cortaram-se as figueiras bravas, mas em cedros as mudaremos.
11 Porque o Senhor exalçará os adversarios de Resin contra elle, e
misturará entre si os seus inimigos.
12 Porque diante _virão_ os syros, e por detraz os philisteos, e
devorarão a Israel á bocca aberta: [10] _e_ nem com tudo isto se apartou
a sua ira, mas ainda _está_ estendida a sua mão.
13 Porque [11] este povo se não torna para quem o fere, nem busca ao
Senhor dos Exercitos.
14 Pelo que o Senhor cortará a cabeça, e a cauda, o ramo e o junco
d’Israel n’um mesmo dia.
15 (O ancião e o varão de respeito é a cabeça, e o propheta que ensina a
falsidade é a cauda.)
16 Porque [12] os guias d’este povo são enganadores, e os guiados por
elles _serão_ devorados.
17 Pelo que o Senhor não tomará contentamento nos seus mancebos, e não se
compadecerá dos seus orphãos e das suas viuvas, [13] porque todos elles
_são_ hypocritas e malfazejos, e toda a bocca falla doidices: _e_ nem com
tudo isto se apartou a sua ira, mas ainda _está_ estendida a sua mão.
18 Porque a impiedade se [14] accende como um fogo, _e até_ as sarças e
os espinheiros devorará: e accenderá os confusos troncos da brenha, e
subirão em espessas nuvens de fumo.
19 Pelo furor do Senhor dos Exercitos [15] a terra se escurecerá, e será
o povo como pasto do fogo; ninguem poupará ao seu irmão.
20 Se cortar da banda direita, ainda terá fome, e se comer da banda
esquerda, [16] ainda se não fartará: cada um comerá a carne de seu braço.
21 Manassés a Ephraim, e Ephraim a Manassés, e ambos elles _serão_ contra
Judah, _e_ nem com tudo isto se apartou a sua ira, [17] mas ainda _está_
estendida a sua mão.
[1] cap. 8.22. II Reis 15.29. II Chr. 16.4.
[2] Mat. 4.16. Eph. 5.8, 14.
[3] Jui. 5.30.
[4] cap. 10.5 e 14.5. Jui. 7.22.
[5] cap. 66.15, 16.
[6] cap. 7.14. Luc. 2.11. João 3.16. Mat. 28.18. Jui. 13.18.
[7] Tito 2.13. Eph. 2.14.
[8] Luc. 1.32, 33.
[9] II Reis 19.31. cap. 37.32.
[10] cap. 5.25 e 10.4. Jer. 4.8.
[11] Jer. 5.3. Ose. 7.10.
[12] cap. 3.12.
[13] Miq. 7.2. ver. 12, 21. cap. 5.25 e 10.4.
[14] cap. 10.17. Mal. 4.1.
[15] cap. 8.22. Miq. 7.2, 6.
[16] Lev. 26.26. cap. 49.26. Jer. 19.9.
[17] ver. 12, 17. cap. 5.25 e 10.4.
10 Ai dos que ordenam ordenanças injustas, e dos que prescrevem [US]
trabalho aos escrivães.
[Antes de Christo 713]
2 Para desviarem aos pobres do seu direito, e para arrebatarem o direito
dos afflictos do meu povo, para despojarem as viuvas e para roubarem os
orphãos!
3 Mas que fareis [1] vós-outros no dia da visitação, e da assolação,
_que_ ha de vir de longe? a quem vos refugiareis para obter soccorro, e
onde deixareis a vossa gloria?
4 Sem que cada um se abata entre as prezas, e caia entre os mortos? [2]
Com tudo isto a sua ira se não apartou, mas ainda _está_ estendida a sua
mão.
_Predicção da ruina da Assyria._
5 Ai da Assyria! [3] a vara da minha ira: porque a minha indignação é o
bordão nas suas mãos.
6 Envial-o-hei contra uma nação [4] hypocrita, e contra o povo do meu
furor lhe darei ordem, para que _lhe_ roube o roubo, e lhe despoje o
despojo, e o ponha para ser pisado aos pés, como a lama das ruas:
7 Ainda que elle não cuide [5] assim, nem o seu coração assim o imagine:
antes no seu coração _intentará_ destruir e desarraigar nações não poucas.
8 Porque diz: [6] _Porventura_ todos os meus principes não _são_ elles
reis?
9 Não [7] _é_ Calno como Carchemis? não é Hamath como Arphad? e Samaria
como Damasco?
10 Como a minha mão achou os reinos dos idolos, ainda que as suas imagens
de vulto fossem melhores do que _as_ de Jerusalem e de que _as_ de
Samaria.
11 _Porventura_ como fiz a Samaria e aos seus idolos, não faria eu
_tambem_ assim a Jerusalem e aos seus idolos?
12 Porque acontecerá que, havendo o Senhor acabado toda a sua obra no
monte de Sião [8] e em Jerusalem, então visitarei o fructo da _arrogante_
grandeza do coração do rei da Assyria e a pompa da altivez dos seus olhos.
13 Porquanto disse: Com a força da minha mão _o_ fiz, e com a minha
sabedoria, porque sou entendido: e terei os limites dos povos, e roubei
[UT] a sua provisão, e como valente abati aos [UU] moradores.
14 E achou [9] a minha mão as riquezas dos povos como a _um_ ninho, e
como se ajuntam os ovos deixados, _assim_ eu ajuntei a toda a terra, e
não houve quem movesse a aza, ou abrisse a bocca, ou chilrasse.
15 _Porventura_ gloriar-se-ha [10] _o_ machado contra _o_ que corta com
elle? ou presumirá a serra contra o que puxa por ella? como se o bordão
movesse aos que o levantam, ou a vara se levantasse como não sendo pau?
16 Pelo que o Senhor, o Senhor dos Exercitos, enviará magreza entre [11]
os seus gordos, e debaixo da sua gloria accenderá incendio, como incendio
de fogo.
17 Porque a Luz d’Israel virá a ser por fogo e o seu Sancto por labareda,
que abraze [12] e consuma os seus espinheiros e as suas sarças n’um dia.
18 Tambem consumirá a gloria [13] da sua brenha, e do seu campo fertil,
[UV] desde a alma até á carne, e será como quando o porta-bandeira se
desmaia.
19 E o resto das arvores da sua brenha será _tão_ pouco em numero, que um
menino as possa escrever.
20 E acontecerá n’aquelle dia que os residuos d’Israel, e os escapados da
casa de Jacob, nunca mais se estribarão sobre o que os feriu: antes se
estribarão verdadeiramente sobre o Senhor, o Sancto d’Israel.
21 Os residuos se converterão, os residuos, _digo_, de Jacob, ao Deus
forte.
22 Porque [14] ainda que o teu povo, ó Israel, seja como a areia do
mar, _todavia só_ um resto d’elle se converterá: _já_ a destruição está
determinada, trasbordando em justiça.
23 Porque [15] determinada já a destruição, o Senhor JEHOVAH dos
Exercitos a executará no meio de toda esta terra.
24 Pelo que assim diz o Senhor JEHOVAH dos Exercitos: Não temas, povo
meu, que habitas em Sião, [16] á Assyria, quando te ferir com a vara, e
contra ti levantar o seu bordão ao modo dos egypcios,
25 Porque [17] d’aqui a bem pouco se cumprirão a _minha_ indignação e a
minha ira, para os consumir.
26 Porque o Senhor dos Exercitos levantará _um_ açoite [18] contra elle,
qual a matança de Midian junto á rocha d’Oreb, e _qual_ a sua vara sobre
o mar, que levantará ao modo dos egypcios.
27 E acontecerá, no mesmo dia, que tirará a sua carga do teu hombro, [19]
e o seu jugo do teu pescoço: e o jugo será despedaçado por amor [UW] do
ungido.
28 _Já_ vem _chegando_ a Aiath, _já_ vae passando por Migron, _e_ em
Michmas lança a sua bagagem.
29 _Já_ vão passando [20] o vau, _já_ se alojam em Geba: _já_ Rama treme,
_e_ Gibeah de Saul vae fugindo.
30 Grita altamente [21] com a tua voz, ó filha de Gallim! ouve ó Lais! ó
tu pobre Anathoth.
31 _Já_ Madmena [22] se foi, os moradores de Gebim vão fugindo em bandos.
32 Ainda um dia parará [23] em Nob: moverá a sua mão _contra_ o monte da
filha de Sião, o outeiro de Jerusalem.
33 _Porém_ eis-que o Senhor JEHOVAH dos Exercitos decotará os ramos com
violencia, e os de alta estatura serão cortados, e os altivos serão
abatidos.
34 E cortará com o ferro a espessura da brenha, e o Libano cairá á mão de
um poderoso.
[1] Job 31.14. Ose. 9.7. Luc. 19.44.
[2] cap. 5.25 e 9.12, 17, 21.
[3] Jer. 51.20.
[4] cap. 9.17. Jer. 34.22.
[5] Gen. 50.20. Miq. 4.12.
[6] II Reis 18.24, 33, etc. e 19.10, etc.
[7] Amós 6.2. II Chr. 35.20.
[8] II Reis 19.31. Jer. 50.18.
[9] Job 31.25.
[10] Jer. 51.20.
[11] cap. 5.17.
[12] cap. 9.18 e 27.4.
[13] II Reis 19.23.
[14] Rom. 9.27.
[15] cap. 28.22. Dan. 9.27. Rom. 9.28.
[16] cap. 37.6.
[17] cap. 54.7.
[18] II Reis 19.35. Jui. 7.25. cap. 9.4. Exo. 14.26, 27.
[19] cap. 14.25.
[20] I Sam. 13.23.
[21] I Sam. 25.44. Jos. 21.18.
[22] Jos. 15.31.
[23] I Sam. 21.1 e 22.19. Neh. 11.32. cap. 13.2 e 37.22.
_O reino do Messias é pacifico e prospero._
11 Porque sairá [1] _uma_ vara do tronco de Jessé, e _um_ renovo crescerá
das suas raizes.
2 E repousará sobre elle o [2] espirito do Senhor, o espirito de
sabedoria e de intelligencia, o espirito de conselho e de fortaleza, o
espirito de conhecimento e do temor do Senhor.
3 E [UX] o seu deleite será no temor do Senhor: e não julgará segundo a
vista dos seus olhos, nem reprehenderá segundo o ouvir dos seus ouvidos,
4 Mas julgará [3] com justiça aos pobres, e reprehenderá com equidade aos
mansos da terra, [4] porém ferirá a terra com a vara de sua bocca, e com
o assopro dos seus labios matará ao impio,
5 Porque a justiça [5] será o cinto dos seus lombos, e a verdade o cinto
dos seus rins.
6 E morará o lobo [6] com o cordeiro, e o leopardo com o cabrito se
deitará, e o bezerro, e o filho de leão e o animal cevado _andarão_
juntos, e um menino pequeno os guiará.
7 A vacca e a ursa pastarão juntas, seus filhos se deitarão _juntos_, e o
leão comerá palha como o boi.
8 E brincará a creança de peito sobre o buraco do aspide, e o já
desmamado metterá a sua mão na cova do basilisco.
9 Não se fará mal nem [7] damno algum em nenhuma parte de todo o monte da
minha sanctidade, porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor,
como as aguas cobrem o _fundo_ do mar.
10 Porque acontecerá n’aquelle dia [8] que as nações perguntarão pela
raiz de Jessé, posta por pendão dos povos, e o seu repouso será glorioso.
11 Porque ha de acontecer [9] n’aquelle dia que o Senhor tornará a pôr
a sua mão para adquirir outra vez os residuos do seu povo, [10] que
restarem da Assyria, e do Egypto, e de Pathros, e da Ethiopia, e de Elam,
e de Sinear, e de Hamath, e das ilhas do mar.
12 E levantará um pendão entre as nações, e ajuntará os desterrados de
Israel, [11] e os dispersos de Judah congregará desde os quatro confins
da terra.
13 E a inveja de Ephraim se [12] desviará, e os adversarios de Judah
serão desarraigados: Ephraim não invejará a Judah e Judah não opprimirá a
Ephraim.
14 Antes voarão sobre os hombros dos philisteos ao occidente, juntos
despojarão aos do oriente: [13] _em_ Edom e Moab porão as suas mãos, e os
filhos de Ammon lhes obedecerão.
15 E [14] o Senhor [UY] destruirá totalmente o braço do mar do Egypto, e
moverá a sua mão contra o rio com a força do seu vento, e o ferirá nas
sete correntes e fará que se passe [15] _por elle_ com sapatos.
16 E haverá caminho [16] plano para os residuos do seu povo, que restarem
da Assyria, como succedeu a Israel no dia em que subiu da terra do Egypto.
[1] cap. 53.2. Zac. 6.12. Apo. 5.5. Act. 13.23. ver. 10. cap. 4.2. Jer.
23.5.
[2] cap. 61.1. Mat. 3.16. João 1.32, 33 e 3.34.
[3] Apo. 19.11.
[4] Job 4.9. Mal. 4.6. II The. 2.8. Apo. 1.16 e 2.16 e 19.15.
[5] Eph. 6.14.
[6] cap. 65.25. Eze. 34.25. Ose. 2.18.
[7] Job 5.23. cap. 2.4 e 35.9. Hab. 2.14.
[8] cap. 2.11. ver. 1. Rom. 15.12.
[9] cap. 2.11.
[10] Zac. 10.10.
[11] João 7.35. Thi. 1.1.
[12] Jer. 3.18. Eze. 37.16, 17, 22. Ose. 1.11.
[13] Dan. 11.41.
[14] Zac. 10.11.
[15] Apo. 16.12.
[16] cap. 19.23. Exo. 14.29. cap. 51.10 e 63.12, 13.
_Deus é louvado por haver restaurado o seu povo._
[Antes de Christo 712]
12 E dirás [1] n’aquelle dia: Graças te dou, ó Senhor, de que, _ainda
que_ te iraste contra mim, _comtudo_ a tua ira se retirou, e tu me
consolas.
2 Eis que Deus _é_ a minha salvação; _n’elle_ confiarei, e não temerei;
porque a minha força e o meu cantico _é_ Deus JEHOVAH, e _elle_ foi a
minha salvação.
3 E vós tirareis aguas com alegria das fontes da salvação.
4 E direis n’aquelle dia: [2] Dae graças ao Senhor, invocae o seu nome,
manifestae os seus feitos entre os povos, contae quão exalçado é o seu
nome.
5 Psalmodiae [3] ao Senhor, porque fez coisas grandiosas: saiba-se isto
em toda a terra.
6 Exulta [4] e canta de gozo, ó moradora de Sião, porque o Sancto de
Israel grande é no meio de ti.
[1] cap. 2.11.
[2] João 4.10, 14 e 7.37, 38. I Chr. 16.8.
[3] Exo. 15.1, 21.
[4] cap. 54.1. Sof. 3.14. cap. 41.14, 16.
_A ruina de Babylonia e o livramento de Israel._
13 Pezo [1] de Babylonia, que viu Isaias, filho de Amós.
2 Alçae [2] uma bandeira sobre _um_ alto monte, levantae a voz a elles:
movei a mão em alto, para que entrem pelas portas dos principes.
3 _Já_ eu passei ordens aos meus sanctificados: [3] _já_ tambem chamei
aos meus valentes para minha ira, os quaes são exaltados na minha
magestade.
4 _Já se ouve_ a voz de arroido sobre os montes, como de muito povo: a
voz do reboliço de reinos e de nações _já_ congregadas. O Senhor dos
Exercitos passa a [UZ] mostra do exercito de guerra.
5 _Já_ vem da terra de longe desde a extremidade do céu, _assim_ o
Senhor, como os instrumentos da sua indignação, para destruir toda
aquella terra.
6 Uivae, [4] _pois_, porque o dia do Senhor _já está_ perto: _já_ vem
como assolação do Todo-poderoso.
7 Pelo que todas as mãos se debilitarão, e o coração de todos os homens
se desanimará.
8 E assombrar-se-hão, e apoderar-se-hão d’elles dôres e ais, _e_ se
angustiarão, como a mulher com dôres de parto; cada um se espantará do
seu proximo; os seus rostos _serão_ rostos flammejantes.
9 Eis que [5] o dia do Senhor vem, horrendo, com furor e ira ardente,
para pôr a terra em assolação, e destruir os peccadores d’ella.
10 Porque as estrellas dos céus e os seus astros não luzirão com a sua
luz: [6] o sol se escurecerá em nascendo, e a lua não resplandecerá com a
sua luz.
11 Porque visitarei sobre o mundo a maldade, e sobre os impios a sua
iniquidade: [7] e farei cessar a arrogancia dos atrevidos, e abaterei a
soberba dos tyrannos.
12 Farei que um homem seja mais precioso do que o oiro puro, e um homem
mais do que o oiro fino d’Ophir.
13 Pelo que [8] farei estremecer os céus; e a terra se moverá do seu
logar, por causa do furor do Senhor dos Exercitos, e por causa do dia da
sua ardente ira.
14 E _cada um_ será como a corça que foge, e como a ovelha que ninguem
recolhe: [9] cada um voltará para o seu povo, e cada um fugirá para a sua
terra.
15 Qualquer que fôr achado será traspassado; e qualquer que se ajuntar
_com elle_ cairá á espada.
16 E suas creanças serão [10] despedaçadas perante os seus olhos: as suas
casas serão saqueadas, e as suas mulheres forçadas.
17 Eis que [11] eu despertarei contra elles os médos, que não farão caso
da prata, nem tão pouco desejarão oiro.
18 E _os seus_ arcos despedaçarão os mancebos, e não se compadecerão do
fructo do ventre; o seu olho não poupará aos filhos.
19 Assim será Babylonia, [12] o ornamento dos reinos, a gloria _e_ a
soberba dos chaldeos, [13] como Sodoma e Gomorrha, quando Deus _as_
transtornou.
20 Nunca mais [14] haverá habitação _n’ella_, nem se habitará de geração
em geração: nem o arabe armará ali a sua tenda, nem tão pouco os pastores
ali [VA] farão as _suas_ malhadas.
21 Mas as bestas feras do deserto repousarão ali, [15] e as suas casas
se encherão de horriveis animaes: e ali habitarão as avestruzinhas, e os
satyros pularão ali.
22 E as bestas feras que uivam se apuparão umas ás outras nos seus
palacios vazios, como tambem os [VB] dragões nos _seus_ palacios de
prazer; pois bem perto _já_ vem chegando o seu tempo, e os seus dias se
não prolongarão.
[1] cap. 21.1 e 47.1. Jer. 50 e 51.
[2] cap. 5.26 e 18.3. Jer. 50.2.
[3] Joel 3.11.
[4] Sof. 1.7. Apo. 6.17. Job 31.23. Joel 1.15.
[5] Mal. 4.1. Pro. 2.22.
[6] cap. 24.21, 23. Eze. 32.7. Joel 2.31 e 3.15. Mat. 24.29. Mar. 13.24.
Luc. 21.25.
[7] cap. 2.17.
[8] Agg. 2.7.
[9] Jer. 50.16 e 51.9.
[10] Nah. 3.10. Zac. 14.2.
[11] cap. 21.2. Jer. 51.11, 28. Dan. 5.28, 31.
[12] cap. 14.4, 22.
[13] Gen. 19.24, 25. Deu. 29.23. Jer. 49.18 e 50.40.
[14] Jer. 50.3, 39 e 51.29, 62.
[15] cap. 34.11, 15. Apo. 18.2.
14 Porque o Senhor se compadecerá [1] de Jacob, e ainda escolherá a
Israel e os porá na sua propria terra: [2] e ajuntar-se-hão com elles os
estranhos, e se achegarão á casa de Jacob.
2 E os povos os receberão, [3] e os levarão aos seus logares, e a casa
d’Israel os possuirá por servos e por servas, na terra do Senhor: e
captivarão aquelles que os captivaram, [4] e dominarão sobre os seus
oppressores.
3 E acontecerá _que_ no dia em que Deus vier a dar-te descanço do teu
trabalho, e do teu tremor, e da dura servidão com que te fizeram servir,
4 Então levantarás este dito contra o rei de Babylonia, e dirás: Como
_já_ cessou o oppressor? _como já_ cessou a cidade [VC] dourada?
5 _Já_ quebrantou o Senhor o bastão dos impios _e_ o sceptro dos
dominadores.
6 Aquelle que feria aos povos com furor, com praga sem cessar, o que com
ira dominava sobre as nações _agora_ é perseguido, sem que alguem o possa
impedir.
7 _Já_ descança, _já_ está socegada toda a terra: exclamam com jubilo.
8 Até as faias [5] se alegram sobre ti, _e_ os cedros do Libano,
_dizendo_: Desde que tu ahi estás por terra _já_ ninguem sobe contra nós
que nos _possa_ cortar.
9 O [VD] inferno [6] debaixo se turbou por ti, para te sair ao encontro
na tua vinda: desperta por ti os mortos, _e_ todos os principes da terra,
_e_ faz levantar dos seus thronos a todos os reis das nações.
10 Estes todos responderão, e te dirão: Tu tambem adoeceste como nós, _e_
foste similhante a nós.
11 _Já_ foi derribada no inferno a tua soberba com o som dos teus
alaudes: os bichinhos debaixo de ti se estenderão, e os bichos te
cobrirão.
12 Como [7] caiste desde o céu, ó estrella da manhã, filha da alva do
dia? _como_ foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações?
13 E tu dizias no teu coração: [8] Eu subirei ao céu, por cima das
estrellas de Deus exaltarei o meu throno, e no monte da congregação me
assentarei, da banda dos lados do norte.
14 Subirei sobre as alturas das nuvens, [9] _e_ serei similhante ao
Altissimo.
15 E comtudo derribado [10] serás no inferno, aos lados da cova.
16 Os que te virem te contemplarão, considerar-te-hão, _e dirão_: É este
o varão que fazia estremecer a terra, e que fazia tremer os reinos?
17 Que punha o mundo como o deserto, e assolava as suas cidades? que a
seus presos não deixava _ir_ soltos para _suas_ casas?
18 Todos os reis das nações, todos _quantos_ elles _são_, jazem com
honra, cada um na sua casa.
19 Porém tu és lançado da tua sepultura, como _um_ renovo abominavel,
_como um_ vestido de mortos atravessados á espada, _como_ os que descem
ao covil de pedras, como corpo morto e atropellado.
20 Com elles não serás ajuntado na sepultura; porque destruiste a tua
terra _e_ mataste o teu povo: a semente dos malignos não será nomeada
para sempre.
21 Preparae a matança [11] para os seus filhos pela maldade de seus paes,
para que não se levantem, e possuam a terra, e encham o mundo de cidades.
22 Porque me levantarei contra elles, diz o Senhor dos Exercitos, [12] e
desarraigarei de Babylonia o nome, e os residuos, e o filho, e o neto,
diz o Senhor.
23 E pôl-a-hei [13] por possessão [VE] das corujas e lagôas d’aguas: e
varrel-a-hei com vassoura de perdição, diz o Senhor dos Exercitos.
_Prophecia contra os assyrios._
24 O Senhor dos Exercitos jurou, dizendo: Como pensei, assim succederá, e
como determinei, assim se effectuará.
25 Quebrantarei a Assyria na minha terra, e nas minhas montanhas a
atropellarei, para que o seu jugo se aparte [14] d’elles e a sua carga se
desvie dos seus hombros.
26 Este _é_ o conselho que se consultou sobre toda esta terra; e esta _é_
a mão que está estendida sobre todas as nações.
27 Porque _o_ Senhor dos Exercitos _o_ determinou; [15] quem pois o
invalidará? e a sua mão estendida está; quem pois a tornará _atraz_?
_Prophecia contra os philistinos._
28 No anno em que morreu [16] o rei Achaz, aconteceu esta carga.
29 Não te alegres, ó tu, toda a Philistia, [17] de que é quebrantada a
vara que te feria; porque da raiz da cobra sairá um basilisco, e o seu
fructo _será uma_ serpente ardente, voadora.
30 E os primogenitos dos pobres serão apascentados, e os necessitados se
deitarão seguros; porém farei morrer de fome a tua raiz, e elle matará os
teus residuos.
31 Dá uivos, ó porta, grita, ó cidade, _que já_ tu, ó Philistia, _estás_
toda derretida; porque do norte vem _um_ fumo, e nenhum solitario
_haverá_ nas suas congregações.
32 Que se responderá pois aos mensageiros do povo? Que o Senhor fundou a
Sião, [18] para que os oppressos do seu povo n’ella tenham refugio.
[1] Jer. 51.33.
[2] Zac. 1.17 e 2.12. cap. 60.4, 5, 10. Eph. 2.12, 13, etc.
[3] cap. 49.22 e 60.9 e 66.20.
[4] cap. 60.14.
[5] cap. 55.12. Eze. 31.16.
[6] Eze. 32.21.
[7] cap. 34.4.
[8] Mat. 11.23.
[9] cap. 47.8. II The. 2.4.
[10] Mat. 11.23.
[11] Exo. 20.5. Mat. 23.35.
[12] Job 18.19.
[13] cap. 34.11. Sof. 2.14.
[14] cap. 10.27.
[15] II Chr. 20.6. Job 9.12 e 23.13. cap. 43.13. Dan. 4.31.
[16] II Reis 16.20.
[17] II Chr. 26.6. II Reis 18.8.
[18] Sof. 3.12.
_Predicção da ruina de Moab._
[Antes de Christo 726]
15 Pezo [1] de Moab. Certamente de noite foi destruida Ar de Moab, _e_
foi desfeita: certamente de noite foi destruida Kir de Moab, _e_ foi
desfeita.
2 Vae subindo [2] a Bayith, e a Dibon, aos logares altos, a chorar: por
Nebo e por Medeba Moab uivará; _sobre_ todas as suas cabeças _haverá_
calva, _e_ toda a barba será rapada.
3 Cingiram-se de saccos nas suas ruas; [3] nos seus terraços e nas suas
praças todos andam uivando, _e_ veem descendo e chorando.
4 Assim Hesbon como Eleale, andam gritando, [4] até Jahas se ouve a sua
voz; pelo que os armados de Moab fazem _grande_ grita, a sua alma lhes
será penosa.
5 O meu coração [5] dá gritos por Moab: fugiram os seus [VF] fugitivos
até Zoar, como a novilha de tres annos: porque vae subindo com choro pela
subida de Luhith, porque no caminho de Horonaim levantam _um_ lastimoso
pranto.
6 Porque as aguas de Nimrim serão _uma_ pura assolação; porque _já_
seccou o feno, pereceu a herva, _e_ não ha verdura alguma.
7 Pelo que a abundancia _que_ ajuntaram, e o _de mais_ que guardaram, ao
ribeiro dos salgueiros o levaram.
8 Porque o pranto rodeará aos limites de Moab; até Eglaim _chegará_ o seu
uivo, e ainda até Beerelim _chegará_ o seu uivo.
9 Porquanto as aguas de Dimon estão cheias de sangue, porque ainda
accrescentarei a Dimon os sobejos; [6] _a saber_, leões contra aquelles
que escaparem de Moab, como tambem contra as reliquias da terra.
[1] Jer. 48.1, etc. Eze. 25.8, 11. Amós 2.1. Num. 21.28.
[2] Lev. 21.5. cap. 3.24 e 22.12. Jer. 47.5 e 48.1, 37, 38. Eze. 7.18.
[3] Jer. 48.38.
[4] cap. 16.9.
[5] cap. 16.11. Jer. 48.31. cap. 16.14. Jer. 48.5, 34.
[6] II Reis 17.25.
16 Enviae [1] o cordeiro ao dominador da terra desde Sela, ao deserto,
até ao monte da filha de Sião.
2 D’outro modo succederá que serão as filhas de Moab junto aos váos [2]
de Arnon como o passaro vagueante, lançado do ninho.
3 Toma conselho, faze juizo, põe a tua sombra no pino do meio-dia como a
noite; esconde os desterrados, _e_ não descubras os vagueantes.
4 Habitem entre ti os meus desterrados, ó Moab: serve-lhes de refugio
perante a face do destruidor; porque o oppressor tem fim; a destruição é
desfeita, _e_ os atropelladores _já_ são consumidos sobre a terra.
5 Porque [3] o throno se confirmará em benignidade, e sobre elle no
tabernaculo de David em verdade se assentará um que julgue, e busque o
juizo, e se apresse á justiça.
6 _Já_ ouvimos a [4] soberba de Moab, que é soberbissimo: a sua altivez,
e a sua soberba, e o seu furor; [5] [VG] os seus ferrolhos não são tão
_seguros_.
7 Portanto Moab [6] uivará por Moab; todos uivarão: gemereis pelos
fundamentos de Kir-hareseth, pois já _estão_ quebrados.
8 Porque [7] _já_ os campos d’Hesbon enfraqueceram, _como tambem_ a vide
de Sibma; _já_ os senhores das nações atropellaram as suas melhores
plantas; vão chegando a Jazer; andam vagueando pelo deserto: os seus
renovos se estenderam _e já_ passaram além do mar.
9 Pelo que prantearei, [8] com o pranto de Jazer, a vide de Sibma;
regar-te-hei com as minhas lagrimas, [9] ó Hesbon e Eleale; porque _já_ o
jubilo dos teus fructos de verão e da tua sega caiu.
10 Assim que _já_ se tirou o folguedo e a alegria [10] do fertil campo, e
_já_ nas vinhas se não canta, nem jubilo algum se faz: _já_ o pisador não
pisará as uvas nos lagares; _já_ fiz cessar o jubilo.
11 Pelo que minhas entranhas fazem ruido [11] por Moab como harpa, e o
meu interior por Kirheres.
12 E será _que_, quando virem que _já_ Moab está cançado [12] nos altos,
então entrará no seu sanctuario a orar, porém nada alcançará.
13 Esta _é_ a palavra que fallou o Senhor desde então contra Moab.
14 Porém agora fallou o Senhor, dizendo: Dentro em tres annos (taes quaes
os annos [13] de jornaleiros), então se virá a envilecer a gloria de
Moab, com toda a _sua_ grande multidão; e o residuo _será_ pouco, pequeno
_e_ impotente.
[1] II Reis 3.4.
[2] Num. 21.13.
[3] Dan. 7.14, 27. Miq. 4.7. Luc. 1.33.
[4] Jer. 48.29. Sof. 2.10.
[5] cap. 28.15.
[6] Jer. 48.20. II Reis 3.25.
[7] cap. 24.7. ver. 9.
[8] Jer. 48.32.
[9] cap. 15.4.
[10] cap. 24.8. Jer. 48.33.
[11] cap. 15.5. Jer. 48.36.
[12] cap. 15.2.
[13] cap. 21.16.
_Prophecia contra Damasco e Ephraim._
[Antes de Christo 714]
17 Pezo [1] de Damasco. Eis que Damasco será tirada, e mais não será
cidade, antes será _um_ montão de ruinas.
2 As cidades d’Aroer _serão_ desamparadas: hão de ser para os rebanhos
que se deitarão [2] sem que alguem os espante.
3 E a fortaleza [3] d’Ephraim cessará, como tambem o reino de Damasco e o
residuo da Syria; serão como a gloria dos filhos de Israel, diz o Senhor
dos Exercitos.
4 E será n’aquelle dia que ficará attenuada a gloria de Jacob, e a
gordura da sua carne se emmagrecerá.
5 Porque será [4] como o segador que colhe a ceara e com o seu braço sega
as espigas: _e_ será tambem como o que colhe espigas no valle de Rephaim.
6 Porém ainda ficarão [5] n’elle _alguns_ rabiscos, como no sacudir da
oliveira, _em que só_ duas _ou_ tres azeitonas _ficam_ na mais alta ponta
dos ramos, _e_ quatro _ou_ cinco em seus ramos fructiferos, diz o Senhor
Deus d’Israel.
7 N’aquelle dia attentará [6] o homem para o seu Creador, e os seus olhos
olharão para o Sancto d’Israel.
8 E não attentará para os altares, obra das suas mãos, nem _tão pouco_
olhará para o que fizeram seus dedos, nem para os bosques, nem para as
imagens do sol.
9 N’aquelle dia serão as suas cidades fortes como [VH] plantas
desamparadas, e _como_ os mais altos ramos, os quaes vieram a deixar por
causa dos filhos d’Israel, e haverá assolação.
10 Porquanto te esqueceste do Deus da tua salvação, e não te lembraste da
rocha da tua fortaleza: pelo que _bem_ plantarás plantas formosas, e as
cercarás de sarmentos estranhos.
11 _E_ no dia em que as plantares _as_ farás crescer, e pela manhã farás
que a tua semente brote: _porém_ sómente será um montão do segado no dia
da enfermidade e das dôres insoffriveis.
_Prediz-se a ruina do exercito dos assyrios._
12 Ai da multidão dos grandes povos que bramam como bramem os mares, [7]
e do rugido das nações que rugem como rugem as impetuosas aguas.
13 _Bem_ rugirão as nações, como rugem as muitas aguas, porém
reprehendel-o-ha e fugirá para longe; [8] e será afugentado como a
pragana dos montes diante do vento, e como a bola diante do tufão.
14 No tempo da tarde eis que _ha_ pavor, _mas_ antes que amanheça _já_
não apparece: esta _é_ a parte d’aquelles que nos despojam, e a sorte
d’aquelles que nos saqueiam.
[1] Jer. 49.23. Amós 1.3. Zac. 9.1. II Reis 16.9.
[2] Jer. 7.33.
[3] cap. 7.16 e 8.4.
[4] Jer. 51.33.
[5] cap. 24.13.
[6] Miq. 7.7.
[7] Jer. 6.23.
[8] Ose. 13.3.
_A destruição dos assyrios é annunciada á Ethiopia._
18 Ai da terra [1] [VI] que ensombreia com as suas azas, que _está_ alem
dos rios [VJ] da Ethiopia,
2 Que envia embaixadores por mar, e em navios de junco sobre as aguas,
dizendo: Ide, mensageiros ligeiros, [2] á nação arrastada e pellada, a
_um_ povo terrivel desde o seu principio e d’ahi em diante; a _uma_ nação
[VK] de regra em regra e de atropellar, cuja terra [VL] despojam os rios.
3 Vós, todos os habitadores do mundo, e vós os moradores da terra, [3]
quando se arvorar a bandeira _nos_ montes, o vereis; e quando se tocar a
trombeta, _o_ ouvireis.
4 Porque assim me disse o Senhor: Estarei quieto, olhando desde a minha
morada, como o ardor resplandecente depois da chuva, como a nuvem do
orvalho no ardor da sega.
5 Porque antes da sega, quando _já_ o gomo está perfeito, e as uvas
verdes amadurecem _depois_ de brotarem, então podará os sarmentos com a
podoa, e, cortando os ramos, _os_ tirará d’_ali_.
6 Juntamente serão deixados ás aves dos montes e aos animaes da terra: e
sobre elles passarão o verão as aves de _rapina_, e todos os animaes da
terra invernarão sobre elles.
7 N’aquelle tempo trará _um_ presente [4] ao Senhor dos exercitos o povo
arrastado e pellado, e o povo terrivel desde o seu principio e d’ahi em
diante; uma nação de regra em regra e d’atropellar, cuja terra despojam
os rios, ao logar do nome do Senhor dos exercitos, ao monte de Sião.
[1] cap. 20.4, 5. Eze. 30.4, 5, 9. Sof. 2.12 e 3.10.
[2] ver. 7.
[3] cap. 5.26.
[4] cap. 16.1. Sof. 3.10. Mal. 1.11.
_Prophecia contra o Egypto._
19 Pezo [1] do Egypto. Eis que o Senhor vem cavalgando n’uma nuvem
ligeira, e virá ao Egypto: [2] e os idolos do Egypto serão movidos
perante a sua face, e o coração dos egypcios se derreterá no meio d’elles.
2 Porque farei [3] com que os egypcios se levantem contra os egypcios,
e cada um pelejará contra o seu irmão, e cada um contra o seu proximo,
cidade contra cidade, reino contra reino.
3 E o espirito dos egypcios se esvaecerá no seu interior, e [VM]
destruirei o seu conselho: [4] então consultarão aos _seus_ idolos, e
encantadores, e adivinhos e magicos.
4 E entregarei [5] os egypcios nas mãos de um senhor duro, e um rei
rigoroso dominará sobre elles, diz o Senhor, o Senhor dos Exercitos.
5 E farão perecer [6] as aguas do mar, e o rio se esgotará e seccará.
6 Tambem aos rios farão apodrecer _e_ os esgotarão [7] e farão seccar
[VN] as correntes das cavas: as canas e os juncos se murcharão.
7 [VO] A relva junto ao rio, junto ás ribanceiras dos rios, e tudo o
semeado junto ao rio, se seccará, ao longe se lançará, e _mais_ não
subsistirá.
8 E os pescadores gemerão, e suspirarão todos os que lançam anzol ao rio,
e os que estendem rede sobre as aguas desfallecerão.
9 E envergonhar-se-hão os que trabalham em linho fino, e os que tecem
panno branco.
10 E _juntamente com_ os seus fundamentos [VP] serão quebrantados todos
os que fazem _por_ pago viveiros de prazer.
11 Na verdade loucos _são_ os principes de Zoan, [8] o conselho dos
sabios conselheiros de Pharaó se embruteceu: como pois a Pharaó direis:
_Sou_ filho dos sabios, filho dos antigos reis?
12 Onde [9] _estão_ agora os teus sabios? notifiquem-te agora, ou
informem-se sobre o que o Senhor dos Exercitos determinou contra o Egypto.
13 Loucos se tornaram os principes de Zoan, [10] enganados estão os
principes de Noph: elles farão errar o Egypto, aquelles que são a pedra
de esquina das suas tribus.
14 _Já_ o Senhor derramou no meio d’elle _um_ perverso [11] espirito,
e fizeram errar o Egypto em toda a sua obra, como o bebado _quando_ se
revolve no seu vomito.
15 E não aproveitará ao Egypto obra _nenhuma_ que possa fazer a [12]
cabeça, a cauda, o ramo, ou o junco.
16 N’aquelle tempo os egypcios serão como mulheres, [13] e tremerão e
temerão por causa do movimento da mão do Senhor dos Exercitos, que ha de
mover contra elles.
17 E a terra de Judah será _um_ espanto para os egypcios, _e_ quem d’isso
fizer menção se assombrará de si mesmo, por causa do conselho do Senhor
dos Exercitos, que determinou contra elles.
18 N’aquelle tempo haverá cinco cidades na terra do Egypto que fallem
a lingua de Canaan e façam juramento ao Senhor dos Exercitos: e uma se
chamará: Cidade de destruição.
19 N’aquelle tempo o Senhor [14] terá _um_ altar no meio da terra do
Egypto, e _um_ titulo ao Senhor, arvorado junto do seu termo.
20 E servirá de signal [15] e de testemunho ao Senhor dos Exercitos na
terra do Egypto, porque ao Senhor clamarão por causa dos oppressores, e
elle lhes enviará _um_ Redemptor e _um_ Protector, que os livre.
21 E o Senhor se fará conhecer aos egypcios, e os egypcios conhecerão ao
Senhor n’aquelle dia, [16] e servirão _com_ sacrificios e offertas, e
votarão votos ao Senhor, e _os_ pagarão.
22 E ferirá o Senhor aos egypcios, e os curará: e converter-se-hão ao
Senhor, e mover-se-ha ás suas orações, e os curará;
23 N’aquelle [17] dia haverá estrada do Egypto até á Assyria, e os
assyrios virão ao Egypto, e os egypcios á Assyria: e os egypcios servirão
com os assyrios ao Senhor.
24 N’aquelle dia Israel será o terceiro com os egypcios e os assyrios,
_uma_ benção no meio da terra.
25 Porque o Senhor dos Exercitos os abençoará, dizendo: Bemdito _seja_
o meu povo do Egypto e Assyria, [18] a obra de minhas mãos, e Israel a
minha herança.
[1] Jer. 46.13. Eze. 29 e 30.
[2] Exo. 12.12. Jer. 43.12.
[3] Jui. 7.22. I Sam. 14.16, 20. II Chr. 20.23.
[4] cap. 8.19.
[5] cap. 20.4. Jer. 46.26. Eze. 29.19.
[6] Jer. 51.36. Eze. 30.12.
[7] II Reis 19.24.
[8] Num. 13.22.
[9] I Cor. 1.20.
[10] Jer. 2.16.
[11] I Reis 22.22. cap. 29.10.
[12] cap. 9.14.
[13] Jer. 51.30. Nah. 3.13.
[14] Jos. 22.10, 26, 27.
[15] Jos. 4.20 e 22.27.
[16] Mal. 1.11.
[17] cap. 11.16.
[18] cap. 29.23. Eph. 2.10.
_Prophecia symbolica do captiveiro dos egypcios e dos ethiopes._
20 No anno em que [1] veiu Tartan a Asdod, enviando-o Sargon, rei da
Assyria, e guerreou contra Asdod, e a tomou;
2 No mesmo tempo fallou o Senhor pelo ministerio d’Isaias, filho d’Amós,
dizendo: [2] Vae, solta o sacco de teus lombos, e descalça os teus
sapatos dos teus pés. E assim o fez, indo nú e descalço.
3 Então disse o Senhor: Assim como anda o meu servo Isaias, nú e
descalço, [3] _por_ signal e prodigio _de_ tres annos sobre o Egypto e
sobre a Ethiopia,
4 Assim o rei da Assyria levará _em captiveiro_ os presos do Egypto, e os
captivados da Ethiopia, assim moços como velhos, nús e descalços, [4] e
descobertas as nadegas _para_ vergonha dos egypcios.
5 E assombrar-se-hão, [5] e envergonhar-se-hão, por causa dos ethiopes,
para quem attentavam, como tambem dos egypcios, sua gloria.
6 Então dirão os moradores d’esta ilha n’aquelle dia: Olhae que tal _foi_
aquelle, para quem attentavamos, a quem nos acolhemos por soccorro, para
nos livrarmos da face do rei da Assyria! como pois escaparemos nós?
[1] II Reis 18.17.
[2] I Sam. 19.24. Miq. 1.8.
[3] cap. 3.18.
[4] II Sam. 10.4. Jer. 13.22, 26.
[5] II Reis 18.21. cap. 30.3, 5, 7 e 36.6.
_Predicção da queda de Babylonia._
21 Pezo do deserto _da banda_ do mar. [1] Como os tufões de vento passam
por meio _da terra_ do sul, _assim_ do deserto virá, da terra horrivel.
2 Visão dura se notificou: o perfido trata perfidamente, [2] e o
destruidor anda destruindo: sobe, [3] ó Elam, sitía, ó médo, _que já_
fiz cessar todo o seu gemido.
3 Pelo que [4] os meus lombos estão cheios de grande enfermidade,
angustias se apoderaram de mim como as angustias da que pare: _já_ me
encurvo de ouvir, e estou espantado de ver.
4 O meu coração anda errado, espavorece-me o horror: _e_ o crepusculo,
que desejava, [5] me tornou em tremores.
5 Põe a mesa, vigia na atalaia, come, bebe: levantae-vos, principes, _e_
untae o escudo.
6 Porque assim me disse o Senhor: Vae, põe _uma_ sentinella, _e_ que diga
o que vir.
7 E viu [6] um carro com um par de cavalleiros, um carro de jumentos, _e_
um carro de camelos, e attentou attentamente com grande attenção.
8 E clamou: Um leão _vejo_, Senhor, [7] sobre a atalaia de vigia estou em
pé continuamente de dia, e sobre a minha guarda me ponho noites inteiras.
9 E eis agora vem um carro de homens, _e_ cavalleiros aos pares. Então
respondeu e disse: [8] Caída é Babylonia, caída é! e todas as imagens de
esculptura dos seus deuses quebrantou contra a terra.
10 Ah malhada [9] minha, e trigo da minha eira! o que ouvi do Senhor dos
Exercitos, Deus de Israel, isso vos notifiquei.
_Prophecia contra Duma._
11 Pezo [10] de Duma. Dão-me gritos de Seir: Guarda, que houve de noite?
guarda, que houve de noite?
12 _E_ disse o guarda: Vem a manhã, e tambem a noite; se quereis
perguntar, perguntae; tornae-vos, _e_ vinde.
_Prophecia contra Arabia._
13 Pezo contra Arabia. Nos bosques de Arabia passareis a noite, ó
viandantes de Dedanim.
14 Sahi ao encontro dos sequiosos com agua: os moradores da terra de Tema
com o seu pão encontraram os que fugiam.
15 Porque fogem de diante das espadas, de diante da espada nua, e de
diante do arco armado, e de diante do pezo da guerra.
16 Porque assim me disse o Senhor: [11] Ainda dentro d’um anno, como os
annos de jornaleiro, será arruinada toda a gloria de Kedar.
17 E os residuos do numero dos frecheiros, os valentes dos filhos de
Kedar, serão diminuidos, porque _assim_ o disse o Senhor, Deus de Israel.
[1] Zac. 9.14.
[2] cap. 33.1.
[3] Jer. 49.34.
[4] cap. 13.8.
[5] Deu. 28.67.
[6] ver. 9.
[7] Hab. 2.1.
[8] Jer. 51.8. Apo. 14.8 e 18.2. cap. 46.1. Jer. 50.2 e 51.44.
[9] Jer. 51.33.
[10] I Chr. 1.30. Eze. 35.2.
[11] cap. 16.4.
_Quadro prophetico do cerco de Jerusalem._
[Antes de Christo 712]
22 Pezo do valle da visão. Que tens agora, que toda tu subiste aos
telhados?
2 Tu, cheia de arroidos, cidade turbulenta, [1] cidade que salta de
alegria, os teus mortos não _foram_ mortos á espada, nem morreram na
guerra.
3 Todos os teus principes juntamente fugiram, os frecheiros os amarraram:
todos os que em ti se acharam, foram amarrados juntamente, e fugiram de
longe.
4 Portanto digo: Virae de mim a vista, _e_ chorarei amargamente: [2] não
_vos_ canceis mais em consolar-me pela destruição da filha do meu povo.
5 Porque [3] _é um_ dia d’alvoroço, e de atropellamento, e de confusão
da parte do Senhor Jehovah dos Exercitos, no valle da visão: _dia_ de
derribar o muro e de gritar até ao monte.
6 Porque _já_ Elam [4] tomou a aljava, _já_ o homem está no carro,
_tambem_ ha cavalleiros: e Kir descobre os escudos.
7 E será que os teus mais formosos valles se encherão de carros, e os
cavalleiros se porão em ordem ás portas.
8 E descobrirá a coberta de Judah, [5] e n’aquelle dia olharás para as
armas da casa do bosque.
9 E vereis [6] as roturas da cidade de David, porquanto _já_ são muitas,
e ajuntareis as aguas do viveiro de baixo.
10 Tambem contareis as casas de Jerusalem, e derribareis as casas, para
fortalecer os muros.
11 Fareis tambem [7] _uma_ cova entre ambos os muros para as aguas
do viveiro velho, porém não olhastes acima para o que fez isto, nem
considerastes o que o formou desde a antiguidade.
12 E o Senhor, o Senhor dos Exercitos chamará n’aquelle [8] dia ao choro,
e ao pranto, e á rapadura da cabeça, e ao cingidouro do sacco.
13 Porém eis aqui gozo e alegria, matando-se vaccas e degolando-se
ovelhas, comendo-se carne, e bebendo-se vinho, _e dizendo-se_: [9]
Comamos e bebamos, porque ámanhã morreremos.
14 Mas [10] o Senhor dos Exercitos se manifestou nos meus ouvidos,
_dizendo_: _Vivo eu_, que esta maldade não vos será [VQ] perdoada até
que morraes, diz o Senhor Jehovah dos Exercitos.
_Sebna é degradado; Eliakim é exaltado._
15 Assim diz o Senhor Jehovah dos Exercitos: Anda _e_ vae-te com este
thesoureiro, com Sebna, o mordomo, _e dize-lhe_:
16 Que é o que tens aqui? ou a quem tens tu aqui, que te lavrasses aqui
sepultura? [11] _como_ o que lavra em logar alto a sua sepultura _e_
debuxa na penha _uma_ morada para si.
17 Eis que o Senhor _d’aqui_ te transportará do transporte de varão, e de
todo te cobrirá.
18 Certamente te fará rodar, como se faz rodar a bola em terra larga
_e_ espaçosa: ali morrerás, e ali _acabarão_ os carros da tua gloria, ó
opprobrio da casa do teu Senhor.
19 E rejeitar-te-hei do teu estado, e te repuxará do teu assento.
20 E será n’aquelle dia que chamarei a meu servo Eliakim [12] filho
d’Hilkias.
21 E vestil-o-hei da tua tunica, e esforçal-o-hei com o teu talabarte, e
entregarei nas suas mãos o teu dominio, e será como pae para os moradores
de Jerusalem, e para a casa de Judah.
22 E porei a chave da casa de David sobre o seu hombro, [13] e abrirá, e
ninguem fechará, e fechará, e ninguem abrirá.
23 E pregal-o-hei _como_ a um [14] prego n’um logar firme, e será como
_um_ throno de honra para a casa de seu pae.
24 E n’elle pendurarão toda a honra da casa de seu pae, dos renovos e dos
descendentes, _como tambem_ todos os vasos menores, desde os vasos das
taças até todos os vasos dos odres.
25 N’aquelle dia, diz o Senhor dos Exercitos, o prego pregado em logar
firme será tirado: e será cortado, e cairá, e a carga que n’elle está se
cortará, porque o Senhor o disse.
[1] cap. 32.13.
[2] Jer. 9.1.
[3] cap. 37.3.
[4] Jer. 49.35. cap. 15.1.
[5] I Reis 7.2 e 10.17.
[6] II Reis 20.20. II Chr. 32.4, 5, 30.
[7] Neh. 3.16.
[8] Joel 1.13. Esd. 9.3. cap. 15.2. Miq. 1.10.
[9] cap. 56.12. I Cor. 15.32.
[10] cap. 5.9. I Sam. 3.14.
[11] Mat. 27.60.
[12] II Reis 18.18.
[13] Job 12.14. Apo. 3.7.
[14] Esd. 9.8.
_A ruina e restauração de Tyro._
[Antes de Christo 715]
23 Pezo [1] de Tyro. Uivai, navios de Tharsis, porque _já_ assolada está
até _n’ella_ casa nenhuma mais ficar _e n’ella_ ninguem mais entrar:
desde a terra de Chittim lhes foi _isto_ revelado.
2 Calae-vos, moradores da ilha, vós a quem encheram os mercadores de
Sidon, navegando pelo mar.
3 E a sua provisão _era_ a semente de Sichor, _que vinha_ com as muitas
aguas da sega do rio, e era a feira das nações.
4 Envergonha-te, ó Sidon, porque _já_ o mar, a fortaleza do mar, falla,
dizendo: Eu não tive dôres de parto, nem pari, nem ainda creei mancebos,
_nem_ eduquei donzellas.
5 Como com as novas do Egypto, assim haverá dôres quando se ouvirem _as_
de Tyro.
6 Passae a Tharsis: uivae, moradores da ilha.
7 _É_ esta _porventura_ [2] a vossa _cidade_ que andava pulando de
alegria? cuja antiguidade _é_ dos dias antigos? _pois_ leval-a-hão os
seus proprios pés para longe andarem a peregrinar.
8 Quem formou este designio contra Tyro, a coroadora? cujos mercadores
_são_ principes _e_ cujos negociantes os mais nobres da terra?
9 O Senhor dos Exercitos formou este designio para profanar a soberba de
todo o ornamento, _e_ envilecer os mais nobres da terra.
10 Passa-te como rio pela tua terra, ó filha de Tharsis, _pois_ já não ha
precinta.
11 A sua mão estendeu sobre o mar, e turbou os reinos: o Senhor deu
mandado contra Canaan, que se destruissem as suas fortalezas.
12 E disse: [3] Nunca mais pularás de alegria, ó opprimida donzella,
filha de Sidon: levanta-te, passa a Chittim, e ainda ali não terás
descanço.
13 Vêde a terra dos chaldeos, ainda este povo não era povo; a Assyria o
fundou para os que moravam no deserto: levantaram as suas fortalezas, e
edificaram os seus paços; _porém_ a arruinou de todo.
14 Uivae, [4] navios de Tharsis, porque _já_ é destruida a vossa força.
15 E será n’aquelle dia que Tyro será posta em esquecimento por setenta
annos, como os dias d’um rei: _porém_ no fim de setenta annos haverá em
Tyro _cantigas_, como a cantiga d’_uma_ prostituta.
16 Toma a harpa, rodeia a cidade, ó prostituta entregue ao esquecimento;
toca bem, canta e repete a aria, para que haja memoria de ti.
17 Porque será no fim de setenta annos que o Senhor visitará a Tyro, e se
tornará á sua ganancia de prostituta, e fornicará com todos os reinos da
terra que ha sobre a face da terra.
18 E o seu commercio e a sua ganancia de prostituta será [5] consagrado
ao Senhor; não se enthesourará, nem se fechará; mas o seu commercio será
para os que habitam perante o Senhor, para que comam até se saciarem, e
tenham vestimenta duravel.
[1] Jer. 25.22 e 47.4. Eze. 26 e 27 e 28. Amós 1.9. Zac. 9.2, 4. ver. 12.
[2] cap. 22.2.
[3] Apo. 18.22. ver. 1.
[4] ver. 1. Eze. 27.25, 30.
[5] Zac. 14.20, 21.
_Predicção do castigo dos israelitas, e o seu bom effeito. A promessa
de livramento e da ruina dos seus inimigos. Cantico de louvor pela
misericordia de Deus._
[Antes de Christo 712]
24 Eis que o Senhor esvazia a terra, e a desola, e transtorna a sua face,
e espalha os seus moradores.
2 E assim como fôr o povo, [1] assim será o sacerdote; como o servo,
assim o seu senhor; como a serva, assim a sua senhora; [2] como o
comprador, assim o vendedor; como o que empresta, assim o que toma
emprestado; como o que dá usura, assim o que toma usura.
3 De todo se esvaziará a terra, e de todo será saqueada, porque o Senhor
pronunciou esta palavra.
4 A terra pranteia _e_ se murcha: o mundo enfraquece e se murcha:
enfraquecem os mais altos do povo da terra.
5 Porque a terra [3] está contaminada por causa dos seus moradores;
porquanto trespassam as leis, mudam os estatutos, e aniquilam a alliança
eterna.
6 Por isso [4] a maldição consome a terra; e os que habitam n’ella serão
desolados; por isso serão queimados os moradores da terra, e poucos
homens ficarão de resto.
7 Pranteia o mosto, [5] enfraquece a vida; _e_ suspirarão todos os
alegres de coração.
8 _Já_ cessou o folguedo [6] dos tamboris, acabou o arruido dos que pulam
de prazer, _e_ descançou a alegria da harpa.
9 Com cantares não beberão vinho; a bebida forte será amarga para os que
a beberem.
10 _Já_ demolida está a cidade vazia, todas as casas fecharam, ninguem já
pode entrar.
11 Um lastimoso clamor por causa do vinho _se ouve_ nas ruas: toda a
alegria se escureceu, _já_ se desterrou o gozo da terra.
12 Desolação ainda ficou de resto na cidade, e com estalidos se quebra a
porta.
13 Porque assim será no interior da terra, _e_ no meio d’estes povos, [7]
como a sacudidura da oliveira, _e_ como os rabiscos, quando está acabada
a vindima.
14 Estes alçarão a sua voz, _e_ cantarão com alegria; _e_ por causa da
gloria do Senhor exultarão desde o mar.
15 Por isso glorificae ao Senhor nos valles, [8] _e_ nas ilhas do mar ao
nome do Senhor Deus d’Israel.
16 Dos ultimos fins da terra ouvimos psalmos _para_ gloria do Justo;
porém _agora_ digo eu: Emmagreço, emmagreço, ai de mim! [9] os perfidos
tratam perfidamente, e com perfidia tratam os perfidos perfidamente.
17 O temor, e a cova, e o laço _veem_ sobre ti, [10] ó morador da terra.
18 E será que aquelle que fugir da voz do temor cairá na cova, e o que
subir da cova o laço o prenderá; [11] porque _já_ as janellas do alto se
abrem, e os fundamentos da terra tremerão.
19 De todo será quebrantada a terra, [12] de todo se romperá a terra, _e_
de todo se moverá a terra.
20 De todo balanceará [13] a terra como o bebado, e será movida e
removida como a choça de noite; e a sua transgressão se aggravará sobre
ella, e cairá, e nunca mais se levantará.
21 E será que n’aquelle dia o Senhor visitará os exercitos do alto na
altura, e os reis da terra sobre a terra.
22 E juntamente serão amontoados _como_ presos n’uma masmorra, e serão
encarcerados n’um carcere: e _outra vez_ serão visitados depois de muitos
dias.
23 E a lua [14] se envergonhará, e o sol se confundirá quando [15] o
Senhor dos Exercitos reinar no monte de Sião e em Jerusalem; e então
perante os seus anciãos _haverá_ gloria.
[1] Ose. 4.9.
[2] Eze. 7.12, 13.
[3] Gen. 3.17. Num. 35.33.
[4] Mal. 4.6.
[5] cap. 16.8, 9. Joel 1.10, 12.
[6] Jer. 7.34 e 16.9 e 25.10. Eze. 26.13. Ose. 2.11. Apo. 18.22.
[7] cap. 17.5, 6.
[8] Mal. 1.11.
[9] Jer. 5.11.
[10] I Reis 19.17. Jer. 48.43, 44. Amós 5.19.
[11] Gen. 7.11.
[12] Jer. 4.23.
[13] cap. 19.14.
[14] cap. 13.10 e 60.19. Eze. 32.7. Joel 2.11 e 3.15.
[15] Apo. 19.4, 6. Heb. 12.22.
25 Ó Senhor, tu és o meu Deus; [1] exaltar-te-hei a ti, _e_ louvarei o
teu nome, porque fizeste maravilhas: os _teus_ conselhos antigos _são_
verdade _e_ firmeza.
2 Porque da cidade fizeste [2] um montão de pedras, _e_ da forte cidade
uma _inteira_ ruina, _e_ do paço dos estranhos, que não seja mais cidade,
e jámais se torne a edificar.
3 Pelo que te glorificará [3] um poderoso povo, _e_ a cidade das nações
formidaveis te temerá.
4 Porque foste a fortaleza do pobre, _e_ a fortaleza do necessitado, na
sua angustia: refugio contra o alagamento, [4] _e_ sombra contra o calor;
porque o sopro dos tyrannos _é_ como o alagamento _contra_ o muro.
5 Como o calor em logar secco, _assim_ abaterás o impeto dos estranhos;
_como se aplaca_ o calor pela sombra da espessa nuvem, _assim_ o cantico
dos tyrannos será humilhado.
6 E o Senhor dos Exercitos [5] fará n’este monte a todos os povos um
convite de cevados, convite de vinhos puros, de tutanos gordos, _e_ de
vinhos puros, _bem_ purificados.
7 E devorará n’este monte a mascara do rosto, com que todos os povos
andam cobertos, [6] e a cobertura com que todas as nações se cobrem.
8 Devorará _tambem_ [7] a morte com victoria, [8] e _assim_ enxugará o
Senhor JEHOVAH as lagrimas de todos os rostos, e tirará o opprobrio do
seu povo de toda a terra; porque o Senhor o disse.
9 E n’aquelle dia se dirá: [9] Eis-que este _é_ o nosso Deus, a quem
aguardavamos, e elle nos salvará: este _é_ o Senhor, a quem aguardavamos:
na sua salvação _pois_ nos gozaremos e alegraremos.
10 Porque a mão do Senhor descançará n’este monte; mas Moab será trilhado
debaixo d’elle, como se trilha a palha no monturo.
11 E estenderá as suas mãos por entre elles, como _as_ estende o nadador
para nadar: e abaterá a sua altivez com as ciladas das suas mãos d’elles.
12 E abaixará as altas fortalezas dos teus muros, as abaterá _e_ as
derribará em terra até ao pó.
[1] Exo. 15.2.
[2] cap. 21.9 e 23.13. Jer. 51.37.
[3] Apo. 11.13.
[4] cap. 4.6.
[5] cap. 2.2, 3. Pro. 9.2. Mat. 22.4. Dan. 7.14. Mat. 8.11.
[6] II Cor. 3.15.
[7] Ose. 13.14. I Cor. 15.54. Apo. 7.17 e 21.4.
[8] Apo. 7.17 e 21.4.
[9] Gen. 49.18. Tito 2.13.
26 N’aquelle dia [1] se cantará este cantico na terra de Judah: _Uma_
forte cidade temos, _Deus lhe_ poz a salvação por muros e antemuros.
2 Abri as portas, para que entre n’ellas a nação justa, que observa a
verdade.
3 Tu conservarás em paz _aquelle cuja_ mente _está_ firme _em ti_, porque
confiará em ti.
4 Confiae no Senhor perpetuamente; [2] porque em Deus Senhor _ha_ uma
rocha eterna.
5 Porque elle abate os que habitam em _logares_ sublimes, _como tambem_ a
cidade exalçada [3] humilhará até ao chão, _e_ a derribará até ao pó.
6 O pé a atropellará; os pés dos afflictos, _e_ os passos dos pobres.
7 O caminho do justo _é_ todo plano: tu rectamente pesas o andar do justo.
8 Até no caminho dos teus juizos, Senhor, te esperamos, [4] no teu nome e
na tua lembrança _está_ o desejo da _nossa_ alma.
9 _Na_ minha alma [5] te desejei de noite, e _com_ o meu espirito, _que
está_ dentro de mim, madrugarei a buscar-te; porque, _havendo_ os teus
juizos na terra, os moradores do mundo aprendem justiça.
10 _Ainda que_ se faça favor [6] ao impio, nem _por isso_ aprende a
justiça; _até_ na terra da rectidão obra iniquidade, e não olha para a
alteza do Senhor.
11 Ó Senhor, _ainda que_ esteja exaltada a tua mão, [7] nem _por isso_ a
vêem: vel-a-hão, _porém_, e confundir-se-hão por causa do zelo _que tens_
do _teu_ povo; e o fogo consumirá a teus adversarios.
12 Ó Senhor, tu nos darás a paz, porque tu és o que fizeste em nós todas
as nossas obras.
13 Ó Senhor Deus nosso, [8] _já outros_ senhores teem tido dominio sobre
nós; _porém_, por ti só, nos lembramos do teu nome.
14 Morrendo elles, não _tornarão_ a viver; fallecendo, não resuscitarão;
por isso os visitaste e destruiste, e apagaste toda a sua memoria.
15 Tu, Senhor, augmentaste a esta gente, tu augmentaste a esta gente,
fizeste-te glorioso; _mas_ longe os lançaste, _a_ todos os fins da terra.
16 Ó Senhor, no aperto te visitaram; [9] _vindo_ sobre elles a tua
correcção, derramaram a _sua_ oração secreta.
17 Como [10] a mulher gravida, quando está proxima ao parto, tem dôres do
parto, e dá gritos nas suas dôres, assim fomos nós por causa da tua face,
ó Senhor!
18 _Bem_ concebemos nós, _e_ tivemos dôres de parto, porém parimos _só_
vento: livramento não trouxemos á terra, nem cairam os moradores do mundo.
19 Os [11] teus mortos viverão, _como tambem_ o meu corpo morto, _e
assim_ resuscitarão; despertae e exultae, os que habitaes no pó, porque
o teu orvalho será _como_ o orvalho de hortaliças, e a terra lançará _de
si_ os mortos.
20 Vae _pois_, povo meu, entra nos teus quartos, e fecha as tuas portas
sobre ti: [12] esconde-te por um só momento, até que passe a ira.
21 Porque eis-que o Senhor [13] sairá do seu logar, para castigar os
moradores da terra, por causa da sua iniquidade, e a terra descobrirá o
seu sangue, e não encobrirá mais os seus mortos _á espada_.
[1] cap. 2.11 e 60.18.
[2] cap. 45.17.
[3] cap. 25.12 e 32.19.
[4] cap. 64.4, 5.
[5] Can. 3.1.
[6] Ecc. 8.12. Rom. 2.4.
[7] cap. 5.12.
[8] II Chr. 12.8.
[9] Ose. 5.15.
[10] cap. 13.8. João 16.21.
[11] Dan. 12.2.
[12] cap. 54.7, 8. II Cor. 4.17.
[13] Miq. 1.3. Jud. 14.
27 N’aquelle dia o Senhor castigará com a sua espada dura, grande e
forte, ao Leviathan, _aquella_ serpente [VR] comprida, e ao Leviathan,
_aquella_ serpente [1] tortuosa, e matará o dragão, que _está_ no mar.
2 N’aquelle dia haverá _uma_ vinha de vinho tinto; [2] cantae d’ella.
3 Eu o Senhor a guardo, _e_ cada momento a regarei; para que ninguem lhe
faça damno, de noite e de dia a guardarei.
4 _Já_ não ha furor em mim: [3] quem me poria sarças _e_ espinheiros
diante de mim na guerra? eu iria contra elles _e_ juntamente os queimaria.
5 Ou pegue [4] da minha força, _e_ faça paz comigo: paz fará comigo.
6 _Dias_ virão em que Jacob lançará raizes, [5] _e_ florescerá e brotará
Israel, e encherão de fructo a face do mundo.
7 _Porventura_ feriu-o elle como feriu aos que o feriram? ou matou-o elle
assim como matou aos que foram mortos por elle?
8 Com medida contendeste com ella, quando a rejeitaste, [6] _quando_ a
tirou com o seu vento forte, no tempo do vento leste.
9 Por isso se expiará a iniquidade de Jacob, e este _será_ todo o fructo,
de se ter dado peccado: quando fizer a todas as pedras do altar como
pedras de cal feitas em pedaços, _então_ os bosques e as imagens do sol
não poderão ficar em pé.
10 Porque a forte cidade _ficará_ solitaria, _e_ a morada será rejeitada
e desamparada como _um_ deserto; ali [7] pastarão os bezerros, e ali se
deitarão, e devorarão as suas ramas.
11 Quando as suas ramas se seccarem, serão quebradas, _e_, vindo
as mulheres, as accenderão, [8] porque este _povo_ não _é_ povo de
entendimento, pelo que aquelle que o fez não se compadecerá d’elle, nem
aquelle que o formou lhe fará graça _alguma_.
12 E será [9] n’aquelle dia que o Senhor o padejará _como se padeja o
trigo_, desde as correntes do rio, até ao rio do Egypto; e vós, ó filhos
de Israel, sereis colhidos um a um.
13 E será n’aquelle dia que se tocará uma grande trombeta, e os que
andavam perdidos pela terra da Assyria, e os que foram desterrados para a
terra do Egypto _tornarão_ a vir, e adorarão ao Senhor no monte sancto em
Jerusalem.
[1] Eze. 32.2.
[2] cap. 5.1. Jer. 2.21.
[3] II Sam. 23.6. cap. 9.18.
[4] cap. 25.4. Job 22.21.
[5] cap. 37.31. Ose. 14.5, 6.
[6] Jer. 10.24 e 30.11 e 46.28.
[7] cap. 17.2 e 32.14.
[8] Deu. 32.28. cap. 1.3. Jer. 8.7. Deu. 32.18. cap. 43.1, 7 e 44.2, 21,
24.
[9] cap. 2.11. Mat. 24.31. Apo. 11.15.
_O annuncio do castigo de Ephraim e de Judah por causa da sua
impenitencia._
[Antes de Christo 725]
28 Ai da corôa [1] de soberba dos bebados de Ephraim, cujo glorioso
ornamento _é como_ a flor que cae, que _está_ sobre a cabeça do fertil
valle dos feridos do vinho.
2 Eis que o Senhor tem um valente e poderoso _que_ [2] como _um_
alagamento de saraiva, tormenta de destruição, e como _um_ alagamento de
impetuosas aguas que trasbordam, com a mão derribará por terra.
3 A corôa [3] de soberba dos bebados de Ephraim será pisada aos pés.
4 E a flor caida do seu [4] glorioso ornamento, que _está_ sobre a cabeça
do fertil valle, será como a bêbera antes do verão, que, vendo a alguem,
_e_ tendo-a ainda na mão, a engole.
5 N’aquelle dia o Senhor dos Exercitos será por corôa gloriosa, e por
grinalda formosa, para os residuos de seu povo;
6 E por espirito de juizo, para o que se assenta a julgar, e por
fortaleza para os que fazem retirar a peleja até á porta.
7 Mas tambem estes [VS] erram com o vinho [5] e com a bebida forte se
desencaminham: _até_ [6] o sacerdote e o propheta erram por causa da
bebida forte; são devorados do vinho; se desencaminham com a bebida
forte, andam errados na visão, _e_ tropeçam no juizo.
8 Porque todas as _suas_ mesas estão cheias de vomitos _e_ sujidade, até
não _haver mais_ logar _limpo_.
9 A quem [7] _pois_ se ensinaria a sciencia? e a quem se daria a entender
o que se ouviu? ao desmamado do leite, e ao arrancado dos peitos.
10 Porque _é_ mandamento, sobre mandamento, mandamento sobre mandamento,
regra sobre regra, regra sobre regra: um pouco aqui, um pouco ali.
11 Pelo que por [8] labios de gago, e por outra lingua, fallará a este
povo.
12 Ao qual disse: Este _é_ o descanço, dae descanço ao cançado, e este é
o refrigerio: porém não quizeram ouvir.
13 Assim pois a palavra do Senhor lhes será mandamento sobre mandamento,
mandamento sobre mandamento, regra sobre regra, regra sobre regra,
um pouco aqui, um pouco ali; para que vão, e caiam para traz, e se
quebrantem, e se enlacem, e sejam presos.
14 Pelo que ouvi a palavra do Senhor, homens escarnecedores, que dominam
este povo, que está em Jerusalem.
15 Porquanto dizeis: Fizemos concerto com a morte, e com o [VT] inferno
fizemos alliança; quando passar o diluvio do açoite, não chegará a nós,
porque pozemos a mentira por nosso refugio, e debaixo da falsidade nos
escondemos.
16 Portanto assim diz o Senhor Jehovah: [9] Eis que eu fundo em Sião uma
pedra, uma pedra já provada, _pedra_ preciosa de esquina, _que está bem_
firme _e_ fundada: aquelle que crer não se apresse.
17 E regrarei o juizo ao cordel, e a justiça ao nivel, [10] e a saraiva
varrerá o refugio da mentira, e as aguas cobrirão o esconderijo.
18 E o vosso concerto com a morte se annulará; e a vossa alliança com
o inferno não subsistirá; e, quando o diluvio do açoite passar, então
sereis d’elle pisados.
19 Desde que começa a passar, vos arrebatará, porque todas as manhãs
passará, de dia e de noite: e será que sómente o ouvir a fama _causará
grande_ turbação.
20 Porque a cama será _tão_ curta que _ninguem_ se poderá estender
n’ella; e o cobertor _tão_ estreito que se não possa cobrir _com elle_.
21 Porque o Senhor se levantará como no monte [11] de Perazim, e se
irará, como no valle de Gibeon, para fazer a sua obra, a sua estranha
obra, e para executar o seu acto, o seu estranho acto.
22 Agora pois _mais_ não escarneçaes, para que vossas ataduras se não
façam mais fortes: porque já ao Senhor Jehovah dos Exercitos ouvi [12]
_fallar_ d’_uma_ [VU] destruição, e _essa já_ está determinada sobre toda
a terra.
23 Inclinae os ouvidos, e ouvi a minha voz: attendei bem, e ouvi o meu
discurso.
24 _Porventura_ lavra todo o dia o lavrador, para semear? _ou_ abre e
desterroa _todo o dia_ a sua terra?
25 _Porventura_ não _é_ assim? quando _já_ tem gradado a sua superficie,
então esparge _n’ella_ ervilhaca, e derrama cominho: ou lança _n’ella_ do
melhor trigo, ou cevada escolhida, ou centeio, cada qual no seu logar.
26 O seu Deus o ensina, _e_ o instrue ácerca do que ha de fazer.
27 Porque a ervilhaca não se trilha com trilho, nem sobre o cominho passa
roda de carro; mas com _uma_ vara se sacode a ervilhaca, e o cominho com
_um_ páu.
28 O trigo é esmiuçado, mas não se trilha continuamente, nem se esmiuça
com as rodas do seu carro, nem se quebranta com os seus cavallos.
29 Até isto procede do Senhor dos Exercitos; [13] _porque_ é maravilhoso
em conselho _e_ grande em obra.
[1] ver. 3 e 4.
[2] cap. 30.30. Eze. 13.11.
[3] ver. 1.
[4] ver. 1.
[5] Pro. 20.1. Ose. 4.11.
[6] cap. 56.10, 12.
[7] Jer. 6.10.
[8] I Cor. 14.21.
[9] Gen. 49.24. Mat. 21.42. Act. 4.11. Rom. 9.33 e 10.11. Eph. 2.20. I
Ped. 2.6, 7, 8.
[10] ver. 15.
[11] II Sam. 5.20. I Chr. 14.11. Jos. 10.10, 12. II Sam. 5.25. I Chr.
14.16.
[12] cap. 10.22, 23. Dan. 9.27.
[13] Jer. 32.19.
_Prophecia contra Judah infiel: promessa de livramento._
[Antes de Christo 712]
29 Ai d’Ariel, [1] Ariel, a cidade _em que_ David assentou o seu arraial!
accrescentae anno a anno, e [VV] sacrifiquem sacrificios festivos.
2 Comtudo porei a Ariel em aperto, e haverá pranto e tristeza: e _a
cidade_ me será como Ariel.
3 Porque te cercarei _com o meu_ arraial, e te sitiarei com baluartes, e
levantarei tranqueiras contra ti.
4 Então serás abatida, fallarás desde _debaixo_ da terra, e a tua falla
desde o pó sairá fraca, [2] e será a tua voz desde _debaixo_ da terra,
como a d’_um_ feiticeiro, e a tua falla assobiará desde _debaixo_ do pó.
5 E a multidão dos teus [VW] inimigos será como [3] o pó miudo, e a
multidão dos [VX] tyrannos como a pragana que passa, e n’um momento
repentino succederá.
6 Do Senhor dos Exercitos serás visitada com trovões, e com terremotos,
e grande arroido _com_ tufão de vento, e tempestade, e labareda de fogo
consumidor.
7 E como o sonho de visão de noite, _assim_ será a multidão de todas as
nações que pelejarão contra Ariel, como tambem todos os que pelejarão
contra ella e _contra_ os seus muros, e a porão em aperto.
8 Será tambem como [4] o faminto que sonha, e eis-que _lhe parece que_
come, porém, acordando, _se acha a_ sua alma vazia, ou como o sequioso
que sonha, e eis-que _lhe parece que_ bebe, porém, acordando, eis-que
ainda desfallecido _se acha_, e a sua alma com sêde: assim será toda a
multidão das nações, que pelejarem contra o monte de Sião.
9 Tardam, _porém_, pelo que vos maravilhae, andam folgando, portanto
clamae: [5] bebados estão, mas não de vinho, andam titubeando, mas não de
bebida forte.
10 Porque [6] o Senhor derramou sobre vós _um_ espirito de profundo
somno, e fechou os vossos olhos; vendou os prophetas, e os vossos
cabeças, e os videntes.
11 Pelo que toda a visão vos é como as palavras d’_um_ [7] livro sellado
que se dá ao que sabe ler, dizendo: Ora lê isto: e elle dirá: Não posso,
[8] porque está sellado.
12 Ou dá-se o livro ao que não sabe lêr, dizendo: Ora lê isto: e elle
dirá: Não sei ler.
13 Porque o Senhor disse: [9] Pois que este povo se chega _para mim_ com
a sua bocca, e com os seus labios me honra, porém o seu coração afugenta
para longe de mim e o seu temor para comigo consiste _só_ em [10]
mandamentos de homens, [VY] em que foi instruido;
14 Portanto [11] eis-que continuarei a fazer uma obra maravilhosa no
meio d’este povo; uma obra maravilhosa e um assombro, porque [12] a
sabedoria dos seus sabios perecerá, e o entendimento dos seus prudentes
se esconderá.
15 Ai [13] dos que querem esconder profundamente o conselho do Senhor, e
fazem as suas obras ás escuras, e dizem: Quem nos vê? e quem nos conhece?
16 Vossa perversidade _é_, como se o oleiro fosse egual ao barro, [14] e
a obra dissesse ao seu artifice: Não me fez; e o vaso formado dissesse do
seu oleiro: Nada sabe.
17 _Porventura_ não se converterá o Libano, n’um breve momento, em campo
fertil? e o campo fertil não se reputará por um bosque?
18 E n’aquelle dia [15] os surdos ouvirão as palavras do livro, e d’entre
a escuridão e d’entre as trevas as verão os olhos dos cegos.
19 E os mansos [16] terão gozo sobre gozo no Senhor; e os necessitados
entre os homens se alegrarão no sancto de Israel:
20 Porque o [VZ] tyranno fenece, [17] e se consome o escarnecedor, e
todos os que se dão á iniquidade são extirpados;
21 Os que fazem culpado ao homem por _uma_ palavra, [18] e armam laços ao
que _os_ reprehende na porta, e os que [WA] lançam o justo para o deserto.
22 Portanto assim diz o Senhor, [19] que remiu a Abrahão, ácerca da casa
de Jacob: Jacob não será agora mais envergonhado, nem agora se descorará
_mais_ a sua face.
23 Mas vendo elle a seus filhos, [20] a obra das minhas mãos, no meio
d’elle, _então_ sanctificarão o meu nome, e sanctificarão ao Sancto de
Jacob, e temerão ao Deus de Israel.
24 E os errados [21] de espirito virão a ter entendimento, e os
murmuradores aprenderão [WB] doutrina.
[1] Eze. 43.15, 16. II Sam. 5.9.
[2] cap. 8.19.
[3] Job 21.18. cap. 17.13.
[4] Job 20.8.
[5] cap. 28.7, 8 e 51.21.
[6] Rom. 11.8. cap. 6.10.
[7] cap. 8.16.
[8] Dan. 12.4, 9. Apo. 5.1, 5, 9 e 6.1.
[9] Eze. 33.31. Mat. 15.8, 9. Mar. 7.6, 7.
[10] Col. 2.22.
[11] Hab. 1.5.
[12] Jer. 49.7. Abd. 8. I Cor. 1.19.
[13] cap. 30.1.
[14] cap. 45.9. Rom. 9.20.
[15] cap. 35.5.
[16] cap. 61.1. Thi. 2.5.
[17] cap. 28.14, 22. Miq. 2.1.
[18] Amós 5.10, 12. Pro. 28.21.
[19] Jos. 24.3.
[20] cap. 19.25 e 45.11 e 60.21. Eph. 2.10.
[21] cap. 28.7.
30 Ai dos filhos que se rebellam, diz o Senhor, [1] que tomaram conselho,
mas não de mim; e que se cobriram com cobertura, mas não _que venha_ do
meu espirito; para _assim_ accrescentarem peccado sobre peccado.
[Antes de Christo 713]
2 Que [2] vão descer ao Egypto, e não perguntam á minha bocca; para se
fortificarem com a força de Pharaó, e para confiarem na sombra do Egypto.
3 Porque a força de Pharaó se vos tornará [3] em vergonha, e a confiança
na sombra do Egypto em confusão.
4 Havendo estado [4] os seus principes em Zoan, e havendo chegado os seus
embaixadores a Hanes,
5 _Então_ todos [5] se envergonharão de um povo _que_ de nada lhes
aproveitará nem d’ajuda, nem de proveito, antes de vergonha, e até
d’opprobrio, _lhes servirá_.
6 Peso [6] das bestas do sul. Para a terra d’afflicção e de angustia
(d’onde _vem_ a leôa e o leão, o basilisco, e o aspide ardente voador)
levarão ás costas de jumentinhos as suas fazendas, e sobre as corcovas de
camelos os seus thesouros, a _um_ povo _que_ de nada _lhes_ aproveitará.
7 Porque [7] o Egypto _os_ ajudará em vão, e por demais: pelo que clamei
ácerca d’isto: No estarem quietos _será_ a sua força.
8 Vae _pois_ agora, [8] escreve isto n’uma taboa perante elles, e
aponta-o n’_um_ livro; para que fique _firme_ até ao dia ultimo, para
sempre _e_ perpetuamente.
9 Porque [9] _um_ povo rebelde _é_ este, _são_ filhos mentirosos, filhos
_que_ não querem ouvir a lei do Senhor.
10 Que dizem aos videntes: Não vejaes; e aos que attentam: Não attenteis
para nós no que é recto: dizei-nos coisas apraziveis, _e_ vede para nós
enganadoras _lisonjas_.
11 Desviae-vos do caminho, apartae-vos da vereda: fazei que cesse o
Sancto de Israel de _vir_ perante nós.
12 Pelo que assim diz o Sancto de Israel: Porquanto rejeitaes esta
palavra, e confiaes na oppressão e perversidade, e sobre isso vos
estribaes,
13 Por isso esta maldade vos será como a _parede_ fendida, que vae caindo
_e_ já fórma barriga desde o mais alto muro, cuja queda virá subitamente
n’um momento.
14 E os quebrará [10] como quebram o vaso do oleiro, _e_, quebrando-os,
não se compadecerá _d’elles_: nem _ainda um_ se achará entre os seus
pedaços para tomar fogo do lar, ou tirar agua da poça.
15 Porque assim diz o Senhor JEHOVAH, o Sancto d’Israel: [11]
Tornando-vos e descançando, ficarieis livres, e no socego e na confiança
estaria a vossa força, porém não quizestes.
16 E dizeis: Não; antes sobre cavallos fugiremos; _mas_ por isso _mesmo_
fugireis; e, Sobre _cavallos_ ligeiros cavalgaremos; por isso os vossos
perseguidores _tambem_ serão ligeiros.
17 Mil [12] _homens fugirão_ ao grito d’_um_, _e_ ao grito de cinco
_todos_ vós fugireis, até que sejaes deixados como o mastro no cume do
monte, e como a bandeira no outeiro.
18 Por isso pois o Senhor esperará, para ter misericordia de vós; e por
isso será exalçado, para se compadecer de vós, porque o Senhor _é um_
Deus de equidade: [13] bemaventurados todos os que o esperam.
19 Porque o povo em Sião habitará, em Jerusalem: não chorarás de
nenhuma sorte; certamente se compadecerá de ti, á voz do teu clamor, e,
ouvindo-a, te responderá.
20 Bem vos dará [14] o Senhor, pão d’angustia e agua d’aperto, [15] mas
os teus [WC] doutores nunca mais fugirão _de ti_, como voando com azas;
antes os teus olhos verão a todos os teus mestres.
21 E os teus ouvidos ouvirão a palavra _do que_ está por detraz de ti,
dizendo: Este _é_ o caminho, andae n’elle, [16] sem vos desviardes nem
para a direita nem para a esquerda.
22 E terás por contaminadas [17] as coberturas das tuas esculpturas de
prata, e a coberta das tuas esculpturas fundidas d’oiro; e as lançarás
fóra como _um_ panno immundo, e dirás a cada uma d’ellas: Fóra d’aqui.
23 Então _te_ dará [18] chuva sobre a tua semente, com que semeares a
terra, como tambem pão da novidade da terra; e esta será fertil e cheia;
n’aquelle dia _tambem_ o teu gado pastará _em_ logares largos de pasto.
24 E os bois e os jumentinhos que lavram a terra, comerão grão puro, que
fôr padejado com a pá, e _cirandado_ com a ciranda.
25 E haverá em todo [19] o monte alto, e em todo o outeiro levantado,
ribeiros e correntes d’aguas, no dia da grande matança, quando cairem as
torres.
26 E será a [20] luz da lua como a luz do sol, e a luz do sol sete
vezes maior, como a luz de sete dias, no dia em que o Senhor soldar a
quebradura do seu povo, e curar a chaga da sua ferida.
27 Eis que o nome do Senhor vem de longe, a sua ira _está_ ardendo, e
a carga _é_ pesada: os seus labios estão cheios de indignação, e a sua
lingua como _um_ fogo consumidor.
28 E o seu assopro [21] como o ribeiro trasbordando, _que_ chega até ao
pescoço: para sacudir as nações com sacudidura de [WD] vaidade, e _como
um_ freio de fazer errar nas queixadas dos povos.
29 _Um_ cantico haverá entre vós, como na noite _em_ que se sanctifica a
festa; e alegria de coração, como aquelle que anda com gaita, [22] para
vir ao monte do Senhor, á Rocha d’Israel.
30 E o Senhor [23] fará ouvir a gloria da sua voz, e fará ver o
abaixamento do seu braço, com indignação de ira, e labareda de fogo
consumidor, [24] raios e diluvio e pedra de saraiva.
31 Porque [25] com a voz do Senhor será desfeita em pedaços Assyria,
_que_ feriu com a vara.
32 E será, _em_ todas as partes por onde passar o bordão affincado, que,
sobre aquelle que o Senhor o puzer, _ali_ estarão com tamboris e harpas;
porque com combates de agitação combaterá contra elles.
33 Porque [26] _já_ Tophet _está_ preparada desde hontem, e _já_ está
preparada para o rei, já _a_ afundou _e_ alargou: a sua facha _é_ de
fogo, e tem muita lenha; o assopro do Senhor como a torrente de enxofre a
accenderá.
[1] cap. 29.15.
[2] cap. 31.1. Jos. 9.14. I Reis 22.7.
[3] cap. 20.5.
[4] cap. 19.11.
[5] Jer. 2.36.
[6] Ose. 3.9.
[7] ver. 15.
[8] Hab. 2.2.
[9] Deu. 32.20. cap. 1.4. ver. 1.
[10] cap. 29.5. Jer. 19.11.
[11] ver. 7. cap. 7.4. Mat. 23.37.
[12] Lev. 26.8. Deu. 28.25 e 32.30. Jos. 23.10.
[13] Pro. 16.20. Jer. 17.7.
[14] I Reis 22.27.
[15] Amós 8.11.
[16] Jos. 1.7.
[17] cap. 2.20 e 31.7.
[18] Mat. 6.33.
[19] cap. 2.14, 15 e 44.3.
[20] cap. 60.19, 20.
[21] cap. 11.4. II The. 2.8. cap. 8.8.
[22] cap. 2.3.
[23] cap. 29.6.
[24] cap. 28.2 e 32.19.
[25] cap. 37.36. cap. 10.5, 24.
[26] Jer. 7.31 e 19.6, etc.
31 Ai dos que [1] descem ao Egypto a _buscar_ soccorro, e se estribam
em cavallos; e teem confiança em carros, porque _são_ muitos, e nos
cavalleiros, porque são poderosissimos: [2] e não attentam para o Sancto
d’Israel, e não buscam ao Senhor.
2 Todavia tambem elle _é_ sabio, e faz vir o mal, [3] e não retirou as
suas palavras; e se levantará contra a casa dos malfeitores, e contra a
ajuda dos que obram a iniquidade.
3 Porque os egypcios _são_ homens, e não Deus; e os seus cavallos carne,
e não espirito; e o Senhor estenderá a sua mão, e dará comsigo em terra o
auxiliador, e cairá o ajudado, e todos juntamente serão consumidos.
4 Porque assim me disse o Senhor: [4] Como o leão, e o cachorro do
leão, ruge sobre a sua preza, ainda que se convoquem contra elle _uma_
multidão de pastores; não se espanta das suas vozes, nem se abate pela
sua multidão: [5] assim o Senhor dos Exercitos descerá, para pelejar pelo
monte de Sião, e pelo seu outeiro.
5 Como as aves [6] andam voando, assim o Senhor dos Exercitos amparará a
Jerusalem: _e_, amparando, a livrará, e, passando, a salvará.
6 Convertei-vos _pois_ áquelle _contra quem_ os filhos d’Israel se
rebellaram tão profundamente.
7 Porque n’aquelle dia cada um lançará [7] fóra os seus idolos de prata,
e os seus idolos d’oiro, que vos fabricaram as vossas mãos para peccardes.
8 E a Assyria cairá pela espada, não de varão; e a espada, não de
homem, a consumirá; e fugirá perante a espada, e os seus mancebos serão
derrotados.
9 E de medo se passará [8] á sua rocha, e os seus principes se
assombrarão da bandeira, diz o Senhor, cujo fogo _está_ em Sião e a sua
fornalha em Jerusalem.
[1] cap. 30.2 e 36.6. Eze. 17.15. cap. 36.9.
[2] Dan. 9.13.
[3] Num. 23.19.
[4] Ose. 11.10. Amós 3.8.
[5] cap. 42.13.
[6] Deu. 32.11.
[7] cap. 2.20 e 30.22. I Reis 12.30.
[8] cap. 37.37.
32 Eis ahi está que reinará [1] um Rei em justiça, e dominarão os
principes segundo o juizo.
2 E será _aquelle_ Varão como um esconderijo contra o vento, [2] e _um_
refugio contra a tempestade, como ribeiros d’aguas em logares seccos, _e_
como a sombra d’uma grande rocha em terra sedenta.
3 E os olhos dos que veem não olharão para [3] traz: e os ouvidos dos que
ouvem estarão attentos.
4 E o coração dos imprudentes entenderá a sabedoria; e a lingua dos gagos
estará prompta para fallar distinctamente.
5 Ao louco nunca mais se chamará liberal; e do avarento nunca _mais_ se
dirá que é generoso.
6 Porque o louco falla louquices, e o seu coração obra a iniquidade, para
usar d’hypocrisia, e para fallar erros contra o Senhor, para deixar vazia
a alma do faminto, e fazer com que o sedento venha a ter falta de beber.
7 Tambem todos os instrumentos do avarento _são_ maus: elle maquina
invenções malignas, para destruir os afflictos com palavras falsas, como
tambem ao juizo, quando o pobre chega a fallar.
8 Mas o liberal projecta liberalidade, e pela liberalidade está em pé.
9 Levantae-vos, mulheres que estaes em repouso, _e_ ouvi a minha voz:
_e_ vós, filhas, que estaes tão seguras, inclinae os ouvidos ás minhas
palavras.
10 _Muitos_ dias de mais do anno vireis a ser turbadas, _ó filhas_ que
estaes tão seguras; porque a vindima se acabará, e a colheita não virá.
11 Tremei vós que estaes em repouso, _e_ turbae-vos _vós_, _filhas_, que
estaes tão seguras: despi-vos, e ponde-vos nuas, e cingi _com sacco_ os
_vossos_ lombos.
12 Lamentar-se-ha sobre os peitos, sobre os campos desejaveis, _e_ sobre
as vides fructuosas.
13 Sobre a terra [4] do meu povo virão espinheiros e sarças; como tambem
sobre todas as casas de alegria, [5] _na_ cidade que anda pulando de
prazer.
14 Porque [6] o palacio será desamparado, o arroido da cidade cessará:
_e_ Ophel e as torres da guarda servirão de cavernas eternamente, para
alegria dos jumentos montezes, _e_ para pasto dos gados;
15 Até que se derrame sobre nós o espirito [7] do alto: então o deserto
se tornará em campo fertil, e o campo fertil será reputado por _um_
bosque.
16 E o juizo habitará no deserto, e a justiça morará no campo fertil.
17 E o effeito [8] da justiça será paz, e a operação da justiça repouso e
segurança, para sempre.
18 E o meu povo habitará em morada de paz, e em moradas bem seguras, e em
logares quietos de descanço.
19 Mas, descendo ao bosque, [9] saraivará e a cidade se abaixará
inteiramente.
20 Bemaventurados vós os que semeaes sobre todas as aguas: [10] _e_ para
_lá_ enviaes o pé do boi e do jumento.
[1] Jer. 23.5. Zac. 9.9.
[2] cap. 4.6 e 25.4.
[3] cap. 29.18 e 35.5, 6.
[4] cap. 34.13. Ose. 9.6.
[5] cap. 22.2.
[6] cap. 27.10.
[7] Joel 2.28. cap. 29.17 e 35.2.
[8] Thi. 3.18.
[9] cap. 30.30. Zac. 11.2.
[10] cap. 30.24.
_Os inimigos do povo de Deus serão destruidos: Jerusalem será restaurada
á sua gloria e felicidade._
33 Ai de ti [1] desolador, que não foste desolado, e que obras
perfidamente _contra os_ que não obraram perfidamente contra ti! acabando
tu de desolar, serás desolado: e, acabando tu de tratar perfidamente, se
tratará perfidamente contra ti.
2 Senhor, tem misericordia de nós, [2] por ti temos esperado: sê tu o seu
braço nas madrugadas, como tambem a nossa salvação no tempo da tribulação.
3 Á voz do arroido fugirão os povos: á tua exaltação as gentes serão
dispersas.
4 Então ajuntar-se-ha o vosso despojo como se apanha o pulgão: como os
gafanhotos saltam, ali saltará.
5 O Senhor está exalçado, pois habita _nas_ alturas: encheu a Sião de
juizo e justiça.
6 E _será que_ a firmeza dos teus tempos, _e_ a força das _tuas_
salvações, será a sabedoria e a sciencia: _e_ o temor do Senhor _será_ o
seu thesouro.
7 Eis-que os seus embaixadores estão clamando de fóra; _e_ os mensageiros
de paz estão chorando amargamente.
8 As estradas estão desoladas, [3] cessam os que passam pelas veredas:
desfaz a alliança, despreza as cidades, _e_ a homem nenhum estima.
9 A terra geme _e_ pranteia, o Libano se envergonha _e_ se murcha; Saron
se tornou como _um_ deserto; e Basan e Carmelo foram sacudidos.
10 Agora _pois_ me levantarei, diz o Senhor: agora serei exaltado, agora
serei posto em alto.
11 Concebestes [4] palha, parireis pragana: e o vosso espirito vos
devorará _como_ fogo.
12 E os povos serão _como_ os incendios de cal: [5] _como_ espinhos
cortados arderão no fogo.
13 Ouvi, [6] vós os que estaes longe, o que tenho feito: e vós, que
estaes visinhos, conhecei o meu poder.
14 Os peccadores de Sião se assombraram, o tremor surprehendeu os
hypocritas. Quem d’entre nós habitará com o fogo consumidor? quem d’entre
nós habitará com as labaredas eternas?
15 O que [7] anda em justiça, e o que falla equidades; o que arremessa
para longe de si o ganho de oppressões; o que sacode das suas mãos todo
o presente; o que tapa os seus ouvidos para não ouvir _ácerca de_ sangue
[8] e fecha os seus olhos para não ver o mal,
16 Este habitará nas alturas, as fortalezas das rochas _serão_ o seu alto
refugio, o seu pão se lhe dá, as suas aguas são certas.
17 Os teus olhos verão o Rei na sua formosura, _e_ verão a terra que está
longe.
18 O teu coração considerará o assombro, _dizendo_: [9] Onde o escrivão,
onde o [WE] pagador? onde o que conta as torres?
19 Não verás [10] _mais_ aquelle povo espantavel, povo de falla tão
profunda, que não se pode perceber _e_ de lingua tão estranha que não se
pode entender.
20 Olha [11] para Sião, a cidade das nossas solemnidades: os teus olhos
verão a Jerusalem, habitação quieta, tenda que não será derribada, [12]
cujas estacas nunca serão arrancadas, e de cujas cordas nenhuma se
quebrará.
21 Mas o Senhor ali nos será grandioso, logar de rios _e_ correntes
largas _será_: barco nenhum de remo passará por elles, nem navio grande
navegará por elles.
22 Porque o Senhor _é_ o nosso Juiz: O Senhor _é_ o nosso Legislador:
[13] O Senhor _é_ o nosso Rei, elle nos salvará.
23 As tuas cordas se affrouxaram: não poderam ter firme o seu mastro, _e_
vela não estenderam: então a preza d’abundantes despojos se repartirá; _e
até_ os côxos roubarão a preza.
24 E morador nenhum dirá: Enfermo estou; _porque_ o povo que habitar
n’ella _será_ absolto d’iniquidade.
[1] Hab. 2.8. Apo. 13.10.
[2] cap. 25.9.
[3] Jui. 5.6. II Reis 18.14, 15, 16, 17.
[4] cap. 59.4.
[5] cap. 9.18.
[6] cap. 49.1.
[7] Psa. 15.2.
[8] Psa. 119.37.
[9] I Cor. 1.20.
[10] Deu. 28.49, 50. Jer. 5.13.
[11] Psa. 48.13.
[12] cap. 54.2.
[13] Thi. 4.12.
34 Chegae-vos, nações, para ouvir, e vós, povos, escutae: [1] ouça a
terra, e a sua plenitude, o mundo, e tudo quanto produz.
2 Porque a indignação do Senhor _está_ sobre todas as nações, e o _seu_
furor sobre todo o seu exercito: elle as destruiu totalmente, entregou-as
á matança.
3 E os seus mortos serão arremeçados [2] e dos seus corpos subirá o seu
fedor; e os montes se derreterão com o seu sangue.
4 E todo o exercito [3] dos céus se [WF] gastará, e os céus se enrolarão
como um livro: [4] e todo o seu exercito cairá, como cae a folha da vide,
e como cae _o figo_ da figueira.
5 Porque [5] a minha espada se embriagou nos céus: eis que sobre Edom
descerá, e sobre o povo do meu anathema para juizo.
6 A espada do Senhor está cheia de sangue, está engordurada da gordura
de sangue de cordeiros e de bodes, da gordura dos rins de carneiros; [6]
porque o Senhor tem sacrificio em Bozra, e grande matança na terra de
Edom.
7 E os unicornios descerão com elles, e os bezerros com os toiros: e a
sua terra beberá sangue até se fartar, e o seu pó de gordura engordará.
8 Porque _será_ o dia da vingança [7] do Senhor, anno de retribuições
pela porfia de Sião.
9 E os seus ribeiros [8] se tornarão em pez, e o seu pó em enxofre, e a
sua terra em pez ardente.
10 Nem de noite nem de dia se apagará; [9] para sempre o seu fumo subirá:
de geração em geração será assolada; de seculo em seculo ninguem passará
por ella.
11 Mas o pelicano e a coruja a [10] possuirão, e o bufo e o corvo
habitarão n’ella: porque estenderá sobre ella cordel de confusão e nivel
de vaidade.
12 Os seus nobres (que já não ha n’ella) _ao_ reino chamarão; porém todos
os seus principes não serão coisa nenhuma.
13 E nos seus palacios [11] crescerão espinhos, ortigas e cardos nas suas
fortalezas; e será _uma_ habitação de dragões, _e_ sala para os filhos do
avestruz.
14 E [WG] os cães bravos se encontrarão com [WH] os gatos bravos; e o
[WI] demonio clamará ao seu companheiro: e os animaes nocturnos ali
pousarão, e acharão logar de repouso para si.
15 Ali se aninhará a melroa e porá _os seus ovos_, e tirará os seus
pintãos, e os recolherá debaixo da sua sombra: tambem ali os abutres se
ajuntarão uns com os outros.
16 Buscae no livro [12] do Senhor, e lêde; nenhuma d’estas _coisas_
falhará, nem uma nem outra faltará; porque a minha propria bocca o
ordenou, e o seu espirito mesmo as ajuntará.
17 Porque elle mesmo lançou as sortes por elles, e a sua mão lh’a
repartiu com o cordel: para sempre a possuirão, de geração em geração
habitarão n’ella.
[1] Deu. 32.1.
[2] Joel 2.20.
[3] Eze. 32.7, 8. Joel 2.31 e 3.15. Mat. 24.29. II Ped. 3.10. Apo. 6.14.
[4] cap. 14.12. Apo. 6.13.
[5] Jer. 46.10 e 49.7, etc. Mal. 1.4.
[6] cap. 63.1. Jer. 49.13. Sof. 1.7.
[7] cap. 63.4.
[8] Deu. 29.23.
[9] Apo. 14.11 e 18.18 e 19.3. Mal. 1.4.
[10] cap. 14.23. Sof. 2.14. Apo. 18.2.
[11] cap. 32.13. Ose. 9.6. cap. 13.21, etc.
[12] Mat. 3.16.
_A grandeza e gloria do reino do Messias._
35 O deserto [1] e os logares seccos se alegrarão d’isto; e o ermo
exultará e florescerá como a rosa.
2 Abundantemente florescerá, [2] e tambem se alegrará d’alegria e
exultará; a gloria do Libano se lhe deu, o ornato do Carmelo e Saron:
elles verão a gloria do Senhor, o ornato do nosso Deus.
3 Confortae [3] as mãos fracas, e esforçae os joelhos trementes.
4 Dizei aos turbados de coração: Confortae-vos, não temaes: eis-que o
vosso Deus virá _a tomar_ vingança, _com_ pagos de Deus; elle virá, e vos
salvará.
5 Então os olhos [4] dos cegos serão abertos, e os ouvidos dos surdos se
abrirão.
6 Então os coxos [5] saltarão como cervos, e a lingua dos mudos cantará;
porque aguas arrebentarão no deserto e ribeiros no ermo.
7 E a terra secca se tornará em tanques, e a terra sedenta em mananciaes
d’aguas; [6] _e_ nas habitações em que jaziam os [WJ] dragões _haverá_
herva com cannas e juncos.
8 E ali haverá estrada e caminho, que se chamará o caminho sancto; [7] o
immundo não passará por elle, mas _será_ para estes: os caminhantes, até
mesmo os loucos, não errarão.
9 Ali não haverá leão, nem besta fera subirá a elle, nem se achará
n’elle: porém _só_ os remidos andarão _por elle_.
10 E os resgatados do Senhor tornarão, [8] e virão a Sião com jubilo: e
alegria eterna haverá sobre as suas cabeças: gozo e alegria alcançarão, e
_d’elles_ fugirá a tristeza e o gemido.
[1] cap. 55.12.
[2] cap. 32.15.
[3] Job 4.3, 4. Heb. 12.12.
[4] cap. 29.18 e 32.3, 4 e 42.7. João 9.6, 7. Mat. 11.5. Mar. 7.32, etc.
[5] Mat. 11.5 e 15.30 e 21.14. João 5.8, 9. Act. 3.2, etc. e 8.7 e 14.8,
etc. cap. 32.4. Mat. 9.32, 33 e 12.22 e 15.30. João 7.38, 39.
[6] cap. 34.13.
[7] cap. 52.1. Joel 3.17. Apo. 21.27.
[8] cap. 51.11 e 65.19. Apo. 7.17 e 21.4.
_Senacherib cerca Jerusalem. A oração de Ezequias. O exercito dos
assyrios é destruido._
[Antes de Christo 710]
36 E aconteceu [1] no anno decimo quarto do rei Ezequias que Senacherib,
rei da Assyria subiu contra todas as cidades fortes de Judah, e as tomou.
2 Então o rei da Assyria enviou a Rabsaké, desde Lachis a Jerusalem, ao
rei Ezequias com _um_ grande exercito, e parou junto ao cano _de agua_ do
viveiro mais alto, junto ao caminho do campo do lavandeiro.
3 Então saiu a elle Eliakim, filho d’Hilkias, o mordomo, e Sebna, o
escrivão, e Joah, filho d’Asaph, o chanceller.
4 E Rabsaké [2] lhes disse: Ora dizei a Ezequias: Assim diz o grande rei,
o rei da Assyria: Que confiança _é_ esta, em que confias?
5 Bem podera eu dizer (porém palavra de labios é): Ha conselho e poder
para a guerra: em quem _pois_ agora confias, que contra mim te rebellas?
6 Eis que confias n’aquelle [3] bordão de canna quebrada, _a saber_, no
Egypto, o qual, se alguem se encostar n’elle lhe entrará pela mão, e lh’a
furará: assim _é_ Pharaó, rei do Egypto, para com todos os que n’elle
confiam.
7 Porém se me disseres: No Senhor, nosso Deus, confiamos; _porventura_
não _é_ este aquelle cujos altos e cujos altares Ezequias tirou, e disse
a Judah e a Jerusalem: Perante este altar vos inclinareis?
8 Ora, pois, dá agora refens ao meu senhor, o rei da Assyria, e
dar-te-hei dois mil cavallos, se tu poderes dar cavalleiros para elles.
9 Como pois farias que se torne o rosto a um só principe dos minimos
servos do meu senhor? porém tu confias no Egypto, por causa dos carros e
cavalleiros.
10 Agora, pois, subi eu _porventura_ sem o Senhor contra esta terra,
para destruil-a? O Senhor _mesmo_ me disse: Sobe contra esta terra, e
destroe-a.
11 Então disse Eliakim, e Sebna, e Joah, a Rabsaké: Pedimos-_te que_
falles aos teus servos em syriaco, porque _bem_ o entendemos, e não nos
falles em judaico, aos ouvidos do povo que _está_ em cima do muro.
12 Porém Rabsaké disse: _Porventura_ mandou-me o meu senhor _só_ ao teu
senhor e a ti, para fallar estas palavras? _e_ não antes aos homens que
estão assentados em cima do muro, para que comam comvosco o seu esterco,
e bebam a sua urina?
13 Rabsaké pois se poz em pé, e clamou em alta voz em judaico, e disse:
Ouvi as palavras do grande rei, do rei da Assyria.
14 Assim diz o rei: Não vos engane Ezequias; porque não vos poderá livrar.
15 Nem tão pouco Ezequias vos faça confiar no Senhor, dizendo:
Infallivelmente nos livrará o Senhor, _e_ esta cidade não será entregue
nas mãos do rei da Assyria.
16 Não deis ouvidos a Ezequias; porque assim diz o rei da Assyria:
Contratae comigo por presentes, e sahi a mim, [4] e comei vós cada um
_da_ sua vide, _e_ da sua figueira, e bebei cada um da agua da sua
cisterna;
17 Até que eu venha, e vos leve para _uma_ terra como a vossa: terra de
trigo e de mosto, terra de pão e de vinhas.
18 Não vos engane Ezequias, dizendo: O Senhor nos livrará. _Porventura_
os deuses das nações livraram cada um a sua terra das mãos do rei da
Assyria?
19 Onde _estão_ os deuses d’Hamath e d’Arpad? onde _estão_ os deuses de
Sepharvaim? _porventura_ livraram a Samaria da minha mão?
20 Quaes _são_ elles, d’entre todos os deuses d’estas terras, os que
livraram a sua terra das minhas mãos, para que o Senhor livrasse a
Jerusalem das minhas mãos?
21 Porém elles se calaram, e palavra nenhuma lhe responderam; porque
havia mandado do rei, dizendo: Não lhe respondereis.
22 Então Eliakim, filho d’Hilkias, o mordomo, e Sebna, o escrivão, e
Joah, filho d’Asaph, o chanceller, vieram a Ezequias, com os vestidos
rasgados, e lhe fizeram saber as palavras de Rabsaké.
[1] II Reis 18.13, 17. II Chr. 32.1.
[2] II Reis 18.19, etc.
[3] Eze. 29.6, 7.
[4] Zac. 3.10.
37 E aconteceu [1] que, tendo-o ouvido o rei Ezequias, rasgou os seus
vestidos, e se cobriu de sacco, e entrou na casa do Senhor.
2 Então enviou a Eliakim, o mordomo, e a Sebna, o escrivão, e aos anciãos
dos sacerdotes, cobertos de saccos, a Isaias, filho d’Amós, o propheta.
3 E disseram-lhe: Assim diz Ezequias: Este dia _é_ dia d’angustia e de
vituperação, e de blasphemias; porque chegados são os filhos ao parto, e
força não _ha_ para parir.
4 _Porventura_ o Senhor teu Deus ouvirá as palavras de Rabsaké, a quem
enviou o seu senhor, o rei da Assyria, para affrontar o Deus vivo, e para
vituperal-o com as palavras que o Senhor teu Deus tem ouvido: faze oração
pelo resto que _ainda_ se acha.
5 E os servos do rei Ezequias vieram a Isaias.
6 E Isaias lhes disse: Assim direis a vosso senhor: Assim diz o Senhor:
Não temas á vista das palavras que ouviste, com as quaes os servos do rei
da Assyria me blasphemaram.
7 Eis que metterei n’elle _um_ espirito, e elle ouvirá _um_ arroido, e
voltará para a sua terra; e fal-o-hei cair morto á espada na sua terra.
8 Voltou pois Rabsaké, e achou ao rei da Assyria pelejando contra Libna;
porque ouvira que _já_ se havia retirado de Lachis.
9 E, ouvindo elle dizer que Tirhaká, rei da Ethiopia, tinha saido para
lhe fazer guerra, assim como o ouviu, _tornou_ a enviar mensageiros a
Ezequias, dizendo:
10 Assim fallareis a Ezequias, rei de Judah, dizendo: Não te engane o teu
Deus, em quem confias, dizendo: Jerusalem não será entregue na mão do rei
da Assyria.
11 Eis que _já_ tens ouvido o que fizeram os reis da Assyria a todas as
terras, destruindo-as totalmente: e escaparias tu?
12 _Porventura_ as livraram os deuses das nações ás quaes meus paes
destruiram, _como_ a Gozan, e a Haran, e a Reseph, e aos filhos d’Eden,
que _estavam_ em Telassar?
13 Onde _está_ o rei [2] d’Hamath, e o rei d’Arpad, e o rei da cidade de
Sepharvaim, Hena e Iva?
14 Recebendo pois Ezequias as cartas das mãos dos mensageiros, e
lendo-as, subiu á casa do Senhor e Ezequias as estendeu perante o Senhor.
15 E orou Ezequias ao Senhor, dizendo:
16 Ó Senhor dos Exercitos, Deus d’Israel, que habitas entre os cherubins;
tu mesmo, só tu _és_ Deus de todos os reinos da terra; tu fizeste os céus
e a terra.
17 Inclina, [3] ó Senhor, o teu ouvido, e ouve: abre, Senhor, os teus
olhos, e olha; e ouve todas as palavras de Senacherib, o qual enviou para
affrontar o Deus vivo.
18 Verdade é, Senhor, que os reis da Assyria assolaram todas as terras,
com as suas comarcas,
19 E lançaram no fogo os seus deuses; porque deuses não eram, senão obra
de mãos d’homens, madeira e pedra; por isso os destruiram.
20 Agora pois, ó Senhor nosso Deus, livra-nos da sua mão; e _assim_
saberão todos os reinos da terra, que só tu _és_ o Senhor.
21 Então Isaias, filho d’Amós, mandou dizer a Ezequias: Assim diz o
Senhor, o Deus d’Israel: Quanto ao que me pediste ácerca de Senacherib,
rei da Assyria,
22 Esta _é_ a palavra que o Senhor fallou d’elle: A virgem, a filha de
Sião, te despreza, de ti zomba; a filha de Jerusalem menea a cabeça por
detraz de ti.
23 A quem affrontaste e blasphemaste? e contra quem alçaste a voz, e
ergueste os teus olhos ao alto? Contra o Sancto d’Israel.
24 Por meio de teus servos affrontaste o Senhor, e disseste: Com a
multidão dos meus carros subi eu aos cumes dos montes, aos lados do
Libano; e cortarei os seus altos cedros e as suas faias escolhidas, e
entrarei na altura do seu cume, ao bosque do seu campo fertil.
25 Eu cavei, e bebi as aguas; e com as plantas de meus pés sequei todos
os rios do Egypto.
26 _Porventura_ não ouviste que _já_ muito d’antes eu fiz isto, e _já_
desde os dias antigos o formei? agora _porém_ o fiz vir, para que tu
fosses o que destruisses as cidades fortes, e as reduzisses a montões
assolados.
27 Por isso os seus moradores, com as mãos caidas, andaram atemorisados e
envergonhados: eram _como_ a herva do campo, e a hortaliça verde, _e_ o
feno dos telhados, e o trigo queimado antes da seara.
28 Porém eu sei o teu assentar, e o teu sair, e o teu entrar, e o teu
furor contra mim.
29 Por causa do teu furor contra mim, e porque o teu tumulto subiu até
aos meus ouvidos, [4] portanto porei o meu anzol no seu nariz e o meu
freio nos teus beiços, e te farei voltar pelo caminho por onde vieste.
30 E isto te _seja_ por signal, _que_ este anno se comerá o que de si
mesmo nascer, e no segundo anno o que d’ahi proceder: porém no terceiro
anno semeae e segae, e plantae vinhas, e comei os fructos d’ellas.
31 Porque o que escapou da casa de Judah, e ficou de resto, tornará a
lançar raizes para baixo, e dará fructo para cima.
32 Porque de Jerusalem sairá o restante, e do monte de Sião o que
escapou: [5] o zelo do Senhor dos Exercitos fará isto.
33 Pelo que assim diz o Senhor ácerca do rei da Assyria: Não entrará
n’esta cidade, nem lançará n’ella frecha _alguma_: tão pouco virá perante
ella _com_ escudo, nem levantará contra ella tranqueira _alguma_.
34 Pelo caminho por onde vier, por esse voltará; porém n’esta cidade não
entrará, diz o Senhor.
35 Porque eu ampararei [6] a esta cidade, para a livrar, por amor de mim
e por amor do meu servo David.
36 Então saiu [7] o anjo do Senhor, e feriu no arraial dos assyrios a
cento e oitenta e cinco mil _d’elles_; e, levantando-se pela manhã cedo,
eis que tudo eram corpos mortos.
37 Assim Senacherib, rei da Assyria, se retirou, e se foi, e voltou, e se
ficou em Ninive.
38 E succedeu que, estando elle prostrado na casa de Nisroch, seu deus,
Adramelech e Sarezer, seus filhos, o feriram á espada; porém elles se
escaparam para a terra d’Ararat, e Esarhaddon, seu filho, reinou em seu
logar.
[1] II Reis 19.1, etc.
[2] Jer. 49.23.
[3] Dan. 9.18.
[4] cap. 30.28. Eze. 38.4.
[5] II Reis 19.31. cap. 9.7.
[6] II Reis 20.6. cap. 38.6.
[7] II Reis 19.35.
_A doença de Ezequias e a sua cura maravilhosa._
38 N’aquelles dias [1] Ezequias adoeceu d’_uma_ enfermidade mortal: e
veiu a elle Isaias, filho d’Amós, o propheta, e lhe disse: Assim diz o
Senhor: [2] Ordena a tua casa, porque morrerás, e não viverás.
2 Então virou Ezequias o seu rosto para a parede; e orou ao Senhor.
3 E disse: Ah Senhor, [3] lembra-te, te peço, de que andei diante de ti
em verdade, e com coração perfeito, e fiz o _que era_ recto aos teus
olhos. E chorou Ezequias muitissimo.
4 Então veiu a palavra do Senhor a Isaias, dizendo:
5 Vae, e dize a Ezequias: Assim diz o Senhor, o Deus de David teu pae:
Ouvi a tua oração, _e_ vi as tuas lagrimas; eis que accrescento sobre os
teus dias quinze annos.
6 E livrar-te-hei das mãos do rei da Assyria, a ti, e a esta cidade, [4]
e ampararei a esta cidade.
7 E isto te _será_ por [5] signal da parte do Senhor de que o Senhor
cumprirá esta palavra que fallou.
8 Eis que farei tornar a sombra dos graus, que declinou com o sol pelos
graus _do relogio_ d’Achaz dez graus atraz. Assim tornou o sol dez graus
_atraz_, pelos graus que já tinha descido.
9 Escripturas d’Ezequias, rei de Judah, de quando adoeceu e sarou de sua
enfermidade.
10 Eu disse no cessar de meus dias: Ir-me-hei ás portas da sepultura:
_já_ estou privado do resto de meus annos.
11 Disse _tambem_: _Já_ não verei _mais_ ao Senhor, _digo_, na terra dos
viventes: jámais verei o homem [WK] com os moradores do mundo.
12 _Já_ o tempo da minha vida se [6] foi, e foi trespassado de mim,
como choça de pastor: cortei a minha vida, como tecelão _que corta a
sua teia_; _como_ desde os liços me cortará; desde o dia até á noite me
acabarás.
13 _Isto_ me propunha até á madrugada, _que_, como um leão, quebrantaria
todos os meus ossos: desde o dia até á noite me acabarás.
14 Como o grou, _ou_ a andorinha, assim chilreava, [7] _e_ gemia como a
pomba: alçava os meus olhos ao alto; ó Senhor ando opprimido, fica por
meu fiador.
15 Que direi? como m’o prometteu, assim o fez: [8] _assim_ passarei
mansamente por todos os meus annos, por causa da amargura da minha alma.
16 Senhor, com estas coisas se vive, e em todas ellas _está_ a vida do
meu espirito, porque tu me curaste e me saraste.
17 Eis que _até_ na paz a amargura me foi amarga; tu porém _tão_
amorosamente abraçaste a minha alma, que não _caiu_ na cova da corrupção;
porque lançaste para traz das tuas costas todos os meus peccados.
18 Porque não te louvará a sepultura, _nem_ a morte te glorificará: nem
_tão pouco_ esperarão em tua verdade os que descem á cova.
19 O vivente, o vivente, esse te louvará como eu hoje _o faço_: [9] o pae
aos filhos fará notoria a tua verdade.
20 O Senhor _veiu_ salvar-me; pelo que, tangendo em meus instrumentos,
_lhe cantaremos_ todos os dias de nossa vida na casa do Senhor.
21 E dissera Isaias: [10] Tomem _uma_ pasta de figos, e a ponham como
emplasto sobre a chaga; e sarará.
22 Tambem dissera Ezequias: [11] Qual será o signal de que hei de subir á
casa do Senhor?
[1] II Reis 20.1, etc. II Chr. 32.24.
[2] II Sam. 17.23.
[3] Neh. 13.14.
[4] cap. 37.35.
[5] II Reis 20.8, etc. cap. 7.11.
[6] Job 7.6.
[7] cap. 59.11.
[8] Job 7.11 e 10.1.
[9] Deu. 4.9 e 6.7.
[10] II Reis 20.7.
[11] II Reis 20.8.
_Os embaixadores de Babylonia enviados a Jerusalem. O orgulho de
Ezequias._
[Antes de Christo 712]
39 N’aquelle tempo [1] enviou Merodach-baladan, filho de Baladan, rei de
Babylonia, cartas e um presente a Ezequias, porque tinha ouvido dizer que
havia estado doente e que _já_ tinha convalescido.
2 E Ezequias [2] se alegrou d’elles, e lhes mostrou a casa do seu
thesouro, a prata, e o oiro, e as especiarias, e os melhores unguentos, e
toda a sua casa d’armas, e tudo quanto se achou nos seus thesouros: coisa
nenhuma houve, nem em sua casa, nem em todo o seu dominio, que Ezequias
lhes não mostrasse.
3 Então o propheta Isaias veiu ao rei Ezequias, e lhe disse: Que é o
_que_ aquelles homens disseram, e d’onde vieram a ti? E disse Ezequias:
D’uma terra remota vieram a mim, de Babylonia.
4 E disse elle: Que é o que viram em tua casa? E disse Ezequias: Viram
tudo quanto _ha_ em minha casa; coisa nenhuma ha nos meus thesouros que
eu deixasse de lhes mostrar.
5 Então disse Isaias a Ezequias: Ouve a palavra do Senhor dos Exercitos:
6 Eis que [3] veem dias em que tudo quanto _houver_ em tua casa, e o que
enthesouraram teus paes até ao _dia_ d’hoje será levado para Babylonia:
não ficará coisa alguma, disse o Senhor.
7 E _ainda até_ de teus filhos, que procederem de ti, e tu gerares,
tomarão, para que sejam eunuchos no palacio do rei de Babylonia.
8 Então disse Ezequias a Isaias: Boa _é_ a palavra do Senhor que
disseste. Disse mais: Pois haja paz e verdade em meus dias.
[1] II Reis 20.12, etc.
[2] II Chr. 32.31.
[3] Jer. 20.5.
_O livramento promettido ao povo de Israel._
40 Consolae, consolae o meu povo, diz o vosso Deus.
2 Fallae benignamente a Jerusalem, e bradae-lhe que _já_ a sua malicia é
acabada, que _já_ a sua iniquidade está expiada [1] _e_ que _já_ recebeu
em dobro da mão do Senhor, por todos os seus peccados.
3 [WL] Voz [2] do que clama no deserto: Apparelhae o caminho do Senhor:
[3] endireitae no ermo vereda a nosso Deus.
4 Todo o valle será exaltado, e todo o monte e _todo_ o outeiro serão
abatidos: e o torcido se endireitará, e o aspero se aplainará.
5 E a gloria do Senhor se manifestará, [4] e toda a carne juntamente verá
que a bocca do Senhor _o_ disse.
6 Voz que diz: Clama; e disse: Que hei de clamar? Toda a carne _é_ herva
e toda a sua [WM] benignidade como as flores do campo.
7 Secca-se a herva, _e_ caem as flores, soprando n’ellas o Espirito do
Senhor. Na verdade que herva _é_ o povo.
8 Secca-se a herva, _e_ caem as flores, [5] porém a palavra de nosso Deus
subsiste eternamente.
9 Ah Sião, annunciadora de boas novas, sobe tu a um monte alto. Ah
Jerusalem, annunciadora de boas novas, levanta a tua voz fortemente;
levanta-a, não temas, _e_ dize ás cidades de Judah: Eis _aqui está_ o
vosso Deus.
10 Eis que o Senhor JEHOVAH virá contra o forte, [6] e o seu braço se
assenhoreará _d’elle_: eis que o seu galardão _vem_ com elle, e o seu
salario diante da sua face.
11 Como pastor apascentará [7] o seu rebanho; entre os seus braços
recolherá os cordeirinhos, e _os_ levará no seu seio: as paridas guiará
_suavemente_.
12 Quem [8] mediu com o seu punho as aguas, e tomou a medida dos céus aos
palmos, e recolheu na maior medida o pó da terra e pesou os montes com
peso e os outeiros em balanças?
13 Quem [9] guiou o Espirito do Senhor? e que conselheiro o ensinou?
14 Com quem tomou conselho, que lhe desse entendimento, e lhe ensinasse
o caminho do juizo? lhe ensinasse sabedoria, e lhe fizesse notorio o
caminho da sciencia?
15 Eis que as nações _são_ consideradas por elle como a gota d’um balde,
e como o pó miudo das balanças: eis que lança por ahi as ilhas como a pó
miudo.
16 Nem _todo_ o Libano basta para o fogo, nem os seus animaes bastam para
holocaustos.
17 Todas as nações _são_ como nada perante elle; _e_ [10] as reputa por
menos que nada e _como uma_ coisa vã.
18 A quem pois fareis [11] similhante a Deus? ou que similhança lhe
apropriareis?
19 O artifice [12] funde a imagem, e o ourives a cobre de oiro, e cadeias
de prata _lhe_ funde.
20 O empobrecido, que _já_ não tem que offerecer, escolhe madeira _que_
não se corrompe: artifice sabio se busca, [13] para apparelhar _uma_
imagem _que_ se não possa mover.
21 _Porventura_ não sabeis? _porventura_ não ouvis? ou desde o principio
se vos não notificou? ou não attentastes para os fundamentos da terra?
22 Elle _é_ o que está assentado sobre o globo da terra, cujos moradores
_são para elle_ como gafanhotos: [14] _elle é_ o que estende os céus como
cortina, e os desenrola como tenda, para habitar _n’elles_:
23 O que torna em nada os principes, _e_ faz como em coisa vã os juizes
da terra.
24 E nem se plantam, nem se semeiam, nem se arraiga na terra o seu tronco
cortado, e n’elles, soprando, se seccaram, e um tufão como pragana os
levará.
25 A quem [15] pois me fareis similhante, que lhe seja similhante? diz o
Sancto.
26 Levantae ao alto os vossos olhos, e vede quem creou estas coisas, quem
produz por conta o seu exercito, quem a todas chama pelos _seus_ nomes;
por causa da grandeza das _suas_ forças, e _porquanto é_ forte em poder,
nenhuma _d’ellas_ vem a faltar.
27 Porque _pois_ dizes, ó Jacob, e _tu_ fallas, ó Israel: O meu caminho
está encoberto ao Senhor, e o meu juizo passa de largo pelo meu Deus?
28 _Porventura_ não sabes, _porventura_ não ouviste que o eterno Deus, o
Senhor, o Creador dos fins da terra, nem se cança nem se fatiga? [16] não
ha esquadrinhação do seu entendimento.
29 Dá esforço ao cançado, e multiplica as forças ao que não tem nenhum
vigor.
30 Os moços se cançarão e se fatigarão, e os mancebos certamente cairão.
31 Mas os que esperam no Senhor renovarão as forças, subirão com azas
como aguias: correrão, e não se cançarão; caminharão, e não se fatigarão.
[1] Job 42.10. cap. 61.7.
[2] Mat. 3.3. Mar. 1.3. Luc. 3.4. João 1.23.
[3] Mal. 3.1. cap. 49.11.
[4] I Ped. 1.24.
[5] João 12.34. I Ped. 1.25.
[6] cap. 59.16 e 62.11. Apo. 22.12.
[7] cap. 49.10. Eze. 34.23 e 37.24. João 10.11. Heb. 13.20. I Ped. 2.25 e
5.4. Apo. 7.17.
[8] Pro. 30.4.
[9] Job 21.22. Rom. 11.34. I Cor. 2.16.
[10] Dan. 4.35.
[11] ver. 25. cap. 46.5.
[12] cap. 41.6, 7, etc. Jer. 10.3, etc.
[13] cap. 41.7. Jer. 10.4.
[14] Job 9.8. cap. 44.24 e 51.13. Jer. 10.12.
[15] ver. 18.
[16] Rom. 11.33.
_Jehovah é o unico Deus: Israel deve ter confiança unicamente n’Elle._
41 Calae-vos [1] perante mim, ó ilhas, e os povos renovem as forças:
cheguem-se, _e_ então fallem: cheguemo-nos juntos a juizo.
2 Quem suscitou do oriente [2] o justo? _e o_ chamou para o seu pé?
_quem_ deu as [3] nações á sua face? e o fez dominar sobre reis? elle os
entregou á sua espada como o pó, _e_ como pragana arrebatada _do vento_
ao seu arco.
3 Perseguiu-os, _e_ passou _em_ paz, por _uma_ vereda _por onde_ com os
seus pés nunca tinha caminhado.
4 Quem obrou [4] e fez _isto_, chamando as gerações desde o principio? eu
o Senhor, o primeiro, e com os ultimos eu mesmo.
5 As ilhas o viram, e temeram: _os_ fins da terra tremeram:
approximaram-se, e vieram.
6 Um ao outro ajudou, e ao seu companheiro disse: Esforça-te.
7 E o artifice [5] animou ao ourives, _e_ o que alisa com o martello ao
que bate na safra, dizendo da soldadura: Boa é. Então com pregos o firma,
[6] para que não venha a mover-se.
8 Porém tu, ó Israel, servo meu, tu Jacob, a quem elegi [7] _e tu_
semente de Abrahão, meu amigo?
9 Tu a quem tomei desde os fins da terra, e te chamei d’entre os seus
mais excellentes, e te disse: Tu _és_ o meu servo, a ti te escolhi e
nunca te rejeitei.
10 Não temas, [8] porque eu _estou_ comtigo; não te assombres, porque eu
sou teu Deus: eu te esforço, e te ajudo, e te sustento com a dextra da
minha justiça.
11 Eis que, envergonhados e confundidos serão [9] todos os que se
indignaram contra ti: tornar-se-hão como nada, e os que contenderem
comtigo, perecerão.
12 Buscal-os-has, porém não os acharás; porém os que pelejarem comtigo,
tornar-se-hão como nada, e como coisa que não é nada, os que guerrearem
comtigo.
13 Porque eu, o Senhor teu Deus, te tomo pela tua mão direita; e te digo:
Não temas, [10] que eu te ajudo.
14 Não temas, ó bicho Jacob, povosinho d’Israel; eu te ajudo, diz o
Senhor, e o teu redemptor é o Sancto d’Israel.
15 Eis que [11] te puz por trilho agudo novo, que tem dentes agudos: os
montes trilharás e moerás; e os outeiros tornarás como a folhelho.
16 Tu os padejarás [12] e o vento os levará, e o tufão os espalhará,
porém tu te alegrarás no Senhor e te gloriarás no Sancto d’Israel.
17 Os afflictos e necessitados buscam aguas, mas nenhumas _ha_, e a sua
lingua se secca de sêde: eu o Senhor os ouvirei, eu o Deus d’Israel os
não desampararei.
18 Abrirei rios [13] em logares altos, e fontes no meio dos valles:
tornarei o deserto em tanques de aguas, e a terra secca em mananciaes
d’aguas.
19 Plantarei no deserto o cedro, a arvore de sitta, e a murta, e a
oliveira: juntamente porei no ermo a faia, o olmeiro e o alamo;
20 Para que _todos_ vejam, [14] e saibam, e considerem, e juntamente
entendam que a mão do Senhor fez isto, e o Sancto d’Israel o creou.
21 Produzi a vossa demanda, diz o Senhor: trazei as vossas firmes razões,
diz o Rei de Jacob.
22 Produzam [15] e annunciem-nos as coisas que hão de acontecer:
annunciae-_nos_ quaes foram as coisas passadas, para que attentemos para
ellas, e saibamos o fim d’ellas; ou fazei-nos ouvir as coisas futuras.
23 Annunciae-_nos_ [16] as coisas que ainda hão de vir, para que saibamos
que _sois_ deuses: ou fazei bem, ou fazei mal, para que nos assombremos,
e juntamente _o_ veremos.
24 Eis que _sois_ menos do que nada e a vossa obra é menos do que nada:
abominação _é quem_ vos escolhe.
25 Desperto _a um_ do norte, que ha de vir do nascimento do sol, [17] _e_
invocará o meu nome; e virá sobre os magistrados, como _sobre_ o lodo, e,
como o oleiro pisa o barro, _os pisará_.
26 Quem annunciou isto desde o principio, para que o possamos saber, ou
desde antes, para que digamos: Justo _é_? Porém não ha quem annuncie, nem
tão pouco quem manifeste, nem tão pouco quem ouça as vossas palavras.
27 _Eu_, o primeiro, [18] _sou o que digo_ a Sião: Eis que ali estão: e a
Jerusalem darei um annunciador de boas novas.
28 Porque olhei, [19] porém ninguem _havia_; nem mesmo entre estes
conselheiro algum _havia_ a quem perguntasse ou que me respondesse
palavra.
29 Eis que [20] todos _são_ vaidade; as suas obras não _são_ nada; as
suas imagens de fundição _são_ vento e nada.
[1] Zac. 2.13.
[2] cap. 46.11.
[3] Gen. 14.14, etc. ver. 25. cap. 45.1.
[4] ver. 26. cap. 44.7 e 46.10. cap. 43.10 e 44.6 e 48.12. Apo. 1.17 e
22.13.
[5] cap. 40.19.
[6] cap. 40.20.
[7] Deu. 7.6 e 10.15 e 14.2. cap. 43.1 e 44.1. Thi. 2.23.
[8] ver. 13, 14. cap. 43.5. Deu. 31.6, 8.
[9] Exo. 23.22. cap. 45.24 e 60.12.
[10] ver. 10.
[11] Miq. 4.13. II Cor. 10.4, 5.
[12] Jer. 51.2.
[13] cap. 35.6, 7 e 43.10 e 44.3.
[14] Job 12.9.
[15] cap. 45.21.
[16] cap. 42.9 e 44.7, 8 e 45.3. João 13.19. Jer. 10.5.
[17] ver. 2.
[18] cap. 40.9.
[19] cap. 63.5.
[20] ver. 24.
_O Servo do Senhor._
42 Eis aqui o meu Servo, [1] a quem sustenho, o meu Eleito, _em quem_ se
apraz a minha alma; [2] puz o meu espirito sobre elle; juizo produzirá
aos gentios.
2 Não clamará, nem alçará a _sua voz_, nem fará ouvir a sua voz na praça.
3 A canna trilhada não quebrará, nem apagará o pavio que fumega: com
verdade produzirá o juizo;
4 Não se encobrirá, nem será quebrantado, até que ponha na terra o juizo:
e as ilhas aguardarão a sua doutrina.
5 Assim diz Deus, o Senhor, que creou [3] os céus, e os estendeu, e
espraiou a terra, e a tudo quanto produz: que dá a respiração [4] ao povo
_que habita_ n’ella, e o espirito aos que andam n’ella.
6 Eu o Senhor [5] te chamei em justiça, e te tomarei pela mão, e te
guardarei, e te darei por concerto do povo, e para luz dos gentios;
7 Para abrir [6] os olhos cegos, para tirar da prisão os presos, e da
casa do carcere os que jazem _em_ trevas.
8 Eu _sou_ o Senhor; este _é_ o meu nome; a minha gloria pois a outrem
não darei, [7] nem o meu louvor ás imagens de esculptura.
9 Eis que as coisas d’antes _já_ vieram, e as novas eu _vos_ annuncio, e,
antes que venham á luz, vol-as faço ouvir.
10 Cantae ao Senhor um cantico novo, e o seu louvor desde o fim da terra:
_como tambem_ vós os que navegaes pelo mar, e tudo quanto ha n’ella; vós,
ilhas, e seus habitadores.
11 Alcem _a voz_ o deserto e as suas cidades, com as aldeias _que_ Kedar
habita: exultem os que habitam nas rochas, _e_ clamem do cume dos montes.
12 Dêem a gloria ao Senhor, e annunciem o seu louvor nas ilhas.
13 O Senhor como valente sairá, como homem de guerra despertará o zelo:
exultará, e fará grande arruido, _e_ sujeitará a seus inimigos.
14 _Já ha_ muito me calei; estive posto em silencio, _e_ me retive: darei
gritos como a que está de parto, _e a todos_ os assolarei e juntamente
devorarei.
15 Os montes e outeiros tornarei em deserto, e toda a sua herva farei
seccar, e tornarei os rios em ilhas, e as lagoas seccarei.
16 E guiarei os cegos pelo caminho _que_ nunca conheceram, os farei
caminhar pelas veredas _que_ não conheceram: tornarei as trevas em luz
perante elles, e as coisas tortas _farei_ direitas. Estas coisas lhes
farei, e nunca os desampararei.
17 _Mas_ serão tornados atraz _e_ confundir-se-hão de vergonha os que
confiam em imagens de esculptura, e dizem ás imagens de fundição: Vós
_sois_ nossos deuses.
18 Surdos, ouvi, e vós, cegos, olhae, para que possaes ver.
19 Quem [8] _é_ cego, senão o meu servo, ou surdo como o meu mensageiro,
a _quem_ envio? _e_ quem é cego como o perfeito, e cego como o servo do
Senhor?
20 _Bem_ vêdes vós muitas [9] coisas, porém vós as não guardaes: ainda
que abre os ouvidos, comtudo nada ouve.
21 O Senhor se agradava d’elle por amor da sua justiça: engrandeceu
_pela_ lei, e _o_ fez glorioso.
22 Porém _este é um_ povo roubado e saqueado: todos _estão_ enlaçados em
cavernas, e escondidos nas casas dos carceres: são postos por preza, e
ninguem ha que os livre, por despojo, e ninguem diz: Restitue.
23 Quem ha entre vós que ouça isto? _que_ attenda e ouça o que ha de ser
depois?
24 Quem entregou a Jacob por despojo, e a Israel aos roubadores?
_porventura_ não foi o Senhor, aquelle contra quem peccámos, e nos
caminhos do qual não queriam andar e não davam ouvidos á sua lei?
25 Pelo que derramou sobre elles a indignação da sua ira, e a força
da guerra, e [10] lhes poz labaredas em redor: porém _n’isso_ não
attentaram; e os queimou, porém não pozeram _n’isso_ o coração.
[1] cap. 43.10 e 49.3, 6. Mat. 12.18, 19, 20. Phi. 2.7.
[2] Mat. 3.17 e 17. Eph. 1.6. cap. 11.2. João 3.34.
[3] cap. 44.24. Zac. 12.1.
[4] Act. 17.25.
[5] cap. 43.1 e 49.6, 8. Luc. 2.32. Act. 13.47.
[6] cap. 35.5. cap. 9.2.
[7] cap. 48.11.
[8] cap. 43.8. Eze. 12.2. João 9.39, 41.
[9] Rom. 2.21.
[10] II Reis 25.9. Ose. 7.9.
_Só Deus resgata Israel._
43 Porém agora, assim diz o Senhor que [1] te creou, ó Jacob, e que te
formou, ó Israel: Não temas, porque eu te remi: chamei-te pelo teu nome,
tu _és_ meu.
2 Quando passares pelas aguas [2] _estarei_ comtigo, e quando pelos rios,
não te submergirão: quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a
chamma arderá em ti.
3 Porque eu _sou o_ Senhor teu Deus, o Sancto d’Israel, o teu Salvador:
dei [3] ao Egypto _por_ teu resgate a Ethiopia e a Seba, em teu logar.
4 Emquanto foste precioso aos meus olhos, _tambem_ foste glorificado, e
eu te amei, pelo que dei os homens por ti, e os povos pela tua alma.
5 Não temas, [4] _pois_, porque _estou_ comtigo: trarei a tua semente
desde o oriente, e te ajuntarei desde o occidente.
6 Direi ao norte; Dá; e ao sul; _Não_ retenhas: trazei meus filhos de
longe, e minhas filhas das extremidades da terra.
7 Todos os chamados [5] do meu nome, e os que creei para a minha gloria,
os formei, _e_ tambem os fiz.
8 Trazei [6] o povo cego, que tem olhos; e os surdos, que teem ouvidos.
9 Todas as nações se congreguem juntamente, e os povos se reunam; [7]
quem d’entre elles pode annunciar isto, e fazer-nos ouvir as coisas
antigas? produzam as suas testemunhas, para que se justifiquem, e se
ouça, e se diga: Verdade _é_.
10 Vós _sois_ [8] as minhas testemunhas, diz o Senhor, e o meu servo, a
quem escolhi; para que o saibaes, e me creiaes, e entendaes que eu _sou_
o mesmo, [9] _e que_ antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim
nenhum haverá.
11 Eu, [10] eu _sou_ o Senhor, e fóra de mim não _ha_ Salvador.
12 Eu annunciei, e eu salvei, e eu o fiz ouvir, [11] e _Deus_ estranho
não _houve_ entre vós, pois vós _sois_ as minhas testemunhas, diz o
Senhor; eu _sou_ Deus.
13 Ainda antes que _houvesse_ dia, eu _sou_; [12] e ninguem _ha_ que
possa fazer escapar das minhas mãos: obrando eu, quem o desviará?
14 Assim diz o Senhor, teu Redemptor, o Sancto d’Israel: Por amor de vós
enviei a Babylonia, e a todos os fiz descer como fugitivos, _a saber_, os
chaldeos, nos navios em que exultavam.
15 Eu _sou_ o Senhor, vosso Sancto, o Creador d’Israel, vosso Rei.
16 Assim [13] diz o Senhor, o que preparou no mar _um_ caminho, e nas
aguas impetuosas _uma_ vereda;
17 O que trouxe [14] o carro e o cavallo, o exercito e a força: elles
juntamente se deitaram, _e_ nunca se levantarão: _já_ estão apagados;
como _um_ pavio se apagaram.
18 Não vos lembreis [15] das coisas passadas, nem considereis as antigas.
19 Eis que farei _uma_ coisa [16] nova, agora sairá á luz: _porventura_
não a sabereis? [17] porque porei _um_ caminho no deserto, _e_ rios no
ermo.
20 Os animaes do campo me servirão, os [WN] dragões, e os filhos do
abestruz; [18] porque porei aguas no deserto, _e_ rios no ermo, para dar
de beber ao meu povo, ao meu eleito.
21 A este povo formei para mim; o meu louvor relatarão.
22 Comtudo tu não me invocaste a mim, ó Jacob, mas te cançaste de mim, ó
Israel.
23 Não [19] me trouxeste o gado miudo dos teus holocaustos, nem me
honraste _com_ os teus sacrificios; não te fiz servir com presentes, nem
te fatiguei com incenso.
24 Não me compraste por dinheiro canna aromatica, nem com a gordura dos
teus sacrificios me encheste, mas me déste trabalho com os teus peccados,
_e_ me cançaste com as tuas maldades.
25 Eu, [20] eu _sou_ o que apago as tuas transgressões por amor de mim, e
dos teus peccados me não lembro.
26 Faze-me lembrar; entremos em juizo juntamente: aponta tu as _tuas
razões_, para que te possa justificar.
27 Teu primeiro pae peccou, e os teus [WO] interpretes prevaricaram
contra mim.
28 Pelo que profanarei [21] os maioraes do sanctuario; e farei de Jacob
um anathema, e de Israel um opprobrio.
[1] ver. 7 e 21. cap. 44.2, 21, 24. cap. 44.6. cap. 42.6 e 45.4.
[2] Deu. 31.6, 8. Dan. 3.25, 27.
[3] Pro. 11.8 e 21.18.
[4] cap. 41.10, 14 e 44.2. Jer. 30.10, 11 e 46.27, 28.
[5] cap. 63.19. Thi. 2.7. João 3.3, 5. Eph. 2.10.
[6] cap. 6.9 e 42.19. Eze. 12.2.
[7] cap. 41.21, 22, 26.
[8] cap. 44.8. cap. 42.1 e 55.4.
[9] cap. 41.4 e 44.6.
[10] cap. 45.21. Ose. 13.4.
[11] Deu. 32.16. cap. 44.8. ver. 10.
[12] João 8.58. Job 9.12. cap. 14.27.
[13] Exo. 14.16, 22. cap. 51.10. Jos. 3.13, 16.
[14] Exo. 14.4, 9, 25.
[15] Jer. 16.14 e 23.7.
[16] II Cor. 5.17. Apo. 21.5.
[17] Exo. 17.6. Num. 20.11. Deu. 8.15.
[18] cap. 48.21.
[19] Amós 5.25.
[20] cap. 22.14 e 48.9. Jer. 50.20. Act. 3.19, etc. cap. 1.18. Jer. 31.34.
[21] cap. 47.6. Lam. 2.2, 6, 7. Jer. 24.9. Dan. 9.11. Zac. 8.13.
_A soberania de Deus; a vaidade dos idolos._
44 Agora pois, ouve [1] ó Jacob, servo meu, e _tu_ ó Israel, a quem
escolhi.
2 Assim diz o Senhor _que te_ creou e te [2] formou desde o ventre, e que
te ajudará: Não temas, ó Jacob, servo meu, e tu, Jeshurun, a quem escolhi.
3 Porque derramarei [3] agua sobre o sedento, e rios sobre a _terra_
secca: derramarei o meu Espirito sobre a tua semente, e a minha benção
sobre os teus descendentes.
4 E brotarão entre a herva, como salgueiros junto aos ribeiros das aguas.
5 Este dirá: Eu _sou_ do Senhor; e aquelle se chamará do nome de Jacob;
e aquell’outro escreverá _com_ a sua mão: Eu _sou_ do Senhor, e por
sobrenome se tomará o nome de Israel.
6 Assim diz o Senhor, Rei d’Israel, [4] e seu Redemptor, o Senhor dos
Exercitos: Eu _sou_ o primeiro, e eu _sou_ o ultimo, e fóra de mim não
_ha_ Deus.
7 E quem [5] chamará como eu, e _d’antes_ annunciará isto, e o porá em
ordem perante mim, desde que ordenei um povo eterno? e annunciem-lhes as
coisas futuras, e as que _ainda_ hão de vir.
8 Não vos assombreis, nem temaes; [6] _porventura_ desde então não _t’o_
fiz ouvir, e não annunciei? porque vós sois as minhas testemunhas.
_Porventura ha_ outro Deus fóra de mim? Não, não ha Rocha alguma _mais_,
que eu conheça.
9 Todos [7] os artifices de imagens de esculptura _são_ vaidade, e as
suas coisas mais desejaveis são de nenhum prestimo; e ellas mesmas _são_
as suas testemunhas; nada vêem nem entendem; pelo que serão confundidos.
10 Quem forma um deus, e funde uma imagem de esculptura, [8] que é de
nenhum prestimo?
11 Eis que todos os seus companheiros ficarão confundidos, pois os mesmos
artifices são de entre os homens: ajuntem-se todos, _e_ levantem-se;
assombrar-se-hão, e serão juntamente confundidos.
12 O ferreiro _faz_ o machado, [9] e trabalha nas brazas, e o forma com
martellos, e o lavra á força do seu braço: elle tem fome, e a sua força
enfraquece, _e_ não bebe agua, e desfallece.
13 O carpinteiro estende a regoa, o debuxa com a almagra, o aplaina com
o cepilho, e o debuxa com o compasso: e o faz á similhança d’_um_ homem,
segundo a forma d’_um_ homem, para se ficar em casa.
14 Quando corta para si cedros, então toma _um_ cypreste, ou _um_
carvalho, e esforça-se contra as arvores do bosque: planta _um_ olmeiro,
e a chuva _o_ faz crescer.
15 Então servirá ao homem para queimar, e toma d’elles, e se aquenta, e
os accende, e coze o pão: tambem faz um deus, e se prostra diante d’elle;
_tambem_ fabrica d’elle _uma_ imagem d’esculptura, e ajoelha diante
d’ella.
16 Metade d’elle queima no fogo, com a _outra_ metade [WP] come carne;
assa-a, e farta-se _d’ella_: tambem se aquenta, e diz: Ora _já_ me
aquentei, já vi o fogo.
17 Então do resto faz um deus, uma imagem de esculptura: ajoelha-se
diante d’ella, e se inclina, e ora-lhe, e diz: Livra-me, porquanto tu
_és_ o meu deus.
18 Nada sabem, nem entendem; porque untou-lhes os olhos, para que não
vejam, _e_ os seus corações, para que não entendam.
19 E nenhum _d’elles_ [10] toma _isto_ a peito, e já não teem
conhecimento nem entendimento para dizer: Metade queimei no fogo, e cozi
pão sobre as suas brazas, assei _a ellas_ carne, e _a_ comi: e faria eu
do resto uma abominação? ajoelhar-me-hia eu ao que saiu d’_uma_ arvore?
20 Apascenta-se de cinza: [11] o _seu_ coração enganado o desviou; de
maneira que _já_ não pode livrar a sua alma, nem dizer: _Porventura_ não
_ha uma_ mentira na minha mão direita?
_A promessa de livramento. A vinda de Cyro._
21 Lembra-te d’estas coisas ó Jacob e Israel, [12] porquanto _és_ meu
servo; eu _mesmo_ te formei, meu servo _és_, ó Israel; não me esquecerei
de ti.
22 Desfaço [13] as tuas transgressões como a nevoa, e os teus peccados
como a nuvem: torna-te para mim, porque _já_ eu te remi.
23 Cantae alegres, ó vós, [14] céus, porque o Senhor o fez: exultae
vós, as partes mais baixas da terra, vós, montes, retumbae com jubilo;
_tambem_ vós, bosques, e todas as arvores _que estão_ n’elles; porque o
Senhor remiu a Jacob, e glorificou-se em Israel.
24 Assim diz o Senhor, [15] teu redemptor, e que te formou desde o
ventre: Eu _sou_ o Senhor que faço tudo, [16] que, só eu, estendo os
céus, e espraio a terra por mim mesmo;
25 Que desfaço os signaes [17] dos inventores de mentiras, e enlouqueço
aos adivinhos; que faço tornar atraz os sabios, e endoideço a sciencia
d’elles;
26 Que confirma [18] a palavra do seu servo, e cumpre o conselho dos seus
mensageiros; que diz a Jerusalem: Tu serás habitada, e ás cidades de
Judah: Sereis reedificadas, e eu levantarei as suas ruinas;
27 Que diz á profundeza: [19] Secca-te, e eu seccarei os teus rios;
28 Que diz de Cyro: _É_ meu pastor, e cumprirá todo o meu contentamento;
dizendo tambem a Jerusalem: [20] Sê edificada; e _ao_ templo: Funda-te.
[1] ver. 21. cap. 41.8 e 43.1. Jer. 30.10 e 46.27, 28.
[2] cap. 43.1, 7.
[3] cap. 35.7. Joel 2.28. Act. 2.18.
[4] ver. 24. cap. 43.1, 14. cap. 41.4 e 48.12. Apo. 1.8, 17 e 22.13.
[5] cap. 41.4, 22 e 45.21.
[6] cap. 41.22 e 43.10, 12. Deu. 4.35, 39. II Sam. 22.32. cap. 45.5.
[7] cap. 41.24, 29.
[8] Jer. 10.5. Hab. 2.18.
[9] cap. 40.19. Jer. 10.3, etc.
[10] cap. 46.8.
[11] Ose. 4.12. Rom. 1.21.
[12] ver. 1, 2.
[13] cap. 43.25. cap. 43.1 e 48.20.
[14] Jer. 51.48. Apo. 18.20.
[15] cap. 43.14. ver. 6. cap. 43.1.
[16] Job 9.8.
[17] cap. 47.13. Jer. 50.36. I Cor. 1.20.
[18] Zac. 1.6.
[19] Jer. 50.38 e 51.32, 36.
[20] II Chr. 36.22, 23. Esd. 1.1, etc. cap. 45.13.
45 Assim diz o Senhor ao seu ungido, a Cyro, [1] a quem tomo pela sua
mão direita, para abater as nações diante de sua face, e eu soltarei os
lombos dos reis, para abrir diante d’elle as portas, e as portas não se
fecharão.
2 Eu irei diante de ti, e endireitarei os caminhos tortos: quebrarei as
portas de bronze, e despedeçarei os ferrolhos de ferro.
3 E te darei os thesouros das escuridades, e as riquezas encobertas, [2]
para que possas saber que eu _sou_ o Senhor, o Deus de Israel, que _te_
chama pelo teu nome.
4 Por amor de meu servo Jacob, [3] e de Israel, meu eleito, eu a ti
te chamei pelo teu nome, puz-te o teu sobrenome, ainda que me não
conhecesses.
5 Eu _sou_ o Senhor, [4] e não ha outro: fóra de mim não _ha_ Deus: eu te
cingirei, ainda que tu me não conheças.
6 Para que se saiba [5] desde o nascente do sol, e desde o poente, que
fóra de mim não _ha_ outro: eu _sou_ o Senhor, e não _ha_ outro.
7 Eu fórmo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, [6] e crio o mal: eu,
o Senhor, faço todas estas coisas.
8 Distillae vós, céus, d’essas alturas, e as nuvens chovam justiça,
abra-se a terra, e produza-se _toda a sorte de_ salvação, e a justiça
fructifique, juntamente; eu o Senhor, as creei.
9 Ai d’aquelle que contende com o que [7] o formou; o caco _contenda_ com
os cacos de barro: _porventura_ dirá o barro ao que o formou: Que fazes?
ou a tua obra: Não tens mãos?
10 Ai d’aquelle que diz ao pae: Que é _o que_ geras? e á mulher: Que é _o
que_ pares?
11 Assim diz o Senhor, o Sancto de Israel, aquelle que o formou:
Perguntae-me as coisas futuras; [8] demandae-me ácerca de meus filhos, e
ácerca da obra das minhas mãos.
12 Eu fiz [9] a terra, e creei n’ella o homem; eu o _fiz_; as minhas mãos
estenderam os céus, e a todos os seus exercitos dei as minhas ordens.
13 Eu o [10] despertei em justiça, e todos os seus caminhos endireitarei:
elle edificará a minha cidade, e soltará os meus captivos, não por preço
nem por presentes, diz o Senhor dos Exercitos.
14 Assim diz o Senhor: [11] O trabalho do Egypto, e o commercio dos
ethiopes, e dos sabeos, homens d’alta estatura, se passarão para ti, e
serão teus; irão atraz de ti, passarão em grilhões, e a ti se prostrarão;
far-te-hão as suas supplicas diante de ti, _dizendo_: [12] Devéras Deus
está em ti, e nenhum outro deus ha mais.
15 Verdadeiramente tu _és_ o Deus que se encobre, o Deus de Israel, o
Salvador.
16 Envergonhar-se-hão, e tambem se confundirão todos: [13] cairão
juntamente na affronta os que fabricam imagens.
17 _Porém_ Israel é [14] salvo pelo Senhor, _por_ uma eterna salvação;
_pelo que_ não sereis envergonhados nem confundidos em todas as
eternidades.
18 Porque assim diz o Senhor que tem creado os céus, o Deus que formou a
terra, e a fez; elle a confirmou, não a creou vasia, _mas_ a formou para
que fosse habitada: [15] Eu _sou_ o Senhor e não _ha_ outro.
19 Não fallei em occulto, [16] _nem_ em logar algum escuro da terra: não
disse á semente de Jacob: Buscae-me em vão: eu _sou_ o Senhor, que falla
a justiça, _e_ annuncio coisas rectas.
20 Congregae-vos, e vinde; chegae-vos juntos, os que escapastes das
nações: [17] nada sabem os que [WQ] trazem _em procissão_ as suas imagens
de esculptura, de madeira _feitas_, e rogam a um deus _que_ não pode
salvar.
21 Annunciae, e chegae-vos, e tomae conselho todos juntos: quem fez
ouvir isto desde a antiguidade? [18] _quem_ desde então o annunciou?
_porventura_ não _sou_ eu, o Senhor? e não _ha_ outro Deus senão eu; Deus
justo e Salvador não _o ha_ fóra de mim.
22 Virae-vos para mim, [19] e sereis salvos, vós, todos os termos da
terra; porque eu _sou_ Deus, e não _ha_ outro.
23 Por mim mesmo tenho jurado, _e já_ saiu da minha bocca a palavra de
justiça, e não tornará atraz: que diante de mim se dobrará todo o joelho,
_e por mim_ jurará toda a lingua.
24 De mim se dirá: [20] Devéras no Senhor _ha_ justiças e força: até elle
chegarão; mas serão envergonhados todos os que se indignarem contra elle.
25 _Porém_ no Senhor [21] será justificada, e se gloriará toda a semente
de Israel.
[1] cap. 41.13. cap. 41.2.
[2] cap. 41.23. Exo. 33.12, 17. cap. 43.1 e 49.1.
[3] cap. 44.1. I The. 4.5.
[4] Deu. 4.35, 39 e 32.39. cap. 44.8 e 46.9. ver. 14, 18, 21, 22.
[5] cap. 37.20. Mal. 1.11.
[6] Amós 3.6.
[7] cap. 64.8. cap. 29.16. Jer. 18.6. Rom. 9.20.
[8] Jer. 31.9. Isa. 29.23.
[9] cap. 42.5. Jer. 27.5. Gen. 1.26, 27. Gen. 2.1.
[10] cap. 41.2. II Chr. 36.22, 23. Esd. 1.1, etc. cap. 44.28.
[11] cap. 60.9, 10, 14, 16. Zac. 8.22, 23.
[12] I Cor. 14.25. ver. 5.
[13] cap. 44.11.
[14] cap. 26.4. ver. 25. Rom. 11.26.
[15] ver. 5.
[16] cap. 48.16.
[17] cap. 44.17, 18, 19. Rom. 1.22, 23.
[18] cap. 41.22 e 43.9. ver. 5, 14, 18. cap. 44.8 e 46.9.
[19] Heb. 6.13. Rom. 14.11. Gen. 31.53. Deu. 6.13. cap. 65.16.
[20] cap. 41.11.
[21] ver. 17. I Cor. 1.31.
_A queda dos idolos de Babylonia._
46 Já Bel [1] abatido está, _já_ Nebo se encurvou, os seus idolos _são_
postos sobre os animaes e sobre as bestas: as cargas dos vossos fardos
são canceira para as _bestas já_ cançadas.
2 Juntamente se encurvaram _e_ se abateram; [2] não poderam escapar da
carga, mas a sua alma entrou em captiveiro.
3 Ouvi-me, ó casa de Jacob, e todo o residuo da casa de Israel; [3] vós a
quem trouxe _nos braços_ desde o ventre, _e_ levei desde a madre.
4 E até á velhice eu _serei_ o mesmo, [4] e ainda até ás cãs eu _vos_
trarei: eu o fiz, e eu _vos_ levarei, e eu _vos_ trarei, e vos guardarei.
5 A quem [5] me fareis similhante, e com quem _me_ egualareis, e me
comparareis, para que sejamos similhantes?
6 Gastam [6] o oiro da bolsa, e pesam a prata com as balanças: alugam
o ourives, e d’aquillo faz um deus, e _diante d’elle_ se prostram e se
inclinam.
7 Sobre [7] os hombros o tomam, o levam, e o põem no seu logar; ali está
_em pé_, do seu logar não se move: e, se _alguem_ clama a elle, resposta
nenhuma dá, nem o livra da sua tribulação.
8 Lembrae-vos d’isto, [8] e tende animo: reconduzi-_o_ ao coração, ó
prevaricadores.
9 Lembrae-vos [9] das coisas passadas desde a antiguidade: que eu _sou_
Deus, e não _ha_ outro Deus, não _ha_ outro similhante a mim;
10 Que annuncio [10] o fim desde o principio, e desde a antiguidade as
coisas que ainda não succederam; que digo: [11] O meu conselho será
firme, e farei toda a minha vontade;