_Martha e Maria._

38 E aconteceu que, indo elles de caminho, entrou n’uma aldeia; e _uma_

certa mulher, por nome [33] Martha, o recebeu em sua casa;

39 E tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, assentando-se tambem aos

pés de Jesus, ouvia a sua palavra.

40 Porém Martha andava distrahida em muitos serviços, e, chegando, disse:

Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe pois

que me ajude.

41 E, respondendo Jesus, disse-lhe: Martha, Martha, andas cuidadosa e

afadigada com muitas _coisas_,

42 Mas [34] uma só é necessaria; e Maria escolheu a boa parte, a qual não

lhe será tirada.

[1] Mat. 10.1. Mar. 6.7.

[2] Mat. 9.37, 38. João 4.35. II The. 3.1.

[3] Mat. 10.16.

[4] Mat. 10.9, 10. Mar. 6.8. cap. 9.3. II Reis 4.29.

[5] Mat. 10.12.

[6] Mat. 10.11.

[7] I Cor. 10.27.

[8] Mat. 10.10. I Cor. 9.4, etc. I Tim. 5.18.

[9] cap. 9.2.

[10] Mat. 3.2 e 4.17 e 10.7. ver. 11.

[11] Mat. 10.14. cap. 9.5. Act. 13.51 e 18.6.

[12] Mat. 10.15. Mar. 6.11.

[13] Mat. 11.21.

[14] Eze. 3.6.

[15] Mat. 11.23. Gen. 11.4. Deu. 1.28. Isa. 14.13. Jer. 51.53. Eze. 26.20.

[16] Mat. 10.40. Mar. 9.37. João 13.20 e 5.23. I The. 4.8.

[17] ver. 1.

[18] João 12.31 e 16.11. Apo. 9.1 e 12.8, 9.

[19] Mar. 16.10. Act. 28.5.

[20] Exo. 32.32. Psa. 69.28. Isa. 4.3. Dan. 12.1. Phi. 4.3. Heb. 12.23.

Apo. 13.8.

[21] Mat. 11.25.

[22] Mat. 28.18. João 3.35 e 5.27 e 17.2. João 1.18 e 6.44, 46.

[23] Mat. 13.16.

[24] I Ped. 1.10.

[25] Mat. 19.16 e 22.35.

[26] Deu. 6.5.

[27] Lev. 19.18.

[28] Lev. 18.5. Neh. 9.29. Eze. 20.11, 13, 21. Rom. 10.5.

[29] cap. 16.15.

[30] Psa. 38.11.

[31] João 4.9.

[32] João 11.1 e 12.2, 3.

[33] I Cor. 7.32, etc. cap. 8.35. Act. 22.3.

[34] Psa. 27.4.

_A oração dominical._

Mat. 6.9-15 e refs.

[Anno Domini 33]

11 E aconteceu que, estando elle a orar n’um certo logar, quando acabou

lhe disse um dos seus discipulos: Senhor, ensina-nos a orar, como tambem

João ensinou aos seus discipulos.

2 E elle lhes disse: Quando orardes, dizei: Pae nosso, que _estás_ nos

céus, sanctificado seja o teu nome: venha o teu reino: seja feita a tua

vontade, _assim_ na terra como no céu;

3 Dá-nos cada dia o nosso pão quotidiano.

4 E perdoa-nos os nossos peccados, pois tambem nós perdoamos a qualquer

que nos deve; e não nos mettas em tentação, mas livra-nos do mal.

_Parabola do amigo importuno._

5 Disse-lhes tambem: Qual de vós terá um amigo, e, se for procural-o á

meia noite, e lhe disser: Amigo, empresta-me tres pães,

6 Porquanto _um_ amigo meu chegou a minha casa, _vindo_ de caminho, e não

tenho que apresentar-lhe;

7 Elle, respondendo de dentro, diga: Não me importunes; já está a porta

fechada, e os meus filhos estão comigo na cama: não posso levantar-me

para _t’os_ dar?

8 Digo-vos que, ainda que se não levante a dar-lh’_os_, [1] por ser seu

amigo, levantar-se-ha, todavia, por causa da sua importunação, e lhe dará

tudo o que houver mister.

9 E eu digo-vos, a vós: [2] Pedi, e dar-se-vos-ha: buscae, e achareis:

batei, e abrir-se-vos-ha;

10 Porque qualquer que pede recebe; e quem busca, acha; e a quem bate

abrir-se-lhe-ha.

11 E qual o pae [3] d’entre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará

uma pedra? Ou tambem, _se lhe pedir_ peixe, lhe dará por peixe uma

serpente?

12 Ou tambem, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião?

13 Pois se vós, sendo máus, sabeis dar boas dadivas aos vossos filhos,

quanto mais dará _o nosso_ Pae celestial o Espirito Sancto áquelles que

lh’o pedirem?

_A blasphemia dos phariseos._

Mat. 12.22-32 e refs.

14 E estava expulsando um demonio, o qual era mudo. E aconteceu que,

saindo o demonio, o mudo fallou; e maravilhou-se a multidão.

15 Porém alguns d’elles diziam: [4] Elle expulsa os demonios por

Beelzebú, principe dos demonios.

16 E outros, tentando-_o_, pediam-lhe [5] um signal do céu.

17 Mas, conhecendo elle os seus pensamentos, [6] disse-lhes: Todo o

reino, dividido contra si mesmo, será assolado; e a casa, _dividida_

contra si mesma, cairá.

18 E, se tambem Satanaz está dividido contra si mesmo, como subsistirá o

seu reino? Pois dizeis que eu expulso os demonios por Beelzebú;

19 E, se eu expulso os demonios por Beelzebú, [7] por quem _os_ expulsam

os vossos filhos? Elles pois serão os vossos juizes.

20 Mas, se eu expulso os demonios pelo dedo de Deus, certamente a vós é

chegado o reino de Deus.

21 Quando o _homem_ [8] valente guarda armado a sua casa, em segurança

está tudo quanto tem.

22 Mas, sobrevindo [9] outro mais valente do que elle, e vencendo-o,

tira-_lhe_ toda a sua armadura em que confiava, e reparte os seus

despojos.

23 Quem não é comigo [10] é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha.

24 Quando o espirito [11] immundo tem saido do homem, anda por logares

seccos, buscando repouso; e, não o achando, diz: Tornarei para minha

casa, d’onde sahi.

25 E, chegando, acha-_a_ varrida e adornada.

26 Então vae, e leva comsigo outros sete espiritos peiores do que elle,

e, entrando, habitam ali: e o ultimo estado d’esse homem é [12] peior do

que o primeiro.

27 E aconteceu que, dizendo elle estas _coisas_, uma mulher d’entre a

multidão, levantando a voz, lhe disse: [13] Bemaventurado o ventre que te

trouxe e os peitos em que mamaste.

28 Mas elle disse: [14] Antes bemaventurados os que ouvem a palavra de

Deus e a guardam.

_O signal do propheta Jonas._

Mat. 12.38-42 e refs.

29 E, ajuntando-se a multidão, começou a dizer: Maligna é esta geração:

ella pede um signal; e não lhe será dado outro signal, senão o signal do

propheta Jonas:

30 Porque, assim como [15] Jonas foi signal para os ninivitas, assim o

Filho do homem _o_ será tambem para esta geração.

31 A rainha do [16] sul se levantará no juizo com os homens d’esta

geração, e os condemnará; pois até dos confins da terra veiu ouvir a

sabedoria de Salomão; e eis aqui está quem é maior do que Salomão.

32 Os homens de Ninive se levantarão no juizo com esta geração, e a

condemnarão; [17] pois se converteram com a prégação de Jonas, e eis aqui

está quem é maior do que Jonas.

_A candeia do corpo._

33 E ninguem, [18] accendendo a candeia, a põe em _logar_ occulto, nem

debaixo do alqueire; porém no velador, para que os que entrarem vejam a

luz.

34 A candeia [19] do corpo é o olho. Sendo pois o teu olho simples,

tambem todo o teu corpo será luminoso, mas, se fôr mau, tambem o teu

corpo será tenebroso.

35 Vê pois que a tua luz que em ti ha não sejam trevas.

36 Se, pois, todo o teu corpo é luminoso, não tendo em trevas parte

alguma, todo será luminoso, como quando a candeia te allumia com o seu

resplendor.

_Jesus censura os phariseos e os escribas._

Mat. 23.1, etc. e refs.

37 E, estando elle _ainda_ fallando, rogou-lhe um phariseo que fosse

jantar com elle; e, entrando, assentou-se _á mesa_.

38 Mas o phariseo [20] admirou-se, vendo que se não lavara antes de

jantar.

39 E o Senhor lhe disse; [21] Vós, os phariseos, limpaes agora o exterior

do copo e do prato; porém o vosso [22] interior está cheio de rapina e

maldade.

40 Loucos! o que fez o exterior, não fez tambem o interior?

41 Antes dae [23] esmola do que tiverdes, e eis que tudo vos será limpo.

42 Mas ai de vós, [24] phariseos, que dizimaes a hortelã, e a arruda, e

toda a hortaliça, e desprezaes o juizo e amor de Deus. Importava fazer

estas coisas, e não deixar as outras.

43 Ai de vós, phariseos, [25] que amaes os primeiros assentos nas

synagogas, e as saudações nas praças.

44 Ai de vós, [26] escribas e phariseos hypocritas, que sois como as

sepulturas que não apparecem, e os homens que sobre _ellas_ andam não _o_

sabem.

45 E, respondendo um dos doutores da lei, disse-lhe: Mestre, quando dizes

isto, tambem nos affrontas a nós.

46 Porém elle disse: Ai de vós tambem, doutores da lei, [27] que

carregaes os homens com cargas difficeis de transportar, e vós mesmos nem

ainda com um dos vossos dedos tocaes nas _ditas_ cargas.

47 Ai de vós [28] que edificaes os sepulchros dos prophetas, e vossos

paes os mataram.

48 Bem testificaes, pois, que consentis nas obras de vossos paes; porque

elles os mataram, e vós edificaes os seus sepulchros.

49 Portanto diz tambem a sabedoria de Deus: [29] Prophetas e apostolos

lhes mandarei; e elles matarão _uns_, e perseguirão _outros_;

50 Para que d’esta geração seja requerido o sangue de todos os prophetas

que, desde a fundação do mundo, foi derramado,

51 Desde o sangue [30] de Abel, até ao sangue de Zacharias, que foi morto

entre o altar e o templo; assim, vos digo, será requerido d’esta geração.

52 Ai de vós, doutores [31] da lei, que tirastes a chave da sciencia; vós

mesmos não entrastes, e impedistes os que entravam.

53 E, dizendo-lhes estas _coisas_, os escribas e os phariseos começaram a

apertal-_o_ fortemente, e a fazel-o fallar ácerca de muitas _coisas_,

54 Armando-lhe ciladas, a fim [32] de apanharem da sua bocca alguma coisa

para o accusarem.

[1] cap. 18.1, etc.

[2] Mat. 7.7 e 21.22. Mar. 11.24. João 15.7. Thi. 1.6. I João 3.22.

[3] Mat. 7.9.

[4] Mat. 9.34 e 12.24.

[5] Mat. 12.38 e 16.1.

[6] Mat. 12.35. Mar. 3.24. João 2.25.

[7] Exo. 8.19.

[8] Mar. 3.27.

[9] Isa. 53.12. Col. 2.15.

[10] Mat. 12.30.

[11] Mat. 12.43.

[12] João 5.14. Heb. 6.4 e 10.26. II Ped. 2.20.

[13] cap. 1.28, 48.

[14] Mat. 7.21. cap. 8.21. Thi. 1.25.

[15] Jon. 2.1, 11.

[16] I Reis 10.1.

[17] Jon. 3.5.

[18] Mat. 5.15. Mar. 4.21. cap. 8.16.

[19] Mat. 6.22.

[20] Mar. 7.3.

[21] Mat. 23.25.

[22] Tito 1.15.

[23] Isa. 58.7. Dan. 4.24. cap. 12.33.

[24] Mat. 23.23.

[25] Mat. 23.6. Mar. 12.38, 39.

[26] Mat. 23.27. Psa. 6.10.

[27] Mat. 23.4.

[28] Mat. 23.29.

[29] Mat. 23.34.

[30] Gen. 4.8. II Chr. 24.20, 21.

[31] Mat. 23.13.

[32] Mar. 12.13.

12 Ajuntando-se [1] entretanto muitos milhares de pessoas, de sorte que

se atropellavam uns aos outros, começou a dizer aos seus discipulos: [2]

Acautelae-vos primeiramente do fermento dos phariseos, que é a hypocrisia.

2 Mas nada [3] ha encoberto que não haja de ser descoberto; nem occulto,

que não haja de ser sabido.

3 Porquanto tudo o que em trevas dissestes á luz será ouvido; e o que

fallastes ao ouvido no gabinete sobre os telhados será apregoado.

_Não devemos temer os homens._

Mat. 10.28-33 e refs.

4 E digo-vos, [4] amigos meus; Não temaes os que matam o corpo, e depois

não teem mais que fazer.

5 Mas eu vos mostrarei a quem deveis temer; temei aquelle que, depois de

matar, tem poder para lançar no inferno; sim, vos digo, a esse temei.

6 Não se vendem cinco passarinhos por dois ceitis? E nenhum d’elles está

esquecido diante de Deus.

7 E até os cabellos da vossa cabeça estão todos contados. Não temaes

pois; mais valeis vós do que muitos passarinhos.

8 E digo-vos [5] que todo aquelle que me confessar diante dos homens,

tambem o Filho do homem o confessará diante dos anjos de Deus.

9 Mas quem me negar diante dos homens será negado diante dos anjos de

Deus.

10 E a todo [6] aquelle que disser _uma_ palavra contra o Filho do homem

ser-lhe-ha perdoada, mas ao que blasphemar contra o Espirito Sancto não

lhe será perdoado.

11 E, quando [7] vos conduzirem ás synagogas, aos magistrados e

potestades, não estejaes solicitos de como ou do que haveis de responder

nem do que haveis de fallar.

12 Porque na mesma hora vos ensinará o Espirito Sancto o que vos convenha

fallar.

_A parabola do rico louco._

13 E disse-lhe um da multidão: Mestre, dize a meu irmão que reparta

comigo a herança.

14 Mas elle lhe disse: Homem, [8] quem me poz a mim por juiz ou

repartidor entre vós?

15 E disse-lhes: [9] Acautelae-vos e guardae-vos da avareza; porque a

vida de qualquer não consiste na abundancia dos _bens_ que possue.

16 E propoz-lhes uma parabola, dizendo: A herdade d’um homem rico tinha

produzido com abundancia;

17 E arrazoava elle entre si, dizendo: Que farei? Não tenho onde recolher

os meus fructos.

18 E disse: Farei isto: Derribarei os meus celleiros, e edificarei outros

maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens;

19 E direi á minha [10] alma: Alma, tens em deposito muitos bens para

muitos annos: descança, come, bebe, _e_ folga.

20 Porém Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a [11] tua alma; e

o que tens preparado para quem será?

21 Assim _é_ o que para si ajunta thesouros, e não [12] é rico para com

Deus.

_Solicitude pela nossa vida._

Mat. 6.25-34 e refs.

22 E disse aos seus discipulos: Portanto vos digo: Não estejaes solicitos

pela vossa vida, no que comereis, nem pelo corpo, no que vestireis.

23 Mais é a vida do que o sustento, e o corpo mais do que o vestido.

24 Considerae os corvos, que nem semeiam, nem segam, nem teem dispensa

nem celleiro, e Deus [13] os alimenta: quanto mais valeis vós do que as

aves?

25 E qual de vós, sendo solicito, pode accrescentar um covado á sua

estatura?

26 Pois, se nem ainda podeis _fazer_ as coisas minimas, porque estaes

solicitos pelo mais?

27 Considerae os lirios, como elles crescem; não trabalham, nem fiam; e

digo-vos que nem ainda Salomão, em toda a sua gloria, se vestiu como um

d’elles.

28 E, se Deus assim veste a herva que hoje está no campo, e ámanhã é

lançada no forno, quanto mais a vós, _homens_ de pouca fé?

29 Vós pois não pergunteis que haveis de comer, ou que haveis de beber, e

não andeis inquietos.

30 Porque as gentes do mundo buscam todas essas _coisas_; mas vosso Pae

sabe que haveis mister d’ellas.

31 Buscae antes [14] o reino de Deus, e todas estas _coisas_ vos serão

accrescentadas.

32 Não temas, [15] ó pequeno rebanho, porque a vosso Pae agradou dar-vos

o reino.

33 Vendei o que tendes, e [16] dae esmola. Fazei para vós bolsas que não

se envelheçam; thesouro nos céus que nunca acabe, aonde não chega ladrão,

e a traça não roe.

34 Porque, onde estiver o vosso thesouro, ali estará tambem o vosso

coração.

_Parabola do servo vigilante._

Mat. 24.45-51.

35 Estejam cingidos os [17] vossos lombos, e accesas as vossas candeias.

36 E sêde vós similhantes aos homens que esperam a seu senhor, quando

houver de voltar das bodas, para que, quando vier, e bater, logo possam

abrir-lhe.

37 Bemaventurados aquelles servos, os [18] quaes, quando o Senhor vier,

os achar vigiando! Em verdade vos digo que se cingirá, e os fará assentar

_á mesa_, e, chegando-se, os servirá.

38 E, se vier na segunda vigilia, e se vier na terceira vigilia, e _os_

achar assim, bemaventurados são os taes servos.

39 Sabei, porém, isto, [19] que, se o pae de familia soubesse a que hora,

havia de vir o ladrão, vigiaria, e não deixaria minar a sua casa.

40 Portanto, estae vós tambem [20] apercebidos; porque virá o Filho do

homem a hora que não imaginaes.

41 E disse-lhe Pedro: Senhor, dizes essa parabola a nós, ou tambem a

todos?

42 E disse o Senhor: [21] Qual é pois o mordomo fiel e prudente, a quem o

senhor poz sobre os seus servos, para _lhes_ dar a tempo a ração?

43 Bemaventurado aquelle servo, o qual o senhor, [22] quando vier, achar

fazendo assim.

44 Em verdade vos digo que sobre todos os seus bens o porá.

45 Mas, se aquelle servo disser em seu coração: O meu senhor tarda em

vir; e começar a espancar os creados e creadas, e a comer, e a beber, e a

embriagar-se,

46 Virá o senhor d’aquelle servo no dia em que _o_ não espera, e n’uma

hora que elle não sabe, e separal-o-ha, e porá a sua parte com os

infieis.

47 E o servo [23] que soube a vontade do seu senhor, e não _se_

apercebeu, nem fez conforme a sua vontade, será castigado com muitos

açoites;

48 Mas o [24] que _a_ não soube, e fez _coisas_ dignas de açoites, com

poucos açoites será castigado. E, a qualquer que muito fôr dado, muito se

lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou muito mais se lhe pedirá.

_Jesus traz fogo e dissensão á terra._

49 Vim lançar fogo na terra; [25] e que quero, se já está acceso?

50 Importa, porém, que seja baptizado com um baptismo; [26] e como me

angustio até que venha a cumprir-se!

51 Cuidaes [27] vós que vim dar paz á terra? Não, vos digo, mas antes

dissensão;

52 Porque d’aqui em [28] diante estarão cinco divididos n’uma casa: tres

contra dois, e dois contra tres:

53 O pae estará dividido contra o filho, e o filho contra o pae; a mãe

contra a filha, e a filha contra a mãe; a sogra contra sua nora, e a nora

contra sua sogra.

_Os signaes dos tempos._

54 E dizia tambem á multidão: [29] Quando vêdes a nuvem que vem do

occidente, logo dizeis: Lá vem chuva, e assim succede.

55 E, quando assopra o sul, dizeis: Haverá calma; e _assim_ succede.

56 Hypocritas, sabeis distinguir a face da terra e do céu, e como não

distinguis este tempo?

57 E porque não julgaes tambem por vós mesmos o que é justo?

58 Quando [30] pois vaes com o teu adversario ao magistrado, procura

livrar-te d’elle no caminho; para que não succeda que te conduza ao juiz,

e o juiz te entregue ao meirinho, e o meirinho te encerre na prisão.

59 Digo-te que não sairás d’ali emquanto não pagares o derradeiro ceitil.

[1] Mat. 16.6. Mar. 8.15.

[2] Mat. 16.12.

[3] Mat. 10.26. Mar. 4.22. cap. 8.17.

[4] Isa. 51.7, 8, 12, 13. Jer. 1.8. João 15.14, 15.

[5] Mat. 10.32. Mar. 8.38. II Tim. 2.12. I João 2.23.

[6] Mat. 12.31, 32. Mar. 3.28. I João 5.16.

[7] Mat. 10.19. Mar. 13.11. cap. 21.14.

[8] João 18.36.

[9] I Tim. 6.7, etc.

[10] Ecc. 11.9. I Cor. 15.32. Thi. 5.5.

[11] Job 20.22 e 27.8. Psa. 52.5. Thi. 4.14. Psa. 39.6. Jer. 17.11.

[12] Mat. 6.20. ver. 33. I Tim. 6.18, 19. Thi. 2.5.

[13] Job 38.41. Psa. 147.9.

[14] Mat. 6.33.

[15] Mat. 11.25, 26.

[16] Mat. 19.21 e 6.20. Act. 2.45 e 4.34. cap. 16.9. I Tim. 6.19.

[17] Eph. 6.14. I Ped. 1.13. Mat. 25.1, etc.

[18] Mat. 24.46.

[19] Mat. 24.43. I The. 5.2. II Ped. 3.10. Apo. 3.3 e 16.15.

[20] Mat. 24.44 e 25.13. Mar. 13.33. cap. 21.34, 36. I The. 5.6. II Ped.

3.12.

[21] Mat. 24.45 e 25.21. I Cor. 4.2.

[22] Mat. 24.47, 48.

[23] Num. 15.30. Deu. 25.2. João 9.41 e 15.22. Act. 17.30. Thi. 4.17.

[24] Lev. 5.17. I Tim. 1.13.

[25] ver. 51.

[26] Mat. 20.22. Mar. 10.38.

[27] Mat. 10.34. ver. 49. Miq. 7.6. João 7.43 e 9.16 e 10.19.

[28] Mat. 10.35.

[29] Mat. 16.2.

[30] Pro. 25.8. Mat. 5.25. Psa. 32.6. Isa. 50.6.

_A mortandade dos galileos e a queda da torre em Siloé._

13 E n’aquelle mesmo tempo estavam presentes ali alguns que lhe fallavam

dos galileos cujo sangue Pilatos misturara com os seus sacrificios.

2 E, respondendo Jesus, disse-lhes: Cuidaes vós que esses galileos foram

mais peccadores do que todos os _outros_ galileos, por terem assim

padecido?

3 Não, vos digo; antes, se vos não arrependerdes, todos de egual modo

perecereis.

4 Ou aquelles dezoito, sobre os quaes caiu a torre em Siloé e os matou,

cuidaes que foram mais [AHE] culpados do que todos quantos homens habitam

em Jerusalem?

5 Não, vos digo; antes, se vos não arrependerdes, todos de egual modo

perecereis.

_A parabola da figueira esteril._

6 E dizia esta parabola: Um [1] certo _homem_ tinha uma figueira plantada

na sua vinha, e foi buscar n’ella _algum_ fructo, e não _o_ achou;

7 E disse ao vinhateiro: Eis que ha tres annos venho buscar fructo a

esta figueira, e não _o_ acho; corta-a; porque occupa ainda a terra

inutilmente?

8 E, respondendo elle, disse-lhe: Senhor, deixa-a este anno, até que eu a

escave e a esterque;

9 E, se der fructo, _ficará_, e, se não, depois a mandarás cortar.

_Cura d’uma mulher paralytica._

10 E ensinava no sabbado, n’uma das synagogas.

11 E eis que estava ali uma mulher que tinha _um_ espirito de

enfermidade, _havia_ já dezoito annos; e andava encurvada, e não podia de

modo algum endireitar-se.

12 E, vendo-a Jesus, chamou-a a si, e disse-lhe: Mulher, estás livre da

tua enfermidade.

13 E poz as mãos sobre ella, [2] e logo se endireitou, e glorificava a

Deus.

14 E, tomando a palavra o principe da synagoga, indignado porque Jesus

curava no sabbado, disse á multidão: [3] Seis dias ha em que é mister

trabalhar: n’estes pois vinde para serdes curados, [4] e não no dia de

sabbado.

15 Respondeu-lhe, porém, o Senhor e disse: Hypocrita, [5] no sabbado não

desprende da mangedoura cada um de vós o seu boi ou jumento e não o leva

a beber?

16 E não convinha soltar d’esta prisão, no dia de sabbado, a esta filha

[6] de Abrahão, a qual _ha_ dezoito annos Satanaz tinha presa?

17 E, dizendo elle estas _coisas_, todos os seus adversarios se

confundiam, e todo o povo se alegrava por todas as _coisas_ gloriosas que

eram feitas por elle.

_Parabolas, do grão de mostarda e do fermento._

Mat. 13.31-33 e refs.

18 E dizia: [7] A que é similhante o reino de Deus, e a que o compararei?

19 É similhante ao grão de mostarda que um homem, tomando-o, lançou

na sua horta; e cresceu, e fez-se grande arvore, e em seus ramos se

aninharam as aves do céu.

20 E disse outra vez: A que compararei o reino de Deus?

21 É similhante ao fermento que uma mulher, tomando-o, escondeu em tres

medidas de farinha, até que tudo levedou.

_A porta estreita._

22 E percorria as cidades [8] e as aldeias, ensinando, e caminhando para

Jerusalem.

23 E disse-lhe um: Senhor, são poucos os que se salvam? E elle lhe disse:

24 Porfiae por entrar pela porta estreita; [9] porque eu vos digo _que_

muitos procurarão entrar e não poderão.

25 Quando o pae de familia se levantar e cerrar a porta, [10] e

começardes a estar de fóra, e a bater á porta, dizendo: Senhor, Senhor,

abre-nos; e, respondendo elle, vos disser: Não sei d’onde vós sois;

26 Então começareis a dizer: Temos comido e bebido na tua presença, e

tens ensinado nas nossas ruas.

27 E elle dirá: [11] Digo-vos que não sei d’onde vós sois; [12]

apartae-vos de mim, vós todos os que obraes iniquidade.

28 Ali haverá choro e ranger de dentes, [13] quando virdes Abrahão e

Isaac, e Jacob, e todos os prophetas, no reino de Deus, e vós lançados

fóra.

29 E virão do oriente, e do occidente, e do norte, e do sul, e

assentar-se-hão _á mesa_ no reino de Deus.

30 E eis que derradeiros ha [14] que serão os primeiros; e primeiros ha

que serão os derradeiros.

_Jesus é avisado do odio de Herodes._

31 N’aquelle mesmo dia chegaram uns phariseos, dizendo-lhe: Sae, e

retira-te d’aqui, porque Herodes quer matar-te.

32 E disse-lhes: Ide, e dizei áquella raposa: Eis que eu expulso

demonios, e effectuo curas, hoje e ámanhã, e no terceiro dia sou [15]

consummado.

33 Importa, porém, caminhar hoje, ámanhã, e no _dia_ seguinte, para que

não succeda que morra um propheta fóra de Jerusalem.

34 Jerusalem, [16] Jerusalem, que matas os prophetas, e apedrejas os que

te são enviados! Quantas vezes quiz eu ajuntar os teus filhos, como a

gallinha os seus pintos debaixo das _suas_ azas, e não quizeste?

35 Eis que a vossa casa se vos deixará [17] deserta. E em verdade vos

digo que não me vereis até que venha _o tempo_ em que digaes: Bemdito

aquelle que vem em nome do Senhor.

[1] Isa. 5.2. Mat. 21.19.

[2] Mar. 16.18. Act. 9.8.

[3] Exo. 20.9.

[4] Mat. 12.10. Mar. 3.2. cap. 6.7 e 14.3.

[5] cap. 14.5.

[6] cap. 19.9.

[7] Mar. 4.30.

[8] Mat. 9.34. Mar. 6.6.

[9] Mat. 7.13. João 7.34 e 8.21 e 13.33. Rom. 9.31.

[10] Psa. 32.6. Isa. 55.6. Mat. 25.10. cap. 6.46. Mat. 7.23 e 25.12.

[11] Mat. 7.23 e 25.41. ver. 25.

[12] Psa. 6.9. Mat. 25.41.

[13] Mat. 8.12 e 13.42 e 24.51 e 8.11.

[14] Mat. 19.30 e 20.16. Mar. 10.31.

[15] Heb. 2.10.

[16] Mat. 23.37.

[17] Lev. 26.31, 32. Psa. 69.25. Isa. 1.7. Dan. 9.27. Miq. 3.12. Psa.

118.26. Mat. 21.9. Mar. 11.10. cap. 19.38. João 12.13.

_Cura d’um hydropico._

14 Aconteceu n’um sabbado que, entrando elle em casa de um dos principaes

dos phariseos para comer pão, elles o estavam espiando.

2 E eis que estava ali adiante d’elle _um_ certo homem hydropico.

3 E, Jesus, tomando a palavra, fallou aos doutores da lei, e aos

phariseos, dizendo: [1] É licito curar no sabbado?

4 Elles, porém, calaram-se. E, tomando-_o_, elle o curou e despediu.

5 E, respondendo-lhes, disse: [2] Qual será de vós o que, caindo-lhe n’um

poço, em dia de sabbado, o jumento ou o boi, o não tire logo?

6 E nada lhe podiam replicar a estas _coisas_.

_Parabola dos primeiros assentos e dos convidados._

7 E disse aos convidados uma parabola, reparando como escolhiam os

primeiros assentos, dizendo-lhes:

8 Quando por alguem fôres convidado ás bodas, não te assentes no primeiro

logar, não aconteça que esteja convidado outro mais digno do que tu;

9 E, vindo o que te convidou a ti e a elle, te diga: Dá o logar e este;

e então, com vergonha, tenhas de tomar o derradeiro logar.

10 Mas, quando fores [3] convidado, vae, e assenta-te no derradeiro

logar, para que, quando vier o que te convidou, te diga: Amigo, sobe mais

para cima. Então terás honra diante dos que estiverem comtigo á mesa.

11 Porque qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado, [4] e

aquelle que a si mesmo se humilhar será exaltado.

12 E dizia tambem ao que o tinha convidado: Quando deres um jantar, ou

uma ceia, não chames os teus amigos, nem os teus irmãos, nem os teus

parentes, nem visinhos ricos, para que não succeda que tambem elles te

tornem a convidar, e te seja isso recompensado.

13 Mas, quando fizeres convite, chama os pobres, [5] aleijados, mancos

_e_ cegos,

14 E serás bemaventurado; porquanto não teem com que t’o recompensar;

porque recompensado te será na resurreição dos justos.

_Parabola da grande ceia._

Mat. 22.1-14 e refs.

15 E, ouvindo isto um dos que estavam com elle _á mesa_, disse-lhe:

Bemaventurado [6] _aquelle_ que comer pão no reino de Deus.

16 Porém elle lhe disse: Um certo homem fez uma grande ceia, e convidou a

muitos.

17 E á hora da ceia [7] mandou o seu servo a dizer aos convidados: Vinde,

que já tudo está preparado.

18 E todos á uma começaram a escusar-se. Disse-lhe o primeiro: Comprei um

campo, e importa ir vêl-o: rogo-te que me hajas por escusado.

19 E outro disse: Comprei cinco juntas de bois, e vou a experimental-os:

rogo-te que me hajas por escusado.

20 E outro disse: Casei, e portanto não posso ir.

21 E, voltando aquelle servo, annunciou estas _coisas_ ao seu senhor.

Então o pae de familia, indignado, disse ao seu servo: Sae depressa pelas

ruas e bairros da cidade, e traze aqui os pobres, e aleijados, e mancos e

cegos.

22 E disse o servo: Senhor, feito está como mandaste; e ainda ha logar.

23 E disse o senhor ao servo: Sae pelos caminhos e vallados, e força-_os_

a entrar para que a minha casa se encha.

24 Porque eu vos digo [8] que nenhum d’aquelles varões que foram

convidados provará a minha ceia.

_Parabola ácerca da providencia._

25 Ora ia com elle uma grande multidão; e, voltando-se, disse-lhe:

26 Se alguem vier a mim, [9] e não aborrecer a seu pae, e mãe, e mulher,

e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda tambem a sua propria vida, não pode

ser meu discipulo.

27 E qualquer que não levar a sua cruz, [10] e não vier após mim, não

pode ser meu discipulo.

28 Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, [11] não se assenta

primeiro a fazer as contas dos gastos, _para ver_ se tem com que _a_

acabar?

29 Para que não aconteça que, depois de haver posto o alicerce, e não _a_

podendo acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer d’elle,

30 Dizendo: Este homem começou a edificar e não poude acabar.

31 Ou qual é o rei que, indo á guerra a pelejar contra outro rei, não se

assenta primeiro a consultar se com dez mil pode sair ao encontro do que

vem contra elle com vinte mil?

32 D’outra maneira, estando o outro ainda longe, manda-_lhe_

embaixadores, e pede condições de paz.

33 Assim, pois, qualquer de vós, que não renuncia a tudo quanto tem, não

pode ser meu discipulo.

34 Bom _é_ o sal; [12] porém, se o sal degenerar, com que se adubará?

35 Nem presta para a terra, nem para o monturo; lançam-n’o fóra. Quem tem

ouvidos para ouvir, ouça.

[1] Mat. 12.10.

[2] Exo. 23.5. Deu. 22.4. cap. 13.15.

[3] Pro. 25.6, 7.

[4] Job 22.29. Psa. 18.27. Pro. 29.23. Mat. 23.12. cap. 18.14. Thi. 4.6.

I Ped. 5.5.

[5] Neh. 8.10, 12.

[6] Apo. 19.9.

[7] Pro. 9.2, 5.

[8] Mat. 21.43 e 22.8. Act. 13.46.

[9] Deu. 13.6 e 33.9. Mat. 10.37. Rom. 9.13. Apo. 12.11.

[10] Mat. 16.24. Mar. 8.34. cap. 9.23. II Tim. 3.12.

[11] Pro. 24.27.

[12] Mat. 5.13. Mar. 9.50.

_Parabolas, da ovelha e da drachma perdidas._

15 E chegavam-se a [1] elle todos os publicanos e peccadores para o ouvir.

2 E os phariseos e os escribas murmuravam, dizendo: Este recebe

peccadores, [2] e come com elles.

3 E elle lhes propoz esta parabola, dizendo:

4 Que homem d’entre [3] vós, tendo cem ovelhas, e perdendo uma d’ellas,

não deixa no deserto as noventa e nove, e não vae após a perdida até que

venha a achal-a?

5 E, achando-a, a põe sobre seus hombros, gostoso;

6 E, chegando a casa, convoca os amigos e visinhos, dizendo-lhes:

Alegrae-vos comigo, porque _já_ achei a minha ovelha [4] perdida.

7 Digo-vos que assim haverá _mais_ alegria no céu sobre um peccador que

se arrependa [5] do que sobre noventa e nove justos que não necessitam de

arrependimento.

8 Ou qual a mulher que, tendo dez drachmas, se perder uma drachma, não

accende a candeia, e não varre a casa, e não busca com diligencia até _a_

achar?

9 E, achando-a, convoca as amigas e visinhas, dizendo: Alegrae-vos

comigo, porque já achei a drachma perdida.

10 Assim vos digo que ha alegria diante dos anjos de Deus sobre um

peccador que se arrepende.

_Parabola do filho prodigo._

11 E disse: _Um_ certo homem tinha dois filhos;

12 E o mais moço d’elles disse ao pae: Pae, dá-me a parte da fazenda que

_me_ pertence. E elle lhes repartiu [6] a fazenda.

13 E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu

para uma terra _mui_ longe, e ali desperdiçou a sua fazenda, vivendo

dissolutamente.

14 E, havendo elle _já_ gastado tudo, houve n’aquella terra uma grande

fome, e começou a padecer necessidade.

15 E foi, e chegou-se a um dos cidadãos d’aquella terra, o qual o mandou

para os seus campos a apascentar os porcos.

16 E desejava saciar o seu estomago com as [AHF] bolotas que os porcos

comiam, e ninguem lhe dava nada.

17 E, tornando em si, disse: Quantos jornaleiros de meu pae teem

abundancia de pão, e eu pereço de fome!

18 Levantar-me-hei, e irei ter com meu pae, e dir-lhe-hei: Pae, pequei

contra o céu e perante ti;

19 Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus

jornaleiros.

20 E, levantando-se, foi para seu pae; e, quando [7] ainda estava longe,

viu-o seu pae, e se moveu de intima compaixão, e, correndo, lançou-se-lhe

ao pescoço e o beijou.

21 E o filho lhe disse: Pae, pequei contra o céu [8] e perante ti, e já

não sou digno de ser chamado teu filho.

22 Mas o pae disse aos seus servos: Trazei depressa o vestido melhor, e

vesti-lh’o, e ponde-lhe um annel na mão, e alparcas nos pés;

23 E trazei o bezerro cevado, e matae-_o_; e comamos, e alegremo-nos;

24 Porque [9] este meu filho era morto, e reviveu, tinha-se perdido, e é

achado. E começaram a alegrar-se.

25 E o seu filho mais velho estava no campo; e quando veiu, e chegou

perto de casa, ouviu a musica e as danças.

26 E, chamando um dos servos, perguntou-lhe que era aquillo.

27 E elle lhe disse: Veiu teu irmão; e teu pae matou o bezerro cevado,

porquanto o recuperou _são e_ salvo.

28 Indignou-se, porém, elle, e não queria entrar. E, saindo o pae, o

rogava.

29 Mas, respondendo elle, disse ao pae: Eis que te sirvo _ha_ tantos

annos, e nunca transgredi o teu mandamento, e nunca me déste um cabrito

para alegrar-me com os meus amigos;

30 Vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou a tua fazenda com as

meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado.

31 E elle lhe disse: Filho, tu sempre estás comigo, e todas as minhas

_coisas_ são tuas;

32 Portanto era justo alegrarmo-_nos_ e folgarmos, [10] porque este teu

irmão era morto, e reviveu; e tinha-se perdido, e achou-se.

[1] Mat. 9.10.

[2] Act. 11.3. Gal. 2.12.

[3] Mat. 18.12.

[4] I Ped. 2.10, 25.

[5] cap. 5.32.

[6] Mar. 12.44.

[7] Act. 2.39. Eph. 2.13, 17.

[8] Psa. 51.4.

[9] ver. 32. Eph. 2.1 e 5.14. Apo. 3.1.

[10] ver. 24.

_Parabola do mordomo infiel._

16 E dizia tambem aos seus discipulos: Havia um certo homem rico, o qual

tinha um mordomo; e este foi accusado perante elle de dissipar os seus

bens.

2 E elle, chamando-o, disse-lhe: Que é isto que ouço de ti? Dá contas da

tua mordomia, porque já não poderás mais ser mordomo.

3 E o mordomo disse comsigo: Que farei, pois que o meu senhor me tira a

mordomia? Cavar, não posso; de mendigar, tenho vergonha.

4 Eu sei o que hei-de fazer, para que, quando fôr desapossado da

mordomia, me recebam em suas casas.

5 E, chamando a _si_ cada um dos devedores do seu senhor, disse ao

primeiro: Quanto deves ao meu senhor?

6 E elle disse: Cem medidas de azeite. E disse-lhe: Toma a tua obrigação,

e, assentando-te já, escreve cincoenta.

7 Disse depois a outro: E tu quanto deves? E elle disse: Cem alqueires de

trigo. E disse-lhe: Toma a tua obrigação, e escreve oitenta.

8 E louvou aquelle senhor o injusto mordomo por haver procedido

prudentemente, porque os filhos d’este mundo são mais prudentes na sua

geração [1] do que os filhos da luz.

9 E eu vos digo: [2] Grangeae amigos com as riquezas da injustiça; para

que, quando necessitardes, vos recebam nos tabernaculos eternos.

10 Quem [3] é fiel no minimo, tambem é fiel no muito; quem é injusto no

minimo, tambem é injusto no muito.

11 Pois, se na riqueza injusta não fostes fieis, quem vos confiará a

verdadeira?

12 E, se no alheio não fostes fieis, quem vos dará o que é vosso?

13 Nenhum [4] servo pode servir dois senhores; porque, ou ha de aborrecer

um e amar o outro, ou se ha de chegar a um e desprezar o outro. Não

podeis servir a Deus e a [AHG] Mammon.

_A auctoridade da lei._

14 E os phariseos, [5] que eram avarentos, ouviam todas estas _coisas_, e

zombavam d’elle.

15 E disse-lhes: Vós sois os que vos [6] justificaes a vós mesmos diante

dos homens, [7] mas Deus conhece os vossos corações, porque, [8] o que

entre os homens é elevado, perante Deus é abominação.

16 A lei [9] e os prophetas _duraram_ até João: desde então é annunciado

o reino de Deus, e todo o homem forceja por entrar n’elle.

17 E [10] é mais facil passar o céu e a terra do que cair um til da lei.

18 Qualquer [11] que deixa sua mulher, e casa com outra, adultéra; e

aquelle que casa com a repudiada pelo marido _tambem_ adultéra.

_A parabola do rico e Lazaro._

19 Ora, havia um homem rico, e vestia-se de purpura e de linho finissimo,

e vivia todos os dias regalada e esplendidamente.

20 Havia tambem _um_ certo mendigo, chamado Lazaro, que jazia cheio de

chagas á porta d’aquelle;

21 E desejava saciar-se com as migalhas que cahiam da mesa do rico; e até

vinham os cães, e lambiam-lhe as chagas.

22 E aconteceu que o mendigo morreu, e foi levado pelos anjos para o seio

d’Abrahão; e morreu tambem o rico, e foi sepultado.

23 E no inferno, erguendo os olhos, estando em tormentos, viu ao longe

Abrahão, e Lazaro no seu seio.

24 E elle, clamando, disse: Pae Abrahão, tem misericordia de mim, e manda

a Lazaro que molhe na agua a ponta do seu dedo e me [12] refresque a

lingua, porque estou [13] atormentado n’esta chamma.

25 Disse, porém, Abrahão: Filho, lembra-te [14] de que recebeste os teus

bens em tua vida, e Lazaro sómente males; e agora este é consolado e tu

atormentado;

26 E, além d’isso, está posto um grande abysmo entre nós e vós, de sorte

que os que quizessem passar d’aqui para vós não poderiam, nem tão pouco

os de lá passar para cá.

27 E disse elle: Rogo-te pois, ó pae, que o mandes a casa de meu pae,

28 Porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, afim de que

não venham tambem para este logar de tormento.

29 Disse-lhe Abrahão: [15] Teem Moysés e os prophetas; ouçam-n’os.

30 E disse elle: Não, pae Abrahão; mas, se alguem dos mortos fosse ter

com elles, arrepender-se-hiam.

31 Porém Abrahão lhe disse: Se não ouvem a Moysés e aos prophetas, [16]

tão pouco acreditarão, ainda que algum dos mortos resuscite.

[1] João 12.36. Eph. 5.8. I The. 5.5.

[2] Dan. 4.27. Mat. 6.19 e 19.21. cap. 11.41. I Tim. 6.17, 18, 19.

[3] Mat. 25.21. cap. 19.17.

[4] Mat. 6.24.

[5] Mat. 23.14.

[6] cap. 10.29.

[7] Psa. 7.10.

[8] I Sam. 16.7.

[9] Mat. 4.17 e 11.12, 13. cap. 7.29.

[10] Psa. 102.26, 27. Isa. 40.8 e 51.6. Mat. 5.18. I Ped. 1.25.

[11] Mat. 5.32 e 19.9. Mar. 10.11. I Cor. 7.10, 11.

[12] Zac. 14.12.

[13] Isa. 66.24. Mar. 9.43, etc.

[14] Job 21.13. cap. 6.24.

[15] Isa. 8.20 e 34.16. João 5.39, 45. Act. 15.21 e 17.11.

[16] João 12.10, 11.

_Ácerca dos escandalos, do perdão, do poder da fé e dos servos inuteis._

17 E disse aos discipulos: [1] É impossivel que não venham escandalos,

mas ai _d’aquelle_ por quem vierem!

2 Melhor lhe fôra que lhe pozessem ao pescoço uma mó de atafona, e fosse

lançado ao mar, do que escandalizar um d’estes pequenos.

3 Olhae por vós mesmos. [2] E, se teu irmão peccar contra ti,

reprehende-o, [3] e, se elle se arrepender, perdoa-lhe.

4 E, se peccar contra ti sete vezes no dia, e sete vezes no dia tornar a

ti, dizendo: Arrependo-me; perdoa-lhe.

5 Disseram então os apostolos ao Senhor: Accrescenta-nos a fé.

6 E disse o [4] Senhor: Se tivesseis fé como um grão de mostarda,

dirieis a esta amoreira: Desarreiga-te d’aqui, e planta-te no mar; e vos

obedeceria.

7 E qual de vós terá um servo lavrando ou apascentando, e, voltando elle

do campo, _lhe_ diga: Chega-te, e assenta-te _á mesa_?

8 E não lhe diga antes: Prepara-me a ceia, e cinge-te, [5] e serve-me,

até que tenha comido e bebido, e depois comerás e beberás tu?

9 Porventura dá graças ao tal servo, porque fez o que lhe foi mandado?

Creio que não.

10 Assim tambem vós, quando fizerdes tudo o que vos fôr mandado, dizei:

Somos [6] servos inuteis, porque fizemos _sómente_ o que deviamos fazer.

_Cura de dez leprosos._

11 E aconteceu [7] que, indo elle a Jerusalem, passou pelo meio da

Samaria e da Galilea;

12 E, entrando n’uma certa aldeia, sairam-lhe ao encontro dez homens

leprosos, [8] os quaes pararam de longe;

13 E levantaram a voz, dizendo: Jesus, Mestre, tem misericordia de nós.

14 E elle, vendo-os, [9] disse-lhes: Ide, e mostrae-vos aos sacerdotes. E

aconteceu que, indo elles, ficaram limpos.

15 E um d’elles, vendo que estava são, voltou glorificando a Deus em alta

voz;

16 E caiu aos seus pés, com o rosto em terra, dando-lhe graças: e este

era samaritano.

17 E, respondendo Jesus, disse: Não foram dez os limpos? E onde _estão_

os nove?

18 Não houve quem voltasse a dar gloria a Deus senão este estrangeiro?

19 E disse-lhe: [10] Levanta-te, e vae; a tua fé te salvou.

_A vinda subita do reino de Deus._

20 E, interrogado pelos phariseos sobre quando havia de vir o reino

de Deus, respondeu-lhes, e disse: O reino de Deus não vem com [AHH]

apparencia exterior.

21 Nem dirão: [11] Eil-o aqui, ou, Eil-o ali; porque eis que o reino de

Deus está [12] entre vós.

22 E disse aos discipulos: [13] Dias virão em que desejareis vêr um dos

dias do Filho do homem, e não _o_ vereis.

23 E dir-vos-hão: [14] Eil-o aqui, ou, Eil-o ali _está_; não vades, nem

_os_ sigaes:

24 Porque, [15] como o relampago, fuzilando de uma _parte_ debaixo do

céu, resplandece até á outra debaixo do céu, assim será tambem o Filho do

homem no seu dia.

25 Mas [16] primeiro convem que elle padeça muito, e seja reprovado por

esta geração.

26 E, [17] como aconteceu nos dias de Noé, assim será tambem nos dias do

Filho do homem:

27 Comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé

entrou na arca, e veiu o diluvio, e os consumiu a todos.

28 Como [18] tambem da mesma maneira aconteceu nos dias de Lot: comiam,

bebiam, compravam, vendiam, plantavam _e_ edificavam.

29 Mas [19] no dia em que Lot saiu de Sodoma, choveu do céu fogo e

enxofre, e os consumiu a todos.

30 Assim será no dia em que o Filho do homem se ha [20] de manifestar.

31 N’aquelle dia, [21] quem _estiver_ no telhado, e as suas alfaias em

casa, não desça a tomal-as; e, da mesma sorte, o que estiver no campo não

volte para traz.

32 Lembrae-vos [22] da mulher de Lot.

33 Qualquer [23] que procurar salvar a sua vida perdel-a-ha, e qualquer

que a perder salval-a-ha.

34 Digo-vos [24] que n’aquella noite estarão dois n’uma cama; um será

tomado, e outro será deixado.

35 Duas estarão juntas, moendo; uma será tomada, e outra será deixada.

36 Dois estarão no campo; um será tomado, o outro será deixado.

37 E, respondendo, [25] disseram-lhe: Onde, Senhor? E elle lhes disse:

Onde _estiver_ o corpo, ahi se ajuntarão as aguias.

[1] Mat. 18.6, 7. Mar. 9.42. I Cor. 11.19.

[2] Mat. 18.15, 21.

[3] Lev. 19.17. Pro. 17.10. Thi. 5.19.

[4] Mat. 17.20 e 21.21. Mar. 9.23 e 11.23.

[5] cap. 12.37.

[6] Job 22.3 e 35.7. Mat. 25.30. Rom. 3.12 e 11.35. I Cor. 9.16, 17. Phi.

11.

[7] Luc. 9.51, 52. João 4.4.

[8] Lev. 13.46.

[9] Lev. 13.2 e 14.2. Mat. 8.4. cap. 5.14.

[10] Mat. 9.22. Mar. 5.34 e 10.52. cap. 7.50 e 8.48 e 18.42.

[11] ver. 23.

[12] Rom. 14.17.

[13] Mat. 9.15. João 17.12.

[14] Mat. 24.23. Mar. 13.21. cap. 21.8.

[15] Mat. 24.27.

[16] Mar. 8.31 e 9.34 e 10.33. cap. 9.22.

[17] Gen. 7. Mat. 24.37.

[18] Gen. 19.

[19] Gen. 19.16, 24.

[20] II The. 1.7.

[21] Mat. 24.17. Mar. 13.15.

[22] Gen. 19.26.

[23] Mat. 10.39 e 16.25. Mar. 8.35. cap. 9.24. João 12.25.

[24] Mat. 24.40, 41. I The. 4.17.

[25] Job 39.30. Mat. 24.28.

_A parabola do juiz iniquo._

18 E disse-lhes tambem uma parabola _ácerca_ de que importa [1] orar

sempre, e nunca desfallecer,

2 Dizendo: Havia n’uma cidade _um_ certo juiz, que nem a Deus temia nem

respeitava ao homem.

3 Havia tambem n’aquella mesma cidade _uma_ certa viuva, e ia ter com

elle, dizendo: Faze-me justiça contra o meu adversario.

4 E por algum tempo não quiz; mas depois disse entre si: Ainda que não

temo a Deus, nem respeito ao homem,

5 Todavia, [2] como esta viuva me molesta, hei de fazer-lhe justiça, para

que emfim não venha, e me importune muito.

6 E disse o Senhor: Ouvi o que diz o injusto juiz.

7 E Deus [3] não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a elle de

dia e de noite, sendo [AHI] tardio para com elles?

8 Digo-vos [4] que depressa lhes fará justiça. Porém, quando vier o Filho

do homem, porventura achará fé na terra?

_A parabola do phariseo e do publicano._

9 E disse tambem esta parabola a uns [5] que confiavam em si mesmos, que

eram justos, e desprezavam aos outros:

10 Dois homens subiram ao templo, a orar; um phariseo, e o outro

publicano.

11 O phariseo, [6] estando em pé, orava comsigo d’esta maneira. [7] Ó

Deus, graças te dou, porque não sou como os demais homens, roubadores,

injustos _e_ adulteros; nem ainda como este publicano.

12 Jejuo duas vezes na semana, _e_ dou os dizimos de tudo quanto possuo.

13 O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria

levantar os olhos ao céu, mas batia em seu peito, dizendo: Ó Deus, tem

misericordia de mim, peccador!

14 Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não [8] aquelle;

porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a

si mesmo se humilha será exaltado.

_Jesus abençoa os meninos._

Mat. 19.13-15 e refs.

15 E traziam-lhe [9] tambem meninos, para que elle os tocasse; e os

discipulos, vendo _isto_, reprehendiam-n’os.

16 Mas Jesus, chamando para si os _meninos_, disse: Deixae vir a mim os

meninos, e não os impeçaes, [10] porque de taes é o reino de Deus:

17 Em [11] verdade vos digo que, qualquer que não receber o reino de Deus

como menino, não entrará n’elle.

_O mancebo de qualidade._

Mat. 19.16-30.

18 E [12] perguntou-lhe _um_ certo principe, dizendo: Bom Mestre, que hei

de fazer para herdar a vida eterna?

19 Jesus lhe disse: Porque me chamas bom? Ninguem ha bom, senão um, _que

é_ Deus.

20 Sabes os mandamentos: Não adulterarás, não matarás, [13] não furtarás,

não darás falso testemunho, [14] honra a teu pae e tua mãe.

21 E disse elle: Todas essas coisas tenho observado desde a minha

mocidade.

22 Porém Jesus, ouvindo isto, disse-lhe: Ainda te falta uma coisa:

[15] vende tudo quanto tens, reparte-_o_ entre os pobres, e terás _um_

thesouro no céu; vem, e segue-me.

23 E elle, ouvindo isto, ficou muito triste, porque era muito rico.

24 E, vendo Jesus que elle ficára muito triste, disse: [16] Quão

difficilmente entrarão no reino de Deus os que teem riquezas!

25 Porque é mais facil entrar um camelo pelo fundo d’uma agulha do que

entrar um rico no reino de Deus.

26 E os que ouviram _isto_ disseram: Logo quem pode salvar-se?

27 E elle disse: [17] As _coisas_ que são impossiveis aos homens são

possiveis a Deus.

28 E disse Pedro: [18] Eis que nós deixámos tudo e te seguimos.

29 E elle lhes disse: Na verdade vos digo [19] que ninguem ha, que tenha

deixado casa, ou paes, ou irmãos, ou mulher, ou filhos, pelo reino de

Deus,

30 [20] E não haja de receber muito mais n’este tempo, e no seculo

vindouro a vida eterna.

_Jesus annuncia a sua paixão._

Mat. 20.17-19 e refs.

31 [21] E, tomando comsigo os doze, disse-lhes: Eis que subimos a

Jerusalem, e se cumprirá no Filho do homem tudo o [22] que pelos

prophetas _está_ escripto;

32 Porque [23] será entregue ás gentes, e escarnecido, injuriado e

cuspido,

33 E, havendo-_o_ açoitado, o matarão; e ao terceiro dia resuscitará.

34 E [24] elles nada d’estas _coisas_ entendiam, e esta palavra lhes era

encoberta; e não entendiam _o_ que se _lhes_ dizia.

_O cego de Jericó._

Mat. 20.29-34 e refs.

35 E aconteceu [25] que, chegando elle perto de Jericó, estava um cego

assentado junto do caminho, mendigando:

36 E, ouvindo passar a multidão, perguntou que era aquillo:

37 E disseram-lhe que Jesus Nazareno passava.

38 Então clamou, dizendo: Jesus, Filho de David, tem misericordia de mim.

39 E os que iam passando reprehendiam-n’o para que se calasse; porém elle

clamava ainda mais: Filho de David, tem misericordia de mim.

40 Então Jesus, parando, mandou que lh’o trouxessem; e, chegando elle,

perguntou-lhe,

41 Dizendo: Que queres que te faça? E elle disse: Senhor, que eu veja.

42 E Jesus lhe disse: [26] Vê: a tua fé te salvou.

43 E logo viu, e seguia-o, [27] glorificando a Deus. E todo o povo, vendo

_isto_, dava louvores a Deus.

[1] cap. 11.5 e 21.36. Rom. 12.12. Eph. 6.18. Col. 4.2. I The. 5.17.

[2] cap. 11.8.

[3] Apo. 6.10.

[4] Heb. 10.37. II Ped. 3.8, 9.

[5] cap. 10.29 e 16.15.

[6] Psa. 135.2.

[7] Isa. 1.15 e 58.2. Apo. 3.17.

[8] Job 22.29. Mat. 23.12. cap. 14.11. Thi. 4.6. I Ped. 5.5, 6.

[9] Mar. 10.13.

[10] I Cor. 14.20. I Ped. 2.2.

[11] Mar. 10.15.

[12] Mar. 10.17.

[13] Exo. 20.12, 16. Deu. 5.16, 20. Rom. 13.9.

[14] Eph. 6.2. Col. 3.20.

[15] Mat. 6.19, 20 e 19.21. I Tim. 6.19.

[16] Pro. 11.28. Mat. 19.23. Mar. 10.23.

[17] Jer. 32.17. Zac. 8.6. Mat. 19.26. cap. 1.37.

[18] Mat. 19.27.

[19] Deu. 33.9.

[20] Job 42.10.

[21] Mat. 16.21 e 17.22. Mar. 10.32.

[22] Psa. 21. Isa. 53.

[23] Mat. 27.2. cap. 23.1. João 18.28. Act. 3.13.

[24] Mar. 9.32. cap. 2.50 e 9.45. João 10.6 e 12.16.

[25] Mar. 10.46.

[26] cap. 17.19.

[27] cap. 5.26. Act. 4.21 e 11.18.

_Zaqueo o publicano._

19 E, tendo Jesus entrado em Jericó, ia passando.

2 E eis que _havia ali_ um varão chamado Zaqueo; e este era um dos

principaes dos publicanos, e era rico.

3 E procurava vêr quem era Jesus, e não podia, por causa da multidão,

porque era de pequena estatura.

4 E, correndo adiante, subiu [AHJ] a uma figueira brava para o ver;

porque havia de passar por ali.

5 E, quando Jesus chegou áquelle logar, olhando para cima, viu-o e

disse-lhe: Zaqueo, desce depressa, porque hoje me convem pousar em tua

casa.

6 E, apressando-se, desceu, e recebeu-o gostoso.

7 E, vendo todos _isto_, murmuravam, dizendo [1] que entrara para ser

hospede de um homem peccador.

8 E, levantando-se Zaqueo, disse ao Senhor: Senhor, eis que eu dou aos

pobres metade dos meus bens; e, se n’alguma coisa [2] tenho defraudado

alguem, [3] o restituo quadruplicado.

9 E disse-lhe Jesus: Hoje houve salvação n’esta casa, [4] porquanto

tambem este [5] é filho de Abrahão:

10 Porque [6] o Filho do homem veiu buscar e salvar o que se havia

perdido.

_Parabola dos dez servos e das dez minas._

Mat. 25.14-30.

11 E, ouvindo elles estas _coisas_, elle proseguiu, e disse uma parabola;

porquanto estava perto de Jerusalem, [7] e cuidavam que logo se havia de

manifestar o reino de Deus.

12 Disse [8] pois: _Um_ certo homem nobre partiu para uma terra remota, a

tomar para si um reino e voltar depois.

13 E, chamando dez servos seus, deu-lhes dez minas, e disse-lhes:

Negociae até que eu venha.

14 Mas [9] os seus cidadãos aborreciam-n’o, e mandaram após elle

embaixadores, dizendo: Não queremos que este reine sobre nós.

15 E aconteceu que, voltando elle, havendo tomado o reino, disse que lhe

chamassem aquelles servos, a quem tinha dado o dinheiro, para saber o que

cada um tinha ganhado, negociando.

16 E veiu o primeiro, dizendo: Senhor, a tua mina rendeu dez minas.

17 E elle lhe disse: Bem _está_, servo bom, porque no minimo foste fiel,

[10] sobre dez cidades terás auctoridade.

18 E veiu o segundo, dizendo: Senhor, a tua mina grangeou cinco minas.

19 E a este disse tambem: Sê tu tambem sobre cinco cidades.

20 E veiu outro, dizendo: Senhor, aqui _está_ a tua mina, que guardei

n’um lenço;

21 Porque tive [11] medo de ti, que és homem rigoroso, que tomas o que

não pozeste, e segas o que não semeaste.

22 Porém elle lhe disse: [12] Servo maligno, pela tua bocca te julgarei;

sabias [13] que eu sou homem rigoroso, que tomo o que não puz, e sego o

que não semeei;

23 Porque não metteste pois o meu dinheiro no banco, e eu, vindo, o

demandaria com os juros?

24 E disse aos que estavam com elle: Tirae-lhe a mina, e dae-_a_ ao que

tiver dez minas.

25 (E disseram-lhe elles: Senhor, tem dez minas).

26 Pois eu vos digo [14] que a qualquer que tiver ser-lhe-ha dado, mas ao

que não tiver até o que tem lhe será tirado.

27 Porém trazei aqui aquelles meus inimigos que não quizeram que eu

reinasse sobre elles, e matae-_os_ diante de mim.

_A entrada triumphal de Jesus em Jerusalem._

Mat. 21.1-11 e refs.

28 E, dito isto, [15] ia caminhando adiante, subindo para Jerusalem.

29 E aconteceu [16] que, chegando perto de Bethphage, e de Bethania, ao

monte chamado das Oliveiras, mandou dois dos seus discipulos,

30 Dizendo: Ide á aldeia que está defronte, e ahi, ao entrar, achareis

preso um jumentinho em que nenhum homem ainda se assentou; soltae-o e

trazei-_o_;

31 E, se alguem vos perguntar: Porque _o_ soltaes? assim lhe direis:

Porque o Senhor o ha de mister.

32 E, indo os que haviam sido mandados, acharam como lhes dissera.

33 E, soltando o jumentinho, seus donos lhes disseram: Porque soltaes o

jumentinho?

34 E elles disseram: O Senhor o ha de mister.

35 E trouxeram-n’o a Jesus: [17] e, lançando sobre o jumentinho os seus

vestidos, pozeram a Jesus em cima.

36 E, indo elle, [18] estendiam no caminho os seus vestidos.

37 E, quando já chegava perto da descida do monte das Oliveiras, toda a

multidão dos discipulos, regozijando-se, começou a dar louvores a Deus em

alta voz, por todas as maravilhas que tinham visto,

38 Dizendo: [19] Bemdito o Rei que vem em nome do Senhor; [20] paz no

céu, e gloria nas alturas.

39 E disseram-lhe d’entre a multidão alguns dos phariseos: Mestre,

reprehende os teus discipulos.

40 E, respondendo elle, disse-lhes: Digo-vos que, se estes se calarem,

[21] logo as pedras clamarão.

41 E, quando _já_ ia chegando, vendo a cidade, [22] chorou sobre ella,

42 Dizendo: Ah! se tu conhecesses tambem, ao menos n’este teu dia, _o

que_ á tua paz _pertence_! mas agora _isto_ está encoberto aos teus olhos.

43 Porque dias virão sobre ti, [23] em que os teus inimigos te cercarão

de trincheiras, e te sitiarão, e te estreitarão de todas as bandas;

44 E te [24] derribarão, a ti e aos teus filhos _que_ dentro de ti

_estiverem_; e não [25] deixarão em ti pedra sobre pedra, porquanto [26]

não conheceste o tempo da tua visitação.

_A purificação do templo._

Mat. 21.12-17 e refs.

45 E, entrando [27] no templo, começou a expulsar todos os que n’elle

vendiam e compravam,

46 Dizendo-lhes: [28] Está escripto: A minha casa é casa de oração; mas

vós [29] fizestes d’ella covil de salteadores.

47 E todos os dias ensinava no templo, [30] e os principaes dos

sacerdotes, e os escribas, e os principaes do povo procuravam matal-o.

48 E não achavam meio de o fazer, porque todo o povo pendia para elle,

escutando-o.

[1] Mat. 9.11. cap. 5.30.

[2] cap. 3.14.

[3] Exo. 22.1. I Sam. 12.3. II Sam. 12.6.

[4] Rom. 4.11, 12, 16. Gal. 3.7.

[5] cap. 13.16.

[6] Mat. 18.11 e 10.6 e 15.24.

[7] Act. 1.6.

[8] Mar. 13.34.

[9] João 1.11.

[10] Mat. 25.21. cap. 16.10.

[11] Mat. 25.24.

[12] II Sam. 1.16. Job 15.6. Mat. 12.37.

[13] Mat. 25.26.

[14] Mat. 13.12 e 25.29. Mar. 4.25. cap. 8.18.

[15] Mar. 10.32.

[16] Mar. 11.1.

[17] II Reis 9.13. Mat. 21.7. Mar. 11.7. João 12.14.

[18] Mat. 21.8.

[19] Psa. 118.26. cap. 13.35.

[20] cap. 2.14. Eph. 2.14.

[21] Hab. 2.11.

[22] João 11.35.

[23] Isa. 29.3, 4. Jer. 6.3, 6. cap. 21.20.

[24] I Reis 9.7, 8. Miq. 3.12.

[25] Mat. 24.2. Mar. 13.2. cap. 21.6.

[26] Dan. 9.24. cap. 1.68, 78. I Ped. 2.12.

[27] Mar. 11.11, 15. João 2.14, 15.

[28] Isa. 56.7.

[29] Jer. 7.11.

[30] Mar. 11.18. João 7.19 e 8.37.

_O baptismo de João._

Mat. 21.23-27 e refs.

20 E aconteceu n’um d’aquelles dias que, estando elle ensinando o povo

no templo, e annunciando o evangelho, sobrevieram os principaes dos

sacerdotes e os escribas com os anciãos,

2 E fallaram-lhe, dizendo: Dize-nos, [1] com que auctoridade fazes estas

_coisas_? Ou, quem é que te deu esta auctoridade?

3 E, respondendo elle, disse-lhes: Tambem eu vos farei uma pergunta:

dizei-me pois:

4 O baptismo de João era do céu ou dos homens?

5 E elles arrazoavam entre si, dizendo: Se dissermos: Do céu, elle nos

dirá: Então porque o não crestes?

6 E se dissermos: Dos homens; todo o povo nos apedrejará, pois [2] teem

por certo que João era propheta.

7 E responderam que não sabiam d’onde _era_.

8 E Jesus lhes disse: Nem tão pouco eu vos digo com que auctoridade faço

estas _coisas_.

_Parabola dos lavradores maus._

Mat. 21.33-46 e refs.

9 E começou a dizer ao povo esta parabola: Um [3] _certo_ homem plantou

uma vinha, e arrendou-a a _uns_ lavradores, e partiu para fóra da terra

por muito tempo;

10 E a _seu_ tempo mandou um servo aos lavradores, para que lhe déssem

dos fructos da vinha; mas os lavradores, espancando-o, mandaram-n’o vazio.

11 E tornou ainda a mandar outro servo; mas elles, espancando tambem a

este, e affrontando-_o_, mandaram-n’o vazio.

12 E tornou ainda a mandar terceiro; mas elles, ferindo tambem a este,

_o_ expulsaram.

13 E disse o senhor da vinha: Que farei? Mandarei o meu filho amado;

talvez que, vendo-o, o respeitem.

14 Mas, vendo-o os lavradores, arrazoaram entre si, dizendo: Este é o

herdeiro; vinde, matemol-o, para que a herdade seja nossa.

15 E, lançando-o fóra da vinha, _o_ mataram. Que lhes fará pois o senhor

da vinha?

16 Irá, e destruirá estes lavradores, e dará a outros a vinha. E, ouvindo

elles _isto_, disseram: _Assim_ não seja!

17 Mas elle, olhando para elles, disse: Que é isto pois que está

escripto? [4] A pedra, que os edificadores reprovaram, essa foi feita

cabeça da esquina.

18 Qualquer que cair sobre aquella pedra será quebrantado, e aquelle [5]

sobre quem ella cair será feito em pedaços.

_A questão do tributo._

Mat. 22.15-22 e refs.

19 E os principaes dos sacerdotes e os escribas procuravam lançar mão

d’elle n’aquella mesma hora; mas temeram o povo; porque entenderam que

contra elles dissera esta parabola.

20 E, trazendo-_o_ debaixo de olho, mandaram espias, que se fingissem

justos, para o apanhar _n’alguma_ palavra, e entregal-o á jurisdicção e

poder do [AHK] presidente.

21 E perguntaram-lhe, dizendo: Mestre, [6] nós sabemos que fallas e

ensinas bem e rectamente, e que não attentas para a _apparencia da_

pessoa, mas ensinas com verdade o caminho de Deus:

22 É-nos licito dar tributo a Cesar ou não?

23 E, entendendo elle a sua astucia, disse-lhes: Porque me tentaes?

24 Mostrae-me uma moeda. De quem tem a imagem e a inscripção? E,

respondendo elles, disseram: De Cesar.

25 Disse-lhes então: Dae pois a Cesar o que _é_ de Cesar, e a Deus o que

_é_ de Deus.

26 E não poderam apanhal-o em palavra alguma diante do povo; e,

maravilhados da sua resposta, calaram-se.

_Os sadduceos e a resurreição._

Mat. 22.23-33 e refs.

27 E, chegando-se [7] alguns dos sadduceos, [8] que dizem não haver

resurreição, perguntaram-lhe,

28 Dizendo: Mestre, [9] Moysés escreveu-nos que, se o irmão d’algum

fallecer, tendo mulher, e não deixar filhos, o irmão d’elle tome a

mulher, e suscite posteridade a seu irmão.

29 Houve pois sete irmãos, e o primeiro tomou mulher, e morreu sem filhos;

30 E o segundo tomou-a, e _tambem_ este morreu sem filhos;

31 E o terceiro tomou-a, e egualmente tambem os sete: e morreram, e não

deixaram filhos.

32 E por ultimo, depois de todos, morreu tambem a mulher.

33 Portanto, na resurreição, de qual d’elles será a mulher, pois que os

sete a tiveram por mulher?

34 E, respondendo Jesus, disse-lhes: Os filhos d’este seculo casam-se, e

dão-se em casamento;

35 Mas os que forem havidos por dignos de alcançar aquelle seculo, e a

resurreição dos mortos, nem hão de casar, nem ser dados em casamento;

36 Porque não podem [10] mais morrer; pois são eguaes aos anjos, e são

filhos de Deus, [11] visto que são filhos da resurreição.

37 E que os mortos hão de resuscitar [12] tambem o mostrou Moysés junto

da sarça, quando chama ao Senhor Deus de Abrahão, e Deus de Isaac, e Deus

de Jacob.

38 Ora _Deus_ não é Deus de mortos, porém de vivos; porque para [13] elle

vivem todos.

39 E, respondendo alguns dos escribas, disseram: Mestre, disseste bem.

40 E não ousavam perguntar-lhe mais _coisa_ alguma.

_O Christo Filho de David._

Mat. 22.41, etc. e refs.

41 E elle lhes disse: [14] Como dizem que o Christo é filho de David?

42 Dizendo o mesmo David no livro dos Psalmos: [15] Disse o SENHOR ao meu

Senhor: Assenta-te á minha direita,

43 Até que eu ponha os teus inimigos por escabello de teus pés.

44 De sorte que David lhe chama Senhor; e como é seu filho?

_Jesus censura os escribas._

Mat. 23.1, etc. e refs.

45 E, [16] ouvindo-o todo o povo, disse Jesus aos seus discipulos:

46 Guardae-vos dos escribas, que querem andar com vestidos compridos;

e amam as [17] saudações nas praças, e as principaes cadeiras nas

synagogas, e os primeiros logares nos banquetes;

47 Que [18] devoram as casas das viuvas, fazendo, como pretexto, largas

orações. Estes receberão maior condemnação.

[1] Act. 4.7 e 7.27.

[2] Mat. 14.5 e 21.26. cap. 7.29.

[3] Mar. 12.1.

[4] Psa. 118.22. Mat. 21.42.

[5] Dan. 2.34, 35. Mat. 21.44.

[6] Mat. 22.16. Mar. 12.14.

[7] Mar. 12.18.

[8] Act. 23.6, 8.

[9] Deu. 25.5.

[10] I Cor. 15.42, 49, 52. I João 3.2.

[11] Rom. 8.23.

[12] Exo. 3.6.

[13] Rom. 6.10, 11.

[14] Mat. 22.42. Mar. 12.35.

[15] Psa. 110.1. Act. 2.34.

[16] Mar. 12.38.

[17] cap. 11.43.

[18] Mat. 23.14.

_A pequena offerta da viuva pobre._

Mar. 12.41, etc.

21 E, olhando elle, viu os ricos lançarem as suas offertas na arca do

thesouro;

2 E viu tambem uma pobre viuva lançar ali duas pequenas _moedas_;

3 E disse: Em verdade vos [1] digo que lançou mais do que todos esta

pobre viuva;

4 Porque todos aquelles deitaram para as offertas de Deus, do que lhes

sobeja; mas esta, da sua pobreza, deitou todo o sustento que tinha.

_O sermão prophetico: o principio das dôres._

Mat. 24.1-14 e refs.

5 E, dizendo alguns a respeito do templo, que estava ornado de formosas

pedras e dadivas, disse:

6 Quanto a estas _coisas_ que vêdes, dias virão em [2] que se não deixará

pedra sobre pedra, que não seja derribada.

7 E perguntaram-lhe, dizendo: Mestre, quando serão pois estas _coisas_? E

que signal _haverá_ quando estas _coisas_ estiverem para acontecer?

8 Disse então elle: [3] Vêde não vos enganem, porque virão muitos em meu

nome, dizendo: Eu sou o _Christo_, e _já_ o tempo está proximo; não vades

portanto após elles.

9 E, quando ouvirdes de guerras e sedições, não vos assusteis. Porque é

necessario que estas _coisas_ aconteçam primeiro, mas o fim não _será_

logo.

10 Então [4] lhes disse: Levantar-se-ha nação contra nação, e reino

contra reino;

11 E haverá em varios logares grandes terremotos, e fomes e pestilencias;

haverá tambem coisas espantosas, e grandes signaes do céu.

12 Mas [5] antes de todas estas coisas lançarão mão de vós, e _vos_

perseguirão, entregando-_vos_ ás synagogas e [6] ás prisões, [7] e

conduzindo-vos á presença de reis e [AHL] presidentes, [8] por amor do

meu nome.

13 E sobrevir-vos-ha [9] _isto_ para testemunho.

14 Proponde [10] pois em vossos corações não premeditar como haveis de

responder,

15 Porque eu vos darei bocca e sabedoria [11] a que não poderão

contradizer nem resistir todos quantos se vos oppozerem.

16 E até pelos paes, e irmãos, e parentes, e amigos sereis [12]

entregues; e matarão [13] _alguns_ de vós.

17 E por todos sereis [14] aborrecidos por amor do meu nome.

18 Mas [15] não perecerá nem um cabello da vossa cabeça.

19 Na vossa paciencia possui as vossas almas.

_O sermão prophetico continúa: a grande tribulação._

Mat. 24.15-18.

20 Porém, quando virdes Jerusalem cercada d’exercitos, sabei então que

_já_ é chegada a sua assolação.

21 Então, os que estiverem na Judea, fujam para os montes; e, os que

estiverem no meio d’ella, saiam: e, os que nos campos, não entrem n’ella.

22 Porque dias de vingança são estes, para que [16] se cumpram todas as

_coisas_ que estão escriptas.

23 Mas ai [17] das gravidas, e das que criarem n’aquelles dias! porque

haverá grande aperto na terra, e ira sobre este povo.

24 E cairão ao fio da espada, e para todas as nações serão levados

captivos; e Jerusalem será pisada pelos gentios, até que os tempos dos

[18] gentios se completem.

_O sermão prophetico continúa: a volta do Filho do homem._

Mat. 24.29-35.

25 E haverá signaes no sol, e _na_ lua e _nas_ estrellas; e na terra

aperto das nações em perplexidade, pelo bramido do mar e das ondas;

26 Homens desmaiando de terror, na expectação das coisas que sobrevirão

ao mundo. [19] Porque as virtudes do céu serão abaladas.

27 E então verão vir o Filho do homem [20] n’uma nuvem, com poder e

grande gloria.

28 Ora, quando estas _coisas_ começarem a acontecer, olhae para cima, e

levantae as vossas cabeças, [21] porque a vossa redempção está proxima.

29 E disse-lhes uma parabola: [22] Olhae para a figueira, e para todas as

arvores;

30 Quando já teem brotado, vós sabeis por vós mesmos, vendo-as, que perto

está já o verão.

31 Assim tambem vós, quando virdes acontecer estas _coisas_, sabei que o

reino de Deus está perto.

32 Em verdade vos digo que não passará esta geração até que tudo aconteça.

33 Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não hão de passar.

_O sermão prophetico continúa: a vigilancia._

Mat. 24.36-44.

34 E olhae [23] por vós, não aconteça que os vossos corações se carreguem

de glotonaria, embriaguez, e dos cuidados _d’esta_ vida, e venha sobre

vós de improviso aquelle dia.

35 Porque [24] virá como um laço sobre todos os que habitam sobre a face

de toda a terra.

36 Vigiae [25] pois [26] em todo o tempo, orando, para que sejaes havidos

por dignos de evitar todas estas _coisas_ que hão de acontecer, e de

estar em [27] pé diante do Filho do homem.

_O pacto da traição._

Mat. 26.1-5, 14-16.

37 E [28] de dia ensinava no templo, [29] e á noite, saindo, ficava no

monte chamado das Oliveiras.

38 E todo o povo ia ter com elle ao templo, de manhã cedo, para o ouvir.

[1] II Cor. 8.12.

[2] cap. 19.44.

[3] Mat. 24.4. Mar. 13.5. Eph. 5.6. II The. 2.3.

[4] Mat. 24.7.

[5] Mar. 13.9. Apo. 2.10.

[6] Act. 4.3 e 5.18 e 12.4 e 16.24.

[7] Act. 25.23.

[8] I Ped. 2.13.

[9] Phi. 1.28. II The. 1.5.

[10] Mat. 10.19. Mar. 13.11. cap. 12.11.

[11] Act. 6.10.

[12] Miq. 7.6. Mar. 13.12.

[13] Act. 7.59 e 12.2.

[14] Mat. 10.22.

[15] Mat. 10.30.

[16] Dan. 9.26, 27. Zac. 11.1.

[17] Mat. 24.19.

[18] Dan. 9.27 e 12.7. Rom. 11.25.

[19] Mat. 24.29.

[20] Mat. 24.30. Apo. 1.7 e 14.14.

[21] Rom. 8.19, 23.

[22] Mat. 24.32. Mar. 13.28.

[23] Rom. 13.13. I The. 5.6. I Ped. 4.7.

[24] I The. 5.2. II Ped. 3.10. Apo. 3.3 e 16.15.

[25] Mat. 24.42 e 25.13. Mar. 13.33.

[26] cap. 18.1.

[27] Psa. 1.5. Eph. 6.13.

[28] João 8.1, 2.

[29] cap. 22.39.

22 Estava [1] pois perto a festa dos _pães_ asmos, chamada a paschoa.

2 E os [2] principaes dos sacerdotes, e os escribas, procuravam como o

matariam; porque temiam o povo.

3 Entrou, [3] porém, Satanaz em Judas, que tinha por sobrenome

Iscariotes, o qual era do numero dos doze;

4 E foi, e fallou com os principaes dos sacerdotes, e com os capitães, de

como lh’o entregaria,

5 Os quaes se alegraram, [4] e convieram em lhe dar dinheiro.

6 E elle prometteu; e buscava opportunidade para lh’o entregar sem

alvoroço.

_A ultima paschoa: a sancta ceia._

Mat. 26.17-30 e refs.

7 Chegou, porém, o dia dos _pães_ asmos, em que importava sacrificar a

paschoa.

8 E mandou a Pedro e a João, dizendo: Ide, preparae-nos a paschoa, para

que _a_ comamos.

9 E elles lhe disseram: Onde queres que _a_ preparemos?

10 E elle lhes disse: Eis que, quando entrardes na cidade, vos encontrará

um homem, levando um cantaro d’agua: segui-o até á casa em que elle

entrar.

11 E direis ao pae de familia da casa: O Mestre te diz: Onde está o

aposento em que hei de comer a paschoa com os meus discipulos?

12 Então elle vos mostrará um grande cenaculo mobilado; ahi fazei

preparativos.

13 E, indo elles, acharam como lhes tinha dito; e prepararam a paschoa.

14 E, chegada [5] a hora, poz-se _á mesa_, e com elle os doze apostolos.

15 E disse-lhes: Desejei muito comer comvosco esta paschoa, antes que

padeça;

16 Porque vos digo que não a comerei mais [6] até que ella se cumpra no

reino de Deus.

17 E, tomando o calix, e havendo dado graças, disse: Tomae-o, e

reparti-_o_ entre vós;

18 Porque [7] vos digo que já não beberei do fructo da vide, até que

venha o reino de Deus.

19 E, [8] tomando o pão, e havendo dado graças, partiu-o, e deu-lh’o,

dizendo: Isto é o meu corpo, que por vós é dado; [9] fazei isto em

memoria de mim.

20 Similhantemente _tomou_ o calix, depois da ceia, dizendo: [10] Este

calix _é_ o Novo [AHM] Testamento no meu sangue, que é derramado por vós.

21 Porém [11] eis que a mão do que me trahe _está_ comigo á mesa.

22 E, na verdade, [12] o Filho do homem vae [13] segundo o que está

determinado; porém ai d’aquelle homem por quem é trahido!

23 E começaram [14] a perguntar entre si qual d’elles seria o que havia

de fazer isto.

_O maior será como o menor._

Mat. 20.25-28 e refs.

24 E houve [15] tambem entre elles contenda, sobre qual d’elles parecia

ser o maior.

25 E [16] elle lhes disse: Os reis dos gentios dominam sobre elles, e os

que teem auctoridade sobre elles são chamados bemfeitores.

26 Mas não [17] _sereis_ vós assim; antes o maior entre vós [18] seja

como o menor; e quem governa como quem serve.

27 Pois [19] qual é maior: quem está _á mesa_, ou quem serve? Porventura

não _é_ quem está _á mesa_? Porém eu [20] entre vós sou como aquelle que

serve.

28 E vós sois os que tendes permanecido comigo nas [21] minhas tentações.

29 [22] E eu vos ordeno o reino, como meu Pae m’o ordenou;

30 Para [23] que comaes e bebaes á minha mesa no meu reino, e vos

assenteis sobre thronos, julgando as doze tribus d’Israel.

_Pedro é avisado._

Mat. 26.33-35 e refs.

31 Disse tambem o Senhor: Simão, Simão, eis que Satanaz vos pediu [24]

para vos [25] cirandar como trigo;

32 Mas [26] eu roguei por ti, para que a tua fé não desfalleça; e tu,

quando te converteres, conforta a teus irmãos.

33 E elle lhe disse: Senhor, estou prompto a ir comtigo até á prisão e á

morte.

34 Mas [27] elle disse: Digo-te, Pedro, que não cantará hoje o gallo

antes que tres vezes negues que me conheces.

_As duas espadas._

35 E disse-lhes: Quando [28] vos mandei sem bolsa, _sem_ alforge, e _sem_

alparcas, faltou-vos porventura alguma coisa? E disseram: Nada.

36 Disse-lhes pois: Mas agora, aquelle que tiver bolsa, tome-_a_, como

tambem o alforge; e, o que não tem espada, venda o seu vestido e compre-a;

37 Porque vos digo que importa que em mim se cumpra ainda aquillo que

está escripto: [29] E com os malfeitores foi contado. Porque o que _está

escripto_ de mim tem _seu_ cumprimento.

38 E elles disseram: Senhor, eis aqui duas espadas. E elle lhes disse:

Basta.

_Jesus em Gethsemane._

Mat. 26.36-46.

39 E, saindo, [30] foi, como costumava, para o Monte das Oliveiras; e

tambem os seus discipulos o seguiram.

40 E, quando chegou áquelle logar, disse-lhes: [31] Orae, para que não

entreis em tentação.

41 E [32] apartou-se d’elles cerca de um tiro de pedra; e, pondo-se de

joelhos, orava,

42 Dizendo: Pae, se queres, passa de mim este calix, [33] porém não se

faça a minha vontade, senão a tua.

43 E appareceu-lhe um [34] anjo do céu, que o confortava.

44 E, posto em agonia, orava mais intensamente. E o seu suor fez-se como

grandes gotas de sangue, que corriam até ao chão.

45 E, levantando-se da oração, veiu para os seus discipulos, e achou-os

dormindo de tristeza.

46 E disse-lhes: Que, estaes dormindo? Levantae-vos, e [35] orae, para

que não entreis em tentação.

_Jesus é preso._

Mat. 26.47-56 e refs.

47 E, estando elle ainda a fallar, [36] eis que a multidão, e um dos

doze, que se chamava Judas, ia adiante d’elles, e chegou-se a Jesus para

o beijar.

48 E Jesus lhe disse: Judas, com um beijo trahes o Filho do homem?

49 E os que estavam com elle, vendo o que ia succeder, disseram-lhe:

Senhor, feriremos á espada?

50 E [37] um d’elles feriu o servo do summo sacerdote, e cortou-lhe a

orelha direita.

51 E, respondendo Jesus, disse: Deixae-os; basta. E, tocando-lhe a

orelha, o curou.

52 [38] E disse Jesus aos principaes dos sacerdotes, e capitães do

templo, e anciãos, que tinham ido contra elle: Saistes, como a um

salteador, com espadas e varapaus?

53 Tendo estado todos os dias comvosco no templo, não estendestes as mãos

contra mim, [39] porém esta é a vossa hora e o poder das trevas.

_Pedro nega a Jesus._

Mat. 26.69-75 e refs.

54 Então, prendendo-o, [40] _o_ conduziram, e o metteram em casa do summo

sacerdote. E Pedro seguia-o de longe.

55 E, [41] havendo-se accendido fogo no meio da sala, e assentando-se

juntos, assentou-se Pedro entre elles.

56 E _uma_ certa creada, vendo-o estar assentado ao fogo, e, postos os

olhos n’elle, disse: Este tambem estava com elle.

57 Porém elle negou-o, dizendo: Mulher, não o conheço.

58 E, [42] um pouco depois, vendo-o outro, disse: Tu és tambem d’elles.

Porém Pedro disse: Homem, não sou.

59 E, [43] passada quasi uma hora, um outro affirmava, dizendo: Tambem

este verdadeiramente estava com elle, pois tambem é galileo.

60 E Pedro disse: Homem, não sei o que dizes. E logo, estando elle ainda

a fallar, cantou o gallo.

61 E, virando-se o Senhor, olhou para Pedro, [44] e Pedro lembrou-se da

palavra do Senhor, como lhe havia dito: Antes que o gallo cante hoje, me

negarás tres vezes.

62 E, saindo Pedro para fóra, chorou amargamente.

_Jesus perante o synhedrio._

Mat. 26.57-68 e refs.

63 E os homens que detinham Jesus zombavam d’elle, ferindo-o.

64 E, cobrindo-o, feriam-n’o no rosto, e perguntavam-lhe, dizendo:

Prophetiza quem é o que te feriu?

65 E outras muitas coisas diziam contra elle, blasphemando.

66 E, [45] logo que foi dia, ajuntaram-se os anciãos do povo, e os

principaes dos sacerdotes e os escribas, e o conduziram ao seu concilio,

67 Dizendo: [46] És tu o Christo? dize-nol-o. E disse-lhes: Se vol-o

disser, não o crereis;

68 E tambem, se vos perguntar, não me respondereis, nem me soltareis.

69 Desde [47] agora o Filho do homem se assentará á direita do poder de

Deus.

70 E disseram todos: Logo, és tu o Filho de Deus? E elle lhes disse: [48]

Vós dizeis que eu sou.

71 E disseram elles: [49] De que mais testemunho necessitamos? pois nós

mesmos o ouvimos da sua bocca.

[1] Mat. 26.2. Mar. 14.1.

[2] Psa. 2.2. João 11.47. Act. 4.27.

[3] Mat. 26.14. Mar. 14.10. João 13.2, 27.

[4] Zac. 11.12.

[5] Mat. 26.20. Mar. 14.17.

[6] cap. 14.15. Act. 10.41. Apo. 19.9.

[7] Mat. 26.29. Mar. 14.25.

[8] Mat. 26.26. Mar. 14.22.

[9] I Cor. 11.24.

[10] I Cor. 10.16.

[11] Psa. 41.9. Mat. 26.21, 23. Mar. 14.18. João 13.21, 26.

[12] Mat. 26.24.

[13] Act. 2.23 e 4.28.

[14] Mat. 26.22. João 13.22, 25.

[15] Mar. 9.34. cap. 9.46.

[16] Mat. 20.25. Mar. 10.42.

[17] Mat. 20.26. I Ped. 5.3.

[18] cap. 9.48.

[19] cap. 12.37.

[20] Mat. 20.28. João 13.13, 14. Phi. 2.7.

[21] Heb. 4.15.

[22] Mat. 24.47. cap. 12.32. II Cor. 1.7. II Tim. 2.12.

[23] Mat. 8.11 e 19.28. cap. 14.15. Apo. 19.9 e 3.21. I Cor. 6.2.

[24] I Ped. 5.8.

[25] Amós 9.9.

[26] João 17.9, 11, 15 e 21.15, 16, 17.

[27] Mat. 26.34. Mar. 14.30. João 13.38.

[28] Mat. 10.9. cap. 9.3 e 10.4.

[29] Isa. 53.12. Mar. 15.28.

[30] Mar. 14.32. cap. 21.37.

[31] Mat. 6.13 e 26.41. Mar. 14.38. ver. 46.

[32] Mat. 26.39. Mar. 14.35.

[33] João 5.30 e 6.38.

[34] Mat. 4.11. João 12.27. Heb. 5.7.

[35] ver. 40.

[36] Mar. 14.43. João 18.3.

[37] Mat. 26.51. Mar. 14.47. João 18.10.

[38] Mat. 26.55. Mar. 14.48.

[39] João 12.27.

[40] Mat. 26.57. João 18.15.

[41] Mar. 14.66. João 18.17, 18.

[42] Mat. 26.71. Mar. 14.69. João 18.25.

[43] Mat. 26.73. Mar. 14.70. João 18.26.

[44] Mat. 26.75 e 26.34. Mar. 14.72. João 13.38.

[45] Mat. 27.1. Act. 4.26 e 22.5.

[46] Mat. 26.63. Mar. 14.61.

[47] Mat. 26.64. Mar. 14.62. Heb. 1.30 e 8.1.

[48] Mat. 26.64. Mar. 14.62.

[49] Mat. 26.65. Mar. 14.63.

_Jesus perante Pilatos e perante Herodes._

Mat. 27.1, 2, 11-31 e refs.

23 E, levantando-se [1] toda a multidão d’elles, o levaram a Pilatos.

2 E começaram a accusal-o, dizendo: Havemos achado este, [2] que perverte

a nação, e prohibe dar o tributo a Cesar, dizendo que elle mesmo é [AHN]

Christo, _o_ rei.

3 E [3] Pilatos perguntou-lhe, dizendo: Tu és o Rei dos Judeos? E elle,

respondendo, disse-lhe: Tu _o_ dizes.

4 E disse Pilatos aos principaes dos sacerdotes, e á multidão: [4] Não

acho culpa alguma n’este homem.

5 Mas elles insistiam cada vez mais, dizendo: Alvoroça o povo, ensinando

por toda a Judea, começando desde Galilea até aqui.

6 Então Pilatos, ouvindo _fallar_ da Galilea, perguntou se aquelle homem

era galileo.

7 E, entendendo que era [5] da jurisdicção de Herodes, remetteu-o a

Herodes, que tambem n’aquelles dias estava em Jerusalem.

8 E Herodes, quando viu a Jesus, alegrou-se muito; porque [6] havia muito

que desejava vêl-o, por ter ouvido d’elle muitas _coisas_; e esperava que

lhe veria fazer algum signal;

9 E interrogava-o em muitas palavras, porém elle nada lhe respondia.

10 E estavam os principaes dos sacerdotes, e os escribas, accusando-o com

grande vehemencia.

11 E Herodes, [7] com os seus soldados, desprezando-o, e escarnecendo

d’elle, vestiu-o de uma roupa resplandecente e tornou a envial-o a

Pilatos.

12 E no mesmo [8] dia Pilatos e Herodes entre si se fizeram amigos;

porque d’antes andavam em inimizade um com o outro.

13 E, convocando [9] Pilatos os principaes dos sacerdotes, e os

magistrados, e o povo, disse-lhes:

14 Haveis-me [10] apresentado este homem como pervertedor do povo; e

eis que, examinando-o na vossa presença, nenhuma culpa, das de que o

accusaes, acho n’este homem.

15 Nem mesmo Herodes, porque a elle vos remetti, e eis que não tem feito

coisa alguma digna de morte.

16 Castigal-o-hei [11] pois, e soltal-o-hei.

17 E [12] era-lhe necessario soltar-lhes um pela festa.

18 Porém [13] toda a multidão clamou á uma, dizendo: Fóra d’aqui com

este, e solta-nos Barrabas:

19 O qual fôra lançado na prisão por causa de uma sedição feita na

cidade, e de um homicidio.

20 Fallou pois outra vez Pilatos, querendo soltar a Jesus.

21 Mas elles clamavam em contrario, dizendo: Crucifica-_o_, crucifica-o.

22 Então elle, pela terceira vez, lhes disse: Pois que mal fez este? Não

acho n’elle culpa alguma de morte. Castigal-o-hei pois, e soltal-o-hei.

23 Mas elles instavam com grandes gritos, pedindo que fosse crucificado.

E os seus gritos, e os dos principaes dos sacerdotes, redobravam.

24 Então [14] Pilatos julgou que devia fazer o que elles pediam.

25 E soltou-lhes o que fôra lançado na prisão por uma sedição e

homicidio, que era o que pediam; porém entregou Jesus á vontade d’elles.

_Jesus no caminho do Golgotha._

26 E, quando o iam [15] levando, tomaram um certo Simão, cyreneo, que

vinha do campo, e pozeram-lhe a cruz ás costas, para que a levasse após

Jesus.

27 E seguia-o grande multidão de povo e de mulheres, as quaes batiam nos

peitos, e o lamentavam.

28 Porém Jesus, voltando-se para ellas, disse: Filhas de Jerusalem, não

choreis por mim, chorae antes por vós mesmas, e por vossos filhos.

29 Porque [16] eis que hão de vir dias em que dirão: Bemaventuradas as

estereis, e os ventres que não geraram, e os peitos que não crearam!

30 Então [17] começarão a dizer aos montes: Cahi sobre nós, e aos

outeiros: Cobri-nos.

31 Porque, [18] se ao madeiro verde fazem isto, que se fará ao secco?

32 E [19] tambem conduziram outros dois, que eram malfeitores, para com

elle serem mortos.

_A crucifixão._

Mat. 27.33-56 e refs.

33 E, [20] quando chegaram ao logar chamado a Caveira, ali o

crucificaram, e aos malfeitores, um á direita e outro á esquerda.

34 E dizia Jesus: Pae, [21] perdôa-lhes, porque não sabem o que fazem. E,

repartindo os seus vestidos, lançaram sortes.

35 E [22] o povo estava olhando; e juntamente com elles tambem os [AHO]

principes zombavam d’elle, dizendo: Aos outros salvou, salve-se a si

mesmo, se este é o Christo, o escolhido de Deus.

36 E tambem os soldados o escarneciam, chegando-se a elle, e

apresentando-lhe vinagre,

37 E dizendo: Se tu és o Rei dos Judeos, salva-te a ti mesmo.

38 E [23] tambem por cima d’elle estava um titulo, escripto em lettras

gregas, romanas, e hebraicas: ESTE É O REI DOS JUDEOS.

39 E [24] um dos malfeitores que estavam pendurados blasphemava d’elle,

dizendo: Se tu és o Christo, salva-te a ti mesmo, e a nós.

40 Respondendo, porém, o outro, reprehendia-o, dizendo: Tu nem ainda

temes a Deus, estando na mesma condemnação?

41 E nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o que os nossos

feitos mereciam; mas este nenhum mal fez.

42 E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu

reino.

43 E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no

Paraiso.

44 E [25] era já quasi a hora sexta, e houve trevas em toda a terra até a

hora nona.

45 E o sol escureceu, e rasgou-se [26] ao meio o véu do templo.

46 E, clamando Jesus com grande voz, disse: [27] Pae, nas tuas mãos

entrego o meu espirito. E, havendo dito isto, expirou.

47 E o [28] centurião, vendo o que tinha acontecido, deu gloria a Deus,

dizendo: Na verdade, este homem era justo.

48 E toda a multidão que se ajuntára a este espectaculo, vendo o que

havia acontecido, voltava batendo nos peitos.

_A sepultura de Jesus._

Mat. 27.55.

49 E todos [29] os seus conhecidos, e as mulheres que juntamente o haviam

seguido desde a Galiléa, estavam de longe vendo estas _coisas_.

50 E [30] eis que um varão por nome José, senador, homem de bem e justo,

51 Que não tinha consentido no seu conselho, nem em _seus_ feitos, de

Arimathea, cidade dos judeos, [31] e que tambem esperava o reino de Deus:

52 Este, chegando a Pilatos, pediu o corpo de Jesus;

53 E, [32] havendo-o tirado, envolveu-o n’um lençol, e pôl-o n’um

sepulchro lavrado n’uma [AHP] penha, onde ninguem ainda havia sido posto.

54 E era o dia [33] da preparação, e amanhecia o sabbado.

55 E tambem as mulheres, [34] que tinham saido com elle da Galiléa, o

seguiram, e viram o sepulchro, e como foi posto o seu corpo.

56 E, voltando [35] ellas, prepararam especiarias e unguentos; [36] e no

sabbado repousaram, conforme o mandamento.

[1] Mar. 15.1. João 18.28.

[2] Act. 17.7. Mat. 17.27 e 22.21. Mar. 12.17. João 19.12.

[3] Mat. 27.11. I Tim. 6.13.

[4] I Ped. 2.22.

[5] cap. 3.1.

[6] cap. 9.9. Mat. 14.1. Mar. 6.14.

[7] Isa. 53.3.

[8] Act. 4.27.

[9] Mat. 27.23. Mar. 15.14. João 18.38 e 19.4.

[10] ver. 1, 2, 4.

[11] Mat. 27.26. João 19.1.

[12] Mat. 27.15. Mar. 15.6. João 18.39.

[13] Act. 3.14.

[14] Mat. 27.26. Mar. 15.15. João 19.16.

[15] Mat. 27.32. Mar. 15.21. João 19.17.

[16] Mat. 24.19. cap. 21.23.

[17] Isa. 2.19. Ose. 10.8. Apo. 6.16 e 9.6.

[18] Pro. 11.31. Jer. 25.29. Eze. 20.47 e 21.3, 4. I Ped. 4.17.

[19] Isa. 53.12. Mat. 27.33.

[20] Mar. 15.22. João 19.17, 18.

[21] Mat. 5.44 e 27.35. Act. 3.17. I Cor. 4.12. Mar. 15.24. João 19.23.

[22] Psa. 22.17. Zac. 12.10. Mat. 27.39. Mar. 15.29.

[23] Mat. 27.37. Mar. 15.26. João 19.19.

[24] Mat. 27.44. Mar. 15.32.

[25] Mat. 27.45. Mar. 15.33.

[26] Mat. 27.51. Mar. 15.38.

[27] Psa. 31.5. I Ped. 2.23. Mat. 27.50. Mar. 15.37. João 19.30.

[28] Mat. 27.54. Mar. 15.39.

[29] Psa. 38.11. Mar. 15.40. João 19.25.

[30] Mat. 27.57. Mar. 15.42. João 19.38.

[31] Mar. 15.43. cap. 2.25, 38.

[32] Mat. 27.59. Mar. 15.46.

[33] Mat. 27.62.

[34] cap. 8.2.

[35] Mar. 16.1.

[36] Exo. 20.10.

_A resurreição._

Mat. 28.1-10 e refs.

24 E [1] no primeiro _dia_ da semana, muito de madrugada, foram estas, e

algumas _outras_ com ellas, ao sepulchro, [2] levando as especiarias que

tinham preparado.

2 E [3] acharam _já_ a pedra revolvida do sepulchro.

3 E, entrando, [4] não acharam o corpo do Senhor Jesus.

4 E aconteceu que, estando ellas perplexas [5] por isto, eis que pararam

junto d’ellas dois varões, com vestidos resplandecentes.

5 E, estando ellas muito atemorisadas, e abaixando o rosto para o chão,

elles lhes disseram: Porque buscaes o vivente entre os mortos?

6 Não está aqui, porém _já_ resuscitou. Lembrae-vos [6] como vos fallou,

estando ainda na Galilea,

7 Dizendo: Convem que o Filho do homem seja entregue nas mãos de homens

peccadores, e seja crucificado, e ao terceiro dia resuscite.

8 E [7] lembraram-se das suas palavras.

9 E, [8] voltando do sepulchro, annunciaram todas estas coisas aos onze e

a todos os demais.

10 E eram Maria Magdalena, [9] e Joanna, e Maria, _mãe_ de Thiago, e as

outras _que_ com ellas _estavam_, que diziam estas _coisas_ aos apostolos.

11 E [10] as suas palavras lhes pareciam como desvario, e não as creram.

12 Pedro, porém, [11] levantando-se, correu ao sepulchro, e,

abaixando-se, viu só os lenços _ali_ postos; e retirou-se, admirando

comsigo aquelle caso.

_Dois discipulos no caminho de Emmaus._

13 E [12] eis que no mesmo dia iam dois d’elles para uma aldeia, que

distava de Jerusalem sessenta estadios, cujo nome _era_ Emmaus;

14 E iam fallando entre si de todas aquellas _coisas_ que haviam

succedido.

15 E aconteceu que, indo elles fallando entre si, e perguntando-se um ao

outro, o mesmo Jesus se [13] approximou, e ia com elles;

16 Mas [14] os olhos d’elles estavam retidos para que o não conhecessem.

17 E elle lhes disse: Que palavras _são_ essas que, caminhando, trocaes

entre vós, e porque estaes tristes?

18 E, [15] respondendo um, cujo nome _era_ Cleophas, disse-lhe: És tu só

peregrino em Jerusalem, e não sabes as _coisas_ que n’ella teem succedido

n’estes dias?

19 E elle lhe disse: Quaes? E elles lhe disseram: As que dizem respeito a

Jesus Nazareno, que [16] foi varão propheta, poderoso em obras e palavras

diante de Deus e de todo o povo:

20 E [17] como os principaes dos sacerdotes, e os nossos principes o

entregaram á condemnação de morte, e o crucificaram:

21 E nós esperavamos [18] que fosse elle o que remisse Israel; mas

agora, sobre tudo isso, é já hoje o terceiro dia desde que essas coisas

aconteceram:

22 Ainda que tambem [19] algumas mulheres d’entre nós nos maravilharam,

as quaes da madrugada foram ao sepulchro;

23 E, não achando o seu corpo, voltaram, dizendo que tambem tinham visto

_uma_ visão de anjos, que dizem que elle vive:

24 E [20] alguns dos que estão comnosco foram ao sepulchro, e acharam

_ser_ assim como as mulheres haviam dito; porém a elle não _o_ viram.

25 E elle lhes disse: O nescios, e tardos de coração para crer tudo o que

os prophetas disseram!

26 Porventura [21] não convinha que o Christo padecesse estas _coisas_ e

entrasse na sua gloria?

27 E, [22] começando de Moysés, e de todos os [23] prophetas,

explicava-lhes em todas as Escripturas o que d’elle estava _escripto_.

28 E chegaram á aldeia para onde iam, e elle [24] fez como quem ia para

mais longe.

29 E [25] elles o constrangeram, dizendo: Fica comnosco, porque já é

tarde, e já declinou o dia. E entrou para ficar com elles.

30 E aconteceu que, estando com elles _á mesa_, [26] tomando o pão, o

abençoou, e partiu-o, e lh’o deu.

31 Abriram-se-lhes então os olhos, e o conheceram, e elle

desappareceu-lhes.

32 E disseram um para o outro: Porventura não ardia em nós o nosso

coração quando, pelo caminho nos fallava, e quando nos abria as

Escripturas?

33 E na mesma hora, levantando-se, tornaram para Jerusalem, e acharam

congregados os onze, e os que estavam com elles,

34 Que diziam: Resuscitou verdadeiramente o Senhor, [27] e _já_ appareceu

a Simão.

35 E elles lhes contaram o que lhes acontecera no caminho, e como d’elles

foi conhecido no partir do pão.

_Apparição de Jesus entre os doze._

João 20.19, etc. e refs.

36 E, [28] fallando elles d’estas _coisas_, o mesmo Jesus se apresentou

no meio d’elles, e disse-lhes: Paz _seja_ comvosco.

37 E elles, espantados e atemorisados, pensavam que viam [29] algum

espirito.

38 E elle lhes disse: Porque estaes perturbados, e porque sobem _taes_

pensamentos aos vossos corações?

39 Vêde as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo: [30] apalpae-me e

vêde; pois um espirito não tem carne nem ossos, como vêdes que eu tenho.

40 E, dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés.

41 E, não o crendo elles ainda [31] por causa da alegria, e maravilhados,

disse-lhes: [32] Tendes aqui alguma coisa que comer?

42 Então elles apresentaram-lhe parte de um peixe assado, e um favo de

mel.

43 O [33] que elle tomou, e comeu diante d’elles.

44 E disse-lhes: [34] _São_ estas as palavras que vos disse estando ainda

comvosco: Que convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escripto

na lei de Moysés, e _nos_ prophetas, e _nos_ psalmos.

45 Então [35] abriu-lhes o entendimento para comprehenderem as

Escripturas.

46 E disse-lhes: [36] Assim está escripto, e assim convinha que o Christo

padecesse, e ao terceiro dia resuscitasse dos mortos;

47 E em seu nome se prégasse o arrependimento [37] e a remissão dos

peccados, em todas as nações, começando por Jerusalem.

48 E d’estas _coisas_ [38] sois vós testemunhas.

49 E [39] eis que sobre vós envio a promessa de meu Pae: ficae, porém,

vós na cidade de Jerusalem, até que do alto sejaes revestidos de poder.

_A ascenção._

A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento · 第 34 / 44 章