Mizpah, dizendo: Irei agora, e ferirei a Ishmael, filho de Nethanias, sem
que ninguem o saiba: por que _razão_ te tiraria elle a vida, e todo o
Judah que se tem congregado a ti seria disperso, e pereceria o resto de
Judah?
16 Porém disse Gedalias, filho de Ahicam, a Johanan, filho de Careah: Não
faças tal coisa; porque fallas falso contra Ishmael.
[1] cap. 39.14.
[2] cap. 50.7.
[3] Dan. 29.24, 25.
[4] cap. 39.12.
[5] Gen. 20.15.
[6] II Reis 25.22, etc.
[7] cap. 39.14. Jui. 20.1.
[8] II Reis 25.23, etc.
[9] cap. 39.10.
[10] cap. 41.1.
[11] cap. 41.10.
_O assassinato de Gedalias._
41 Succedeu, porém, no mez setimo, [1] _que_ veiu Ishmael, filho de
Nethanias, filho d’Elisama, de sangue real, e os capitães do rei, a
saber, dez homens com elle, a Gedalias, filho d’Ahicam, a Mizpah; e
comeram ali pão juntamente em Mizpah.
2 E levantou-se Ishmael, filho de Nethanias, com os dez homens que
estavam com elle, [2] e feriram a Gedalias, filho de Ahicam, filho de
Saphan, á espada; e matou aquelle que o rei de Babylonia havia posto
sobre a terra.
3 Tambem feriu Ishmael a todos os judeos que _havia_ com elle, com
Gedalias, em Mizpah, como tambem aos chaldeos, homens de guerra, que se
acharam ali.
4 Succedeu pois no dia seguinte, depois que matára a Gedalias, e sem
ninguem _o_ saber,
5 Que vieram homens de Sichem, de Silo, e de Samaria; oitenta homens, [3]
com a barba rapada, e os vestidos rasgados, e sarjando-se; e traziam nas
suas mãos offertas de manjares e incenso, para levarem á casa do Senhor.
6 E, saindo-lhes ao encontro Ishmael, filho de Nethanias, desde Mizpah,
ia chorando; e succedeu que, encontrando-os, lhes disse: Vinde a
Gedalias, filho de Ahicam.
7 Succedeu, porém, que, entrando elles até ao meio da cidade, matou-os
Ishmael, filho de Nethanias, _e os lançou_ no meio de um poço, elle e os
homens que _estavam_ com elle.
8 Mas acharam-se entre elles dez homens que disseram a Ishmael: Não nos
mates a nós; porque temos no campo thesouros escondidos, trigo e cevada,
e azeite e mel. E os deixou, e não os matou entre seus irmãos.
9 E o poço em que Ishmael lançou todos os cadaveres dos homens que feriu
por causa de Gedalias _é_ o mesmo que fez [4] o rei Asa, por causa de
Baasa, rei de Israel: a este encheu de mortos Ishmael, filho de Nethanias.
10 E Ishmael [5] levou captivo a todo o resto do povo que _estava_
em Mizpah; as filhas do rei, e todo o povo que restou em Mizpah, que
Nebuzaradan, capitão da guarda, havia encarregado a Gedalias, filho de
Ahicam; e levou-os captivos Ishmael, filho de Nethanias, [6] e foi-se
para passar aos filhos de Ammon.
11 Ouvindo pois Johanan, filho de Careah, [7] e todos os principes dos
exercitos que _havia_ com elle, todo o mal que havia feito Ishmael, filho
de Nethanias,
12 Tomaram todos os _seus_ homens, e foram pelejar contra Ishmael, filho
de Nethanias: [8] e acharam-n’o ao pé das muitas aguas que ha em Gibeon.
13 E aconteceu que, vendo todo o povo, que _estava_ com Ishmael, a
Johanan filho de Careah, e a todos os principes dos exercitos, que
_vinham_ com elle, se alegrou.
14 E todo o povo que Ishmael levara captivo de Mizpah virou as costas, e
voltou, e foi para Johanan, filho de Careah.
15 Porém Ishmael, filho de Nethanias, escapou com oito homens de diante
de Johanan, e se foi para os filhos de Ammon.
16 Então tomou Johanan, filho de Careah, e todos os principes dos
exercitos que _havia_ com elle, a todo o resto do povo que elle havia
recobrado de Ishmael, filho de Nethanias, desde Mizpah, depois de haver
ferido a Gedalias, filho de Ahicam, aos homens valentes de guerra, e ás
mulheres, e aos meninos, e aos eunuchos que havia recobrado de Gibeon,
17 E foram, e moraram na habitação de Geruth-chimham, que _está_ perto de
Beth-lehem, para se irem e entrarem no Egypto,
18 Por causa dos chaldeos; porque os temiam, por haver ferido Ishmael,
filho de Nethanias, a Gedalias, filho de Ahicam, [9] a quem o rei de
Babylonia tinha posto sobre a terra.
[1] II Reis 25.25. cap. 40.6, 8.
[2] II Reis 25.25.
[3] Lev. 19.27, 28. Deu. 14.1. Isa. 15.2.
[4] II Reis 15.22. II Chr. 16.6.
[5] cap. 43.6. cap. 40.7.
[6] cap. 40.14.
[7] cap. 40.7, 8, 13.
[8] II Sam. 2.13.
[9] cap. 40.5.
_Jeremias exhorta o povo a não ir á terra do Egypto._
42 Então chegaram todos os principes dos exercitos, [1] e Johanan, filho
de Careah, e Jezanias, filho de Hosaias, e todo o povo, desde o menor até
ao maior,
2 E disseram a Jeremias, o propheta: Caia agora a nossa supplica diante
de ti, [2] e roga por nós ao Senhor teu Deus, por todo este resto; porque
de muitos restamos _uns_ poucos, como nos vêem os teus olhos;
3 Para que o Senhor teu Deus nos ensine [3] o caminho por onde havemos de
andar e aquillo que havemos de fazer.
4 E disse-lhes Jeremias, o propheta: Tenho ouvido: Eis que orarei
ao Senhor vosso Deus conforme as vossas palavras; e _será que_ toda
a palavra que o Senhor vos responder eu vol-a declararei; não vos
encobrirei palavra _alguma_.
5 Então elles disseram a Jeremias: [4] Seja o Senhor entre nós testemunha
da verdade e fidelidade, se não fizermos conforme toda a palavra em que
te enviar a nós o Senhor teu Deus.
6 Ora _seja em_ bem, ou _seja em_ mal, á voz do Senhor nosso Deus, a quem
te enviamos, obedeceremos, [5] para que nos succeda bem, obedecendo á voz
do Senhor nosso Deus.
7 E succedeu que ao fim de dez dias veiu a palavra do Senhor a Jeremias.
8 Então chamou a Johanan, filho de Careah, e a todos os principes dos
exercitos, que _havia_ com elle, e a todo o povo, desde o menor até ao
maior,
9 E disse-lhes: Assim diz o Senhor, Deus de Israel, a quem me enviastes,
para lançar a vossa supplica diante d’elle:
10 Se de boamente ficardes n’esta terra, [6] então vos edificarei, e não
_vos_ derribarei; e vos plantarei, e não _vos_ arrancarei; [7] porque
estou arrependido do mal que vos tenho feito.
11 Não temaes o rei de Babylonia, a quem vós temeis; não o temaes, diz o
Senhor, [8] porque eu _sou_ comvosco, para vos salvar e para vos fazer
livrar da sua mão.
12 E vos farei misericordia, para que elle tenha misericordia de vós, e
vos faça voltar á vossa terra.
13 Porém [9] se vós disserdes: Não ficaremos n’esta terra, não obedecendo
á voz do Senhor vosso Deus,
14 Dizendo: Não, antes iremos á terra do Egypto, onde não veremos guerra,
nem ouviremos estrondo de trombeta, nem teremos fome de pão, e ali
ficaremos.
15 Portanto ouvi agora pois a palavra do Senhor, ó resto de Judah: assim
diz o Senhor dos Exercitos, Deus de Israel: [10] Se vós absolutamente
pozerdes os vossos rostos [11] para entrardes no Egypto, e entrardes para
lá peregrinar,
16 Será que a espada _que_ vós temeis ali [12] vos alcançará na terra do
Egypto, e a fome de que vós receaes ali se vos pegará _no_ Egypto, e ali
morrereis.
17 Assim serão todos os homens que pozeram os seus rostos para entrarem
no Egypto, para lá peregrinarem: [13] morrerão á espada, á fome, e da
peste; e d’elles não _haverá_ quem reste e escape do mal que eu farei vir
sobre elles.
18 Porque assim diz o Senhor dos Exercitos, Deus de Israel: [14] Como
se derramou a minha ira e a minha indignação sobre os habitantes de
Jerusalem, [15] assim se derramará a minha indignação sobre vós, entrando
no Egypto; e servireis de maldição, e de espanto, e de execração, e de
opprobrio, e não vereis mais este logar.
19 Fallou o Senhor ácerca de vós, ó resto de Judah! [16] não entreis no
Egypto; por certo sabei que testifiquei contra vós hoje.
20 Porque enganastes as vossas almas, pois vós me enviastes ao Senhor
vosso Deus, dizendo: [17] Ora por nós ao Senhor nosso Deus; e conforme
tudo o que disser o Senhor Deus nosso, declara-nol-o assim, e o faremos.
21 E vol-o tenho declarado hoje; porém não déstes ouvidos á voz do Senhor
vosso Deus, nem a coisa alguma de aquillo que me enviou a vós.
22 Agora pois sabei por certo que á espada, á fome e da peste [18]
morrereis no _mesmo_ logar onde desejastes entrar, para lá peregrinardes.
[1] cap. 40.8, 13 e 41.11.
[2] I Sam. 7.8 e 12.19. Isa. 37.4.
[3] Esd. 8.21.
[4] Gen. 31.50.
[5] Deu. 6.3. cap. 7.23.
[6] cap. 24.6 e 31.28.
[7] Deu. 32.36. cap. 18.8.
[8] Isa. 43.5. Rom. 8.31.
[9] cap. 44.16.
[10] cap. 44.12, 13, 14.
[11] Luc. 9.51.
[12] Eze. 11.8.
[13] ver. 22. cap. 24.10 e 44.14, 28.
[14] cap. 7.20.
[15] cap. 18.16 e 24.9 e 26.6 e 29.18, 22 e 44.12.
[16] Deu. 17.16.
[17] ver. 2.
[18] ver. 17. Eze. 6.11.
_Jeremias é levado ao Egypto pelo povo._
[Antes de Christo 587]
43 E succedeu que, acabando Jeremias de fallar a todo o povo todas as
palavras do Senhor Deus d’elles, com as quaes o Senhor Deus d’elles lh’o
havia enviado, _para que lhes dissesse_ todas estas palavras,
2 Então disse [1] Azarias, filho de Hosaias, e Johanan, filho de Careah,
e todos os homens soberbos, dizendo a Jeremias: Tu dizes mentiras; o
Senhor nosso Deus não te enviou a dizer: Não entreis no Egypto, para lá
peregrinar:
3 Antes Baruch, filho de Nerias, te incita contra nós, para entregar-nos
na mão dos chaldeos, para nos matarem, ou para nos transportarem _para_
Babylonia.
4 Não obedeceu pois Johanan, filho de Careah, [2] nem nenhum de todos os
principes dos exercitos, nem todo o povo, _á_ voz do Senhor, para ficarem
na terra de Judah.
5 Antes tomou Johanan, filho de Careah, e todos os principes dos
exercitos a todo o resto de Judah, que havia voltado d’entre todas as
nações, para onde haviam sido lançados, para peregrinarem na terra de
Judah;
6 Os homens, e as mulheres, e os meninos, e as filhas do rei, e a toda
[3] a alma que deixara Nebuzaradan, capitão dos da guarda, com Gedalias,
filho de Ahicam, filho de Saphan; como tambem a Jeremias, o propheta, e a
Baruch, filho de Nerias:
7 E entraram na terra do Egypto, porque não obedeceram á voz do Senhor;
[4] e vieram até Tahpanhes.
_Prophecia da conquista do Egypto por Nabucodonozor._
8 Então veiu a palavra do Senhor a Jeremias, em Tahpanhes, dizendo:
9 Toma na tua mão pedras grandes, e esconde-as entre o barro no forno que
_está_ á porta da casa de Pharaó em Tahpanhes, perante os olhos de homens
judeos.
10 E dize-lhes: Assim diz o Senhor dos exercitos, Deus de Israel: Eis que
eu enviarei, e tomarei a Nabucodonozor, rei de Babylonia, [5] meu servo,
e porei o seu throno sobre estas pedras que escondi; e estenderá a sua
tenda real sobre ellas.
11 E virá, [6] e ferirá a terra do Egypto: quem para a morte, [7] para a
morte; e quem para o captiveiro, para o captiveiro; e quem para a espada,
para a espada.
12 E porei fogo ás casas dos deuses do Egypto, e queimal-os-ha, e
leval-os-ha captivos; e vestir-se-ha da terra do Egypto, como se veste o
pastor do seu vestido, e sairá d’ali em paz.
13 E quebrará as estatuas de Beth-semes, que _está_ na terra do Egypto; e
as casas dos deuses do Egypto queimará a fogo.
[1] cap. 42.1.
[2] cap. 40.11, 12.
[3] cap. 41.10. cap. 39.10 e 40.7.
[4] cap. 2.16 e 44.1. Isa. 30.4.
[5] cap. 25.9 e 27.6. Eze. 29.18, 20.
[6] cap. 44.13 e 46.13.
[7] cap. 15.12. Zac. 11.9.
_Ameaças contra os judeos que fugiram para o Egypto._
44 A palavra que veiu a Jeremias, ácerca de todos os judeos, habitantes
da terra do Egypto, [1] que habitavam em Migdol, e em Tahpanhes, e em
Noph, e na terra de Pathros, dizendo:
2 Assim diz o Senhor dos exercitos, Deus de Israel: Vós vistes todo o mal
que fiz vir sobre Jerusalem, e sobre todas as cidades de Judah: [2] e eis
que _já_ ellas _são_ hoje _um_ deserto, e ninguem habita n’ellas;
3 Por causa da sua maldade que fizeram, para me irarem, [3] indo a
queimar incenso para servir a deuses alheios, que nunca conheceram, _nem_
elles, _nem_ vós, nem vossos paes.
4 E eu vos enviei [4] todos os meus servos, os prophetas, madrugando e
enviando a dizer: Ora não façaes esta coisa abominavel que aborreço.
5 Porém não deram ouvidos, nem inclinaram a sua orelha, para se
converterem da sua maldade, para não queimarem incenso a deuses alheios.
6 Derramou-se pois [5] a minha indignação e a minha ira, e accendeu-se
nas cidades de Judah, e nas ruas de Jerusalem, e tornaram-se em deserto
_e_ em assolação, como hoje _se vê_.
7 Agora, pois, assim diz o Senhor, Deus dos Exercitos, Deus de Israel:
[6] Porque fazeis vós _tão_ grande mal contra as vossas almas, para vos
desarreigardes a vós, ao homem e á mulher, á creança e ao que mama, do
meio de Judah, para não vos deixardes resto _algum_;
8 Irando-me [7] com as obras de vossas mãos, queimando incenso a deuses
alheios na terra do Egypto, aonde vós entrastes para lá peregrinardes:
para que vos desarreigueis a vós mesmos, e para que sirvaes de maldição,
de opprobrio [8] entre todas as nações da terra?
9 _Porventura já_ vos esquecestes das maldades de vossos paes, e das
maldades dos reis de Judah, e das maldades de suas mulheres, e de vossas
maldades, e das maldades de vossas mulheres, que fizeram na terra de
Judah, e nas ruas de Jerusalem?
10 Não estão contritos até ao dia de hoje: nem temeram, [9] nem andaram
na minha lei, nem nos meus estatutos, que puz diante de vós e diante de
vossos paes.
11 Portanto assim diz o Senhor dos Exercitos, Deus de Israel: [10] Eis
que eu ponho o meu rosto contra vós para mal, e para desarreigar a todo o
Judah.
12 E tomarei o resto de Judah, que poz o seu rosto para entrar na terra
do Egypto, [11] para lá peregrinar e será todo consumido na terra do
Egypto; cairá á espada, _e_ de fome morrerá; consumir-se-hão, desde o
menor até ao maior; á espada e á fome morrerão: e servirão de execração,
[12] e de espanto, e de maldição, e de opprobrio.
13 Porque visitarei [13] sobre os que habitam na terra do Egypto, como
visitei sobre Jerusalem, á espada, á fome e com peste.
14 De maneira que não _haverá_ quem escape, e fique, de resto, de Judah,
que entrou na terra do Egypto, para lá peregrinar: para tornar á terra
de Judah, á qual elles levantam a sua alma, para tornarem, para habitarem
lá; [14] porém não tornarão senão os que escaparem.
15 Então responderam a Jeremias todos os homens que sabiam que suas
mulheres queimavam incenso a deuses alheios, e todas as mulheres que
estavam em pé _em_ grande multidão, como tambem todo o povo que habitava
na terra do Egypto, em Pathros, dizendo:
16 Quanto á palavra que fallaste a nós em nome do Senhor, [15] não te
obedeceremos a ti;
17 Antes certamente [16] faremos toda a palavra que saiu da nossa bocca,
[17] queimando incenso á rainha dos céus, e offerecendo-lhe libações,
como nós e nossos paes, nossos reis e nossos principes, o temos feito,
nas cidades de Judah, e nas ruas de Jerusalem; e tivemos então fartura de
pão, e andavamos alegres, e não vimos mal algum.
18 Mas desde que cessámos de queimar incenso á rainha dos céus, e de lhe
offerecer libações, tivemos falta de tudo, e fomos consumidos pela espada
e pela fome.
19 E quando [18] nós queimavamos incenso á rainha dos céus, e lhe
offereciamos libações, faziamos-lhe bolos lavrados, para assim a
retratar, e lhe offereciamos libações sem nossos maridos.
20 Então disse Jeremias a todo o povo, aos homens e ás mulheres, e a todo
o povo que lhe havia dado esta resposta, dizendo:
21 _Porventura_ não se lembrou o Senhor, e não lhe subiu ao coração o
incenso que queimastes nas cidades de Judah e nas ruas de Jerusalem, vós
e vossos paes, vossos reis e vossos principes, como tambem o povo da
terra?
22 De maneira que o Senhor não mais o podia soffrer, por causa da maldade
das vossas acções, por causa das abominações que fizestes; [19] pelo que
se tornou a vossa terra em deserto, e em espanto, e em maldição, que
ninguem habite _n’ella_, como hoje _se vê_.
23 Porque queimastes incenso, e porque peccastes contra o Senhor, e não
obedecestes á voz do Senhor, e na sua lei, e nos seus testemunhos não
andastes, [20] por isso vos succedeu este mal, como _se vê_ n’este dia.
24 Disse mais Jeremias a todo o povo e a todas as mulheres: Ouvi a
palavra do Senhor, [21] todo o Judah que _estaes_ na terra do Egypto.
25 Assim diz o Senhor dos Exercitos, Deus de Israel, dizendo: [22] Vós
e vossas mulheres não sómente fallastes por vossa bocca, senão tambem
_o_ cumpristes por vossas mãos, dizendo: Certamente faremos os nossos
votos que votámos de queimar incenso á rainha dos céus e de lhe offerecer
libações: perfeitamente confirmastes os vossos votos, e perfeitamente
fizestes os vossos votos.
26 Portanto ouvi a palavra do Senhor, todo o Judah, que habitaes na terra
do Egypto: [23] Eis que eu juro pelo meu grande nome, diz o Senhor, [24]
que nunca mais será nomeado o meu nome pela bocca de nenhum homem de
Judah em toda a terra do Egypto, que diz: Vive o Senhor JEHOVAH!
27 Eis que [25] velarei sobre elles para mal, e não para bem; [26] e
serão consumidos todos os homens de Judah, que _estão_ na terra do
Egypto, á espada e á fome, até que se acabem de todo.
28 E os [27] que escaparem da espada tornarão da terra do Egypto á
terra de Judah, poucos em numero; [28] e saberá todo o resto de Judah,
que entrou na terra do Egypto, para peregrinar ali, _qual_ palavra
subsistirá, a minha ou a sua.
29 E isto vos _servirá_ de signal, diz o Senhor, que eu vos visitarei
n’este _mesmo_ logar; para que saibaes que certamente subsistirão as
minhas palavras contra vós para mal.
30 Assim diz o Senhor: [29] Eis que eu darei Pharaó Hophra, rei do
Egypto, na mão de seus inimigos, e na mão dos que procuram a sua morte;
[30] como dei Zedekias, rei de Judah, na mão de Nabucodonozor, rei de
Babylonia, seu inimigo, e que procurava a sua morte.
[1] Exo. 14.2. cap. 46.14. cap. 43.7. Isa. 19.13.
[2] cap. 9.11 e 34.22.
[3] cap. 19.4. Deu. 13.6 e 32.17.
[4] II Chr. 36.15. cap. 7.25 e 25.4 e 26.5 e 29.19.
[5] cap. 42.18.
[6] cap. 7.19.
[7] cap. 25.6, 7.
[8] ver. 12. cap. 42.18.
[9] Pro. 28.14.
[10] Lev. 17.10 e 20.5, 6. cap. 21.10. Amós 9.4.
[11] cap. 42.15, 16, 17, 22.
[12] cap. 42.18.
[13] cap. 43.11.
[14] ver. 28.
[15] cap. 6.16.
[16] ver. 25. Num. 30.12. Deu. 23.23. Jui. 11.36.
[17] cap. 7.18.
[18] cap. 7.18.
[19] cap. 25.11, 18, 38. ver. 6.
[20] Dan. 9.11, 12.
[21] ver. 15. cap. 43.7.
[22] ver. 15, etc.
[23] Gen. 22.16.
[24] Eze. 20.39.
[25] cap. 1.10 e 31.28.
[26] ver. 12.
[27] ver. 14. Isa. 27.13.
[28] ver. 17, 25, 26.
[29] cap. 46.25, 26. Eze. 29.3, etc. e 30.21, etc.
[30] cap. 39.5.
_A palavra de Jeremias a Baruch._
[Antes de Christo 607]
45 A palavra [1] que fallou Jeremias, o propheta, a Baruch, filho
de Nerias, escrevendo elle aquellas palavras n’um livro da bocca de
Jeremias, no anno quarto de Joaquim, filho de Josias, rei de Judah,
dizendo:
2 Assim diz o Senhor, Deus d’Israel, ácerca de ti, ó Baruch:
3 Disseste: Ai de mim agora! porque me accrescentou o Senhor tristeza
sobre minha dôr: _já_ estou cançado do meu gemido, e não acho descanço.
4 _Pelo que_ assim lhe dirás: Assim diz o Senhor: Eis que [2] o que
edifiquei eu derribo, e o que plantei eu arranco, e isso em toda esta
terra.
5 E tu te buscarias grandezas? não _as_ busques; porque eis que trago [3]
mal sobre toda a carne, diz o Senhor; porém te darei a ti a tua alma por
despojo, em todos [4] os logares para onde fores.
[1] cap. 36.1, 4, 32.
[2] Isa. 5.5.
[3] cap. 25.26.
[4] cap. 38.2 e 39.18.
_Prophecia contra varias nações. A invasão e conquista do Egypto._
46 A palavra do Senhor, que veiu a Jeremias o propheta, contra as nações;
2 Ácerca do Egypto, [1] contra o exercito de Pharaó Necho, rei do
Egypto, que estava junto ao rio Euphrates em Carchemis; ao qual feriu
Nabucodonozor, rei de Babylonia, no anno quarto de Joaquim, filho de
Josias, rei de Judah.
3 Preparae o escudo e o pavez, e chegae-vos para a peleja.
4 Sellae os cavallos, e montae, cavalleiros, e apresentae-vos com elmos:
alimpae as lanças, vesti-vos de couraças.
5 Por que razão vejo os medrosos voltando as costas? e os seus heroes são
abatidos, e vão fugindo, sem olharem para traz: terror [2] _ha_ ao redor,
diz o Senhor.
6 Não fuja o ligeiro, e não escape o heroe: para a banda do norte, junto
á borda do rio Euphrates [3] tropeçaram e cairam.
7 Quem _é_ este _que_ vem [4] subindo como a corrente, cujas aguas se
movem como os rios?
8 O Egypto vem subindo como a corrente, e as _suas_ aguas se movem como
os rios; e disse: Subirei, cobrirei a terra, destruirei a cidade, e os
que habitam n’ella.
9 Trepae, ó cavallos, e estrondeae, ó carros, e saiam os valentes: _como
tambem_ os ethiopes, e os puteos, que tomam o escudo, e os lydios, que
tomam [5] _e_ entezam o arco.
10 Porém este dia [6] _é_ do Senhor JEHOVAH dos Exercitos, dia de
vingança para se vingar dos seus adversarios, e devorará a espada, [7] e
fartar-se-ha, e embriagar-se-ha com o sangue [8] d’elles, porque o Senhor
JEHOVAH dos Exercitos tem _um_ sacrificio na terra do norte, junto ao rio
de Euphrates.
11 Sobe [9] a Gilead, e toma balsamo, ó virgem filha do Egypto: debalde
multiplicas remedios, _pois já_ não _ha_ cura para ti.
12 As nações ouviram a tua vergonha, e a terra _está_ cheia do teu
clamor; porque o valente chorou com o valente _e_ cairam ambos juntamente.
13 A palavra que fallou o Senhor a Jeremias, o propheta, ácerca da vinda
de Nabucodonozor, rei de Babylonia, para ferir [10] a terra do Egypto.
14 Annunciae no Egypto, e fazei ouvir isto em Migdol; fazei tambem
ouvil-o em Noph, e em Tahpanhes, dizei: Apresenta-te, [11] e prepara-te;
porque _já_ devorou a espada o que _está_ ao redor de ti.
15 Porque foram derribados os teus valentes? não se poderam ter em pé,
porque o Senhor os empuxou.
16 Multiplicou os que tropeçavam: tambem cairam [12] uns sobre os outros,
e disseram: Levanta-te, e voltemos ao nosso povo, e á terra do nosso
nascimento, por causa da espada que opprime.
17 Clamaram ali: Pharaó rei do Egypto _é_ um estrondo; deixou passar o
tempo assignalado.
18 Vivo eu, diz o rei, [13] cujo nome _é_ o Senhor dos Exercitos, que
_assim_ como _está_ Tabor entre os montes, e como o Carmelo sobre o mar,
_certamente assim_ virá.
19 Prepara-te apparelhos para a ida em captiveiro, ó moradora, [14] filha
do Egypto: porque Noph _será_ tornada em desolação, e será abrazada, até
que ninguem mais ahi more.
20 Bezerra [15] mui formosa _é_ o Egypto: _já_ vem a destruição, _ella_
vem do norte.
21 Até os seus mercenarios no meio d’ella _são_ como bezerros cevados;
porém tambem elles viraram as costas, fugiram juntos; não estiveram
firmes; porque _já_ veiu sobre elles o dia da sua ruina _e_ o tempo da
sua visitação.
22 A sua voz [16] irá como _a_ da serpente; porque irão com poder _do
exercito_, e virão a ella com machados como cortadores de lenha.
23 Cortaram [17] o seu bosque, diz o Senhor, ainda que não podem
contar-se; porque se multiplicaram mais do que os gafanhotos, não se
podem numerar.
24 A filha do Egypto está envergonhada: [18] foi entregue na mão do povo
do norte.
25 Diz o Senhor dos Exercitos, o Deus de Israel: Eis que eu visitarei a
multidão de No, [19] e a Pharaó, e ao Egypto, e aos seus deuses, e aos
seus reis, e até _ao mesmo_ Pharaó, e aos que confiam n’elle.
26 E os entregarei [20] na mão dos que procuram a sua morte, na mão de
Nabucodonozor, rei de Babylonia, e na mão dos seus servos; porém depois
será habitada, [21] como _nos_ dias antigos, diz o Senhor.
27 Não temas [22] pois tu, servo meu Jacob, nem te espantes, ó Israel;
porque eis que te livrarei _de terras_ de longe, como tambem a tua
semente da terra do seu captiveiro; e Jacob voltará, e descançará, e
socegará, e não haverá quem _o_ atemorize.
28 Tu não temas, servo meu, Jacob, diz o Senhor, porque estou comtigo;
porque farei consummação de todas as nações entre as quaes te lancei;
porém de ti não farei consummação, [23] mas castigar-te-hei com medida, e
não te darei de todo por innocente.
[1] II Reis 23.29. II Chr. 35.20.
[2] cap. 6.25 e 49.29.
[3] Dan. 11.19.
[4] Isa. 8.7, 8. cap. 47.2.
[5] Isa. 66.19.
[6] Isa. 13.6. Joel 1.15 e 2.1.
[7] Deu. 32.42. Isa. 34.6.
[8] Isa. 34.6. Sof. 1.7. Eze. 39.17.
[9] cap. 8.22 e 51.8. Isa. 47.1.
[10] Isa. 19.1. cap. 43.10, 11. Eze. 29 e 30 e 32.
[11] ver. 3. ver. 10.
[12] Lev. 26.37.
[13] Isa. 47.4 e 48.2. cap. 48.15.
[14] cap. 48.18.
[15] Ose. 10.11. cap. 1.14 e 47.2. ver. 6, 10.
[16] Isa. 29.4.
[17] Isa. 10.34. Jui. 6.5.
[18] cap. 1.15.
[19] Eze. 30.14, 15, 16. Nah. 3.8. cap. 43.12, 13. Eze. 30.13.
[20] cap. 44.30. Eze. 32.11.
[21] Eze. 29.11, 13, 14.
[22] Isa. 41.13, 14 e 43.5 e 44.2. cap. 30.10, 11.
[23] cap. 10.24 e 30.11.
_Prophecia contra os philisteos._
[Antes de Christo 600]
47 A palavra do Senhor, que veiu a Jeremias, [1] o propheta, contra os
philisteos, antes que Pharaó ferisse a Gaza.
2 Assim diz o Senhor: [2] Eis que se levantam as aguas do norte, e
tornar-se-hão em torrente transbordante, e alagarão a terra e sua
plenitude, a cidade, e os que moram n’ella; e os homens clamarão, e todos
os moradores da terra uivarão;
3 Por causa do som [3] do estrepito das unhas dos seus fortes _cavallos_,
por causa do arroido de seus carros _e_ do estrondo das suas rodas: os
paes não attenderam aos filhos, por causa da fraqueza das mãos;
4 Por causa do dia que vem, para destruir a todos os philisteos, [4] para
cortar a Tyro e a Sidon todo o resto que _os_ soccorra; porque o Senhor
destruirá os philisteos, [5] o resto da ilha de Caphtor.
5 A rapadura [6] veiu sobre Gaza, foi desarreigada Ascalon, _com_ o resto
do seu valle: até quando te sarjarás?
6 Ah espada [7] do Senhor! até quando deixarás de repousar? volta para a
tua bainha, descança, e aquieta-te.
7 _Mas_ como te aquietarias? pois o Senhor deu-lhe mandado contra
Ascalon, e contra as bordas do mar: _e_ ali lh’o tem prescripto.
[1] cap. 25.20. Eze. 25.15, 16. Sof. 2.4, 5. Amós 1.6, 7, 8.
[2] Isa. 8.7. cap. 46.7, 8. cap. 1.14 e 46.20.
[3] cap. 8.16. Nah. 3.2.
[4] cap. 25.22.
[5] Eze. 25.16.
[6] Amós 1.7. Miq. 1.16. Sof. 2.4, 7. Zac. 9.5.
[7] Deu. 32.41. Eze. 21.3, 4, 5.
_Prophecia contra Moab._
48 Contra Moab [1] assim diz o Senhor dos Exercitos, Deus de Israel: Ai
de Nebo, porque foi destruida: envergonhada está Kiriathaim, [2] _já_ é
tomada: Misgab está envergonhada e espantada.
2 _Já_ não _ha_ [3] mais gloriação de Moab ácerca de Hesbon; pensaram mal
contra ella, _dizendo_: Vinde, e desarreiguemol-a, para que não _seja
mais_ povo; tambem tu, ó Madmen, serás desarreigada; a espada te irá
seguindo.
3 Voz de [4] grito de Horonaim: ruina e grande destruição.
4 _Já_ está destruida Moab: seus filhinhos fizeram-se ouvir _com_ gritos.
5 Porque [5] na subida de Luhith subirá choro sobre choro; porque na
descida de Horonaim os adversarios _de Moab_ ouviram um lastimoso clamor.
6 Fugi, [6] salvae a vossa vida, e sereis como a tamargueira no deserto.
7 Porque, por causa da tua confiança nas tuas obras, e nos teus
thesouros, tambem tu serás tomada; [7] e Camos sairá para o captiveiro,
os seus sacerdotes e os seus principes juntos.
8 Porque virá o destruidor [8] sobre cada uma das cidades, e nenhuma
escapará, e perecerá o valle, e destruir-se-ha a campina; porque o Senhor
o disse.
9 Dae azas a Moab; porque voando sairá, e as suas cidades se tornarão em
assolação, e ninguem morará n’ellas.
10 Maldito [9] aquelle que fizer a obra do Senhor fraudulosamente: e
maldito aquelle que veda a sua espada do sangue.
11 Moab esteve descançado desde a sua mocidade, [10] e repousou nas suas
fezes, e não foi trafegado de vaso em vaso, nem foi para o captiveiro;
por isso permaneceu o seu sabor n’elle, e o seu cheiro não mudou.
12 Portanto, eis que dias veem, diz o Senhor, em que lhe enviarei
andantes, que o farão andar a grandes passos; e despejarão os seus
vasos, e romperão os seus odres.
13 E Moab terá vergonha [11] de Camos, como se envergonhou a casa de
Israel de Beth-el, sua confiança.
14 Como direis, _pois_: Valentes _somos_ e homens fortes para a guerra?
15 _Já está_ destruido Moab, [12] e subiu das suas cidades, e os seus
mancebos escolhidos desceram á matança, diz o rei, [13] cujo nome _é_ o
Senhor dos Exercitos.
16 Já _é_ chegada a vinda da perdição de Moab; e apressura-se muito o seu
mal.
17 Condoei-vos d’elle todos os que estaes em redor d’elle, e todos os que
sabeis o seu nome: dizei: [14] Como se quebrou a vara forte, o cajado
formoso?
18 Desce da _tua_ gloria, e assenta-te em secco, ó moradora, [15] filha
de Dibon; porque _já_ o destruidor de Moab subiu contra ti, e _já_ desfez
as tuas fortalezas.
19 Põe-te no caminho, [16] e espia, ó moradora de Aroer: pergunta ao que
vae fugindo; e á que escapou dize: Que succedeu?
20 Moab está envergonhado, porque foi quebrantado; [17] uivae e gritae:
annunciae em Arnon que _já_ Moab está destruido.
21 Tambem o juizo veiu [18] sobre a terra da campina: sobre Holon, e
sobre Jaza, e sobre Mephaat,
22 E sobre Dibon, e sobre Nebo, e sobre Beth-diblataim,
23 E sobre Kiriathaim, e sobre Beth-gamul, e sobre Beth-meon,
24 E sobre Kerioth, [19] e sobre Bozra; e até sobre todas as cidades da
terra de Moab, as de longe e as de perto.
25 _Já_ é cortado o corno de Moab, e é quebrantado o seu braço, [20] diz
o Senhor.
26 Embriagae-o, [21] porque contra o Senhor se engrandeceu; e Moab se
revolverá no seu vomito, e elle tambem _será_ por escarneo.
27 Porque [22] não te foi tambem Israel _por_ escarneo? _porventura_ foi
achado entre ladrões, porque desde que fallas d’elle te ris?
28 Deixae as cidades, e habitae no rochedo, ó moradores de Moab; e sêde
como a pomba que se aninha nas extremidades da bocca da caverna.
29 _Já_ ouvimos a [23] soberba de Moab, _que é_ soberbissimo, _como
tambem_ a sua arrogancia, e a sua soberba, e sua altivez e a altura do
seu coração.
30 Eu conheço, diz o Senhor, a sua indignação, porém assim não _será_: as
suas mentiras não _o_ farão assim.
31 Por isso uivarei [24] por Moab, e gritarei por todo o Moab: pelos
homens de Kir-heres gemerão.
32 Com o choro de Jaezar chorar-te-hei, [25] ó vide de Sibma; _já_ os
teus ramos passaram o mar, _e_ chegaram até ao mar de Jaezer; _porém_ o
destruidor caiu sobre os fructos do teu verão, e sobre a tua vindima.
33 Tirou-se pois o folguedo e a alegria [26] do campo fertil e da terra
de Moab; porque fiz cessar o vinho dos lagares: _já_ não pisarão _uvas_
com jubilo: o jubilo não _será_ jubilo.
34 Por causa [27] do grito de Hesbon até Eleale _e_ até Jahaz, deram a
sua voz desde Zoar, até Horonaim, como bezerra de tres annos; porque até
as aguas do Nimrim se tornarão em assolações.
35 E farei cessar em Moab, diz o Senhor, [28] quem sacrifique _no_ alto,
e queime incenso aos seus deuses.
36 Por isso resoará [29] o meu coração por Moab como frautas; tambem
resoará o meu coração pelos homens de Kir-heres como frautas; [30]
porquanto a abundancia _que_ ajuntou se perdeu.
37 Porque toda [31] a cabeça _será_ calva, e toda a barba _será_
diminuida; sobre todas as mãos ha sarjaduras, [32] e sobre os lombos
saccos.
38 Sobre todos os telhados de Moab e nas suas ruas _haverá_ um pranto
geral; porque quebrantei a Moab, [33] como a um vaso que não agrada, diz
o Senhor.
39 Como foi quebrantado? uivam: como virou Moab as costas _e_ se
envergonhou? assim será Moab objecto de escarneo e de espanto a todos os
que _estão_ em redor d’elle.
40 Porque assim diz o Senhor: [34] Eis que voará como a aguia, e
estenderá as suas azas sobre Moab.
41 _Já_ são [35] tomadas as cidades, e occupadas as fortalezas: [36] e
_será_ o coração dos valentes de Moab n’aquelle dia como o coração da
mulher que _está_ com dôres _de parto_.
42 E Moab [37] será destruido, para que não _seja_ povo; porque se
engrandeceu contra o Senhor.
43 Temor, [38] e cova, e laço, _veem_ sobre ti, ó morador de Moab, diz o
Senhor.
44 O que fugir do temor cairá na cova, e o que subir da cova ficará
preso no laço; [39] porque trarei sobre elle, sobre Moab, o anno da sua
visitação, diz o Senhor.
45 Os que fugiam da força [40] pararam á sombra de Hesbon; porém fogo
saiu de Hesbon, e a labareda do meio de Sihon, [41] e devorou o canto de
Moab e a mioleira dos filhos de arroido.
46 Ai [42] de ti, Moab; _já_ pereceu o povo de Camos; porque teus filhos
foram levados em captiveiro, como tambem tuas filhas em captividade.
47 Porém farei [43] voltar os captivos de Moab no ultimo dos dias, diz o
Senhor. Até aqui o juizo de Moab.
[1] Isa. 15.16. cap. 25.21 e 27.3. Eze. 2.5, 9. Amós 2.1, 2. Num. 32.38 e
33.47. Isa. 14.2.
[2] Num. 32.37.
[3] Isa. 16.14. Isa. 15.4.
[4] ver. 5.
[5] Isa. 15.5.
[6] cap. 51.6. cap. 17.6.
[7] Num. 21.29. Jui. 11.24. Isa. 46.1, 2. cap. 43.12 e 49.3.
[8] cap. 6.26. ver. 18.
[9] Jui. 5.23.
[10] Sof. 1.12.
[11] Jui. 11.2, 4. I Reis 11.7 e 12.29.
[12] ver. 8, 9, 18.
[13] cap. 46.18 e 51.57.
[14] Isa. 9.4 e 14.4, 5.
[15] Isa. 47.1. cap. 46.19. Num. 21.30. Isa. 15.2.
[16] Deu. 2.36.
[17] Isa. 16.7. Num. 21.13.
[18] ver. 8.
[19] ver. 41. Amós 2.2.
[20] Eze. 30.21.
[21] cap. 25.15, 27.
[22] Sof. 2.8. cap. 2.26.
[23] Isa. 16.6, etc.
[24] Isa. 15.5 e 16.7, 11.
[25] Isa. 16.8, 9.
[26] Isa. 16.10. Joel 1.12.
[27] Isa. 15.4, 5, 6. ver. 5.
[28] Isa. 15.2 e 16.12.
[29] Isa. 15.5.
[30] Isa. 15.7.
[31] Isa. 15.2. cap. 47.5.
[32] Gen. 37.34.
[33] cap. 22.28.
[34] Deu. 28.49. cap. 49.22. Dan. 7.4. Ose. 8.1. Hab. 1.8.
[35] ver. 24.
[36] Isa. 13.8. cap. 30.6 e 49.22, 24 e 50.43. Miq. 4.9.
[37] Isa. 7.8.
[38] Isa. 24.17, 18.
[39] cap. 11.23.
[40] Num. 21.28.
[41] Num. 24.17.
[42] Num. 21.29.
[43] cap. 49.6, 39.
_Prophecia contra os ammonitas._
49 Contra os filhos [1] de Ammon. Assim diz o Senhor: Acaso não tem
filhos Israel, nem tem herdeiro? [2] porque pois herdou [ZU] Malcam a Gad
e o seu povo habitou nas suas cidades?
2 Portanto, eis que veem dias, diz o Senhor, [3] em que farei ouvir em
Rabba dos filhos de Ammon o alarido de guerra, e tornar-se-ha n’um montão
de assolação, e [ZV] os logares da sua jurisdicção serão queimados a
fogo; e Israel herdará aos que o herdaram, diz o Senhor.
3 Uiva, ó Hesbon, porque _já_ é destruida Ai; clamae, ó filhas de Rabba,
[4] cingi-vos de saccos, lamentae, e rodeae pelos vallados; porque [ZW]
Malcam irá em captiveiro, os seus sacerdotes [5] e os seus principes
juntamente.
4 Porque te glorias dos valles, _já_ se escorreu o teu valle, ó filha
rebelde que confias nos teus thesouros, [6] _dizendo_: Quem virá contra
mim?
5 Eis que eu trarei temor sobre ti, diz o Senhor JEHOVAH dos Exercitos,
de todos os que _estão_ ao redor de ti; e sereis lançados fóra cada _um_
diante de si, e ninguem recolherá o desgarrado.
6 Mas depois [7] d’isto farei voltar os captivos dos filhos de Ammon, diz
o Senhor.
_Prophecia contra os edomitas._
7 Contra [8] Edom. Assim diz o Senhor dos Exercitos: Acaso _já_ não
_ha_ mais sabedoria em Teman? _já_ pereceu o conselho dos entendidos?
corrompeu-se a sua sabedoria?
8 Fugi, [9] virae-vos, buscae profundezas para habitar, [10] ó moradores
de Dedan, porque eu trouxe sobre elle a ruina de Esaú, no tempo _em que_
o visitei.
9 Se vindimadores viessem a ti, [11] não deixariam rabiscos? se ladrões
de noite _viessem_, _não_ te damnificariam quanto lhes é sufficiente?
10 Mas eu [12] despi a Esaú, descobri os seus esconderijos, e não se
poderá esconder: é destruida a sua semente, como tambem seus irmãos e
seus visinhos, [13] e _já_ elle não _é_.
11 Deixa os teus orphãos: eu _os_ guardarei em vida; e as tuas viuvas
confiar-se-hão em mim.
12 Porque assim diz o Senhor: Eis que os que não estavam condemnados
a beberem o copo totalmente o beberão; e tu mesmo totalmente serias
absolto? não serás absolto, mas totalmente o beberás.
13 Porque [14] por mim mesmo jurei, diz o Senhor, que Bozra servirá de
espanto, de opprobrio, de assolação, e de execração; e todas as suas
cidades se tornarão em assolações perpetuas.
14 Ouvi [15] um rumor _vindo_ do Senhor, que um embaixador é enviado
ás nações, _para lhes dizer_: Ajuntae-vos, e vinde contra ella, e
levantae-vos para a guerra.
15 Porque eis que te fiz pequeno entre as nações, desprezado entre os
homens.
16 A tua terribilidade te enganou, _e_ a arrogancia do teu coração, tu
que habitas nas cavernas das rochas, [16] que occupas as alturas dos
outeiros; ainda que alces o teu ninho como a aguia, de lá te derribarei,
diz o Senhor.
17 Assim servirá Edom de espanto: [17] todo aquelle que passar por ella
se espantará, e assobiará por causa de todas as suas pragas.
18 _Será_ [18] como a destruição de Sodoma e Gomorrah, e dos seus
visinhos, diz o Senhor: não habitará ninguem ali, nem morará n’ella filho
de homem.
19 Eis que [19] _elle_ como leão subirá da enchente do Jordão contra a
morada do forte; porque n’um momento o farei correr d’ali; e quem _é_ o
escolhido _que_ porei sobre ella? [20] porque quem _é_ similhante a mim?
e quem me emprazaria? e quem _é_ o pastor que subsistiria perante mim?
20 Portanto [21] ouvi o conselho do Senhor, que decretou contra Edom, e
os seus designios que intentou entre os moradores de Teman: certamente
os mais pequenos do rebanho os arrastarão: certamente assolará as suas
moradas sobre elles.
21 A terra estremeceu do [22] estrondo da sua queda: tocante ao grito,
até ao Mar Vermelho se ouviu o sonido.
22 Eis que [23] _elle_ como aguia subirá, e voará, e estenderá as suas
azas sobre Bozra: e _será_ o coração dos valentes de Edom n’aquelle dia
como o coração da mulher que _está_ com dôres _de parto_.
_Prophecia contra Damasco._
23 Contra Damasco. [24] Envergonhou-se Hamath e Arpad, porquanto ouviram
más novas, [25] se desmaiaram: no mar _ha_ angustia, não se pode socegar.
24 Enfraquecida está Damasco; virou as costas para fugir, e tremor a
tomou: [26] angustia e dôres a tomaram como da que está de parto.
25 Como não _é_ deixada [27] a afamada cidade? a cidade de meu folguedo?
26 Portanto [28] cairão os seus mancebos nas suas ruas; e todos os homens
de guerra serão consumidos n’aquelle dia, diz o Senhor dos Exercitos.
27 E accenderei [29] fogo ao muro de Damasco, e consumirá os palacios de
Benhadad.
_Prophecia contra a Arabia._
28 Contra Kedar, e contra os reinos de Hazor, que Nabucodonozor, rei de
Babylonia, feriu. Assim diz o Senhor: Levantae-vos, subi contra Kedar,
[30] e destrui os filhos do oriente.
29 Tomarão as suas tendas, e os seus gados, as suas cortinas e todos os
seus vasos, e os seus camelos levarão para si; e lhes clamarão: [31] _Ha_
medo de todos os lados.
30 Fugi, [32] desviae-vos para mui longe, buscae profundezas para
habitar, ó moradores de Azor, diz o Senhor: porque Nabucodonozor, rei de
Babylonia, tomou conselho contra vós, e intentou _um_ designio contra vós.
31 Levantae-vos, [33] subi contra uma nação em repouso, que habita
confiadamente, diz o Senhor, que não tem portas, nem ferrolho; [34]
habitam sós.
32 E os seus camelos serão para preza, e a multidão dos seus gados para
despojo: [35] e os espalharei a todo o vento, áquelles que moram nos
ultimos cantos _da terra_, e de todos os seus lados lhes trarei a sua
ruina, diz o Senhor.
33 E Hazor [36] se tornará em morada de dragões, _em_ assolação para
sempre: ninguem habitará ali, nem morará n’ella filho de homem.
_Prophecia contra os elamitas._
34 A palavra do Senhor, que veiu a Jeremias, o propheta, [37] contra
Elam, no principio do reinado de Zedekias, rei de Judah, dizendo:
35 Assim diz o Senhor dos Exercitos: [38] Eis que eu quebrarei o arco de
Elam, o principal do seu poder.
36 E trarei sobre Elam os quatro ventos dos quatro cantos dos céus, [39]
e os espalharei por todos estes ventos; e não _haverá_ nação aonde não
venham os fugitivos de Elam.
37 E atemorizarei a Elam diante de seus inimigos e diante dos que
procuram a sua morte; e farei vir sobre elles o mal, o furor da minha
ira, diz o Senhor; [40] e enviarei após elles a espada; até que venha a
consumil-os.
38 E [41] porei o meu throno em Elam: e destruirei d’ali o rei e os
principes, diz o Senhor.
39 Será, porém, [42] no ultimo dos dias que farei voltar os captivos de
Elam, diz o Senhor.
[1] Eze. 21.28 e 25.2. Amós 1.13. Sof. 2.8, 9.
[2] Amós 1.13.
[3] Eze. 25.5. Amós 1.14.
[4] Isa. 32.11. cap. 4.8 e 5.26.
[5] cap. 48.7.
[6] cap. 21.13.
[7] ver. 39. cap. 48.47.
[8] Eze. 25.12. Oba. 8.
[9] ver. 30.
[10] cap. 25.23.
[11] Oba. 5.
[12] Mal. 1.3.
[13] Isa. 17.15.
[14] Gen. 22.16. Isa. 45.23. Amós 6.8.
[15] Oba. 1, 2, 3.
[16] Oba. 4. Job 39.37. Amós 9.2.
[17] cap. 18.16 e 50.13.
[18] Gen. 19.25. Deu. 29.23. cap. 50.40. Amós 4.11.
[19] cap. 50.44, etc. cap. 12.5.
[20] Exo. 15.11.
[21] cap. 50.4.
[22] cap. 50.46.
[23] cap. 4.13 e 48.40, 41.
[24] Isa. 17.1 e 37.13. Amós 1.3. Zac. 9.1, 2.
[25] Isa. 57.20.
[26] Isa. 13.8. cap. 4.31 e 6.24 e 30.6 e 48.41. ver. 22.
[27] cap. 33.9.
[28] cap. 50.30 e 51.4.
[29] Amós 1.4.
[30] Jui. 6.3. Job 1.3.
[31] cap. 46.5.
[32] ver. 8.
[33] Eze. 38.11.
[34] Num. 23.9. Deu. 33.28. Miq. 7.14.
[35] ver. 36. Eze. 5.10. cap. 9.26 e 25.23.
[36] cap. 9.11 e 10.22. Mal. 1.3.
[37] cap. 25.25.
[38] Isa. 26.6.
[39] ver. 32.
[40] cap. 9.16 e 48.2.
[41] cap. 43.10.
[42] cap. 48.47. ver. 6.
_Prophecia contra Babylonia._
[Antes de Christo 595]
50 A palavra que fallou o Senhor [1] contra Babylonia, contra a terra dos
chaldeos, por mão de Jeremias, o propheta.
2 Annunciae entre as nações; e fazei ouvir, e levantae bandeira, fazei
ouvir, não encubraes; dizei: [2] _Já_ tomada é Babylonia, confundido
está Bel, atropellado está Merodach, confundidos estão os seus idolos, e
atropellados estão os seus deuses de esterco.
3 Porque subiu contra ella uma nação do norte, [3] que fará da sua terra
uma solidão, e não haverá quem habite n’ella: desde os homens até aos
animaes fugiram, e se foram.
4 N’aquelles dias, e n’aquelle tempo, diz o Senhor, os filhos de Israel
virão, [4] elles e os filhos de Judah juntamente; andando e chorando
virão, e buscarão ao Senhor seu Deus.
5 Pelo caminho de Sião perguntarão, para ali _endereçarão_ os seus
rostos: virão, e se ajuntarão ao Senhor, [5] n’um concerto eterno _que_
nunca _será_ esquecido.
6 Ovelhas perdidas [6] foram o meu povo, os seus pastores as fizeram
errar, _pelos_ montes as desviaram; [7] de monte em outeiro andavam,
esqueceram-se do logar do seu repouso.
7 Todos os que os achavam os devoraram; [8] e os seus adversarios diziam:
Culpa nenhuma teremos; porque peccaram contra o Senhor _na_ morada da
justiça, _contra_ o Senhor, a Esperança de seus paes.
8 Fugi [9] do meio de Babylonia, e sahi da terra dos chaldeos; e sêde
como os carneiros diante do rebanho.
9 Porque [10] eis que eu suscitarei e farei subir contra Babylonia uma
congregação de grandes nações da terra do norte, e se prepararão contra
ella, [11] _e_ d’ali _será_ tomada: as suas frechas _serão_ como _de_
valente heroe, não tornará sem effeito.
10 E Chaldea servirá de preza: todos os que a saqueiam serão fartos, diz
o Senhor.
11 Porquanto [12] vos alegrastes, porquanto saltastes de prazer, ó
saqueadores da minha herança, [13] porquanto vos inchastes como bezerra
gorda, e rinchastes como _cavallos_ vigorosos,
12 Será mui confundida vossa mãe, ficará envergonhada a que vos pariu:
eis que ella será a ultima das nações, um deserto, uma terra secca e uma
solidão.
13 Por causa do furor do Senhor não será habitada, [14] antes se tornará
em total assolação: qualquer que passar por Babylonia se espantará, e
assobiará sobre todas as suas pragas.
14 Preparae-vos [15] contra Babylonia em redor, todos os que armaes
arcos: atirae-lhe, não poupeis as frechas, porque peccou contra o Senhor.
15 Gritae contra ella em redor, [16] _porque já_ deu a sua mão, _já_
cairam seus fundamentos, _já_ são derribados os seus muros; porque esta
_é_ a vingança do Senhor: tomae vingança d’ella; como ella fez, fazei-lhe
_a ella_.
16 Arrancae de Babylonia o que semeia, e o que leva a foice no tempo da
sega: [17] por causa da espada afflictiva virar-se-ha cada um para o seu
povo, e fugirá cada um para a sua terra.
17 Cordeiro [18] desgarrado _é_ Israel: os leões o afugentaram:
o primeiro _que_ o comeu foi o rei da Assyria; e este, o ultimo,
Nabucodonozor, rei de Babylonia, lhe quebrou os ossos.
18 Portanto, assim diz o Senhor dos Exercitos, Deus de Israel: Eis que
visitarei o rei de Babylonia, e a sua terra, como visitei o rei da
Assyria.
19 E [19] farei tornar Israel para a sua morada, e pastará _no_ Carmelo e
_em_ Basan; e fartar-se-ha a sua alma no monte de Ephraim e em Gilead.
20 N’aquelles dias, e n’aquelle tempo, diz o Senhor, [20] buscar-se-ha
a maldade de Israel, porém não _se achará_; como tambem os peccados de
Judah, porém não se acharão; porque perdoarei aos que eu deixar de resto.
21 Contra a terra de Merathaim. [21] Sobe contra ella, e contra os
moradores de Pecod: assola e de todo destroe após elles, diz o Senhor, e
faze conforme tudo o que te mandei.
22 Estrondo [22] de guerra _ha_ na terra, e grande quebra.
23 Como [23] foi cortado e quebrantado o martello de toda a terra! como
se tornou Babylonia em espanto entre as nações!
24 Laços te armei, e tambem foste presa, ó Babylonia, e tu não _o_
soubeste; foste achada, e tambem apanhada; porque contra o Senhor te
entremetteste.
25 O Senhor abriu o seu thesouro, [24] e tirou os instrumentos da sua
indignação; porque esta obra _é_ do Senhor JEHOVAH dos Exercitos, na
terra dos chaldeos.
26 Vinde contra ella dos confins _da terra_, abri os seus celleiros,
trilhae-a como a pavêas, e destrui-a de todo: nada lhe fique de resto.
27 Matae á espada a todos os seus novilhos, [25] desçam ao degoladouro:
ai d’elles! porque veiu o seu dia, [26] o tempo da sua visitação.
28 Voz _ha_ dos que fugiram e escaparam da terra de Babylonia, [27] para
annunciar em Sião a vingança do Senhor nosso Deus, a vingança do seu
templo.
29 Convocae contra Babylonia os frecheiros, a todos os que armam arcos:
[28] acampae-vos contra ella em redor, ninguem escape d’ella: pagae-lhe
conforme a sua obra, [29] conforme tudo o que fez, fazei-lhe; porque se
houve arrogantemente contra o Senhor, contra o Sancto de Israel.
30 Portanto, [30] cairão os seus mancebos nas suas ruas; e todos os seus
homens de guerra serão desarreigados n’aquelle dia, diz o Senhor.
31 Eis que eu _sou_ contra ti, ó soberbo, diz o Senhor Deus dos
Exercitos; [31] porque _já_ veiu o teu dia, o tempo em que te hei de
visitar.
32 Então tropeçará o soberbo, e cairá, e ninguem _haverá_ que o levante;
[32] e porei fogo ás suas cidades, que consumirá todos os seus contornos.
33 Assim diz o Senhor dos Exercitos: Os filhos de Israel e os filhos de
Judah _foram_ opprimidos juntamente; e todos os que os tomaram captivos
os retiveram, não os quizeram soltar.
34 _Porém_ [33] o seu Redemptor é forte, o Senhor dos Exercitos _é_ o seu
nome; certamente pleiteará o pleito d’elles, para dar descanço á terra, e
inquietar os moradores de Babylonia.
35 A espada _virá_ sobre os chaldeos, diz o Senhor, [34] como tambem
sobre os moradores de Babylonia, e sobre os seus principes, e sobre os
seus sabios.
36 A espada [35] _virá_ sobre os mentirosos, e ficarão insensatos: a
espada _virá_ sobre os seus valentes, e desmaiarão.
37 A espada _virá_ sobre os seus cavallos, e sobre os seus carros,
[36] e sobre toda a mistura _de povos_, que _está_ no meio d’ella; e
tornar-se-hão em mulheres: a espada _virá_ sobre os seus thesouros, e
serão saqueados.
38 _Cairá_ [37] a secca sobre as suas aguas, e seccarão; porque é terra
de esculpturas, e pelos horriveis _idolos_ andam enfurecidos.
39 Por isso [38] habitarão _n’ella_ as féras do deserto, com os animaes
bravos das ilhas: [39] tambem habitarão n’ella as abestruzinhas; e nunca
mais será povoada para sempre, nem será habitada de geração em geração.
40 Como [40] Deus transtornou a Sodoma e a Gomorrah, e aos seus visinhos,
diz o Senhor, _assim_ ninguem habitará ali, nem morará n’ella filho do
homem.
41 Eis que [41] um povo vem do norte, e uma grande nação; e reis
poderosos se levantarão dos lados da terra.
42 Arco e lança tomarão; [42] elles _são_ crueis, e não _serão_
compassivos; a sua voz bramará como o mar, e sobre cavallos cavalgarão,
como _um_ homem apercebido para a batalha, contra ti, ó filha de
Babylonia.
43 O rei de Babylonia ouviu a sua fama, e desfalleceram as suas mãos:
[43] tomou-o a angustia _e_ dôr, como da que _está_ de parto.
44 Eis que [44] _elle_ como leão subirá da enchente do Jordão, contra a
morada do forte, porque n’um momento o farei correr d’ali; e quem _é_ o
escolhido, _a este_ porei contra ella: porque quem _é_ similhante a mim?
e quem me citaria a mim? [45] e quem _é_ aquelle pastor que subsistiria
perante mim?
45 Portanto ouvi [46] o conselho do Senhor, que decretou contra
Babylonia, e os seus designios que intentou contra a terra dos chaldeos:
Certamente os mais pequenos do rebanho os arrastarão; certamente assolará
a morada sobre elles.
46 Do estrondo da tomada de Babylonia estremeceu a terra; e o grito se
ouviu entre as nações.
[1] Isa. 13.1 e 21.1 e 47.1.
[2] Isa. 46.1. cap. 51.44. cap. 43.12, 13.
[3] Isa. 13.17, 18, 20. ver. 39, 40.
[4] Ose. 1.11. cap. 31.9. Zac. 12.10. Ose. 3.5.
[5] cap. 31.31, etc. e 32.40.
[6] ver. 17. Isa. 53.6. I Ped. 2.25.
[7] cap. 2.20 e 3.6, 23.
[8] cap. 20.2, 3. cap. 2.3.
[9] Isa. 48.20. cap. 51.6, 45. Zac. 2.6, 7. Apo. 18.4.
[10] cap. 15.14 e 51.27. ver. 3, 41.
[11] ver. 14, 29.
[12] Isa. 47.6.
[13] Ose. 10.11.
[14] cap. 49.17.
[15] ver. 9. cap. 51.2. ver. 29.
[16] II Chr. 30.8. ver. 29.
[17] Isa. 13.14. cap. 51.9.
[18] ver. 6. cap. 2.15.
[19] cap. 33.12. Eze. 34.13, 14.
[20] cap. 31.34.
[21] II Reis 18.25. Isa. 10.6.
[22] cap. 51.54.
[23] cap. 51.20.
[24] Isa. 13.5.
[25] cap. 46.21.
[26] cap. 48.44. ver. 31.
[27] cap. 51.10, 11.
[28] ver. 14.
[29] ver. 15. cap. 51.56. Apo. 18.6.
[30] cap. 49.26 e 51.4.
[31] ver. 27.
[32] cap. 21.14.
[33] Apo. 18.8. Isa. 47.4.
[34] Dan. 5.30.
[35] Isa. 44.25.
[36] cap. 25.20, 24. Eze. 30.5. cap. 51.30. Nah. 3.13.
[37] Isa. 44.27. cap. 51.32, 36. Apo. 16.12. ver. 2.
[38] Isa. 13.21, 22. cap. 51.37.
[39] Isa. 13.20.
[40] Gen. 19.25. Isa. 13.19. cap. 49.18 e 51.26.
[41] ver. 9. cap. 6.22.
[42] cap. 6.23. Isa. 13.18. Isa. 5.30.
[43] cap. 49.24.
[44] cap. 49.19, etc.
[45] cap. 49.19.
[46] Isa. 14.24, etc. cap. 51.11.
51 Assim diz o Senhor: Eis que levantarei um vento destruidor contra
Babylonia, [1] e contra os que habitam no coração dos que se levantam
contra mim.
2 E enviarei padejadores contra Babylonia, que a padejarão, [2] e
despejarão a sua terra; porque virão contra ella de redor no dia da
calamidade.
3 O frecheiro arme [3] o seu arco contra o que arma o _seu arco_, e
contra o que presume da sua couraça; e não perdoeis a seus mancebos; [4]
destrui a todo o seu exercito.
4 E os mortos caiam na terra dos chaldeos, [5] e os atravessados pelas
ruas.
5 Porque Israel e Judah não foram deixados viuvas do seu Deus, do Senhor
dos Exercitos, ainda que a sua terra esteja cheia de culpas perante o
Sancto de Israel.
6 Fugi [6] do meio de Babylonia, e livrae cada um a sua alma, e não vos
destruaes a vós na sua maldade: [7] porque este é o tempo da vingança do
Senhor, que lhe paga retribuição.
7 _Era_ Babylonia um copo de oiro na mão do Senhor, [8] que embriagava
a toda a terra: [9] do seu vinho beberam as nações; por isso as nações
enlouqueceram.
8 N’um momento caiu [10] Babylonia, e ficou arruinada: uivae sobre ella,
tomae balsamo para a sua dôr, porventura sarará.
9 Sarámos a Babylonia, porém ella não sarou; [11] deixae-a, e vamo-nos
cada um para a sua terra: porque o seu juizo chegou até ao céu, e se
elevou até ás mais altas nuvens.
10 O Senhor tirou a nossa justiça á luz: [12] vinde e contemos em Sião a
obra do Senhor, nosso Deus.
11 [ZX] Alimpae as frechas, [13] preparae perfeitamente os escudos: o
Senhor despertou o espirito dos reis da Media; porque o seu intento
contra Babylonia _é_ para a destruir; [14] porque esta _é_ a vingança do
Senhor, a vingança do seu templo.
12 Arvorae bandeira sobre os muros de Babylonia, reforçae a guarda,
collocae guardas, preparae as ciladas; porque como o Senhor intentou,
assim fez o que tinha fallado ácerca dos moradores de Babylonia.
13 Tu [15] que habitas sobre muitas aguas, rica de thesouros, veiu o teu
fim, a medida da tua avareza.
14 Jurou o [16] Senhor dos Exercitos por si mesmo, dizendo: Ainda que te
enchi _de_ homens, como _de_ pulgão, comtudo cantarão com jubilo sobre ti.
15 Aquelle [17] que fez a terra com o seu poder, e ordenou o mundo com a
sua sabedoria, e estendeu os céus com o seu entendimento.
16 Dando elle a sua voz, grande estrondo de aguas _ha_ nos céus, e faz
subir os vapores desde o fim da terra: faz os relampagos com a chuva, e
tira o vento dos seus thesouros.
17 Embruteceu-se [18] todo o homem, e não tem sciencia; envergonhou-se
todo o ourives de imagem de esculptura; [19] porque a sua imagem de
fundição mentira _é_, e não _ha_ espirito n’ellas.
18 Vaidade [20] _são_, obra de enganos: no tempo da sua visitação
perecerão.
19 Não _é_ similhante a estes [21] a porção de Jacob; porque elle _é_
o que formou tudo; e _Israel é_ a tribu da sua herança: o Senhor dos
Exercitos _é_ o seu nome.
20 Tu [22] me _és_ martello _e_ armas de guerra, e por ti despedaçarei
nações, e por ti destruirei os reis;
21 E por ti despedaçarei o cavallo e o seu cavalleiro; e por ti
despedaçarei o carro e o que vae montado n’elle;
22 E por ti despedaçarei o homem e a mulher, [23] e por ti despedaçarei o
velho e o moço; e por ti despedaçarei o mancebo e a virgem;
23 E por ti despedaçarei o pastor e o seu rebanho; e por ti despedaçarei
o lavrador e a sua junta _de bois_; e por ti despedaçarei os capitães e
os magistrados.
24 Mas pagarei a Babylonia, e a todos os moradores da Chaldea, toda a sua
maldade, que fizeram em Sião, aos vossos olhos, diz o Senhor.
25 Eis-me aqui contra ti, ó monte destruidor, [24] diz o Senhor,
que destroes toda a terra; e estenderei a minha mão contra ti, e te
revolverei das rochas, [25] e farei de ti _um_ monte de queima.
26 E não tomarão de ti pedra para esquina, nem pedra para fundamentos,
[26] porque te tornarás _em_ assolações perpetuas, diz o Senhor.
27 Arvorae [27] bandeira na terra, tocae a buzina entre as nações, [ZY]
sanctificae as nações contra ella, convocae contra ella [28] os reinos de
Ararat, Minni, e Asquenaz: ordenae contra ella _um_ capitão, fazei subir
cavallos, como pulgão arripiado.
28 Sanctificae contra ella as nações, [29] os reis da Media, os seus
capitães, e todos os seus magistrados, como tambem toda a terra do seu
dominio.
29 Então tremerá a terra, e doer-se-ha, porque cada um dos designios do
Senhor está firme contra Babylonia, [30] para fazer da terra de Babylonia
_uma_ assolação, de sorte que não _haja n’ella_ habitante.
30 Os valentes de Babylonia cessaram de pelejar, ficaram-se nas
fortalezas, desfalleceu a sua força [31] tornaram-se como mulheres:
incendiaram as suas moradas, quebrados foram os seus ferrolhos.
31 Um correio [32] correrá ao encontro _de outro_ correio, e um
mensageiro ao encontro _de outro_ mensageiro, para annunciar ao rei de
Babylonia que a sua cidade está tomada desde um cabo _até ao outro_;
32 E _já_ os váos estão tomados, e os canaviaes queimados a fogo; e os
homens de guerra ficaram assombrados.
33 Porque assim diz o Senhor dos Exercitos, o Deus de Israel: A filha de
Babylonia _é_ como _uma_ eira, [33] _já é_ tempo de se debulhar: [34]
ainda um pouco, e o tempo da sega lhe virá.
34 Nabucodonozor, rei de Babylonia, me devorou, [35] atropellou-me, fez
de mim um vaso vasio, como dragão me tragou, encheu o seu ventre das
minhas delicadezas; lançou-me fóra.
35 A violencia que se me fez a mim e a minha carne _venha_ sobre
Babylonia, diga a moradora de Sião; e o meu sangue sobre os moradores da
Chaldea, diga Jerusalem.
36 Pelo que assim diz o Senhor: [36] Eis que pleitearei o teu pleito, e
te vingarei da vingança que se tomou de ti; e seccarei o seu mar, e farei
que se esgote o seu manancial.
37 E [37] Babylonia virá a ser uns montões, morada de dragões, espanto e
assobio, [38] sem _que haja_ quem habite _n’ella_.
38 Juntamente rugirão como filhos dos leões: bramarão como cachorros de
leões.
39 Estando [39] elles _já_ esquentados, lhes darei a sua bebida, e os
embriagarei, para que andem saltando; porém dormirão _um_ perpetuo somno,
e não acordarão, diz o Senhor.
40 Fal-os-hei descer como a cordeiros ao matadouro, como carneiros com os
bodes.
41 Como [40] foi presa Sesach, e tomada a gloria de toda a terra! como
tem sido Babylonia tornada em espanto entre as nações!
42 O [41] mar subiu sobre Babylonia; com a multidão das suas ondas se
cobriu.
43 Tornaram-se [42] as suas cidades em assolação, terra secca e deserta,
terra em que ninguem habite, nem passe por ella filho de homem.
44 E [43] visitarei a Bel em Babylonia, e tirarei da sua bocca o que
tragou, e nunca mais concorrerão a elle as nações: [44] tambem o muro de
Babylonia caiu.
45 Sahi do meio d’ella, [45] ó povo meu, e livrae cada um a sua alma, por
causa do ardor da ira do Senhor.
46 E para que _porventura_ não se enterneça o vosso coração, [46] e não
temaes pelo rumor que se ouvir na terra; porque virá n’_um_ anno um
rumor, e depois n’_outro_ anno um rumor; e _haverá_ violencia na terra,
dominador sobre dominador.
47 Portanto, eis que veem dias, [47] e visitarei as imagens de esculptura
de Babylonia, e toda a sua terra será envergonhada, e todos os seus
traspassados cairão no meio d’ella.
48 E os céus [48] e a terra, com tudo quanto n’elles _ha_, jubilarão
sobre Babylonia: [49] porque do norte lhe virão os destruidores, diz o
Senhor.
49 Como Babylonia serviu de queda aos traspassados de Israel, assim em
Babylonia cairão os traspassados de toda a terra.
50 Vós, [50] que escapastes da espada, ide-vos, não pareis; de longe
lembrae-vos do Senhor, e Jerusalem suba sobre o vosso coração.
51 _Direis porém_: Envergonhados estamos, porque ouvimos opprobrio;
vergonha cobriu o nosso rosto, porquanto vieram estrangeiros sobre os
sanctuarios da casa do Senhor.
52 Portanto, eis que veem dias, diz o Senhor, [51] e visitarei as suas
imagens de esculptura; e gemerá o traspassado em toda a sua terra.
53 Ainda [52] que Babylonia subisse aos céus, e ainda que fortificasse a
altura da sua fortaleza, _todavia_ de mim virão destruidores sobre ella,
diz o Senhor.
54 Voz de gritos [53] _se ouve_ de Babylonia, e grande quebrantamento da
terra dos chaldeos;
55 Porque o Senhor destroe a Babylonia, e fará perecer d’ella a _sua_
grande voz: porque as suas ondas bramirão como muitas aguas: dar-se-ha o
arroido da sua voz.
56 Porque o destruidor vem sobre ella, sobre Babylonia, e os seus
valentes serão presos, _já_ estão quebrados os seus arcos: [54] porque o
Senhor, Deus das recompensas, certamente _lh’o_ pagará.
57 E [55] embriagarei os seus principes, e os seus sabios, e os seus
capitães, e os seus magistrados, e os seus valentes; e dormirão _um_
somno perpetuo, e não acordarão, diz o Rei cujo nome _é_ o Senhor dos
Exercitos.
58 Assim diz o Senhor dos Exercitos: [56] Os largos muros de Babylonia
totalmente serão derribados, e as suas portas excelsas serão abrazadas
pelo fogo; [57] e trabalharão os povos em vão, e as nações para o fogo, e
cançar-se-hão.
59 A palavra que mandou Jeremias, o propheta, a Seraias, filho de Nerias,
filho de Maaseias, indo elle com Zedekias, rei de Judah, a Babylonia, no
anno quarto do seu reinado; e Seraias _era_ um principe pacifico.
60 Escreveu pois Jeremias n’_um_ livro todo o mal que havia de vir sobre
Babylonia: todas estas palavras que estavam escriptas contra Babylonia.
61 E disse Jeremias a Seraias: Em tu chegando a Babylonia, verás e lerás
todas estas palavras.
62 E dirás: Senhor! tu fallaste sobre este logar, que o havias de
desarreigar, [58] até não ficar n’elle morador algum, desde o homem até
ao animal, mas que se tornaria _em_ perpetuas assolações.
63 E _será_ que, acabando tu de ler este livro, [59] o atarás a uma pedra
e o lançarás no meio do Euphrates.
64 E dirás: Assim será afundada Babylonia, e não se levantará, por causa
do mal que eu hei de trazer sobre ella, [60] e se cançarão. Até aqui
_são_ as palavras de Jeremias.
[1] II Reis 19.7.
[2] cap. 50.14.
[3] cap. 50.14.
[4] cap. 50.21.
[5] cap. 49.26 e 50.30, 37.
[6] cap. 50.8. Apo. 18.4.
[7] cap. 50.15, 28.
[8] Apo. 17.4.
[9] Apo. 14.8. cap. 25.16.
[10] Isa. 21.9. Apo. 14.8 e 18.2. cap. 48.20. Apo. 18.9, 11, 19.
[11] Isa. 13.14. cap. 50.16. Apo. 18.5.
[12] cap. 50.28.
[13] cap. 46.4. ver. 28.
[14] cap. 50.45.
[15] Apo. 17.1, 15.
[16] cap. 49.13. Amós 6.8.
[17] Gen. 1.1, 6. cap. 10.12, etc. Isa. 40.22. cap. 10.13.
[18] cap. 10.14.
[19] cap. 50.2.
[20] cap. 10.15.
[21] cap. 10.16.
[22] Isa. 10.5, 15. cap. 50.23.
[23] II Chr. 33.17.
[24] Isa. 13.2. Zac. 4.7.
[25] Apo. 8.8.
[26] cap. 50.40.
[27] Isa. 13.8. cap. 25.14.
[28] cap. 50.41.
[29] ver. 11.
[30] cap. 50.13, 39, 40. ver. 48.
[31] Isa. 19.16. cap. 48.41 e 50.37. Nah. 3.13.
[32] cap. 50.24.
[33] Isa. 21.10. Miq. 4.13.
[34] Isa. 17.5, etc. Ose. 6.11. Joel 3.13. Apo. 14.15, 18.
[35] cap. 50.17.
[36] cap. 50.34, 38.
[37] cap. 50.39. Apo. 18.2.
[38] cap. 25.9, 18.
[39] ver. 57.
[40] cap. 25.26. Isa. 13.19.
[41] Isa. 8.7, 8.
[42] cap. 50.39, 40. ver. 29.
[43] cap. 50.2.
[44] ver. 58.
[45] ver. 6. cap. 50.8. Apo. 18.4.
[46] II Reis 19.7.
[47] cap. 50.2. ver. 52.
[48] Isa. 44.23 e 49.13. Apo. 18.20.
[49] cap. 50.3, 41.
[50] cap. 44.28.
[51] ver. 47.
[52] cap. 49.16. Amós 9.2.
[53] cap. 50.22.
[54] cap. 50.29.
[55] ver. 39.
[56] ver. 44.
[57] Hab. 2.13.
[58] cap. 50.3, 39. ver. 29.
[59] Apo. 18.21.
[60] ver. 53.
_O cerco, tomada e destruição de Jerusalem._
52 Era Zedekias [1] da edade de vinte e um annos quando começou a reinar,
e reinou onze annos em Jerusalem: e o nome de sua mãe era Hamutal, filha
de Jeremias, de Libna.
2 E fez o que era mal aos olhos do Senhor, conforme tudo o que fizera
Joaquim.
3 Porque succedeu, por causa da ira do Senhor contra Jerusalem e Judah,
até que elle os lançou de diante d’elle, que se rebellou Zedekias contra
o rei de Babylonia.
[Antes de Christo 588]
4 E aconteceu, [2] no anno nono do seu reinado, no mez decimo, no
decimo _dia_ do mez, _que_ veiu Nabucodonozor, rei de Babylonia, contra
Jerusalem, elle e todo o seu exercito, e se acamparam contra ella, e
levantaram contra ella tranqueiras ao redor.
5 Assim esteve cercada a cidade, até ao anno undecimo do rei Zedekias.
6 No mez quarto, aos nove do mez, quando _já_ a fome prevaleceu na
cidade, e o povo da terra não tinha pão,
7 Então a cidade foi arrombada, e todos os homens de guerra fugiram, e
sairam da cidade de noite, pelo caminho da porta, entre os dois muros que
_estavam_ junto ao jardim do rei (porque os chaldeos estavam contra a
cidade ao redor), e foram-se _pelo_ caminho da campina.
8 Porém o exercito dos chaldeos seguiu o rei, e alcançaram a Zedekias nas
campinas de Jericó, e todo o seu exercito se espalhou d’elle.
9 E [3] prenderam o rei, e o fizeram subir ao rei de Babylonia, a Ribla,
na terra de Hamath, o qual pronunciou juizos contra elle.
10 E [4] o rei de Babylonia degolou os filhos de Zedekias diante dos seus
olhos, e tambem degolou a todos os principes de Judah em Ribla.
11 E cegou os olhos a Zedekias, e o atou com duas cadeias de bronze; e o
rei de Babylonia o levou a Babylonia, e o poz na casa do carcere até ao
dia da sua morte.
12 E no quinto mez, [5] no decimo _dia_ do mez (este _era_ o decimo nono
anno do rei Nabucodonozor, rei de Babylonia), veiu Nebuzaradan, [6]
capitão da guarda, _que_ assistia na presença do rei de Babylonia, a
Jerusalem.
13 E queimou a casa do Senhor, e a casa do rei; e tambem a todas as casas
de Jerusalem, e a todas as casas dos grandes queimou a fogo.
14 E todo o exercito dos chaldeos, que _estava_ com o capitão da guarda,
derribou a todos os muros de Jerusalem ao redor.
15 E dos mais [7] pobres do povo, e o resto do povo, que deixaram ficar
na cidade, e os rebeldes que se haviam passado ao rei de Babylonia, e o
resto da multidão, Nebuzaradan, capitão da guarda, levou presos.
16 Mas dos mais pobres da terra deixou Nebuzaradan, capitão da guarda,
ficar _alguns_, para _serem_ vinhateiros e lavradores.
17 Quebraram mais os chaldeos as columnas [8] de bronze, que _estavam_ na
casa do Senhor, e as bases, e o mar de bronze, que _estavam_ na casa do
Senhor, e levaram todo o bronze para Babylonia.
18 Tambem tomaram [9] os caldeirões, e as pás, e os garfos, e as bacias,
e [ZZ] os perfumadores, e todos os vasos de bronze, com que se ministrava.
19 E tomou o capitão da guarda os copos, e os incensarios, e as bacias,
e os caldeirões e os castiçaes, e os perfumadores, e as galhetas: assim
o que _era_ de puro oiro _em oiro_, como o que _era_ de prata maciça _em
prata_.
20 As duas columnas, o unico mar, e os doze bois de bronze, que _estavam_
no logar das bases, que fizera o rei Salomão para a casa do Senhor: o
bronze d’elles, de todos estes vasos, [10] não tinha peso.
21 Quanto [11] ás columnas, a altura de uma columna _era_ de dezoito
covados, e um fio de doze covados a cercava; e _era_ a sua grossura de
quatro dedos, _e era_ oca.
22 E havia sobre ella um capitel de bronze, e a altura do capitel _era_
de cinco covados, e a rede e as romãs em roda do capitel tudo _era_ de
bronze; e similhante a esta _era_ o da outra columna, com as romãs.
23 E havia noventa e seis [12] romãs em cada banda: as romãs todas _eram_
um cento, em roda da rede.
24 Tomou tambem [13] o capitão da guarda a Seraias, o sacerdote primeiro,
e a Sofonias, o sacerdote segundo, e aos tres guardas do umbral da porta.
25 E da cidade tomou a um eunucho que tinha cargo da gente de guerra, e
a sete homens dos que viam a face do rei, que se acharam na cidade, como
tambem o escrivão-mór do exercito, que registrava o povo da terra para a
guerra, e a sessenta homens do povo da terra, que se acharam no meio da
cidade.
26 Tomando-os pois Nebuzaradan, capitão da guarda, os trouxe ao rei de
Babylonia, a Ribla.
27 E o rei de Babylonia os feriu e os matou em Ribla, na terra de Hamath:
assim Judah foi levado da sua terra em captiveiro.
28 Este é o povo [14] que Nabucodonozor levou captivo no setimo anno:
tres mil e vinte e tres judeos.
29 No anno decimo oitavo de Nabucodonozor _levou elle em captiveiro_ de
Jerusalem oitocentas e trinta e duas almas.
30 No anno vinte e [15] tres de Nabucodonozor, levou Nebuzaradan, capitão
da guarda, em captiveiro dos judeos, setecentas e quarenta e cinco almas:
todas as almas _são_ quatro mil e seiscentas.
31 Succedeu pois [16] no anno trigesimo setimo do captiveiro de Joaquim,
rei de Judah, no mez duodecimo, aos vinte e cinco do mez, _que_ exalçou
Evil-merodach, rei de Babylonia, [17] no anno _primeiro_ do seu reinado,
a cabeça de Joaquim, rei de Judah, e o tirou da casa da prisão;
32 E fallou com elle benignamente, e poz o seu throno acima dos thronos
dos reis que _estavam_ com elle em Babylonia;
33 E lhe mudou os vestidos da sua prisão; [18] e comeu pão sempre na sua
presença, todos os dias da sua vida.
34 E, quanto á sua pitança, foi-lhe dada pitança ordinaria do rei de
Babylonia, porção quotidiana, no seu dia, até o dia da sua morte, todos
os dias da sua vida.
[1] II Reis 24.18.
[2] II Reis 25.1-27. cap. 39.1. Zac. 8.19.
[3] cap. 32.4.
[4] Eze. 12.13.
[5] Zac. 7.5 e 8.19. ver. 29.
[6] cap. 39.9.
[7] cap. 39.9.
[8] I Reis 7.15.
[9] Exo. 27.13. II Reis 25.14, 15, 16.
[10] I Reis 7.47.
[11] I Reis 7.15. II Reis 25.17. II Chr. 3.15.
[12] I Reis 7.20.
[13] II Reis 25.18. cap. 21.1 e 29.25.
[14] II Reis 24.2, 12, 14.
[15] ver. 12. cap. 39.9.
[16] II Reis 25.27, 28, 29, 30.
[17] Gen. 40.13, 20.
[18] II Sam. 9.13.
LAMENTAÇÕES DE JEREMIAS.
_A humilhação de Jerusalem; os peccados e afflicções do povo._
[Antes de Christo 588]
ALEPH. 1 Como _assim_ solitaria está assentada aquella cidade, _d’antes
tão_ populosa! [1] tornou-se como viuva; a que foi grande entre as
nações, como a princeza entre as provincias, tornou-se tributaria!
BETH. 2 Continuamente chora [2] de noite, e as suas lagrimas _estão
correndo_ pelas suas faces; não tem quem a console entre todos os seus
amadores: todos os seus amigos se houveram aleivosamente com ella, se lhe
tornaram inimigos.
GIMEL. [3] 3 Judah passou em captiveiro por causa da afflicção, e por
causa da grandeza da _sua_ servidão: [4] ella habita entre as nações, não
acha descanço: todos os seus perseguidores a alcançam entre as angustias.
DALETH. 4 Os caminhos de Sião pranteam, porque não ha quem venha á
solemnidade; todas as suas portas _estão_ assoladas; os seus sacerdotes
suspiram: as suas virgens _estão_ tristes, e ella _mesma_ tem amargura.
HE. 5 Os seus adversarios [5] se lhe fizeram cabeça, os seus inimigos
prosperam; porque o Senhor a entristeceu, por causa da multidão das suas
prevaricações: os seus filhinhos vão em captiveiro adiante do adversario.
VAU. 6 E da filha de Sião foi-se toda a sua gloria: os seus principes
ficaram sendo como veados _que_ não acham pasto e caminham sem força
adiante do perseguidor.
ZAIN. 7 Lembrou-se Jerusalem nos dias da sua afflicção, e das suas
rebelliões, de todas as suas mais queridas coisas, que tivera dos tempos
antigos: quando cahia o seu povo na mão do adversario, e ella não tinha
quem a soccorresse, os adversarios a viram, e fizeram escarneo dos seus
sabbados.
HETH. 8 Jerusalem [6] gravemente peccou, por isso se fez instavel: todos
os que a honravam, a desprezaram, [7] porque viram a sua nudez; ella
tambem suspirou e se voltou para traz.
TETH. 9 A sua immundicia _está_ nas suas fraldas, [8] nunca se lembrou
do seu fim: por isso foi pasmosamente abatida, não tem consolador; vê,
Senhor, a minha afflicção, porque o inimigo se engrandece.
JOD. 10 Estendeu o adversario a sua mão a todas [9] as coisas mais
preciosas d’ella; [10] pois _já_ viu ter entrado no seu sanctuario as
nações ácerca das quaes mandaste que não entrassem na tua congregação.
CAPH. 11 Todo o seu povo anda suspirando, [11] buscando o pão, deram as
suas coisas mais preciosas a troco de mantimento para refrescarem a alma:
vê, Senhor, e contempla, que sou desprezivel.
LAMED. 12 _Porventura_ não _vos_ toca a todos os que passaes pelo
caminho? attendei, e vêde, se ha dôr como a minha dôr, que se me fez a
mim, com que _me_ entristeceu o Senhor, no dia do furor da sua ira.
MEM. 13 Desde o alto enviou _um_ fogo em meus ossos, o qual se
assenhoreou: [12] estendeu uma rede aos meus pés, fez-me voltar para
traz, fez-me assolada _e_ enferma todo o dia.
NUN. 14 Já [13] o jugo das minhas prevaricações está atado pela sua mão,
estão entretecidas, subiram sobre o meu pescoço, prostrou a minha força:
entregou-me o Senhor nas mãos _dos inimigos_, não posso levantar-me.
SAMECH. 15 O Senhor atropellou todos os meus valentes no meio de mim;
apregoou contra mim um ajuntamento, para quebrantar os meus mancebos:
[14] o Senhor pisou como n’um lagar a virgem filha de Judah.
AIN. 16 Por estas coisas eu ando chorando, [15] _e_ o meu olho, o meu
olho se desfaz em aguas; porque se alongou de mim o consolador que devia
restaurar a minha alma: os meus filhos estão assolados, porque prevaleceu
o inimigo.
PE. 17 Estende [16] Sião as suas mãos, não ha quem a console: mandou o
Senhor ácerca de Jacob _que_ lhe fossem inimigos os que estão em redor
d’elle; Jerusalem é como uma _mulher_ immunda.
TSADE. 18 Justo [17] é o Senhor, pois me rebellei _contra_ a sua bocca:
ouvi, pois, todos os povos, e vêde a minha dôr; as minhas virgens e os
meus mancebos se foram para o captiveiro.
KOPH. 19 Chamei os meus amadores, [18] _porém_ elles me enganaram: os
meus sacerdotes e os meus anciãos expiraram na cidade; [19] porque
buscavam para si mantimento, para refrescarem a sua alma.
RESCH. 20 Olha, Senhor, porque estou angustiada; [20] turbadas estão
as minhas entranhas, o meu coração _está_ transtornado no meio de mim,
porque gravemente me rebellei: [21] de fóra _me_ desfilhou a espada, de
dentro está a morte.
SCHIN. 21 _Bem_ ouvem que eu suspiro, [22] _porém_ não tenho quem me
console: todos os meus inimigos que ouviram o meu mal folgam, porque tu o
fizeste: [23] trazendo tu o dia _que_ apregoaste, então serão como eu.
TAU. 22 Venha todo o seu mal diante de ti, e faze-lhes como me fizeste a
mim por causa de todas as minhas prevaricações; porque os meus suspiros
_são_ muitos, [24] e o meu coração _está_ desfallecido.
[1] Isa. 47.7, 8. Esd. 4.20.
[2] Jer. 13.17.
[3] Jer. 52.27.
[4] Deu. 28.54, 65.
[5] Deu. 28.43, 44. Jer. 30.14, 15. Dan. 9.7, 16.
[6] I Reis 8.46.
[7] Jer. 13.22, 26. Eze. 16.37 e 23.29.
[8] Deu. 32.29. Isa. 47.7. ver. 2, 17, 21.
[9] ver. 7.
[10] Deu. 23.3. Neh. 13.1.
[11] Jer. 38.9 e 52.6. cap. 2.12 e 4.4.
[12] Eze. 12.13 e 17.20.
[13] Deu. 28.48.
[14] Isa. 63.3. Apo. 14.19, 20 e 19.15.
[15] Jer. 13.17 e 14.17. cap. 2.18. ver. 2, 9.
[16] Jer. 4.31. ver. 2, 9.
[17] Neh. 9.33. Dan. 9.7, 14.
[18] ver. 2. Jer. 30.14.
[19] ver. 11.
[20] Job 30.27. Isa. 16.11. Jer. 4.10 e 48.36. cap. 2.11. Ose. 11.8.
[21] Deu. 32.25. Eze. 7.15.
[22] ver. 2.
[23] Isa. 13, etc. Jer. 46, etc.
[24] cap. 5.17.
_O cerco, fome e ruina de Jerusalem._
ALEPH. 2 Como cobriu o Senhor de nuvens na sua ira a filha de Sião? [1]
derribou do céu á terra a gloria de Israel, e não se lembrou do escabello
de seus pés, no dia da sua ira.
BETH. 2 Devorou [2] o Senhor todas as moradas de Jacob, e não se apiedou:
derribou no seu furor as fortalezas da filha de Judah, _e as_ achegou á
terra: profanou o reino e os seus principes.
GIMEL. 3 Cortou no furor da _sua_ ira [AAA] toda a força de Israel:
retirou para traz a sua dextra de diante do inimigo; e ardeu contra
Jacob, como labareda de fogo _que_ consome em redor.
DALETH. 4 Armou [3] o seu arco como inimigo: firmou a sua dextra como
adversario, [4] e matou tudo o _que era_ formoso á vista; derramou a sua
indignação como fogo na tenda da filha de Sião.
HE. 5 Tornou-se [5] o Senhor como inimigo; devorou a Israel, devorou a
todos os seus palacios, destruiu as suas fortalezas; e multiplicou na
filha de Judah a lamentação e tristeza.
VAU. 6 E arrancou a sua cabana com violencia, como _a de_ uma horta, [6]
_e_ destruiu a sua congregação: o Senhor em Sião poz em esquecimento a
solemnidade e o sabbado, e na indignação da sua ira rejeitou com desprezo
o rei e o sacerdote.
ZAIN. 7 Rejeitou o Senhor o seu altar, detestou o seu sanctuario;
entregou na mão do inimigo os muros dos seus palacios: levantaram grita
na casa do Senhor, como em dia de solemnidade.
HETH. 8 Intentou o Senhor destruir o muro da filha de Sião: _já_ estendeu
o cordel _sobre elle_, não retirou a sua mão de devorar; [7] _já_ fez
gemer o antemuro e o muro juntamente, _já_ estão enfraquecidos.
TETH. 9 _Já_ subverteram as suas portas, [8] destruiu e quebrou os seus
ferrolhos: _estão_ entre as nações o seu rei e os seus principes: _já_
não _ha_ lei, nem acham visão alguma do Senhor os seus prophetas.
JOD. 10 Estão assentados [9] por terra, estão calados os anciãos da filha
de Sião; lançam pó sobre as suas cabeças, cingiram saccos: as virgens de
Jerusalem abaixam as suas cabeças até á terra.
CAPH. 11 Já se consumiram os meus olhos [10] com lagrimas, turbadas estão
as minhas entranhas, o meu figado se derramou pela terra por causa do
quebrantamento da filha do meu povo; porquanto desfallecem o menino e a
creança de mama pelas ruas da cidade.
LAMED. 12 A suas mães dizem: Onde _ha_ trigo e vinho? [11] quando
desfallecem como o ferido pelas ruas da cidade, derramando-se a sua alma
no regaço de suas mães.
MEM. 13 Que testemunho te trarei? [12] a quem te compararei, ó filha de
Jerusalem? a quem te assimilharei, para te consolar a ti, ó virgem filha
de Sião? porque grande _é_ como o mar a tua quebradura; quem te sarará?
NUN. 14 Os teus prophetas [13] virão para ti, vaidade e loucura, e não
manifestaram a tua maldade, para desviarem o teu captiveiro: antes viram
para ti cargas vãs e expulsões.
SAMECH. 15 Todos [14] os que passam pelo caminho palmeiam sobre ti com
as mãos, assobiam e meneiam as suas cabeças, sobre a filha de Jerusalem,
_dizendo_: É esta a cidade de que se dizia: Perfeita _é_ em formosura, o
gozo de toda a terra.
PE. 16 Todos [15] os teus inimigos abrem as suas boccas sobre ti,
assobiam, e rangem os dentes; dizem: _Já_ a temos devorado; pois este _é_
o dia que esperavamos; _já_ o achámos, _já_ o vimos.
AIN. 17 Fez o Senhor [16] o que intentou; cumpriu a sua palavra, que
mandára desde os dias da antiguidade: derrubou, e não se apiedou; e
alegrou o inimigo sobre ti, [AAB] exaltou o poder dos teus adversarios.
TSADE. 18 O coração d’elles clamou ao Senhor: [17] Ó muralha da filha de
Sião: derrama lagrimas como _um_ ribeiro, de dia e de noite; não te dês
descanço, nem parem as meninas de teus olhos.
KOPH. 19 Levanta-te, dá vozes de noite no principio das velas; derrama
o teu coração como aguas diante da face do Senhor: levanta a elle as
tuas mãos, pela vida de teus filhinhos, [18] que desfallecem de fome á
entrada de todas as ruas.
RESCH. 20 Vê, ó Senhor, e considera a quem fizeste de tal modo: [19]
_porventura_ comerão as mulheres o fructo _das suas entranhas_, as
creanças que trazem nos braços? [20] ou matar-se-ha no sanctuario do
Senhor o sacerdote e o propheta?
SCHIN. 21 Jazem em terra _pelas_ ruas o moço [21] e o velho, as minhas
virgens e _os_ meus mancebos vieram a cair á espada: tu os mataste no dia
da tua ira; [22] degolaste e não te apiedaste.
TAU. 22 Convocaste os meus temores em redor como _n’um_ dia de
solemnidade; [23] nem houve alguem no dia da ira do Senhor que escapasse,
nem quem ficasse: [24] aos que trouxe nas mãos e sustentei o meu inimigo
os consumiu.
[1] Mat. 11.23.
[2] ver. 17, 21. cap. 3.43.
[3] Isa. 63.10. ver. 5.
[4] Eze. 24.25.
[5] ver. 4. Jer. 30.14. II Reis 25.9. Jer. 52.13.
[6] Isa. 5.5. Isa. 1.8. cap. 1.4. Sof. 3.18.
[7] II Reis 21.13. Isa. 34.11.
[8] Jer. 51.30. cap. 1.3 e 4.20.
[9] Job 2.13. Isa. 3.26. cap. 3.28. Job 2.12. Isa. 15.3. Eze. 7.18 e
27.31.
[10] cap. 3.48, etc. cap. 1.20.
[11] ver. 19. cap. 4.4.
[12] cap. 1.12. Dan. 9.12.
[13] Jer. 2.8 e 5.31 e 14.14 e 23.16 e 27.14 e 29.8, 9. Eze. 13.2.
[14] II Reis 9.8. Jer. 18.16. Nah. 3.19. Eze. 25.6. II Reis 1.9, 21.
[15] Job 16.9, 10. cap. 3.46.
[16] Lev. 26.16, etc. Deu. 28.15, etc.
[17] ver. 8. Jer. 14.17. cap. 1.16.
[18] ver. 11. Isa. 51.20. cap. 4.1. Nah. 3.10.
[19] Lev. 26.29. Deu. 28.53. Jer. 19.9. cap. 4.10. Eze. 5.10.
[20] cap. 4.13, 16.
[21] II Chr. 36.17.
[22] cap. 3.43.
[23] Jer. 6.25 e 46.5.
[24] Ose. 9.12, 13.
_A tristeza de Jeremias; elle convida o povo a reconhecer o seu peccado,
e a voltar para Deus para obter misericordia._
ALEPH. 3 Eu sou aquelle homem _que_ viu a afflicção pela vara do seu
furor.
2 A _mim_ me guiou e levou _ás_ trevas e não _á_ luz.
3 Devéras se tornou contra mim _e_ virou a sua mão todo o dia.
BETH. 4 Fez [1] envelhecer a minha carne e a minha pelle, quebrantou os
meus ossos.
5 Edificou contra mim, e _me_ cercou de fel e trabalho.
6 Assentou-me em logares tenebrosos, como os _que estavam_ mortos ha
muito.
GIMEL. 7 Cercou-me [2] de sebe, e não posso sair: aggravou os meus
grilhões.
8 Ainda [3] quando clamo e grito, elle exclue a minha oração.
9 Cercou de sebe os meus caminhos com pedras lavradas, [AAC] divertiu as
minhas veredas.
DALETH. 10 Fez-se-me [4] como urso de emboscada, um leão em esconderijos.
11 Desviou os meus caminhos, e fez-me em pedaços; deixou-me assolado.
12 Armou o seu arco, [5] e me poz como alvo á frecha.
HE. 13 Faz [6] entrar nos meus rins as frechas da sua aljava.
14 Fui [7] feito _um_ objecto de escarneo a todo o meu povo, de canção
sua todo o dia.
15 Fartou-me [8] de amarguras, embriagou-me de absintho.
VAU. 16 Quebrou com pedrinhas de areia os meus dentes; [9] abaixou-me na
cinza.
17 E affastaste da paz a minha alma; esqueci-me do bem.
18 Então disse eu: Já pereceu a minha força, como tambem a minha
esperança no Senhor.
ZAIN. 19 Lembra-te da minha afflicção e do meu pranto, [10] do absintho e
do fel.
20 Minha alma certamente _d’isto_ se lembra, e se abate em mim.
21 D’isto me recordarei no meu coração; por isso esperarei.
HETH. 22 As misericordias [11] do Senhor são _a causa_ de não sermos
consumidos; porque as suas misericordias não teem fim.
23 Novas [12] _são_ cada manhã; grande _é_ a tua fidelidade.
24 A minha porção _é_ o Senhor, diz a minha alma; portanto esperarei
n’elle.
TETH. 25 Bom _é_ o Senhor para os que se ateem a elle, [13] para a alma
_que_ o busca.
26 Bom _é_ esperar, e _aguardar_ em silencio a salvação do Senhor.
27 Bom _é_ para o homem levar o jugo na sua mocidade.
JOD. 28 Assentar-se-ha [14] solitario, e ficará em silencio; porquanto
_Deus_ o poz sobre elle.
29 Ponha [15] a sua bocca no pó, _dizendo_: _Porventura_ haverá esperança.
30 Dê [16] a _sua_ face ao que o fere; farte-se de affronta.
CAPH. 31 Porque o Senhor não rejeitará para sempre.
32 Antes, se entristeceu a alguem, compadecer-se-ha _d’elle_, segundo a
grandeza das suas misericordias.
33 Porque não afflige nem entristece aos filhos dos homens do seu coração.
LAMED. 34 Para atropellar debaixo dos seus pés a todos os presos da terra.
35 Para perverter o direito do homem perante a face do Altissimo.
36 Para subverter ao homem no seu pleito; [17] _porventura_ não o veria o
Senhor?
MEM. 37 Quem é aquelle _que_ diz, e _assim_ acontece, _quando_ o Senhor o
não mande?
38 _Porventura_ da bocca do Altissimo [18] não sae o mal e o bem?
39 De [19] que se queixa _logo_ o homem vivente? _queixe-se_ cada um dos
seus peccados.
NUN. 40 Esquadrinhemos os nossos caminhos, e investiguemol-os, e voltemos
para o Senhor.
41 Levantemos os nossos corações com as mãos a Deus nos céus, _dizendo_:
42 Nós prevaricámos, [20] e fomos rebeldes; _por isso_ tu não perdoaste.
SAMECH. 43 Cobriste-_nos_ da _tua_ ira, e nos perseguiste; [21] mataste,
não perdoaste.
44 Cobriste-te [22] de nuvens, para que não passe a _nossa_ oração.
45 _Por_ [23] cisco e rejeitamento nos pozeste no meio dos povos.
PE. 46 Todos [24] os nossos inimigos abriram contra nós a sua bocca.
47 Temor e cova [25] vieram sobre nós, assolação e quebrantamento.
48 Correntes de aguas derramou o meu olho [26] pelo quebrantamento da
filha do meu povo.
AIN. 49 O [27] meu olho manou, e não cessa, porquanto não ha descanço,
50 Até [28] que attente e veja o Senhor desde os céus.
51 O meu olho move a minha alma, por causa de todas as filhas da minha
cidade.
TSADE. 52 Como ave me caçaram os _que_ são meus inimigos sem causa.
53 Arrancaram [29] a minha vida na masmorra, e lançaram pedras sobre mim.
54 Derramaram-se as aguas sobre a minha cabeça; [30] eu disse: Estou
cortado.
COPH. 55 Invoquei [31] o teu nome, Senhor, desde a mais profunda cova.
56 Ouviste a minha voz; não escondas o teu ouvido ao meu suspiro, ao meu
clamor.
57 Tu te chegaste no dia em que te invoquei; [32] disseste: Não temas.
RESCH. 58 Pleiteaste, [33] Senhor, os pleitos da minha alma, remiste a
minha vida.
59 Viste, Senhor, a injustiça que me fizeram; julga a minha causa.
60 Viste toda a sua vingança, [34] todos os seus pensamentos contra mim.
SCHIN. 61 Ouviste o seu opprobrio, Senhor, todos os seus pensamentos
contra mim,
62 Os ditos dos que se levantam contra mim e as suas imaginações contra
mim todo o dia.
63 Observa-_os_ a _elles_ ao assentarem-se e ao levantarem-se; [35] eu
_sou_ a sua canção.
TAU. 64 Rende-lhes recompensa, Senhor, [36] conforme a obra das suas mãos.
65 Dá-lhes ancia de coração, maldição tua sobre elles.
66 Na tua ira persegue-os, [37] e desfal-os de debaixo dos céus do Senhor.
[1] Job 16.8. Isa. 38.13. Jer. 50.17.
[2] Job 3.23 e 19.8. Ose. 2.6.
[3] Job 30.20.
[4] Ose. 5.14 e 13.7, 8.
[5] Job 7.20 e 16.12.
[6] Job 6.4.
[7] Jer. 20.7. Job 30.9. ver. 63.
[8] Jer. 9.15.
[9] Pro. 20.17.
[10] Jer. 9.15.
[11] Mal. 3.6.
[12] Isa. 33.2.
[13] Isa. 30.18. Miq. 7.7.
[14] Jer. 15.17. cap. 2.10.
[15] Job 42.6.
[16] Isa. 50.6. Mat. 5.39.
[17] Hab. 1.13.
[18] João 2.10. Isa. 45.7. Amós 3.6.
[19] Pro. 19.3. Miq. 7.9.
[20] Dan. 9.5.
[21] cap. 2.2, 17, 21.
[22] ver. 8.
[23] I Cor. 4.13.
[24] cap. 2.16.
[25] Isa. 24.17. Jer. 48.43. Isa. 51.19.
[26] Jer. 4.19 e 9.1 e 14.17. cap. 2.11.
[27] cap. 1.16.
[28] Isa. 63.15.
[29] Jer. 38.6, 9, 10. Dan. 6.17.
[30] ver. 18. Isa. 38.10, 11.
[31] Jon. 2.2.
[32] Thi. 4.8.
[33] Jer. 51.36.
[34] Jer. 11.19.
[35] ver. 14.
[36] Jer. 11.20. II Tim. 4.14.
[37] Deu. 25.19. Jer. 10.11.
_As grandes afflicções de varias classes de pessoas._
ALEPH. 4 Como se escureceu o oiro! _como_ se mudou [1] o oiro fino e bom!
_como_ estão espalhadas as pedras do sanctuario ao canto de todas as ruas!
BETH. 2 Os preciosos filhos de Sião, avaliados a puro oiro, [2] como são
_agora_ reputados por vasos de barro, obra das mãos do oleiro!
GIMEL. 3 Até as vaccas marinhas abaixam o peito, dão de mamar aos seus
filhos; [3] _porém_ a filha do meu povo _fez-se_ cruel como as abestruzes
no deserto.
DALETH. 4 A lingua do mesmo que mama de sêde fica pegada ao seu paladar:
[4] os meninos pedem pão, _e_ não ha quem lh’o reparta.
HE. 5 Os que comiam delicadezas _agora_ desfallecem nas ruas; [5] os que
se crearam em carmezim abraçam o esterco.
VAU. 6 E maior é a maldade da filha do meu povo do que o peccado de
Sodoma, [6] a qual se subverteu como n’um momento, sem que trabalhassem
n’ella mãos _algumas_.
ZAIN. 7 Os seus nazireos eram mais alvos do que a neve, eram mais brancos
do que o leite, eram mais roxos de corpo do que os rubis, _e_ mais lisos
do que a saphira.
HETH. 8 _Mas [7] agora_ escureceu-se o seu parecer mais do que o negrume,
não se conhecem nas ruas: a sua pelle se lhes pegou aos ossos, seccou-se,
tornou-se como um pau.
TETH. 9 Os mortos á espada mais ditosos são do que os mortos á fome;
porque estes se esgotam _como_ traspassados, por _falta_ dos fructos dos
campos.
JOD. 10 As [8] mãos das mulheres compassivas cozeram seus filhos: [9]
serviram-lhes de comida no quebrantamento da filha do meu povo.
CAPH. 11 Deu o Senhor cumprimento ao seu furor: [10] derramou o ardor da
sua ira, e accendeu fogo em Sião, que consumiu os seus fundamentos.
LAMED. 12 Não creram os reis da terra, nem todos os moradores do mundo,
que entrasse o adversario e o inimigo pelas portas de Jerusalem.
MEM. 13 Pelos [11] peccados dos prophetas, [12] _pelas_ maldades dos seus
sacerdotes, que derramaram o sangue dos justos no meio d’ella,
NUN. 14 Erraram cegos nas ruas, [13] andavam contaminados de sangue;
[AAD] e, não podendo, levantavam as extremidades das suas roupas.
SAMECH. 15 Chamavam-lhes: Desviae-vos, [14] _é_ immundo; desviae-vos,
desviae-vos, não toqueis, certo é que _já_ voaram, tambem erraram:
disseram entre as nações: Nunca mais morarão _aqui_.
PE. 16 A face do Senhor os apartou, nunca mais tornará a olhar para
elles: [15] não reverenciaram a face dos sacerdotes, nem se compadeceram
dos velhos.
AIN. 17 Emquanto subsistiamos, [16] ainda desfalleciam os nossos olhos,
_esperando_ o nosso vão soccorro: olhavamos attentamente pela gente _que_
não podia livrar.
TSADE. 18 Espiaram os nossos passos, [17] de maneira que não podiamos
andar pelas nossas ruas: está chegado o nosso fim, estão cumpridos os
nossos dias, [18] porque é vindo o nosso fim.
COPH. 19 Os nossos perseguidores foram [19] mais ligeiros do que as aves
dos céus: sobre os montes nos perseguiram, no deserto nos armaram ciladas.
RESCH. 20 O respiro [20] dos nossos narizes, o ungido do Senhor, [21] foi
preso nas suas covas; _do_ qual diziamos: Debaixo da sua sombra viveremos
entre as nações.
SCHIN. 21 Regozija-te, e [22] alegra-te, ó filha de Edom, que
habitas na terra de Uz; [23] _porém_ ainda até a ti passará o copo;
embebedar-te-has, e te descobrirás.
TAU. 22 _Já_ se cumpriu [24] a tua maldade, ó filha de Sião, nunca
mais te levará em captiveiro: visitará a tua maldade, ó filha de Edom,
descobrirá os teus peccados.
[1] cap. 2.19.
[2] Isa. 30.14. Jer. 19.11. II Cor. 4.7.
[3] Job 39.14, 16.
[4] cap. 2.11, 12.
[5] Job 24.8.
[6] Gen. 19.25.
[7] cap. 5.10. Joel 2.6. Nah. 2.10.
[8] cap. 2.20. Isa. 49.15.
[9] Deu. 28.57. II Reis 6.29.
[10] Jer. 7.20. Deu. 32.22. Jer. 21.14.
[11] Jer. 5.31 e 6.13 e 14.14 e 23.11, 21. Eze. 22.26, 28. Sof. 3.4.
[12] Mat. 23.31, 37.
[13] Jer. 2.34.
[14] Lev. 13.45.
[15] cap. 5.12.
[16] Isa. 30.6, 7.
[17] II Reis 25.4, 5.
[18] Eze. 7.2, 3, 6. Amós 8.2.
[19] Jer. 4.13.
[20] Gen. 2.7.
[21] Jer. 52.9. Eze. 12.13 e 19.4, 8.
[22] Ecc. 11.9.
[23] Jer. 25.15, 16. Oba. 10.
[24] Isa. 40.2.
_Males presentes, e tristes recordações._
5 Lembra-te, Senhor, do que nos tem succedido: considera, e olha o nosso
opprobrio.
2 A nossa herdade passou a estranhos, _e_ as nossas casas a forasteiros.
3 Orphãos somos sem pae, nossas mães _são_ como viuvas.
4 A nossa agua por dinheiro a bebemos, por preço vem a nossa lenha.
5 Padecemos perseguição sobre os nossos pescoços: [1] estamos cançados, e
nós não temos descanço.
6 Aos egypcios estendemos [2] as mãos, _e_ aos syros, para nos fartarem
_de_ pão.
7 Nossos paes peccaram, [3] e _já_ não são: [4] nós levamos as suas
maldades.
8 Servos dominam sobre nós; ninguem _ha_ que _nos_ arranque da sua mão.
9 Com _perigo de_ nossas vidas trazemos o nosso pão, por causa da espada
do deserto.
10 Nossa pelle [5] se ennegreceu como um forno, por causa do ardor da
fome.
11 Forçaram [6] as mulheres em Sião, as virgens nas cidades de Judah.
12 Os principes foram enforcados pelas mãos; [7] as faces dos velhos não
foram reverenciadas.
13 Aos [8] mancebos tomaram para moer, e os moços tropeçaram debaixo da
lenha.
14 Os velhos cessaram de _se assentarem_ á porta, os mancebos de sua
canção.
15 Cessou o gozo de nosso coração, converteu-se em lamentação a nossa
dança.
16 _Já_ caiu [9] a corôa da nossa cabeça; ai agora de nós, porque
peccámos.
17 Portanto desmaiou [10] o nosso coração, por isto se escureceram os
nossos olhos.
18 Pelo monte de Sião, que está assolado, as raposas andam por elle.
19 Tu, Senhor, [11] permaneces eternamente, _e_ o teu throno de geração
em geração.
20 Porque te esquecerias de nós para sempre? _porque_ nos desampararias
tanto tempo?
21 Converte-nos, [12] Senhor, a ti, e nos converteremos: renova os nossos
dias como d’antes.
22 Porque nos rejeitarias totalmente? te enfurecerias contra nós em _tão_
grande maneira?
[1] Deu. 28.48. Jer. 28.14.
[2] Gen. 24.2. Jer. 50.15. Ose. 12.1.
[3] Jer. 31.29. Eze. 18.2.
[4] Gen. 42.13. Zac. 1.5.
[5] Job 30.30.
[6] Isa. 13.16.
[7] Isa. 47.6. cap. 6.16.
[8] Jui. 16.21.
[9] Job 19.9.
[10] cap. 1.22 e 2.11.
[11] Hab. 1.12.
[12] Jer. 31.18.
EZEQUIEL.
_A primeira visão dos cherubins._
[Antes de Christo 595]
1 E aconteceu _que_ aos trinta annos, no quarto _mez_, no _dia_ quinto do
mez, estando eu no meio dos captivos, [1] junto ao rio Chebar, se abriram
os céus, [2] e eu vi visões de Deus.
2 No quinto _dia_ do mez (que _foi_ no quinto anno do captiveiro do [3]
rei Joachim),
3 Veiu expressamente a palavra do Senhor a Ezequiel, filho de Buzi, o
sacerdote, na terra dos chaldeos, junto ao rio de Chebar, [4] e ali
esteve sobre elle a mão do Senhor.
4 Então vi, e eis que um vento tempestuoso vinha do norte, [5] uma grande
nuvem, e um fogo revolvendo-se _n’ella_, e um resplandor ao redor d’ella,
e no meio d’ella _havia_ uma coisa como de côr de ambar, _que sahia_ do
meio do fogo.
5 E do meio [6] d’ella _sahia_ a similhança de quatro [AAE] animaes; [7]
e esta era a sua apparencia: Tinham a similhança de homens.
6 E cada um tinha quatro rostos, como tambem cada um d’elles quatro azas.
7 E os seus pés _eram_ pés direitos; e as plantas dos seus pés como a
planta do pé d’_uma_ bezerra, [8] e luziam como a côr de cobre abrazado.
8 E _tinham_ mãos [9] de homem debaixo das suas azas, aos quatro lados; e
assim _todos_ quatro tinham seus rostos e suas azas.
9 Uniam-se as [10] suas azas uma á outra: não se viravam quando iam, _e_
cada qual andava diante do seu rosto.
10 E a similhança [11] dos seus rostos era _como_ o rosto de homem; e á
mão direita todos os quatro tinham rosto de leão, e á mão esquerda todos
os quatro tinham rosto de boi; e rosto de aguia todos os quatro.
11 E os seus rostos e as suas azas _estavam_ divididas por cima: cada
qual tinha duas _azas_ juntas uma á outra, [12] e duas cobriam os corpos
d’elles.
12 E cada qual andava [13] diante do seu rosto; para onde o espirito
havia de ir, iam; [14] não se viravam quando andavam.
13 E, quanto á similhança dos animaes, o seu parecer _era_ como de brazas
de fogo ardentes, [15] como _uma_ apparencia d’alampadas: o _fogo_ corria
por entre os animaes, e o fogo resplandecia, e do fogo sahiam [AAF]
relampagos;
14 E os animaes corriam, [16] e tornavam, á similhança dos relampagos.
15 E vi os animaes: [17] e eis aqui uma roda na terra junto aos animaes,
para cada um dos seus quatro rostos.
16 O aspecto [18] das rodas, e a obra d’ellas, _era_ como côr de [AAG]
turqueza; e as quatro tinham uma mesma similhança: e o seu aspecto, e a
sua obra, era como se estivera uma roda no meio de _outra_ roda.
17 Andando ellas, andavam pelos quatro lados [19] d’elles; não se viravam
quando andavam.
18 E as suas [AAH] costas eram tão altas, que mettiam medo; e estas
quatro tinham as suas costas cheias [20] de olhos ao redor.
19 E, andando [21] os animaes, andavam as rodas ao pé d’elles; e,
elevando-se os animaes da terra, elevavam-se _tambem_ as rodas.
20 Para onde [22] o espirito havia de ir, iam; para lá havia o espirito
de ir; e as rodas se elevavam defronte d’elles, porque [23] o espirito de
vida _estava_ nas rodas.
21 Andando [24] elles, andavam _ellas_, e, parando elles, paravam
_ellas_, e, elevando-se elles da terra, elevavam-se _tambem_ as rodas
defronte d’elles; porque o espirito dos animaes _estava_ nas rodas.
22 E sobre as cabeças dos animaes havia [25] _uma_ similhança de
firmamento, como um aspecto de [AAI] crystal terrivel, estendido por
cima, sobre as suas cabeças.
23 E debaixo do firmamento _estavam_ as suas azas direitas uma para a
outra: cada um tinha duas, que lhe cobriam o corpo de uma banda; e cada
um tinha _outras_ duas, que os cobriam da outra banda.
24 E, andando elles, [26] ouvi o ruido das suas azas, [27] com o ruido
de muitas aguas, como a voz do Omnipotente, a voz d’um estrondo, como o
estrepito de um exercito: parando elles, abaixavam as suas azas.
25 E ouviu-se uma voz por cima do firmamento, que _ficava_ por cima das
suas cabeças: parando elles, abaixavam as suas azas.
26 E por cima [28] do firmamento, que _ficava_ por cima das suas cabeças,
_havia_ uma similhança de throno, como d’uma saphira; [29] e sobre a
similhança do throno uma similhança ao aspecto d’_um_ homem, _que estava_
por cima, sobre elle.
27 E vi [30] como a côr de ambar, como o aspecto do fogo pelo interior
d’elle, desde o aspecto dos seus lombos, e d’ahi para cima; e, desde o
aspecto dos seus lombos e d’ahi para baixo, vi como a similhança do fogo,
e um resplandor ao redor d’elle.
28 Como [31] o aspecto do arco que apparece na nuvem no dia da chuva,
assim era o aspecto do resplandor em redor: [32] este era o aspecto da
similhança da gloria do Senhor: e, vendo-a eu, cahi sobre o meu rosto, e
ouvi a voz de quem fallava.
[1] ver. 3. cap. 3.15, 23 e 10.15, 20, 22 e 43.3.
[2] Mat. 3.16. Act. 7.56 e 10.11. Apo. 19.11. cap. 8.3.
[3] II Reis 24.12, 15.
[4] I Reis 18.46. II Reis 3.15. cap. 3.14, 22 e 8.1 e 40.1.
[5] Jer. 23.19 e 25.32. Jer. 1.14 e 4.6 e 6.1.
[6] Apo. 4.6, etc.
[7] cap. 10.8, etc. ver. 10. cap. 10.14, 21.
[8] Apo. 1.15.
[9] cap. 10.8, 21.
[10] ver. 11, 12. cap. 10.11.
[11] Apo. 4.7.
[12] Isa. 6.2.
[13] ver. 9, 20.
[14] ver. 9, 17.
[15] Apo. 4.5.
[16] Mat. 24.27.
[17] cap. 10.9.
[18] cap. 10.9, 10. Dan. 10.6.
[19] ver. 1, 2.
[20] cap. 10.12. Zac. 4.10.
[21] cap. 10.16, 17.
[22] ver. 12.
[23] cap. 10.17.
[24] ver. 19, 20. cap. 10.17.
[25] cap. 10.1.
[26] cap. 10.5.
[27] cap. 43.2. Dan. 10.6. Apo. 1.15. Job 37.4, 5.
[28] cap. 10.1.
[29] Exo. 24.10.
[30] cap. 8.2.
[31] Apo. 4.3 e 10.1.
[32] cap. 3.23 e 8.4.
_A vocação de Ezequiel. Visão do rolo de livro._
2 E disse-me: [1] Filho do homem, põe-te sobre os teus pés, e fallarei
comtigo.
2 Então entrou em mim [2] o espirito, fallando elle comigo, que me poz
sobre os meus pés, e ouvi o que me fallava.
3 E disse-me: Filho do homem, eu te envio aos filhos d’Israel, ás nações
rebeldes que se rebellaram contra mim; [3] elles e seus paes prevaricaram
contra mim, até este mesmo dia.
4 E _são_ filhos [4] [AAJ] de semblante duro, e obstinados de coração: eu
te envio a elles, e lhes dirás: Assim diz o Senhor JEHOVAH.
5 E elles, [5] quer ouçam quer deixem de ouvir (porque elles são casa
rebelde), saberão, [6] comtudo, que esteve no meio d’elles um propheta.
6 E tu, ó filho do homem, não os temas, [7] nem temas as suas palavras;
ainda que _são_ sarças [8] e espinhos para comtigo, e tu habites com
escorpiões, não temas as suas palavras, nem te assustes com os seus
rostos, [9] porque casa rebelde _são_ elles.
7 Porém [10] tu lhes dirás as minhas palavras, quer ouçam quer deixem de
ouvir: porquanto elles _são_ rebeldes.
8 Mas tu, ó filho do homem, ouve o que eu te fallo, não sejas rebelde
como a casa rebelde: abre a tua bocca, [11] e come _o_ que eu te dou.
9 Então vi, [12] e eis que uma mão _se_ estendia para mim, e eis que
n’ella _havia um_ rolo de livro.
10 E estendeu-o diante de mim, e elle estava escripto por dentro e por
fóra: e n’elle estavam escriptas lamentações, e suspiros e ais.
[1] cap. 3.23. Dan. 8.17. Act. 9.4. Dan. 10.11.
[2] cap. 3.24.
[3] Jer. 3.25. cap. 20.18, 21, 30.
[4] cap. 3.7.
[5] cap. 3.11, 26, 27.
[6] cap. 33.33.
[7] Jer. 1.8, 17. Luc. 12.4.
[8] cap. 3.9. I Ped. 3.14.
[9] cap. 3.9, 26, 27.
[10] Jer. 1.7, 17. ver. 5.
[11] Apo. 10.9.
[12] cap. 8.3. Jer. 1.9.
3 Depois me disse: Filho do homem, come o que achares: [1] come este
rolo, e vae, falla á casa d’Israel.
2 Então abri a minha bocca, e me deu a comer o rolo.
3 E disse-me: Filho do homem, dá de comer ao teu ventre, e enche as tuas
entranhas d’este rolo que eu te dou. [2] Então o comi, e era na minha
bocca doce como o mel.
4 E disse-me: Filho do homem, vae, entra na casa d’Israel, e dize-lhe as
minhas palavras.
5 Porque tu não és enviado a um povo de profunda falla, nem de lingua
difficil, _senão_ á casa de Israel;
6 Nem a muitos povos de profunda falla, e de lingua difficil, cujas
palavras não possas entender: se eu aos taes te enviara, _porventura_ não
te dariam ouvidos.
7 Porém a casa d’Israel não te quererá dar ouvidos, porque não me querem
dar ouvidos a mim; porque toda a casa d’Israel _é_ obstinada de testa e
dura de coração.
8 Eis que fiz duro o teu rosto contra os seus rostos, e forte a tua testa
contra a sua testa.
9 Fiz como diamante a [3] tua testa, mais forte do que a pederneira: não
os temas _pois_, [4] nem te assombres com os seus rostos, porque casa
rebelde são.
10 Disse-me mais: Filho do homem, mette no teu coração todas as minhas
palavras que te hei de dizer, e ouve-_as_ com os teus ouvidos.
11 Eia pois, vae aos do captiveiro, aos filhos do teu povo, e lhes
fallarás, e lhes dirás: [5] Assim diz o Senhor JEHOVAH, quer ouçam quer
deixem de ouvir.
12 E levantou-me [6] o espirito, e ouvi por detraz de mim uma voz de
grande estrondo, _que dizia_: Bemdita seja a gloria do Senhor, do seu
logar.
13 E _ouvi_ o sonido das azas dos animaes, que tocavam umas nas outras, e
o sonido das rodas defronte d’elles, e o sonido d’um grande estrondo.
14 Então [7] o espirito me levantou, e me levou; e eu me fui mui triste,
pelo ardor do meu espirito; porém a [8] mão do Senhor era forte sobre mim.
15 E vim aos do captiveiro, a Tel-abib, que moravam junto ao rio Chebar,
[9] e eu morava onde elles moravam: e morei ali sete dias, pasmado no
meio d’elles.
_O atalaia de Israel._
16 E succedeu que, ao fim de sete dias, veiu a palavra do Senhor a mim,
dizendo:
17 Filho do homem: [10] Eu te dei por atalaia sobre a casa de Israel; e
tu da minha bocca ouvirás a palavra, e os avisarás da minha parte.
18 Quando eu disser ao impio: Certamente morrerás; e tu o não avisares,
nem fallares para avisar ao impio ácerca do seu caminho impio, para o
conservar em vida, aquelle impio morrerá na sua maldade, mas o seu sangue
da tua mão _o_ requererei.
19 Porém, se avisares ao impio, e elle não se converter da sua impiedade
e do seu caminho impio, elle morrerá na sua maldade, e tu livraste a tua
alma.
20 Similhantemente, [11] quando o justo se desviar da sua justiça, e
fizer maldade, e eu pozer diante d’elle um tropeço, elle morrerá; porque
tu o não avisaste, no seu peccado morrerá, e suas justiças que fizera não
virão em memoria, mas o seu sangue da tua mão o requererei.
21 Porém, avisando tu ao justo, para que o justo não peque, e elle não
peccar, certamente viverá; porque foi avisado; e tu livraste a tua alma.
22 E [12] a mão do Senhor estava sobre mim ali, e me disse: Levanta-te, e
sae ao valle, e ali fallarei comtigo.
23 E levantei-me, e sahi ao valle, [13] e eis que a gloria do Senhor
estava ali, como a gloria que vi junto ao rio Chebar; e cahi sobre o meu
rosto.
24 Então entrou em mim o [14] espirito, e me poz sobre os meus pés, e
fallou comigo, e me disse: Entra, encerra-te dentro da tua casa.
25 Porque tu, ó filho do homem, eis que porão cordas sobre ti, [15] e te
ligarão com ellas: não sairás pois ao meio d’elles.
26 E eu farei [16] que a tua lingua se pegue ao teu paladar, e ficarás
mudo, e não lhes servirás de varão que reprehenda; [17] porque casa
rebelde são elles.
27 Mas, [18] quando eu fallar comtigo, abrirei a tua bocca, e lhes dirás:
Assim diz o Senhor: Quem ouvir ouça, e quem deixar _de ouvir_, deixe;
[19] porque casa rebelde são elles.
[1] cap. 2.8, 9.
[2] Apo. 10.9. Jer. 15.16.
[3] Isa. 50.7. Miq. 3.8.
[4] Jer. 1.8, 17. cap. 2.6.
[5] cap. 2.5, 7. ver. 27.
[6] ver. 14. cap. 8.3. I Reis 18.12. II Reis 2.16. Act. 8.39.
[7] ver. 12. cap. 8.3.
[8] II Reis 3.15. cap. 1.3 e 8.1 e 37.1.
[9] Job 2.13.
[10] cap. 33.7.
[11] cap. 18.24 e 33.12, 13.
[12] ver. 14. cap. 1.3 e 3.4.
[13] cap. 1.28. cap. 1.1.
[14] cap. 2.2.
[15] cap. 4.8.
[16] cap. 24.27. Luc. 1.20, 22.
[17] cap. 2.5, 6, 7.
[18] cap. 24.27 e 33.22.
[19] ver. 9, 26. cap. 12.2, 3.
_Predicção do cerco de Jerusalem._
4 Tu pois, ó filho do homem, toma um tijolo, e pôl-o-has diante de ti, e
grava n’elle a cidade de Jerusalem.
2 E põe contra ella um cerco, e edifica contra ella uma fortificação, e
levanta contra ella uma tranqueira, e põe contra ella arraiaes, e põe-lhe
vaevens em redor.
3 E tu toma uma sertã de ferro, e põe-n’a por muro de ferro entre ti e
entre a cidade; e dirige para ella o teu rosto, e assim será cercada, e a
cercarás; [1] isto _servirá_ de signal á casa de Israel.
4 Tu tambem deita-te sobre o teu lado esquerdo, e põe a maldade da casa
de Israel sobre elle: _conforme_ o numero dos dias que te deitares sobre
elle, levarás as suas maldades.
5 Porque eu _já_ te tenho dado os annos da sua maldade, conforme o numero
dos dias, trezentos e noventa dias; [2] e levarás a maldade da casa de
Israel.
6 E, quando cumprires estes, tornar-te-has a deitar sobre o teu lado
direito, e levarás a maldade da casa de Judah quarenta dias: um dia te
dei por cada anno.
7 Dirigirás pois o teu rosto para o cerco de Jerusalem, e o teu braço
_estará_ descoberto, e prophetizarás contra ella.
8 E eis que [3] porei sobre ti cordas: assim tu não te voltarás d’um lado
para o outro, até que cumpras os dias do teu cerco.
9 E tu toma trigo, e cevada, e favas, e lentilhas, e milho, e aveia, e
mette-os n’um vaso, e faze d’elles pão: _conforme_ o numero dos dias que
tu te deitares sobre o teu lado, trezentos e noventa dias, comerás d’isso.
10 E a tua comida, que has de comer, _será_ do peso de vinte siclos cada
dia: de tempo em tempo a comerás.
11 Tambem beberás a agua por medida, _a saber_, a sexta parte d’um hin:
de tempo em tempo beberás.
12 E o comerás como bolos de cevada, e o cozerás com o esterco que sae do
homem, diante dos olhos d’elles.
13 E disse o Senhor: [4] Assim comerão os filhos de Israel o seu pão
immundo, entre as nações ás quaes os lançarei.
14 Então disse eu: [5] Ah! Senhor, Senhor! eis que a minha alma não foi
contaminada, porque nunca [6] comi coisa morta, nem despedaçada, desde a
minha mocidade até agora: nem carne abominavel entrou na minha bocca.
15 E disse-me: Vê, tenho-te dado bosta de vaccas, em logar de esterco de
homem; e com ella prepararás o teu pão.
16 Então me disse: Filho do homem, [7] eis que eu quebranto o [AAK]
sustento de pão em Jerusalem, [8] e comerão o pão por peso, e com
desgosto; e a agua beberão por medida, e com espanto;
17 Para que o pão e a agua lhes falte, e se espantem uns com os outros,
[9] e se consumam nas suas maldades.
[1] cap. 12.6.
[2] Num. 14.34.
[3] cap. 3.25.
[4] Ose. 9.3.
[5] Act. 10.14.
[6] Exo. 22.31. Lev. 11.40 e 17.15. Deu. 14.3. Isa. 65.4.
[7] Lev. 26.26. Isa. 3.1. cap. 5.16 e 14.13.
[8] ver. 10. cap. 12.19. ver. 11.
[9] Lev. 26.39. cap. 24.23.
5 E tu, ó filho do homem, toma uma faca aguda, uma navalha de barbeiro, e
tomal-a-has, [1] e a farás passar por cima da tua cabeça e da tua barba:
então tomarás uma balança, e repartirás os _cabellos_.
[Antes de Christo 594]
2 A [2] terça parte queimarás no fogo, no meio da cidade, quando se
cumprirem os dias do cerco: [3] então tomarás _outra_ terça parte, e
feril-a-has com uma espada ao redor d’ella; e a _outra_ terça parte
espalharás ao vento; porque desembainharei a espada atraz d’elles.
3 Tambem tomarás d’elles um pequeno numero, e atal-os-has nas bordas _do_
teu _vestido_.
4 E ainda d’estes tomarás alguns, e os lançarás no meio do fogo e os
queimarás a fogo; _e_ d’ali sairá um fogo contra toda a casa de Israel.
5 Assim diz o Senhor JEHOVAH: Esta é Jerusalem, pul-a no meio das nações
e terras que estão ao redor d’ella.
6 Porém ella mudou em impiedade os meus juizos, mais do que as nações,
e os meus estatutos mais do que as terras que _estão_ ao redor d’ella;
porque rejeitaram os meus juizos, e não andaram nos meus preceitos.
7 Portanto assim diz o Senhor JEHOVAH: Porquanto [AAL] multiplicastes _as
vossas maldades_ mais do que as nações, que _estão_ ao redor de vós, nos
meus estatutos não andastes, nem fizestes os meus juizos, [4] nem _ainda_
fizestes conforme os juizos das nações que _estão_ ao redor de vós;
8 Por isso assim diz o Senhor JEHOVAH: Eis que eu _estou_ contra ti, sim,
eu: e executarei juizos no meio de ti aos olhos das nações.
9 E farei [5] em ti o que nunca fiz, e o qual não fareis jámais, por
causa de todas as tuas abominações.
10 Portanto os paes [6] comerão a seus filhos no meio de ti, e os filhos
comerão a seus paes; e executarei em ti juizos, [7] espalharei todo o teu
residuo a todos os ventos.
11 Portanto vivo eu, diz o Senhor JEHOVAH, certamente (porquanto
profanaste o meu sanctuario com todas as tuas coisas detestaveis, e com
todas as tuas abominações), tambem eu _te_ diminuirei, e o meu olho te
não perdoará, [8] nem tambem me apiedarei.
12 Uma terça [9] parte de ti morrerá da peste, e se consumirá á fome
no meio de ti; e outra terça parte cairá á espada em redor de ti;
[10] e a _outra_ terça parte espalharei a todos os ventos, e a espada
desembainharei atraz d’elles.
13 Assim se cumprirá a [11] minha ira, e farei descançar n’elles o meu
furor, e me consolarei; e saberão que eu, o Senhor, tenho fallado no meu
zêlo, quando cumprir n’elles o meu furor.
14 E te porei em [12] assolação, e para opprobrio entre as nações que
estão em redor de ti, aos olhos de todos os que passarem.
15 E [13] o opprobrio e a infamia servirão de instrucção e espanto ás
nações que _estão_ em redor de ti, quando eu executar em ti juizos com
ira, e com furor, [14] e com [AAM] sanhudos castigos: Eu, o Senhor,
fallei.
16 Quando [15] eu enviar as más frechas da fome contra elles, que
servirão para destruição, as quaes eu mandarei para vos destruir, então
augmentarei a fome sobre vós, [16] e vos quebrantarei o sustento do pão.
17 E enviarei sobre vós a fome, e as más bestas [17] que te
_desfilharão_; e a peste e o sangue passarão por ti; e trarei a espada
sobre ti: Eu, o Senhor, fallei.
[1] Lev. 21.5. Isa. 7.20. cap. 44.20.
[2] ver. 12.
[3] cap. 4.8, 9.
[4] Jer. 2.10, 11.
[5] Dan. 9.12.
[6] Lev. 26.29. Deu. 28.53. II Reis 6.29. Jer. 19.9. Lam. 2.20 e 4.10.
[7] ver. 12. Lev. 26.33. Deu. 28.64.
[8] cap. 7.4, 9 e 8.18 e 9.10.
[9] ver. 2. Jer. 21.9. cap. 6.12.
[10] Jer. 9.16. ver. 2, 10. cap. 6.8. Lev. 26.33. cap. 12.14.
[11] Lam. 4.11. cap. 6.12 e 7.8. cap. 21.17. Isa. 1.24.
[12] Lev. 26.6, 31, 32. Neh. 2.17.
[13] Psa. 79.4. Jer. 24.9. Lam. 2.15.
[14] cap. 25.17.
[15] Deu. 32.23, 24.
[16] Lev. 26.26. cap. 4.16 e 14.13.
[17] Lev. 26.22. Deu. 32.24. cap. 14.21 e 33.27 e 34.25 e 38.22.
_Prophecia contra os montes de Israel._
6 E veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, [1] dirige o teu rosto para os montes de Israel, e
prophetiza contra elles.
3 E dirás: Montes d’Israel, ouvi a palavra do Senhor JEHOVAH: Assim diz o
Senhor JEHOVAH aos montes, aos outeiros, aos ribeiros e aos valles: Eis
que eu, _sim_ eu, trarei a espada sobre vós, [2] e destruirei os vossos
altos.
4 E serão assolados os vossos altares, e quebradas as vossas imagens do
sol, [3] e derribarei os vossos traspassados, diante dos vossos idolos.
5 E porei os cadaveres dos filhos de Israel diante dos seus idolos; e
espalharei os vossos ossos em redor dos vossos altares.
6 Em todas as vossas habitações as cidades serão destruidas, e os altos
assolados; para que os vossos altares sejam destruidos e assolados, e
os vossos idolos se quebrem e cessem, e as vossas imagens do sol sejam
cortadas, e desfeitas as vossas obras.
7 E os traspassados cairão no meio de vós; [4] para que saibaes que eu
_sou_ o Senhor.
8 Porém deixarei um [5] resto, para que tenhaes _alguns_ que escaparem da
espada entre as nações, quando fordes espalhados pelas terras.
9 Então se lembrarão de mim os que escaparem de vós entre as nações para
onde foram levados em captiveiro; [6] porquanto [AAN] me quebrantei por
causa do seu coração fornicario, que se desviou de mim, e por causa dos
seus olhos, que andaram fornicando após os seus idolos; [7] e terão
nojo de si mesmos, por causa das maldades que fizeram em todas as suas
abominações.
10 E saberão que eu _sou_ o Senhor, _e que_ não disse debalde que lhes
faria este mal.
11 Assim diz o Senhor JEHOVAH: [8] Bate com a mão, e pateia com o teu
pé, e dize: Ah, por todas as abominações das maldades da casa d’Israel!
porque cairão á espada, e de fome, e de peste.
12 O que estiver longe morrerá de peste, e o que _está_ perto cairá á
espada; e o que ficar de resto e cercado morrerá de fome: [9] e cumprirei
o meu furor contra elles.
13 Então [10] sabereis que eu _sou_ o Senhor, quando estiverem os seus
traspassados no meio dos seus idolos, em redor dos seus altares, [11] em
todo o outeiro alto, [12] em todos os cumes dos montes, e debaixo de toda
a arvore verde, [13] e debaixo de todo o carvalho espesso, no logar onde
offereciam _perfume_ de cheiro suave a todos os seus idolos.
14 E [14] estenderei a minha mão sobre elles, e farei a terra assolada, e
mais assolada do que o deserto da banda de [15] Diblath, em todas as suas
habitações: e saberão que eu sou o Senhor.
[1] cap. 20.46 e 21.2 e 25.2. cap. 36.1.
[2] Lev. 26.30.
[3] Lev. 26.30.
[4] ver. 13. cap. 7.4, 9 e 11.10, 12 e 12.15.
[5] Jer. 44.28. cap. 5.2, 12 e 12.16.
[6] Num. 15.39. cap. 20.7, 24.
[7] Lev. 26.39. Job 42.6. cap. 20.43 e 36.31.
[8] cap. 21.14.
[9] cap. 5.13.
[10] ver. 7.
[11] Jer. 2.20.
[12] Ose. 4.13.
[13] Isa. 57.5.
[14] Isa. 5.25.
[15] Jer. 48.22.
_O fim vem! O fim vem!_
7 Depois veiu a palavra do Senhor a mim, dizendo:
2 E tu, ó filho do homem, assim diz o Senhor JEHOVAH ácerca da terra
d’Israel: [1] Vem o fim, o fim _vem_ sobre os quatro cantos da terra.
3 Agora _vem_ o fim sobre ti, porque enviarei sobre ti a minha ira, [2]
e te julgarei conforme os teus caminhos, e trarei sobre ti todas as tuas
abominações.
4 E não te poupará o [3] meu olho, nem me apiedarei _de ti_, mas porei
sobre ti os teus caminhos, e as tuas abominações estarão no meio de ti:
[4] e sabereis que eu _sou_ o Senhor.
5 Assim diz o Senhor _Jehovah_: Um mal, eis que um só mal vem.
6 Vem o fim, o fim vem, despertou-se contra ti; eis que vem.
7 [AAO] Vem a manhã a ti, ó habitador da terra. [5] Vem o tempo; [6]
chegado _é_ o dia da turbação, e não _ha_ [AAP] echo nos montes.
8 Agora [7] depressa derramarei o meu furor sobre ti, e cumprirei a minha
ira contra ti, [8] e te julgarei conforme os teus caminhos, e porei
sobre ti todas as tuas abominações.
9 E [9] não te poupará o meu olho, nem me apiedarei _de ti_; conforme os
teus caminhos carregarei sobre ti, e as tuas abominações estarão no meio
de ti; [10] e sabereis que eu _sou_ o Senhor, que firo.
10 Eis aqui o dia, eis que vem; [11] _já_ saiu a [AAQ] manhã, já
floresceu a vara, _já_ reverdeceu a soberba.
11 A [12] violencia se levantou para vara de impiedade: nada _restará_
d’elles, nem da sua multidão, nem do seu arroido, [13] nem _haverá_
lamentação por elles.
12 Vem [14] o tempo, _já_ é chegado o dia; o que compra não se alegre,
e o que vende não se entristeça: porque a ira ardente está sobre toda a
multidão d’elles.
13 Porque o que vende não tornará a _possuir_ o que vendeu, ainda que a
vida d’elles _estivesse_ entre os viventes; porque a visão não tornará
para traz sobre toda a sua multidão; nem ninguem esforçará a sua vida com
a sua iniquidade.
14 _Já_ tocaram a trombeta, e tudo prepararam, porém não _ha_ quem vá á
peleja, porque sobre toda a sua multidão _está_ a minha ardente ira.
15 Fóra [15] a espada, e dentro a peste e a fome: o que _estiver_ no
campo morrerá á espada, e o que estiver na cidade a fome e a peste o
consumirão.
16 E [16] escaparão os que escaparem d’elles, porém estarão pelos montes,
como pombas dos valles, todos gemendo, cada um por causa da sua maldade.
17 Todas [17] as mãos se enfraquecerão, e todos os joelhos escorrerão
_em_ aguas.
18 E [18] se cingirão de saccos, [19] e os cobrirá o tremor: e sobre
todos os rostos _haverá_ vergonha, e sobre todas as suas cabeças calva.
19 A sua prata lançarão pelas ruas, [20] e o seu oiro será como
immundicia; [21] nem a sua prata nem o seu oiro os poderá livrar no dia
do furor do Senhor: não fartarão elles a sua alma, nem lhes encherão as
entranhas, porque isto foi o tropeço da sua maldade.
20 E a gloria do seu ornamento _elle a_ poz em magnificencia, porém
fizeram n’ella imagens das suas abominações e coisas detestaveis: por
isso eu lh’a tenho feito coisa immunda.
21 E a entregarei na mão dos estranhos por preza, e aos impios da terra
por despojo: e a profanarão.
22 E desviarei d’elles o meu rosto, e profanarão o meu _logar_ occulto;
porque entrarão n’elle saqueadores, e o profanarão.
23 Faze _uma_ cadeia, [22] porque a terra está cheia de [AAR] juizo de
sangue, e a cidade está cheia de violencia.
24 E farei vir os pessimos de entre as nações, e possuirão as suas casas:
e farei cessar a arrogancia dos valentes, e [AAS] os que os sanctificam
serão profanados.
25 Vem a destruição, e buscarão a paz, porém não a ha.
26 Miseria sobre [23] miseria virá, e se levantará rumor sobre rumor:
então buscarão do propheta _uma_ visão, porém do sacerdote perecerá a lei
como tambem dos anciãos o conselho.
27 O rei lamentará, e o principe se vestirá de assolação, e as mãos do
povo da terra se conturbarão; conforme o seu caminho lhes farei, e com os
seus juizos os julgarei; e saberão que eu _sou_ o Senhor.
[1] ver. 3, 6. Amós 8.2. Mat. 24.6, 13, 14.
[2] ver. 8, 9.
[3] ver. 9. cap. 5.11 e 8.18 e 9.10.
[4] ver. 27. cap. 6.7 e 12.20.
[5] ver. 10.
[6] ver. 12. Sof. 1.14, 15.
[7] cap. 20.8, 21.
[8] ver. 3.
[9] ver. 4.
[10] ver. 4.
[11] ver. 7.
[12] Jer. 6.7.
[13] Jer. 16.5, 6. cap. 24.16, 22.
[14] ver. 7.
[15] Deu. 32.25. Lam. 1.20. cap. 5.12.
[16] cap. 6.8.
[17] Isa. 13.7. Jer. 6.24. cap. 21.7.
[18] Isa. 3.24 e 15.2, 3. Jer. 48.37. Amós 8.10.
[19] Psa. 55.5.
[20] Pro. 11.4. Sof. 1.18.
[21] cap. 14.3, 4 e 44.12.
[22] II Reis 21.16. cap. 9.9 e 11.6.
[23] Deu. 33.23. Jer. 4.20.
_As abominações no sanctuario._
8 Succedeu pois, no sexto anno, no _mez_ sexto, no quinto _dia_ do mez,
estando eu assentado na minha casa, [1] e os anciãos de Judah assentados
diante de mim, que ali a mão do Senhor JEHOVAH caiu sobre mim.
2 E olhei, [2] e eis uma similhança como aspecto de fogo; desde o aspecto
dos seus lombos, e _d’ahi_ para baixo, era fogo; [3] e dos seus lombos e
_d’ahi_ para cima como aspecto de um resplandor como de côr de ambar;
3 E estendeu [4] a fórma d’uma mão, e me tomou pelos cabellos da minha
cabeça; e o Espirito me levantou entre a terra e o céu, e [5] me trouxe a
Jerusalem em visões de Deus, até á entrada da porta do _pateo_ de dentro,
que olha para o norte, [6] onde _estava_ o assento da imagem dos ciumes,
que provoca a ciumes.
4 E eis que a gloria do Deus d’Israel _estava_ ali, [7] conforme o
aspecto que eu tinha visto no valle.
5 E disse-me: Filho do homem, levanta agora os teus olhos para o caminho
do norte. E levantei os meus olhos para o caminho do norte, e eis que
da banda do norte, á porta do altar, _estava_ esta imagem de ciumes na
entrada.
6 E disse-me: Filho do homem, vês tu o que elles estão fazendo? as
grandes abominações que a casa d’Israel faz aqui, para que me alongue do
meu sanctuario? porém ainda tornarás a vêr maiores abominações.
7 E levou-me á porta do atrio: então olhei, e eis que _havia um_ buraco
na parede.
8 E disse-me: Filho do homem, cava agora n’aquella parede. E cavei na
parede, e eis que _havia_ uma porta.
9 Então me disse: Entra, e vê as malignas abominações que elles fazem
aqui.
10 E entrei, e olhei, e eis que toda a forma de reptis, e bestas
abominaveis, e de todos os idolos da casa d’Israel, estavam pintados na
parede em todo o redor.
11 E setenta homens dos anciãos da casa de Israel, com Jaazanias, filho
de Saphan, que estava no meio d’elles, estavam em pé diante d’elles, e
cada um _tinha_ na mão o seu incensario; e subia _uma_ espessa nuvem de
incenso.
12 Então me disse: Viste, _porventura_, filho do homem, o que os anciãos
da casa de Israel fazem nas trevas, cada um nas suas camaras pintadas de
imagens? porque dizem: [8] O Senhor não nos vê; _já_ desamparou o Senhor
a terra.
13 E disse-me: Ainda tornarás a ver maiores abominações, que estes fazem.
14 E levou-me á entrada da porta da casa do Senhor, que _está_ da banda
do norte, e eis ali _estavam_ mulheres assentadas chorando a [AAT] Tammuz.
15 E disse-me: Viste _porventura isto_, filho do homem? ainda tornarás a
ver abominações maiores do que estas.
16 E levou-me para o atrio interior da casa do Senhor, e eis que
_estavam_ á entrada do templo do Senhor, [9] entre o portico e o altar,
quasi vinte e cinco homens, _voltadas_ as costas para o templo do Senhor,
e _virados_ os rostos para o oriente; [10] e elles adoravam o sol virados
para o oriente.
17 Então me disse: Viste _isto_, filho do homem? ha _porventura_ coisa
mais leviana para a casa de Judah, do que fazer taes abominações,
que fazem aqui? [11] havendo enchido a terra de violencia, tornam a
irritar-me; porque eis que elles chegam o ramo ao nariz.
18 Pelo que tambem [12] eu usarei _com elles_ de furor; o meu olho não
poupará, nem me apiedarei: _e_, ainda que me gritem aos ouvidos com
grande voz, _comtudo_ não os ouvirei.
[1] cap. 14.1 e 20.1. cap. 1.3 e 3.22.
[2] cap. 1.26, 27.
[3] cap. 1.4.
[4] Dan. 5.5. cap. 3.14.
[5] cap. 11.1, 24 e 40.2.
[6] Jer. 7.30 e 32.34. cap. 5.11. Deu. 32.16, 21.
[7] cap. 1.28 e 3.22, 23.
[8] cap. 9.9.
[9] Joel 2.17. cap. 11.1. Jer. 2.27 e 32.33.
[10] Deu. 4.19. II Reis 23.5, 11. Job 31.26.
[11] cap. 9.9.
[12] cap. 5.13 e 16.42 e 24.13. cap. 5.11 e 7.4, 9 e 9.5, 10. Pro. 1.28.
Isa. 1.15. Jer. 11.11 e 14.12. Miq. 3.4. Zac. 7.13.
_Os castigos de Jerusalem._
9 Então me gritou aos ouvidos _com_ grande voz, dizendo: Fazei chegar os
intendentes da cidade, cada um com as suas armas destruidoras na mão.
2 E eis que vinham seis homens caminho da porta alta, que olha para o
norte, e cada _um_ com as suas armas destruidoras na mão, [1] e entre
elles um homem vestido de linho, com um tinteiro de escrivão á sua cinta;
e entraram, e se pozeram junto ao altar de bronze.
3 E a gloria [2] do Deus d’Israel se levantou de sobre o cherubim sobre o
qual estava, até ao umbral da casa; e clamou ao homem vestido de linho,
que tinha o tinteiro de escrivão á sua cinta.
4 E disse-lhe o Senhor: Passa pelo meio da cidade, pelo meio de
Jerusalem, [3] e marca com _um_ signal as testas dos [4] homens que
suspiram e que gemem por causa de todas as abominações que se commettem
no meio d’ella.
5 E aos _outros_ disse a meus ouvidos: Passae pela cidade após elle, e
feri: [5] não poupe o vosso olho, nem vos compadeçaes.
6 Matae velhos, mancebos, e virgens, e meninos, e mulheres, [6] até
exterminal-os; porém a todo o homem que _tiver_ o signal não vos
chegueis; [7] e começae pelo meu sanctuario. [8] E começaram pelos homens
mais velhos que _estavam_ diante da casa.
7 E disse-lhes: Contaminae a casa e enchei os atrios de mortos: sahi. E
sairam, e feriram na cidade.
8 Succedeu pois que, havendo-os ferido, e ficando eu de resto, cahi [9]
sobre a minha face, e clamei, e disse: Ah! Senhor JEHOVAH! dar-se-ha caso
que destruas todo o restante de Israel, derramando a tua indignação sobre
Jerusalem?
9 Então me disse: A maldade da casa de Israel e de Judah _é_ grandissima,
[10] e a terra se encheu de sangue e a cidade se encheu de perversidade;
porque dizem: [11] O Senhor deixou a terra, e o Senhor não vê.
10 Pois tambem, [12] emquanto a mim, não poupará o meu olho, nem me
compadecerei: [13] sobre a cabeça d’elles farei recair o seu caminho.
11 E eis que o homem que _estava_ vestido de linho, a cuja cinta estava o
tinteiro, tornou com a resposta, dizendo: Fiz como me mandaste.
[1] Lev. 16.4. cap. 10.2, 6, 7. Apo. 15.6.
[2] cap. 3.23 e 8.4 e 10.4, 18 e 11.22, 23.
[3] Apo. 7.3 e 9.4 e 13.16, 17 e 20.4.
[4] II Ped. 2.8.
[5] ver. 10. cap. 5.11.
[6] II Chr. 36.17.
[7] Apo. 9.4. I Ped. 4.17.
[8] cap. 8.11, 12, 16.
[9] Num. 14.5 e 16.4, 22, 45. Jos. 7.6.
[10] II Reis 21.16. cap. 8.17.
[11] Isa. 29.15.
[12] cap. 5.11 e 7.4 e 8.18.
[13] cap. 11.21.
_A segunda visão dos cherubins._
10 Depois olhei, [1] e eis que no firmamento, que _estava_ por cima da
cabeça dos cherubins, appareceu sobre elles como uma pedra de safira,
como o aspecto da similhança d’um throno.
2 E fallou [2] ao homem vestido de linho, dizendo: Vae por entre as
rodas, até debaixo do cherubim, [3] e enche os punhos de brazas accesas
d’entre os cherubins, e espalha-as sobre a cidade. E elle entrou á minha
vista.
3 E os cherubins estavam ao lado direito da casa, quando entrou aquelle
homem; e uma nuvem encheu o atrio interior.
4 Então se levantou a gloria [4] do Senhor de sobre o cherubim para o
umbral da casa; [5] e encheu-se a casa d’uma nuvem, e o atrio se encheu
do resplandor da gloria do Senhor.
5 E o estrondo [6] das azas dos cherubins se ouviu até ao atrio exterior,
como a voz do Deus Todo-poderoso, quando falla.
6 Succedeu pois que, dando elle ordem ao homem vestido de linho, dizendo:
Toma fogo d’entre as rodas, d’entre os cherubins, entrou elle, e se poz
junto ás rodas.
7 Então estendeu um cherubim a sua mão de entre os cherubins para o fogo
que _estava_ entre os cherubins; e _o_ tomou, e _o_ poz nas mãos do que
estava vestido de linho; o qual o tomou, e saiu.