Act. 1.16-19.

27 E, chegando a manhã, [1] todos os principes dos sacerdotes, e os

anciãos do povo, formavam juntamente conselho contra Jesus, para o

matarem;

2 E levaram-n’o maniatado, [2] e entregaram-n’o ao [AFY] presidente

Poncio Pilatos.

3 Então Judas, [3] o que o trahira, vendo que fôra condemnado, devolveu,

arrependido, as trinta [AFZ] _moedas_ de prata aos principes dos

sacerdotes e aos anciãos,

4 Dizendo: Pequei, trahindo o sangue innocente. Elles, porém, disseram:

Que nos importa? Isso é comtigo.

5 E elle, atirando para o templo as _moedas_ de prata, [4] retirou-se, e,

indo, enforcou-se.

6 E os principes dos sacerdotes, tomando as _moedas_ de prata, disseram:

Não é licito mettel-as no cofre das offertas, porque são preço de sangue.

7 E, tendo deliberado juntamente, compraram com ellas o campo do oleiro,

para sepultura dos estrangeiros.

8 Por isso foi chamado aquelle campo, [5] até ao _dia d_’hoje, Campo de

sangue.

9 Então se realisou o que vaticinara o propheta Jeremias: [6] Tomaram

as trinta _moedas_ de prata, preço do avaliado, que os filhos d’Israel

avaliaram,

10 E deram-n’as pelo campo do oleiro, segundo o que o Senhor determinou.

_Jesus perante Pilatos._

Mar. 15.1-20. Luc. 23.1-25. João 18.26-28; 19.1-16.

11 E foi Jesus apresentado ao presidente, e o presidente o interrogou,

dizendo: És tu o Rei dos judeos? E disse-lhe [7] Jesus: Tu _o_ dizes.

12 E, sendo accusado pelos principes dos sacerdotes e pelos anciãos, [8]

nada respondeu.

13 Disse-lhe então Pilatos: [9] Não ouves quanto testificam contra ti?

14 E nem uma palavra lhe respondeu, de sorte que o presidente estava

muito maravilhado.

15 Ora, [10] _por occasião_ da festa, costumava o presidente soltar um

preso, escolhendo o povo aquelle que quizesse.

16 E tinham então um preso bem conhecido, chamado Barrabás.

17 Portanto, reunindo-se elles, disse-lhes Pilatos: Qual quereis que vos

solte? Barrabás, ou Jesus, chamado Christo?

18 Porque sabia que por inveja o haviam entregado.

19 E, estando elle assentado no tribunal, mandou sua mulher dizer-lhe:

Não entres na questão d’esse justo, porque n’um sonho muito soffri por

causa d’elle.

20 Mas os [11] principes dos sacerdotes e os anciãos persuadiram á

multidão que pedisse Barrabás e matasse Jesus.

21 E, respondendo o presidente, disse-lhes: Qual d’esses dois quereis vós

que eu solte? E elles disseram: Barrabás.

22 Disse-lhes Pilatos: Que farei então de Jesus, chamado Christo?

Disseram-lhe todos: Seja crucificado.

23 O [AGA] presidente, porém, disse: Pois que mal tem feito? E elles mais

clamavam, dizendo: Seja crucificado.

24 Então Pilatos, vendo que nada aproveitava, antes o tumulto [12]

crescia, tomando agua, lavou as mãos diante da multidão, dizendo: Estou

innocente do sangue d’este justo: considerae-o vós.

25 E, respondendo todo o povo, disse: O [13] seu sangue seja sobre nós e

sobre nossos filhos.

26 Então soltou-lhes Barrabás, e, tendo _mandado_ [14] açoitar a Jesus,

entregou-o para ser crucificado.

27 E logo os soldados do presidente, conduzindo Jesus [AGB] á audiencia,

reuniram junto d’elle toda a cohorte.

28 E, despindo-o, o cobriram com uma capa de [15] escarlata;

29 E, tecendo uma corôa [16] d’espinhos, pozeram-lh’a na cabeça, e em

sua _mão_ direita uma canna; e, ajoelhando diante d’elle, o escarneciam,

dizendo: Salve, Rei dos judeos.

30 E, cuspindo [17] n’elle, tiraram-lhe a canna, e batiam-lhe _com ella_

na cabeça.

31 E, depois de o haverem escarnecido, tiraram-lhe a capa, vestiram-lhe

os seus vestidos e o levaram a crucificar.

_A crucifixão._

Mar. 15.21-24. Luc. 23.26-49. João 19.17-37.

32 E, quando sahiam, [18] encontraram um homem cyreneo, chamado Simão: a

este constrangeram a levar a sua cruz.

33 E, chegando ao [19] logar chamado Golgotha, que se diz: Logar da

Caveira,

34 Deram-lhe a beber vinagre misturado [20] com fel; mas, provando-o, não

quiz beber.

35 E, havendo-o crucificado, repartiram [21] os seus vestidos, lançando

sortes: para que se cumprisse o que foi dito pelo propheta: Repartiram

[22] entre si os meus vestidos, e sobre a minha tunica lançaram sortes.

36 E, assentados, o [AGC] guardavam ali.

37 E por cima da sua cabeça pozeram [23] escripta a sua accusação: [24]

ESTE É JESUS, O REI DOS JUDEOS.

38 E foram crucificados [25] com elle dois salteadores, um á direita, e

outro á esquerda.

39 E os que passavam [26] blasphemavam d’elle, meneando as cabeças,

40 E dizendo: [27] Tu, que destroes o templo, e em tres dias o

reedificas, salva-te a ti mesmo; se és Filho de Deus, desce da cruz.

41 E da mesma maneira tambem os principes dos sacerdotes, com os

escribas, e anciãos, e phariseos, escarnecendo, diziam:

42 Salvou a outros, a si mesmo não pode salvar-se. Se é o Rei d’Israel,

desça agora da cruz, e creremos n’elle;

43 Confiou em Deus; [28] livre-o agora, se o ama; porque disse: Sou Filho

de Deus.

44 E o mesmo lhe lançaram tambem em rosto os salteadores [29] que estavam

crucificados com elle.

45 E desde a hora [30] sexta houve trevas sobre toda a terra, até á hora

nona.

46 E perto da hora nona exclamou Jesus em alta voz, [31] dizendo: Eli,

Eli, lama sabachthani; isto é, [32] Deus meu, Deus meu, porque me

desamparaste?

47 E alguns dos que ali estavam, ouvindo _isto_, diziam: Este chama por

Elias.

48 E logo um d’elles, correndo, tomou uma esponja, [33] e encheu-_a_ de

vinagre, e, pondo-_a_ n’uma canna, dava-lhe de beber.

49 Os outros, porém, diziam: Deixa, vejamos se Elias vem livral-o.

50 E Jesus, [34] clamando outra vez com grande voz, rendeu o espirito.

51 E eis que o véu do templo [35] se rasgou em dois, d’alto a baixo; e

tremeu a terra, e fenderam-se as [AGD] pedras,

52 E abriram-se os sepulchros, e muitos corpos de sanctos que dormiam

foram resuscitados,

53 E, saindo dos sepulchros, depois da resurreição d’elle, entraram na

cidade sancta, e appareceram a muitos.

54 E o centurião [36] e os que com elle guardavam a Jesus, vendo o

terremoto, e as _coisas_ que haviam succedido, tiveram grande temor, _e_

disseram: Verdadeiramente este era o Filho de Deus.

55 E estavam ali olhando de longe muitas mulheres que tinham seguido

Jesus desde a Galilea, [37] servindo-o,

56 Entre as quaes estavam Maria Magdalena, [38] e Maria, mãe de Thiago e

de José, e a mãe dos filhos de Zebedeo.

_A sepultura de Jesus._

Mar. 15.42-47. Luc. 23.50-57. João 19.38-42.

57 E, vinda já a tarde, chegou um homem rico de Arimathea, por nome José,

que tambem era discipulo de Jesus.

58 Este chegou a Pilatos, e pediu-lhe o corpo de Jesus. Então Pilatos

mandou que o corpo _lhe_ fosse dado.

59 E José, tomando o corpo, envolveu-o n’um fino e limpo lençol,

60 E o poz no seu sepulchro novo, [39] que havia lavrado n’_uma_ rocha,

e, revolvendo uma grande pedra para a porta do sepulchro, foi-se.

61 E estavam ali Maria Magdalena e a outra Maria, assentadas defronte do

sepulchro.

62 E no dia seguinte, que é depois da preparação, reuniram-se os

principes dos sacerdotes e os phariseos em casa de Pilatos,

63 Dizendo: Senhor, lembramo-nos de que aquelle enganador, vivendo ainda,

disse: [40] Depois de tres dias resuscitarei.

64 Manda pois que o sepulchro seja guardado com segurança até ao terceiro

dia, não seja caso que os seus discipulos vão de noite, e o furtem, e

digam ao povo: Resuscitou dos mortos; e _assim_ o ultimo erro será peior

do que o primeiro.

65 E disse-lhes Pilatos: [AGE] Tendes a guarda; ide, guardae-_o_ como

entenderdes.

66 E, indo elles, seguraram o sepulchro com a guarda, [41] sellando a

pedra.

[1] Psa. 2.2. Mar. 15.1. Luc. 22.66 e 23.1. João 18.28.

[2] cap. 20.19. Act. 3.13.

[3] cap. 26.14, 15.

[4] II Sam. 17.23. Act. 1.18.

[5] Act. 1.19.

[6] Zac. 11.12, 13.

[7] João 18.37. I Tim. 6.13.

[8] cap. 26.53. João 19.9.

[9] cap. 26.62. João 19.10.

[10] Mar. 15.6. Luc. 21.17. João 18.39.

[11] Mar. 15.11. Luc. 23.18. João 18.40. Act. 8.14.

[12] Deu. 21.6.

[13] Deu. 19.10. Jos. 2.19. II Sam. 1.16. I Reis 2.32. Act. 5.28.

[14] Isa. 53.5. Mar. 15.15 e 16. Luc. 23.16, 24, 25. João 19.1, 16 e 19.2.

[15] Luc. 23.11. João 19.2.

[16] Psa. 69.20. Isa. 53.3.

[17] Isa. 50.6. cap. 26.67.

[18] Num. 15.35. I Reis 21.13. Act. 7.57. Heb. 13.12.

[19] Mar. 15.22. Luc. 23.33. João 19.17.

[20] Psa. 69.21. ver. 48.

[21] Mar. 15.24. Luc. 23.34. João 19.24.

[22] Psa. 22.18.

[23] ver. 54.

[24] Mar. 15.26. Luc. 23.38. João 19.19.

[25] Isa. 53.12. Mar. 15.27. Luc. 23.32, 33. João 19.18.

[26] Psa. 22.7 e 109.25. Mar. 15.29. Luc. 23.35.

[27] cap. 26.61, 63. João 2.19.

[28] Psa. 22.7, 8.

[29] Mar. 13.32. Luc. 23.39.

[30] Amós 8.9. Mar. 15.33. Luc. 23.44.

[31] Heb. 5.7.

[32] Psa. 22.1.

[33] Psa. 69.21. Mar. 15.36. Luc. 23.36. João 19.29.

[34] Mar. 15.37. Luc. 23.46.

[35] Exo. 26.31. II Chr. 3.14. Mar. 15.38. Luc. 23.45.

[36] ver. 36. Mar. 15.39. Luc. 23.47.

[37] Luc. 8.2, 3.

[38] Mar. 15.40.

[39] Isa. 53.9.

[40] cap. 16.21 e 26.61. Mar. 8.31 e 10.34. Luc. 9.22 e 24.6. João 2.19.

[41] Dan. 6.17.

_A resurreição._

Mar. 16.1-8. Luc. 24.1-12. João 20.1-18.

28 E, no fim do sabbado, quando já começava a despontar para o primeiro

_dia_ da semana, Maria Magdalena e a outra Maria foram vêr o sepulchro;

2 E eis que houvera um grande terremoto, porque o anjo [1] do Senhor,

descendo do céu, chegou, e revolveu a pedra da porta, e estava assentado

sobre ella.

3 E o seu [2] aspecto era como um relampago, e o seu vestido branco como

neve.

4 E os guardas, com medo d’elle, ficaram muito assombrados, e tornaram-se

como mortos.

5 Mas o anjo, fallando, disse ás mulheres: Vós não tenhaes medo; pois eu

sei que buscaes a Jesus, que foi crucificado.

6 Não está aqui, porque _já_ resuscitou, como havia dito. [3] Vinde, vêde

o logar onde o Senhor jazia.

7 E ide immediatamente, e dizei aos seus discipulos que _já_ resuscitou

dos mortos. E eis que elle vae [4] adiante de vós para a Galilea; ali o

vereis. Eis que eu vol-o tenho dito.

8 E, saindo ellas pressurosamente do sepulchro, com temor e grande

alegria, correram a annuncial-o aos seus discipulos;

9 E, indo ellas annuncial-o aos seus discipulos, eis que Jesus lhes sae

ao encontro, [5] dizendo: Eu vos saúdo. E ellas, chegando, abraçaram os

seus pés, e o adoraram.

10 Então Jesus disse-lhes: Não temaes; ide, e annunciae a [6] meus irmãos

que vão a Galilea, e lá me verão.

_A mentira dos judeos._

11 E, indo ellas, eis que alguns da guarda, chegando á cidade,

annunciaram aos principes dos sacerdotes todas as coisas que haviam

acontecido.

12 E, congregados elles com os anciãos, e tomando conselho entre si,

deram muito dinheiro aos soldados, dizendo:

13 Dizei: Vieram de noite os seus discipulos e, dormindo nós, o furtaram;

14 E, se isto chegar a ser ouvido pelo [AGF] presidente, nós o

persuadiremos, e vos poremos em segurança.

15 E elles, recebendo o dinheiro, fizeram como estavam instruidos. E foi

divulgado este dito entre os judeos, até ao _dia d_’hoje.

_Jesus apparece aos seus discipulos em Galilea._

16 E os onze discipulos partiram para Galilea, para o monte, que [7]

Jesus lhes tinha destinado.

17 E, quando o viram o adoraram; mas alguns duvidaram.

18 E, chegando-se Jesus, fallou-lhes, dizendo: [8] É-me dado todo o poder

no céu e na terra.

19 Portanto ide, [9] [AGG] ensinae todas as nações, baptizando-as em nome

do Pae, e do Filho e do Espirito Sancto;

20 Ensinando-as [10] a guardar todas as _coisas_ que eu vos tenho

mandado; e eis que eu estou comvosco todos os dias, até á consummação do

mundo. Amen.

[1] Mar. 16.5. Luc. 24.4. João 20.12.

[2] Dan. 10.6.

[3] cap. 12.40 e 16.21 e 17.22 e 20.19.

[4] cap. 26.32. Mar. 16.7.

[5] Mar. 16.9. João 20.14.

[6] João 20.17. Rom. 3.29. Heb. 2.11.

[7] cap. 26.32.

[8] Dan. 7.14. cap. 11.27. Luc. 10.22. João 13.3 e 17.2. Act. 2.36. Rom.

14.9. I Cor. 15.27. Eph. 1.10. Phi. 2.9. Heb. 1.2 e 2.8. I Ped. 3.22.

Apo. 17.14.

[9] Mar. 16.15. Isa. 52.10. Luc. 24.47. Act. 2.38. Rom. 10.18. Col. 1.23.

[10] Act. 2.42.

O SANCTO EVANGELHO SEGUNDO S. MARCOS.

_João Baptista._

Mat. 3.1-12, etc.

[Anno Domini 30]

1 Principio do Evangelho de Jesus Christo, Filho [1] de Deus;

2 Como está escripto nos prophetas: [2] Eis-que eu envio o meu anjo ante

a tua face, o qual preparará o teu caminho diante de ti.

3 Voz do que clama no [3] deserto: preparae o caminho do Senhor,

endireitae as suas veredas.

4 Estava João baptizando no deserto, [4] e pregando o baptismo do

arrependimento, para remissão dos peccados.

5 E toda a provincia da Judea e os de Jerusalem iam ter com elle; [5]

e todos eram baptizados por elle no rio Jordão, confessando os seus

peccados.

6 E João andava [6] vestido de pellos de camelo, e com um cinto de coiro

em redor de seus lombos, e comia gafanhotos e mel silvestre.

7 E prégava, dizendo: Após mim vem aquelle que é mais forte do que eu,

[7] ao qual não sou digno de, encurvande me, desatar a correia das suas

alparcas.

8 Eu, em verdade, tenho-vos [8] baptizado com agua; elle, porém, vos

baptizará com o Espirito Sancto.

_O baptismo e tentação de Jesus._

Mat. 3.13-17; 4.1-11.

9 E aconteceu [9] n’aquelles dias que Jesus, tendo ido de Nazareth, da

Galilea, foi baptizado por João, no Jordão.

10 E, logo que saiu [10] da agua, viu os céus abertos, e o Espirito, que

como pomba descia sobre elle.

11 E ouviu-se uma voz dos céus, _que dizia_: Tu és o meu [11] Filho amado

em quem me comprazo.

12 E logo [12] o Espirito o impelliu para o deserto,

13 E esteve ali no deserto quarenta dias, tentado por Satanaz. E estava

com as féras, [13] e os anjos o serviam.

_Vocação dos primeiros apostolos._

Mat. 4.12-25.

14 E, depois que João foi entregue á prisão, veiu Jesus para a Galilea,

prégando o Evangelho do reino de Deus,

15 E dizendo: [14] O tempo está cumprido, e o reino de Deus está proximo.

Arrependei-vos, [15] e crede no Evangelho.

16 E, andando junto do mar da Galilea, [16] viu Simão, e André, seu

irmão, que lançavam a rede ao mar, porque eram pescadores.

17 E Jesus lhes disse: Vinde após mim, e eu farei que sejaes pescadores

de homens.

18 E, [17] deixando logo as suas redes, o seguiram.

19 E, passando d’ali [18] um pouco mais adiante, viu Thiago, _filho_ de

Zebedeo, e João, seu irmão, que _estavam_ no barco concertando as _redes_,

20 E logo os chamou. E elles, deixando o seu pae Zebedeo no barco com os

jornaleiros, foram após elle.

_A cura do endemoninhado de Capernaum._

Luc. 4.31-37.

21 E entraram em [19] Capernaum, e, logo no sabbado, entrando na

synagoga, ensinava.

22 E maravilharam-se [20] da sua doutrina, porque os ensinava como tendo

auctoridade, e não como os escribas.

23 E [21] estava na synagoga d’elles um homem com um espirito immundo, e

exclamou, dizendo:

24 Ah! que temos [22] comtigo, Jesus nazareno? Vieste destruir-nos? Bem

sei quem és: o Sancto de Deus.

25 E reprehendeu-o Jesus, [23] dizendo: Cala-te, e sae d’elle.

26 Então o espirito immundo, despedaçando-o, [24] e clamando com grande

voz, saiu d’elle.

27 E todos se admiraram, a ponto de perguntarem entre si, dizendo: Que

é isto? que nova doutrina _é_ esta? pois até com auctoridade ordena aos

espiritos immundos, e elles lhe obedecem!

28 E logo correu a sua fama por toda a provincia da Galilea.

_A cura da sogra de Pedro._

Mat. 8.14-17.

29 E [25] logo, saindo da synagoga, foram a casa de Simão e de André com

Thiago e João.

30 E a sogra de Simão estava deitada com febre; e logo lhe fallaram

d’ella.

31 Então, chegando-se a ella, tomou-a pela mão, e levantou-a: e logo a

febre a deixou, e servia-os.

32 E, tendo chegado a [26] tarde, quando já se estava pondo o sol,

trouxeram-lhe todos os que se achavam enfermos, e os endemoninhados.

33 E toda a cidade se ajuntou á porta.

34 E curou muitos que se _achavam_ enfermos de diversas enfermidades,

[27] e expulsou muitos demonios, porém não deixava fallar os demonios,

porque o conheciam.

35 E, levantando-se de manhã muito cedo, [28] fazendo ainda escuro, saiu,

e foi para um logar deserto, e ali orava.

36 E seguiram-n’o Simão e os que com elle estavam.

37 E, achando-o, lhe disseram: Todos te buscam.

38 E elle lhes disse: [29] Vamos ás aldeias visinhas, para que eu ali

tambem prégue; porque para [30] isso vim.

39 E prégava nas synagogas d’elles por toda a [31] Galilea, e expulsava

os demonios.

_A cura d’um leproso._

Mat. 8.1-4, etc.

[Anno Domini 31]

40 E approximou-se d’elle [32] um leproso, rogando-lhe, e pondo-se de

joelhos diante d’elle, e dizendo-lhe: Se queres, podes limpar-me.

41 E Jesus, movido de grande compaixão, estendeu a mão, e tocou-o, e

disse-lhe: Quero; sê limpo.

42 E, tendo elle dito _isto_, logo a lepra desappareceu, e ficou limpo.

43 E, ameaçando-o, logo o despediu de si,

44 E disse-lhe: Olha, não digas nada a ninguem; porém vae, mostra-te ao

sacerdote, e offerece pela tua purificação o que [33] Moysés determinou,

para lhes servir de testemunho.

45 Mas, [34] tendo elle saido, começou a apregoar muitas coisas, e

a divulgar o que acontecera; de sorte que Jesus já não podia entrar

publicamente na cidade, mas conservava-se fóra em logares desertos: [35]

e de todas as partes iam ter com elle.

[1] Mat. 14.33. Luc. 1.35. João 1.34.

[2] Mal. 3.1. Mat. 11.10. Luc. 7.27.

[3] Isa. 40.3. Mat. 3.3. Luc. 3.4. João 1.15.

[4] Mat. 3.1. Luc. 3.3. João 3.23.

[5] Mat. 3.5.

[6] Mat. 3.4. Lev. 11.22.

[7] Mat. 3.11. João 1.27. Act. 13.25.

[8] Act. 1.5 e 11.16 e 19.4. Isa. 44.3. Joel 2.28. Act. 2.4 e 10.45. I

Cor. 12.13.

[9] Mat. 13.18. Luc. 3.21.

[10] Mat. 3.16. João 1.32.

[11] Psa. 2.7. Mat. 3.17. cap. 9.7.

[12] Mat. 4.1. Luc. 4.1.

[13] Mat. 4.11.

[14] Dan. 9.25. Gal. 4.4. Eph. 1.10.

[15] Mat. 3.2 e 4.17.

[16] Mat. 4.18. Luc. 5.4.

[17] Mat. 19.27. Luc. 5.11.

[18] Mat. 4.21.

[19] Mat. 4.13.

[20] Mat. 7.28.

[21] Luc. 4.33.

[22] Mat. 8.29.

[23] ver. 34.

[24] cap. 9.19.

[25] Luc. 4.38.

[26] Mat. 8.16. Luc. 4.40.

[27] cap. 3.12. Luc. 4.41. Act. 16.17.

[28] Luc. 4.42.

[29] Luc. 4.43.

[30] Isa. 61.1. João 16.28 e 17.4.

[31] Mat. 4.23. Luc. 4.44.

[32] Luc. 5.12.

[33] Lev. 14.3, 4, 10. Luc. 5.14.

[34] Luc. 5.15.

[35] cap. 2.13.

_O paralytico de Capernaum._

Mat. 9.1-8, etc.

2 E alguns [1] dias depois entrou outra vez em Capernaum, e ouviu-se que

estava em casa.

2 E logo se ajuntaram tantos, que nem ainda nos _logares_ junto á porta

cabiam; e annunciava-lhes a palavra.

3 Então foram ter com elle _uns_ que conduziam um paralytico, trazido por

quatro,

4 E, não podendo approximar-se d’elle, por causa da multidão, descobriram

o telhado onde estava, e, fazendo um buraco, baixaram o leito em que

jazia o paralytico.

5 E Jesus, vendo a fé d’elles, disse ao paralytico: Filho, estão

perdoados os teus peccados.

6 E estavam ali assentados alguns dos escribas, que arrazoavam em seus

corações, _dizendo_:

7 Porque diz este assim blasphemias? Quem pode perdoar peccados, senão

Deus?

8 E Jesus, [2] conhecendo logo em seu espirito que assim arrazoavam entre

si, lhes disse: Porque arrazoaes sobre estas _coisas_ em vossos corações?

9 Qual é mais fácil? [3] dizer ao paralytico: [4] Estão perdoados os

_teus_ peccados; ou dizer-_lhe_: Levanta-te, e toma o teu leito, e anda?

10 Pois para que saibaes que o Filho do homem tem na terra poder para

perdoar peccados (disse ao paralytico),

11 A ti te digo: Levanta-te, e toma o teu leito, e vae para tua casa.

12 E levantou-se, e, tomando logo o leito, saiu em presença de todos, de

sorte que todos se admiraram e glorificaram a Deus, dizendo: Nunca tal

vimos.

_A vocação de Levi._

Mat. 9.9-13.

13 E tornou a sair para o mar, e toda a multidão ia ter com elle, e elle

os ensinava.

14 E, passando, [5] viu Levi, _filho_ d’Alpheo, assentado na [AGH]

alfandega, e disse-lhe: Segue-me. E, levantando-se, o seguiu.

15 E aconteceu [6] que, estando elle sentado _á mesa_ em casa d’elle,

tambem estavam assentados á mesa com Jesus e seus discipulos muitos

publicanos e peccadores; porque eram muitos, e o tinham seguido.

16 E os escribas e phariseos, vendo-o comer com os publicanos e

peccadores, disseram aos seus discipulos: Porque come e bebe elle com os

publicanos e peccadores?

17 E Jesus, tendo ouvido isto, disse-lhes: [7] Os sãos não necessitam de

medico, mas, sim, os que estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas

sim os peccadores, ao arrependimento.

_O jejum._

Mat. 9.14-17, etc.

18 Ora os discipulos de [8] João e os dos phariseos jejuavam; e foram e

disseram-lhe: Porque jejuam os discipulos de João e os dos phariseos, e

não jejuam os teus discipulos?

19 E Jesus disse-lhes: Podem _porventura_ os filhos [AGI] das bodas

jejuar emquanto está com elles o esposo? Emquanto teem comsigo o esposo,

não podem jejuar;

20 Mas dias virão em que lhes será tirado o esposo, e então jejuarão

n’aquelles dias.

21 Ninguém deita remendo de panno novo em vestido velho; d’outra sorte o

mesmo remendo novo rompe o velho, e a rotura fica maior;

22 E ninguem deita vinho novo em odres velhos; d’outra sorte, o vinho

novo rompe os odres, o vinho entorna-se, e os odres estragam-se; porém o

vinho novo deve ser deitado em odres novos.

_Jesus é Senhor do sabbado._

Mat. 12.1-8.

23 E [9] aconteceu que, passando elle n’_um_ sabbado pelas searas, os

seus discipulos, caminhando, [10] começaram a colher espigas.

24 E os phariseos lhe disseram: Vês? porque fazem no sabbado o que não é

licito?

25 Mas elle disse-lhes: [11] Nunca lestes o que fez David quando estava

em necessidade e teve fome, elle e os que com elle _estavam_?

26 Como entrou na casa de Deus, no tempo de Abiathar, summo sacerdote, e

comeu [12] os pães da proposição, dos quaes não era licito comer, senão

aos sacerdotes, e tambem deu aos que com elle estavam?

27 E disse-lhes: O sabbado foi feito por causa do homem, _e_ não o homem

por causa do sabbado.

28 Assim [13] que o Filho do homem é Senhor até do sabbado.

[1] Luc. 5.13.

[2] Job 14.4. Isa. 42.35.

[3] Mat. 9.4.

[4] Mat. 9.5.

[5] Mat. 9.9. Luc. 5.27.

[6] Mat. 9.10.

[7] Mat. 9.12, 13 e 18.11. Deu. 5.31, 32 e 19.10. I Tim. 1.15.

[8] Luc. 5.33.

[9] Luc. 6.1.

[10] Deu. 23.25.

[11] I Sam. 21.6.

[12] Exo. 29.32, 33. Lev. 24.9. I Sam. 21.6.

[13] Mat. 12.8.

_A cura de um que tinha uma das mãos mirrada._

Mat. 12.9-21, etc.

3 E outra vez entrou [1] na synagoga, e estava ali um homem que tinha uma

das mãos mirrada.

2 E estavam observando-o se curaria no sabbado, para o accusarem.

3 E disse ao homem que tinha a mão secca: Levanta-te para o meio.

4 E disse-lhes: É licito no sabbado fazer bem, ou fazer mal? salvar a

vida, ou matar? E elles calavam-se.

5 E, olhando para elles em redor com indignação, condoendo-se da dureza

do seu coração, disse ao homem: Estende a tua mão. E elle _a_ estendeu, e

foi-lhe restituida a sua mão, sã como a outra.

6 E, tendo saido [2] os phariseos, tomaram logo conselho com os

herodianos contra elle, [3] como o matariam.

7 E retirou-se Jesus com os seus discipulos para o mar, e seguia-o uma

grande multidão da Galilea [4] e da Judea,

8 E de Jerusalem, e da Idumea, e _d_’além do Jordão; e de perto de Tyro e

Sidon uma grande multidão, ouvindo quão grandes _coisas_ fazia, veem ter

com elle.

9 E disse aos seus discipulos que lhe tivessem sempre prompto um

barquinho junto d’elle, por causa da multidão, para que o não opprimisse,

10 Porque tinha curado a muitos, de tal maneira que todos quantos tinham

_algum_ [AGJ] mal se arrojavam sobre elle, para o tocarem.

11 E os espiritos [5] immundos, vendo-o, prostravam-se diante d’elle, e

clamavam, dizendo: Tu és [6] o Filho de Deus.

12 E elle os ameaçava muito, para que não o manifestassem.

_A eleição dos doze._

Mat. 10.1-4, etc.

13 E subiu ao [7] monte, e chamou _para si_ os que elle quiz; e vieram a

elle.

14 E ordenou aos doze que estivessem com elle, para que os mandasse a

prégar,

15 E para que tivessem o poder de curar as enfermidades e expulsar os

demonios:

16 A Simão, [8] a quem poz o nome de Pedro,

17 E a Thiago, _filho_ de Zebedeo, e a João, irmão de Thiago, aos quaes

poz o nome de Boanerges, que significa: Filhos do trovão;

18 E a André, e a Philippe, e a Bartholomeo, e a Mattheus, e a Thomé, e a

Thiago, _filho_ de Alpheo, e a Thadeo, e a Simão, o cananeo,

19 E a Judas Iscariotes, o que o entregou.

_A blasphemia dos escribas._

Luc. 11.14-23, etc.

20 E foram para casa. E ajuntou-se outra vez a multidão, [9] de tal

maneira que nem sequer podiam comer pão.

21 E, quando os seus ouviram _isto_, sairam para o prender; [10] porque

diziam: Está fóra de si.

22 E os escribas, que tinham descido de Jerusalem, diziam: [11] Tem

Beelzebu, e pelo principe dos demonios expulsa os demonios.

23 E, chamando-os a si, [12] disse-lhes por parabolas: Como pode Satanaz

expulsar Satanaz?

24 E, se um reino se dividir contra si mesmo, tal reino não pode

subsistir.

25 E, se uma casa se dividir contra si mesma, tal casa não pode subsistir.

26 E, se Satanaz se levantar contra si mesmo, e fôr dividido, não pode

subsistir; antes tem fim.

27 Ninguem [13] pode roubar as alfaias do valente, entrando-lhe em sua

casa, se primeiro não manietar o valente; e então roubará a sua casa.

28 Na verdade vos digo [14] que todos os peccados serão perdoados aos

filhos dos homens, e toda a sorte de blasphemias, com que blasphemarem;

29 Qualquer, porém, que blasphemar contra o Espirito Sancto, nunca obterá

perdão para sempre, [AGK] mas será réu do eterno juizo.

30 (Porque diziam: Tem espirito immundo.)

_A familia de Jesus._

Mat. 12.46-50.

31 Chegaram então _seus_ irmãos e sua mãe, [15] e, estando de fóra,

enviaram a elle, chamando-o.

32 E a multidão estava assentada ao redor d’elle, e disseram-lhe: Eis que

tua mãe e teus irmãos te buscam lá fóra.

33 E elle lhes respondeu, dizendo: Quem é minha mãe e meus irmãos?

34 E, olhando em redor para os que estavam assentados junto d’elle,

disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos.

35 Porque qualquer que fizer a vontade de Deus esse é meu irmão, e minha

irmã, e minha mãe.

[1] Luc. 6.6.

[2] Mat. 12.14.

[3] Mat. 22.16.

[4] Luc. 6.17.

[5] cap. 1.23, 24. Luc. 4.41. Mat. 14.33.

[6] Mat. 12.16. cap. 1.25, 34.

[7] Luc. 6.12 e 9.1.

[8] João 1.42.

[9] cap. 6.31.

[10] João 7.5 e 10.20.

[11] Mat. 9.34. Luc. 11.15. João 7.20 e 8.48.

[12] Mat. 12.25.

[13] Isa. 49.24. Mat. 12.29.

[14] Mat. 12.31. Luc. 12.10. I João 5.16.

[15] Luc. 8.19.

_A parabola do semeador._

Mat. 13.1-23.

4 E outra vez começou a [1] ensinar junto do mar, e juntou-se a elle

_uma_ grande multidão, de sorte que elle, entrando em um barco, se

assentou _dentro_, no mar; e toda a multidão estava em terra junto do mar.

2 E ensinava-lhes [2] muitas _coisas_, e lhes dizia na sua doutrina:

3 Ouvi: Eis que saiu o semeador a semear;

4 E aconteceu que, semeando elle, uma _parte da semente_ caiu junto do

caminho, e vieram as aves do céu, e a comeram;

5 E outra caiu sobre pedregaes, onde não havia muita terra, e nasceu

logo, porque não tinha terra profunda;

6 Mas, saindo o sol, queimou-se; e, porque não tinha raiz, seccou-se.

7 E outra caiu entre espinhos, e, crescendo os espinhos, a suffocaram e

não deu fructo.

8 E outra caiu em boa [3] terra e deu fructo, que vingou e cresceu; e um

produziu trinta, outro sessenta, e outro cem.

9 E disse-lhes: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

10 E, quando [4] se achou só, os que estavam junto d’elle com os doze

interrogaram-n’o ácerca da parabola.

11 E elle disse-lhes: A vós é dado saber os mysterios do reino de Deus,

mas aos que estão de fóra [5] todas _estas coisas_ se dizem por parabolas,

12 Para que, vendo, [6] vejam, e não percebam; e, ouvindo, ouçam, e não

entendam; para que se não convertam, e lhes sejam perdoados os _seus_

peccados.

13 E disse-lhes: Não sabeis esta parabola? como pois entendereis todas as

parabolas?

14 O que semeia, [7] semeia a palavra;

15 E os que estão junto do caminho são aquelles em quem a palavra é

semeada; mas, tendo-a ouvido, vem logo Satanaz e tira a palavra que foi

semeada nos seus corações.

16 E da mesma sorte os que recebem a semente sobre pedregaes; os quaes,

ouvindo a palavra, logo com prazer a recebem,

17 Mas não teem raiz em si mesmos, antes são temporãos; depois,

sobrevindo tribulação ou perseguição por causa da palavra, logo se

escandalizam.

18 E outros são os que recebem a semente entre espinhos, os quaes ouvem a

palavra,

19 Mas os cuidados d’este mundo, e os enganos das [8] riquezas e

as ambições d’outras coisas, entrando, soffocam a palavra, e fica

infructifera.

20 E os que recebem a semente em boa terra, são os que ouvem a palavra e

_a_ recebem, e dão fructo, um trinta, outro sessenta, outro cem.

_A parabola da candeia._

Luc. 8.16-18.

21 E disse-lhes: [9] Vem _porventura_ a candeia para se metter debaixo do

alqueire, ou debaixo da cama? não _vem antes_ para se collocar no velador?

22 Porque nada ha [10] encoberto que não haja de ser manifesto; e nada se

faz _para ficar_ occulto, mas para ser descoberto.

23 Se alguém tem ouvidos [11] para ouvir, ouça.

24 E disse-lhes: Attendei ao que ides ouvir. [12] Com a medida com que

medirdes ser-vos-ha medido, e ser-vos-ha accrescentado.

25 Porque ao que [13] tem, ser-lhe-ha dado; e, ao que não tem, até o que

tem lhe será tirado.

_A parabola da semente._

26 E dizia: [14] O reino de Deus é assim como se um homem lançasse

semente á terra,

27 E dormisse, e se levantasse de noite e de dia, e a semente brotasse e

crescesse, não sabendo elle como.

28 Porque a terra por si mesma fructifica, primeiro a herva, depois a

espiga, e por ultimo o grão cheio na espiga.

29 E, quando _já_ o fructo se mostra, mette-lhe logo a [15] foice, porque

está chegada a ceifa.

_A parabola do grão de mostarda._

Mat. 13.31, 32.

30 E dizia: [16] A que assimilharemos o reino de Deus? ou com que

parabola o compararemos?

31 É como um grão de mostarda, que, quando se semeia na terra, é a mais

pequena de todas as sementes que ha na terra;

32 Mas, tendo sido semeado, cresce; e faz-se a maior de todas as

hortaliças, e cria grandes ramos, de tal maneira que as aves do céu podem

aninhar-se debaixo da sua sombra.

33 E com muitas parabolas taes lhes fallava a palavra, [17] segundo o que

podiam ouvir.

31 E sem parabolas nunca lhes fallava; porém tudo declarava em particular

aos seus discipulos.

_Jesus apazigua a tempestade._

Mat. 8.23-27, etc.

35 E, n’aquelle dia, [18] sendo já tarde, disse-lhes: Passemos para a

outra banda.

36 E elles, deixando a multidão, o levaram comsigo, assim como estava no

barco; e havia tambem com elle outros barquinhos.

37 E levantou-se _uma_ grande tempestade de vento, e subiam as ondas por

cima do barco, de maneira que já se enchia.

38 E elle estava na pôpa dormindo sobre uma almofada, e despertaram-n’o,

e disseram-lhe: Mestre, não se te dá que pereçamos?

39 E elle, despertando, reprehendeu o vento, e disse ao mar: Cala-te,

aquieta-te. E o vento se aquietou, e houve grande bonança.

40 E disse-lhes: Porque sois tão timidos? Porque não tendes fé?

41 E sentiram um grande temor, e diziam uns aos outros: Mas quem é este,

que até o vento e o mar lhe obedecem?

[1] Luc. 8.4.

[2] cap. 12.38.

[3] João 15.5. Col. 1.6.

[4] Mat. 13.10. Luc. 8.9, etc.

[5] I Cor. 5.12. Col. 4.5. I The. 4.11. I Tim. 3.7.

[6] Isa. 6.9. Mat. 13.14. Luc. 8.10. João 12.40. Act. 28.26. Rom. 11.8.

[7] Mat. 13.19.

[8] I Tim. 6.9, 17.

[9] Mat. 5.15.

[10] Mat. 10.26. Luc. 12.2.

[11] Mat. 11.15. ver. 9.

[12] Mat. 7.2. Luc. 6.38.

[13] Mat. 13.12 e 25.29. Luc. 8.18 e 19.26.

[14] Mat. 13.24.

[15] Apo. 14.15.

[16] Luc. 13.18. Act. 2.41 e 4.4 e 5.14 e 19.20.

[17] Mat. 13.34. João 16.12.

[18] Luc. 8.22.

_O endemoninhado gadareno._

Mat. 8.26-34.

5 E chegaram á outra banda do mar, á provincia dos gadarenos.

2 E, saindo elle do barco, lhe saiu ao seu encontro logo, dos sepulchros,

um homem com espirito immundo;

3 O qual tinha a _sua_ morada nos sepulchros, e nem ainda com cadeias o

podia alguem prender;

4 Porque, tendo sido muitas vezes preso com grilhões e cadeias, as

cadeias foram por elle feitas em pedaços, e os grilhões em migalhas, e

ninguem o podia amansar.

5 E andava sempre, de dia e de noite, clamando pelos montes, e pelos

sepulchros, e ferindo-se com pedras.

6 E, quando viu Jesus ao longe, correu e adorou-o.

7 E, clamando com grande voz, disse: Que tenho eu comtigo, Jesus, Filho

do Deus Altissimo? conjuro-te por Deus que não me atormentes.

8 (Porque lhe dizia: Sae d’este homem, espirito immundo.)

9 E perguntou-lhe: Qual é o teu nome? E lhe respondeu, dizendo: Legião

_é_ o meu nome, porque somos muitos.

10 E rogava-lhe muito que os não enviasse para fóra d’aquella provincia.

11 E andava ali pastando no monte uma grande manada de porcos.

12 E todos _aquelles_ demonios lhe rogaram, dizendo: Manda-nos para

aquelles porcos, para que entremos n’elles.

13 E Jesus logo lh’o permittiu. E, saindo aquelles espiritos immundos,

entraram nos porcos; e a manada se precipitou por um despenhadeiro no mar

(eram quasi dois mil), e afogaram-se no mar.

14 E os que apascentavam os porcos fugiram, e o annunciaram na cidade e

nos campos; e sairam a vêr o que era aquillo que tinha acontecido.

15 E foram ter com Jesus, e viram o endemoninhado, o que tivera a legião,

assentado, vestido e em perfeito juizo, e temeram.

16 E os que _aquillo_ tinham visto contaram-lhes o que acontecera ao

endemoninhado; e ácerca dos porcos.

17 E começaram [1] a rogar-lhe que se fosse dos seus termos.

18 E, entrando elle no barco, rogara-lhe o que [2] fôra endemoninhado

_que o deixasse_ estar com elle.

19 Jesus, porém, não lh’o permittiu, mas disse-lhe: Vae para tua casa,

para os teus, e annuncia-lhes quão grandes _coisas_ o Senhor te fez, e

_como_ teve misericordia de ti.

20 E foi, e começou a annunciar em Decapolis quão grandes _coisas_ Jesus

lhe fizera; e todos se maravilhavam.

_A filha de Jairo. A mulher que tinha um fluxo de sangue._

Mat. 9.18-26. Luc. 8.40-46.

21 E, passando Jesus outra vez n’um barco para a outra banda, ajuntou-se

a elle uma grande multidão; e elle estava junto do mar.

22 E, eis que chegou [3] um dos principaes da synagoga, por nome Jairo,

e, vendo-o, prostrou-se aos seus pés,

23 E rogava-lhe muito, dizendo: Minha filha está moribunda; _rogo-te_ que

venhas e lhe imponhas as mãos para que sare, e viva.

24 E foi com elle, e seguia-o uma grande multidão, que o apertava.

25 E _uma_ certa mulher, [4] que, havia doze annos tinha um fluxo de

sangue,

26 E que havia padecido muito com muitos medicos, e dispendido tudo

quanto tinha, nada lhe aproveitando, antes indo a peior;

27 Ouvindo _fallar_ de Jesus, veiu por detraz, entre a multidão, e tocou

o seu vestido.

28 Porque dizia: Se tão sómente tocar os seus vestidos, sararei.

29 E logo se lhe seccou a fonte do seu sangue; e sentiu no _seu_ corpo

estar _já_ curada d’aquelle [AGL] açoite.

30 E logo Jesus, conhecendo que a virtude de si mesmo saira, [5]

voltando-se para a multidão, disse: Quem tocou os meus vestidos?

31 E disseram-lhe os seus discipulos: Vês que a multidão te aperta, e

dizes: Quem me tocou?

32 E elle olhava em redor, para vêr a que isto fizera.

33 Então a mulher, que sabia o que lhe tinha acontecido, temendo e

tremendo, approximou-se, e prostrou-se diante d’elle, e disse-lhe toda a

verdade.

34 E elle lhe disse: [6] Filha, a tua fé te salvou; vae em paz, e sê

curada d’este teu açoite.

35 Estando elle ainda [7] fallando, chegaram _alguns_ do principal da

synagoga, dizendo: A tua filha está morta; para que enfadas mais o Mestre?

36 E Jesus, tendo ouvido esta palavra que se dizia, disse ao principal da

synagoga: Não temas, crê sómente.

37 E não permittiu que alguem o seguisse, senão Pedro, e Thiago, e João,

irmão de Thiago.

38 E, tendo chegado a casa do principal da synagoga, viu o alvoroço, e os

que choravam muito e pranteavam.

39 E, entrando, disse-lhes: Porque vos alvoroçaes e choraes? a menina não

está morta, [8] mas dorme.

40 E riam-se d’elle; porém elle, tendo-_os_ posto a todos fóra, [9] tomou

comsigo o pae e a mãe da menina, e os que com elle estavam, e entrou

aonde a menina estava deitada.

41 E, tomando a mão da menina, disse-lhe: Talitha cumi: que, traduzido é:

Filhinha, a ti te digo, levanta-te.

42 E logo a menina se levantou, e andava, pois _já_ tinha doze annos: e

assombraram-se com grande espanto.

43 E mandou-lhes [10] expressamente que ninguem o soubesse; e disse que

lhe dessem de comer.

[1] Mat. 8.34.

[2] Luc. 8.38.

[3] Mat. 9.18. Luc. 8.41.

[4] Lev. 15.25. Mat. 9.20.

[5] Luc. 6.19 e 8.46.

[6] Mat. 9.22. cap. 10.52. Act. 14.9.

[7] Luc. 8.49.

[8] João 11.11.

[9] Act. 9.40.

[10] Mat. 8.4 e 9.30 e 12.16 e 17.9. Luc. 5.14.

_Jesus retira-se para Nazareth._

Mat. 13.53-58, etc.

6 E partiu d’ali, [1] e chegou á sua patria, e os seus discipulos o

seguiram.

2 E, chegando o sabbado, começou a ensinar na synagoga; e muitos,

ouvindo-_o_, se admiravam, dizendo: [2] D’onde _veem_ a este estas

_coisas_? e que sabedoria _é_ esta que lhe foi dada? e taes maravilhas,

que por suas mãos se fazem?

3 Não é este o carpinteiro, filho de Maria, [3] e irmão de Thiago, e de

José, e de Judas e de Simão? e não estão aqui comnosco suas irmãs? [4] E

escandalizavam-se n’elle.

4 E Jesus lhes dizia: [5] Não ha propheta sem honra senão na sua patria,

entre os seus parentes, e na sua casa.

5 E não [6] podia fazer maravilha alguma; sómente curou alguns poucos

enfermos, impondo-lhes as mãos.

6 E estava maravilhado [7] da incredulidade d’elles. E percorreu as

aldeias visinhas, ensinando.

7 Chamou [8] _a si_ os doze, e começou a envial-os a dois e dois, e

deu-lhes poder sobre os espiritos immundos;

8 E ordenou-lhes que nada tomassem para o caminho, senão sómente um

bordão; nem alforge, nem pão, nem dinheiro no cinto;

9 Mas que [9] calçassem alparcas, e que não vestissem duas tunicas.

10 E dizia-lhes: Aonde [10] quer que entrardes n’alguma casa, ficae

n’ella até sairdes de ali.

11 E, quando [11] alguns vos não receberem, nem vos ouvirem, saindo

d’ali, sacudi o pó que estiver debaixo dos [12] vossos pés, em testemunho

para com elles. Em verdade vos digo que haverá mais tolerancia no dia de

juizo para Sodoma e Gomorrah do que para os d’aquella cidade.

12 E, saindo elles, prégavam que se arrependessem.

13 E expulsavam muitos demonios, [13] e ungiam muitos enfermos com

azeite, e _os_ curavam.

_A morte de João Baptista._

Mat. 14.1-12, etc.

[Anno Domini 32]

14 E ouviu _isto_ [14] o rei Herodes (porque o seu nome se tornára

notorio), e disse: João, o que baptizava, resuscitou dos mortos, e por

isso estas maravilhas operam n’elle.

15 Outros [15] diziam: É Elias. E diziam outros: É um propheta, ou como

um dos prophetas.

16 Herodes, porém, [16] ouvindo _isto_, disse: Este é João, que mandei

degolar, resuscitou dos mortos.

17 Porque o mesmo Herodes mandára prender a João, e encerral-o manietado

no carcere, por causa de Herodias, mulher de Philippe, seu irmão,

porquanto tinha casado com ella.

18 Porque dizia João a Herodes: Não [17] te é licito possuir a mulher de

teu irmão.

19 E Herodias o espiava, e queria matal-o, mas não podia,

20 Porque Herodes temia [18] a João, sabendo que _era_ varão justo e

sancto; e [AGM] estimava-o, e fazia muitas _coisas_, attendendo-o, e de

boamente o ouvia.

21 E, chegando um dia opportuno em que Herodes, no dia dos [19] seus

annos [20] dava _uma_ ceia aos grandes, e tribunos, e principes da

Galilea,

22 E, tendo entrado a filha da mesma Herodias, e dançando, e agradando a

Herodes e aos que estavam com elle á mesa, o rei disse á menina: Pede-me

o que quizeres, e eu t’_o_ darei.

23 E jurou-lhe, dizendo: Tudo o [21] que me pedires te darei, até metade

do meu reino.

24 E, saindo ella, disse a sua mãe: Que pedirei? E ella disse: A cabeça

de João Baptista.

25 E, entrando logo apressadamente, pediu ao rei, dizendo: Quero que

immediatamente me dês n’um prato a cabeça de João Baptista.

26 E o [22] rei entristeceu-se muito; _todavia_, por causa do juramento e

dos que estavam com elle á mesa, não lh’a quiz negar.

27 E, enviando logo o rei o executor, mandou que lhe trouxessem ali a

cabeça _de João_. E elle foi, e degolou-o na prisão;

28 E trouxe a cabeça n’um prato, e deu-a á menina, e a menina a deu a sua

mãe.

29 E os seus discipulos, tendo ouvido _isto_, foram, tomaram o seu corpo,

e o pozeram n’um sepulchro.

_A primeira multiplicação dos pães._

Mat. 14.13-21, etc.

30 E os [23] apostolos ajuntaram-se a Jesus, e contaram-lhe tudo, tanto o

que tinham feito como o que tinham ensinado.

31 E elle disse-lhes: [24] Vinde vós, aqui áparte, a um logar deserto,

e repousae um pouco. Porque havia muitos que iam e vinham, [25] e não

tinham tempo para comer.

32 E foram n’um barco para um logar deserto, em particular.

33 E a multidão viu-os partir, e muitos o conheceram; e concorreram

lá a pé de todas as cidades, e ali chegaram primeiro do que elles, e

approximavam-se d’elle.

34 E Jesus, saindo, [26] viu _uma_ grande multidão, e teve compaixão

d’elles, porque eram como ovelhas que não teem pastor; [27] e começou a

ensinar-lhes muitas _coisas_.

35 E, como o dia fosse já muito adiantado, [28] os seus discipulos se

approximaram d’elle, e lhe disseram: O logar é deserto, e o dia _está_ já

muito adiantado;

36 Despede-os, para que vão aos logares e aldeias circumvisinhas, e

comprem pão para si; porque não teem que comer.

37 Elle, porém, respondendo, lhes disse: Dae-lhes vós de comer. E elles

disseram-lhe: [29] Iremos nós, e compraremos duzentos dinheiros de pão

para lhes darmos de comer?

38 E elle disse-lhes: Quantos pães tendes? Ide vêr. E, sabendo-o elles,

disseram: Cinco [30] e dois peixes.

39 E ordenou-lhes que fizessem assentar a todos, em ranchos, sobre a

herva verde.

40 E assentaram-ce repartidos de cem em cem, e de cincoenta em cincoenta.

41 E, tomando elle os cinco pães e os dois peixes, levantou os olhos ao

céu, [31] abençoou e partiu os pães, e deu-_os_ aos seus discipulos para

que os pozessem adiante d’elles. E repartiu os dois peixes por todos;

42 E todos comeram, e ficaram fartos;

43 E levantaram doze cestos cheios de pedaços _de pão_ e de peixes.

44 E os que comeram os pães eram quasi cinco mil homens.

_Jesus anda por cima do mar._

Mat. 14.22-36.

45 E logo [32] obrigou os seus discipulos a subir para o barco, e ir

adiante, para a outra banda, _defronte_ de Bethsaida, entretanto que elle

despedia a multidão.

46 E, tendo-os despedido, foi ao monte a orar.

47 E, [33] sobrevindo a tarde, estava o barco no meio do mar, e elle

sósinho em terra.

48 E viu que se fatigavam remando muito, porque o vento lhes era

contrario, e perto da quarta vigilia da noite approximou-se d’elles,

andando sobre o mar, [34] e queria passar adiante d’elles.

49 Mas, quando o viram andar sobre o mar, cuidaram que era _um_

phantasma, e deram grandes gritos.

50 Porque todos o viam, e turbaram-se; mas logo fallou com elles, e

disse-lhes: Tende bom animo; sou eu, não temaes.

51 E subiu para o barco para _estar_ com elles, e o vento se aquietou; e

entre si ficaram muito assombrados e maravilhados;

52 Pois _ainda_ não tinham [35] comprehendido _o milagre_ dos pães;

porque o seu coração estava [36] endurecido.

53 E, [37] quando já estavam na outra banda, dirigiram-se á terra de

Gennezareth, e ali tomaram porto.

54 E, saindo elles do barco, logo o conheceram;

55 E, correndo toda a terra em redor, começaram a trazer-lhe em leitos,

aonde quer que sabiam que estava, os que se achavam enfermos.

56 E, aonde quer que entrava, em cidade, ou aldeias, ou logares,

apresentavam os enfermos nas praças, e rogavam-lhe que ao menos [38]

tocassem a orla do seu vestido; e todos os que lhe tocavam saravam.

[1] Luc. 4.16.

[2] João 6.42.

[3] Mat. 12.46. Gal. 1.19.

[4] Mat. 11.6.

[5] Mat. 13.57. João 4.44.

[6] Gen. 19.22 e 32.25. Mat. 13.58. cap. 9.22.

[7] Isa. 59.16. Mat. 9.35. Luc. 13.22.

[8] Mat. 10.1. cap. 3.13, 14. Luc. 9.1.

[9] Act. 12.8.

[10] Mat. 10.11. Luc. 9.4 e 10.7, 8.

[11] Mat. 10.14. Luc. 10.10.

[12] Act. 13.51 e 18.6.

[13] Thi. 5.14.

[14] Luc. 9.7.

[15] Mat. 16.14. cap. 8.28.

[16] Mat. 14.2. Luc. 3.19.

[17] Lev. 18.16 e 20.21.

[18] Mat. 14.5 e 21.26.

[19] Mat. 14.6.

[20] Gen. 40.20.

[21] Est. 5.3, 6 e 7.2.

[22] Mat. 14.9.

[23] Luc. 9.10.

[24] Mat. 14.13. cap. 3.20.

[25] Mat. 14.13.

[26] Mat. 9.33 e 14.14.

[27] Luc. 9.11.

[28] Mat. 14.15. Luc. 9.12.

[29] Num. 11.13, 22. II Reis 4.43.

[30] Mat. 14.17 e 15.34. Luc. 9.13. João 6.9. cap. 8.5.

[31] I Sam. 9.13. Mat. 26.26.

[32] João 6.17.

[33] Mat. 14.23. João 6.16, 17.

[34] Luc. 24.28.

[35] cap. 8.17, 18.

[36] cap. 3.5 e 16.14.

[37] Mat. 14.34.

[38] Mat. 9.20. cap. 5.27, 28. Act. 19.12.

_A tradição dos anciãos._

Mat. 15.1-20, etc.

7 E ajuntaram-se a elle os phariseos, e alguns dos escribas que tinham

vindo de Jerusalem,

2 E, vendo que alguns dos seus discipulos comiam pão com as mãos impuras,

isto é, por lavar, os reprehendiam.

3 Porque os phariseos, e todos os judeos, conservando a tradição dos

antigos, não comem sem lavar as mãos muitas vezes;

4 E, _quando voltam_ do mercado, se não se lavarem, não comem. E muitas

outras _coisas_ ha que se encarregaram de observar, _como_ lavar os

copos, e os jarros, e os vasos de metal e as camas.

5 Depois perguntaram-lhe [1] os phariseos e os escribas: Porque não andam

os teus discipulos conforme a tradição dos antigos, mas comem o pão com

as mãos por lavar?

6 E elle, respondendo, disse-lhes: Bem prophetizou Isaias ácerca de vós,

hypocritas, como está escripto: [2] Este povo honra-me com os labios, mas

o seu coração está longe de mim;

7 Em vão, porém, [AGN] me honram, ensinando doutrinas, mandamentos de

homens.

8 Porque, deixando o mandamento de Deus, retendes a tradição dos homens;

_como_ o lavar dos jarros e dos copos; e fazeis muitas outras _coisas_

similhantes a estas.

9 E dizia-lhes: Bem invalidaes o mandamento de Deus para guardardes a

vossa tradição.

10 Porque Moysés disse: Honra [3] a teu pae e a tua mãe; e quem

maldisser, ou o pae ou a mãe, morrerá de morte.

11 Porém vós dizeis: Se um homem disser ao pae ou á mãe: Aquillo que

poderias aproveitar de mim é Corban, [4] isto é, offerta ao Senhor;

12 E nada mais lhe deixaes fazer por seu pae ou por sua mãe,

13 Invalidando assim a palavra de Deus pela vossa tradição, que vós

ordenastes. E muitas _coisas_ fazeis similhantes a estas.

14 E, chamando [5] a _si_ toda a multidão, disse-lhes: Ouvi-me vós todos,

e comprehendei.

15 Nada ha, fóra do homem, que, entrando n’elle, o possa contaminar; mas

o que sae d’elle isso é que contamina o homem.

16 Se alguem [6] tem ouvidos para ouvir, ouça.

17 Depois, [7] quando deixou a multidão, e entrou em casa, os seus

discipulos o interrogavam ácerca d’esta parabola.

18 E elle disse-lhes: Assim tambem vós estaes sem entendimento? Não

comprehendeis que tudo o que de fóra entra no homem não o pode contaminar;

19 Porque não entra no seu coração, mas no estomago, e vae _depois_ para

um logar escuso, purificando todas as comidas?

20 E dizia: O que sae do homem isso contamina o homem.

21 Porque [8] do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos,

os adulterios, as fornicações, os homicidios,

22 Os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a

blasphemia, a soberba, a loucura.

23 Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem,

_A mulher cananea._

Mat. 15.21-28.

24 E, levantando-se d’ali, foi para os termos de Tyro e de Sidon. E,

entrando n’uma casa, não queria que alguem o soubesse: mas não pôde

esconder-se,

25 Porque uma mulher, cuja filha tinha um espirito immundo, ouvindo

_fallar_ d’elle, foi, e lançou-se aos seus pés;

26 E esta mulher era grega, syro-phenicia de nação, e rogava-lhe que

expulsasse de sua filha o demonio.

27 Mas Jesus disse-lhe: Deixa primeiro saciar os filhos; porque não

convem tomar o pão dos filhos e lançal-_o_ aos cachorrinhos.

28 Ella, porém, respondeu, e disse-lhe: Sim, Senhor; mas tambem os

cachorrinhos comem, debaixo da mesa, as migalhas dos filhos.

29 Então elle disse-lhe: Por essa palavra, vae; o demonio _já_ saiu de

tua filha.

30 E, indo ella para sua casa, achou a filha deitada sobre a cama, e que

o demonio já tinha saido.

_Cura d’um surdo e gago de Decapolis._

31 E elle, [9] tornando a sair dos termos de Tyro e de Sidon, foi para o

mar da Galilea, pelos confins de Decapolis.

32 E trouxeram-lhe um surdo, que [10] fallava difficilmente; e

rogaram-lhe que pozesse a mão sobre elle.

33 E, tirando-o á parte, de entre a multidão, metteu-lhe os dedos nos

ouvidos; e, cuspindo, [11] tocou-lhe a lingua.

34 E, levantando os olhos ao céu, [12] suspirou, [13] e disse: Ephphatha;

isto é, Abre-te.

35 E logo [14] se abriram os seus ouvidos, e a prisão da lingua se

desfez, e fallava perfeitamente.

36 E ordenou-lhes [15] que a ninguem o dissessem; mas, quanto mais lh’o

prohibia, tanto mais o divulgavam.

37 E, admirando-se sobremaneira, diziam: Tudo faz bem: faz ouvir os

surdos e fallar os mudos.

[1] Mat. 15.1.

[2] Isa. 29.13. Mat. 15.8.

[3] Exo. 20.12 e 21.17. Deu. 5.16. Mat. 15.4. Lev. 20.9. Pro. 20.20.

[4] Mat. 15.5 e 23.18.

[5] Mat. 15.10.

[6] Mat. 11.15.

[7] Mat. 15.15.

[8] Gen. 6.5.

[9] Mat. 15.29.

[10] Mat. 9.32. Luc. 11.14.

[11] cap. 8.23. João 9.6.

[12] cap. 6.41. João 11.41 e 17.1.

[13] João 11.33, 38.

[14] Isa. 35.5, 6. Mat. 11.5.

[15] cap. 5.43.

_Segunda multiplicação dos pães._

8 N’aquelles dias, havendo mui grande multidão, [1] e não tendo que

comer, Jesus chamou a si os seus discipulos, e disse-lhes:

2 Tenho compaixão da multidão, porque ha já tres dias que estão comigo, e

não teem que comer.

3 E, se os deixar ir em jejum para suas casas, desfallecerão no caminho,

porque alguns d’elles vieram de longe.

4 E os seus discipulos responderam-lhe: D’onde poderá alguem saciar estes

de pão aqui no deserto?

5 E [2] perguntou-lhes: Quantos pães tendes? E disseram-lhe: Sete.

6 E ordenou á multidão que se assentasse no chão. E, tomando os sete

pães, e tendo dado graças, partiu-_os_, e deu-os aos seus discipulos,

para que _lh’os_ pozessem adiante, e pozeram-_n’os_ adiante da multidão.

7 Tinham tambem uns poucos de peixinhos; e, tendo dado graças, [3]

ordenou que tambem lh’os pozessem adiante.

8 E comeram, e saciaram-se; e dos pedaços que sobejaram levantaram sete

alcofas.

9 E os que comeram eram quasi quatro mil; e despediu-os.

_O fermento dos phariseos._

Mat. 16.1-12.

10 E, entrando logo no barco com os seus discipulos, foi para as partes

de Dalmanutha.

11 E sairam [4] os phariseos, e começaram a disputar com elle,

pedindo-lhe, para o tentarem, _um_ signal do céu.

12 E, suspirando profundamente em seu espirito, disse: Porque pede esta

geração _um_ signal? Em verdade vos digo que a esta geração não se dará

signal.

13 E, deixando-os, tornou a entrar no barco, e foi para a outra banda.

14 E _os seus discipulos_ [5] se esqueceram de tomar pão, e no barco não

tinham comsigo senão um pão.

15 E ordenou-lhes, [6] dizendo: Olhae, guardae-vos do fermento dos

phariseos e _do_ fermento de Herodes.

16 E arrazoavam entre si, dizendo: _É_ porque não temos [7] pão.

17 E Jesus, conhecendo isto, disse-lhes: Para que arrazoaes, que não

tendes pão? não considerastes, nem [8] comprehendestes ainda? tendes

ainda o vosso coração endurecido?

18 Tendo olhos, não vêdes? e, tendo ouvidos, não ouvis? e não vos

lembraes?

19 Quando parti [9] os cinco pães entre os cinco mil, quantos cestos

cheios de pedaços levantastes? Disseram-lhe: Doze.

20 E, [10] quando _parti_ os sete entre os quatro mil, quantas alcofas

cheias de pedaços levantastes? E disseram-lhe: Sete.

21 E elle lhes disse: [11] Como não entendeis ainda?

_Cura d’um cego de Bethsaida._

22 E chegou a Bethsaida; e trouxeram-lhe um cego, e rogaram-lhe que o

tocasse.

23 E, tomando o cego pela mão, levou-o para fóra da aldeia; e,

cuspindo-lhe nos olhos, [12] e impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe se via

alguma coisa.

24 E, levantando elle os olhos, disse: Vejo os homens; pois os vejo como

arvores que andam.

25 Depois tornou a pôr-lhe as mãos nos olhos, e lh’os fez levantar; e

ficou restabelecido, e viu ao longe e distinctamente a todos.

26 E mandou-o para sua casa, dizendo: [13] Não entres na aldeia.

_A confissão de Pedro._

Mat. 16.13-23.

27 E saiu Jesus [14] e os seus discipulos para as as aldeias de Cesarea

de Philippo; e no caminho perguntou aos seus discipulos, dizendo: Quem

dizem os homens que eu sou?

28 E elles responderam: [15] João Baptista; e outros, Elias; e outros, Um

dos prophetas.

29 E elle lhes disse: Porém vós quem dizeis que eu sou? E, respondendo

Pedro, lhe disse: [16] Tu és o Christo.

30 E [17] admoestou-os, que a ninguem dissessem _aquillo_ d’elle.

31 E começou [18] a ensinar-lhes que importava que o Filho do homem

padecesse muito, e fosse rejeitado pelos anciãos e principes dos

sacerdotes, e pelos escribas, e que fosse morto, e depois de tres dias

resuscitasse.

32 E dizia abertamente estas palavras. E Pedro o tomou á parte, e começou

a reprehendel-o.

33 Mas elle, virando-se, e olhando para os seus discipulos, reprehendeu

a Pedro, dizendo: Retira-te de diante de mim, Satanaz; porque não

comprehendes as _coisas_ que _são_ de Deus, mas as que _são_ dos homens.

_Cada um deve levar a sua propria cruz._

Mat. 6.24-28 e refs.

34 E, chamando _a si_ a multidão, com os seus discipulos, disse-lhes:

[19] Se alguem quizer vir após mim, negue-se _a si_ mesmo, e tome a sua

cruz, e siga-me.

35 Porque [20] qualquer que quizer salvar a sua [AGO] vida perdel-a-ha,

mas qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho esse a

salvará.

36 Pois que aproveitaria ao homem, se ganhasse todo o mundo e perdesse a

sua [AGP] alma?

37 Ou que dará o homem pelo resgate da sua alma?

38 Porque qualquer que, entre esta geração adultera e peccadora, se

envergonhar [21] de mim e das minhas palavras, tambem o Filho do homem

se envergonhará d’elle, quando vier na gloria de seu Pae, com os sanctos

anjos.

[1] Mat. 15.32.

[2] Mat. 15.34. cap. 6.38.

[3] Mat. 14.19. cap. 6.41.

[4] Mat. 12.38. João 6.30.

[5] Mat. 16.5.

[6] Mat. 16.6. Luc. 12.1.

[7] Mat. 16.7.

[8] cap. 6.52.

[9] Mat. 14.20. cap. 6.43. Luc. 9.17. João 6.13.

[10] Mat. 15.37. ver. 8.

[11] cap. 6.52. ver. 17.

[12] cap. 7.33.

[13] Mat. 8.4. cap. 5.43.

[14] Luc. 9.18.

[15] Mat. 14.2.

[16] Mat. 16.16. João 6.59 e 11.27.

[17] Mat. 16.20.

[18] Mat. 16.21, 28. Luc. 9.22, 27.

[19] Mat. 10.38 e 16.24. Luc. 9.23 e 14.27.

[20] João 12.25.

[21] Mat. 10.33. Luc. 9.26 e 12.9. Rom. 1.16. II Tim. 1.8 e 2.12.

9 Dizia-lhes tambem: [1] Em verdade vos digo que, dos que aqui estão,

alguns ha que não provarão a morte até que vejam vir [2] o reino de Deus

com poder.

_A transfiguração._

Mat. 17.1-13 e refs.

2 E seis dias [3] depois Jesus tomou _comsigo_ a Pedro, a Thiago, e a

João, e os levou sós, em particular, a um alto monte; e transfigurou-se

diante d’elles;

3 E os seus vestidos tornaram-se resplandecentes, mui brancos como a

neve, [4] taes como nenhum lavadeiro sobre a terra os poderia branquear.

4 E appareceu-lhes Elias com Moysés, e fallavam com Jesus.

5 E Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: Mestre, bom é que nós

estejamos aqui, e façamos tres cabanas, uma para ti, uma para Moysés, e

uma para Elias.

6 Pois não sabia o que dizia, porque estavam assombrados.

7 E desceu uma nuvem que os cobriu com a sua sombra, e saiu da nuvem uma

voz que dizia: Este é o meu filho amado; a elle ouvi.

8 E, tendo olhado em roda, ninguem mais viram, senão só Jesus com elles.

9 E, [5] descendo elles do monte, ordenou-lhes que a ninguem contassem o

que tinham visto, até que o Filho do homem resuscitasse dos mortos.

10 E elles retiveram o caso entre si, perguntando uns aos outros que

seria aquillo: resuscitar dos mortos.

11 E interrogaram-n’o, dizendo: Porque dizem os escribas que é necessario

que Elias [6] venha primeiro?

12 E, respondendo elle, disse-lhes: Em verdade Elias virá primeiro, e

todas as _coisas_ restaurará: [7] e, como está escripto do Filho do

homem, _convem_ que padeça muito e seja aviltado.

13 Digo-vos, porém, [8] que Elias já veiu, e fizeram-lhe tudo o que

quizeram, como d’elle está escripto.

_O joven lunatico._

Mat. 17.14-21.

14 E, quando se approximou [9] dos discipulos, viu ao redor d’elles

grande multidão, e _alguns_ escribas que disputavam com elles.

15 E logo toda a multidão, vendo-o, ficou espantada, e, correndo para

elle, o saudaram.

16 E perguntou aos escribas: Que questionaes com elles?

17 E um da multidão, respondendo, disse: [10] Mestre, trouxe-te o meu

filho, que tem um espirito mudo;

18 E, onde quer que o apanha, despedaça-o, e elle escuma, e range

os dentes, e vae-se seccando; e eu disse aos teus discipulos que o

expulsassem, e não poderam.

19 E elle, respondendo-lhes, disse: Ó geração incredula! até quando

estarei comvosco? até quando vos soffrerei ainda? Trazei-m’o.

20 E trouxeram-lh’o; e, [11] quando o viu, logo o espirito o agitou com

violencia, e, caindo por terra, revolvia-se, escumando.

21 E perguntou ao pae d’elle: Quanto tempo ha que lhe succede isto? E

elle disse-lhe: Desde a infancia;

22 E muitas vezes o tem lançado no fogo, e na agua, para o destruir; mas,

se tu podes fazer alguma _coisa_, tem compaixão de nós, e ajuda-nos.

23 E Jesus disse-lhe: [12] Se tu podes crêr; tudo _é_ possível ao que crê.

24 E logo o pae do menino, clamando com lagrimas, disse: Eu creio,

Senhor! ajuda a minha incredulidade.

25 E Jesus, vendo que a multidão concorria, reprehendeu o espirito

immundo, dizendo-lhe: Espirito mudo e surdo, eu te ordeno: Sae d’elle, e

não entres mais n’elle.

26 E elle, clamando, e agitando-o com violencia, saiu; e ficou o _menino_

como morto, de tal maneira que muitos diziam que estava morto.

27 Mas Jesus, tomando-o pela mão, o ergueu, e elle se levantou.

28 E, quando [13] entrou em casa, os seus discipulos lhe perguntaram á

parte: Porque o não podemos nós expulsar?

29 E disse-lhes: Esta casta não pode sair por coisa alguma, senão pela

oração e jejum.

_O maior no reino dos céus._

Mat. 18.1-14 e refs.

30 E, tendo partido d’ali, caminharam pela Galilea, e não queria que

alguem _o_ soubesse;

31 Porque ensinava os seus discipulos, e lhes dizia: [14] O Filho do

homem será entregue nas mãos dos homens, e matal-o-hão; e, morto elle,

resuscitará ao terceiro dia.

32 Mas elles não entendiam esta palavra, e temiam interrogal-o.

33 E chegou a Capernaum, e, [15] entrando em casa, perguntou-lhes: Que

arrazoaveis entre vós pelo caminho?

34 Mas elles calaram-se; porque pelo caminho tinham disputado entre si

qual _d’elles havia de ser_ o maior.

35 E elle, assentando-se, chamou os doze, e disse-lhes: [16] Se alguem

quizer ser o primeiro, será o derradeiro de todos e o servo de todos.

36 E, lançando [17] mão de um menino, pôl-o no meio d’elles, e, tomando-o

nos seus braços, disse-lhes:

37 Qualquer que receber um d’estes meninos em meu nome [18] a mim me

recebe; e qualquer que a mim me receber recebe, não a mim, mas ao que me

enviou.

_Quem não é contra nós é por nós._

Luc. 9.49, 50.

38 E João lhe respondeu, [19] dizendo: Mestre, vimos um que em teu nome

expulsava demonios, o qual não nos segue; e nós lh’o prohibimos, porque

não nos segue.

39 Jesus, porém, disse: Não lh’o prohibaes; porque ninguem ha [20] que

faça milagre em meu nome e possa logo fallar mal de mim.

40 Porque quem não é [21] contra nós é por nós.

41 Porque qualquer que vos der [22] a beber um copo d’agua em meu nome,

porque sois _discipulos_ de Christo, em verdade vos digo que não perderá

o seu galardão.

_Os escandalos._

42 E qualquer que [23] escandalizar um d’_estes_ pequeninos que crêem em

mim melhor lhe fôra que lhe pozessem ao pescoço uma mó de atafona, e que

fosse lançado no mar.

43 E, se a tua mão te [24] escandalizar, corta-a: melhor te é entrar na

vida aleijado do que, tendo duas mãos, ir para o inferno, para o fogo que

nunca se apaga;

44 Onde o seu bicho [25] não morre, e o fogo nunca se apaga.

45 E, se o teu pé te escandalizar, corta-o; melhor te é entrar côxo na

vida do que, tendo dois pés, ser lançado no inferno, no fogo que nunca se

apaga;

46 Onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga.

47 E, se o teu olho te escandalizar, lança-o fóra; melhor te é entrar no

reino de Deus com um olho do que, tendo dois olhos, ser lançado no fogo

do inferno;

48 Onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga.

49 Porque cada um será [26] salgado com fogo, e cada sacrificio será

salgado com sal.

50 Bom _é_ o sal; [27] mas, se o sal se tornar insulso, com que o

adubareis? tende sal em vós mesmos, e paz uns com os outros.

[1] Mat. 15.28.

[2] Mat. 24.30 e 25.31. Luc. 22.18.

[3] Luc. 9.28.

[4] Dan. 7.9. Mat. 28.3.

[5] Mat. 17.9.

[6] Mat. 17.10.

[7] Psa. 22.6. Isa. 53.2, etc. Dan. 9.26. Luc. 23.11. Phi. 2.7.

[8] Mat. 11.14 e 17.12. Luc. 1.17.

[9] Luc. 9.37.

[10] Mat. 17.14. Luc. 9.38.

[11] cap. 1.26. Luc. 9.42.

[12] Mat. 17.20. cap. 11.23. Luc. 17.6. João 11.40.

[13] Mat. 17.18.

[14] Mat. 17.19. Luc. 9.44.

[15] Mat. 18.1. Luc. 9.46 e 22.24.

[16] Mat. 20.26, 27. cap. 10.43.

[17] Mat. 18.2. cap. 10.16.

[18] Mat. 10.40. Luc. 9.48.

[19] Num. 11.28.

[20] I Cor. 12.3.

[21] Mat. 12.30.

[22] Mat. 10.42.

[23] Mat. 18.6. Luc. 17.1.

[24] Deu. 13.6. Mat. 5.29 e 18.8.

[25] Isa. 66.24.

[26] Lev. 2.13. Eze. 43.24.

[27] Mat. 5.13. Luc. 14.34. Eph. 4.29. Col. 4.6. II Cor. 13.11. Heb.

12.14.

_O divorcio._

Mat. 19.1-12 e refs.

[Anno Domini 33]

10 E, levantando-se d’ali, foi para [1] os termos da Judea, além do

Jordão, e a multidão se reuniu em torno d’elle; e tornou a ensinal-os,

como tinha por costume.

2 E, approximando-se _d’elle_ os phariseos, [2] perguntaram-lhe,

tentando-o: É licito ao homem repudiar _sua_ mulher?

3 Mas elle, respondendo, disse-lhes: Que vos mandou Moysés?

4 E elles disseram: [3] Moysés permittiu escrever-_lhe_ carta de

divorcio, e repudial-_a_.

5 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Pela dureza dos vossos corações vos

escreveu elle esse mandamento;

6 Porém, desde o principio da creação, Deus os fez [4] macho e femea.

7 Por isso [5] deixará o homem a seu pae e a sua mãe, e unir-se-ha a sua

mulher,

8 E serão os dois uma só carne: assim que _já_ não serão dois, mas uma só

carne.

9 Portanto o que Deus ajuntou não o separe o homem.

10 E em casa tornaram os discipulos a interrogal-o ácerca d’isto mesmo.

11 E elle lhes disse: [6] Qualquer que deixar a sua mulher e casar com

outra adultéra contra ella.

12 E, se a mulher deixar a seu marido, e casar com outro, adultéra.

_Jesus abençoa os meninos._

Mat. 19.13-15 e refs.

13 E [7] traziam-lhe meninos para que os tocasse, mas os discipulos

reprehendiam aos que lh’_os_ traziam.

14 Jesus, porém, vendo _isto_, indignou-se, e disse-lhes: Deixae vir os

meninos a mim, e não os empeçaes; porque dos [8] taes é o reino de Deus.

15 Em verdade vos digo que qualquer que não receber [9] o reino de Deus

como menino de maneira nenhuma entrará n’elle.

16 E, tomando-os nos seus braços, e impondo-lhes as mãos, os abençoou.

_O mancebo rico._

Mat. 19.16-30.

17 E, saindo [10] para o caminho, correu para elle um, e, pondo-se de

joelhos diante d’elle, perguntou-lhe: Bom Mestre, que farei para herdar a

vida eterna?

18 E Jesus lhe disse: Porque me chamas bom? ninguem _ha_ bom senão um,

_que é_ Deus.

19 Tu sabes os mandamentos: Não [11] adulterarás; não matarás; não

furtarás; não darás falsos testemunhos; não defraudarás alguem: honra a

teu pae e a _tua_ mãe.

20 Elle, porém, respondendo, lhe disse: Mestre, tudo isso guardei desde a

minha mocidade.

21 E Jesus, olhando para elle, o amou e lhe disse: Falta-te uma _coisa_:

vae, vende tudo quanto tens, e dá-o aos pobres, [12] e terás _um_

thesouro no céu; e vem, segue-me.

22 Mas elle, pezaroso d’esta palavra, retirou-se triste; porque possuia

muitas propriedades.

23 Então Jesus, [13] olhando em redor, disse aos seus discipulos: Quão

difficilmente entrarão no reino de Deus os que teem riquezas!

24 E os discipulos se admiraram d’estas suas palavras; mas Jesus,

tornando a fallar, [14] disse-lhes: Filhos, quão difficil é, para os que

confiam nas riquezas, entrar no reino de Deus!

25 É mais facil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar

um rico no reino de Deus.

26 E elles se admiravam ainda mais, dizendo entre si: Quem poderá pois

salvar-se?

27 Jesus, porém, olhando para elles, disse: Para os homens _é_

impossivel, mas não para Deus, porque para Deus [15] todas _as coisas_

são possiveis.

28 E Pedro [16] começou a dizer-lhe: Eis que nós tudo deixámos, e te

seguimos.

29 E Jesus, respondendo, disse: Em verdade vos digo que ninguem ha, que

tenha deixado casa, _ou_ irmãos, ou irmãs, ou pae, ou mãe, ou mulher, ou

filhos, ou campos, por amor de mim e do Evangelho,

30 Que [17] não receba cem vezes tanto, agora n’este tempo, casas, e

irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, com perseguições; e no

seculo futuro a vida eterna.

31 Porém [18] muitos primeiros serão derradeiros, e _muitos_ derradeiros

serão primeiros.

_O pedido dos filhos de Zebedeo._

Mat. 20.17-28.

32 E iam no caminho, [19] subindo a Jerusalem: e Jesus ia adiante

d’elles. E elles maravilhavam-se, e seguiam-n’o atemorisados. E, tornando

a tomar _comsigo_ os doze, começou [20] a dizer-lhes as _coisas_ que lhe

deviam sobrevir,

33 _Dizendo_: Eis que nós subimos a Jerusalem, e o Filho do homem será

entregue aos principes dos sacerdotes, e aos escribas, e o condemnarão á

morte, e o entregarão aos gentios.

34 E o escarnecerão, e açoitarão, e cuspirão n’elle, e o matarão; e ao

terceiro dia resuscitará.

35 E approximaram-se [21] d’elle Thiago e João, filhos de Zebedeo,

dizendo: Mestre, quizeramos que nos fizesses o que pedirmos.

36 E elle lhes disse: Que quereis que vos faça?

37 E elles lhe disseram: Concede-nos que na tua gloria nos assentemos, um

á tua direita, e outro á tua esquerda.

38 Mas Jesus lhes disse: Não sabeis o que pedis: podeis vós beber o calix

que eu bebo, e ser baptizados com o baptismo com que eu sou baptizado?

39 E elles lhe disseram: Podemos. Jesus, porém, disse-lhes: Em verdade,

vós bebereis o calix que eu beber, e sereia baptizados com o baptismo com

que eu sou baptizado;

40 Mas o assentar-se á minha direita, ou á minha esquerda, não me

pertence a mim concedel-o, senão _áquelles_ para quem está preparado.

41 E [22] os dez, tendo ouvido _isto_, começaram a indignar-se contra

Thiago e João.

42 Mas Jesus, chamando-os _a si_, disse-lhes: [23] Sabeis que os que

julgam ser principes das gentes d’ellas se assenhoream, e os seus grandes

usam de auctoridade sobre ellas;

43 Mas [24] entre vós não será assim; antes, qualquer que entre vós

quizer ser grande, será vosso [AGQ] _servo_;

44 E qualquer que d’entre vós quizer ser o primeiro será [AGR] servo de

todos.

45 Porque o [25] Filho do homem tambem não veiu para ser servido, mas

para servir e dar [26] a sua vida em resgate por muitos.

_O cego de Jericó._

Mat. 20.29-34.

46 Depois foram para Jericó. E, saindo [27] elle de Jericó com seus

discipulos, e uma grande multidão, Bartimeo, o cego, filho de Timeo,

estava assentado junto do caminho, mendigando.

47 E, ouvindo que era Jesus de Nazareth, começou a clamar, e a dizer:

Jesus, filho de David! tem misericordia de mim.

48 E muitos o reprehendiam, para que se calasse; mas elle clamava cada

vez mais: Filho de David! tem misericordia de mim.

49 E Jesus, parando, disse que o chamassem; e chamaram o cego,

dizendo-lhe: Tem bom animo; levanta-te, _que_ elle te chama.

50 E elle, lançando _de si_ a sua capa, levantou-se, e foi ter com Jesus.

51 E Jesus, fallando, disse-lhe: Que queres _que_ te faça? E o cego lhe

disse: Mestre, que recupere a vista.

52 E Jesus lhe disse: [28] Vae, a tua fé te salvou. E logo viu, e seguiu

a Jesus pelo caminho.

[1] João 10.40 e 11.7.

[2] Mat. 19.3.

[3] Deu. 24.1. Mat. 5.31 e 19.7.

[4] Gen. 1.27 e 5.2.

[5] Gen. 2.24. I Cor. 6.16. Eph. 5.31.

[6] Mat. 5.32 e 19.9. Luc. 16.18. Rom. 7.3. I Cor. 7.10, 11.

[7] Luc. 18.15.

[8] I Cor. 14.20. I Ped. 2.2.

[9] Mat. 18.3.

[10] Luc. 18.18.

[11] Exo. 20.14. Rom. 13.9.

[12] Mat. 6.19, 20 e 19.21. Luc. 12.33 e 16.9.

[13] Mat. 19.23. Luc. 18.24.

[14] Job 31.24. Psa. 52.7 e 62.10. I Tim. 6.17.

[15] Jer. 3.2, 17. Mat. 19.26. Luc. 1.37.

[16] Mat. 19.27. Luc. 18.28.

[17] II Chr. 25.9. Luc. 18.30.

[18] Mat. 19.30 e 20.16. Luc. 13.30.

[19] Luc. 18.31.

[20] cap. 8.31 e 9.31. Luc. 9.22 e 18.31.

[21] Mat. 10.20.

[22] Mat. 20.24.

[23] Luc. 22.25.

[24] Mat. 20.26, 28. cap. 3.35. Luc. 9.48.

[25] João 13.14. Phi. 2.7.

[26] Mat. 20.28. I Tim. 2.6. Tito 2.14.

[27] Luc. 18.35.

[28] Mat. 9.22. cap. 5.34.

_A entrada triumphal de Jesus em Jerusalem._

Mat. 21.1-11.

11 E, logo [1] que se approximaram de Jerusalem, de Bethphagé e de

Bethania, junto do monte das Oliveiras, enviou dois dos seus discipulos,

2 E disse-lhes: Ide á aldeia que está defronte de vós; e, logo que ali

entrardes, encontrareis preso um jumentinho, sobre o qual ainda não

montou homem algum; soltae-o, e trazei-_m’o_.

3 E, se alguem vos disser: Porque fazeis isso? dizei-lhe que o Senhor

precisa d’elle, e logo o deixará trazer para aqui.

4 E foram, e encontraram o jumentinho preso fóra da porta, entre dois

caminhos, e o soltaram.

5 E alguns dos que ali estavam lhes disseram: Que fazeis, soltando o

jumentinho?

6 Elles, porém, disseram-lhes como Jesus lhes tinha mandado, e

deixaram-n’os ir.

7 E levaram o jumentinho a Jesus, e lançaram sobre elle os seus vestidos,

e assentou-se sobre elle:

8 E muitos [2] estendiam os seus vestidos pelo caminho, e outros cortavam

ramos das arvores, e _os_ espalhavam pelo caminho.

9 E aquelles que iam adiante, e os que seguiam, clamavam, dizendo:

Hosanna, [3] bemdito o que vem em nome do Senhor;

10 Bemdito o reino do nosso pae David, [4] que vem em nome do Senhor;

Hosanna nas alturas.

11 E Jesus entrou em [5] Jerusalem, no templo, e, tendo visto tudo em

redor, e sendo já tarde, saiu para Bethania com os doze.

_A figueira secca: a purificação do templo._

Mat. 21.12-22.

12 E, no dia seguinte, quando sairam de Bethania, teve fome,

13 E, [6] vendo de longe uma figueira que tinha folhas, foi _vêr_ se

n’ella acharia alguma coisa: e, chegando a ella, não achou senão folhas,

porque não era tempo de figos.

14 E Jesus, fallando, disse á figueira: Nunca mais alguem coma fructo de

ti, para sempre. E os seus discípulos ouviram _isto_.

15 E vieram a Jerusalem; [7] e Jesus, entrando no templo, começou a

expulsar os que vendiam e compravam no templo; e derribou as mesas dos

cambiadores e as cadeiras dos que vendiam pombas.

16 E não consentia que alguem levasse _algum_ vaso pelo templo.

17 E os ensinava, dizendo: Não está escripto: A minha casa será chamada

por todas as nações casa de oração? [8] Mas vós a tendes feito covil [9]

de ladrões.

18 E os escribas [10] e principes dos sacerdotes, tendo ouvido _isto_,

buscavam occasião para o matar; pois elles o temiam, porque [11] toda a

multidão estava admirada ácerca da sua doutrina.

19 E, sendo já tarde, saiu fóra da cidade.

20 E elles, passando pela [12] manhã, viram que a figueira se tinha

seccado desde as raizes.

21 E Pedro, lembrando-se, disse-lhe: Mestre, eis que a figueira, que tu

amaldiçoaste, seccou-se.

22 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Tende fé em Deus;

23 Porque em verdade vos digo que [13] qualquer que disser a este monte:

Ergue-te e lança-te no mar; e não duvidar em seu coração, mas crêr que se

fará aquillo que diz, tudo o que disser lhe será feito.

24 Portanto vos digo que tudo o que pedirdes, [14] orando, crêde que _o_

recebereis, e tel-o-heis;

25 E, quando estiverdes orando, perdoae, se tendes alguma coisa contra

alguém, [15] para que vosso Pae, que _está_ nos céus, vos perdôe as

vossas offensas;

26 Mas, se vós [16] não perdoardes, tambem vosso Pae, que _está_ nos

céus, vos não perdoará as vossas offensas.

_Interrogação ácerca do baptismo de João._

27 E tornaram a Jerusalem, e, andando elle pelo [17] templo, os

principaes dos sacerdotes, e os escribas, e os anciãos se approximaram

d’elle,

28 E lhe disseram: Com que auctoridade fazes tu estas _coisas_? e quem te

deu esta auctoridade para fazer estas _coisas_?

29 Más Jesus, respondendo, disse-lhes: Também eu vos perguntarei uma

coisa, e respondei-me, e vos direi com que auctoridade faço estas

_coisas_:

30 O baptismo de João era do céu ou dos homens? respondei-me.

31 E elles arrazoavam entre si, dizendo: Se dissermos: Do céu; elle _nos_

dirá: Pois porque o não crêstes?

32 Se, porém, dissermos: Dos homens; tememos o povo. Porque todos

sustentavam que [18] João verdadeiramente era propheta.

33 E, respondendo, disseram a Jesus: Não sabemos. E Jesus, respondendo,

lhes disse: Tambem eu vos não direi com que auctoridade faço estas

_coisas_.

[1] Luc. 19.29. João 12.14.

[2] Mat. 21.8.

[3] Psa. 118.26.

[4] Psa. 149.1.

[5] Mat. 21.12.

[6] Mat. 21.18.

[7] Mat. 21.19. Luc. 19.46. João 2.14.

[8] Isa. 66.7.

[9] Jer. 7.11.

[10] Mat. 21.45, 46. Luc. 19.47.

[11] Mat. 7.28. cap. 1.22. Luc. 4.32.

[12] Mat. 21.19.

[13] Mat. 17.19 e 21.21. Luc. 17.6.

[14] Mat. 7.7. Luc. 11.9. João 11.13 e 15.7 e 16.24. Thi. 1.5.

[15] Mat. 6.14. Col. 3.13.

[16] Mat. 18.35.

[17] Mat. 21.23. Luc. 20.1.

[18] Mat. 3.6 e 14.5. cap. 6.20.

_Parabola dos lavradores malvados._

Mat. 21.33-46.

12 E começou [1] a fallar-lhes por parabolas: Um homem plantou uma vinha,

e cercou-a de _um_ vallado, e fundou _n’ella_ um lagar, e edificou _uma_

torre, e arrendou-a a uns lavradores, e partiu para fóra da terra;

2 E, chegado o tempo, mandou um servo aos lavradores para que recebesse,

dos lavradores, do fructo da vinha.

3 Mas elles, apoderando-se d’elle, _o_ feriram e _o_ mandaram embora

vasio.

4 E tornou a enviar-lhes outro servo; e elles, apedrejando-o, _o_ feriram

na cabeça, e _o_ mandaram embora, tendo-_o_ affrontado.

5 E tornou a enviar-lhes outro, e a este mataram, e outros muitos, e

feriram uns, e mataram outros.

6 Tendo elle pois ainda um seu filho amado, enviou-o tambem a estes por

derradeiro, dizendo: Ao menos terão respeito ao meu filho.

7 Mas aquelles lavradores disseram entre si: Este é o herdeiro; vamos,

matemol-o, e a herança será nossa.

8 E, pegando d’elle, _o_ mataram, e _o_ lançaram fóra da vinha.

9 Que fará pois o Senhor da vinha? Virá, e destruirá os lavradores, e

dará a vinha a outros.

10 Ainda não lestes esta Escriptura: [2] A pedra, que os edificadores

rejeitaram, esta foi posta por cabeça da esquina:

11 Isto foi feito pelo Senhor, e é coisa maravilhosa aos nossos olhos?

12 E buscavam [3] prendel-o, mas temiam a multidão, porque entendiam que

contra elles dizia esta parabola: e, deixando-o, foram-se.

_Interrogação ácerca do tributo._

Mat. 22.15-22.

13 E enviaram-lhe alguns [4] dos phariseos e dos herodianos, para que o

apanhassem n’_alguma_ palavra.

14 E, chegando elles, disseram-lhe: Mestre, sabemos que és homem de

verdade, e de ninguem se te dá, porque não olhas á apparencia dos homens,

antes com verdade ensinas o caminho de Deus: é licito dar o tributo a

Cesar, ou não? Daremos, ou não daremos?

15 Então ele, conhecendo a sua hypocrisia, disse-lhes: Porque me tentaes?

trazei-me _uma_ moeda, para que _a_ veja.

16 E elles _lh’a_ trouxeram. E disse-lhes: De quem é esta imagem e

inscripção? E elles lhe disseram: De Cesar.

17 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Dae _pois_ a Cesar o _que é_ de

Cesar, e a Deus o _que_ é de Deus. E maravilharam-se d’elle.

_Os sadduceos e a resurreição._

Mat. 22.23-33.

18 Então os [5] sadduceos, que dizem que não ha [6] resurreição,

approximaram-se d’elle, e perguntaram-lhe, dizendo:

19 Mestre, [7] Moysés nos escreveu que, se morresse o irmão de alguem, e

deixasse mulher e não deixasse filhos, seu irmão tomasse a mulher d’elle,

e suscitasse semente a seu irmão.

20 Ora havia sete irmãos, e o primeiro tomou mulher, e morreu sem deixar

semente;

21 E o segundo tambem a tomou e morreu, e nem este deixou semente; e o

terceiro da mesma maneira;

22 E tomaram-n’a _todos_ os sete, sem, comtudo, deixarem semente.

Finalmente, depois de todos, morreu tambem a mulher.

23 Na resurreição, pois, quando resuscitarem, de qual d’estes será a

mulher? porque os sete a tiveram por mulher.

24 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Porventura não erraes vós, porque

não sabeis as Escripturas nem o poder de Deus?

25 Porquanto, quando resuscitarem dos mortos, nem casarão, nem se darão

em casamento, mas serão como [8] os anjos que _estão_ nos céus.

26 E, ácerca dos mortos que houverem de resuscitar, não tendes lido no

livro de Moysés como Deus lhe fallou na sarça, dizendo: Eu _sou_ [9] o

Deus de Abrahão, e o Deus de Isaac, e o Deus de Jacob?

27 Ora Deus não é dos mortos, mas sim Deus dos vivos. Por isso vós erraes

muito.

_O primeiro de todos os mandamentos._

Mat. 22.35-40 e refs.

28 E, approximando-se d’elle um dos escribas que os tinha ouvido

disputar, sabendo que lhes tinha respondido bem, perguntou-lhe: Qual é o

primeiro de todos os mandamentos?

29 E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos _é_: Ouve,

[10] Israel, o Senhor nosso Deus é o unico Senhor.

30 Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua

alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças: este _é_ o

primeiro mandamento.

31 E o segundo, similhante a este, _é_: [11] Amarás o teu proximo como a

ti mesmo. Não ha outro mandamento maior do que estes.

32 E o escriba lhe disse: Muito bem, Mestre, e com verdade disseste que

ha um só [12] Deus, e que não ha outro além d’elle;

33 E que amal-o de todo o coração, e de todo o entendimento, e de toda a

alma, e de todas as forças, e amar o proximo como a si mesmo, é mais do

que todos [13] os holocaustos e sacrificios.

34 E Jesus, vendo que havia respondido sabiamente, disse-lhe: Não estás

longe do reino de Deus. E já ninguem [14] ousava perguntar-lhe mais nada.

_O Christo, Filho de David._

Mat. 22.41-46.

35 E, fallando [15] Jesus, dizia, ensinando no templo: Como dizem os

escribas que o Christo é filho de David?

36 Porque o mesmo David disse pelo Espirito Sancto: [16] O Senhor disse

ao meu Senhor: Assenta-te á minha direita até que eu ponha os teus

inimigos por escabello dos teus pés.

37 Pois, _se_ David mesmo lhe chama Senhor, como é logo seu filho? E a

grande multidão o ouvia de boa vontade.

_Jesus censura os escribas._

Mat. 23.6, etc.

38 E, ensinando-os, [17] dizia-lhes: Guardae-vos dos escribas, que gostam

de andar com vestidos compridos, e das saudações nas praças,

39 E das primeiras cadeiras nas synagogas, e dos primeiros assentos nas

ceias;

40 Que devoram [18] as casas das viuvas, e _isso_ com pretexto de largas

orações. Estes receberão mais grave condemnação.

_A oferta da viuva pobre._

Luc. 21.1-4.

41 E, estando Jesus assentado defronte da [19] arca do thesouro,

observava a maneira como a multidão lançava o dinheiro na arca do

thesouro; e muitos ricos deitavam muito.

42 E, chegando uma pobre viuva, deitou duas pequenas moedas, que valiam

quatro réis.

43 E, chamando os seus discipulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que

esta pobre [20] viuva deitou mais do que todos os que deitaram na arca do

thesouro,

44 Porque todos _ali_ deitaram do que lhes sobejava, mas esta, da sua

pobreza, deitou tudo o [21] que tinha, todo o seu sustento.

[1] Luc. 20.9.

[2] Psa. 118.22.

[3] Mat. 21.45, 46. cap. 11.18. João 7.25, 30, 44.

[4] Luc. 20.20.

[5] Luc. 20.27.

[6] Act. 23.8.

[7] Deu. 25.5.

[8] I Cor. 15.42, 49.52.

[9] Exo. 3.6.

[10] Deu. 6.4. Luc. 10.27.

[11] Lev. 19.18. Mat. 22.39. Rom. 13.9. Gal. 5.14. Thi. 2.8.

[12] Deu. 4.39. Isa. 45.6, 14 e 46.9.

[13] I Sam. 15.22. Ose. 6.6. Miq. 6.6, 7, 8.

[14] Mat. 22.46.

[15] Luc. 20.41.

[16] II Sam. 23.2. Psa. 110.1.

[17] cap. 4.2. Luc. 20.46 e 11.43.

[18] Mat. 23.14.

[19] II Reis 12.9.

[20] II Cor. 8.12.

[21] Deu. 24.6. I João 3.17.

_O sermão prophetico: o principio de dôres._

Mat. 24.1-14 e refs.

13 E, saindo elle do [1] templo, disse-lhe um dos seus discipulos:

Mestre, olha que pedras, e que edificios!

2 E, respondendo Jesus, disse-lhe: Vês estes grandes edificios? Não

ficará pedra sobre pedra [2] que não seja derribada.

3 E, assentando-se elle no monte das Oliveiras, defronte do templo,

Pedro, e Thiago, e João e André lhe perguntaram em particular:

4 Dize-nos, quando serão essas _coisas_, e que signal _haverá_ quando[3]

todas essas _coisas_ se houverem de cumprir.

5 E Jesus, respondendo-lhes, começou a dizer: Olhae que ninguem [4] vos

engane;

6 Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou _o Christo_: e

enganarão a muitos.

7 E, quando ouvirdes de guerras e de rumores de guerras, não vos turbeis;

porque _assim_ importa fazer-se; mas ainda não _será_ o fim.

8 Porque se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá

terremotos em diversos logares, e haverá fomes e alvoroços. Estas _coisas

serão_ o principio [5] de dôres.

9 Mas olhae por vós mesmos, [6] porque vos entregarão aos concilios e ás

synagogas; sereis açoitados, e sereis apresentados ante presidentes [AGS]

e reis, por amor de mim, para lhes servir de testemunho.

10 Mas importa que o [7] evangelho se pregue primeiro entre todas as

gentes.

11 Quando pois vos conduzirem para vos entregarem, não [8] estejaes

solicitos d’antemão pelo que haveis de dizer; mas, o que vos fôr dado

n’aquella hora, isso fallae; porque não sois vós os que fallaes, mas o

Espirito Sancto.

12 E o irmão [9] entregará á morte o irmão, e o pae o filho: e

levantar-se-hão os filhos contra os paes, e os matarão.

13 E sereis aborrecidos [10] por todos por amor do meu nome; mas quem

perseverar até ao fim esse será salvo.

_O sermão prophetico contínua: a grande tribulação._

Mat. 24.15-18 e refs.

14 Ora, quando vós virdes [11] a abominação do assolamento, que foi

predito, estando onde não deve estar (quem lê, entenda), então os que

estiverem na Judea [12] fujam para os montes.

15 E o que estiver sobre o telhado não desça para casa, nem entre a tomar

coisa alguma de sua casa;

16 E o que estiver no campo não volte atraz, para tomar o seu vestido.

17 Mas ai das [13] gravidas, e das que criarem n’aquelles dias!

18 Orae pois, para que a vossa fugida não succeda no inverno;

19 Porque _n_’aquelles dias [14] haverá _uma_ afflicção tal, qual nunca

houve desde o principio da creação, que Deus creou, até agora, nem tão

pouco haverá.

20 E, se o Senhor não abreviasse aquelles dias, nenhuma carne se

salvaria; mas, por causa dos escolhidos que escolheu, abreviou aquelles

dias.

21 E então, se alguem vos disser: Eis aqui [15] _está_ o Christo: ou,

Eil-o ali _está_: não _o_ acrediteis.

22 Porque se levantarão falsos christos, e falsos prophetas, e farão

signaes e prodigios, para enganarem, se _fôr_ possivel, até os escolhidos.

23 Mas vós vede; [16] eis que d’antemão vos tenho dito tudo.

_O sermão prophetico continúa: A vinda do Filho do homem._

Mat. 24.29-45, etc.

24 Ora, [17] n’aquelles dias, depois d’aquella afflicção, o sol se

escurecerá, e a lua não dará o seu resplendor,

25 E as estrellas cairão do céu, e as forças que _estão_ nos céus serão

abaladas.

26 E então verão [18] vir o Filho do homem nas nuvens, com grande poder e

gloria.

27 E então enviará os seus anjos, e ajuntará os seus escolhidos, desde os

quatro ventos, da extremidade da terra até á extremidade do céu.

28 Aprendei pois a parabola [19] da figueira: Quando já o seu ramo se

torna tenro, e brota folhas, bem sabeis que _já_ está proximo o verão.

29 Assim tambem vós, quando virdes succederem estas _coisas_, sabei que

_já_ está junto ás portas.

30 Na verdade vos digo que não passará esta geração, até que todas estas

coisas aconteçam.

31 Passará o céu e a terra,[20] mas as minhas palavras não passarão.

_O sermão prophetico continúa: a vigilancia._

32 Porém d’aquelle dia e hora ninguem sabe, nem os anjos que _estão_ no

céu, nem o Filho, senão o Pae.

33 Olhae, vigiae [21] e orae; porque não sabeis quando chegará o tempo.

34 Como o homem,[22] que, partindo para fóra da terra, deixou a sua casa,

e deu auctoridade aos seus servos, e a cada um a sua obra, e mandou ao

porteiro que vigiasse;

35 Vigiae [23] pois, porque não sabeis quando virá o senhor da casa; se á

tarde, se á meia noite, se ao cantar do gallo, se pela manhã,

36 Para que não venha de improviso, e vos ache dormindo.

37 E as coisas que vos digo digo-_as_ a todos: Vigiae.

[1] Luc. 21.6.

[2] Luc. 19.14.

[3] Mat. 24.3. Luc. 21.7.

[4] Jer. 29.8. Eph. 5.6. I The. 2.3.

[5] Mat. 24.8.

[6] Mat. 10.17, 18 e 24.9. Apo. 2.10.

[7] Mat. 24.14.

[8] Mat. 10.19. Luc. 12.11 e 21.14. Act. 2.4 e 4.8, 31.

[9] Miq. 7.6. Mat. 10.21 e 24.10. Luc. 21.16.

[10] Mat. 24.9. Luc. 21.17. Dan. 12.12. Mat. 10.22 e 24.13. Apo. 2.10.

[11] Dan. 9.27.

[12] Luc. 21.21.

[13] Luc. 21.23 e 23.29.

[14] Dan. 9.26 e 12.1. Joel 2.2. Mat. 24.21.

[15] Mat. 24.23. Luc. 17.23 e 21.8.

[16] II Ped. 3.17.

[17] Dan. 7.10. Sof. 1.15. Luc. 21.25.

[18] Dan. 7.13, 14. Mat. 16.27 e 24.30. cap. 14.62. Act. 1.11. I The.

4.16. II The. 1.7, 10. Apo. 1.7.

[19] Mat. 24.32. Luc. 21.29, etc.

[20] Isa. 40.8.

[21] Mat. 24.42 e 25.13. Luc. 12.40 e 21.24. Rom. 13.11. I The. 5.6.

[22] Mat. 24.45 e 25.14.

[23] Mat. 24.42, 44.

_A consulta dos sacerdotes._

Mat. 26.3-5 e refs.

14 E d’alli a dois [1] dias era a paschoa, e a _festa dos pães_ asmos, e

os principaes dos sacerdotes e os escribas buscavam como o prenderiam com

dolo, e o matariam.

2 Mas elles diziam: Não na festa, para que porventura se não faça

alvoroço entre o povo.

_O jantar em Bethania._

Mat. 26.6-13 e refs.

3 E, estando elle em [2] Bethania, assentado _á mesa_, em casa de Simão,

o leproso, veiu uma mulher, que trazia um vaso de alabastro, com unguento

de nardo puro, de muito preço, e, quebrando o vaso, lh’o derramou sobre a

cabeça.

4 E alguns houve que em si mesmos se indignaram, e disseram: Para que se

fez este desperdicio de unguento?

5 Porque podia isto vender-se por mais de trezentos dinheiros, e dal-o

aos pobres. E bramavam contra ella.

6 Jesus, porém, disse: Deixae-a, para que a molestaes? Ella fez-me _uma_

obra boa.

7 Porque sempre tendes os[3] pobres comvosco, e podeis fazer-lhes bem,

quando quizerdes; porém a mim nem sempre me tendes.

8 Esta fez o que podia; antecipou-se a ungir o meu corpo para a sepultura.

9 Em verdade vos digo que, em todas as partes do mundo onde este

evangelho fôr prégado, tambem _o_ que ella fez será contado para sua

memoria.

_O preço da traição._

Mat. 26.14-16.

10 E [4] Judas Iscariotes, um dos doze, foi ter com os principaes dos

sacerdotes para lh’o entregar.

A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento · 第 32 / 44 章