.
[24] I Cor. 15.20.
[25] ver. 10. cap. 10.38.
[26] ver. 15, 23. I João 2.5.
[27] Luc. 6.16.
[28] ver. 15.
[29] I João 2.24. Apo. 3.20.
[30] ver. 10. cap. 5.19, 38.
[31] ver. 16. Luc. 24.49.
[32] cap. 2.22. I João 2.20, 27.
[33] Phi. 4.7. Col. 3.15.
[34] ver. 1.
[35] ver. 3, 18.
[36] ver. 12.
[37] cap. 5.18. Phi. 2.6.
[38] cap. 13.19.
[39] cap. 12.31.
[40] Phi. 2.8. Heb. 5.8.
_Continuação das ultimas instrucções aos discipulos. União intima entre
Jesus e os crentes._
15 Eu sou a videira verdadeira, e meu Pae é o lavrador.
2 Toda [1] a vara em mim, que não dá fructo, a tira; e alimpa toda a que
dá fructo, para que dê mais fructo.
3 Vós [2] _já_ estaes limpos, pela palavra que vos tenho fallado.
4 Estae [3] em mim, e eu em vós: como a vara de si mesma não pode dar
fructo, se não estiver na videira, assim nem vós, se não estiverdes em
mim.
5 Eu sou a videira, vós as varas: quem está em mim, e eu n’elle, esse dá
muito [4] fructo; porque sem mim nada podeis fazer.
6 Se alguem não estiver em mim, será [5] lançado fóra, como a vara, e
seccará; e os colhem, e _os_ lançam no fogo, e ardem.
7 Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, [6]
pedireis tudo o que quizerdes, e vos será feito.
8 N’isto é glorificado meu Pae, que [7] deis muito fructo; [8] e assim
sereis meus discipulos.
9 Como o Pae me amou, tambem eu vos amei a vós; permanecei n’_este_ meu
amor.
10 Se [9] guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; como
eu tenho guardado os mandamentos de meu Pae, e permaneço no seu amor.
11 Tenho-vos dito estas _coisas_, para que o meu gozo permaneça em vós,
[10] e o vosso gozo seja cumprido.
12 O [11] meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como
eu vos amei.
13 Ninguem [12] tem maior amor do que este: de dar alguem a sua vida
pelos seus amigos.
14 Vós [13] sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando.
15 Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu
senhor, mas tenho-vos chamado amigos, [14] porque tudo quanto ouvi de meu
Pae vos tenho feito conhecer.
16 Não [15] me escolhestes vós a mim, porém eu vos escolhi a vós, e vos
[16] constitui, para que vades e deis fructo, e o vosso fructo permaneça;
[17] para que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pae elle vol-o conceda.
17 Isto [18] vos mando: que vos ameis uns aos outros.
18 Se [19] o mundo vos aborrece, sabei que, primeiro do que a vós, me
aborreceu a mim.
19 Se [20] vós fosseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas,
porque [21] não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso o
mundo vos aborrece.
20 Lembrae-vos da palavra que vos disse: [22] Não é o servo maior do que
o seu senhor. Se a mim me perseguiram, tambem vos perseguirão a vós;
[23] se guardaram a minha palavra, tambem guardarão a vossa.
21 Mas [24] tudo isto vos farão por causa do meu nome; porque não
conhecem aquelle que me enviou.
22 Se [25] eu não viera, nem lhes houvera fallado, não teriam peccado,
[26] mas agora não teem desculpa do seu peccado.
23 Aquelle [27] que me aborrece aborrece tambem a meu Pae.
24 Se eu entre elles não fizesse obras, [28] quaes nenhum outro tem
feito, não teriam peccado; mas agora, viram-n’as e me aborreceram a mim e
a meu Pae.
25 Mas _isto é_ para que se cumpra a palavra que está escripta na sua
lei: [29] Aborreceram-me sem causa.
26 Mas, quando [30] vier o Consolador, que eu da parte do Pae vos hei de
enviar, _a saber_, aquelle Espirito de verdade, que procede do Pae, elle
[31] testificará de mim.
27 E [32] vós tambem testificareis, pois estivestes [33] comigo desde o
principio.
[1] Mat. 15.13.
[2] Eph. 5.26. I Ped. 1.22.
[3] Col. 1.23. I João 2.6.
[4] Ose. 14.8. Phi. 1.11.
[5] Mat. 3.10 e 7.19.
[6] ver. 16. cap. 14.13, 14.
[7] Mat. 5.16. Phi. 1.11.
[8] cap. 8.31.
[9] cap. 14.15, 21, 23.
[10] cap. 16.24. I João 1.4.
[11] I The. 4.9. I Ped. 4.8. I João 3.11.
[12] I João 3.16.
[13] cap. 14.15, 23. Mat. 12.50.
[14] Gen. 18.17. Act. 20.27.
[15] cap. 6.70. I João 4.10, 19.
[16] Mat. 28.19. Col. 1.6.
[17] ver. 7. cap. 14.13.
[18] ver. 12.
[19] I João 3.1, 13.
[20] I João 4.5.
[21] cap. 17.14.
[22] Mat. 10.24. Luc. 6.40.
[23] Eze. 3.7.
[24] Mat. 10.22 e 24.9.
[25] cap. 9.41.
[26] Rom. 1.20. Thi. 4.17.
[27] I João 2.23.
[28] cap. 3.2 e 7.31.
[29] Psa. 35.19 e 69.4.
[30] Luc. 24.49. Act. 2.33.
[31] I João 5.6.
[32] Luc. 24.48. Act. 1.8, 21, 22.
[33] Luc. 1.2. I João 1.1, 2.
_Continuação das ultimas instrucções aos discipulos—Jesus repete a
promessa do Consolador e da sua propria volta_.
16 Tenho-vos dito estas _coisas_, para que vos [1] não escandalizeis.
2 Expulsar-vos-hão [2] das synagogas; vem mesmo a hora [3] em que
qualquer que vos matar cuidará fazer um serviço a Deus.
3 E [4] estas _coisas_ vos farão, porquanto não conheceram ao Pae nem a
mim.
4 Mas [5] tenho-vos dito isto, a fim de que, quando chegar aquella hora,
vos lembreis de que _já_ vol-o tinha dito; mas eu não [6] vos disse isto
desde o principio, porquanto estava comvosco.
5 E [7] agora vou para aquelle que me enviou: e nenhum de vós me
pergunta: Para onde vaes?
6 Antes, porque-vos tenho dito estas _coisas_, [8] o vosso coração se
encheu de tristeza.
7 Porém digo-vos a verdade, que vos convem que eu vá: porque, se eu
não fôr, [9] o Consolador não virá para vós; mas, [10] se eu fôr,
enviar-vol-o-hei.
8 E, quando elle vier, convencerá o mundo do peccado, e da justiça e do
juizo.
9 Do [11] peccado, porque não crêem em mim;
10 Da [12] justiça, [13] porque vou para meu Pae, e não me vereis mais;
11 E [14] do juizo, porque _já_ [15] o principe d’este mundo está julgado.
12 Ainda tenho muitas _coisas_ que vos dizer, [16] mas vós não _as_
podeis supportar agora,
13 Porém, quando vier aquelle Espirito [17] de verdade, [18] elle vos
guiará em toda a verdade; porque não fallará de si mesmo, mas fallará
tudo o que tiver ouvido, e vos annunciará as _coisas_ que hão de vir.
14 Elle me glorificará, porque ha de receber do _que é_ meu, e vol-o ha
de annunciar.
15 Tudo [19] quanto o Pae tem é meu; por isso _vos_ disse que ha de
receber do que _é_ meu e vol-o ha de annunciar.
16 Um [20] pouco, e não me vereis; e outra vez um pouco, e ver-me-heis;
porquanto [21] vou para o Pae.
17 Então _alguns_ dos seus discipulos disseram uns para os outros: Que
é isto que nos diz? Um pouco, e não me vereis; e outra vez um pouco, e
ver-me-heis; e; porquanto vou para o Pae?
18 Diziam pois: Que quer dizer isto: Um pouco? não sabemos o que diz.
19 Conheceu pois Jesus que lh’o queriam interrogar, e disse-lhes:
Indagaes entre vós ácerca d’isto que disse: Um pouco, e não me vereis, e
outra vez um pouco, e ver-me-heis?
20 Na verdade, na verdade vos digo que vós chorareis e vos lamentareis,
e o mundo se alegrará, e vós estareis tristes; mas a vossa tristeza se
converterá em alegria.
21 A [22] mulher, quando está para dar á luz, sente tristeza, porque é
chegada a sua hora; mas depois de ter dado á luz a creança já se não
lembra da afflicção, pelo prazer de haver nascido um homem no mundo.
22 Assim [23] tambem vós agora, na verdade, tendes tristeza; mas outra
vez vos verei, [24] e o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria
ninguem vol-a tirará.
23 E n’aquelle dia nada me perguntareis. [25] Na verdade, na verdade vos
digo que tudo quanto pedirdes a meu Pae, em meu nome, elle vol-o ha de
dar.
24 Até agora nada pedistes em meu nome; pedi, e recebereis, para que [26]
o vosso gozo se cumpra.
25 Disse-vos estas _coisas_ por parabolas: chega, porém, a hora em que
vos não fallarei mais por parabolas, mas abertamente vos fallarei ácerca
do Pae.
26 N’aquelle [27] dia pedireis em meu nome, e não vos digo que eu rogarei
por vós ao Pae,
27 Pois [28] o mesmo Pae vos ama; porque vós me amastes, [29] e crêstes
que sahi de Deus.
28 Sahi [30] do Pae, e vim ao mundo: outra vez deixo o mundo, e vou para
o Pae.
29 Disseram-lhe os seus discipulos: Eis que agora fallas abertamente, e
não dizes parabola alguma.
30 Agora conhecemos que [31] sabes todas _as coisas_, e não has mister de
que alguem te interrogue. Por isso [32] crêmos que saiste de Deus.
31 Respondeu-lhes Jesus: Crêdes agora?
32 Eis [33] que chega a hora, e já se approxima, em que vós sereis
dispersos cada [34] um para sua _parte_, e me deixareis só; [35] mas não
estou só, porque o Pae está comigo.
33 Tenho-vos dito estas _coisas_, para que [36] em mim tenhaes paz; [37]
no mundo tereis afflicção, [38] mas tende bom animo, eu [39] venci o
mundo.
[1] Mat. 11.6 e 26.31.
[2] cap. 9.22, 34 e 12.42.
[3] Act. 8.1 e 9.1.
[4] cap. 15.21. Rom. 10.2.
[5] cap. 13.19 e 14.29.
[6] Mat. 9.15.
[7] ver. 10, 16. cap. 14.28.
[8] ver. 22. cap. 14.1.
[9] cap. 7.39 e 14.16, 26.
[10] Act. 2.33. Eph. 4.8.
[11] Act. 2.22, 37.
[12] Act. 2.32.
[13] cap. 3.14.
[14] Act. 26.18.
[15] Luc. 10.18. Heb. 2.14.
[16] Mar. 4.33. Heb. 5.12.
[17] cap. 14.17.
[18] cap. 14.26. I João 2.20, 27.
[19] Mat. 11.27. cap. 13.3.
[20] ver. 10. cap. 7.33 e 13.33 e 14.19.
[21] ver. 28. cap. 13.3.
[22] Isa. 26.17.
[23] ver. 6.
[24] Luc. 24.41, 52. I Ped. 1.8.
[25] Mat. 7.7. cap. 14.13.
[26] cap. 15.11.
[27] ver. 23.
[28] cap. 14.21, 23.
[29] cap. 3.13.
[30] cap. 13.3.
[31] cap. 21.17.
[32] ver. 27. cap. 17.8.
[33] Mat. 26.31. Mat. 14.27.
[34] cap. 20.10.
[35] cap. 8.29.
[36] Isa. 9.6. Rom. 5.1.
[37] cap. 15.19, 20, 21. II Tim. 3.12.
[38] cap. 14.1.
[39] Rom. 8.37.
_Oração de Jesus pelos seus discipulos._
17 Jesus disse estas _coisas_, e levantou seus olhos ao céu, e disse:
Pae, é [1] chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que tambem o teu
Filho te glorifique a ti: