[2] Isa. 29.13. Mat. 15.8. Mar. 7.6.
[3] cap. 11.20. Thi. 5.5.
[4] cap. 23.10. Ose. 4.3. cap. 4.25 e 7.20 e 9.10. Ose. 4.3.
[5] Jos. 3.15. I Chr. 12.15. cap. 49.19 e 50.44.
[6] cap. 9.4.
[7] Pro. 26.25.
[8] Isa. 56.9. cap. 7.33.
[9] cap. 6.3. Isa. 5.1, 5 e 63.18.
[10] ver. 4. Isa. 42.25.
[11] Lev. 26.16. Deu. 28.38. Miq. 6.15. Agg. 1.6.
[12] Zac. 2.8. Deu. 30.3. cap. 32.37.
[13] Eze. 28.25.
[14] cap. 4.2.
[15] Eph. 2.20, 21. I Ped. 2.5.
[16] Isa. 60.12.
_O captiveiro é representado pelo symbolo d’um cinto de linho._
[Antes de Christo 602]
13 Assim me disse o Senhor: Vae, e compra um cinto de linho, e põe-n’o
sobre os teus lombos, porém não o mettas na agua.
2 E comprei o cinto, conforme a palavra do Senhor, e o puz sobre os meus
lombos.
3 Então veiu a palavra do Senhor a mim segunda vez, dizendo:
4 Toma o cinto que compraste, e trazes sobre os teus lombos, e
levanta-te; vae ao Euphrates, e esconde-o ali na fenda d’uma rocha.
5 E fui, e escondi-o junto ao Euphrates, como o Senhor m’_o_ havia
ordenado.
6 Succedeu pois, ao cabo de muitos dias, que me disse o Senhor:
Levanta-te, vae ao Euphrates, e toma d’ali o cinto que te ordenei que o
escondesses ali.
7 E fui ao Euphrates, e cavei, e tomei o cinto do logar onde o havia
escondido: e eis que o cinto tinha apodrecido, e para nada prestava.
8 Então veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:
9 Assim diz o Senhor: [1] Assim farei apodrecer a soberba de Judah, como
tambem a muita soberba de Jerusalem.
10 Este _mesmo_ povo maligno, que recusa ouvir as minhas palavras, [2]
que caminha segundo o proposito do seu coração, e anda após deuses
alheios, para servil-os, e inclinar-se diante d’elles, será tal como este
cinto, que para nada presta.
11 Porque, como o cinto _está_ pegado aos lombos do homem, assim eu fiz
pegar a mim toda a casa de Israel, e toda a casa de Judah, diz o Senhor,
para me serem por povo, e por [3] nome, e por louvor, e por gloria: porém
não deram ouvidos.
12 Pelo que dize-lhes esta palavra: Assim diz o Senhor Deus de Israel:
Todo o odre se encherá de vinho: e dir-te-hão: _Porventura_ não sabemos
mui bem que todo o odre se encherá de vinho?
13 Porém tu dize-lhes: Assim diz o Senhor: Eis que eu encherei de
embriaguez [4] a todos os habitantes d’esta terra, e aos reis _da
estirpe_ de David, que estão assentados sobre o seu throno, e aos
sacerdotes, e aos prophetas, e a todos os habitantes de Jerusalem.
14 E fal-os-hei em pedaços um contra outro, e juntamente os paes com os
filhos, diz o Senhor: não perdoarei nem pouparei, nem me apiedarei, para
que os não destrua.
15 Escutae, e inclinae os ouvidos: não vos ensoberbeçaes; porque o Senhor
disse.
16 Dae gloria [5] ao Senhor vosso Deus, antes que se faça vir a escuridão
e antes que tropecem vossos pés nos montes tenebrosos; [6] e espereis a
luz _e_ elle a mude em sombra de morte, e a reduza a escuridão.
17 E, se isto não ouvirdes, a minha alma chorará em logares occultos, por
causa da _vossa_ soberba; [7] e amargosamente lagrimejará o meu olho, e
se desfará em lagrimas, porquanto o rebanho do Senhor foi levado captivo.
18 Dize [8] ao rei e á rainha: Humilhae-vos, e assentae-vos no chão;
porque _já_ caiu todo o ornato de vossas cabeças, a corôa de vossa gloria.
19 As cidades do sul estão fechadas, e ninguem _ha_ que _as_ abra: todo o
Judah foi levado captivo, todo inteiramente foi levado captivo.
20 Levantae [9] os vossos olhos, e vêde os que veem do norte: onde _está_
o rebanho que se te deu, e as ovelhas da tua gloria?
21 Que dirás, quando [ZJ] vier a fazer visitação sobre ti, pois tu _já_
os ensinaste _a serem_ principes, e cabeça sobre ti? [10] _porventura_
não te tomarão as dôres, como á mulher que _está_ de parto?
22 Quando pois disseres no teu coração: [11] Porque me sobrevieram estas
coisas? Pela multidão das tuas maldades se descobriram as tuas fraldas, e
tem-se feito violencia aos teus calcanhares.
23 _Porventura_ mudará o ethiope a sua pelle, ou o leopardo as suas
manchas? [ZK] assim podereis vós fazer o bem, sendo ensinados a fazer o
mal.
24 Pelo que os espalharei como o rastolho, [12] rastolho que passa com o
vento do deserto.
25 Esta _será_ a tua sorte, a porção das tuas medidas _que terás_ de mim,
diz o Senhor; pois te esqueceste de mim, e confiaste em mentiras.
26 Assim tambem [13] eu descobrirei as tuas fraldas _até_ sobre o teu
rosto: e apparecerá a tua ignominia.
27 _Já_ vi as tuas abominações, e os teus adulterios, e os teus rinchos,
[14] e a enormidade da tua fornicação sobre os outeiros [15] no campo;
ai de ti, Jerusalem! não te purificarás? quanto ainda depois _d’isto
esperarás_?
[1] Lev. 26.19.
[2] cap. 9.14 e 11.8 e 16.12.
[3] cap. 33.9.
[4] Isa. 51.17, 21 e 63.6. cap. 25.27 e 51.7.
[5] Jos. 7.19. Isa. 5.30. Amós 8.6.
[6] Isa. 59.9.
[7] cap. 9.1 e 14.17. Lam. 1.2, 16 e 2.18.
[8] II Reis 24.12.
[9] cap. 6.22.
[10] cap. 6.24.
[11] cap. 5.19 e 16.10. Isa. 47.2, 3. Eze. 16.37, 38, 39. Nah. 3.5.
[12] Ose. 13.3.
[13] Lam. 1.8. Eze. 16.37 e 23.29. Ose. 2.10.
[14] cap. 5.8.
[15] Isa. 65.7. cap. 2.20 e 3.2, 6. Eze. 6.13.
_Jeremias em vão intercede pelo povo._
[Antes de Christo 601]
14 A palavra do Senhor, que veiu a Jeremias, ácerca dos negocios da
grande secca.
2 Anda chorando Judah, [1] e as suas portas _estão_ enfraquecidas: andam
de luto até ao chão, e o clamor de Jerusalem vae subindo.
3 E os seus mais illustres enviam os seus pequenos por agua; veem ás
cavas, _e_ não acham agua; voltam _com_ os seus vasos vazios; [2]
envergonham-se e confundem-se, e cobrem as suas cabeças.
4 Por causa da terra que se fendeu, porque não ha chuva sobre a terra, os
lavradores se envergonham _e_ cobrem as suas cabeças.
5 Porque até as cervas no campo parem, e deixam _seus filhos_, porquanto
não ha herva.
6 E os jumentos montezes [3] se põem nos logares altos, sorvem o vento
como os [ZL] dragões, desfallecem os seus olhos, porquanto não _ha_ herva.
7 Ainda que as nossas maldades testificam contra nós, ó Senhor, obra por
amor do teu nome; porque as nossas rebeldias se multiplicaram; contra ti
peccámos.
8 Ah! esperança [4] de Israel, e Redemptor seu no tempo da angustia!
porque serias como _um_ estrangeiro na terra? e como _o_ viandante _que_
se retira a passar a noite?
9 Porque serias [5] como homem cançado, como valoroso _que_ não pode
livrar? _já_ tu _estás_ no meio de nós, ó Senhor, e nós somos chamados
pelo teu nome: não nos desampares.
10 Assim diz o Senhor, ácerca d’este povo: [6] _Pois que_ tanto amaram
mover-se, _e_ não retiveram os seus pés, por isso o Senhor se não agrada
d’elles, _mas_ agora se lembrará da sua maldade d’elles, e visitará os
seus peccados.
11 Disse-me mais o Senhor: [7] Não rogues por este povo para bem.
12 Quando [8] jejuarem, não ouvirei o seu clamor, e quando offerecerem
holocaustos e offertas de manjares, não me agradarei d’elles; antes eu
[9] os consumirei pela espada, e pela fome e pela peste.
13 Então disse eu: [10] Ah! Senhor, Senhor, eis que os prophetas lhes
dizem: Não vereis espada, e não tereis fome; antes vos darei paz
verdadeira n’este logar.
14 E disse-me o Senhor: [11] Os prophetas prophetizam falso no meu nome;
nunca os enviei, nem lhes dei ordem, nem lhes fallei: visão falsa, e
adivinhação, e vaidade, e o engano do seu coração elles vos prophetizam.
15 Portanto assim diz o Senhor ácerca dos prophetas que prophetizam
no meu nome, sem que eu os tenha mandado, e _comtudo_ dizem, [12] Nem
espada, nem fome haverá n’esta terra: Á espada e á fome serão consumidos
esses prophetas.
16 E o povo a quem elles prophetizam será lançado nas ruas de Jerusalem,
por causa da fome e da espada: e não _haverá_ quem o enterre, tanto a
elle, _como_ a suas mulheres, e a seus filhos e a suas filhas: assim
derramarei sobre elles a sua maldade.
17 Portanto lhes dirás esta palavra: [13] Os meus olhos derramem lagrimas
de noite e de dia, e não cessem: [14] porque a virgem, filha do meu povo,
está quebrada _de_ grande quebra, _de_ chaga mui dolorosa.
18 Se eu saio [15] ao campo, eis aqui os mortos á espada, e, se entro na
cidade, eis aqui os enfermos de fome: e até os prophetas e os sacerdotes
correram em roda na terra, [ZM] e não sabem _nada_.
19 _Porventura [16] já_ de todo rejeitaste a Judah? _ou_ aborrece a tua
alma a Sião? porque nos feriste _de tal modo_ que _já_ não _ha_ cura para
nós? [17] aguarda-se a paz, e nada _ha_ de bem; e o tempo da cura, e eis
aqui turbação.
20 Ah, Senhor! conhecemos a nossa impiedade _e_ a maldade de nossos paes;
[18] porque peccámos contra ti.
21 Não _nos_ rejeites por amor do teu nome; não abatas o throno da tua
gloria: lembra-te, e não annules o teu concerto comnosco.
22 _Porventura [19] ha_, entre as vaidades dos gentios, quem faça chover?
ou podem os céus dar chuvas? não _és_ tu aquelle, ó Senhor [20] nosso
Deus? portanto em ti esperaremos, pois tu fazes todas estas coisas.
[1] Isa. 3.26. I Sam. 5.12.
[2] II Sam. 15.30.
[3] cap. 2.24.
[4] cap. 17.13.
[5] Isa. 59.1. Exo. 29.45, 46. Lev. 26.11, 12.
[6] Ose. 8.13 e 9.9.
[7] cap. 7.16 e 11.14.
[8] Isa. 1.15 e 58.3. cap. 11.11. Eze. 8.18. Miq. 3.4. Zac. 7.13.
[9] cap. 9.16.
[10] cap. 4.10.
[11] cap. 27.10. cap. 23.21 e 27.15 e 29.8, 9.
[12] cap. 5.12, 13.
[13] cap. 9.1 e 13.17. Lam. 1.16 e 2.18.
[14] cap. 8.21.
[15] Eze. 7.15.
[16] Lam. 5.22. cap. 15.18.
[17] cap. 8.15.
[18] Dan. 9.8.
[19] Zac. 10.1, 2.
[20] Isa. 30.23. cap. 5.24 e 10.13.
15 Disse-me, porém, o Senhor: [1] Ainda que Moysés e Samuel se pozessem
diante de mim, não _seria_ a minha alma com este povo: lança-os de diante
da minha face, e saiam.
2 E será que, quando te disserem: Para onde sairemos? dir-lhes-has:
Assim diz o Senhor: [2] O que para a morte, para a morte; e o que para a
espada, para a espada; e o que para a fome, para a fome; e o que para o
captiveiro, para o captiveiro.
3 Porque visital-os-hei [3] _com_ quatro generos _de males_, diz o
Senhor: com espada para matar, e com cães, para os arrastarem, e com as
aves dos céus, e com os animaes da terra, para os devorarem e destruirem.
4 Entregal-os-hei ao desterro [4] em todos os reinos da terra; [5] por
causa de Manassés, filho d’Ezequias, rei de Judah, pelo que fez em
Jerusalem.
5 Porque quem [6] se compadeceria de ti, ó Jerusalem? ou quem se
entristeceria por ti? ou quem se desviaria a perguntar pela tua paz?
6 Tu me deixaste, [7] diz o Senhor, _e_ tornaste-te para traz; por isso
estenderei a minha mão contra ti, e te destruirei; _já_ estou cançado de
me arrepender.
7 E padejal-os-hei com a pá nas portas da terra: _já_ desfilhei, _e_
destrui o meu povo; [8] não se tornaram dos seus caminhos.
8 As suas viuvas mais se me multiplicaram do que as areias dos mares;
trouxe ao meio dia um destruidor sobre a mãe dos mancebos: fiz que caisse
de repente sobre ella, e enchesse a cidade de terrores.
9 A que paria [9] sete se enfraqueceu; expirou a sua alma; poz-se o seu
sol sendo ainda de dia, confundiu-se, e envergonhou-se: e os que ficarem
d’ella entregarei á espada, diante dos seus inimigos, diz o Senhor.
10 Ai [10] de mim, mãe minha, porque me pariste homem de rixa e homem de
contendas para toda a terra? nunca _lhes_ dei á usura, nem elles me deram
a mim á usura, todavia cada um d’elles me amaldiçoa.
11 Disse o Senhor: Decerto que os teus residuos serão para bem, que
intercederei por ti, no tempo da calamidade e no tempo da angustia, com o
inimigo.
12 _Porventura_ quebrará _algum_ ferro, o ferro do norte, ou o aço?
13 A tua fazenda e os teus thesouros darei sem preço ao saque; e _isso_
por todos os teus peccados, como tambem em todos os teus limites.
14 E levar-_te_-hei [11] com os teus inimigos para a terra que não
conheces; porque o fogo se accendeu em minha ira, _e_ sobre vós arderá.
15 Tu, ó [12] Senhor, _o_ sabes; lembra-te de mim, e visita-me, e
vinga-me dos meus perseguidores: não me arrebates emquanto differes o teu
furor: sabe que por amor de ti tenho soffrido affronta.
16 Achando-se as tuas palavras, [13] logo as comi, e a tua palavra foi
para mim o gozo e alegria do meu coração; porque pelo teu nome me chamo,
ó Senhor, Deus dos Exercitos.
17 Nunca me assentei no congresso dos zombadores, nem saltei de prazer:
por causa da tua mão me assentei solitario; porque me encheste de
indignação.
18 Porque dura a [14] minha dôr continuamente, e a minha ferida me doe,
_e já_ não admitte cura? _Porventura_ ser-me-hias tu como um mentiroso
[15] _e como_ aguas inconstantes?
19 Portanto assim diz o Senhor: Se tu te tornares, [16] então te farei
tornar, _e_ estarás diante da minha face; [17] e se apartares o precioso
do vil, serás como a minha bocca: tornem-se elles para ti, porém tu não
te tornes para elles.
20 Portanto puz-te contra este povo por um [18] muro forte de bronze;
e pelejarão contra ti, porém não prevalecerão contra ti; [19] porque
eu _estou_ comtigo para te guardar, para te arrebatar _d’elles_, diz o
Senhor.
21 E arrebatar-te-hei da mão dos malignos, e livrar-te-hei da palma dos
fortes.
[1] Exo. 32.11, 12.
[2] cap. 43.11. Eze. 5.2, 12. Zac. 11.9.
[3] Lev. 26.16, etc. Deu. 28.26. cap. 7.33.
[4] Deu. 28.35. cap. 24.9.
[5] II Reis 21.11, etc. e 23.26 e 24.3, 4.
[6] Isa. 51.19.
[7] cap. 2.13. Ose. 13.14.
[8] Isa. 9.13. cap. 5.3. Amós 4.10, 11.
[9] I Sam. 2.5. Amós 8.9.
[10] Job 3.1, etc. cap. 20.14.
[11] cap. 16.13 e 17.4. Deu. 32.22.
[12] cap. 12.3. cap. 11.20 e 20.12.
[13] Eze. 3.1, 3. Apo. 10.6, 10.
[14] cap. 30.15.
[15] Job 6.15, etc.
[16] Zac. 3.7. ver. 1.
[17] Eze. 44.23.
[18] cap. 1.18 e 6.27.
[19] cap. 20.11, 12.
_Predicção do captiveiro e do livramento de Israel._
16 E veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:
2 Não tomarás para ti mulher, nem terás filhos nem filhas n’este logar.
3 Porque assim diz o Senhor, ácerca dos filhos e das filhas que nascerem
n’este logar, ácerca de suas mães, que os parirem, e de seus paes que os
gerarem n’esta terra:
4 Morrerão [1] de enfermidades dolorosas, e não serão pranteados nem
sepultados: servirão d’esterco sobre a terra; e pela espada e pela fome
serão consumidos [2], e os seus cadaveres servirão de mantimento para as
aves do céu e para os animaes da terra.
5 Porque assim diz o Senhor: [3] Não entres na casa do luto, nem vás
a lamentar, nem te compadeças d’elles; porque _já_ d’este povo, diz o
Senhor, tirei a minha paz, benignidade e misericordia.
6 E morrerão grandes e pequenos n’esta terra, _e_ não _serão_ sepultados,
[4] e não os prantearão nem se farão por elles incisões, nem _por elles_
se raparão os cabellos.
7 E nada se lhes repartirá por dó, para consolal-os por causa de morte:
nem lhes darão a beber do [5] copo de consolação, _nem_ por pae de
alguem, nem por mãe de alguem.
8 Nem entres na casa do banquete, para te assentares com elles a comer e
a beber.
9 Porque assim diz o Senhor dos Exercitos, [6] o Deus d’Israel: Eis que
farei cessar d’este logar perante os vossos olhos, e em vossos dias, a
voz de gozo e a voz de alegria, a voz do esposo e a voz da esposa.
10 E será que, quando annunciares a este povo todas estas palavras, e
elles te disserem: [7] Porque falla o Senhor sobre nós todo este grande
mal? e qual _é_ a nossa iniquidade, e qual _é o_ nosso peccado, que
peccámos contra o Senhor nosso Deus?
11 Então lhes dirás: [8] Porquanto vossos paes me deixaram, diz o Senhor,
e se foram após deuses alheios, e os serviram, e se inclinaram diante
d’elles, e a mim me deixaram, e a minha lei não _a_ guardaram.
12 E vós fizestes [9] peior do que vossos paes; porque, eis que cada um
de vós anda após o proposito do seu malvado coração, para me não dar
ouvidos a mim.
13 E lançar-vos-hei fóra [10] d’esta terra, para uma terra que não
conhecestes, nem vós nem vossos paes; e ali servireis a deuses alheios de
dia e de noite, porque não usarei de misericordia comvosco.
14 Portanto, [11] eis que dias veem, diz o Senhor, em que nunca mais se
dirá: Vive o Senhor, que fez subir os filhos d’Israel da terra do Egypto.
15 Mas: Vive o Senhor, que fez subir os filhos d’Israel da terra do
norte, e de todas as terras para onde os tinha lançado; [12] porque
fal-os-hei voltar á sua terra, a qual dei a seus paes.
16 Eis que mandarei muitos pescadores, [13] diz o Senhor, os quaes os
pescarão, e depois enviarei muitos caçadores, os quaes os caçarão de
sobre todo o monte, e de sobre todo o outeiro, e até das fendas das
rochas.
17 Porque os meus olhos [14] _estão_ sobre todos os seus caminhos; não se
escondem perante a minha face, nem a sua maldade se encobre de diante dos
meus olhos.
18 E primeiramente pagarei [15] em dobro a sua maldade e o seu peccado,
porque profanaram a minha terra com os cadaveres das suas coisas
detestaveis, e das suas abominações encheram a minha herança.
19 Ó Senhor, fortaleza minha, e força minha, [16] e refugio meu no dia da
angustia: a ti virão as nações desde os fins da terra, e dirão: Nossos
paes herdaram só mentiras, e vaidade, [17] em que não _havia_ proveito.
20 _Porventura_ fará um homem deuses para si, quando elles não _são_
deuses?
21 Portanto, eis que os farei conhecer; d’esta vez os farei conhecer a
minha mão e o meu poder; [18] e saberão que o meu nome _é_ o Senhor.
[1] cap. 22.18, 19 e 25.33.
[2] cap. 7.33.
[3] Eze. 24.17, 22, 23.
[4] Lev. 19.28. Deu. 14.1. Isa. 22.12. cap. 7.29.
[5] Pro. 31.6, 7.
[6] Isa. 24.7, 8. cap. 7.34 e 25.10. Eze. 26.13. Ose. 2.11. Apo. 18.23.
[7] Deu. 29.24. cap. 5.19 e 13.22 e 22.8.
[8] Deu. 29.25. cap. 22.9.
[9] cap. 7.26 e 13.10.
[10] Deu. 4.26, 27, 28 e 28.36, 63, 64, 65.
[11] cap. 23.7, 8.
[12] cap. 24.6 e 30.3 e 32.37.
[13] Hab. 1.15.
[14] Job 3.4, 21. Pro. 5.21 e 15.3. cap. 32.19.
[15] Isa. 40.2. cap. 17.18. Eze. 43.7, 9.
[16] cap. 17.17.
[17] Isa. 44.10. cap. 2.11 e 10.5.
[18] Exo. 15.3. cap. 32.2. Amós 5.8.
17 O peccado de Judah _está_ escripto com [1] _um_ ponteiro de ferro,
com ponta de diamante, gravado na taboa do seu coração e nos cornos dos
vossos altares.
2 Como tambem seus filhos se lembram dos seus altares, [2] e dos seus
bosques junto ás arvores verdes, sobre os altos outeiros.
3 A minha montanha _juntamente_ com o campo, a tua riqueza _e_ todos
os teus thesouros, darei por preza, _como tambem_ os teus altos, pelo
peccado, em todos os teus termos.
4 Assim por ti mesmo te deixarás da tua herança que te dei, e far-te-hei
servir os teus inimigos, [3] na terra que não conheces; porque o fogo que
accendeste na minha ira arderá para sempre.
5 Assim diz o Senhor: [4] Maldito o varão que confia no homem, e põe a
carne _por_ seu braço, e cujo coração se aparta do Senhor!
6 Porque será como [5] a tamargueira no deserto, que não sente quando vem
o bem; antes morará nos logares seccos do deserto, na terra salgada e
inhabitavel.
7 _Porém_ bemdito o varão que confia no Senhor, [6] e cuja confiança é o
Senhor.
8 Porque será como a arvore [7] plantada junto ás aguas, que estende as
suas raizes para o ribeiro, e não sente quando vem o calor, e a sua folha
fica verde, e no anno de sequidão não se afadiga, nem deixa de dar fructo.
9 Enganoso _é_ o coração, mais do que todas as coisas, e perverso: quem o
conhecerá?
10 Eu, o Senhor, [8] esquadrinho o coração _e_ experimento os rins: e
isto para dar a cada um segundo os seus caminhos _e_ segundo o fructo das
suas acções.
11 _Como_ a perdiz _que_ ajunta [ZN] ovos que não choca, _assim_ é o que
ajunta riquezas, mas não com direito; no meio de seus dias as deixará,
[9] e no seu fim se fará _um_ insensato.
12 Um throno de gloria e altura, desde o principio, _é_ o logar do nosso
sanctuario.
13 Ó Senhor, [10] Esperança d’Israel! todos aquelles que te deixam serão
envergonhados [11] e os que se apartam de mim serão escriptos sobre a
terra; porque deixam ao Senhor, a fonte das aguas vivas.
14 Sara-me, Senhor, e sararei: salva-me, e serei salvo; [12] porque tu
_és_ o meu louvor.
15 Eis que elles me dizem: Onde [13] _está_ a palavra do Senhor? venha
agora.
16 Porém eu não me apressei em ser o pastor após ti; nem tão pouco
desejei o dia mortal, tu o sabes; o que saiu dos meus labios está diante
de tua face.
17 Não me sejas por espanto: [14] meu refugio _és_ tu no dia do mal.
18 Envergonhem-se os que me perseguem, e não me envergonhe eu;
assombrem-se elles, e não me assombre eu; traze sobre elles o dia do mal,
e [15] com dobrada esmigalhadura os esmigalha.
_A sanctificação do sabbado._
19 Assim me disse o Senhor: Vae, e põe-te á porta dos filhos do povo,
pela qual entram os reis de Judah, e pela qual saem; como tambem a todas
as portas de Jerusalem.
20 E dize-lhes: Ouvi [16] a palavra do Senhor, vós, reis de Judah e todo
o Judah, e todos os moradores de Jerusalem, que entraes por estas portas.
21 Assim diz o Senhor: [17] Guardae as vossas almas, e não tragaes cargas
no dia de sabbado, nem _as_ introduzaes pelas portas de Jerusalem:
22 Nem tireis cargas de vossas casas no dia de sabbado, nem façaes obra
alguma: antes sanctificae o dia de sabbado, como eu dei [18] ordem a
vossos paes.
23 Porém não [19] deram ouvidos, nem inclinaram as suas orelhas; mas
endureceram a sua cerviz, para não ouvirem, e para não receberem
correcção.
24 Será pois que, se diligentemente me ouvirdes, diz o Senhor, não
introduzindo cargas pelas portas d’esta cidade no dia de sabbado, e
sanctificardes o dia de sabbado, não fazendo n’elle obra alguma:
25 Então entrarão [20] pelas portas d’esta cidade reis e principes,
assentados sobre o throno de David, andando em carros e montados em
cavallos, _assim_ elles como os seus principes, os homens de Judah, e os
moradores de Jerusalem: e esta cidade será para sempre habitada.
26 E virão das cidades de Judah, e dos contornos [21] de Jerusalem, e da
terra de Benjamin, e das planicies, e das montanhas, e do sul, trazendo
holocaustos, e sacrificios, e offertas de manjares, e incenso, como
tambem trazendo sacrificios de louvores á casa do Senhor.
27 Porém, se não me derdes ouvidos, para sanctificardes o dia de sabbado,
e para não trazerdes carga alguma, quando entrardes pelas portas de
Jerusalem no dia de sabbado, [22] então accenderei fogo nas suas portas,
que consumirá os palacios de Jerusalem, e não se apagará.
[1] Job 19.24. Pro. 3.3. II Cor. 3.3.
[2] II Chr. 24.18 e 33.3, 19. Isa. 1.29 e 17.8. cap. 2.20 e 15.13.
[3] cap. 16.13. cap. 15.14.
[4] Isa. 30.1, 2 e 31.1. Isa. 31.3.
[5] cap. 48.6. Deu. 29.23.
[6] Pro. 16.20. Isa. 30.18.
[7] Job 8.16.
[8] I Sam. 16.7. I Chr. 28.9. Rom. 8.27. Apo. 2.23. cap. 32.19. Rom. 2.6.
[9] Luc. 12.20.
[10] cap. 14.8. Isa. 1.28.
[11] Luc. 10.20. cap. 2.13.
[12] Deu. 10.21.
[13] Isa. 5.19. II Ped. 3.4.
[14] cap. 16.19.
[15] cap. 11.20.
[16] cap. 19.3 e 22.2.
[17] Num. 15.32, etc. Neh. 13.19.
[18] Exo. 20.8 e 23.12 e 31.13. Eze. 20.12.
[19] cap. 7.24, 26 e 11.10.
[20] cap. 22.4.
[21] cap. 32.44 e 33.13. Zac. 7.7.
[22] cap. 21.14 e 49.27. Lam. 4.11. Amós 1.4, 7, 10, 12 e 2.2, 5. II Reis
25.9. cap. 52.18.
_O vaso do oleiro. A impenitencia do povo._
[Antes de Christo 605]
18 A palavra do Senhor, que veiu a Jeremias, dizendo:
2 Levanta-te, e desce á casa do oleiro, e lá te farei ouvir as minhas
palavras.
3 E desci á casa do oleiro, e eis que estava fazendo _a sua_ obra sobre
_as_ rodas.
4 E o vaso, que elle fazia de barro, quebrou-se na mão do oleiro: então
tornou a fazer d’elle outro vaso, conforme o que pareceu bem aos olhos do
oleiro fazer.
5 Então veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:
6 _Porventura_ [1] não poderei eu fazer de vós como este oleiro, ó casa
d’Israel? diz o Senhor: eis que, como o barro na mão do oleiro, assim
_sois_ vós na minha mão, ó casa d’Israel.
7 No momento em que fallarei contra uma nação, [2] e contra um reino para
arrancar, e para derribar, e para destruir,
8 Se [3] a tal nação, porém, contra a qual fallar se converter da sua
maldade, tambem [4] eu me arrependerei do mal que lhe cuidava fazer.
9 No momento em que fallarei de uma gente e de um reino, para edificar e
para plantar,
10 Se fizer o mal diante dos meus olhos, não dando ouvidos á minha voz,
então me arrependerei do bem que tinha dito lhe faria.
11 Ora pois, falla agora aos homens de Judah, e aos moradores de
Jerusalem, dizendo: Assim diz o Senhor: Eis que estou forjando mal contra
vós: e penso um pensamento contra vós: [5] convertei-vos _pois_ agora
cada um do seu mau caminho, e melhorae os vossos caminhos e as vossas
acções.
12 Porém elles dizem: [6] Não ha esperança, porque após as nossas
imaginações andaremos: e faremos cada um o proposito do seu malvado
coração.
13 Portanto assim diz o [7] Senhor: Perguntae agora entre os gentios quem
ouviu tal coisa? coisa mui horrenda fez a virgem de Israel.
14 _Porventura_ deixar-se-ha a neve do Libano por uma rocha do campo? ou
deixar-se-hão as aguas estranhas, frias _e_ correntes?
15 Comtudo o meu povo se tem esquecido de mim, [8] queimando incenso á
vaidade; porque os fizeram tropeçar nos seus caminhos, _e nas_ veredas
antigas, [9] para que andassem por veredas afastadas, não aplainadas;
16 Para [10] pôr a sua terra em espanto _e_ perpetuos assobios; todo
aquelle que passa por ella se espantará, e meneará a sua cabeça.
17 Como _com_ vento oriental [11] os espalharei diante da face do
inimigo: mostrar-lhes-hei as costas e não o rosto, no dia da sua perdição.
18 Então disseram: Vinde, [12] e maquinemos maquinações contra Jeremias;
porque não perecerá a lei do sacerdote, nem o conselho do sabio, nem a
palavra do propheta: vinde, e firamol-o com a lingua, e não escutemos a
nenhuma das suas palavras.
19 Olha para mim, Senhor, e ouve a voz dos que contendem comigo.
20 _Porventura_ pagar-se-ha mal por bem? porque cavaram uma cova para
a minha alma: lembra-te de que eu me apresentei na tua presença, para
fallar por seu bem, para desviar d’elles a tua indignação.
21 Portanto entrega seus filhos á fome, e entrega-os ao poder da espada,
e _sejam_ suas mulheres roubadas dos filhos, e viuvas; e seus maridos
_sejam_ mortos de morte, e os seus mancebos _sejam_ feridos á espada na
peleja.
22 Ouça-se o clamor de suas casas, quando trouxeres esquadrões sobre
elles de repente. Porquanto cavaram uma [13] cova para prender-me e
armaram laços aos meus pés.
23 Mas tu, ó Senhor, sabes todo o seu conselho contra mim para matar-me;
[14] não perdoes a sua maldade, nem apagues o seu peccado de diante da
tua face; mas tropecem perante a tua face; _assim_ usa com elles no tempo
da tua ira.
[1] Isa. 45.9. Rom. 9.20, 21. Isa. 64.8.
[2] cap. 1.10.
[3] Eze. 18.21 e 33.11.
[4] cap. 26.3. Jon. 3.10.
[5] II Reis 17.13. cap. 7.3 e 25.5 e 26.13 e 35.15.
[6] cap. 2.25.
[7] I Cor. 5.1. cap. 5.30.
[8] cap. 2.13, 32. cap. 10.15 e 16.19.
[9] cap. 6.16.
[10] cap. 19.8 e 49.13 e 50.13. Miq. 6.16.
[11] cap. 13.24.
[12] Lev. 10.11. Mal. 2.7.
[13] ver. 20.
[14] cap. 11.20 e 15.15.
_A botija quebrada. A ruina de Jerusalem._
19 Assim diz o Senhor: Vae, e compra uma botija de oleiro, e _toma
comtigo_ dos anciãos do povo e dos anciãos dos sacerdotes;
2 E sae [1] ao valle do filho d’Hinnom, que _está_ á entrada da porta do
sol, e apregoa ali as palavras que eu te disser.
3 E dize: [2] Ouvi a palavra do Senhor, ó reis de Judah, e moradores
de Jerusalem; assim diz o Senhor dos Exercitos, o Deus d’Israel:
Eis que trarei um mal sobre este logar, que quem quer que ouvir [3]
retinir-lhe-hão as orelhas:
4 Porquanto me deixaram [4] e alienaram este lugar, e n’elle queimaram
incenso a outros deuses, que nunca conheceram, nem elles nem seus paes,
nem os reis de Judah; [5] e encheram este logar de sangue de innocentes.
5 Porque edificaram os altos de Baal, para queimarem seus filhos no fogo
_em_ holocaustos a Baal; [6] o que nunca _lhes_ ordenei, nem fallei, nem
subiu ao meu coração.
6 Por isso eis que dias veem, diz o Senhor, em que este logar não se
chamará mais Topheth, [7] nem o valle do filho de Hinnom, mas o valle da
matança.
7 Porque dissiparei o conselho de Judah e de Jerusalem n’este logar, [8]
e os farei cair á espada diante de seus inimigos, e pela mão dos que
buscam a sua vida d’elles; e darei os seus cadaveres para pasto ás aves
dos céus e aos animaes da terra.
8 E porei [9] esta cidade em espanto e por assobio: todo aquelle que
passar por ella se espantará, e assobiará sobre todas as suas pragas.
9 E os farei comer [10] a carne de seus filhos, e a carne de suas filhas,
e comerá cada um a carne do seu proximo, no cerco e no aperto em que os
apertarão os seus inimigos, e os que buscam a vida d’elles.
10 Então quebrarás [11] a botija aos olhos dos homens que forem comtigo.
11 E dir-lhes-has: Assim diz o Senhor dos Exercitos: Assim quebrarei eu
a este povo, [12] e a esta cidade, como se quebra o vaso do oleiro, que
não póde mais refazer-se, e os enterrarão em Topheth, porque não _haverá
mais_ logar para _os_ enterrar.
12 Assim farei a este logar, diz o Senhor, e aos seus moradores; e _isso_
para pôr a esta cidade como a Topheth.
13 E as casas de Jerusalem, e as casas dos reis de Judah, serão immundas
[13] como o logar de Topheth: como tambem todas as casas, sobre cujos
terraços queimaram incenso a todo o exercito dos céus, [14] e offereceram
libações a deuses estranhos.
14 Vindo pois Jeremias de Topheth, onde o tinha enviado o Senhor a
prophetizar, se poz [15] em pé no atrio da casa do Senhor, e disse a todo
o povo:
15 Assim diz o Senhor dos Exercitos, o Deus de Israel: Eis que trarei
sobre esta cidade, e sobre todas as suas cidades, todo o mal que fallei
contra ella, [16] porquanto endureceram a sua cerviz, para não ouvirem as
minhas palavras.
[1] Jos. 15.8. II Reis 23.10. cap. 7.31.
[2] cap. 17.20.
[3] I Sam. 3.11. II Reis 21.12.
[4] Deu. 28.20. Isa. 65.11. cap. 2.13, 17, 19 e 15.6 e 17.13.
[5] II Reis 21.16. cap. 2.34 e 7.31, 32 e 32.35.
[6] Lev. 18.21.
[7] Jos. 15.8.
[8] Lev. 26.17. Deu. 28.25.
[9] cap. 18.16 e 49.13 e 50.13.
[10] Lev. 26.29. Deu. 28.53. Isa. 9.20. Lam. 4.10.
[11] cap. 51.63, 64.
[12] Isa. 30.14. Lam. 4.2.
[13] II Reis 23.10, 12. cap. 32.29. Sof. 1.5.
[14] cap. 7.18.
[15] II Chr. 20.5.
[16] cap. 7.26 e 17.23.
_Pashur fere a Jeremias e mette-o no cepo._
[Antes de Christo 589]
20 E Pashur, filho [1] de Immer, o sacerdote, que havia sido nomeado
presidente na casa do Senhor, ouviu a Jeremias, que prophetizava estas
palavras.
2 E feriu Pashur ao propheta Jeremias, e o metteu no cepo que _está_ na
porta superior de Benjamin, a qual _está_ na casa do Senhor.
3 E succedeu que no dia seguinte Pashur tirou a Jeremias do cepo. Então
disse-lhe Jeremias: O Senhor não chama o teu nome Pashur, mas [ZO]
Magor-missabib.
4 Porque assim diz o Senhor: Eis que farei de ti um espanto para ti
mesmo, e para todos os teus amigos, e cairão á espada de seus inimigos,
e teus olhos _o_ verão: a todo o Judah entregarei na mão do rei de
Babylonia, e leval-os-ha presos a Babylonia, e feril-os-ha á espada.
5 Tambem darei [2] toda a fazenda d’esta cidade, e todo o seu trabalho,
e todas as suas coisas preciosas, e todos os thesouros dos reis de Judah
entregarei na mão de seus inimigos, e saqueal-os-hão, e tomal-os-hão e
leval-os-hão a Babylonia.
6 E tu, Pashur, e todos os moradores da tua casa ireis para o captiveiro;
e virás a Babylonia, e ali morrerás, e ali serás sepultado, tu, e todos
os teus amigos, aos quaes [3] prophetizaste falsamente.
7 Persuadiste-me, ó Senhor, e persuadido fiquei; [4] mais forte foste do
que eu, e prevaleceste; sirvo de escarneo todo o dia, cada um d’elles
zomba de mim.
8 Porque desde [5] que fallo, grito; clamo violencia e destruição;
porque se tornou a palavra do Senhor em opprobrio e em ludibrio todo o
dia.
9 Então disse eu: Não me lembrarei d’elle, e não fallarei mais no seu
nome; [6] mas foi no meu coração como fogo ardente, encerrado nos meus
ossos; e fiquei fatigado de soffrer, e não pude.
10 Porque ouvi a murmuração de muitos _ácerca_ de Magor-missabib, _que
diziam_: Denunciae-_nol-o_, e o denunciaremos; [7] todos os que teem paz
comigo aguardam o meu manquejar, _dizendo_: Bem pode ser que se deixará
persuadir; então prevaleceremos contra elle e nos vingaremos d’elle.
11 Porém [8] o Senhor _está_ comigo como um valente terrivel; por isso
tropeçarão os meus perseguidores, e não prevalecerão: ficarão mui
confundidos; porque não se houveram [ZP] prudentemente, [9] _terão_ uma
confusão perpetua _que_ nunca se esquecerá.
12 Tu pois, ó Senhor dos Exercitos, que esquadrinhas [10] ao justo, e
vês os rins e o coração, veja eu a tua vingança d’elles; pois _já_ te
descobri a minha causa.
13 Cantae ao Senhor, louvae ao Senhor; pois livrou a alma do necessitado
da mão dos malfeitores.
14 Maldito [11] o dia em que nasci; o dia em que minha mãe me pariu não
seja bemdito.
15 Maldito o homem que deu as novas a meu pae, dizendo: Nasceu-te um
filho macho; alegrando-o grandemente.
16 E seja esse homem como as cidades [12] que o Senhor destruiu e não se
arrependeu: e ouça clamor pela manhã, e ao tempo do meio-dia um alarido.
17 Porque [13] não me matou desde a madre? ou minha mãe não foi minha
sepultura? ou _porque não_ ficou a sua madre gravida perpetuamente?
18 Porque [14] sahi da madre, para ver trabalho e tristeza? para que se
consumam os meus dias na confusão.
[1] I Chr. 24.14.
[2] II Reis 20.17 e 24.12, 16 e 25.13, etc.
[3] cap. 14.13, 14 e 28.16 e 29.21.
[4] Lam. 3.14.
[5] cap. 6.7.
[6] Job 32.18, 19.
[7] Luc. 11.53, 54.
[8] cap. 1.8, 19 e 15.20 e 17.18.
[9] cap. 23.40.
[10] cap. 11.20 e 17.10.
[11] Job 3.3. cap. 15.10.
[12] Gen. 19.25.
[13] Job 3.10, 11.
[14] Job 3.20.
_O annuncio da destruição de Jerusalem por Nabucodonozor._
21 A palavra que veiu a Jeremias _da parte_ do Senhor, quando o rei
Zedekias lhe enviou [1] a Pashur, filho de Malchias, [2] e a Zephanias
filho de Maaseia, o sacerdote, dizendo:
2 Pergunta agora por nós ao Senhor; porque Nabucodonozor, rei de
Babylonia, guerreia contra nós: bem pode ser que o Senhor obre comnosco
segundo todas as suas maravilhas, e o faça subir de nós.
3 Então Jeremias lhes disse: Assim direis a Zedekias:
4 Assim diz o Senhor, o Deus d’Israel: Eis que virarei _contra vós_ as
armas de guerra, que estão nas vossas mãos, com que vós pelejaes contra o
rei de Babylonia, e contra os chaldeos, [3] que vos teem cercado de fóra
do muro, e ajuntal-os-hei no meio d’esta cidade.
5 E eu pelejarei contra vós com mão estendida, [4] e com braço forte, e
com ira, e com indignação e com grande furor.
6 E ferirei os habitantes d’esta cidade, assim os homens como as bestas:
de grande pestilencia morrerão.
7 E depois d’isto, diz o Senhor, entregarei Zedekias, [5] rei de Judah,
e seus servos, e o povo, e os que d’esta cidade restarem da pestilencia,
e da espada, e da fome, na mão de Nabucodonozor, rei de Babylonia, e na
mão de seus inimigos, e na mão dos que buscam a sua vida; e feril-os-ha
ao fio da espada: [6] não os poupará, nem se compadecerá, nem terá
misericordia.
8 E a este povo dirás: Assim diz o Senhor: Eis que ponho diante [7] de
vós o caminho da vida e o caminho da morte.
9 O que ficar [8] n’esta cidade ha de morrer á espada, ou á fome, ou da
pestilencia; porém o que sair, e se render aos chaldeos, que vos teem
cercado, viverá, e terá a sua vida [9] por despojo.
10 Porque puz o meu rosto [10] contra esta cidade para mal, e não para
bem, diz o Senhor: na mão do rei de Babylonia se entregará, [11] e
queimal-a-ha a fogo.
11 E á casa do rei de Judah _dirás_: Ouvi a palavra do Senhor:
12 Ó casa de David, assim diz o Senhor: [12] Julgae pela manhã
justamente, e livrae o roubado da mão do oppressor; para que não saia
o meu furor como fogo, e se accenda, sem que _haja_ quem o apague, por
causa da maldade de vossas acções.
13 Eis que [13] eu _sou_ contra ti, ó moradora do valle, ó rocha da
campina, diz o Senhor: os que dizeis: Quem descerá contra nós? ou, Quem
entrará nas nossas moradas?
14 Porém farei visitação sobre vós segundo [14] o fructo das vossas
acções, diz o Senhor; e accenderei o fogo no seu bosque, [15] que
consumirá a tudo o que está em redor d’ella.
[1] cap. 38.1.
[2] II Reis 25.18. cap. 29.25 e 37.3.
[3] Isa. 13.4.
[4] Exo. 6.6.
[5] cap. 37.17 e 39.5.
[6] Deu. 28.50. II Chr. 36.17.
[7] Deu. 30.19.
[8] cap. 38.2, 17, 18.
[9] cap. 45.5.
[10] cap. 44.11. Amós 9.4.
[11] cap. 34.2, 22 e 38.18, 23 e 52.13.
[12] cap. 22.3. Zac. 7.9.
[13] Eze. 13.8. cap. 49.4.
[14] Pro. 1.31. Isa. 3.10, 11.
[15] II Chr. 36.19. cap. 52.13.
_Prophecia contra a casa real de Judah._
[Antes de Christo 609]
22 Assim diz o Senhor: Desce á casa do rei de Judah, e falla ali esta
palavra.
2 E dize: [1] Ouve a palavra do Senhor, ó rei de Judah, que te assentas
no throno de David: tu, e os teus servos, e o teu povo, que entraes por
estas portas.
3 Assim diz o Senhor: [2] Fazei juizo e justiça, e livrae o roubado da
mão do oppressor; e não opprimaes ao estrangeiro, _nem_ ao orphão, nem á
viuva; não façaes violencia, nem derrameis sangue innocente n’este logar.
4 Porque, se devéras fizerdes esta palavra, [3] entrarão pelas portas
d’esta casa os reis que se assentam no logar de David sobre o seu throno,
em carros e montados em cavallos, elles, e os seus servos, e o seu povo.
5 Porém, se não derdes ouvidos a estas palavras, [4] por mim mesmo tenho
jurado, diz o Senhor, que esta casa se tornará em assolação.
6 Porque assim diz o Senhor ácerca da casa do rei de Judah: Tu _és_ para
mim Gilead, _e_ a altura do Libano: por certo que farei de ti um deserto
e cidades deshabitadas.
7 Porque prepararei contra ti destruidores, cada um com as suas armas:
[5] e cortarão os teus cedros escolhidos, e lançal-os-hão no fogo.
8 E muitas nações passarão por esta cidade, e dirá cada um ao seu
companheiro: [6] Porque obrou o Senhor assim com esta grande cidade?
9 E dirão: [7] Porque deixaram o concerto do Senhor seu Deus, e se
inclinaram diante de deuses alheios, e os serviram.
10 Não choreis o morto, [8] nem o lastimeis: chorae abundantemente
aquelle que sae, porque nunca mais tornará, nem verá a terra onde nasceu.
11 Porque assim diz o Senhor [9] ácerca de Shallum, filho de Josias, rei
de Judah, que reinava em logar de Josias seu pae, que saiu d’este logar:
Nunca ali tornará mais.
12 Mas no logar para onde o levaram captivo ali morrerá, e nunca mais
verá esta terra.
13 Ai d’aquelle [10] que edifica a sua casa com injustiça, e os seus
aposentos sem razão, que se serve do serviço do seu proximo sem paga, e
não lhe dá o salario do seu trabalho.
14 Que diz: Edificar-me-hei _uma_ casa espaçosa, e aposentos largos: e
lhe abre janellas, e _está_ forrada de cedro, e pintada de vermelhão.
15 _Porventura_ reinarás, porque te encerras em cedro? acaso teu pae não
comeu e bebeu, e não usou de juizo e justiça? _e_ então lhe succedeu bem.
16 Julgou a causa do afflicto e necessitado; então _lhe_ succedeu bem;
_porventura_ não _é_ isto conhecer-me? diz o Senhor.
17 Porém [11] os teus olhos e o teu coração não _attentam_ senão para
a tua avareza, e para o sangue innocente, para derramal-o, e para a
oppressão, e para a violencia, para _os_ levar a effeito.
18 Portanto assim diz o Senhor ácerca de Joaquim, filho de Josias, rei de
Judah: [12] Não lamentarão por elle, _dizendo_: Ai, irmão meu, ou, Ai,
irmã minha! nem lamentarão por elle, _dizendo_: Ai, Senhor, ou, Ai, sua
magestade!
19 Em sepultura de jumento será [13] sepultado, arrastando-o e lançando-o
para bem longe, fóra das portas de Jerusalem.
20 Sobe ao Libano, e clama, e levanta a tua voz em Basan, e clama pelas
passagens, que _já_ estão quebrantados os teus namorados.
21 Fallei comtigo na tua posteridade, porém tu disseste: Não ouvirei.
[14] Este é o teu caminho, desde a tua mocidade, que nunca déste ouvidos
á minha voz.
22 O vento apascentará a todos [15] os teus pastores, e os teus
namorados irão para o captiveiro: certamente então te confundirás, e te
envergonharás, por causa de toda a tua maldade.
23 Ó tu, que habitas no Libano _e_ fazes o teu ninho nos cedros, [16]
quão lastimada serás quando te vierem as dôres _e_ os ais como da que
está de parto!
24 Vivo eu, [17] diz o Senhor, que ainda que Conias, filho de Joaquim,
rei de Judah, fosse o annel do sello na minha mão direita, que d’ali te
arrancaria.
25 E te entregarei [18] na mão dos que buscam a tua vida, e na mão
d’aquelles diante de quem tu temes, a saber, na mão de Nabucodonozor, rei
de Babylonia, e na mão dos chaldeos.
26 E lançar-te-hei, [19] a ti e á tua mãe que te pariu, a uma terra
estranha, em que não nasceste, e ali morrereis.
27 E á terra, para a qual elles levantam a sua alma, para tornarem a
ella, a ella não tornarão.
28 _É_ pois _porventura_ este homem Conias um vil idolo quebrantado? [20]
ou um vaso de que ninguem se agrada? por que razão foram arremessados
fóra, elle e a sua geração, e arrojados para _uma_ terra que não conhecem?
29 Ó terra, [21] terra, terra! ouve a palavra do Senhor.
30 Assim diz o Senhor: Escrevei _que_ este homem está [ZQ] roubado de
filhos, homem _que_ não prosperará nos seus dias; porque não prosperará
algum da sua geração, [22] que se assentar no throno de David, e que
reinar mais em Judah.
[1] cap. 17.20.
[2] cap. 21.12.
[3] cap. 17.25.
[4] Heb. 6.13, 17.
[5] Isa. 37.24. cap. 21.14.
[6] Deu. 29.24, 25. I Reis 9.8, 9.
[7] II Reis 22.17. II Chr. 34.25.
[8] II Reis 22.20. ver. 11.
[9] I Chr. 3.15. II Reis 23.30. II Reis 23.34.
[10] Miq. 3.10. Hab. 2.9. Thi. 5.4.
[11] Eze. 19.6.
[12] I Reis 13.30.
[13] cap. 36.30.
[14] cap. 3.25 e 7.23, etc.
[15] cap. 23.1. ver. 20.
[16] cap. 6.24.
[17] II Reis 24.6, 8. I Chr. 3.16. cap. 37.1.
[18] cap. 34.20.
[19] II Reis 24.15. II Chr. 36.10.
[20] cap. 48.38. Ose. 8.8.
[21] Deu. 32.1. Isa. 1.2 e 34.1. Miq. 1.2.
[22] cap. 36.30.
23 Ai [1] dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do meu pasto,
diz o Senhor.
2 Portanto assim diz o Senhor, o Deus d’Israel, ácerca dos pastores
que apascentam o meu povo: Vós dispersastes as minhas ovelhas, e as
afugentastes, e não as visitastes: [2] eis que visitarei sobre vós a
maldade das vossas acções, diz o Senhor.
3 E eu mesmo recolherei [3] o resto das minhas ovelhas, de todas as
terras para onde as tiver afugentado, e as farei voltar aos seus curraes;
e fructificarão, e se multiplicarão.
4 E levantarei sobre ellas [4] pastores que as apascentem, e nunca mais
temerão, nem se assombrarão, nem faltarão, diz o Senhor.
_O Renovo de David._
5 Eis que [5] veem dias, diz o Senhor, em que levantarei a David um
Renovo justo; e, _sendo_ rei, reinará, e prosperará, e praticará o juizo
e a justiça na terra.
6 Nos seus dias Judah será salvo, e Israel habitará seguro: e este será o
seu nome, com que o nomearão: [6] O SENHOR JUSTIÇA NOSSA.
7 Portanto, eis que veem dias, diz o Senhor, e nunca mais dirão: Vive o
Senhor, que fez subir os filhos d’Israel da terra do Egypto;
8 Mas: Vive o Senhor, que fez subir, e que trouxe a geração da casa de
Israel da terra do norte, [7] e de todas as terras para onde os tinha
arrojado; e habitarão na sua terra.
_Contra os falsos prophetas._
9 Quanto aos prophetas, _já_ o meu coração _está_ quebrantado dentro de
mim mesmo, [8] todos os meus ossos tremem; sou como um homem bebado, e
como um homem vencido de vinho, por causa do Senhor, e por causa das
palavras da sua sanctidade.
10 Porque a terra [9] está cheia de adulteros, e a terra chora por causa
da maldição: os pastos do deserto se seccam; porque a sua carreira _é_
má, e a sua força não _é_ recta.
11 Porque [10] o propheta, assim como o sacerdote, _estão_ contaminados;
até na minha casa achei a sua maldade, diz o Senhor.
12 Portanto [11] o seu caminho lhes será como _uns_ escorregadouros na
escuridão: serão repuxados, e cairão n’elle; [12] porque trarei sobre
elles mal _no_ anno da sua visitação, diz o Senhor.
13 Nos prophetas de Samaria bem vi eu loucura: [13] prophetizavam da
parte de Baal, e faziam errar o meu povo Israel.
14 Mas nos prophetas de Jerusalem vejo uma coisa horrenda: [14] commettem
adulterios, e andam com falsidade, e esforçam as mãos dos malfeitores,
para que não se convertam da sua maldade; [15] teem-se tornado para mim
como Sodoma, e os seus moradores como Gomorrah.
15 Portanto assim diz o Senhor dos Exercitos ácerca dos prophetas: Eis
que lhes darei a comer alosna, [16] e os farei beber aguas de fel; porque
dos prophetas de Jerusalem saiu a contaminação sobre toda a terra.
16 Assim diz o Senhor dos Exercitos: Não deis ouvidos ás palavras dos
prophetas, que vos prophetizam; fazem-vos esvaecer: [17] fallam a visão
do seu coração, não da bocca do Senhor.
17 Dizem continuamente aos que me desprezam: O Senhor disse: [18] Paz
tereis; e a qualquer que anda segundo o proposito do seu coração, dizem:
[19] Não virá mal sobre vós.
18 Porque, [20] quem esteve no conselho do Senhor, e viu, e ouviu a sua
palavra? quem esteve attento á sua palavra, e ouviu?
19 Eis que saiu com [21] indignação a tempestade do Senhor; e _uma_
tempestade penosa cairá cruelmente sobre a cabeça dos impios.
20 Não se desviará a [22] ira do Senhor, até que execute e cumpra os
pensamentos do seu coração: [23] no fim dos dias entendereis isso
claramente.
21 Não mandei [24] os prophetas, comtudo elles foram correndo: não lhes
fallei a elles, comtudo elles prophetizaram.
22 Porém, [25] se estivessem no meu conselho, então fariam ouvir as
minhas palavras ao meu povo, [26] e os fariam voltar do seu mau caminho,
e da maldade das suas acções.
23 _Porventura sou_ eu Deus de perto, diz o Senhor, e não _tambem_ Deus
de longe?
24 Esconder-se-hia [27] alguem em esconderijos, que eu não o veja? diz o
Senhor; _porventura_ não encho eu os céus e a terra? diz o Senhor.
25 Tenho ouvido o que dizem aquelles prophetas, prophetizando mentiras em
meu nome, dizendo: Sonhei, sonhei.
26 Até quando _será isto_? ha pois _ainda sonho_ no coração dos prophetas
que prophetizam mentiras? _são_, porém, prophetas do engano do seu
coração;
27 Que cuidam que farão que o meu povo se esqueça do meu nome pelos seus
sonhos que cada um conta ao seu companheiro, [28] assim como seus paes se
esqueceram do meu nome por causa de Baal.
28 O propheta que tem _um_ sonho conte o sonho; e aquelle em quem _está_
a minha palavra, falle a minha palavra _com_ verdade. Que tem a palha com
o trigo? diz o Senhor.
29 _Porventura_ a minha palavra não _é_ como o fogo, diz o Senhor, e como
um martello _que_ esmiuça a penha?
30 Portanto, [29] eis que eu _sou_ contra os prophetas, diz o Senhor, que
furtam as minhas palavras, cada um ao seu companheiro.
31 Eis que eu _sou_ contra os prophetas, diz o Senhor, que usam de sua
lingua, e dizem: _Assim_ o disse.
32 Eis que eu _sou_ contra os que prophetizam sonhos falsos, diz o
Senhor, e os contam, [30] e fazem errar o meu povo com as suas mentiras
e com as suas leviandades; e eu não os enviei, nem lhes dei ordem; e não
fizeram proveito nenhum a este povo, diz o Senhor.
33 Quando pois te perguntar este povo, ou qualquer propheta, ou
sacerdote, [31] dizendo: Qual _é_ a carga do Senhor? Então lhe dirás: Que
carga? Que vos deixarei, diz o Senhor.
34 E, quanto ao propheta, e ao sacerdote, e ao povo, que disser, Carga do
Senhor, eu castigarei o tal homem e a sua casa.
35 Assim direis, cada um ao seu companheiro, e cada um ao seu irmão: Que
respondeu o Senhor? e que fallou o Senhor?
36 Mas nunca mais vos lembrareis da carga do Senhor; porque a cada um lhe
servirá de carga a sua _propria_ palavra; pois torceis as palavras do
Deus vivo, do Senhor dos Exercitos, o nosso Deus.
37 Assim dirás ao propheta: Que te respondeu o Senhor, e que fallou o
Senhor?
38 Mas, porquanto dizeis: Carga do Senhor; portanto assim o diz o Senhor:
Porquanto dizeis esta palavra: Carga do Senhor, havendo-vos ordenado,
dizendo: Não direis: Carga do Senhor;
39 Por isso, [32] eis que tambem eu me esquecerei totalmente de vós, e a
vós, e á cidade que vos dei a vós e a vossos paes, arrancarei da minha
face.
40 E porei sobre vós [33] perpetuo opprobrio, e eterna vergonha, que não
será esquecida.
[1] cap. 10 e 22.22. Eze. 34.
[2] Exo. 32.34.
[3] cap. 32.37. Eze. 34.13, etc.
[4] cap. 3.15. Eze. 34.23, etc.
[5] Isa. 4.2 e 40.10, 11. cap. 33.14, 15, 16.
[6] cap. 32.37. cap. 33.16.
[7] Isa. 43.5, 9. ver. 3.
[8] Hab. 3.16.
[9] cap. 9.2. Ose. 4.2, 3. cap. 9.10 e 12.4.
[10] cap. 6.13 e 8.10. Sof. 3.4. cap. 7.30 e 11.15 e 32.34. Eze. 23.39.
[11] Pro. 4.19. cap. 13.16.
[12] cap. 11.23.
[13] cap. 2.8.
[14] cap. 29.23. ver. 26.
[15] Deu. 32.32. Isa. 1.9, 10.
[16] cap. 8.14 e 9.15.
[17] cap. 14.14. ver. 21.
[18] cap. 6.14 e 8.11. Eze. 13.10.
[19] Miq. 3.11.
[20] Job 15.8. I Cor. 2.16.
[21] cap. 25.32 e 30.23.
[22] cap. 30.24.
[23] Gen. 49.1.
[24] cap. 14.14 e 27.15 e 29.9.
[25] ver. 18.
[26] cap. 25.5.
[27] Amós 9.2, 3.
[28] Jui. 3.7 e 8.33, 34.
[29] Deu. 18.20. cap. 14.14, 15.
[30] Sof. 3.4.
[31] Mal. 1.1.
[32] Ose. 4.6.
[33] cap. 20.11.
_Mediante dois cestos de figos, o futuro do povo é revelado._
[Antes de Christo 606]
24 Fez-me o Senhor [1] ver, e eis aqui dois cestos de figos, postos
diante do templo do Senhor, [2] depois que Nabucodonosor, rei de
Babylonia, levou em captiveiro a Jechonias, filho de Joaquim, rei de
Judah, e os principes de Judah, e os carpinteiros, e os ferreiros de
Jerusalem, e os trouxe a Babylonia.
2 Um cesto _tinha_ figos muito bons, como os figos temporãos; porém o
outro cesto _tinha_ figos muito maus, que não se podiam comer, de maus
_que eram_.
3 E disse-me o Senhor: Que vês tu, Jeremias? _E_ eu disse: Figos: os
figos bons, muito bons, e os maus, muito maus, que não se podem comer,
de maus _que são_.
4 Então veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:
5 Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Como a estes bons figos, assim
_tambem_ conhecerei aos de Judah, levados em captiveiro; os quaes enviei
d’este logar para a terra dos chaldeos, para _o seu_ bem.
6 Porei os meus olhos [3] sobre elles, para _o seu_ bem, e os voltarei a
esta terra, e edifical-os-hei, e não os destruirei; e plantal-os-hei, e
não os arrancarei.
7 E dar-lhes-hei coração [4] para que me conheçam, porque eu _sou_ o
Senhor; e ser-me-hão por povo, e eu lhes serei por Deus; porque se
converterão a mim de todo o seu coração.
8 E como [5] os figos maus, que se não podem comer, de maus _que são_
(porque assim diz o Senhor), assim usarei com Zedekias, rei de Judah, e
com os seus principes, e com o resto de Jerusalem, que ficou de resto
n’esta terra, [6] e com os que habitam na terra do Egypto.
9 E entregal-os-hei para que sejam um terror, [7] para mal a todos os
reinos da terra, para o opprobrio e por proverbio, _e_ para escarneo, [8]
e por maldição em todos os logares para onde os arrojei.
10 E enviarei entre elles a espada, a fome, e a peste, até que se
consumam de sobre a terra que lhes dei a elles e a seus paes.
[1] Amós 7.1, 4 e 8.1.
[2] II Reis 24.12, etc. II Chr. 36.10. cap. 22.24, etc. e 29.2.
[3] cap. 12.15 e 32.41 e 33.7 e 42.10.
[4] Deu. 30.6. cap. 32.39. Eze. 11.19 e 36.26, 27. cap. 30.22 e 31.33 e
32.38. cap. 29.13.
[5] cap. 29.17.
[6] cap. 43 e 44.
[7] Deu. 28.25, 37. I Reis 9.7. I Chr. 7.20.
[8] cap. 29.18, 22.
_Os setenta annos do captiveiro, e depois a ruina de Babylonia e das
outras nações._
25 A palavra que veiu a Jeremias ácerca de todo o povo de Judah no anno
quarto [1] de Joaquim, filho de Josias, rei de Judah (que é o primeiro
anno de Nabucodonozor, rei de Babylonia),
2 A qual fallou o propheta Jeremias a todo o povo de Judah, e a todos os
habitantes de Jerusalem, dizendo:
3 Desde o [2] anno treze de Josias, filho de Ammon, rei de Judah, até
este dia (que é o anno vinte e tres), veiu a mim a palavra do Senhor, [3]
e vol-a fallei a vós, madrugando e fallando; porém não escutastes.
4 Tambem vos enviou o Senhor todos os seus servos, os prophetas, [4]
madrugando e enviando-_os_ (porém não escutastes, nem inclinastes os
vossos ouvidos para ouvir),
5 Dizendo: [5] Convertei-vos agora cada um do seu mau caminho, e da
maldade das suas acções, e habitae na terra que vos deu o Senhor, e a
vossos paes, de seculo em seculo;
6 E não andeis após deuses alheios para os servirdes, e para vos
inclinardes diante d’elles, nem me provoqueis á ira com a obra de vossas
mãos, para que vos não faça mal.
7 Porém não me déstes ouvidos, diz o Senhor, [6] para me provocardes á
ira com a obra de vossas mãos, para vosso mal.
8 Portanto assim diz o Senhor dos Exercitos: Porquanto não escutastes as
minhas palavras,
9 Eis que eu enviarei, [7] e tomarei a todas as gerações do norte, diz
o Senhor, [8] como tambem a Nabucodonozor, rei de Babylonia, meu servo,
e os trarei sobre esta terra, e sobre os seus moradores, e sobre todas
estas nações em redor, e os destruirei totalmente, e pôl-os-hei em
espanto, [9] e em assobio, e em perpetuos desertos.
10 E farei perecer d’entre elles a voz de folguedo, [10] e a voz de
alegria, a voz do esposo, e a voz da esposa, _como tambem_ o som das mós,
e a luz do candieiro.
11 E toda esta terra virá a ser _um_ deserto e _um_ espanto: e estas
nações servirão ao rei de Babylonia setenta annos.
12 Será, porém, que, [11] quando se cumprirem os setenta annos, _então_
visitarei sobre o rei de Babylonia, e sobre esta nação, diz o Senhor, a
sua iniquidade, e sobre a terra dos chaldeos; [12] farei d’elles _uns_
desertos perpetuos.
13 E trarei sobre esta terra todas as minhas palavras, que fallei
contra ella, _a saber_, tudo quanto _está_ escripto n’este livro, que
prophetizou Jeremias contra todas estas nações.
14 Porque [13] tambem d’elles se servirão muitas nações e grandes reis:
assim lhes pagarei segundo os seus feitos, e segundo as obras das suas
mãos.
15 Porque assim me disse o Senhor, o Deus d’Israel: [14] Toma da minha
mão este copo do vinho do furor, e darás a beber d’elle a todas as
nações, ás quaes eu te enviarei.
16 Para que bebam [15] e tremam, e enlouqueçam, por causa da espada, que
eu enviarei entre elles.
17 E tomei o copo da mão do Senhor, e dei a beber a todas as nações, ás
quaes o Senhor me tinha enviado:
18 A Jerusalem, e ás cidades de Judah, e aos seus reis, e aos seus
principes, para fazer d’elles um deserto, [16] um espanto, um assobio, e
uma maldição, como hoje _se vê_:
19 _Como tambem_ a Pharaó, [17] rei do Egypto, e a seus servos, e a seus
principes, e a todo o seu povo;
20 E a [18] toda a mistura de gente, e a todos os reis da terra de Uz,
e a todos os reis da terra dos philisteos, e a Asquelon, e a Gaza, e a
Ecron, e ao resto de Asdod,
21 _E_ [19] a Edom, e a Moab, e aos filhos d’Ammon;
22 E a todos os reis de [20] Tyro, e a todos os reis de Sidon; e aos reis
das ilhas que _estão_ d’alem do mar;
23 A Dedan, [21] e a Tema, e a Buz e a todos os que habitam nos ultimos
[ZR] cantos _da terra_;
24 E a todos [22] os reis da Arabia, e todos os reis da mistura de gentes
que habita no deserto;
25 E a todos os reis de Zimri, e a todos os reis d’Elam, [23] e a todos
os reis da Media:
26 E a todos os reis do norte, os de perto, e os de longe, um com outro,
e a todos os reinos da terra, [24] que estão sobre a face da terra, e o
rei de Sheshach beberá depois d’elles.
27 Pois lhes dirás: Assim diz o Senhor dos Exercitos, o Deus d’Israel:
Bebei, [25] e embebedae-vos, e vomitae, e cahi, e não torneis a
levantar-vos, por causa da espada que eu enviarei entre vós.
28 E será que, se não quizerem tomar o copo da tua mão para beber, então
lhes dirás: Assim diz o Senhor dos Exercitos: Certamente bebereis.
29 Porque, [26] eis que na cidade que se chama pelo meu nome começo a
castigar; e serieis vós totalmente innocentes? não sereis innocentes;
[27] porque eu chamo a espada sobre todos os moradores da terra, diz o
Senhor dos Exercitos.
30 Tu pois lhes prophetizarás todas estas palavras, e lhes dirás: O
Senhor desde o alto bramará, [28] e dará a sua voz desde a morada da sua
sanctidade: terrivelmente bramará contra a sua habitação, _e_ com grito
de alegria, como dos que pizam as uvas, contra todos os moradores da
terra.
31 Chegará o estrondo até á extremidade da terra, porque o Senhor tem
contenda com as nações, [29] entrará em juizo com toda a carne: os impios
entregará á espada, diz o Senhor.
32 Assim diz o Senhor dos Exercitos: Eis que o mal sae de nação a nação,
[30] e grande tormenta se levantará das ilhargas da terra.
33 E serão os mortos [31] do Senhor, n’aquelle dia, [32] desde uma
extremidade da terra até á _outra_ extremidade da terra: não serão
pranteados, nem recolhidos, nem sepultados; _mas_ estarão por esterco
sobre a face da terra.
34 Uivae, [33] pastores, e clamae, e rebolae-vos _na cinza_, [ZS]
honrados do rebanho, porque _já_ se cumpriram os vossos dias para _vos_
matar, e eu vos quebrantarei, e vós então caireis como _um_ vaso precioso.
35 E não _haverá_ fugida para os pastores, nem salvamento para os
honrados do rebanho.
36 Voz de grito dos pastores, e uivo dos honrados do rebanho; porque o
Senhor destruiu o pasto d’elles.
37 Porque as suas malhadas pacificas serão desarraigadas, por causa do
furor da ira do Senhor.
38 Desamparou a sua cabana, como o filho de leão; porque a sua terra foi
_posta_ em assolação, por causa do furor do oppressor, e por causa do
furor da sua ira.
[1] cap. 36.1.
[2] cap. 1.2.
[3] cap. 7.13 e 11.7, 8, 10 e 13.10, 11 e 16.12.
[4] cap. 7.13, 25 e 26.5 e 29.19.
[5] II Reis 17.12. cap. 18.11 e 35.15. Jon. 3.8.
[6] Deu. 32.21. cap. 7.19 e 32.30.
[7] cap. 1.15.
[8] cap. 27.6 e 43.10.
[9] cap. 18.16.
[10] Isa. 24.7. cap. 7.34 e 16.9. Eze. 26.13. Ose. 2.11. Apo. 18.23.
[11] II Chr. 36.21, 22. cap. 29.10. Dan. 9.2.
[12] Isa. 13.19 e 14.23 e 21.1, etc. e 47.1. cap. 50.3, 13, 23, 39, 40,
45 e 51.25, 26.
[13] cap. 50.9 e 51.27, 28. cap. 50.41 e 51.27. cap. 50.29 e 51.6, 24.
[14] Job 21.20. Isa. 51.17. Apo. 14.10.
[15] cap. 51.7. Eze. 23.34. Nah. 3.11.
[16] ver. 9, 11. cap. 24.9.
[17] cap. 46.2, 25.
[18] ver. 24. cap. 47.1, 5, 7.
[19] cap. 49.7, etc. cap. 48.1 e 49.1.
[20] cap. 47.4 e 49.23.
[21] cap. 49.8.
[22] II Chr. 9.14. ver. 20. cap. 49.31.
[23] cap. 49.34.
[24] cap. 51.41.
[25] Hab. 2.16. Isa. 51.21 e 63.6.
[26] Pro. 11.31. cap. 49.12. Eze. 9.6. Abd. 16. I Ped. 4.17.
[27] Eze. 38.21.
[28] Isa. 42.13. Joel 3.16. Amós 1.2.
[29] Ose. 4.1. Miq. 6.2. Isa. 66.16. Joel 3.2.
[30] cap. 23.19 e 30.23.
[31] Isa. 66.16.
[32] cap. 16.4, 6. Apo. 11.9.
[33] cap. 4.8 e 6.26.
_Jeremias prediz a ruina do templo e de Jerusalem; e corre perigo de
morte._
[Antes de Christo 609]
26 No principio do reinado de Joaquim, filho de Josias, rei de Judah,
veiu esta palavra do Senhor, dizendo:
2 Assim diz o Senhor: [1] Põe-te no atrio da casa do Senhor e falla a
todas as cidades de Judah, que veem a adorar na casa do Senhor, todas as
palavras que te mandei que lhes fallasses; [2] palavra _nenhuma_ deixes:
3 Bem pode ser [3] que ouçam, e se convertam cada um do seu mau caminho,
[4] e eu me arrependa do mal que intento fazer-lhes por causa da maldade
das suas acções.
4 Dize-lhes pois: Assim diz o Senhor: [5] Se-não me derdes ouvidos para
andardes na minha lei, a qual tenho posto diante de vós,
5 Para que ouvisseis as palavras dos meus servos, [6] os prophetas, que
eu vos envio, madrugando e enviando, mas não ouvistes;
6 Então farei que esta casa [7] _seja_ como Silo, e farei d’esta cidade
uma maldição para todas as nações da terra.
7 E ouviram os sacerdotes, e os prophetas, e todo o povo, a Jeremias,
fallando estas palavras na casa do Senhor.
8 E succedeu que, acabando Jeremias de dizer tudo quanto o Senhor lhe
havia ordenado que dissesse a todo o povo, pegaram n’elle os sacerdotes,
e os prophetas, e todo o povo, dizendo: Certamente morrerás,
9 Porque prophetizaste no nome do Senhor, dizendo: Como Silo será esta
casa, e esta cidade será assolada, de sorte que não _haja_ morador
_n’ella_. E ajuntou-se todo o povo contra Jeremias, na casa do Senhor.
10 E, ouvindo os principes de Judah estas palavras, subiram da casa do
rei á casa do Senhor, e se assentaram á entrada da porta nova do Senhor.
11 Então fallaram os sacerdotes e os prophetas aos principes e a todo o
povo, dizendo: [8] Este homem _é_ réu de morte, porque prophetizou contra
esta cidade, como o ouvistes com os vossos ouvidos.
12 E fallou Jeremias a todos os principes e todo o povo, dizendo: O
Senhor me enviou a prophetizar contra esta casa, e contra esta cidade,
todas as palavras que ouvistes.
13 Agora, pois, [9] melhorae os vossos caminhos e as vossas acções, e
ouvi a voz do Senhor vosso Deus, [10] e arrepender-se-ha o Senhor do mal
que fallou contra vós.
14 Eu, porém, [11] eis que estou nas vossas mãos, fazei de mim conforme o
que fôr bom _e_ recto aos vossos olhos.
15 Porém sabei por certo que, se me matardes a mim, trareis sangue
innocente sobre vós, e sobre esta cidade, e sobre os seus habitantes:
porque, na verdade, o Senhor me enviou a vós, a fallar aos vossos ouvidos
todas estas palavras.
16 Então disseram os principes, e todo o povo, aos sacerdotes e aos
prophetas: Não _é_ este homem réu de morte, porque em nome do Senhor,
nosso Deus, nos fallou.
17 Tambem [12] se levantaram _alguns_ homens d’entre os anciãos da terra,
e fallaram a toda a congregação do povo, dizendo:
18 Micaias, [13] o morashita, prophetizou nos dias de Ezequias, rei de
Judah, e fallou a todo o povo de Judah, dizendo: Assim disse o Senhor dos
exercitos: [14] Sião será lavrada _como um_ campo, e Jerusalem _será_
montões _de pedras_, e o monte d’esta casa altos de matto.
19 _Porventura_ logo o mataram, Ezequias, rei de Judah, e todo o Judah?
[15] _Porventura_ não temeu ao Senhor, e o não supplicou á face do
Senhor? e o Senhor se arrependeu do mal que fallara contra elles: [16] e
nós fazemos _um_ grande mal contra as nossas almas.
20 Tambem houve um homem que prophetizava em nome do Senhor, _a saber_:
Urias, filho de Semaia, de Kiriath-jearim, o qual prophetizou contra esta
cidade, e contra esta terra, conforme todas as palavras de Jeremias.
21 E, ouvindo o rei Joaquim, e todos os seus valentes, e todos os
principes, as suas palavras, procurou o rei matal-o; o que ouvindo Urias,
temeu, e fugiu, e foi para o Egypto;
22 Porém o rei Joaquim enviou uns homens ao Egypto, _a saber_, Elnathan,
filho de Achbor, e _outros_ homens com elle ao Egypto,
23 Os quaes tiraram a Urias do Egypto, e o trouxeram ao rei Joaquim, que
o feriu á espada, e lançou o seu cadaver nas sepulturas dos filhos do
povo.
24 A mão [17] pois de Ahicam, filho de Saphan, foi com Jeremias, para que
o não entregassem na mão do povo, para o matar.
[1] cap. 19.14.
[2] Eze. 3.10. Act. 20.27.
[3] cap. 36.3.
[4] cap. 18.8. Jon. 3.8, 9.
[5] Lev. 26.14, etc. Deu. 28.15.
[6] cap. 7.13, 25 e 11.7 e 25.3, 4.
[7] cap. 12.14 e 24.9.
[8] cap. 38.4.
[9] cap. 7.3.
[10] ver. 3, 19.
[11] cap. 38.5.
[12] Act. 5.34, etc.
[13] Miq. 1.1.
[14] Miq. 3.12.
[15] II Chr. 32.26.
[16] Act. 5.39.
[17] II Reis 22.12, 14. cap. 39.14.
_Jeremias aconselha submissão ao rei de Babylonia._
[Antes de Christo 598]
27 No principio do reinado de Joaquim, [1] filho de Josias, rei de Judah,
veiu esta palavra a Jeremias da parte do Senhor, dizendo:
2 Assim me disse o Senhor: Faze umas prisões e jugos, [2] e pôl-os-has
sobre o teu pescoço.
3 E envia-os ao rei de Edom, e ao rei de Moab, e ao rei dos filhos de
Ammon, e ao rei de Tyro, e ao rei de Sidon, pela mão dos mensageiros que
veem a Jerusalem _a ter_ com Zedekias, rei de Judah.
4 E lhes darás ordens, que digam aos seus senhores: Assim diz o Senhor
dos Exercitos, o Deus d’Israel: Assim direis a vossos senhores:
5 Eu fiz a terra, [3] o homem, e os animaes que _estão_ sobre a face da
terra, pela minha grande potencia, e com o meu braço estendido, e a dou
áquelle que me agrada nos meus olhos.
6 E [4] agora eu _já_ dei todas estas terras na mão de Nabucodonozor, rei
de Babylonia, meu servo: e ainda até os animaes do campo lhe dei, para
que o sirvam.
7 E todas [5] as nações o servirão a elle, e a seu filho, e ao filho
de seu filho, até que tambem venha o tempo da sua propria terra: então
muitas nações e grandes reis se servirão d’elle.
8 E será _que_ a nação e o reino que o não servirem, _a saber_, a
Nabucodonozor, rei de Babylonia, e que não pozerem o seu pescoço debaixo
do jugo do rei de Babylonia, com espada, e com fome, e com peste
visitarei a tal nação, diz o Senhor, até que a consuma pela sua mão.
9 E vós não deis ouvidos aos vossos prophetas, e aos vossos adivinhos, e
aos vossos sonhos, e aos vossos agoureiros, e aos vossos encantadores,
que vos fallam, dizendo: Não servireis ao rei de Babylonia.
10 Porque mentiras [6] vos prophetizam, para vos mandarem para longe da
vossa terra, e eu vos lance _d’ella_, e vós pereçaes.
11 Porém a nação que metter o seu pescoço sob o jugo do rei de Babylonia,
e o servir, eu a deixarei na sua terra, diz o Senhor, e lavral-a-ha e
habitará n’ella.
12 E [7] fallei com Zedekias, rei de Judah, conforme todas estas
palavras, dizendo: Mettei os vossos pescoços no jugo do rei de Babylonia,
e servi-o, a elle e ao seu povo, e vivereis.
13 Porque [8] morrerias tu e o teu povo, á espada, e á fome, e de peste,
como o Senhor _já_ disse da gente que não servir ao rei de Babylonia?
14 E não deis ouvidos ás palavras dos prophetas, que vos fallam, dizendo:
Não servireis ao rei de Babylonia: [9] porque vos prophetizam mentiras.
15 Porque não os enviei, diz o Senhor, e prophetizam no meu nome
falsamente, para que eu vos lance fóra, e pereçaes, vós e os prophetas
que vos prophetizam.
16 Tambem fallei aos sacerdotes, e a todo este povo, dizendo: Assim diz
o Senhor: [10] Não deis ouvidos ás palavras dos vossos prophetas, que
vos prophetizam, dizendo: Eis que os vasos da casa do Senhor agora cedo
voltarão de Babylonia, porque vos prophetizam mentiras.
17 Não lhes deis ouvidos, servi ao rei de Babylonia, e vivereis: porque
se tornaria esta cidade _em_ deserto?
18 Porém, se _são_ prophetas, e se ha palavras do Senhor com elles, orem
agora ao Senhor dos Exercitos, para que os vasos que ficaram de resto na
casa do Senhor, e na casa do rei de Judah, e em Jerusalem não venham a
Babylonia.
19 Porque assim diz o Senhor dos Exercitos ácerca [11] das columnas, e do
mar, e das bases, e do resto dos vasos que ficaram de resto na cidade,
20 Que Nabucodonozor, rei de Babylonia, não tomou, quando transportou
de Jerusalem para Babylonia a Jechonias, [12] filho de Joaquim, rei de
Judah, como tambem a todos os nobres de Jerusalem;
21 Assim pois diz o Senhor dos Exercitos, o Deus d’Israel, ácerca dos
vasos que ficaram de resto _na_ casa do Senhor, e _na_ casa do rei de
Judah, e _em_ Jerusalem:
22 A Babylonia [13] serão levados, e ali ficarão até ao dia em que os
visitarei, [14] diz o Senhor: então os farei subir, e os tornarei a
trazer a este logar.
[1] ver. 3, 12, 20. cap. 28.1.
[2] cap. 28.10, 12. Eze. 4.1 e 24.3, etc.
[3] Isa. 45.12. Dan. 4.17, 22, 32.
[4] cap. 28.14. Eze. 29.18, 20. Dan. 2.38.
[5] II Chr. 36.20. cap. 25.21.
[6] ver. 14.
[7] cap. 28.1 e 38.17.
[8] Eze. 18.31.
[9] cap. 14.14 e 29.8, 9.
[10] II Chr. 36.7, 10. cap. 28.3. Dan. 1.
[11] II Reis 25.13, etc. cap. 52.17, 20, 21.
[12] II Reis 24.14, 15. cap. 24.1.
[13] II Reis 25.13. II Chr. 36.18.
[14] cap. 29.10 e 32.5.
_A lucta de Jeremias com o falso propheta Hananias._
[Antes de Christo 596]
28 E succedeu [1] no mesmo anno, no principio do reinado de Zedekias, rei
de Judah, no anno quarto, no mez quinto, _que_ me fallou Hananias, filho
de Azur, o propheta que _era_ de Gibeon, na casa do Senhor, perante os
olhos dos sacerdotes e de todo o povo, dizendo:
2 Assim falla o Senhor dos Exercitos, o Deus d’Israel, dizendo: [2] _Eu_
quebrei o jugo do rei de Babylonia.
3 Depois [3] de passados dois annos completos, eu tornarei a trazer a
este logar todos os vasos da casa do Senhor, que d’este logar tomou
Nabucodonozor, rei de Babylonia, e os levou a Babylonia.
4 Tambem a Jechonias, filho de Joaquim, rei de Judah, e a todos os do
captiveiro de Judah, que entraram em Babylonia, eu tornarei a trazer a
este logar, diz o Senhor: porque quebrarei o jugo do rei de Babylonia.
5 Então fallou Jeremias, o propheta, a Hananias, o propheta, aos olhos
dos sacerdotes, e aos olhos de todo o povo que estava na casa do Senhor.
6 Disse pois Jeremias, [4] o propheta: Amen! assim faça o Senhor: o
Senhor confirme as tuas palavras, com que prophetizaste, que torne a
trazer os vasos da casa do Senhor, e todos os do captiveiro de Babylonia
a este logar.
7 Porém ouve agora esta palavra, que eu fallo aos teus ouvidos e aos
ouvidos de todo o povo:
8 Os prophetas que _já_ houve antes de mim e antes de ti, desde a
antiguidade, elles prophetizaram contra muitas terras, e contra grandes
reinos, ácerca de guerra, e de mal, e de peste.
9 O propheta [5] que prophetizar de paz, cumprindo-se a palavra d’aquelle
propheta, será conhecido o tal _por aquelle_ a quem o Senhor na verdade
enviou.
10 Então Hananias, o propheta, [6] tomou o jugo do pescoço do propheta
Jeremias, e o quebrou.
11 E fallou Hananias aos olhos de todo o povo, dizendo: Assim diz o
Senhor: [7] Assim quebrarei o jugo de Nabucodonozor, rei de Babylonia,
depois de passados dois annos completos, de sobre o pescoço de todas as
nações. E foi-se Jeremias, o propheta, seu caminho.
12 Mas veiu a palavra do Senhor a Jeremias, depois que Hananias, o
propheta, quebrou o jugo de sobre o pescoço de Jeremias, o propheta,
dizendo:
13 Vae, e falla a Hananias, dizendo: Assim diz o Senhor: Jugos de madeira
quebraste, mas em vez d’elles farás jugos de ferro.
14 Porque assim diz o Senhor dos Exercitos, o Deus d’Israel: [8] Jugo
de ferro puz sobre o pescoço de todas estas nações, para servirem a
Nabucodonozor, rei de Babylonia, e servil-o-hão, [9] e até os animaes do
campo lhe dei.
15 E disse Jeremias, o propheta, a Hananias, o propheta: Ouve agora,
Hananias: Não te ouviu o Senhor, [10] porém tu fizeste a este povo
confiar em mentiras.
16 Pelo que assim diz o Senhor: Eis que te lançarei de sobre a face da
terra; este anno morrerás, [11] porque fallaste rebellião contra o Senhor.
17 E morreu Hananias, o propheta, no mesmo anno, no setimo mez.
[1] cap. 27.1.
[2] cap. 27.12.
[3] cap. 27.16.
[4] II Reis 1.36.
[5] Deu. 18.22.
[6] cap. 27.2.
[7] cap. 27.7.
[8] Deu. 28.48. cap. 27.7.
[9] cap. 27.6.
[10] cap. 29.31. Eze. 13.22.
[11] Deu. 13.5. cap. 29.32.
_A carta de Jeremias aos captivos de Babylonia._
[Antes de Christo 599]
29 E estas _são_ as palavras da carta que Jeremias, o propheta, enviou
de Jerusalem, ao resto do captiveiro dos anciãos, como tambem aos
sacerdotes, e aos prophetas, e a todo o povo que Nabucodonozor havia
transportado de Jerusalem a Babylonia;
2 Depois que [1] sairam o rei Jechonias, e a rainha, e os eunuchos, e
os principes de Judah e Jerusalem, e os carpinteiros e ferreiros de
Jerusalem,
3 Pela mão de Elasa, filho de Saphan, e de Gemarias, filho de Hilkias, os
quaes enviou Zedekias, rei de Judah, a Babylonia, a Nabucodonozor, rei de
Babylonia, dizendo:
4 Assim diz o Senhor dos Exercitos, o Deus d’Israel, a todos os que foram
transportados, os quaes fiz transportar de Jerusalem para Babylonia:
5 Edificae casas [2] e habitae _n’ellas_; e plantae jardins, e comei o
seu fructo.
6 Tomae mulheres e gerae filhos e filhas, e tomae mulheres para vossos
filhos, e dae vossas filhas a maridos, e parirão filhos e filhas; e
multiplicae-vos ali, e não vos diminuaes.
7 E procurae a paz da cidade, para onde vos fiz transportar, [3] e orae
por ella ao Senhor; porque na sua paz vós tereis paz.
8 Porque assim diz o Senhor dos Exercitos, o Deus d’Israel: Não vos
enganem os vossos prophetas que _estão_ no meio de vós, [4] nem os vossos
adivinhos, nem deis ouvidos aos vossos sonhos, que vós sonhaes:
9 Porque elles [5] vos prophetizam falsamente no meu nome: não os enviei,
diz o Senhor.
10 Porque assim diz o Senhor: [6] Certamente que em se cumprindo setenta
annos em Babylonia, vos visitarei, e continuarei sobre vós a minha boa
palavra, tornando-vos a trazer a este logar.
11 Porque eu _bem_ sei os pensamentos que eu penso de vós, diz o Senhor;
pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperaes.
12 Então me invocareis, [7] e ireis, e orareis a mim, e eu vos ouvirei.
13 E buscar-me-heis, [8] e me achareis, quando me buscardes com todo o
vosso coração.
14 E serei achado de vós, diz o Senhor, e farei tornar os vossos
captivos, e congregar-vos-hei de todas as nações, e de todos os logares
para onde vos lancei, diz o Senhor, e tornarei a trazer-vos ao logar
d’onde vos transportei.
15 Porque dizeis: O Senhor nos levantou prophetas em Babylonia.
16 Porque assim diz o Senhor _ácerca_ do rei que se assenta no throno de
David; e _ácerca_ de todo o povo que habita n’esta cidade, _a saber_, de
vossos irmãos, que não sairam comvosco para o captiveiro;
17 Assim diz o Senhor dos Exercitos: [9] Eis que enviarei entre elles a
espada, a fome e a peste, e fal-os-hei como a figos podres, que não se
podem comer, de maus _que são_.
18 E perseguil-os-hei com a espada, com a fome, e com a peste; [10]
dal-os-hei para servirem de commoção a todos os reinos da terra, _como
tambem_ por maldição, e por espanto, e por assobio, e por opprobrio entre
todas as nações para onde os lançar;
19 Porquanto não deram ouvidos ás minhas palavras, diz o Senhor,
enviando-lhes eu os meus servos, [11] os prophetas, madrugando e
enviando; porém vós não escutastes, diz o Senhor.
20 Vós, pois, ouvi a palavra do Senhor, todos os do captiveiro que enviei
de Jerusalem a Babylonia.
21 Assim diz o Senhor dos Exercitos, o Deus de Israel, ácerca de Ahab,
filho de Colaias, e de Zedekias, filho de Maaseias, que vos prophetizam
falsamente no meu nome: Eis que os entregarei na mão de Nabucodonozor,
rei de Babylonia, e elle os ferirá diante dos vossos olhos.
22 E tomarão [12] d’elles uma maldição todos os transportados de Judah,
que _estão_ em Babylonia, dizendo: [13] O Senhor te faça como Zedekias, e
como Ahab, os quaes o rei de Babylonia assou no fogo;
23 Porquanto fizeram loucura em Israel, e commetteram adulterio com as
mulheres de seus companheiros, e fallaram _uma_ palavra no meu nome
falsamente, que não lhes mandei, e eu o sei e _sou_ testemunha _d’isso_,
diz o Senhor.
24 E a Shemaias, o nehelamita, fallarás, dizendo:
25 Assim diz o Senhor dos Exercitos, o Deus d’Israel, dizendo: Porquanto
tu enviaste no teu nome cartas a todo o povo que _está_ em Jerusalem,
[14] como tambem a Sofonias, filho de Maaseias, o sacerdote, e a todos os
sacerdotes, dizendo:
26 O Senhor te poz por sacerdote em logar de Joiada, o sacerdote, [15]
para que sejaes encarregados da casa do Senhor sobre todo o homem
furioso, e que prophetiza, para o lançares na prisão e no tronco.
27 Agora, pois, porque não reprehendeste a Jeremias, o anathotita, que
prophetiza vos?
28 Porque por isso nos mandou a nós _a_ Babylonia, dizendo: Ainda _o
captiveiro_ muito ha de durar; [16] edificae casas, e habitae _n’ellas_;
e plantae jardins, e comei o seu fructo.
29 E lera Sofonias, o sacerdote, esta carta aos ouvidos de Jeremias, o
propheta.
30 E veiu a palavra do Senhor a Jeremias, dizendo:
31 Manda a todos os do captiveiro, dizendo: Assim diz o Senhor ácerca de
Semaias, o nehelamita: Porquanto Semaias vos prophetizou, [17] e eu não o
enviei, e vos fez confiar em mentiras,
32 Portanto assim diz o Senhor: Eis que visitarei a Semaias, o
nehelamita, e a sua semente: elle não terá ninguem que habite entre este
povo, e não verá o bem que hei de fazer ao meu povo, diz o Senhor, [18]
porquanto fallou rebellião contra o Senhor.
[1] cap. 28.4.
[2] ver. 28.
[3] Esd. 6.10.
[4] cap. 14.14 e 27.14, 15. Eph. 5.6.
[5] ver. 31.
[6] II Chr. 36.21, 22. Esd. 1.1. cap. 25.12 e 27.22. Dan. 9.2.
[7] Dan. 9.3, etc.
[8] cap. 24.7.
[9] cap. 24.10.
[10] II Chr. 29.8. cap. 15.4 e 24.9 e 34.17.
[11] cap. 25.4 e 32.33.
[12] Gen. 48.20.
[13] Dan. 3.6.
[14] II Reis 25.18. cap. 21.1.
[15] cap. 20.1. II Reis 9.11. Act. 26.24. cap. 20.2.
[16] ver. 5.
[17] cap. 28.15.
[18] cap. 28.16.
_Deus promette trazer do captiveiro o seu povo._
30 A palavra que do Senhor veiu a Jeremias, dizendo:
2 Assim diz o Senhor, Deus de Israel, dizendo: Escreve n’um livro todas
as palavras que te tenho fallado.
3 Porque eis que dias veem, diz o Senhor, [1] em que farei tornar o
captiveiro do meu povo Israel e Judah, diz o Senhor; e tornal-os-hei a
trazer á terra que dei a seus paes, e a possuirão.
4 E estas _são_ as palavras que fallou o Senhor, ácerca de Israel e de
Judah.
5 Porque assim diz o Senhor: Ouvimos uma voz de temor: temor _ha_, porém
não paz.
6 Perguntae, pois, e olhae, se o varão pare. Porque _pois_ vejo a cada
homem _com_ as mãos sobre os lombos [2] como a que está parindo? e porque
se teem tornado todos os rostos em amarellidão?
7 Ah! [3] porque aquelle dia _é_ tão grande, que não houve outro
similhante! e é tempo de angustia para Jacob: porém será livrado d’ella.
8 Porque será n’aquelle dia, diz o Senhor dos Exercitos, _que_ eu
quebrarei o seu jugo de sobre o teu pescoço, e quebrarei as tuas
ataduras; e nunca mais se servirão d’elle os estranhos.
9 Mas servirão ao Senhor, seu Deus, [4] como tambem a David, seu rei, que
lhes levantarei.
10 Não temas [5] pois tu, servo meu Jacob, diz o Senhor, nem te espantes,
ó Israel; porque eis que te livrarei _de terras_ de longe, [6] como
tambem á tua semente da terra do seu captiveiro; e Jacob tornará, e
descançará, e ficará em socego, e não haverá quem _o_ atemorize.
11 Porque eu _sou_ comtigo, diz o Senhor, para te livrar; [7] porquanto
farei consummação de todas as nações entre as quaes te espalhei; porém de
ti não farei consummação, [8] mas castigar-te-hei com medida, e de todo
não te terei por innocente.
12 Porque assim diz o Senhor: [9] Teu quebrantamento _é_ mortal; a tua
chaga _é_ dolorosa.
13 Não _ha_ quem julgue a tua causa para ligal-a; [10] não tens remedios
que possam curar.
14 Todos [11] os teus amantes _já_ se esqueceram de ti, _e_ não perguntam
por ti; [12] porque te feri _de_ ferida de inimigo, _e de_ castigo do
cruel, [13] pela grandeza da tua maldade e multidão de teus peccados.
15 Porque gritas [14] por causa de teu quebrantamento? tua dôr _é_
mortal. Pela grandeza de tua maldade, e multidão de teus peccados, eu fiz
estas coisas.
16 Pelo que todos os que te devoram [15] serão devorados; e todos os teus
adversarios, todos irão em captiveiro; e os que te roubam serão roubados,
e a todos os que te despojam entregarei ao saque.
17 Porque [16] te restaurarei a saude, e te sararei das tuas chagas, diz
o Senhor; porquanto te chamam a engeitada. Sião é, _dizem_, _já_ não ha
quem pergunte por ella.
18 Assim diz o Senhor: [17] Eis que tornarei _a trazer_ o captiveiro
das tendas de Jacob, e apiedar-me-hei das suas moradas; e a cidade será
reedificada sobre o seu montão, e o palacio estará posto como costuma.
19 E sairá [18] d’elles o louvor e a voz de jubilo; e multiplical-os-hei,
[19] e não serão diminuidos, e glorifical-os-hei, e não serão acanhados.
20 E seus filhos [20] serão como da antiguidade, e a sua congregação será
confirmada perante o meu rosto; e farei visitação sobre todos os seus
oppressores.
21 E o seu principe será d’elles; e o seu governador sairá do meio
d’elle, e o farei approximar, e elle se chegará a mim; porque quem será
aquelle que empenhe o seu coração para se chegar a mim? diz o Senhor.
22 E ser-me-heis [21] por povo, e eu vos serei por Deus.
23 Eis que [22] a tormenta do Senhor, a sua indignação, saiu, uma
tormenta varredeira: cairá cruelmente sobre a cabeça dos impios.
24 Não voltará atraz o furor da ira do Senhor, até que tenha executado, e
até que tenha cumprido os designios do seu coração: [23] no fim dos dias
entendereis isto.
[1] ver. 18. cap. 32.44. Eze. 39.25. Amós 9.14, 15.
[2] cap. 4.31 e 6.24.
[3] Joel 2.11, 31. Amós 5.18. Sof. 1.14, etc.
[4] Isa. 55.3, 4. Eze. 34.23 e 37.24. Ose. 3.5. Luc. 1.69.
[5] Isa. 41.13 e 43.5 e 44.2. cap. 46.27, 28.
[6] cap. 3.18.
[7] Amós 9.8. cap. 4.27.
[8] cap. 10.24 e 46.28.
[9] II Chr. 36.16. cap. 15.18.
[10] cap. 8.22.
[11] Lam. 1.2.
[12] Job 13.24 e 19.11. Job 30.21.
[13] cap. 5.6.
[14] cap. 15.18.
[15] Isa. 33.1 e 41.11. cap. 10.25.
[16] cap. 33.6.
[17] ver. 3. cap. 33.7, 11.
[18] Isa. 35.10 e 51.11. cap. 31.4, 12, 13 e 33.10, 11.
[19] Zac. 10.8.
[20] Isa. 1.26.
[21] cap. 24.7 e 31.33 e 32.38. Eze. 11.20 e 36.28 e 37.27.
[22] cap. 23.19, 20 e 5.32.
[23] Gen. 49.1.
31 N’aquelle [1] tempo, diz o Senhor, serei por Deus a todas as gerações
de Israel, e ellas me serão a mim por povo.
[Antes de Christo 606]
2 Assim diz o Senhor: O povo dos que escaparam da espada achou graça no
deserto; _a saber_, Israel, quando fui leval-o a descançar.
3 Ha muito que o Senhor me appareceu, _dizendo_: [2] Porquanto _com_ amor
eterno te amei, por isso _com_ benevolencia te attrahi.
4 Ainda [3] te edificarei, e _serás_ edificada, ó virgem de Israel! ainda
serás adornada com os teus adufes, e sairás com o coro dos que dançam.
5 Ainda [4] plantarás vinhas nos montes de Samaria: os plantadores _as_
plantarão e gozarão dos fructos.
6 Porque haverá um dia _em que_ gritarão os vigias sobre o monte de
Ephraim: Levantae-vos, [5] e subamos a Sião, ao Senhor nosso Deus.
7 Porque assim diz o Senhor: [6] Cantae sobre Jacob com alegria, e
exultae por causa do Cabeça das gentes: fazei-o ouvir, cantae louvores, e
dizei: Salva, Senhor, ao teu povo, o resto de Israel.
8 Eis que os trarei da terra [7] do norte, e os congregarei das
extremidades da terra; entre os quaes haverá cegos e aleijados, gravidas
e as de parto juntamente: _com_ grande congregação voltarão para aqui.
9 Virão com [8] choro, e com supplicas os levarei; guial-os-hei aos
ribeiros de aguas, por caminho direito, no qual não tropeçarão, [9]
porque sou a Israel por pae, e Ephraim _é_ o meu primogenito.
10 Ouvi a palavra do Senhor, ó nações, e annunciae-a nas ilhas de longe,
e dizei: Aquelle que espalhou a Israel [10] o congregará e o guardará,
como o pastor o seu rebanho.
11 Porque [11] o Senhor resgatou a Jacob, e o livrou da mão do mais forte
do que elle.
12 Assim que virão, [12] e exultarão na altura de Sião, e correrão aos
bens do Senhor, ao trigo, e ao mosto, e ao azeite, e aos cordeiros e
bezerros; [13] e a sua alma será como um jardim regado, e nunca mais
andarão tristes.
13 Então a virgem se alegrará na dança, como tambem os mancebos e os
velhos juntamente; e tornarei o seu pranto em alegria, e os consolarei, e
os alegrarei na tristeza.
14 E saciarei a alma dos sacerdotes _com_ gordura, e o meu povo se
fartará dos meus bens, diz o Senhor.
15 Assim diz o Senhor: [14] Uma voz se ouviu em Rama, lamentação, choro
amargo: Rachel chora seus filhos; não quer ser consolada quanto a seus
filhos, porque _já_ não são.
16 Assim diz o Senhor: Reprime a tua voz de choro, e as lagrimas de teus
olhos: porque ha galardão para o teu trabalho, diz o Senhor, [15] pois
voltarão da terra do inimigo.
17 E ha esperanças no derradeiro fim para os teus descendentes, diz o
Senhor, porque _teus_ filhos voltarão para os seus termos.
18 Bem ouvi eu que Ephraim se queixava, _dizendo_: Castigaste-me e
fui castigado, como novilho ainda não domado: [16] converte-me, e
converter-me-hei, porque tu és o Senhor meu Deus.
19 Na verdade que, depois que me converti, tive arrependimento; e depois
que me dei a conhecer _a mim mesmo_, bati na côxa: fiquei confuso, e
tambem me envergonhei; porque levei o opprobrio da minha mocidade.
20 Não é Ephraim para mim um filho precioso? creança das minhas
delicias? porque depois que fallei contra elle, ainda me lembrei d’elle
cuidadosamente; [17] por isso se commoveram por elle as minhas entranhas:
[18] devéras me compadecerei d’elle, diz o Senhor.
21 Levanta para ti signaes, põe para ti pyramides, applica o teu coração
á vereda, ao caminho _por onde_ andaste: volta _pois_, ó virgem de
Israel, volta a estas tuas cidades.
22 Até quando andarás [19] vagabunda, ó filha rebelde; porque o Senhor
creou uma nova coisa sobre a nova terra: uma mulher cercará a um varão.
23 Assim diz o Senhor dos Exercitos, o Deus de Israel: Ainda dirão esta
palavra na terra de Judah, e nas suas cidades, quando eu tornar o seu
captiveiro: [20] O Senhor te abençõe, ó morada de justiça, ó monte de
sanctidade!
24 E n’ella habitarão Judah, [21] e todas as suas cidades juntamente;
_como tambem_ os lavradores e _os que_ estão com o rebanho.
25 Porque reguei a alma cançada, e toda a alma entristecida saciei.
26 Sobre isto despertei, e olhei, e o meu somno foi doce para mim.
27 Eis que dias veem, diz o Senhor, [22] quando semear a casa de Israel,
e a casa de Judah, com a semente de homens, e com a semente de animaes.
28 E _será_ que, [23] como velei sobre elles, para arrancar, e para
derribar, e para transtornar, e para destruir, e para affligir, [24]
assim velarei sobre elles, para edificar e para plantar, diz o Senhor.
29 N’aquelles dias [25] nunca mais dirão: Os paes comeram uvas verdes, e
os dentes dos filhos se embotaram.
30 Mas [26] cada um morrerá pela sua iniquidade: de todo o homem que
comer as uvas verdes os dentes se embotarão.
31 Eis que dias [27] veem, diz o Senhor, em que farei um concerto novo
com a casa de Israel e com a casa de Judah.
32 Não conforme o concerto que fiz com seus paes, [28] no dia em que
os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egypto; porque elles
invalidaram o meu concerto, ainda que me desposei com elles, diz o Senhor.
33 Mas [29] este _é_ o concerto que farei com a casa de Israel depois
d’aquelles dias, diz o Senhor: [30] Porei a minha lei no seu interior, e
a escreverei no seu coração; e lhes serei a elles por Deus e elles me
serão a mim por povo.
34 E não ensinará alguem mais a seu proximo, nem alguem a seu irmão,
dizendo: [31] Conhecei ao Senhor: porque todos me conhecerão, desde o
mais pequeno d’elles até ao maior d’elles, diz o Senhor: [32] porque lhes
perdoarei a sua maldade, e nunca mais me lembrarei dos seus peccados.
35 Assim diz o Senhor, [33] que dá o sol para luz do dia, _e_ as
ordenanças da lua e das estrellas para luz da noite, [34] que fende o
mar, e as suas ondas bramem; o Senhor dos Exercitos _é_ o seu nome.
36 Se se desviarem [35] estas ordenanças de diante de mim, diz o Senhor,
cessará tambem a semente de Israel de ser uma nação diante de mim todos
os dias.
37 Assim disse o Senhor: [36] Se poderem ser medidos os céus para cima, e
sondarem-se os fundamentos da terra para baixo, tambem eu rejeitarei toda
a semente de Israel, por tudo quanto fizeram, diz o Senhor.
38 Eis que dias veem, diz o Senhor, em que esta cidade será reedificada
para o Senhor, desde a torre de Hanameel até á porta da esquina.
39 E o nivel de medir [37] sairá tambem adiante, defronte d’elle, até ao
outeiro de Gareb, e virar-se-ha para Goah.
40 E todo o valle dos cadaveres e da cinza, e todos os campos até ao
ribeiro de Cedron, [38] até á esquina da porta dos cavallos para o
oriente, _serão_ consagrados ao Senhor; não se arrancará nem se derribará
mais eternamente.
[1] cap. 30.22.
[2] Mal. 1.2. Rom. 11.28, 29. Ose. 11.4.
[3] Jui. 11.34.
[4] Isa. 65.21. Amós 9.14.
[5] Isa. 2.3. Miq. 4.2.
[6] Isa. 12.5, 6.
[7] cap. 3.12, 18 e 23.8.
[8] cap. 50.4. Isa. 35.8 e 43.19.
[9] Exo. 4.22.
[10] Isa. 40.11. Eze. 34.22, 13, 14.
[11] Isa. 44.23 e 48.20. Isa. 49.24, 25.
[12] Eze. 17.23 e 20.40. Ose. 3.5.
[13] Isa. 58.11. Isa. 35.10 e 65.19. Apo. 21.4.
[14] Mat. 2.17, 18.
[15] Ose. 1.11.
[16] Lam. 5.21.
[17] Isa. 63.15.
[18] Ose. 14.4.
[19] cap. 3.6, 8, 11, 12, 14, 22.
[20] Isa. 1.26. Zac. 8.3.
[21] cap. 33.12, 13.
[22] Eze. 36.9, 10, 11. Ose. 2.23. Zac. 10.9.
[23] cap. 44.27. cap. 1.10 e 18.7.
[24] cap. 24.6.
[25] Eze. 18.2, 3.
[26] Gal. 6.5, 7.
[27] Heb. 8.8, 12 e 10.16, 17.
[28] Deu. 1.31.
[29] cap. 32.40.
[30] Eze. 11.19, 20 e 36.26, 27. II Cor. 3.3.
[31] Isa. 54.13. João 6.45. I Cor. 2.10.
[32] cap. 33.8 e 50.20. Miq. 7.18. Act. 10.43 e 13.39. Rom. 11.27.
[33] Gen. 1.16.
[34] Isa. 51.15. cap. 10.16 e 33.20.
[35] cap. 33.22.
[36] Neh. 3.1. Zac. 14.10.
[37] Zac. 2.1.
[38] II Chr. 23.15. Neh. 3.28.
_A promessa e o signal da restauração de Israel e de bençãos espirituaes._
[Antes de Christo 590]
32 A palavra que veiu a Jeremias da parte do Senhor, [1] no anno decimo
de Zedekias, rei de Judah; este anno foi o anno dezoito de Nabucodonozor.
2 (Cercava, porém, então o exercito do rei de Babylonia a Jerusalem; [2]
e Jeremias, o propheta, estava encerrado no pateo da guarda que estava
_na_ casa do rei de Judah;
3 Porque Zedekias, rei de Judah, o tinha encerrado, dizendo: Porque
prophetizas tu, dizendo: Assim diz o Senhor: [3] Eis que entrego esta
cidade na mão do rei de Babylonia, e elle a tomará;
4 E Zedekias, rei de Judah, [4] não escapará das mãos dos chaldeos; mas
certamente será entregue na mão do rei de Babylonia, e com elle fallará
bocca a bocca, e os seus olhos verão os d’elle;
5 E levará Zedekias para Babylonia, e ali estará, [5] até que eu visite,
diz o Senhor, _e_, ainda que pelejeis contra os chaldeos, não ganhareis?)
6 Disse pois Jeremias: Veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:
7 Eis que Hanameel, filho de Sallum, teu tio, virá a ti, dizendo: Compra
para ti a minha herdade que _está_ em Anathot, [6] pois tens o direito de
resgate para compral-a.
8 Veiu pois a mim Hanameel, filho de meu tio, segundo a palavra do
Senhor, ao pateo da guarda, e me disse: Compra agora a minha herdade que
_está_ em Anathot, que _está_ na terra de Benjamin; porque tens o direito
hereditario, e tens o resgate; compra-a para ti. Então entendi que _isto_
era a palavra do Senhor.
9 Comprei pois a herdade de Hanameel, filho de meu tio, a qual _está_ em
Anathot; [7] e pesei-lhe o dinheiro, dezesete siclos de prata.
10 E subscrevi o auto, e sellei-o, e _o_ fiz testificar por testemunhas:
e pesei-lhe o dinheiro n’uma balança.
11 E tomei o auto da compra, tanto o sellado, _conforme_ o mandado e os
estatutos, como o aberto.
12 E dei o auto da compra a Baruch, [8] filho de Nerias, filho de
Maaseias, perante os olhos de Hanameel, _filho_ de meu tio, [9] e perante
os olhos das testemunhas, que subscreveram o conhecimento da compra, _e_
perante os olhos de todos os judeos que se assentavam no pateo da guarda.
13 E dei ordem a Baruch, perante os olhos d’elles, dizendo:
14 Assim diz o Senhor dos Exercitos, o Deus de Israel: Toma estes autos,
este auto de compra, tanto o sellado, como o aberto, e mette-os n’um vaso
de barro, para que se possam conservar muitos dias,
15 Porque assim diz o Senhor dos Exercitos, o Deus de Israel: [10] Ainda
se comprarão casas, e campos, e vinhas n’esta terra.
16 E depois que dei o auto da compra a Baruch, filho de Nerias, orei ao
Senhor, dizendo:
17 Ah SENHOR JEHOVAH! [11] eis que tu fizeste os céus e a terra com a tua
grande potencia, e com o teu braço estendido: [12] não te é maravilhosa
coisa alguma:
18 Que usas [13] de benignidade com milhares, e rendes a maldade dos paes
no seio dos filhos depois d’elles: o grande, [14] o poderoso Deus cujo
nome _é_ o Senhor dos Exercitos:
19 Grande [15] em conselho, e magnifico em feito; porque os teus olhos
_estão_ abertos sobre todos os caminhos dos filhos dos homens, [16] para
dar a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fructo das suas obras:
20 Que pozeste signaes e maravilhas na terra do Egypto até ao dia de
hoje, tanto em Israel, como entre os _outros_ homens, e te fizeste _um_
nome, [17] qual _tu tens_ n’este dia.
21 E tiraste [18] o teu povo Israel da terra do Egypto, com signaes e com
maravilhas, e com mão forte, e com braço estendido, e com grande espanto,
22 E lhes déste esta terra, [19] que juraste a seus paes que lhes havias
de dar: terra que mana leite e mel.
23 E entraram _n’ella_, e a possuiram, [20] porém não obedeceram á tua
voz, nem andaram na tua lei; tudo o que lhes mandaste que fizessem, elles
não o fizeram; pelo que fizeste que lhes succedesse todo este mal.
24 Eis aqui os vallados! _já_ vieram contra a cidade para tomal-a, [21]
e a cidade está dada na mão dos chaldeos, que pelejam contra ella, por
causa da espada, e da fome, e da pestilencia; e o que fallaste se fez, e
eis aqui _o_ estás presenciando.
25 Comtudo tu me disseste, Senhor JEHOVAH: Compra para ti o campo por
dinheiro, e faze que _o_ testifiquem testemunhas, [22] posto que a cidade
esteja _já_ dada na mão dos chaldeos.
26 Então veiu a palavra do Senhor a Jeremias, dizendo:
27 Eis que eu _sou_ o Senhor [23] Deus de toda a carne: _porventura_
ser-me-hia coisa alguma maravilhosa?
28 Portanto assim diz o Senhor: [24] Eis que eu entrego esta cidade
na mão dos chaldeos, e na mão de Nabucodonozor, rei de Babylonia, e
tomal-a-ha.
29 E os chaldeos, que pelejam contra esta cidade, entrarão _n’ella_,
porão fogo a esta cidade, [25] e queimarão _juntamente_ as casas sobre
cujos terraços queimarão incenso a Baal e offerecerão libações a outros
deuses, para me provocarem á ira.
30 Porque os filhos de Israel e os filhos de Judah não [26] fizeram senão
mal aos meus olhos, desde a sua mocidade; porque os filhos de Israel
sómente me provocaram á ira com as obras das suas mãos, diz o Senhor.
31 Porque para a minha ira e para o meu furor me foi esta cidade, desde o
dia em que a edificaram, e até _ao dia de_ hoje, [27] para que a tirasse
da minha face;
32 Por toda a maldade dos filhos de Israel, e dos filhos de Judah, que
fizeram, para me provocarem á ira, _assim_ elle _como_ os seus reis, [28]
os seus principes, os seus sacerdotes, e os seus prophetas, como tambem
os homens de Judah e os moradores de Jerusalem.
33 E me viraram as costas, e não o rosto: ainda que eu os ensinava,
madrugando e ensinando-_os_, comtudo elles não ouviram, para receberem o
ensino.
34 Antes pozeram [29] as suas abominações na casa que se chama pelo meu
nome, para a profanarem.
35 E edificaram os altos de Baal, que _estão_ no valle do filho de
Hinnom, [30] para fazerem que seus filhos e suas filhas passassem _pelo
fogo_ a Moloch; o que nunca lhes ordenei, nem subiu ao meu coração, que
fizessem tal abominação; para fazerem peccar a Judah.
36 E por isso agora assim diz o Senhor o Deus de Israel, ácerca d’esta
cidade, da qual vós dizeis: [31] _Já_ está dada na mão do rei de
Babylonia, á espada, e á fome, e á pestilencia:
37 Eis que eu [32] os congregarei de todas as terras, para onde os houver
lançado na minha ira, e no meu furor, e na _minha_ grande indignação;
e os tornarei a trazer a este logar, [33] e farei que habitem n’elle
seguramente.
38 E me serão [34] por povo, e eu lhes serei por Deus.
39 E lhes darei um _mesmo_ [35] coração, e um _mesmo_ caminho, para que
me temam todos os dias, para seu bem, e de seus filhos, depois d’elles.
40 E farei [36] com elles um concerto eterno, que não tornarei de após
elles, para fazer-lhes bem; [37] e porei o meu temor no seu coração, para
que nunca se apartem de mim.
41 E alegrar-me-hei [38] d’elles, fazendo-lhes bem; e os plantarei n’esta
terra certamente, com todo o meu coração e com toda a minha alma.
42 Porque assim diz o Senhor: [39] Como eu trouxe sobre este povo todo
este grande mal, assim eu trarei sobre elle todo o bem que eu fallo a
respeito d’elle.
43 E comprar-se-hão [40] campos n’esta terra, da qual vós dizeis: _Já_
está _tão_ deserta, que não _ha n’ella_ nem homem nem animal; está dada
na mão dos chaldeos.
44 Comprarão campos por dinheiro, e subscreverão os autos, e os sellarão,
[41] e farão que testifiquem testemunhas na terra de Benjamin, e nos
contornos de Jerusalem, e nas cidades de Judah, e nas cidades das
montanhas, e nas cidades das planicies, e nas cidades do sul; [42] porque
_os_ farei voltar _do_ seu captiveiro, diz o Senhor.
[1] II Reis 25.1, 2. cap. 39.1.
[2] Neh. 3.25. cap. 33.1 e 37.21 e 39.14.
[3] cap. 34.2.
[4] cap. 34.3 e 38.18, 23 e 39.5 e 52.9.
[5] cap. 27.22. cap. 21.4 e 33.5.
[6] Lev. 25.24, 25, 32. Ruth 4.4.
[7] Gen. 23.16. Zac. 11.12.
[8] cap. 36.4.
[9] Isa. 8.2.
[10] ver. 37, 43.
[11] II Reis 19.15.
[12] Gen. 18.14. ver. 27. Luc. 1.37.
[13] Exo. 20.6 e 34.7. Deu. 5.9, 10.
[14] Isa. 9.6. cap. 10.16.
[15] Isa. 28.29. Job 34.21. Pro. 5.21.
[16] cap. 17.10.
[17] Exo. 9.16. Isa. 63.12. Dan. 9.15.
[18] Exo. 6.6. II Sam. 7.23. I Chr. 17.21.
[19] Exo. 3.8, 17. cap. 11.5.
[20] Neh. 9.26. cap. 11.8. Dan. 9.10, 44.
[21] ver. 25, 36. cap. 14.12.
[22] ver. 24.
[23] Num. 16.22. ver. 17.
[24] ver. 3.
[25] cap. 21.10 e 37.8, 10. cap. 19.13.
[26] cap. 22.21. Eze. 20.28.
[27] II Reis 23.27 e 24.3.
[28] Isa. 1.4, 6. Dan. 9.8.
[29] cap. 7.30, 31 e 23.11. Eze. 8.5, 6.
[30] cap. 7.31 e 19.5. Lev. 18.21.
[31] ver. 24.
[32] Deu. 30.3. cap. 23.3.
[33] cap. 23.6 e 33.16.
[34] cap. 24.7 e 30.22 e 31.33.
[35] cap. 24.7. Eze. 11.19, 20.
[36] Isa. 55.3. cap. 31.31.
[37] cap. 31.39.
[38] Sof. 3.17. cap. 24.6 e 31.28. Amós 9.15.
[39] cap. 31.28.
[40] ver. 15. cap. 33.10.
[41] cap. 17.26.
[42] cap. 33.3, 11, 26.
33 E veiu a palavra do Senhor a Jeremias, segunda vez, estando elle ainda
[1] encerrado no pateo da guarda, dizendo:
2 Assim diz o Senhor que o faz, o Senhor [2] que forma isto, para o
confirmar; [3] o Senhor _é_ o seu nome.
3 Clama a mim, e responder-te-hei, e annunciar-te-hei coisas grandes e
firmes que não sabes.
4 Porque assim diz o Senhor, o Deus de Israel, das casas d’esta cidade, e
das casas dos reis de Judah, [4] que foram derribadas com os trabucos e á
espada.
5 _Bem_ entraram a pelejar [5] contra os chaldeos, mas _isso é_ para os
encher de cadaveres de homens, que feri na minha ira e no meu furor:
porquanto escondi o meu rosto d’esta cidade, por causa de toda a sua
maldade.
6 Eis que [6] eu farei subir sobre ella saude e cura, e os sararei; e
lhes manifestarei abundancia de paz e de verdade.
7 E tornarei [7] o captiveiro de Judah e o captiveiro de Israel, [8] e os
edificarei como ao principio.
8 E os purificarei [9] de toda a sua maldade _com_ que peccaram contra
mim; e perdoarei todas as suas maldades, _com_ que peccaram contra mim, e
_com_ que transgrediram contra mim.
9 E [10] servir-me-ha de nome de alegria, de louvor, e [ZT] de ornamento,
entre todas as nações da terra, que ouvirem todo o bem que eu lhes faço;
e [11] espantar-se-hão e perturbar-se-hão por causa de todo o bem, e por
causa de toda a paz que eu lhes dou.
10 Assim diz o Senhor: N’este _logar_ (de que vós dizeis que _está_
deserto, [12] e não ha _n’elle nem_ homem nem animal) nas cidades de
Judah, e nas ruas de Jerusalem, que _tão_ assoladas _estão_, que não ha
_n’ellas_ nem homem, nem morador, nem animal, ainda se ouvirá.
11 A voz [13] de gozo, e a voz d’alegria, a voz de noivo e a voz de
esposa, _e_ a voz dos que dizem: [14] Louvae ao Senhor dos Exercitos,
porque bom _é_ o Senhor, porque a sua benignidade _dura_ perpetuamente;
_como tambem_ dos que trazem louvor á casa do Senhor; [15] porque
tornarei o captiveiro da terra como ao principio, diz o Senhor.
12 Assim diz o Senhor dos Exercitos: [16] Ainda n’este logar, que _está
tão_ deserto, que não ha _n’elle_ nem homem, nem ainda animal, e em todas
as suas cidades, haverá _uma_ morada de pastores, que façam repousar o
gado.
13 Nas cidades [17] das montanhas, nas cidades das planicies, e nas
cidades do sul, e na terra de Benjamin, e nos contornos de Jerusalem,
e nas cidades de Judah, [18] ainda passará o gado pelas mãos dos
contadores, diz o Senhor.
14 Eis que [19] veem dias, diz o Senhor, em que cumprirei a palavra boa
que fallei á casa de Israel e sob a casa de Judah.
15 N’aquelles dias e n’aquelle tempo farei brotar a David um Renovo de
justiça, [20] e fará juizo e justiça na terra.
16 N’aquelles dias [21] Judah será salvo e Jerusalem habitará
seguramente: e este _é o nome_ que lhe chamarão a elle, o SENHOR JUSTIÇA
NOSSA.
17 Porque assim diz o Senhor: Nunca faltará a David varão [22] que se
assente sobre o throno da casa de Israel;
18 Nem aos sacerdotes leviticos faltará varão de diante de mim, [23]
que offereça holocausto, e queime offerta de manjares, e faça sacrificio
todos os dias.
19 E veiu a palavra do Senhor a Jeremias, dizendo:
20 Assim diz o Senhor: [24] Se poderdes invalidar o meu concerto do dia,
e o meu concerto da noite, de tal modo que não haja dia e noite a seu
tempo,
21 Tambem se poderá invalidar o meu concerto com David, meu servo, para
que não tenha filho que reine no seu throno; como tambem com os levitas
sacerdotes, meus ministros.
22 Como [25] não se pode contar o exercito dos céus, nem medir-se a areia
do mar, assim multiplicarei a semente de David, meu servo, e os levitas
que ministram diante de mim.
23 E veiu _ainda_ a palavra do Senhor a Jeremias, dizendo:
24 _Porventura_ não tens visto o que este povo falla, dizendo: As duas
gerações, [26] as quaes o Senhor elegeu, agora as rejeitou? e desprezam o
meu povo, como se não fôra mais um povo diante d’elles.
25 Assim diz o Senhor: [27] Se o meu concerto do dia e da noite não
_fôr_, _e_ eu não pozer as ordenanças dos céus e da terra,
26 Tambem [28] rejeitarei a semente de Jacob, e de David, meu servo, para
que não tome da sua semente os que dominem sobre a semente de Abrahão,
Isaac, e Jacob; porque tornarei o seu captiveiro, e apiedar-me-hei
d’elles.
[1] cap. 3.2, 23.
[2] Isa. 37.26.
[3] Exo. 15.3. Amós 5.8.
[4] cap. 32.24.
[5] cap. 32.5.
[6] cap. 30.17.
[7] ver. 11. cap. 30.3 e 32.44.
[8] Isa. 1.26. cap. 24.6 e 30.20 e 31.4, 28 e 42.10.
[9] Eze. 36.25. Heb. 9.13, 14. cap. 31.34. Miq. 7.18.
[10] Isa. 62.7. cap. 13.11.
[11] Isa. 60.5.
[12] cap. 32.43.
[13] cap. 7.34 e 16.9 e 25.10. Apo. 18.23.
[14] I Chr. 16.8, 34. II Chr. 5.13 e 7.3. Esd. 3.11. Isa. 12.4.
[15] ver. 7.
[16] Isa. 65.10. cap. 31.24.
[17] cap. 17.26 e 32.44.
[18] Lev. 27.32.
[19] cap. 23.5 e 31.27, 31. cap. 29.10.
[20] Isa. 4.2. cap. 23.5.
[21] cap. 23.6.
[22] II Sam. 7.16. I Reis 2.4. Luc. 1.32, 33.
[23] Rom. 12.1. I Ped. 2.5, 9. Apo. 1.6.
[24] ver. 25.
[25] Gen. 13.16 e 15.5 e 22.17. cap. 3.37.
[26] ver. 21, 22.
[27] ver. 20. Gen. 8.22.
[28] cap. 31.37. ver. 7, 11. Esd. 2.1.
_Prediz-se a sorte de Zedekias._
34 A palavra que do Senhor veiu a [1] Jeremias, quando Nabucodonozor,
rei de Babylonia, e todo o seu exercito, e todos os reinos da terra, que
estavam _sob_ o dominio da sua mão, e todos os povos, pelejavam contra
Jerusalem, e contra todas as suas cidades, dizendo:
2 Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Vae, e falla a Zedekias, rei de
Judah, e dize-lhe: Assim diz o Senhor: [2] Eis que eu dou esta cidade na
mão do rei de Babylonia, e queimal-a-ha a fogo.
3 E tu [3] não escaparás á sua mão; antes decerto serás preso, e serás
entregue na sua mão: e teus olhos verão os olhos do rei de Babylonia, e
elle te fallará bocca a bocca, e entrarás em Babylonia.
4 Todavia ouve a palavra do Senhor, ó Zedekias, rei de Judah: assim diz o
Senhor de ti: Não morrerás á espada.
5 Em paz morrerás, [4] e conforme as queimas de teus paes, os reis
precedentes, que foram antes de ti, assim te queimarão a ti, e
prantear-te-hão, _dizendo_: Ah Senhor! porque eu disse a palavra, diz o
Senhor.
6 E fallou Jeremias, o propheta, a Zedekias, rei de Judah, todas estas
palavras, em Jerusalem,
7 Quando o exercito do rei de Babylonia pelejava contra Jerusalem, e
contra todas as cidades de Judah, que ficaram de resto: contra Lachis e
contra Azeca; [5] porque estas fortes cidades ficaram de resto, d’entre
as cidades de Judah.
_As ameaças de Deus por causa da escravatura._
8 A palavra que do Senhor veiu a Jeremias, depois que o rei Zedekias fez
concerto com todo o povo que _havia_ em Jerusalem, [6] para lhes apregoar
a liberdade;
9 Que cada [7] um despedisse forro o seu servo, e cada um a sua serva,
hebreo ou hebrea; de maneira que ninguem se fizesse servir d’elles, sendo
judeos, seus irmãos.
10 E ouviram todos os principes, e todo o povo que entrou no concerto,
que cada um despedisse forro o seu servo, e cada um a sua serva, de
maneira que não se fizessem mais servir d’elles: ouviram pois, e _os_
soltaram.
11 Porém depois se arrependeram, [8] e fizeram voltar os servos e as
servas que largaram livres, e os sujeitaram por servos e por servas.
12 Veiu pois a palavra do Senhor a Jeremias, da parte do Senhor, dizendo:
13 Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Eu fiz concerto com vossos paes,
no dia em que os tirei da terra do Egypto, da casa de servos, dizendo:
14 Ao fim [9] de sete annos largareis cada um a seu irmão hebreo, que te
fôr vendido a ti, e te houver servido a ti seis annos, e despedil-o-has
forro de ti; porém vossos paes me não ouviram, nem inclinaram os seus
ouvidos.
15 E vos havieis hoje convertido, e tinheis feito o _que é_ recto aos
meus olhos, apregoando liberdade cada um ao seu proximo; [10] e tinheis
feito diante de mim _um_ concerto, na casa que se chama pelo meu nome:
16 Porém vos tornastes, [11] e profanastes o meu nome, e fizestes voltar
cada um ao seu servo, e cada um á sua serva, os quaes _já_ tinheis
despedido forros conforme a sua vontade; e os sujeitastes, para que se
vos fizessem servos e servas.
17 Portanto assim diz o Senhor: Vós me não ouvistes a mim, para
apregoardes a liberdade, cada um ao seu irmão, e cada um ao seu proximo;
pois eis que [12] eu vos apregôo a liberdade, diz o Senhor, para a
espada, para a pestilencia, e para a fome; [13] e dar-vos-hei por espanto
a todos os reinos da terra.
18 E entregarei os homens que, traspassaram o meu concerto, que não
confirmaram as palavras do concerto, [14] que fizeram diante de mim, _com
o_ bezerro, que fenderam em duas partes, e passaram pelo meio das suas
porções;
19 _A saber_, os principes de Judah, e os principes de Jerusalem, os
eunuchos, e os sacerdotes, e todo o povo da terra que passou por meio das
porções do bezerro;
20 Entregal-os-hei, digo, na mão de seus inimigos, [15] e na mão dos que
procuram a sua morte, e os cadaveres d’elles serão para mantimento ás
aves dos céus e aos animaes da terra.
21 E até o rei Zedekias, rei de Judah, e seus principes entregarei na mão
de seus inimigos e na mão dos que procuram a sua morte, _a saber_, na mão
do exercito do rei de Babylonia, que _já_ se retirou de vós.
22 Eis que [16] eu darei ordem, diz o Senhor, e os farei tornar a esta
cidade, e pelejarão contra ella, e a tomarão, [17] e a queimarão a fogo;
e as cidades de Judah porei _em_ assolação, que ninguem habite _n’ellas_.
[1] II Reis 25.1, etc. cap. 39.1 e 52.4.
[2] cap. 21.10 e 32.3, 28, 29. ver. 22.
[3] cap. 32.4.
[4] II Chr. 16.14 e 21.19. cap. 22.18.
[5] II Reis 18.13 e 19.8. II Chr. 11.5, 9.
[6] Exo. 21.2.
[7] Neh. 5.11. Lev. 25.39, 46.
[8] cap. 37.5.
[9] Exo. 21.2 e 23.10. Deu. 15.12.
[10] II Reis 23.3. cap. 7.10.
[11] Exo. 20.7. Lev. 19.12.
[12] Mat. 7.2. Gal. 6.7. cap. 32.24, 36.
[13] Deu. 28.25, 64. cap. 29.18.
[14] Gen. 15.10, 17.
[15] cap. 7.33 e 16.4 e 19.7.
[16] cap. 37.8, 10.
[17] cap. 38.3. cap. 9.11 e 44.2, 6.
_A obediencia dos rechabitas é dada a Judah como exemplo._
[Antes de Christo 607]
35 A palavra que do Senhor veiu a Jeremias, nos dias de Joaquim, filho de
Josias, rei de Judah, dizendo:
2 Vae á casa dos rechabitas, e falla com elles, e leva-os á casa do
Senhor, [1] a uma das camaras e dá-lhes vinho a beber.
3 Então tomei a Jasanias, filho de Jeremias, filho de Habazinias, e a
seus irmãos, e a todos os seus filhos, e a toda a casa dos rechabitas;
4 E os levei á casa do Senhor, á camara dos filhos de Hanan, filho de
Jigdalias, homem de Deus, que _está_ junto á camara dos principes,
que _está_ sobre a camara de Maaseias, filho de Sallum, [2] guarda do
vestibulo:
5 E puz diante dos filhos da casa dos rechabitas taças cheias de vinho, e
copos, e disse-lhes: Bebei vinho.
6 Porém elles disseram: Não beberemos vinho; porque Jonadab, filho de
Rechab, nosso pae, nos mandou, dizendo: Não bebereis vinho, nem vós nem
vossos filhos perpetuamente;
7 Nem edificareis casa, nem semeareis semente, nem plantareis vinha,
nem _a_ possuireis; mas habitareis em tenda todos os vossos dias, [3]
para que vivaes muitos dias sobre a face da terra, em que vós andaes
peregrinando.
8 Obedecemos pois á voz de Jonadab, filho de Rechab, nosso pae, em tudo
quanto nos ordenou; de maneira que não bebemos vinho em todos os nossos
dias, nem nós, nem nossas mulheres, nem nossos filhos, nem nossas filhas,
9 Nem edificamos casas para nossa habitação: nem temos vinha, nem campo,
nem semente.
10 E habitamos em tendas, _e_ assim ouvimos e fizemos conforme tudo
quanto nos mandou Jonadab, nosso pae.
11 Succedeu, porém, que, subindo Nabucodonozor, rei de Babylonia, a esta
terra, dissemos: Vinde, e vamo-nos a Jerusalem, por causa do exercito
dos chaldeos, e por causa do exercito dos syros; _e_ assim ficámos em
Jerusalem.
12 Então veiu a palavra do Senhor a Jeremias, dizendo:
13 Assim diz o Senhor dos Exercitos, o Deus de Israel: Vae, e dize aos
homens de Judah e aos moradores de Jerusalem: [4] _Porventura_ nunca
acceitareis ensino, para ouvirdes as minhas palavras? diz o Senhor.
14 As palavras de Jonadab, filho de Rechab, que ordenou a seus filhos
que não bebessem vinho, foram guardadas; pois não beberam até este dia,
[5] antes ouviram o mandamento de seu pae, e eu vos tenho fallado a vós,
madrugando e fallando, porém vós não me ouvistes a mim.
15 E [6] vos enviei a todos os meus servos, os prophetas, madrugando, e
enviando, _e_ dizendo: Convertei-vos agora, cada um do seu mau caminho, e
fazei boas as vossas acções, e não sigaes a outros deuses para servil-os;
e assim ficareis na terra que _vos_ dei a vós e a vossos paes; porém não
inclinastes o vosso ouvido, nem me obedecestes a mim.
16 Porquanto os filhos de Jonadab, filho de Rechab, guardaram o
mandamento de seu pae que lhes ordenou; e este povo não me obedeceu;
17 Por isso assim diz o Senhor, o Deus dos Exercitos, o Deus de Israel:
Eis que trarei sobre Judah, e sobre todos os moradores de Jerusalem, todo
o mal que fallei contra elles; [7] porquanto lhes tenho fallado, e não
ouviram; e clamei a elles, e não responderam.
18 E á casa dos rechabitas disse Jeremias: Assim diz o Senhor dos
Exercitos, o Deus de Israel: Porquanto obedecestes ao mandamento de
Jonadab, vosso pae, e guardastes todos os seus mandamentos, e fizestes
conforme tudo quanto vos ordenou,
19 Portanto assim diz o Senhor dos Exercitos, Deus d’Israel: Nunca
faltará varão a Jonadab, filho de Rechab, que assista perante a minha
face todos os dias.
[1] I Reis 6.5.
[2] II Reis 12.9. I Chr. 18.19.
[3] Exo. 20.12. Eph. 6.2, 3.
[4] cap. 32.23.
[5] II Chr. 36.15. cap. 7.13 e 25.3.
[6] cap. 7.25 e 25.4. cap. 18.11 e 25.5, 6.
[7] Pro. 1.24. Isa. 65.12 e 66.4. cap. 7.13.
_O rolo de Jeremias é lido no templo, o rei corta-o e lança-o no fogo._
36 Succedeu pois no anno quarto de Joaquim, filho de Josias, rei de
Judah, _que_ veiu esta palavra do Senhor a Jeremias, dizendo:
2 Toma [1] o rolo d’_um_ livro, e escreve n’elle todas as palavras que te
tenho fallado de Israel, e de Judah, [2] e de todas as nações, desde o
dia _em que_ eu te fallei a ti, desde os dias de Josias até _ao dia de_
hoje.
3 _Porventura_ ouvirão [3] _os da_ casa de Judah todo o mal que eu lhes
intento fazer: para que cada qual se converta do seu mau caminho, e eu
perdoe a sua maldade e o seu peccado.
4 Então Jeremias chamou [4] a Baruch, filho de Nerias; e escreveu Baruch
da bocca de Jeremias todas as palavras do Senhor, que lhe tinha fallado,
no rolo de um livro.
5 E Jeremias deu ordem a Baruch, dizendo: Eu _estou_ encerrado: não posso
entrar na casa do Senhor.
6 Entra pois tu, e lê pelo rolo que escreveste da minha bocca as palavras
do Senhor aos ouvidos do povo, na casa do Senhor, [5] no dia de jejum; e
tambem aos ouvidos de todo o Judah que vem das suas cidades as lerás.
7 _Porventura_ [6] cairá a sua supplica diante do Senhor, e se converterá
cada um do seu mau caminho: porque grande _é_ a ira e o furor que o
Senhor tem pronunciado contra este povo.
8 E fez Baruch, filho de Nerias, conforme tudo quanto lhe havia ordenado
Jeremias, o propheta, lendo n’aquelle livro as palavras do Senhor na casa
do Senhor.
9 Porque aconteceu, no anno quinto de Joaquim, filho de Josias, rei de
Judah, no mez nono, _que_ apregoaram jejum diante do Senhor a todo o povo
em Jerusalem como tambem a todo o povo que vinha das cidades de Judah a
Jerusalem.
10 Leu pois Baruch n’aquelle livro as palavras de Jeremias na casa do
Senhor, na camara de Gemarias, filho de Saphan, o escriba, no atrio
superior, [7] _á_ entrada da porta nova da casa do Senhor, aos ouvidos de
todo o povo.
11 E, ouvindo Micheas, filho de Gemarias, filho de Saphan, todas as
palavras do Senhor, n’aquelle livro,
12 Desceu á casa do rei, á camara do escriba. E eis que todos os
principes estavam ali assentados: _a saber_: Elisama, o escriba, e
Delaias, filho de Semaias, e Elnathan, filho de Achbor, e Gemarias, filho
de Saphan, e Zedekias, filho de Hananias, como tambem todos os principes.
13 E Micheas annunciou-lhes todas as palavras que ouvira, lendo-_as_
Baruch pelo livro, aos ouvidos do povo.
14 Então enviaram todos os principes Baruch Jehudi, filho de Nethanias,
filho de Selemias, filho de Cusahi, _para lhes_ dizer: O rolo por que
leste aos ouvidos do povo toma-o na tua mão, e vem. E Baruch, filho de
Nerias, tomou o rolo na sua mão, e foi para elles.
15 E disseram-lhe: Assenta-te agora, e lê-o aos nossos ouvidos. E leu
Baruch aos ouvidos d’elles.
16 E succedeu que, ouvindo elles todas aquellas palavras, se voltaram uns
para os outros, e disseram a Baruch: Sem duvida nenhuma annunciaremos ao
rei todas estas palavras.
17 E perguntaram a Baruch, dizendo: Declara-nos agora como escreveste da
sua bocca todas estas palavras.
18 E disse-lhes Baruch: Da sua bocca dictava-me todas estas palavras, e
eu _as_ escrevia no livro com tinta.
19 Então disseram os principes a Baruch: Vae, esconde-te, tu e Jeremias,
e ninguem saiba onde estaes.
20 E foram-se _ter_ com o rei ao atrio; porém depositaram o rolo na
camara de Elisama, o escriba, e denunciaram aos ouvidos do rei todas
aquellas palavras.
21 Então enviou o rei a Jehudi, a que tomasse o rolo; e tomou-o da camara
de Elisama, o escriba, e leu-o Jehudi aos ouvidos do rei e aos ouvidos
de todos os principes que estavam em torno do rei:
22 (Estava então o rei assentado _na_ casa [8] de inverno, pelo nono mez;
e estava diante d’elle um brazeiro acceso).
23 E succedeu que, tendo Jehudi lido tres ou quatro folhas, cortou-as com
um canivete de escrivão, e lançou-as no fogo que _havia_ no brazeiro, até
que todo o rolo se consumiu no fogo que _estava_ sobre o brazeiro.
24 E não temeram, [9] nem rasgaram os seus vestidos, o rei e todos os
seus servos que ouviram todas estas palavras.
25 Ainda que Elnathan, e Delaias, e Gemarias rogaram ao rei que não
queimasse o rolo, porém não lhes deu ouvidos.
26 Antes deu ordem o rei a Jerahmeel, filho de Hamelech, e a Seraias,
filho d’Azriel, e a Selemias, filho de Abdeel, que prendessem a Baruch, o
escrivão, e a Jeremias, o propheta: mas o Senhor tinha-os escondido.
27 Então veiu a Jeremias a palavra do Senhor, depois que o rei queimara o
rolo, e as palavras que Baruch escrevera da bocca de Jeremias, dizendo:
28 Toma ainda outro rolo, e escreve n’elle todas as palavras primeiras
que estavam no primeiro volume, o qual queimou Joaquim, rei de Judah.
29 E a Joaquim, rei de Judah, dirás: Assim diz o Senhor: Tu queimaste
este rolo, dizendo: Porque escreveste n’elle, dizendo: Certamente virá o
rei de Babylonia, e destruirá esta terra e fará cessar n’ella homens e
animaes.
30 Portanto assim diz o Senhor, ácerca de Joaquim, rei de Judah: [10] Não
terá quem se assente sobre o throno de David, [11] e será lançado o seu
cadaver ao calor de dia, e á geada de noite.
31 E visitarei sobre elle, e sobre a sua semente, e sobre os seus servos,
a sua iniquidade; e trarei sobre elle e sobre os moradores de Jerusalem,
e sobre os homens de Judah, todo aquelle mal que lhes tenho fallado, e
não ouviram.
32 Tomou pois Jeremias outro rolo, e o deu a Baruch, filho de Nerias, o
escrivão, o qual escreveu n’elle da bocca de Jeremias todas as palavras
do livro que Joaquim, rei de Judah, tinha queimado ao fogo; e ainda se
accrescentaram a ellas muitas palavras similhantes.
[1] Isa. 8.1. Eze. 2.9. Zac. 5.1. cap. 30.2.
[2] cap. 25.15, etc.
[3] ver. 7. cap. 26.3. Jon. 3.8.
[4] cap. 32.12 e 45.1.
[5] Lev. 23.27, 32. Act. 27.9.
[6] ver. 3.
[7] cap. 26.10.
[8] Amós 3.15.
[9] II Reis 22.11. Isa. 36.22 e 37.1.
[10] cap. 22.30.
[11] cap. 22.19.
_Jeremias na prisão._
[Antes de Christo 599]
37 E reinou [1] o rei Zedekias, filho de Josias, em logar de Conias,
filho de Joaquim, a quem Nabucodonozor, rei de Babylonia, constituiu rei
na terra de Judah.
2 Porém nem elle, [2] nem os seus servos, nem o povo da terra deram
ouvidos ás palavras do Senhor que fallou pelo ministerio de Jeremias, o
propheta.
3 Comtudo mandou o rei Zedekias a Juchal, filho de Selemias, [3] e
a Sofonias, filho de Maaseias, o sacerdote, a Jeremias, o propheta,
dizendo: Roga agora por nós ao Senhor nosso Deus.
4 E entrava e sahia Jeremias entre o povo, porque não o tinham posto na
casa do carcere.
5 E o exercito de [4] Pharaó saiu do Egypto: e, ouvindo os chaldeos, que
tinham em sitio a Jerusalem, as novas d’isto, retiraram-se de Jerusalem.
6 Então veiu a Jeremias, o propheta, a palavra do Senhor, dizendo:
[Antes de Christo 589]
7 Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Assim direis ao rei de Judah, [5]
que vos enviou a mim a perguntar-me: Eis que o exercito de Pharaó, que
saiu para soccorro vosso, voltar-se-ha para a sua terra no Egypto.
8 E voltarão os chaldeos, [6] e pelejarão contra esta cidade, e a
tomarão, e a queimarão a fogo.
9 Assim diz o Senhor: Não enganeis as vossas almas, dizendo: Sem duvida
se irão os chaldeos de nós: porque não se irão.
10 Porque ainda [7] que ferisseis a todo o exercito dos chaldeos, que
peleja contra vós, e ficassem de resto d’elles homens traspassados, cada
um levantar-se-hia na sua tenda, e queimaria a fogo esta cidade.
11 E succedeu que, subindo de Jerusalem o exercito dos chaldeos, por
causa do exercito de Pharaó,
12 Saiu Jeremias de Jerusalem, para ir á terra de Benjamin, para
esquivar-se de ali entre o meio do povo.
13 Porém, estando elle á porta de Benjamin, achava-se ali um capitão da
guarda, cujo nome era Jerias, filho de Selemias, filho de Hananias: o
qual prendeu a Jeremias, o propheta, dizendo: Tu foges para os chaldeos.
14 E Jeremias disse: _Isso é_ falso, não fujo para os chaldeos. Porém
não lhe deu ouvidos; antes Jerias prendeu a Jeremias, e o levou aos
principes.
15 E os principes se iraram muito contra Jeremias, e o feriram; [8] e o
pozeram na casa da prisão, na casa de Jonathan, o escrivão; porque tinham
feito d’ella a casa do carcere.
16 Entrando _pois_ Jeremias na casa do calaboiço, [9] e nas _suas_
camarinhas, ficou ali Jeremias muitos dias.
17 E enviou o rei Zedekias a tiral-o; e o rei lhe perguntou em sua casa,
em segredo, e disse: Ha _porventura alguma_ palavra do Senhor? E disse
Jeremias: Ha. E elle disse: Na mão do rei de Babylonia serás entregue.
18 Disse mais Jeremias ao rei Zedekias: Em que tenho peccado contra ti, e
contra os teus servos, e contra este povo, para que me pozesseis na casa
do carcere?
19 Onde _estão_ agora os vossos prophetas, que vos prophetizavam,
dizendo: O rei de Babylonia não virá contra vós nem contra esta terra?
20 Ora pois ouve agora, ó rei, meu senhor: caia agora a minha supplica
diante de ti, e não me deixes tornar _á_ casa de Jonathan, o escriba,
para que não venha a morrer alli.
21 Então deu ordem o rei Zedekias que pozessem a Jeremias no atrio da
guarda; [10] e deram-lhe _um_ bolo de pão cada dia, da rua dos padeiros,
[11] até que se acabou todo o pão da cidade: assim ficou Jeremias no
atrio da guarda.
[1] II Reis 24.17. II Chr. 36.10. cap. 22.24.
[2] II Chr. 36.12, 14.
[3] cap. 21.1, 2 e 29.25 e 52.24.
[4] II Sam. 24.7. Eze. 17.15. ver. 11. cap. 34.21.
[5] cap. 21.2.
[6] cap. 34.22.
[7] cap. 21.4, 5.
[8] cap. 38.26.
[9] cap. 38.6.
[10] cap. 32.2 e 38.13, 28.
[11] cap. 38.9 e 52.6.
_Jeremias é lançado no calaboiço._
38 Ouviu pois Sephatias, filho de Mathan, e Gedalias, filho de Pashur,
[1] e Juchal, filho de Selemias, e Pashur, filho de Malchias, as palavras
que fallava Jeremias a todo o povo, dizendo:
2 Assim diz o Senhor: [2] O que ficar n’esta cidade morrerá á espada, á
fome e de pestilencia: mas o que sair aos chaldeos viverá; porque a sua
alma lhe será por despojo, e viverá.
3 Assim diz o Senhor: [3] Esta cidade infallivelmente se entregará na mão
do exercito do rei de Babylonia, e tomal-a-ha.
4 E disseram os principes ao rei: [4] Morra este homem, visto que elle
assim enfraquece as mãos dos homens de guerra que ficaram de resto n’esta
cidade, e as mãos de todo o povo, fallando-lhes taes palavras; porque
este homem não busca a paz para este povo, senão o mal.
5 E disse o rei Zedekias: Eis que elle _está_ na vossa mão: porque não é
o rei que possa coisa alguma contra vós.
6 Então tomaram [5] a Jeremias, e o lançaram no calaboiço de Malchias,
filho do rei, que _estava_ no atrio da guarda; e desceram a Jeremias
com cordas; porém no calaboiço não havia agua, senão lama; e atolou-se
Jeremias na lama.
7 E, ouvindo [6] Ebed-melech, o ethiope, um eunucho que então estava na
casa do rei, que pozeram a Jeremias no calaboiço (estava porém o rei
assentado á porta de Benjamin),
8 Logo Ebed-melech saiu da casa do rei: e fallou ao rei, dizendo:
9 Ó rei, senhor meu, mal fizeram estes homens em tudo quanto fizeram a
Jeremias, o propheta, lançando-o no calaboiço: sendo que morreria no
logar onde se achava á fome, pois _já_ não _ha_ mais pão na cidade.
10 Então deu ordem o rei a Ebed-melech, o ethiope, dizendo: Toma comtigo
de aqui trinta homens, e tira a Jeremias, o propheta, do calaboiço, antes
que morra.
11 E tomou Ebed-melech os homens comsigo, e foi á casa do rei, por
debaixo da thesouraria, e tomou d’ali _uns_ trapos velhos e rotos, e
trapos velhos apodrecidos, e desceu-os a Jeremias no calaboiço com cordas.
12 E disse Ebed-melech, o ethiope, a Jeremias: Põe agora _estes_ trapos
velhos e rotos, _já_ apodrecidos, debaixo dos sobacos de teus braços, por
debaixo das cordas. E Jeremias o fez assim.
13 E tiraram [7] a Jeremias com as cordas, e o subiram do calaboiço; [8]
e ficou Jeremias no atrio da guarda.
14 Então enviou o rei Zedekias, e fez trazer a si a Jeremias, o propheta,
á terceira entrada, que _estava_ na casa do Senhor; e disse o rei a
Jeremias: Pergunto-te _uma_ coisa, não me encubras nada.
15 E disse Jeremias a Zedekias: Declarando-t’a eu, _porventura_ não me
matarás certamente? e, aconselhando-te eu, não me darás ouvido.
16 Então jurou o rei Zedekias a Jeremias, em segredo, dizendo: Vive o
Senhor, que nos fez esta alma, que não te matarei nem te entregarei na
mão d’estes homens que procuram a tua morte.
17 Então Jeremias disse a Zedekias: Assim diz o Senhor, Deus dos
Exercitos, Deus de Israel: [9] Se voluntariamente saires aos principes do
rei de Babylonia, então viverá a tua alma, e esta cidade não se queimará
a fogo, e viverás tu e a tua casa.
18 Porém, se não saires aos principes do rei de Babylonia, então será
entregue esta cidade na mão dos chaldeos, e queimal-a-hão a fogo, [10] e
tu não escaparás da mão d’elles.
19 E disse o rei Zedekias a Jeremias: Receio-me dos judeos, que cairam
para os chaldeos; [11] que _porventura_ me entreguem na sua mão, e
escarneçam de mim.
20 E disse Jeremias: Não _te_ entregarão: ouve, te peço, a voz do Senhor,
conforme a qual eu te fallo; e bem te irá, e viverá a tua alma.
21 Porém, se tu não quizeres sair, esta é a palavra que me mostrou o
Senhor.
22 Eis que todas as mulheres que ficaram de resto na casa do rei de Judah
serão levadas fóra para os principes do rei de Babylonia, e ellas mesmas
dirão: Teus pacificos te incitaram e prevaleceram contra ti, atolaram-se
os teus pés na lama, voltaram para traz.
23 Assim que a todas as tuas mulheres e a teus filhos [12] levarão para
fóra aos chaldeos, e nem tu escaparás da sua mão, antes pela mão do rei
de Babylonia serás preso, e esta cidade queimará a fogo.
24 Então disse Zedekias a Jeremias: Ninguem saiba estas palavras, e não
morrerás.
25 E quando os principes, ouvindo que fallei comtigo, vierem a ti, e te
disserem: Declara-nos agora o que disseste ao rei, não nol-o encubras, e
não te mataremos: e que te fallou o rei?
26 Então lhes dirás: [13] Lancei eu a minha supplica diante do rei, que
não me fizesse tornar á casa de Jonathan, para morrer ali.
27 Vindo pois todos os principes a Jeremias, e perguntando-lhe,
declarou-lhes conforme todas as palavras que o rei lhe havia ordenado: e
o deixaram, porque não se ouviu o negocio.
28 E ficou Jeremias [14] no atrio da guarda, até ao dia em que foi tomada
Jerusalem, e _ainda ali_ estava quando foi tomada Jerusalem.
[1] cap. 37.3. cap. 21.1.
[2] cap. 21.9.
[3] cap. 21.10 e 32.3.
[4] cap. 26.11.
[5] cap. 37.21.
[6] cap. 39.16.
[7] ver. 6.
[8] cap. 37.21.
[9] II Reis 24.12. cap. 39.3.
[10] ver. 23. cap. 32.4 e 34.3.
[11] I Sam. 31.4.
[12] cap. 39.6 e 41.10. ver. 18.
[13] cap. 37.15, 21.
[14] cap. 37.20 e 39.14.
_Nabucodonozor toma Jerusalem e livra Jeremias._
[Antes de Christo 588]
39 No anno [1] nono de Zedekias, rei de Judah, no mez decimo, veiu
Nabucodonozor, rei de Babylonia, todo o seu exercito, contra Jerusalem, e
a cercaram.
2 No anno undecimo de Zedekias, no quarto mez, aos nove do mez, se fez a
brecha na cidade.
3 E entraram _n’ella_ todos [2] os principes do rei de Babylonia, e
pararam na porta do meio, a saber: Nergal-sarezer, Samgar-nebo, Sarsecim,
Rab-saris, Nergal-sarezer, Rab-mag, e todo o resto dos principes do rei
de Babylonia.
4 E succedeu que, vendo-os Zedekias, rei de Judah, [3] e todos os homens
de guerra, fugiram, e sairam de noite da cidade, pelo caminho do jardim
do rei, pela porta d’entre os dois muros; e saiu pelo caminho da campina.
5 Porém o exercito dos chaldeos os perseguiu; [4] e alcançaram a Zedekias
nas campinas de Jericó, e o prenderam, e o fizeram subir a Nabucodonozor,
rei de Babylonia, a Ribla, [5] na terra de Hamath, e o sentenciou.
6 E o rei de Babylonia matou os filhos de Zedekias em Ribla, diante dos
meus olhos: tambem matou o rei de Babylonia a todos os nobres de Judah.
7 E cegou [6] os olhos de Zedekias, e o atou com duas cadeias de bronze,
para leval-o a Babylonia.
8 E os chaldeos queimaram [7] a fogo a casa do rei e as casas do povo, e
derribaram os muros de Jerusalem.
9 E o resto do povo, [8] que ficou na cidade, e os rebeldes que tinham
caido para elle, e o resto do povo que ficou, levou Nebuzaradan, capitão
da guarda, _a_ Babylonia.
10 Porém dos pobres de entre o povo que não tinha nada, deixou
Nebuzaradan, capitão da guarda, _alguns_ na terra de Judah; e deu-lhes
vinhas e campos n’aquelle dia.
11 Mas Nabucodonozor, rei de Babylonia, havia dado ordem ácerca de
Jeremias, na mão de Nebuzaradan, capitão dos da guarda, dizendo:
12 Toma-o, e põe sobre elle os teus olhos, e não lhe faças nenhum mal;
antes, como elle te disser, assim usarás com elle.
13 Enviou pois Nebuzaradan, capitão dos da guarda, e Nebus-hasban,
Rab-saris, Nergal-sarezer, Rab-mag, e todos os principes do rei de
Babylonia:
14 Enviaram [9] pois, e tomaram a Jeremias do atrio da guarda, e o
entregaram a Gedalias, filho de Ahicam, filho de Saphan, para que o
levasse á casa; e ficou entre o povo.
15 Tambem a Jeremias veiu a palavra do Senhor, estando elle _ainda_
encerrado no atrio da guarda, dizendo:
16 Vae, [10] e falla a Ebed-melech, o ethiope, dizendo: Assim diz o
Senhor dos Exercitos, Deus de Israel: [11] Eis que eu trarei as minhas
palavras sobre esta cidade para mal e não para bem: e serão _cumpridas_
diante de ti n’aquelle dia.
17 Porém te farei escapar n’aquelle dia, diz o Senhor, e não serás
entregue na mão dos homens perante cuja face tu temes.
18 Porque certamente te livrarei, e não cairás á espada: mas a tua alma
terás por despojo, [12] porquanto confiaste em mim, diz o Senhor.
[1] II Reis 25.1-4. cap. 52.4.
[2] cap. 38.17.
[3] II Reis 25.4, etc. cap. 52.7, etc.
[4] cap. 32.4 e 38.18, 23.
[5] II Reis 23.33.
[6] Eze. 12.13.
[7] II Reis 25.9. cap. 38.18 e 52.13.
[8] II Reis 35.11, etc. cap. 52.15, etc.
[9] cap. 38.28. cap. 40.5. cap. 26.24.
[10] cap. 38.7, 12.
[11] Dan. 9.12.
[12] cap. 21.9 e 45.5. I Chr. 5.20.
_Jeremias fica em Mizpah com Gedalias._
40 A palavra que veiu a Jeremias _da parte_ do Senhor, [1] depois que
Nebuzaradan, capitão dos da guarda, o deixara ir de Rama, quando o tomou,
estando elle atado com cadeias no meio de todos os do captiveiro de
Jerusalem e de Judah, que foram levados captivos para Babylonia;
2 Porque o capitão da guarda tomou a Jeremias, e lhe disse: [2] O Senhor
teu Deus fallou este mal contra este logar:
3 E o Senhor o trouxe, e fez como havia dito: [3] porque peccastes contra
o Senhor, e não obedecestes á sua voz; pelo que vos succedeu esta coisa.
4 Agora pois, eis que te soltei hoje das cadeias que _estavam_ sobre as
tuas mãos; [4] se _fôr_ bem aos teus olhos vir comigo para Babylonia,
vem, e porei sobre ti os meus olhos; porém, se _fôr_ mal aos teus olhos
vir comigo para Babylonia, deixa de vir. Olha, [5] toda a terra _está_
diante de ti; para onde _quer que fôr_ bom e recto aos teus olhos que
vás, para ali vae.
5 Mas, porquanto elle ainda não tinha voltado, _disse-lhe_: Volta a
Gedalias, filho de Ahicam, filho de Saphan, [6] a quem o rei de Babylonia
poz sobre as cidades de Judah, e habita com elle no meio do povo; ou para
qualquer parte aonde _quer que fôr_ recto aos teus olhos que vás, para
ali vae. E deu-lhe o capitão da guarda sustento para o caminho, e um
presente, e o deixou ir.
6 Assim [7] veiu Jeremias a Gedalias, filho de Ahicam, a Mizpah; e
habitou com elle no meio do povo que havia ficado na terra.
7 Ouvindo pois [8] todos os principes dos exercitos, que _estavam_ no
campo, elles e os seus homens, que o rei de Babylonia tinha posto sobre
a terra a Gedalias, filho de Ahicam, e que lhe havia encarregado a elle
os homens, e as mulheres, e os meninos, [9] e os mais pobres da terra, os
quaes não foram levados captivos a Babylonia,
8 Vieram a Gedalias, a Mizpah: a saber: [10] Ishmael, filho de Nethanias,
e Johanan e Jonathan, filhos de Careah, e Seraias, filho de Tanhumeth, e
os filhos de Ephai, o netophatita, e Jezanias, filho d’_um_ maachatita,
elles e os seus homens.
9 E jurou Gedalias, filho de Ahicam, filho de Saphan, a elles e aos seus
homens, dizendo: Não temaes servir aos chaldeos: ficae na terra, e servi
o rei de Babylonia, e bem vos irá.
10 Eu, porém, eis que habito em Mizpah, para estar ás ordens dos chaldeos
que vierem a nós; e vós recolhei o vinho, e as fructas de verão, e o
azeite, e mettei-os nos vossos vasos, e habitae nas vossas cidades, que
_já_ tomastes.
11 Como tambem todos os judeos que _estavam_ em Moab, e entre os filhos
de Ammon, e em Edom, e os que _havia_ em todas aquellas terras, ouviram
que o rei de Babylonia havia deixado um resto em Judah, e que havia posto
sobre elles a Gedalias, filho de Ahicam, filho de Saphan.
12 E tornaram todos os judeos de todos os logares, para onde foram
lançados, e vieram á terra de Judah, a Gedalias, a Mizpah; e recolheram
vinho e fructas do verão mui abundantes.
13 Johanan, filho de Careah, e todos os principes dos exercitos, que
_estavam_ no campo, vieram a Gedalias, a Mizpah.
14 E disseram-lhe: _Porventura_ bem sabes [11] que Baalis, rei dos filhos
de Ammon, enviou a Ishmael, filho de Nethanias, para te tirar a vida.
Porém não lhes deu credito Gedalias, filho de Ahicam.