não vês a trave que _está_ no teu olho?
4 Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho; e,
eis uma trave no teu olho?
5 Hypocrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar
o argueiro do olho do teu irmão.
6 Não deis aos cães as coisas sanctas, [4] nem deiteis aos porcos as
vossas perolas, não seja caso que as pizem com os pés, e, voltando-se,
vos despedacem.
7 Pedi, [5] e dar-se-vos-ha; buscae, e encontrareis; batei, e
abrir-se-vos-ha.
8 Porque, [6] aquelle que pede, recebe; e, o que busca, encontra; e, ao
que bate, se abre.
9 E qual d’entre vós é o homem que, [7] pedindo-lhe pão o seu filho, lhe
dará uma pedra?
10 E, pedindo-lhe peixe, lhe dará uma serpente?
11 Se vós, pois, sendo maus, [8] sabeis dar boas coisas aos vossos
filhos, quanto mais vosso Pae, que _está_ nos céus, [AFH] dará bens aos
que lh’_os_ pedirem?
12 Portanto, [9] tudo o que vós quereis que os homens vos façam,
fazei-lh’o tambem vós, porque esta é a lei e os prophetas.
13 Entrae pela porta [10] estreita; porque larga _é_ a porta, e espaçoso
o caminho que conduz á perdição, e muitos são os que entram por elle;
14 Porque estreita _é_ a porta, e apertado o caminho que leva á vida, e
poucos ha que o encontrem.
15 Acautelae-vos, porém, dos falsos prophetas, [11] que veem para vós
vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores.
16 Por seus fructos [12] os conhecereis. _Porventura_ colhem-se uvas dos
espinheiros ou figos dos abrolhos?
17 Assim, [13] toda a arvore boa produz bons fructos, e toda a arvore má
produz fructos maus.
18 Não pode a arvore boa dar maus fructos; nem a arvore má dar fructos
bons.
19 Toda a arvore [14] que não dá bom fructo corta-se e lança-se no fogo.
20 E, assim, pelos seus fructos os conhecereis.
21 Nem todo o que me diz: [15] Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus,
mas aquelle que faz a vontade de meu Pae, que _está_ nos céus.
22 Muitos me dirão n’aquelle dia: Senhor, Senhor, [16] não prophetizámos
nós em teu nome? e em teu nome não expulsámos demonios? e em teu nome não
fizemos muitas maravilhas?
23 E então lhes direi abertamente: [17] Nunca vos conheci: apartae-vos de
mim, vós que obraes a iniquidade.
24 Todo aquelle, [18] pois, que escuta estas minhas palavras e as
pratica, assimilhal-o-hei ao homem prudente, que edificou a sua casa
sobre a rocha;
25 E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram
aquella casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha.
26 E aquelle que ouve estas minhas palavras, e as não executa,
comparal-o-hei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia;
27 E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram
aquella casa, e caiu, e foi grande a sua queda.
28 E aconteceu que, concluindo Jesus este discurso, [19] a multidão se
admirou da sua doutrina,
29 Porque os ensinava como tendo auctoridade; [20] e não como os escribas.
[1] Luc. 6.37. Rom. 2.1 e 14.3. I Cor. 4.3, 5. Thi. 4.11, 12.
[2] Mar. 4.24. Luc. 6.38.
[3] Luc. 6.41.
[4] Pro. 9.7, 8 e 23.9. Act. 13.45, 46.
[5] cap. 21.22. Mar. 11.24. Luc. 11.9, 10 e 18.1. João 14.13. Thi. 1.5,
6. I João 3.22.
[6] Pro. 8.17. Jer. 29.12.
[7] Luc. 11.11, 13.
[8] Gen. 6.5.
[9] Luc. 6.31. Lev. 19.18. cap. 22.40. Rom. 13.8, 10. Gal. 5.14. I Tim.
1.5.
[10] Luc. 13.24.
[11] Deu. 13.3. Jer. 23.16. Mar. 13.22. Rom. 16.17, 18. Eph. 5.6. Col.
2.8. II Ped. 2.1. I João 4.1. Miq. 3.5. Act. 20.29.
[12] ver. 20. cap. 12.33. Luc. 6.43.
[13] Jer. 11.19. cap. 12.33.
[14] cap. 3.10. Luc. 3.9. João 15.26.
[15] Ose. 8.2. cap. 25.11. Luc. 6.46 e 13.25. Act. 19.13. Rom. 2.13. Thi.
1.22.
[16] Num. 2.44. João 11.51. I Cor. 13.2.
[17] cap. 25.12. Luc. 13.25, 27. II Tim. 2.19. Psa. 5.5, 6, 9. cap. 25.41.
[18] Luc. 6.47.
[19] cap. 13.54. Mar. 1.22 e 6.2. Luc. 4.32.
[20] João 7.46.
_O leproso purificado._
Mar. 1.40-45. Luc. 5.12-14.
8 E descendo elle do monte, seguiu-o uma grande multidão.
2 E, eis-que veiu um leproso, e o adorou, dizendo: Senhor, se tu queres,
podes purificar-me.
3 E Jesus, estendendo a mão, tocou-o, dizendo: Quero: sê puro. E logo
ficou purificado da lepra.
4 Disse-lhe então Jesus: [1] Olha não o digas a alguem, mas vae,
mostra-te ao sacerdote, e apresenta a offerta que Moysés determinou, [2]
para lhes servir de testemunho.
_O centurião de Capernaum._
Luc. 7.1-10.
5 E, entrando Jesus em Capernaum, chegou _junto d’elle_ um centurião,
rogando-lhe,
6 E dizendo: Senhor, o meu creado jaz em casa paralytico, e violentamente
atormentado.
7 E Jesus lhe disse: Eu irei, e lhe darei saude.
8 E o centurião, respondendo, disse: Senhor, [3] não sou digno de que
entres debaixo do meu telhado, [4] mas dize sómente uma palavra, e o meu
creado sarará;
9 Pois tambem eu sou homem sujeito ao poder, e tenho soldados ás minhas
ordens; e digo a este: Vae, e elle vae; e a outro: Vem, e elle vem; e ao
meu creado: Faze isto, e elle o faz.
10 E maravilhou-se Jesus, ouvindo _isto_, e disse aos que o seguiam: Em
verdade vos digo que nem em Israel encontrei tanta fé.
11 Mas eu vos digo que muitos virão do oriente [5] e do occidente, e
assentar-se-hão á mesa com Abrahão, e Isaac, e Jacob, no reino dos céus;
12 E os filhos do reino [6] serão lançados nas trevas exteriores: ali
haverá pranto e ranger de dentes.
13 Então disse Jesus ao centurião: Vae, e como creste te seja feito. E
n’aquella mesma hora o seu creado sarou.
_A sogra de Pedro._
Mar. 1.29-31. Luc. 4.38-41.
14 E Jesus, entrando em casa de Pedro, [7] viu a sogra d’este jazendo com
febre.
15 E tocou-lhe na mão, e a febre a deixou; e levantou-se, e serviu-os.
16 E, chegada a tarde, [8] trouxeram-lhe muitos endemoninhados, e com a
palavra expulsou _d’elles_ os espiritos _malignos_, e curou todos os que
estavam enfermos;
17 Para que se cumprisse o que fôra dito pelo propheta Isaias, que diz:
[9] Elle tomou _sobre si_ as nossas enfermidades, e levou as _nossas_
doenças.
_Como devemos seguir a Jesus._
Luc. 9.57, &c.
18 E Jesus, vendo em torno de si _uma_ grande multidão, ordenou que
passassem para a banda d’alem;
19 E, approximando-se _d’elle_ um escriba, disse-lhe: Mestre, aonde quer
que fores, eu te seguirei.
20 E disse Jesus: As raposas teem _seus_ covis, e as aves do céu _teem
seus_ ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça.
21 E [10] outro de seus discipulos lhe disse: Senhor, [11] permitte-me
que primeiro vá sepultar meu pae.
22 Jesus, porém, disse-lhe: Segue-me, e deixa aos mortos sepultar os seus
mortos.
_Jesus apazigua a tempestade._
Mar. 4.35-41. Luc. 8.22-25.
23 E, entrando elle no barco, seus discipulos o seguiram;
24 E eis que no mar se levantou _uma_ tempestade tão grande que o barco
era coberto pelas ondas; elle, porém, estava dormindo.
25 E os seus discipulos, approximando-se, o despertaram, dizendo: Senhor,
salva-nos, que perecemos.
26 E elle disse-lhes: Porque temeis, _homens_ de pouca fé? [12] Então,
levantando-se, reprehendeu os ventos e o mar, e seguiu-se uma grande
bonança.
27 E aquelles homens se maravilharam, dizendo: Quem é este, que até os
ventos e o mar lhe obedecem?
_Os endemoninhados gergesenos._
Mar. 5.1. Luc. 8.26, etc.
28 E, tendo chegado á outra banda, á provincia dos gergesenos, sairam-lhe
ao encontro dois endemoninhados, vindos dos sepulchros, tão ferozes que
ninguem podia passar por aquelle caminho.
29 E eis que clamaram, dizendo: Que temos nós comtigo, Jesus Filho de
Deus? Vieste aqui a atormentar-nos antes de tempo?
30 E andava pastando distante d’elles uma manada de muitos porcos.
31 E os demonios rogaram-lhe, dizendo: Se nos expulsas, permitte-nos que
entremos n’aquella manada de porcos.
32 E elle lhes disse: Ide. E, saindo elles, se introduziram na manada dos
porcos; e eis que toda aquella manada de porcos se precipitou no mar por
um despenhadeiro, e morreram nas aguas.
33 E os porqueiros fugiram, e, chegando á cidade, divulgaram todas
_aquellas coisas_, e o que _acontecera_ aos endemoninhados.
34 E eis que toda aquella cidade saiu ao encontro de Jesus, e, vendo-o,
[13] rogaram-lhe que se retirasse dos seus termos.
[1] cap. 9.30. Mar. 5.43.
[2] Lev. 14.3, 10. Luc. 5.14.
[3] Luc. 15.19, 21.
[4] Psa. 107.20.
[5] Gen. 12.3. Isa. 2.2. Mal. 1.11. Luc. 13.29. Act. 10.45. Rom. 15.9.
[6] cap. 21.43 e 13.42. Luc. 13.28. II Ped. 2.17. Jud. 13.
[7] I Cor. 9.5.
[8] Mar. 1.32. Luc. 4.40, 41.
[9] Isa. 53.4. I Ped. 2.24.
[10] Luc. 9.59.
[11] I Reis 19.20.
[12] Psa. 65.8 e 89.9, 10 e 107.29.
[13] Deu. 5.25. I Reis 17.18. Luc. 5.8. Act. 16.39.
_O paralytico de Capernaum._
Mar. 2.3-12. Luc. 5.18-36.
9 E, entrando no barco, passou para a outra banda, e chegou á sua cidade.
E eis que [1] lhe trouxeram um paralytico deitado n’_uma_ cama.
2 E [2] Jesus, vendo a sua fé, disse ao paralytico: Filho, tem bom animo,
perdoados te são os teus peccados.
3 E eis que alguns dos escribas diziam entre si: Elle blasphema.
4 Mas Jesus, [3] conhecendo os seus pensamentos, disse: Porque ajuizaes
mal em vossos corações?
5 Pois qual é mais facil? dizer: Perdoados te são os _teus_ peccados; ou
dizer: Levanta-te e anda?
6 Ora, para que saibaes que o Filho do homem tem na terra auctoridade
para perdoar peccados (disse então ao paralytico): Levanta-te; toma a tua
cama, e vae para tua casa.
7 E, levantando-se, foi para sua casa.
8 E a multidão, vendo _isto_, maravilhou-se, e glorificou a Deus, que
dera tal auctoridade aos homens.
_A vocação de Mattheus._
Mar. 2.14-17. Luc. 5.27-32.
9 E Jesus, passando _adiante_ d’ali, viu assentado na alfandega um homem,
chamado Mattheus, e disse-lhe: Segue-me. E elle, levantando-se, o seguiu.
10 E aconteceu que, [4] estando elle em casa assentado _á mesa_, chegaram
muitos publicanos e peccadores, e assentaram-se juntamente _á mesa_ com
Jesus e seus discipulos.
11 E os phariseos, vendo _isto_, disseram aos seus discipulos: [5] Porque
come o vosso Mestre com os publicanos e peccadores?
12 Jesus, porém, ouvindo, disse-lhes: Não necessitam de medico os sãos,
senão os doentes.
13 Ide, porém, e aprendei o que significa: [6] Misericordia quero, e não
sacrificio. Porque eu não vim para chamar os justos, mas os peccadores,
ao arrependimento.
_O jejum._
Mar. 2.18-22. Luc. 5.33, etc.
14 Então chegaram ao pé d’elle os discipulos de João, dizendo: Porque
jejuamos nós e os phariseos muitas vezes, e os teus discipulos não jejuam?
15 E disse-lhes Jesus: Podem _porventura_ [7] andar tristes [AFI] os
filhos das bodas, emquanto o esposo está com elles? Dias, porém, virão em
que lhes será tirado o esposo, [8] e então jejuarão.
16 E ninguem deita remendo de panno novo em vestido velho, porque
similhante remendo rompe o vestido, e faz-se maior o rasgão;
17 Nem deitam vinho novo em odres velhos; aliás rompem-se os odres, e
entorna-se o vinho, e os odres estragam-se; mas deitam vinho novo em
odres novos, e ambos se conservam.
_A cura da mulher que tinha um fluxo de sangue._
Mar. 5.22-43 e refs.
18 Dizendo-lhes elle estas _coisas_, eis que chegou um [AFJ] principal, e
o adorou, dizendo: Minha filha falleceu agora mesmo; mas vem, impõe-lhe a
tua mão, e ella viverá.
19 E Jesus, levantando-se, seguiu-o, _elle_ e os seus discipulos.
20 E eis que uma mulher [9] que havia já doze annos padecia de um fluxo
de sangue, chegando por detraz _d’elle_, tocou a orla do seu vestido;
21 Porque dizia comsigo: Se eu tão sómente tocar o seu vestido, ficarei
sã.
22 E Jesus, voltando-se, e vendo-a, disse: [10] Tem animo, filha, a tua
fé te salvou. E immediatamente a mulher ficou sã.
23 E [11] Jesus, chegando a casa d’aquelle principal, e vendo os
instrumentistas, e o povo em alvoroço,
24 Disse-lhes: [12] Retirae-vos, que a menina não está morta, mas dorme.
E riam-se d’elle.
25 E, logo que o povo foi posto fóra, entrou, e pegou-lhe na mão, e a
menina levantou-se.
26 E espalhou-se aquella noticia por todo aquelle paiz.
_A cura de dois cegos e um mudo._
27 E, partindo Jesus d’ali, seguiram-o dois cegos, clamando, e dizendo:
[13] Tem compaixão de nós, filho de David.
28 E, quando chegou a casa, os cegos se approximaram d’elle; e Jesus
disse-lhes: Credes vós que eu possa fazer isto? Disseram-lhe elles: Sim,
Senhor.
29 Tocou então os olhos d’elles, dizendo: Seja-vos feito segundo a vossa
fé.
30 E os olhos se lhes abriram. E Jesus ameaçou-os, dizendo: [14] Olhae
não o saiba _alguem_.
31 Mas, [15] tendo elle saido, divulgaram a sua fama por toda aquella
terra.
32 E, [16] havendo-se elles retirado, trouxeram-lhe um homem mudo e
endemoninhado.
33 E, expulso o demonio, fallou o mudo; e a multidão se maravilhou,
dizendo: Nunca tal se viu em Israel.
34 Mas os phariseos diziam: [17] Elle expulsa os demonios pelo principe
dos demonios.
_A seara, e os ceifeiros._
35 E percorria Jesus todas as cidades e aldeias, [18] ensinando nas
synagogas d’elles, e prégando o evangelho do reino, e curando todas as
enfermidades e molestias entre o povo.
36 E, vendo a multidão, teve grande compaixão d’elles, [19] porque
andavam desgarrados e errantes, como ovelhas que não teem pastor.
37 Então disse aos seus discipulos: A [20] _seara é_ realmente grande,
mas poucos os ceifeiros.
38 Rogae pois [21] ao Senhor da seara que mande ceifeiros para a sua
_seara_.
[1] Mar. 2.3. Luc. 5.18.
[2] cap. 8.10.
[3] Psa. 139.3. cap. 12.25. Mar. 12.15. Luc. 5.22.
[4] Mar. 2.15, etc. Luc. 5.29, etc.
[5] cap. 11.19. Luc. 5.30. Gal. 2.15.
[6] Ose. 6.6. Miq. 6.6, 7, 8. cap. 12.7. I Tim. 1.15.
[7] João 3.29.
[8] Act. 13.2, 3 e 14.23. I Cor. 7.5.
[9] Mar. 5.25. Luc. 8.43.
[10] Luc. 7.50 e 8.48 e 17.19 e 18.42.
[11] Mar. 5.38. Luc. 8.51. II Chr. 35.25.
[12] Act. 20.10.
[13] cap. 15.22. Mar. 10.47. Luc. 18.38.
[14] cap. 8.4 e 12.16. Luc. 5.14.
[15] Mar. 7.36.
[16] cap. 12.22. Luc. 11.14.
[17] cap. 12.24. Mar. 3.22. Luc. 11.15.
[18] Mar. 6.6. Luc. 13.22. cap. 4.23.
[19] Mar. 6.34. Num. 27.17. Eze. 34.5. Zac. 10.2.
[20] Luc. 10.2. João 4.35.
[21] II The. 3.1.
_Os doze e a sua missão._
10 E, chamando os seus doze discipulos, [1] deu-lhes poder sobre os
espiritos immundos, para os expulsarem, e curarem toda a enfermidade e
todo o mal.
2 Ora os nomes dos doze apostolos são estes: O primeiro, Simão, [2]
chamado Pedro, e André, seu irmão; Thiago, _filho_ de Zebedeo, e João,
seu irmão;
3 Philippe e Bartholomeo; Thomé e Mattheus, o publicano; Thiago, _filho_
de Alpheo, e Lebbeo, appellidado Thaddeo;
4 Simão Cananita, [3] e Judas Iscariotes, o mesmo que o trahiu.
5 Jesus enviou estes doze, e lhes ordenou, dizendo: [4] Não ireis pelo
caminho das gentes, nem entrareis em cidade de samaritanos;
6 Mas ide antes [5] ás ovelhas perdidas da casa d’Israel;
7 E, indo, prégae, [6] dizendo: É chegado o reino dos céus.
8 Curae os enfermos, purificae os leprosos, resuscitae os mortos,
expulsae os demonios: [7] de graça recebestes, de graça dae.
9 Não possuaes oiro, nem prata, [8] nem cobre, em vossos cintos,
10 Nem alforges para o caminho, nem duas tunicas, nem alparcas, nem
bordão; [9] porque digno é o operario do seu alimento.
11 E, em qualquer cidade ou aldeia em que entrardes, [10] procurae saber
quem n’ella seja digno, e hospedae-vos ahi até que vos retireis.
12 E, quando entrardes n’alguma casa, saudae-a;
13 E, se a casa fôr digna, [11] desça sobre ella a vossa paz; porém, se
não fôr digna, torne para vós a vossa paz.
14 E, se ninguem vos receber, [12] nem escutar vossas palavras, saindo
d’aquella casa ou cidade, sacudi o pó dos vossos pés.
15 Em verdade vos digo que, no dia do juizo, haverá menos rigor [13] para
o paiz de Sodoma e Gomorrah do que para aquella cidade.
16 Eis que vos envio [14] como ovelhas ao meio de lobos; portanto sêde
prudentes como as serpentes [15] e simplices como as pombas.
17 Acautelae-vos, porém, dos homens; [16] porque elles vos entregarão aos
synhedrios, e vos açoitarão nas suas synagogas;
18 E sereis até conduzidos [17] á presença dos governadores e dos reis
por causa de mim, para _lhes servir de_ testemunho a elles e aos gentios.
19 Mas, quando [18] vos entregaram, não estejaes cuidadosos de como, ou o
que haveis de fallar, porque n’aquella _mesma_ hora vos será ministrado o
que haveis de dizer.
20 Porque [19] não sois vós que fallaes, mas o Espirito de vosso Pae, que
falla em vós.
21 E o irmão entregará á morte o irmão, [20] e o pae o filho; e os filhos
se levantarão contra os paes, e os matarão.
22 E odiados de todos sereis por causa do meu nome: [21] mas aquelle que
perseverar até ao fim será salvo.
23 Quando pois [22] vos perseguirem n’esta cidade, fugi para outra;
porque em verdade vos digo que não acabareis de _percorrer_ as cidades
d’Israel, [23] sem que venha o Filho do homem.
24 Não é o discipulo [24] mais do que o mestre, nem o servo mais do que o
seu senhor.
25 Baste ao discipulo ser como seu mestre, e ao servo como seu senhor. Se
chamaram [25] Beelzebú ao pae de familia, quanto mais aos seus domesticos?
26 Portanto, não os temaes; [26] porque nada ha encoberto que não haja de
revelar-se, nem occulto que não haja de saber-se.
27 O que vos digo em trevas dizei-_o_ em luz; e o que escutaes ao ouvido
prégae-_o_ sobre os telhados.
28 E não temaes os que matam o corpo, [27] e não podem matar a alma:
temei antes aquelle que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo.
29 Não se vendem dois passarinhos por um [AFK] ceitil? e nenhum d’elles
cairá em terra sem _a vontade de_ vosso Pae.
30 E até mesmo [28] os cabellos da vossa cabeça estão todos contados.
31 Não temaes pois: mais valeis vós do que muitos passarinhos.
32 Portanto, [29] qualquer que me confessar diante dos homens, eu o
confessarei diante de meu Pae, que _está_ nos céus.
33 Mas qualquer [30] que me negar diante dos homens, eu o negarei tambem
diante de meu Pae, que _está_ nos céus.
34 Não cuideis que vim trazer a paz á terra; [31] não vim trazer a paz,
mas a espada;
35 Porque eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pae, [32] e a filha
contra sua mãe, e a nora contra sua sogra;
36 E _serão_ [33] os inimigos do homem os que _são_ seus familiares.
37 Quem ama o pae [34] ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e
quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim.
38 E quem não toma a sua cruz, [35] e não segue após mim, não é digno de
mim.
39 Quem achar a sua [AFL] vida [36] perdel-a-ha; e quem perder a sua vida
por amor de mim achal-a-ha.
40 Quem vos recebe, [37] me recebe a mim; e quem me recebe a mim, recebe
aquelle que me enviou.
41 Quem recebe [38] _um_ propheta em qualidade de propheta, receberá
galardão de propheta; e quem recebe _um_ justo em qualidade de justo,
receberá galardão de justo.
42 E qualquer [39] que tiver dado só que seja um copo d’_agua_ fria a um
d’estes pequenos, em qualidade de discipulo, em verdade vos digo que de
modo nenhum perderá o seu galardão.
[1] Mar. 3.13 e 6.7. Luc. 6.13 e 9.1.
[2] João 1.42.
[3] Luc. 6.15. Act. 1.13. João 13.26.
[4] cap. 4.15. II Reis 17.24. João 4.9.
[5] cap. 15.24. Act. 13.48. Isa. 53.6. Jer. 50.6. Eze. 34.5. I Ped. 2.25.
[6] Luc. 9.2. cap. 3.2 e 4.17. Luc. 10.9.
[7] Act. 8.18.
[8] I Sam. 9.7. Mar. 6.8. Luc. 9.3.
[9] Luc. 10.7. I Cor. 9.7. I Tim. 5.18.
[10] Luc. 10.8.
[11] Luc. 10.5. Psa. 35.13.
[12] Mar. 6.11. Luc. 9.5 e 10.10, 11. Neh. 5.13. Act. 13.51 e 18.6.
[13] cap. 11.22, 24.
[14] Luc. 10.3. Rom. 16.19. Eph. 5.11.
[15] I Cor. 14.20. Phi. 2.15.
[16] cap. 24.9. Mar. 13.9. Luc. 12.11 e 21.12. Act. 5.40.
[17] Act. 12.1 e 24.10 e 25.7, 23. II Tim. 4.16.
[18] Mar. 13.11. Luc. 12.11 e 21.14, 15. Exo. 4.12. Jer. 1.7.
[19] II Sam. 23.2. Act. 4.8. II Tim. 4.17.
[20] Miq. 7.6. ver. 35, 36. Luc. 21.16.
[21] Luc. 21.17. Dan. 12.12. cap. 24.13. Mar. 13.13.
[22] cap. 2.13. Act. 8.1 e 9.5 e 14.6.
[23] cap. 16.28.
[24] Luc. 6.40. João 13.16 e 15.20.
[25] cap. 12.24. Mar. 3.22. Luc. 11.15. João 8.48, 52.
[26] Mar. 4.22. Luc. 8.17.
[27] Isa. 8.12, 13. Luc. 12.4. I Ped. 3.14.
[28] I Sam. 14.45. II Sam. 14.11. Luc. 21.18. Act. 27.34.
[29] Luc. 12.8. Rom. 10.9. Apo. 3.5.
[30] Mar. 8.38. Luc. 9.26. II Tim. 2.12.
[31] Luc. 12.49, 51, 52, 53.
[32] Miq. 7.6.
[33] Psa. 41.9 e 55.14. Miq. 7.6. João 13.18.
[34] Luc. 14.6.
[35] cap. 16.24. Mar. 8.34. Luc. 9.23.
[36] Luc. 17.33. João 12.25.
[37] cap. 18.5. Luc. 9.48. João 12.44. Gal. 4.14.
[38] I Reis 17.10 e 18.4. II Reis 4.8.
[39] cap. 18.5, 6 e 25.40. Mar. 9.40. Heb. 6.10.
_João Baptista envia dois discipulos seus a Jesus._
Luc. 7.18-35.
11 E, aconteceu que, acabando Jesus de dar _seus_ preceitos aos seus doze
discipulos, partiu d’ali a ensinar e a prégar nas cidades d’elles.
2 E João, ouvindo, [1] no carcere, _fallar_ dos feitos de Christo, enviou
dois dos seus discipulos,
3 Dizendo-lhe: [2] És tu aquelle que havia de vir, ou esperamos outro?
4 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Ide, e annunciae a João _as coisas_
que ouvis e vêdes:
5 Os cegos vêem, [3] e os coxos andam; os leprosos são purificados, e os
surdos ouvem; os mortos são resuscitados, e o evangelho é annunciado aos
pobres.
6 E bemaventurado é _aquelle_ [4] que se não escandalizar em mim.
7 E, partindo elles, [5] começou Jesus a dizer ás turbas, a respeito de
João: Que fostes vêr no deserto? _uma_ canna agitada pelo vento?
8 Ou que fostes vêr? _um_ homem ricamente vestido? Os que trajam
ricamente estão nas casas dos reis.
9 Ou então que fostes vêr? _um_ propheta? sim, vos digo eu, [6] e muito
mais do que propheta:
10 Porque é este de quem está escripto: [7] Eis que adiante da tua face
envio o meu anjo, que preparará adiante de ti o teu caminho.
11 Em verdade vos digo _que_, entre os que de mulheres teem nascido, não
appareceu _alguem_ maior do que João Baptista; mas aquelle _que_ é o
menor no reino dos céus é maior do que elle.
12 E, desde os dias de João Baptista até agora, [8] se faz violencia ao
reino dos céus, e os violentos se apoderam d’elle.
13 Porque [9] todos os prophetas e a lei prophetizaram até João.
14 E, se quereis dar credito, [10] é este o Elias que havia de vir.
15 Quem [11] tem ouvidos para ouvir oiça.
16 Mas, [12] a quem assimilharei esta geração? É similhante aos meninos
que se assentam nas praças, e clamam aos seus companheiros,
17 E dizem: Tocámos-vos flauta, e não dançastes: cantámos-vos
lamentações, e não chorastes.
18 Pois veiu João, não comendo nem bebendo, e dizem: Tem demonio.
19 Veiu o Filho do homem, comendo e bebendo, e dizem: Eis ahi _um_
homem comilão e beberrão, [13] amigo de publicanos e peccadores. Mas a
sabedoria é justificada por seus filhos.
_As tres cidades impenitentes._
Luc. 10.13-15, etc.
20 Então começou elle a lançar em rosto ás cidades onde se operou a maior
parte dos seus prodigios o não se haverem arrependido, _dizendo_:
21 Ai de ti, Corazin! ai de ti, Bethsaida! porque, se em Tyro e em Sidon
fossem feitos os prodigios que em vós se fizeram, ha muito que se teriam
arrependido, [14] com sacco e com cinza.
22 Porém eu vos digo [15] que haverá menos rigor para Tyro e Sidon, no
dia do juizo, do que para vós.
23 E tu, Capernaum, [16] que te ergues até aos céus, serás abatida até
aos infernos; porque, se entre os de Sodoma fossem feitos os prodigios
que em ti se fizeram, teriam permanecido até hoje.
24 Porém eu vos digo [17] _que_ haverá menos rigor para os de Sodoma, no
dia do juizo, do que para ti.
_O jugo de Jesus._
Luc. 10.21, etc.
25 N’aquelle tempo, [18] respondendo Jesus, disse: Graças te dou, ó Pae,
Senhor do céu e da terra, que occultaste estas _coisas_ aos sabios e
intelligentes, e as revelaste aos meninos.
26 Sim, ó Pae, porque assim te aprouve.
27 Todas _as coisas_ [19] me foram entregues por meu Pae: e ninguem
conhece o Filho, senão o Pae; e ninguem conhece o Pae, senão o Filho, e
aquelle a quem o Filho o quizer revelar.
28 Vinde a mim, todos os que estaes cançados e opprimidos, e eu vos
alliviarei.
29 Tomae sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, [20] que sou manso e
humilde de coração; e encontrareis descanço para as vossas almas.
30 Porque o meu jugo [21] é suave e o meu fardo é leve.
[1] cap. 14.3.
[2] Gen. 49.10. Num. 24.17. Dan. 9.24. João 6.14.
[3] Isa. 29.18 e 35.4. João 2.23 e 3.2 e 5.36. Psa. 22.27. Isa. 61.1.
Luc. 4.18. Thi. 2.5.
[4] Isa. 8.14, 15. cap. 13.57. Rom. 9.32. I Cor. 1.23. Gal. 5.11. I Ped.
2.8.
[5] Luc. 7.24. Eph. 4.14.
[6] cap. 14.5. Luc. 1.76.
[7] Mal. 3.1. Mar. 1.2. Luc. 1.76 e 7.27.
[8] Luc. 16.16.
[9] Mal. 4.6.
[10] Mal. 4.5. cap. 17.12. Luc. 1.17.
[11] cap. 13.9. Luc. 8.8. Apo. 2.7, 11, 17, 29 e 3.6, 13, 22.
[12] Luc. 7.31.
[13] cap. 9.10. Luc. 7.35.
[14] Jon. 3.6, 8.
[15] cap. 10.15. ver. 24.
[16] Isa. 14.13. Lam. 2.1.
[17] cap. 10.15.
[18] Psa. 8.3. I Cor. 1.19, 27 e 2.8. II Cor. 3.14. cap. 16.17.
[19] Luc. 10.22. João 3.35 e 1.18 e 6.46. I Cor. 15.27 e 10.15.
[20] João 13.16. Phi. 2.5 e 2.7, 8. I Ped. 2.21. I João 2.6. Zac. 9.9.
Jer. 6.16.
[21] I João 5.3.
_Jesus é Senhor do Sabbado._
Mar. 2.2-18. Luc. 6.1.
12 N’aquelle tempo passou Jesus pelas searas, em um sabbado; e os seus
discipulos tinham fome, e começaram a colher espigas, e a comer.
2 E os phariseos, vendo _isto_, disseram-lhe: Eis que os teus discipulos
fazem o que não é licito fazer n’um sabbado.
3 Elle, porém, lhes disse: Não tendes lido o que fez David, [1] quando
teve fome, elle e os que com elle _estavam_?
4 Como entrou na casa de Deus, e comeu os pães da proposição, [2] que
não lhe era licito comer, nem aos que com elle _estavam_, mas só aos
sacerdotes?
5 Ou não tendes lido na lei [3] que, aos sabbados, os sacerdotes violam o
sabbado no templo, e ficam sem culpa?
6 Pois eu vos digo que está aqui [4] _um_ maior do que o templo.
7 Mas, se vós soubesseis o que significa: [5] Misericordia quero, e não
sacrificio, não condemnarieis os innocentes.
8 Porque o Filho do homem até do sabbado é Senhor.
_A cura do homem que tinha uma das mãos mirrada._
Mar. 3.1-6. Luc. 6.6-11.
9 E, partindo d’ali, chegou á synagoga d’elles.
10 E, estava ali um homem que tinha uma das mãos mirrada; e elles, [6]
para o accusarem, o interrogaram, dizendo: É licito curar nos sabbados?
11 E elle lhes disse: Qual d’entre vós será o homem que tenha uma ovelha,
[7] e, se n’um sabbado a tal _ovelha_ cair n’uma cova, não lance mão
d’ella, e a levante?
12 Pois quanto mais vale um homem do que uma ovelha? É, por consequencia,
licito fazer bem nos sabbados.
13 Então disse áquelle homem: Estende a tua mão. E elle a estendeu, e
ficou sã como a outra.
14 E os phariseos, [8] tendo saido, formaram conselho contra elle, para o
matarem,
15 Mas, sabendo-o, [9] retirou-se d’ali, e acompanhou-o uma grande
multidão de gente, e elle os curou a todos.
16 E [10] recommendava-lhes rigorosamente que o não descobrissem,
17 Para que se cumprisse o que fôra dito pelo propheta Isaias, que diz:
18 Eis aqui o meu servo, [11] que escolhi, o meu amado, em quem a minha
alma se compraz: porei sobre elle o meu espirito, e annunciará [AFM] aos
gentios o juizo.
19 Não contenderá, nem clamará, nem alguem ouvirá pelas ruas a sua voz;
20 Não esmagará a canna quebrada, e não apagará o murrão que fumega, até
que faça triumphar o juizo;
21 E no seu nome os gentios esperarão.
_A blasphemia dos phariseos._
Luc. 11.14-23.
22 Trouxeram-lhe então um endemoninhado cego e mudo; [12] e, de tal modo
o curou, que o cego e mudo fallava e via.
23 E toda a multidão se admirava e dizia: Não é este o Filho de David?
24 Mas [13] os phariseos, ouvindo _isto_, diziam: Este não expulsa os
demonios senão por Beelzebú, principe dos demonios.
25 Jesus, porém, conhecendo os seus pensamentos, [14] disse-lhes: Todo
o reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda a cidade, ou casa
dividida contra si mesma não subsistirá.
26 E, se Satanaz expulsa a Satanaz, está dividido contra si mesmo; como
subsistirá pois o seu reino?
27 E, se eu expulso os demonios por Beelzebú, por quem os expulsam então
os vossos filhos? Portanto elles mesmos serão os vossos juizes.
28 Mas, se eu expulso os demonios pelo Espirito de Deus, [15] é
conseguintemente chegado a vós o reino de Deus.
29 Ou, como pode alguem entrar em casa do _homem_ valente, [16] e furtar
os seus vasos, se primeiro não manietar o valente, saqueando então a sua
casa?
30 Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha.
31 Portanto eu vos digo: [17] Todo o peccado e blasphemia se perdoará aos
homens; porém a blasphemia contra o Espirito não será perdoada aos homens.
32 E, se qualquer fallar [18] _alguma_ palavra contra o Filho do homem,
ser-lhe-ha perdoado, mas, se alguem fallar contra o Espirito Sancto, não
lhe será perdoado, nem n’este seculo nem no futuro.
_Arvores e seus fructos._
Luc. 6.43-45.
33 Ou fazei a arvore boa, e o seu fructo bom, ou fazei a arvore má, e o
seu fructo mau; porque pelo fructo se conhece a arvore.
34 Raça de viboras, [19] como podeis vós dizer boas _coisas_, sendo maus?
pois do que é em abundancia no coração falla a bocca.
35 O homem bom tira boas _coisas_ do thesouro do _seu_ coração, e o homem
mau do mau thesouro tira _coisas_ más.
36 Mas eu vos digo que de toda a palavra ociosa que os homens disserem
hão de dar conta no dia do juizo.
37 Porque por tuas palavras serás justificado, e por tuas palavras serás
condemnado.
_O milagre de Jonas._
Luc. 11.16, 19-32.
38 Então [20] alguns dos escribas e dos phariseos tomaram a palavra,
dizendo: Mestre, quizeramos ver da tua parte _algum_ signal.
39 Mas elle lhes respondeu, e disse: A geração má e adultera pede [21]
_um_ signal, porém não se lhe dará senão o signal do propheta Jonas;
40 Pois,[22] como Jonas esteve tres dias e tres noites no ventre da
baleia, assim estará o Filho do homem tres dias e tres noites no seio da
terra.
41 Os ninivitas [23] resurgirão no juizo com esta geração, e a
condemnarão, [24] porque se arrependeram com a prégação de Jonas. E eis
que _está_ aqui quem é mais do que Jonas.
42 A rainha do meio-dia [25] se levantará no _dia do_ juizo com esta
geração, e a condemnará; porque veiu dos confins da terra a ouvir a
sabedoria de Salomão. E eis que _está_ aqui quem é mais do que Salomão.
43 E, quando [26] o espirito immundo tem saido do homem, [27] anda por
logares aridos, buscando repouso, e não o encontra.
44 Então diz: Voltarei para a minha casa d’onde sahi. E, voltando,
acha-_a_ desoccupada, varrida e adornada.
45 Então vae, e leva comsigo outros sete espiritos peiores do que elle,
e, entrando, habitam ali: [28] e são os ultimos _actos_ d’esse homem
peiores do que os primeiros. Assim acontecerá tambem a esta má geração.
_A familia de Jesus._
Mar. 3.31-35. Luc. 8.19-21.
46 E, fallando elle ainda á multidão, eis que [29] estavam fóra sua mãe e
seus irmãos, pretendendo fallar-lhe.
47 E disse-lhe alguem: Eis que estão ali fóra tua mãe e teus irmãos, que
querem fallar-te.
48 Porém elle, respondendo, disse ao que lhe fallára: Quem é minha mãe? e
quem são meus irmãos?
49 E, estendendo a sua mão para os seus discipulos, disse: Eis aqui minha
mãe e meus irmãos;
50 Porque, [30] qualquer que fizer a vontade de meu Pae que _está_ nos
céus, este é meu irmão, e irmã e mãe.
[1] I Sam. 21.6.
[2] Exo. 25.30 e 29.32, 33. Lev. 24.5 e 8.31 e 24.9.
[3] Num. 28.9. João 7.22.
[4] II Chr. 6.18. Mal. 3.1.
[5] Ose. 6.6. Miq. 6.6, 7, 8. cap. 9.13.
[6] Luc. 13.14 e 14.3. João 9.16.
[7] Exo. 23.4, 5. Deu. 22.4.
[8] cap. 27.1. Mar. 3.6. Luc. 6.11. João 5.18 e 10.39.
[9] cap. 10.23. Mar. 3.7.
[10] cap. 9.30.
[11] Isa. 42.1. cap. 3.17 e 17.5.
[12] cap. 9.32. Mar. 3.11.
[13] cap. 9.34. Mar. 3.22. Luc. 11.15.
[14] cap. 9.4. João 2.25. Apo. 2.23.
[15] Dan. 2.44 e 7.14. Luc. 1.33 e 11.20 e 17.20, 21.
[16] Isa. 49.24. Luc. 11.21, 22, 23.
[17] Mar. 3.28. Luc. 12.10. Heb. 6.4, 10. I João 5.16. Act. 7.51.
[18] cap. 11.19. João 7.12, 52. I Tim. 1.13.
[19] cap. 3.7 e 23.33. Luc. 6.45.
[20] Mar. 8.11. João 2.18. I Cor. 1.22.
[21] Isa. 57.3. cap. 16.4. Mar. 8.38. João 4.8.
[22] Jon. 2.1.
[23] Luc. 11.32.
[24] Jer. 3.11. Eze. 16.51. Rom. 2.27. Jon. 3.5.
[25] I Reis 10.1. II Chr. 9.1. Luc. 11.31.
[26] Luc. 11.24.
[27] Job 1.7. I Ped. 5.8.
[28] Heb. 6.4 e 10.26. II Ped. 2.20, 21, 22.
[29] Mar. 6.3. João 2.12.
[30] João 15.14. Gal. 5.6. Col. 3.11. Heb. 2.11.
_A parabola do semeador._
Mar. 4.1-20. Luc. 8.4-15.
13 E Jesus, tendo saido da casa n’aquelle dia, estava assentado junto ao
mar;
2 E ajuntou-se muita gente ao pé d’elle, de sorte que, entrando n’um
barco, se assentou; e toda a multidão estava em pé na praia.
3 E fallou-lhe de muitas _coisas_ por parabolas, dizendo: [1] Eis que o
semeador saiu a semear.
4 E, quando semeava, _uma_ parte _da semente_ caiu ao pé do caminho, e
vieram as aves, e comeram-n’a;
5 E outra _parte_ caiu em pedregaes, onde não havia terra bastante, e
logo nasceu, porque não tinha terra funda;
6 Mas, vindo o sol, queimou-se, e seccou-se, porque não tinha raiz.
7 E outra caiu em espinhos, e os espinhos cresceram, e suffocaram-n’a.
8 E outra caiu em boa terra, e deu fructo: [2] um _grão produziu_ cem,
outro sessenta e outro trinta.
9 Quem tem ouvidos para ouvir, [3] oiça.
10 E, acercando-se d’elle os discipulos, disseram-lhe: Porque lhes fallas
por parabolas?
11 Elle, respondendo, disse-lhes: Porque [4] a vós é dado conhecer os
mysterios do reino dos céus, mas a elles não é dado;
12 Porque áquelle que tem, [5] se dará, e terá em abundancia; mas áquelle
que não tem, até aquillo que tem lhe será tirado.
13 Por isso lhes fallo por parabolas; porque elles, vendo, não vêem; e,
ouvindo, não ouvem nem comprehendem.
14 E n’elles se cumpre a prophecia d’Isaias, que diz: [6] Ouvindo,
ouvireis, mas não comprehendereis, e, vendo, vereis, mas não percebereis.
15 Porque o coração d’este povo está endurecido, [7] e ouviram de mau
grado com seus ouvidos, e fecharam seus olhos; para que não vejam com
os olhos, e oiçam com os ouvidos, e comprehendam com o coração, e se
convertam, e eu os cure.
16 Mas bemaventurados os vossos olhos, porque vêem, [8] e os vossos
ouvidos, porque ouvem.
17 Porque em verdade vos digo [9] que muitos prophetas e justos desejaram
vêr o que vós vedes, e não _o_ viram; e ouvir o que vós ouvis e não _o_
ouviram,
18 Escutae [10] vós pois a parabola do semeador.
19 Ouvindo alguem a palavra do reino, [11] e não a entendendo, vem o
maligno, e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o que foi
semeado ao pé do caminho;
20 Porém o que foi semeado em pedregaes é o que ouve a palavra, [12] e
logo a recebe com alegria;
21 Mas não tem raiz em si mesmo, antes é temporão; e, chegada a angustia
e a perseguição por causa da palavra, [13] logo se offende;
22 E o que foi semeado em espinhos [14] é o que ouve a palavra, mas os
cuidados d’este mundo, e a seducção das riquezas, suffocam a palavra, e
fica infructifera;
23 Mas o que foi semeado em boa terra é o que ouve e comprehende a
palavra; e dá fructo, e um produz cem, outro sessenta, e outro trinta.
_A parabola do trigo e do joio._
24 Propoz-lhes outra parabola, dizendo: O reino dos céus é similhante ao
homem que semeia boa semente no seu campo;
25 Mas, dormindo os homens, veiu o seu inimigo, e semeou joio no meio do
trigo, e retirou-se.
26 E, quando a herva cresceu e fructificou, appareceu tambem o joio.
27 E os servos do pae de familia, indo ter _com elle_, disseram-lhe:
Senhor, não semeaste tu no teu campo boa semente? Porque tem então joio?
28 E elle lhes disse: Um _homem_ inimigo _é que_ fez isso. E os servos
lhe disseram: Queres pois que vamos colhel-o?
29 Porém elle lhes disse: Não; para que ao colher o joio não arranqueis
tambem o trigo com elle.
30 Deixae crescer ambos juntos até á ceifa; e, por occasião da ceifa,
direi aos ceifeiros: Colhei primeiro o joio, e atae-o em molhos para o
queimar; [15] mas o trigo ajuntae-o no meu celleiro.
_As parabolas, do grão de mostarda e do fermento._
Mar. 4.30-34. Luc. 13.18-21.
31 Outra parabola lhes propoz, dizendo: O reino dos céus é similhante ao
grão de mostarda que o homem, pegando d’elle, semeou no seu campo;
32 O qual é realmente a mais pequena de todas as sementes; mas,
crescendo, é a maior das plantas, e faz-se uma arvore, de sorte que veem
as aves do céu, e se aninham nos seus ramos.
33 Outra parabola lhes disse: [16] O reino dos céus é similhante ao
fermento, que uma mulher, pegando _d’elle_, introduz em tres medidas de
farinha, até que tudo esteja levedado.
34 Tudo isto [17] disse Jesus por parabolas á multidão, e não lhes
fallava sem parabolas;
35 Para que se cumprisse o que fôra dito pelo propheta, que disse: [18]
Abrirei em parabolas a minha bocca; [19] publicarei _coisas_ occultas
desde a fundação do mundo.
_Explicação da parabola do joio._
36 Então Jesus, despedindo a multidão, foi para casa. E chegaram ao pé
d’elle os seus discipulos, dizendo: Explica-nos a parabola do joio do
campo.
37 E elle, respondendo, disse-lhes: O que semeia a boa semente, é o Filho
do homem;
38 O campo é o mundo; [20] e a boa semente são os filhos do reino; [21] e
o joio são os filhos do maligno;
39 O inimigo, que o semeou, [22] é o diabo; e a ceifa é o fim do mundo; e
os ceifeiros são os anjos.
40 Como pois o joio é colhido e queimado no fogo, assim será na
consummação d’este mundo.
41 Mandará o Filho do homem os seus anjos, e elles colherão do seu reino
todos os escandalos, [23] e os que commettem iniquidade.
42 E lançal-os-hão na fornalha de fogo; [24] ali haverá pranto e ranger
de dentes.
43 Então os justos resplandecerão como o sol, [25] no reino de seu Pae.
Quem tem ouvidos para ouvir, oiça.
_Parabolas, do thesouro escondido, da perola, da rede._
44 Tambem o reino dos céus é similhante a um thesouro escondido n’_um_
campo, que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo [26] d’elle, vae,
vende tudo quanto tem, e compra aquelle campo.
45 Outrosim o reino dos céus é similhante ao homem, negociante, que busca
boas perolas;
46 E, encontrando uma perola de grande valor, [27] foi, vendeu tudo
quanto tinha, e comprou-a.
47 Egualmente o reino dos céus é similhante a uma rede lançada ao mar,
[28] e que prende toda a qualidade _de peixes_.
48 E, estando cheia, _os pescadores_ a puxam para a praia; e,
assentando-se, apanham para os cestos os bons; os ruins, porém, lançam
fóra.
49 Assim será na consummação dos seculos: [29] virão os anjos, e
separarão os maus d’entre os justos.
50 E lançal-os-hão na fornalha de fogo: [30] ali haverá pranto e ranger
de dentes.
51 E disse-lhes Jesus: Entendestes todas estas _coisas_? Disseram-lhe
elles: Sim, Senhor.
52 E elle disse-lhes: Por isso, todo o escriba instruido ácerca do
reino dos céus é similhante a um pae de familia, [31] que tira dos seus
thesouros _coisas_ novas e velhas.
53 E aconteceu que Jesus, concluindo estas parabolas, se retirou d’ali.
54 E, chegando á [32] sua patria, ensinava-os na synagoga d’elles, de
sorte que se maravilhavam, e diziam: D’onde _veiu_ a este a sabedoria, e
estas maravilhas?
55 Não é este [33] o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria,
e seus irmãos Thiago, e José, e Simão, e Judas?
56 E não estão entre nós todas as suas irmãs? D’onde lhe _veiu_ pois tudo
isto?
57 E escandalizavam-se n’elle. [34] Jesus, porém, lhes disse: Não ha
propheta sem honra, senão na sua patria e na sua casa.
58 E não fez ali muitas maravilhas, [35] por causa da incredulidade
d’elles.
[1] Luc. 3.5.
[2] Gen. 26.12.
[3] cap. 11.15. Mar. 4.9.
[4] cap. 11.25 e 16.17. Mar. 4.11. I Cor. 2.10. I João 2.27.
[5] cap. 25.29. Mar. 4.25. Luc. 8.18 e 19.26.
[6] Isa. 6.9. Eze. 12.2. Luc. 8.10. João 12.40. Act. 28.26, 27. Rom.
11.8. II Cor. 3.10.
[7] Heb. 5.11.
[8] cap. 16.17. Luc. 10.23. João 20.29.
[9] Heb. 11.13. I Ped. 1.10.
[10] Mar. 4.14. Luc. 8.11.
[11] cap. 4.23.
[12] Isa. 58.2. Eze. 33.31. João 5.35.
[13] cap. 11.6. II Tim. 1.15.
[14] cap. 19.23. Mar. 10.23. Luc. 18.24. I Tim. 6.9. Jer. 4.3.
[15] cap. 3.22.
[16] Luc. 13.20.
[17] Mar. 4.33.
[18] Psa. 78.2.
[19] Rom. 16.25, 26. I Cor. 2.7. Eph. 3.9. Col. 1.6.
[20] cap. 24.14. Mar. 16.15, 20. Luc. 24.47. Rom. 10.18. Col. 1.6.
[21] João 8.44. Act. 13.10. I João 3.8.
[22] Joel 3.13. Apo. 14.15.
[23] cap. 18.7. II Ped. 2.1, 2.
[24] cap. 3.12 e 8.12. Apo. 19.20.
[25] Dan. 12.13. I Cor. 15.42. ver. 9.
[26] Phi. 3.7, 8. Isa. 55.1. Apo. 3.18.
[27] Pro. 2.4 e 3.14, 15 e 8.10, 19.
[28] cap. 22.10.
[29] cap. 25.32.
[30] ver. 42.
[31] Can. 7.13.
[32] cap. 2.23. Mar. 6.1. Luc. 4.16, 23.
[33] Isa. 49.7. Mar. 6.3. Luc. 3.23. João 6.42.
[34] cap. 11.6. Mar. 6.3, 4. Luc. 4.24. João 4.44.
[35] Mar. 6.5, 6.
_A morte de João Baptista._
Mar. 6.14-29. Luc. 3.19-20; 9.7-9.
[Anno Domini 32]
14 N’aquelle tempo ouviu Herodes, o tetrarca, a fama de Jesus,
2 E disse aos seus creados: Este é João Baptista; resuscitou dos mortos,
e por isso as maravilhas obram n’elle.
3 Porque Herodes tinha prendido João, [1] e tinha-o manietado e encerrado
no carcere, por causa de Herodias, mulher de seu irmão Philippe;
4 Porque João lhe dissera: [2] Não te é licito possuil-a.
5 E, querendo matal-o, temia o povo; [3] porque o tinham como propheta.
6 Festejando-se, porém, o dia natalicio de Herodes, dançou a filha de
Herodias diante d’elle, e agradou a Herodes.
7 Pelo que prometteu com juramento dar-lhe tudo o que pedisse;
8 E ella, instruida previamente por sua mãe, disse: Dá-me aqui n’um prato
a cabeça de João Baptista.
9 E o rei affligiu-se, mas, por causa do juramento, e dos que estavam
_com elle_, mandou que se _lhe_ désse.
10 E mandou degolar João no carcere,
11 E a sua cabeça foi trazida n’um prato, e dada á menina, e ella _a_
levou a sua mãe.
12 E chegaram os seus discipulos, e levaram o corpo, e o sepultaram; e
foram annuncial-o a Jesus.
_A primeira multiplicação dos pães._
Mar. 6.30-34. Luc. 9.10-17. João 6.1-14.
13 E Jesus, ouvindo _isto_, retirou-se d’ali n’um barco, para um logar
deserto, apartado; e, sabendo-_o_ o povo, seguiu-o a pé desde as cidades.
14 E Jesus, saindo, viu uma grande multidão, [4] e foi possuido de intima
compaixão para com ella, e curou os seus enfermos.
15 E, sendo chegada a tarde, os seus discipulos approximaram-se-lhe,
dizendo: O logar é deserto, e a hora é já avançada; despede a multidão,
para que vão pelas aldeias, e comprem comida para si.
16 Jesus, porém, lhes disse: Não é mister que vão: dae-lhes vós de comer.
17 Então elles lhe disseram: Não temos aqui senão cinco pães e dois
peixes.
18 E elle disse: Trazei-m’os aqui.
19 E, mandando que a multidão se assentasse sobre a herva, e tomando os
cinco pães e os dois peixes, e erguendo os olhos ao céu, os abençoou, e,
[5] partindo os pães, deu-os aos discipulos, e os discipulos á multidão.
20 E comeram todos, e saciaram-se; e levantaram dos pedaços, que
sobejaram, doze alcofas cheias.
21 E os que comeram foram quasi cinco mil homens, além das mulheres e
creanças.
_Jesus anda por cima do mar._
Mar. 6.45-46. João 6.15-21.
22 E logo ordenou Jesus que os seus discipulos entrassem no barco, e
fossem adiante d’elle para a outra banda, emquanto despedia a multidão.
23 E, despedida a multidão, subiu ao monte para orar á parte. E, chegada
_já_ a tarde, estava ali só.
24 E o barco estava já no meio do mar, açoitado pelas ondas; porque o
vento era contrario;
25 Mas, á quarta vigilia da noite, dirigiu-se Jesus para elles,
caminhando por cima do mar.
26 E os discipulos, vendo-o caminhar sobre o mar, [6] assustaram-se,
dizendo: É _um_ phantasma. [7] E gritaram com medo.
27 Jesus, porém, lhes fallou logo, dizendo: Tende bom animo, sou eu, não
tenhaes medo.
28 E respondeu-lhe Pedro, e disse: Senhor, se és tu, manda-me ir ter
comtigo por cima das aguas.
29 E elle disse: Vem. E Pedro, descendo do barco, andou sobre as aguas
para ir ter com Jesus.
30 Mas, sentindo o vento forte, teve medo; e, começando a afundar-se,
clamou, dizendo: Senhor, salva-me.
31 E logo Jesus, estendendo a mão, segurou-o, e disse-lhe: _Homem_ de
pouca fé, porque duvidaste?
32 E, quando subiram para o barco, acalmou o vento.
33 Então approximaram-se os que estavam no barco, e adoraram-o, dizendo:
És verdadeiramente o Filho de Deus.
34 E, tendo passado para a outra banda, [8] chegaram á terra de
Genezareth.
35 E, quando os homens d’aquelle logar o conheceram, mandaram por todas
aquellas terras em redor, e trouxeram-lhe todos os que estavam enfermos.
36 E rogavam-lhe para que ao menos elles tocassem a orla do seu vestido;
[9] e todos os que _a_ tocavam ficavam sãos.
[1] Mar. 6.17. Luc. 3.19, 20.
[2] Lev. 18.16 e 20.21.
[3] cap. 21.26. Luc. 20.6.
[4] cap. 9.36.
[5] cap. 15.36.
[6] Job 9.8.
[7] Psa. 2.7. cap. 16.16. Mar. 1.1. Luc. 4.41. João 1.49 e 6.70. Act.
8.37. Rom. 1.4.
[8] Mar. 6.53.
[9] cap. 9.20. Mar. 3.10. Luc. 6.19. Act. 19.12.
_A tradição dos anciãos._
Mar. 7.1-23.
15 Então chegaram ao pé de Jesus uns escribas e phariseos de Jerusalem,
dizendo:
2 Porque [1] transgridem os teus discipulos a tradição dos anciãos? pois
não lavam as mãos quando comem pão.
3 Elle, porém, respondendo, disse-lhes: Porque transgredis vós tambem o
mandamento de Deus pela vossa tradição?
4 Porque Deus ordenou, [2] dizendo: Honra a teu pae e a _tua_ mãe; e:
Quem maldisser ao pae ou á mãe, morra de morte.
5 Mas vós dizeis: Qualquer que disser ao pae ou á mãe: [3] É offerta ao
Senhor o que poderias aproveitar de mim; _desobrigado fica_. Esse não
honrará de modo algum nem a seu pae nem a sua mãe,
6 E _assim_ invalidastes, pela vossa tradição, o mandamento de Deus.
7 Hypocritas, [4] bem prophetizou Isaias a vosso respeito, dizendo:
8 Este povo honra-me com os seus labios, [5] mas o seu coração está
longe de mim.
9 Mas em vão me veneram, [6] ensinando doutrinas _que são_ preceitos dos
homens.
10 E, [7] chamando a si a multidão, disse-lhes: Ouvi, e entendei:
11 O que contamina o homem [8] não é o que entra na bocca, mas o que sae
da bocca isso é o que contamina o homem.
12 Então, acercando-se d’elle os seus discipulos, disseram-lhe: Sabes que
os phariseos, ouvindo essas palavras, se escandalizaram?
13 Elle, porém, respondendo, disse: Toda a planta, [9] que meu Pae
celestial não plantou, será arrancada.
14 Deixae-os: [10] são conductores cegos de cegos: ora, se um cego guiar
_outro_ cego, ambos cairão na cova.
15 E Pedro, tomando a palavra, disse-lhe: [11] Explica-nos essa parabola.
16 Jesus, porém, disse: [12] Até vós mesmos estaes ainda sem entender?
17 Ainda não comprehendeis que tudo o que entra pela bocca [13] desce
para o ventre, e é evacuado?
18 Mas o que sae da bocca, [14] procede do coração, e isso contamina o
homem.
19 Porque do coração procedem os maus pensamentos, [15] mortes,
adulterios, fornicações, furtos, falsos testemunhos e blasphemias.
20 São estas _coisas_ que contaminam o homem; comer, porém, sem lavar as
mãos não contamina o homem.
_A mulher cananea._
Mar. 7.24-30.
21 E, partindo Jesus d’ali, foi para as partes de Tyro e de Sidon.
22 E eis que uma mulher cananea, que saira d’aquellas cercanias, clamou,
dizendo: Senhor, Filho de David, tem misericordia de mim, que minha filha
está miseravelmente endemoninhada.
23 Mas elle não lhe respondeu palavra. E os seus discipulos, chegando ao
pé d’elle, rogaram-lhe, dizendo: Despede-a, que vem gritando após nós.
24 E elle, respondendo, disse: [16] Eu não sou enviado senão ás ovelhas
perdidas da casa d’Israel.
25 Então chegou ella, e adorou-o, dizendo: Senhor, soccorre-me.
26 Elle, porém, respondendo, disse: Não é bom pegar no pão dos filhos e
deital-_o_ aos [17] cachorrinhos.
27 E ella disse: Sim, Senhor, mas tambem os cachorrinhos comem das
migalhas que caem da mesa dos seus senhores.
28 Então respondeu Jesus, e disse-lhe: O mulher! grande _é_ a tua fé:
seja-te feito como tu desejas. E desde aquella _mesma_ hora a sua filha
ficou sã.
_A segunda multiplicação dos pães._
Mar. 8.1-10.
29 E Jesus, partindo d’ali, chegou ao pé do mar da Galilea, [18] e,
subindo a _um_ monte, [19] assentou-se ali.
30 E veiu ter com elle muito povo, que trazia côxos, cegos, mudos,
aleijados, e outros muitos: e os pozeram aos pés de Jesus, e elle os
sarou:
31 De tal sorte, que a multidão se maravilhou vendo os mudos a fallar, os
aleijados sãos, os côxos a andar, e os cegos a ver; e glorificava o Deus
d’Israel.
32 E Jesus, chamando os seus discipulos, [20] disse: Tenho intima
compaixão da multidão, porque já está comigo ha tres dias, e não tem
que comer; e não quero despedil-a em jejum, para que não desfalleça no
caminho.
33 E os seus discipulos disseram-lhe: [21] D’onde nos _viriam_ no deserto
tantos pães, para saciar tal multidão?
34 E Jesus disse-lhes: Quantos pães tendes? E elles disseram: Sete, e uns
poucos de peixinhos.
35 E mandou á multidão que se assentasse no chão.
36 E, tomando os sete pães e os peixes, [22] e dando graças, partiu-os,
[23] e deu-os aos seus discipulos, e os discipulos á multidão.
37 E todos comeram e se saciaram; e levantaram, do que sobejou dos
pedaços, sete cestos cheios.
38 Ora os que tinham comido eram quatro mil homens, além de mulheres e
creanças.
39 E, [24] tendo despedido a multidão, entrou _no_ barco, e dirigiu-se ao
territorio de Magdala.
[1] Col. 2.3.
[2] Exo. 20.12. Lev. 19.3. Deu. 5.16. Pro. 23.22. Eph. 5.2. Exo. 21.17.
Lev. 20.9. Deu. 27.16.
[3] Mar. 7.11, 12.
[4] Mar. 7.6.
[5] Isa. 29.13. Eze. 33.31.
[6] Isa. 29.13. Col. 2.18, 22. Tito 1.14.
[7] Mar. 7.14.
[8] Act. 10.15. Rom. 14.14, 17, 20. I Tim. 4.4. Tito 1.15.
[9] João 15.2. I Cor. 3.12, etc.
[10] Isa. 9.16. Mal. 2.8. cap. 23.16. Luc. 6.39.
[11] Mar. 7.17.
[12] cap. 16.9. Mar. 7.18.
[13] I Cor. 6.13.
[14] Thi. 3.6.
[15] Gen. 6.5 e 8.21. Pro. 6.14. Jer. 17.9. Mar. 7.21.
[16] cap. 10.5, 6. Act. 3.25, 26 e 13.46. Rom. 15.8.
[17] cap. 7.6. Phi. 3.2.
[18] cap. 4.18.
[19] Isa. 35.5, 6. cap. 11.5. Luc. 7.22.
[20] Mar. 8.1.
[21] II Reis 4.43.
[22] cap. 14.19.
[23] I Sam. 9.13. Luc. 22.19.
[24] Mar. 8.10.
_O fermento dos phariseos._
Mar. 8.11-12.
16 E, chegando-se [1] os phariseos e os sadduceos, e tentando-o,
pediram-lhe que lhes mostrasse algum signal do céu.
2 Mas elle, respondendo, disse-lhes: Quando é chegada a tarde, dizeis:
_Haverá_ bom tempo, porque o céu está rubro.
3 E pela manhã: Hoje _haverá_ tempestade, porque o céu está _de_ um
vermelho sombrio. Hypocritas, sabeis differençar a face do céu, e não
sabeis _differençar_ os signaes dos tempos?
4 Uma geração má e adultera pede um signal, [2] e nenhum signal lhe será
dado, senão o signal do propheta Jonas. E, deixando-os, retirou-se.
5 E, [3] passando seus discipulos para a outra banda, tinham-se esquecido
de fornecer-se de pão.
6 E Jesus disse-lhes: [4] Adverti, e acautelae-vos do fermento dos
phariseos e sadduceos.
7 E elles arrazoavam entre si, dizendo: É porque não nos fornecemos de
pão.
8 E Jesus, conhecendo-_o_, disse: Porque arrazoaes entre vós, _homens_ de
pouca fé, sobre o não vos terdes fornecido de pão?
9 Não comprehendeis [5] ainda, nem vos lembraes dos cinco pães para cinco
mil _homens_, e de quantas alcofas levantastes?
10 Nem dos sete pães para quatro mil, [6] e de quantos cestos levantastes?
11 Como não entendestes que não vos fallei a respeito do pão, mas que vos
guardasseis do fermento dos phariseos e sadduceos?
12 Então comprehenderam que não dissera que se guardassem do fermento do
pão, mas da doutrina dos phariseos.
_A confissão de Pedro._
Mar. 8.27-33. Luc. 9.18-22. João 6.66-69.
13 E, chegando Jesus ás partes de Cesarea de Philippo, interrogou os seus
discipulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do homem?
14 E elles disseram: [7] Uns João Baptista, outros Elias, e outros
Jeremias ou um dos prophetas.
15 Disse-lhes elle: E vós, quem dizeis que eu sou?
16 E Simão Pedro, respondendo, disse: [8] Tu és o Christo, o Filho de
Deus vivo.
17 E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bemaventurado és tu, Simão Barjonas,
[9] porque t’o não revelou a carne e o sangue, mas meu Pae, que _está_
nos céus.
18 E tambem eu te digo que tu és [AFN] Pedro, [10] e sobre esta pedra
edificarei a minha egreja, [11] e as portas do inferno não prevalecerão
contra ella:
19 E eu te darei as chaves do reino dos céus; [12] e tudo o que ligares
na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será
desligado nos céus.
20 Então [13] mandou aos seus discipulos que a ninguem dissessem que elle
era Jesus o Christo.
21 Desde então começou Jesus a mostrar aos seus discipulos [14] que
convinha ir a Jerusalem, e padecer muito dos anciãos, e dos principaes
dos sacerdotes, e dos escribas, e ser morto, e resuscitar ao terceiro dia.
22 E Pedro, tomando-o de parte, começou a reprehendel-o, dizendo: Senhor,
_tem_ compaixão de ti; de modo nenhum te aconteça isso.
23 Elle, porém, voltando-se, disse a Pedro: Arreda-te de diante de
mim, Satanaz, _que_ me serves de escandalo; porque não comprehendes as
_coisas_ que _são_ de Deus, [15] mas _só_ as que _são_ dos homens.
_Os discipulos de Jesus devem levar as suas cruzes._
Mat. 8.34-9.1. Luc. 9.23-27.
24 Então disse Jesus aos seus discipulos: [16] Se alguem quizer vir após
mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me;
25 Porque aquelle que quizer salvar a sua [AFO] vida, [17] perdel-a-ha, e
quem perder a sua vida por amor de mim, achal-a-ha.
26 Pois que aproveita ao homem, se ganhar o mundo inteiro, e perder a sua
[AFP] alma? [18] ou que dará o homem em recompensa da sua alma?
27 Porque o Filho do homem virá na gloria de seu Pae, [19] com os seus
anjos; e então dará a cada um segundo as suas obras.
28 Em verdade vos digo _que_ alguns ha, [20] dos que aqui estão, que não
gostarão a morte até que vejam vir o Filho do homem no seu reino.
[1] cap. 12.38. Luc. 11.16 e 12.54, 56. I Cor. 1.22.
[2] cap. 12.39.
[3] Mar. 8.14.
[4] Luc. 12.1.
[5] cap. 14.17. João 6.9.
[6] cap. 15.34.
[7] cap. 14.2. Luc. 9.7, 8, 9.
[8] cap. 14.33. Mar. 8.29. Luc. 9.20. João 6.69. Act. 8.37. Heb. 1.2, 3.
I João 4.15.
[9] Eph. 2.8. I Cor. 2.10. Gal. 1.16.
[10] João 1.42. Eph. 2.20. Apo. 21.14.
[11] Job 38.17. Isa. 38.10.
[12] cap. 18.18. João 20.23.
[13] cap. 17.9. Mar. 8.30. Luc. 9.21.
[14] cap. 20.17. Mar. 8.31. Luc. 9.22.
[15] II Sam. 19.22. Rom. 8.7.
[16] cap. 10.38. Act. 14.22. I The. 3.3. II Tim. 3.12.
[17] Luc. 17.33. João 12.25.
[18] Psa. 49.7, 8, 9.
[19] Mar. 8.38. Luc. 9.26. Dan. 7.10. Zac. 14.5. Jud. 14. Job 34.11. Pro.
24.12. Jer. 17.10. Rom. 2.6. I Cor. 3.8. I Ped. 1.17. Apo. 2.23.
[20] Mar. 8.39. Luc. 9.29.
_A transfiguração._
Mar. 9.1-13. Luc. 9.28-36.
17 Seis dias depois, Jesus levou comsigo a Pedro, e a Thiago, e a João,
seu irmão, e os conduziu em particular a um alto monte,
2 E transfigurou-se diante d’elles; e o seu rosto resplandeceu como o
sol, e os seus vestidos se tornaram brancos como a luz.
3 E eis que lhes appareceram Moysés e Elias, fallando com elle.
4 E Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui;
se queres, façamos aqui tres tabernaculos, um para ti, um para Moysés, e
um para Elias.
5 E, estando elle ainda a fallar, [1] eis que uma nuvem luminosa os
cobriu. E eis que uma voz da nuvem disse: [2] Este é o meu amado Filho,
em quem me comprazo: escutae-o.
6 E os discipulos, ouvindo _isto_, [3] cairam sobre seus rostos, e
tiveram grande medo.
7 E Jesus, approximando-se-lhes, tocou-os, e disse: [4] Levantae-vos; e
não tenhaes medo.
8 E, erguendo elles os olhos, ninguem viram senão unicamente a Jesus.
9 E, descendo elles do monte, Jesus lhes ordenou, [5] dizendo: A ninguem
conteis a visão, até que o Filho do homem seja resuscitado dos mortos.
10 E os seus discipulos o interrogaram, dizendo: [6] Porque dizem então
os escribas que é mister que Elias venha primeiro?
11 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Em verdade Elias virá primeiro, [7]
e restaurará todas _as coisas_;
12 Mas digo-vos que Elias já veiu, e não o conheceram, [8] mas
fizeram-lhe tudo o que quizeram. Assim padecerá tambem d’elles o Filho do
homem.
13 Então [9] entenderam os discipulos que lhes fallara de João Baptista.
_A cura d’um lunatico._
Mar. 9.13-32. Luc. 9.37-45.
14 E, quando chegaram á multidão, approximou-se-lhe um homem, pondo-se de
joelhos diante d’elle, e dizendo:
15 Senhor, tem misericordia de meu filho, que é lunatico e soffre muito;
pois muitas vezes cae no fogo, e muitas vezes na agua;
16 E trouxe-o aos teus discipulos; e não poderam cural-o.
17 E Jesus, respondendo, disse: Ó geração incredula e perversa! até
quando estarei eu comvosco, e até quando vos soffrerei? Trazei-m’o aqui.
18 E reprehendeu Jesus o demonio, e saiu d’elle, e desde aquella hora o
menino sarou.
19 Então os discipulos, approximando-se de Jesus em particular, disseram:
Porque não podémos nós expulsal-o?
20 E Jesus lhes disse: Por causa da vossa pouca fé; [10] porque em
verdade vos digo que, se tivesseis fé como um grão de mostarda, dirieis a
este monte: Passa d’aqui para acolá: e havia de passar; e nada vos seria
impossivel.
21 Mas esta casta _de demonios_ não se expulsa senão pela oração e por
jejum.
22 Ora, achando-se elles na Galilea, disse-lhes Jesus: O Filho do homem
será entregue nas mãos dos homens;
23 E matal-o-hão, [11] e ao terceiro dia resuscitará. E elles se
entristeceram muito.
_Jesus paga o tributo._
24 E, [12] chegando elles a Capernaum, approximaram-se de Pedro os que
cobravam as didrachmas, e disseram: O vosso mestre não paga as didrachmas?
25 Disse elle: Sim. E, entrando em casa, Jesus se lhe antecipou, dizendo:
Que te parece, Simão? De quem cobram os reis da terra os tributos, ou o
censo? Dos seus filhos, ou dos alheios?
26 Disse-lhe Pedro: Dos alheios. Disse-lhe Jesus: Logo, são livres os
filhos:
27 Mas, para que os não escandalizemos, vae ao mar, lança o anzol, tira o
primeiro peixe que subir, e, abrindo-lhe a bocca, encontrarás um státer;
toma-o, e dá-o por mim e por ti.
[1] II Ped. 1.17.
[2] cap. 3.17. Mar. 1.11. Luc. 3.22. Isa. 42.1. Deu. 18.15. Act. 3.22.
[3] II Ped. 1.18.
[4] Dan. 8.18 e 9.21 e 10.10, 18.
[5] cap. 16.20. Mar. 8.30 e 9.9.
[6] Mal. 4.5. cap. 11.14. Mar. 9.11.
[7] Mal. 4.6. Luc. 1.16, 17. Act. 3.21.
[8] cap. 11.14 e 14.3, 10 e 16.21. Mar. 9.11, 12.
[9] cap. 11.14.
[10] cap. 21.21. Mar. 11.23. Luc. 17.6. I Cor. 12.9 e 13.2.
[11] cap. 16.21. Mar. 8.31 e 9.29, 30 e 10.33. Luc. 9.22, 44 e 18.31.
[12] Mar. 9.32. Exo. 30.13 e 38.26.
_O maior no reino dos céus._
Mar. 9.32-37. Luc. 9.46-48.
[Anno Domini 33]
18 N’aquella mesma hora chegaram os discipulos ao pé de Jesus, dizendo:
Quem é o maior no reino dos céus?
2 E Jesus, chamando um menino, o poz no meio d’elles,
3 E disse: Em verdade vos digo que, [1] se não vos converterdes e não vos
fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus.
4 Portanto, [2] aquelle que se humilhar como este menino, este é o maior
no reino dos céus.
5 E qualquer que receber em meu nome [3] um menino tal como este a mim me
recebe.
6 Mas qualquer que escandalizar um d’estes pequeninos, [4] que crêem em
mim, melhor lhe fôra que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de atafona,
e se submergisse na profundeza do mar.
7 Ai do mundo, por causa dos escandalos; [5] porque é mister que venham
escandalos, [6] mas ai d’aquelle homem por quem o escandalo vem!
8 Portanto, [7] se a tua mão ou o teu pé te escandalizar, corta-o, e
atira-o para longe de ti: melhor te é entrar na vida côxo, ou aleijado,
do que, tendo duas mãos ou dois pés, ser lançado no fogo eterno.
9 E, se o teu olho te escandalizar, arranca-o, e atira-_o_ para longe de
ti. Melhor te é entrar na vida com um só olho, do que, tendo dois olhos,
ser lançado no fogo do inferno.
10 Olhae, não desprezeis algum d’estes pequeninos, [8] porque eu vos digo
que os seus anjos nos céus sempre vêem a face de meu Pae que _está_ nos
céus.
11 Porque [9] o Filho do homem veiu salvar o que se tinha perdido.
12 Que vos parece? [10] Se algum homem tiver cem ovelhas, e uma d’ellas
se desgarrar, não irá pelos montes, deixando as noventa e nove, em busca
da que se desgarrou?
13 E, se porventura a encontra, em verdade vos digo que maior prazer tem
por aquella do que pelas noventa e nove que se não desgarraram.
14 Assim tambem não é vontade de vosso Pae, que _está_ nos céus, que um
d’estes pequeninos se perca.
_O perdão do peccado d’um irmão._
15 Ora, [11] se teu irmão peccar contra ti, vae, e reprehende-o entre ti
e elle só; se te ouvir, [12] ganhaste a teu irmão;
16 Se _te_ não ouvir, porém, leva ainda comtigo [13] um ou dois, para que
pela bocca de duas ou tres testemunhas toda a palavra seja confirmada.
17 E, se os não escutar, dize-_o_ á egreja; e, se tambem não escutar a
egreja, [14] considera-o como um gentio e publicano.
18 Em verdade vos digo [15] que tudo o que ligardes na terra será ligado
no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu.
19 Tambem vos digo [16] que, se dois de vós concordarem na terra ácerca
de qualquer coisa que pedirem, [17] isso lhes será feito por meu Pae, que
_está_ nos céus.
20 Porque onde estiverem dois ou tres reunidos em meu nome, ahi estou eu
no meio d’elles.
21 Então Pedro, approximando-se d’elle, disse: Senhor, até quantas vezes
peccará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? [18] Até sete?
22 Jesus lhe disse: Não te digo: Até sete, [19] mas, até setenta vezes
sete.
_A parabola do credor incompassivo._
23 Por isso o reino dos céus pode comparar-se a um certo rei que quiz
fazer contas com os seus servos;
24 E, começando a fazer contas, foi-lhe apresentado um que lhe devia dez
mil talentos;
25 E, não tendo elle com que pagar, o seu senhor mandou vendel-o, [20] e
a sua mulher e filhos, com tudo quanto tinha, para que a _divida_ se lhe
pagasse.
26 Então aquelle servo, prostrando-se, o adorava, dizendo: Senhor, sê
generoso para comigo, e tudo te pagarei.
27 Então o senhor d’aquelle servo, movido de intima compaixão, soltou-o,
e perdoou-lhe a divida.
28 Saindo, porém, aquelle servo, encontrou um dos seus conservos, que lhe
devia cem [AFQ] dinheiros, e, lançando mão d’elle, suffocava-o, dizendo:
Paga-me o que me deves.
29 Então o seu conservo, prostrando-se aos seus pés rogava-lhe, dizendo:
Sê generoso para comigo, e tudo te pagarei.
30 Elle, porém, não quiz, antes foi encerral-o na prisão, até que pagasse
a divida.
31 Vendo pois os seus conservos o que acontecia, contristaram-se muito, e
foram declarar ao seu senhor tudo o que se passára.
32 Então o seu senhor, chamando-o á sua presença, disse-lhe: Servo
malvado, perdoei-te toda aquella divida, porque me supplicaste:
33 Não devias tu egualmente ter compaixão do teu companheiro, como eu
tambem tive misericordia de ti?
34 E, indignado, o seu senhor o entregou aos atormentadores, até que
pagasse tudo o que devia.
35 Assim vos fará tambem meu Pae celestial, [21] se do coração não
perdoardes, cada um a seu irmão, as suas offensas.
[1] Psa. 131.2. Mar. 10.14. Luc. 18.16. I Cor. 14.20. I Ped. 2.2.
[2] cap. 20.27 e 23.11.
[3] cap. 10.42. Luc. 9.48.
[4] Mar. 9.41. Luc. 17.1, 2.
[5] Luc. 17.1. I Cor. 11.19.
[6] cap. 26.24.
[7] cap. 5.29, 30. Mar. 9.42, 44.
[8] Psa. 34.7. Zac. 13.7. Heb. 1.14. Est. 1.14. Luc. 1.19.
[9] Luc. 9.56. João 3.17.
[10] Luc. 15.4.
[11] Lev. 19.17. Luc. 17.3.
[12] Thi. 5.20. I Ped. 3.1.
[13] Deu. 17.6. João 8.17. II Cor. 13.1. Heb. 10.28.
[14] Rom. 16.17. I Cor. 5.9. II The. 3.6, 14. II João 10.
[15] cap. 16.19. João 20.23. I Cor. 5.4.
[16] cap. 5.24.
[17] I João 3.22 e 5.14.
[18] Luc. 17.4.
[19] cap. 6.14. Mar. 11.25. Col. 3.13.
[20] II Reis 4.1. Neh. 5.8.
[21] Pro. 21.13. cap. 6.12. Mar. 11.26. Thi. 2.13.
_Ácerca do divorcio._
Mar. 10.1-12.
19 E aconteceu _que_, [1] concluindo Jesus estes discursos, saiu da
Galilea, e dirigiu-se aos confins da Judéa, dalem do Jordão;
2 E seguiram-o muitas gentes, [2] e curou-as ali.
3 Então chegaram ao pé d’elle os phariseos, tentando-o, e dizendo-lhe: É
licito ao homem repudiar sua mulher por qualquer coisa?
4 Elle, porém, respondendo, disse-lhes: Não tendes lido que aquelle que
_os_ fez no principio [3] macho e femea os fez?
5 E disse: Portanto deixará o homem pae e mãe, [4] e se unirá a sua
mulher, [5] e serão dois n’uma só carne.
6 Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto o que Deus ajuntou
não o separe o homem.
7 Disseram-lhe elles: Então porque mandou Moysés dar-lhe carta de
divorcio, [6] e repudial-a?
8 Disse-lhes elle: Moysés por causa da dureza dos vossos corações vos
permittiu repudiar vossas mulheres; mas ao principio não foi assim.
9 Eu vos digo, [7] porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo
por causa de fornicação, e casar com outra, commette adulterio; e o que
casar com a repudiada _tambem_ commette adulterio.
10 Disseram-lhe seus discipulos: [8] Se assim é a condição do homem
relativamente á mulher, não convem casar.
11 Elle, porém, lhes disse: Nem todos podem receber esta palavra, mas [9]
_só aquelles_ a quem foi concedido.
12 Porque ha eunuchos que assim nasceram do ventre da mãe; [10] e ha
eunuchos que foram castrados pelos homens; e ha eunuchos que se castraram
a si mesmos por causa do reino dos céus. Quem pode receber isto, receba-o.
_Jesus abençoa os meninos._
Mar. 10.13-16. Luc. 18.15-17.
13 Trouxeram-lhe então _alguns_ meninos, para que lhes impozesse as mãos,
e orasse; mas os discipulos os reprehendiam.
14 Jesus, porém, disse: Deixae os meninos, e não os estorveis de vir a
mim; [11] porque de taes é o reino dos céus.
15 E, tendo-lhes imposto as mãos, partiu d’ali.
_O mancebo rico._
Mar. 10.17-31. Luc. 18.18-30.
16 E eis que, approximando-se d’elle um mancebo, disse-lhe: [12] Bom
Mestre, que bem farei, para conseguir a vida eterna?
17 E elle disse-lhe: Porque me chamas bom? Não _ha_ bom senão um só, _que
é_ Deus. Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos.
18 Disse-lhe elle: Quaes? E Jesus disse: [13] Não matarás, não
commetterás adulterio, não furtarás, não dirás falso testemunho;
19 Honra teu pae e tua mãe, e [14] amarás o teu proximo como a ti mesmo.
20 Disse-lhe o mancebo: Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade;
que me falta ainda?
21 Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, [15] vae, vende tudo o que
tens, dá aos pobres, e terás _um_ thesouro no céu; e vem, _e_ segue-me.
22 E o mancebo, ouvindo esta palavra, retirou-se triste, porque possuia
muitas propriedades.
23 Disse então Jesus aos seus discipulos: Em verdade vos digo [16] que
difficilmente entrará um rico no reino dos céus.
24 E outra vez vos digo que é mais facil passar um camelo pelo fundo
d’uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.
25 Os seus discipulos, ouvindo _isto_, admiraram-se muito, dizendo: Quem
poderá pois salvar-se?
26 E Jesus, olhando _para elles_, disse-lhes: Aos homens é isso
impossivel, [17] mas a Deus tudo é possivel.
27 Então Pedro, tomando a palavra, disse-lhe: [18] Eis que nós deixámos
tudo, e te seguimos; qual será então o nosso galardão?
28 E Jesus disse-lhes: Em verdade vos digo que vós, que me seguistes, na
regeneração, quando o Filho do homem se assentar no throno da sua [19]
gloria, tambem vos assentareis sobre doze thronos, para julgar as doze
tribus d’Israel.
29 E todo aquelle que tiver deixado [20] casas, ou irmãos, ou irmãs,
ou pae, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou terras, por amor do meu nome,
receberá cem vezes tanto, e herdará a vida eterna.
30 Porém [21] muitos primeiros serão os derradeiros, e _muitos_
derradeiros _serão_ os primeiros.
[1] João 10.40.
[2] cap. 12.15.
[3] Gen. 1.27 e 5.2. Mal. 2.15.
[4] Gen. 2.24. Mar. 10.5, 9. Eph. 5.31.
[5] I Cor. 6.16 e 7.2.
[6] Deu. 24.1. cap. 5.31.
[7] cap. 5.32. Mar. 10.11. Luc. 16.18. I Cor. 7.10, 11.
[8] Pro. 21.19.
[9] I Cor. 7.2, 7, 9, 17.
[10] I Cor. 7.32, 34 e 9.5, 15.
[11] cap. 18.3.
[12] Luc. 10.25.
[13] Exo. 20.13. Deu. 5.17.
[14] cap. 15.4. Lev. 19.18. Rom. 13.9. Gal. 5.14. Thi. 2.8.
[15] cap. 6.20. Act. 2.45. I Tim. 6.18, 19.
[16] cap. 13.22. Mar. 10.24. I Cor. 1.26. I Tim. 6.9, 10.
[17] Gen. 18.14. Job 42.2. Jer. 32.17. Zac. 8.6. Luc. 1.37 e 18.27.
[18] Mar. 10.28. Luc. 18.28. Deu. 33.9. cap. 4.20. Luc. 5.11.
[19] cap. 20.21. Luc. 22.28, 29, 30. I Cor. 6.2, 3. Apo. 2.26.
[20] Mar. 10.29, 30. Luc. 18.29, 30.
[21] cap. 20.16 e 21.31, 32. Mar. 10.31. Luc. 13.30.
_A parabola dos trabalhadores e das diversas horas do trabalho._
20 Porque o reino dos céus é similhante a um homem, pae de familia, que
saiu de madrugada a assalariar trabalhadores para a sua vinha.
2 E, ajustando com os trabalhadores a um [AFR] dinheiro por dia,
mandou-os para a sua vinha.
3 E, saindo perto da hora terceira, viu outros que estavam ociosos na
praça,
4 E disse-lhes: Ide vós tambem para a vinha, e dar-vos-hei o que fôr
justo. E elles foram.
5 Saindo outra vez, perto da hora sexta e nona, fez o mesmo.
6 E, saindo perto da hora undecima, encontrou outros que estavam ociosos,
e diz-lhes: Porque estaes ociosos todo o dia?
7 Dizem-lhe elles: Porque ninguem nos assalariou. Diz-lhes elle: Ide vós
tambem para a vinha, e recebereis o que fôr justo.
8 E, approximando-se a noite, diz o senhor da vinha ao seu mordomo: Chama
os trabalhadores, e paga-lhes o jornal, começando desde os derradeiros
até aos primeiros.
9 E, chegando os que _tinham ido_ perto da hora undecima, receberam um
dinheiro cada um.
10 Chegando, porém, os primeiros, cuidaram que haviam de receber mais; e
tambem receberam um dinheiro cada um;
11 E, recebendo-_o_, murmuravam contra o pae de familia,
12 Dizendo: Estes derradeiros trabalharam _só_ uma hora, e tu os
egualaste comnosco, que supportámos a fadiga e a calma do dia.
13 Elle, porém, respondendo, disse a um d’elles: Amigo, não te faço
aggravo; não ajustaste tu comigo por um dinheiro?
14 Toma o _que é_ teu, e retira-te; eu quero dar a este derradeiro
_tanto_ como a ti.
15 Ou não me é licito fazer o que quizer do _que é_ meu? [1] Ou é mau o
teu olho porque eu sou bom?
16 Assim [2] os derradeiros serão primeiros, e os primeiros derradeiros;
porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos.
_O pedido dos filhos de Zebedeo._
Mar. 10.32-45. Luc. 18.31-34.
17 E Jesus, subindo a Jerusalem, [3] chamou de parte os seus doze
discipulos, e no caminho disse-lhes:
18 Eis que subimos a Jerusalem, [4] e o Filho do homem será entregue aos
principes dos sacerdotes, e aos escribas, e condemnal-o-hão á morte.
19 E o entregarão aos gentios [5] para que _d’elle_ escarneçam, e o
açoitem e crucifiquem; e ao terceiro dia resuscitará.
20 Então [6] se approximou d’elle a mãe dos filhos de Zebedeo, com seus
filhos, adorando-_o_, e pedindo-lhe alguma _coisa_.
21 E elle diz-lhe: Que queres? Diz-lhe ella: [7] Dize que estes meus dois
filhos se assentem, um á tua direita e outro á tua esquerda, no teu reino.
22 Jesus, porém, respondendo, disse: Não sabeis o que pedis; [8] podeis
vós beber o calix que eu hei de beber, e ser baptizados com o baptismo
com que eu sou baptizado? Dizem-lhe elles: Podemos.
23 E diz-lhes elle: Na verdade bebereis [9] o meu calix e sereis
baptizados com o baptismo com que eu sou baptizado, mas assentar-se á
minha direita ou á minha esquerda não me pertence concedel-o, mas _será_
para aquelles a quem meu Pae o tem preparado.
24 E, [10] quando os dez ouviram _isto_, indignaram-se contra os dois
irmãos.
25 Então Jesus, chamando-os para junto de si, disse: Bem sabeis que
os principes [AFS] dos gentios os dominam, e que os grandes exercem
auctoridade sobre elles.
26 Não será assim entre vós; [11] mas todo aquelle que quizer entre vós
fazer-se grande seja vosso [AFT] servente;
27 E qualquer que entre vós quizer ser o primeiro [12] seja vosso [AFU]
servo;
28 Assim como o Filho do homem não veiu para ser servido, [13] mas a
servir, e a dar a sua vida _em_ resgate por muitos.
_Os dois cegos de Jericó._
Mar. 10.46-52. Luc. 18.35-43.
29 E, saindo elles de Jericó, seguiu-o grande multidão,
30 E eis que dois cegos, [14] assentados junto do caminho, ouvindo
que Jesus passava, clamaram, dizendo: Senhor, Filho de David, tem
misericordia de nós.
31 E a multidão os reprehendia, para que se calassem; elles, porém, cada
vez clamavam mais, dizendo: Senhor, Filho de David, tem misericordia de
nós.
32 E Jesus, parando, chamou-os, e disse: Que quereis que vos faça?
33 Disseram-lhe elles: Senhor, que os nossos olhos sejam abertos.
34 Então Jesus, movido de intima compaixão, tocou-lhe nos olhos, e logo
viram; e o seguiram.
[1] Rom. 9.21. Deu. 15.9. Pro. 23.6. cap. 6.23.
[2] cap. 19.30 e 22.14.
[3] João 12.12.
[4] cap. 16.21.
[5] cap. 27.2. Mar. 15.1, 16. Luc. 23.1. João 18.28. Act. 3.13.
[6] Mar. 10.35. cap. 4.21.
[7] cap. 19.28.
[8] cap. 26.39. Mar. 14.36. Luc. 22.42. João 18.11.
[9] Act. 12.2. Rom. 8.17. II Cor. 1.7. Apo. 1.9.
[10] Mar. 10.41. Luc. 22.24.
[11] I Ped. 5.3. cap. 23.11. Mar. 9.34 e 10.43.
[12] cap. 18.4.
[13] Luc. 22.27. João 13.14 e 11.51. Isa. 53.10. Dan. 9.24. I Tim. 2.6.
Tito 2.14. I Ped. 1.19. Rom. 5.15. Heb. 9.28.
[14] cap. 9.27.
_A entrada triumphal de Jesus em Jerusalem._
Mar. 11.1-10. Luc. 19.29-38.
21 E, quando se approximaram de Jerusalem, e chegaram a Bethphage, ao
monte das Oliveiras, [1] enviou então Jesus dois discipulos, dizendo-lhes:
2 Ide á aldeia que _está_ defronte de vós, e logo encontrareis uma
jumenta presa, e um jumentinho com ella; desprendei-_a_, e trazei-_m’os_.
3 E, se alguem vos disser alguma _coisa_, direis que o Senhor os ha de
mister: e logo os enviará.
4 Ora tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito pelo
propheta, que diz:
5 Dizei á filha de Sião: [2] Eis que o teu Rei ahi te vem, manso, e
assentado sobre uma jumenta, e sobre um jumentinho, filho _de animal
sujeito ao_ jugo.
6 E, indo os discipulos, [3] e fazendo como Jesus lhes ordenára,
7 Trouxeram a jumenta e o jumentinho, [4] e sobre elles pozeram os seus
vestidos, e fizeram-n’o assentar em cima.
8 E muitissima gente estendia os seus vestidos pelo caminho, [5] e outros
cortavam ramos d’arvores, e _os_ espalhavam pelo caminho.
9 E a multidão que ia adeante, e a que seguia, clamava, dizendo: Hosanna
ao Filho de David; [6] bemdito o que vem em nome do Senhor: Hosanna nas
alturas.
10 E, entrando elle em Jerusalem, [7] toda a cidade se alvoroçou,
dizendo: Quem é este?
11 E a multidão dizia: Este é Jesus, [8] o Propheta de Nazareth da
Galilea.
_A purificação do templo._
Mar. 11.15-18. Luc. 19.45-48.
12 E entrou Jesus no templo de Deus, [9] e expulsou todos os que vendiam
e compravam no templo, e derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras
dos que vendiam pombas:
13 E disse-lhes: Está escripto: [10] A minha casa será chamada casa de
oração: mas vós a tendes convertido em covil de ladrões.
14 E foram ter com elle ao templo cegos e côxos, e curou-os.
15 Vendo então os principaes dos sacerdotes e os escribas as maravilhas
que fazia, e os meninos clamando no templo, Hosanna ao Filho de David;
indignaram-se,
16 E disseram-lhe: Ouves o que estes dizem? E Jesus lhes disse: Sim;
nunca lestes: [11] Pela bocca dos meninos e das creancinhas de peito
aperfeiçoaste o louvor?
17 E, deixando-os, saiu da cidade para Bethania, [12] e ali passou a
noite.
_A figueira secca._
Mar. 11.12-14 e 19-24.
18 E, de manhã, voltando para a cidade, teve fome;
19 E, avistando uma figueira perto do caminho, dirigiu-se a ella, e não
achou n’ella senão folhas. E disse-lhe: Nunca mais nasça fructo de ti. E
a figueira seccou immediatamente.
20 E os discipulos, vendo _isto_, maravilharam-se, dizendo: [13] Como
seccou immediatamente a figueira?
21 Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Em verdade vos digo _que_, [14]
se tiverdes fé e não duvidardes, [15] não só fareis isto á figueira, mas
até, se a este monte disserdes: Ergue-te e precipita-te no mar, _assim_
será feito;
22 E tudo o que pedirdes na oração, crendo, [16] _o_ recebereis.
_O baptismo de João._
Mar. 11.27-33. Luc. 20.1-8.
23 E, chegando ao templo, acercaram-se d’elle, estando _já_ ensinando,
os principes dos sacerdotes e os anciãos do povo, dizendo: Com que
auctoridade fazes isto? e quem te deu essa auctoridade?
24 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Eu tambem vos perguntarei uma coisa;
se m’a disserdes, tambem eu vos direi com que auctoridade faço isto.
25 O baptismo de João d’onde era? Do céu, ou dos homens? E pensavam entre
si, dizendo: Se dissermos: Do céu, elle nos dirá: Então porque não o
crestes?
26 E, se dissermos: Dos homens, tememos o povo, [17] porque todos
consideram João como propheta.
27 E, respondendo a Jesus, disseram: Não sabemos. Elle disse-lhes: Nem eu
vos digo com que auctoridade faço isto.
_A parabola dos dois filhos._
28 Mas que vos parece? Um homem tinha dois filhos, e, dirigindo-se ao
primeiro, disse: Filho, vae trabalhar hoje na minha vinha.
29 Elle, porém, respondendo, disse: Não quero. Mas depois,
arrependendo-se, foi.
30 E, dirigindo-se ao segundo, fallou-lhe de egual modo; e, respondendo
elle, disse: Eu _vou_, senhor; e não foi.
31 Qual dos dois fez a vontade do pae? Disseram-lhe elles: O primeiro.
Disse-lhes Jesus: [18] Em verdade vos digo que os publicanos e as
meretrizes vos precedem no reino de Deus.
32 Porque João veiu a vós no caminho de justiça, [19] e não o crestes,
mas os publicanos e as meretrizes o creram: vós, porém, vendo _isto_, nem
depois vos arrependestes para o crer.
_A parabola dos lavradores maus._
Mar. 12.1-12. Luc. 20.9, 18.
33 Ouvi ainda outra parabola: Houve um homem, pae de familia, que plantou
uma vinha, [20] e circumdou-a de um vallado, e construiu n’ella _um_
lagar, e edificou uma torre, e arrendou-a a uns lavradores, e ausentou-se
para longe:
34 E, chegando o tempo dos fructos, enviou os seus servos aos lavradores,
[21] para receberem os seus fructos.
35 E os lavradores, apoderando-se dos servos, [22] feriram um, mataram
outro, e apedrejaram outro.
36 Depois enviou outros servos, em maior numero do que os primeiros; e
fizeram-lhes o mesmo;
37 E por ultimo enviou-lhes seu filho, dizendo: Terão respeito a meu
filho.
38 Mas os lavradores, vendo o filho, disseram entre si: [23] Este é o
herdeiro; vinde, matemol-o, e apoderemo-nos da sua herança.
39 E, lançando mão d’elle, [24] o arrastaram para fóra da vinha, e _o_
mataram.
40 Quando pois vier o senhor da vinha, que fará áquelles lavradores?
41 Dizem-lhe elles: [25] Dará affrontosa morte aos maus, e arrendará a
vinha a outros lavradores, que a seus tempos lhe dêem os fructos.
42 Diz-lhes Jesus: [26] Nunca lestes nas Escripturas: A pedra, que os
edificadores rejeitaram, essa foi posta por cabeça do angulo: pelo Senhor
foi feito isto, e é maravilhoso aos nossos olhos?
43 Portanto eu vos digo que o reino de Deus vos será tirado, [27] e será
dado a gente que dê os seus fructos.
44 E quem cair sobre esta pedra despedaçar-se-ha; [28] e sobre quem ella
cair esmagal-o-ha.
45 E os principes dos sacerdotes e os phariseos, ouvindo estas palavras,
entenderam que fallava d’elles;
46 E, pretendendo prendel-o, receiaram o povo, [29] porquanto o tinham
por propheta.
[1] Zac. 14.4.
[2] Isa. 62.11. Zac. 9.9. João 12.15.
[3] Mar. 11.4.
[4] II Reis 9.13.
[5] Lev. 23.40. João 12.13.
[6] Psa. 118.26. cap. 23.39.
[7] Mar. 11.15. Luc. 19.45. João 2.13, 15.
[8] Luc. 7.16. João 6.14 e 7.40 e 9.17.
[9] João 2.15. Deu. 14.25.
[10] Isa. 56.7. Jer. 7.11. Mar. 11.17. Luc. 19.43.
[11] Psa. 8.2.
[12] Mar. 11.11. João 11.18.
[13] Mar. 11.20.
[14] cap. 17.20. Luc. 17.6.
[15] Thi. 1.6.
[16] Mar. 11.24. Luc. 11.9. Thi. 5.16. I João 3.22.
[17] cap. 14.5. Mar. 6.20. Luc. 20.6.
[18] Luc. 7.29, 50.
[19] cap. 3.1. Luc. 3.12, 13.
[20] Psa. 80.8. Can. 8.11. Isa. 5.1. Jer. 2.21.
[21] Can. 8.11.
[22] II Chr. 24.21. Neh. 9.26. Act. 7.52. I The. 2.15. Heb. 11.36.
[23] Psa. 2.8. Heb. 1.2.
[24] Psa. 2.2. João 11.53. Act. 4.27.
[25] Luc. 20.16 e 21.24. Heb. 2.3. Act. 13.46 e 15.7.
[26] Isa. 28.16. Mar. 12.10. Luc. 20.17. Act. 4.11. Eph. 2.20. I Ped.
2.6, 7.
[27] cap. 8.12.
[28] Isa. 8.14, 15. Zac. 12.3. Luc. 20.13. Rom. 9.33. I Ped. 2.8. Isa.
60.12. Dan. 2.44.
[29] ver. 11.
_A parabola das bodas._
Luc. 14.16-24.
22 Então Jesus, tomando a [1] palavra, tornou a fallar-lhes em parabolas,
dizendo:
2 O reino dos céus é similhante a um certo rei que celebrou as bodas de
seu filho;
3 E enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas; e não
quizeram vir.
4 Depois enviou outros servos, dizendo: Dizei aos convidados: Eisque
tenho o meu jantar preparado, [2] os meus bois e cevados _já_ mortos, e
tudo _já_ prompto: vinde ás bodas.
5 Porém elles, não fazendo caso, foram, um para o seu campo, outro para o
seu trafico:
6 E os outros, apoderando-se dos servos, os ultrajaram e mataram.
7 E o rei, tendo noticia _d’isto_, encolerisou-se: [3] e, enviando os
seus exercitos, destruiu aquelles homicidas, e incendiou a sua cidade.
8 Então diz aos servos: As bodas, na verdade, estão preparadas, [4] mas
os convidados não eram dignos.
9 Ide pois ás saidas dos caminhos, e convidae para as bodas a todos os
que encontrardes.
10 E os servos, saindo pelos caminhos, [5] ajuntaram todos quantos
encontraram, tanto maus como bons; e as bodas encheram-se de convidados.
11 E o rei, entrando para vêr os convidados, viu ali um homem [6] _que_
não _estava_ trajado com vestido de bodas,
12 E disse-lhe: Amigo, como entraste aqui, não tendo vestido de bodas? E
elle emmudeceu.
13 Disse então o rei aos servos: Amarrae-o de pés e mãos, levae-o, [7] e
lançae-_o_ nas trevas exteriores: ali haverá pranto e ranger de dentes.
14 Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos.
_A questão do tributo._
Mar. 12.13-17. Luc. 20.20-26.
15 Então, retirando-se os phariseos, consultaram entre si como o
surprehenderiam _n’alguma_ palavra;
16 E enviaram-lhe os seus discipulos, com os herodianos, dizendo: Mestre,
bem sabemos que és verdadeiro, e ensinas o caminho de Deus, segundo a
verdade, e de ninguem se te dá, porque não olhas á apparencia dos homens;
17 Dize-nos, pois, que te parece? É licito pagar o tributo a Cesar, ou
não?
18 Jesus, porém, conhecendo a sua malicia, disse: Porque me
experimentaes, hypocritas?
19 Mostrae-me a moeda do tributo. E elles lhe apresentaram um dinheiro.
20 E elle diz-lhes: De quem é esta effigie e _esta_ inscripção?
21 Dizem-lhe elles: De Cesar. Então elle lhes diz: [8] Dae pois a Cesar o
que _é_ de Cesar, e a Deus o que _é_ de Deus.
22 E elles, ouvindo _isto_, maravilharam-se, e, deixando-o, se retiraram.
23 No mesmo dia chegaram junto d’elle os sadduceos, [9] que dizem não
haver resurreição, e o interrogaram,
24 Dizendo: [10] Mestre, Moysés disse: Se morrer alguem, não tendo
filhos, casará o seu irmão com a mulher d’elle, e suscitará descendencia
a seu irmão:
25 Ora houve entre nós sete irmãos; e o primeiro, tendo casado, morreu,
e, não tendo descendencia, deixou sua mulher a seu irmão.
26 Da mesma sorte o segundo, e o terceiro, até ao setimo;
27 Por fim, depois de todos, morreu tambem a mulher.
28 Portanto, na resurreição, de qual dos sete será a mulher, visto que
todos a possuiram?
29 Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: [11] Erraes, não conhecendo as
Escripturas, nem o poder de Deus;
30 Porque na resurreição nem casam nem se dão em casamento; [12] mas
serão como os anjos de Deus no céu.
31 E, ácerca da resurreição dos mortos, não tendes lido o que Deus vos
declarou, dizendo:
32 Eu sou o Deus d’Abrahão, [13] o Deus d’Isaac, e o Deus de Jacob? Deus
não é Deus dos mortos, mas dos vivos.
33 E, as turbas, ouvindo _isto_, [14] ficaram maravilhadas da sua
doutrina.
_O grande mandamento._
Mar. 12.28-34. Luc. 10.25-27.
34 E os phariseos, ouvindo que fizera emmudecer os sadduceos, reuniram-se
no mesmo logar;
35 E um d’elles, doutor da lei, interrogou-o para o experimentar, dizendo:
36 Mestre, qual _é_ o grande mandamento na lei?
37 E Jesus disse-lhe: [15] Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu
coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.
38 Este é o primeiro e grande mandamento.
39 E o segundo, similhante a este, _é_: [16] Amarás o teu proximo como a
ti mesmo.
40 D’estes dois mandamentos depende toda a lei e os prophetas.
_Christo Filho de David._
Mar. 12.35-37. Luc. 20.41-44.
41 E, [17] estando reunidos os phariseos, interrogou-os Jesus,
42 Dizendo: Que pensaes vós do Christo? De quem é filho? Elles
disseram-lhe: De David.
43 Disse-lhes elle: Como é então que David, em espirito, lhe chama
Senhor, dizendo:
44 Disse o Senhor ao meu Senhor: [18] Assenta-te á minha direita, até que
eu ponha os teus inimigos por escabello de teus pés.
45 Se David pois lhe chama Senhor, como é seu filho?
46 E ninguem podia [19] responder-lhe _uma_ palavra: nem desde aquelle
dia ousou mais alguem interrogal-o.
[1] Apo. 19.7, 9.
[2] Pro. 9.2.
[3] Dan. 9.26. Luc. 19.27.
[4] cap. 10.11. Act. 13.46.
[5] cap. 13.38.
[6] II Cor. 5.3. Eph. 4.24. Col. 3.10, 12. Apo. 3.4 e 16.15.
[7] cap. 8.12 e 20.16.
[8] cap. 17.25. Rom. 13.7.
[9] Mar. 12.18. Luc. 20.27. Act. 23.8.
[10] Deu. 25.5.
[11] João 20.
[12] I João 3.2.
[13] Exo. 3.6, 16. Mar. 12.26. Luc. 20.37. Act. 7.32. Heb. 11.16.
[14] cap. 7.28.
[15] Deu. 6.5 e 10.12 e 30.6. Luc. 10.27.
[16] Lev. 19.18. Mar. 12.31. Rom. 13.9. Gal. 5.14. Thi. 2.8.
[17] cap. 7.12. I Tim. 1.5.
[18] Psa. 110.1. Act. 2.34. I Cor. 15.25. Heb. 1.13 e 10.12, 13.
[19] Luc. 14.6 e 20.40. Mar. 12.34.
_Jesus censura os escribas e os phariseos._
23 Então fallou Jesus á multidão, e aos seus discipulos,
2 Dizendo: [1] Na cadeira de Moysés estão assentados os escribas e
phariseos.
3 Observae, pois, e practicae tudo o que vos disserem; mas não procedaes
em conformidade com as suas obras, [2] porque dizem e não praticam:
4 Pois atam fardos pesados e difficeis de supportar, [3] e os põem aos
hombros dos homens; elles, porém, nem com o dedo querem movel-os;
5 E fazem todas as obras [4] a fim de serem vistos pelos homens; pois
trazem largas phylacterias, e estendem as franjas [5] dos seus vestidos,
6 E amam os primeiros logares nas ceias [6] e as primeiras cadeiras nas
synagogas,
7 E as saudações nas praças, e _o serem_ chamados pelos homens—Rabbi,
Rabbi.
8 Vós, porém, não queiraes ser chamados Rabbi, [7] porque um só é o vosso
Mestre, _a saber_, o Christo: e todos vós sois irmãos.
9 E a ninguem na terra chameis vosso pae, [8] porque um só é o vosso Pae,
o qual _está_ nos céus.
10 Nem vos chameis mestres, porque um só é o vosso Mestre, _que é_ o
Christo.
11 Porém [9] o maior d’entre vós será vosso servo.
12 E o que a si mesmo se exaltar [10] será humilhado; e o que a si mesmo
se humilhar será exaltado.
13 Mas ai de vós, escribas e phariseos, hypocritas! [11] pois que fechaes
aos homens o reino dos céus; porque nem vós entraes nem deixaes entrar
aos que entram.
14 Ai de vós, escribas e phariseos, [12] hypocritas! pois que devoraes as
casas das viuvas, e _isto_ com pretexto de prolongadas orações; por isso
soffrereis mais rigoroso juizo.
15 Ai de vós, escribas e phariseos, hypocritas! pois que percorreis o mar
e a terra para fazer um proselyto; e, depois de o terdes feito, o fazeis
filho do inferno duas vezes mais do que vós.
16 Ai de vós, conductores cegos! [13] pois que dizeis: Qualquer que jurar
pelo templo isso nada é; mas o que jurar pelo oiro do templo é devedor.
17 Insensatos e cegos! Pois qual é maior: o oiro, [14] ou o templo, que
sanctifica o oiro?
18 E aquelle que jurar pelo altar _isso_ nada é; mas aquelle que jurar
pela offerta que está sobre o altar é devedor.
19 Insensatos e cegos! Pois qual é maior: a offerta, [15] ou o altar, que
sanctifica a offerta?
20 Portanto, o que jurar pelo altar jura por elle e por tudo o que sobre
elle _está_:
21 E o que jurar pelo templo jura por elle [16] e por aquelle que n’elle
habita:
22 E o que jurar pelo céu jura pelo throno de Deus [17] e por aquelle que
está assentado n’elle.
23 Ai de vós, escribas e phariseos, hypocritas! [18] pois que dizimaes a
hortelã, o endro e o cominho, e desprezaes o mais importante da lei, o
juizo, a misericordia e a fé: deveis, porém, fazer estas coisas, e não
omittir aquellas.
24 Conductores cegos! que coaes o mosquito e engulis o camelo.
25 Ai de vós, escribas e phariseos, hypocritas! [19] pois que limpaes
o exterior do copo e do prato, mas o interior está cheio de rapina e
iniquidade.
26 Phariseo cego! limpa primeiro o interior do copo e do prato, para que
tambem o exterior fique limpo.
27 Ai de vós, escribas e phariseos, hypocritas! [20] pois que sois
similhantes aos sepulchros caiados, que por fóra realmente parecem
formosos, mas interiormente estão cheios d’ossos de mortos e de toda a
immundicia.
28 Assim tambem vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas
interiormente estaes cheios de hypocrisia e iniquidade.
29 Ai de vós, [21] escribas e phariseos, hypocritas! pois que edificaes
os sepulchros dos prophetas e adornaes os monumentos dos justos.
30 E dizeis: Se existissemos no tempo de nossos paes, nunca nos
associariamos com elles para _derramar_ o sangue dos prophetas.
31 Assim, [22] vós mesmos testificaes que sois filhos dos que mataram os
prophetas.
32 Enchei [23] vós pois a medida de vossos paes.
33 Serpentes, [24] raça de viboras! como escapareis da condemnação do
inferno?
34 Portanto, eis que [25] eu vos envio prophetas, sabios e escribas; e _a
uns_ d’elles matareis e crucificareis; e _a outros_ d’elles açoitareis
nas vossas synagogas e os perseguireis de cidade em cidade;
35 Para que sobre vós caia todo o sangue justo, [26] que foi derramado
sobre a terra, desde o sangue d’Abel, o justo, até ao sangue de
Zacharias, filho de Baraquias, que matastes entre o templo e o altar.
36 Em verdade vos digo que todas estas _coisas_ hão de vir sobre esta
geração.
37 Jerusalem, Jerusalem, [27] que matas os prophetas, e apedrejas os que
te são enviados! quantas vezes quiz eu ajuntar os teus filhos, como a
gallinha ajunta os seus pintos debaixo das azas, e vós não quizestes!
38 Eis que a vossa casa vae ficar-vos deserta;
39 Porque eu vos digo que desde agora me não vereis _mais_, até que
digaes: [28] Bemdito o que vem em nome do Senhor.
[1] Neh. 8.4, 8. Mal. 2.7. Mar. 12.38. Luc. 20.45.
[2] Rom. 2.19, etc.
[3] Luc. 11.46. Act. 15.10. Gal. 6.13.
[4] cap. 6.1, 2, 5, 16.
[5] Num. 15.38. Deu. 6.8 e 22.12. Pro. 3.3.
[6] Mar. 12.38. Luc. 11.43. III João 9.
[7] Thi. 3.1. II Cor. 1.24. I Ped. 5.3.
[8] Mal. 1.6.
[9] cap. 20.26, 27.
[10] Job 22.29. Pro. 15.33. Luc. 14.11. Thi. 4.6. I Ped. 5.5.
[11] Luc. 11.52.
[12] Mar. 12.40. Luc. 20.47. II Tim. 3.6. Tito 1.11.
[13] cap. 15.14 e 5.33, 34. ver. 24.
[14] Exo. 30.29.
[15] Exo. 29.37.
[16] I Reis 8.13. II Chr. 6.2. Psa. 26.8.
[17] Psa. 11.4. cap. 5.34. Act. 7.49.
[18] Luc. 11.42. I Reis 15.22. Ose. 6.6. Miq. 6.8. cap. 9.13.
[19] Mar. 7.4. Luc. 11.39.
[20] Luc. 11.44. Act. 23.3.
[21] Luc. 11.47.
[22] Act. 7.51, 52. I The. 2.15.
[23] Gen. 15.16. I The. 2.16.
[24] cap. 3.7 e 12.34.
[25] cap. 21.34 e 10.17. Luc. 11.49. Act. 5.40 e 7.58 e 22.19. II Cor.
11.24, 25.
[26] Apo. 18.24. Gen. 4.8. I João 3.12. II Chr. 24.20.
[27] Luc. 13.34. II Cor. 24.21. Deu. 32.11. Psa. 17.8 e 91.4.
[28] Psa. 118.26. cap. 21.9.
_O sermão prophetico; o principio de dôres._
Mar. 13.1. Luc. 21.5-36.
24 E, quando Jesus ia saindo do templo, approximaram-se _d’elle_ os seus
discipulos para lhe mostrarem a estructura do templo.
2 Jesus, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo [1]
que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada.
3 E, estando assentado no monte das Oliveiras, [2] chegaram-se a elle
os seus discipulos em particular, dizendo: Dize-nos quando serão essas
_coisas_, e que signal _haverá_ da tua vinda e do fim do mundo?
4 E Jesus, respondendo, disse-lhes: [3] Acautelae-vos, que ninguem vos
engane;
5 Porque [4] muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Christo; e
seduzirão muitos.
6 E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhae não vos assusteis,
porque é mister que _isso_ tudo aconteça, mas ainda não é o fim.
7 Porque se levantará nação contra nação, e reino contra reino, [5] e
haverá fomes, e pestes, e terremotos, em varios logares.
8 Mas todas estas coisas _são_ o principio de dôres.
9 Então vos hão de entregar para serdes atormentados, [6] e
matar-vos-hão: e sereis odiados de todas as gentes por causa do meu nome.
10 Então muitos serão escandalizados, [7] e trahir-se-hão uns aos outros,
e uns aos outros se aborrecerão,
11 E surgirão muitos falsos prophetas, [8] e enganarão muitos.
12 E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará.
13 Mas aquelle que perseverar até ao fim [9] será salvo.
14 E este evangelho do reino será prégado em todo o mundo, [10] em
testemunho a todas as gentes, e então virá o fim.
_O sermão continúa. A grande tribulação._
15 Quando pois virdes que a abominação da desolação, [11] de que fallou o
propheta Daniel, está no logar sancto; quem lê, attenda;
16 Então, os que _estiverem_ na Judea, fujam para os montes;
17 E quem _estiver_ sobre o telhado não desça a tirar alguma coisa da sua
casa;
18 E quem estiver no campo não volte atraz a buscar os seus vestidos.
19 Mas ai das gravidas [12] e das que amamentarem n’aquelles dias!
20 E orae para que a vossa fuga não aconteça no inverno nem em sabbado;
21 Porque [13] haverá então grande afflicção, como nunca houve desde o
principio do mundo até agora, nem tão pouco ha de haver.
22 E, se aquelles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria;
[14] mas por causa dos escolhidos serão abreviados aquelles dias.
23 Então, se alguem vos disser: Eis que [15] o Christo _está_ aqui, ou
ali, não deis credito;
24 Porque [16] surgirão falsos christos e falsos prophetas, e farão tão
grandes signaes e prodigios que, se possivel fôra, enganariam até os
escolhidos.
25 Eis que eu vol-o tenho predito.
26 Portanto, se vos disserem: Eis que elle está no deserto, não saiaes;
Eis que elle _está_ nas camaras; não acrediteis.
27 Porque, como o relampago [17] sae do oriente e apparece até ao
occidente, assim será tambem a vinda do Filho do homem.
28 Pois onde estiver o cadaver, [18] ahi se ajuntarão as aguias.
_O sermão continúa: A vinda do Filho do homem._
29 E, logo depois da afflicção d’aquelles dias, [19] o sol escurecerá,
e a lua não dará o seu resplendor, e as estrellas cairão do céu, e as
potencias dos céus serão abaladas.
30 Então apparecerá no céu [20] o signal do Filho do homem; e todas as
tribus da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as
nuvens do céu, com poder e grande gloria.
31 E enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, [21] e ajuntarão
os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma á outra extremidade dos
céus.
32 Aprendei pois _esta_ parabola da figueira: [22] Quando já o seu ramo
se torna tenro e brota folhas, sabeis que está proximo o verão.
33 Egualmente, quando virdes todas estas _coisas_, [23] sabei que está
proximo ás portas.
34 Em verdade vos digo que não passará esta geração [24] sem que todas
estas _coisas_ aconteçam.
35 O céu e a terra passarão, mas [25] as minhas palavras não hão de
passar.
_O sermão continúa: Exhortação á vigilancia._
36 Porém d’aquelle dia e hora ninguem sabe, [26] nem os anjos do céu, mas
unicamente meu Pae.
37 E, como foi nos dias de Noé, assim será tambem a vinda do Filho do
homem.
38 Porque como, [27] nos dias anteriores ao diluvio, comiam, bebiam,
casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca,
39 E não o conheceram, até que veiu o diluvio, e os levou a todos,—assim
será tambem a vinda do Filho do homem.
40 Então, [28] dois estarão no campo; será levado um, e deixado outro.
41 Duas _estarão_ moendo no moinho; será levada uma, e deixada outra.
42 Vigiae, pois, [29] porque não sabeis a que hora ha de vir o vosso
Senhor:
43 Mas considerae isto: [30] se o pae de familia soubesse a que vigilia
da noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa.
44 Por isso, [31] estae vós apercebidos tambem; porque o Filho do homem
ha de vir á hora em que não penseis.
_O sermão continúa: A parabola dos dois servos._
45 Quem é pois o servo fiel e prudente, [32] que o Senhor constituiu
sobre os seus servos, para _lhes_ dar o sustento a seu tempo?
46 Bemaventurado aquelle servo que o Senhor, [33] quando vier, achar
fazendo assim.
47 Em verdade vos digo [34] que o porá sobre todos os seus bens.
48 Porém, se aquelle mau servo disser comsigo: O meu senhor tarde virá;
49 E começar a espancar os _seus_ conservos, e a comer e beber com os
temulentos,
50 Virá o senhor d’aquelle servo n’_um_ dia em que o não espera, e á hora
em que elle não sabe,
51 E separal-o-ha, e porá a sua parte com os hypocritas: [35] ali haverá
pranto e ranger de dentes.
[1] I Reis 9.7. Jer. 26.18. Miq. 3.12. Luc. 19.44.
[2] Mar. 13.3. I The. 5.1.
[3] Eph. 5.6. Col. 2.8, 18. II The. 2.3. I João 4.1.
[4] Jer. 14.14 e 23.21. João 5.43.
[5] II Chr. 15.6. Isa. 19.2. Agg. 2.23. Zac. 14.13.
[6] cap. 10.17. Mar. 13.9. Luc. 21.21. João 15.20. Act. 4.2. I Ped. 4.16.
Apo. 2.10.
[7] cap. 11.6 e 13.57. II Tim. 1.15 e 4.9, 16.
[8] cap. 7.15. Act. 20.29. II Ped. 2.1. I Tim. 4.1.
[9] cap. 10.22. Mar. 13.13. Heb. 3.6, 14. Apo. 2.10.
[10] cap. 4.23 e 9.35. Rom. 10.18. Col. 1.6, 26.
[11] Mar. 13.14. Luc. 21.20. Dan. 9.27 e 12.11.
[12] Luc. 23.29.
[13] Dan. 9.26 e 12.1. Joel 2.2.
[14] Isa. 65.8, 9. Zac. 14.2, 3.
[15] Mar. 13.21. Luc. 17.23 e 21.8.
[16] Deu. 13.1. II The. 2.9. Apo. 13.13. João 6.37. Rom. 8.28. II Tim.
2.19.
[17] Luc. 17.24.
[18] Job 39.30. Luc. 17.37.
[19] Dan. 7.11. Isa. 13.10. Eze. 32.7. Joel 2.10. Amós 5.20. Mar. 13.24.
Luc. 21.25. Act. 2.20. Apo. 6.12.
[20] Dan. 7.13. Zac. 12.12. cap. 16.27. Mar. 13.26. Apo. 1.7.
[21] cap. 13.41. I Cor. 15.52. I The. 4.15.
[22] Luc. 21.29.
[23] Thi. 5.9.
[24] cap. 16.28. Mar. 13.30. Luc. 21.32.
[25] Isa. 51.6. Jer. 31.36. Mar. 13.31. Luc. 21.33. Heb. 1.11.
[26] Mar. 13.32. Act. 1.7. I The. 5.2. II Ped. 3.10. Zac. 14.7.
[27] Gen. 6.3. Luc. 17.26. I Ped. 3.20.
[28] Luc. 17.34, etc.
[29] cap. 25.13. Mar. 13.33. Luc. 21.36.
[30] Luc. 12.39. I The. 5.2. II Ped. 3.10. Apo. 3.3 e 16.15.
[31] cap. 25.13. I The. 5.6.
[32] Luc. 12.42. Act. 20.28. I Cor. 4.2. Heb. 3.5.
[33] Apo. 16.15.
[34] cap. 25.21, 23. Luc. 22.29.
[35] cap. 8.12 e 25.30.
_O sermão prophetico continúa: A parabola das dez virgens._
25 Então o reino dos céus será similhante a dez virgens que, tomando as
suas [AFV] lampadas, sairam ao encontro do [1] esposo.
2 E cinco d’ellas eram prudentes, [2] e cinco loucas.
3 As loucas, tomando as suas lampadas, não levaram azeite comsigo,
4 Mas as prudentes levaram azeite nos seus vasos, com as suas lampadas.
5 E, tardando o esposo, tosquenejaram todas, [3] e adormeceram.
6 Mas á meia noite ouviu-se um clamor: [4] Ahi vem o esposo, sahi-lhe ao
encontro.
7 Então todas aquellas virgens se levantaram, [5] e prepararam as suas
lampadas.
8 E as loucas disseram ás prudentes: Dae-nos do vosso azeite, porque as
nossas lampadas se apagam.
9 Mas as prudentes responderam, dizendo: _Não_ seja caso que nos falte a
nós e a vós; ide antes aos que _o_ vendem, e comprae-_o_ para vós.
10 E, tendo ellas ido compral-o, chegou o esposo, e as que estavam
preparadas entraram com elle para as bodas, [6] e fechou-se a porta.
11 E depois chegaram tambem as outras virgens, dizendo: [7] Senhor,
Senhor, abre-nos.
12 E elle, respondendo, disse: Em verdade vos digo [8] que vos não
conheço.
13 Vigiae pois, [9] porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do
homem ha de vir.
_O sermão continúa: A parabola dos dez talentos._
Luc. 19.11-27.
14 Porque, _é_ tambem como um homem que, partindo para fóra da _sua_
terra, chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus bens;
15 E a um deu cinco talentos, e a outro dois, e a outro um, a cada um
segundo a sua capacidade, [10] e ausentou-se logo para longe.
16 E, tendo elle partido, o que recebera cinco talentos negociou com
elles, e grangeou outros cinco talentos.
17 Da mesma sorte, o que _recebera_ dois, grangeou tambem outros dois;
18 Mas o que recebera um foi enterral-o no chão, e escondeu o dinheiro do
seu senhor.
19 E muito tempo depois veiu o senhor d’aquelles servos, e fez contas com
elles.
20 Então approximou-se o que recebera cinco talentos, e trouxe-lhe outros
cinco talentos, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos; eis aqui
outros cinco talentos que grangeei com elles.
21 E o seu senhor lhe disse: Bem _está_, servo bom e fiel. [11] Sobre o
pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; [12] entra no gozo do teu
senhor.
22 E, chegando tambem o que tinha recebido dois talentos, disse: Senhor,
entregaste-me dois talentos; eis que com elles grangeei outros dois
talentos.
23 Disse-lhe o seu senhor: [13] Bem _está_, bom e fiel servo. Sobre o
pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.
24 Mas, chegando tambem o que recebera um talento, disse: Senhor, eu
conhecia-te, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste e ajuntas
onde não espalhaste;
25 E, atemorisado, escondi na terra o teu talento; aqui tens o _que é_
teu.
26 Respondendo, porém, o seu senhor, disse-lhe: Mau e negligente servo;
sabes que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei;
27 Por isso te cumpria dar o meu dinheiro aos banqueiros, e, quando eu
viesse, receberia o meu com os juros.
28 Tirae-lhe pois o talento, e dae-o ao que tem os dez talentos.
29 Porque a qualquer que tiver será dado, [14] e terá em abundancia; mas
ao que não tiver até o que tem será tirado.
30 Lançae pois o servo inutil nas trevas exteriores: ali haverá pranto e
[15] ranger de dentes.
_O fim do sermão prophetico: A vida eterna e o castigo eterno._
31 E quando o Filho do homem vier em sua gloria, [16] e todos os sanctos
anjos com elle, então se assentará no throno da sua gloria;
32 E todas as nações serão reunidas diante d’elle, e apartará uns dos
outros, [17] como o pastor aparta dos bodes as ovelhas,
33 E porá as ovelhas á sua direita, mas os bodes á esquerda.
34 Então dirá o Rei aos que _estiverem_ á sua direita: [18] Vinde,
bemditos de meu Pae, possui por herança o reino que vos está preparado
desde a fundação do mundo;
35 Porque tive fome, [19] e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de
beber; era estrangeiro, e hospedastes-me;
36 _Estava_ nú, [20] e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na
prisão, e fostes ver-me.
37 Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com
fome, e _te_ démos de comer? ou com sede, e _te_ démos de beber?
38 E quando te vimos estrangeiro, e _te_ hospedámos? ou nú, e _te_
vestimos?
39 E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te?
40 E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo [21] que, quando
_o_ fizestes a um d’estes meus pequeninos irmãos, a mim _o_ fizestes.
41 Então dirá tambem _aos que estiverem_ á sua esquerda: [22] Apartae-vos
de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos;
42 Porque tive fome, e não me destes de comer: tive sede, e não me destes
de beber;
43 Sendo estrangeiro, não me recolhestes; _estando_ nú, não me vestistes;
enfermo, e na prisão, não me visitastes.
44 Então elles tambem lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos
com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nú, ou enfermo, ou na prisão, e
te não servimos?
45 Então lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando [23] a
um d’estes pequeninos _o_ não fizestes, não o fizestes a mim.
46 E estes irão [24] para o tormento eterno, mas os justos para a vida
eterna.
[1] Eph. 5.29. Apo. 19.7 e 21.2, 9.
[2] cap. 13.47 e 22.10.
[3] I The. 5.6.
[4] cap. 24.31.
[5] Luc. 12.35.
[6] Luc. 13.25.
[7] cap. 7.21, 22, 23.
[8] Psa. 5.6. Hab. 1.13. João 9.31.
[9] cap. 24.42, 46. Mar. 13.33, 35. Luc. 21.36. I Cor. 16.13. I The. 5.6.
I Ped. 5.8. Apo. 16.15.
[10] Rom. 12.6. I Cor. 12.7, 11, 29. Eph. 4.11.
[11] cap. 24.47. ver. 34, 46. Luc. 12.44 e 22.29, 30.
[12] II Tim. 2.12. Heb. 12.2. I Ped. 1.8.
[13] ver. 21.
[14] cap. 13.12. Mar. 4.25. Luc. 8.18 e 19.26. João 15.2.
[15] cap. 8.12 e 24.51.
[16] Zac. 14.5. cap. 16.27. Mar. 8.38. Act. 1.11. I The. 4.16. II The.
1.7. Jud. 14. Apo. 1.7.
[17] Rom. 14.10. II Cor. 5.10. Apo. 20.12. Eze. 20.38 e 34.17. cap. 13.49.
[18] Rom. 8.17. I Ped. 1.4. Apo. 21.7. cap. 20.23. Mar. 10.40. I Cor.
2.9. Heb. 11.16.
[19] Isa. 58.7. Eze. 18.7. Thi. 1.27. Heb. 13.2. III João 5.
[20] Thi. 2. II Tim. 1.16.
[21] Pro. 14.31 e 19.17. cap. 10.42. Mar. 9.40. Heb. 6.10.
[22] Psa. 6.8. cap. 7.23 e 13.40. Luc. 13.27. II Ped. 2.4. Jud. 6.
[23] Pro. 14.31 e 17.5. Zac. 2.8. Act. 9.5.
[24] Dan. 12.2. João 5.29. Rom. 2.7.
_A consulta dos sacerdotes e dos escribas._
Mar. 14.1, 2. Luc. 22.1, 2.
26 E aconteceu que, quando Jesus concluiu todos estes discursos, disse
aos seus discipulos:
2 Bem sabeis que d’aqui a dois dias é [1] a paschoa; e o Filho do homem
será entregue para ser crucificado.
3 Então os principes dos sacerdotes, e os escribas, [2] e os anciãos do
povo reuniram-se na sala do summo sacerdote, o qual se chamava Caiphás,
4 E consultaram-se juntamente para prenderem Jesus com dolo e o matarem.
5 Porém diziam: Não durante a festa, para que não haja alvoroço entre o
povo.
_O jantar em Bethania._
Mar. 14.3-9. João 11.1-8.
6 E, estando Jesus em Bethania, em casa de Simão, o leproso,
7 Approximou-se d’elle uma mulher com um vaso d’alabastro, com unguento
de grande valor, e derramou-lh’o sobre a cabeça, estando elle assentado
_á mesa_.
8 E os seus discipulos, vendo _isto_, [3] indignaram-se, dizendo: Porque
_se faz_ este desperdicio?
9 Pois este unguento podia vender-se por grande preço, e dar-se o
dinheiro aos pobres.
10 Jesus, porém, conhecendo _isto_, disse-lhes: Porque affligis esta
mulher? pois praticou _uma_ boa acção para comigo.
11 Porquanto [4] sempre tendes comvosco os pobres, mas a mim não me
haveis de ter sempre.
12 Ora, derramando ella este unguento sobre o meu corpo, fel-o
preparando-me para o meu enterramento.
13 Em verdade vos digo que, onde quer que este Evangelho fôr prégado, em
todo o mundo, tambem será dito o que ella fez, para memoria sua.
_O preço da traição._
Mar. 14.10, 11. Luc. 22.3-6.
14 Então um dos doze chamado Judas Iscariotes, foi ter [5] com os
principes dos sacerdotes,
15 E disse: [6] Que me quereis dar, e eu vol-o entregarei? E elles lhe
arbitraram trinta [AFW] _moedas_ de prata,
16 E desde então buscava opportunidade para o entregar.
_A ultima paschoa, a sancta ceia._
Mar. 12.14-26. Luc. 22.7-23. I Cor. 11.23-29.
17 E, no [7] primeiro _dia da festa_ dos pães asmos, chegaram os
discipulos junto de Jesus, dizendo: Onde queres que te preparemos _o
necessario_ para comer a paschoa?
18 E elle disse: Ide á cidade a _um_ certo homem, e dizei-lhe: O Mestre
diz: O meu tempo está proximo; em tua casa celebro a paschoa com os meus
discipulos.
19 E os discipulos fizeram como Jesus lhes ordenara, e prepararam a
paschoa.
20 E, chegada a tarde, [8] assentou-se _á mesa_ com os doze.
21 E, comendo elles, disse: Em verdade vos digo que um de vós me ha de
trahir.
22 E elles, entristecendo-se muito, começaram cada um a dizer-lhe:
_Porventura_ sou eu, Senhor?
23 E elle, respondendo, disse: [9] O que mette a mão no prato comigo,
esse me ha de trahir.
24 Em verdade o Filho do homem vae, como ácerca [10] d’elle está
escripto, mas ai d’aquelle homem por quem o Filho do homem é trahido! bom
seria a esse homem se não houvera nascido.
25 E, respondendo Judas, o que o trahia, disse: _Porventura_ sou eu,
Rabbi? Elle disse: Tu o disseste.
26 E, quando comiam, [11] Jesus tomou o pão, e, abençoando-_o_, o partiu,
e o deu aos discipulos, e disse: Tomae, comei, isto é o meu corpo.
27 E, tomando o calix, e dando graças, deu-lh’_o_, dizendo: [12] Bebei
d’elle todos;
28 Porque isto é o meu sangue, [13] o _sangue_ do [AFX] Novo Testamento,
que é derramado por muitos, para remissão dos peccados.
29 E digo-vos que, desde agora, não beberei [14] d’este fructo da vide
até áquelle dia em que o beber de novo comvosco no reino de meu Pae.
30 E, tendo cantado [15] o hymno, sairam para o monte das Oliveiras.
_Pedro é avisado._
Mar. 14.27-31. Luc. 22.31-34. João 13.36-38.
31 Então Jesus lhes disse: Todos vós esta noite vos escandalizareis em
mim; [16] porque está escripto: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho
se dispersarão.
32 Mas, depois de eu resuscitar, [17] irei adiante de vós para a Galilea.
33 Pedro, porém, respondendo, disse-lhe: Ainda que todos se escandalizem
em ti, eu nunca me escandalizarei.
34 Disse-lhe Jesus: [18] Em verdade te digo que, n’esta mesma noite,
antes que o gallo cante, tres vezes me negarás.
35 Disse-lhe Pedro: Ainda que me seja mister morrer comtigo, não te
negarei. E o mesmo todos os discipulos disseram.
_Jesus em Gethsemane._
Mar. 14.32-42. Luc. 22.39-46. João 18.1.
36 Então chegou Jesus com elles a um logar chamado Gethsemane, e disse
aos discipulos: Assentae-vos aqui, emquanto vou além, a orar.
37 E, levando comsigo Pedro e [19] os dois filhos de Zebedeo, começou a
entristecer-se e a angustiar-se muito.
38 Então lhes disse: [20] A minha alma está cheia de tristeza até á
morte; ficae aqui, e velae comigo.
39 E, indo um pouco mais para diante, prostrou-se sobre o seu rosto,
orando [21] e dizendo: Meu Pae, [22] se é possivel, passe de mim este
calix; porém, não como eu quero, mas como tu _queres_.
40 E voltou para os seus discipulos, e achou-os adormecidos; e disse a
Pedro: Então nem uma hora podeste velar comigo?
41 Vigiae e orae, [23] para que não entreis em tentação: na verdade, o
espirito _está_ prompto, mas a carne _é_ fraca.
42 E, indo segunda vez, orou, dizendo: Meu Pae, se este calix não pode
passar de mim sem eu o beber, faça-se a tua vontade.
43 E, voltando, achou-os outra vez adormecidos; porque os seus olhos
estavam carregados.
44 E, deixando-os, voltou, e orou terceira vez, dizendo as mesmas
palavras.
45 Então chegou junto dos seus discipulos, e disse-lhes: Dormi agora, e
repousae; eis que é chegada a hora, e o Filho do homem será entregue nas
mãos dos peccadores.
46 Levantae-vos, partamos; eis que é chegado o que me trahe.
_Jesus é preso._
Mar. 14.43-50. Luc. 22.47-53. João 18.2-11.
47 E, estando elle ainda a fallar, eis que chegou Judas, um dos doze, e
com elle _uma_ grande multidão com espadas e varapaus, _enviada_ pelos
principes dos sacerdotes e pelos anciãos do povo.
48 E o que o trahia tinha-lhes dado signal, dizendo: O que eu beijar é
elle; prendei-o.
49 E logo, approximando-se de Jesus, disse: Eu te saudo Rabbi. E [24]
beijou-o.
50 Jesus, porém, lhe disse: [25] Amigo, a que vieste? Então,
approximando-se, lançaram mão de Jesus, e prenderam-n’o.
51 E eis que [26] um dos que _estavam_ com Jesus, estendendo a mão, puxou
da espada e, ferindo o servo do summo sacerdote, cortou-lhe uma orelha.
52 Então Jesus disse-lhe: Mette no seu logar a tua espada; porque [27]
todos os que lançarem mão da espada á espada morrerão.
53 Ou pensas tu que não poderia eu agora orar a meu Pae, e elle não me
daria mais de doze legiões [28] d’anjos?
54 Como pois se cumpririam as Escripturas, [29] _que dizem_ que assim
convem que aconteça?
55 Então disse Jesus á multidão: Saistes, como a um salteador, com
espadas e varapaus para me prender? todos os dias me assentava junto de
vós, ensinando no templo, e não me prendestes.
56 Mas tudo isto aconteceu para que se cumpram as escripturas dos
prophetas. [30] Então todos os discipulos, deixando-o, fugiram.
_Jesus perante o synhedrio._
Mar. 14.53-65. Luc. 22.63-71. João 18.12-27.
57 E, os que prenderam a Jesus, o conduziram ao summo sacerdote, Caiphás,
onde os escribas e os anciãos estavam reunidos.
58 E Pedro o seguiu de longe até ao pateo do summo sacerdote: e, entrando
dentro, assentou-se entre os creados, para vêr o fim.
59 E os principes dos sacerdotes, e os anciãos, e todo o conselho,
buscavam falso testemunho contra Jesus, para o poderem matar,
60 Mas não o achavam, apezar de se apresentarem [31] muitas testemunhas
falsas; [32] mas por fim chegaram duas falsas testemunhas,
61 E disseram: Este disse: Eu posso [33] derribar o templo de Deus, e
reedifical-o em tres dias.
62 E, levantando-se o [34] summo sacerdote, disse-lhe: Não respondes
coisa alguma ao que estes depõem contra ti?
63 Jesus, porém, [35] guardava silencio. E, insistindo o summo sacerdote,
disse-lhe: [36] Conjuro-te pelo Deus vivo que nos digas se tu és o
Christo, o Filho de Deus.
64 Disse-lhe Jesus: Tu _o_ disseste; digo-vos, porém, que vereis [37] em
breve o Filho do homem assentado á direita da magestade _divina_, e vindo
sobre as nuvens do céu.
65 Então [38] o summo sacerdote rasgou os seus vestidos, dizendo:
Blasphemou; para que precisamos ainda de testemunhas? Eis que bem
ouvistes agora a sua blasphemia.
66 Que vos parece? E elles, respondendo, disseram: [39] E réu de morte.
67 Então cuspiram-lhe [40] no rosto; e _uns_ lhe davam punhadas, e outros
_o_ esbofeteavam,
68 Dizendo: [41] Prophetiza-nos, Christo, quem é o que te bateu?
_Pedro nega a Jesus._
Mar. 14.66-72. Luc. 22.54-62. João 18.15-18.
69 E Pedro estava assentado fóra, no pateo, e approximou-se d’elle uma
creada, dizendo: Tu tambem estavas com Jesus, o galileo.
70 Mas elle negou diante de todos, dizendo: Não sei o que dizes.
71 E, saindo para o vestibulo, viu-o outra, e disse aos que ali estavam:
Este tambem estava com Jesus, o nazareno.
72 E elle negou outra vez com juramento, dizendo: Não conheço _tal_ homem.
73 E, d’ahi a pouco, approximando-se os que ali estavam, disseram a
Pedro: Verdadeiramente tambem tu és _um_ d’elles, pois a [42] tua falla
te denuncia.
74 Então começou elle a [43] imprecar e a jurar, _dizendo_: Não conheço
_esse_ homem. E immediatamente o gallo cantou.
75 E lembrou-se Pedro das palavras de Jesus, que lhe dissera: [44]
Antes que o gallo cante, tres vezes me negarás. E, saindo d’ali, chorou
amargamente.
[1] João 13.1.
[2] Psa. 2.2. João 11.47. Act. 4.25, etc.
[3] João 12.4.
[4] Deu. 15.11. João 12.8 e 13.33 e 14.19. cap. 18.20.
[5] João 13.2, 30. cap. 10.4.
[6] Zac. 11.12. cap. 27.3.
[7] Exo. 12.6, 18.
[8] Mar. 14.17, 21. Luc. 22.14. João 13.21.
[9] Psa. 41.9. Luc. 22.21. João 13.18.
[10] Isa. 53. Dan. 9.26. Mar. 9.12. Luc. 24.46. Act. 17.2. I Cor. 15.3.
João 17.12.
[11] Mar. 14.22. Luc. 22.19. I Cor. 11.23, 24, 25 e 10.16.
[12] Mar. 14.23.
[13] Exo. 24.8. Lev. 17.11. Jer. 31.31. cap. 20.28. Rom. 5.15. Heb. 9.22.
[14] Mar. 14.25. Luc. 22.18. Act. 10.41.
[15] Mar. 14.26.
[16] João 16.32. cap. 11.6. Zac. 13.7.
[17] cap. 28.7, 10, 16. Mar. 14.28 e 16.7.
[18] Mar. 14.30. Luc. 22.34. João 13.38.
[19] cap. 4.21.
[20] João 12.27.
[21] Mar. 14.36. Luc. 22.42. Heb. 5.7.
[22] João 12.27 e 5.30 e 6.38. cap. 20.22. Phi. 2.8.
[23] Mar. 13.33 e 14.38. Luc. 22.40, 46. Eph. 6.18.
[24] II Sam. 20.9.
[25] Psa. 41.9 e 54.3.
[26] João 18.10.
[27] Gen. 9.6. Apo. 13.10.
[28] II Reis 6.17. Dan. 7.10.
[29] Isa. 53.7, etc. ver. 24. Luc. 24.25, 44, 46.
[30] Lam. 4.20. ver. 54. João 18.15.
[31] Psa. 27.12 e 35.11. Mar. 14.55. Act. 6.13.
[32] Deu. 19.15.
[33] cap. 27.40. João 2.19.
[34] Mar. 14.60.
[35] Isa. 53.7. cap. 27.22.
[36] Lev. 5.1. I Sam. 14.24.
[37] Dan. 7.13. Luc. 21.27. João 1.51. Rom. 14.10. I The. 4.15. Apo. 1.7.
Psa. 110.1. Act. 7.55.
[38] II Reis 18.37 e 19.1.
[39] Lev. 24.16. João 19.7.
[40] Isa. 50.6 e 53.3. cap. 27.30. Luc. 22.63. João 19.3.
[41] Mar. 14.65. Luc. 22.64.
[42] Luc. 22.59.
[43] Mar. 14.71.
[44] ver. 34. Mar. 14.30. Luc. 22.61, 62. João 13.38.
_O suicidio de Judas._