buscava como o entregaria a tempo opportuno.
_A ultima paschoa: a sancta ceia._
Mat. 26.17-30.
12 E, no primeiro[5] dia dos _pães_ asmos, quando sacrificavam a paschoa,
disseram-lhe os discipulos: Aonde queres que vamos preparar-te _o
necessario_ para comer a paschoa?
13 E enviou dois dos seus discipulos, e disse-lhes: Ide á cidade, e um
homem, que leva um cantaro d’agua, vos encontrará; segui-o;
14 E, onde quer que entrar, dizei ao senhor da casa: O Mestre diz: Onde
está o aposento em que hei de comer a paschoa com os meus discipulos?
15 E elle vos mostrará um grande cenaculo mobilado _e_ preparado; ali a
preparae.
16 E, saindo os seus discipulos, foram á cidade, e acharam como lhes
tinha dito, e prepararam a paschoa.
17 E, chegada [6] a tarde, foi com os doze,
18 E, quando estavam assentados _á mesa_, e comendo, disse Jesus: Em
verdade vos digo que um de vos, que comigo come, ha de trahir-me.
19 E elles começaram a entristecer-se e a dizer-lhe um após outro:
_Porventura_ sou eu, Senhor? e outro: _Porventura_ sou eu, Senhor?
20 Porém elle, respondendo, disse-lhes: É um dos doze que mette comigo a
mão no prato.
21 Na verdade o Filho [7] do homem vae, como d’elle está escripto, mas
ai d’aquelle homem por quem o Filho do homem é trahido! bom seria ao tal
homem não haver nascido.
22 E, comendo elles, tomou [8] Jesus pão, e, abençoando-o, o partiu e
deu-lh’_o_, e disse: Tomae, comei, isto é o meu corpo.
23 E, tomando o calix, e dando graças, deu-lh’_o_; e todos beberam d’elle.
24 E disse-lhes: Isto é o meu sangue, o _sangue_ do Novo Testamento, que
por muitos é derramado.
25 Em verdade vos digo que não beberei mais do fructo da vide, até
áquelle dia em que o beber novo no reino de Deus.
26 E, tendo cantado o [9] hymno, sairam para o monte das Oliveiras.
_Pedro é avisado._
Mat. 26.31-35 e refs.
27 E disse-lhes Jesus: Todos vós esta noite vos escandalizareis em mim;
porque escripto [10] está: Ferirei o pastor, e as ovelhas se dispersarão.
28 Mas, depois que eu [11] houver resuscitado, irei adiante de vós para a
Galilea.
29 E disse-lhe [12] Pedro: Ainda que todos se escandalizem, nunca, porém,
eu.
30 E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje, n’esta noite, antes
que o gallo cante duas vezes, tres vezes me negarás.
31 Mas elle dizia cada vez mais: Ainda que me seja necessario morrer
comtigo, de modo nenhum te negarei. E da mesma maneira diziam todos
tambem.
_Jesus em Gethsemane._
Mat. 26.36-46 e refs.
32 E foram a um logar chamado [13] Gethsemane, e disse aos seus
discipulos: Assentae-vos aqui, até que ore.
33 E tomou comsigo a Pedro, e a Thiago, e a João, e começou a ter pavor,
e a angustiar-se.
34 E disse-lhes: [14] A minha alma está profundamente triste até á morte:
ficae aqui, e vigiae.
35 E, tendo ido um pouco mais adiante, prostrou-se em terra; e orou para
que, se fosse possivel, passasse d’elle aquella hora.
36 E disse: [15] Abba, Pae, todas _as coisas_ te _são_ possiveis; affasta
de mim este calix; porém não o que eu quero, mas o que tu _queres_.
37 E, chegando, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Simão, dormes? não
podes vigiar uma hora?
38 Vigiae e orae, para que não entreis em tentação; o [16] espirito, na
verdade, _está_ prompto, mas a carne _é_ fraca.
39 E, tornando a ir, orou, dizendo as mesmas palavras.
40 E, tornando, achou-os outra vez dormindo, porque os seus olhos estavam
carregados, e não sabiam que responder-lhe.
41 E voltou terceira vez, e disse-lhes: Dormi agora, e descançae. Basta;
é chegada a hora. [17] Eis que o Filho do homem vae ser entregue nas mãos
dos peccadores.
42 Levantae-vos, [18] vamos; eis que está perto o que me trahe.
_Jesus é preso._
Mat. 26.47-56.
43 E logo, [19] fallando elle ainda, veiu Judas, que era um dos doze, da
parte dos principaes dos sacerdotes, e dos escribas e dos anciãos, e com
elle _uma_ grande multidão com espadas e varapaus.
44 Ora, o que o trahia, tinha-lhes dado _um_ signal, dizendo: Aquelle que
eu beijar, esse é; prendei-o, e levae-_o_ com segurança.
45 E, logo que chegou, approximou-se d’elle, e disse-lhe: Rabbi, Rabbi. E
beijou-o.
46 E lançaram-lhe as mãos, e o prenderam.
47 E um dos que ali estavam presentes, puxando da espada, feriu o servo
do summo sacerdote, e cortou-lhe a orelha.
48 E, respondendo [20] Jesus, disse-lhes: Saistes com espadas e varapaus
a prender-me, como a um salteador?
49 Todos os dias estava comvosco ensinando no templo, e não me
prendestes; mas _assim se faz_ para [21] que as Escripturas se cumpram.
50 Então, deixando-o, todos [22] fugiram.
51 E _um_ certo mancebo o seguia, envolto em um lençol sobre o _corpo_
nú. E os mancebos o prenderam;
52 E elle, largando o lençol, fugiu nú d’entre elles.
_Jesus perante o synhedrio._
Mat. 26.57-68.
53 E levaram Jesus [23] ao summo sacerdote, e ajuntaram-se a elle todos
os principaes dos sacerdotes, e os anciãos e os escribas.
54 E Pedro o seguiu de longe até dentro do pateo do summo sacerdote, e
estava assentado com os [AGT] servidores, e aquentando-se ao lume.
55 E os principaes [24] dos sacerdotes e todo o concilio buscavam _algum_
testemunho contra Jesus, para o matar, e não o achavam.
56 Porque muitos testificavam falsamente contra elle, mas os testemunhos
não eram conformes.
57 E, levantando-se alguns, testificavam falsamente contra elle, dizendo:
58 Nós ouvimos-lhe dizer: Eu derribarei [25] este templo, construido
pelas mãos, e em tres dias edificarei outro, não feito por mãos.
59 E nem assim o seu testemunho era conforme.
60 E, levantando-se [26] o summo sacerdote no meio, perguntou a Jesus,
dizendo: Nada respondes? Que testificam estes contra ti?
61 Mas elle calou-se, e nada respondeu. [27] O summo sacerdote lhe tornou
a perguntar, e disse-lhe: És tu o Christo, Filho do _Deus_ Bemdito?
62 E Jesus disse-lhe: Eu o sou, e vereis [28] o Filho do homem assentado
á direita do poder _de Deus_, e vindo sobre as nuvens do céu.
63 E o summo sacerdote, rasgando os seus vestidos, disse: Para que
necessitamos de mais testemunhas?
64 Vós ouvistes a blasphemia; que vos parece? E todos o condemnaram como
culpado de morte.
65 E alguns começaram a cuspir n’elle, e a cobrir-lhe o rosto, e a
dar-lhe punhadas, e a dizer-lhe: Prophetiza. E os servidores davam-lhe
bofetadas.
_Pedro nega a Jesus._
Mat. 26.69-75 e refs.
66 E, estando [29] Pedro em baixo, no atrio, chegou uma das creadas do
summo sacerdote;
67 E, vendo a Pedro, que se estava aquentando, olhou para elle, e disse:
Tu tambem estavas com Jesus Nazareno.
68 Mas elle negou-o, dizendo: Não o conheço, nem sei o que dizes. E saiu
fóra ao alpendre, e o gallo cantou.
69 E a creada, vendo-o outra [30] vez, começou a dizer aos que ali
estavam: Este é um dos taes.
70 Mas elle o negou outra vez. [31] E pouco depois os que ali estavam
disseram outra vez a Pedro: Verdadeiramente tu és um d’elles, porque és
tambem galileo, e a tua falla [32] é similhante.
71 E elle começou a imprecar, e a jurar, _dizendo_: Não conheço esse
homem de quem fallaes,
72 E [33] o gallo cantou segunda vez. E Pedro lembrou-se da palavra que
Jesus lhe tinha dito: Antes que o gallo cante duas vezes, tres vezes me
negarás tu. E, retirando-se d’ali, chorou.
[1] Luc. 22.1. João 11.55 e 13.1.
[2] João 12.1, 3. Luc. 7.37.
[3] Deu. 15.11.
[4] Luc. 22.3, 4.
[5] Luc. 22.7.
[6] Mat. 26.20, etc.
[7] Mat. 26.24. Luc. 22.22.
[8] Mat. 26.26. Luc. 22.19. I Cor. 11.23.
[9] Mat. 26.30.
[10] Zac. 13.7.
[11] cap. 16.7.
[12] Mat. 26.33, 34. Luc. 22.33, 34. João 13.37, 38.
[13] Luc. 22.39. João 18.1.
[14] João 12.27.
[15] Rom. 8.15. Gal. 4.6. Heb. 5.7. João 5.30 e 6.38.
[16] Rom. 7.19. Gal. 5.17.
[17] João 13.1.
[18] Mat. 26.46. João 18.1, 2.
[19] Luc. 22.17. João 18.3.
[20] Mat. 26.55. Luc. 22.52.
[21] Psa. 22.6. Isa. 63.7, etc. Luc. 22.37 e 24.44.
[22] Psa. 88.8. ver. 27.
[23] Luc. 22.54. João 18.13.
[24] Mat. 26.69.
[25] cap. 15.29. João 2.19.
[26] Mat. 26.62.
[27] Isa. 53.7. Mat. 26.63.
[28] Mat. 24.30 e 26.64. Luc. 22.69.
[29] Luc. 22.65. João 18.16.
[30] Mat. 26.71. Luc. 22.58. João 18.25.
[31] Mat. 26.73. Luc. 22.59. João 18.26.
[32] Act. 2.7.
[33] Mat. 26.75.
_Jesus perante Pilatos._
Mat. 27.1, 2; 11-31 e refs.
15 E logo ao [1] amanhecer os principaes dos sacerdotes, com os anciãos,
e os escribas, e todo o concilio, tiveram conselho; e, amarrando a Jesus,
_o_ levaram e entregaram a Pilatos.
2 E Pilatos [2] lhe perguntou: Tu és o Rei dos Judeos? E elle,
respondendo, disse-lhe: Tu _o_ dizes.
3 E os principaes dos sacerdotes o accusavam de muitas _coisas_; porém
elle nada respondia.
4 E Pilatos [3] o interrogou outra vez, dizendo: Nada respondes? Vê
quantas _coisas_ testificam contra ti.
5 Mas Jesus [4] nada mais respondeu, de maneira que Pilatos se
maravilhava.
6 Ora no _dia_ da festa [5] costumava soltar-lhes um preso qualquer que
elles pedissem.
7 E havia um chamado Barabbás, que, preso com outros amotinadores, tinha
n’um motim commettido uma morte.
8 E a multidão, dando gritos, começou a pedir _que fizesse_ como sempre
lhes tinha feito.
9 E Pilatos lhes respondeu, dizendo: Quereis que vos solte o Rei dos
Judeos?
10 Porque elle bem sabia que por inveja os principaes dos sacerdotes o
tinham entregado.
11 Mas os principaes dos [6] sacerdotes incitaram a multidão para que
lhes soltasse antes Barabbás.
12 E Pilatos, respondendo, lhes disse outra vez: Que quereis pois que
faça _d’aquelle_ a quem chamaes Rei dos Judeos?
13 E elles tornaram a clamar: Crucifica-o.
14 Mas Pilatos lhes disse: Pois que mal fez? E elles cada vez clamavam
mais: Crucifica-o.
15 Porém [7] Pilatos, querendo satisfazer a multidão, soltou-lhes
Barabbás, e, açoitado Jesus, o entregou para que fosse crucificado.
16 E [8] os soldados o levaram dentro á sala, que é [AGU] a da audiência,
e convocaram toda a cohorte;
17 E vestiram-n’o de purpura, e, tecendo uma corôa de espinhos, lh’a
pozeram _na cabeça_.
18 E começaram a saudal-o, _dizendo_: Salve, Rei dos Judeos!
19 E feriram-n’o na cabeça com uma canna, e cuspiram n’elle, e, postos de
joelhos, o adoraram.
20 E, havendo-o escarnecido, despiram-lhe a purpura, e o vestiram com os
seus proprios vestidos, e o levaram fóra para o crucificar.
_A crucifixão._
Mat. 27.32-56 e refs.
21 E constrangeram um _certo_ [9] Simão Cyreneo, pae de Alexandre e de
Rufo, que _por ali_ passava, vindo do campo, a que levasse a cruz.
22 E levaram-n’o ao [10] logar do Golgotha, que é, traduzido, logar da
Caveira.
23 E deram-lhe a [11] beber vinho com myrrha, mas elle não o tomou.
24 E, havendo-o crucificado, repartiram os seus vestidos, [12] lançando
sobre elles sortes, _para saber_ o que cada um levaria.
25 E era a hora terceira, [13] e o crucificaram.
26 E por cima _d’elle_ estava [14] escripta a sua accusação: O REI DOS
JUDEOS.
27 E crucificaram [15] com elle dois salteadores, um á sua direita, e
outro á esquerda.
28 E cumpriu-se [16] a escriptura que diz: E com os malfeitores foi
contado.
29 E os que passavam blasphemavam d’elle, [17] meneando as suas cabeças,
e dizendo: [18] Ah! tu que derribas o templo, e em tres dias o edificas,
30 Salva-te a ti mesmo, e desce da cruz.
31 E da mesma maneira tambem os principaes dos sacerdotes, com os
escribas, diziam uns para os outros, zombando: Salvou os outros, e não
pode salvar-se a si mesmo;
32 O Christo, o Rei d’Israel, desça agora da cruz, para que o vejamos
e acreditemos. Tambem os que com elle estavam crucificados [19] o
injuriavam.
33 E, chegada a hora sexta, [20] foram feitas trevas sobre toda a terra
até á hora nona.
34 E, á hora nona, Jesus exclamou com grande voz, [21] dizendo: Eloi,
Eloi, lama sabachthani? que, traduzido, é: Deus meu, Deus meu, porque me
desamparaste?
35 E alguns dos que ali estavam, ouvindo _isto_, diziam: Eis que chama
por Elias.
36 E um d’elles correu [22] a encher uma esponja de vinagre, e, pondo-_a_
n’uma canna, deu-lh’o a beber, dizendo: Deixae, vejamos se virá Elias
tiral-o.
37 E Jesus, [23] dando um grande brado, expirou.
38 E o véu [24] do templo se rasgou em dois, d’alto a baixo.
39 E o centurião, [25] que estava defronte d’elle, vendo que assim
clamando expirára, disse: Verdadeiramente este homem era o Filho de Deus.
40 E tambem ali estavam _algumas_ mulheres, [26] olhando de longe, entre
as quaes estavam tambem Maria Magdalena, e Maria, mãe de Thiago, o menor,
e de José, e Salomé;
41 As quaes tambem o seguiam, [27] e o serviam, quando estava na Galilea;
e muitas outras, que tinham subido com elle a Jerusalem.
_A sepultura de Jesus._
Mat. 27.57-66 e refs.
42 E, [28] chegada a tarde, porquanto era _o dia da_ preparação, isto é,
a vespera do sabbado,
43 Chegou José d’Arimathea, senador honrado, que tambem [29] esperava o
reino de Deus, e ousadamente foi a Pilatos, e pediu o corpo de Jesus.
44 E Pilatos se maravilhou de que já estivesse morto. E, chamando o
centurião, perguntou-lhe se já havia muito que tinha morrido.
45 E, tendo-se certificado pelo centurião, deu o corpo a José,
46 O qual comprou [30] um lençol fino, e, tirando-o _da cruz_, o envolveu
no lençol, e o depositou n’um sepulchro lavrado n’_uma_ rocha; e revolveu
uma pedra para a porta do sepulchro.
47 E Maria Magdalena e Maria _mãe_ de José olhavam onde o punham.
[1] Psa. 2.2. Luc. 22.66 e 23.1. João 18.28. Act. 3.13 e 4.26.
[2] Mat. 27.11.
[3] Mat. 27.13.
[4] Isa. 63.7. João 19.9.
[5] Mat. 27.15. Luc. 23.17. João 18.39.
[6] Mat. 27.20. Act. 3.14.
[7] Mat. 27.26. João 19.1, 16.
[8] Mat. 27.27.
[9] Luc. 23.25.
[10] Mat. 27.33. Luc. 23.33. João 19.17.
[11] Mat. 27.34.
[12] Psa. 22.18. Luc. 23.34. João 19.23.
[13] Mat. 27.45. Luc. 23.34. João 19.23.
[14] Mat. 27.37. João 19.19.
[15] Mat. 27.38.
[16] Isa. 53.12. Luc. 22.37.
[17] Psa. 22.7.
[18] cap. 14.58. João 2.19.
[19] Mat. 27.44. Luc. 23.39.
[20] Mat. 27.45. Luc. 23.44.
[21] Psa. 22.1. Mat. 27.46.
[22] Mat. 27.48. João 19.29. Psa. 69.21.
[23] Mat. 27.50. Luc. 23.46. João 19.30.
[24] Mat. 27.51. Luc. 23.45.
[25] Mat. 27.54. Luc. 23.47.
[26] Mat. 27.55. Luc. 23.49. Psa. 38.11.
[27] Luc. 8.2, 3.
[28] Luc. 23.50. João 19.38.
[29] Luc. 2.25, 38. Mat. 27.59, 60.
[30] Luc. 23.53. João 19.40.
_A resurreição._
Mat. 28.1-10 e refs.
16 E, passado [1] o sabbado, Maria Magdalena, e Maria, _mãe_ de Thiago, e
Salomé, compraram aromas para irem ungil-o.
2 E, no primeiro dia [2] da semana, foram ao sepulchro, de manhã cedo, ao
nascer do sol;
3 E diziam umas ás outras: Quem nos revolverá a pedra da porta do
sepulchro?
4 E, olhando, viram que _já_ a pedra estava revolvida; porque era muito
grande.
5 E, entrando [3] no sepulchro, viram um mancebo assentado á direita,
vestido de _uma_ roupa comprida, branca; e ficaram espantadas.
6 Porém elle disse-lhes: [4] Não vos assusteis; buscaes a Jesus Nazareno,
que foi crucificado; _já_ resuscitou, não está aqui; eis aqui o logar
onde o pozeram.
7 Porém ide, dizei a seus discipulos, e a Pedro, que elle vae adiante de
vós para a Galilea; [5] ali o vereis, como elle vos disse.
8 E, saindo ellas apressadamente, fugiram do sepulchro, porque estavam
possuidas de temor e assombro; [6] e nada diziam a ninguem, porque temiam.
_Apparições de Jesus depois da sua resurreição._
9 E _Jesus_, tendo resuscitado na manhã do primeiro dia da semana, [7]
appareceu primeiramente a Maria Magdalena, da qual tinha expulsado sete
demonios.
10 _E_, [8] partindo ella, annunciou-o áquelles que tinham estado com
elle, os quaes estavam tristes, e chorando.
11 E, ouvindo elles [9] que vivia, e que tinha sido visto por ella, não o
creram.
12 E depois manifestou-se n’outra fórma [10] a dois d’elles, que iam de
caminho para o campo.
13 E, indo estes, annunciaram-n’o aos outros, mas nem ainda estes creram.
14 Finalmente [11] appareceu aos onze, estando elles assentados
juntamente, e lançou-lhes em rosto a sua incredulidade e dureza de
coração, por não haverem crido nos que o tinham visto já resuscitado.
15 E disse-lhes: [12] Ide por todo o mundo, prégae o evangelho a toda a
creatura:
16 Quem [13] crêr e fôr baptizado será salvo; mas quem não crêr será
condemnado.
17 E estes signaes seguirão aos que crêrem: [14] Em meu nome expulsarão
os demonios; fallarão novas linguas:
18 Pegarão nas [15] serpentes; e, se beberem alguma coisa mortifera, não
lhes fará damno algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os sararão.
19 Ora o Senhor, [16] depois de lhes ter fallado, foi recebido acima no
céu, e assentou-se á direita de Deus.
20 E elles, tendo partido, prégaram por todas as partes, cooperando com
_elles_ o Senhor, [17] e confirmando a palavra com os signaes que se
seguiram. Amen.
[1] Luc. 24.1 e 23.56. João 20.1.
[2] Luc. 24.1. João 20.1.
[3] Luc. 24.3. João 20.11, 12.
[4] Mat. 28.5, 6, 7.
[5] Mat. 26.32. cap. 14.28.
[6] Mat. 28.8. Luc. 24.9.
[7] João 20.14. Luc. 8.2.
[8] Luc. 24.10. João 20.18.
[9] Luc. 24.11.
[10] Luc. 24.13.
[11] Luc. 24.36. João 20.19. I Cor. 15.5.
[12] Mat. 28.19. João 15.16. Col. 1.23.
[13] João 3.18 e 12.48. Act. 2.38 e 16.30. Rom. 10.9. I Ped. 3.21.
[14] Luc. 10.17. Act. 5.16 e 8.7 e 16.18 e 19, 12 e 2.4 e 10.46 e 19.6. I
Cor. 12.10, 28.
[15] Luc. 10.19. Act. 28.5, 28 e 5.15, 16 e 9.17. Thi. 5.14.
[16] Act. 1.2, 3 e 7.55. Luc. 24.51.
[17] Act. 5.12 e 14.3. I Cor. 2.4, 5. Heb. 2.4.
O SANCTO EVANGELHO SEGUNDO S. LUCAS.
_Prefacio_
[6 Annos antes do Anno Domini]
1 Tendo pois muitos emprehendido pôr em ordem a narração das coisas que
entre nós se cumpriram,
2 Segundo nos transmittiram [1] os mesmos que as viram desde o principio,
e foram ministros da palavra,
3 Pareceu-me [2] tambem a mim conveniente escrevel-as a ti, ó excellente
Theophilo, por sua ordem, havendo-me já informado minuciosamente de tudo
desde o principio;
4 Para que conheças [3] a certeza das coisas de que _já_ estás informado.
_Annuncio do nascimento de João._
5 Existiu, no tempo [4] de Herodes, rei da Judéa, um sacerdote chamado
Zacharias, da ordem de Abias, e cuja mulher era das filhas d’Aarão; e o
seu nome _era_ [AGV] Isabel.
6 E eram ambos [5] justos perante Deus, andando sem reprehensão em todos
os mandamentos e preceitos do Senhor.
7 E não tinham filhos, porquanto Isabel era esteril, e ambos eram
avançados em edade.
8 E aconteceu que, exercendo elle o sacerdocio [6] diante de Deus, na
ordem da sua turma,
9 Segundo o costume sacerdotal, coube-lhe em sorte entrar no templo do
Senhor [7] a offerecer o incenso.
10 E toda a multidão do povo estava fóra, orando á hora do incenso,
11 E um anjo do Senhor lhe appareceu, posto em pé, á direita do [8] altar
do incenso.
12 E Zacharias, vendo-_o_, [9] turbou-se, e caiu temor sobre elle.
13 Mas o anjo lhe disse: Zacharias, não temas, porque a tua oração foi
ouvida, e Isabel, tua mulher, dará á luz um filho, e lhe porás o [10]
nome de João;
14 E terás prazer e alegria, [11] e muitos se alegrarão no seu nascimento;
15 Porque será grande diante do Senhor, e não [12] beberá vinho, nem
[AGW] bebida forte, e será cheio do Espirito Sancto, até desde o ventre
de sua mãe;
16 E converterá muitos [13] dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus;
17 E irá adiante d’elle no espirito e virtude d’Elias, para converter os
corações dos paes aos filhos, e os rebeldes á prudencia dos justos; para
preparar ao Senhor um povo _bem_ disposto.
18 Disse então Zacharias ao anjo: [14] Como conhecerei isto? pois eu _já_
sou velho, e minha mulher avançada em edade.
19 E, respondendo o anjo, disse-lhe: Eu sou [15] Gabriel, que assisto
diante de Deus, e fui enviado a fallar-te e dar-te estas alegres novas;
20 E eis que ficarás mudo, e não [16] poderás fallar até ao dia em que
estas _coisas_ aconteçam; porquanto não crêste nas minhas palavras, que a
seu tempo se hão de cumprir.
21 E o povo estava esperando a Zacharias, e maravilhavam-se de que tanto
se demorasse no templo.
22 E, saindo elle, não lhes podia fallar; e entenderam que tinha visto
_alguma_ visão no templo. E fallava por acenos, e ficou mudo.
23 E succedeu que, terminados [17] os dias do seu ministerio, voltou para
sua casa.
24 E depois d’aquelles dias Isabel, sua mulher, concebeu, e por cinco
mezes se occultou, dizendo:
25 Porque isto me fez o Senhor, nos dias em que attentou _em mim_, para
destruir o meu [18] opprobrio entre os homens.
_Annuncio do nascimento de Jesus._
26 E, no sexto mez, foi o anjo Gabriel enviado por Deus a uma cidade da
Galilea, chamada Nazareth,
27 A uma virgem [19] desposada com um varão, cujo nome era José, da casa
de David; e o nome da virgem _era_ Maria.
28 E, entrando o anjo aonde ella estava, disse: [20] [AGX] Salve,
agraciada; o Senhor _é_ comtigo: bemdita tu entre as mulheres.
29 E, vendo-_o_ ella, [21] turbou-se muito das suas palavras, e
considerava que saudação seria esta.
30 Disse-lhe então o anjo: Maria, não temas, porque achaste graça diante
de Deus;
31 E eis que em teu ventre conceberás, [22] e darás á luz um filho, e
pôr-lhe-has o nome de Jesus.
32 Este será grande, [23] e será chamado filho do Altissimo; e o Senhor
Deus lhe dará o throno de David, seu pae;
33 E reinará eternamente na casa de Jacob, e o [24] seu reino não terá
fim.
34 E disse Maria ao anjo: Como se fará isto? pois não conheço varão.
35 E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espirito Sancto,
e a virtude do Altissimo te cobrirá com a sua sombra; pelo que tambem o
Sancto, [25] que de ti ha de nascer, será chamado Filho de Deus.
36 E eis que tambem Isabel, tua prima, concebeu um filho em sua velhice;
e é este o sexto mez para aquella que era chamada esteril;
37 Porque para [26] Deus nada será impossivel.
38 Disse então Maria: Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim
segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se d’ella.
_Maria visita Isabel._
39 E n’aquelles dias, levantando-se Maria, foi apressada ás [27]
montanhas, a uma cidade de Juda,
40 E entrou em casa de Zacharias, e saudou a Isabel.
41 E aconteceu que, ao ouvir Isabel a saudação de Maria, a creancinha
saltou no seu ventre; e Isabel foi cheia do Espirito Sancto,
42 E exclamou com grande voz, e disse: Bemdita [28] tu entre as mulheres,
e bemdito o fructo do teu ventre.
43 E d’onde me _provém_ isto a mim, que a mãe do meu Senhor venha a mim?
44 Pois eis que, ao chegar aos meus ouvidos a voz da tua saudação, a
creancinha saltou de alegria no meu ventre;
45 E bemaventurada a que creu, pois hão de cumprir-se as _coisas_ que da
parte do Senhor lhe foram ditas.
_O cantico de Maria._
46 Disse então Maria: [29] A minha alma engrandece ao Senhor,
47 E o meu espirito se alegra em Deus meu Salvador;
48 Porque attentou [30] na baixeza de sua serva; pois eis que desde agora
todas as gerações me chamarão bemaventurada:
49 Porque me fez grandes coisas o [31] Poderoso; e sancto _é_ o seu nome.
50 E a sua misericordia [32] _é_ de geração em geração sobre os que o
temem.
51 Com o seu braço obrou valorosamente: [33] dissipou os soberbos no
pensamento de seus corações.
52 Depoz dos thronos [34] os poderosos, e elevou os humildes.
53 Encheu de bens [35] os famintos, e despediu vasios os ricos.
54 Auxiliou a Israel seu [36] servo, recordando-se da _sua_ misericordia;
55 Como fallou a nossos paes, a Abrahão [37] e á sua posteridade, para
sempre.
56 E Maria ficou com ella quasi tres mezes, e depois voltou para sua casa.
_O nascimento de João Baptista._
57 E completou-se para Isabel o tempo de dar á luz, e teve um filho.
58 E os seus visinhos e parentes ouviram que tinha Deus usado para com
ella de grande misericordia, [38] e alegraram-se com ella.
59 E aconteceu que, ao oitavo [39] dia, vieram circumcidar o menino, e
lhe chamavam Zacharias, do nome de seu pae.
60 E, respondendo sua mãe, disse: [40] Não, porém será chamado João.
61 E disseram-lhe: Ninguem ha na tua parentela que se chame por este nome.
62 E perguntaram por acenos ao pae como queria que lhe chamassem.
63 E, pedindo elle uma taboinha de escrever, escreveu, dizendo: [41] O
seu nome é João. E todos se maravilharam.
64 E logo a bocca se lhe abriu, [42] e a lingua se lhe _soltou_; e
fallava, louvando a Deus.
65 E veiu temor sobre todos os seus circumvisinhos, e em todas as [43]
montanhas da Judea foram divulgadas todas estas coisas.
66 E todos os que _as_ ouviam _as_ conservavam em seus corações, dizendo:
[44] Quem será pois este menino? E a mão do Senhor estava com elle.
_O cantico de Zacharias._
67 E Zacharias, seu pae, foi cheio do [45] Espirito Sancto, e
prophetizou, dizendo:
68 Bemdito [46] o Senhor Deus d’Israel, porque visitou e remiu o seu povo,
69 E nos levantou [AGY] uma salvação poderosa [47] na casa de David seu
servo,
70 Como fallou pela bocca dos [48] seus sanctos prophetas, desde o
principio do mundo;
71 _Que nos_ livraria dos nossos inimigos e da mão de todos os que nos
aborrecem;
72 Para manifestar [49] misericordia a nossos paes, e lembrar-se do seu
sancto concerto,
73 E do juramento [50] que jurou a Abrahão nosso pae,
74 De conceder-nos que, libertados da mão de nossos inimigos, [51] o
serviriamos sem temor,
75 Em [52] sanctidade e justiça perante elle, todos os dias da nossa vida.
76 E tu, ó menino, serás chamado propheta do Altissimo, porque has de ir
adiante [53] da face do Senhor, a preparar os seus caminhos;
77 Para dar ao seu povo conhecimento da salvação, [54] na remissão dos
seus peccados;
78 Pelas entranhas da misericordia do nosso Deus, com que o Oriente do
alto [55] nos visitou;
79 Para [56] alumiar aos que estão assentados em trevas e sombra de
morte; a fim de dirigir os nossos pés pelo caminho da paz.
80 E o [57] menino crescia, e se robustecia em espirito. E esteve nos
desertos até ao dia em que havia de mostrar-se a Israel.
[1] Heb. 2.3. I Ped. 5.1. II Ped. 1.16. I João 1.1. Mar. 1.1. João 15.27.
[2] Act. 15.19, 25, 28. I Cor. 7.40. Act. 11.4 e 1.1.
[3] João 20.31.
[4] Mat. 2.1. I Chr. 24.10, 19. Neh. 12.4, 17.
[5] Gen. 7.1 e 17.1. I Reis 9.4. II Reis 20.3. Job 1.1. Act. 23.1 e
24.16. Phi. 3.6.
[6] I Chr. 24.19. II Chr. 8.14 e 31.2.
[7] Exo. 30.7, 8. I Sam. 2.28. I Chr. 23.13. II Chr. 29.11. Lev. 16.17.
Apo. 8.3, 4.
[8] Exo. 30.1.
[9] ver. 20. Jui. 6.22 e 13.22. Dan. 10.8. cap. 2.9. Act. 10.4. Apo. 1.17.
[10] ver. 60, 63.
[11] ver. 58.
[12] Num. 6.3. Jui. 13.4. cap. 7.33. Jer. 1.5. Gal. 1.15.
[13] Mal. 4.5, 6 e 4.5. Mat. 11.14. Mar. 9.11.
[14] Gen. 17.17.
[15] Dan. 8.16 e 9.21, 22, 23. Mat. 18.10. Heb. 1.14.
[16] Eze. 3.26 e 24.27.
[17] II Reis 11.5. I Chr. 9.25.
[18] Gen. 30.23. Isa. 4.1 e 54.1, 4.
[19] Mat. 1.18. cap. 2.4, 5.
[20] Dan. 9.23 e 10.19. Jui. 6.12.
[21] ver. 12.
[22] Isa. 7.14. Mat. 1.21.
[23] Mar. 5.7. II Sam. 7.11. Psa. 132.11. Isa. 9.6 e 16.5. Jer. 23.5.
Apo. 3.7.
[24] Dan. 2.44 e 7.14, 27. Abd. 21. Miq. 4.7. João 12.34. Heb. 1.8.
[25] Mat. 1.20 e 14.33 e 26.63. Mar. 1.1. João 1.34 e 20.31. Act. 8.37.
Rom. 1.4.
[26] Gen. 18.14. Jer. 32.17. Zac. 8.6. Mat. 19.26. Mar. 10.27. cap.
18.27. Rom. 4.21.
[27] Jos. 21.9, 10, 11.
[28] ver. 28. Jui. 5.24.
[29] I Sam. 2.1. Psa. 34.2, 3 e 35.9. Hab. 3.18.
[30] I Sam. 1.11. Psa. 138.6. Mal. 3.12. cap. 11.27.
[31] Psa. 71.19 e 126.2, 3 e 111.9.
[32] Gen. 17.7. Exo. 20.6. Psa. 103.17.
[33] Psa. 98.1 e 118.15 e 33.10. Isa. 40.10 e 51.9 e 52.10. I Ped. 5.5.
[34] I Sam. 2.6. Job 5.11. Psa. 113.6.
[35] I Sam. 2.5. Psa. 34.10.
[36] Psa. 98.3. Jer. 31.3, 20.
[37] Gen. 17.19. Psa. 132.11. Rom. 11.28. Gal. 3.16.
[38] ver. 14.
[39] Gen. 17.12. Lev. 12.3.
[40] ver. 13.
[41] ver. 13.
[42] ver. 20.
[43] ver. 39.
[44] cap. 2.19. Gen. 39.2. Psa. 80.17.
[45] Joel 2.28.
[46] I Reis 1.48. Psa. 41.13 e 111.9. Exo. 3.16.
[47] Psa. 132.17.
[48] Jer. 23.5. Dan. 9.24. Act. 3.21. Rom. 1.2.
[49] Lev. 26.42. Psa. 98.3 e 106.45. Eze. 16.60.
[50] Gen. 12.3 e 17.4. Heb. 6.13, 17.
[51] Rom. 6.18. Heb. 9.14.
[52] Jer. 32.39. Eph. 4.24. II The. 2.13. II Tim. 1.9. Tito 2.12. I Ped.
1.15. II Ped. 1.4.
[53] Isa. 40.3. Mal. 3.1 e 4.5. Mat. 11.10. ver. 17.
[54] Mar. 1.4. cap. 3.3.
[55] Isa. 11.1. Mal. 4.2.
[56] Isa. 9.2 e 42.7 e 49.9. Mat. 4.16. Act. 26.18.
[57] cap. 2.40. Mat. 3.1 e 11.7.
_O nascimento de Jesus._
[Antes do Anno Domini 5]
2 E aconteceu n’aquelles dias que saiu um decreto da parte de Cesar
Augusto, para que todo o mundo se alistasse
2 (Este primeiro [1] alistamento foi feito sendo Cyrenio [AGZ] presidente
da Syria),
3 E todos iam alistar-se, cada um á sua propria cidade.
4 E subiu tambem José da Galilea, da cidade [2] de Nazareth, á Judea,
á cidade de David, chamada Bethlehem (porque era da casa e familia de
David),
5 Para alistar-se com Maria, [3] sua mulher, que estava gravida.
6 E aconteceu que, estando elles ali se cumpriram os dias em que havia de
dar á luz.
7 E deu á luz a [4] seu filho primogenito, e envolveu-o em pannos,
e deitou-o n’_uma_ mangedoura, porque não havia logar para elles na
estalagem.
_Os pastores de Bethlehem._
8 Ora havia n’aquella mesma comarca pastores que estavam no campo, e
guardavam durante as vigilias da noite o seu rebanho.
9 E eis que o anjo do Senhor veiu sobre elles, e a gloria do Senhor os
cercou de resplendor, [5] e tiveram grande temor.
10 E o anjo lhes disse: Não temaes, porque eis aqui vos dou novas de
grande alegria, [6] que será para todo o povo:
11 Que hoje, na cidade de David, vos [7] nasceu o Salvador, que é
Christo, o Senhor.
12 E isto vos _será por_ signal: Achareis o menino envolto em pannos, _e_
deitado n’uma mangedoura.
13 E, no mesmo instante, [8] appareceu com o anjo uma multidão dos
exercitos celestiaes, louvando a Deus, e dizendo:
14 Gloria a Deus nas [9] alturas, paz na terra, [10] boa vontade para os
homens.
15 E aconteceu que, ausentando-se d’elles os anjos para o céu, disseram
os pastores uns aos outros: Vamos pois até Bethlehem, e vejamos isso que
aconteceu, e que o Senhor nos notificou.
16 E foram apressadamente, e acharam Maria, e José, e o menino deitado na
mangedoura.
17 E, vendo-_o_, divulgaram a palavra que ácerca do menino lhes fôra dita;
18 E todos os que os ouviram se maravilharam do que os pastores lhes
diziam.
19 Mas [11] Maria guardava todas estas coisas, conferindo-_as_ em seu
coração.
20 E voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo o que
tinham ouvido e visto, como lhes havia sido dito.
_A circumcisão e apresentação de Jesus._
21 E, quando os oito dias [12] foram cumpridos, para circumcidar o
menino, foi-lhe dado o nome de Jesus, que pelo anjo lhe fôra posto antes
de ser concebido.
22 E, cumprindo-se os dias da purificação, [13] segundo a lei de Moysés,
o levaram a Jerusalem, para o apresentarem ao Senhor,
23 Segundo o que está escripto na lei do Senhor: Todo o [14] macho
primogenito será consagrado ao Senhor;
24 E para darem a offerta segundo o [15] disposto na lei do Senhor: um
par de rolas ou dois pombinhos.
_Simeão e Anna._
[Antes do Anno Domini 4]
25 E eis que havia em Jerusalem um homem cujo nome _era_ Simeão; e
este homem _era_ justo e temente a Deus, e esperava a [16] consolação
d’Israel; e o Espirito Sancto estava sobre elle.
26 E fôra-lhe divinamente revelado pelo Espirito Sancto [17] que elle não
morreria antes de ter visto o Christo do Senhor.
27 E pelo [18] Espirito foi ao templo, e, quando os paes introduziram o
menino Jesus, para com elle procederem segundo o uso da lei,
28 Elle então o tomou em seus braços, e louvou a Deus, e disse:
29 Agora, Senhor, [19] despedes em paz o teu servo, segundo a tua palavra.
30 Pois _já_ os meus [20] olhos viram a tua salvação,
31 A qual tu preparaste perante a face de todos os povos;
32 Luz [21] para alumiar as nações, e para gloria de teu povo Israel.
33 E José, e sua mãe, se maravilharam das coisas que d’elle se diziam,
34 E Simeão os abençoou, e disse a Maria, sua mãe: Eis que este é posto
para queda e elevação [22] de muitos em Israel, e para signal que será
contradicto;
35 E _uma_ espada [23] traspassará tambem a tua propria alma; para que se
manifestem os pensamentos de muitos corações.
36 E estava ali a prophetiza Anna, filha de Fanuel, da tribu de Aser.
Esta era _já_ avançada em edade, e tinha vivido com o marido sete annos,
desde a sua virgindade,
37 E era viuva, de quasi oitenta e quatro annos, e não se affastava do
templo, [24] servindo _a Deus_ em jejuns e orações, de noite e de dia.
38 E esta, sobrevindo na mesma hora, dava graças a Deus, e fallava d’elle
a todos os [25] que esperavam a redempção em Jerusalem.
_O menino Jesus no meio dos doutores._
39 E, quando acabaram de cumprir tudo segundo a lei do Senhor, voltaram á
Galilea, para a sua cidade de Nazareth.
40 E o menino [26] crescia, e se fortalecia em espirito, cheio de
sabedoria; e a graça de Deus estava sobre elle.
41 Ora, todos os annos iam [27] seus paes a Jerusalem, á festa da
paschoa;
42 E, tendo elle _já_ doze annos, subiram a Jerusalem, segundo o costume
do dia da festa.
43 E, regressando elles, terminados aquelles dias, ficou o menino Jesus
em Jerusalem, e não _o_ souberam seus paes.
44 Pensando, porém, elles que viria de companhia pelo caminho, andaram
caminho de um dia, e buscavam-n’o entre os parentes e conhecidos;
45 E, como o não encontrassem, voltaram a Jerusalem em busca d’elle.
46 E aconteceu que, passados tres dias, o acharam no templo, assentado no
meio dos doutores, ouvindo-os, e interrogando-os.
47 E todos [28] os que o ouviam admiravam a sua intelligencia e respostas.
48 E elles, vendo-o, maravilharam-se, e disse-lhe sua mãe: Filho, porque
fizeste assim para comnosco? Eis que teu pae e eu anciosos te buscavamos.
49 E elle lhes disse: Porque é que me buscaveis? Não sabeis que me convem
[29] tratar dos negocios de meu Pae?
50 E elles não [30] comprehenderam as palavras que lhes dizia.
51 E desceu com elles, e foi para Nazareth, e era-lhes sujeito. E sua mãe
[31] guardava no seu coração todas estas coisas.
52 E crescia Jesus em [32] sabedoria, e em estatura, e em graça para com
Deus e os homens.
[1] Act. 5.37.
[2] I Sam. 16.1, 4. João 7.42. Mat. 1.16. cap. 1.27.
[3] Mat. 1.18. cap. 1.27.
[4] Mat. 1.25.
[5] cap. 1.12.
[6] Gen. 12.3. Mat. 28.19. Mar. 1.15. cap. 24.47. Col. 1.23.
[7] Isa. 9.6. Mat. 1.21 e 2.6 e 16.16. Act. 2.36. Phi. 2.11.
[8] Gen. 28.12. Psa. 103.20. Dan. 7.10. Heb. 1.14. Apo. 5.11.
[9] cap. 19.38. Eph. 1.6 e 2.17. Apo. 5.13. Isa. 57.19. Rom. 5.1. Col.
1.20.
[10] João 3.16. Eph. 2.4, 7. II The. 2.16. I João 4.9.
[11] Gen. 37.11. cap. 1.66. ver. 51.
[12] Gen. 17.12. Lev. 12.3. cap. 1.59 e 1.31. Mat. 1.21, 25.
[13] Lev. 12.2, 3, 4, 6.
[14] Exo. 13.2 e 22.29 e 34.19. Num. 3.13 e 8.17 e 18.15.
[15] Lev. 12.2, 6, 8.
[16] Isa. 40.1. Mar. 15.43. ver. 38.
[17] Psa. 88.48. Heb. 11.5.
[18] Mat. 4.1.
[19] Gen. 46.30. Phi. 1.23.
[20] Isa. 52.10. cap. 3.6.
[21] Isa. 9.2 e 42.6. Mat. 4.16. Act. 13.47 e 28.28.
[22] Isa. 8.14. Ose. 14.9. Mat. 21.41. Rom. 9.32. I Cor. 1.23. II Cor.
2.16. I Chr. 2.7. Act. 28.22.
[23] Psa. 42.10. João 19.25.
[24] Act. 26.7, 8. I Tim. 5.5.
[25] Mar. 15.43. ver. 25. cap. 24.21.
[26] ver. 52. cap. 1.80.
[27] Exo. 23.15 e 34.23. Deu. 16.1, 16.
[28] Mat. 7.28. Mar. 1.22. cap. 4.22, 32. João 7.15, 46.
[29] João 2.16.
[30] cap. 9.45 e 18.34.
[31] ver. 19. Dan. 7.28.
[32] I Sam. 2.26. ver. 40.
_A prégação de João Baptista._
Mat. 3.1-12.
[Anno Domini 26]
3 E no anno quinze do imperio de Tiberio Cesar, sendo Poncio Pilatos
presidente da Judea, Herodes tetrarcha da Galilea, e seu irmão Philippe
tetrarcha da Iturea e da provincia de Traconites, e Lysaneas tetrarcha da
Abylinia,
2 Sendo Annás [1] e Caiphás summos sacerdotes, veiu no deserto a palavra
de Deus a João, filho de Zacharias.
3 _E_ percorreu toda a terra ao redor do Jordão, [2] prégando o baptismo
de arrependimento, para o perdão dos peccados;
4 Segundo o que está escripto no livro das palavras [3] do propheta
Isaias, que diz: Voz do que clama no deserto: Preparae o caminho do
Senhor; endireitae as suas veredas.
5 Todo o valle se encherá, e todo o monte e outeiro se abaixará; e os
_caminhos_ tortos se endireitarão, e os caminhos escabrosos se aplanarão;
6 E toda [4] a carne verá a salvação de Deus.
7 Dizia pois João á multidão que sahia a ser baptizada por elle: [5] Raça
de viboras, quem vos ensinou a fugir da ira que está para vir?
8 Dae pois fructos dignos de arrependimento, e não comeceis a dizer em
vós mesmos: Temos Abrahão por pae; porque eu vos digo que até d’estas
pedras pode Deus suscitar filhos a Abrahão.
9 E tambem já está posto o machado á raiz das arvores; [6] toda a arvore,
pois, que não dá bom fructo, corta-se e lança-se no fogo.
10 E a multidão o interrogava, dizendo: [7] Que faremos pois?
11 E, respondendo elle, disse-lhes: Quem tiver [8] duas tunicas, reparta
com o que não tem, e quem tiver alimentos faça da mesma maneira.
12 E chegaram tambem [9] uns publicanos, para serem baptizados, e
disseram-lhe: Mestre, que devemos fazer?
13 E elle lhes disse: [10] Não peçaes mais do que o que vos está ordenado.
14 E uns soldados o interrogaram tambem, dizendo: E nós que faremos?
E elle lhes disse: [11] Não trateis mal, nem defraudeis alguem, e
contentae-vos com o vosso soldo.
15 E, estando o povo em expectação, e pensando todos de João, em seus
corações, se porventura seria o Christo,
16 Respondeu João a todos, dizendo: [12] Eu, na verdade, baptizo-vos com
agua, mas vem um mais poderoso do que eu, a quem eu não sou digno de
desatar a correia das alparcas; esse vos baptizará com o Espirito Sancto
e com fogo.
17 E a sua pá _está_ em sua mão; e limpará a sua eira, [13] e ajuntará o
trigo no seu celleiro, porém queimará a palha com fogo que nunca se apaga.
18 E assim, admoestando, muitas outras _coisas_ tambem annunciava ao povo.
19 Sendo, porém, o [14] tetrarcha Herodes reprehendido por elle por causa
de Herodias, mulher de seu irmão Philippe, e por todas as maldades que
Herodes tinha feito,
20 Accrescentou a todas as outras ainda esta, de encerrar João n’um
carcere.
_O baptismo de Jesus._
Mar. 3.13-17. João 1.32.
[Anno Domini 27]
21 E aconteceu que, como todo o povo fosse baptizado, e sendo baptizado
_tambem_ Jesus, e orando, abriu-se o céu,
22 E o Espirito Sancto desceu sobre elle em forma corporea, como _uma_
pomba; e ouviu-se uma voz do céu, que dizia: Tu és o meu filho amado, em
ti me tenho comprazido.
_Genealogia de Jesus._
23 E o mesmo Jesus começava a ser de quasi trinta [15] annos, sendo (como
se cuidava) filho de José, _e José_ de Heli,
24 _e Heli_ de Matthat, _e Matthat_ de Levi, _e Levi_ de Melchi, _e
Melchi_ de Joanna, _e Joanna_ de José,
25 _e José_ de Mattathias, _e Mattathias_ de Amós, _e Amós_ de Naum, _e
Naum_ de Essi, _e Essi_ de Naggai,
26 _e Naggai_ de Maath, _e Maath_ de Mattathias, _e Mattathias_ de Semei,
_e Semei_ de José, _e José_ de Juda,
27 _e Juda_ de Johanna, _e Johanna_ de Rhesa, _e Rhesa_ de Zorobabel, _e
Zorobabel_ de Salathiel, _e Salathiel_ de Neri,
28 _e Neri_ de Melchi, _e Melchi_ de Addi, _e Addi_ de Cozam, _e Cozam_
de Elmodam, _e Elmodam_ de Er,
29 _e Er_ de José, _e José_ de Eliezer, _e Eliezer_ de Jorim, _e Jorim_
de Matthat, _e Matthat_ de Levi,
30 _e Levi_ de Simeon, _e Simeon_ de Juda, _e Juda_ de José, _e José_ de
Jonan, _e Jonan_ de Eliakim,
31 _e Eliakim_ de Melea, _e Melea_ de Mainan, _e Mainan_ de Matthata, _e
Matthata_ de Nathan, [16] _e Nathan_ de David,
32 _e David_ de Jesse, _e Jesse_ de Obed, _e Obed_ de Booz, _e Booz_ de
Salmon, _e Salmon_ de Naasson,
33 _e Naasson_ de Aminadab, _e Aminadab_ de Arão, _e Arão_ de Esrom, _e
Esrom_ de Fares, _e Fares_ de Juda,
34 _e Juda_ de Jacob, _e Jacob_ de Isaac, _e Isaac_ de Abrahão, _e
Abrahão_ de Thare, [17] _e Thare_ de Nachor,
35 _e Nachor_ de Saruch, _e Saruch_ de Ragau, _e Ragau_ de Faleg, _e
Faleg_ de Heber, _e Heber_ de Sala,
36 _e Sala_ de Cainan, [18] _e Cainan_ de Arfaxad, _e Arfaxad_ de Sem,
[19] _e Sem_ de Noé, _e Noé_ de Lamech,
37 _e Lamech_ de Mathusala, _e Mathusala_ de Henoch, _e Henoch_ de Jared,
_e Jared_ de Maleleel, _e Maleleel_ de Cainan,
38 _e Cainan_ de Henos, _e Henos_ de Seth, _e Seth_ de Adão, [20] _e
Adão_ de Deus.
[1] João 11.49, 51 e 18.13. Act. 4.6.
[2] Mat. 3.1. Mar. 1.4. cap. 1.77.
[3] Isa. 40.3. Mat. 3.3. Mar. 1.3. João 1.23.
[4] Psa. 98.2. Isa. 52.10. cap. 2.11.
[5] Mat. 3.7.
[6] Mat. 7.19.
[7] Act. 2.37.
[8] cap. 11.41. II Cor. 8.14. Thi. 2.15. I João 3.17.
[9] Mat. 21.32. cap. 7.29.
[10] cap. 19.8.
[11] Exo. 23.1. Lev. 19.11.
[12] Mat. 3.11.
[13] Miq. 4.12. Mat. 13.30.
[14] Mat. 14.3. Mar. 6.17.
[15] Num. 4.3, 35, 39, 43, 47.
[16] Zac. 12.12. II Sam. 5.14. I Chr. 3.5. Ruth 4.18, etc. I Chr. 2.10,
etc.
[17] Gen. 11.24.
[18] Gen. 11.12.
[19] Gen. 5.6, etc. e 11.10, etc.
[20] Gen. 5.1, 2.
_A tentação de Jesus._
Mat. 1.4-11.
[Anno Domini 31]
4 E Jesus, cheio do Espirito Sancto, voltou do Jordão [1] e foi levado
pelo Espirito ao deserto;
2 E quarenta dias foi tentado pelo diabo, e n’aquelles dias [2] não comeu
coisa alguma; e, terminados elles, teve fome.
3 E disse-lhe o diabo: Se tu és o Filho de Deus, dize a esta pedra que se
transforme em pão.
4 E Jesus lhe respondeu, dizendo: Escripto está [3] que nem só de pão
viverá o homem, mas de toda a palavra de Deus.
5 E o diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe n’um momento de tempo
todos os reinos do mundo.
6 E disse-lhe o diabo: Dar-te-hei a ti todo este poder, e a sua gloria;
porque a mim me foi entregue, [4] e dou-o a quem quero;
7 Portanto, se tu me adorares, tudo será teu.
8 E Jesus, respondendo, disse-lhe: Vae-te, Satanaz; porque está escripto:
[5] Adorarás o Senhor teu Deus, e só a Elle servirás.
9 Levou-o tambem a Jerusalem, [6] e pôl-o sobre o pinaculo do templo, e
disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te d’aqui abaixo;
10 Porque está escripto: [7] Mandará aos seus anjos, ácerca de ti, que te
guardem,
11 E que te sustenham nas mãos, para que nunca tropeces com o teu pé em
alguma pedra.
12 E, Jesus, respondendo, [8] disse-lhe: Dito está: Não tentarás ao
Senhor teu Deus.
13 E, acabando o [9] diabo toda a tentação, ausentou-se d’elle por algum
tempo.
_Jesus é expulso de Nazareth._
14 Então, [10] pela virtude do Espirito, voltou Jesus para a Galilea,
[11] e a sua fama saiu por todas as terras em derredor.
15 E ensinava nas suas synagogas, e por todos era louvado.
16 E, chegando a Nazareth, [12] onde fôra criado, n’um dia de sabbado,
segundo o seu costume, entrou na synagoga, e levantou-se para lêr.
17 E foi-lhe dado o livro do propheta Isaias; e, quando abriu o livro,
achou o logar em que estava escripto:
18 O Espirito [13] do Senhor _está_ sobre mim, porquanto me ungiu para
evangelizar aos pobres, enviou-me a curar os quebrantados do coração,
19 A apregoar [AHA] liberdade aos captivos, e dar vista aos cegos; a pôr
em liberdade os opprimidos; a annunciar o anno acceitavel do Senhor.
20 E, cerrando o livro, e tornando-_o_ a dar ao ministro, assentou-se; e
os olhos de todos na synagoga estavam fitos n’elle.
21 Então começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu esta Escriptura em vossos
ouvidos.
22 E todos lhe davam testemunho, e se maravilhavam [14] das palavras de
graça que sahiam da sua bocca: e diziam: Não é este o filho de José?
23 E elle lhes disse: Sem duvida me direis este proverbio: Medico,
cura-te a ti mesmo; faze tambem aqui na tua patria todas essas coisas que
ouvimos terem [15] sido feitas em Capernaum.
24 E disse: [16] Em verdade vos digo que nenhum propheta é bem recebido
na sua patria;
25 Em verdade vos digo [17] que muitas viuvas existiam em Israel nos dias
de Elias, quando o céu se cerrou por tres annos e seis mezes, de sorte
que em toda a terra houve grande fome;
26 E a nenhuma d’ellas foi enviado Elias, senão a Sarepta de Sidon, a uma
mulher viuva.
27 E muitos leprosos havia em [18] Israel no tempo do propheta Eliseu, e
nenhum d’elles foi purificado, senão Naaman o syro.
28 E todos, na synagoga, ouvindo estas coisas, se encheram de ira.
29 E, levantando-se, o expulsaram da cidade, e o levaram até ao cume do
monte em que a cidade d’elles estava edificada, para d’ali o precipitarem.
30 Elle, porém, passando [19] pelo meio d’elles, retirou-se.
31 E desceu [20] a Capernaum, cidade da Galilea, e _ali_ os ensinava nos
sabbados.
32 E admiravam a sua doutrina, porque a [21] sua palavra era com
auctoridade.
_Cura de um endemoninhado._
Mar. 1.23-28.
33 E estava na synagoga um homem que tinha um espirito de um demonio
immundo, e exclamou em alta voz,
34 Dizendo: Ah! que temos nós comtigo, Jesus Nazareno? vieste a
destruir-nos? [22] Bem sei quem és: o Sancto de Deus.
35 E Jesus o reprehendeu, dizendo: Cala-te, e sae d’elle. E o demonio,
lançando-o por terra no meio do povo, saiu d’elle sem lhe fazer mal algum.
36 E veiu espanto sobre todos, e fallavam entre si uns e outros,
dizendo: Que palavra _é_ esta, que até aos espiritos immundos manda com
auctoridade e poder, e elles saem?
_A cura da sogra de Pedro._
Mat. 8.14-17 e refs.
37 E a sua fama divulgava-se por todos os logares, em redor d’aquella
comarca.
38 Ora, [23] levantando-se Jesus da synagoga, entrou em casa de Simão; e
a sogra de Simão estava enferma com muita febre, e rogaram-lhe por ella.
39 E, inclinando-se para ella, reprehendeu a _febre_, e _esta_ a deixou.
E, levantando-se logo, servia-os.
40 E, ao pôr do sol, [24] todos os que tinham enfermos de varias doenças
lh’os traziam; e, pondo as mãos sobre cada um d’elles, os curava.
41 E tambem de muitos sahiam demonios, clamando [25] e dizendo: [26] Tu
és o Christo, o Filho de Deus. E elle, reprehendendo-_os_, não os deixava
fallar, porque sabiam que elle era o Christo.
42 E, sendo já dia, [27] saiu, e foi para um logar deserto; e a multidão
o buscava, e chegou junto d’elle; e o detinham, para que não se
ausentasse d’elles.
43 Porém elle lhes disse: Tambem é necessario que eu annuncie a outras
cidades o evangelho do reino de Deus; porque para isso sou enviado.
44 E prégava [28] nas synagogas da Galiléa.
[1] Mat. 4.1. Mar. 1.12. ver. 14. cap. 2.27.
[2] Exo. 34.28. I Reis 19.8.
[3] Deu. 8.3.
[4] João 12.31 e 14.30. Apo. 13.2, 7.
[5] Deu. 6.13 e 10.20.
[6] Mat. 4.5.
[7] Psa. 91.11, 12.
[8] Deu. 6.16.
[9] João 14.30. Heb. 4.15.
[10] Mat. 4.12. João 4.43. ver. 1.
[11] Act. 10.37.
[12] Mat. 2.23 e 13.54. Mar. 6.1. Act. 13.14 e 17.2.
[13] Isa. 61.1.
[14] Psa. 45.2. Mat. 13.54. Mar. 6.2. cap. 2.47. João 6.42.
[15] Mat. 4.13 e 11.23 e 13.54. Mar. 6.1.
[16] Mat. 13.57. Mar. 6.4. João 4.44.
[17] I Reis 17.9 e 18.1. Thi. 5.17.
[18] II Reis 5.14.
[19] João 8.59 e 10.39.
[20] Mat. 4.13. Mar. 1.21.
[21] Mat. 7.28, 29. Tito 2.15.
[22] ver. 41. Psa. 16.10. Dan. 9.24. cap. 1.35.
[23] Mar. 1.29.
[24] Mar. 1.32.
[25] Mar. 1.34 e 3.11.
[26] Mar. 1.25, 34. ver. 34, 35.
[27] Mar. 1.35.
[28] Mar. 1.39.
_A pesca maravilhosa: os primeiros discipulos._
5 E aconteceu [1] que, apertando-o a multidão, para ouvir a palavra de
Deus, estava elle junto ao lago de Genezareth;
2 E viu estar dois barcos junto _á praia_ do lago; e os pescadores,
havendo descido d’elles, estavam lavando as redes.
3 E, entrando n’um dos barcos, que era o de Simão, pediu-lhe que o
affastasse um pouco da terra; e, assentando-se, ensinava do barco a
multidão.
4 E, quando acabou de fallar, disse a Simão: [2] Faze-te ao mar alto, e
lançae as vossas redes para pescar.
5 E, respondendo Simão, disse-lhe: Mestre, havendo trabalhado toda a
noite, nada apanhámos; mas, sobre tua palavra, lançarei a rede.
6 E, fazendo assim, colheram uma grande quantidade de peixes, e
rompia-se-lhes a rede.
7 E fizeram signal aos companheiros que estavam no outro barco, para que
os fossem ajudar. E foram, e encheram ambos os barcos, de maneira tal que
quasi iam a pique.
8 E Simão Pedro, vendo _isto_, prostrou-se aos pés de Jesus, dizendo:
Senhor, [3] ausenta-te de mim, que sou um homem peccador.
9 Porque o espanto se apoderara d’elle, e de todos os que com elle
estavam, por causa da pesca de peixe que haviam feito;
10 E, de egual modo, tambem de Thiago e João, filhos de Zebedeo, que eram
companheiros de Simão. E disse Jesus a Simão: Não temas: [4] de agora em
diante serás pescador de homens.
11 E, levando os barcos para terra, deixando tudo, [5] o seguiram.
_Cura d’um leproso._
Mat. 8.1-4 e refs.
12 E aconteceu [6] que, estando n’uma das cidades, eis que um homem cheio
de lepra, vendo a Jesus, prostrou-se sobre o rosto, e rogou-lhe, dizendo:
Senhor, se quizeres, bem podes limpar-me.
13 E elle, estendendo a mão, tocou-o, dizendo: Quero; sê limpo. E logo a
lepra desappareceu d’elle.
14 E ordenou-lhe que a ninguem [7] o dissesse. Porém vae, _disse_,
mostra-te ao sacerdote, e offerece, pela tua purificação, o que Moysés
determinou, para que lhes sirva de testemunho.
15 Porém a sua fama se dilatava ainda mais, [8] e ajuntavam-se muitas
gentes para o ouvirem e para serem por elle curados das suas enfermidades.
16 Porém elle retirava-se [9] para os desertos, e _ali_ orava.
_Cura d’um paralytico._
Mat. 9.1-8 e refs.
17 E aconteceu que, n’um d’aquelles dias, estava ensinando, e estavam
_ali_ assentados phariseos e doutores da lei, que tinham vindo de todas
as aldeias da Galilea, e da Judea, e de Jerusalem, e a virtude do Senhor
estava com elle para os curar.
18 E eis que [10] _uns_ homens transportaram n’uma cama um homem que
estava paralytico, e procuravam introduzil-o, e pôl-o diante d’elle;
19 E, não achando por onde podessem introduzil-o, por causa da multidão,
subiram ao telhado, e pelas telhas o baixaram com a cama, até ao meio,
diante de Jesus.
20 E, vendo elle a fé d’elles, disse-lhe: Homem, os teus peccados te são
perdoados.
21 E [11] os escribas e os phariseos começaram a arrazoar, dizendo: Quem
é este que diz blasphemias? Quem pode perdoar peccados, [12] senão só
Deus?
22 Jesus, porém, conhecendo os seus pensamentos, respondeu, e disse-lhes:
Que arrazoaes em vossos corações?
23 Qual é mais facil? dizer: Os teus peccados te são perdoados; ou dizer:
Levanta-te, e anda?
24 Ora, para que saibaes que o Filho do homem tem sobre a terra poder de
perdoar os peccados (disse ao paralytico), A ti te digo: Levanta-te, toma
a tua cama, e vae para tua casa.
25 E, levantando-se logo diante d’elles, e tomando a cama em que estava
deitado, foi para sua casa, glorificando a Deus.
26 E todos ficaram maravilhados, e glorificaram a Deus; e ficaram cheios
de temor, dizendo: Hoje vimos prodigios.
_A vocação de Levi._
Mat. 9.9-13 e refs.
27 E, depois [13] d’estas _coisas_, saiu, e viu um publicano, chamado
Levi, assentado na recebedoria, e disse-lhe: Segue-me.
28 E elle, deixando tudo, levantou-se e o seguiu.
29 E fez-lhe Levi [14] um grande banquete em sua casa; e havia _ali_ uma
multidão de publicanos e outros que estavam com elles á mesa.
30 E os escribas d’elles, e os phariseos, murmuravam contra os seus
discipulos, dizendo: Porque comeis e bebeis com publicanos e peccadores?
31 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Não necessitam de medico os que
estão sãos, mas, sim, os que estão enfermos;
32 Eu não vim para chamar [15] os justos, mas, sim, os peccadores ao
arrependimento.
_Ácerca do jejum._
Mat. 9.14-17 e refs.
33 Disseram-lhe então elles: Porque jejuam os discipulos de João [16]
muitas vezes, e fazem orações, como tambem os dos phariseos, porém os
teus comem e bebem?
34 Mas elle lhes disse: Podeis vós fazer jejuar os filhos das bodas,
emquanto o esposo está com elles?
35 Dias virão, porém, em que o esposo lhes será tirado, _e_ então,
n’aquelles dias, jejuarão.
36 E disse-lhes tambem uma parabola: [17] Ninguem deita remendo de panno
novo em vestido velho; d’outra maneira o novo romperá _o velho_, e o
remendo novo não condiz com o velho.
37 E ninguem deita vinho novo em odres velhos; d’outra maneira o vinho
novo romperá os odres, e entornar-se-ha o vinho, e os odres se estragarão;
38 Mas o vinho novo deve deitar-se em odres novos, e ambos juntamente se
conservarão.
39 E ninguem que beber o velho quer logo o novo, porque diz: Melhor é o
velho.
[1] Mat. 4.18. Mar. 1.16.
[2] João 21.6.
[3] II Sam. 6.9. I Reis 17.18.
[4] Mat. 4.19. Mar. 1.17.
[5] Mat. 4.20 e 19.27. Mar. 1.18. cap. 18.28.
[6] Mar. 1.40.
[7] Mat. 8.4. Lev. 14.4, 10, 21.
[8] Mat. 4.25. Mar. 3.7. João 6.2.
[9] Mat. 14.23. Mar. 6.46.
[10] Mar. 2.3.
[11] Mat. 9.3. Mar. 2.6.
[12] Psa. 32.5. Isa. 43.25.
[13] Mar. 2.13.
[14] Mat. 9.10. Mar. 2.15. cap. 15.1.
[15] Mat. 9.13. I Tim. 1.15.
[16] Mar. 2.18.
[17] Mat. 9.16, 17. Mar. 2.21.
_Jesus é Senhor do sabbado._
Mat. 12.1-8 e refs.
6 E aconteceu [1] que, no sabbado segundo-primeiro, passou pelas searas,
e os seus discipulos iam arrancando espigas, e, esfregando-as com as
mãos, _as_ comiam.
2 E alguns dos phariseos lhes disseram: Porque fazeis [2] o que não é
licito fazer nos sabbados?
3 E Jesus, respondendo-lhes, disse: Nunca lêstes o que fez [3] David
quando teve fome, elle e os que com elle estavam?
4 Como entrou na casa de Deus, e tomou os pães da proposição, e os comeu,
e deu tambem aos que estavam com elle, [4] os quaes não é licito comer
senão só aos sacerdotes?
5 E dizia-lhes: O Filho do homem é Senhor até do sabbado.
_Cura d’um homem que tinha uma das mãos mirrada._
Mat. 12.9-14 e refs.
6 E aconteceu [5] tambem n’outro sabbado que entrou na synagoga, e estava
ensinando; e estava ali um homem que tinha a mão direita mirrada.
7 E os escribas e phariseos attentavam n’elle, se _o_ curaria no sabbado,
para acharem de que o accusar.
8 Mas elle bem conhecia os seus pensamentos; e disse ao homem que tinha a
mão mirrada: Levanta-te, e põe-te em pé no meio. E, levantando-se elle,
poz-se em pé.
9 Então Jesus lhes disse: Uma _coisa_ vos hei de perguntar: É licito nos
sabbados fazer bem, ou fazer mal? salvar a vida, ou matar?
10 E, olhando para todos em redor, disse ao homem: Estende a tua mão. E
elle assim o fez, e a mão lhe foi restituida sã como a outra.
11 E ficaram cheios de furor, e uns com os outros praticavam sobre o que
fariam a Jesus.
_Eleição dos doze._
Mat. 10.1-4 e refs.
12 E aconteceu que [6] n’aquelles dias subiu ao monte a orar, e passou a
noite orando a Deus.
13 E, quando _já_ era dia, chamou a si os seus discipulos, e escolheu
doze d’elles, a quem tambem nomeou apostolos: _a saber_,
14 Simão, ao qual tambem chamou [7] Pedro, e André, seu irmão; Thiago e
João; Philippe e Bartholomeo;
15 E Mattheus e Thomé; Thiago, _filho_ d’Alfeo, e Simão, chamado o
zelador;
16 E Judas, _irmão_ de Thiago; [8] e Judas Iscariotes, que foi o traidor.
_O sermão da montanha._
Mat. caps. 5, 6, 7.
17 E, descendo com elles, parou n’um logar plano, e tambem uma grande
turba de seus [9] discipulos, e grande multidão de povo de toda a Judea,
e de Jerusalem, e da costa maritima de Tyro e de Sidon,
18 Que tinham vindo para o ouvir, e serem curados das suas enfermidades,
como tambem os atormentados dos espiritos immundos: e eram curados.
19 E toda [10] a multidão procurava tocal-o; porque sahia d’elle virtude,
e curava a todos.
20 E, levantando elle os olhos para os seus discipulos, dizia: [11]
Bemaventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus.
21 Bemaventurados vós, que agora tendes fome, [12] porque sereis fartos.
Bemaventurados vós, que agora choraes, porque haveis de rir.
22 Bemaventurados sereis [13] quando os homens vos aborrecerem, e quando
vos separarem, e injuriarem, e rejeitarem o vosso nome como mau, por
causa do Filho do homem.
23 Folgae n’esse dia, [14] exultae; porque, eis que é grande o vosso
galardão no céu, porque assim faziam os seus paes aos prophetas.
24 Mas ai de [15] vós, ricos! porque _já_ tendes a vossa consolação.
25 Ai [16] de vós, que estaes fartos! porque tereis fome. Ai de vós, que
agora rides, porque lamentareis e chorareis.
26 Ai de vós [17] quando todos os homens de vós disserem bem, porque
assim faziam seus paes aos falsos prophetas.
27 Mas a vós, que ouvis _isto_, [18] digo: Amae a vossos inimigos, fazei
bem aos que vos aborrecem;
28 Bemdizei os que vos [19] maldizem, e orae pelos que vos calumniam.
29 Ao que te ferir n’uma face, [20] offerece-lhe tambem a outra; e, ao
que te houver tirado a capa, nem a tunica recuses;
30 E dá a [21] qualquer que te pedir; e, ao que tomar o _que é_ teu, não
lh’o tornes a pedir.
31 E, como vós quereis [22] que os homens vos façam, tambem da mesma
maneira lhes fazei vós.
32 E, [23] se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? Porque
tambem os peccadores amam aos que os amam.
33 E, se fizerdes bem aos que vos fazem bem, que recompensa tereis?
Porque tambem os peccadores fazem o mesmo.
34 E, se emprestardes [24] _áquelles_ de quem esperaes tornar a receber,
que recompensa tereis? Porque tambem os peccadores emprestam aos
peccadores, para tornarem a receber outro tanto.
35 Amae pois a vossos inimigos, [25] e fazei bem, e emprestae, sem nada
esperardes, e será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altissimo;
porque é benigno _até_ para com os ingratos e máus.
36 Sêde pois misericordiosos, [26] como tambem vosso Pae é misericordioso.
37 Não julgueis, [27] e não sereis julgados: não condemneis, e não sereis
condemnados: soltae, e soltar-vos-hão.
38 Dae, [28] e ser-vos-ha dado; boa medida, recalcada, sacudida e
trasbordando, vos deitarão no vosso regaço; porque com a mesma medida com
que medirdes vos tornarão a medir.
39 E dizia-lhes uma parabola: [29] Pode porventura o cego guiar o cego?
não cairão ambos na cova?
40 [30] O discipulo não é sobre o seu mestre, mas todo o que fôr perfeito
será como o seu mestre.
41 E porque attentas tu [31] no argueiro que está no olho de teu irmão, e
não reparas na trave que está no teu proprio olho?
42 Ou como podes dizer a teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o argueiro que
está no teu olho; não attentando tu mesmo na trave que está no teu olho?
Hypocrita, [32] tira primeiro a trave do teu olho, e então verás bem para
tirar o argueiro que está no olho de teu irmão.
43 Porque não [33] ha boa arvore que dê máu fructo, nem má arvore que dê
bom fructo.
44 Porque cada [34] arvore se conhece pelo seu proprio fructo; pois não
se colhem figos dos espinheiros, nem se vindimam uvas dos abrolhos.
45 O homem [35] bom do bom thesouro do seu coração tira o bem, e o homem
mau do mau thesouro do seu coração tira o mal, porque da abundancia do
seu coração falla a bocca.
46 E porque me chamaes, Senhor, Senhor, [36] e não fazeis o que eu digo?
47 Qualquer que vem para mim [37] e ouve as minhas palavras, e as
observa, eu vos mostrarei a quem é similhante:
48 É similhante ao homem que edificou uma casa, e cavou, e abriu bem
fundo, e poz os alicerces sobre rocha, e, vindo a enchente, bateu com
impeto a corrente n’aquella casa, e não a poude abalar, porque estava
fundada sobre rocha.
49 Mas o que ouve e não obra é similhante ao homem que edificou uma casa
sobre terra, sem alicerces, na qual bateu com impeto a corrente, e logo
caiu; e foi grande a queda d’aquella casa.
[1] Mar. 2.23.
[2] Exo. 20.10.
[3] I Sam. 21.6.
[4] Lev. 24.9.
[5] Mar. 3.1. cap. 13.14 e 14.3. João 9.16.
[6] Mat. 14.23.
[7] João 1.42.
[8] Jud. 1.
[9] Mat. 4.25. Mar. 3.7.
[10] Mat. 14.36. Mar. 5.30. cap. 8.46.
[11] Mat. 5.3 e 11.5. Thi. 2.5.
[12] Isa. 55.1 e 65.13 e 61.3. Mat. 5.6 e 5.4.
[13] Mat. 5.11. I Ped. 2.19 e 3.14. João 16.2.
[14] Mat. 5.12. Act. 5.41. Col. 1.24. Thi. 1.2. Act. 7.51.
[15] Amós 6.1. Thi. 5.1. Mat. 6.2. cap. 16.25.
[16] Isa. 65.13. Pro. 14.13.
[17] João 15.19. I João 4.5.
[18] Exo. 23.4. Pro. 25.21. Mat. 5.44. ver. 35. Rom. 12.20.
[19] cap. 23.34. Act. 7.60.
[20] I Cor. 6.7. Mat. 5.39.
[21] Deu. 15.7, 8, 10. Pro. 21.26. Mat. 5.42.
[22] Mat. 7.12.
[23] Mat. 5.46.
[24] Mat. 5.42.
[25] ver. 27. Psa. 37.26. ver. 30. Mat. 5.45.
[26] Mat. 5.48.
[27] Mat. 7.1.
[28] Pro. 19.17. Psa. 79.12. Mat. 7.2. Mar. 4.24. Thi. 2.13.
[29] Mat. 15.14.
[30] Mat. 10.24.
[31] Mat. 7.3.
[32] Pro. 18.17.
[33] Mat. 7.16, 17.
[34] Mat. 12.33.
[35] Mat. 12.34, 35.
[36] Mal. 1.6. Mat. 7.21 e 25.11. cap. 13.25.
[37] Mat. 7.24.
_O centurião de Capernaum._
Mat. 8.5-13 e refs.
7 E, depois de concluir todos estes discursos perante o povo, entrou em
Capernaum.
2 E o servo de um certo centurião, a quem muito estimava, estava doente,
e moribundo.
3 E, quando ouviu _fallar_ de Jesus, enviou-lhe uns anciãos dos judeos,
rogando-lhe que viesse e curasse o seu servo.
4 E, chegando elles junto de Jesus, rogaram-lhe muito, dizendo: É digno
de que lhe concedas isto,
5 Porque ama a nossa nação, e elle mesmo nos edificou a synagoga.
6 E foi Jesus com elles; mas, quando já estava perto da casa, enviou-lhe
o centurião uns amigos, dizendo-lhe: Senhor, não te incommodes, porque
não sou digno de que entres debaixo do meu telhado;
7 Pelo que nem ainda me julguei digno de ir ter comtigo; dize, porém, uma
palavra, e o meu creado sarará.
8 Porque tambem eu sou homem sujeito á auctoridade, e tenho soldados sob
o meu poder, e digo a este: Vae; e elle vae; e a outro: Vem; e elle vem;
e ao meu servo: Faze isto; e elle o faz.
9 E Jesus, ouvindo isto, maravilhou-se d’elle, e, voltando-se, disse á
multidão que o seguia: Digo-vos _que_ nem ainda em Israel tenho achado
tanta fé.
10 E, voltando para casa os que foram enviados, acharam são o servo
enfermo.
_O filho da viuva de Nain._
11 E aconteceu, no _dia_ seguinte, que _Jesus_ ia a _uma_ cidade chamada
Nain, e com elle iam muitos dos seus discipulos, e uma grande multidão;
12 E quando chegou perto da porta da cidade, eis que levavam um defunto,
filho unigenito de sua mãe, que _era_ viuva; e com ella ia uma grande
multidão da cidade.
13 E, vendo-a, o Senhor moveu-se de intima compaixão por ella, e
disse-lhe: Não chores.
14 E, chegando-se, tocou o esquife (e os que _o_ levavam pararam), e
disse: Mancebo, a ti te digo: [1] Levanta-te.
15 E o defunto assentou-se, e começou a fallar; e entregou-o a sua mãe.
16 E de todos se apoderou [2] o temor, e glorificavam a Deus, dizendo: Um
grande propheta se levantou entre nós, e Deus visitou o seu povo.
17 E correu d’elle esta fama por toda a Judea e por toda a terra
circumvisinha.
_João envia dois discipulos seus a Jesus._
Mat. 11.1-19 e refs.
18 E os discipulos de João annunciaram-lhe todas estas _coisas_.
19 E João, chamando dois dos seus discipulos, enviou-_os_ a Jesus,
dizendo: És tu aquelle que havia de vir, ou esperamos outro?
20 E, quando aquelles homens chegaram junto d’elle, disseram: João
Baptista enviou-nos a dizer-te: És tu aquelle que havia de vir, ou
esperamos outro?
21 E, na mesma hora, curou muitos de enfermidades, e males, e espiritos
máus, e deu vista a muitos cegos.
22 Respondendo então Jesus, [3] disse-lhes: Ide, e annunciae a João as
_coisas_ que tendes visto e ouvido: [4] que os cegos vêem, os coxos
andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos resuscitam
_e_ o Evangelho annuncia-se [5] aos pobres,
23 E bemaventurado aquelle que em mim se não escandalizar.
24 E, tendo-se retirado [6] os mensageiros de João, começou a dizer á
multidão ácerca de João: Que saistes a ver ao deserto? uma canna abalada
pelo vento?
25 Mas que saistes a vêr? um homem trajado de vestidos delicados? Eis que
os que andam com preciosos vestidos, e em delicias, estão nos paços reaes.
26 Mas que saistes a vêr? um propheta? sim, vos digo, e muito mais do que
propheta.
27 Este é aquelle de quem está escripto: [7] Eis que envio o meu anjo
adiante da tua face, o qual preparará diante de ti o teu caminho.
28 Porque eu vos digo que, entre os nascidos de mulheres, não ha maior
propheta do que João Baptista; mas o menor no reino de Deus é maior do
que elle.
29 E todo o povo que o ouviu e os publicanos [8] justificaram a Deus,
tendo sido baptizados com o baptismo de João.
30 Mas os phariseos e os doutores da lei rejeitaram [9] o conselho de
Deus contra si mesmos, não tendo sido baptizados por elle.
31 E disse o Senhor: [10] A quem pois compararei os homens d’esta
geração, e a quem são similhantes?
32 São similhantes aos meninos que, assentados nas praças, clamam uns
aos outros, e dizem: Tocámos-vos flauta, e não dançastes; cantámos-vos
lamentações, e não chorastes,
33 Porque [11] veiu João Baptista, que nem comia pão nem bebia vinho, e
dizeis: Tem demonio;
34 Veiu o Filho do homem, que come e bebe, e dizeis: Eis ahi [12] um
homem comilão, e bebedor de vinho, amigo dos publicanos e dos peccadores.
35 Mas a sabedoria é justificada por todos os seus filhos.
_A peccadora que ungiu os pés de Jesus._
36 E rogou-lhe [13] um dos phariseos que comesse com elle; e, entrando em
casa do phariseo, assentou-se á mesa.
37 E eis que uma mulher da cidade, uma peccadora, sabendo que elle estava
á mesa em casa do phariseo, levou um vaso de alabastro com unguento;
38 E, estando detraz, aos seus pés, chorando, começou a regar-lhe os
pés com lagrimas, e enxugava-lh’os com os cabellos da sua cabeça; e
beijava-lhe os pés, e ungia-lh’os com o unguento.
39 E, quando _isto_ viu o phariseo que o tinha convidado, fallava
comsigo, dizendo: [14] Se este fôra propheta, bem saberia quem e qual _é_
a mulher que o tocou, porque é peccadora.
40 E Jesus, respondendo, disse-lhe: Simão, uma coisa tenho a dizer-te. E
elle disse: Dize-a, Mestre.
41 Um certo crédor tinha dois devedores; um devia-_lhe_ quinhentos
dinheiros, e outro cincoenta.
42 E, não tendo elles com que pagar, perdoou-lhes a ambos _a divida_.
Dize pois qual d’elles o amará mais?
43 E Simão, respondendo, disse: Tenho para mim que é aquelle a quem mais
perdoou. E elle lhe disse: Julgaste bem.
44 E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês tu esta mulher?
Entrei em tua casa, e não me déste agua para os pés; mas esta regou-me os
pés com lagrimas, e m’os enxugou com os seus cabellos.
45 Não me déste osculo, mas esta, desde que entrou, não tem cessado de me
beijar os pés.
46 Não me ungiste [15] a cabeça com oleo, mas esta ungiu-me os pés com
unguento.
47 Por isso te digo [16] que os seus muitos peccados _lhe_ são perdoados,
porque muito amou; mas aquelle a quem pouco se perdoa pouco ama.
48 E disse-lhe a ella: [17] Os teus peccados _te_ são perdoados.
49 E os que estavam _á mesa_ começaram [18] a dizer entre si: Quem é
este, que até perdoa peccados?
50 E disse á mulher: [19] A tua fé te salvou: vae-te em paz.
[1] cap. 8.54. João 11.43. Act. 9.40. Rom. 4.17.
[2] cap. 1.65, 68 e 24.19. João 4.19 e 6.14 e 9.17.
[3] Mat. 11.4.
[4] Isa. 35.5.
[5] cap. 4.18.
[6] Mat. 11.7.
[7] Mal. 3.1.
[8] Mat. 3.5. cap. 3.12.
[9] Act. 20.27.
[10] Mat. 11.16.
[11] Mat. 3.4. Mar. 1.6. cap. 1.15.
[12] Mat. 11.19.
[13] Mat. 26.6. Mar. 14.3. João 11.2.
[14] cap. 15.2.
[15] Psa. 23.5.
[16] I Tim. 1.14.
[17] Mat. 9.2. Mar. 2.5.
[18] Mat. 9.3. Mar. 2.7.
[19] Mar. 5.34 e 10.52. cap. 8.48 e 18.42.
_As mulheres que serviam a Jesus com os seus bens._
8 E aconteceu, depois d’isto, que andava de cidade em cidade, e de aldeia
em aldeia, prégando e annunciando o evangelho do reino de Deus: e os doze
_andavam_ com elle,
2 E [1] _tambem_ algumas mulheres que haviam sido curadas de espiritos
malignos e de enfermidades: Maria, chamada Magdalena, [2] da qual sairam
sete demonios,
3 E Joanna, mulher de Chuza, procurador d’Herodes, e Suzana, e muitas
outras que o serviam com suas fazendas.
_A parabola do semeador._
Mat. 13.1-23 e refs.
4 E, [3] ajuntando-se uma grande multidão, e vindo ter com elle de todas
as cidades, disse por parabola:
5 Um semeador saiu a semear a sua semente, e, quando semeava, caiu uma
_parte_ junto do caminho, e foi pisada, e as aves do céu a comeram;
6 E outra _parte_ caiu sobre pedra, e, nascida, seccou-se, porquanto não
tinha humidade;
7 E outra _parte_ caiu entre espinhos, e, nascidos com ella os espinhos,
a suffocaram;
8 E outra _parte_ caiu em boa terra, e, nascida, produziu fructo, cento
por um. Dizendo elle estas coisas, clamava: Quem tem ouvidos para ouvir,
ouça.
9 E [4] os seus discipulos o interrogaram, dizendo: Que parabola é esta?
10 E elle disse: A vós é dado conhecer os mysterios do reino de Deus, mas
aos outros por parabolas, [5] para que, vendo, não vejam, e, ouvindo, não
entendam.
11 [6] Esta é pois a parabola: A semente é a palavra de Deus;
12 E os que _estão_ junto do caminho, estes são os que ouvem; depois vem
o diabo, e tira-lhes do coração a palavra, para que se não salvem, crendo;
13 E os que estão sobre pedra, estes são os que, ouvindo a palavra, a
recebem com alegria, mas estes não teem raiz, pois crêem por algum tempo,
e no tempo da tentação se desviam;
14 E a que caiu entre espinhos, estes são os que ouviram, e, indo por
diante, se suffocam com os cuidados, e riquezas e deleites da vida, e não
dão fructo com perfeição;
15 E a que caiu em boa terra, estes são os que, ouvindo a palavra, a
conservam n’um coração honesto e bom, e dão fructo [AHB] em perseverança.
_A parabola da candeia._
Mar. 4.21-25 e refs.
16 E ninguem, [7] accendendo uma candeia, a cobre com algum vaso, ou _a_
põe debaixo da cama; porém põe-n’a no velador, para que os que entram
vejam a luz.
17 Porque não ha coisa [8] occulta que não haja de manifestar-se, nem
_coisa_ escondida que não haja de saber-se e vir á luz.
18 Vêde pois como ouvis; [9] porque a qualquer que tiver lhe será dado, e
a qualquer que não tiver até o que parece que tem lhe será tirado.
_A familia de Jesus._
Mat. 12.46-50 e refs.
19 E foram ter [10] com elle sua mãe e _seus_ irmãos, e não podiam chegar
a elle, por causa da multidão.
20 E foi-lhe annunciado _por alguns_, dizendo: Estão _lá_ fóra tua mãe e
teus irmãos, que querem ver-te.
21 Porém, respondendo elle, disse-lhes: Minha mãe e meus irmãos são
aquelles que ouvem a palavra de Deus e a executam.
_Jesus apazigua a tempestade._
Mat. 8.25-27 e refs.
22 E aconteceu [11] que, n’um d’aquelles dias, entrou n’um barco, e _com
elle_ os seus discipulos, e disse-lhes: Passemos para a outra banda do
lago. E partiram.
23 E, navegando elles, adormeceu; e sobreveiu uma tempestade de vento no
lago, e enchiam-se _d’agua_, e perigavam.
24 E, chegando-se a elle, o despertaram, dizendo: Mestre, Mestre,
perecemos. E elle, levantando-se, reprehendeu o vento e as ondas d’agua;
e cessaram, e fez-se bonança.
25 E disse-lhes: Onde está a vossa fé? E elles, temendo, maravilharam-se,
dizendo uns aos outros: Quem é este, que até aos ventos e á agua manda, e
lhe obedecem?
_O endemoninhado gadareno._
Mat. 8.28-34 e refs.
26 E navegaram para [12] a terra dos gadarenos, que está defronte da
Galilea.
27 E, quando desceu para terra, saiu-lhe ao encontro, _vindo_ da cidade,
um homem que desde muito tempo era possesso de demonios, e não andava
vestido, e não habitava em casa, mas nos sepulchros.
28 E, vendo a Jesus, prostrou-se diante d’elle, exclamando, e dizendo com
grande voz: Que tenho eu comtigo, Jesus, Filho do Deus Altissimo? Peço-te
que não me atormentes.
29 Porque mandava ao espirito immundo que saisse d’aquelle homem; porque
já havia muito tempo que o arrebatava. E guardavam-n’o preso com grilhões
e cadeias; mas, quebrando as prisões, era impellido pelo demonio para os
desertos.
30 E perguntou-lhe Jesus, dizendo: Qual é o teu nome? E elle disse:
Legião; porque tinham entrado n’elle muitos demonios.
31 E rogavam-lhe que os não mandasse ir [13] para o abysmo.
32 E andava ali pastando no monte uma manada de muitos porcos; e
rogaram-lhe que lhes concedesse entrar n’elles; e concedeu-lh’o.
33 E, tendo saido os demonios do homem, entraram nos porcos, e a manada
arrojou-se de um despenhadeiro no lago, e afogaram-se.
34 E aquelles que os guardavam, vendo o que acontecera, fugiram, e foram
annuncial-_o_ na cidade e nos campos.
35 E sairam a vêr o que tinha acontecido, e vieram ter com Jesus; e
acharam o homem, de quem haviam saido os demonios, vestido, e em seu
juizo, assentado aos pés de Jesus: e temeram.
36 E os que tinham visto contaram-lhes tambem como fôra salvo aquelle
endemoninhado.
37 E [14] toda a multidão da terra dos gadarenos ao redor [15] lhe rogou
que se retirasse d’elles; porque estavam possuidos de grande temor. E,
entrando elle no barco, voltou.
38 E aquelle homem, de quem haviam saido os demonios, [16] rogou-lhe que
o deixasse estar com elle; porém Jesus o despediu, dizendo:
39 Torna para tua casa, e conta quão grandes _coisas_ te fez Deus. E elle
foi apregoando por toda a cidade quão grandes _coisas_ Jesus lhe tinha
feito.
_A filha de Jairo: a mulher que tinha um fluxo de sangue._
Mar. 5.21-43 e refs.
40 E aconteceu que, voltando Jesus, a multidão o recebeu, porque todos o
estavam esperando.
41 E eis que [17] chegou um varão, cujo nome _era_ Jairo, e era principe
da synagoga; e, prostrando-se aos pés de Jesus, rogava-lhe que entrasse
em sua casa;
42 Porque tinha uma filha unica, quasi de doze annos, e estava á morte.
E, indo elle, apertava-o a multidão.
43 E [18] uma mulher, que tinha um fluxo de sangue, havia doze annos, e
gastara com os medicos todos os seus haveres, e por nenhum podéra ser
curada,
44 Chegando por detraz _d’elle_, tocou a orla do seu vestido, e o fluxo
do seu sangue logo estancou.
45 E disse Jesus; Quem _é_ que me tocou? E, negando todos, disse Pedro e
os que estavam com elle: Mestre, a multidão te aperta e opprime, e dizes:
Quem _é_ que me tocou?
46 E disse Jesus: Alguem me tocou, [19] porque bem conheci que de mim
saiu virtude.
47 Então a mulher, vendo que não se occultava, approximou-se tremendo, e,
prostrando-se ante elle, declarou-lhe diante de todo o povo a causa por
que o havia tocado, e como logo sarára.
48 E elle lhe disse: Tem bom animo, filha, a tua fé te salvou: vae em paz.
49 Estando [20] elle ainda fallando, chegou um dos do principe da
synagoga, dizendo: A tua filha _já_ está morta, não incommodes o Mestre.
50 Jesus, porém, ouvindo-_o_, respondeu-lhe, dizendo: Não temas; crê
sómente, e será salva.
51 E, entrando em casa, a ninguem deixou entrar, senão a Pedro, e a
Thiago, e a João, e ao pae e á mãe da menina.
52 E todos choravam, e a pranteavam; e elle disse: Não choreis; não está
morta, [21] mas dorme.
53 E riam-se d’elle, sabendo que estava morta.
54 Porém elle, pondo-os todos fóra, e pegando-lhe na mão, clamou,
dizendo: [22] Levanta-te, menina.
55 E o seu espirito voltou, e ella logo se levantou; e Jesus mandou que
lhe déssem de comer.
56 E seus paes ficaram maravilhados; [23] e elle lhes mandou que a
ninguem dissessem o que havia succedido.
[1] Mat. 27.55, 56.
[2] Mar. 16.9.
[3] Mar. 4.1.
[4] Mat. 13.10. Mar. 4.10.
[5] Isa. 6.9. Mar. 4.12.
[6] Mat. 13.18. Mar. 4.14.
[7] Mat. 5.15. cap. 11.33.
[8] Mat. 10.26. cap. 12.2.
[9] Mat. 13.12 e 25.29. cap. 19.26.
[10] Mar. 3.31.
[11] Mar. 4.35.
[12] Mar. 5.1.
[13] Apo. 20.3.
[14] Mat. 8.34.
[15] Act. 16.39.
[16] Mar. 5.18.
[17] Mat. 9.1.
[18] Mat. 9.20.
[19] Mar. 5.30. cap. 6.19.
[20] Mar. 5.35.
[21] João 11.11, 13.
[22] cap. 7.14. João 11.43.
[23] Mat. 8.4 e 9.30. Mar. 5.43.
_A missão dos doze._
Mat. 10.5, etc.
[Anno Domini 32]
9 E, convocando os seus doze discipulos, [1] deu-lhes virtude e poder
sobre todos os demonios, e para curarem enfermidades;
2 E enviou-os a prégar o reino de [2] Deus, e a curar os enfermos.
3 E disse-lhes: [3] Nada leveis comvosco para o caminho, nem bordões, nem
alforge, nem pão, nem dinheiro; nem tenhaes dois vestidos.
4 E, em qualquer casa em que entrardes, [4] ficae ali, e de lá sahi.
5 E, se quaesquer vos não receberem, [5] saindo vós d’aquella cidade,
sacudi até o pó dos vossos [6] pés, em testemunho contra elles.
6 E, saindo elles, [7] percorreram todas as aldeias, annunciando o
evangelho, e curando por toda a parte _os enfermos_.
_Herodes o tetrarcha e João Baptista._
Mat. 14.1, etc.
7 E o tetrarcha Herodes [8] ouvia todas as _coisas_ que _Jesus_ fazia, e
estava em duvida, porquanto diziam alguns que João resuscitara dos mortos,
8 E outros que Elias tinha apparecido, e outros que um propheta dos
antigos havia resuscitado.
9 E disse Herodes: A João mandei eu degolar: quem é pois este de quem
ouço dizer taes _coisas_? E procurava [9] vêl-o.
_A primeira multiplicação dos pães._
Mat. 14.13-21 e refs.
10 E, regressando [10] os apostolos, contaram-lhe todas as _coisas_ que
tinham feito. E, tomando-os comsigo, retirou-se para um logar deserto de
uma cidade chamada Bethsaida.
11 E, sabendo-_o_ a multidão, o seguiu; e elle os recebeu, e fallava-lhes
do reino de Deus, e sarava os que necessitavam de cura.
12 E _já_ o dia começava a declinar, [11] e, chegando-se a elle os doze,
disseram-lhe: Despede a multidão, para que, indo aos logares e aldeias
em redor, se agasalhem, e achem que comer; porque aqui estamos em logar
deserto.
13 Mas elle lhes disse: Dae-lhes vós de comer. E elles disseram: Não
temos senão cinco pães e dois peixes: salvo se nós formos comprar comida
para todo este povo.
14 Porque estavam ali quasi cinco mil homens. Disse então aos seus
discipulos: Fazei-os assentar, aos ranchos de cincoenta em cincoenta.
15 E assim o fizeram, fazendo-_os_ assentar a todos.
16 E, tomando os cinco pães e os dois peixes, e olhando para o céu,
abençoou-os, e partiu-os, e deu-os aos seus discipulos para os porem
diante da multidão.
17 E comeram todos, e saciaram-se; e levantaram, do que lhes sobejou,
doze cestos de pedaços.
_A confissão de Pedro._
Mat. 16.13, etc.
18 E aconteceu que, [12] estando elle só, orando, estavam com elle os
discipulos; e perguntou-lhes, dizendo: Quem diz a multidão que eu sou?
19 E, respondendo elles, disseram: [13] _Uns_ João Baptista, outros
Elias, e outros que um dos antigos prophetas resuscitou.
20 E disse-lhes: E vós, quem dizeis que eu sou? [14] E, respondendo
Pedro, disse: O Christo de Deus.
21 E, admoestando-os, [15] mandou-_lhes_ que a ninguem o dissessem,
22 Dizendo: [16] É necessario que o Filho do homem padeça muitas
_coisas_, e seja rejeitado dos anciãos e dos escribas, e seja morto, e
resuscite ao terceiro dia.
_Cada um deve levar a sua cruz._
Mat. 16.24-28 e refs.
23 E dizia a todos: [17] Se alguem quer vir após mim, negue-se a si
mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me.
24 Porque, qualquer que quizer salvar a sua [AHC] vida, perdel-a-ha;
porém qualquer que, por amor de mim, perder a sua vida, a salvará.
25 Porque, [18] que aproveita ao homem grangear o mundo todo, perdendo-se
ou prejudicando-se a si mesmo?
26 Porque, [19] qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar,
d’elle se envergonhará o Filho do homem, quando vier na sua gloria, e
_na_ do Pae e dos sanctos anjos,
27 E em verdade [20] vos digo que, dos que aqui estão, alguns ha que não
gostarão a morte até que vejam o reino de Deus.
_A transfiguração._
Mat. 17.1-13 e refs.
28 E aconteceu que, [21] quasi oito dias depois d’estas palavras, tomou
comsigo a Pedro, a João e a Thiago, e subiu ao monte a orar.
29 E, estando elle orando, transfigurou-se a apparencia do seu rosto, e o
seu vestido _ficou_ branco _e_ mui resplandecente.
30 E eis que estavam fallando com elle dois varões, que eram Moysés e
Elias,
31 Os quaes appareceram com gloria, e fallavam da sua morte, a qual havia
de cumprir-se em Jerusalem.
32 E Pedro e os que _se achavam_ com elle estavam [22] carregados de
somno, e, quando despertaram, viram a sua gloria e aquelles dois varões
que estavam com elle.
33 E aconteceu que, apartando-se elles d’elle, disse Pedro a Jesus:
Mestre, bom é que nós estejamos aqui, e façamos tres tendas, uma para ti,
uma para Moysés, e uma para Elias; não sabendo o que dizia.
34 E, dizendo elle isto, veiu uma nuvem que os cobriu com a sua sombra;
e, entrando elles na nuvem, temeram.
35 E veiu da nuvem uma voz que dizia: [23] Este é o meu amado Filho: [24]
a elle ouvi.
36 E, tendo soado aquella voz, Jesus foi achado só: [25] e elles
calaram-se, e por aquelles dias não contaram a ninguem nada do que tinham
visto.
_Cura d’um joven lunatico._
Mat. 17.14-21 e refs.
37 E aconteceu, no dia seguinte, que, descendo elles do monte, lhes saiu
ao encontro _uma_ grande multidão;
38 E eis que um homem da multidão clamou, dizendo: [26] Mestre, peço-te
que olhes para o meu filho, porque é o unico que eu tenho,
39 E eis que um espirito o toma, e de repente clama, e o despedaça até
escumar; e apenas o larga depois de o ter quebrantado.
40 E roguei aos teus discipulos que o expulsassem, e não poderam.
41 E Jesus, respondendo, disse: Ó geração incredula e perversa! até
quando estarei ainda comvosco e vos soffrerei? Traze-me cá o teu filho.
42 E, quando vinha chegando, o demonio o derribou e _o_ convulsionou;
porém Jesus reprehendeu o espirito immundo, e curou o menino, e o
entregou a seu pae.
43 E todos pasmavam da magestade de Deus. E, maravilhando-se todos de
todas as _coisas_ que Jesus fazia, disse aos seus discipulos:
44 Ponde vós [27] estas palavras em vossos ouvidos, porque o Filho do
homem será entregue nas mãos dos homens.
45 Mas [28] elles não entendiam esta palavra, e era-lhes encoberta, para
que a não comprehendessem; e temiam interrogal-o ácerca d’esta palavra.
_O maior no reino dos céus._
Mat. 18.1, etc. e refs.
46 E suscitou-se entre elles uma questão, [29] _a saber_, qual d’elles
seria o maior.
47 Mas, vendo Jesus o pensamento de seus corações, tomou um menino, pôl-o
junto a si,
48 E disse-lhes: [30] Qualquer que receber este menino em meu nome,
recebe-me a mim; e qualquer que me recebe a mim, recebe o que me enviou;
[31] porque aquelle que entre vós todos fôr o menor, esse será grande.
_Quem não é contra nós é por nós._
Mar. 9.38-40.
49 E, respondendo João, [32] disse: Mestre, vimos um que em teu nome
expulsava os demonios, e lh’o prohibimos, porque não _te_ segue comnosco.
50 E Jesus lhes disse: Não _lh’o_ prohibaes, [33] porque quem não é
contra nós é por nós.
_Os samaritanos não recebem a Jesus._
51 E aconteceu que, completando-se os dias para a sua [34] assumpção,
voltou o seu rosto para ir a Jerusalem.
52 E mandou mensageiros adiante da sua face; e, indo elles, entraram
n’uma aldeia de samaritanos, para lhe prepararem _pousada_,
53 Mas não o receberam, [35] porque o seu aspecto era _como de quem_ ia a
Jerusalem.
54 E os seus discipulos, Thiago e João, vendo _isto_, disseram: Senhor,
queres que digamos que desça fogo do céu o os [36] consuma, como Elias
tambem fez?
55 Voltando-se, porém, elle, reprehendeu-os, e disse: Vós não sabeis de
que espirito sois.
56 Porque [37] o Filho do homem não veiu para destruir as almas dos
homens, mas para salval-_as_. E foram para outra aldeia.
_Ácerca dos que seguem a Jesus._
Mat. 8.19-22.
57 E aconteceu que, indo elles pelo caminho, lhe disse um: Senhor,
seguir-te-hei para onde quer que fôres.
58 E disse-lhe Jesus: As raposas teem covis, e as aves do céu ninhos, mas
o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça.
59 E disse a outro: Segue-me. Porém elle disse: Senhor, deixa que
primeiro eu vá, e enterre a meu pae.
60 Mas Jesus lhe disse: Deixa aos mortos enterrar os seus mortos: porém
tu vae e annuncia o reino de Deus.
61 Disse tambem outro: [38] Senhor, eu te seguirei, mas deixa-me despedir
primeiro dos que estão em minha casa.
62 E Jesus lhe disse: Ninguem, que lança mão do arado e olha para traz, é
apto para o reino de Deus.
[1] Mar. 3.3, 6, 7.
[2] Mat. 10.7, 8. Mar. 6.12. cap. 10.1, 9.
[3] Mat. 10.9. Mar. 6.8. cap. 10.4 e 22.35.
[4] Mat. 10.11. Mar. 6.10.
[5] Mat. 10.14.
[6] Act. 13.5.
[7] Mar. 6.12.
[8] Mar. 6.14.
[9] cap. 23.8.
[10] Mar. 6.30.
[11] Mat. 14.15. Mar. 6.35. João 6.1, 5.
[12] Mar. 8.27.
[13] Mat. 14.2. ver. 7, 8.
[14] Mat. 16.16. João 6.69.
[15] Mat. 16.20.
[16] Mat. 16.21 e 17.22.
[17] Mat. 10.38. Mar. 8.34. cap. 14.27.
[18] Mat. 16.26. Mar. 8.36.
[19] Mat. 10.33. Mar. 8.38. II Tim. 2.12.
[20] Mat. 16.28.
[21] Mar. 9.1.
[22] Dan. 8.18 e 10.9.
[23] Mat. 3.17.
[24] Act. 3.22.
[25] Mat. 17.9.
[26] Mar. 9.14, 17.
[27] Mat. 17.22.
[28] Mar. 9.32. cap. 2.50 e 18.34.
[29] Mar. 9.34.
[30] Mat. 10.40 e 18.6. Mar. 9.37. João 12.44 e 13.20.
[31] Mat. 23.11, 12.
[32] Num. 11.28.
[33] Mat. 12.30. cap. 11.23.
[34] Mar. 16.19. Act. 1.2.
[35] João 4.4, 9.
[36] II Reis 1.10, 12.
[37] João 3.17 e 12.47.
[38] I Reis 19.20.
_A missão dos setenta discipulos._
10 E depois d’isto designou o Senhor ainda outros setenta, e mandou-os
[1] adiante da sua face, de dois em dois, a todas as cidades e logares
onde elle havia de ir.
2 E dizia-lhes; [2] Grande _é_, em verdade, a seára, mas os obreiros
_são_ poucos; rogae pois ao Senhor da seára que envie obreiros para a sua
seára.
3 Ide: [3] eis que vos mando como cordeiros para o meio de lobos.
4 Não leveis bolsa, [4] nem alforge, nem alparcas; e a ninguem saudeis
pelo caminho.
5 E, em qualquer [5] casa aonde entrardes, dizei primeiro: Paz _seja_
n’esta casa.
6 E, se ali houver algum filho de paz, repousará sobre [AHD] elle a vossa
paz; e, se não, voltará para vós.
7 E ficae na mesma casa, [6] comendo e bebendo do que elles tiverem, [7]
pois digno é o obreiro do seu salario. [8] Não andeis de casa em casa.
8 E, em qualquer cidade em que entrardes, e vos receberem, comei do que
vos pozerem adiante.
9 E curae [9] os enfermos que n’ella houver, e dizei-lhes: [10] É chegado
a vós o reino de Deus.
10 Mas em qualquer cidade, em que entrardes e vos não receberem, saindo
por suas ruas, dizei:
11 Até o pó, [11] que da vossa cidade se nos pegou, sacudimos sobre vós.
Sabei, todavia, isto, que _já_ o reino de Deus é chegado a vós.
12 E digo-vos [12] que mais tolerancia haverá n’aquelle dia para Sodoma
do que para aquella cidade.
13 Ai de ti, Chorazin, [13] ai de ti, Bethsaida! [14] que, se em Tyro e
em Sidon se fizessem as maravilhas que em vós foram feitas, já ha muito,
assentadas em sacco e cinza, se teriam arrependido.
14 Portanto, para Tyro e Sidon será mais toleravel no juizo, do que para
vós.
15 E tu, Capernaum, [15] que estás levantada até ao céu, até ao inferno
serás abatida.
16 Quem vos ouve a vós, [16] a mim me ouve; e, quem vos rejeita a vós, a
mim me rejeita; e, quem a mim me rejeita, rejeita aquelle que me enviou.
17 E [17] voltaram os setenta com alegria, dizendo: Senhor, em teu nome,
até os demonios se nos sujeitam.
18 E disse-lhes: [18] Eu via Satanaz, como raio, cair do céu.
19 Eis que vos [19] dou poder para pizar as serpentes e escorpiões, e
toda a força do inimigo, e nada vos fará damno algum.
20 Mas não vos alegreis por isso, que se vos sujeitem os espiritos;
alegrae-vos antes por estarem [20] os vossos nomes escriptos nos céus.
21 N’aquella mesma hora se alegrou Jesus em espirito, [21] e disse:
Graças te dou, ó Pae, Senhor do céu e da terra, que escondeste estas
_coisas_ aos sabios e intelligentes, e as revelaste ás creancinhas; assim
é, ó Pae, porque assim te aprouve.
22 Todas [22] _as coisas_ me foram entregues por meu Pae; e ninguem
conhece quem é o Filho senão o Pae, nem quem é o Pae senão o Filho, e
aquelle a quem o Filho o quizer revelar.
23 E, voltando-se para os _seus_ discipulos, disse-_lhes_ em particular:
[23] Bemaventurados os olhos que vêem o que vós vêdes;
24 Porque vos digo que muitos prophetas [24] e reis desejaram vêr o que
vós vêdes, e não o viram; e ouvir o que ouvis, e não o ouviram.
_A parabola do bom samaritano._
25 E eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-o, e dizendo:
[25] Mestre, que farei para herdar a vida eterna?
26 E elle lhe disse: Que está escripto na lei? Como lês?
27 E, respondendo elle, [26] disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o
teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o
teu entendimento; e [27] ao teu proximo como a ti mesmo.
28 E disse-lhe: Respondeste bem; faze isso, [28] e viverás.
29 Elle, porém, [29] querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E
quem é o meu proximo?
30 E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalem para Jericó,
e caiu nas mãos dos salteadores, os quaes o despojaram, e, espancando-o,
se retiraram, deixando-_o_ meio morto.
31 E, por acaso, descia pelo mesmo caminho _um_ certo sacerdote; e,
vendo-o, [30] passou de largo.
32 E d’egual modo tambem um levita, chegando-se ao logar, e vendo-_o_,
passou de largo.
33 Porém _um_ [31] certo samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé
d’elle, e, vendo-o, moveu-se de intima compaixão;
34 E, approximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhe azeite e vinho;
e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem, e cuidou
d’elle;
35 E, partindo ao [32] outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-_os_ ao
hospedeiro, e disse-lhe: Cuida d’elle; e tudo o que de mais gastares, eu
t’o pagarei quando voltar.
36 Qual, pois, d’estes tres te parece que foi o proximo d’aquelle que
caiu nas mãos dos salteadores?
37 E elle disse: O que usou de misericordia para com elle. Disse, pois,
Jesus: Vae, e faze da mesma maneira.