171 Os meus labios proferiram o louvor, quando me ensinaste os teus

estatutos.

172 A minha lingua fallará da tua palavra, pois todos os teus mandamentos

_são_ justiça.

173 Venha a tua mão soccorrer-me, [33] pois elegi os teus preceitos.

174 Tenho desejado a tua salvação, ó Senhor, a tua lei _é_ todo o meu

prazer.

175 Viva a minha alma, e louvar-te-ha: ajudem-me os teus juizos.

176 Desgarrei-me [34] como a ovelha perdida; busca o teu servo, pois não

me esqueci dos teus mandamentos.

[1] II Chr. 15.15.

[2] Luc. 2.18, 51.

[3] Gen. 47.9. I Chr. 29.15. II Cor. 5.6. Heb. 11.13.

[4] I Sam. 4.29. Isa. 60.5. II Cor. 6.11.

[5] ver. 12. Mat. 10.22. Apo. 2.26.

[6] ver. 73.

[7] Mat. 10.18, 19. Act. 26.1, 2.

[8] Rom. 15.4.

[9] Jer. 20.7.

[10] Luc. 15.17, 18.

[11] Act. 16.25.

[12] Mat. 19.17.

[13] Apo. 6.10.

[14] Mat. 24.34, 35.

[15] Mat. 5.18 e 24.35.

[16] Deu. 4.6, 8.

[17] II Tim. 3.15.

[18] Pro. 8.11.

[19] Neh. 10.29.

[20] Ose. 14.2. Heb. 13.5.

[21] Deu. 33.4.

[22] Mat. 7.23.

[23] Rom. 5.5 e 9.33 e 10.11.

[24] Hab. 3.16.

[25] Pro. 1.4.

[26] Rom. 6.12.

[27] Luc. 1.74.

[28] Jer. 9.1 e 14.17. Eze. 9.4.

[29] Esd. 9.15. Neh. 9.33. Jer. 12.1. Dan. 9.7.

[30] João 17.17.

[31] Luc. 21.33.

[32] Gen. 49.18.

[33] Jos. 24.22. Luc. 10.42.

[34] Isa. 53.6. Luc. 15.4. I Ped. 2.25.

_O psalmista ora para que seja livre do mentiroso e calumniador._

[RH] Cantico dos degraus.

120 Na minha angustia [1] clamei ao Senhor, e me ouviu.

2 Senhor, livra a minha alma dos labios mentirosos e da lingua enganadora.

3 Que te será dado, ou que te será accrescentado, lingua enganadora?

4 Frechas agudas do valente, com brazas vivas de zimbro.

5 Ai de mim, que peregrino em Mesech, [2] e habito nas tendas de Kedar.

6 A minha alma bastante tempo habitou com os que detestam a paz.

7 Pacifico _sou_, porém quando eu fallo _já_ elles procuram guerra.

[1] Jon. 2.2.

[2] Gen. 25.13. Jer. 49.28, 29.

_Deus é o guarda fiel do seu povo._

Cantico dos degraus.

121 Levantarei os meus olhos para os montes, de onde vem a minha salvação.

2 O meu soccorro _vem_ do Senhor, que fez o céu e a terra.

3 Não deixará vacillar o teu pé: aquelle que te guarda não tosquenejará.

4 Eis-que não tosquenejará nem dormirá o guarda d’Israel.

5 O Senhor _é_ quem te guarda: o Senhor _é_ a tua sombra á tua direita.

6 O sol não te molestará de dia nem a lua de noite.

7 O Senhor te guardará de todo o mal: guardará a tua alma.

8 O Senhor guardará a tua entrada e a tua saida, desde agora e para

sempre.

_Oração para que a paz de Jerusalem continue._

Cantico dos degraus, de David.

122 Alegrei-me quando me disseram: [1] Vamos á casa do Senhor.

2 Os nossos pés estão dentro das tuas portas, ó Jerusalem.

3 Jerusalem está edificada como uma cidade que é [2] compacta,

4 Onde sobem as tribus, as tribus do Senhor, até o testemunho d’Israel,

para darem [RI] graças ao nome do Senhor.

5 Pois ali estão os thronos do juizo, os thronos da casa de David.

6 Orae pela paz de Jerusalem: prosperarão aquelles que te amam.

7 Haja paz dentro de teus muros, e _prosperidade_ dentro dos teus

palacios.

8 Por causa dos meus irmãos e amigos, direi: Paz _esteja_ em ti.

9 Por causa da casa do Senhor, nosso Deus, buscarei o teu bem.

[1] Isa. 2.3. Zac. 8.21.

[2] II Sam. 5.9.

_A oração do crente desprezado._

Cantico dos degraus.

123 A ti levanto os meus olhos, ó tu que habitas nos céus.

2 Assim como os olhos dos servos _attentam_ para as mãos dos seus

senhores, _e_ os olhos da serva para as mãos de sua senhora, assim os

nossos olhos _attentam_ para o Senhor nosso Deus, até que tenha piedade

de nós.

3 Tem piedade de nós, ó Senhor, tem piedade de nós, pois estamos assaz

fartos de desprezo.

4 A nossa alma está extremamente cheia da zombaria d’aquelles que estão á

sua vontade _e_ com o desprezo dos soberbos.

_Só Deus pode livrar o seu povo._

Cantico dos degraus, de David.

124 Se não _fôra_ o Senhor, que esteve ao nosso lado, ora diga Israel;

2 Se não _fôra_ o Senhor, que esteve ao nosso lado, quando os homens se

levantaram contra nós,

3 Elles então nos teriam engulido vivos, quando a sua ira se accendesse

contra nós.

4 Então as aguas teriam trasbordado sobre nós, _e_ a corrente teria

passado sobre a nossa alma;

5 Então as aguas altivas teriam passado sobre a nossa alma.

6 Bemdito _seja_ o Senhor, que não nos deu por preza aos seus dentes.

7 A nossa alma escapou, como um passaro do laço dos passarinheiros; o

laço quebrou-se, e nós escapámos.

8 O nosso soccorro _está_ no nome do Senhor, que fez o céu e a terra.

_A segurança d’aquelle que confia em Deus._

Cantico dos degraus.

125 Os que confiam no Senhor _serão_ como o monte de Sião, _que_ não se

abala, _mas_ permanece para sempre.

2 _Assim como estão_ os montes á roda de Jerusalem, assim o Senhor _está_

em volta do seu povo desde agora e para sempre.

3 Porque o sceptro da impiedade não permanecerá [1] sobre a sorte dos

justos, a não ser que o justo estenda as suas mãos para a iniquidade.

4 Faze bem, ó Senhor, aos bons e aos _que são_ rectos de coração.

5 Emquanto áquelles que se inquietam para os seus caminhos tortuosos,

leval-os-ha o Senhor com os que obram [2] a maldade: paz _haverá_ sobre

Israel.

[1] Isa. 14.5.

[2] Gal. 6.16.

_Deus é louvado porque fez retirar do captiveiro o seu povo._

Cantico dos degraus.

126 Quando o Senhor [RJ] trouxe do captiveiro os que voltaram a Sião

estavamos com os que sonham.

2 Então a nossa bocca se encheu do riso e a nossa lingua de cantico:

então se dizia entre as nações: Grandes coisas fez o Senhor a estes.

3 Grandes coisas fez o Senhor por nós, _pelas quaes_ estamos alegres.

4 Traze-nos outra vez, ó Senhor, do captiveiro, como as correntes _das

aguas_ no sul.

5 Os que semeiam em lagrimas segarão com alegria.

6 Aquelle que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará sem

duvida com alegria, trazendo _comsigo_ os seus molhos.

_Segurança, prosperidade e fecundidade veem de Deus só._

Cantico dos degraus, de Salomão.

127 Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que edificam: se

o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinella.

2 Inutil vos _será_ levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão de

dôres, _pois_ assim dá elle aos seus amados o somno.

3 Eis que [1] os filhos _são_ herança do Senhor, _e_ o fructo do ventre o

_seu_ galardão.

4 Como frechas na mão _d’um homem_ valente, assim _são_ os filhos da

mocidade.

5 Bemaventurado o homem que enche d’elles a sua aljava: não serão

confundidos, mas fallarão com os seus inimigos á porta.

[1] Gen. 33.5 e 48.4. Jos. 24.3, 4. Deu. 28.4.

_Aquelle que teme a Deus será abençoado na sua familia._

Cantico dos degraus.

128 Bemaventurado aquelle que teme ao Senhor e anda nos seus caminhos.

2 Pois comerás [1] do trabalho das tuas mãos: feliz _serás_, e te _irá_

bem.

3 A tua mulher _será_ [2] como a videira fructifera aos lados da tua

casa, os teus filhos como plantas de oliveira á roda da tua mesa.

4 Eis que assim será abençoado o homem que teme ao Senhor.

5 O Senhor te abençoará desde Sião, e tu verás os bens de Jerusalem em

todos os dias da tua vida.

6 E verás [3] os filhos de teus filhos, _e_ a paz sobre Israel.

[1] Isa. 3.10.

[2] Eze. 19.10.

[3] Gen. 50.23.

_A egreja é perseguida, mas não destruida._

Cantico dos degraus.

129 Muitas vezes me angustiaram desde a minha mocidade, diga agora Israel:

2 Muitas vezes me angustiaram desde a minha mocidade, todavia não

prevaleceram contra mim.

3 Os lavradores araram sobre as minhas costas: compridos fizeram os seus

sulcos.

4 O Senhor _é_ justo: cortou as cordas dos impios.

5 Sejam confundidos, e voltem para traz, todos os que aborrecem a Sião.

6 Sejam como a herva dos telhados, que se secca antes que [RK] a

arranquem.

7 Com a qual o segador não enche a sua mão, nem o que ata os feixes

_enche_ o seu braço.

8 Nem tão pouco os que passam digam: A benção do Senhor _seja_ sobre vós:

nós vos abençoamos em nome do Senhor.

_A confissão do peccado e a esperança do perdão._

Cantico dos degraus.

130 Das profundezas a ti clamo, ó Senhor.

2 Senhor, escuta a minha voz: sejam os teus ouvidos attentos á voz das

minhas supplicas.

3 Se tu, Senhor, [1] observares as iniquidades, Senhor, quem subsistirá?

4 Porém comtigo _está_ [2] o perdão, para que sejas temido.

5 Aguardo ao Senhor; a minha alma o aguarda, e espero na sua palavra.

6 A minha alma _aguarda_ ao Senhor, mais do que os guardas pela manhã,

_mais do que_ aquelles que vigiam pela manhã.

7 Espere Israel no Senhor, porque no Senhor _ha_ misericordia, e n’elle

_ha_ abundante redempção.

8 E elle remirá [3] a Israel de todas as suas iniquidades.

[1] Rom. 3.20, 23, 24.

[2] Exo. 34.7.

[3] Mat. 1.20.

_A humildade do psalmista._

Cantico dos degraus, de David.

131 Senhor, o meu coração não se elevou [1] nem os meus olhos se

levantaram: não me exercito em grandes materias, nem em coisas muito

elevadas para mim.

2 Certamente que me tenho portado [RL] e socegado como _uma_ creança [2]

desmamada de sua mãe: a minha alma _está_ como _uma creança_ desmamada.

3 Espere Israel no Senhor, desde agora e para sempre.

[1] Rom. 12.16.

[2] Mat. 18.3. I Cor. 14.20.

_O zelo de David pelo templo e pela arca. As promessas feitas por Deus._

Cantico dos degraus.

132 Lembra-te, Senhor, de David, _e_ de todas as suas afflicções.

2 Como jurou ao Senhor, [1] _e_ fez votos ao poderoso de Jacob, _dizendo_:

3 Certamente que não entrarei na tenda de minha casa, nem subirei ao

leito da minha cama.

4 Não darei somno aos meus olhos, _nem_ adormecimento ás minhas pestanas,

5 Emquanto [2] não achar logar para o Senhor, uma morada para o Poderoso

de Jacob.

6 Eis que ouvimos fallar d’ella em Ephrata, e a achámos no campo do

bosque.

7 Entraremos nos seus tabernaculos: prostrar-nos-hemos ante o escabello

de seus pés.

8 Levanta-te, [3] Senhor, no teu repouso, tu e a arca da tua força.

9 Vistam-se os teus sacerdotes de justiça, e alegrem-se os teus sanctos.

10 Por amor de David, teu servo, não faças virar o rosto do teu ungido.

11 O Senhor jurou na verdade a David: não se apartará [4] d’ella: Do

fructo do teu ventre porei sobre o teu throno.

12 Se os teus filhos guardarem o meu concerto, e os meus testemunhos, que

eu lhes hei de ensinar, tambem os seus filhos se assentarão perpetuamente

no teu throno.

13 Porque o Senhor elegeu a Sião; desejou-a para a sua habitação,

_dizendo_:

14 Este _é_ o meu repouso para sempre: aqui habitarei, pois o desejei.

15 Abençoarei abundantemente o seu mantimento; fartarei de pão os seus

necessitados.

16 Vestirei os seus sacerdotes de salvação, e os seus sanctos saltarão de

prazer.

17 Ali farei brotar [5] [RM] a força de David; preparei uma lampada para

o meu ungido.

18 Vestirei os seus inimigos de confusão; mas sobre elle florescerá a sua

corôa.

[1] Gen. 49.24.

[2] Act. 7.46.

[3] Num. 10.35. II Chr. 6.41, 42.

[4] II Sam. 7.12. I Reis 8.25.

[5] Eze. 29.21. Ose. 11.12.

_A excellencia do amor fraternal._

Cantico dos degraus, de David.

133 Oh! quão bom e quão suave _é_ que os irmãos habitem [1] em união.

2 _É_ como [2] o oleo precioso sobre a cabeça, que desce sobre a barba, a

barba, d’Aarão, e que desce á orla dos seus vestidos.

3 Como o orvalho [3] de Hermon _e como_ o que desce sobre os montes de

Sião, porque ali o [4] Senhor ordena a benção _e_ vida para sempre.

[1] Gen. 13.8. Heb. 13.1.

[2] Exo. 30.25, 30.

[3] Deu. 4.48.

[4] Lev. 25.21. Deu. 28.8.

_Exhortação a bemdizer o Senhor._

Cantico dos degraus.

134 Eis-aqui, bemdizei ao Senhor todos vós, servos do Senhor, que

assistis na casa do Senhor todas as noites.

2 Levantae as vossas mãos no sanctuario, e bemdizei ao Senhor.

3 O Senhor, que fez o céu e a terra, te abençõe desde Sião.

_Deus é louvado pela sua bondade, poder e justiça. A vaidade dos idolos._

135 Louvae ao Senhor. Louvae _o_ nome do Senhor; louvae-o, servos do

Senhor.

2 Vós que assistis na casa do Senhor, nos atrios da casa do nosso Deus.

3 Louvae ao Senhor, porque o Senhor _é_ bom: cantae louvores ao seu nome,

porque _é_ agradavel.

4 Porque [1] o Senhor escolheu para si a Jacob, _e_ a Israel para seu

proprio thesouro.

5 Porque eu conheço que o Senhor _é_ grande e _que_ o nosso Deus _está_

acima de todos os deuses.

6 Tudo o que o Senhor quiz fez, nos céus e na terra, nos mares e _em_

todos os abysmos.

7 Faz [2] subir os vapores das extremidades da terra; faz os relampagos

para a chuva; produz os ventos dos seus thesouros.

8 O que feriu os primogenitos do Egypto, desde os homens até ás bestas.

9 _O que_ enviou signaes e prodigios no meio de ti, ó Egypto, contra

Pharaó e contra os seus servos.

10 O que feriu [3] muitas nações, e matou poderosos reis;

11 A Sehon, rei dos amorrheos, e a Og, rei de Basan, e a todos os reinos

de Canaan.

12 E deu a sua terra em herança, em herança a Israel, seu povo.

13 O teu nome, ó Senhor, _dura_ perpetuamente; _e_ a tua memoria, ó

Senhor, de geração em geração.

14 Pois o Senhor julgará o seu povo, e se arrependerá com respeito aos

seus servos.

15 Os idolos das nações _são_ prata e oiro, obra das mãos dos homens.

16 Teem bocca, mas não fallam; teem olhos, e não vêem.

17 Teem ouvidos, mas não ouvem, nem ha respiro _algum_ nas suas boccas.

18 Similhantes a elles se tornem os que os fazem, e todos os que confiam

n’elles.

19 Casa d’Israel, bemdizei ao Senhor; casa d’Aarão bemdizei ao Senhor.

20 Casa de Levi, bemdizei ao Senhor: vós, os que temeis ao Senhor, louvae

ao Senhor.

21 Bemdito _seja_ o Senhor desde Sião, que habita em Jerusalem. Louvae ao

Senhor.

[1] Exo. 19.5. Deu. 7.6, 7 e 10.15.

[2] Jer. 10.13 e 51.16.

[3] Num. 21.24, 25, 26, 34, 35.

_Deus é louvado pelas suas obras e porque sua benignidade dura para

sempre._

136 Louvae ao Senhor, porque elle _é_ bom; porque [1] a sua benignidade

_dura_ para sempre.

2 Louvae ao Deus dos deuses; porque a sua benignidade _dura_ para sempre.

3 Louvae ao Senhor dos senhores; porque a sua benignidade _dura_ para

sempre.

4 Aquelle que só faz maravilhas; porque a sua benignidade _dura_ para

sempre.

5 Aquelle que por entendimento fez os céus, [2] porque a sua benignidade

_dura_ para sempre.

6 Aquelle que estendeu a terra sobre as aguas; porque a sua benignidade

_dura_ para sempre.

7 Aquelle que fez os grandes luminares; porque a sua benignidade _dura_

para sempre.

8 O sol [3] para governar de dia; porque a sua benignidade _dura_ para

sempre.

9 A lua e as estrellas para presidirem á noite; porque a sua benignidade

_dura_ para sempre.

10 O que feriu [4] o Egypto nos seus primogenitos; porque a sua

benignidade _dura_ para sempre.

11 E tirou a [5] Israel do meio d’elles; porque a sua benignidade _dura_

para sempre.

12 Com mão [6] forte, e com braço estendido; porque a sua benignidade

_dura_ para sempre.

13 Aquelle que dividiu o Mar Vermelho [7] em duas partes; porque a sua

benignidade _dura_ para sempre.

14 E fez passar Israel por meio d’elles; porque a sua benignidade _dura_

para sempre.

15 Mas derribou [8] a Pharaó com o seu exercito no Mar Vermelho, porque a

sua benignidade _dura_ para sempre.

16 Aquelle que guiou [9] o seu povo pelo deserto; porque a sua

benignidade _dura_ para sempre.

17 Aquelle que feriu [10] os grandes reis; porque a sua benignidade

_dura_ para sempre.

18 E matou reis famosos; porque a sua benignidade _dura_ para sempre.

19 Sehon, rei dos amorrheos; porque a sua benignidade _dura_ para sempre.

20 E Og, rei de Basan; porque a sua benignidade _dura_ para sempre.

21 E deu a terra d’elles em herança; porque a sua benignidade _dura_ para

sempre.

22 _E mesmo_ em herança a Israel, seu servo; porque a sua benignidade

_dura_ para sempre.

23 Que se lembrou da [11] nossa baixeza; porque a sua benignidade _dura_

para sempre.

24 E nos remiu dos nossos inimigos; porque a sua benignidade _dura_ para

sempre.

25 O que dá mantimento a toda a carne; porque a sua benignidade _dura_

para sempre.

26 Louvae ao Deus dos céus; porque a sua benignidade _dura_ para sempre.

[1] I Chr. 16.34, 41. II Chr. 20.21.

[2] Gen. 1.1. Pro. 3.19.

[3] Gen. 1.16.

[4] Exo. 12.29.

[5] Exo. 12.15 e 13.3, 17.

[6] Exo. 6.6.

[7] Exo. 14.21, 22.

[8] Exo. 14.27.

[9] Deu. 8.15.

[10] Deu. 29.7.

[11] Gen. 8.1. Deu. 32.36.

137 Junto dos rios de Babylonia, ali nos assentámos e chorámos, quando

nos lembrámos de Sião:

2 Sobre os salgueiros _que ha_ no meio d’ella, pendurámos as nossas

harpas.

3 Pois lá aquelles que nos levaram captivos, nos pediam _uma_ canção; e

os que nos destruiram, _que_ os alegrassemos, _dizendo_; Cantae-nos uma

das canções de Sião.

4 Como cantaremos a canção do Senhor em terra estranha?

5 Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalem, esqueça-se a minha direita _da

sua destreza_.

6 Se me não lembrar de ti, apegue-se-me a lingua ao meu paladar; se não

prefiro Jerusalem á minha maior alegria.

7 Lembra-te, Senhor, dos filhos de Edom [1] no dia de Jerusalem, que

diziam: Descobri-a, descobri-a até aos seus alicerces.

8 Ah! filha de Babylonia, que _vaes ser_ assolada; feliz aquelle que te

retribuir o pago que tu nos pagaste a nós.

9 Feliz aquelle que pegar em teus filhos e der [2] _com elles_ pelas

pedras.

[1] Jer. 49.7, etc.

[2] Jer. 50.15, 29.

_Acção de graças a Deus por amor da sua fidelidade. Todos os reis o

louvarão._

Psalmo de David.

138 Eu te louvarei, _Senhor_, de todo o meu coração: na presença dos

deuses a ti cantarei louvores.

2 Inclinar-me-hei para o teu sancto templo, e louvarei o teu nome pela

sua benignidade, e pela tua verdade: pois engrandeceste a tua palavra

acima de todo o teu nome.

3 No dia em que eu clamei, me escutaste; _e_ alentaste com força a minha

alma.

4 Todos os reis da terra te louvarão, ó Senhor, quando ouvirem as

palavras da tua bocca;

5 E cantarão os caminhos do Senhor; pois grande _é_ a gloria do Senhor.

6 Ainda que o Senhor é excelso, attende _todavia_ para o humilde; mas ao

soberbo conhece-_o_ de longe.

7 Andando eu no meio da angustia, tu me reviverás: estenderás a tua mão

contra a ira dos meus inimigos, e a tua dextra me salvará.

8 O Senhor aperfeiçoará o que me toca; a tua benignidade, ó Senhor,

_dura_ para sempre; não desampares as obras das tuas mãos.

_A omnipresença e a omnipotencia de Deus._

Psalmo de David para o cantor-mór.

139 Senhor, [1] tu me sondaste, e _me_ conheces.

2 Tu sabes [2] o meu assentar e o meu levantar; de longe entendes o meu

pensamento.

3 Cercas o meu andar, e o meu deitar; e conheces todos os meus caminhos.

4 Não _havendo_ ainda palavra _alguma_ na minha lingua, eis que logo, ó

Senhor, tudo conheces.

5 Tu me cercaste por detraz e por diante; e pozeste sobre mim a tua mão.

6 _Tal_ sciencia _é_ para mim maravilhosissima; _tão_ alta _que_ não a

posso _attingir_.

7 Para onde me irei do teu Espirito, ou para onde fugirei da tua face?

8 Se subir [3] ao céu, lá tu _estás_: se fizer no inferno a minha cama,

eis que tu _ali estás tambem_.

9 Se tomar as azas da alva, _se_ habitar nas extremidades do mar,

10 Até ali a tua mão me guiará e a tua dextra me susterá.

11 Se disser: Decerto que as trevas me encobrirão; então a noite _será_

luz á roda de mim.

12 Nem ainda [4] as trevas me encobrem de ti: mas a noite resplandece

como o dia; as trevas e a luz _são para ti_ a mesma coisa.

13 Pois possuiste os meus rins; cobriste-me no ventre de minha mãe.

14 Eu te louvarei, porque de um modo terrivel, e tão maravilhoso fui

feito; maravilhosas _são_ as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem.

15 Os meus ossos não te foram encobertos, quando no occulto fui feito,

_e_ entretecido nas profundezas da terra.

16 Os teus olhos viram o meu _corpo_ ainda informe; e no teu livro todas

estas coisas foram escriptas; as quaes em continuação foram formadas,

quando nem ainda uma d’ellas _havia_.

17 E quão preciosos me são, ó Deus, os teus pensamentos! Quão grandes são

as sommas d’elles!

18 _Se_ as contasse, seriam em maior numero do que a areia: _quando_

acordo ainda estou comtigo.

19 Ó Deus, tu matarás decerto o impio: apartae-vos portanto de mim,

homens de sangue.

20 Pois fallam malvadamente contra ti; _e_ os teus inimigos tomam o _teu

nome_ em vão.

21 Não aborreço eu, ó Senhor, aquelles que te aborrecem, e não me afflijo

por causa dos que se levantam contra ti?

22 Aborreço-os com odio perfeito: tenho-os por inimigos.

23 Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração: prova-me, e conhece os meus

pensamentos.

24 E vê se _ha_ em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno.

[1] Jer. 12.3.

[2] II Reis 19.27. Mat. 9.4. João 2.25.

[3] Amós 9.2, 3, 4.

[4] Dan. 2.22. Heb. 4.13.

_O psalmista ora para que seja livre de inimigos potentes e injustos._

Psalmo de David para o cantor-mór.

140 Livra-me, ó Senhor, do homem mau: guarda-me do homem violento;

2 Que pensa o mal no coração: continuamente se ajuntam para a guerra.

3 Aguçaram as linguas como a serpente; o veneno das viboras _está_

debaixo dos seus labios (Selah).

4 Guarda-me, ó Senhor, das mãos do impio; guarda-me do homem [1]

violento, os quaes se propozeram empuxar os meus passos.

5 Os soberbos [2] armaram-me laços e cordas; estenderam a rede ao lado do

caminho: armaram-me laços corrediços (Selah).

6 Eu disse ao Senhor: Tu _és_ o meu Deus: ouve a voz das minhas

supplicas, ó Senhor.

7 Senhor Deus, [RN] fortaleza da minha salvação, tu cobriste a minha

cabeça no dia da batalha.

8 Não concedas, ó Senhor, ao impio os seus desejos: não promovas o seu

mau proposito, para que não se exalte (Selah).

9 _Quanto_ á cabeça dos que me cercam, cubra-os a maldade dos seus labios.

10 Caiam sobre elles brazas vivas: sejam lançados no fogo: em covas

profundas _para que_ se não tornem a levantar.

11 Não terá firmeza na terra o homem de _má_ lingua: o mal perseguirá o

homem violento até que seja desterrado.

12 Sei que o Senhor [RO] sustentará a causa do opprimido, _e_ o direito

do necessitado.

13 Assim os justos louvarão o teu nome: os rectos habitarão na tua

presença.

[1] Rom. 3.13.

[2] Jer. 18.22.

_O psalmista ora para que seja preservado no meio da tentação._

Psalmo de David.

141 Senhor, a ti clamo, escuta-me; inclina os teus ouvidos á minha voz,

quando a ti clamar.

2 Suba a minha [1] oração perante a tua face _como_ incenso, _e_ as

minhas mãos levantadas _sejam como_ o sacrificio da tarde.

3 Põe, ó Senhor, uma guarda á minha bocca: guarda a porta dos meus labios.

4 Não inclines o meu coração a coisas más, a praticar obras más, com

aquelles que obram a iniquidade; e não coma das suas delicias.

5 Fira-me o justo, _será uma_ benignidade; e reprehenda-me, _será um_

excellente oleo, _que_ me não quebrará a cabeça; porque orarei nas suas

proprias calamidades.

6 Quando os seus juizes forem derribados pelos lados da rocha, ouvirão as

minhas palavras, pois são agradaveis.

7 Os nossos ossos são espalhados á bocca da sepultura como se alguem [RP]

fendera e partira _lenha_ em terra.

8 Mas os meus olhos te _contemplam_, o Deus, Senhor: em ti confio; não

desnudes a minha alma.

9 Guarda-me dos laços _que_ me armaram; e dos laços corrediços dos que

obram a iniquidade.

10 Caiam os impios nas suas proprias redes, até que eu tenha escapado

inteiramente.

[1] Apo. 5.8 e 3.4.

_Oração no meio de grande perigo._

Maschil de David: oração que fez quando estava na caverna.

142 Com a minha voz clamei ao Senhor, com a minha voz suppliquei ao

Senhor.

2 Derramei a minha queixa perante a sua face; expuz-lhe a minha angustia.

3 Quando o meu espirito estava angustiado em mim, então conheceste a

minha vereda: no caminho em que eu andava, esconderam-me _um_ laço.

4 Olhei para a _minha_ direita, e vi; mas não _havia_ quem me conhecesse:

refugio me faltou, ninguem cuidou da minha alma.

5 A ti, ó Senhor, clamei; disse: Tu _és_ o meu refugio, _e_ a minha

porção na terra dos viventes.

6 Attende ao meu clamor; porque estou muito abatido: livra-me dos meus

perseguidores; porque são mais fortes do que eu.

7 Tira a minha alma da prisão, para que louve o teu nome; os justos me

rodearão, pois me fizeste bem.

_O psalmista ora para que seja livre de inimigos._

Psalmo de David.

143 Ó Senhor, ouve a minha oração, inclina os ouvidos ás minhas

supplicas: escuta-me segundo a tua verdade, _e_ segundo a tua justiça,

2 E não entres em juizo com o teu servo, [1] porque á tua vista não se

achará justo nenhum vivente.

3 Pois o inimigo perseguiu a minha alma; atropellou-me até ao chão;

fez-me habitar na escuridão, como aquelles que morreram ha muito.

4 Pelo que o meu espirito se angustia em mim; _e_ o meu coração em mim

está desolado.

5 Lembro-me dos dias antigos; considero todos os teus feitos; medito na

obra das tuas mãos.

6 Estendo para ti as minhas mãos; a minha alma tem _sêde_ de ti, como

terra sedenta (Selah).

7 Ouve-me depressa, ó Senhor; o meu espirito desmaia; não escondas de mim

a tua face, para que não seja similhante aos que descem á cova.

8 Faze-me ouvir a tua benignidade pela manhã, pois em ti confio; faze-me

saber o caminho que devo seguir, porque a ti levanto a minha alma.

9 Livra-me, ó Senhor, dos meus inimigos; fujo para ti, para me esconder.

10 Ensina-me a fazer a tua vontade, pois _és_ o meu Deus: [2] o teu

Espirito _é_ bom; guia-me por terra plana.

11 Vivifica-me, ó Senhor, por amor do teu nome; por amor da tua justiça,

tira a minha alma da angustia.

12 E por tua misericordia desarreiga os meus inimigos, e destroe a todos

os que angustiam a minha alma: pois _sou_ teu servo.

[1] Rom. 3.20. Gal. 2.16.

[2] Neh. 9.20. Isa. 26.10.

_Acção de graças pela protecção de Deus e oração por outros livramentos._

Psalmo de David.

144 Bemdito _seja_ o Senhor, minha rocha, [1] que ensina as minhas mãos

para a peleja e os meus dedos para a guerra;

2 Benignidade minha e fortaleza minha; alto retiro meu e meu libertador

_és tu_: escudo meu, em quem eu confio, e que me sujeita o meu povo.

3 Senhor, que _é_ o homem, para que o conheças, _e_ o filho do homem,

para que o estimes?

4 O homem é similhante á vaidade; os seus dias _são_ como a sombra que

passa.

5 Abaixa, ó Senhor, os teus céus, e desce; toca os montes, e fumegarão.

6 Vibra os teus raios, e dissipa-os; envia as tuas frechas, e

desbarata-os.

7 Estende as tuas mãos desde o alto; livra-me, e, arrebata-me das muitas

aguas _e_ das mãos dos filhos estranhos,

8 Cuja bocca falla vaidade, e a sua direita é direita de falsidade.

9 A _ti_, ó Deus, cantarei _um_ cantico novo, com o psalterio _e_

instrumento de dez cordas te cantarei louvores.

10 A _ti_, que dás a salvação aos reis, e que livras a David, teu servo,

da espada maligna.

11 Livra-me, e tira-me das mãos dos filhos estranhos, cuja bocca falla

vaidade, e a sua direita é direita de iniquidade;

12 Para que nossos filhos _sejam_ como plantas crescidas na sua mocidade;

_para que_ as nossas filhas _sejam_ como pedras d’esquina lavradas á moda

de palacio.

13 _Para que_ as nossas dispensas se encham de todo o provimento; _para

que_ os nossos gados produzam a milhares e a dezenas de milhares nas

nossas ruas.

14 _Para que_ os nossos bois _sejam_ fortes para o trabalho; _para que_

não _haja nem_ assaltos, nem saidas, nem gritos nas nossas ruas.

15 Bemaventurado o povo, ao qual assim _acontece_: bemaventurado _é_ o

povo cujo Deus _é_ o Senhor.

[1] II Sam. 22.2, 3, 40, 48.

_A bondade, grandeza e providencia de Deus._

Cantico de David.

145 Eu te exaltarei, ó Deus, rei meu, e bemdirei o teu nome pelo seculo

do seculo e para sempre.

2 Cada dia te bemdirei, e louvarei o teu nome pelo seculo do seculo e

para sempre.

3 Grande _é_ o Senhor, e muito digno de louvor, [1] e a sua grandeza

inexcrutavel.

4 Uma geração louvará as tuas obras á outra geração, e annunciarão as

tuas proezas.

5 Fallarei da magnificencia gloriosa da tua magestade e das tuas obras

maravilhosas.

6 E se fallará da força dos teus feitos terriveis; e contarei a tua

grandeza.

7 Proferirão abundantemente a memoria da tua grande bondade, e cantarão a

tua justiça.

8 Piedoso e benigno _é_ o Senhor, soffredor e de grande misericordia.

9 O Senhor _é_ bom para todos, e as suas misericordias _são_ sobre todas

as suas obras.

10 Todas as tuas obras te louvarão, ó Senhor, e os teus sanctos te

bemdirão.

11 Fallarão da gloria do teu reino, e relatarão o teu poder,

12 Para fazer saber aos filhos dos homens as tuas proezas e a gloria da

magnificencia do teu reino.

13 O teu reino [2] _é um_ reino eterno; o teu dominio _dura_ em todas as

gerações.

14 O Senhor sustenta a todos os que caem, e levanta a todos os abatidos.

15 Os olhos de todos esperam em ti, e lhes dás o seu mantimento a seu

tempo.

16 Abres a tua mão, e fartas os desejos de todos os viventes.

17 Justo _é_ o Senhor em todos os seus caminhos, e sancto em todas as

suas obras.

18 Perto _está_ o Senhor de todos os que o invocam, [3] de todos os que o

invocam em verdade.

19 Elle cumprirá o desejo dos que o temem; ouvirá o seu clamor, e os

salvará.

20 O Senhor guarda a todos os que o amam; porém todos os impios serão

destruidos.

21 A minha bocca fallará o louvor do Senhor, e toda a carne louvará o seu

sancto nome pelo seculo do seculo e para sempre.

[1] Rom. 11.33.

[2] I Tim. 1.17.

[3] João 4.24.

_A fraqueza do homem e a fidelidade de Deus._

146 Louvae ao Senhor. Ó alma minha, louva ao Senhor.

2 Louvarei ao Senhor durante a minha vida; cantarei louvores ao meu Deus

emquanto eu fôr vivo.

3 Não confieis em principes, _nem_ no filho do homem, em quem não _ha_

salvação.

4 Sae-lhe o espirito, volta para a terra: [1] n’aquelle mesmo dia perecem

os seus pensamentos.

5 Bemaventurado [2] aquelle que _tem_ o Deus de Jacob por seu auxilio,

_e_ cuja esperança _está posta_ no Senhor seu Deus.

6 O que fez os céus e a terra, [3] o mar e tudo quanto _ha_ n’elles, _e_

o que guarda a verdade para sempre;

7 O que faz justiça aos opprimidos, o que dá pão aos famintos. O Senhor

solta os encarcerados.

8 O Senhor abre [4] _os olhos_ aos cegos: O Senhor levanta os abatidos: o

Senhor ama os justos.

9 O Senhor guarda os estrangeiros: [5] sustem o orphão e a viuva, mas

transtorna o caminho dos impios.

10 O Senhor reinará [6] eternamente; o teu Deus, ó Sião, _é_ de geração

em geração. Louvae ao Senhor.

[1] I Cor. 2.6.

[2] Jer. 17.7.

[3] Gen. 1.1. Apo. 14.7.

[4] Mat. 9.30. João 9.7, 32.

[5] Deu. 10.18.

[6] Exo. 15.18. Apo. 11.15.

_Exhortação a louvar ao Senhor pela sua beneficencia._

147 Louvae ao Senhor, porque é bom cantar louvores ao nosso Deus, porque

_é_ agradavel; decoroso _é_ o louvor.

2 O Senhor edifica a Jerusalem, congrega os dispersos de Israel.

3 Sara os quebrantados de coração, e lhes ata as suas feridas.

4 Conta o numero das estrellas, chama-as a todas pelos _seus_ nomes.

5 Grande _é_ o nosso Senhor, e de grande poder; o seu entendimento _é_

infinito.

6 O Senhor eleva os humildes, e abate os impios até á terra.

7 Cantae ao Senhor em acção de graça; cantae louvores ao nosso Deus sobre

a harpa.

8 _Elle é_ o que cobre o céu de nuvens, o que prepara a chuva para a

terra, _e_ o que faz produzir herva sobre os montes.

9 O que dá aos animaes o seu sustento, _e_ aos filhos dos corvos, quando

clamam.

10 Não se deleita na força do cavallo, nem se compraz nas pernas do varão.

11 O Senhor se agrada dos que o temem _e_ dos que esperam na sua

misericordia.

12 Louva, ó Jerusalem, ao Senhor; louva, ó Sião, ao teu Deus.

13 Porque fortaleceu os ferrolhos das tuas portas; abençôa aos teus

filhos dentro de ti.

14 _Elle é_ o que põe _em_ paz os teus termos, _e_ da flor da farinha te

farta.

15 O que envia o seu mandamento á terra, a sua palavra corre velozmente.

16 O que dá a neve como lã, esparge a geada como cinza.

17 O que lança o seu gelo em pedaços; quem pode resistir ao seu frio?

18 Manda a sua palavra, e os faz derreter; faz soprar o vento, e correm

as aguas.

19 Mostra a sua palavra a Jacob, os seus estatutos e os seus juizos a

Israel.

20 Não fez assim a nenhuma outra nação; e, emquanto aos seus juizos, não

os conhecem. Louvae ao Senhor.

_Toda a creação deve louvar ao Senhor._

148 Louvae ao Senhor. Louvae ao Senhor desde os céus, louvae-o nas

alturas.

2 Louvae-o, todos os seus anjos; louvae-o todos os seus exercitos.

3 Louvae-o, sol e lua; louvae-o, todas as estrellas luzentes.

4 Louvae-o, [1] céus dos céus, e as aguas que estão sobre os céus.

5 Louvem o nome do Senhor, pois mandou, e _logo_ foram creados.

6 E os confirmou para sempre, e lhes deu uma lei que não ultra-passarão.

7 Louvae ao Senhor desde a terra: vós, baleias, [2] e todos os abysmos,

8 Fogo e saraiva, neve e vapores, e vento tempestuoso que executa a sua

palavra:

9 Montes e todos os outeiros, [3] arvores fructiferas e todos os cedros:

10 As feras e todos os gados, reptis e aves voadoras:

11 Reis da terra e todos os povos, principes e todos os juizes da terra:

12 Mancebos e donzellas, velhos e creanças,

13 Louvem o nome do Senhor, pois só o seu nome é exaltado: a sua gloria

está sobre a terra e o céu.

14 Elle tambem exalta o [RQ] poder do seu povo, o louvor de todos os

seus sanctos, dos filhos de Israel, um povo que lhe é chegado. Louvae ao

Senhor.

[1] I Reis 8.27. II Cor. 12.2. Gen. 1.7.

[2] Isa. 43.20.

[3] Isa. 44.23 e 49.13 e 55.12.

_Os fieis louvam a seu Deus com canticos e instrumentos de musica._

149 Louvae ao Senhor. [1] Cantae ao Senhor um cantico novo, e o seu

louvor na congregação dos sanctos.

2 Alegre-se Israel n’aquelle que o fez, gozem-se os filhos de Sião no seu

rei.

3 Louvem o seu nome com [RR] flauta; cantem-lhe o seu louvor com adufe e

harpa.

4 Porque o Senhor se agrada do seu povo; ornará os mansos com a [RS]

salvação.

5 Exultem os sanctos na gloria, alegrem-se nas suas camas.

6 Estejam na sua garganta os altos louvores de Deus, [2] e espada de dois

fios nas suas mãos,

7 Para tomarem vingança das nações, e darem reprehensões aos povos;

8 Para aprisionarem os seus reis com cadeias, e os seus nobres com

grilhões de ferro;

9 Para fazerem n’elles o juizo escripto; [RT] esta será a gloria de todos

os sanctos. Louvae ao Senhor.

[1] Isa. 42.10.

[2] Heb. 4.12. Apo. 1.16.

_O psalmista exhorta toda a creatura a louvar o Senhor._

150 Louvae ao Senhor. Louvae a Deus no seu sanctuario, louvae-o no

firmamento do seu poder.

2 Louvae-o pelos seus actos poderosos, [1] louvae-o conforme a

excellencia da sua grandeza.

3 Louvae-o com o som de trombeta, louvae-o com o psalterio e a harpa.

4 Louvae-o com o adufe e a [RU] flauta, louvae-o com instrumento de

cordas e com orgãos.

5 Louvae-o [2] com os cymbalos sonoros, louvae-o com cymbalos

altisonantes.

6 Tudo quanto tem folego louve [RV] ao Senhor. Louvae ao Senhor.

[1] Deu. 3.24.

[2] I Chr. 15.16, 19, 28.

PROVERBIOS DE SALOMÃO.

_Introducção geral._

[Antes de Christo 1000]

1 Proverbios [1] de Salomão, filho de David, rei d’Israel;

2 Para se conhecer a sabedoria e a instrucção; para se entenderem as

palavras da prudencia;

3 Para se receber a instrucção do entendimento, [2] a justiça, o juizo, e

a equidade;

4 Para dar aos simplices prudencia, [3] e aos moços conhecimento e bom

siso;

5 Para o sabio [4] ouvir e crescer em doutrina, e o entendido adquirir

sabios conselhos;

6 Para entender proverbios e a _sua_ declaração: _como tambem_ as

palavras dos sabios, e as suas adivinhações.

_Não te deixes seduzir por peccadores._

7 O temor do Senhor _é_ o principio da sciencia: os loucos desprezam a

sabedoria e a instrucção.

8 Filho meu, ouve [5] a instrucção de teu pae, e não deixes a doutrina de

tua mãe.

9 Porque diadema [6] de graça _serão_ para a tua cabeça, e colares para o

teu pescoço.

10 Filho meu, se os peccadores te attrahirem com afagos, [7] não

consintas.

11 Se disserem: Vem comnosco; espiemos [8] o sangue; espreitemos o

innocente sem razão;

12 Traguemol-os vivos, como a sepultura; e inteiros, como os que descem á

cova;

13 Acharemos toda a sorte de [RW] fazenda preciosa; encheremos as nossas

casas de despojos;

14 Lança a tua sorte entre nós; teremos todos uma só bolsa.

15 Filho meu, não te ponhas a caminho com elles: desvia o pé das suas

veredas;

16 Porque os seus pés [9] correm para o mal, e se apressam a derramar

sangue.

17 Na verdade debalde se estende a rede perante os olhos de toda a sorte

d’aves.

18 E estes armam ciladas contra o seu _proprio_ sangue; e as suas

proprias [RX] vidas espreitam.

19 Assim _são_ [10] as veredas de todo aquelle que usa d’avareza: _ella_

prenderá a [RY] alma de seus amos.

_O convite e exhortação da Sabedoria._

20 A suprema sabedoria [11] altamente clama de fóra: pelas ruas levanta a

sua voz.

21 Nas encruzilhadas, _em que ha_ tumultos, clama: ás entradas das

portas, na cidade profere as suas palavras.

22 Até quando, ó simplices, amareis a simplicidade? e vós,

escarnecedores, desejareis o escarneo? e _vós_, loucos, aborrecereis o

conhecimento?

23 Tornae-vos á minha reprehensão: eis que abundantemente vos derramarei

[12] _de_ meu espirito _e_ vos farei saber as minhas palavras.

24 Porquanto [13] clamei, e _vós_ recusastes; estendi a minha mão, _e_

não houve quem désse attenção;

25 Mas rejeitastes [14] todo o meu conselho, e não quizestes a minha

reprehensão.

26 Tambem eu me rirei na vossa perdição, _e_ zombarei, vindo o vosso

temor;

27 Vindo como a [15] assolação o vosso temor, e vindo a vossa perdição

como _uma_ tormenta, sobrevindo-vos aperto e angustia.

28 Então a mim clamarão, [16] porém _eu_ não responderei; de madrugada me

buscarão, porém não me acharão.

29 Porquanto aborreceram o conhecimento; e não elegeram o temor do Senhor;

30 Não consentiram ao meu conselho _e_ desprezaram toda a minha

reprehensão.

31 Assim que comerão do fructo do seu caminho, e fartar-se-hão [17] dos

seus _proprios_ conselhos.

32 Porque o desvio dos simplices os matará, e a prosperidade dos loucos

os destruirá.

33 Porém o que me der ouvidos habitará seguramente, e estará descançado

do temor do mal.

[1] II Reis 4.32. cap. 10.1 e 25.1.

[2] cap. 2.1, 9.

[3] cap. 9.4.

[4] cap. 9.9.

[5] cap. 4.1 e 6.20.

[6] cap. 3.22.

[7] Gen. 39.7, etc. Eph. 5.11.

[8] Jer. 5.26.

[9] Isa. 59.7. Rom. 3.15.

[10] cap. 15.27. I Tim. 6.10.

[11] cap. 8.1, etc. e 9.3. João 7.37.

[12] Joel 2.28.

[13] Isa. 65.12 e 66.4. Jer. 7.13. Zac. 7.11.

[14] ver. 3. Luc. 7.30.

[15] cap. 10.24.

[16] Isa. 1.15. Miq. 3.4. Zac. 7.13. Thi. 4.3.

[17] Isa. 3.11. Jer. 6.19.

_A excellencia e vantagem da Sabedoria._

2 Filho meu, se acceitares as minhas palavras, e esconderes [1] comtigo

os meus mandamentos,

2 Para fazeres attento á sabedoria o teu ouvido, _e_ inclinares o teu

coração ao entendimento,

3 E se clamares por entendimento, _e_ por intelligencia alçares a tua voz,

4 Se como a prata a [2] buscares e como a thesouros escondidos a

esquadrinhares,

5 Então entenderás o temor do Senhor, e acharás o conhecimento de Deus.

6 Porque [3] o Senhor _é o que_ dá a sabedoria: da sua bocca _é que sae_

o conhecimento e o entendimento.

7 Elle reserva a verdadeira sabedoria para os rectos: escudo _é_ para os

que caminham na sinceridade.

8 Para que guardem as veredas do juizo: e _elle_ o [4] caminho dos seus

sanctos conservará.

9 Então entenderás justiça, e juizo, e equidades, e todas as boas veredas,

10 Quando a sabedoria entrar no teu coração, e o conhecimento fôr suave á

tua alma.

11 O bom siso te guardará e a [5] intelligencia te conservará;

12 Para te fazer escapar do mau caminho, e do homem que falla coisas

perversas.

13 _Dos_ que deixam as veredas da rectidão, para andarem [6] pelos

caminhos das trevas.

14 _Que_ se alegram [7] de mal fazer, e folgam com as perversidades dos

maus.

15 Cujas veredas _são_ tortuosas e que se desviam nas suas carreiras,

16 Para te fazer escapar da mulher estranha, [8] e da estrangeira _que_

lisongeia com suas palavras.

17 Que deixa [9] o guia da sua mocidade e se esquece do concerto do seu

Deus.

18 Porque a sua casa se inclina para a morte, e as suas veredas para os

defuntos.

19 Todos os que entrarem a ella não tornarão _a sair_, e não atinarão com

as veredas da vida.

20 Para andares pelo caminho dos bons, e guardares as veredas dos justos.

21 Porque os rectos habitarão a terra, e os sinceros permanecerão n’ella.

22 Mas os impios serão arrancados da terra, e os aleivosos serão d’ella

exterminados.

[1] cap. 4.21 e 7.1.

[2] cap. 3.14. Mat. 13.14.

[3] I Reis 3.9, 12. Thi. 1.5.

[4] I Sam. 2.9.

[5] cap. 6.22.

[6] João 3.19, 20.

[7] cap. 10.23. Jer. 11.15. Rom. 1.32.

[8] cap. 5.20. cap. 5.3 e 6.24 e 7.5.

[9] Mal. 2.14, 15.

3 Filho meu, não te esqueças da minha lei, e o teu coração [1] guarde os

meus mandamentos.

2 Porque elles te accrescentarão longura de dias, e annos de vida e paz.

3 Não te desamparem a benignidade e a fidelidade: ata-as [2] ao teu

pescoço; escreve-as na taboa do teu coração.

4 E acharás [3] graça e bom entendimento aos olhos de Deus e dos homens.

5 Confia no Senhor com todo o teu coração, e não te [4] estribes no teu

_proprio_ entendimento.

6 Reconhece-o em todos os teus caminhos, e elle endireitará [5] as tuas

veredas.

7 Não sejas [6] sabio a teus _proprios_ olhos: teme ao Senhor e aparta-te

do mal.

8 _Isto_ será saude para o teu umbigo, e regadura para os teus ossos.

9 Honra [7] ao Senhor com a tua fazenda, e com as primicias de toda a tua

renda.

10 E se encherão [8] os teus celleiros de fartura, e trasbordarão de

mosto os teus lagares.

11 Filho meu, não [9] rejeites a correcção do Senhor, nem te enojes da

sua reprehensão.

12 Porque o Senhor reprehende aquelle a quem ama, assim como [10] o pae

ao filho _a quem_ quer bem.

13 Bemaventurado [11] o homem _que_ acha sabedoria, e o homem _que_

produz intelligencia.

14 Porque melhor _é_ a sua mercadoria do que a mercadoria de prata, e a

sua renda do que o oiro mais fino.

15 Mais preciosa _é_ do que os rubins, e tudo o que [12] mais podes

desejar não se póde comparar a ella.

16 Longura [13] de dias _ha_ na sua _mão_ direita: na sua esquerda

riquezas e honra.

17 Os caminhos d’ella [14] _são_ caminhos de delicias, e todas as suas

veredas paz.

18 _É_ arvore [15] da vida para os que d’ella pegam, e bemaventurados

_são_ todos os que a reteem.

19 O Senhor com sabedoria [16] fundou a terra: preparou os céus com

entendimento.

20 Pelo seu conhecimento [17] se fenderam os abysmos, e as nuvens

distillam o orvalho.

21 Filho meu, não se apartem _estes_ dos teus olhos: guarda a

_verdadeira_ sabedoria e o bom siso;

22 Porque serão vida para a tua alma, e graça para o teu pescoço.

23 Então andarás com confiança pelo teu caminho, e não tropeçará o teu pé.

24 Quando te deitares, [18] não temerás: mas te deitarás e o teu somno

será suave.

25 Não temas o pavor repentino, nem a assolação dos impios quando vier.

26 Porque o Senhor será a tua esperança, e guardará os teus pés de os

prenderem.

27 Não detenhas [19] dos seus donos o bem, tendo na tua mão poder fazel-o.

28 Não digas [20] ao teu proximo: Vae, e torna, e ámanhã _t’o_ darei:

tendo-o _tu_ comtigo.

29 Não maquines mal contra o teu proximo, pois habita comtigo

confiadamente.

30 Não contendas [21] contra alguem sem razão, se te não tem feito mal.

31 Não tenhas inveja do homem violento, nem elejas algum de seus caminhos.

32 Porque o perverso é abominação ao Senhor, mas com os sinceros está o

seu segredo.

33 A maldição do Senhor _habita_ [22] na casa do impio, mas á habitação

dos justos abençoará.

34 Certamente elle escarnecerá [23] dos escarnecedores, mas dará graça

aos mansos.

35 Os sabios herdarão honra, porém os loucos tomam sobre si confusão.

[1] Deu. 8.1 e 30.16, 20.

[2] Exo. 13.9. Deu. 6.8. cap. 6.21 e 7.3. Jer. 17.1. II Cor. 3.3.

[3] I Sam. 2.26. Luc. 2.52. Act. 2.47. Rom. 14.18.

[4] Jer. 9.23.

[5] Jer. 10.23.

[6] Rom. 12.16.

[7] Exo. 22.29 e 23.19 e 34.26. Deu. 26.2, etc. Mal. 3.10, etc.

[8] Deu. 28.8.

[9] Heb. 12.5, 6. Apo. 3.19.

[10] Deu. 8.5.

[11] cap. 8.34, 35. cap. 2.4 e 8.11, 19 e 16.16.

[12] Mat. 13.44.

[13] cap. 8.18.

[14] Mat. 11.29, 30.

[15] Gen. 2.9 e 3.22.

[16] Jer. 10.12 e 51.15.

[17] Gen. 1.9. Deu. 33.28. Job 36.28.

[18] Lev. 26.6.

[19] Rom. 13.7. Gal. 6.10.

[20] Lev. 19.13. Deu. 24.15.

[21] Rom. 12.18.

[22] Zac. 5.4. Mal. 2.2.

[23] Thi. 4.6. I Ped. 5.5.

_Exhortação a adquirir a Sabedoria e apartar-se do caminho dos impios._

4 Ouvi, filhos, a correcção do pae, e estae attentos para conhecerdes a

prudencia.

2 Pois dou-vos boa doutrina: não deixeis a minha lei.

3 Porque eu era filho de meu pae: tenro, [1] e unico diante de minha mãe.

4 E elle ensinava-me, [2] e dizia-me: Retenha as minhas palavras o teu

coração: guarda [3] os meus mandamentos, e vive.

5 Adquire [4] a sabedoria, adquire a intelligencia, _e_ não te esqueças

nem te apartes das palavras da minha bocca.

6 Não a desampares, e ella te guardará: ama-a, [5] e ella se te

conservará.

7 O principio da sabedoria _é_ adquirir a sabedoria: adquire _pois_ a

sabedoria, e com toda a tua possessão adquire o entendimento.

8 Exalta-a, [6] e ella te exaltará; _e_, abraçando-a tu, ella te honrará.

9 Dará á tua cabeça [7] um diadema de graça _e_ uma corôa de gloria te

entregará.

10 Ouve, filho meu, e acceita as minhas palavras, e se te multiplicarão

os annos [8] de vida.

11 No caminho da sabedoria te ensinei, _e_ pelas carreiras direitas te

fiz andar.

12 Por ellas andando, não se estreitarão os teus passos; e, se correres,

não tropeçarás.

13 Pega-te á correcção _e_ não _a_ largues: guarda-a, porque ella _é_ a

tua vida.

14 Não entres [9] na vereda dos impios, nem andes pelo caminho dos maus.

15 Rejeita-o; não passes por elle: desvia-te d’elle e passa de largo.

16 Pois [10] não dormem, se não fizerem mal, e foge d’elles o somno se

não fizerem tropeçar _alguem_.

17 Porque comem o pão da impiedade, e bebem o vinho das violencias.

18 Porém a vereda [11] dos justos _é_ como a luz resplandecente _que_ vae

adiante e alumia até ao dia perfeito.

19 O caminho [12] dos impios _é_ como a escuridão: nem sabem em que

tropeçarão.

20 Filho meu, attenta para as minhas palavras: ás minhas razões inclina o

teu ouvido.

21 Não [13] as deixes apartar-se dos teus olhos: guarda-as no meio do teu

coração.

22 Porque são vida para os que as acham, e saude [14] para todo o seu

corpo.

23 Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque d’elle

_procedem_ as saidas da vida.

24 Desvia de ti a tortuosidade da bocca, e alonga de ti a perversidade

dos beiços.

25 Os teus olhos olhem direitos, e as tuas palpebras olhem directamente

diante de ti.

26 Pondera a vereda de teus pés, e todos os teus caminhos sejam bem

ordenados!

27 Não declines [15] nem para a direita nem para a esquerda: retira o teu

pé do mal.

[1] I Chr. 29.1.

[2] I Chr. 28.9. Eph. 6.4.

[3] cap. 7.2.

[4] cap. 2.2, 3.

[5] II The. 2.10.

[6] I Sam. 2.30.

[7] cap. 1.9 e 3.22.

[8] cap. 3.2.

[9] cap. 1.10, 15.

[10] Isa. 57.20.

[11] Mat. 5.14, 45. II Sam. 23.4.

[12] I Sam. 2.9. Job 18.5, 6. Isa. 59.9, 10. Jer. 23.12. João 12.35.

[13] cap. 3.3, 21. cap. 2.1.

[14] cap. 3.8 e 12.18.

[15] Deu. 5.32 e 28.14. Jos. 1.7. Isa. 1.16. Rom. 12.9.

5 Filho meu, attende á minha sabedoria: á minha intelligencia inclina o

teu ouvido;

2 Para que conserves [RZ] os meus avisos e os teus beiços guardem o [1]

conhecimento.

3 Porque [2] os labios da estranha distillam favos de mel, e o seu

palladar _é_ mais macio do que o azeite.

4 Porém o seu fim é amargoso como o absinthio, agudo [3] como a espada de

dois fios.

5 Os seus pés [4] descem á morte: os seus passos pegam no [SA] inferno.

6 Para que não ponderes a vereda da vida, são as suas carreiras

variaveis, e não saberás _d’ellas_.

7 Agora, pois, filhos, dae-me ouvidos, e não vos desvieis das palavras da

minha bocca.

8 Alonga d’ella o teu caminho, e não chegues á porta da sua casa;

9 Para que não dês a outros a tua honra, nem os teus annos a crueis.

10 Para que não se fartem os estranhos [SB] do teu poder, e _todos os_

teus afadigados trabalhos _não entrem_ na casa do estrangeiro,

11 E gemas no teu fim, consumindo-se a tua carne e o teu corpo.

12 E digas: Como aborreci [5] a correcção! e desprezou o meu coração a

reprehensão!

13 E não escutei a voz dos meus ensinadores, nem a meus mestres inclinei

o meu ouvido!

14 Quasi que em todo o mal me achei no meio da congregação e do

ajuntamento.

15 Bebe agua da tua cisterna, e das correntes do teu poço.

16 Derramem-se por de fóra as tuas fontes, _e_ pelas ruas os ribeiros

d’aguas.

17 Sejam para ti só, e não para os estranhos comtigo.

18 Seja bemdito o teu manancial, e alegra-te [6] da mulher da tua

mocidade.

19 Como serva amorosa, e gazella graciosa, os seus peitos te saciarão em

todo o tempo: e pelo seu amor sejas attrahido perpetuamente.

20 E porque, filho meu, andarias attrahido pela estranha, e abraçarias

[7] o seio da estrangeira?

21 Porque os caminhos [8] do homem _estão_ perante os olhos do Senhor, e

_elle_ pesa todas as suas carreiras.

22 Quanto ao impio, as suas iniquidades o prenderão, e com as cordas do

seu peccado será detido.

23 Elle morrerá, [9] porque sem correcção andou, e pelo excesso da sua

loucura andará errado.

[1] Mal. 2.7.

[2] cap. 2.16 e 6.24.

[3] Heb. 4.12.

[4] cap. 7.27.

[5] cap. 1.29. cap. 1.25 e 12.1.

[6] Mal. 2.14.

[7] cap. 2.16 e 7.5.

[8] II Chr. 16.9. Jer. 16.17 e 32.19. Heb. 4.13.

[9] Job 4.21 e 36.12.

_Advertencia contra o servir de fiador, contra a preguiça e contra a

maldade._

6 Filho meu, se ficaste por fiador do teu companheiro, _se_ déste a tua

mão ao estranho,

2 Enredaste-te com as palavras da tua bocca: prendeste-te com as palavras

da tua bocca.

3 Faze pois isto agora, filho meu, e livra-te, pois já caiste nas mãos do

teu companheiro; vae, humilha-te, e aperta com o teu companheiro.

4 Não dês somno aos teus olhos, nem adormecimento ás tuas palpebras.

5 Livra-te como [SC] o corço da mão do passarinheiro.

6 Vae-te á formiga, [1] ó preguiçoso: olha para os seus caminhos, e sê

sabio.

7 A qual, não tendo [SD] superior, _nem_ official, nem dominador.

8 Prepara no verão o seu pão: na sega ajunta o seu mantimento.

9 Oh! preguiçoso, até quando [2] ficarás deitado? quando te levantarás do

teu somno?

10 Um pouco de somno, um pouco tosquenejando; um pouco encruzando as

mãos, para estar deitado.

11 Assim _te_ sobrevirá a tua [3] pobreza como o caminhante, e a tua

necessidade como um homem armado.

12 O homem de [SE] Belial, o homem vicioso, anda em perversidade de bocca.

13 Acena com os olhos, falla com os pés, ensina com os dedos.

14 Perversidade _ha_ no seu coração, todo o tempo maquina mal: anda

semeando contendas.

15 Pelo que a sua destruição virá repentinamente: subitamente será

quebrantado, [4] sem que _haja_ cura.

16 Estas seis coisas aborrece o Senhor, e sete a sua alma abomina:

17 Olhos altivos, lingua mentirosa, e mãos [5] que derramam sangue

innocente:

18 O coração [6] que maquina pensamentos viciosos; pés que se apressam a

correr para o mal;

19 A testemunha falsa que respira mentiras: e o que semeia [7] contendas

entre irmãos.

_O mancebo é advertido contra a mulher adultera._

20 Filho meu, guarda [8] o mandamento de teu pae, e não deixes a lei de

tua mãe;

21 Ata-os [9] perpetuamente ao teu coração, e pendura-os ao teu pescoço.

22 Quando caminhares, [10] te guiará; quando te deitares, te guardará;

quando acordares, ella fallará comtigo.

23 Porque o mandamento _é uma_ lampada, e a lei _uma_ luz: e as

reprehensões da correcção são o caminho da vida.

24 Para te guardarem [11] da má mulher, _e_ das lisonjas da lingua

estranha.

25 Não cubices [12] no teu coração a sua formosura, nem te prendas com os

seus olhos.

26 Porque por causa _d’uma_ mulher prostituta _se chega_ a _pedir_ um

bocado de pão; e a mulher dada a homens [13] anda á caça da preciosa alma.

27 _Porventura_ tomará alguem fogo no seu seio, sem que os seus vestidos

se queimem?

28 _Ou_ andará alguem sobre as brazas, sem que se queimem os seus pés?

29 Assim _será_ o que entrar á mulher do seu proximo: não ficará

innocente todo aquelle que a tocar.

30 Não injuriam ao ladrão, quando furta, para saciar a sua alma, tendo

fome;

31 Mas, achado, pagará [14] sete vezes tanto: dará toda a fazenda de sua

casa.

32 _Porém_ o que adultéra com uma mulher _é_ falto de entendimento;

destroe a sua alma, [15] o _que_ tal faz.

33 Achará castigo e vilipendio, e o seu opprobrio nunca se apagará.

34 Porque ciumes _são_ furores do marido, e de maneira nenhuma perdoará

no dia da vingança.

35 Nenhum resgate acceitará, nem consentirá, ainda que augmentes os

presentes.

[1] Job 12.7.

[2] cap. 24.33, 34.

[3] cap. 10.4 e 13.4 e 20.4.

[4] Jer. 19.11. II Chr. 36.16.

[5] Isa. 1.15.

[6] Gen. 6.5. Isa. 59.7. Rom. 3.15.

[7] ver. 14.

[8] cap. 1.8. Eph. 6.1.

[9] cap. 3.3 e 7.3.

[10] cap. 3.23, 24. cap. 2.11.

[11] cap. 2.16 e 5.3 e 7.5.

[12] Mat. 5.28. cap. 29.3.

[13] Gen. 39.14. Eze. 13.18.

[14] Exo. 22.1, 4.

[15] cap. 7.7.

7 Filho meu, guarda as minhas palavras, e esconde [1] dentro de ti os

meus mandamentos.

2 Guarda [2] os meus mandamentos, e vive; e a minha lei, como as meninas

dos teus olhos.

3 Ata-os [3] aos teus dedos, escreve-os na taboa do teu coração.

4 Dize á sabedoria, Tu _és_ minha irmã; e á prudencia chama parenta.

5 Para te guardarem [4] da mulher alheia, da estrangeira, _que_ lisongeia

com as suas palavras.

6 Porque da janella da minha casa, por minhas grades olhando _eu_,

7 Vi entre os simplices, descobri entre os moços, _um_ mancebo falto de

juizo,

8 Que passava pela rua junto á sua esquina, e seguia o caminho da sua

casa;

9 No crepusculo, [5] á tarde do dia, na tenebrosa noite e na escuridão;

10 E eis que _uma_ mulher lhe _saiu_ ao encontro, com enfeites de

prostituta, e astuta de coração:

11 Esta _era_ alvoroçadora, [6] e contenciosa; não paravam em sua casa os

seus pés;

12 Agora por fóra, depois pelas ruas, e espreitando por todos os cantos:

13 E pegou d’elle, e o beijou; esforçou o seu rosto, e disse-lhe:

14 Sacrificios pacificos _tenho_ comigo; hoje paguei os meus votos.

15 Por isto sahi ao encontro a buscar diligentemente a tua face, e te

achei.

16 Já cobri a minha cama com cobertas de tapeçaria, com obras lavradas

com linho fino do [7] Egypto.

17 Já perfumei o meu leito com myrrha, aloes, e canella.

18 Vem, saciemo-nos de amores até pela manhã: alegremo-nos com amores.

19 Porque _já_ o marido não _está_ em sua casa: foi fazer _uma_ jornada

ao longe:

20 _Um_ saquitel de dinheiro levou na sua mão: ao dia apontado virá a sua

casa.

21 Seduziu-o com a multidão [8] das suas palavras, com as lisonjas dos

seus labios o persuadiu.

22 Segue-a logo, como boi que vae ao matadouro, e como _o_ louco ao

castigo das prisões;

23 Até que a frecha lhe atravesse o figado, como a ave [9] que se apressa

para o laço, e não sabe que está _armado_ contra a sua vida.

24 Agora pois, filhos, dae-me ouvidos, e estae attentos ás palavras da

minha bocca.

25 Não se desvie para os seus caminhos o teu coração, e não andes perdido

nas suas veredas.

26 Porque a muitos feridos derribou; e são muitissimos [10] os que por

ella foram mortos.

27 Caminhos da sepultura _são_ [11] a sua casa, que descem ás camaras da

morte.

[1] cap. 2.1.

[2] Lev. 18.5. cap. 4.4. Isa. 55.3. Deu. 32.10.

[3] Deu. 6.8 e 11.18. cap. 3.3 e 6.21.

[4] cap. 2.16 e 5.3 e 6.24. cap. 6.32.

[5] Job 24.51.

[6] cap. 9.13. I Tim. 5.18. Tito 2.5.

[7] Isa. 19.9.

[8] cap. 5.3.

[9] Ecc. 9.12.

[10] Neh. 13.26.

[11] cap. 2.18 e 5.5 e 9.18.

_A excellencia e justiça dos preceitos da Sabedoria._

8 Não clama _porventura_ a [1] sabedoria, e a intelligencia não dá a sua

voz?

2 No cume das alturas, junto ao caminho, nas encruzilhadas das veredas se

põe.

3 Da banda das portas _da_ cidade, á entrada da cidade, _e_ á entrada das

portas está gritando.

4 A vós, ó homens, clamo; e a minha voz _se dirige_ aos filhos dos homens.

5 Entendei, ó simplices, a prudencia: e _vós_, loucos, entendei _do_

coração.

6 Ouvi, porque [2] fallarei coisas excellentes: os meus labios se abrirão

para a equidade.

7 Porque a minha bocca proferirá a verdade, e os meus labios abominam a

impiedade.

8 Em justiça _estão_ todas as palavras da minha bocca: não _ha_ n’ellas

nenhuma coisa tortuosa nem perversa.

9 Todas ellas _são_ rectas para o que _bem as_ entende, e justas para os

que acham o conhecimento.

10 Acceitae a minha correcção, e não a prata: e o conhecimento, mais do

que o oiro fino escolhido.

11 Porque [3] melhor _é_ a sabedoria do que os rubins; e tudo o que

_mais_ se deseja não se pode comparar com ella.

12 Eu, a sabedoria, habito _com_ a prudencia, e acho a sciencia dos

conselhos.

13 O [4] temor do Senhor _é_ aborrecer o mal: a soberba, e a arrogancia,

e o mau caminho, e a bocca perversa, aborreço.

14 Meu é o conselho e _verdadeira_ sabedoria: eu _sou_ o entendimento,

minha _é_ [5] a fortaleza.

15 Por mim reinam [6] os reis e os principes ordenam justiça.

16 Por mim dominam os dominadores, e principes, todos os juizes da terra.

17 Eu amo [7] aos que me amam, e os que de madrugada me buscam me acharão.

18 Riquezas e honra _estão_ comigo; [8] _como tambem_ opulencia duravel e

justiça.

19 Melhor _é_ o meu fructo do [9] que o fino oiro e do que o oiro

refinado, e as minhas novidades do que a prata escolhida.

20 Faço andar pelo caminho da justiça, no meio das veredas do juizo.

21 Para que faça herdar bens permanentes aos que me amam, e _eu_ encha os

seus thesouros.

_A Sabedoria existiu desde a eternidade._

22 O Senhor me possuiu [10] no principio de seus caminhos, desde então,

_e_ antes de suas obras.

23 Desde a eternidade fui ungida, desde o principio, antes do começo da

terra.

24 Quando _ainda_ não havia abysmos, fui gerada, quando ainda não havia

fontes carregadas d’aguas.

25 Antes [11] que os montes se houvessem assentado, antes dos outeiros,

eu era gerada.

26 Ainda não tinha feito a terra, nem os campos, nem o principio dos mais

miudos do mundo.

27 Quando preparava os céus, ahi _estava_ eu, quando compassava ao redor

a face do abysmo,

28 Quando affirmava as nuvens de cima, quando fortificava as fontes do

abysmo,

29 Quando [12] punha ao mar o seu termo, para que as aguas não

trespassassem o seu mando, quando compunha os fundamentos da terra.

30 Então _eu_ estava [13] com elle por alumno: e _eu_ era cada dia as

_suas_ delicias, folgando perante elle em todo o tempo;

31 Folgando no seu mundo habitavel, e _achando_ as minhas delicias com os

filhos dos homens.

32 Agora, pois, filhos, [14] ouvi-me, porque bemaventurados _serão os

que_ guardarem os meus caminhos.

33 Ouvi a correcção, e sêde sabios, e não a rejeiteis.

34 Bemaventurado [15] o homem que me dá ouvidos, velando ás minhas portas

cada dia, esperando ás hombreiras das minhas entradas.

35 Porque o que me achar achará a vida, [16] e alcançará favor do Senhor.

36 Mas o que peccar _contra_ mim violentará a sua [17] _propria_ alma:

todos os que me aborrecem amam a morte.

[1] cap. 1.20 e 9.3.

[2] cap. 22.20.

[3] Job 28.15, etc.

[4] cap. 16.6. cap. 6.17. cap. 4.24.

[5] Ecc. 7.19.

[6] Dan. 2.21. Rom. 13.1.

[7] I Sam. 2.30. João 14.21.

[8] cap. 3.16. Mat. 6.33.

[9] cap. 3.14. ver. 10.

[10] cap. 3.19. João 1.1.

[11] Job 15.7, 8.

[12] Gen. 1.9, 10. Job 38.10, 11. Jer. 5.22.

[13] João 1.1, 2, 18.

[14] Luc. 11.28.

[15] cap. 3.13, 18.

[16] cap. 12.2.

[17] cap. 20.2.

_O banquete da Sabedoria._

9 A Sabedoria já edificou [1] a sua casa, já lavrou as suas sete columnas.

2 Já sacrificou as [2] suas victimas, misturou o seu vinho: e já preparou

a sua mesa.

3 Já mandou [3] as suas creadas, já anda convidando desde as alturas da

cidade, _dizendo_:

4 Quem é simples, [4] volte-se para aqui. Aos faltos d’entendimento diz:

5 Vinde, [5] comei do meu pão, e bebei do vinho _que_ tenho misturado.

6 Deixae a parvoice, e vivei; e andae pelo caminho do entendimento.

7 O que reprehende ao escarnecedor, affronta toma para si; e o que

redargue ao impio, _pega-se-lhe_ a sua mancha.

8 Não reprehendas ao escarnecedor, para que te não aborreça: reprehende

ao sabio, e amar-te-ha.

9 Dá ao sabio, e elle se fará mais sabio: ensina ao justo, e se

augmentará em doutrina.

10 O temor do Senhor _é_ o principio da sabedoria, e a sciencia do Sancto

a prudencia.

11 Porque [6] por mim se multiplicam os teus dias, e annos de vida se te

augmentarão.

12 Se fores sabio, para ti sabio serás; e, se fores escarnecedor, tu só

_o_ supportarás.

13 A mulher louca é alvoroçadora, _é_ simples, e não sabe coisa nenhuma.

14 E assenta-se á porta da sua casa sobre uma cadeira, nas alturas da

cidade,

15 Para chamar aos que passam pelo caminho, e endireitam as suas veredas,

_dizendo_:

16 Quem _é_ simples, volte-se para aqui. E aos faltos de entendimento diz:

17 As aguas roubadas são doces, e o pão _tomado_ ás escondidas é suave.

18 Porém não sabes que ali _estão_ os mortos: os seus convidados _estão_

nas profundezas do inferno.

[1] Mat. 16.18. Eph. 2.20, 21, 22. I Ped. 2.5.

[2] Mat. 22.3, etc. ver. 5. cap. 23.30.

[3] Rom. 10.15. cap. 8.1, 2. ver. 14.

[4] ver. 16. cap. 6.32. Mat. 11.25.

[5] ver. 2. Can. 5.1. Isa. 55.1.

[6] cap. 3.2, 16 e 10.27.

_Proverbios ácerca de varios assumptos._

10 Proverbios de Salomão. O filho sabio alegra a seu pae, mas o filho

louco _é_ a tristeza de sua mãe.

2 Os thesouros [1] da impiedade de nada aproveitam; porém a justiça livra

da morte.

3 O Senhor não deixa ter fome a alma do justo, mas a fazenda dos impios

rechaça.

4 O que trabalha com mão enganosa [2] empobrece, mas [3] a mão dos

diligentes enriquece.

5 O que ajunta no verão _é_ filho entendido, _mas_ o que dorme na sega

_é_ filho que faz envergonhar.

6 Bençãos _ha_ sobre a cabeça do justo, mas a violencia [4] cobre a bocca

dos impios.

7 A memoria do justo é abençoada, mas o nome dos impios apodrecerá.

8 O sabio de coração acceita os mandamentos, mas o louco de labios será

transtornado.

9 Quem anda [5] em sinceridade, anda seguro; mas o que perverte os seus

caminhos será conhecido.

10 O que acena com os olhos dá dôres, e o tolo de labios será

transtornado.

11 A bocca do justo é fonte de vida, mas a bocca dos impios cobre a

violencia.

12 O odio excita [6] contendas, mas o amor cobre todas as transgressões.

13 Nos labios do entendido se acha a sabedoria, mas a vara é para as

costas do falto de entendimento.

14 Os sabios escondem a sabedoria; mas a bocca [7] do tolo _está_ perto

da ruina.

15 A fazenda [8] do rico _é_ a cidade da sua fortaleza: a pobreza dos

pobres _é_ a sua ruina.

16 A obra do justo _conduz_ á vida, as novidades do impio ao peccado.

17 O caminho para a vida _é_ d’aquelle que guarda a correcção, mas o que

deixa a reprehensão faz errar.

18 O que encobre o odio _tem_ labios falsos, e o que produz má fama é

_um_ insensato.

19 Na [9] multidão de palavras não ha falta de transgressão, mas o que

modera os seus labios _é_ prudente.

20 Prata escolhida _é_ a lingua do justo: o coração dos impios _é_ de

nenhum preço.

21 Os labios do justo apascentam a muitos, mas os tolos, por falta de

entendimento, morrem.

22 A benção [10] do Senhor é a que enriquece; e não lhe accrescenta dôres.

23 Como brincadeira [11] _é_ para o tolo fazer abominação, mas sabedoria

[12] para o homem entendido.

24 O temor do impio virá sobre elle, mas o desejo dos justos [13] _Deus

lhe_ cumprirá.

25 Como passa a tempestade, assim o impio _mais_ não _é_; mas o justo

[14] _tem_ perpetuo fundamento.

26 Como vinagre para os dentes, como o fumo para os olhos, assim _é_ o

preguiçoso para aquelles que o mandam.

27 O temor do Senhor augmenta os dias, mas os annos dos impios serão

abreviados.

28 A esperança dos justos _é_ alegria, mas a expectação dos impios

perecerá.

29 O caminho do Senhor _é_ fortaleza para os rectos, mas ruina será para

os que obram iniquidade.

30 O justo nunca jámais será abalado, mas os impios não habitarão a terra.

31 A bocca do justo em abundancia produz sabedoria, mas a lingua da

perversidade será desarreigada.

32 Os beiços do justo sabem o que agrada, mas a bocca dos impios _anda

cheia de_ perversidades.

[1] Luc. 12.19, 20.

[2] cap. 12.24 e 19.15.

[3] cap. 13.4 e 21.5.

[4] ver. 11. Est. 7.8.

[5] Isa. 33.15, 16. ver. 8.

[6] cap. 17.9. I Cor. 13.4. I Ped. 4.8.

[7] cap. 18.7 e 21.23.

[8] Job 31.24. cap. 18.11. I Tim. 6.17.

[9] Ecc. 5.3, 5. Thi. 3.2.

[10] Gen. 24.35 e 26.12.

[11] cap. 14.9 e 15.21.

[12] Job 15.21.

[13] Mat. 5.6. I João 5.14, 15.

[14] Mat. 7.24, 25 e 16.18.

11 Balança [1] enganosa _é_ abominação ao Senhor, mas o peso justo o seu

prazer.

2 Vinda a soberba, [2] virá tambem a affronta; mas com os humildes está a

sabedoria.

3 A sinceridade [3] dos sinceros os encaminhará, mas a perversidade dos

aleives os destruirá.

4 Não aproveitam as [4] riquezas no dia da indignação, mas a justiça

livra da morte.

5 A justiça do sincero endireitará o seu caminho, mas o impio pela sua

impiedade cairá.

6 A justiça dos virtuosos os livrará, mas na sua perversidade serão

apanhados os iniquos.

7 Morrendo o homem [5] impio perece a _sua_ expectação, e a esperança dos

injustos se perde.

8 O justo [6] é livre da angustia, e o impio vem em seu logar.

9 O hypocrita [7] com a bocca destroe ao seu companheiro, mas os justos

são livres pelo conhecimento.

10 No bem dos justos [8] exulta a cidade; e, perecendo os impios, ha

jubilo.

11 Pela benção dos sinceros se exalta [9] a cidade, mas pela bocca dos

impios se derriba.

12 O que carece de entendimento despreza a seu companheiro, mas o homem

bem entendido cala-se.

13 O que anda [10] praguejando descobre o segredo, mas o fiel de espirito

encobre o negocio.

14 Não havendo sabios conselhos, o povo cae, [11] mas na multidão de

conselheiros ha segurança.

15 Decerto [SF] soffrerá severamente aquelle que fica por fiador do

estranho, mas o que aborrece aos que dão as mãos _estará_ seguro.

16 A mulher aprazivel [12] guarda a honra, como os violentos guardam as

riquezas.

17 O homem benigno [13] faz bem á sua propria alma, mas o cruel perturba

a sua _propria_ carne.

18 O impio [SG] faz obra falsa, mas _para_ [14] o que semeia justiça

_haverá_ galardão fiel.

19 Como a justiça _encaminha_ para a vida, assim o que segue o mal _vae_

para a sua morte.

20 Abominação _são_ ao Senhor os perversos de coração, mas os sinceros de

caminho são o seu deleite.

21 _Ainda que_ o mau _junte_ mão [15] á mão, não será inculpavel, mas a

semente dos justos escapará.

22 Como joia de oiro na tromba da porca, _assim é_ a mulher formosa, que

se aparta da [SH] razão.

23 O desejo dos justos tão sómente _é_ o bem, mas a esperança [16] dos

impios _é_ a indignação.

24 _Alguns_ ha que espalham, e _ainda_ se _lhes_ accrescenta mais, e

_outros_ que reteem mais do _que é_ justo, mas _é_ para _a sua_ perda.

25 A alma [17] abençoante engordará, e o que regar, elle tambem será

regado.

26 Ao que retem [18] o trigo o povo amaldiçoa, mas benção _haverá_ sobre

a cabeça do vendedor.

27 O que busca cedo o bem busca favor, [19] porém o que procura o mal _a

esse_ lhe sobrevirá.

28 Aquelle [20] que confia nas suas riquezas cairá, mas os justos [21]

reverdecerão como a rama.

29 O que perturba a sua casa herdará o vento, e o tolo _será_ servo do

entendido de coração.

30 O fructo do justo _é_ arvore de vida, e o que ganha almas [22] sabio

_é_.

31 Eis que [23] o justo é recompensado na terra; quanto mais _o será_ o

impio e o peccador.

[1] Lev. 19.35, 36. Deu. 25.13, 16. cap. 16.11 e 20.10, 23.

[2] cap. 15.33 e 16.18 e 18.12.

[3] cap. 13.6.

[4] Eze. 7.19. Sof. 1.18. Gen. 7.1.

[5] cap. 10.28.

[6] cap. 21.18.

[7] Job 8.13.

[8] Est. 8.15. cap. 28.12, 28.

[9] cap. 29.8.

[10] Lev. 19.16. cap. 10.19.

[11] I Reis 12.1, etc. cap. 15.22 e 24.6.

[12] cap. 31.30.

[13] Mat. 5.7 e 25.34, etc.

[14] Ose. 10.12. Gal. 6.8, 9. Thi. 3.18.

[15] cap. 16.5.

[16] Rom. 2.8, 9.

[17] II Cor. 9.6, 7, 8, 9, 10.

[18] Amós 8.5, 6. Job 29.13.

[19] Est. 7.10.

[20] Mar. 10.24. Luc. 12.21. I Tim. 6.17.

[21] Jer. 17.8.

[22] Dan. 12.3. I Cor. 9.19, etc. Thi. 5.20.

[23] Jer. 25.29. I Ped. 4.17, 18.

12 O que ama a correcção ama o conhecimento, mas o que aborrece a

reprehensão _é_ brutal.

2 O homem de bem alcançará o favor do Senhor, mas ao homem de perversas

imaginações elle condemnará.

3 O homem não se estabelecerá pela impiedade, mas a raiz dos justos não

será removida.

4 A mulher virtuosa [1] _é_ a corôa do seu senhor, mas a que faz vergonha

_é_ como apodrecimento nos seus ossos.

5 Os pensamentos dos justos _são_ juizo, _mas_ os conselhos dos impios

engano.

6 As palavras dos impios _são_ de armarem ciladas ao sangue, mas a bocca

dos rectos os fará escapar.

7 Transtornados [2] serão os impios, e não serão _mais_, mas a casa dos

justos permanecerá.

8 Segundo o seu entendimento, será louvado cada qual, mas o perverso de

coração estará em desprezo.

9 Melhor _é_ o que se estima em pouco, e tem servos, do que o que se

honra _a si mesmo_ e tem falta de pão.

10 O justo attende [3] pela vida dos seus animaes, mas as misericordias

dos impios _são_ crueis.

11 O que [4] lavra a sua terra se fartará de pão mas o que segue os

ociosos _está_ falto de juizo.

12 Deseja o impio a rede dos males, mas a raiz dos justos produz o _seu_

fructo.

13 O laço do impio está na transgressão dos labios, mas o [5] justo sairá

da angustia.

14 Do fructo da bocca cada um se farta de bem, e a recompensa [6] das

mãos dos homens se lhe tornará.

15 O caminho [7] do tolo _é_ recto aos seus olhos, mas o que dá ouvidos

ao conselho _é_ sabio.

16 A ira do louco se conhece no mesmo dia, mas o avisado encobre a

affronta.

17 O que produz a verdade manifesta a justiça, mas a testemunha da

falsidade o engano.

18 Ha _alguns_ que fallam _palavras_ como estocadas de espada, mas a

lingua dos sabios _é_ saude.

19 O labio de verdade ficará para sempre, mas a lingua de falsidade

_dura_ por um _só_ momento.

20 Engano _ha_ no coração dos que maquinam mal, mas alegria _teem_ os que

aconselham a paz.

21 Nenhum aggravo sobrevirá ao justo, mas os impios ficam cheios de mal.

22 Os labios mentirosos [8] _são_ abominaveis ao Senhor, mas os que obram

fielmente _são o_ seu deleite.

23 O homem avisado encobre o conhecimento, mas o coração dos tolos

proclama a estulticia.

24 A mão dos diligentes dominará, mas os enganadores serão tributarios.

25 A solicitude no coração do homem o abate, mas _uma_ boa palavra o

alegra.

26 [SI] Mais excellente é o justo do que o companheiro, mas o caminho dos

impios os faz errar.

27 O preguiçoso não assará a sua caça, mas o precioso bem do homem _é_

ser diligente.

28 Na vereda da justiça _está_ a vida, e _no_ caminho da sua carreira não

_ha_ morte.

[1] I Cor. 11.7. cap. 14.30.

[2] Mat. 7.24, 25, 26, 27.

[3] Deu. 5.4.

[4] Gen. 3.19. cap. 28.49.

[5] II Ped. 2.9.

[6] Isa. 3.10, 11.

[7] cap. 3.7. Luc. 18.11.

[8] Apo. 22.15.

13 O filho sabio _ouve_ a correcção do pae; mas o escarnecedor [1] não

ouve a reprehensão.

2 Do fructo [2] da bocca cada um comerá o bem, mas a alma dos

prevaricadores _comerá_ a violencia.

3 O que [3] guarda a sua bocca conserva a sua alma, _mas_ o que dilata os

seus labios tem perturbação.

4 A alma do preguiçoso deseja, e coisa nenhuma _alcança_, mas a alma dos

diligentes se engorda.

5 O justo aborrece a palavra de mentira, mas o impio se faz vergonha, e

se confunde.

6 A justiça [4] guarda ao sincero de caminho, mas a impiedade

transtornará o peccador.

7 Ha _alguns_ que se fazem ricos, e não _teem_ coisa nenhuma, _e outros_

que se fazem pobres e _teem_ muita fazenda.

8 O resgate da vida de cada um são as suas riquezas, mas o pobre não ouve

as ameaças.

9 A luz dos justos alegra, mas a candeia dos impios se apagará.

10 Da soberba só provém a contenda, mas com os que se aconselham _se

acha_ a sabedoria.

11 A fazenda _que procede_ da vaidade se diminuirá, mas quem _a_ ajunta

com a mão _a_ augmentará.

12 A esperança deferida enfraquece o coração, mas o desejo chegado é

arvore de vida.

13 O que despreza a [5] palavra perecerá, mas o que teme o mandamento

será galardoado.

14 A doutrina [6] do sabio _é uma_ fonte de vida para se desviar dos

laços da morte.

15 O bom entendimento [SJ] dá graça, mas o caminho dos prevaricadores _é_

aspero.

16 Todo o prudente [7] obra com conhecimento, mas o tolo espraia a _sua_

loucura.

17 O impio mensageiro cae no mal, mas o embaixador fiel _é_ saude.

18 Pobreza e affronta _virão_ ao que rejeita a correcção, mas o que

guarda a reprehensão será venerado.

19 O desejo que se cumpre deleita a alma, mas apartar-se do mal _é_

abominavel para os loucos.

20 O que anda com os sabios, ficará sabio, mas o companheiro dos tolos

[SK] soffrerá severamente.

21 O mal perseguirá aos peccadores, mas os justos serão galardoados com

bem.

22 O homem de bem deixa uma herança aos filhos de _seus_ filhos, mas a

fazenda [8] do peccador se deposita para o justo.

23 A lavoura dos pobres _dá_ abundancia de mantimento, mas _alguns_ ha

que se consomem por falta de juizo.

24 O que retem [9] a sua vara aborrece a seu filho, mas o que o ama

madruga a castigal-o.

25 O justo come até fartar-se a sua alma, mas o ventre dos impios terá

necessidade.

[1] I Sam. 2.25.

[2] cap. 12.14.

[3] Thi. 3.2.

[4] cap. 11.3, 5, 6.

[5] II Chr. 36.16.

[6] cap. 10.11 e 14.27 e 16.22. II Sam. 22.6.

[7] cap. 12.23 e 15.2.

[8] Job 27.16, 17. cap. 28.8. Ecc. 2.26.

[9] cap. 19.18 e 22.15 e 23.13 e 29.15, 17.

14 Toda a mulher sabia edifica [1] a sua casa: mas a tola a derriba com

as suas mãos.

2 O que anda na sua sinceridade teme ao Senhor, mas o que se desvia de

seus caminhos o [2] despreza.

3 Na bocca do tolo _está_ a vara da soberba, mas [3] os labios dos sabios

os conservam.

4 Não havendo bois, a mangedoura _está_ limpa, mas pela força do boi _ha_

abundancia de colheitas.

5 A testemunha [4] verdadeira não mentirá, mas a testemunha falsa se

desboca _em_ mentiras.

6 O escarnecedor busca sabedoria, e nenhuma _acha_, mas para o prudente o

conhecimento é facil.

7 Vae-te de diante do homem insensato, porque _n’elle_ não divisarás os

labios do conhecimento.

8 A sabedoria do prudente _é_ entender o seu caminho, mas a estulticia

dos tolos _é_ engano.

9 Os loucos [5] zombam do peccado, mas entre os rectos _ha_ benevolencia.

10 O coração conhece a sua propria amargura, e o estranho não se

entremetterá na sua alegria.

11 A casa [6] dos impios se desfará, mas a tenda dos rectos florescerá.

12 Ha [7] caminho _que_ ao homem _parece_ direito, mas o fim d’elle _são_

os caminhos da morte.

13 Até no riso terá dôr o coração, e o fim da alegria _é_ tristeza.

14 Dos seus caminhos se fartará [8] o que declina no coração, mas o homem

bom se fartará de si mesmo.

15 O simples dá credito a cada palavra, mas o prudente attenta para os

seus passos.

16 O sabio teme, [9] e desvia-se do mal, mas o tolo se encoleriza, e

dá-se por seguro.

17 O que presto se indigna, fará doidices, e o homem de más imaginações

será aborrecido.

18 Os simplices herdarão a estulticia, mas os prudentes _se_ coroarão de

conhecimento.

19 Os máus se inclinaram diante dos bons, e os impios diante das portas

do justo.

20 O [10] pobre é aborrecido até do companheiro, porém os amigos dos

ricos _são_ muitos.

21 O que despreza ao seu companheiro pecca, mas o que se compadece dos

humildes _é_ bemaventurado.

22 _Porventura_ não erram os que obram o mal? mas beneficencia e

fidelidade _serão_ para os que obram o bem.

23 Em todo o trabalho proveito ha, mas a palavra dos labios só

_encaminha_ á pobreza.

24 A corôa dos sabios _é_ a sua riqueza, a estulticia dos tolos é só

estulticia.

25 A testemunha verdadeira livra as almas, mas o que se desboca _em_

mentiras _é_ enganador.

26 No temor do Senhor _ha_ firme confiança, e _elle_ será _um_ refugio

para seus filhos.

27 O temor [11] do Senhor _é uma_ fonte de vida, para se desviarem dos

laços da morte.

28 Na multidão do povo _está_ a magnificencia do rei, mas na falta do

povo a perturbação do principe.

29 O [12] longanimo é grande em entendimento, mas o _que é_ de espirito

impaciente [SL] assignala a sua loucura.

30 O coração com saude _é_ a vida da carne, mas a inveja _é_ a podridão

dos ossos.

31 O que opprime [13] ao pobre insulta áquelle que o creou, mas o que se

compadece do necessitado o honra.

32 Pela sua malicia será lançado fóra o impio, mas [14] o justo _até_ na

sua morte tem [SM] confiança.

33 No coração do prudente repousa a sabedoria, [15] mas _o que ha_ no

interior dos tolos se conhece.

34 A justiça exalta ao povo, mas o peccado _é_ o opprobrio das nações.

35 O [16] Rei tem seu contentamento no servo prudente, mas sobre o que

envergonha cairá o seu furor.

[1] Ruth 4.11.

[2] Job 12.4.

[3] cap. 12.6.

[4] Exo. 20.16 e 23.1. cap. 6.19 e 12.17. ver. 25.

[5] cap. 10.23.

[6] Job 8.15.

[7] cap. 16.25. Rom. 6.24.

[8] cap. 1.31 e 12.14.

[9] cap. 22.3.

[10] cap. 19.7.

[11] cap. 13.14.

[12] cap. 16.32. Thi. 1.19.

[13] cap. 17.5. Mat. 25.40, 45. Job 31.15, 16. cap. 22.2.

[14] Job 13.15 e 19.26. II Cor. 1.9 e 5.8. II Tim. 4.18.

[15] cap. 11.16 e 29.11.

[16] Mat. 24.45, 47.

15 A resposta branda [1] desvia o furor, [2] mas a palavra de dôr suscita

a ira.

2 A lingua dos sabios adorna a sabedoria, [3] mas a bocca dos tolos

derrama a estulticia.

3 Os olhos do Senhor _estão_ em todo o logar, contemplando os maus e os

bons.

4 A medicina da lingua _é_ arvore de vida, mas a perversidade n’ella

quebranta o espirito.

5 O tolo [4] despreza a correcção de seu pae, mas o que observa a

reprehensão prudentemente se haverá.

6 Na casa do justo _ha um_ grande thesouro, mas nos fructos do impio _ha_

perturbação.

7 Os labios dos sabios derramarão o conhecimento, mas o coração dos tolos

não _fará_ assim.

8 O sacrificio [5] dos impios _é_ abominavel ao Senhor, mas a oração dos

rectos _é_ o seu contentamento.

9 O caminho do impio _é_ abominavel ao Senhor, mas ao que segue a [6]

justiça amará.

10 Correcção molesta [7] ha para o que deixa a vereda, _e_ o que aborrece

a reprehensão morrerá.

11 [SN] O inferno e a perdição _estão_ perante o Senhor: quanto mais [8]

os corações dos filhos dos homens?

12 Não ama o escarnecedor [9] aquelle que o reprehende, nem se chegará

aos sabios.

13 O coração alegre [10] aformosea o rosto, mas pela dôr do coração o

espirito se abate.

14 O coração entendido buscará o conhecimento, mas a bocca dos tolos se

apascentará de estulticia.

15 Todos os dias do opprimido _são_ maus, [11] mas o coração alegre _é

um_ banquete continuo.

16 Melhor _é_ o pouco [12] com o temor do Senhor, do que _um_ grande

thesouro, onde ha inquietação.

17 Melhor [13] _é_ a comida de hortaliça, onde ha amor, do que o boi

cevado, e com elle o odio.

18 O homem [14] iracundo suscita contendas, mas o longanimo apaziguará a

lucta.

19 O caminho [15] do preguiçoso _é_ como a sebe d’espinhos, mas a vereda

dos rectos _está_ bem egualada.

20 O filho sabio [16] alegrará a seu pae, mas o homem insensato despreza

a sua mãe.

21 A estulticia [17] _é_ alegria para o que carece d’entendimento, mas o

homem entendido [18] anda rectamente.

22 Os pensamentos se dissipam, quando [19] não ha conselho, mas com a

multidão de conselheiros se confirmarão.

23 O homem se alegra na resposta da sua bocca, e a [20] palavra a seu

tempo quão boa _é_!

24 Para o entendido, o caminho [21] da vida vae para cima, para que se

desvie do inferno de baixo.

25 O Senhor arrancará [22] a casa dos soberbos, mas estabelecerá o termo

da viuva.

26 Abominaveis _são_ ao Senhor os pensamentos [23] do mau, mas as

palavras dos limpos são apraziveis.

27 O que [24] exercita avareza perturba a sua casa, mas o que aborrece

presentes viverá.

28 O coração do justo [25] medita _o que ha_ de responder, mas a bocca

dos impios derrama em abundancia coisas más.

29 Longe _está_ o Senhor dos impios, mas escutará a oração dos justos.

30 A luz dos olhos alegra o coração, a boa fama engorda os ossos.

31 Os ouvidos [26] que escutam a reprehensão da vida no meio dos sabios

farão a sua morada.

32 O que rejeita a correcção menospreza a sua alma, mas o que escuta a

reprehensão adquire entendimento.

33 O temor [27] do Senhor _é_ a correcção da sabedoria, e diante da honra

_vae_ a humildade.

[1] Jui. 8.1, 2, 3. cap. 25.15.

[2] I Sam. 25.10, etc. II Reis 12.13, 14, 16.

[3] ver. 28. cap. 12.23 e 13.16. Jer. 16.17 e 32.19. Heb. 4.13.

[4] cap. 10.1 e 13.18. ver. 31, 32.

[5] cap. 21.27 e 28.9. Isa. 1.11 e 61.8 e 66.3. Jer. 6.20 e 7.22. Amós

5.22.

[6] cap. 21.21. I Tim. 6.11.

[7] I Reis 22.8. cap. 5.12 e 10.17.

[8] II Chr. 6.30. João 2.24, 25 e 21.17. Act. 1.24.

[9] Amós 5.10. II Tim. 4.3.

[10] cap. 17.22. cap. 12.25.

[11] cap. 17.22.

[12] cap. 16.8. I Tim. 6.6.

[13] cap. 17.1.

[14] cap. 26.21 e 29.22.

[15] cap. 22.5.

[16] cap. 10.1 e 29.3.

[17] cap. 10.23.

[18] Eph. 5.15.

[19] cap. 11.14 e 20.18.

[20] cap. 25.11.

[21] Phi. 3.20. Col. 3.1, 2.

[22] cap. 12.7 e 14.11.

[23] cap. 6.16, 18.

[24] cap. 11.19. Isa. 5.8. Jer. 17.11.

[25] I Ped. 3.15.

[26] ver. 5.

[27] cap. 1.7 e 18.12.

16 Do homem [1] _são_ as preparações do coração, mas [2] do Senhor a

resposta da bocca.

2 Todos os caminhos [3] do homem _são_ limpos aos seus olhos, [4] mas o

Senhor pesa os espiritos.

3 Confia [5] do Senhor as tuas obras, e teus pensamentos serão

estabelecidos.

4 O Senhor fez [6] todas as coisas para si, para os seus proprios fins, e

até ao impio para o dia do mal.

5 Abominação [7] é ao Senhor todo o altivo de coração: _ainda que elle

junte_ mão á mão, não será innocente.

6 Pela misericordia [8] e pela fidelidade se expia a iniquidade, e pelo

temor do Senhor os homens se desviam do mal.

7 Sendo os caminhos do homem agradaveis ao Senhor, até a seus inimigos

faz que tenham paz com elle.

8 Melhor é o pouco [9] com justiça, do que a abundancia de colheita com

injustiça.

9 O coração [10] do homem considera o seu caminho, mas o Senhor lhe

dirige os passos.

10 Adivinhação _se acha_ nos labios do rei: em juizo não prevaricará a

sua bocca.

11 O peso e a balança [11] justa _são_ do Senhor: obra sua _são_ todos

[SO] os pesos da bolsa.

12 Abominação _é_ para os reis obrarem impiedade, porque com justiça se

estabelece [12] o throno.

13 Os labios de justiça _são_ o contentamento dos reis, [13] e elles

amarão ao que falla coisas rectas.

14 O furor [14] do rei _é como uns_ mensageiros da morte, mas o homem

sabio o apaziguará.

15 Na luz do rosto do rei _está_ a vida, e a sua [15] benevolencia _é_

como a nuvem da chuva serodia.

16 Quanto melhor _é_ adquirir a sabedoria [16] do que o oiro! e quanto

mais excellente adquirir a prudencia do que a prata!

17 A carreira dos rectos _é_ desviar-se do mal; o que guarda a sua alma

conserva o seu caminho.

18 A soberba [17] precede a ruina, e a altivez do espirito precede a

quéda.

19 Melhor _é_ ser humilde d’espirito com os mansos, do que repartir o

despojo com os soberbos.

20 O que attenta prudentemente para a palavra achará o bem, e o que

confia [18] no Senhor _será_ bemaventurado.

21 O sabio de coração será chamado prudente, e a doçura dos labios

augmentará o ensino.

22 O entendimento, [19] para aquelles que o possuem, _é uma_ fonte de

vida, mas a instrucção dos tolos _é_ a sua estulticia.

23 O coração [20] do sabio instrue a sua bocca, e sobre os seus labios

augmentará a doutrina.

24 Favo de mel _são_ as palavras suaves, doces para a alma, e saude para

os ossos.

25 Ha caminho, [21] que parece direito ao homem, mas o seu fim _são_ os

caminhos da morte.

26 O trabalhador [22] trabalha para si mesmo, porque a sua bocca o insta.

27 O homem de Belial cava o mal, e nos seus labios _se acha_ como _um_

fogo ardente.

28 O homem [23] perverso levanta a contenda, e o murmurador separa os

maiores amigos.

29 O homem violento [24] persuade ao seu companheiro, e o guia por

caminho não bom.

30 Fecha os olhos para imaginar perversidades; mordendo os labios,

effectua o mal.

31 Corôa de honra _são_ [25] as cãs, achando-se ellas no caminho de

justiça.

32 Melhor é o longanimo [26] do que o valente, e o que governa o seu

espirito do que o que toma _uma_ cidade.

33 A sorte se lança no regaço, mas do Senhor _procede_ toda a sua

disposição.

[1] ver. 9. cap. 19.21 e 20.24. Jer. 10.23.

[2] Mat. 10.19, 20.

[3] cap. 21.2.

[4] I Sam. 16.7.

[5] Psa. 36.5. Phi. 4.6. I Ped. 5.7.

[6] Isa. 43.7. Rom. 11.36. Job 21.30. Rom. 9.22.

[7] cap. 6.17 e 8.13. cap. 11.21.

[8] cap. 14.16.

[9] Psa. 37.16. cap. 15.16.

[10] cap. 19.21. Psa. 37.23. Jer. 10.23.

[11] Lev. 19.36. cap. 11.1.

[12] cap. 25.5 e 29.14.

[13] cap. 14.35 e 22.11.

[14] cap. 19.12 e 20.2.

[15] cap. 19.12. Job 29.23. Zac. 10.1.

[16] cap. 8.11, 19.

[17] cap. 11.2 e 17.19 e 18.12.

[18] Psa. 2.13. Isa. 30.18. Jer. 17.7.

[19] cap. 13.14 e 14.27.

[20] Psa. 37.30.

[21] cap. 14.12.

[22] Ecc. 6.7.

[23] cap. 6.14, 19 e 15.18 e 26.21 e 29.22. cap. 17.9.

[24] cap. 1.10, etc.

[25] cap. 20.29.

[26] cap. 19.11.

17 Melhor _é_ um bocado [1] secco, e com elle a tranquillidade, do que a

casa cheia de victimas, com contenda.

2 O servo prudente dominará sobre o filho [2] que faz envergonhar; e

entre os irmãos repartirá a herança.

3 O crisol _é_ para a prata, [3] e o forno para o oiro; mas o Senhor

prova os corações.

4 O malfazejo attenta para o labio iniquo: o mentiroso inclina os ouvidos

á lingua maligna.

5 O que escarnece do [4] pobre insulta ao que o creou; o que se alegra da

calamidade não ficará innocente.

6 Corôa dos velhos _são_ os filhos dos filhos; e a gloria dos filhos

_são_ seus paes.

7 Não convem ao tolo o labio excellente: quanto menos ao principe o labio

mentiroso.

8 Pedra preciosa [5] _é_ o presente aos olhos dos que o recebem; para

onde quer que se volver, servirá de proveito.

9 O que [6] encobre a transgressão busca a amizade, mas o que renova a

[SP] coisa, separa os maiores amigos.

10 Mais profundamente entra a reprehensão no prudente, do que cem

açoites no tolo.

11 Na verdade o rebelde não busca senão o mal, mas mensageiro cruel se

enviará contra elle.

12 Encontre-se [7] com o homem a ursa roubada _dos filhos_; mas não o

louco na sua estulticia.

13 Quanto áquelle que torna mal por bem, [8] não se apartará o mal da sua

casa.

14 _Como_ o que solta as aguas, é o principio da contenda, pelo que,

antes que sejas envolto, deixa a porfia.

15 O que justifica [9] ao impio, e condemna ao justo, _ambos são_

abominaveis ao Senhor, tanto um como o outro.

16 De que _serviria_ o preço na mão do tolo para comprar a sabedoria,

visto que não tem entendimento?

17 Em todo o tempo ama [10] o amigo; e para a angustia nasce o irmão.

18 O homem falto [11] d’entendimento dá a mão, ficando por fiador diante

do seu companheiro.

19 O que ama a contenda ama a transgressão; o que alça a sua porta [12]

busca a ruina.

20 O perverso de coração nunca achará o bem; [13] e o que tem a lingua

dobre virá a cair no mal.

21 O que gera [14] a um tolo para a sua tristeza _o faz_; e o pae do

insensato não se alegrará.

22 O coração [15] alegre serve de bom remedio, mas o espirito abatido

virá a seccar os ossos.

23 O impio tomará o presente do seio, [16] para perverter as veredas da

justiça.

24 No rosto do entendido _se vê_ a sabedoria, [17] porém os olhos do

louco _estão_ nas extremidades da terra.

25 O filho insensato [18] _é_ tristeza para seu pae, e amargura para a

que o pariu.

26 Não é bom tambem [19] pôr pena ao justo, _nem_ que firam os principes

ao que obra justamente.

27 Retem as suas palavras [20] o que possue o conhecimento, _e_ o homem

d’entendimento é de [SQ] precioso espirito.

28 Até o tolo, [21] quando se cala, será reputado por sabio; _e_ o que

cerrar os seus labios por entendido.

[1] cap. 15.17.

[2] cap. 10.5 e 19.26.

[3] cap. 27.21. Jer. 17.10. Mal. 3.3.

[4] cap. 14.31. Job 31.29. Abd. 12.

[5] cap. 18.16 e 19.6.

[6] cap. 10.12. cap. 16.28.

[7] Ose. 13.8.

[8] Jer. 18.20. Rom. 12.17. I The. 5.15. I Ped. 3.9.

[9] Exo. 23.7. cap. 24.24. Isa. 5.23.

[10] cap. 18.24.

[11] cap. 6.1 e 11.15.

[12] cap. 16.18.

[13] Thi. 3.8.

[14] cap. 10.1 e 19.13. ver. 25.

[15] cap. 12.25 e 15.13, 15.

[16] Exo. 23.8.

[17] cap. 14.6. Ecc. 2.14 e 8.1.

[18] cap. 10.1 e 15.20 e 19.13. ver. 21.

[19] ver. 15. cap. 18.5.

[20] Thi. 1.19.

[21] Job 13.5.

18 Busca coisas desejaveis aquelle que se separa e se entremette em toda

a sabedoria.

2 Não toma prazer o tolo na intelligencia, senão em que se descubra o seu

coração.

3 Vindo o impio, vem tambem o desprezo, e com a vergonha a ignominia.

4 Aguas profundas são as [1] palavras da bocca do homem, _e_ ribeiro

trasbordante é a fonte da sabedoria.

5 Não [2] é bom ter respeito á pessoa do impio para derribar o justo em

juizo.

6 Os beiços do tolo entram na contenda, e a sua bocca por açoites brada.

7 A bocca do tolo [3] é a sua propria destruição, e os seus labios um

laço para a sua alma.

8 As palavras [4] do assoprador _são_ como doces bocados; e ellas descem

ao intimo do ventre.

9 Tambem o negligente na sua obra é irmão do desperdiçador.

10 Torre forte _é_ o [5] nome do Senhor; a elle correrá o justo, e estará

em alto retiro.

11 A fazenda [6] do rico _é_ a cidade da sua fortaleza, e como um muro

alto na sua imaginação.

12 Antes de _ser_ quebrantado eleva-se o coração [7] do homem; e diante

da honra vae a humildade.

13 O que responde antes d’ouvir, estulticia [8] lhe _é_, e vergonha.

14 O espirito do homem sosterá a sua enfermidade, mas ao espirito abatido

quem levantará?

15 O coração do entendido adquire o conhecimento, e o ouvido dos sabios

busca o conhecimento.

16 O presente [9] do homem lhe alarga o _caminho_ e o leva diante dos

grandes.

17 O que primeiro começa o seu pleito justo _é_; porém vem o seu

companheiro, e o examina.

18 A sorte faz cessar os pleitos, e faz separação entre os poderosos.

19 O irmão offendido é mais difficil de conquistar do que uma cidade

forte; e as contendas _são_ como os ferrolhos d’_um_ palacio.

20 Do fructo [10] da bocca de cada um se fartará o seu ventre: dos

renovos dos seus labios se fartará.

21 A morte e a vida _estão_ no poder da lingua; e aquelle que a ama

comerá do seu fructo.

22 O que acha [11] mulher acha o bem e alcança a benevolencia do Senhor.

23 O pobre falla com rogos, mas o rico responde [12] com durezas.

24 O homem que tem amigos haja-se amigavelmente, [13] e ha amigo mais

chegado do que um irmão.

[1] cap. 10.11 e 20.5.

[2] Lev. 19.1, 5. Deu. 1.17 e 16.19. cap. 24.23 e 28.21.

[3] cap. 10.14 e 12.13 e 13.3. Ecc. 10.12.

[4] cap. 12.18 e 26.22.

[5] II Sam. 22.3, 51.

[6] cap. 10.15.

[7] cap. 11.2 e 15.33 e 16.18.

[8] João 7.51.

[9] cap. 21.14. Gen. 32.20.

[10] cap. 12.14 e 13.2.

[11] cap. 19.14 e 31.10.

[12] Thi. 2.3.

[13] cap. 17.17.

19 Melhor _é_ o [1] pobre que anda na sua sinceridade, do que o perverso

de labios e tolo:

2 Assim _como ficar_ a alma sem conhecimento não _é_ bom, e o apressado

nos pés pecca.

3 A estulticia do homem perverterá o seu caminho, e o seu coração se

irará contra o Senhor.

4 As riquezas [2] grangeiam muitos amigos, mas ao pobre o seu _proprio_

amigo o deixa.

5 A falsa testemunha [3] não ficará innocente, e o que respira mentiras

não escapará.

6 Muitos [4] supplicam a face do principe, e cada um _é_ amigo d’aquelle

que dá dadivas.

7 Todos os irmãos [5] do pobre o aborrecem; quanto mais se alongarão

d’elles os seus amigos! corre d’após elles com palavras, que não _servem_

de nada.

8 O que adquire entendimento ama a sua alma: [6] o que guarda

intelligencia achará o bem.

9 A falsa testemunha [7] não ficará innocente; e o que respira mentiras

perecerá.

10 Ao tolo não está bem o deleite; quanto menos ao servo [8] dominar os

principes!

11 O entendimento [9] do homem retem a sua ira, e a sua gloria é passar

sobre a transgressão.

12 Como o bramido do filho do leão, _é_ a [10] indignação do rei; mas

como o orvalho sobre a herva _é_ a sua benevolencia.

13 Grande miseria _é_ para o pae o filho insensato, [11] e _um_ gotejar

continuo as contenções da mulher.

14 A casa [12] e a fazenda _são_ a herança dos paes; porém do Senhor

_vem_ a mulher prudente.

15 A preguiça [13] faz cair em profundo somno, e a alma enganadora

padecerá fome.

16 O que guardar [14] o mandamento guardará a sua alma; _porém_ o que

desprezar os seus caminhos morrerá.

17 Ao Senhor empresta o que se compadece [15] do pobre, _e elle_ lhe

pagará o seu beneficio.

18 Castiga [16] a teu filho emquanto ha esperança, porém para o matar não

alçarás a tua alma.

19 O _que é_ de grande indignação supportará o damno; porque se tu o

livrares, ainda terás de tornar a _fazel-o_.

20 Ouve o conselho, e recebe a correcção, para que sejas sabio [17] nos

teus ultimos _dias_.

21 Muitos propositos _ha_ [18] no coração do homem, porém o conselho do

Senhor permanecerá.

22 O desejo do homem _é_ a sua beneficencia; porém o pobre _é_ melhor do

que o mentiroso.

23 O [19] temor do Senhor _encaminha_ para a vida; aquelle que o tem

ficará satisfeito, e não o visitará mal nenhum.

24 O preguiçoso [20] esconde a sua mão no seio; enfada-se de tornal-a á

sua bocca.

25 Fere o escarnecedor, [21] e o simples tomará aviso; reprehende ao

entendido, _e_ aprenderá conhecimento.

26 O que afflige a _seu_ pae, _ou_ afugenta a sua mãe, filho _é_ que traz

vergonha e [22] deshonra.

27 Cessa, filho meu, ouvindo a instrucção, de te desviares das palavras

do conhecimento.

28 A testemunha de Belial escarnece do juizo, e a [23] bocca dos impios

engole a iniquidade.

29 Preparados estão os juizos para os escarnecedores e [24] açoites para

as costas dos tolos.

[1] cap. 28.6.

[2] cap. 14.20.

[3] ver. 9. Exo. 23.1. Deu. 19.16, 19. cap. 6.19 e 21.28.

[4] cap. 29.26 e 21.14.

[5] cap. 14.20. Psa. 38.12.

[6] cap. 16.20.

[7] ver. 5.

[8] cap. 30.22. Ecc. 10.6, 7.

[9] cap. 14.29. Thi. 1.19. cap. 16.32.

[10] cap. 16.14, 15 e 20.2 e 28.15. Ose. 14.5.

[11] cap. 10.1 e 15.20 e 17.21, 25. cap. 21.9, 19, 27 e 15.

[12] II Cor. 12.14. cap. 18.22.

[13] cap. 6.9. cap. 10.4 e 20.13 e 23.21.

[14] Luc. 10.28 e 11.28.

[15] cap. 28.27. Ecc. 11.1. Mat. 10.42 e 25.40. II Cor. 9.6, 7, 8. Heb.

6.10.

[16] cap. 13.24 e 23.13 e 29.17.

[17] Psa. 37.37.

[18] Job 23.13. cap. 16.1, 9. Isa. 14.26, 27 e 46.10. Act. 5.39. Heb.

6.17.

[19] I Tim. 4.8.

[20] cap. 15.19 e 26.13, 15.

[21] cap. 21.11. Deu. 13.11. cap. 9.8.

[22] cap. 17.2.

[23] Job 15.16 e 20.12, 13 e 34.7.

[24] cap. 10.13 e 26.3.

20 O [1] vinho _é_ escarnecedor, a bebida forte alvoraçadora; e todo

aquelle que n’elles errar nunca será sabio.

2 Como o bramido do leão _é_ o terror [2] do rei, o que o provoca á ira

pecca contra a sua _propria_ alma.

3 Honra _é_ do [3] homem desviar-se do pleito, mas todo o tolo se

entremette _n’elle_.

4 O preguiçoso [4] não lavrará por causa do inverno, _pelo que_ mendigará

na sega, porém nada receberá.

5 Como as aguas profundas _é_ o conselho [5] no coração do homem; mas o

homem d’intelligencia o tirará para fóra.

6 Cada um da multidão dos [6] homens apregoa a sua beneficencia; porém o

homem fiel, quem é _o que_ o achará?

7 O justo [7] anda na sua sinceridade; bemaventurados _serão_ os seus

filhos depois d’elle.

8 Assentando-se [8] o rei no throno do juizo, com os seus olhos dissipa

todo o mal.

9 Quem podéra dizer: [9] Purifiquei o meu coração, limpo estou de meu

peccado!

10 Duas sortes de [10] peso, e duas sortes de medida, _são_ abominação ao

Senhor, tanto uma como outra.

11 Até a creança se dará a [11] conhecer pelas suas acções, se a sua obra

_será_ pura e recta.

12 O ouvido [12] que ouve, e o olho que vê, o Senhor os fez a ambos.

13 Não [13] ames o somno, para que não empobreças; abre os teus olhos,

_e_ te fartarás de pão.

14 Nada _vale_, nada _vale_, dirá o comprador, mas, indo-se, então se

gabará.

15 Ha oiro e abundancia de rubins, mas [14] os labios do conhecimento

_são_ joia preciosa.

16 Quando _alguem_ fica por fiador do estranho, toma-lhe [15] a sua

roupa, _e_ o penhora pela estranha.

17 Suave _é_ ao homem o pão [16] de mentira, mas depois a sua bocca se

encherá de pedrinhas d’areia.

18 Cada [17] pensamento com conselho se confirma, e com conselhos

prudentes faze a guerra.

19 O que anda murmurando descobre o segredo; pelo que com o que afaga com

seus beiços [18] não te entremettas.

20 O que [19] a seu pae ou a sua mãe amaldiçoar, apagar-se-lhe-ha a sua

lampada em trevas negras.

21 _Adquirindo-se_ apressadamente a herança [20] no principio, o seu fim

não será bemdito.

22 Não digas: [21] Vingar-me-hei do mal: espera [22] pelo Senhor, e

_elle_ te livrará.

23 Duas sortes [23] de peso _são_ abominaveis ao Senhor, e balanças

enganosas não _são_ boas.

24 Os passos [24] do homem são dirigidos pelo Senhor: o homem, pois, como

entenderá o seu caminho?

25 Laço _é_ para o homem engulir _o que é_ sancto; e, feitos os votos,

[25] _então_ inquirir.

26 O rei sabio [26] dissipa os impios e torna sobre elles a roda.

27 A alma [27] do homem _é_ a lampada do Senhor, que esquadrinha todo o

mais intimo do ventre.

28 Benignidade e verdade guardam ao rei, [28] e com benignidade sustem

_elle_ o seu throno.

29 O ornato dos mancebos _é_ a sua força: e a belleza [29] dos velhos as

cãs.

30 Os vergões das feridas _são_ a purificação dos maus, como tambem as

pancadas _que penetram até_ o mais intimo do ventre.

[1] Gen. 9.21. cap. 23.29, 30. Isa. 28.7. Ose. 4.11.

[2] cap. 16.14 e 19.12. cap. 8.36.

[3] cap. 17.14.

[4] cap. 10.4 e 19.24. cap. 19.15.

[5] cap. 18.4.

[6] cap. 25.14. Mat. 6.2. Luc. 18.11.

[7] II Cor. 1.12. Psa. 37.26 e 112.2.

[8] ver. 26.

[9] I Reis 8.46. Job 14.4. Ecc. 7.20. I Cor. 4.4. I João 1.8.

[10] Deu. 25.13, etc. cap. 11.1 e 16.11. Miq. 6.10, 11.

[11] Mat. 7.16.

[12] Exo. 4.11.

[13] cap. 6.9 e 12.11 e 19.15. Rom. 12.11.

[14] Job 28.12, 16, 17, 18, 19. cap. 3.15 e 8.11.

[15] cap. 22.26, 27 e 27.13.

[16] cap. 9.17.

[17] cap. 15.22 e 24.6. Luc. 14.31.

[18] cap. 11.13. Rom. 16.18.

[19] Exo. 21.17. Lev. 20.9. Mat. 15.4. Job 18.5, 6. cap. 24.20.

[20] cap. 28.20. Hab. 2.6.

[21] Deu. 32.35. Rom. 12.17, 19. I The. 5.15. I Ped. 3.9.

[22] II Sam. 16.12.

[23] ver. 10.

[24] Psa. 37.23. cap. 16.9. Jer. 10.23.

[25] Ecc. 5.4, 5.

[26] ver. 8.

[27] I Cor. 2.11.

[28] Psa. 101.1. cap. 29.24.

[29] cap. 16.31.

21 Como ribeiros d’aguas, _assim_ é o coração do rei na mão do Senhor; a

tudo quanto quer o inclina.

2 Todo [1] o caminho do homem _é_ recto aos seus olhos, mas o Senhor

pondera os corações.

3 Fazer justiça [2] e juizo _é_ mais acceito ao Senhor do que _lhe

offerecer_ sacrificio.

4 Altivez dos olhos, e [3] inchação de coração, _e_ a lavoura dos impios

_é_ peccado.

5 Os pensamentos [4] do diligente _tendem_ só á abundancia, porém _os de_

todo o apressado tão sómente á pobreza.

6 Trabalhar por _ajuntar_ [5] thesouro com lingua falsa _é uma_ vaidade

impellida d’aquelles que buscam a morte.

7 As rapinas dos impios os virão a destruir, porquanto recusam fazer a

justiça.

8 O caminho do homem _é_ todo perverso e estranho, porém a obra do puro

_é_ recta.

9 Melhor [6] _é_ morar n’_um_ canto do terraço, do que _com_ a mulher

contenciosa, e _isso em casa em que mais_ companhia _haja_.

10 A alma [7] do impio deseja o mal: o seu proximo lhe não agrada aos

seus olhos.

11 Castigado o escarnecedor, o simples se torna sabio; e, ensinado o

sabio, recebe o conhecimento.

12 Prudentemente considera o justo a casa do impio, _quando Deus_

transtorna os impios para o mal.

13 O que [8] tapa o seu ouvido ao clamor do pobre elle tambem clamará e

não será ouvido.

14 O presente [9] _que se dá_ em segredo abate a ira, e a dadiva no seio

a grande indignação.

15 O fazer justiça [10] _é_ alegria para o justo, mas espanto para os que

obram a iniquidade.

16 O homem, que anda errado do caminho do entendimento, na congregação

dos mortos repousará.

17 Necessidade _padecerá_ o que ama a galhofa; o que ama o vinho e o

azeite nunca enriquecerá.

18 O resgate do justo é [11] o impio; o do recto o iniquo.

19 Melhor [12] _é_ morar n’_uma_ terra deserta do que _com_ a mulher

contenciosa e iracunda.

20 Thesouro [13] desejavel e azeite _ha_ na casa do sabio, mas o homem

insensato o devora.

21 O que segue [14] a justiça e a beneficencia achará a vida, a justiça e

a honra.

22 Á cidade dos fortes [15] sobe o sabio, e derruba a força da sua

confiança.

23 O que [16] guarda a sua bocca e a sua lingua, guarda das angustias a

sua alma.

24 O soberbo _e_ presumido, zombador _é_ seu nome: trata com indignação e

soberba.

25 O desejo [17] do preguiçoso o mata, porque as suas mãos recusam

trabalhar.

26 Todo o dia deseja _coisas de_ cubiçar, mas o justo dá, e nada retem.

27 O sacrificio dos [18] impios _é_ abominação: quanto mais offerecendo-o

com intenção maligna?

28 A testemunha mentirosa perecerá, porém o homem que ouve com constancia

fallará.

29 O homem impio endurece o seu rosto, mas o recto considera o seu

caminho.

30 Não ha sabedoria, [19] nem intelligencia, nem conselho contra o Senhor.

31 O cavallo prepara-se para o dia da batalha, [20] porém do Senhor _vem_

a victoria.

[1] cap. 16.2. cap. 24.12. Luc. 16.15.

[2] I Sam. 15.22. cap. 15.8. Isa. 1.11, etc. Ose. 6.6. Miq. 6.7, 8.

A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento · 第 21 / 44 章