novidade, e estarão seguros na sua terra; e saberão que eu _sou_ o
Senhor, [25] quando eu quebrar as varas do seu jugo [26] e os livrar da
mão dos que se serviam d’elles.
28 E [27] não servirão mais de rapina aos gentios, e a besta _fera_ da
terra nunca _mais_ os comerá: [28] e habitarão seguramente, e ninguem
haverá que _os_ espante.
29 E lhes [29] levantarei _uma_ planta de nome, e nunca mais serão
arrebatados da fome na terra, [30] nem mais levarão sobre si o opprobrio
dos gentios.
30 Saberão, porém, que eu, o Senhor seu Deus, [31] _estou_ com elles, e
_que_ elles _são_ o meu povo, a casa d’Israel, diz o Senhor JEHOVAH.
31 Vós pois, [32] ó ovelhas minhas, ovelhas do meu pasto; homens _sois_;
_porém_ eu _sou_ o vosso Deus, diz o Senhor JEHOVAH.
[1] cap. 33.24.
[2] Jer. 23.1. Zac. 11.17.
[3] cap. 33.25, 26. Miq. 3.1, 2, 3.
[4] ver. 16. Zac. 11.16.
[5] Luc. 15.4. I Ped. 5.3.
[6] cap. 33.21, 28. I Sam. 22.17. Mat. 9.36. Isa. 56.9. Jer. 12.9. ver. 8.
[7] ver. 5, 6.
[8] ver. 2, 10.
[9] cap. 3.18. Heb. 13.17.
[10] ver. 2, 8.
[11] cap. 30.3. Joel 2.2.
[12] Isa. 65.9, 10. Jer. 23.3. cap. 28.25 e 36.24 e 37.21, 22.
[13] Jer. 33.12.
[14] ver. 4. Isa. 40.11. Miq. 4.6. Mat. 18.11. Mar. 2.17. Luc. 5.32.
[15] Amós 4.1.
[16] cap. 20.37, 38. ver. 20, 22. Mat. 25.32, 33.
[17] ver. 17.
[18] ver. 17.
[19] Isa. 40.11. Jer. 23.4, 5. João 10.11. Heb. 13.20. I Ped. 2.25 e 5.4.
[20] Jer. 30.9. cap. 37.24, 25. Ose. 3.5.
[21] ver. 30. Exo. 29.45. cap. 37.27.
[22] cap. 37.26. Lev. 26.6. Isa. 11.6-9 e 35.9. Ose. 2.18. ver. 28. Jer.
23.6.
[23] Isa. 56.7. Gen. 12.2. Isa. 19.24.
[24] Lev. 26.4. Isa. 4.2.
[25] Lev. 26.13. Jer. 2.20.
[26] Jer. 25.14.
[27] ver. 8.
[28] ver. 25. Jer. 30.10.
[29] Isa. 11.1. Jer. 23.5.
[30] cap. 36.3, 6, 15.
[31] ver. 24. cap. 37.27.
[32] João 10.11.
_Prophecia contra o monte de Seir._
35 E veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, [1] dirige o teu rosto contra o monte de Seir, e
prophetiza contra elle.
3 E dize-lhe: Assim diz o Senhor JEHOVAH: Eis que eu estou contra ti, ó
monte de Seir, [2] e estenderei a minha mão contra ti, e te porei _em_
assolação e espanto.
4 [3] As tuas cidades porei _em_ solidão, e tu te tornarás _em_
assolação; e saberás que eu _sou_ o Senhor.
5 Porquanto guardas inimizade perpetua, e fizeste derramar os filhos
d’Israel pela violencia da espada [4] no tempo da extrema iniquidade,
6 Por isso vivo eu, diz o Senhor JEHOVAH, que te preparei para sangue, e
o sangue te perseguirá; pois que não aborreceste o sangue, o sangue te
perseguirá.
7 E farei do monte de Seir uma extrema assolação, [5] e exterminarei
d’elle o que _por elle_ passar, e o que _por elle_ tornar.
8 E [6] encherei os seus montes dos seus traspassados; nos teus outeiros,
e nos teus valles, e em todas as tuas correntes cairão os traspassados á
espada.
9 _Em_ assolações perpetuas [7] te porei, e as tuas cidades nunca mais
serão habitadas: [8] assim sabereis que eu _sou_ o Senhor.
10 Porquanto dizes: Os dois povos e as duas terras serão minhas, [9] e as
possuiremos, sendo que o Senhor se achava ali,
11 Portanto, vivo eu, diz o Senhor JEHOVAH, [10] que usarei conforme a
tua ira, e conforme a tua inveja, de que usaste, com o teu odio, contra
elles; e serei conhecido d’elles, quando te julgar.
12 E [11] saberás que eu, o Senhor, ouvi todas as tuas blasphemias, que
disseste contra os montes d’Israel, dizendo: _Já_ estão assolados, a nós
nos são entregues por pasto.
13 Assim [12] vos engrandecestes contra mim com a vossa bocca, e
multiplicastes as vossas palavras contra mim: eu o ouvi.
14 Assim diz o Senhor JEHOVAH: [13] Quando se alegra toda a terra te
porei em assolação.
15 Como [14] te alegraste da herança da casa de Israel, porque está
assolada, assim te farei a ti: [15] em assolação serás tomado, ó monte
de Seir, e todo o Edom, todo, _digo_; e saberão que eu _sou_ o Senhor.
[1] cap. 6.2. Deu. 2.5.
[2] cap. 6.14.
[3] ver. 9. Abd. 10.
[4] cap. 21.25, 29. Dan. 9.24. Abd. 11.
[5] cap. 29.11.
[6] cap. 31.12 e 32.5.
[7] Jer. 49.17, 18. ver. 4. Mal. 1.3, 4.
[8] cap. 6.7 e 7.4, 9 e 36.11.
[9] cap. 36.5. Abd. 13.
[10] Mat. 7.2. Thi. 2.13.
[11] cap. 6.7.
[12] I Sam. 2.3. Apo. 13.6.
[13] Isa. 65.13, 14.
[14] Abd. 12, 15.
[15] ver. 3, 4.
_Prophecia feita aos montes de Israel._
36 E tu, ó filho do homem, [1] prophetiza aos montes de Israel, e dize:
Montes de Israel, ouvi a palavra do Senhor.
2 Assim diz o Senhor JEHOVAH: [2] Porquanto diz o inimigo sobre vós: Ah!
ah! até as eternas alturas são por nossa herança;
3 Portanto, prophetiza, e dize: Assim diz o Senhor JEHOVAH: Porquanto vos
assolaram e devoraram em redor, para que vós ficasseis feitos herança do
resto das nações, [3] e estaes levantados em labios do paroleiro, e em
infamia do povo,
4 Portanto, ouvi, ó montes de Israel, a palavra do Senhor JEHOVAH: Assim
diz o Senhor JEHOVAH aos montes e aos outeiros, ás correntes e aos
valles, aos logares assolados e solitarios, e ás cidades desamparadas,
que se tornaram em rapina e em escarneo ao resto das nações que lhes
_estão_ em redor;
5 Portanto, assim diz o Senhor JEHOVAH: [4] Certamente no fogo do meu
zelo fallei contra o resto das nações, e contra todo o Edom, [5] que
se appropriaram da minha terra, com alegria de todo o coração, e com
menosprezo da alma, para ser lançada fóra á rapina.
6 Portanto, prophetiza sobre a terra de Israel, e dize aos montes e aos
outeiros, ás correntes e aos valles: Assim diz o Senhor JEHOVAH: Eis que
fallei no meu zelo e no meu furor, [6] porquanto levastes sobre vós o
opprobrio dos gentios.
7 Portanto, assim diz o Senhor JEHOVAH: [7] Eu levantei a minha mão, para
que os gentios que vos _estão_ em redor levem o seu opprobrio sobre si
mesmos.
8 Porém vós, ó montes de Israel, _ainda_ produzireis o vosso ramo, e
dareis o vosso fructo para o meu povo de Israel; porque estão para vir.
9 Porque eis que eu _estou_ comvosco; e eu me virarei para vós, e sereis
lavrados e semeados.
10 E multiplicarei os homens sobre vós, a toda a casa de Israel, a toda
ella: e as cidades serão habitadas, [8] e as solidões serão edificadas.
11 E [9] multiplicarei homens e bestas sobre vós, e se multiplicarão, e
fructificarão: e vos farei habitar como d’antes, e o farei melhor que nos
vossos principios; [10] e sabereis que eu _sou_ o Senhor.
12 E farei andar sobre vós uns homens; o meu povo de Israel: elles te
possuirão, [11] e serás a sua herança, e nunca mais os desfilharás.
13 Assim diz o Senhor JEHOVAH: Porquanto vos dizem: [12] Tu és uma
_terra_ que devora os homens, e és uma _terra_ que desfilha os seus povos;
14 Por isso tu não devorarás mais os homens, nem desfilharás mais os teus
povos, diz o Senhor JEHOVAH.
15 E farei que nunca mais se [13] ouça em ti a affronta dos gentios; nem
levarás mais sobre ti o opprobrio das gentes, nem mais desfilharás a tua
nação, diz o Senhor JEHOVAH.
_A restauração de Israel._
16 E veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:
17 Filho do homem, quando a casa de Israel habitava na sua terra, [14]
então a contaminaram com os seus caminhos e com as suas acções: [15] como
a immundicia de uma mulher separada, era o seu caminho perante o meu
rosto.
18 Derramei pois o meu furor sobre elles, [16] por causa do sangue que
derramaram sobre a terra, e dos seus idolos, _com que_ a contaminaram.
19 E os espalhei [17] entre as nações, e foram espalhados pelas terras:
[18] conforme os seus caminhos, e conforme os seus tratos, os julguei.
20 E, chegando ás nações para onde se foram, [19] profanaram o meu sancto
nome; porquanto se dizia d’elles: Estes _são_ o povo do Senhor, e sairam
da sua terra.
21 Porém _os_ poupei [20] por amor do meu sancto nome, o qual a casa de
Israel profanou entre as nações para onde foi.
22 Dize portanto á casa de Israel: Assim diz o Senhor JEHOVAH: Não é por
vosso respeito que eu _o_ faço, ó casa de Israel, porém pelo meu sancto
nome, que profanaste entre as nações para onde vós fostes.
23 E eu sanctificarei o meu grande nome, que foi profanado entre as
nações, o qual profanastes no meio d’ellas; e as nações saberão que eu
_sou_ o Senhor, diz o Senhor JEHOVAH, [21] quando eu fôr sanctificado aos
seus olhos.
24 E vos tomarei [22] d’entre as nações, e vos congregarei de todas as
terras, e vos trarei para a vossa terra.
25 Então espalharei [23] agua pura sobre vós, e ficareis purificados: de
todas as vossas immundicias e de todos os vossos idolos vos purificarei.
26 E vos darei [24] um coração novo, e porei dentro de vós um espirito
novo; e tirarei o coração de pedra da vossa carne, e vos darei um coração
de carne.
27 E porei dentro de vós o meu espirito, [25] e farei que andeis nos meus
estatutos, e guardeis os meus juizos, e _os_ façaes.
28 E habitareis [26] na terra que eu dei a vossos paes, [27] e vós me
sereis por povo, e eu vos serei por Senhor.
29 E vos livrarei [28] de todas as vossas immundicias; e chamarei o
trigo, e o multiplicarei, [29] e não trarei fome sobre vós.
30 E multiplicarei [30] o fructo das arvores, e a novidade do campo, para
que nunca mais recebaes o opprobrio da fome entre as nações.
31 Então vos [31] lembrareis dos vossos maus caminhos, e dos vossos
tratos, que não _foram_ bons; e tereis nojo em vós mesmos das vossas
maldades e das vossas abominações.
32 Não [32] é por amor de vós que eu faço _isto_, diz o Senhor JEHOVAH;
notorio vos seja: envergonhae-vos, e ficae confusa sobre os vossos
caminhos, ó casa de Israel.
33 Assim diz o Senhor JEHOVAH: No dia em que eu vos purificar de todas as
vossas maldades, então farei com que sejam habitadas as cidades [33] e
sejam edificadas as solidões.
34 E a terra assolada se lavrará, em logar de ser assolada aos olhos de
todos os que passavam.
35 E dirão: Esta terra assolada ficou como [34] jardim do Eden; e as
cidades solitarias, e assoladas, e destruidas, estão fortalecidas _e_
habitadas.
36 Então saberão as nações, que ficarem de resto em redor de vós, que eu,
o Senhor, reedifico as _cidades_ destruidas, _e_ planto o assolado: eu, o
Senhor, [35] _o_ fallei, e farei.
37 Assim diz o Senhor JEHOVAH: Ainda por isso serei requerido da casa de
Israel, que lh’o faça: multiplical-os-hei de homens, como a _um_ rebanho.
38 Como o rebanho sanctificado, como o rebanho de Jerusalem nas suas
solemnidades, assim as cidades desertas serão cheias de rebanhos de
homens; e saberão que eu _sou_ o Senhor.
[1] cap. 6.2, 3.
[2] Deu. 32.13. cap. 35.10.
[3] Deu. 28.37. I Reis 9.7. Dan. 9.16.
[4] Deu. 4.24. cap. 38.19.
[5] cap. 35.10, 12.
[6] cap. 34.29. ver. 15.
[7] cap. 20.5.
[8] ver. 33. Isa. 58.12 e 61.4.
[9] Jer. 31.27 e 33.12.
[10] cap. 35.9 e 27.6, 13.
[11] Abd. 17, etc. Jer. 15.7.
[12] Num. 13.32.
[13] cap. 34.29.
[14] Lev. 18.25, 27, 28. Jer. 2.7.
[15] Lev. 15.19, etc.
[16] cap. 16.36, 38 e 24.37.
[17] cap. 22.15.
[18] cap. 18.30 e 39.24.
[19] Isa. 52.5. Rom. 2.24.
[20] cap. 20.9, 14.
[21] cap. 20.41 e 28.22.
[22] cap. 34.13 e 37.21.
[23] Heb. 10.22. Jer. 33.8.
[24] Jer. 32.39. cap. 11.19.
[25] cap. 11.19 e 37.14.
[26] cap. 28.25 e 37.25.
[27] Jer. 30.22. cap. 11.20 e 37.27.
[28] Mat. 1.21. Rom. 11.26.
[29] cap. 34.29.
[30] cap. 34.27.
[31] cap. 16.61, 63. Lev. 26.39. cap. 6.9 e 20.43.
[32] Deu. 9.5. ver. 22.
[33] ver. 10.
[34] Isa. 51.3. cap. 28.13. Joel 2.3.
[35] cap. 17.24 e 22.14 e 37.14.
_A visão d’um valle de ossos seccos._
37 Veiu sobre mim a mão do Senhor, [1] e o Senhor, pelo espirito, me
levou e me poz no meio de um valle que _estava_ cheio de ossos.
2 E me fez passar por toda a roda d’elles; e eis que _eram_ mui numerosos
sobre a face do valle, e eis que _estavam_ sequissimos.
3 E me disse: Filho do homem, _porventura_ viverão estes ossos? E eu
disse: [2] Senhor JEHOVAH, tu _o_ sabes.
4 Então me disse: Prophetiza sobre estes ossos, e dize-lhes: Ossos
seccos, ouvi a palavra do Senhor.
5 Assim diz o Senhor JEHOVAH a estes ossos: Eis que farei entrar em vós o
espirito, e vivereis.
6 E porei nervos sobre vós, e farei crescer carne sobre vós, e sobre vós
estenderei pelle, e porei em vós o espirito, e vivereis, [3] e sabereis
que eu _sou_ o Senhor.
7 Então prophetizei como se me deu ordem; e houve _um_ arroido,
prophetizando eu; e eis que _se fez_ um reboliço, e os ossos se
achegaram, [ABT] _cada_ osso ao seu osso.
8 E olhei, e eis que _vinham_ nervos sobre elles, e cresceu a carne,
e estendeu-se a pelle sobre elles por cima; porém não havia n’elles
espirito.
9 E elle me disse: Prophetiza ao espirito, prophetiza, ó filho do homem,
e dize ao espirito: Assim diz o Senhor JEHOVAH: Vem dos quatro ventos, ó
espirito, e assopra sobre estes mortos, e viverão.
10 E prophetizei como [4] elle me deu ordem: então o espirito entrou
n’elles, e viveram, e se pozeram em seus pés, um exercito grande em
extremo.
11 Então me disse: Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel:
eis que dizem: Os nossos ossos se seccaram, e pereceu a nossa esperança:
nós estamos cortados.
12 Portanto prophetiza, e dize-lhes: Assim diz o Senhor JEHOVAH: [5]
Eis que eu abrirei as vossas sepulturas, e vos farei subir das vossas
sepulturas, ó povo meu, [6] e vos trarei á terra de Israel.
13 E sabereis que eu _sou_ o Senhor, quando eu abrir as vossas
sepulturas, e vos fizer subir das vossas sepulturas, ó povo meu.
14 E porei em vós [7] o meu espirito, e vivereis, e vos metterei na vossa
terra, e sabereis que eu, o Senhor, fallei _isto_, e o fiz, diz o Senhor.
15 E veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:
16 Tu, pois, ó filho do homem, [8] toma um pau, e escreve n’elle: A Judah
e aos filhos de Israel, seus companheiros. E toma outro pau, e escreve
n’elle: A José, o pau de Ephraim, e de toda a casa de Israel, seus
companheiros.
17 E ajunta [9] um ao outro, para que sejam um pau; e serão unidos na tua
mão.
18 E quando te fallarem os filhos do teu povo, dizendo: _Porventura_ [10]
não nos declaras que _significam_ estas coisas?
19 _Então_ lhes dirás: [11] Assim diz o Senhor JEHOVAH: Eis que eu
tomarei o pau de José, que esteve na mão de Ephraim, e das tribus de
Israel, seus companheiros, e os ajuntarei com elle ao pau de Judah, e
farei d’elles um só pau, e elles se farão um só na minha mão.
20 E os paus, sobre que houveres escripto, estarão na tua mão, [12]
perante os olhos d’elles.
21 Dize-lhes pois: Assim diz o Senhor JEHOVAH: [13] Eis que eu tomarei
os filhos de Israel de entre as nações, para onde elles foram, e os
congregarei de todas as partes, e os levarei á sua terra.
22 E d’elles farei [14] uma nação na terra, nos montes d’Israel, e todos
elles terão por _seu_ rei um _só_ rei; [15] e nunca mais serão duas
nações; nunca mais para o futuro se dividirão em dois reinos.
23 E nunca [16] mais se contaminarão com os seus idolos, nem com as suas
abominações, nem com as suas prevaricações, [17] e os livrarei de todas
as suas habitações, em que peccaram, e os purificarei: assim me serão por
povo, e eu lhes serei por Deus.
24 E [18] meu Servo David _será_ rei sobre elles, e todos elles terão um
_só_ pastor; e andarão nos meus juizos, e guardarão os meus estatutos, e
os farão.
25 E [19] habitarão na terra que dei a meu servo Jacob, em que habitaram
vossos paes; e habitarão n’ella, elles e seus filhos, e os filhos de
seus filhos, para sempre, [20] e David, meu servo, _será_ seu principe
eternamente.
26 E farei com elles [21] um concerto de paz; será com elles um concerto
perpetuo; e os porei, [22] e os multiplicarei, e porei o meu sanctuario
no meio d’elles para sempre.
27 E o meu tabernaculo [23] estará com elles, e lhes serei por Deus e
elles me serão por povo.
28 E [24] as nações saberão que eu _sou_ o Senhor que sanctifico a
Israel, quando estiver o meu sanctuario no meio d’elles para sempre.
[1] cap. 1.3 e 3.14 e 8.3 e 11.24. Luc. 4.1.
[2] Deu. 32.39. I Sam. 2.6. João 5.21. II Cor. 1.9.
[3] cap. 6.7 e 35.12. Joel 2.27 e 3.17.
[4] Apo. 11.11.
[5] Isa. 26.19. Ose. 13.14.
[6] cap. 36.24. ver. 25.
[7] cap. 36.27.
[8] Num. 17.2. II Chr. 15.9.
[9] ver. 22, 24.
[10] cap. 12.9 e 24.19.
[11] Zac. 10.6. ver. 16, 17.
[12] cap. 12.3.
[13] cap. 36.24.
[14] Ose. 1.11.
[15] cap. 34.23, 24.
[16] cap. 36.25.
[17] cap. 36.28, 29.
[18] Jer. 23.5 e 30.9. cap. 34.23, 24. Luc. 1.32. João 10.16.
[19] cap. 36.28.
[20] Isa. 60.21. Joel 3.20. Amós 9.15. ver. 24. João 12.34.
[21] Isa. 55.3. cap. 34.25.
[22] cap. 36.10, 37. II Cor. 6.16.
[23] Lev. 26.11, 12. cap. 43.7 e 11.20 e 14.11 e 36.28.
[24] cap. 36.23. cap. 20.12.
_Prophecia contra Gog._
38 Veiu mais a mim a palavra do Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, [1] dirige o teu rosto contra Gog, terra de Magog, [2]
principe e chefe de Mesech e Tubal, e prophetiza contra elle,
3 E dize: Assim diz o Senhor JEHOVAH: Eis que eu _estou_ contra ti, ó
Gog, principe e chefe de Mesech e de Tubal;
4 E [3] te farei voltar, e porei anzoes nos teus queixos, e te levarei
a ti, com todo o teu exercito, cavallos e cavalleiros, todos vestidos
bizarramente, congregação grande, _com_ escudo e rodela, manejando todos
a espada:
5 Persas, ethiopes, e puteos com elles, todos elles _com_ escudo e
capacete;
6 Gomer [4] e todas as suas tropas, a casa de Togarma, _da_ banda do
norte, e todas as suas tropas, muitos povos comtigo.
7 Prepara-te, [5] e dispõe-te, tu e todas as tuas congregações que se
ajuntaram ao pé de ti, e serve-lhes tu de guarda.
8 Depois [6] de muitos dias serás visitado: no fim dos annos virás á
terra que se retirou da espada, [7] e _que foi_ congregada d’entre muitos
povos aos montes de Israel, que sempre serviram de assolação; mas
aquella _terra_ foi tirada d’entre os povos, [8] e todos elles habitarão
seguramente.
9 Então subirás, [9] virás como uma tempestade, far-te-has como uma nuvem
para cobrir a terra, tu e todas as tuas tropas, e muitos povos comtigo.
10 Assim diz o Senhor JEHOVAH: E será n’aquelle dia _que_ subirão
conselhos sobre o teu coração, e maquinarás um mau designio,
11 E dirás: Subirei contra a terra das aldeias, [10] virei contra os que
estão em repouso, que habitam seguros; todos elles habitam sem muro, e
não teem ferrolho nem portas;
12 Para despojar o despojo, e para roubar o roubo, [11] para tornar a tua
mão contra as terras desertas que _agora_ se habitam, e contra o povo que
se ajuntou d’entre as nações, e _já_ tem gado e possessões, que habita no
meio da terra.
13 Sheba, [12] e Dedan, e os mercadores de Tarsis, e todos os seus
leõesinhos te dirão: _Porventura_ tu vens a despojar o despojo? ou
ajuntaste o teu ajuntamento para roubar o roubo? para levar a prata e o
oiro, para tomar o gado e possessões, para despojar o grande despojo?
14 Portanto, prophetiza, ó filho do homem, e dize a Gog: Assim diz o
Senhor JEHOVAH: [13] _Porventura_ não o experimentarás n’aquelle dia,
quando o meu povo Israel habitar com segurança?
15 Virás pois [14] do teu logar, das bandas do norte, tu e muitos povos
comtigo, montados todos a cavallo, grande ajuntamento, e exercito
numeroso,
16 E [15] subirás contra o meu povo Israel, como uma nuvem, para cobrir
a terra: no fim dos dias succederá; então te trarei contra a minha
terra, [16] para que as nações me conheçam a mim, quando eu me houver
sanctificado em ti aos seus olhos, ó Gog.
17 Assim diz o Senhor JEHOVAH: _Porventura_ não _és_ tu aquelle de quem
eu disse nos dias antigos, pelo ministerio de meus servos, os prophetas
de Israel, que n’aquelles dias prophetizaram _largos_ annos, que te
traria contra elles?
18 Succederá, porém, n’aquelle dia, no dia _em que_ vier Gog contra a
terra de Israel, diz o Senhor JEHOVAH, que a minha indignação subirá a
meus narizes.
19 Porque fallei no meu zelo, [17] no fogo do meu furor, [18] que
n’aquelle dia haverá grande tremor sobre a terra de Israel;
20 _De tal maneira_ que [19] tremerão diante da minha face os peixes do
mar, e as aves do céu, e os animaes do campo, e todos os reptis que se
arrastam sobre a terra, e todos os homens que _estão_ sobre a face da
terra; [20] e os montes serão deitados abaixo, e os precipicios cairão, e
todos os muros cairão á terra.
21 Porque [21] chamarei sobre elle a espada por todos os meus montes,
[22] diz o Senhor JEHOVAH: a espada de cada um se voltará contra seu
irmão.
22 E contenderei com elle [23] pela peste e pelo sangue; e _uma_ chuva
inundante, [24] e grandes pedras de saraiva, fogo, e enxofre choverei
sobre elle, e sobre as suas tropas, e sobre os muitos povos que
_estiverem_ com elle.
23 Assim eu me engrandecerei [25] e me sanctificarei, e me farei conhecer
aos olhos de muitas nações; e saberão que eu _sou_ o Senhor.
[1] cap. 39.1. cap. 35.2, 3.
[2] cap. 32.26.
[3] II Reis 19.28. cap. 39.2.
[4] Gen. 10.2. cap. 27.14.
[5] Isa. 8.9, 10. Jer. 46.3, 4, 14 e 51.12.
[6] Deu. 4.30.
[7] ver. 12. cap. 34.13. cap. 36.1, 4, 8.
[8] Jer. 23.6. cap. 34.23.
[9] Isa. 28.2. Jer. 4.13. ver. 16.
[10] Jer. 49.31. ver. 8.
[11] cap. 36.34, 35. ver. 8.
[12] cap. 27.22, 23. cap. 27.15, 20. cap. 27.12.
[13] Isa. 4.1. ver. 8.
[14] cap. 39.2. ver. 6.
[15] ver. 9.
[16] cap. 3.23 e 39.21.
[17] cap. 36.5, 6 e 39.25.
[18] Apo. 16.18.
[19] Ose. 4.3.
[20] Jer. 4.24.
[21] cap. 14.17.
[22] I Sam. 14.20. II Chr. 20.23.
[23] Isa. 66.16. cap. 5.17. Isa. 29.6 e 30.30.
[24] cap. 13.11. Apo. 16.21.
[25] cap. 36.23 e 37.28 e 39.7. ver. 16.
39 Tu pois, [1] ó filho do homem, prophetiza _ainda_ contra Gog, e dize:
Assim diz o Senhor JEHOVAH: Eis que eu _estou_ contra ti, ó Gog, principe
e chefe de Mesech e de Tubal.
2 E te farei voltar, e te porei seis anzoes, [2] e te farei subir das
bandas do norte, e te trarei aos montes de Israel.
3 E tirarei o teu arco da tua mão esquerda, e farei cair as tuas frechas
da tua mão direita.
4 Nos montes de Israel cairás, [3] tu e todas as tuas tropas, e os povos
que _estão_ comtigo; [4] e ás aves de rapina, _e_ ás aves de toda a aza,
e aos animaes do campo, te dei por pasto.
5 Sobre a face do campo cairás, porque eu _o_ fallei, diz o Senhor
JEHOVAH.
6 E [5] enviarei um fogo a Magog, e entre os que habitam seguros nas
ilhas; e saberão que eu _sou_ o Senhor.
7 E [6] farei conhecido o meu sancto nome no meio do meu povo Israel, e
nunca mais deixarei profanar o meu sancto nome; [7] e as nações saberão
que eu _sou_ o Senhor, o Sancto em Israel.
8 Eis que é vindo, e será feito, diz o Senhor JEHOVAH: este _é_ o dia
_de_ que tenho fallado.
9 E os habitantes das cidades de Israel sairão, e accenderão _fogo_, e
queimarão as armas, e os escudos e as rodelas, com os arcos, e com as
frechas, e com os bastões de mão, e com as lanças; e accenderão fogo com
ellas por sete annos.
10 E não trarão lenha do campo, nem _a_ cortarão dos bosques, mas com as
armas accenderão fogo; e roubarão aos que os roubaram, [8] e despojarão
aos que os despojaram, diz o Senhor JEHOVAH.
11 E succederá que, n’aquelle dia, darei ali a Gog _um_ logar de
sepultura em Israel, o valle dos que passam ao oriente do mar; e este
tapará _os narizes_ aos que passarem; e ali sepultarão a Gog, e a toda a
sua multidão, e lhe chamarão o valle [ABU] da multidão de Gog.
12 E a casa de Israel os enterrará por sete mezes, [9] para purificar a
terra.
13 Pois todo o povo da terra os enterrará, [10] e lhes será de nomeada o
dia _em que_ eu fôr glorificado, diz o Senhor JEHOVAH.
14 E separarão uns homens que incessantemente passarão pela terra, para
que elles, juntamente com os que passam, sepultem os que tiverem ficado
sobre a face da terra, [11] para a purificarem: ao cabo de sete mezes
farão esta busca.
15 E os que passam pela terra passarão, e, vendo _algum_ o osso de um
homem, lhe levantará ao pé um signal, até que os enterradores o houverem
enterrado no valle da [ABV] multidão de Gog.
16 E tambem o nome da cidade _será_ [ABW] Hamona: assim purificarão a
terra.
17 Tu, pois, ó filho do homem, assim diz o Senhor JEHOVAH, dize ás aves
de toda a aza, e a todos os animaes do campo: [12] Ajuntae-vos e vinde,
congregae-vos de ao redor para o meu sacrificio, que eu sacrifiquei por
vós, um sacrificio grande, [13] nos montes de Israel, e comei carne e
bebei sangue.
18 Comereis [14] a carne dos principes da terra; dos carneiros, dos
cordeiros, e dos bodes, _e_ dos bezerros, [15] todos cevados de Basan.
19 E comereis a gordura até vos fartardes, e bebereis o sangue até vos
embebedardes, do meu sacrificio, que sacrifiquei por vós.
20 E vos fartareis á minha mesa, de cavallos, e de carros, [16] de
valentes, e de todos os homens de guerra, diz o Senhor JEHOVAH.
21 E [17] eu porei a minha gloria entre as nações, e todas as nações
verão o meu juizo, que eu tiver executado, e a minha mão, [18] que sobre
ellas tiver carregado.
22 E saberão os da casa [19] de Israel que eu _sou_ o Senhor seu Deus,
desde aquelle dia em diante.
23 E as nações saberão [20] que os da casa d’Israel, por causa da sua
iniquidade, foram levados em captiveiro, porque se rebellaram contra mim,
e eu escondi d’elles a minha face, [21] e os entreguei nas mãos de seus
adversarios, e todos cairam á espada.
24 Conforme a sua [22] immundicia e conforme as suas prevaricações usei
com elles, e escondi d’elles a minha face.
25 Portanto assim diz o Senhor JEHOVAH: [23] Agora tornarei a trazer
os captivos de Jacob, [24] e me compadecerei de toda a casa d’Israel;
zelarei pelo meu sancto nome;
26 Quando houverem levado [25] sobre si a sua vergonha, e toda a sua
rebeldia, _com_ que se rebellaram contra mim, [26] habitando elles
seguros na sua terra, sem haver quem os espantasse.
27 Quando [27] eu os tornar a trazer de entre os povos, e os houver
ajuntado das terras de seus inimigos, [28] e eu fôr sanctificado n’elles
aos olhos de muitas nações,
28 Então saberão [29] que eu _sou_ o Senhor seu Deus, vendo que eu os fiz
levar em captiveiro entre as nações, e os tornei a ajuntar para a sua
terra, e nenhum d’elles deixei lá mais.
29 Nem [30] esconderei mais a minha face d’elles, quando eu houver
derramado o meu espirito [31] sobre a casa de Israel, diz o Senhor
JEHOVAH.
[1] cap. 38.2, 3.
[2] cap. 38.15.
[3] ver. 17.
[4] cap. 33.27.
[5] cap. 38.23. Amós 1.4.
[6] ver. 22. Lev. 18.21. cap. 20.39.
[7] cap. 38.16, 23.
[8] Isa. 14.2.
[9] Deu. 21.23. ver. 14, 16.
[10] cap. 28.22.
[11] ver. 12.
[12] Jer. 12.9. Sof. 1.7.
[13] ver. 4.
[14] Apo. 19.18.
[15] Deu. 32.14.
[16] Apo. 19.18.
[17] cap. 38.16, 23.
[18] Exo. 7.4.
[19] ver. 7, 28.
[20] cap. 36.18, 19, 20, 23.
[21] Lev. 26.25.
[22] cap. 36.19.
[23] Jer. 30.3, 18. cap. 34.13 e 36.24.
[24] cap. 20.40.
[25] Dan. 9.16.
[26] Lev. 26.5, 6.
[27] cap. 28.25, 26.
[28] cap. 36.23, 24 e 38.16.
[29] cap. 34.30. ver. 22.
[30] Isa. 54.8.
[31] Joel 2.28. Zac. 12.10.
_A restauração do templo: os atrios e os vestibulos._
[Antes de Christo 574]
40 No anno vinte e cinco do nosso captiveiro, no principio do anno, no
decimo _dia_ do mez, [1] quatorze annos depois que a cidade foi ferida,
n’aquelle mesmo dia veiu sobre mim a mão do Senhor, e me levou para lá.
2 Em visões [2] de Deus me levou á terra d’Israel, e me poz sobre _um_
monte mui alto, e _havia_ sobre elle como edificio de cidade para a banda
do sul.
3 E, havendo-me levado ali, [3] eis que um homem cujo parecer _era_ como
o parecer de cobre _tinha_ um cordel de linho na sua mão [4] e uma canna
de medir; e elle estava em pé na porta.
4 E disse-me o homem: [5] Filho do homem, vê com os teus olhos, e ouve
com os teus ouvidos, e põe no teu coração tudo quanto eu te fizer vêr;
porque afim de t’_o_ mostrar foste tu aqui trazido: [6] annuncia _pois_ á
casa de Israel tudo quanto tu vires.
5 E eis um muro [7] fóra da casa em redor, e na mão do homem _uma_ canna
de medir, de seis covados, _cada covado_ d’um covado e um palmo, e mediu
a largura do edificio, d’uma canna, e a altura, d’uma canna.
6 Então veiu á porta que olhava para o caminho do oriente, e subiu pelos
seus degraus; mediu o umbral da porta, uma canna de largo, e o outro
umbral, d’uma canna de largo.
7 E _cada_ camarinha _era_ uma canna de comprido, e outra canna de largo,
e entre as camarinhas _havia_ cinco covados; e o umbral da porta, ao pé
do vestibulo da porta, era d’uma canna, por dentro.
8 Tambem mediu o vestibulo da porta por dentro, d’uma canna.
9 Então mediu o _outro_ alpendre da porta, de oito covados, e os seus
pilares, de dois covados, e o vestibulo da porta, por dentro.
10 E as camarinhas da porta do caminho para o oriente _eram_ tres d’esta
e tres da outra banda, uma mesma medida _era_ a das tres: tambem os
pilares d’esta e da outra banda _tinham_ a mesma medida.
11 Mediu mais a largura da entrada da porta, de dez covados; _e_ o
comprimento da porta, treze covados.
12 E o espaço de diante das camarinhas _era_ de um covado, e de um covado
o espaço da outra banda: e _cada_ camarinha _tinha_ seis covados d’uma e
seis covados da outra banda.
13 Então mediu a porta desde o telhado d’uma camarinha até ao telhado da
outra, vinte e cinco covados de largo, porta contra porta.
14 Tambem fez pilares de sessenta covados, a saber, para o pilar do
atrio, em roda da porta.
15 E, desde a dianteira da porta da entrada até á dianteira do vestibulo
da porta interior, _havia_ cincoenta covados.
16 _Fez_ [8] tambem janellas de fechar nas camarinhas, e nos seus
pilares, dentro da porta ao redor, e da mesma sorte nos vestibulos: e
as janellas estavam á roda pela parte de dentro, e nos pilares _havia_
palmas.
17 E elle me levou [9] ao atrio exterior; e eis que _havia_ n’elle
camaras, e um [ABX] solhado _que estava_ feito no atrio em redor: trinta
camaras _havia_ n’aquelle solhado.
18 E o solhado da banda das portas _era_ a par do comprimento das portas:
o solhado estava debaixo.
19 E mediu a largura da dianteira do atrio interior, por fóra, cem
covados, da banda do oriente e do norte.
20 E, quanto á porta que olhava para o caminho do norte, no atrio
exterior, elle mediu o seu comprimento e a sua largura.
21 E as suas camarinhas, tres d’uma banda, e tres da outra, e os seus
pilares e os seus vestibulos eram da medida da primeira porta: cincoenta
covados _era_ o seu comprimento, e a largura vinte e cinco covados.
22 E as suas janellas, e os seus vestibulos, e as suas palmas, _eram_ da
medida da porta que olhava para o caminho do oriente; e subiam a ella por
sete degraus, e os seus vestibulos estavam diante d’ellas.
23 E _estava_ a porta do atrio interior defronte da porta do norte e do
oriente; e mediu de porta a porta cem covados.
24 Então elle me levou ao caminho do sul, e eis _uma_ porta que olhava
para o caminho do sul, e mediu os seus pilares e os seus vestibulos
conforme estas medidas.
25 E _tinha_ tambem janellas em redor dos seus vestibulos, como estas
janellas: cincoenta covados o comprimento, e a largura vinte e cinco
covados.
26 E de sete degraus _eram_ as suas subidas, e os seus vestibulos diante
d’ellas; e tinha _umas_ palmas, uma d’uma banda e outra da outra banda,
nos seus pilares.
27 Tambem _havia_ uma porta no atrio interior para o caminho do sul; e
mediu de porta a porta, para o caminho do sul, cem covados.
28 Então me levou ao atrio interior pela porta do sul; e mediu a porta do
sul, conforme estas medidas.
29 E as suas camarinhas, e os seus pilares, e os seus vestibulos _eram_
conforme estas medidas; e tinham tambem janellas ao redor dos seus
vestibulos: o comprimento _era_ de cincoenta covados, e a largura de
vinte e cinco covados.
30 E _havia_ vestibulos em redor: [10] o comprimento _era_ de vinte e
cinco covados, e a largura de cinco covados.
31 E os seus vestibulos _estavam_ no atrio exterior, e _tinham_ palmas
nos seus pilares; e de oito degraus _eram_ as suas subidas.
32 Depois me levou ao atrio interior, para o caminho do oriente, e mediu
a porta conforme estas medidas;
33 Como tambem as suas camarinhas, e os seus pilares, e os seus
vestibulos, conforme estas medidas; e _tinha_ tambem janellas em redor
dos seus vestibulos: o comprimento de cincoenta covados, e a largura de
vinte e cinco covados.
34 E os seus vestibulos _estavam_ no atrio de fóra: tambem _havia_ palmas
nos seus pilares de uma e de outra banda; e _eram_ as suas subidas de
oito degraus.
35 Então me levou á porta do norte, e mediu conforme estas medidas;
36 As suas camarinhas, os seus pilares, e os seus vestibulos; tambem
tinha janellas em redor: o comprimento _era_ de cincoenta covados, e a
largura de vinte e cinco covados.
37 E os seus pilares _estavam_ no atrio exterior: tambem _havia_ palmas
nos seus pilares de uma e de outra banda; e _eram_ as suas subidas de
oito degraus.
38 E a sua camara e a sua porta _estavam_ junto aos pilares das portas
onde levavam o holocausto.
39 E no vestibulo da porta _havia_ duas mesas de uma banda, e duas mesas
da outra, para n’ellas se degolar o holocausto [11] e o sacrificio pelo
peccado e pela culpa.
40 Tambem da banda de fóra da subida para a entrada da porta do norte
_havia_ duas mesas; e da outra banda, que _estava_ no vestibulo da porta,
_havia_ duas mesas.
41 Quatro mesas de uma, e quatro mesas da outra banda; aos lados da porta
oito mesas, sobre as quaes immolavam.
42 E as quatro mesas para o holocausto _eram_ de pedras lavradas: o
comprimento era de um covado e meio, e a largura de um covado e meio, e
a altura de um covado: e sobre ellas se punham os instrumentos com que
immolavam o holocausto e o sacrificio.
43 E as pedras do lar _eram_ de um palmo _de grossura_, postas na casa em
redor, e sobre as mesas a carne da offerta.
44 E fóra da porta interior _estavam_ as camaras dos cantores, [12] no
atrio de dentro, que _estava_ da banda da porta do norte e olhava para o
caminho do sul: uma _estava_ á banda da porta do oriente, _a qual_ olhava
para o caminho do norte.
45 E elle me disse: Esta camara que olha para o caminho do sul _é_ para
os sacerdotes [13] que teem a guarda do templo.
46 Mas a camara que olha para o caminho do norte _é_ para os sacerdotes
[14] que teem a guarda do altar: estes _são_ os filhos de Zadoc, que se
chegam ao Senhor, d’entre os filhos de Levi, para o servir.
47 E mediu o atrio: o comprimento de cem covados e a largura de cem
covados, quadrado; e o altar _estava_ diante do templo.
48 Então me levou ao vestibulo do templo, e mediu a _cada_ pilar do
vestibulo, cinco covados de uma banda, e cinco covados da outra; e a
largura da porta, tres covados de uma banda, e tres covados da outra.
49 O [15] comprimento do vestibulo era de vinte covados, e a largura de
onze covados, e com degraus, pelos quaes se subia; e _havia_ columnas
junto aos pilares, [16] uma de uma banda e outra da outra.
[1] cap. 33.21. cap. 1.3.
[2] cap. 8.3. Apo. 21.1.
[3] Dan. 10.6. cap. 47.3.
[4] Apo. 11.1 e 21.15.
[5] cap. 44.5.
[6] cap. 43.10.
[7] cap. 42.20.
[8] I Reis 6.4.
[9] Apo. 11.2. I Reis 6.5.
[10] ver. 21, 25, 33.
[11] Lev. 4.2, 3. Lev. 5.6 e 6.6 e 7.1.
[12] I Chr. 6.31.
[13] Lev. 8.35. Num. 3.27, 28, 32, 38 e 18.5. I Chr. 9.23.
[14] Num. 18.5. cap. 44.15. I Reis 2.35. cap. 43.19 e 44.15, 16.
[15] I Reis 6.3.
[16] I Reis 7.21.
_A restauração do templo: o sanctuario._
41 Então me levou ao templo, e mediu os pilares, seis covados de largura
de uma banda, e seis covados de largura da outra, que era a largura da
tenda.
2 E a largura da entrada, dez covados; e as bandas da entrada, cinco
covados de uma banda e cinco covados da outra: tambem mediu o seu
comprimento, de quarenta covados, e a largura, de vinte covados.
3 E entrou dentro, e mediu o pilar da entrada, dois covados, e a entrada,
seis covados, e a largura da entrada, sete covados.
4 Tambem [1] mediu o seu comprimento, vinte covados, e a largura,
vinte covados, diante do templo, e me disse: Esta _é_ a Sanctidade das
Sanctidades.
5 E mediu a parede do templo, seis covados, e a largura das camaras
lateraes, quatro covados, por todo o redor do templo.
6 E [2] as camaras lateraes, camara sobre camara, _eram_ trinta e tres
por ordem, e entravam na parede _que_ tocava no templo pelas camaras
lateraes em redor, para travarem _d’ellas_, porque não travavam da parede
do templo.
7 E [3] _havia maior_ largura e volta nas camaras lateraes para cima,
porque [ABY] o caracol do templo _subia_ mui alto por todo o redor do
templo, por isso que o templo _tinha mais_ largura para cima; e assim da
camara baixa se subia á mais alta pelo meio.
8 E olhei para a altura do templo em redor: _e eram_ os fundamentos das
camaras lateraes _da medida_ de uma canna inteira, [4] seis covados, _o
covado tomado_ até ao sobaco.
9 A grossura da parede das camaras lateraes de fóra _era_ de cinco
covados; e o que foi deixado vazio _era_ o logar das camaras lateraes,
que _estavam_ junto ao templo.
10 E entre as camaras _havia_ a largura de vinte covados por todo o redor
do templo.
11 E as entradas das camaras lateraes _estavam_ voltadas para o _logar_
vazio: uma entrada para o caminho do norte, e outra entrada para _o_ do
sul: e a largura do logar vazio _era_ de cinco covados em redor.
12 Era tambem o edificio que _estava_ diante da separação, _á_ esquina
do caminho do occidente, da largura de setenta covados; e a parede do
edificio de cinco covados de largura em redor; e o seu comprimento _era_
de noventa covados.
13 E mediu o templo, do comprimento de cem covados, como tambem a
separação, e o edificio, e as suas paredes, cem covados de comprimento.
14 E a largura da dianteira do templo, e da separação para o oriente, de
uma e de outra parte, de cem covados.
15 Tambem mediu o comprimento do edificio, diante da separação, que lhe
_estava_ por detraz, e as suas galerias de uma e de outra parte, de cem
covados, com o templo de dentro e os vestibulos do atrio.
16 Os umbraes e as janellas estreitas, [5] e as galerias em redor dos
tres, defronte do umbral, _estavam_ cobertas de madeira em redor; e _isto
desde_ o chão até ás janellas; e as janellas _estavam_ cobertas.
17 Até _ao que havia_ em cima da porta, e até ao templo de dentro e de
fóra, e até toda a parede em redor, por dentro e por fóra, _tudo por_
medida.
18 E [6] _foi_ feito _com_ cherubins e palmas, de maneira que _cada_
palma _estava_ entre cherubim e cherubim, e _cada_ cherubim tinha dois
rostos,
19 A saber: [7] um rosto de homem _olhava_ para a palma d’uma banda, e um
rosto de leãosinho para a palma da outra: _assim_ foi feito por toda a
casa em redor.
20 Desde o chão até por cima da entrada _estavam_ feitos os cherubins e
as palmas, como tambem _pela_ parede do templo.
21 As hombreiras do templo _eram_ quadradas, e, no tocante á dianteira do
sanctuario, a feição _d’uma era_ como a feição _da outra_.
22 O altar [8] de madeira _era_ de tres covados de altura, e o seu
comprimento de dois covados, e tinha as suas esquinas; e [ABZ] o seu
comprimento e as suas paredes _eram_ de madeira; e me disse: [9] Esta _é_
a mesa que _está_ perante a face do Senhor.
23 E o templo e o sanctuario _ambos_ tinham duas portas.
24 E havia dois batentes para as portas: dois batentes que viravam; dois
para uma porta, e dois batentes para a outra.
25 E _foram_ feitos n’ellas, nas portas do templo, cherubins e palmas,
como _estavam_ feitos nas paredes, e _havia_ uma trave grossa de madeira
na dianteira do vestibulo por fóra.
26 E _havia_ janellas estreitas, e palmas, d’uma e d’outra banda, pelas
bandas do vestibulo, como tambem nas camaras do templo e _nas_ grossas
traves.
[1] I Reis 6.20. II Chr. 3.8.
[2] I Reis 6.5, 6.
[3] I Reis 6.8.
[4] cap. 40.5.
[5] cap. 40.16. ver. 26.
[6] I Reis 6.29.
[7] cap. 1.10.
[8] Exo. 30.1.
[9] cap. 44.16. Mal. 1.7, 12. Exo. 30.8.
_A restauração do templo: as camaras sanctas._
42 Depois d’isto fez-me sair para fóra, ao atrio exterior, para a banda
do caminho do norte; [1] e me levou ás camaras que _estavam_ defronte do
largo vazio, e que _estavam_ defronte do edificio, da banda do norte.
2 Defronte do comprimento de cem covados _era_ a entrada do norte: e a
largura _era_ de cincoenta covados.
3 Defronte dos vinte _covados_, que _tinha_ o atrio interior, e defronte
do pavimento que _tinha_ o atrio exterior, [2] _havia_ galeria contra
galeria em tres _andares_.
4 E diante das camaras _havia_ um passeio de dez covados de largo, da
banda de dentro, e um caminho d’um covado, e as suas entradas da banda do
norte.
5 E as camaras de cima _eram mais_ estreitas; porquanto as galerias
eram mais altas do que aquellas, _a saber_, as de baixo e as do meio do
edificio.
6 Porque ellas _eram_ de tres _andares_, porém não tinham columnas como
as columnas dos atrios; por isso desde o chão se iam estreitando, mais do
que as de baixo e as do meio.
7 E o muro que _estava_ de fóra, defronte das camaras, no caminho do
atrio exterior, por diante das camaras, _tinha_ cincoenta covados de
comprimento.
8 Porque o comprimento das camaras, que _tinha_ o atrio exterior, _era
de_ cincoenta covados; e eis que defronte do templo _havia_ cem covados.
9 E debaixo d’estas camaras _estava_ a entrada do oriente, quando se
entra n’ellas do atrio de fóra.
10 Na largura do muro do atrio _para_ o caminho do oriente, diante do
logar vazio, e diante do edificio, _havia_ tambem camaras.
11 E o caminho [3] de diante d’ellas _era_ da feição das camaras, e
olhava _para_ o caminho do norte; conforme o seu comprimento, assim _era_
a sua largura; e todas as suas saidas _eram_ tambem conforme as suas
feições, e conforme as suas entradas.
12 E conforme as entradas das camaras, que olhavam _para_ o caminho do
sul, havia _tambem_ uma entrada no topo do caminho, do caminho de diante
do muro direito, para o caminho do oriente, quando se entra por ellas.
13 Então me disse: As camaras do norte, _e_ as camaras do sul, que
_estão_ diante do logar vazio, ellas _são_ camaras sanctas, [4] em que os
sacerdotes, que se chegam ao Senhor, comerão as coisas mais sanctas: ali
porão as coisas mais sanctas, [5] e as offertas de comer, e a expiação
pelo peccado, e a expiação pela culpa; porque o logar _é_ sancto.
14 Quando [6] os sacerdotes entrarem, não sairão do sanctuario para o
atrio exterior, mas porão ali as suas vestiduras com que ministraram,
porque ellas _são_ sanctidade; e vestir-se-hão d’outras vestiduras, e
_assim_ se approximarão do [ACA] que toca ao povo.
15 E, acabando elle de medir o templo interior, elle me fez sair pelo
caminho da porta, cuja face olha _para_ o caminho do oriente; e a mediu
em redor.
16 Mediu a banda oriental com a canna de medir, quinhentas cannas com a
canna de medir ao redor.
17 Mediu a banda do norte, quinhentas cannas com a canna de medir ao
redor.
18 A banda do sul _tambem_ mediu, quinhentas cannas com a canna de medir.
19 Deu uma volta para a banda do occidente, _e_ mediu quinhentas cannas
com a canna de medir.
20 Pelas quatro bandas a mediu, _e_ tinha um muro em redor, [7]
quinhentas _cannas_ de comprimento, e quinhentas de largura, para fazer
separação entre o sancto e o profano.
[1] cap. 41.12, 5.
[2] cap. 41.16.
[3] ver. 4.
[4] Lev. 6.16, 26 e 24.9.
[5] Lev. 2.3, 10 e 6.14, 17, 25, 29 e 7.1.
[6] cap. 44.19.
[7] cap. 40.5 e 45.2.
_A restauração do templo: a gloria do Senhor._
43 Então me levou á porta, á porta que olha [1] para o caminho do oriente.
2 E eis que [2] a gloria do Deus de Israel vinha do caminho do oriente;
e a sua voz _era_ como a voz de muitas aguas, [3] e a terra resplandeceu
por causa da sua gloria.
3 E o aspecto da visão [4] que vi _era_ como o aspecto que eu tinha visto
quando vim a destruir a cidade; e _eram_ os aspectos da visão como o
aspecto que vi [5] junto ao rio de Chebar; e cahi sobre o meu rosto.
4 E a gloria [6] do Senhor entrou no templo _pelo_ caminho da porta, cuja
face está _para_ o caminho do oriente.
5 E levantou-me o [7] espirito, e me levou ao atrio interior: [8] e eis
que a gloria do Senhor encheu o templo.
6 E ouvi _a um_ que fallava comigo de dentro do templo, [9] e estava um
homem _em pé_ junto comigo.
7 E me disse: Filho do homem, _este é_ o logar do meu throno, e o logar
das plantas dos meus pés, [10] onde habitarei no meio dos filhos de
Israel para sempre; [11] e _os_ da casa de Israel não contaminarão mais o
meu nome sancto, _nem_ elles nem os seus reis, pelas suas fornicações, e
pelos cadaveres dos seus reis, nos seus altos,
8 Pondo [12] o seu umbral ao pé do meu umbral, e a sua umbreira junto
á minha umbreira, e havendo uma parede entre mim e entre elles; e
contaminaram o meu sancto nome com as suas abominações que faziam; _por
isso eu_ os consumi na minha ira.
9 Agora lançarão para longe [13] de mim a sua fornicação, e os cadaveres
dos seus reis, e habitarei no meio d’elles para sempre.
_A restauração do templo: o altar dos holocaustos._
10 Tu _pois_, ó filho do homem, [14] mostra á casa de Israel esta casa,
para que se envergonhe das suas maldades, e meça o exemplar _d’ella_.
11 E, envergonhando-se elles de tudo quanto fizeram, faze-lhes saber a
forma d’esta casa, e a sua figura, e as suas saidas, e as suas entradas,
e todas as suas formas, e todos os seus estatutos, todas as suas formas,
e todas as suas leis; e escreve-as aos seus olhos, para que guardem toda
a sua forma, e todos os seus estatutos, e os façam.
12 Esta _é_ a lei da casa: [15] Sobre o cume do monte todo o seu contorno
em redor _será_ sanctidade de sanctidades; eis que esta _é_ a lei da casa.
13 E estas _são_ as medidas do altar, [16] pelos covados; o covado é um
covado e um palmo: e [ACB] o seio d’um covado de altura, e um covado de
largura, e o seu contorno da sua borda ao redor, d’um palmo; e [ACC] esta
_é_ a base do altar.
14 E [ACD] do seio desde a terra até á listra de baixo, dois covados,
e de largura um covado; e desde a pequena listra até á listra grande,
quatro covados, e a largura d’um covado.
15 E o [ACE] Harel, de quatro covados: e desde o [ACF] Ariel e até acima
_havia_ quatro cornos.
16 E o Ariel terá doze _covados_ de comprimento, _e_ doze de largura,
quadrado nos quatro lados.
17 E a listra, quatorze _covados_ de comprimento, _e_ quatorze de
largura, nos seus quatro lados; e o contorno, ao redor d’ella, de meio
covado, e o [ACG] seio d’ella, de um covado, ao redor: [17] e os seus
degraus olhavam para o oriente.
18 E me disse: Filho do homem, assim diz o Senhor JEHOVAH: Estes _são_ os
estatutos do altar, no dia em que o farão, [18] para offerecer sobre elle
holocausto e para espalhar sobre elle sangue.
19 E aos sacerdotes levitas, que são da semente de Zadoc, que se chegam
a mim (diz o Senhor JEHOVAH) para me servirem, [19] darás _um_ bezerro,
[20] para expiação do peccado.
20 E tomarás do seu sangue, e _o_ porás sobre os seus quatro cornos,
e nas quatro esquinas da listra, e no contorno ao redor: assim o
purificarás e o expiarás.
21 Então tomarás o bezerro da expiação do peccado, [21] e o queimarão no
logar da casa para isso ordenado, fóra do sanctuario.
22 E no segundo dia offerecerás _um_ bode, sem mancha, para expiação do
peccado: e purificarão o altar, como o purificaram com o bezerro.
23 E, acabando tu de o purificar, offerecerás um bezerro, sem mancha, e
um carneiro do rebanho, sem mancha.
24 E os offerecerás perante a face do Senhor; [22] e os sacerdotes
deitarão sal sobre elles, e os offerecerão em holocausto ao Senhor.
25 Por [23] sete dias prepararás _um_ bode de expiação cada dia: tambem
prepararão um bezerro, e um carneiro do rebanho, sem mancha.
26 Por sete dias expiarão o altar, e _o_ purificarão, e [ACH] encherão as
suas mãos.
27 E, [24] cumprindo elles estes dias, será _que_, ao oitavo dia, e d’ali
em diante, prepararão os sacerdotes sobre o altar os vossos holocaustos
e os vossos sacrificios pacificos; e eu [ACI] me deleitarei em vós, [25]
diz o Senhor JEHOVAH.
[1] cap. 10.19 e 44.1 e 46.1.
[2] cap. 11.23 e 14.2 e 19.1, 6.
[3] cap. 10.4. Apo. 18.1.
[4] cap. 8.4.
[5] cap. 1.3 e 3.23.
[6] cap. 10.19 e 44.2.
[7] cap. 3.12, 14 e 8.3.
[8] I Reis 8.10, 11. cap. 44.4.
[9] cap. 40.3.
[10] Exo. 29.45. Joel 3.17. João 1.14. II Cor. 6.16.
[11] cap. 39.7. Lev. 26.30.
[12] II Reis 21.4, 5, 7.
[13] ver. 7.
[14] cap. 40.4.
[15] cap. 40.2.
[16] cap. 41.8.
[17] Exo. 20.26.
[18] Lev. 1.5.
[19] cap. 45.15.
[20] Exo. 29.10, 12. Lev. 8.14, 15. cap. 45.18, 19.
[21] Exo. 29.14. Heb. 13.11.
[22] Lev. 2.13.
[23] Exo. 29.35, 36. Lev. 8.33.
[24] Lev. 9.1.
[25] Job 42.8. cap. 20.40, 41. Rom. 12.1. I Ped. 2.5.
_A restauração do templo: reformas no ministerio do sanctuario._
44 Então me fez voltar para o caminho da porta do sanctuario exterior,
[1] que olha para o oriente, a qual _estava_ fechada.
2 E disse-me o Senhor: Esta porta estará fechada, não se abrirá, nem
ninguem entrará por ella; [2] porquanto o Senhor Deus de Israel entrou
por ella: por isso estará fechada.
3 O principe, o principe, elle se assentará n’ella, [3] para comer o pão
diante do Senhor; pelo caminho do vestibulo da porta entrará, e pelo
caminho d’elle sairá.
4 Depois me levou pelo caminho da porta do norte, diante da casa; e
olhei, [4] e eis que a gloria do Senhor encheu a casa do Senhor; então
cahi sobre o meu rosto.
5 E disse-me o Senhor: Filho do homem, [5] [ACJ] põe no teu coração, e
olha com os teus olhos, e ouve com os teus ouvidos, tudo quanto eu fallar
comtigo de todos os estatutos da casa do Senhor, e de todas as suas leis;
e põe o teu coração na entrada da casa, com todas as saidas do sanctuario.
6 E dize ao rebelde, á casa de Israel: [6] Assim diz o Senhor JEHOVAH:
Bastem-vos todas as vossas abominações, ó casa d’Israel!
7 Porque [7] introduzistes estranhos, incircumcisos de coração e
incircumcisos de carne, para estarem no meu sanctuario, para o profanarem
em minha casa, [8] quando offereceis o meu pão, a gordura, e o sangue;
e elles invalidaram o meu concerto, por causa de todas as vossas
abominações.
8 E não guardastes a ordenança das minhas coisas sagradas; antes vos
constituistes, a vós mesmos, guardas da minha ordenança no meu sanctuario.
9 Assim diz o Senhor JEHOVAH: Nenhum estranho, [9] incircumciso de
coração nem incircumciso de carne, entrará no meu sanctuario, d’entre os
estranhos que _se acharem_ no meio dos filhos de Israel.
10 Mas [10] os levitas que se apartaram para longe de mim, quando Israel
andava errado, os quaes andavam errados, desviados de mim, _por irem_
atraz dos seus idolos, bem levarão sobre si a sua iniquidade.
11 Comtudo _serão_ ministros no meu sanctuario, _nos_ officios das
portas da casa, [11] e servirão a casa: elles degolarão o holocausto, e
o sacrificio para o povo, [12] e elles estarão perante elles, para os
servir.
12 Porque lhes ministraram diante dos seus idolos, e serviram á casa de
Israel de tropeço de maldade: por isso eu levantei a minha mão sobre
elles, diz o Senhor JEHOVAH, e elles levarão sobre si a sua iniquidade.
13 E [13] não se chegarão a mim, para me servirem no sacerdocio, nem para
se chegarem a alguma de todas as minhas coisas sagradas, ás sanctidades
de sanctidades, [14] mas levarão sobre si a sua vergonha e as suas
abominações que commetteram.
14 Comtudo, [15] os constituirei guardas da ordenança da casa, em todo o
seu serviço, e em tudo o que n’ella se fizer.
15 Mas os sacerdotes [16] leviticos, os filhos de Zadoc, que guardaram a
ordenança do meu sanctuario quando os filhos de Israel andavam errados de
mim, elles se chegarão a mim, para me servirem, e estarão diante de mim,
[17] para me offerecerem a gordura e o sangue, diz o Senhor JEHOVAH.
16 Elles entrarão no meu sanctuario, e elles se chegarão á minha mesa,
para me servirem, e guardarão a minha ordenança.
17 E será que, quando entrarem pelas portas do atrio interior, [18] se
vestirão de vestiduras de linho; e não subirá lã sobre elles, quando
servirem nas portas do atrio interior, e dentro.
18 Coifas de linho [19] estarão sobre as suas cabeças, e ceroulas de
linho estarão sobre os seus lombos: não se cingirão _de modo que lhes
venha_ suor.
19 E, saindo elles ao atrio exterior, ao atrio exterior ao povo, [20]
despirão as suas vestiduras com que elles ministraram, e as porão nas
sanctas camaras, e se vestirão de outros vestidos, [21] para que não
sanctifiquem o povo _estando_ com as suas vestiduras.
20 E a sua cabeça não raparão, [22] nem deixarão crescer o seu cabello;
_antes_, como convem, tosquiarão as suas cabeças.
21 E [23] nenhum sacerdote beberá vinho quando entrar no atrio interior.
22 E elles [24] não se casarão nem com viuva nem com repudiada, mas
tomarão virgens da semente da casa de Israel, ou viuva que fôr viuva de
sacerdote.
23 E [25] a meu povo ensinarão _a differença_ entre o sancto e o profano,
e lhe farão saber _a differença_ entre o impuro e o puro.
24 E, [26] quando houver pleito, elles assistirão _a elle_ para _o_
julgarem; pelos meus juizos o julgarão: e as minhas leis e os meus
estatutos em todas as minhas solemnidades guardarão, e os meus sabbados
sanctificarão.
25 E elles não entrarão a [27] homem morto, para se contaminarem; mas por
pae, ou por mãe, ou por filho, ou por filha, _ou_ por irmão, ou por irmã
que não tiver marido, se poderão contaminar.
26 E, [28] depois da sua purificação, lhe contarão sete dias.
27 E, no dia em que elle entrar no logar sancto, [29] no atrio interior,
para ministrar no logar sancto, offerecerá a sua expiação pelo peccado,
diz o Senhor JEHOVAH.
28 _E isto_ lhes será por herança: [30] eu _serei_ a sua herança: não
lhes dareis portanto possessão em Israel: eu _sou_ a sua possessão.
29 A offerta de manjares, e o sacrificio pelo peccado, [31] e o
_sacrificio_ pela culpa elles comerão; e toda a coisa consagrada em
Israel será d’elles.
30 E as primicias [32] de todos os primeiros fructos de tudo, e toda a
offerta de todas as vossas offertas, serão dos sacerdotes; [33] tambem
as primeiras das vossas massas dareis ao sacerdote; [34] para que faça
repousar a benção sobre a tua casa.
31 Nenhuma coisa, _que de si mesmo haja_ morrido ou _haja sido_
arrebatada de aves e das bestas, comerão os sacerdotes.
[1] cap. 43.1.
[2] cap. 43.4.
[3] Gen. 31.54. I Cor. 10.18. cap. 46.2, 8.
[4] cap. 3.23 e 43.5.
[5] cap. 40.4.
[6] cap. 2.5. cap. 45.9. I Ped. 4.3.
[7] cap. 43.8. ver. 9. Act. 21.28. Lev. 22.25 e 26.41. Deu. 10.16.
[8] Lev. 21.6, 8, 17, 21. Lev. 3.16 e 17.11.
[9] ver. 7.
[10] II Chr. 29.4, 5. cap. 48.11.
[11] I Chr. 26.1. II Chr. 29.34.
[12] Num. 16.9.
[13] Num. 18.3. II Reis 23.9.
[14] cap. 32.30 e 36.7.
[15] Num. 18.4.
[16] cap. 40.46 e 43.19. ver. 10.
[17] ver. 7.
[18] Exo. 28.39, 40, 43 e 39.27, 28.
[19] Exo. 28.40, 42 e 39.28.
[20] cap. 42.14.
[21] cap. 46.20. Exo. 29.37 e 30.29. Lev. 6.27. Mat. 23.17, 19.
[22] Lev. 21.5.
[23] Lev. 10.9.
[24] Lev. 21.7, 13, 14.
[25] Lev. 10.10, 11. cap. 22.26. Mal. 2.7.
[26] Deu. 17.8, etc.
[27] Lev. 21.1, etc.
[28] Num. 6.10 e 19.11, etc.
[29] ver. 17. Lev. 4.3.
[30] Num. 18.20. Deu. 18.1, 2. Jos. 13.14, 33.
[31] Lev. 6.18, 29 e 7.6.
[32] Exo. 13.2 e 22.29, 30. Num. 3.13.
[33] Num. 15.20. Neh. 10.37. Pro. 3.9, 10.
[34] Exo. 22.31. Lev. 22.8.
_A repartição da terra: o logar sancto._
45 Quando pois repartirdes a terra por sortes em herança, offerecereis
uma offerta ao Senhor, um logar sancto da terra: o comprimento _será_ o
comprimento de vinte e cinco mil _cannas de medir_, e a largura de dez
mil: este _será_ sancto em todo o seu contorno ao redor.
2 Serão d’isto para [1] o sanctuario quinhentas com mais quinhentas, em
quadrado do redor, e terá em redor um arrabalde de cincoenta covados.
3 E d’esta medida medirás o comprimento de vinte e cinco mil _covados_,
e a largura de dez mil: [2] e ali estará o sanctuario _e_ o logar
sanctissimo.
4 Este _será_ o logar [3] sancto da terra; elle será para os sacerdotes
que administram o sanctuario _e_ se approximam para servir ao Senhor; e
lhes servirá de logar para casas, e de logar sancto para o sanctuario.
5 E terão os levitas, ministros da casa, em possessão sua, [4] vinte e
cinco mil _medidas_ de comprimento, [5] _para_ vinte camaras.
6 E _para_ possessão da cidade, [6] de largura dareis cinco mil _cannas_,
e de comprimento vinte e cinco mil, [ACK] defronte da offerta sancta: o
_que_ será para toda a casa de Israel.
7 O principe porém _terá_ a _sua parte_ d’esta e da outra [7] banda da
sancta offerta, e da possessão da cidade, diante da sancta offerta, e
diante da possessão da cidade, da esquina occidental para o occidente,
e da esquina oriental para o oriente; e _será_ o comprimento, defronte
d’uma das partes, desde o termo occidental até ao termo oriental.
8 E esta terra será a sua possessão em Israel; [8] e os meus principes
nunca mais opprimirão o meu povo, antes deixarão a terra á casa de
Israel, conforme as suas tribus.
9 Assim diz o Senhor JEHOVAH: _Já_ vos baste, ó principes de Israel; [9]
affastae a violencia e a assolação, e praticae juizo e justiça: tirae as
vossas imposições do meu povo, diz o Senhor JEHOVAH.
10 Balanças justas, [10] e epha justo, e bato justo tereis.
11 O epha e o bato serão d’uma mesma medida, _de maneira_ que o bato
contenha a decima parte do homer, e o epha a decima parte do homer;
conforme o homer será a sua medida.
12 E o siclo [11] _será_ de vinte geras: vinte siclos, vinte e cinco
siclos, _e_ quinze siclos vos servirão d’um arratel.
13 Esta _será_ a offerta que haveis de offerecer: a sexta parte d’um epha
de _cada_ homer de trigo; tambem dareis a sexta parte d’um epha de _cada_
homer de cevada.
14 Quanto ao estatuto do azeite, de _cada_ bato de azeite _offerecereis_
a decima parte d’um bato _tirado_ d’um coro, _que é_ um homer de dez
batos; porque dez batos _fazem_ um homer.
15 E um cordeiro do rebanho, de cada duzentos, da mais regada terra
de Israel, para offerta de manjares, e para [12] holocausto, e para
sacrificio pacifico; para fazer expiação por elles, diz o Senhor JEHOVAH.
16 Todo o povo da terra concorrerá a esta offerta, pelo principe em
Israel.
17 E estarão a cargo do principe os holocaustos, e as offertas de
manjares, e as libações, nas festas, e nas luas novas, e nos sabbados,
em todas as solemnidades da casa de Israel: elle fará a expiação pelo
peccado, e a offerta de manjares, e o holocausto, e os sacrificios
pacificos, para fazer expiação pela casa de Israel.
18 Assim diz o Senhor JEHOVAH: No primeiro _mez_, no primeiro _dia_ do
mez, [13] tomarás um bezerro sem mancha, e purificarás o sanctuario.
19 E o sacerdote [14] tomará do sangue do sacrificio pela expiação, e
porá _d’elle_ nas hombreiras da casa, e nas quatro esquinas da listra do
altar, e nas hombreiras da porta do atrio interior.
20 Assim tambem farás no setimo _dia_ do mez, [15] por causa dos que
erram, e por causa dos simplices: assim expiareis a casa.
21 No [16] primeiro _mez_, no dia quatorze do mez, tereis a paschoa,
_uma_ festa de sete dias; pão asmo se comerá.
22 E o principe no mesmo dia, por si e por todo o povo da terra, [17]
preparará um bezerro de expiação pelo peccado.
23 E nos sete dias [18] da festa preparará um holocausto ao Senhor, _de_
sete bezerros e sete carneiros sem mancha, cada dia _durante_ os sete
dias; [19] e o sacrificio de expiação d’um bode cada dia.
24 Tambem preparará [20] uma offerta de manjares, _a saber_, um epha,
para cada bezerro, e um epha para cada carneiro, e um hin de azeite para
cada epha.
25 No setimo _mez_, no dia quinze do mez, na festa, fará o mesmo _todos_
os sete dias, [21] tanto o sacrificio pela expiação, como o holocausto, e
como a offerta de manjares, e como o azeite.
[1] cap. 42.20.
[2] cap. 48.10.
[3] ver. 1. cap. 48.10, etc.
[4] cap. 48.13.
[5] cap. 40.17.
[6] cap. 48.15.
[7] cap. 48.21.
[8] cap. 46.18. Jer. 22.17. cap. 22.27.
[9] Jer. 22.3.
[10] Lev. 19.35, 36. Pro. 11.1.
[11] Exo. 30.13. Lev. 27.25. Num. 3.47.
[12] Lev. 1.4.
[13] Lev. 16.16.
[14] cap. 43.20.
[15] Lev. 4.27.
[16] Exo. 12.18. Lev. 23.5, 6. Num. 9.2, 3. Deu. 16.1, etc.
[17] Lev. 4.14.
[18] Lev. 23.8.
[19] Num. 28.15, 22, 30 e 20.5, 11, 16, 19.
[20] cap. 46.5, 7.
[21] Lev. 23.34. Num. 29.12. Deu. 16.13.
46 Assim diz o Senhor JEHOVAH: A porta do atrio interior, que olha para o
oriente, estará fechada os seis dias _que são_ de trabalho; porém no dia
de sabbado ella se abrirá; tambem no dia da lua nova se abrirá.
2 E o principe [1] entrará _pelo_ caminho do vestibulo da porta, por
fóra, e estará _em pé_ na hombreira da porta; e os sacerdotes prepararão
o seu holocausto, e os seus sacrificios pacificos, e elle se prostrará no
umbral da porta, e sairá; porém a porta não se fechará até á tarde.
3 E o povo da terra se prostrará á entrada da mesma porta, nos sabbados e
nas luas novas, diante do Senhor.
4 E o holocausto, [2] que o principe offerecerá ao Senhor, _será_, no dia
de sabbado, seis cordeiros sem mancha e um carneiro sem mancha.
5 E a offerta [3] de manjares será um epha para _cada_ carneiro; e para
_cada_ cordeiro, a offerta de manjares será um dom da sua mão; e de
azeite um hin para _cada_ epha.
6 Mas no dia da lua nova _será_ um bezerro, sem mancha; e seis cordeiros
e um carneiro, elles serão sem mancha.
7 E preparará _por_ offerta de manjares um epha para o bezerro e um epha
para o carneiro, mas para os cordeiros, conforme o que alcançar a sua
mão; e um hin de azeite para um epha.
8 E, quando [4] entrar o principe, entrará _pelo_ caminho do vestibulo da
porta, e sairá pelo mesmo caminho.
9 Mas, quando vier o povo da terra perante [5] a face do Senhor nas
solemnidades, aquelle que entrar _pelo_ caminho da porta do norte, para
adorar, sairá _pelo_ caminho da porta do sul; e aquelle que entrar _pelo_
caminho da porta do sul sairá _pelo_ caminho da porta do norte: não
tornará _pelo_ caminho da porta por onde entrou, mas sairá pela _outra_
que está opposta.
10 E o principe no meio d’elles entrará, quando elles entrarem, e, saindo
elles, sairão todos.
11 E nas festas e nas solemnidades será a offerta de manjares um epha
para o bezerro, [6] e um epha para o carneiro, mas para os cordeiros um
dom da sua mão; e de azeite um hin para um epha.
12 E, quando o principe fizer offerta voluntaria de holocaustos, ou de
sacrificios pacificos, _por_ offerta voluntaria ao Senhor, [7] então lhe
abrirão a porta que olha para o oriente, e fará o seu holocausto e os
seus sacrificios pacificos, como houver feito no dia de sabbado; e sairá,
e se fechará a porta depois d’elle sair.
13 E prepararás um cordeiro d’um anno sem mancha, _em_ holocausto ao
Senhor, cada dia: [8] todas as manhãs o prepararás.
14 E, _por_ offerta de manjares farás juntamente com elle, todas as
manhãs, a sexta parte d’um epha, e de azeite a terça parte d’um hin, para
[ACL] sovar a flor de farinha; _por_ offerta de manjares para o Senhor,
_em_ estatutos perpetuos _e_ continuos.
15 Assim prepararão o cordeiro, e a offerta de manjares, e o azeite,
todas as manhãs, em holocausto continuo.
16 Assim diz o Senhor JEHOVAH: Quando o principe der um presente _da_
sua herança a algum de seus filhos, isto será para seus filhos: _será_
possessão d’elles por herança.
17 Porém, dando elle um presente da sua herança a algum dos seus servos,
será d’este até ao anno [ACM] da liberdade; então tornará para o
principe, porque herança d’elle é; seus filhos, elles a herdarão.
18 E o principe [9] não tomará nada da herança do povo, para os defraudar
da sua possessão: da sua possessão deixará herança a seus filhos, para
que o meu povo não seja espalhado, cada um da sua possessão.
19 Depois d’isto me trouxe pela entrada que _estava_ ao lado da porta, ás
camaras sanctas dos sacerdotes, que olhavam para o norte; e eis que ali
_estava_ um logar em ambos os lados, para a banda do occidente.
20 E elle me disse: [10] Este _é_ o logar onde os sacerdotes cozerão o
sacrificio pela culpa, e o sacrificio pelo peccado, [11] _e_ onde cozerão
a offerta de manjares, para que _a_ não tragam ao atrio exterior [12]
para sanctificarem o povo.
21 Então me levou para fóra, para o atrio exterior, e me fez passar ás
quatro esquinas do atrio: e eis que em cada esquina do atrio havia outro
atrio.
22 Nas quatro esquinas do atrio _havia outros_ atrios com chaminés de
quarenta covados de comprimento e de trinta de largura: estas quatro
esquinas _tinham_ uma mesma medida.
23 E um muro _havia_ ao redor d’ellas, ao redor das quatro: e _havia_
cozinhas feitas por baixo dos muros ao redor.
24 E me disse: Estas _são_ as casas dos cozinheiros, [13] onde os
ministros da casa cozerão o sacrificio do povo.
[1] ver. 8.
[2] cap. 56.17.
[3] cap. 45.24. ver. 7, 11.
[4] ver. 2.
[5] Exo. 23.14-17. Deu. 16.16.
[6] ver. 5.
[7] cap. 44.3. ver. 2.
[8] Exo. 29.38. Num. 28.3.
[9] cap. 45.8.
[10] II Chr. 35.13.
[11] Lev. 2.4, 5, 7.
[12] cap. 44.19.
[13] ver. 20.
_A torrente das aguas purificadoras._
47 Depois d’isto me fez voltar á entrada da casa, e eis que sahiam umas
aguas [1] debaixo do umbral da casa para o oriente; porque a face da casa
_olhava para_ o oriente, e as aguas desciam de debaixo, desde a banda
direita da casa, da banda do sul do altar.
2 E elle me tirou _pelo_ caminho da porta do norte, e me fez dar uma
volta _pelo_ caminho de fóra, até á porta exterior, pelo caminho que olha
para o oriente; e eis que manavam umas aguas desde a banda direita.
3 _E_, [2] saindo aquelle homem para o oriente, _tinha_ na mão um cordel
de medir; e mediu mil covados, e me fez passar pelas aguas, aguas _que_
me davam pelos artelhos.
4 E mediu mil _covados_, e me fez passar pelas aguas, aguas que me davam
pelos joelhos; e mediu _mais_ mil, e me fez passar por aguas que me davam
pelos lombos.
5 E mediu _mais_ mil, _e era um_ ribeiro, que eu não podia passar, porque
as aguas eram profundas, aguas que se deviam passar a nado, ribeiro pelo
qual não se podia passar.
6 E me disse: _Porventura_ viste _isto_, ó filho do homem? Então me
levou, e me tornou a trazer á borda do ribeiro.
7 _E_, tornando eu, eis que á borda do ribeiro _havia_ uma grande
abundancia de arvores, [3] de uma e de outra banda.
8 Então me disse: Estas aguas saem para a Galilea do oriente, e descem á
campina, e entram no mar; _e_, sendo levadas ao mar, sararão as aguas.
9 E será _que_ toda a creatura vivente que nadar por onde quer que
entrarem estes dois ribeiros viverá, e haverá muitissimo peixe; porque lá
chegarão estas aguas, e sararão, e viverá tudo por onde quer que entrar
este ribeiro.
10 Será tambem que os pescadores estarão em pé junto a elle, desde Engedi
até En-eglaim; haverá _tambem logares para_ estender as redes: o seu
peixe, segundo a sua especie, [4] será como o peixe do mar grande, em
multidão excessiva.
11 Porém os seus charcos e os seus lamaceiros não sararão; serão deixados
para sal.
12 E [5] junto ao ribeiro, á sua borda, de uma e de outra banda, subirá
toda a sorte de arvore que dá fructo para _se_ comer: não cairá a sua
folha, nem perecerá o seu fructo: nos seus mezes produzirá novos fructos,
porque as suas aguas saem do sanctuario; e o seu fructo servirá de comida
[6] e a sua folha de remedio.
_As fronteiras da terra de Israel._
13 Assim diz o Senhor JEHOVAH: Este _será_ o termo _conforme_ o qual
tomareis a terra em herança, segundo as doze tribus de Israel: [7] José
_terá duas_ partes.
14 E vós a herdareis, tanto um como o outro; [8] _terra sobre_ a qual
levantei a minha mão, para a dar a vossos paes: assim que esta mesma
terra vos cairá a vós em herança.
15 E este será o termo da terra, da banda do norte: desde o mar grande,
[9] caminho de Hethlon, até á entrada de Zedad;
16 Hamath, [10] Berotha, Sibraim, que _estão_ entre o termo de Damasco e
entre o termo de Hamath: Hazer-hattichon, que _está_ junto ao termo de
Havran.
17 E o termo _será_ desde o [11] mar Hazer-enon, o termo de Damasco, e
o norte, _que olha_ para o norte, e o termo de Hamath: e _este_ será o
termo do norte.
18 E o termo do oriente, entre Hauran, e Damasco, e Gilead, e a terra
de Israel será o Jordão; desde o termo do norte até ao mar do oriente
medireis: e _este será_ o termo do oriente.
19 E o termo do sul, ao sul _será_ desde Tamar, até ás [12] aguas [ACN]
da contenda de Cades, junto ao ribeiro, até ao mar grande: e _este será_
o termo do sul ao sul.
20 E o termo do occidente _será_ o mar grande, desde o termo _do sul_ até
a entrada de Hamath: este _será_ o termo do occidente.
21 Repartireis pois esta terra entre vós, segundo as tribus de Israel.
22 Será, porém, que a sorteareis para vossa herança, e _para a_ dos
estrangeiros que peregrinam no meio de vós, que gerarão filhos no meio
de vós; e vos serão como naturaes entre os filhos de Israel; comvosco
entrarão em herança, no meio das tribus de Israel.
23 E será _que_ na tribu em que peregrinar o estrangeiro ali _lhe_ dareis
a sua herança, diz o Senhor JEHOVAH.
[1] Joel 3.18. Zac. 13.1 e 14.8. Apo. 22.1.
[2] cap. 40.3.
[3] ver. 12. Apo. 22.2.
[4] Num. 34.6. Jos. 23.4. cap. 48.28.
[5] ver. 7. Jer. 17.8.
[6] Apo. 22.2.
[7] I Chr. 5.1. cap. 48.4, 5.
[8] Gen. 12.7 e 13.15. cap. 20.5, 6.
[9] cap. 48.1. Num. 34.8.
[10] Num. 34.8. II Sam. 8.8.
[11] Num. 34.9. cap. 48.1.
[12] Num. 20.13. Deu. 32.51. cap. 48.28.
_Os termos das doze tribus._
48 E estes são os nomes das tribus: [1] desde o fim do norte, da banda
do caminho de Hethlon, vindo para Hamath, Hazer-enon, o termo de Damasco
para o norte, ao pé de Hamath: e ella terá a banda do oriente _e_ do
occidente; Dan _terá_ uma _porção_.
2 E junto ao termo de Dan, desde a banda do oriente até á banda do
occidente, Aser _terá_ uma _porção_.
3 E junto ao termo de Aser, desde a banda do oriente até á banda do
occidente, Naphtali uma _porção_.
4 E junto ao termo de Naphtali, desde a banda do oriente até á banda do
occidente, Manassés uma _porção_.
5 E junto ao termo de Manassés, desde a banda do oriente até á banda do
occidente, Ephraim uma _porção_.
6 E junto ao termo de Ephraim, desde a banda do oriente até á banda do
occidente, Ruben uma _porção_.
7 E junto ao termo de Ruben, desde a banda do oriente até á banda do
occidente, Judah uma _porção_.
8 E junto ao termo de Judah, desde a banda do oriente até á banda do
occidente, [2] será a offerta que haveis de offerecer, vinte e cinco mil
_cannas_ de largura, e de comprimento como uma das _demais_ partes, desde
a banda do oriente até á banda do occidente; e o sanctuario estará no
meio d’ella.
9 A offerta que haveis de offerecer ao Senhor _será_ do comprimento de
vinte e cinco mil _cannas_, e da largura de dez mil.
10 E ali será a offerta sancta para os sacerdotes, para o norte vinte e
cinco mil _cannas de comprimento_, e para o occidente dez mil de largura,
e para o oriente dez mil de largura, e para o sul vinte e cinco mil de
comprimento: e o sanctuario do Senhor estará no meio d’ella.
11 _E será_ [3] para os sacerdotes sanctificados d’entre os filhos de
Zadoc, que guardaram a minha ordenança, que não andaram errados, quando
os filhos d’Israel andavam errados, [4] como erraram os _outros_ levitas.
12 E o offerecido da offerta da terra lhes _será_ sanctidade de
sanctidades, junto ao termo dos levitas.
13 E os levitas terão defronte do termo dos sacerdotes vinte e cinco mil
_cannas_ de comprimento, e de largura dez mil: todo o comprimento _será_
vinte e cinco mil, e a largura dez mil.
14 E [5] não venderão d’isto, nem trocarão, nem transferirão as primicias
da terra, porque _é_ sanctidade ao Senhor.
15 Porém [6] as cinco mil, as que ficaram da largura diante das vinte
e cinco mil, [7] ficarão profanas para a cidade, para habitação e para
arrabaldes; e a cidade estará no meio d’ellas.
16 E estas _serão_ as suas medidas: a banda do norte de quatro mil e
quinhentas _cannas_, e a banda do sul de quatro mil e quinhentas, e a
banda do oriente de quatro mil e quinhentas, e a banda do occidente de
quatro mil e quinhentas.
17 E os arrabaldes da cidade serão para o norte de duzentas e cincoenta
_cannas_, e para o sul de duzentas e cincoenta, e para o oriente de
duzentas e cincoenta, e para o occidente de duzentas e cincoenta.
18 E, quanto ao que ficou do resto do comprimento, defronte da sancta
offerta, _será_ dez mil para o oriente, e dez mil para o occidente; e
estará defronte da sancta offerta; e a sua novidade será para sustento
d’aquelles que servem a cidade.
19 E [8] os que servem a cidade servil-a-hão d’entre todas as tribus
d’Israel.
20 Toda a offerta _será_ de vinte e cinco mil _cannas_ com _mais_ vinte e
cinco mil: em quadrado offerecereis a sancta offerta, com a possessão da
cidade.
21 E o que ficou de resto [9] _será_ para o principe; d’esta e da outra
banda da sancta offerta, e da possessão da cidade, diante das vinte e
cinco mil _cannas_ da offerta, até ao termo do oriente e do occidente,
diante das vinte e cinco mil, até ao termo do occidente, defronte das
porções, _será_ para o principe: [10] e a offerta sancta e o sanctuario
da casa _será_ no meio d’ella.
22 E desde a possessão dos levitas, e desde a possessão da cidade, no
meio do que será para o principe, entre o termo de Judah e o termo de
Benjamin, será para o principe.
23 E, quanto ao resto das tribus, desde a banda do oriente até á banda do
occidente, Benjamin _terá_ uma _porção_.
24 E junto ao termo de Benjamin, desde a banda do oriente até á banda do
occidente, Simeão uma _porção_.
25 E junto ao termo de Simeão, desde a banda do oriente até á banda do
occidente, Issacar uma _porção_.
26 E junto ao termo de Issacar, desde a banda do oriente até á banda do
occidente, Zebulon uma _porção_.
27 E junto ao termo de Zebulon, desde a banda do oriente até á banda do
occidente, Gad uma _porção_.
28 E junto ao termo de Gad, ao sul, da banda do sul, [11] será o termo de
Tamar _até_ ás aguas [ACO] da contenda de Cades, junto ao ribeiro até ao
mar grande.
29 Esta [12] _é_ a terra que sorteareis em herança ás tribus de Israel; e
estas _são_ as suas porções, diz o Senhor JEHOVAH.
30 E estas _são_ as saidas da cidade, desde a banda do norte: quatro mil
e quinhentas medidas.
31 E [13] as portas da cidade _serão_ conforme os nomes das tribus de
Israel: tres portas para o norte: a porta de Ruben uma, a porta de Judah
outra, a porta de Levi outra.
32 E da banda do oriente quatro mil e quinhentas _medidas_, e tres
portas, a saber: a porta de José uma, a porta de Benjamin outra, a porta
de Dan outra.
33 E da banda do sul quatro mil e quinhentas medidas, e tres portas: a
porta de Simeão uma, a porta de Issacar outra, a porta de Zebulon outra.
34 Da banda do occidente quatro mil e quinhentas _medidas_, e as suas
tres portas: a porta de Gad uma, a porta de Aser outra, a porta de
Naphtali outra.
35 Dezoito mil _medidas_ em redor; [14] e o nome da cidade desde
_aquelle_ dia _será_: [ACP] O Senhor _está_ ali.
[1] cap. 47.15, etc.
[2] cap. 46.1-6.
[3] cap. 44.15.
[4] cap. 44.10.
[5] Exo. 22.29. Lev. 27.10, 28, 33.
[6] cap. 45.6.
[7] cap. 42.20.
[8] cap. 45.6.
[9] cap. 45.7.
[10] ver. 8, 10.
[11] cap. 47.19.
[12] cap. 47.14, 21, 22.
[13] Apo. 21.12, etc.
[14] Jer. 33.16. Jer. 3.17. Joel 3.21. Zac. 2.10. Apo. 21.3 e 22.3.
DANIEL.
_A educação de Daniel e outros jovens hebreos na côrte de Nabucodonozor._
[Antes de Christo 606]
1 No anno terceiro do reinado de Joaquim, [1] rei de Judah, veiu
Nabucodonozor, rei de Babylonia, a Jerusalem, e a sitiou.
2 E o Senhor entregou nas suas mãos a Joaquim, rei de Judah, [2] e _uma_
parte dos vasos da casa de Deus, e os levou para a terra de Shinar,
_para_ a casa do seu deus, [3] e poz os vasos na casa do thesouro do seu
deus.
3 E disse o rei a Aspenaz, chefe dos seus eunuchos, que trouxesse
_alguns_ dos filhos de Israel, e da semente real e dos principes,
4 Mancebos [4] em quem não _houvesse_ defeito algum, e formosos de
parecer, e instruidos em toda a sabedoria, e sabios _em_ sciencia, e
entendidos no conhecimento, e que tivessem habilidade para assistir no
palacio do rei, e que os ensinassem [5] nas lettras e na lingua dos
chaldeos.
5 E o rei lhes ordenou a ração de cada dia, da porção do manjar do rei,
e do vinho que elle bebia, e que _assim_ fossem creados por tres annos,
para que no fim d’elles [6] assistissem diante do rei.
6 E entre elles se achavam, d’entre os filhos de Judah, Daniel, Hananias,
Misael e Azarias:
7 E o chefe dos eunuchos lhes poz [7] _outros_ nomes, a saber: a Daniel
poz _o de_ Belteshazzar, e a Hananias _o de_ Sadrach, e a Misael _o de_
Mesach, e a Azarias _o de_ Abed-nego.
8 E Daniel assentou no seu coração não se contaminar com a porção [8] do
manjar do rei, nem com o vinho que elle bebia; portanto pediu ao chefe
dos eunuchos para não se contaminar.
9 Ora [9] deu Deus a Daniel graça e misericordia diante do chefe dos
eunuchos.
10 E disse o chefe dos eunuchos a Daniel: Tenho medo do meu senhor, o
rei, que ordenou a vossa comida e a vossa bebida; pois porque veria elle
os vossos rostos mais tristes do que os dos mancebos que _são_ vossos
eguaes? assim arriscareis a minha cabeça para com o rei.
11 Então disse Daniel ao [ACQ] dispenseiro a quem o chefe dos eunuchos
havia constituido sobre Daniel, Hananias, Misael e Azarias:
12 Experimenta, peço-te, os teus servos dez dias, e que se nos dêem
legumes a comer, e agua a beber.
13 Então se veja diante de ti o nosso parecer, e o parecer dos mancebos
que comem a porção do manjar do rei, e, conforme vires, te hajas com os
teus servos.
14 E lhes consentiu isto, e os experimentou dez dias.
15 E, ao fim dos dez dias, appareceram os seus semblantes melhores, e
elles estavam mais gordos de carne do que todos os mancebos que comiam
porção do manjar do rei.
16 Então succedeu que o dispenseiro tirava a porção do manjar d’elles, e
o vinho de que deviam beber, e lhes dava legumes.
17 Quanto a estes quatro mancebos, [10] Deus lhes deu o conhecimento e
a intelligencia em todas as lettras, e sabedoria; [11] mas a Daniel deu
entendimento em toda a visão e sonhos.
18 E ao fim dos dias, em que o rei tinha dito que os trouxessem, o chefe
dos eunuchos os trouxe diante de Nabucodonozor.
19 E o rei fallou com elles; porém entre todos elles não foram achados
outros taes como Daniel, Hananias, Misael e Azarias; e assistiam [12]
diante do rei.
20 E _em_ toda a materia de sabedoria e de intelligencia, que o rei lhes
perguntou, os achou dez vezes mais _doutos_ do que todos os magos ou
astrologos que _havia_ em todo o seu reino.
21 E Daniel [13] esteve até ao primeiro anno do rei Cyro.
[1] II Reis 24.1. II Chr. 36.6.
[2] Jer. 27.19, 20. Gen. 10.10 e 11.2. Isa. 11.11. Zac. 5.11.
[3] II Chr. 36.7.
[4] Lev. 24.19, 20.
[5] Act. 7.22.
[6] ver. 19. Gen. 41.45. I Reis 10.3.
[7] Gen. 41.45. II Reis 24.17.
[8] Deu. 32.38. Eze. 4.13. Ose. 9.3.
[9] Gen. 39.21.
[10] I Reis 3.12. Act. 7.22.
[11] Num. 12.6.
[12] Gen. 41.46. ver. 5.
[13] cap. 6.28 e 10.1.
_O decreto; o sonho do rei é interpretado por Daniel._
[Antes de Christo 603]
2 E no segundo anno do reinado de Nabucodonozor sonhou Nabucodonosor
sonhos; [1] e o seu espirito se perturbou, e passou-se-lhe o seu somno.
2 E o rei mandou [2] chamar os magos, e os astrologos, e os encantadores,
e os chaldeos, para que declarassem ao rei os seus sonhos: os quaes
vieram e se apresentaram diante do rei.
3 E o rei lhes disse: Tive _um_ sonho; e para saber o sonho está
perturbado o meu espirito.
4 E os chaldeos disseram ao rei em syriaco: Ó rei, [3] vive eternamente!
dize o sonho a teus servos, e declararemos a interpretação.
5 Respondeu o rei, e disse aos chaldeos: [ACR] A coisa me tem escapado;
se me não fizerdes saber o sonho e a sua interpretação, sereis
despedaçados, [4] e as vossas casas serão feitas _um_ monturo;
6 Mas se [5] vós me declarardes o sonho e a sua interpretação, recebereis
de mim dons, e dadivas, e grande honra; portanto declarae-me o sonho e a
sua interpretação.
7 Responderam segunda vez, e disseram: Diga o rei o sonho a seus servos,
e declararemos a sua interpretação.
8 Respondeu o rei, e disse: Conheço eu certamente que vós quereis ganhar
tempo; porque vêdes que a coisa me tem escapado.
9 De _maneira_ que, se me não fazeis saber o sonho, uma só sentença será
a vossa; pois vós preparastes palavras mentirosas e perversas para as
proferir na minha presença, até que se mude o tempo: portanto dizei-me o
sonho, para que eu entenda que me _podeis_ declarar a sua interpretação.
10 Responderam os chaldeos na presença do rei, e disseram: Não ha ninguem
sobre a terra que possa declarar a palavra ao rei; pois nenhum rei ha,
grande ou dominador, que requeresse coisa similhante d’algum mago, ou
astrologo, ou chaldeo.
11 Porque a coisa que o rei requer _é_ difficil; nem ha outro que a
_possa_ declarar diante do rei, [6] senão os deuses, cuja morada não é
com a carne.
12 Por isso o rei muito se irou e enfureceu; e ordenou que matassem a
todos os sabios de Babylonia.
13 E saiu o mandado, e sairam a matar os sabios; e buscaram a Daniel e
aos seus companheiros, para que fossem mortos.
14 Então Daniel fallou avisada e prudentemente a Arioch, capitão da
guarda do rei, que tinha saido para matar os sabios de Babylonia.
15 Respondeu, e disse a Arioch, prefeito do rei: Porque se apressa
_tanto_ o mandado da parte do rei? Então Arioch fez saber a coisa a
Daniel.
16 E Daniel entrou; e pediu ao rei que lhe désse tempo, para declarar a
interpretação ao rei.
17 Então Daniel foi para a sua casa, e fez saber a coisa a Hananias,
Misael e Azarias, seus companheiros:
18 Para [7] que pedissem misericordia ao Deus do céu, sobre este segredo,
afim de que Daniel e seus companheiros não perecessem, _juntamente_ com o
resto dos sabios de Babylonia.
19 Então foi revelado o segredo a Daniel n’_uma_ [8] visão de noite:
então Daniel louvou o Deus do céu.
20 Fallou Daniel, e disse: Seja bemdito o nome de Deus desde o seculo até
ao seculo, porque d’elle é a sabedoria e a força;
21 E elle muda [9] os tempos e as horas; elle remove os reis e estabelece
os reis: [10] elle dá sabedoria aos sabios e sciencia aos entendidos.
22 Elle revela o profundo e o escondido: [11] conhece o que _está_ em
trevas, e com elle a luz mora.
23 Ó Deus de meus paes, te louvo e celebro eu, que me déste sabedoria e
força; [12] e agora me fizeste saber o que te pedimos, porque nos fizeste
saber [ACS] a coisa do rei.
24 Por isso Daniel entrou a Arioch, ao qual o rei tinha constituido para
matar os sabios de Babylonia: entrou, e disse-lhe assim: Não mates os
sabios de Babylonia; introduze-me na presença do rei, e declararei ao rei
a interpretação.
25 Então Arioch depressa introduziu a Daniel na presença do rei, e
disse-lhe assim: Achei um d’entre os filhos dos captivos de Judah, o qual
fará saber ao rei a interpretação.
26 Respondeu o rei, e disse a Daniel (cujo nome _era_ Belteshazzar):
Podes tu fazer-me saber o sonho que vi e a sua interpretação?
27 Respondeu Daniel na presença do rei, e disse: O segredo que o rei
requer, nem sabios, _nem_ astrologos, _nem_ magos, _nem_ adivinhos _o_
podem declarar ao rei;
28 Mas [13] ha um Deus nos céus, o qual revela os segredos; elle pois fez
saber ao rei Nabucodonozor o que ha de ser [14] no fim dos dias; o teu
sonho e as visões da tua cabeça na tua cama são estas:
29 Estando tu, ó rei, na tua cama, subiram os teus pensamentos, ácerca do
que ha de ser depois d’isto. Aquelle pois [15] que revela os segredos te
fez saber o que ha de ser.
30 E a mim, [16] não pela sabedoria que em mim haja, mais do que _em_
todos os viventes, me foi revelado este segredo, [17] mas para que
a interpretação se fizesse saber ao rei, e para que entendesse os
pensamentos do teu coração.
31 Tu, ó rei, estavas vendo, e eis aqui uma grande estatua: esta estatua
_era_ grande, e o seu esplendor _era_ excellente, _e_ estava em pé diante
de ti; e a sua vista _era_ terrivel.
32 A cabeça [18] d’aquella estatua _era_ de oiro fino; o seu peito e os
seus braços de prata; o seu ventre e as suas coxas de cobre;
33 As pernas de ferro; os seus pés em parte de ferro e em parte de barro.
34 Estavas vendo, até que uma pedra foi cortada, [19] sem mão, a qual
feriu a estatua nos pés de ferro e de barro, e os esmiuçou.
35 Então foi juntamente esmiuçado o ferro, o barro, o cobre, a prata e
o oiro, [20] e se fizeram como pragana das eiras do estio, e o vento os
levou, e não se achou logar algum para elles; mas a pedra, que feriu a
estatua, se fez _um_ [21] grande monte, e encheu toda a terra.
36 Este é o sonho; tambem a interpretação d’elle diremos na presença do
rei.
37 Tu, [22] ó rei, _és_ rei de reis: pois o Deus do céu te tem dado o
reino, a potencia, e a força, e a magestade.
38 E onde [23] quer que habitem filhos de homens, bestas do campo, e
aves do céu, t’os entregou na tua mão, e fez que dominasses sobre todos
elles; [24] tu és a cabeça de oiro.
39 E depois de ti se levantará outro reino, [25] inferior ao teu; e outro
terceiro reino, de metal, o qual dominará sobre toda a terra.
40 E [26] o quarto reino será forte como ferro; da maneira que o ferro
esmiuça e enfraquece tudo, como o ferro, que quebranta todas estas
coisas, _assim_ esmiuçará e quebrantará.
41 E, quanto [27] ao que viste dos pés e dos dedos, em parte de barro
de oleiro, e em parte de ferro, isso será _um_ reino dividido; comtudo
haverá n’elle _alguma coisa_ da firmeza do ferro, porquanto viste o ferro
misturado com barro de lodo.
42 E os dedos dos pés, em parte de ferro e em parte de barro, _querem
dizer_: por uma parte o reino será forte, e por outra será fragil.
43 Quanto ao que viste do ferro misturado com barro de lodo,
misturar-se-hão com semente humana, mas não se apegarão um ao outro,
assim como o ferro se não mistura com o barro.
44 Mas, nos dias d’estes reis, [28] o Deus do céu levantará um reino que
não será jámais destruido; e este reino não será deixado a outro povo:
[29] esmiuçará e consumirá todos estes reinos, mas elle mesmo estará
estabelecido para sempre.
45 Da maneira [30] que viste que do monte foi cortada uma pedra, sem
mãos, e ella esmiuçou o ferro, o cobre, o barro, a prata e o oiro, o Deus
grande fez saber ao rei o que ha de ser depois d’isto; e certo é o sonho,
e fiel a sua interpretação.
46 Então [31] o rei Nabucodonozor caiu sobre o seu rosto, e adorou a
Daniel, [32] e ordenou que lhe sacrificassem offerta de manjares e
perfumes suaves.
47 Respondeu o rei a Daniel, e disse: Certo _é_ que o vosso Deus _é_ Deus
de deuses, e o Senhor dos reis, e o revelador dos segredos, [33] pois
podeste revelar este segredo.
48 Então o rei engrandeceu a Daniel, [34] e lhe deu muitos _e_ grandes
dons, e o poz por governador de toda a provincia de Babylonia, [35] como
tambem por principe dos prefeitos sobre todos os sabios de Babylonia.
49 E pediu Daniel ao rei, [36] e constituiu elle sobre os negocios da
provincia de Babylonia a Sadrach, Mesach e Abed-nego; [37] porém Daniel
_estava_ á porta do rei.
[1] Gen. 41.8. cap. 4.5. Est. 6.1. cap. 6.18.
[2] Gen. 41.8. cap. 5.7.
[3] I Reis 1.31. cap. 3.9 e 5.10.
[4] Esd. 6.11. cap. 3.29.
[5] cap. 5.16.
[6] ver. 28. cap. 5.11.
[7] Mat. 18.19.
[8] Num. 12.6. Job 33.15, 16.
[9] I Chr. 29.30. Est. 1.13. cap. 7.25 e 11.6. Jer. 27.5.
[10] Thi. 1.5.
[11] Heb. 4.13. Thi. 1.17.
[12] ver. 18.
[13] Gen. 40.8. ver. 18, 47. Amós 4.13.
[14] Gen. 49.1.
[15] ver. 22, 28.
[16] Gen. 41.16. Act. 3.12.
[17] ver. 47.
[18] ver. 38, etc.
[19] cap. 8.25. II Cor. 5.1.
[20] Ose. 13.3.
[21] Isa. 2.2, 3.
[22] Esd. 7.12. Isa. 47.5. Jer. 27.6, 7. Eze. 26.7, 8, 10.
[23] cap. 4.21, 22. Jer. 27.6.
[24] ver. 32.
[25] cap. 5.28, 31. ver. 32.
[26] cap. 7.7, 23.
[27] ver. 33.
[28] ver. 28. cap. 4.34. Miq. 4.7. Luc. 1.32, 33.
[29] Isa. 60.12.
[30] ver. 35. Isa. 28.16.
[31] Act. 10.25 e 14.13.
[32] Esd. 6.10.
[33] ver. 28.
[34] ver. 6.
[35] cap. 5.11 e 9.4.
[36] cap. 3.12.
[37] Est. 2.19, 21 e 3.2.
_A estatua de oiro: os companheiros de Daniel no forno de fogo ardente._
[Antes de Christo 580]
3 O rei Nabucodonozor fez uma estatua de oiro, a altura da qual _era_ de
sessenta covados, e a sua largura de seis covados: levantou-a no campo de
Dura, na provincia de Babylonia.
2 E o rei Nabucodonozor mandou ajuntar os sátrapas, os prefeitos e
presidentes, os juizes, os thesoureiros, os conselheiros, os officiaes, e
todos os governadores das provincias, para que viessem á consagração da
estatua que o rei Nabucodonozor tinha levantado.
3 Então se ajuntaram os sátrapas, os prefeitos e presidentes, os juizes,
os thesoureiros, os conselheiros, os officiaes, e todos os governadores
das provincias, á consagração da estatua que o rei Nabucodonozor tinha
levantado, e estavam em pé diante da estatua que Nabucodonozor tinha
levantado.
4 E o pregoeiro apregoava em alta _voz_: Ordena-se a vós, [1] ó povos,
nações e linguagens:
5 Quando ouvirdes o som da buzina, do pifaro, da harpa, da sambuca,
do psalterio, da [ACT] symphonia, e de toda a sorte de musica, vos
prostrareis, e adorareis a estatua de oiro que o rei Nabucodonozor tem
levantado.
6 E qualquer que se não prostrar e _a_ não adorar, [2] será na mesma hora
lançado dentro do forno de fogo ardente.
7 Portanto, no mesmo instante em que todos os povos ouviram o som da
buzina, do pifaro, da harpa, da sambuca, do psalterio, e de toda a sorte
de musica, se prostraram todos os povos, nações e linguas, e adoraram a
estatua de oiro que o rei Nabucodonozor tinha levantado.
8 Por isso, no mesmo instante se chegaram [3] _alguns_ homens chaldeos, e
accusaram os judeos.
9 E fallaram, e disseram ao rei Nabucodonozor: [4] Ó rei, vive
eternamente!
10 Tu, ó rei, fizeste _um_ decreto, que todo o homem que ouvisse o som da
buzina, do pifaro, da harpa, da sambuca, do psalterio, e da symphonia, e
de toda a sorte de musica, se prostrasse e adorasse a estatua de oiro;
11 E, qualquer que se não prostrasse e adorasse, fosse lançado dentro do
forno de fogo ardente.
12 [5] Ha uns homens judeos, os quaes constituiste sobre os negocios da
provincia de Babylonia: Sadrach, Mesach e Abed-nego: estes homens, ó rei,
não fizeram caso de ti; a teus deuses não servem, nem a estatua de oiro,
que levantaste, adoraram.
13 Então Nabucodonozor, com ira e furor, mandou trazer a Sadrach, Mesach
e Abed-nego. E trouxeram a estes homens perante o rei.
14 Fallou Nabucodonozor, e lhes disse: _Porventura_ de proposito, ó
Sadrach, Mesach e Abed-nego, vós não servis a meus deuses nem adoraes a
estatua de oiro que levantei?
15 Agora pois, se estaes promptos, quando ouvirdes o som da buzina, do
pifaro, da guitarra, da harpa, do psalterio, da symphonia, e de toda a
sorte de musica, para vos prostrardes e adorardes a estatua que fiz, _bom
é_; mas, se a não adorardes, sereis lançados, na mesma hora, dentro do
forno de fogo ardente: [6] e quem _é_ o Deus que vos poderá livrar das
minhas mãos?
16 Responderam Sadrach, Mesach e Abed-nego, e disseram ao rei
Nabucodonozor: Não necessitamos de te responder sobre este negocio.
17 Eis que é nosso Deus, a quem nós servimos, que nos pode livrar; elle
_nos_ livrará do forno de fogo ardente, _e_ da tua mão, ó rei.
18 E, se não, sabe tu, ó rei, que não serviremos a teus deuses nem
adoraremos a estatua de oiro que levantaste.
19 Então Nabucodonozor se encheu de furor, e se mudou o aspecto do seu
semblante contra Sadrach, Mesach e Abed-nego: respondeu, e ordenou que o
forno se accendesse sete vezes mais do que se costumava accender.
20 E ordenou aos homens mais valentes de força, que estavam no seu
exercito, que atassem a Sadrach, Mesach e Abed-nego, para os lançar no
forno de fogo ardente.
21 Então estes homens foram atados com as suas capas, seus calções, e
seus chapeus, e seus vestidos, e foram lançados dentro do forno de fogo
ardente.
22 E, porque a palavra do rei apertava, e o forno estava sobre-maneira
acceso, a chamma do fogo matou aquelles homens que levantaram a Sadrach,
Mesach e Abed-nego.
23 E estes tres homens, Sadrach, Mesach e Abed-nego, cairam atados dentro
do forno de fogo ardente.
24 Então o rei Nabucodonozor se espantou, e se levantou depressa: fallou,
e disse aos seus capitães: _Porventura_ não lançámos tres homens atados
dentro do fogo? Responderam e disseram ao rei: Verdade é, ó rei.
25 Respondeu, e disse: Eis aqui vejo quatro homens soltos, [7] que andam
passeando dentro do fogo, e nada ha de lesão n’elles; [8] e o aspecto do
quarto é similhante ao filho dos deuses.
26 Então se chegou Nabucodonozor á porta do forno de fogo ardente;
fallou, e disse: Sadrach, Mesach e Abed-nego, servos do Deus Altissimo,
sahi e vinde! Então Sadrach, Mesach e Abed-nego sairam do meio do fogo.
27 E ajuntaram-se os sátrapas, os prefeitos, e os presidentes, e os
capitães do rei, contemplando estes homens, [9] como o fogo não tinha
tido poder algum sobre os seus corpos: nem _um só_ cabello da sua cabeça
se tinha queimado, nem as suas capas se mudaram, nem cheiro de fogo tinha
passado sobre elles.
28 Fallou Nabucodonozor, e disse: Bemdito _seja_ o Deus de Sadrach,
Mesach e Abed-nego, que enviou o seu anjo, e livrou os seus servos, que
confiaram n’elle, [10] pois [ACU] violaram a palavra do rei, e entregaram
os seus corpos, para que não servissem nem adorassem algum _outro_ deus,
senão o seu Deus.
29 Por mim pois [11] se faz _um_ decreto, que todo o povo, nação e lingua
que disser blasphemia contra o Deus de Sadrach, Mesach e Abed-nego, seja
despedaçado, e a sua casa seja feita _um_ monturo; [12] porquanto não ha
outro Deus que possa livrar como este.
30 Então o rei fez prosperar a Sadrach, Mesach e Abed-nego, na provincia
de Babylonia.
[1] cap. 6.25.
[2] Apo. 13.15.
[3] cap. 6.12.
[4] cap. 2.4 e 5.10.
[5] cap. 2.49.
[6] Exo. 5.2. II Reis 18.35.
[7] Isa. 43.2.
[8] Job 1.6 e 38.7. ver. 28.
[9] Heb. 11.34.
[10] Jer. 17.7. cap. 6.22, 23.
[11] cap. 6.26.
[12] cap. 6.27.
_O edito do rei. O seu sonho d’uma arvore grande: a sua loucura._
[Antes de Christo 570]
4 Nabucodonozor rei: a todos os povos, [1] nações, e linguas, que moram
em toda a terra: Paz vos seja multiplicada.
2 Pareceu-me bem fazer notorios os signaes e maravilhas que Deus, o
Altissimo, [2] tem feito para comigo.
3 Quão [3] grandes _são_ os seus signaes, e quão poderosas as suas
maravilhas! [4] o seu reino _é_ um reino sempiterno, e o seu dominio de
geração em geração.
4 Eu, Nabucodonozor, estava socegado em minha casa, e florescente no meu
palacio.
5 Tive _um_ sonho, que me espantou; [5] e as imaginações na minha cama e
as visões da minha cabeça [6] me turbaram.
6 Por mim pois se fez um decreto, para introduzir á minha presença todos
os sabios de Babylonia, para que me fizessem saber a interpretação do
sonho.
7 Então [7] entraram os magos, os astrologos, os chaldeos, e os
adivinhadores, e eu contei o sonho diante d’elles; mas não me fizeram
saber a sua interpretação.
8 Porém por fim entrou na minha presença Daniel, cujo nome _é_
Belteshazzar, [8] segundo o nome do meu deus, e no qual _ha_ o espirito
dos deuses sanctos; e eu contei o sonho diante d’elle:
9 Belteshazzar, [9] principe dos magos, pois eu sei que _ha_ em ti o
espirito dos deuses sanctos, e nenhum segredo te é difficil; dize-me as
visões do meu sonho que tive e a sua interpretação.
10 _Eram_ pois as visões da minha cabeça, na minha cama: eu estava vendo,
[10] e eis uma arvore no meio da terra, cuja altura era grande;
11 Crescia esta arvore, e se fazia forte, de maneira que a sua altura
chegava até ao céu; e foi vista até á extremidade de toda a terra.
12 A sua folhagem _era_ formosa, e o seu fructo muito, e _havia_ n’ella
sustento para todos: [11] debaixo d’ella as bestas do campo achavam
sombra, e as aves do céu faziam morada nos seus ramos, e toda a carne se
mantinha d’ella.
13 Estava vendo nas visões da minha cabeça, na minha cama; e eis que [12]
_um_ vigia, um sancto, descia do céu,
14 Clamando fortemente, e dizendo assim: [13] Cortae a arvore, e
decotae-lhe os ramos, sacudi as suas folhas, espalhae o seu fructo;
afugentem-se as bestas de debaixo d’ella, e as aves dos seus ramos.
15 Porém o tronco com as suas raizes deixae na terra, e com atadura de
ferro e de bronze, na herva do campo: e _seja_ molhado do orvalho do céu,
e a sua porção seja com as bestas na [ACV] gramma da terra:
16 Seja mudado o seu coração, que não seja mais _coração_ de homem, e lhe
seja dado coração de besta; [14] e passem sobre elle sete tempos.
17 Esta sentença é por decreto dos vigiadores, e este [ACW] mando _por_
dito dos sanctos; a fim de que conheçam os viventes [15] que o Altissimo
domina sobre os reinos dos homens; e os dá a quem quer, e _até_ ao mais
baixo dos homens constitue sobre elles.
18 Isto _em_ sonho vi eu, rei Nabucodonozor: tu, pois, Belteshazzar, dize
a interpretação: [16] porque todos os sabios do meu reino não poderam
fazer-me saber a sua interpretação; mas tu podes; pois _ha_ em ti o
espirito dos deuses sanctos.
19 Então Daniel, cujo nome _era_ Belteshazzar, esteve attonito quasi uma
hora, e os seus pensamentos o turbavam; fallou _pois_ o rei, e disse:
Belteshazzar, não te espante o sonho, nem a sua interpretação. Respondeu
Belteshazzar, e disse; Senhor meu: [17] o sonho _seja_ contra os que te
teem odio, e a sua interpretação aos teus inimigos.
20 A arvore [18] que viste, que cresceu, e se fez forte, cuja altura
chegava até ao céu, e que foi vista por toda a terra,
21 E cujas folhas _eram_ formosas, e o seu fructo muito, e em que para
todos _havia_ mantimento, debaixo da qual moravam as bestas do campo, e
em cujos ramos habitavam as aves do céu;
22 Esta _arvore [19] és_ tu, ó rei, que cresceste, e te fizeste forte; e
a tua grandeza cresceu, e chegou [20] até ao céu, e o teu dominio até á
extremidade da terra.
23 E quanto [21] ao que viu o rei, um vigia, um sancto, _que_ descia do
céu, e disse: Cortae a arvore, e a destrui, porém o tronco _com_ as suas
raizes deixae na terra, e com atadura de ferro e de bronze, na herva do
campo; e seja molhado do orvalho do céu, e [22] a sua porção seja com as
bestas do campo, até que passem sobre elle sete tempos;
24 Esta _é_ a interpretação, ó rei: e este _é_ o decreto do Altissimo,
que virá sobre o rei, meu senhor,
25 _A saber_: [23] Lançar-te-hão de entre os homens, e a tua morada será
com as bestas do campo, e te farão comer herva como os bois, e serás
molhado do orvalho do céu; e passar-se-hão sete tempos por cima de ti:
até que conheças que o Altissimo domina sobre o reino dos homens, e os dá
a quem quer.
26 E quanto ao que foi dito, que deixassem o tronco _com_ as raizes da
arvore, o teu reino te _ficará_ firme, [24] depois que tiveres conhecido
que o céu reina.
27 Portanto, ó rei, acceita o meu conselho, [25] e desfaze os teus
peccados pela justiça, e as tuas iniquidades usando de misericordia com
os pobres, [26] se _porventura_ houver prolongação da tua paz.
28 Todas estas coisas vieram sobre o rei Nabucodonozor.
29 _Porque_ ao cabo de doze mezes, _quando_ andava passeando sobre o
palacio real de Babylonia,
30 Fallou [27] o rei, e disse: _Porventura_ não é esta a grande Babylonia
que eu edifiquei para a casa real, com a força da minha potencia, e para
gloria da minha magnificencia?
31 Ainda estava a [28] palavra na bocca do rei, quando caiu uma voz do
céu: A ti se diz, ó rei Nabucodonozor: Passou de ti o reino.
32 E te lançarão d’entre os homens, e a tua morada _será_ com as bestas
do campo: far-te-hão comer herva como os bois, e passar-se-hão sete
tempos sobre ti, até que conheças que o Altissimo domina sobre os reinos
dos homens, e os dá a quem quer.
[Antes de Christo 563]
33 Na mesma hora se cumpriu a palavra sobre Nabucodonozor, e foi lançado
d’entre os homens, e comia herva como os bois, e o seu corpo foi molhado
do orvalho do céu, até que lhe cresceu pello, como as pennas da aguia, e
as suas unhas como _as_ das aves.
34 Mas ao fim d’aquelles dias [29] eu, Nabucodonozor, levantei os meus
olhos ao céu, e tornou-me a vir o meu entendimento, e eu bemdisse o
Altissimo, [30] e louvei e glorifiquei ao que vive para sempre, cujo
dominio _é_ um dominio sempiterno, e cujo reino _é_ de geração em geração.
35 E todos [31] os moradores da terra _são_ reputados em nada, e segundo
a sua vontade faz com o exercito do céu e os moradores da terra: não ha
quem possa estorvar a sua mão, [32] e lhe diga, Que fazes?
36 No mesmo tempo me tornou a vir o meu entendimento, e para a dignidade
do meu reino [33] tornou-me a vir a minha magestade e o meu resplandor;
e me buscaram os meus capitães e os meus grandes; e fui restabelecido no
meu reino, [34] e se me accrescentou uma gloria maior _do que nunca_.
37 Agora _pois_ eu, Nabucodonozor, louvo, e exalço, e glorifico ao rei do
céu; porque todas as suas obras _são_ verdade, [35] e os seus caminhos
juizo, e pode humilhar aos que andam na soberba.
[1] cap. 3.4 e 6.25.
[2] cap. 3.26.
[3] cap. 6.27.
[4] cap. 2.44 e 6.26.
[5] cap. 2.28, 29.
[6] cap. 2.1.
[7] cap. 2.2.
[8] cap. 1.7. Isa. 63.11. ver. 18. cap. 2.11.
[9] cap. 2.48 e 5.11.
[10] Eze. 31.3, etc. ver. 20.
[11] Eze. 17.23 e 31.6. Lam. 4.20.
[12] ver. 17, 23.
[13] Mat. 3.10. Eze. 31.12.
[14] cap. 11.13 e 12.7.
[15] cap. 2.21 e 5.21. ver. 25, 32.
[16] Gen. 41.8, 15. cap. 5.8, 15.
[17] II Sam. 18.32.
[18] ver. 11, 12.
[19] cap. 2.38.
[20] Jer. 27.6, 7, 8.
[21] ver. 13.
[22] cap. 5.21.
[23] ver. 32. cap. 5.21, etc.
[24] Mat. 21.25.
[25] I Ped. 4.8.
[26] I Reis 21.29.
[27] cap. 5.20.
[28] Luc. 12.20.
[29] ver. 26.
[30] Apo. 4.10. Miq. 4.7. Luc. 1.33.
[31] Isa. 40.15, 17.
[32] Job 34.29. Job 9.12. Isa. 45.9. Rom. 9.20.
[33] ver. 26.
[34] Mat. 6.33.
[35] Apo. 15.3 e 16.7.
_O banquete do rei Belshazzar. A mão mysteriosa._
[Antes de Christo 538]
5 O rei Belshazzar deu [1] um grande banquete aos seus mil grandes, e
bebeu vinho na presença dos mil.
2 Havendo Belshazzar provado o vinho, mandou trazer os vasos de oiro e
de prata, [2] que Nabucodonozor, seu pae, tinha tirado do templo que
_estava_ em Jerusalem, para que bebessem por elles o rei, e os seus
grandes, as suas mulheres e concubinas.
3 Então trouxeram os vasos de oiro, que foram tirados do templo da casa
de Deus, que estava em Jerusalem, e beberam por elles o rei, os seus
grandes, as suas mulheres e concubinas.
4 Beberam o vinho, [3] e deram louvores aos deuses de oiro, e de prata,
de cobre, de ferro, de madeira, e de pedra.
5 Na mesma hora sahiam uns dedos de mão de homem, e escreviam, defronte
do castiçal, na caiadura da parede do palacio real; e o rei via a parte
da mão que estava escrevendo.
6 Então se mudou o semblante do rei, e os seus pensamentos o turbaram:
as juntas dos seus lombos se relaxaram, e os seus joelhos bateram um no
outro.
7 E clamou o rei [4] com força, que se introduzissem os astrologos,
os chaldeos e os adivinhadores: e fallou o rei, e disse aos sabios
de Babylonia: Qualquer que ler esta escriptura, e me declarar a sua
interpretação, será vestido da purpura, e trará uma cadeia de oiro ao
pescoço, e será, no reino, o terceiro dominador.
8 Então entraram todos os sabios do rei; [5] mas não poderam ler a
escriptura, nem fazer saber ao rei a sua interpretação.
9 Então o rei Belshazzar perturbou-se muito, e mudou-se n’elle o seu
semblante; e os seus grandes estavam sobresaltados.
10 A rainha, _pois_, por causa das palavras do rei e dos seus grandes,
entrou na casa do banquete: e fallou a rainha, e disse: [6] Ó rei, vive
para sempre! não te turbem os teus pensamentos, nem se mude o teu
semblante.
11 Ha um homem no teu reino, no qual _ha_ o espirito dos deuses sanctos;
e nos dias de teu pae se achou n’elle luz, e intelligencia, e sabedoria,
como a sabedoria dos deuses; e teu pae, o rei Nabucodonozor, teu pae, ó
rei, o constituiu chefe dos magos, dos astrologos, dos chaldeos, _e_ dos
adivinhadores;
12 Porquanto se achou n’este Daniel [7] um espirito excellente, e
sciencia e entendimento, interpretando sonhos, e declarando enigmas, e
solvendo duvidas, [8] ao qual rei poz o nome de Belteshazzar: chame-se
_pois_ agora Daniel, e elle declarará a interpretação.
13 Então Daniel foi introduzido á presença do rei. Fallou o rei, e disse
a Daniel: _És_ tu aquelle Daniel, dos captivos de Judah, que o rei, meu
pae, trouxe de Judah?
14 Porque tenho ouvido _dizer_ [9] a teu respeito que o espirito dos
deuses _está_ em ti, e que a luz, e o entendimento e a excellente
sabedoria se acham em ti.
15 E agora [10] foram introduzidos á minha presença os sabios _e_ os
astrologos, [11] para lerem esta escriptura, e me fazerem saber a sua
interpretação; mas não poderam declarar a interpretação d’estas palavras.
16 Eu porém tenho ouvido dizer de ti que podes dar interpretações e
solver duvidas: agora, se poderes ler esta escriptura, e fazer-me saber a
sua interpretação, serás vestido de purpura, e _terás_ cadeia de oiro ao
pescoço, e no reino serás o terceiro dominador.
17 Então respondeu Daniel, e disse na presença do rei: Os teus dons
fiquem comtigo, e dá os teus presentes a outro; comtudo lerei ao rei a
escriptura, e lhe farei saber a interpretação.
18 Quanto a ti, [12] ó rei! Deus, o Altissimo, deu a Nabucodonozor, teu
pae, o reino, e a grandeza, e a gloria, e a magnificencia.
19 E por causa da grandeza, que lhe deu, [13] todos os povos, nações e
linguas tremiam e temiam diante d’elle: a quem queria matava, e a quem
queria dava a vida; e a quem queria engrandecia, e a quem queria abatia.
20 Mas quando o seu coração se exalçou, e o seu espirito se endureceu em
soberba, foi derribado do seu throno real, e passou d’elle a _sua_ gloria.
21 E _foi_ lançado d’entre os filhos dos homens, e o seu coração foi
feito similhante ao das bestas, e a sua morada foi com os jumentos
montezes; fizeram-n’o comer a herva como os bois, e do orvalho do céu foi
molhado o seu corpo, até que conheceu que Deus, o Altissimo, domina sobre
os reinos dos homens, e a quem quer constitue sobre elles.
22 E tu, seu filho Belshazzar, [14] não humilhaste o teu coração, ainda
que soubeste tudo isto.
23 E [15] te levantaste contra o Senhor do céu, pois trouxeram os vasos
da casa d’elle perante ti, e tu, os teus grandes, as tuas mulheres e as
tuas concubinas, bebestes vinho por elles; de mais d’isto, déste louvores
aos deuses de prata, de oiro, de cobre, de ferro, de madeira e de pedra,
que nem vêem, nem ouvem, nem sabem; mas a Deus, [16] em cuja mão _está_ a
tua vida, e todos os teus caminhos, a elle não glorificaste.
24 Então d’elle foi enviada aquella parte da mão, e escreveu-se esta
escriptura.
25 Esta pois _é_ a escriptura que se escreveu: MENE, MENE, TEKEL,
UPHARSIN.
26 Esta _é_ a interpretação d’aquillo: MENE: Contou Deus o teu reino, e o
acabou.
27 TEKEL: [17] Pesado foste na balança, e foste achado em falta.
28 PERES: Dividido foi o teu reino, [18] e deu-se aos medos e aos persas.
29 Então mandou Belshazzar que vestissem a Daniel de purpura, e que lhe
pozessem _uma_ cadeia de oiro ao pescoço, [19] e proclamassem a respeito
d’elle que havia de ser o terceiro dominador do reino.
30 _Mas_ na mesma noite [20] foi morto Belshazzar, rei dos chaldeos.
31 E Dario, o medo, occupou o reino, _sendo_ da edade de sessenta e dois
annos.
[1] Est. 1.3.
[2] cap. 1.2. Jer. 52.19.
[3] Apo. 9.20.
[4] cap. 2.2 e 4.6. Isa. 47.13.
[5] cap. 2.27 e 4.7.
[6] cap. 2.4 e 3.9.
[7] cap. 6.3.
[8] cap. 1.7.
[9] ver. 11, 12.
[10] ver. 7, 8.
[11] ver. 7.
[12] cap. 2.37, 38 e 4.17, 22, 25.
[13] Jer. 27.7. cap. 3.4.
[14] II Chr. 33.23 e 36.12.
[15] ver. 3, 4.
[16] Jer. 10.23.
[17] Job 31.6. Jer. 6.30.
[18] Isa. 21.2. ver. 31. cap. 9.1. cap. 6.28.
[19] ver. 7.
[20] Jer. 51.31, 39, 57. cap. 9.1.
_Daniel na cova dos leões._
[Antes de Christo 537]
6 E pareceu bem a Dario [1] constituir sobre o reino a cento e vinte
presidentes, que estivessem sobre todo o reino;
2 E sobre elles tres principes, dos quaes Daniel era um, aos quaes estes
presidentes déssem conta, para que o rei não soffresse damno.
3 Então o mesmo Daniel sobrepujou a estes principes e presidentes; [2]
porque n’elle _havia_ um espirito excellente; porquanto o rei pensava
constituil-o sobre todo o reino.
4 Então os principes e os presidentes procuravam achar occasião contra
Daniel a respeito do reino; mas não podiam achar occasião ou culpa
alguma; porque elle _era_ fiel, e não se achava n’elle nenhum vicio nem
culpa.
5 Então estes homens disseram: Nunca acharemos occasião alguma contra
este Daniel, se não _a_ acharmos contra elle na lei do seu Deus.
6 Então estes principes e presidentes foram juntos ao rei, e disseram-lhe
assim: Ó rei Dario, [3] vive para sempre!
7 Todos os principes do reino, os prefeitos e presidentes, capitães e
governadores, tomaram conselho afim de estabelecerem um edicto real e
fazerem um mandamento firme: que qualquer que, por espaço de trinta dias,
fizer uma petição a qualquer deus, ou a _qualquer_ homem, e não a ti, ó
rei, seja lançado na cova dos leões.
8 Agora _pois_, ó rei, confirma o edicto, e assigna a escriptura, para
que não se mude, [4] conforme a lei dos medos e dos persas, que se não
pode revogar.
9 Por esta causa o rei Dario assignou esta escriptura e edicto.
10 Daniel, pois, quando soube que a escriptura estava assignada, entrou
na sua casa (ora havia no seu quarto [5] janellas abertas da banda
de Jerusalem), e tres vezes no dia se punha de joelhos, e orava, e
confessava diante do seu Deus, [6] como tambem antes costumava fazer.
11 Então aquelles homens foram juntos, e acharam a Daniel orando e
supplicando diante do seu Deus.
12 Então se chegaram, [7] e disseram diante do rei: No tocante ao edicto
real, _porventura_ não assignaste o edicto, que todo o homem que fizesse
uma petição a qualquer deus, ou a qualquer homem, por espaço de trinta
dias, e não a ti, ó rei, fosse lançado na cova dos leões? Respondeu o
rei, e disse: [8] Esta palavra _é_ certa, conforme a lei dos medos e dos
persas, que se não pode revogar.
13 Então responderam, e disseram diante do rei: [9] Daniel, que _é_ dos
transportados de Judah, [10] não tem feito caso de ti, ó rei, nem do
edicto que assignaste, antes tres vezes por dia faz a sua oração.
14 Ouvindo então o rei o negocio, [11] ficou muito penalisado, e a favor
de Daniel propoz dentro do seu coração tiral-o; e até ao pôr do sol
trabalhou por o salvar.
15 Então aquelles homens se foram juntos ao rei, e disseram ao rei: [12]
Sabe, ó rei, que é uma lei dos medos e dos persas que nenhum edicto ou
ordenança, que o rei determine, se pode mudar.
16 Então o rei ordenou que trouxessem a Daniel, e o lançaram na cova
dos leões. E, fallando o rei, disse a Daniel: O teu Deus, a quem tu
continuamente serves, elle te livrará.
17 E [13] foi trazida _uma_ pedra, e foi posta sobre a bocca da cova;
[14] e o rei a sellou com o seu annel e com o annel dos seus grandes,
para que se não mudasse a sentença ácerca de Daniel.
18 Então o rei se foi para o seu palacio, e passou a noite _em_ jejum,
e não deixou trazer á sua presença instrumentos de musica; [15] e fugiu
d’elle o somno.
19 Então o rei se levantou pela manhã cedo, e foi com pressa á cova dos
leões.
20 E, chegando-se á cova, chamou por Daniel com voz triste; e, fallando o
rei, disse a Daniel: Daniel, servo do Deus vivo! [16] dar-se-hia o caso
que o teu Deus, a quem tu continuamente serves, te podesse livrar dos
leões?
21 Então Daniel fallou ao rei: [17] Ó rei, vive para sempre!
22 O meu Deus [18] enviou o seu anjo, e fechou a bocca dos leões, para
que não me fizessem damno, porque foi achada em mim innocencia diante
d’elle; e tambem contra ti, ó rei, não tenho commettido delicto algum.
23 Então o rei muito se alegrou em si mesmo, e mandou tirar a Daniel da
cova: assim foi tirado Daniel da cova, e nenhum damno se achou n’elle,
[19] porque crêra no seu Deus.
24 Então ordenou o rei, [20] e foram trazidos aquelles homens que tinham
accusado a Daniel, e foram lançados na cova dos leões, elles, [21] seus
filhos e suas mulheres; e _ainda_ não tinham chegado ao fundo da cova
quando os leões se apoderaram d’elles, e lhes esmigalharam todos os ossos.
25 Então [22] o rei Dario escreveu a todos os povos, nações e linguas que
moram em toda a terra: A paz vos seja multiplicada.
26 Da minha parte [23] é feito _um_ decreto, que em todo o dominio do
meu reino tremam _todos_ e temam perante o Deus de Daniel; porque elle é
o Deus vivo e permanecente para sempre, [24] e o seu reino não se pode
destruir, e o seu dominio _dura_ até ao fim.
27 Elle faz escapar e livra, e faz signaes e maravilhas no céu e na
terra, o qual fez escapar a Daniel do poder dos leões.
28 Este Daniel, pois, prosperava no reinado de Dario, [25] e no reinado
de Cyro, o persa.
[1] Est. 1.1.
[2] cap. 5.12.
[3] ver. 21. cap. 2.4.
[4] Est. 1.19 e 8.8. ver. 12, 15.
[5] I Reis 8.44, 48. Jon. 2.4.
[6] Act. 10.9.
[7] cap. 3.8.
[8] ver. 8.
[9] cap. 1.6 e 5.13.
[10] cap. 3.12.
[11] Mar. 6.26.
[12] ver. 8.
[13] Lam. 3.53.
[14] Mat. 27.66.
[15] cap. 2.1.
[16] cap. 3.15.
[17] cap. 2.4.
[18] cap. 3.28. Heb. 11.33.
[19] Heb. 11.33.
[20] Deu. 19.19.
[21] Est. 9.10. Deu. 24.16. II Reis 14.6.
[22] cap. 4.1.
[23] cap. 3.29.
[24] cap. 2.44 e 7.14, 27. Luc. 1.33.
[25] cap. 1.21. Eze. 1.1, 2.
_A visão dos quatro animaes symbolicos._
[Antes de Christo 555]
7 No primeiro anno de Belshazzar, rei de Babylonia, [1] teve Daniel um
sonho e visões da sua cabeça _estando_ na sua cama: escreveu logo o
sonho, e relatou a summa das coisas.
2 Fallou Daniel, e disse: Eu estava vendo na minha visão da noite, e eis
que os quatro ventos do céu combatiam no mar grande.
3 E quatro animaes grandes, differentes uns dos outros, subiam do mar.
4 O primeiro [2] _era_ como leão, e tinha azas de aguia: eu estava
olhando, até que lhe foram arrancadas as azas; e foi levantado da terra,
e posto em pé como um homem, e foi-lhe dado um coração de homem.
5 E [3] eis aqui outro segundo animal, similhante a um urso, o qual
se levantou de um lado, e tinha na bocca tres costellas entre os seus
dentes, e foi-lhe dito assim: Levanta-te, devora muita carne.
6 Depois d’isto, eu estava olhando, e eis aqui outro, _que era_ como
leopardo, e tinha quatro azas de ave nas suas costas: [4] tinha tambem
este animal quatro cabeças, e foi-lhe dado dominio.
7 Depois d’isto, eu estava olhando nas visões da noite, [5] e eis aqui o
quarto animal, terrivel e espantoso, e muito forte, o qual tinha dentes
grandes de ferro, devorava e fazia em pedaços, e pizava aos seus pés o
que sobejava; e _era_ differente de todos os animaes que _foram_ antes
d’elle, [6] e tinha [ACX] dez pontas.
8 Estando eu considerando as pontas, [7] eis que outra ponta pequena
subia entre ellas, e tres das pontas primeiras foram arrancadas de diante
d’elle; e eis que n’esta ponta _havia_ olhos, como olhos de homem, [8] e
uma bocca que fallava grandiosamente.
9 Eu estive olhando, [9] até que foram postos uns thronos, e o ancião de
dias se assentou: o seu vestido _era_ branco como a neve, e o cabello da
sua cabeça como a limpa lã; o seu throno chammas de fogo, [10] e as rodas
d’elle fogo ardente.
10 Um rio de fogo [11] manava e sahia de diante d’elle: milhares de
milhares o serviam, [12] e milhões de milhões estavam _em pé_ diante
d’elle: assentou-se o juizo, e abriram-se os livros.
11 Então estive olhando, por causa da voz das grandes palavras que
fallava a ponta: [13] estive olhando até que mataram o animal, e o seu
corpo foi desfeito, e entregue para ser queimado pelo fogo.
12 E, quanto aos outros animaes, foi-lhes tirado o dominio; todavia
foi-lhes dado prolongação de vida até certo espaço de tempo.
13 Eu estava vendo nas minhas visões da noite, [14] e eis que era vindo
nas nuvens do céu _um_ como o filho do homem: e chegou até ao ancião dos
dias, [15] e o fizeram chegar perante elle.
14 E [16] foi-lhe dado o dominio e a honra, e o reino, e que todos os
povos, nações e linguas o servissem: o seu dominio _é_ um dominio eterno,
[17] que não passará, e o seu reino se não destruirá.
15 Quanto a mim, Daniel, o meu espirito foi abatido dentro do corpo, e as
visões da minha cabeça me espantavam.
16 Cheguei-me a um dos que estavam _em pé_, e pedi-lhe a certeza ácerca
de tudo isto. E elle me disse, e fez-me saber a interpretação das coisas.
17 Estes [18] grandes animaes, que são quatro, _são_ quatro reis, _que_
se levantarão da terra.
18 Mas [19] os sanctos do Altissimo receberão o reino, e possuirão o
reino para todo o sempre, e de eternidade em eternidade.
19 Então tive desejo de _ter_ certeza do [20] quarto animal, que era
differente de todos os outros, muito terrivel, cujos dentes _eram_ de
ferro, e as suas unhas de metal; que devorava, fazia em pedaços e pizava
a pés o que sobrava.
20 Tambem das dez pontas que tinha na cabeça, e da outra que subia, de
diante da qual cairam tres, d’aquella ponta, digo, que tinha olhos, e
bocca que fallava grandiosamente, e cujo parecer _era_ maior do que o das
suas companheiras.
21 Eu olhava, [21] e eis que esta ponta fazia guerra contra os sanctos, e
os vencia.
22 Até que [22] veiu o ancião de dias, e se deu o juizo aos sanctos do
Altissimo, e chegou o tempo em que os sanctos possuiram o reino.
23 Disse assim: [23] O quarto animal será o quarto reino na terra, o qual
será differente de todos os reinos; e devorará toda a terra, e a pizará
aos pés, e a fará em pedaços.
24 E, [24] quanto ás dez pontas, d’aquelle mesmo reino se levantarão dez
reis; e depois d’elles se levantará outro, o qual será differente dos
primeiros, e abaterá a tres reis.
25 E [25] fallará palavras contra o Altissimo, [26] e destruirá os
sanctos do Altissimo, e cuidará em mudar os tempos [27] e a lei; e serão
entregues na sua mão por um tempo, e tempos, e a metade d’um tempo.
26 E o juizo estará assentado, e tirarão o seu dominio, para o destruir e
para o desfazer até ao fim.
27 E o reino, e o dominio, e a magestade dos reinos debaixo de todo o
céu [28] se dará ao povo dos sanctos do Altissimo: o seu reino _será_ um
reino eterno, [29] e todos os dominios o servirão, e lhe obedecerão:
28 Até aqui _foi_ o fim do negocio. Quanto a mim, Daniel, [30] os meus
pensamentos muito me espantavam, e mudou-se em mim o meu semblante; [31]
mas guardei o negocio no meu coração.
[1] Num. 12.6. Amós 3.7. cap. 2.28.
[2] Deu. 28.49. Jer. 4.7, 13 e 48.40. Eze. 17.3. Hab. 1.8.
[3] cap. 2.39.
[4] cap. 8.8, 22.
[5] cap. 2.40. ver. 19, 23.
[6] cap. 2.41. Apo. 13.1.
[7] ver. 20, 21, 24. cap. 8.9.
[8] Apo. 9.7. ver. 25. Apo. 13.5.
[9] Apo. 20.4. ver. 13, 22. Apo. 1.14.
[10] Eze. 1.15, 16.
[11] Isa. 30.33 e 66.15. I Reis 22.19. Heb. 12.22. Apo. 5.11.
[12] Apo. 20.4, 12.
[13] Apo. 19.20.
[14] Eze. 1.26. Mat. 24.30 e 26.64. Apo. 1.7, 13 e 14.14.
[15] ver. 9.
[16] Mat. 11.27 e 28.18. João 3.35. I Cor. 15.27. Eph. 1.22. cap. 3.4.
cap. 2.44. ver. 27.
[17] Miq. 4.7. Luc. 1.33. João 12.34. Heb. 12.28.
[18] ver. 3.
[19] Isa. 60.12. ver. 22, 27. Apo. 2.26, 27 e 3.21 e 20.4.
[20] ver. 7.
[21] cap. 8.12, 24. Apo. 11.7 e 13.7 e 17.14 e 19.19.
[22] ver. 9. ver. 18. I Cor. 6.2. Apo. 1.6 e 5.10 e 20.4.
[23] cap. 2.40.
[24] ver. 7, 8, 20. Apo. 17.12.
[25] Isa. 37.23. cap. 8.24, 25 e 11.28, 30, 31, 36. Apo. 13.5, 6.
[26] Apo. 17.6 e 18.24.
[27] cap. 2.21 e 12.7. Apo. 12.14.
[28] ver. 14, 18, 22.
[29] cap. 2.44. Luc. 1.33. Isa. 60.12.
[30] ver. 15. cap. 10.8, 16.
[31] Luc. 2.19, 51.
_A visão d’um carneiro e d’um bode._
[Antes de Christo 553]
8 No anno terceiro do reinado do rei Belshazzar appareceu-me uma visão, a
mim, Daniel, [1] depois d’aquella que me appareceu no principio.
2 E vi n’uma visão [2] (e aconteceu, quando vi, que eu _estava_ na
cidadella de Susan, que _está_ na provincia de Elam), vi pois, n’uma
visão, que eu estava junto ao rio Ulai.
3 E levantei os meus olhos, e vi, e eis que um carneiro estava diante do
rio, o qual tinha duas pontas; e as duas pontas _eram_ altas, porém uma
_era_ mais alta do que a outra; e a _que era_ mais alta subiu por ultimo.
4 Vi que o carneiro dava marradas para o occidente, e para o norte e para
o meio-dia; e nenhuns animaes podiam parar diante d’elle, nem _havia_
quem livrasse da sua mão; e fazia conforme a sua vontade, [3] e se
engrandecia.
5 E, estando eu considerando, eis que um bode vinha do occidente sobre
toda a terra, e não tocava a terra; [4] e aquelle bode tinha uma ponta
insigne entre os olhos;
6 E vinha ao carneiro que tinha as duas pontas, ao qual eu tinha visto
_em pé_ diante do rio; e correu contra elle com _todo_ o impeto da sua
força.
7 E o vi chegar perto do carneiro, e se irritou contra elle, e feriu o
carneiro, e lhe quebrou as duas pontas, pois não havia força no carneiro
para parar diante d’elle, e o lançou por terra, e o pizou a pés; nem
houve quem livrasse o carneiro da sua mão.
8 E o bode se engrandeceu em grande maneira; mas, estando na sua _maior_
força, aquella grande ponta foi quebrada: e subiram no seu logar _outras_
quatro insignes, [5] para os quatro ventos do céu.
9 E [6] de uma d’ellas saiu uma ponta mui pequena, a qual cresceu muito
para o meio-dia, e para o oriente, e para a _terra_ formosa.
10 E [7] se engrandeceu até ao exercito do céu: e a _alguns_ do exercito,
e das estrellas, deitou por terra, e as pizou.
11 E [8] se engrandeceu até ao principe do exercito: e por elle foi
tirado o continuo _sacrificio_, [9] e o logar do seu sanctuario foi
lançado por terra.
12 E [10] o exercito foi entregue por causa das transgressões contra o
continuo _sacrificio_; e lançou a verdade por terra, [11] e o fez, e
prosperou.
13 Depois [12] ouvi um sancto que fallava; e disse o sancto áquelle
que fallava: Até quando _durará_ a visão do continuo _sacrificio_, e
da transgressão assoladora, para que seja entregue o sanctuario, e o
exercito, para ser pizado?
14 E elle me disse: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o
sanctuario será justificado.
15 E aconteceu que, havendo eu, Daniel, visto a visão, [13] busquei o
entendimento, [14] e eis que se me apresentou diante um com o parecer de
homem.
16 E ouvi uma voz de homem entre _as margens_ do Ulai, a qual gritou, e
disse: Gabriel, dá a entender a este a visão.
17 E veiu perto d’onde eu estava; e, vindo elle, me assombrei, [15] e
cahi sobre o meu rosto; porém elle me disse: Entende, filho do homem,
porque _acontecerá_ esta visão no fim do tempo.
18 E, [16] estando elle fallando comigo, cahi adormecido sobre o meu
rosto por terra: [17] elle, pois, me tocou, e me fez estar em pé.
19 E disse: Eis que te farei saber o que ha de acontecer no ultimo tempo
da ira; [18] porque no tempo determinado _será_ o fim.
20 Aquelle carneiro [19] que viste com duas pontas _são_ os reis da Media
e da Persia,
21 Porém [20] o bode pelludo é o rei da Grecia; e a ponta grande que
_tinha_ entre os olhos _é_ o rei primeiro;
22 E que, [21] sendo quebrada ella, se levantassem quatro em logar
d’ella, _significa que_ quatro reinos se levantarão da _mesma_ nação, mas
não com a força d’ella.
23 Mas, no fim do seu reinado, quando os prevaricadores acabarem _de
prevaricar_, [22] se levantará um rei, feroz de cara, e _será_ entendido
em adivinhações.
24 E [23] se fortalecerá a sua força, mas não pela força d’elle _mesmo_;
e destruirá maravilhosamente, e prosperará, e o _seu prazer_ fará: e
destruirá os fortes [24] e o povo sancto.
25 E pelo seu entendimento tambem fará prosperar o engano na sua mão;
e [25] no seu coração se engrandecerá, e pela tranquillidade destruirá
muitos; e se levantará contra o principe dos principes, [26] mas sem mão
será quebrado.
26 E [27] a visão da tarde e da manhã, que foi dita, _é_ verdade: tu,
porém, cerra a visão, porque _é_ para muitos dias.
27 E eu, [28] Daniel, enfraqueci, e estive enfermo _alguns_ dias; então
levantei-me e fiz o negocio do rei: e espantei-me ácerca da visão, [29] e
não havia quem a entendesse.
[1] cap. 7.1.
[2] Est. 1.2.
[3] cap. 5.19.
[4] ver. 21.
[5] ver. 22.
[6] cap. 7.8 e 11.25.
[7] cap. 11.28. Isa. 14.13. Apo. 12.4.
[8] Jer. 48.26, 42. cap. 11.36. ver. 25.
[9] Exo. 29.38. Num. 28.3. Eze. 46.13.
[10] cap. 11.31. Isa. 59.14.
[11] ver. 4.
[12] I Ped. 1.12.
[13] cap. 12.8. I Ped. 1.10, 11.
[14] Eze. 1.26.
[15] Eze. 2.1. Apo. 1.17.
[16] cap. 10.9, 10. Luc. 9.32.
[17] Eze. 2.2.
[18] cap. 9.27 e 11.27, 35, 36 e 12.7. Hab. 2.3.
[19] ver. 3.
[20] ver. 5. cap. 11.5.
[21] ver. 8. cap. 11.4.
[22] Deu. 28.50. ver. 6.
[23] Apo. 17.13, 17. ver. 12. cap. 11.36.
[24] ver. 10. cap. 7.25.
[25] cap. 11.36.
[26] Job 34.20. Lam. 4.6. cap. 2.34, 45.
[27] cap. 10.1. Eze. 12.27. cap. 10.14 e 12.4, 9. Apo. 22.10.
[28] cap. 7.28 e 10.8, 16. cap. 6.2, 3.
[29] ver. 16.
_A oração de Daniel: as setenta semanas: o Messias._
[Antes de Christo 538]
9 No anno primeiro [1] de Dario, filho de Assuero, da nação dos medos, o
qual foi constituido rei sobre o reino dos chaldeos,
2 No anno primeiro do seu reinado, eu, Daniel, entendi pelos livros que o
numero dos annos, [2] dos quaes fallou o Senhor ao propheta Jeremias, em
que haviam de acabar as assolações de Jerusalem, era de setenta annos.
3 E [3] eu dirigi o meu rosto ao Senhor Deus, para o buscar _com_ oração
e rogos, com jejum, e sacco e cinza.
4 E orei ao Senhor meu Deus, e confessei, e disse: [4] Ah! Senhor! Deus
grande e tremendo, que guardas o concerto e a misericordia para com os
que te amam e guardam os teus mandamentos.
5 Peccámos, [5] e commettemos iniquidade, e fizemos impiamente, e fomos
rebeldes, apartando-nos dos teus mandamentos e dos teus juizos;
6 E não démos [6] ouvidos aos teus servos, os prophetas, que em teu nome
fallaram aos nossos reis, _aos_ nossos principes, e _a_ nossos paes, como
tambem a todo o povo da terra.
7 Tua, [7] ó Senhor, _é_ a justiça, mas a nós _pertence_ confusão de
rosto, como _se vê_ n’este dia, aos homens de Judah, e aos moradores de
Jerusalem, e a todo o Israel; aos de perto e aos de longe, em todas as
terras por onde os tens lançado, por causa da sua prevaricação, com que
prevaricaram contra ti.
8 Ó Senhor, [8] a nós _pertence_ a confusão de rosto, aos nossos reis,
aos nossos principes, e a nossos paes, porque peccámos contra ti.
9 [9] Ao Senhor, nosso Deus, _pertencem_ as misericordias e os perdões;
ainda que nos rebellámos contra elle,
10 E não obedecemos [10] á voz do Senhor, nosso Deus, para andarmos nas
suas leis, que nos deu pela mão de seus servos, os prophetas.
11 E [11] todo o Israel traspassou a tua lei, apartando-se para não
obedecer á tua voz; por isso a maldição e o juramento, [12] que _está_
escripto na lei de Moysés, servo de Deus, se derramou sobre nós; porque
peccámos contra elle.
12 E elle confirmou [13] a sua palavra, que fallou contra nós, e contra
os nossos juizes que nos julgavam, trazendo sobre nós _um_ grande
mal; que nunca [14] foi feito debaixo de todo o céu como foi feito em
Jerusalem.
13 Como [15] está escripto na lei de Moysés, todo aquelle mal nos
sobreveiu: [16] comtudo não supplicámos á face do Senhor nosso Deus, para
nos convertermos das nossas iniquidades, e para nos applicarmos á tua
verdade.
14 E apressurou-se o Senhor [17] sobre o mal, e o trouxe sobre nós;
porque justo _é_ o Senhor, nosso Deus, em todas as suas obras, que fez,
[18] pois não obedecemos á sua voz.
15 Ora pois, ó Senhor, nosso Deus, que tiraste [19] o teu povo da terra
do Egypto com mão poderosa, e [20] ganhaste para ti nome, como _se vê_
n’este dia, peccámos; obrámos impiamente.
16 Ó Senhor, [21] segundo todas as tuas justiças pois, aparte-se a tua
ira e o teu furor da tua cidade de Jerusalem, do teu sancto monte; [22]
porque por causa dos nossos peccados, e por causa das iniquidades de
nossos paes, _vieram_ Jerusalem e o teu povo _a servir de_ opprobrio a
todos os que nos estão em redor.
17 Agora pois, ó Deus nosso, ouve a oração do teu servo, e as suas
supplicas, [23] e sobre o teu sanctuario assolado faze resplandecer o teu
rosto, por amor do Senhor.
18 Inclina, [24] ó Deus meu, os teus ouvidos; e ouve: abre os teus olhos,
e olha para a nossa desolação, [25] e para a cidade a qual é chamada pelo
teu nome, porque não lançamos as nossas supplicas perante a tua face
fiados em nossas justiças, mas em tuas muitas misericordias.
19 Ó Senhor, ouve; ó Senhor, perdoa; ó Senhor, attende-nos e obra sem
tardar; por amor de ti mesmo, ó Deus meu; porque a tua cidade e o teu
povo se chamam pelo teu nome.
20 Estando [26] eu ainda fallando e orando, e confessando o meu peccado,
e o peccado do meu povo Israel, e lançando a minha supplica perante a
face do Senhor, meu Deus, pelo monte sancto do meu Deus,
21 Estando eu, digo, ainda fallando na oração, [27] o varão Gabriel, que
eu tinha visto ao principio, veiu, voando rapidamente, [28] tocando-me,
como á hora do sacrificio da tarde.
22 E _me_ instruiu, e fallou comigo, e disse: Daniel, agora sahi para
fazer-te entender o sentido.
23 No principio das tuas supplicas, saiu a palavra, [29] e eu vim, para
_t’o_ declarar, porque és mui amado: toma pois bem sentido da palavra, e
entende a visão.
24 Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua
sancta cidade, para consumir a transgressão, e para acabar os peccados,
[30] e para expiar a iniquidade, e para trazer a justiça eterna, e para
sellar a visão e o propheta, e para ungir o Sancto dos sanctos.
25 Sabe [31] e entende: desde a saida da palavra para fazer tornar, e
para edificar a Jerusalem, [32] até ao Messias, o Principe, sete semanas,
e sessenta e duas semanas: as ruas e as tranqueiras se reedificarão, [33]
porém em tempos angustiados.
26 E depois das sessenta e duas semanas [34] _será_ desarreigado o
Messias, e não será mais: [35] e o povo do principe, que virá, destruirá
a cidade e o sanctuario, e o seu fim será com uma innundação; e até ao
fim da guerra estão determinadas as assolações.
27 E confirmará concerto com muitos [36] uma semana: e _na_ metade da
semana fará cessar o sacrificio e a offerta de manjares; e sobre a ala
das abominações _virá_ assolador, e _isso_ até á consummação; e o que
está determinado será derramado sobre o assolado.
[1] cap. 1.21 e 5.31 e 6.28.
[2] II Chr. 36.21. Jer. 25.11, 12 e 29.10.
[3] Neh. 1.4. Jer. 29.12, 13. Thi. 4.8, 9, 10.
[4] Exo. 20.6. Deu. 7.9. Neh. 1.5 e 9.32.
[5] I Reis 8.47, 48. Neh. 1.6, 7 e 9.33, 34. Isa. 64.5, 6, 7. Jer. 14.7.
ver. 15.
[6] II Chr. 36.15, 16. ver. 10.
[7] Neh. 9.33.
[8] ver. 7.
[9] Neh. 9.17.
[10] ver. 6.
[11] Isa. 1.4, 5, 6. Jer. 8.5, 10.
[12] Lev. 26.14, etc. Deu. 27.15, etc. e 28.15, etc. e 29.20, etc. e
30.17, 18 e 31.17, etc. e 32.19, etc. Lam. 2.17.
[13] Zac. 1.6.
[14] Lam. 1.12 e 2.13. Eze. 5.9. Amós 3.2.
[15] Deu. 28.15. Lam. 2.17.
[16] Isa. 9.13. Jer. 2.30 e 5.3. Ose. 7.7, 10.
[17] Jer. 31.28 e 44.27. Neh. 9.33. ver. 7.
[18] ver. 10.
[19] Exo. 6.1, 6 e 32.11. I Reis 8.51. Neh. 1.10. Jer. 32.21.
[20] Neh. 9.10. Jer. 32.20. ver. 5.
[21] I Sam. 12.7. Miq. 6.4, 5.
[22] ver. 20. Zac. 8.3. Exo. 20.5.
[23] Num. 6.25. ver. 19.
[24] Isa. 37.17. Exo. 3.7.
[25] Jer. 25.29.
[26] Isa. 65.24.
[27] cap. 8.16.
[28] cap. 8.18 e 10.10, 16.
[29] cap. 10.12. cap. 10.11, 19. Mat. 24.15.
[30] Isa. 53.10, 11. Jer. 23.5, 6. Heb. 9.12. Apo. 14.6. Heb. 9.11.
[31] ver. 23. Mat. 24.15. Esd. 4.24 e 6.1, 15.
[32] João 4.25. Isa. 55.4.
[33] Neh. 4.8, 16, 17, 18.
[34] Isa. 53.8. Mar. 9.12. Luc. 24.26, 46. I Ped. 2.21 e 3.18. Mat. 22.7.