[4] cap. 10.4 e 13.4.
[5] cap. 10.2 e 13.11 e 20.21. II Ped. 2.3.
[6] ver. 19. cap. 19.13 e 25.24 e 27.15.
[7] Thi. 4.5.
[8] Mat. 7.2, 18, 30, etc. Thi. 2.13.
[9] cap. 17.8, 23 e 18.16.
[10] cap. 10.29.
[11] cap. 11.8. Isa. 43.3, 4.
[12] ver. 9.
[13] Mat. 25.3, 4.
[14] cap. 15.9. Mat. 5.6.
[15] Ecc. 9.14, etc.
[16] cap. 12.13 e 13.3 e 18.21. Thi. 3.2.
[17] cap. 13.4.
[18] cap. 15.8. Isa. 66.3. Jer. 6.20. Amós 5.22.
[19] Isa. 8.9, 10. Jer. 9.23. Act. 5.39.
[20] Isa. 31.1.
22 Mais _digno_ de ser escolhido [1] é o _bom_ nome do que as muitas
riquezas; e a graça é melhor do que a riqueza e o oiro.
2 O rico [2] e o pobre se encontraram: a todos os fez o Senhor.
3 O avisado [3] vê o mal, e esconde-se; mas os simples passam, e pagam a
pena.
4 O galardão [4] da humildade _com_ o temor do Senhor _são_ riquezas, a
honra e a vida.
5 Espinhos [5] _e_ laços _ha_ no caminho do perverso; o que guarda a sua
alma retira-se para longe d’elle.
6 Instrue ao menino conforme o seu caminho; [6] e até quando envelhecer
não se desviará d’elle.
7 O [7] rico domina sobre os pobres, e o que toma emprestado servo _é_ do
que empresta.
8 O que [8] semear a perversidade segará males; e a vara da sua
indignação se acabará.
9 O que é de [9] bons olhos será abençoado, porque deu do seu pão ao
pobre.
10 Lança [10] fóra ao escarnecedor, e se irá a contenda; e cessará o
pleito e a vergonha.
11 O que ama a pureza do coração, e _tem_ graça nos seus labios, seu
amigo _será_ o rei.
12 Os olhos do Senhor conservam o conhecimento, mas as palavras do iniquo
transtornará.
13 Diz o preguiçoso: [11] Um leão está _lá_ fóra; serei morto no meio das
ruas.
14 Cova profunda [12] _é_ a bocca das _mulheres_ estranhas; aquelle
contra quem o Senhor se irar, cairá n’ella.
15 A estulticia _está_ ligada no coração do menino, _mas_ a vara [13] da
correcção a afugentará d’elle.
16 O que opprime ao pobre para se engrandecer a si, ou o que dá ao rico,
certamente empobrecerá.
_Breves discursos moraes do sabio ácerca de varios assumptos._
17 Inclina a tua orelha, e ouve as palavras dos sabios, e applica o teu
coração á minha sciencia.
18 Porque _é_ coisa suave, se as guardares nas tuas entranhas, se
applicares todas ellas aos teus labios.
19 Para que a tua confiança esteja no Senhor: a ti _t’as_ faço saber
hoje; tu tambem _a outros as faze saber_.
20 _Porventura_ não te escrevi excellentes coisas, [14] ácerca de todo o
conselho e conhecimento?
21 Para fazer-te saber [15] a certeza das palavras da verdade, para que
possas responder palavras de verdade aos [16] que te enviarem.
22 Não roubes [17] ao pobre, porque _é_ pobre, nem atropelles na porta ao
afflicto.
23 Porque [18] o Senhor defenderá a sua causa em juizo, e aos que os
roubam _lhes_ roubará a alma.
24 Não acompanhes com o iracundo, nem andes com o homem colerico.
25 Para que não aprendas as suas veredas, e tomes um laço para a tua alma.
26 Não [19] estejas entre os que dão a mão, _e_ entre os que ficam por
fiadores de dividas.
27 Se não tens com que pagar, porque tirariam [20] a tua cama de debaixo
de ti?
28 Não removas [21] os limites antigos que fizeram teus paes.
29 Viste _a um_ homem ligeiro na sua obra? perante reis será posto: não
será posto perante os de baixa sorte.
[1] Ecc. 7.1, 2.
[2] cap. 29.13. I Cor. 12.21. Job 31.15. cap. 14.31.
[3] cap. 14.16 e 27.13.
[4] Mat. 6.33.
[5] cap. 15.19. I João 5.18.
[6] Eph. 6.4. II Tim. 3.15.
[7] Thi. 2.6.
[8] Job 4.8. Ose. 10.13.
[9] II Chr. 9.6.
[10] Gen. 21.9, 10.
[11] cap. 26.13.
[12] cap. 2.16 e 5.3 e 7.5 e 23.27.
[13] cap. 13.24 e 19.18 e 23.13, 14 e 29.15, 17.
[14] cap. 8.6.
[15] Luc. 1.3, 4.
[16] I Ped. 3.15.
[17] Exo. 23.6. Job 31.16, 21. Zac. 7.10. Mal. 3.5.
[18] Jer. 51.36.
[19] cap. 6.1 e 11.15.
[20] cap. 20.16.
[21] Deu. 19.14 e 27.17. cap. 23.10.
23 Quando te assentares a comer com _um_ governador, attenta bem para o
que _se_ te _poz_ diante,
2 E põe uma faca á tua garganta, se _és_ homem de grande appetite.
3 Não cubices os seus manjares gostosos, porque _são_ pão de mentiras.
4 Não te cances [1] para enriqueceres; dá de mão á tua prudencia.
5 _Porventura_ fitarás os teus olhos n’aquillo que não é nada? porque
certamente se fará azas e voará ao céu como a aguia.
6 Não comas o pão _d’aquelle que tem o_ olho maligno, nem cubices os seus
manjares gostosos.
7 Porque, como imaginou na sua alma, te dirá: Come e bebe; porém o seu
coração não _estará_ comtigo.
8 Vomitarias o bocado _que_ comeste, e perderias as tuas suaves palavras.
9 Não falles [2] aos ouvidos do tolo, porque desprezará a sabedoria das
tuas palavras.
10 Não removas [3] os limites antigos, nem entres nas herdades dos
orphãos,
11 Porque o seu redemptor [4] _é_ o Forte, que pleiteará a sua causa
contra ti.
12 Applica á disciplina o teu coração, e os teus ouvidos ás palavras do
conhecimento.
13 Não retires [5] a disciplina da creança, quando a fustigares com a
vara; nem _por isso_ morrerá.
14 Tu a fustigarás com a vara, e livrarás [6] a sua alma do [SR] inferno.
15 Filho meu, [7] se o teu coração fôr sabio, alegrar-se-ha o meu
coração, sim, o meu proprio,
16 E exultarão os meus rins, quando os teus labios fallarem coisas rectas.
17 Não inveje aos peccadores o teu coração; antes [8] sê no temor do
Senhor todo o dia.
18 Porque devéras ha [9] _um bom_ fim: não será cortada a tua expectação.
19 Ouve tu, filho meu, e sê sabio, e dirige no caminho o teu coração.
20 Não [10] estejas entre os beberrões de vinho, _nem_ entre os comilões
de carne.
21 Porque o beberrão e o comilão empobrecerão; e a [11] somnolencia faz
trazer os vestidos rotos.
22 Ouve [12] a teu pae, que te gerou, e não desprezes a tua mãe, quando
vier a envelhecer.
23 Compra [13] a verdade, e não _a_ vendas: a sabedoria, e a disciplina,
e a prudencia.
24 Grandemente se regozijará o pae do [14] justo, _e_ o que gerar _a um_
sabio se alegrará n’elle.
25 Alegrem-se teu pae e tua mãe, e regozije-se a que te gerou.
26 Dá-me, filho meu, o teu coração, e os teus olhos observem os meus
caminhos.
27 Porque cova [15] profunda _é_ a prostituta, e poço estreito a estranha.
28 Tambem ella, [16] como um salteador, se põe a espreitar, e multiplica
entre os homens os iniquos.
29 Para quem são os ais? para quem os pezares? para quem as pelejas? para
quem as queixas? para quem as feridas sem causa? _e_ para quem [17] os
olhos vermelhos?
30 Para [18] os que se demoram perto do vinho, para os que andam buscando
bebida misturada.
31 Não olhes para o vinho quando se mostra vermelho, quando resplandece
no copo _e_ se escoa suavemente.
32 No seu fim morderá como a cobra, e como o basilisco picará.
33 Os teus olhos olharão para as _mulheres_ estranhas, e o teu coração
fallará perversidades.
34 E serás como o que dorme no meio do mar, e como o que dorme no topo do
mastro.
35 _E dirás_: Espancaram-me, [19] _e_ não me doeu; maçaram-me, _e_ não
_o_ senti; quando virei a [20] despertar? ainda tornarei a buscal-a outra
vez.
[1] cap. 28.20. I Tim. 6.9, 10. cap. 3.5. Rom. 12.16.
[2] cap. 9.8. Mat. 7.6.
[3] Deu. 19.14 e 27.17. cap. 22.28.
[4] Job 31.21. cap. 22.23.
[5] cap. 13.24 e 19.18 e 22.15 e 29.16, 17.
[6] I Cor. 5.5.
[7] ver. 24, 25. cap. 29.3.
[8] cap. 28.14.
[9] cap. 24.14. Luc. 16.25.
[10] Isa. 5.22. Mat. 24.49. Luc. 21.34. Rom. 13.13. Eph. 5.18.
[11] cap. 19.15.
[12] cap. 1.8 e 30.17. Eph. 6.1, 2.
[13] cap. 4.5, 7.
[14] cap. 10.1 e 15.20. ver. 15.
[15] cap. 22.14.
[16] cap. 7.12.
[17] Gen. 49.12.
[18] cap. 20.1. Eph. 5.18.
[19] Jer. 5.3.
[20] Deu. 29.19. Isa. 56.12.
24 Não tenhas inveja dos homens malignos, nem desejes estar com elles,
2 Porque o seu coração medita a rapina, e os seus labios fallam a malicia.
3 Com a sabedoria se edifica a casa, e com a intelligencia se estabelece:
4 E pelo conhecimento se encherão as camaras de todas as substancias
preciosas e deleitaveis.
5 E o varão sabio [1] _é_ forte, e o varão de conhecimento consolida a
força.
6 Porque [2] com conselhos prudentes tu farás a guerra; e ha victoria na
multidão dos conselheiros.
7 É demasiadamente alta para o tolo _toda_ a sabedoria; na porta não
abrirá a sua bocca.
8 A’quelle que cuida em fazer mal mestre de maus intentos o chamarão.
9 O pensamento do tolo _é_ peccado, e é abominavel aos homens o
escarnecedor.
10 _Se_ te mostrares frouxo no dia da angustia, a tua força _será_
estreita.
11 Livra [3] aos que estão tomados para a morte, e aos que levam para
matança, se _os_ poderes retirar.
12 Se disseres: Eis que o não sabemos: _porventura_ [4] aquelle que
pondera os corações não _o_ entenderá? e aquelle que attenta para a tua
alma não _o_ saberá? porque pagará ao homem conforme [5] a sua obra.
13 Come mel, meu filho, porque _é_ bom, e o favo de mel _é_ doce ao teu
paladar.
14 Tal _será_ o conhecimento da sabedoria para a tua alma: se a achares,
haverá _para ti_ galardão, e não será cortada a tua expectação.
15 Não espies a habitação do justo, ó impio, nem assoles a sua camara.
16 Porque [6] sete vezes cairá o justo, e se levantará; mas os impios
tropeçarão no mal.
17 Quando cair o teu inimigo, não te alegres, [7] nem quando tropeçar se
regozije o teu coração.
18 Para que o Senhor o não veja, e seja mau aos seus olhos, e desvie
d’elle a sua ira.
19 Não te indignes ácerca [8] dos malfeitores, nem tenhas inveja dos
impios,
20 Porque [9] o maligno não terá galardão, _e_ a lampada dos impios se
apagará.
21 Teme [10] ao Senhor, filho meu, e ao rei, e não te entremettas com os
que buscam mudança.
22 Porque de repente se levantará a sua perdição, e a ruina d’elles ambos
quem a sabe?
23 Tambem estes são _proverbios_ dos sabios: Ter respeito a pessoas [11]
no juizo não _é_ bom.
24 O que [12] disser ao impio: Justo _és_: os povos o amaldiçoarão, as
nações o detestarão.
25 Mas para os que _o_ reprehenderem haverá delicias, e sobre elles virá
a benção do bem.
26 Beijados serão os labios do que responde com palavras rectas.
27 Prepara [13] de fóra a tua obra, e apparelha-a no campo, e então
edifica a tua casa.
28 Não sejas [14] testemunha sem causa contra o teu proximo; porque
enganarias com os teus beiços?
29 Não digas: [15] Como elle me fez a mim, assim o farei _eu_ a elle:
pagarei a cada um segundo a sua obra.
30 Passei pelo campo do preguiçoso, e junto á vinha do homem falto de
entendimento;
31 E eis que toda [16] estava cheia de cardos, _e_ a sua superficie
coberta d’ortigas, e a sua parede de pedra estava derribada.
32 O que tendo eu visto, o tomei no coração, _e_, vendo-_o_, recebi
instrucção.
33 Um pouco [17] de somno, adormecendo um pouco; encruzando as mãos outro
pouco, para estar deitado.
34 Assim _te_ sobrevirá a tua pobreza _como um_ caminhante, e a tua
necessidade como _um_ homem armado.
[1] cap. 21.22. Ecc. 9.16.
[2] cap. 11.14 e 15.22 e 20.18.
[3] Isa. 58.6, 7. I João 3.16.
[4] cap. 21.2.
[5] Job 34.11. Rom. 2.6. Apo. 2.23 e 22.12.
[6] Job 5.19. Miq. 7.8. Amós 8.14.
[7] Job 31.29. cap. 17.5. Abd. 12.
[8] cap. 23.17. ver. 1.
[9] Job 18.5, 6 e 21.17. cap. 13.9 e 20.20.
[10] Rom. 13.7. I Ped. 2.17.
[11] Lev. 19.15. Deu. 1.17 e 16.19. cap. 18.5 e 28.21. João 7.24.
[12] cap. 17.15. Isa. 15.23.
[13] I Reis 5.17, 18. Luc. 14.28.
[14] Eph. 4.25.
[15] cap. 20.22. Mat. 5.39, 44. Rom. 12.17, 19.
[16] Gen. 3.18.
[17] cap. 6.9, etc.
_Outros proverbios de Salomão, que foram colligidos no tempo do rei
Ezequias._
[Antes de Christo 700]
25 Tambem estes [1] _são_ proverbios de Salomão, os quaes transcreveram
os homens d’Ezequias, rei de Judah.
2 A gloria [2] de Deus _é_ encobrir o negocio; mas a gloria dos reis
esquadrinhar o negocio.
3 Para a altura dos céus, e para a profundeza da terra, e _para_ o
coração dos reis, não _ha_ investigação.
4 Tira [3] da prata as escorias, e sairá vaso para o fundidor.
5 Tira [4] o impio da presença do rei, e o seu throno se affirmará na
justiça.
6 Não te glories na presença do rei, nem te ponhas no logar dos grandes;
7 Porque [5] melhor é que te digam: Sobe aqui; do que seres humilhado
diante do principe que _já_ viram os teus olhos.
8 Não saias [6] depressa a litigar, para que depois ao fim não _saibas_
que fazer, podendo-te confundir o teu proximo.
9 Pleiteia [7] o teu pleito com o teu proximo, e não descubras o segredo
d’outro:
10 Para que não te deshonre o que o ouvir, e a tua infamia se não aparte
_de ti_.
11 _Como_ maçãs d’oiro em [SS] salvas de prata, _assim é_ a palavra dita
[8] a seu tempo.
12 Como pendentes d’oiro e gargantilhas d’oiro fino, assim _é_ o sabio
reprehensor para o ouvido ouvinte.
13 Como frieza [9] de neve no tempo da sega, _assim é_ o mensageiro fiel
para com os que o enviam; porque recreia a alma de seu senhor.
14 _Como_ nuvens e ventos que não _trazem_ chuva, [10] _assim é_ o homem
que se gaba falsamente de dadivas.
15 Pela longanimidade se persuade o principe, [11] e a lingua branda
quebranta os ossos.
16 Achaste mel? come o que te basta; para que _porventura_ não te fartes
d’elle, e o venhas a vomitar.
17 Retira o teu pé da casa do teu proximo; para que se não enfade de ti,
e te aborreça.
18 Martello, e espada, e frecha aguda é o homem que diz falso testemunho
contra o seu proximo.
19 _Como_ dente quebrado, e pé desengonçado, _é_ a confiança no desleal,
no tempo da angustia.
20 O que canta canções ao coração afflicto _é como_ aquelle que despe o
vestido _n’um_ dia de frio, _e como_ vinagre sobre [ST] salitre.
21 Se [12] o que te aborrece tiver fome, dá-lhe pão para comer; e se
tiver sêde, dá-lhe agua para beber;
22 Porque _assim_ brazas lhe amontoarás sobre a cabeça; [13] e o Senhor
t’o pagará.
23 O vento norte afugenta a chuva, e a face irada a lingua fingida.
24 Melhor [14] é morar _n’um_ canto do terraço, do que com a mulher
contenciosa, e isso em casa _em que mais_ companhia _haja_.
25 _Como_ agua fria á alma cançada, taes _são_ as boas novas de terra
remota.
26 _Como_ fonte turva, e manancial corrupto, _assim é_ o justo que cae
diante do impio.
27 Comer [15] muito mel não _é_ bom; assim a pesquiza da propria gloria
não _é_ gloria.
28 _Como_ a cidade [16] derribada, sem muro, assim _é_ o homem que não
pode conter o seu espirito.
[1] II Reis 4.32.
[2] Deu. 29.29. Rom. 11.33. Job 29.16.
[3] II Tim. 2.21.
[4] cap. 20.8.
[5] Luc. 14.8, 9, 10.
[6] cap. 17.14. Mat. 5.25.
[7] Mat. 5.25 e 18.15.
[8] cap. 15.23. Isa. 50.4.
[9] cap. 13.17.
[10] cap. 20.6. Jud. 12.
[11] I Sam. 25.24, etc. cap. 15.1 e 16.14.
[12] Exo. 23.4, 5. Mat. 5.44. Rom. 12.20.
[13] II Sam. 16.12.
[14] cap. 19.13 e 21.9, 19.
[15] ver. 16. cap. 27.2.
[16] cap. 16.32.
26 Como a neve no verão, [1] e como a chuva na sega, assim não convem ao
louco a honra.
2 Como ao passaro o vaguear, como á andorinha o voar, [2] assim a
maldição sem causa não virá.
3 O açoite para o cavallo, o freio para o jumento, e a vara para as
costas dos tolos.
4 Não respondas ao tolo segundo a sua estulticia; para que tambem te não
faças similhante a elle.
5 Responde [3] ao tolo segundo a sua estulticia; para que não seja sabio
aos seus olhos.
6 Os pés corta, _e_ o damno bebe, quem manda mensagens pela mão _d’um_
tolo.
7 Como as pernas do côxo, que pendem frouxas, assim _é_ o proverbio na
bocca dos tolos.
8 Como o que ata a pedra _preciosa_ na funda, assim _é_ aquelle que dá
honra ao tolo.
9 Como o espinho que entra na mão do bebado, assim _é_ o proverbio na
bocca dos tolos.
10 Os grandes molestam a todos, e alugam os tolos e transgressores.
11 Como o cão _que_ torna ao seu vomito, [4] _assim é_ o tolo que reitera
a sua estulticia.
12 Tens visto [5] _a um_ homem _que é_ sabio a seus _proprios_ olhos?
maior esperança _ha_ do tolo do que d’elle.
13 Diz o preguiçoso: [6] _Um_ leão _está_ no caminho; _um_ leão _está_
nas ruas.
14 _Como_ a porta se revolve nos seus gonzos, assim o preguiçoso na sua
cama.
15 O preguiçoso [7] esconde a sua mão no seio: enfada-se de tornal-a á
sua bocca.
16 Mais sabio é o preguiçoso a seus olhos do que sete _homens_ que bem
respondem.
17 O que, passando, _se entremette_ em pleito alheio _é como_ aquelle que
toma _um_ cão pelas orelhas.
18 Como o louco que lança _de si_ faiscas, frechas, e mortandades,
19 Assim _é_ o homem que engana o seu proximo, e diz: Não o fiz eu por
brincar?
20 Sem lenha, o fogo se apagará; e, não _havendo_ [8] murmurador, cessará
a contenda.
21 Como o [9] carvão _é_ para as brazas, e a lenha para o fogo, assim _é_
o homem contencioso para accender rixas.
22 As palavras [10] do murmurador são como _as palavras_ do espancado, e
ellas descem ao intimo do ventre.
23 _Como_ o caco coberto d’escorias de prata, _assim são_ os labios
ardentes com o coração maligno.
24 Aquelle que aborrece se contrafaz pelos seus beiços, mas no seu
interior encobre o engano.
25 Quando [11] _te_ supplicar com a sua voz, não _te_ fies n’elle, porque
sete abominações _ha_ no seu coração,
26 _Cujo_ odio se encobre com engano; a sua malicia se descobrirá na
congregação.
27 O que cava _uma_ cova n’ella cairá; e o que revolve a pedra _esta_
sobre elle tornará.
28 A lingua falsa aborrece aos que _ella_ afflige, e a bocca lubrica obra
a ruina.
[1] I Sam. 12.17.
[2] Num. 23.8. Deu. 23.5.
[3] Mat. 21.24, 27.
[4] II Ped. 2.22.
[5] cap. 29.20. Luc. 18.11. Rom. 12.16. Apo. 3.17.
[6] cap. 22.13.
[7] cap. 19.24.
[8] cap. 22.10.
[9] cap. 15.18 e 29.22.
[10] cap. 18.8.
[11] Jer. 9.8.
27 Não presumas do [1] dia d’ámanhã, porque não sabes o que parirá o dia.
2 Louve-te [2] o estranho, e não a tua bocca, o estrangeiro e não os teus
labios.
3 Pesada _é_ a pedra, e a areia _é_ carregada; porém a ira do insensato
_é_ mais pesada do que ellas ambas.
4 Cruel _é_ o furor e a impetuosa ira, [3] mas quem parará perante a
inveja?
5 Melhor [4] _é_ a reprehensão aberta do que o amor encoberto.
6 Fieis _são_ as feridas _feitas_ pelo que ama, mas os beijos do que
aborrece são [SU] enganosos.
7 A alma farta piza o favo de mel, [5] mas á alma faminta todo o amargo
_é_ doce.
8 Qual _é_ a ave que vagueia do seu ninho, tal é o homem que anda
vagueando do seu logar.
9 O oleo e o perfume alegram o coração: assim a doença do amigo d’alguem
com o conselho cordial.
10 Não deixes a teu amigo, nem ao amigo de teu pae, nem entres na casa de
teu irmão no dia da tua adversidade: [6] melhor _é_ o visinho de perto do
que o irmão ao longe.
11 Sê sabio, [7] filho meu, e alegra o meu coração; para que tenha alguma
coisa que responder áquelle que me desprezar.
12 O avisado vê o mal, _e_ esconde-se; _mas_ os simples passam _e_ pagam
a pena.
13 Quando alguem fica por fiador do estranho, [8] toma-lhe tu a sua
roupa; e o penhora pela estranha.
14 O que bemdiz ao seu amigo em alta voz, madrugando pela manhã, por
maldição se lhe contará.
15 O gotejar [9] continuo no dia de grande chuva, e a mulher contenciosa,
uma e outra são similhantes.
16 Todos os que a esconderem esconderão o vento: e o oleo da sua dextra
clama.
17 _Como_ o ferro com o ferro se aguça, assim o homem aguça o rosto do
seu amigo.
18 O [10] que guarda a figueira comerá do seu fructo; e o que attenta
para seu senhor, será honrado.
19 Como _na_ agua o rosto _corresponde_ ao rosto, assim o coração do
homem ao homem.
20 _Como_ o [11] [SV] inferno e a perdição nunca se fartam, assim os
olhos do homem nunca se fartam.
21 _Como_ [12] o crisol é para a prata, e o forno para o oiro, assim _se
prova_ o homem pelos louvores.
22 Ainda quando pizares [13] o tolo com _uma_ mão de gral entre grãos de
cevada pilada, não se irá d’elle a sua estulticia.
23 Procura conhecer o estado das tuas ovelhas: põe o teu coração sobre o
gado.
24 Porque o thesouro não _dura_ para sempre: ou _durará_ a corôa de
geração em geração?
25 _Quando_ se mostrar a herva, e apparecerem os renovos, então ajunta as
hervas dos montes.
26 Os cordeiros _serão_ para te vestires, e os bodes _para_ o preço do
campo.
27 E a abastança do leite das cabras para o teu sustento, para sustento
da tua casa, e para sustento das tuas creadas.
[1] Luc. 12.19, 20. Thi. 4.13, etc.
[2] cap. 25.27.
[3] I João 3.12.
[4] cap. 28.23. Gal. 2.14.
[5] Job 6.7.
[6] cap. 17.17 e 18.24.
[7] cap. 10.1 e 23.15, 24. Psa. 127.5.
[8] Exo. 22.26. cap. 20.16.
[9] cap. 19.13.
[10] I Cor. 9.7, 13.
[11] cap. 30.16. Hab. 2.5. Ecc. 1.8 e 6.7.
[12] cap. 17.3.
[13] cap. 23.35. Isa. 1.5. Jer. 5.3.
28 Fogem os [1] impios, sem que ninguem _os_ persiga; mas qualquer justo
está confiado como o filho do leão.
2 Pela transgressão da [SW] terra _são_ muitos os seus principes, mas por
homens prudentes _e_ entendidos a sua continuação será prolongada.
3 O homem pobre que opprime aos pobres _é_ como chuva impetuosa, com que
ha falta de pão.
4 Os que deixam a lei louvam o impio; [2] porém os que guardam a lei
pelejam contra elles.
5 Os homens maus não entendem o juizo, [3] mas os que buscam ao Senhor
entendem tudo.
6 Melhor [4] _é_ o pobre que anda na sua sinceridade do que o perverso de
caminhos, ainda que _seja_ rico.
7 O [5] que guarda a lei _é_ filho entendido, mas o companheiro dos
comilões envergonha a seu pae.
8 O [6] que augmenta a sua fazenda com usura e onzena, o ajunta para o
que se compadece do pobre.
9 O [7] que desvia os seus ouvidos d’ouvir a lei até a sua oração _será_
abominavel.
10 O [8] que faz com que os rectos errem _n’um_ mau caminho elle _mesmo_
cairá na sua cova: mas os bons herdarão o bem.
11 O homem rico _é_ sabio aos seus proprios olhos, mas o pobre _que é_
entendido o esquadrinha.
12 Quando os justos [9] exultam, grande _é_ a gloria; mas quando os
impios sobem, os homens se andam escondendo.
13 O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que _as_
confessa e deixa alcançará misericordia.
14 Bemaventurado [10] o homem que continuamente teme: mas o que endurece
o seu coração virá a cair no mal.
15 Como leão bramante, [11] e urso faminto, assim _é_ o impio que domina
sobre _um_ povo pobre.
16 O principe falto d’intelligencia tambem multiplica as oppressões,
_mas_ o que aborrece a avareza prolongará _os seus_ dias.
17 O [12] homem carregado do sangue de qualquer pessoa fugirá até á cova:
ninguem o retenha.
18 O [13] que anda sinceramente salvar-se-ha, mas o perverso em seus
caminhos cairá logo.
19 O [14] que lavrar a sua terra virá a fartar-se de pão, mas o que segue
a ociosos se fartará de pobreza.
20 O homem fiel abundará em bençãos, [15] mas o que se apressa a
enriquecer não será innocente.
21 Ter respeito [16] á _apparencia de_ pessoas não _é_ bom, porque até
por um bocado de pão prevaricará o homem.
22 O que se apressa [17] a enriquecer é homem de mau olho, porém não sabe
que ha de vir sobre elle a pobreza.
23 O [18] que reprehende ao homem depois achará mais favor do que aquelle
que lisongeia com a lingua.
24 O que rouba a seu pae, ou a sua mãe, e diz: Não _ha_ transgressão;
companheiro _é_ do homem dissipador.
25 O altivo d’animo [19] levanta contendas, mas o que confia no Senhor
engordará.
26 O que confia no seu coração _é_ insensato, mas o que anda em sabedoria
elle escapará.
27 O [20] que dá ao pobre não terá necessidade, mas o que esconde os seus
olhos terá muitas maldições.
28 Quando [21] os impios se elevam, os homens se andam escondendo, mas
quando perecem, os justos se multiplicam.
[1] Lev. 26.17, 36.
[2] Rom. 1.32. II Reis 18.18, 21. Mat. 3.7. Eph. 5.11.
[3] João 7.17. I Cor. 2.15. I João 2.20, 27.
[4] ver. 18. cap. 19.1.
[5] cap. 29.3.
[6] Job 27.6, 17. cap. 13.22. Ecc. 2.26.
[7] Zac. 7.11. cap. 15.8.
[8] cap. 26, 27. Mat. 6.33.
[9] ver. 28. cap. 11.10 e 29.2. Ecc. 10.6.
[10] cap. 23.17. Rom. 2.5 e 11.20.
[11] I Ped. 5.8. Mat. 2.16.
[12] Gen. 9.6. Exo. 21.14.
[13] cap. 10.9, 25. ver. 6.
[14] cap. 12.11.
[15] cap. 13.11 e 20.21 e 23.4. I Tim. 6.9.
[16] cap. 18.5 e 24.23. Eze. 13.19.
[17] ver. 20.
[18] cap. 27.5, 6.
[19] cap. 13.10.
[20] Deu. 15.7, etc. cap. 19.17 e 22.9.
[21] ver. 12. cap. 29.2. Job 24.4.
29 O [1] homem que muitas vezes reprehendido endurece a cerviz de repente
será quebrantado sem que haja cura.
2 Quando os justos se [2] engrandecem, o povo se alegra, mas quando o
impio domina o povo suspira.
3 O homem [3] que ama a sabedoria alegra a seu pae, mas o companheiro de
prostitutas desperdiça a fazenda.
4 O rei com juizo sustem a terra, mas o amigo de peitas a transtorna.
5 O homem que lisongeia a seu proximo, arma _uma_ rede aos seus passos.
6 Na transgressão do homem mau ha laço, mas o justo jubila e se alegra.
7 Informa-se o [4] justo da causa dos pobres, _mas_ o impio não
comprehende o conhecimento.
8 Os homens escarnecedores [5] abrazam a cidade, mas os sabios desviam a
ira.
9 O homem sabio que pleiteia com o tolo, [6] quer se turbe quer se ria,
não terá descanço.
10 Os homens sanguinolentos [7] aborrecem ao sincero, mas os rectos
procuram o seu bem.
11 Todo o seu espirito profere o tolo, [8] mas o sabio o encobre _e_
reprime.
12 O governador que dá attenção ás palavras mentirosas, _achará que_
todos os seus servos são impios.
13 O pobre e o usurario [9] se encontram, _e_ o Senhor allumia os olhos
d’ambos.
14 O [10] rei, que julga os pobres conforme a verdade, firmará o seu
throno para sempre.
15 A vara e a reprehensão dão sabedoria, [11] mas o rapaz entregue a si
mesmo envergonha a sua mãe.
16 Quando os impios se multiplicam, multiplicam-se as transgressões, mas
os justos verão a sua quéda.
17 Castiga [12] a teu filho, e te fará descançar; e dará delicias á tua
alma.
18 Não havendo prophecia, [13] o povo fica dissoluto; porém o que guarda
a lei [14] esse _é_ bemaventurado:
19 O servo se não emendará com palavras, porque, _ainda que te_ entenda,
todavia não responderá.
20 Tens visto _um_ homem arremessado nas suas palavras? [15] maior
esperança _ha_ d’_um_ tolo do que d’elle.
21 Quando alguem cria delicadamente o _seu_ servo desde a mocidade, por
derradeiro quererá ser seu filho.
22 O homem iracundo [16] levanta contendas; e o furioso multiplica as
transgressões.
23 A soberba [17] do homem o abaterá, mas o humilde d’espirito reterá a
gloria.
24 O que tem parte com o ladrão aborrece a sua _propria_ alma: ouve
maldições, [18] e não _o_ denuncia.
25 O temor do homem armará laços, mas o que confia no Senhor será posto
em alto retiro.
26 Muitos buscam a face do principe, mas o juizo de cada um vem do Senhor.
27 Abominação _é_ para os justos o homem iniquo, mas abominação _é_ para
o impio o de rectos caminhos.
[1] I Sam. 2.25. II Chr. 36.16. cap. 1.24, 27.
[2] Est. 8.15. cap. 11.10 e 28.12, 28.
[3] cap. 10.1 e 15.20 e 27.11. cap. 28.7. Luc. 15.13, 30.
[4] Job 29.16.
[5] cap. 11.11. Eze. 22.30.
[6] Mat. 11.17.
[7] Gen. 4.5, 8. I João 3.12.
[8] cap. 12.16 e 14.33.
[9] cap. 22.2.
[10] cap. 20.28 e 25.5.
[11] cap. 10.1 e 17.21, 25.
[12] ver. 15. cap. 13.24 e 19.18 e 22.15 e 23.13, 14.
[13] I Sam. 3.1. Amós 8.11, 12.
[14] João 13.17. Thi. 1.25.
[15] cap. 26.12.
[16] cap. 15.18 e 26.21.
[17] Job 22.29. cap. 15.33. Mat. 23.12. Luc. 14.11 e 18.14. Thi. 4.6, 10.
I Ped. 5.5.
[18] Lev. 5.1.
_As palavras de Agur._
30 Palavras d’Agur, filho de Jake, [SX] a prophecia: [1] disse este varão
a Ithiel; a Ithiel e a Ucal:
2 Na verdade que eu _sou_ mais brutal do que ninguem, não tenho o
entendimento do homem.
3 Nem aprendi a sabedoria, nem conheci o conhecimento dos sanctos.
4 Quem [2] subiu ao céu e desceu? quem encerrou os ventos nos seus
punhos? quem amarrou as aguas n’um panno? quem estabeleceu todas as
extremidades da terra? qual _é_ o seu nome? e qual _é_ o nome de seu
filho? se _é que_ o sabes?
5 Toda a palavra de Deus _é_ pura; escudo _é_ para os que confiam n’elle.
6 Nada accrescentes [3] ás suas palavras, para que não te reprehenda e
sejas achado mentiroso.
7 Duas coisas te pedi; não m’as negues, antes que morra:
8 Alonga de mim a vaidade e a palavra mentirosa; não me dês nem a pobreza
nem a riqueza: [4] mantem-me do pão da minha porção acostumada.
9 Para [5] que _porventura_ de farto _te_ não negue, e diga: Quem _é_ o
Senhor? ou que, empobrecendo, não venha a furtar, e lance mão do nome de
Deus.
10 Não calumnies o servo diante de seu senhor, para que te não amaldiçoe
e fiques culpado.
11 _Ha uma_ geração que amaldiçoa a seu pae, e que não bemdiz a sua mãe.
12 _Ha uma_ geração _que é_ pura [6] aos seus olhos, e que nunca foi
lavada da sua immundicia.
13 _Ha uma_ geração cujos olhos são altivos, e as suas palpebras
levantadas para cima.
14 _Ha uma_ geração [7] cujos dentes _são_ espadas, e cujos queixaes
_são_ facas, para consumirem da terra os afflictos, e os necessitados
d’entre os homens.
15 A sanguesuga tem duas filhas, _a saber_: Dá, Dá. Estas tres coisas
nunca se fartam; _e_ quatro nunca dizem: Basta.
16 A sepultura; [8] a madre esteril; a terra _que se_ não farta d’agua; e
o fogo nunca diz: Basta.
17 Os olhos [9] _que_ zombam do pae, ou desprezam a obediencia da mãe,
corvos do ribeiro os arrancarão e os pintãos da aguia os comerão.
18 Estas tres _coisas_ me maravilham; e quatro ha que não conheço:
19 O caminho da aguia no céu; o caminho da cobra na penha; o caminho do
navio no meio do mar; e o caminho do homem com _uma_ virgem.
20 Tal _é_ o caminho da mulher adultera: ella come, e limpa a sua bocca,
e diz: Não commetti maldade.
21 Por tres coisas se alvoroça a terra: e por quatro, _que_ não pode
supportar:
22 Pelo servo, [10] quando reina; e _pelo_ tolo, quando anda farto de pão;
23 Pela _mulher_ aborrecida, quando se casa; e _pela_ serva, quando ficar
herdeira da sua senhora.
24 Estas quatro coisas _são_ das mais pequenas da terra, porém sabias,
bem providas de sabedoria:
25 As formigas [11] _são um_ povo impotente; _todavia_ no verão preparam
a sua comida:
26 Os coelhos _são um_ povo debil; e _comtudo_ põem a sua casa na penha:
27 Os gafanhotos não teem rei; e _comtudo_ todos saem, _e em bandos_ se
repartem:
28 A [SY] aranha apanha com as mãos, e está nos paços dos reis.
29 Estas tres teem um bom andar, e quatro que passeiam mui bem:
30 O leão, o mais forte entre os animaes, que por ninguem torna atraz:
31 O [SZ] cavallo de guerra, bem cingido pelos lombos; e o bode; e o rei
a quem se não pode resistir.
32 Se obraste loucamente, elevando-te, e se imaginaste o mal, [12] _põe_
a mão na bocca.
33 Porque o espremer do leite produz manteiga, e o espremer do nariz
produz sangue, e o espremer da ira produz contenda.
[1] cap. 31.1.
[2] João 3.13. Job 38.4, etc. Isa. 40.12, etc.
[3] Deu. 4.2 e 12.32. Apo. 22.18, 19.
[4] Mat. 6.11.
[5] Deu. 8.12, 14, 17 e 31.20 e 32.15. Ose. 13.6.
[6] Luc. 18.11.
[7] cap. 12.18. Amós 8.4.
[8] cap. 27.20. Hab. 2.5.
[9] Gen. 9.22. Lev. 20.9. cap. 20.20 e 23.32.
[10] Ecc. 10.7.
[11] cap. 6.6, etc.
[12] Job 21.5. Miq. 7.16.
_Os conselhos que a mãe do rei Lemuel deu a seu filho._
[Antes de Christo 1015]
31 Palavras do rei Lemuel: [1] a prophecia com que lhe ensinou a sua mãe.
2 Como, [2] filho meu? e como, ó filho do meu ventre? e como, ó filho das
minhas promessas?
3 Não dês [3] ás mulheres a tua força, nem os teus caminhos ás que
destroem os reis.
4 Não _é_ dos reis, [4] ó Lemuel, não _é_ dos reis beber vinho, nem dos
principes _desejar_ bebida forte.
5 Para que não bebam, [5] e se esqueçam do estatuto, e pervertam o juizo
de todos os afflictos.
6 Dae bebida forte aos que perecem, e o vinho aos amargosos d’espirito:
7 Para que bebam, e se esqueçam da sua pobreza, e do seu trabalho não se
lembrem mais.
8 Abre [6] a tua bocca a favor do mudo, pelo direito de todos que vão
perecendo.
9 Abre a tua bocca; [7] julga rectamente; e faze justiça aos pobres e aos
necessitados.
10 _Aleph._ [8] Mulher virtuosa quem a achará? porque a sua valia muito
excede a de rubins.
11 _Beth._ O coração do seu marido está n’ella _tão_ confiado que fazenda
lhe não faltará.
12 _Gimel._ Ella lhe faz bem, e não mal, todos os dias da sua vida.
13 _Daleth._ Busca lã e linho, e trabalha com a industria de suas mãos.
14 _He._ É como o navio de mercador; de longe traz o seu pão.
15 _Vau._ Ainda até de noite [9] se levanta, e dá mantimento á sua casa,
e ordinaria porção ás suas servas.
16 _Zain._ Considera _uma_ herdade, e adquire-a; planta _uma_ vinha do
fructo de suas mãos.
17 _Heth._ Cinge os seus lombos de força, e corrobora os seus braços.
18 _Teth._ Prova _e vê_ que _é_ boa a sua mercancia; _e_ a sua lampada
não se apaga de noite.
19 _Jod._ Estende as suas mãos ao fuso, e as palmas das suas mãos pegam
na roca.
20 _Caph._ [10] Abre a sua mão ao afflicto; e ao necessitado estende as
suas mãos.
21 _Lamed._ Não temerá, por causa da neve, por sua casa, porque toda a
sua casa anda forrada de roupa dobrada.
22 _Mem._ Faz para si tapeçaria; de linho fino e purpura é o seu vestido.
23 _Nun._ [11] Conhece-se o seu marido nas portas, quando se assenta com
os anciãos da terra.
24 _Samech._ Faz pannos de linho fino, e vende-os, e dá cintas aos
mercadores.
25 _Ain._ A força e a gloria são os seus vestidos, e ri-se do dia futuro.
26 _Pé._ Abre a sua bocca com sabedoria, e a lei da beneficencia _está_
na sua lingua.
27 _Tsade._ Attenta pelos passos de sua casa, e não come o pão da
preguiça.
28 _Koph._ Levantam-se seus filhos, prezam-n’a por bemaventurada; _como
tambem_ seu marido, que a louva, _dizendo_:
29 _Res._ Muitas filhas obraram virtuosamente; porém tu a todas as
sobrepujas.
30 _Sin._ Enganosa _é_ a graça e vaidade a formosura, _mas_ a mulher que
teme ao Senhor essa será louvada.
31 _Thau._ Dae-lhe do fructo das suas mãos, e louvem-n’a nas portas as
suas obras.
[1] cap. 30.1.
[2] Isa. 49.15.
[3] cap. 5.9. Neh. 13.26. cap. 7.36.
[4] Ecc. 10.17.
[5] Ose. 4.11.
[6] Job 29.15, 16. I Sam. 19.4. Est. 4.16.
[7] Lev. 19.15. Deu. 1.16. Job 29.12. Isa. 1.17. Jer. 22.16.
[8] cap. 12.4 e 18.22 e 19.14.
[9] Rom. 12.11. Luc. 12.42.
[10] Eph. 4.28. Heb. 13.16.
[11] cap. 12.4.
LIVRO DO ECCLESIASTES, OU PRÉGADOR.
_A vaidade de todas as coisas terrestres._
[Antes de Christo 977]
1 Palavras [1] do prégador, filho de David, rei em Jerusalem:
2 Vaidade [2] de vaidades! diz o prégador, vaidade de vaidades! _é_ tudo
vaidade.
3 Que vantagem [3] tem o homem, de todo o seu trabalho, que elle trabalha
debaixo do sol?
4 _Uma_ geração vae, e _outra_ geração vem; porém a terra para sempre
permanece.
5 E nasce o sol, e põe-se o sol, e aspira ao seu logar d’onde nasceu.
6 Vae para o sul, e faz o _seu_ giro para o norte; continuamente vae
girando o vento, [4] e volta o vento sobre os seus giros.
7 Todos os ribeiros vão para o mar, e _comtudo_ o mar não se enche: para
o logar para onde os ribeiros vão, para ali tornam elles a ir.
8 Todas estas coisas se cançam _tanto_, que ninguem o póde declarar: [5]
os olhos se não fartam de vêr, nem se enchem os ouvidos de ouvir.
9 O [6] que foi isso _é o que_ ha de ser; e o que se fez isso se fará; de
modo que nada _ha_ de novo debaixo do sol.
10 Ha alguma coisa de que se possa dizer: Vês isto, _é_ novo? já foi nos
seculos passados, que foram antes de nós.
11 _Já_ não _ha_ lembrança das coisas que precederam, e das coisas que
hão de ser tambem d’ellas não haverá lembrança, nos que hão de ser depois.
12 Eu, [7] o prégador, fui rei sobre Israel em Jerusalem.
13 E appliquei o meu coração a esquadrinhar, e a informar-me com
sabedoria de tudo quanto succede debaixo do céu: [8] esta enfadonha
occupação deu Deus aos filhos dos homens, para n’ella os exercitar.
14 Attentei para todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que
tudo _era_ vaidade e afflicção d’espirito.
15 _Aquillo que é_ torto não se póde endireitar; _aquillo_ que falta não
se póde contar.
16 Fallei eu com o meu coração, dizendo: [9] Eis que eu me engrandeci,
e augmentei em sabedoria, sobre todos os que houve antes de mim em
Jerusalem: e o meu coração contemplou abundantemente a sabedoria e a
sciencia.
17 E appliquei [10] o meu coração a entender a sabedoria e a sciencia,
os desvarios e as doidices, e vim a saber que tambem isto era afflicção
d’espirito.
18 Porque [11] na muita sabedoria _ha_ muito enfado; e o que _se_
augmenta _em_ sciencia, accrescenta o trabalho.
[1] ver. 12. cap. 7.27 e 12.8, 9.
[2] cap. 12.8.
[3] cap. 2.22 e 3.9.
[4] João 3.8.
[5] Pro. 27.20.
[6] cap. 3.15.
[7] ver. 1.
[8] Gen. 3.19. cap. 3.10.
[9] I Reis 3.12, 13 e 4.30 e 10.7, 23. cap. 2.9.
[10] cap. 2.3, 12 e 7.23, 25. I The. 5.21.
[11] cap. 12.12.
_Os prazeres e as riquezas não produzem a felicidade._
2 Disse eu no meu coração: [1] Ora vem, eu te provarei com alegria,
attenta pois para o bem; porém eis que tambem isto _era_ vaidade.
2 Ao riso disse: [2] _Estás_ doido; e á alegria: De que serve esta?
3 Busquei [3] no meu coração como me daria ao vinho (regendo porém o meu
coração com sabedoria), e como reteria a loucura, até vêr o que seria
melhor que os filhos dos homens fizessem debaixo do céu, _durante_ o
numero dos dias de sua vida.
4 Fiz para mim obras magnificas: edifiquei para mim casas: plantei para
mim vinhas.
5 Fiz para mim hortas e jardins, e plantei n’elles arvores de toda _a
especie_ de fructa.
6 Fiz para mim tanques d’aguas, para regar com elles o bosque em que
reverdeciam as arvores.
7 Adquiri servos e servas, e tive filhos de casa; tambem tive grande
possessão de vaccas e ovelhas, mais do que todos os que houve antes de
mim em Jerusalem.
8 Amontoei tambem para mim prata e oiro, e as joias de reis e das
provincias; provi-me de cantores e cantoras, e das delicias dos filhos
dos homens: d’instrumentos de musica, e de toda a sorte d’instrumentos.
9 E engrandeci, e [4] augmentei mais do que todos os que houve antes de
mim em Jerusalem: perseverou tambem comigo a minha sabedoria.
10 E tudo quanto desejaram os meus olhos não lh’o neguei, nem retive o
meu coração d’alegria alguma; mas o meu coração se alegrou de todo o meu
trabalho, [5] e esta foi a minha porção de todo o meu trabalho.
11 E olhei eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como tambem
para o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito, _e_ eis que tudo _era_
vaidade [6] e afflicção d’espirito, e _que_ proveito nenhum _havia_
debaixo do sol.
12 Então passei á contemplação da sabedoria, e dos desvarios, [7] e da
doidice; porque que fará o homem que seguir ao rei? o que outros já
fizeram;
13 Então vi eu que a sabedoria é mais excellente do que a estulticia,
quanto a luz é mais excellente do que as trevas.
14 Os olhos [8] do sabio _estão_ na sua cabeça, mas o louco anda em
trevas: tambem então entendi eu que o mesmo successo lhes succede a todos.
15 Pelo que eu disse no meu coração: Como succeder ao tolo, assim me
succederá a mim; porque pois então busquei eu mais a sabedoria? Então
disse no meu coração que tambem isto _era_ vaidade.
16 Porque nunca _haverá_ mais lembrança do sabio do que do tolo;
porquanto de tudo quanto agora _ha_ nos dias futuros total esquecimento
haverá. E como morre o sabio? assim como o tolo.
17 Pelo que aborreci esta vida, porque a obra que se faz debaixo do sol
me _parece_ má; porque tudo _é_ vaidade e afflicção d’espirito.
18 Tambem eu aborreci todo o meu trabalho, em que eu trabalhei debaixo do
sol, visto que eu havia de deixal-o ao homem que viesse depois de mim.
19 Porque quem sabe se será sabio ou tolo? todavia se assenhoreará sobre
todo o meu trabalho em que trabalhei, e em que me houve sabiamente
debaixo do sol; tambem isto _é_ vaidade.
20 Pelo que eu me appliquei a fazer que o meu coração perdesse a
esperança de todo o trabalho, em que trabalhei debaixo do sol.
21 Porque ha homem que trabalha com sabedoria, e sciencia, e destreza;
todavia deixará _o seu trabalho_, como porção sua, a _um_ homem que não
trabalhou n’elle: tambem isto _é_ vaidade e grande enfado.
22 Porque, [9] que _mais_ tem o homem de todo o seu trabalho, e fadiga do
seu coração, em que elle anda trabalhando debaixo do sol?
23 Porque todos os seus dias [10] _são_ dôres, e a sua occupação _é_
vexação; até de noite não descança o seu coração: tambem isto é vaidade.
24 Não _é pois_ bom para o homem que [11] coma e beba, e _que_ faça gozar
a sua alma do bem do seu trabalho? tambem eu vi que isto _vem_ da mão de
Deus.
25 (Porque quem pode comer, ou quem [TA] o pode gozar _melhor_ do que
eu?).
26 Porque ao homem que _é_ bom diante d’elle dá Deus sabedoria e
conhecimento e alegria, porém ao peccador dá trabalho, para que elle
ajunte, e amontoe, [12] para o dar ao bom perante a sua face. Tambem isto
_é_ vaidade e afflicção d’espirito.
[1] Luc. 12.19.
[2] Pro. 14.13.
[3] cap. 1.17.
[4] cap. 1.16.
[5] cap. 3.22 e 5.18 e 9.9.
[6] cap. 1.3, 14.
[7] cap. 1.17.
[8] Pro. 17.24. cap. 8.
[9] cap. 1.3 e 3.9.
[10] Job 5.7 e 14.1.
[11] cap. 3.12, 13, 22 e 5.18 e 8.15.
[12] Job 27.16, 17. Pro. 28.8.
_Ha, para todas as coisas, um tempo determinado por Deus._
3 Tudo _tem_ o _seu_ [1] tempo determinado, e todo o proposito debaixo do
céu _tem o seu tempo_:
2 _Ha_ tempo de nascer, [2] e tempo de morrer: tempo de plantar, e tempo
d’arrancar o que se plantou:
3 Tempo de matar, e tempo de curar: tempo de derribar, e tempo de
edificar:
4 Tempo de chorar, e tempo de rir: tempo de prantear, e tempo de saltar:
5 Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras: tempo de abraçar,
e tempo de afastar-se de abraçar:
6 Tempo de buscar, e tempo de perder: tempo de guardar, e tempo de deitar
fóra:
7 Tempo de rasgar, e tempo de coser: tempo de calar, [3] e tempo de
fallar:
8 Tempo de amar, [4] e tempo de aborrecer: tempo de guerra, e tempo de
paz.
9 Que [5] vantagem tem o trabalhador d’aquillo em que trabalha?
10 Tenho [6] visto o trabalho que Deus deu aos filhos dos homens, para
com elle os affligir.
11 Tudo fez formoso em seu tempo: tambem poz o seculo no coração d’elles,
[7] sem que o homem possa descobrir a obra que Deus fez desde o principio
até ao fim.
12 _Já_ tenho advertido [8] que não _ha coisa_ melhor para elles do que
alegrar-se e fazer bem na sua vida;
13 Como tambem que todo o homem [9] coma e beba, e goze do bem de todo o
seu trabalho: _isto é um_ dom de Deus.
14 Sei eu que tudo quanto Deus faz isso durará eternamente: nada se lhe
deve accrescentar, [10] _e_ nada d’elle se deve diminuir; e _isto_ faz
Deus para que haja temor diante d’elle.
15 O que houve [11] _d’antes ainda_ o ha agora: e o que ha de ser, já
foi; e Deus pede conta do que passou.
16 Vi mais debaixo [12] do sol, no logar do juizo, _que havia_ ali
impiedade, e no logar da justiça _que_ ali _havia_ impiedade.
17 Eu disse no meu coração: [13] Deus julgará o justo e o impio; porque
ali _será_ o tempo _para julgar_ de todo o intento e sobre toda a obra.
18 Disse eu no meu coração ácerca do estado dos filhos dos homens, que
Deus lhes declararia; e elles _o_ veriam, [14] que elles são _como_ as
bestas em si mesmos.
19 Porque o que succede aos filhos dos homens, isso mesmo tambem succede
ás bestas, e o mesmo succede a elles _ambos_: como morre um, assim morre
o outro; e todos teem o mesmo folego, e a vantagem dos homens sobre as
bestas não é nenhuma, porque todos _são_ vaidade.
20 Todos vão para um logar: [15] todos foram _feitos_ do pó, e todos
voltarão ao pó.
21 Quem [16] adverte que o folego dos filhos dos homens sobe para cima, e
que o folego das bestas desce para baixo da terra?
22 Assim que tenho visto [17] que não _ha_ coisa melhor do que alegrar-se
o homem nas suas obras, porque essa _é_ a sua porção; [18] porque quem o
levará a vêr o que será depois d’elle?
[1] ver. 17. cap. 8.6.
[2] Heb. 9.27.
[3] Amós 5.13.
[4] Luc. 14.26.
[5] cap. 1.3.
[6] cap. 1.13.
[7] cap. 8.17. Rom. 11.33.
[8] ver. 22.
[9] cap. 2.24.
[10] Thi. 1.17.
[11] cap. 1.9.
[12] cap. 5.8.
[13] Rom. 2.6, 7, 8. II Cor. 5.10. II The. 1.6, 7. ver. 1.
[14] cap. 2.16.
[15] Gen. 3.19.
[16] cap. 12.7.
[17] ver. 12. cap. 2.24 e 5.18 e 11.9.
[18] cap. 2.10 e 8.7 e 10.14.
_Os males e as tribulações da vida._
4 Depois me virei, [1] e attentei em todas as oppressões que se fazem
debaixo do sol; e eis que _vi_ as lagrimas dos _que foram_ opprimidos
e dos que não teem consolador; e a força _estava_ da banda dos seus
oppressores; porém elles não tinham consolador.
2 Pelo que eu louvei [2] os mortos que já morreram, mais do que os vivos
que vivem ainda,
3 E melhor [3] que uns e outros _é_ aquelle que ainda não é; que não viu
as más obras que se fazem debaixo do sol.
4 Tambem vi eu que todo o trabalho, e toda a destreza em obras, _attrahe_
ao homem a inveja do seu proximo. Tambem isto _é_ vaidade e afflicção
d’espirito.
5 O tolo [4] cruza as suas mãos, e come a sua _propria_ carne.
6 Melhor [5] é uma mão cheia _com_ descanço do que ambos os punhos cheios
_com_ trabalho, e afflicção d’espirito.
7 Outra vez me tornei a virar, e vi _uma_ vaidade debaixo do sol.
8 Ha um _tal que é só_, e não tem segundo, nem tão pouco filho nem irmã;
e de todo o seu trabalho não _ha_ fim, [6] nem o seu olho se farta de
riquezas; nem _diz_: Para quem trabalho eu, e privo a minha alma do bem?
Tambem isto _é_ vaidade e enfadonha occupação.
9 Melhores _são_ dois do que um, porque teem melhor paga do seu trabalho.
10 Porque se vierem a cair, um levanta ao seu companheiro: mas ai do _que
estiver_ só; pois, caindo, não _haverá_ outro que o levante.
11 Tambem, se dois dormirem juntos, elles se aquentarão; mas um _só_ como
se aquentará?
12 E, se alguem prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; e o cordão
de tres dobras não se quebra tão depressa.
13 Melhor _é_ o mancebo pobre e sabio do que o rei velho e insensato, que
se não deixa mais admoestar.
14 Porque _um_ sae do carcere para reinar; sim, um que nasceu pobre no
seu reino.
15 Vi a todos os viventes andarem debaixo do sol com o mancebo, o
successor que estará no seu logar.
16 Não tem fim todo o povo, todo o que houve antes d’elle; tão pouco os
descendentes se alegrarão d’elle. Na verdade que tambem isto _é_ vaidade
e afflicção d’espirito.
[1] cap. 3.16 e 5.8.
[2] Job 3.17, etc.
[3] Job 3.11, 16, 21. cap. 6.3.
[4] Pro. 6.10 e 24.33.
[5] Pro. 15.16, 17 e 16.8.
[6] Pro. 27.20. I João 2.16.
_Varios conselhos praticos._
5 Guarda [1] o teu pé, quando entrares na casa de Deus; e inclina-te mais
a ouvir do que a offerecer sacrificios de tolos, pois não sabem que fazem
mal.
2 Não te precipites com a tua bocca, nem o teu coração se apresse a
pronunciar palavra alguma diante de Deus; porque Deus _está_ nos céus, e
tu _estás_ sobre a terra; [2] pelo que sejam poucas as tuas palavras.
3 Porque, da muita occupação vem os sonhos, [3] e a voz do tolo da
multidão das palavras.
4 Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpril-o; [4] porque
não se agrada de tolos: o que votares, paga-o.
5 Melhor [5] _é_ que não votes do que votes e não pagues.
6 Não consintas que a tua bocca faça peccar a tua carne, nem [6] digas
diante do anjo que _foi_ erro: por que causa se iraria Deus contra a tua
voz, que destruisse a obra das tuas mãos?
7 Porque, como na multidão dos sonhos _ha_ vaidades, assim o _ha_ nas
muitas palavras: [7] mas tu teme a Deus.
8 Se vires em _alguma_ provincia oppressão de pobres, e violencia do
juizo e da justiça, não te maravilhes de similhante caso; porque o que
mais alto _é_ do que os altos _n’isso_ attenta; e _ha_ mais altos do que
elles.
9 O proveito da terra é para todos: até o rei se serve do campo.
10 O que amar o dinheiro nunca se fartará do dinheiro; e quem amar a
abundancia nunca _se fartará_ da renda: tambem isto é vaidade.
11 Onde a fazenda se multiplica, ali se multiplicam tambem os que a
comem: que mais proveito pois _teem_ os seus donos do que verem-n’a com
os seus olhos?
12 Doce _é_ o somno do trabalhador, quer coma pouco quer muito; porém a
fartura do rico não o deixa dormir.
13 Ha mal _que_ vi debaixo do sol, [8] e attrahe enfermidades: as
riquezas que os seus donos guardam para o seu proprio mal;
14 Porque as mesmas riquezas se perdem com enfadonhas occupações, e
gerando algum filho nada _lhe fica_ na sua mão.
15 Como [9] saiu do ventre de sua mãe, _assim_ nú se tornará, indo-se
como veiu; e nada tomará do seu trabalho, que possa levar na sua mão.
16 Assim _que_ tambem isto _é_ um mal que attrahe enfermidades, que,
infallivelmente, como veiu, assim se vae: e que proveito lhe _vem_ de
trabalhar para o vento,
17 E de haver comido todos os seus dias nas trevas, e de padecer muito
enfado, e enfermidade, e cruel furor?
18 Eis aqui o que eu vi, uma boa e bella coisa: [10] comer e beber, e
gozar-se do bem de todo o seu trabalho, em que trabalhou debaixo do sol,
_durante_ o numero dos dias da sua vida que Deus lhe deu, [11] porque
esta _é_ a sua porção.
19 E todo [12] o homem, a quem Deus deu riquezas e fazenda, e lhe deu
poder para comer d’ellas, e tomar a sua porção, e gozar do seu trabalho:
isto é dom de Deus.
20 Porque não se lembrará muito dos dias da sua vida; porquanto Deus lhe
responde com alegria do seu coração.
[1] Exo. 3.5.
[2] Pro. 10.19. Mat. 6.7.
[3] Pro. 10.19.
[4] Num. 30.2. Deu. 23.21, 22, 23.
[5] Pro. 20.25. Act. 5.4.
[6] I Cor. 11.10.
[7] cap. 12.13.
[8] cap. 6.1.
[9] Job 1.21. I Tim. 6.7.
[10] cap. 2.24 e 3.12, 13, 22 e 9.7 e 11.9.
[11] cap. 2.10 e 3.22.
[12] cap. 2.24 e 3.13 e 6.2.
_É licito gozar os bens que Deus deu, mas estes não podem satisfazer a
alma._
6 Ha [1] um mal que tenho visto debaixo do sol, e mui frequente _é_ entre
os homens:
2 _Um_ homem a quem Deus deu riquezas, fazenda e honra, [2] e nada lhe
falta de tudo quanto a sua alma deseja, [3] e Deus não lhe dá poder para
d’ahi comer, antes o estranho lh’o come: _tambem_ isto _é_ vaidade e uma
má enfermidade.
3 Se o homem gerar cem _filhos_, e viver muitos annos, e os dias dos seus
annos forem muitos, porém a sua alma se não fartar do bem, [4] e tambem
não tiver sepultura, digo que um aborto _é_ melhor do que elle.
4 Porquanto debalde veiu, e ás trevas se vae, e de trevas se encobre o
seu nome.
5 E ainda _que_ nunca viu o sol, nem o conheceu, mais descanço tem do que
o tal.
6 E, ainda que vivesse duas vezes mil annos e não visse o bem,
_porventura_ todos não vão para um mesmo logar?
7 Todo [5] o trabalho do homem é para a sua bocca, e comtudo nunca se
enche a sua cubiça.
8 Porque, que mais tem o sabio do que o tolo? e que _mais_ tem o pobre
que sabe andar perante os vivos?
9 Melhor é a vista dos olhos do que o vaguear da cubiça: tambem isto _é_
vaidade, e afflicção de espirito.
10 Seja qualquer o que fôr, já o seu nome foi nomeado, e sabe-se que _é_
homem, [6] e que não póde contender com o que é mais forte do que elle.
11 Na verdade que ha muitas coisas que multiplicam a vaidade: que mais
tem o homem _com ellas_!
12 Porque quem sabe o que _é_ bom n’esta vida para o homem, _durante_
o numero dos dias da vida da sua vaidade, os quaes gasta como sombra?
porque quem declarará ao homem que é o que passará depois d’elle debaixo
do sol?
[1] cap. 5.13.
[2] Job 21.10, etc.
[3] Luc. 12.20.
[4] Isa. 14.19, 20. Jer. 22.19. Job 3.16. cap. 4.3.
[5] Pro. 16.26.
[6] Job 9.32. Isa. 45.9. Jer. 49.19.
_As vantagens do soffrimento, da paciencia, e da moderação._
7 Melhor _é_ a _boa_ fama do que o melhor unguento, e o dia da morte do
que o dia do nascimento d’alguem.
2 Melhor [1] _é_ ir á casa do luto do que ir á casa do banquete, _porque_
n’ella _é_ o fim de todos os homens; e os vivos _o_ applicam ao seu
coração.
3 Melhor _é_ o nojo do que o riso, [2] porque com a tristeza do rosto se
encommenda o coração.
4 O coração dos sabios _está_ na casa do luto, mas o coração dos tolos na
casa da alegria.
5 Melhor [3] _é_ ouvir a reprehensão do sabio, do que ouvir alguem a
canção do tolo.
6 Porque qual o ruido dos espinhos debaixo _d’uma_ panella, tal _é_ o
riso do tolo: tambem isto _é_ vaidade.
7 Verdadeiramente que a oppressão faria endoidecer _até_ ao sabio, [4] e
a peita corrompe o coração.
8 Melhor _é_ o fim das coisas do que o principio d’ellas: [5] melhor _é_
o longanimo do que o altivo de coração.
9 Não te [6] apresses no teu espirito a irar-te, porque a ira repousa no
seio dos tolos.
10 Nunca digas: Porque foram os dias passados melhores do que estes?
porque nunca com sabedoria isto perguntarias.
11 Tão boa _é_ a sabedoria como a herança, [7] e d’ella os que vêem o sol
tiram proveito.
12 Porque a sabedoria serve de sombra, como de sombra serve o dinheiro;
mas a excellencia do conhecimento _é_ que a sabedoria dá vida ao seu
possuidor.
13 Attenta para a obra de Deus; [8] porque quem poderá endireitar o que
elle fez torto?
14 No dia da prosperidade goza do bem, [9] mas no dia da adversidade
considera; _porque_ tambem Deus fez a este em opposição áquelle, para que
o homem nada ache _do que haverá_ depois d’elle.
15 Tudo isto vi nos dias da minha vaidade: [10] ha _um_ justo que perece
na sua justiça, e ha _um_ impio que prolonga os _seus dias_ na sua
maldade.
16 Não sejas [11] demasiadamente justo, nem demasiadamente sabio: para
que te destruirias _a ti mesmo_?
17 Não sejas demasiadamente impio, nem sejas _demasiadamente_ louco: para
[12] que morrerias fóra de teu tempo?
18 Bom _é_ que retenhas isto, e tambem d’isto não retires a tua mão;
porque quem teme a Deus escapa de tudo isto.
19 A sabedoria [13] fortalece ao sabio, mais do que dez governadores que
haja na cidade.
20 Na verdade _que_ [14] não _ha_ homem justo sobre a terra, que faça
bem, e nunca peque.
21 Tão pouco appliques o teu coração a todas as palavras que se disserem,
para que não venhas a ouvir que o teu servo te amaldiçoa.
22 Porque o teu coração tambem _já_ confessou muitas vezes que tambem tu
amaldiçoaste a outros.
23 Tudo isto inquiri com sabedoria; e disse: [15] Sabedoria adquirirei;
mas ella _ainda_ estava longe de mim.
24 Longe [16] está o que foi; e o profundissimo quem o achará?
25 Eu virei o meu coração para saber, e inquirir, e buscar a sabedoria e
a razão, e para saber a impiedade da estulticia e a doidice dos desvarios.
26 E eu achei [17] uma coisa mais amarga do que a morte, a mulher cujo
coração são redes e laços, _e_ as suas mãos ataduras: quem fôr bom diante
de Deus escapará d’ella, mas o peccador virá a ser preso por ella.
27 Vedes aqui, isto achei, [18] diz o prégador, conferindo uma coisa com
a outra para _assim_ achar a razão d’ellas;
28 A qual ainda busca a minha alma, porém _ainda_ não a achei; um homem
entre mil achei _eu_, mas uma mulher entre todas estas não achei.
29 Vedes aqui, _que_ isto tão sómente achei: que Deus fez ao homem recto,
porém elles buscaram muitas invenções.
[1] Pro. 15.30 e 22.1.
[2] II Cor. 7.10.
[3] Pro. 13.18 e 15.31, 32.
[4] Exo. 23.8. Deu. 16.19.
[5] Pro. 14.29.
[6] Pro. 14.17 e 16.32. Thi. 1.19.
[7] cap. 11.7.
[8] Job 12.14. cap. 1.15. Isa. 14.27.
[9] cap. 3.4.
[10] cap. 8.14.
[11] Pro. 25.16. Rom. 12.3.
[12] Job 15.32. Pro. 10.27.
[13] Pro. 21.22 e 24.5. cap. 9.16, 18.
[14] I Reis 8.46. II Chr. 6.36. Pro. 20.9. Rom. 3.23. I João 1.8.
[15] Rom. 1.22.
[16] Rom. 11.33.
[17] Pro. 5.3, 4 e 22.14.
[18] cap. 1.1, 2.
_A obediencia devida ao rei._
8 Quem _é_ tal como o sabio? e quem sabe a interpretação das coisas? A
sabedoria do homem allumia o seu rosto, e a aspereza do seu rosto se muda.
2 Eu _digo_: [1] Observa o mandamento do rei, porém segundo a palavra do
juramento _que fizeste_ a Deus.
3 Não te apresses [2] a sair da presença d’elle, nem persistas em alguma
coisa má, porque elle faz tudo o que quer.
4 Onde _ha_ a palavra do rei, _ahi está_ o poder; [3] e quem lhe dirá:
Que fazes?
5 Quem guardar o mandamento não experimentará nenhum mal; e o coração do
sabio saberá o tempo e o modo.
6 Porque para [4] todo o proposito ha _seu_ tempo e _seu_ modo; porquanto
o mal do homem _é_ muito sobre elle.
7 Porque não sabe [5] o que ha de succeder: e, quando haja de succeder,
quem lh’o dará a entender?
8 Nenhum homem _ha_ que tenha dominio sobre o espirito, para reter o
espirito; nem tão pouco _tem elle_ poder [6] sobre o dia da morte: como
tambem nem armas _n’esta_ peleja: nem tão pouco a impiedade livrará aos
impios.
9 Tudo isto vi quando appliquei o meu coração a toda a obra que se faz
debaixo do sol: tempo ha em que _um_ homem tem dominio sobre _outro_
homem, para desgraça sua.
10 Assim tambem vi os impios sepultados, [TB] e _os que_ vinham, e sahiam
do logar sancto, que foram esquecidos na cidade em que fizeram bem:
tambem isto _é_ vaidade.
_O peccador não é logo castigado; o justo vê-se muitas vezes em
adversidade._
11 Porquanto [7] logo se não executa o juizo _sobre_ a má obra, por isso
o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto para obrar o
mal.
12 Ainda [8] que o peccador faça mal cem _vezes_, e _os dias_ se lhe
prolonguem, comtudo bem sei eu, [9] que bem succede aos que temem a Deus,
aos que temerem diante d’elle.
13 Porém ao impio não irá bem, e elle não prolongará os dias; _será_ como
a sombra; visto que elle não teme diante de Deus.
14 _Ainda_ ha _outra_ vaidade que se faz sobre a terra: que ha justos
a quem succede segundo as obras dos impios, e ha impios a quem succede
segundo as obras dos justos. Digo que tambem isto _é_ vaidade.
15 Assim que louvei eu a alegria, porquanto o homem coisa nenhuma melhor
tem debaixo do sol do que comer, beber e alegrar-se; porque isso o
acompanhará no seu trabalho nos dias da sua vida que Deus lhe dá debaixo
do sol.
16 Applicando eu o meu coração a entender a sabedoria, e a ver a
occupação que ha sobre a terra; que nem de dia nem de noite vê _o homem_
somno nos seus olhos.
17 Então vi toda a obra de Deus, [10] que o homem não pode alcançar,
a obra que se faz debaixo do sol, pela qual trabalha o homem para _a_
buscar, porém não _a_ achará; e, ainda que diga o sabio que a virá a
saber, nem _por isso a_ poderá alcançar.
[1] Pro. 4.8, 9. Act. 6.15.
[2] Rom. 13.5. cap. 10.4.
[3] Job 34.18.
[4] cap. 3.1.
[5] Pro. 24.22. cap. 6.12 e 9.12 e 10.14.
[6] Job 14.5.
[7] Isa. 26.10.
[8] Isa. 65.20. Rom. 2.5.
[9] Isa. 3.10, 11. Mat. 25.34, 41.
[10] Job 5.9. cap. 3.11. Rom. 11.33.
_As mesmas coisas succedem aos justos e injustos. Gozemos os bens que
Deus nos dá._
9 Devéras revolvi todas estas coisas no meu coração, para claramente
entender tudo isto: [1] que os justos, e os sabios, e as suas obras,
_estão_ nas mãos de Deus, como _tambem_ que não conhece o homem nem o
amor nem o odio, _por_ tudo _o que passa_ perante a sua face.
2 Tudo [2] _succede a uns_, como a todos _os outros_; o mesmo succede
ao justo e ao impio; ao bom e ao puro, como ao impuro; assim ao que
sacrifica como ao que não sacrifica; assim ao bom como ao peccador; ao
que jura como ao que teme o juramento.
3 Este mal _ha_ entre tudo quanto se faz debaixo do sol, que a todos
succede o mesmo; e que tambem o coração dos filhos dos homens esteja
cheio de maldade, e _que haja_ desvarios no seu coração, na sua vida, e
depois _se vão_ aos mortos.
4 Porque para o que acompanha com todos os vivos ha esperança (porque
melhor é o cão vivo do que o leão morto).
5 Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa
nenhuma, nem tão pouco teem elles jámais paga, [3] mas a sua memoria
ficou entregue ao esquecimento.
6 Até o seu amor, até o seu odio, e até a sua inveja já pereceu, e já não
teem parte alguma _n’este_ seculo, em coisa alguma do que se faz debaixo
do sol.
7 Vae, _pois_, come com alegria o teu pão [4] e bebe com bom coração o
teu vinho, pois já Deus se agrada das tuas obras.
8 Em todo o tempo sejam alvos os teus vestidos, e nunca falte o oleo
sobre a tua cabeça.
9 Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias da vida da tua
vaidade, os quaes _Deus_ te deu debaixo do sol, todos os dias da tua
vaidade: porque esta _é_ a tua porção _n’esta_ vida, e no teu trabalho,
em que tu trabalhaste debaixo do sol.
10 Tudo quanto te vier á mão para fazer, faze-_o_ conforme as tuas
forças, porque na sepultura, para onde tu vaes, não _ha_ obra, nem
industria, nem sciencia, nem sabedoria alguma.
_A sabedoria é muitas vezes mais util aos outros do que áquelle que a
possue._
11 Volvi-me, [5] e vi debaixo do sol que não _é_ dos ligeiros a carreira,
nem dos valentes a peleja, nem tão pouco dos sabios o pão, nem tão pouco
dos prudentes as riquezas, nem tão pouco dos entendidos o favor, mas que
o tempo e o acaso lhes succedem a todos.
12 Que tambem [6] o homem não sabe o seu tempo; _assim_ como os peixes
que se pescam com a rede maligna, e como os passarinhos que se prendem
com o laço, [7] assim se enlaçam _tambem_ os filhos dos homens no mau
tempo, quando cae de repente sobre elles.
13 Tambem vi esta sabedoria debaixo do sol, que _foi_ para comigo grande;
14 _Houve_ [8] uma pequena cidade em que _havia_ poucos homens, e veiu
contra ella um grande rei, e a cercou e levantou contra ella grandes
tranqueiras:
15 E se achou n’ella _um_ sabio pobre, que livrou aquella cidade pela sua
sabedoria, e ninguem se lembrava d’aquelle pobre homem.
16 Então disse eu: [9] Melhor _é_ a sabedoria do que a força, ainda que a
sabedoria do pobre _foi_ desprezada, e as suas palavras não foram ouvidas.
17 As palavras dos sabios em silencio se devem ouvir, mais do que o
clamor do que domina sobre os tolos.
18 Melhor [10] _é_ a sabedoria do que as armas de guerra, porém um _só_
peccador destroe muitos bens.
[1] cap. 8.14.
[2] Job 21.7, etc. Mal. 3.15.
[3] Job 7.8, 9, 10. Isa. 26.14.
[4] cap. 8.15.
[5] Amós 2.14, 15. Jer. 9.23.
[6] cap. 8.7.
[7] Pro. 29.6. Luc. 12.20, 39 e 17.26, etc. I The. 5.3.
[8] II Sam. 20.16-22.
[9] Pro. 21.22 e 24.5. cap. 7.19. ver. 18. Mar. 6.2, 3.
[10] ver. 16. Jos. 7.1, 11, 12.
_A loucura é a causa de muitas desgraças._
10 Assim como a mosca morta faz [TC] exhalar mau cheiro e evaporar o
unguento do perfumador, _assim o faz_ ao famoso em sabedoria e em honra
_uma_ pouca de estulticia.
2 O coração do sabio _está_ á sua dextra, mas o coração do tolo _está_ á
sua esquerda.
3 E, até quando o tolo vae pelo caminho, falta-_lhe_ o seu entendimento
[1] e diz a todos _que é_ tolo.
4 Levantando-se contra ti o espirito do governador, [2] não deixes o teu
logar, porque [TD] _é um_ remedio _que_ aquieta grandes peccados.
5 _Ainda_ ha _um_ mal _que_ vi debaixo do sol, como o erro _que_ procede
de diante do governador.
6 Ao tolo [3] assentam em grandes alturas, mas os ricos estão assentados
na baixeza.
7 Vi os servos [4] a cavallo, e os principes que andavam _a pé_ como
servos sobre a terra.
8 Quem [5] cavar _uma_ cova, cairá n’ella, e, quem romper _um_ muro,
_uma_ cobra o morderá.
9 Quem acarretar pedras, será maltratado por ellas, e o que rachar lenha
perigará com ella.
10 Se estiver embotado o ferro, e não se amollar o córte, então se devem
pôr mais forças: mas a sabedoria _é_ excellente para dirigir.
11 [TE] Se a cobra [6] morder, não estando encantada, então remedio
nenhum _se espera do encantador_, por mais habil _que seja_.
12 Nas palavras [7] da bocca do sabio _ha_ favor, porém os labios do tolo
o devoram.
13 O principio das palavras da sua bocca _é_ a estulticia, e o fim da sua
bocca _um_ desvario pessimo.
14 Bem _que_ [8] o tolo multiplique as palavras, não sabe o homem o que
ha de ser; e quem lhe fará saber o que será depois d’elle?
15 O trabalho dos tolos a cada um d’elles fatiga, porque não sabem ir á
cidade.
16 Ai de ti, [9] ó terra, cujo rei _é_ criança, e cujos principes comem
de manhã.
17 Bemaventurada tu, ó terra, cujo rei _é_ filho dos nobres, [10] e cujos
principes comem a tempo, para _refazerem as_ forças, e não para bebedice.
18 Pela muita preguiça se [TF] enfraquece o tecto, e pela frouxidão das
mãos goteja a casa.
19 Para rir se fazem convites, e o vinho alegra a vida, e por tudo o
dinheiro responde.
20 Nem [11] ainda no teu pensamento amaldiçoes ao rei, nem tão pouco no
mais interior da tua recamara amaldiçoes ao rico: porque as aves dos céus
levariam a voz, e os que teem azas dariam noticia da palavra.
[1] Pro. 13.16 e 18.2.
[2] cap. 8.3.
[3] Est. 3.1.
[4] Pro. 19.10 e 30.22.
[5] Pro. 26.27.
[6] Jer. 8.17.
[7] Pro. 10.32 e 12.13. Pro. 10.14 e 18.7.
[8] Pro. 15.2. cap. 3.22 e 8.7.
[9] Isa. 3.4, 5, 12 e 5.11.
[10] Pro. 31.4.
[11] Exo. 22.28. Act. 23.5.
_Façamos o que é bom no tempo opportuno._
11 Lança o [1] teu pão sobre as aguas, porque depois de muitos dias o
acharás.
2 Reparte [2] com sete, e ainda _até_ com oito, porque não sabes que mal
haverá sobre a terra.
3 Estando as nuvens cheias, vazam a chuva sobre a terra, e caindo a
arvore para o sul, ou para o norte, no logar em que a arvore cair ali
ficará.
4 Quem observa o vento, nunca semeará, e o que olha para as nuvens nunca
segará.
5 Assim como tu não sabes [3] qual o caminho do vento, nem como _se
formam_ os ossos no ventre da _mulher_ gravida, assim tu não sabes as
obras de Deus, que faz todas as coisas.
6 Pela manhã semeia a tua semente, e á tarde não retires a tua mão,
porque tu não sabes qual será recto, se isto, se aquillo, ou se ambas
_estas coisas_ egualmente _serão_ boas.
7 Devéras suave _é_ a luz, e agradavel _é_ aos olhos ver o sol.
8 Porém se o homem viver muitos annos, _e_ em todos elles se alegrar,
tambem se deve lembrar dos dias das trevas, porque hão de ser muitos, _e_
tudo quanto succedeu é vaidade.
9 Alegra-te, mancebo, na tua mocidade, e recreie-se o teu coração nos
dias da tua mocidade, e [4] anda pelos caminhos do teu coração, e pela
vista dos teus olhos: sabe, porém, que por todas estas coisas te trará
Deus a juizo.
10 Afasta pois a ira do teu coração, [5] e remove da tua carne o mal,
porque a adolescencia e a juventude _são_ vaidade.
[1] Isa. 32.20. Pro. 19.17. Mat. 10.42. II Cor. 9.8. Gal. 6.9, 10.
[2] Luc. 6.30. I Tim. 6.18, 19. Miq. 5.5. Eph. 5.16.
[3] João 3.8.
[4] cap. 12.14. Rom. 2.6-11.
[5] II Cor. 7.1. II Tim. 2.22.
_A mocidade deve preparar-se para a velhice e morte._
12 Lembra-te [1] do teu Creador nos dias da tua mocidade, antes que
venham os maus dias, e cheguem os annos dos quaes venhas a dizer: [2] Não
tenho n’elles contentamento:
2 Antes que se escureçam o sol, e a luz, e a lua, e as estrellas, e
tornem a vir as nuvens depois da chuva;
3 No dia em que tremerem os guardas da casa, e se encurvarem os fortes
varões, e cessarem os moedores, por já serem poucos, e se escurecerem os
que olham pelas janellas;
4 E as duas portas da rua se fecharem por causa do baixo ruido da
moedura, e se levantar á voz das aves, [3] e todas as vozes do canto se
encurvarem:
5 Como tambem _quando_ temerem os _logares_ altos, e _houver_ espantos no
caminho, e florescer a amendoeira, e o gafanhoto o carregar, e perecer
o appetite, porque o homem se vae á sua [TG] eterna casa, [4] e os
pranteadores andarão rodeando pela praça.
6 Antes que se quebre a cadeia de prata, e se despedace o copo d’oiro, e
se despedace o cantaro junto á fonte, e se despedace a roda junto ao poço,
7 E o pó voltar [5] á terra, como o era, e o espirito voltar a Deus, que
o deu.
8 Vaidade de vaidade, diz o prégador, tudo _é_ vaidade.
9 E, quanto mais o prégador foi sabio, tanto mais sabedoria ao povo
ensinou, e attentou, e esquadrinhou, [6] e compoz muitos proverbios.
_Todo o dever do homem consiste em temer a Deus e em guardar os seus
mandamentos._
10 Procurou o prégador achar palavras agradaveis; e o escripto _é_ a
rectidão, palavras de verdade.
11 As palavras dos sabios _são_ como aguilhões, e como pregos, bem
affixados _pelos_ mestres das congregações, _que_ nos foram dados pelo
unico Pastor.
12 E, de mais d’isto, filho meu, attenta: não _ha_ limite para [TH] fazer
livros, e o muito estudar [7] enfado _é_ da carne.
13 De tudo o que se tem ouvido, o fim da coisa _é_: [8] Teme a Deus, e
guarda os seus mandamentos; porque isto _é o dever de_ todo o homem.
14 Porque [9] Deus ha de trazer a juizo toda a obra, e _até_ tudo o que
está encoberto, quer _seja_ bom quer _seja_ mau.
[1] Pro. 22.6. Lam. 3.27.
[2] II Sam. 19.35.
[3] II Sam. 19.35.
[4] Job 17.13. Jer. 9.17.
[5] Gen. 3.19. Job 34.15. cap. 3.21. Job 34.14. Isa. 57.16. Zac. 12.1.
[6] I Reis 4.32.
[7] cap. 1.18.
[8] Deu. 6.2 e 10.12.
[9] cap. 11.9. Mat. 12.36. Act. 17.30, 31. Rom. 2.16 e 14.10, 12. I Cor.
4.5. II Cor. 5.10.
CANTARES DE SALOMÃO.
_A esposa anhela pelo seu esposo._
[Antes de Christo 1014]
1 Cantico de canticos, que _é_ de Salomão.
2 Beije-me elle com os beijos da sua bocca; porque melhor _é_ o teu amor
do que o vinho.
3 Para [1] cheirar _são_ bons os teus unguentos, _como o_ unguento
derramado o teu nome _é_; por isso as virgens te amam.
4 Leva-me tu, correremos após ti. O rei me introduziu nas suas recamaras:
em ti nos regozijaremos e nos alegraremos: do teu amor nos lembraremos,
mais do que do vinho: os rectos te amam.
5 Morena _sou_, porém aprazivel, ó filhas de Jerusalem, como as tendas de
Kedar, como as cortinas de Salomão.
6 Não olheis para o eu ser morena; porque o sol resplandeceu sobre mim:
os filhos de minha mãe se indignaram contra mim, pozeram-me por guarda de
vinhas; a minha vinha que me _pertence_ não guardei.
7 Dize-me, ó _tu_, a quem a minha alma ama: Onde apascentas o teu
_rebanho_, onde _o_ recolhes pelo meio-dia: pois por que razão seria eu
como a que se cobre ao pé dos rebanhos de teus companheiros?
8 Se tu _o_ não sabes, ó mais formosa entre as mulheres, sae-te pelas
pizadas das ovelhas, e apascenta [TI] as tuas cabras junto ás moradas dos
pastores.
9 Ás eguas dos carros de Pharaó te comparo, [2] ó amiga minha.
10 Agradaveis são as tuas [3] faces entre _os teus_ enfeites, o teu
pescoço com os collares.
11 Enfeites d’oiro te faremos, com bicos de prata.
12 Emquanto o rei _está assentado_ á sua mesa, dá o meu nardo o seu
cheiro.
13 O meu amado é para mim um ramalhete de myrrha, morará entre os meus
peitos.
14 _Um_ [TJ] cacho de Chypre nas vinhas d’Engedi é para mim o meu amado.
15 Eis que _és_ formosa, [4] ó amiga minha, eis que _és_ formosa: os teus
olhos _são_ como os das pombas.
16 Eis que _és_ gentil e agradavel, ó amado meu; o nosso leito _é_ viçoso.
17 As traves da nossa casa _são_ de cedro, as nossas varandas de cypreste.
[1] Phi. 3.12, 13, 14. João 14.2. Eph. 2.6.
[2] cap. 2.2, 10, 13 e 4.1, 7 e 5.2 e 6.4. João 15.14, 15. II Chr. 1.16,
17.
[3] Eze. 16.11, 12, 13.
[4] cap. 4.1 e 5.12.
2 Eu _sou_ a rosa de Saron, o lyrio dos valles.
2 Qual o lyrio entre os espinhos, tal _é_ a minha amiga entre as filhas.
3 Qual a macieira entre as arvores do bosque, tal _é_ o meu amado entre
os filhos: desejo muito a sua sombra, e _debaixo d’ella_ me assento; [1]
e o seu fructo _é_ doce ao meu paladar.
4 Levou-me á [TK] sala do banquete, e o seu estandarte sobre mim era o
amor.
5 Sustentae-me com passas, esforçae-me com maçãs, porque desfalleço
d’amor.
6 A [2] sua _mão_ esquerda _esteja_ debaixo da minha cabeça, e a sua
_mão_ direita me abrace.
7 Conjuro-vos, [3] ó filhas de Jerusalem, pelas [TL] corças e cervas do
campo, que não acordeis nem desperteis o _meu_ amor, até que queira.
8 _Esta é_ a voz do meu amado: eil-o ahi, _que já_ vem saltando sobre os
montes, pulando sobre os outeiros.
9 O meu amado [4] _é_ similhante ao corço, ou ao filho do veado: eis que
está detraz da nossa parede, olhando pelas janellas, reluzindo pelas
grades.
10 O meu amado responde e me diz: Levanta-te, [5] amiga minha, formosa
minha, e vem.
11 Porque eis que passou o inverno: a chuva cessou, _e_ se foi:
12 As flores se mostram na terra, o tempo de cantar chega, e a voz da
rola se ouve em nossa terra:
13 A figueira brotou os seus figuinhos, e as vides em flor dão o _seu_
cheiro: [6] levanta-te, amiga minha, formosa minha, e vem.
14 Pomba minha, que andas pelas fendas das penhas, no occulto das
ladeiras, mostra-me a tua face, [7] faze-me ouvir a tua voz, porque a tua
voz _é_ doce, e a tua face aprazivel.
15 Tomae-nos [8] as raposas, as raposinhas, que fazem mal ás vinhas,
porque as nossas vinhas _estão_ em flor.
16 O meu amado [9] _é_ meu, e eu _sou_ d’elle: elle apascenta o seu
rebanho entre os lyrios.
17 Até [10] que sopre o dia, e fujam as sombras, [11] volta, amado meu:
faze-te similhante á corça ou ao filho dos veados sobre os montes de
Bether.
[1] Apo. 22.1, 2.
[2] cap. 8.3.
[3] cap. 3.5 e 8.4.
[4] ver. 17.
[5] ver. 13.
[6] ver. 10.
[7] cap. 8.13.
[8] Eze. 13.4. Luc. 13.32.
[9] cap. 6.3 e 7.10.
[10] cap. 4.6.
[11] ver. 9. cap. 8.14.
3 De noite [1] busquei em minha cama a quem a minha alma ama: busquei-o,
e não o achei.
2 Levantar-me-hei, pois, e rodearei a cidade; pelas ruas e pelas praças
buscarei a quem ama a minha alma: busquei-o; e não o achei.
3 Acharam-me [2] os guardas, que rondavam pela cidade: _eu lhes
perguntei_: Vistes a quem ama a minha alma?
4 Apartando-me eu um pouco d’elles, logo achei a quem ama a minha alma:
agarrei-me a elle, e não o larguei, até que o introduzi em casa de minha
mãe, na camara d’aquella que me gerou.
5 Conjuro-vos, [3] ó filhas de Jerusalem, pelas corças e cervas do campo,
que não acordeis, nem desperteis o _meu_ amor, até que queira.
_O cortejo nupcial. O esposo exprime o seu amor pela esposa._
6 Quem _é_ esta [4] que sobe do deserto, como _umas_ columnas de fumo,
perfumada de myrrha, de incenso, e de toda a _sorte_ de pós do especieiro?
7 Eis que é a cama de Salomão; sessenta valentes _estão_ ao redor d’ella,
dos valentes d’Israel:
8 Todos armados d’espadas, dextros na guerra: cada um com a sua espada á
coxa por causa dos temores nocturnos.
9 O rei Salomão fez para si um [TM] thalamo de madeira do Libano.
10 Fez-lhe as columnas _de_ prata, o estrado d’oiro, o assento _de_
purpura, o interior [TN] coberto com o amor das filhas de Jerusalem.
11 Sahi, ó filhas de Sião, e contemplae ao rei Salomão com a corôa com
que o coroou sua mãe no dia do seu desposorio e no dia do jubilo do seu
coração.
[1] Isa. 26.9.
[2] cap. 5.7.
[3] cap. 2.7 e 8.4.
[4] cap. 8.5.
4 Eis que [1] _és_ formosa, amiga minha, eis que _és_ formosa: os teus
olhos _são como os_ das pombas entre as tuas tranças: o teu cabello _é_
como o rebanho de cabras que pastam no monte de Gilead.
2 Os [2] teus dentes _são_ como o rebanho das _ovelhas_ tosquiadas, que
sobem do lavadouro, e todas ellas produzem gemeos, e nenhuma _ha_ esteril
entre ellas.
3 Os teus labios _são_ como _um_ fio d’escarlate, e o teu fallar _é_
doce: [3] a fonte da tua cabeça como _um_ pedaço de romã [TO] entre as
tuas tranças.
4 O teu pescoço [4] _é_ como a torre de David, edificada para pendurar
armas: mil escudos pendem d’ella, todos rodellas de valorosos.
5 Os teus dois peitos [5] _são_ como dois filhos gemeos da corça, que se
apascentam entre os lyrios.
6 Até [6] que sopre o dia, e fujam as sombras, irei ao monte da myrrha e
ao outeiro do incenso.
7 Tu _és_ toda formosa, [7] amiga minha, e em ti não _ha_ mancha.
8 _Vem_ comigo do Libano, ó esposa, comigo do Libano vem: olha desde o
cume de Amana, [8] desde o cume de Senir e de Hermon, desde as moradas
dos leões, desde os montes dos leopardos.
9 Tiraste-me o coração, irmã minha, ó esposa: tiraste-me o coração com um
dos teus olhos, com um collar do teu pescoço.
10 Que bellos _são_ os teus amores, irmã minha! oh esposa minha! quanto
melhores _são_ os teus amores [9] do que o vinho! e o cheiro dos teus
unguentos do que _o de_ todas as especiarias!
11 Favos de mel _estão_ manando dos teus labios, [10] ó esposa! mel e
leite estão debaixo da tua lingua, e o cheiro dos teus vestidos _é_ como
o cheiro do Libano.
12 Jardim fechado _és_ tu, irmã minha, esposa minha, manancial fechado,
fonte sellada.
13 Os teus renovos _são um_ pomar de romãs, com fructos excellentes, o
cypreste com o nardo,
14 O nardo, e o açafrão, o calamo, e a canella, com toda a sorte
d’arvores d’incenso, a myrrha e aloes, com todas as principaes
especiarias.
15 És a fonte [11] dos jardins, poço das aguas vivas, que correm do
Libano!
16 Levanta-te, vento norte, e vem tu, vento sul: assopra no meu jardim,
_para que_ distillem os seus aromas: ah! se viesse o meu amado para o seu
jardim, e comesse os seus fructos excellentes!
[1] cap. 1.15 e 5.12.
[2] cap. 6.6.
[3] cap. 6.7.
[4] cap. 7.4.
[5] Pro. 5.19. cap. 7.3.
[6] cap. 2.17.
[7] Eph. 5.27.
[8] Deu. 3.9.
[9] cap. 1.2.
[10] Pro. 24.13, 14. cap. 5.1. Gen. 27.27. Ose. 14.6, 7.
[11] João 4.10 e 7.38.
_A esposa finge indifferença pelo esposo, mas segue-o immediamente,
busca-o e reconcilia-se com elle._
5 Já vim para o meu jardim, irmã minha, ó esposa: colhi a minha myrrha
com a minha especiaria, [1] comi o meu favo com o meu mel, bebi o meu
vinho com o meu leite: [2] comei, amigos, [TP] bebei, ó amados, e
embriagae-vos.
2 Eu estava dormindo, mas o meu coração vigiava: [3] _eis_ a voz do meu
amado que estava batendo: abre-me, irmã minha, amiga minha, pomba minha,
perfeita minha, porque a minha cabeça _está_ cheia d’orvalho, as minhas
guedelhas das gottas da noite;
3 _Já_ despi os meus vestidos; como os tornarei a vestir? _já_ lavei os
meus pés; como os tornarei a sujar?
4 O meu amado metteu a sua mão pelo buraco _da porta_, e as minhas
entranhas estremeceram por amor d’elle.
5 Eu me levantei para abrir ao meu amado, e as minhas mãos distillavam
myrrha, e os meus dedos _gottejavam_ myrrha sobre as aldrabas da
fechadura.
6 Eu abri ao meu amado, mas já o meu amado se tinha retirado, _e_ tinha
ido: a minha alma se derreteu quando elle fallou; [4] busquei-o e não o
achei, chamei-o, e não me respondeu.
7 Acharam-me os guardas [5] que rondavam pela cidade: espancaram-me,
feriram-me, tiraram-me o meu véu os guardas dos muros.
8 Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalem, que, se achardes o meu amado, lhe
digaes que _estou_ enferma de amor.
9 Que _é_ o teu amado mais do que _outro_ amado, ó tu, [6] a mais formosa
entre as mulheres? que é o teu amado mais do que _outro_ amado, que tanto
nos conjuraste?
10 O meu amado _é_ candido e rubicundo; elle traz a bandeira entre dez
mil.
11 A sua cabeça _é como_ o oiro mais apurado, as suas guedelhas crespas,
pretas como o corvo.
12 Os seus olhos [7] _são_ como _os_ das pombas junto ás correntes das
aguas, lavados em leite, postos em engaste.
13 As suas faces _são_ como _um_ canteiro de [TQ] especiaria, _como_ [TR]
caixas aromaticas; os seus labios são como lyrios que gottejam myrrha
distillante.
14 As suas mãos _como_ anneis d’oiro que teem engastadas as turquezas: o
seu [TS] ventre _como_ alvo marfim, coberto de saphiras.
15 As suas pernas _como_ columnas de marmore, fundadas sobre bases de
oiro puro; o seu parecer como o Libano, excellente como os cedros.
16 O seu [TT] fallar é muitissimo suave, e todo elle totalmente
desejavel. Tal _é_ o meu amado, e tal o meu amigo, ó filhas de Jerusalem.
[1] cap. 4.16. cap. 4.11.
[2] João 15.14.
[3] Apo. 3.20.
[4] cap. 3.1.
[5] cap. 3.3.
[6] cap. 1.8.
[7] cap. 1.15 e 4.1.
6 Para onde foi o teu amado, [1] ó mais formosa entre as mulheres? para
onde virou a vista o teu amado, e o buscaremos comtigo?
2 O meu amado desceu ao seu jardim, aos canteiros da especiaria, para se
apascentar nos jardins e para colher os lyrios.
3 Eu _sou_ [2] do meu amado, [3] e o meu amado _é_ meu: elle se apascenta
entre os lyrios.
4 Formosa _és_, amiga minha, como Tirza, aprazivel como Jerusalem,
formidavel como um exercito com bandeiras.
5 Desvia de mim os teus olhos, porque elles me perturbam. [4] O teu
cabello é como o rebanho das cabras que pastam em Gilead.
6 Os teus dentes [5] são como o rebanho d’ovelhas que sobem do lavadouro,
e todas produzem gemeos, e não _ha_ esteril entre ellas.
7 Como [6] _um_ pedaço de romã, _assim são_ as tuas faces [TU] entre as
tuas tranças.
8 Sessenta são as rainhas, e oitenta as concubinas, e as virgens sem
numero.
9 _Porém_ uma é a minha pomba, a minha perfeita, a unica de sua mãe, e
a mais querida de aquella que a pariu: vendo-a, as filhas a chamarão
bemaventurada, as rainhas e as concubinas a louvarão.
10 Quem _é_ esta que apparece como a alva do dia, formosa como a lua, [7]
lustrosa como o sol, formidavel como um exercito com bandeiras?
11 Desci ao jardim das nogueiras, para ver os novos fructos do valle, a
ver se floresciam as vides _e_ brotavam as romeiras.
12 Antes de eu _o_ sentir, me poz a minha alma nos carros do meu povo
voluntario.
13 Volta, volta, ó Sulamitha, volta, volta, para que nós te vejamos.
Porque olhas para a Sulamitha [TV] como para as fileiras de dois
exercitos?
[1] cap. 1.8.
[2] cap. 2.16 e 7.10.
[3] cap. 4.1.
[4] cap. 4.2.
[5] cap. 4.3.
[6] ver. 4.
[7] cap. 7.12.
7 Que formosos são os teus pés nos sapatos, ó filha do principe! As
voltas de tuas coxas são como joias, segundo a obra de mãos d’artifice.
2 O teu umbigo _como uma_ taça redonda, a que não falta bebida; o teu
ventre _como_ montão de trigo, sitiado de lyrios.
3 Os teus dois peitos [1] como dois filhos gemeos da corça.
4 O teu pescoço [2] como a torre de marfim: os teus olhos _como_ os
viveiros de Hesbon, junto á porta de Bath-arabbim: o teu nariz como torre
do Libano, que olha para Damasco.
5 A tua cabeça sobre ti _é_ como _o monte_ Carmelo, e os cabellos da tua
cabeça como a purpura: o rei está atado [TW] ás varandas.
6 Quão formosa, e quão aprazivel és, ó amor em delicias!
7 Esta tua estatura é similhante á palmeira; e os teus peitos _são
similhantes_ aos cachos _d’uvas_.
8 Dizia eu: Subirei á palmeira, pegarei de seus ramos; e então os teus
peitos serão como os cachos na vide, e o cheiro dos teus narizes como os
das maçãs.
9 E o teu paladar como o bom vinho para o meu amado, que se bebe
suavemente, _e_ faz com que fallem os labios dos que dormem.
10 Eu _sou_ [3] do meu amado, e elle me tem affeição.
11 Vem, ó amado meu, saiamos nós ao campo, passemos as noites nas aldeias.
12 Levantemo-nos de manhã para _ir_ ás vinhas, [4] vejamos se florescem
as vides, se se abre a flor, se já brotam as romeiras; ali te darei o meu
grande amor.
13 As mandragoras [5] dão cheiro, e ás nossas portas _ha_ toda a sorte
d’excellentes fructos, novos e velhos: ó amado meu, eu _os_ guardei para
ti.
[1] cap. 4.5.
[2] cap. 4.4.
[3] cap. 2.16 e 6.2.
[4] cap. 6.11.
[5] Gen. 30.14. Mat. 13.52.
8 Ah! quem _me_ dera que me _fôras_ como irmão, _e_ mamáras os peitos de
minha mãe! que te achara na rua, e te beijára, e nem me desprezariam!
2 Te levaria e introduziria na casa de minha mãe, _e_ tu me ensinarias;
[1] _e_ te daria a beber vinho aromatico _e_ do mosto das minhas romãs.
3 A sua _mão_ esquerda [2] esteja debaixo da minha cabeça, e a sua
direita me abrace.
4 Conjuro-vos, [3] ó filhas de Jerusalem, que não acordeis nem desperteis
o _meu_ amor, até que queira.
_O amor inalteravel do esposo para com a esposa._
5 Quem [4] _é_ esta que sobe do deserto, _e vem_ encostada tão
aprazivelmente ao seu amado? Debaixo _d’uma_ macieira te despertei, ali
te produziu tua mãe com dores; ali _te_ produziu com dores _aquella_ que
te pariu.
6 Põe-me [5] como sello sobre o teu coração, como sello sobre o teu
braço, porque o amor _é_ forte como a morte, _e_ duro como a sepultura o
ciume: as suas brazas _são_ brazas de fogo, labaredas do Senhor.
7 As muitas aguas não poderiam apagar _este_ amor, nem os rios afogal-o:
ainda que desse alguem toda a fazenda de sua casa por _este_ amor,
certamente a desprezariam.
8 Temos uma irmã pequena, que ainda não tem peitos: que faremos a _esta_
nossa irmã, no dia em que d’ella se fallar?
9 Se ella _fôr um_ muro, edificaremos sobre ella _um_ palacio de prata;
e, se ella _fôr uma_ porta, a cercaremos com taboas de cedro.
10 Eu _sou um_ muro, e os meus peitos _são_ como _umas_ torres: então eu
era aos seus olhos como aquella que acha paz.
11 Teve [6] Salomão _uma_ vinha em Baal-hamon; entregou _esta_ vinha a
_uns_ guardas; _e_ cada um _lhe_ trazia pelo _seu_ fructo mil peças de
prata.
12 A minha vinha que tenho _está_ diante de mim: as mil _peças de prata
são_ para ti, ó Salomão, e duzentas para os guardas do _seu_ fructo.
13 Ó tu, a que habitas nos jardins, para a tua voz os companheiros
attentam; [7] faze-m’a _pois tambem_ ouvir.
14 Vem depressa, [8] amado meu, e faze-te similhante ao corço ou ao filho
dos veados sobre os montes dos aromas.
[1] Pro. 9.2.
[2] cap. 2.6.
[3] cap. 2.7 e 3.5.
[4] cap. 3.6.
[5] Agg. 2.23.
[6] Mat. 21.33.
[7] cap. 2.14.
[8] cap. 2.17.
ISAIAS.
_Descripção dos peccados e dos soffrimentos do povo, com exhortações e
ameaças._
[Antes de Christo 760]
1 Visão [1] d’Isaias, filho d’Amós, a qual viu sobre Judah e Jerusalem,
nos dias d’Uzias, Jothão, Achaz, _e_ Ezequias, reis de Judah.
2 Ouvi, [2] ó céus, e presta ouvido, tu ó terra; porque falla o Senhor:
Criei filhos, e exalcei-os; mas elles prevaricaram contra mim.
3 O boi conhece [3] o seu possuidor, e o jumento a mangedoura do seu
dono; _mas_ Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende.
4 Ai da nação peccadora, do povo carregado d’iniquidade, da semente de
malignos, [4] dos filhos corruptores: deixaram ao Senhor, blasphemaram o
Sancto d’Israel, tornaram-se para traz.
5 Porque [5] ainda mais serieis castigados? ainda tanto mais vos
rebellarieis: toda a cabeça _está_ enferma e todo o coração fraco.
6 Desde a planta do pé até á cabeça não ha n’elle coisa inteira, _senão_
feridas, e inchaços, e chagas podres, não espremidas, [6] nem vendadas,
nem nenhuma d’ellas amollecida com oleo.
7 A vossa terra _é uma_ assolação, [7] as vossas cidades _estão_
abrazadas do fogo: a vossa terra os estranhos a devoram em vossa
presença; e _é uma_ assolação, como a subversão por estranhos.
8 E a filha de Sião se ficou como a cabana na vinha, [8] como a choupana
no pepinal, como a cidade cercada.
9 Se o [9] Senhor dos Exercitos nos não deixara algum pouco de resto,
[10] _já_ como Sodoma seriamos, e similhantes a Gomorrha.
10 Ouvi a palavra do Senhor, vós [TX] [11] principes de Sodoma: prestae
ouvidos á lei do nosso Deus, vós, ó povo de Gomorrha.
11 De que me _serve_ a mim a multidão de vossos [12] sacrificios, diz
o Senhor? _Já_ estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura
_d’animaes_ cevados: nem folgo com o sangue de bezerros, nem de
cordeiros, nem de bodes.
12 Quando [13] vindes a apparecer perante mim, quem requereu isto de
vossas mãos, que _viesseis_ a pisar os meus atrios?
13 Não _me_ tragaes [14] mais offertas debalde: o incenso é para
mim abominação, e as luas novas, e os sabbados, e a convocação das
congregações; não posso supportar iniquidade, nem mesmo o ajuntamento
solemne.
14 As vossas luas novas, [15] e as vossas solemnidades as aborrece a
minha alma; _já_ me são pesadas: _já_ estou cançado de _as_ soffrer.
15 Pelo que, quando estendeis [16] as vossas mãos, escondo de vós os meus
olhos; [17] e até quando multiplicaes a oração não ouço, _porque_ as
vossas mãos estão cheias de sangue.
16 Lavae-vos, [18] purificae-vos, tirae a maldade de vossos actos de
diante dos meus olhos: cessae de fazer mal:
17 Aprendei a fazer bem; [19] procurae o juizo; ajudae o oppresso; fazei
justiça ao orphão; tratae da causa das viuvas.
18 Vinde agora, e argui-me, [20] diz o Senhor: ainda que os vossos
peccados sejam como a escarlata, elles se tornarão brancos como a neve:
ainda que sejam vermelhos como o carmezim, se tornarão como a _branca_ lã.
19 Se quizerdes, e ouvirdes, comereis o bem d’esta terra.
20 Mas se recusardes, e fordes rebeldes, sereis devorados á espada; [21]
porque a bocca do Senhor _o_ disse.
21 Como [22] se fez prostituta a cidade fiel! ella que estava cheia de
juizo, justiça habitava n’ella, mas agora homicidas.
22 A tua prata [23] se tornou em escorias, o teu vinho se misturou com
agua.
23 Os teus principes [24] _são_ rebeldes, e companheiros dos ladrões:
cada um d’elles ama as peitas, e correm após salarios: não fazem justiça
ao orphão, e não chega perante elles a causa das viuvas.
24 Porquanto diz o Senhor Deus dos Exercitos, o Forte de Israel: [25] Ah,
consolar-me-hei ácerca dos meus adversarios, e vingar-me-hei dos meus
inimigos:
25 E tornarei contra a minha mão, [26] e purificarei [TY] inteiramente as
tuas escorias; e tirar-te-hei todo o teu estanho.
26 E te restituirei os teus juizes, [27] como _foram_ d’antes; _e_ os
teus conselheiros, como antigamente; e então te chamarão cidade de
justiça, cidade fiel.
27 Sião será remida com juizo, e os que voltam para ella com justiça.
28 Mas para os transgressores [28] e os peccadores haverá juntamente [TZ]
destruição; e os que deixarem o Senhor serão consumidos.
29 Porque vos envergonhareis pelos carvalhos que cubiçastes, e sereis
confundidos [29] pelos jardins que escolhestes.
30 Porque sereis como o carvalho, ao qual caem as folhas, e como a
floresta que não tem agua.
31 E o forte se [30] tornará em estopa, e a sua obra em faisca; e ambos
arderão juntamente, e não _haverá_ quem os apague.
[1] Num. 12.6.
[2] Deu. 32.1. Jer. 2.12 e 6.19 e 22.29. Eze. 36.4. Miq. 1.2 e 6.1, 2.
[3] Jer. 8.7. Jer. 9.3, 6.
[4] cap. 57.3, 4. Mat. 3.7.
[5] cap. 9.13. Jer. 2.30 e 5.3.
[6] Jer. 8.22.
[7] Deu. 28.51, 52.
[8] Job 27.18. Lam. 2.6. Jer. 4.17.
[9] Lam. 3.22. Rom. 9.29.
[10] Gen. 19.24.
[11] Deu. 32.32.
[12] I Sam. 15.22. Pro. 21.27. cap. 66.3. Jer. 6.20 e 7.21. Amós 5.21,
22. Miq. 6.7.
[13] Exo. 23.17 e 34.23.
[14] Mat. 15.9. Joel 1.14.
[15] Num. 28.11. Lev. 23.2, etc. cap. 43.24.
[16] Job 27.9. cap. 59.2. Jer. 14.12. Miq. 3.4.
[17] I Tim. 2.8. cap. 59.3.
[18] Jer. 4.14. Amós 5.15. Rom. 12.9. I Ped. 3.11.
[19] Jer. 22.3, 16. Miq. 6.8. Zac. 7.9.
[20] cap. 43.26. Miq. 6.2. Apo. 7.14.
[21] Num. 23.19. Tito 1.2.
[22] Jer. 2.20, 21.
[23] Jer. 6.28, 30. Eze. 22.18, 19.
[24] Ose. 9.15. Pro. 29.24. Jer. 22.17. Eze. 22.12. Ose. 4.18. Miq. 3.11
e 7.3. Jer. 5.28. Zac. 7.10.
[25] Deu. 28.63. Eze. 5.13.
[26] Jer. 6.29 e 9.7. Mal. 3.3.
[27] Jer. 33.7. Zac. 8.3.
[28] Job 31.3.
[29] cap. 57.5. cap. 65.3 e 66.17.
[30] Eze. 32.21. cap. 43.17.
_A gloria futura do verdadeiro Israel. Juizos preparatorios. O dia do
Senhor. A purificação de Jerusalem._
2 [UA] Visão que viu Isaias, filho de Amós, no tocante a Judah e a
Jerusalem:
2 E acontecerá no ultimo dos dias que [1] se firmará o monte da casa
do Senhor no cume dos montes, e se exalçará por cima dos outeiros: e
concorrerão a elle todas as nações.
3 E irão muitos povos, e dirão: Vinde, [2] subamos ao monte do Senhor,
á casa do Deus de Jacob, para que nos ensine ácerca dos seus caminhos,
e andemos nas suas veredas; [3] porque de Sião sairá a [UB] lei, e de
Jerusalem a palavra do Senhor.
4 E julgará entre as gentes, e reprehenderá a muitos povos; [4] e
converterão as suas espadas em enxadões e as suas lanças em foices: não
alçará espada nação contra nação, nem aprenderão mais a guerrear.
5 Vinde, ó casa de Jacob: [5] e andemos na luz do Senhor.
6 Porém tu desamparaste ao teu povo, a casa de Jacob; [6] porque
se encheram [UC] _d’impiedade_ mais do que _os_ do oriente e _são_
agoureiros como os philisteos; e [UD] mostram o seu contentamento nos
filhos dos estranhos.
7 E a sua terra está [7] cheia de prata e oiro, e não _ha_ fim de seus
thesouros: tambem está cheia a sua terra de cavallos, e dos seus carros
não _ha_ fim.
8 Tambem está cheia [8] a sua terra de idolos: inclinaram-se perante a
obra das suas mãos, perante o que fabricaram os seus dedos.
9 Ali o povo se abate, e os nobres se humilham: portanto lhes não
perdoarás.
10 Vae, entra nas [9] rochas, e esconde-te no pó, da presença espantosa
do Senhor e da gloria da sua magestade.
11 Os olhos altivos [10] dos homens serão abatidos, e a altivez dos
varões será humilhada: [11] e só o Senhor será exaltado n’aquelle dia.
12 Porque o dia do Senhor dos Exercitos será contra todo o soberbo e
altivo, e contra todo o exalçado, para que seja abatido;
13 E contra todos [12] os cedros do Libano, altos e sublimes, e contra
todos os carvalhos de Basan;
14 E contra todos [13] os montes altos, e contra todos os outeiros
levantados;
15 E contra toda a torre alta, e contra todo o muro firme;
16 E contra [14] todos os navios de Tarsis, e contra todas as [UE]
pinturas desejaveis.
17 E a altivez [15] do homem será humilhada, e a altivez dos varões se
abaterá, e só o Senhor será exaltado n’aquelle dia.
18 E todos os idolos totalmente perecerão.
19 Então metter-se-hão pelas cavernas das rochas, [16] e pelas
concavidades da terra, por causa da presença espantosa do Senhor, e por
causa da gloria da sua magestade, quando elle se levantar para espantar a
terra.
20 N’aquelle [17] dia o homem lançará ás toupeiras e aos morcegos os
seus idolos de prata, e os seus idolos d’oiro, que se fizeram para se
prostrarem diante d’elles.
21 E metter-se-hão [18] pelas fendas das rochas, e pelas cavernas das
penhas, por causa da presença espantosa do Senhor, e por causa da gloria
da sua magestade, quando elle se levantar para espantar a terra.
22 _Pelo que_ deixae-vos do homem cujo folego _está_ no seu nariz; porque
em que se deve elle estimar?
[1] Miq. 4.1, etc. Gen. 49.1. Jer. 23.20.
[2] Jer. 31.6 e 50.5. Zac. 8.21, 23.
[3] Luc. 24.47.
[4] Ose. 2.18. Zac. 9.10.
[5] Eph. 5.8.
[6] Deu. 18.14.
[7] Deu. 17.16, 17.
[8] Jer. 2.28.
[9] ver. 19, 21. Apo. 6.15.
[10] ver. 17. cap. 5.15, 16 e 13.11.
[11] cap. 4.1 e 11.10, 11 e 12.1, 4 e 24.21 e 25.9 e 26.1 e 27.1, 2, 12,
13 e 28.5 e 29.18 e 30.23 e 52.6. Jer. 30.7, 8. Eze. 38.14, 19 e 39.11,
22. Ose. 2.16, 18, 21. Joel 3.18. Amós 9.11. Abd. 8. Miq. 4.6 e 5.10 e
7.11, 12. Sof. 3.11, 16. Zac. 9.16.
[12] cap. 14.8 e 37.24. Eze. 31.3. Zac. 11.1, 2.
[13] cap. 30.25.
[14] I Reis 10.22.
[15] ver. 11.
[16] ver. 10. II The. 1.9.
[17] cap. 30.32 e 31.7.
[18] ver. 19.
3 Porque, eis que o Senhor Deus dos Exercitos [1] tirará de Jerusalem e
de Judah o bordão e o cajado: a todo o [UF] sustento de pão, e a toda a
borda d’agua;
2 Ao valente, [2] e ao soldado, ao juiz, e ao propheta, e ao adivinho, e
ao ancião,
3 Ao capitão de cincoenta, e ao respeitavel, e ao conselheiro, e ao sabio
entre os artifices, e ao eloquente.
4 E dar-lhes-hei mancebos [3] por principes, e creanças dominarão sobre
elles.
5 E o povo será opprimido; um será contra o outro, e cada um contra o seu
proximo: o menino se atreverá contra o ancião, e o vil contra o nobre.
6 Quando algum travar de seu irmão da casa de seu pae, _dizendo_: Capa
tens, sê nosso principe, e toma sob a tua mão esta ruina;
7 _Então_ levantará _a sua voz_ n’aquelle dia, dizendo: Não posso ser
medico, nem tão pouco _ha_ em minha casa pão, nem vestido algum: não me
ponhaes por principe do povo.
8 Porque tropeçou Jerusalem, [4] e Judah é caido; porquanto a sua lingua
e as suas obras _são_ contra o Senhor, para irritarem os olhos da sua
gloria.
9 A apparencia das suas faces testifica contra elles; [5] e publicam os
seus peccados como Sodoma; não os dissimulam: ai da sua alma! porque se
fazem mal a si mesmos.
10 Dizem ao justo [6] que bem _lhe irá_; que comerão do fructo das suas
obras.
11 Ai do impio! mal _lhe irá_: porque o galardão das suas mãos se lhe
dará.
12 Os exactores do meu [7] povo _são_ creanças, e mulheres dominam sobre
elle: ah, povo meu! os que te guiam te enganam, e devoram o caminho das
tuas veredas.
13 O Senhor se apresenta a pleitear, [8] e se põe a julgar os povos.
14 O Senhor vem em juizo contra os anciãos do seu povo, e _contra_ os
seus principes; porque vós consumistes _esta_ vinha, [9] o despojo do
afflicto está em vossas casas.
15 Que tendes vós, [10] que atropellaes o meu povo e moeis as faces dos
afflictos? diz o Senhor, o Deus dos Exercitos.
16 Diz ainda mais o Senhor: Porquanto as filhas de Sião se exalçam,
e andam com o pescoço emproado, fazendo acenos com os olhos, e, indo
andando, andam como dançando, e [UG] cascavelando com os pés:
17 Portanto o Senhor fará [UH] calva a mioleira das filhas de Sião, e o
Senhor descobrirá as suas vergonhas.
18 N’aquelle dia tirará o Senhor o enfeite [11] das ligas, e as
redezinhas, e as luetas,
19 Os pendentes, e as manilhas, e os vestidos resplandecentes,
20 Os diademas, e os enfeites dos braços, e os cendaes, e as bocetas
cheirosas, e as arrecadas,
21 Os anneis, e as joias pendentes do nariz,
22 Os vestidos de festa, e os mantos, e as coifas, e os alfinetes,
23 Os espelhos, e as capinhas de linho finissimas, e as toucas, e os véus.
24 E será que em logar de cheiro suave haverá fedor; e por cinto uma
corda; [12] e em logar d’encrespadura de cabellos, calva; e em logar de
veste larga, cingimento de sacco; e queimadura em logar de formosura.
25 Teus varões cairão á espada, e teus valentes na peleja.
26 E as suas portas [13] gemerão e prantearão; e ella, _ficando_
desolada, se assentará no chão.
[1] Jer. 38.9. Lev. 26.26.
[2] II Reis 24.14.
[3] Ecc. 10.16.
[4] Miq. 3.12.
[5] Gen. 13.13 e 18.20, 21.
[6] Ecc. 8.12.
[7] ver. 4. cap. 9.16.
[8] Miq. 6.2.
[9] cap. 5.7. Mat. 21.33.
[10] Miq. 3.2, 3.
[11] Jui. 8.21.
[12] cap. 22.12. Miq. 1.16.
[13] Jer. 14.2. Lam. 1.4 e 2.10.
4 E sete mulheres n’aquelle [1] dia lançarão mão d’um homem, dizendo: Nós
comeremos do nosso pão, e nos vestiremos de nossos vestidos: tão sómente
que sejamos chamadas pelo teu nome; [2] tira o nosso opprobrio.
2 N’aquelle dia [3] o Renovo do Senhor será [UI] _um_ ornamento e _uma_
gloria; e o fructo da terra excellente e formoso para os que escaparem
d’Israel.
3 E será que aquelle que ficar de resto em Sião, e o que ficar em
Jerusalem, [4] será chamado sancto: todo aquelle que em Jerusalem está
escripto para vida;
4 Quando [5] o Senhor lavar a immundicia das filhas de Sião, e limpar
o sangue de Jerusalem do meio d’ella, com o espirito de juizo, e com o
espirito de ardor.
5 E creará o Senhor sobre toda a habitação do monte de Sião, e sobre as
suas congregações, [6] uma nuvem de dia, e um fumo, e um resplandor de
fogo chammejante de noite; porque sobre toda a gloria _haverá_ protecção.
6 E haverá _um_ tabernaculo para sombra com o calor do dia: [7] e para
refugio e esconderijo contra o alagamento e contra a chuva.
[1] cap. 2.11, 17. II The. 3.12.
[2] Luc. 1.25.
[3] Jer. 23.5.
[4] Apo. 3.5.
[5] Mal. 3.2, 3.
[6] Exo. 13.21. Zac. 2.5.
[7] cap. 25.4.
_A parabola da vinha, e a sua applicação._
5 Agora cantarei ao meu amado o cantico do meu bem querido da sua [1]
vinha. O meu amado tem uma vinha n’um outeiro fertil.
2 E a cercou, e a limpou das pedras, e a plantou d’excellentes vides; e
edificou no meio d’ella uma torre, e tambem fundou n’ella um _lagar_; e
esperava que desse uvas _boas_, porém deu uvas bravas.
3 Agora pois, ó moradores de Jerusalem, e homens de Judah, [2] julgae,
vos peço, entre mim e a minha vinha.
4 Que mais se podia fazer á minha vinha, que eu lhe não tenha feito?
como, esperando eu que desse uvas _boas_, veiu a dar uvas bravas?
5 Agora pois vos farei saber o que eu hei de fazer á minha vinha: tirarei
a sua cerca, para que sirva de pasto; derribarei a sua parede, para que
seja pisada;
6 E a tornarei em deserto; não será podada nem cavada; porém crescerão
_n’ella_ sarças e espinheiros; e ás nuvens darei ordem que não chovam
chuva sobre ella.
7 Porque a vinha do Senhor dos Exercitos _é_ a casa d’Israel, e os homens
de Judah _são_ a planta das suas delicias: e esperou _que fizesse_ juizo,
e eis aqui _é_ [UJ] oppressão; justiça, e eis aqui clamor.
8 Ai dos que ajuntam [3] casa a casa, achegam herdade a herdade, até que
não haja mais logar, e só vós fiqueis os moradores no meio da terra!
9 Nos meus ouvidos [4] _estão estas coisas_, _disse_ o Senhor dos
Exercitos: em verdade que muitas casas se tornarão em deserto, as grandes
e excellentes sem moradores.
10 E dez geiras de vinha não darão mais do que um [UK] batho: e um homer
de semente não dará mais do que um efa.
11 Ai [5] dos que se levantam pela manhã, e seguiram a bebedice; _e_ se
deteem _ali_ até á noite, _até que_ o vinho os esquenta!
12 E harpas [6] e alaudes, tamboris e gaitas, e vinho ha nos seus
banquetes; e não olham para a obra do Senhor, nem consideram as obras das
suas mãos.
13 Portanto [7] o meu povo será levado captivo, porque não tem
entendimento; e os seus nobres terão fome, e a sua multidão se seccará de
sêde.
14 Portanto a sepultura grandemente se alargou, e se abriu a sua bocca
desmesuradamente; e a gloria d’elles, e a sua multidão, com o seu
arruido, e com os que galhofam a ella desceram.
15 Então o plebeu se abaterá, [8] e o nobre se humilhará; e os olhos dos
altivos se humilharão.
16 Porém o Senhor dos Exercitos será exaltado com juizo; e Deus, o
Sancto, será sanctificado com justiça.
17 Então os cordeiros pastarão como de costume, e os estranhos comerão
dos logares assolados dos gordos.
18 Ai dos que puxam pela iniquidade com cordas de vaidade, e pelo peccado
como _com_ cordagens de carros!
19 E dizem: [9] Avie-se já _com isso_, e acabe a sua obra, para que _já_
a vejamos; e achegue-se e venha _já_ o conselho do Sancto de Israel, para
que _o_ venhamos a saber.
20 Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal: que fazem das escuridades
luz, e da luz escuridades; e fazem do amargoso doce, e do doce amargoso!
21 Ai dos _que são_ sabios [10] a seus _proprios_ olhos, e prudentes em
si mesmos!
22 Ai [11] dos _que são_ poderosos para beber vinho, e varões fortes para
misturar bebida forte:
23 Dos que justificam [12] ao impio por peitas, e da justiça dos justos
se desviam!
24 Pelo [13] que como a lingua do fogo consome a estopa, e a palha se
desfaz [14] pela chamma, _assim_ será a sua raiz como podridão, e a sua
flor se esvaecerá como pó: porquanto rejeitaram a lei do Senhor dos
Exercitos, e desprezaram a palavra do Sancto de Israel.
25 Pelo [15] que se accendeu a ira do Senhor contra o seu povo, e
estendeu a sua mão contra elle, e o feriu, [16] _de modo_ que as
montanhas tremeram, e os seus cadaveres _foram_ como immundicia pelo meio
das ruas: com tudo isto não tornou atraz a sua ira, antes ainda _está_
alçada a sua mão.
26 Porque arvorará [17] o estandarte entre as nações de longe, e lhes
assobiará a _que venham_ desde a extremidade da terra: e eis que virão
apressurada _e_ ligeiramente.
27 Não _haverá_ entre elles cançado, nem tropeçante; ninguem tosquenejará
nem dormirá: nem se lhe desatará o cinto dos seus lombos, nem se lhe
quebrará a correia dos seus sapatos.
28 As [18] suas frechas _serão_ agudas, e todos os seus arcos entezados:
as unhas dos seus cavallos serão tidas na conta de [UL] penha, e as rodas
_dos seus carros_ como redemoinho de vento.
29 O seu bramido _será_ como o do leão: bramarão como filhos de leão, e
rugirão, e arrebatarão a preza, e _a_ levarão, e redemptor não haverá.
30 E bramarão contra elles n’aquelle dia, como o bramido do mar: [19]
então olharão para a terra, e eis aqui trevas _e_ ancia, e a luz se
escurecerá em suas assolações.
[1] Jer. 2.21. Mat. 21.33. Mar. 12.1. Luc. 20.9.
[2] Rom. 3.4.
[3] Miq. 3.2.
[4] cap. 22.14.
[5] Pro. 23.29, 30. Ecc. 10.16. ver. 22.
[6] Amós 6.5, 6.
[7] Ose. 4.6. cap. 1.3.
[8] cap. 2.9, 11, 17.
[9] Jer. 17.15. II Ped. 3.3, 4.
[10] Pro. 3.7. Rom. 1.22 e 12.16.
[11] ver. 11.
[12] Pro. 17.15 e 24.24.
[13] Exo. 15.7.
[14] Job 18.16. Ose. 9.16. Amós 2.9.
[15] II Reis 22.13, 17.
[16] Jer. 4.14. Lev. 26.14, etc. cap. 9.12, 17, 21 e 10.4.
[17] cap. 11.12. cap. 7.18. Joel 2.7.
[18] Jer. 5.16.
[19] cap. 8.22. Jer. 4.23. Lam. 3.2. Eze. 32.7, 8.
_Isaias é escolhido e consagrado para propheta._
6 No anno em que morreu o rei [1] Uzias, eu vi ao Senhor assentado sobre
um alto e sublime throno; e as suas [UM] fraldas enchiam o templo.
2 Seraphins estavam por cima d’elle: cada um tinha seis azas: [2] com
duas cobriam os seus rostos, e com duas cobriam os seus pés e com duas
voavam.
3 E clamavam uns aos outros, dizendo: Sancto, Sancto, Sancto _é_ o Senhor
dos Exercitos: toda a terra _está_ cheia da sua gloria.
4 E os umbraes das portas se moveram com a voz do que clamava, [3] e a
casa se encheu de fumo.
5 Então disse eu: [4] Ai de mim! que vou perecendo, porquanto _sou_ de
labios immundos, e habito no meio d’um povo immundo de labios, porque os
meus olhos viram o rei, o Senhor dos Exercitos.
6 Porém um dos seraphins voou para mim, trazendo na sua mão uma braza
viva, [5] _que_ tomara do altar com uma tenaz;
7 E com ella [6] tocou a minha bocca, e disse: Eis que isto tocou os teus
labios: assim _já_ se tirou _de ti_ a tua culpa, e _já_ está expiado o
teu peccado.
8 Depois d’isto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem
ha e ir _por_ nós? Então disse eu: Eis-me _aqui_, envia-me a mim.
9 Então disse elle: Vae, e dize a este povo: [7] Ouvi, de facto, e não
entendeis, e vede, em verdade, mas não percebeis.
10 Engorda [8] o coração d’este povo, e aggrava-lhe os ouvidos, e
fecha-lhe os olhos; para que não veja com os seus olhos, e não ouça com
os seus ouvidos, nem entenda com o seu coração, nem se converta, e elle o
venha a sarar.
11 Então disse eu: Até quando, Senhor? E respondeu: [9] Até que se
assolem as cidades, e não fique morador _algum_, nem homem _algum_ nas
casas, e a terra seja assolada de todo.
12 E [10] o Senhor alongue _d’ella_ aos homens, e no meio da terra _seja_
grande o desamparo.
13 Porém ainda a decima parte _ficará_ n’ella, e tornará a ser pastada:
_e_ como no carvalho, e como na azinheira, em que depois de se
desfolharem, _ainda_ fica firmeza, [11] _assim_ a sancta semente será a
firmeza d’ella.
[1] II Reis 15.7. I Reis 22.19. Apo. 4.2.
[2] Eze. 1.11.
[3] I Reis 8.10.
[4] Jui. 6.22 e 13.22. Jer. 1.6.
[5] Apo. 8.3.
[6] Jer. 1.9. Dan. 10.16.
[7] cap. 43.8. Mat. 13.14. Mar. 4.12. Luc. 8.10. João 12.40. Act. 28.26.
Rom. 11.8.
[8] cap. 63.17. Jer. 5.21.
[9] Miq. 3.12.
[10] II Reis 25.21.
[11] Esd. 9.2. Mal. 2.15.
_Prophecias contra Israel e Syria. Manassés contra Judah._
[Antes de Christo 742]
7 Succedeu pois nos dias [1] de Achaz, filho de Jothão, filho d’Uzias,
rei de Judah, que Resin, rei da Syria, e Peka, filho de Remalias,
rei d’Israel, subiram a Jerusalem, para pelejar contra ella, porém,
_pelejando_, nada poderam contra ella.
2 E deram aviso á casa de David, dizendo: A Syria repousa sobre Ephraim.
Então se commoveu o seu coração, e o coração do seu povo, como se
commovem as arvores do bosque com o vento.
3 Então disse o Senhor a Isaias: [2] Agora tu e teu filho Sear-jasub sahi
ao encontro de Achaz, ao fim do canal do viveiro superior, ao caminho do
campo do lavandeiro.
4 E dize-lhe: Guarda-te, e está descançado, não temas, nem se desanime o
teu coração por causa d’estes dois rabos de tições fumegantes, por causa
do ardor da ira de Resin, e da Syria, e do filho de Remalias.
5 Porquanto a Syria teve contra ti maligno conselho, _com_ Ephraim, e
_com_ o filho de Remalias, dizendo:
6 Vamos subir contra Judah, e despertemol-o, e repartamol-o entre nós, e
façamos reinar no meio d’elle _como_ rei o filho de Tabeal.
7 Assim diz o Senhor Deus: [3] Isto não subsistirá, nem tão pouco
acontecerá.
8 Porém o cabeça da Syria _será_ Damasco, e o cabeça de Damasco Resin: e
dentro de sessenta e cinco annos Ephraim será quebrantado, e deixará de
ser povo.
9 Entretanto o cabeça de Ephraim _será_ Samaria, e o cabeça de Samaria o
filho de Remalias: [4] se o não crerdes, devéras não ficareis firmes.
10 E continuou o Senhor a fallar com Achaz, dizendo:
11 Pede [5] para ti ao Senhor teu Deus um signal; pede-o ou em baixo nas
profundezas ou em cima nas alturas.
12 Porém disse Achaz: Não o pedirei, nem tentarei ao Senhor.
13 Então disse: Ouvi agora, ó casa de David: Pouco vos é afadigardes os
homens, senão que ainda afadigareis tambem ao meu Deus?
14 Portanto o mesmo Senhor vos dará um signal: [6] Eis que a virgem
conceberá, e parirá _um_ filho, e chamará o seu nome [UN] EMMANUEL.
15 Manteiga e mel comerá, até que elle saiba rejeitar o mal e escolher o
bem.
16 Na verdade, [7] antes que este menino saiba rejeitar o mal e escolher
o bem, a terra de que te enfadas será desamparada dos seus dois reis.
17 _Porém_ o Senhor [8] fará vir sobre ti, e sobre o teu povo, e sobre
a casa de teu pae, dias _taes_, quaes nunca vieram, desde o dia em que
Ephraim se desviou de Judah, _pelo_ rei d’Assyria.
18 Porque _ha_ de acontecer que n’aquelle dia assobiará [9] o Senhor ás
moscas, que ha no extremo dos rios do Egypto, e ás abelhas que _andam_ na
terra da Assyria;
19 E virão, e pousarão todas nos valles desertos e nas fendas [10] das
penhas, e em todos os espinhos e em todas as florestas.
20 N’aquelle dia rapará o Senhor com _uma_ navalha [11] alugada, _que
está_ d’além do rio, com o rei da Assyria, a cabeça e os cabellos dos
pés: e até a barba totalmente tirará.
21 E succederá n’aquelle dia que alguem creará uma vacca e duas ovelhas:
22 E acontecerá que por causa da abundancia do leite que lhe derem comerá
manteiga; e manteiga e mel comerá todo aquelle que ficar de resto no meio
da terra.
23 Succederá tambem n’aquelle dia que todo o logar, em que houver mil
vides, _do valor_ de mil _moedas_ de prata, [12] será para as sarças e
para os espinheiros.
24 Com arco e frechas se entrará n’elle, porque toda a terra será sarças
e espinheiros.
25 E _tambem_ todos os montes, que costumam cavar com enxadas, se não irá
a elles _por causa_ do temor das sarças e dos espinheiros, porém servirão
para enviarem _ali_ bois e serem pisados do gado miudo.
[1] II Reis 16.5. II Chr. 28.5, 6.
[2] II Reis 18.17. cap. 36.2.
[3] Pro. 21.30. cap. 8.10.
[4] II Chr. 20.20.
[5] Mat. 12.38.
[6] Mat. 1.23. Luc. 1.31, 34. cap. 9.6. cap. 8.8.
[7] cap. 8.4.
[8] II Chr. 28.19.
[9] cap. 5.26.
[10] cap. 2.19. Jer. 16.16.
[11] II Reis 16.7, 8. II Chr. 28.20, 21. Eze. 5.1.
[12] cap. 5.6.
_A ruina dos reinos de Israel e Syria._
[Antes de Christo 740]
8 Disse-me tambem o Senhor: Toma um grande volume, [1] e escreve n’elle
em estylo de homem: [UO] Apressando-se ao despojo, apressurou-se á preza.
2 Então tomei comigo fieis testemunhas, [2] a Urias sacerdote, e a
Zacharias, filho de Jeberechias,
3 E cheguei-me á prophetiza, a qual concebeu, e pariu _um_ filho; e o
Senhor me disse: Chama o seu nome Maher-shalal-hash-baz.
4 Porque [3] antes que o menino saiba chamar pae meu, ou mãe minha, se
levarão as riquezas de Damasco, e os despojos de Samaria, diante do rei
da Assyria.
5 E continuou o Senhor a fallar ainda comigo, dizendo:
6 Porquanto este povo desprezou as aguas de [4] Siloé que correm
brandamente, e com Resin e com o filho de Remalias se alegrou:
7 Portanto eis que o Senhor fará subir sobre elles as aguas do rio,
fortes e impetuosas, ao rei da Assyria, com toda a sua gloria, e subirá
acima sobre todos os seus leitos, e trasbordará por todas as suas
ribanceiras.
8 E passará a Judah, inundando-a, e irá passando por elle [5] _e_ chegará
até ao pescoço: e a extensão de suas azas encherá a largura da tua terra,
ó Emmanuel.
9 Ajuntae-vos [6] em companhia, ó povos, e quebrantae-vos; e dae ouvidos,
todos os que sois de longes terras, cingi-vos e sêde feitos em pedaços,
cingi-vos e sêde feitos em pedaços.
10 Tomae [7] juntamente conselho, e será dissipado: dizei a palavra,
porém não subsistirá, porque Deus _é_ comnosco.
11 Porque assim me disse o Senhor com mão forte, e me ensinou que não
andasse pelo caminho d’este povo, dizendo:
12 Não [8] chameis conjuração, a tudo quanto este povo chama conjuração:
e não temaes o seu temor, nem tão pouco vos assombreis.
13 Ao [9] Senhor dos Exercitos, a elle sanctificae: e [10] _seja_ elle o
vosso temor e _seja_ elle o vosso assombro.
14 Então [11] elle _vos_ será por sanctuario, mas por pedra d’escandalo,
e por penha de tropeço, ás duas casas d’Israel, por laço e rede aos
moradores de Jerusalem.
15 E muitos tropeçarão [12] entre elles, e cairão, e serão quebrantados,
e enlaçados, e presos.
16 Liga o testemunho, sella a lei entre os meus discipulos.
17 E esperarei ao Senhor, [13] que esconde o seu rosto da casa de Jacob,
e a elle aguardarei.
18 Eis-me aqui [14] e os filhos que me deu o Senhor, por signaes e por
maravilhas em Israel, da parte do Senhor dos Exercitos, que habita no
monte de Sião.
19 Quando pois vos disserem: [15] Consultae os adivinhos e os
encantadores, e que, chilrando entre dentes, murmuram: _Porventura_ não
perguntará o povo a seu Deus? _ou perguntar-se-ha_ pelos vivos aos mortos?
20 Á Lei [16] e ao Testemunho, que se elles não fallarem segundo esta
palavra, [UP] nunca verão a alva.
21 E passarão pela _terra_ duramente opprimidos e famintos: e será que,
tendo fome, e enfurecendo-se, [17] então amaldiçoarão ao seu rei e ao seu
Deus, olhando para cima.
22 E, [18] olhando para a terra, eis-que _haverá_ angustia e escuridão,
_e_ serão entenebrecidos com ancia, e empuxados com escuridão.
[1] cap. 30.8. Hab. 2.2.
[2] II Reis 16.10.
[3] cap. 7.16. II Reis 15.29 e 16.9.
[4] Neh. 3.15. João 9.7. cap. 7.1, 2, 6.
[5] cap. 30.28.
[6] Joel 3.9, 11.
[7] Job 5.12. cap. 7.7. Act. 5.38, 39. Rom. 8.31.
[8] I Ped. 3.14, 15.
[9] Num. 20.12.
[10] Luc. 12.5.
[11] Eze. 11.16. cap. 28.16. Rom. 9.33. I Ped. 2.8.
[12] Mat. 21.44. Luc. 20.18. Rom. 9.32.
[13] cap. 54.8.
[14] Heb. 2.13. Zac. 3.8.
[15] I Sam. 28.8. cap. 19.3 e 29.4.
[16] Miq. 3.6.
[17] Apo. 16.11.
[18] cap. 5.30 e 9.1.
_O advento e o poder do Messias._
[Antes de Christo 738]
9 Mas _a terra_, que foi angustiada, não será entenebrecida; [1]
envileceu nos primeiros tempos, a terra de Zabulon, e a terra de
Naphtali; mas nos ultimos _a_ ennobreceu junto ao caminho do mar, d’além
do Jordão, na Galilea dos gentios.
2 O povo [2] que andava em trevas, viu _uma_ grande luz, _e_ sobre os que
habitavam na terra da sombra de morte resplandeceu _uma_ luz.
3 Tu multiplicaste a este povo, [UQ] porém a alegria _lhe_ augmentaste:
_todos_ se alegrarão perante ti, como se alegram na sega, [3] _e_ como
exultam quando se repartem os despojos.
4 Porque tu quebraste o jugo da sua carga, [4] e o bordão dos seus
hombros, _e_ a vara do [UR] que o guiava, como no dia dos midianitas,
5 Quando toda a peleja d’aquelles que pelejavam _se fazia_ com ruido, [5]
e os vestidos se revolviam em sangue e se queimavam _para_ pasto do fogo.
6 Porque [6] _um_ menino nos nasceu, _um_ filho se nos deu, e o
principado está sobre os seus hombros, e o seu nome se chama Maravilhoso,
Conselheiro, Deus [7] forte, Pae da eternidade, Principe da paz.
7 Da grandeza d’este principado e da paz [8] não haverá fim, sobre o
throno de David e no seu reino, para o firmar e o fortificar com juizo e
com justiça, desde agora para sempre: [9] o zelo do Senhor dos Exercitos
fará isto.
_Ameaças contra o reino de Israel._
8 O Senhor enviou palavra a Jacob, e _ella_ caiu em Israel.
9 E todo este povo _o_ saberá, Ephraim e os moradores de Samaria, em
soberba e altivez de coração, dizendo: