23 Escureçam-se-lhes os seus olhos, para que não vejam, e faze com que os

seus lombos tremam constantemente.

24 Derrama sobre elles a tua indignação, e prenda-os o ardor da tua ira.

25 Fique desolado o seu [PT] palacio; e não haja quem habite nas suas

tendas.

26 Pois perseguem _áquelle_ a quem feriste, e conversam sobre a dôr

d’aquelles a quem chagaste.

27 Accrescenta iniquidade á iniquidade d’elles, e não entrem na tua

justiça.

28 Sejam riscados do livro dos vivos, e não sejam escriptos com os justos.

29 Eu porém _sou_ pobre, e _estou_ triste; ponha-me a tua salvação, ó

Deus, n’_um_ alto retiro.

30 Louvarei o nome de Deus com _um_ cantico, e engrandecel-o-hei com

acção de graças.

31 _Isto_ será mais agradavel ao Senhor do que o boi ou bezerro que tem

pontas e unhas.

32 Os mansos verão _isto_, e se agradarão; o vosso coração viverá, pois

que buscaes a Deus.

33 Porque o Senhor ouve os necessitados, e não despreza os seus captivos.

34 Louvem-n’o os céus e a terra, os mares e tudo quanto n’elles se move.

35 Porque Deus salvará a Sião, e edificará as cidades de Judah, para que

habitem n’ella e as possuam.

36 E herdal-a-ha a semente de seus servos, e os que amam o seu nome

habitarão n’ella.

[1] João 15.25.

[2] Isa. 49.8 e 55.6. II Cor. 6.2.

[3] Isa. 53.3. Heb. 12.2.

_Na sua afflicção David supplica a Deus que se apresse em livral-o._

Psalmo de David para o cantor-mór, para lembrança.

70 Apressa-te, ó Deus, em me livrar; Senhor, _apressa-te_ em ajudar-me.

2 Fiquem envergonhados e confundidos os que procuram a minha alma; voltem

para traz e confundam-se os que me desejam mal.

3 Virem as costas por causa da recompensa da sua vergonha os que dizem:

Ha! ha!

4 Folguem e alegrem-se em ti todos os que te buscam; e aquelles que amam

a tua salvação digam continuamente: Engrandecido seja Deus.

5 Eu porém _estou_ afflicto e necessitado; apressa-te a mim, ó Deus; tu

_és_ o meu auxilio e o meu libertador: Senhor, não te detenhas.

_David confia em Deus, e roga que o livre dos seus inimigos, e o proteja._

71 Em ti, Senhor, confio; nunca seja eu confundido.

2 Livra-me na tua justiça, e faze-me escapar: inclina os teus ouvidos

para mim, e salva-me.

3 Sê tu a minha habitação forte, á qual possa recorrer continuamente:

déste um mandamento que me salva, pois tu _és_ a minha rocha e a minha

fortaleza.

4 Livra-me, meu Deus, das mãos do impio, das mãos do homem injusto e

cruel.

5 Pois tu _és_ a minha esperança, Senhor Deus; _tu és_ a minha confiança

desde a [1] minha mocidade.

6 Por ti tenho sido sustentado desde o ventre: tu _és_ aquelle que

me tiraste das entranhas de minha mãe: o meu louvor _será_ para ti

constantemente.

7 Sou como um prodigio para muitos, mas tu _és_ o meu refugio forte.

8 Encha-se a minha bocca do teu louvor da tua gloria todo o dia.

9 Não me rejeites no tempo da velhice; não me desampares, quando se fôr

acabando a minha força.

10 Porque os meus inimigos fallam contra mim, e os que espiam a minha

alma consultam juntos,

11 Dizendo: Deus o desamparou: persegui-_o_ e tomae-o, pois não _ha_ quem

_o_ livre.

12 Ó Deus, não te alongues de mim: meu Deus, apressa-te em ajudar-me.

13 Sejam confundidos e consumidos os que são adversarios da minha alma;

cubram-se d’opprobrio e de confusão aquelles que procuram o meu mal.

14 Mas eu esperarei continuamente, e te louvarei cada vez mais.

15 A minha bocca manifestará _a_ tua justiça e a tua salvação todo o dia,

pois não conheço o numero d’ellas.

16 Sairei na força do Senhor Deus, farei menção da tua justiça, e só

d’ella.

17 Ensinaste-me, ó Deus, desde a minha mocidade; e até aqui tenho

annunciado as tuas maravilhas.

18 Agora tambem, quando estou velho e de cabellos brancos, não me

desampares, ó Deus, até que tenha annunciado a tua força a _esta_

geração, e o teu poder a todos os vindouros.

19 Tambem a tua justiça, ó Deus, _está_ muito alta, pois fizeste grandes

coisas: ó Deus, quem é similhante a ti?

20 _Tu_, que me tens feito ver muitos males e angustias, me [2] darás

ainda a vida, e me tirarás dos abysmos da terra.

21 Augmentarás a minha grandeza, e de novo me consolarás.

22 Tambem eu te louvarei com o psalterio, _bem como_ á tua verdade, ó meu

Deus, cantarei com a harpa a ti, ó [3] Sancto d’Israel.

23 Os meus labios exultarão quando eu te cantar, assim como a minha alma

que tu remiste.

24 A [4] minha lingua fallará da tua justiça todo o dia; pois estão

confundidos e envergonhados aquelles que procuram o meu mal.

[1] Jer. 17.7, 17.

[2] Ose. 6.1, 2.

[3] Isa. 60.9.

[4] ver. 8, 15.

_A excellencia, justiça e gloria do reino de Salomão prefiguram as do

Messias._

Psalmo [PU] de Salomão.

72 Ó Deus, dá ao rei dos teus juizos, e a tua justiça ao filho do rei.

2 Elle julgará [1] ao teu povo com justiça, e aos teus pobres com juizo.

3 Os montes trarão paz ao povo e os outeiros com justiça.

4 Julgará os afflictos do povo, salvará os filhos do necessitado, e

quebrantará o oppressor.

5 Temer-te-hão emquanto durar o sol e a lua, de geração em geração.

6 Elle descerá [2] como a chuva sobre a herva ceifada, como os chuveiros

que humedecem a terra.

7 Nos seus dias florescerá o justo, [3] e abundancia de paz emquanto

durar a lua.

8 Dominará de mar a mar, e desde o rio até ás extremidades da terra.

9 Aquelles que habitam no deserto se inclinarão ante elle, e os seus

inimigos lamberão o pó.

10 Os reis de Tarsis e das ilhas trarão presentes; os reis de Sheba e de

Saba offerecerão dons.

11 E todos os reis se prostrarão perante elle; todas as nações o servirão.

12 Porque elle livrará ao necessitado quando clamar, como tambem ao

afflicto e ao que não tem quem o ajude.

13 Compadecer-se-ha do pobre e do afflicto, e salvará as almas dos

necessitados.

14 Libertará as suas almas do engano e da violencia, e precioso será o

seu sangue aos olhos d’elle.

15 E viverá, e se lhe dará do oiro de Sheba; e continuamente se fará por

elle oração; e todos os dias o bemdirão.

16 Haverá um punhado de trigo em terra sobre as cabeças dos montes; o

seu fructo se abalará como o Libano, e _os_ da cidade florescerão como a

herva da terra.

17 O seu nome permanecerá eternamente; o seu nome se irá propagando de

paes a filhos emquanto o sol _durar_, e _os homens_ serão abençoados

n’elle; todas as nações lhe chamarão bemaventurado.

18 Bemdito [4] _seja_ o Senhor Deus, o Deus d’Israel, que só elle faz

maravilhas.

19 E bemdito _seja_ para sempre o seu nome glorioso; e encha-se toda a

terra da sua gloria. Amen e Amen.

20 _Aqui_ acabam as orações de David, filho de Jessé.

[1] Isa. 11.2, 3, 4 e 32.1.

[2] Ose. 6.3.

[3] Isa. 2.4. Dan. 2.44.

[4] Gen. 12.3 e 22.18. Jer. 4.2.

_A prosperidade dos impios faz duvidar da justiça de Deus, mas o seu fim

a demonstra._

Psalmo de Asaph.

73 Verdadeiramente bom _é_ Deus para com Israel, para com os limpos de

coração.

2 Emquanto a mim, os meus pés quasi que se desviaram; pouco faltou para

que escorregassem os meus passos.

3 Pois eu tinha inveja dos loucos, quando via a prosperidade dos impios.

4 Porque não _ha_ apertos na sua morte, mas firme _está_ a sua força.

5 Não se acham em trabalhos _como outra_ gente, nem são afflictos como

_outros_ homens.

6 Pelo que a soberba os cerca como um colar; vestem-se de violencia

_como_ de adorno.

7 Os olhos d’elles estão inchados de gordura: elles teem mais do que o

coração podia desejar.

8 São corrompidos e tratam maliciosamente de oppressão; [1] fallam

arrogantemente.

9 Põem as suas boccas contra os céus, e as suas linguas andam pela terra.

10 Pelo que o seu povo volta aqui, e aguas de _copo_ cheio se lhes

espremem.

11 E dizem: Como _o_ sabe Deus? ou ha conhecimento no Altissimo?

12 Eis que estes _são_ impios, e [PV] prosperam no mundo; augmentam _em_

riquezas.

13 Na verdade que em vão tenho purificado o meu coração; [2] e lavei as

minhas mãos na innocencia.

14 Pois todo o dia tenho sido afflicto, e castigado cada manhã.

15 Se eu dissesse: Fallarei assim; eis que offenderia a geração de teus

filhos.

16 Quando pensava em entender isto [3] _foi_ para mim muito doloroso;

17 Até que entrei no sanctuario de Deus: _então_ entendi eu o fim d’elles.

18 Certamente tu os pozeste em logares escorregadios: tu os lanças em

destruição.

19 Como caem na desolação, quasi n’um momento! ficam totalmente

consumidos de terrores.

20 Como um sonho, quando se acorda, _assim_, ó Senhor, quando acordares,

desprezarás a apparencia d’elles.

21 Assim o meu coração se azedou, e sinto picadas nos meus rins.

22 Assim me embruteci, e nada sabia; fiquei _como uma_ besta perante ti.

23 Todavia _estou_ de continuo comtigo; tu _me_ sustentaste pela minha

mão direita.

24 Guiar-me-has com o teu conselho, e depois me receberás em gloria.

25 Quem tenho [4] eu no céu _senão a ti_? e na terra não ha a quem eu

deseje além de ti.

26 A minha carne e o meu coração desfallecem; _mas_ Deus _é_ a [PW]

fortaleza do meu coração, e a minha porção para sempre.

27 Pois eis que os que se alongam de ti, perecerão; tu [5] tens destruido

todos aquelles que se desviam de ti.

28 Mas para mim, bom _é_ approximar-me de Deus; puz a minha confiança no

Senhor Deus, para annunciar todas as tuas obras.

[1] Ose. 7.16. II Ped. 2.18.

[2] Mal. 3.14.

[3] Ecc. 8.17.

[4] Col. 3.8.

[5] Exo. 34.15.

_A assolação do sanctuario, e a supplica para que se lembrasse do seu

povo afflicto._

Maschil de Asaph.

74 Ó Deus, porque _nos_ rejeitaste para sempre? _Porque_ se accende a tua

ira contra as ovelhas do teu pasto?

2 Lembra-te da tua congregação _que_ compraste [1] desde a antiguidade,

[PX] da vara da tua herança _que_ remiste, este monte de Sião, em que

habitaste.

3 Levanta os teus pés para as perpetuas assolações, para tudo _o_ que o

inimigo tem feito _de_ mal no sanctuario.

4 Os teus inimigos bramam [2] no meio das tuas synagogas; põem _n’ellas_

as suas insignias _por_ signaes.

5 _Cada qual_ se fez afamado, conforme levantara o machado contra a

espessura do arvoredo.

6 Mas agora toda a obra entalhada por uma vez quebram com machados e

martellos.

7 Lançaram fogo no teu sanctuario; profanaram, derribando-a até ao chão,

a morada do teu nome.

8 Disseram nos seus corações: Despojemol-os d’uma vez. Queimaram todas as

synagogas de Deus na terra.

9 Já não vemos os nossos signaes, já não _ha_ propheta: nem _ha_ entre

nós alguem que saiba até quando _isto durará_.

10 Até quando, ó Deus, _nos_ affrontará o adversario? Blasphemará o

inimigo o teu nome para sempre?

11 Porque retiras a tua mão, a saber, a tua dextra? tira-_a_ de dentro do

teu seio, e consome-os.

12 Todavia Deus _é_ o meu Rei desde a antiguidade, obrando a salvação no

meio da terra.

13 Tu dividiste o [3] mar pela tua força; quebrantaste as cabeças dos

[PY] dragões nas aguas.

14 Fizeste em pedaços as cabeças do leviathan, _e_ o déste por mantimento

aos habitantes do deserto.

15 Fendeste a fonte e o ribeiro: seccaste os rios impetuosos.

16 Teu _é_ o dia e tua _é_ a noite: [4] preparaste a luz e o sol.

17 Estabeleceste todos os limites da terra; [5] verão e inverno tu os

formaste.

18 Lembra-te d’isto: [6] _que_ o inimigo affrontou ao Senhor, e _que_ um

povo louco blasphemou o teu nome.

19 Não entregues ás feras a alma da tua rola: não te esqueças para sempre

da vida dos teus afflictos.

20 Attende ao _teu_ concerto; pois os logares tenebrosos da terra estão

cheios de moradas de [PZ] crueldade.

21 Oh, não volte envergonhado o opprimido: louvem o teu nome o afflicto e

o necessitado.

22 Levanta-te, ó Deus, pleiteia a sua propria causa; lembra-te da

affronta que o louco te faz cada dia.

23 Não te esqueças [QA] dos gritos dos teus inimigos: o tumulto

d’aquelles que se levantam contra ti augmenta continuamente.

[1] Exo. 15.16. Deu. 9.29.

[2] Lam. 2.7.

[3] Exo. 14.21.

[4] Gen. 1.14.

[5] Gen. 8.22.

[6] Apo. 16.19.

_O propheta louva a Deus e promette fazer observar a justiça._

Para o cantor-mór Al-tascheth. Psalmo e cantico de Asaph.

75 A ti, ó Deus, glorificamos, _a ti_ damos louvor, pois o teu nome

_está_ perto, as tuas maravilhas o declaram.

2 Quando eu occupar o logar determinado, julgarei rectamente.

3 A terra e todos os seus moradores estão dissolvidos, mas eu fortaleci

as suas columnas (Selah).

4 Disse eu aos loucos: Não enlouqueçaes; e aos impios: Não levanteis a

fronte:

5 Não levanteis a vossa fronte altiva, _nem_ falleis com cerviz dura;

6 Porque nem do oriente, nem do occidente, nem do deserto _vem_ a

exaltação.

7 Mas Deus _é_ o Juiz; a um abate, e a outro exalta.

8 Porque na mão do Senhor _ha um_ calix, cujo vinho é roxo; está cheio

de mistura; e dá a beber d’elle; mas as fezes d’elle todos os impios da

terra _as_ sorverão _e_ beberão.

9 E eu _o_ declararei para sempre; cantarei louvores ao Deus de Jacob.

10 E [QB] quebrarei todas as forças dos impios, _mas_ as forças dos

justos serão exaltadas.

_A magestade e o poder de Deus._

Psalmo e cantico de Asaph, para o cantor-mór, sobre Neginoth.

76 Conhecido _é_ Deus em Judah: grande _é_ o seu nome em Israel.

2 E em Salem está o seu tabernaculo, e a sua morada em Sião.

3 Ali quebrou as frechas do arco; o escudo, e a espada e a guerra (Selah).

4 Tu _és_ mais illustre, _ó_ glorioso, do que os montes de preza.

5 Os que são ousados de coração são despojados; dormiram o seu somno, e

nenhum dos homens de força achou as suas mãos.

6 Á tua reprehensão, [1] ó Deus de Jacob, carros e cavallos são lançados

n’um somno profundo.

7 Tu, tu _és_ terrivel; e quem subsistirá á tua vista, uma vez que te

irares?

8 Desde os céus fizeste ouvir o teu juizo; a terra tremeu e se aquietou,

9 Quando Deus se levantou para _fazer_ juizo, para livrar a todos os

mansos da terra (Selah).

10 Porque a colera do homem redundará em teu louvor; o restante da colera

tu o restringirás.

11 Fazei votos, e pagae ao Senhor, vosso Deus: tragam presentes, os que

estão em redor d’elle, áquelle que é tremendo.

12 Elle ceifará o espirito dos principes: _é_ tremendo para com os reis

da terra.

[1] Exo. 15.1, 21. Eze. 39.20.

_O estado interno do psalmista; elle anima a sua alma pela consideração

das grandes obras e da misericordia de Deus._

Psalmo de Asaph, para o cantor-mór, por Jeduthun.

77 Clamei ao Senhor _com_ a minha voz: a Deus _levantei_ a minha voz, e

elle inclinou para mim os ouvidos.

2 No dia da minha angustia busquei ao Senhor: a minha mão se estendeu de

noite, e não cessava; a minha alma recusava ser consolada.

3 Lembrava-me de Deus, e me perturbei: queixava-me, e o meu espirito

desfallecia (Selah).

4 Sustentaste os meus olhos acordados: estou tão perturbado que não posso

fallar.

5 Considerava [1] os dias da antiguidade, os annos dos tempos antigos.

6 De noite chamei á lembrança o meu cantico: meditei em meu coração, e o

meu espirito esquadrinhou.

7 Rejeitará o Senhor para sempre e não tornará a ser favoravel?

8 Cessou para sempre a sua benignidade? acabou-se _já_ a promessa de

geração em geração?

9 Esqueceu-se Deus de ter misericordia? ou encerrou elle as suas

misericordias na sua ira? (Selah).

10 E eu disse: A minha enfermidade é esta: _mas eu me lembrei_ dos annos

da dextra do Altissimo.

11 Eu me lembrarei das obras do Senhor: certamente que eu me lembrarei

das tuas maravilhas da antiguidade.

12 Meditarei tambem em todas as tuas obras, e fallarei dos teus feitos.

13 O teu caminho, ó Deus, _está_ no sanctuario. [2] Quem _é_ Deus _tão_

grande como o _nosso_ Deus?

14 Tu _és_ o Deus que fazes maravilhas: tu fizeste notoria a tua força

entre os povos.

15 Com o _teu_ braço remiste o teu povo, os filhos de Jacob e de José

(Selah).

16 As aguas te viram, ó Deus, as aguas te viram, _e_ tremeram; os abysmos

tambem se abalaram.

17 As nuvens lançaram agua, os céus deram um som; as tuas frechas

correram d’uma para outra parte.

18 A voz do teu trovão estava no céu; os relampagos alumiaram o mundo; a

terra se abalou e tremeu.

19 O teu caminho _é_ no mar, e as tuas veredas nas grandes aguas, e os

teus passos não são conhecidos.

20 Guiaste o [3] teu povo, como a um rebanho, pela mão de Moysés e

d’Aarão.

[1] Deu. 32.7.

[2] Exo. 15.11.

[3] Exo. 13.21 e 14.19.

_A salvação que Deus concedeu a Israel; a rebellião contra Elle; Deus

escolheu Judah e David para pastorear Israel._

Maschil de Asaph.

78 Escutae a minha lei, [1] povo meu: inclinae os vossos ouvidos ás

palavras da minha bocca.

2 Abrirei a minha bocca n’_uma_ parabola; fallarei enigmas da antiguidade.

3 As quaes temos ouvido e sabido, e nossos paes nol-as teem contado.

4 Não _as_ encobriremos [2] aos seus filhos, mostrando á geração futura

os louvores do Senhor, assim como a sua força e as maravilhas que fez.

5 Porque elle estabeleceu _um_ testemunho em Jacob, e poz _uma_ lei em

Israel, [3] a qual deu aos nossos paes para que a fizessem conhecer a

seus filhos.

6 Para que a geração vindoura _a_ soubesse, os filhos _que_ nascessem,

_os quaes_ se levantassem e _a_ contassem a seus filhos.

7 Para que pozessem em Deus a sua esperança, e se não esquecessem das

obras de Deus, mas guardassem os seus mandamentos.

8 E não fossem como seus paes, geração contumaz e rebelde, geração _que_

não regeu o seu coração, e cujo espirito não foi fiel com Deus.

9 Os filhos de Ephraim, armados e trazendo arcos, viraram _costas_ no dia

da peleja.

10 Não guardaram o concerto de Deus, e recusaram andar na sua lei.

11 E esqueceram-se das suas obras e das maravilhas que lhes fizera ver.

12 Maravilhas [4] que elle fez á vista de seus paes na terra do Egypto,

_no_ campo de Zoan.

13 Dividiu o mar, e os fez passar por elle; fez com que as aguas parassem

como n’um montão.

14 De dia os guiou por uma nuvem, e toda a noite por uma luz de fogo.

15 Fendeu as penhas no deserto; e deu-_lhes de_ beber como de grandes

abysmos.

16 Fez sair fontes da rocha, e fez correr as aguas como rios.

17 E _ainda_ proseguiram em peccar contra elle, [5] provocando ao

Altissimo na solidão.

18 E tentaram a Deus nos seus corações, pedindo carne para o seu appetite.

19 E fallaram [6] contra Deus, e disseram: _Acaso_ pode Deus

preparar-_nos_ uma mesa no deserto?

20 Eis que [7] feriu a penha, e aguas correram _d’ella_; rebentaram

ribeiros em abundancia: poderá tambem dar-_nos_ pão, ou preparar carne

para o seu povo?

21 Pelo que o Senhor [8] _os_ ouviu, e se indignou: e accendeu _um_ fogo

contra Jacob, e furor tambem subiu contra Israel;

22 Porquanto não creram [9] em Deus, nem confiaram na sua salvação:

23 Ainda que mandara ás altas nuvens, [10] e abriu as portas dos céus,

24 E chovera [11] sobre elles o manná para comerem, e lhes dera do trigo

do céu.

25 O homem comeu o pão dos [QC] anjos; elle lhes mandou comida a fartar.

26 Fez ventar o vento do oriente nos céus, e o trouxe do sul com a sua

força.

27 E choveu sobre elles carne como pó, e aves d’azas como a areia do mar.

28 E _as_ fez cair no meio do seu arraial, ao redor de suas habitações.

29 Então comeram [12] e se fartaram bem; pois lhes cumpriu o seu desejo.

30 Não refreiaram o seu appetite. Ainda [13] lhes _estava_ a comida na

bocca,

31 Quando a ira de Deus desceu sobre elles, e matou os mais gordos

d’elles, e feriu os escolhidos d’Israel.

32 Com tudo isto ainda peccaram, e não deram credito ás suas maravilhas.

33 Pelo que consumiu os seus dias na vaidade e os seus annos na angustia.

34 Quando os [14] matava, então o procuravam; e voltavam, e de madrugada

buscavam a Deus.

35 E se lembravam de que Deus era a sua rocha, [15] e o Deus Altissimo o

seu Redemptor.

36 Todavia lisongeavam-n’o com a bocca, e com a lingua lhe mentiam.

37 Porque o seu coração não _era_ recto para com elle, nem foram fieis no

seu concerto.

38 Porém elle, que é misericordioso, perdoou a _sua_ iniquidade: e não

_os_ destruiu, antes muitas vezes desviou _d’elles_ o seu furor, e não

despertou toda a sua ira.

39 Porque se lembrou de que _eram de_ carne, vento que vae e não torna.

40 Quantas vezes o provocaram no deserto, e o molestaram na solidão!

41 Voltaram atraz, [16] e tentaram a Deus; e limitaram o Sancto d’Israel.

42 Não se lembraram da sua mão, _nem_ do dia em que os livrou do

adversario;

43 Como obrou os seus signaes no Egypto, e as suas maravilhas no campo de

Zoan;

44 E converteu [17] os seus rios em sangue, e as suas correntes, para que

não podessem beber.

45 Enviou [18] entre elles enxames de moscas que os consumiram, e rãs que

os destruiram.

46 Deu tambem ao pulgão a sua novidade, e o seu trabalho aos gafanhotos.

47 Destruiu [19] as suas vinhas com saraiva, e os seus sycomoros com

pedrisco.

48 Tambem entregou o seu gado á saraiva, e os seus rebanhos ás brazas

ardentes.

49 Lançou sobre elles o ardor da sua ira, furor, indignação, e angustia,

mandando maus anjos _contra elles_.

50 Preparou caminho á sua ira; não retirou as suas almas da morte, mas

entregou á pestilencia as suas vidas.

51 E feriu a todo o primogenito no Egypto, primicias da _sua_ força nas

tendas de Cão.

52 Mas fez _com_ que o seu povo saisse como ovelhas, e os guiou pelo

deserto como _um_ rebanho.

53 E os guiou com segurança, que não temeram; mas o mar cobriu os seus

inimigos.

54 E o trouxe até ao termo [20] do seu sanctuario, até este monte que a

sua dextra adquiriu.

55 E expulsou as nações de diante d’elles, e as partiu em herança por

linha, e fez habitar em suas tendas as tribus d’Israel.

56 Comtudo tentaram [21] e provocaram o Deus altissimo, e não guardaram

os seus testemunhos.

57 Mas retiraram-se para traz, e portaram-se infielmente como seus paes:

viraram-se como _um_ arco enganoso.

58 Pois o provocaram á ira com os seus altos, e moveram o seu zelo com as

suas imagens de esculptura.

59 Deus ouviu _isto_ e se indignou; e aborreceu a Israel em grande

maneira.

60 Pelo que desamparou [22] o tabernaculo em Silo, a tenda _que_

estabeleceu entre os homens.

61 E deu [23] a sua força ao captiveiro; e a sua gloria á mão do inimigo.

62 E entregou [24] o seu povo á espada; e se enfureceu contra a sua

herança.

63 O fogo consumiu os seus mancebos, e as suas donzellas não foram dadas

em casamento.

64 Os seus sacerdotes cairam á espada, e as suas viuvas não fizeram

lamentação.

65 Então o Senhor despertou, [25] como quem acaba de dormir, como um

valente que se alegra com o vinho.

66 E feriu os seus adversarios por detraz, e pôl-os em perpetuo desprezo.

67 Além d’isto, recusou o tabernaculo de José, e não elegeu a tribu

d’Ephraim.

68 Antes elegeu a tribu de Judah; o monte de Sião, que elle amava.

69 E edificou o seu sanctuario como altos _palacios_, como a terra que

fundou para sempre.

70 Tambem elegeu a David seu servo, [26] e o tirou dos apriscos das

ovelhas:

71 E o tirou do cuidado das _que se achavam_ prenhes; para apascentar a

Jacob, seu povo, e a Israel, sua herança.

72 Assim os apascentou, segundo a integridade do seu coração, e os guiou

pela [QD] industria de suas mãos.

[1] Isa. 51.4.

[2] Deu. 4.9 e 6.7.

[3] Deu. 4.9.

[4] Exo. 7 e 8 e 9 e 10 e 11 e 12. Gen. 32.3. Num. 13.22.

[5] Deu. 9.22. Heb. 3.16.

[6] Num. 11.4.

[7] Exo. 17.6. Num. 20.11.

[8] Num. 11.1, 10.

[9] Heb. 3.18.

[10] Gen. 7.11. Mal. 3.10.

[11] Exo. 16.4, 14. João 6.31. I Cor. 10.3.

[12] Num. 11.30.

[13] Num. 11.35.

[14] Ose. 5.15.

[15] Exo. 15.13. Deu. 7.8.

[16] Num. 14.22.

[17] Exo. 7.20.

[18] Exo. 8.24.

[19] Exo. 9.23, 25.

[20] Exo. 15.17.

[21] Jui. 2.11, 12.

[22] I Reis 4.11.

[23] Jui. 18.30.

[24] I Reis 4.10.

[25] Isa. 42.13.

[26] Gen. 33.13. Isa. 40.11.

_A assolação de Jerusalem e a supplica de soccorro._

Psalmo de Asaph.

79 Ó Deus, [QE] os gentios vieram á tua [1] herança; contaminaram o teu

sancto templo; reduziram Jerusalem a montões de pedras.

2 Deram os corpos mortos dos teus servos por comida ás aves dos céus, e a

carne dos teus sanctos ás bestas da terra.

3 Derramaram o sangue d’elles como agua ao redor de Jerusalem, e não

houve _quem_ os enterrasse.

4 Somos feitos opprobrio para nossos visinhos, escarneo e zombaria para

os que _estão_ á roda de nós.

5 Até quando, Senhor? _Acaso_ te indignarás para sempre? Arderá o teu

zelo como fogo?

6 Derrama o teu furor sobre os gentios que te não conhecem, e sobre os

reinos que não invocam o teu nome.

7 Porque devoraram a Jacob, e assolaram as suas moradas.

8 Não te lembres [2] das nossas iniquidades passadas: previnam-nos

depressa as tuas misericordias, pois _já_ estamos muito abatidos.

9 Ajuda-nos, ó Deus da nossa salvação, pela gloria do teu nome: e

livra-nos, e espia os nossos peccados por amor do teu nome.

10 Porque diriam os gentios: Onde está o seu Deus? Seja elle conhecido

entre os gentios, a nossa vista, _pela_ vingança do sangue dos teus

servos, _que foi_ derramado.

11 Venha perante a tua face o gemido dos presos; segundo a grandeza do

teu braço preserva aquelles que estão sentenciados á morte.

12 E torna aos nossos visinhos, no seu regaço, sete vezes tanto da sua

injuria com a qual te injuriaram, Senhor.

13 Assim nós, teu povo e ovelhas de teu pasto, te louvaremos eternamente:

de geração em geração cantaremos os teus louvores.

[1] Exo. 15.17.

[2] Isa. 64.9.

_O propheta supplica a Deus que livre a sua vinha dos que a destroem._

Para o cantor-mór. Sobre Sosanim Eduth. Psalmo de Asaph.

80 Tu, _que és_ pastor d’Israel, dá ouvidos: tu, que guias a José como a

_um_ rebanho: tu, que te assentas _entre_ os [1] cherubins, resplandece.

2 Perante Ephraim, Benjamin e Manasseh, desperta o teu poder, e vem

salvar-nos.

3 Faze-nos voltar, ó Deus, e faze resplandecer o teu rosto, e seremos

salvos.

4 Ó Senhor Deus dos Exercitos, até quando te indignarás contra a oração

do teu povo?

5 Tu os sustentas com pão de lagrimas, [2] e lhes dás a beber lagrimas,

[QF] com abundancia.

6 Tu nos pões em contendas com os nossos visinhos: e os nossos inimigos

zombam _de nós_ entre si.

7 Faze-nos voltar, [3] ó Deus dos Exercitos, e faze resplandecer o teu

rosto; e seremos salvos.

8 Trouxeste uma vinha do Egypto: lançaste fóra as nações, e a plantaste.

9 Preparaste-lhe _logar_, e fizeste com que ella deitasse raizes; e

encheu a terra.

10 Os montes foram cobertos da sua sombra, e os seus ramos se fizeram

_como os_ formosos cedros.

11 Ella estendeu a sua ramagem até ao mar, e os seus ramos até ao rio.

12 Porque quebraste então os seus vallados, de modo que todos os que

passam por ella a vindimam?

13 O javali da selva a devasta, e as feras do campo a devoram.

14 Oh Deus dos Exercitos, volta-te, nós te rogamos, attende dos céus, e

vê, e visita esta vide;

15 E a videira que a tua dextra plantou, e o sarmento que fortificaste

para ti.

16 _Está_ queimada pelo fogo, _está_ cortada: pereceu pela reprehensão da

tua face.

17 Seja a tua mão sobre o varão da tua dextra, sobre o filho do homem,

que fortificaste para ti.

18 Assim nós não te viraremos as costas; guarda-nos em vida, e

invocaremos o teu nome.

19 Faze-nos voltar, Senhor Deus dos Exercitos: faze resplandecer o teu

rosto; e seremos salvos.

[1] Exo. 25.20, 22.

[2] Isa. 30.20.

[3] Isa. 5.17.

_Deus reprehende a Israel pela sua ingratidão e rebellião._

Psalmo de Asaph para o cantor-mór, sobre Gittith.

81 Exultae a Deus, nossa fortaleza: jubilae ao Deus de Jacob.

2 Tomae o psalterio, e trazei o adufe, a harpa suave e o alaude.

3 Tocae a trombeta na lua nova, no tempo apontado da nossa solemnidade.

4 Porque _isto era_ um estatuto para Israel, _e_ uma ordenança do Deus de

Jacob.

5 Ordenou-o em José por testemunho, quando saira pela terra do Egypto,

_onde_ ouvi uma lingua _que_ não entendia.

6 Tirei de seus hombros a carga; as suas mãos foram livres [QG] das

marmitas.

7 Clamaste na angustia, e te livrei; respondi-te no logar occulto dos

trovões; [1] provei-te nas aguas de Meribah (Selah).

8 Ouve-me, povo meu, e eu te attestarei: ah, Israel, se me ouvisses!

9 Não haverá entre ti Deus alheio nem te prostrarás ante um Deus estranho.

10 Eu [2] _sou_ o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egypto: abre

bem a tua bocca, e t’a encherei.

11 Mas o meu povo não quiz ouvir a minha voz, e Israel não me quiz.

12 Pelo que eu os entreguei aos desejos dos seus proprios corações, _e_

andaram nos seus mesmos conselhos.

13 Oh! se o meu povo me tivesse ouvido! se Israel andasse nos meus

caminhos!

14 Em breve abateria os seus inimigos, e viraria a minha mão contra os

seus adversarios.

15 Os que aborrecem ao Senhor ter-se-lhe-hiam sujeitado, e o seu tempo

seria eterno.

16 E o sustentaria com o trigo mais fino, e te fartaria com o mel saido

da [QH] pedra.

[1] Exo. 17.6.

[2] Exo. 20.2.

_O propheta reprehende os juizes por causa da sua injustiça._

Psalmo de Asaph.

82 Deus está [1] na congregação dos poderosos; julga no meio dos deuses.

2 Até quando julgareis injustamente, e acceitareis as pessoas dos impios?

(Selah).

3 Fazei justiça ao pobre e ao orphão: justificae o afflicto e necessitado.

4 Livrae o pobre e o necessitado; tirae-os das mãos dos impios.

5 Elles não conhecem, nem entendem; andam em trevas; todos os fundamentos

da terra vacillam.

6 Eu disse: Vós _sois_ deuses, e todos vós filhos do Altissimo.

7 Todavia morrereis como homens, e caireis como qualquer dos principes.

8 Levanta-te, [2] ó Deus, julga a terra, pois tu possues todas as nações.

[1] II Chr. 19.6.

[2] Miq. 7.2, 7.

_As nações congregam-se contra Israel, e o propheta supplica a Deus que o

livre._

Cantico e psalmo de Asaph.

83 Ó Deus, não estejas em silencio; não te cales, nem te aquietes, ó Deus.

2 Porque eis que teus inimigos fazem tumulto, e os que te aborrecem

levantaram a cabeça.

3 Tomaram astuto conselho contra o teu povo, e consultavam contra os teus

escondidos.

4 Disseram: Vinde, e desarreiguemol-os para que não _sejam_ nação, nem

haja mais memoria do nome de Israel.

5 Porque consultaram juntos e unanimes; elles se alliam contra ti:

6 As tendas de Edom, e dos ismaelitas, de Moab, e dos agarenos,

7 De Gebal, e de Ammon, e de Amalek, de Palestina, com os moradores de

Tyro.

8 Tambem Assyria se ajuntou com elles: foram ajudar aos filhos de Lot

(Selah).

9 Faze-lhes como aos madianitas; como _a_ Sisera, como _a_ Jabin na

ribeira de Kison.

10 _Os quaes_ pereceram em Endor; tornaram-se como estrume para a terra.

11 Faze aos seus nobres como [1] _a_ Oreb, e como _a_ Zeeb e a todos os

seus principes, como _a_ Zebah e como _a_ Zalmuna;

12 Que disseram: Tomemos para nós as casas de Deus em possessão.

13 Deus meu, [2] faze-os como um tufão, como a aresta diante do vento.

14 Como o fogo que queima um bosque, e como a chamma que incendeia as

[QI] brenhas,

15 Assim os persegue com a tua tempestade, e os assombra com o teu

torvelinho.

16 Encham-se de vergonha as suas faces, para que busquem o teu nome,

Senhor.

17 Confundam-se e assombrem-se perpetuamente; envergonhem-se, e pereçam.

18 Para que saibam que tu, a quem só pertence o nome de [QJ] JEHOVAH,

_és_ o Altissimo sobre toda a terra.

[1] Jui. 7.25.

[2] Isa. 17.13.

_A felicidade d’aquelle que habita no sanctuario de Deus._

Para o cantor-mór sobre Gittith. Psalmo para os filhos de Korah.

84 Quão amaveis _são_ os teus tabernaculos, Senhor dos Exercitos.

2 A minha alma está desejosa, e desfallece pelos atrios do Senhor: o meu

coração e a minha carne clamam pelo Deus vivo.

3 Até o pardal encontrou casa, e a andorinha ninho para si, onde ponha

seus filhos, _até mesmo_ nos teus altares, Senhor dos exercitos, Rei meu

e Deus meu.

4 Bemaventurados os que habitam em tua casa: louvar-te-hão continuamente.

(Selah)

5 Bemaventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração _estão_ os

caminhos _aplanados_.

6 _Que_, passando pelo valle das [QK] amoreiras, faz d’elle uma fonte; a

chuva tambem enche os tanques.

7 Vão indo de força em força; _cada um d’elles_ em Sião apparece perante

Deus.

8 Senhor Deus dos Exercitos, escuta a minha oração: inclina os ouvidos, ó

Deus de Jacob! (Selah)

9 Olha, ó Deus, escudo nosso, e contempla o rosto do teu ungido.

10 Porque vale mais um dia nos teus atrios do que mil. Preferiria estar á

porta da casa do meu Deus, a habitar nas tendas dos impios.

11 Porque o Senhor Deus _é um_ sol e escudo: o Senhor dará graça e

gloria; não retirará bem _algum_ aos que andam na rectidão.

12 Senhor dos Exercitos, bemaventurado o homem que em ti põe a sua

confiança.

_Fundando-se nos livramentos passados, o povo de Deus pede o livramento

das afflicções presentes._

Psalmo para o cantor-mór, entre os filhos de Korah.

85 Abençoaste, Senhor, a tua terra: fizeste voltar o captiveiro de Jacob.

2 Perdoaste a iniquidade do teu povo: cobriste todos os seus peccados.

(Selah)

3 Fizeste cessar toda a tua indignação: desviaste-te do ardor da tua ira.

4 Torna-nos a trazer, ó Deus da nossa salvação, e faze cessar a tua ira

de sobre nós.

5 _Acaso_ estarás sempre irado contra nós? _ou_ estenderás a tua ira a

todas as gerações?

6 Não tornarás a reviver-nos, para que o teu povo se alegre em ti?

7 Mostra-nos, Senhor, a tua misericordia, e concede-nos a tua salvação.

8 Escutarei [1] o que Deus, o Senhor, fallar; porque fallará de paz ao

seu povo, e aos sanctos para que não voltem á loucura.

9 Certamente que a salvação _está_ perto d’aquelles que o temem, para que

a gloria habite na nossa terra.

10 A misericordia [2] e a verdade se encontraram: a justiça e a paz se

beijaram.

11 A verdade [3] brotará da terra, e a justiça olhará desde os céus.

12 Tambem o Senhor dará o _que é_ bom, e a nossa terra dará o seu fructo.

13 A justiça irá adiante d’elle, e a porá no caminho das suas pisadas.

[1] Hab. 2.1. Zac. 9.10.

[2] Isa. 46.13. João 1.14.

[3] Isa. 45.8.

_David implora ardentemente o soccorro de Deus._

Oração de David.

86 Inclina, Senhor, os teus ouvidos, _e_ ouve-me, porque _estou_

necessitado e afflicto.

2 Guarda a minha alma, pois sou sancto; oh Deus meu, salva o teu servo,

que em ti confia.

3 Tem misericordia de mim, ó Senhor, pois a ti clamo todo o dia.

4 Alegra a alma do teu servo, pois a ti, Senhor, levanto a minha alma.

5 Pois tu, Senhor, _és_ bom, e prompto a perdoar, e abundante em

benignidade para todos os que te invocam.

6 Dá ouvidos, Senhor, á minha oração, e attende á voz das minhas

supplicas.

7 No dia da minha angustia clamo a ti, porquanto me respondes.

8 Entre os deuses não _ha_ similhante a ti, Senhor, nem _ha_ obras como

as tuas.

9 Todas [1] as nações que fizeste virão e se prostrarão perante a tua

face, Senhor, e glorificarão o teu nome.

10 Porque tu _és_ grande e fazes maravilhas; só tu _és_ Deus.

11 Ensina-me, Senhor, o teu caminho, _e_ andarei na tua verdade: une o

meu coração ao temor do teu nome.

12 Louvar-te-hei, Senhor Deus meu, com todo o meu coração, e glorificarei

o teu nome para sempre.

13 Pois grande _é_ a tua misericordia para comigo; e livraste a minha

alma da sepultura mais profunda.

14 Ó Deus, os soberbos se levantaram contra mim, e as assembléas dos

tyrannos procuraram a minha alma; e não te pozeram perante os seus olhos.

15 Porém tu, [2] Senhor, _és_ um Deus cheio de compaixão, e piedoso,

soffredor, e grande em benignidade e em verdade.

16 Volta-te para mim, e tem misericordia de mim; dá a tua fortaleza ao

teu servo, e salva ao filho da tua serva.

17 Mostra-me um signal para bem, para que _o_ vejam aquelles que me

aborrecem, e se confundam; porque tu, Senhor, me ajudaste e me consolaste.

[1] Isa. 43.7. Apo. 15.4.

[2] Exo. 34.6. Num. 14.18. Neh. 9.17.

_Deus tem o maior prazer em Sião._

Psalmo e canto para os filhos de Korah.

87 O seu fundamento _está_ nos montes sanctos.

2 O Senhor ama as portas de Sião, mais do que todas as habitações de

Jacob.

3 Coisas [1] gloriosas se dizem de ti, ó cidade de Deus. (Selah)

4 Farei menção de Rahab e de Babylonia áquelles que me conhecem: eis-que

da Philisteia, e de Tyro, e [QL] da Ethiopia, se dirá: Este _homem_

nasceu ali.

5 E de Sião se dirá: Este e aquelle nasceu ali; e o mesmo Altissimo a

estabelecerá.

6 O Senhor contará na descripção dos povos _que_ este _homem_ nasceu ali.

(Selah)

7 Assim como os cantores e tocadores de instrumentos _estarão lá_, todas

as minhas fontes _estão_ dentro de ti.

[1] Isa. 60.14, 15.

_O psalmista queixa-se das suas grandes desgraças, e supplica a Deus que

o livre._

Cantico e psalmo para os filhos de Korah e para o cantor-mór sobre

Mahalat Leannoth, instrucção de Heman Ezrahita.

88 Senhor Deus da minha salvação, [1] diante de ti tenho clamado de dia e

de noite.

2 Chegue a minha oração perante a tua face, inclina os teus ouvidos ao

meu clamor;

3 Porque a minha alma está cheia de angustias, e a minha vida se

approxima da sepultura.

4 Estou contado com aquelles que descem ao abysmo: estou como homem sem

forças,

5 Apartado entre os mortos, como os feridos de morte que jazem na

sepultura, dos quaes te não lembras mais, e estão cortados da tua mão.

6 Pozeste-me no abysmo mais profundo, em trevas e nas profundezas.

7 Sobre mim peza o teu furor: tu _me_ affligiste com todas as tuas ondas

(Selah).

8 Alongaste de mim os meus conhecidos, pozeste-me em extrema abominação

para com elles: estou fechado, e não posso sair.

9 A minha vista desmaia por causa da afflicção: Senhor, tenho clamado a

ti todo o dia, tenho estendido para ti as minhas mãos.

10 Mostrarás tu maravilhas aos mortos, ou os mortos se levantarão e te

louvarão? (Selah)

11 Será annunciada a tua benignidade na sepultura, ou a tua fidelidade na

perdição?

12 Saber-se-hão as tuas maravilhas nas trevas, e a tua justiça na terra

do esquecimento?

13 Eu, porém, Senhor, tenho clamado a ti, e de madrugada te esperará a

minha oração.

14 Senhor, porque rejeitas a minha alma? porque escondes de mim a tua

face?

15 _Estou_ afflicto, e prestes _tenho estado_ a morrer desde a _minha_

mocidade: _emquanto_ soffro os teus terrores, estou distrahido.

16 A tua ardente indignação sobre mim vae passando: os teus terrores me

teem retalhado.

17 Elles me rodeiam todo o dia como agua; elles juntos me sitiam.

18 Desviaste para longe de mim amigos e companheiros, _e_ os meus

conhecidos _estão_ em trevas.

[1] Luc. 18.7.

_Traz-se á memoria o pacto de Deus com David, a fim de que Deus livre o

seu povo dos males presentes._

Maschil de Ethan, o ezrahita.

89 As benignidades do Senhor cantarei perpetuamente: com a minha bocca

manifestarei a tua fidelidade de geração em geração.

2 Pois disse eu: A _tua_ benignidade será edificada para sempre: tu

confirmarás a tua fidelidade até nos céus, _dizendo_:

3 Fiz [1] um concerto com o meu escolhido: jurei ao meu servo David,

_dizendo_:

4 A tua semente estabelecerei para sempre, e edificarei o teu throno de

geração em geração (Selah).

5 E os céus louvarão as tuas maravilhas, ó Senhor, a tua fidelidade

tambem na congregação dos sanctos.

6 Pois quem no céu se pode egualar ao Senhor? _Quem_ entre os filhos dos

poderosos pode ser similhante ao Senhor?

7 Deus é muito formidavel na assembléa dos sanctos, e para ser

reverenciado por todos os que o cercam.

8 Ó Senhor, Deus dos Exercitos, quem _é_ forte como tu, Senhor? pois a

tua fidelidade _está_ á roda de ti?

9 Tu dominas o impeto do mar: quando as suas ondas se levantam, tu as

fazes aquietar.

10 Tu quebrantaste a Rahab como se fôra ferida de morte; espalhaste os

teus inimigos com o teu braço forte.

11 Teus _são_ os céus, e tua _é_ a terra; o mundo e a sua plenitude tu os

fundaste.

12 O norte e o sul tu os creaste; Tabor e Hermon jubilam em teu nome.

13 Tu tens um braço poderoso; forte é a tua mão, _e_ alta está a tua

dextra.

14 Justiça e juizo _são_ o assento do teu throno, misericordia e verdade

irão adiante do teu rosto.

15 Bemaventurado o povo que conhece o som alegre: andará, ó Senhor, na

luz da tua face.

16 Em teu nome se alegrará todo o dia, e na tua justiça se exaltará.

17 Pois tu _és_ a gloria da sua força; e no teu favor será exaltado o

nosso [QM] poder.

18 Porque o Senhor _é_ a nossa defeza, e o Sancto d’Israel o nosso Rei.

19 Então fallaste em visão ao teu sancto, e disseste: Puz o soccorro

sobre _um que é_ poderoso: exaltei a _um_ eleito do povo.

20 Achei a David, meu servo; com sancto oleo o ungi:

21 Com o qual a minha mão ficará firme, e o meu braço o fortalecerá.

22 O inimigo não [QN] apertará com elle, nem o filho da perversidade o

affligirá.

23 E eu derribarei os seus inimigos perante a sua face, e ferirei aos que

o aborrecem.

24 E a minha fidelidade e a minha benignidade _estarão_ com elle; e em

meu nome será exaltado o seu poder.

25 Porei tambem a sua mão no mar, e a sua direita nos rios.

26 Elle me chamará, _dizendo_: Tu _és_ meu pae, meu Deus, e a rocha da

minha salvação.

27 Tambem o farei _meu_ primogenito, mais elevado do que os reis da terra.

28 A minha benignidade lhe conservarei eu para sempre, e o meu concerto

lhe _será_ firme.

29 E conservarei para sempre a sua semente, e o seu throno como os dias

do céu.

30 Se os seus filhos deixarem a minha lei, e não andarem nos meus juizos,

31 Se profanarem os meus preceitos, e não guardarem os meus mandamentos,

32 Então visitarei a sua transgressão com a vara, e a sua iniquidade com

açoites.

33 Porém não retirarei totalmente d’elle a minha benignidade, nem

faltarei á minha fidelidade.

34 Não quebrarei o meu concerto, não alterarei o que saiu dos meus labios.

35 Uma vez jurei pela minha sanctidade _que_ não mentirei a David.

36 A sua semente durará para sempre, e o seu throno, como o sol diante de

mim,

37 Será estabelecido para sempre como a lua, e _como_ uma testemunha fiel

no céu (Selah).

38 Porém tu rejeitaste e aborreceste; tu te indignaste contra o teu

ungido.

39 Abominaste o concerto do teu servo: profanaste a sua corôa,

_lançando-a_ por terra.

40 Derribaste todos os seus vallados; arruinaste as suas fortificações.

41 Todos os que passam pelo caminho o despojam; é um opprobrio para os

seus visinhos.

42 Exaltaste a dextra dos seus adversarios; fizeste com que todos os seus

inimigos se regozijassem.

43 Tambem embotaste os fios da sua espada, e não o sustentaste na peleja.

44 Fizeste cessar [QO] a sua gloria, e deitaste por terra o seu throno.

45 Abreviaste os dias da sua mocidade; cobriste-o de vergonha (Selah).

46 Até quando, Senhor? _Acaso_ te esconderás para sempre? arderá a tua

ira como fogo?

47 Lembra-te de quão breves são os meus dias; pelo que debalde creaste

todos os filhos dos homens.

48 Que homem ha, que viva, e não veja a morte? Livrará elle a sua alma do

poder [QP] da sepultura? (Selah)

49 Senhor, onde _estão_ as tuas antigas benignidades, _que_ juraste a

David pela tua verdade?

50 Lembra-te, Senhor, do opprobrio dos teus servos; _como_ eu trago no

meu peito o _opprobrio de_ todos os povos poderosos:

51 Com o qual, Senhor, os teus inimigos teem diffamado, com o qual teem

diffamado as pisadas do teu ungido.

52 Bemdito _seja_ o Senhor para sempre. Amen, e Amen.

[1] I Reis 8.16.

_A fraqueza do homem e a providencia de Deus._

Oração de Moysés, varão de Deus.

90 Senhor, tu tens sido [QQ] o nosso refugio, de geração em geração.

2 Antes [1] que os montes nascessem, ou que tu formasses a terra e o

mundo, mesmo de eternidade em eternidade, tu _és_ Deus.

3 Tu reduzes o homem á destruição; e dizes: [2] Tornae-vos, filhos dos

homens.

4 Porque mil annos _são_ aos teus olhos como o dia de hontem quando

passou, e _como_ a vigilia da noite.

5 Tu os levas como com _uma_ corrente d’agua: são _como um_ somno: de

manhã _são_ como a herva _que_ cresce.

6 De madrugada floresce e se muda: á tarde se corta e se secca.

7 Pois somos consumidos pela tua ira, e pelo teu furor somos angustiados.

8 Diante de ti pozeste as [3] nossas iniquidades: os nossos _peccados_

occultos á luz do teu rosto.

9 Pois todos os nossos dias vão passando na tua indignação; passamos os

nossos annos como um conto que se conta.

10 Os dias da nossa vida chegam a setenta annos, e se alguns pela sua

robustez chegam a oitenta annos, o orgulho d’elles _é_ canceira e enfado,

pois cedo se corta e vamos voando.

11 Quem conhece o poder da tua ira? segundo és tremendo, _assim é o_ teu

furor.

12 Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos

corações sabios.

13 Volta-te para nós, Senhor: até quando? e aplaca-te para com os teus

servos.

14 Farta-nos de madrugada com a tua benignidade, para que nos

regozijemos, e nos alegremos todos os nossos dias.

15 Alegra-nos pelos dias _em que_ nos affligiste, _e_ pelos annos _em

que_ vimos o mal.

16 Appareça [4] a tua obra aos teus servos, e a tua gloria sobre seus

filhos.

17 E seja sobre nós a formosura do Senhor, nosso Deus: e confirma sobre

nós [5] a obra das nossas mãos; sim, confirma a obra das nossas mãos.

[1] Pro. 8.25, 26.

[2] Gen. 3.19.

[3] Psa. 50.21.

[4] Hab. 3.2.

[5] Isa. 26.12.

_A segurança d’aquelle que se acolhe em Deus._

91 Aquelle que habita no esconderijo do Altissimo, á sombra do

Omnipotente descançará.

2 Direi do Senhor: _Elle é_ o meu Deus, o meu refugio, a minha fortaleza,

e n’elle confiarei.

3 Porque elle te livrará do laço do passarinheiro, _e_ da peste

perniciosa.

4 Elle te cobrirá com as suas pennas, e debaixo das suas azas te

confiarás: a sua verdade _será o teu_ escudo e rodella.

5 Não terás medo do terror de noite _nem_ da setta que vôa de dia,

6 _Nem_ da peste _que_ anda na escuridão, _nem_ da mortandade _que_

assola ao meio-dia.

7 Mil cairão ao teu lado, e dez mil á tua direita, _mas_ não chegará a ti.

8 Sómente com os teus olhos contemplarás, e verás a recompensa dos impios.

9 Porque tu, ó Senhor, és o meu refugio: no Altissimo fizeste a tua

habitação.

10 Nenhum mal te succederá, nem praga _alguma_ chegará á tua tenda.

11 Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito para te guardarem em

todos os teus caminhos.

12 Elles te sustentarão nas suas mãos, para que não tropeces com o teu pé

em pedra.

13 Pisarás o leão e a cobra; calcarás aos pés o filho do leão e [QR] o

dragão.

14 Porquanto tão encarecidamente me amou, tambem eu o livrarei; pôl-o-hei

em retiro alto, porque conheceu o meu nome.

15 Elle me invocará, e eu lhe responderei; _estarei_ com elle na

angustia; _d’ella_ o retirarei, e o glorificarei.

16 Fartal-o-hei com longura de dias, e lhe mostrarei a minha salvação.

_O psalmista louva a Deus por amor da sua obra, justiça e graça._

Psalmo e cantico para o sabbado.

92 Bom _é_ louvar ao Senhor, e cantar louvores ao teu nome, ó Altissimo:

2 Para de manhã annunciar a tua benignidade, e todas as noites a tua

fidelidade:

3 Sobre _um_ instrumento de dez cordas, e sobre o psalterio: sobre a

harpa com som solemne.

4 Pois tu, Senhor, me alegraste pelos teus feitos: exultarei nas obras

das tuas mãos.

5 Quão grandes são, Senhor, as tuas obras! mui profundos _são_ os teus

pensamentos.

6 O homem brutal não conhece, nem o louco entende isto.

7 Quando o impio crescer como a herva, e quando florescerem todos os que

obram a iniquidade, _é_ que serão destruidos perpetuamente.

8 Mas tu, Senhor, _és_ o Altissimo para sempre.

9 Pois eis que os teus inimigos, Senhor, eis que os teus inimigos

perecerão; serão dispersos todos os que obram a iniquidade,

10 Porém tu exaltarás o meu [QS] poder, como _o_ do unicornio: serei

ungido com oleo fresco.

11 Os meus olhos verão _o meu desejo_ sobre os meus inimigos, _e_ os meus

ouvidos ouvirão _o meu desejo_ ácerca dos malfeitores que se levantam

contra mim.

12 O justo florescerá como a palmeira; crescerá como o cedro no Libano.

13 Os que estão plantados na casa do Senhor florescerão nos atrios do

nosso Deus.

14 Na velhice ainda darão fructos: serão viçosos e florescentes;

15 Para annunciar que o Senhor _é_ recto: _elle é_ a minha rocha, e

n’elle não _ha_ injustiça.

_O poder e magestade do reino de Deus._

93 O Senhor reina; está vestido de magestade: o Senhor está vestido;

cingiu-se de fortaleza: o mundo tambem está firmado, _e_ não poderá

vacillar.

2 O teu throno _está_ firme desde então: tu _és_ desde a eternidade.

3 Os rios levantam, ó Deus, os rios levantam o seu ruido, os rios

levantam as suas ondas.

4 _Mas_ o Senhor nas alturas _é_ mais poderoso do que o ruido das grandes

aguas _e do que_ as grandes ondas do mar.

5 Mui fieis são os teus testemunhos: a sanctidade convem á tua casa,

Senhor, para sempre.

_Appellação á justiça de Deus contra os malfeitores._

94 Ó Senhor Deus, a quem a vingança pertence, [1] ó Deus, a quem a

vingança pertence, mostra-te resplandecente.

2 Exalta-te, tu, que és juiz da terra: dá a paga aos soberbos.

3 Até quando os impios, Senhor, até quando os impios [QT] saltarão de

prazer?

4 _Até quando_ proferirão, _e_ fallarão coisas duras, _e_ se gloriarão

todos os que obram a iniquidade?

5 Reduzem a pedaços o teu povo, e affligem a tua herança.

6 Matam a viuva e o estrangeiro, e ao orphão tiram a vida.

7 Comtudo dizem: O Senhor não _o_ verá; nem _para isso_ attenderá o Deus

de Jacob.

8 Attendei, ó brutaes d’entre o povo; e _vós_, loucos, quando sereis

sabios?

9 Aquelle que fez o ouvido não ouvirá? e o que formou o olho não verá?

10 Aquelle que argúe as gentes _não_ castigará? e o que ensina ao homem o

conhecimento _não saberá_?

11 O Senhor conhece os pensamentos do homem, que são vaidade.

12 Bemaventurado _é_ o homem a quem tu castigas, ó Senhor, e a quem

ensinas a tua lei;

13 Para lhe dares descanço dos dias maus, até que se abra a cova para o

impio.

14 Pois o Senhor não rejeitará o seu povo, nem desamparará a sua herança.

15 Mas o juizo voltará á rectidão, e seguil-o-hão todos os rectos do

coração.

16 Quem será por mim contra os malfeitores? quem se porá por mim contra

os que obram a iniquidade?

17 Se o Senhor não tivera ido em meu auxilio, a minha alma quasi que

teria ficado no silencio.

18 Quando eu disse: O meu pé vacilla; a tua benignidade, Senhor, me

susteve.

19 Na multidão dos meus pensamentos dentro de mim, as tuas consolações

recrearam a minha alma.

20 _Porventura_ [2] o throno d’iniquidade te acompanha, o qual forja o

mal por uma lei?

21 Elles se ajuntam contra a alma do justo, e condemnam o sangue

innocente.

22 Mas o Senhor _é_ a minha defeza; e o meu Deus é a rocha do meu refugio.

23 E trará sobre elles a sua propria iniquidade; e os destruirá na sua

propria malicia: o Senhor nosso Deus os destruirá.

[1] Deu. 32.35.

[2] Amós 6.3. Isa. 10.

_O psalmista convida a louvar o Senhor e celebral-o de viva voz._

95 Vinde, cantemos ao Senhor: jubilemos á rocha da nossa salvação.

2 Apresentemo-nos ante a sua face com louvores, e celebremol-o com

psalmos.

3 Porque o Senhor _é_ Deus grande, e Rei grande sobre todos os deuses.

4 Nas suas mãos _estão_ as profundezas da terra, e as alturas dos montes

_são_ suas.

5 Seu é o mar, e elle o fez, e as suas mãos formaram a terra secca.

6 Ó, vinde, adoremos e prostremo-nos: [1] ajoelhemos diante do Senhor que

nos creou.

7 Porque elle _é_ o nosso Deus, e nós povo do seu pasto e ovelhas da sua

mão. Se hoje ouvirdes a sua voz,

8 Não endureçaes [2] os vossos corações, _assim_ como [QU] na provocação

_e_ como _no_ dia [QV] da tentação no deserto;

9 Quando vossos paes me tentaram, me provaram, e viram a minha obra.

10 Quarenta annos estive desgostado com _esta_ geração, e disse: É _um_

povo que erra do coração, e não tem conhecido os meus caminhos.

11 A quem jurei [3] na minha ira que não entrarão no meu repouso.

[1] I Cor. 6.20.

[2] Exo. 17.2. Num. 14.22.

[3] Num. 14.23, 28, 30.

_Convite a toda a terra para louvar e temer o Senhor._

96 Cantae ao Senhor _um_ cantico novo, cantae ao Senhor toda a terra.

2 Cantae ao Senhor, bemdizei o seu nome; annunciae a sua salvação de dia

em dia.

3 Annunciae entre as nações a sua gloria; entre todos os povos as suas

maravilhas.

4 Porque grande _é_ o Senhor, e digno de louvor, mais tremendo do que

todos os deuses.

5 Porque [1] todos os deuses dos povos _são_ idolos, mas o Senhor fez os

céus.

6 Gloria e magestade _estão_ ante a sua face, força e formosura no seu

sanctuario.

7 Dae ao Senhor, ó familias dos povos, dae ao Senhor gloria e força.

8 Dae ao Senhor a gloria _devida ao_ seu nome: trazei offerenda, e entrae

nos seus atrios.

9 Adorae ao Senhor na belleza da sanctidade: tremei diante d’elle toda a

terra.

10 Dizei entre as nações _que_ o Senhor reina: o mundo tambem se firmará

para que se não abale: julgará os povos com rectidão.

11 Alegrem-se os céus, e regozije-se a terra: brama o mar e a sua

plenitude.

12 Alegre-se o campo com tudo o que _ha_ n’elle: então se regozijarão

todas as arvores do bosque,

13 Ante a face do Senhor, porque vem, porque vem a julgar a terra: [2]

julgará o mundo com justiça e os povos com a sua verdade.

[1] Jer. 10.11, 12.

[2] Apo. 19.11.

_A magestade do reino de Deus: o castigo dos impios: exhortação á piedade

e ao regozijo._

97 O Senhor reina; regozije-se a terra: [1] alegrem-se as muitas ilhas.

2 Nuvens [2] e obscuridade _estão_ ao redor d’elle: justiça e juizo _são_

a base do seu throno.

3 Um fogo vae adiante d’elle, [3] e abraza os seus inimigos em redor.

4 Os seus relampagos alumiam o mundo; a terra viu e tremeu.

5 Os montes [4] se derretem como cera na presença do Senhor, na presença

do Senhor de toda a terra.

6 Os céus annunciam a sua justiça, e todos os povos vêem a sua gloria.

7 Confundidos sejam todos os que servem imagens de esculptura, que se

gloriam de idolos: prostrae-vos diante d’elle, todos os deuses.

8 Sião ouviu e se alegrou; e os filhos de Judah se alegraram por causa da

tua justiça, ó Senhor.

9 Pois tu, Senhor, _és_ o mais alto sobre toda a terra; tu _és_ muito

mais exaltado [5] do que todos os deuses.

10 Vós, que amaes ao Senhor, aborrecei o mal: elle guarda as almas dos

seus sanctos, elle os livra das mãos dos impios.

11 A luz semeia-se para o justo, e a alegria para os rectos de coração.

12 Alegrae-vos, ó justos, no Senhor, e dae louvores á memoria da sua

sanctidade.

[1] Isa. 60.9.

[2] I Reis 8.12.

[3] Dan. 7.10. Hab. 3.5.

[4] Jui. 5.5. Miq. 1.4.

[5] Exo. 18.11.

_Convite a louvar o Senhor por amor de sua salvação._

Psalmo.

98 Cantae ao Senhor _um_ cantico novo, porque fez maravilhas; a sua

dextra e o seu braço sancto lhe alcançaram a salvação.

2 O Senhor fez [1] notoria a sua salvação, manifestou a sua justiça

perante os olhos das nações.

3 Lembrou-se da sua benignidade e da sua verdade para com a casa

d’Israel; todas as extremidades da terra viram a salvação do nosso Deus.

4 Exultae no Senhor, toda a terra; exclamae e alegrae-vos de prazer, e

cantae louvores.

5 Cantae louvores ao Senhor com a harpa; com a harpa e a voz do canto.

6 Com trombetas e som de cornetas, exultae perante a face do Senhor, o

Rei.

7 Brama o mar e a sua plenitude; o mundo, e os que n’elle habitam.

8 Os rios [2] batam as palmas: regozijem-se tambem as montanhas,

9 Perante a face do Senhor, porque vem a julgar a terra: com justiça

julgará _o_ mundo, e o povo com equidade.

[1] Isa. 52.10. Luc. 2.30, 31.

[2] Isa. 55.12.

_A grandeza do reino de Deus._

99 O Senhor reina; tremam as nações: [1] está assentado _entre_ os

cherubins; commova-se a terra.

2 O Senhor _é_ grande em Sião, e mais alto do que todas as nações.

3 Louvem o teu nome, grande e tremendo, _pois é_ sancto.

4 Tambem o poder do Rei ama o juizo: tu firmas a equidade, fazes juizo e

justiça em Jacob.

5 Exaltae ao Senhor nosso Deus, e prostrae-vos diante do escabello de

seus pés, _pois é_ sancto.

6 Moysés [2] e Aarão, entre os seus sacerdotes, e Samuel entre os que

invocam o seu nome, clamavam [3] ao Senhor, e Elle os ouvia.

7 Na columna de nuvem lhes fallava: elles guardavam os seus testemunhos,

e os estatutos _que_ lhes dera.

8 Tu os escutaste, Senhor nosso Deus: tu foste um Deus que lhes

perdoaste, ainda que tomaste vingança dos seus feitos.

9 Exaltae ao Senhor nosso Deus e adorae-o no seu monte sancto, pois o

Senhor nosso Deus _é_ sancto.

[1] Exo. 25.22.

[2] Jer. 15.1.

[3] Exo. 14.15 e 15.25.

_Exhortação a toda a creatura a celebrar ao Senhor._

Psalmo de louvor.

100 Celebrae com jubilo ao Senhor, todas as terras.

2 Servi ao Senhor com alegria; e entrae diante d’elle com canto.

3 Sabei que o Senhor _é_ Deus: foi elle que nos fez, e não nós outros a

nós; _somos_ povo seu e ovelhas do seu pasto.

4 Entrae pelas portas d’elle com louvor, _e_ em seus atrios com hymno:

louvae-o, e bemdizei o seu nome.

5 Porque o Senhor _é_ bom, e eterna a sua misericordia; e a sua verdade

_dura_ de geração em geração.

_David promette a Deus andar perante elle com sinceridade e oppor-se aos

impios._

Psalmo de David.

101 Cantarei a misericordia e o juizo: a ti, Senhor, cantarei.

2 Portar-me-hei [1] com intelligencia no caminho recto. Quando virás a

mim? Andarei em minha casa com um coração sincero.

3 Não porei coisa má diante dos meus olhos: aborreço a obra d’aquelles

que se desviam; não se _me_ pegará a mim.

4 Um coração perverso se apartará de [2] mim: não conhecerei o _homem_

mau.

5 Aquelle que murmura do seu proximo ás escondidas, eu o destruirei:

aquelle que tem olhar altivo, e coração soberbo, não soffrerei.

6 Os meus olhos _estarão_ sobre os fieis da terra, para que se assentem

comigo: o que anda n’_um_ caminho recto esse me servirá.

7 O que usa de engano não ficará dentro da minha casa: o que falla

mentiras não está firme perante os meus olhos.

8 Pela manhã destruirei todos os impios da terra, para desarreigar da

cidade do Senhor todos os que obram a iniquidade.

[1] I Sam. 18.14.

[2] Mat. 7.23. II Tim. 2.19.

_Na sua grande afflicção, o psalmista recorre a Deus para que restabeleça

o seu povo e o reconduza á sua terra._

Oração do afflicto, vendo-se desfallecido, e derramando a sua queixa

perante a face do Senhor.

102 Senhor, ouve a minha oração, e chegue a ti o meu clamor.

2 Não escondas de mim o teu rosto no dia da minha angustia, inclina para

mim os teus ouvidos; no dia _em_ que eu clamar, ouve-me depressa.

3 Porque os meus dias se consomem como o fumo, e os meus ossos ardem como

um lar.

4 O meu coração está ferido e secco como a herva, pelo que me esqueço de

comer o meu pão.

5 Por causa da voz do meu gemido os meus ossos se apegam á minha pelle.

6 Sou similhante ao pelicano [1] no deserto: sou como um mocho nas

solidões.

7 Vigio, sou como o pardal solitario no telhado.

8 Os meus inimigos me affrontam todo o dia: os que se enfurecem contra

mim teem jurado.

9 Pois tenho comido cinza como pão, e misturado com lagrimas a minha

bebida.

10 Por causa da tua ira e da tua indignação, pois tu me levantaste e me

arremeçaste.

11 Os meus dias _são_ como a sombra que declina, e como a herva me vou

seccando.

12 Mas tu, Senhor, permanecerás para sempre, e a tua memoria de geração

em geração.

13 Tu te levantarás [2] _e_ terás piedade de Sião; pois o tempo de te

compadeceres d’ella, o tempo determinado, já chegou.

14 Porque os teus servos teem prazer nas suas pedras, e se compadecem do

seu pó.

15 Então as nações temerão o nome do Senhor, e todos os reis da terra a

tua gloria.

16 Quando o Senhor edificar a Sião, apparecerá na sua gloria.

17 Elle attenderá á oração do desamparado, e não desprezará a sua oração.

18 Isto se escreverá para a geração futura; e o povo que se crear louvará

ao Senhor.

19 Pois [3] olhou desde o alto do seu sanctuario, desde os céus o Senhor

contemplou a terra.

20 Para ouvir o gemido dos presos, para soltar os sentenciados á morte;

21 Para annunciarem o nome do Senhor em Sião, e o seu louvor em Jerusalem;

22 Quando os povos se ajuntarem, e os reinos, para servirem ao Senhor.

23 Abateu a minha força no caminho; abreviou os meus dias.

24 Dizia eu: Meu Deus, não me leves no meio dos meus dias, os teus annos

_são_ por todas as gerações.

25 Desde a antiguidade [4] fundaste a terra: e os céus _são_ obra das

tuas mãos.

26 Elles perecerão, [5] mas tu permanecerás: todos elles se envelhecerão

como _um_ vestido; como roupa os mudarás, e ficarão mudados.

27 Porém tu _és_ [6] o mesmo, e os teus annos nunca terão fim.

28 Os filhos dos teus servos continuarão, e a sua semente ficará firmada

perante ti.

[1] Isa. 34.11. Sof. 2.14.

[2] Isa. 60.10. Zac. 1.12.

[3] Deu. 26.15.

[4] Gen. 1.1 e 2.1. Heb. 1.12.

[5] Isa. 34.4. II Ped. 3.7.

[6] Mal. 3.6. Heb. 13.8.

_Convite a louvar a Deus por amor de sua graça._

Psalmo de David.

103 Bemdize, ó alma minha ao Senhor, e tudo o que ha em mim, _bemdiga_ o

seu sancto nome.

2 Bemdize, ó alma minha, ao Senhor, e não te esqueças de nenhum de seus

beneficios.

3 O que perdôa [1] todas as tuas iniquidades, que sara todas as tuas

enfermidades,

4 Que redime [2] a tua vida da [QW] perdição; que te corôa de benignidade

e de misericordia,

5 Que farta a tua bocca de bens, _de sorte que_ a tua mocidade se renove

como a _da_ aguia.

6 O Senhor faz justiça e juizo a todos os opprimidos.

7 Fez conhecidos os seus caminhos a Moysés, e os seus feitos aos filhos

d’Israel.

8 Misericordioso e [3] piedoso _é_ o Senhor; longanimo e grande em

benignidade.

9 Não reprovará perpetuamente, nem para sempre reterá a _sua ira_.

10 Não nos tratou segundo os nossos peccados, nem nos recompensou segundo

as nossas iniquidades.

11 Pois _assim_ como o céu está elevado acima da terra, _assim_ é grande

a sua misericordia para com os que o temem.

12 _Assim_ como está longe o oriente do occidente, _assim_ affasta de nós

as nossas transgressões.

13 _Assim_ como [4] um pae se compadece de _seus_ filhos, _assim_ o

Senhor se compadece d’aquelles que o temem.

14 Pois elle conhece a nossa estructura, [5] lembra-se de que _somos_ pó.

15 _Emquanto_ ao homem, os seus dias _são_ como a herva, como a flor do

campo assim floresce.

16 Passando por ella o vento, _logo_ se vae, e o seu logar não será mais

conhecido.

17 Mas a misericordia do Senhor _é_ desde a eternidade e até á eternidade

sobre aquelles que o temem, e a sua justiça sobre os filhos dos filhos;

18 Sobre aquelles que guardam o seu concerto, e sobre os que se lembram

dos seus mandamentos para os cumprirem.

19 O Senhor tem estabelecido o seu throno nos céus, e o seu reino domina

sobre tudo.

20 Bemdizei ao Senhor, _todos_ os seus anjos, _vós_ que excedeis em

força, que guardaes os seus mandamentos, obedecendo á voz da sua palavra.

21 Bemdizei ao Senhor, todos os seus exercitos, vós, [6] ministros seus,

que executaes o seu beneplacito.

22 Bemdizei ao Senhor, todas as suas obras, em todos os logares do seu

dominio; bemdize, ó alma minha, ao Senhor.

[1] Mat. 9.2, 6. Mar. 2.5, 10, 11.

[2] Exo. 15.26. Jer. 17.14.

[3] Exo. 34.6, 7. Num. 14.18. Deu. 5.10.

[4] Mal. 3.1.

[5] Gen. 3.19.

[6] Dan. 7.9, 10. Heb. 1.14.

_A gloria de Deus é manifestada na creação e conservação de todas as

coisas._

104 Bemdize, ó alma minha, ao Senhor: Senhor Deus meu, tu és

magnificentissimo, estás vestido de gloria e de magestade.

2 Elle se cobre de luz como de um vestido, estende os céus como uma

cortina.

3 Põe nas aguas as vigas das suas camaras; faz das nuvens o seu carro,

anda sobre as azas do vento.

4 Faz [1] dos seus anjos espiritos, dos seus ministros um fogo abrazador.

5 Lançou os fundamentos da terra, _para que_ não vacille em tempo algum.

6 Tu a cobres com o abysmo, como com um vestido: as aguas estavam sobre

os montes.

7 Á tua reprehensão [2] fugiram: á voz do teu trovão se apressaram.

8 Sobem aos montes, descem aos valles, até ao logar que para ellas

fundaste.

9 Termo _lhes_ pozeste, que não ultra-passarão, para que não tornem mais

a cobrir a terra.

10 Tu, que fazes sair as fontes nos valles, _as quaes_ correm entre os

montes.

11 Dão de beber a todo o animal do campo; os jumentos montezes matam a

sua sêde.

12 Junto d’ellas as aves do céu terão a sua habitação, cantando entre os

ramos.

13 Elle rega os montes desde as suas camaras: a terra se farta do fructo

das suas obras.

14 Faz crescer a herva para as bestas, e a verdura para o serviço do

homem, para fazer sair da terra o pão,

15 E o vinho _que_ alegra o coração do homem, e o azeite _que_ faz

reluzir o _seu_ rosto, e o pão _que_ fortalece o coração do homem.

16 As arvores do Senhor fartam-se de _seiva_, [3] os cedros do Libano que

elle plantou,

17 Onde as aves se aninham: _emquanto_ á cegonha, a sua casa é nas faias.

18 Os altos montes _são um refugio_ para as cabras montezes, _e_ as

rochas para os coelhos.

19 Designou [4] a lua para as estações: o sol conhece o seu occaso.

20 Ordenas [5] a escuridão, e faz-se noite, na qual saem todos os animaes

da selva.

21 Os leõesinhos bramam pela preza, e de Deus buscam o seu sustento.

22 Nasce o sol e _logo_ se acolhem, e se deitam nos seus covis.

23 _Então_ sae [6] o homem á sua obra e ao seu trabalho, até á tarde.

24 Ó Senhor, quão variadas são as tuas obras! todas as coisas fizeste com

sabedoria; cheia está a terra das tuas riquezas.

25 _Assim é_ este mar grande e muito espaçoso, onde _ha_ reptis sem

numero, animaes pequenos e grandes.

26 Ali andam os navios; _e_ o leviathan que formaste para n’elle folgar.

27 Todos esperam de ti, que lhes dês o seu sustento em tempo opportuno.

28 Dando-lh’o tu, _elles o_ recolhem; abres a tua mão, _e_ se enchem de

bens.

29 Escondes o teu rosto, e ficam perturbados: se lhes tiras o folego,

morrem, e voltam para o seu pó.

30 Envias o teu Espirito, e são creados, e _assim_ renovas a face da

terra.

31 A gloria do Senhor durará para sempre: o Senhor se alegrará nas suas

obras.

32 Olhando [7] elle para a terra, ella treme; tocando nos montes, _logo_

fumegam.

33 Cantarei ao Senhor emquanto eu viver; cantarei louvores ao meu Deus,

emquanto eu tiver existencia.

34 A minha meditação ácerca d’elle será suave: eu me alegrarei no Senhor.

35 Desçam da terra os peccadores, e os impios não sejam mais. Bemdize, ó

alma minha, ao Senhor. [QX] Louvae ao Senhor.

[1] Heb. 1.7.

[2] Gen. 7.19. Gen. 8.1.

[3] Num. 24.6.

[4] Gen. 1.14.

[5] Isa. 45.7.

[6] Gen. 3.19.

[7] Hab. 3.10.

_O psalmista louva a Deus por haver guardado o seu pacto com os

patriarchas, por haver livrado Israel d’Egypto, e pelo haver conduzido

pelo deserto até Canaan._

105 Louvae [1] ao Senhor, _e_ invocae o seu nome; fazei conhecidas as

suas obras entre os povos.

2 Cantae-lhe, cantae-lhe psalmos: fallae de todas as suas maravilhas.

3 Gloriae-vos no seu sancto nome: alegre-se o coração d’aquelles que

buscam ao Senhor.

4 Buscae ao Senhor e a sua força: buscae a sua face continuamente.

5 Lembrae-vos das maravilhas que fez, dos seus prodigios e dos juizos da

sua bocca;

6 Vós, semente d’Abrahão, seu servo, vós, filhos de Jacob, seus

escolhidos.

7 Elle _é_ o Senhor, nosso Deus; [2] os seus juizos _estão_ em toda a

terra.

8 Lembrou-se [3] do seu concerto para sempre, da palavra _que_ mandou a

milhares de gerações.

9 O qual [4] _concerto_ fez com Abrahão, e o seu juramento a Isaac.

10 E confirmou o mesmo a Jacob _por_ estatuto, _e_ a Israel _por_

concerto eterno,

11 Dizendo: [5] A ti darei a terra de Canaan, a sorte da vossa herança.

12 Quando eram poucos homens em numero, sim, mui poucos e estrangeiros

n’ella.

13 Quando andavam de nação em nação e d’um reino para outro povo.

14 Não permittiu [6] a ninguem que os opprimisse, e por amor d’elles

reprehendeu a reis, _dizendo_:

15 Não toqueis os meus ungidos, e não maltrateis os meus prophetas.

16 Chamou [7] a fome sobre a terra, quebrantou todo o sustento do pão.

17 Mandou [8] perante elles um varão, José, _que_ foi vendido por escravo:

18 Cujos pés apertaram com grilhões: foi mettido em ferros:

19 Até ao tempo em que chegou a sua palavra; a palavra do Senhor o provou.

20 Mandou [9] o rei, e o fez soltar; o governador dos povos, e o soltou.

21 Fel-o [10] senhor da sua casa, e governador de toda a sua fazenda;

22 Para sujeitar os seus principes a seu gosto, e instruir os seus

anciãos.

23 Então Israel entrou no Egypto, e Jacob peregrinou na terra de Cão.

24 E augmentou [11] o seu povo em grande maneira, e o fez mais poderoso

do que os seus inimigos.

25 Virou [12] o coração d’elles para que aborrecessem o seu povo, para

que tratassem astutamente aos seus servos.

26 Enviou [13] Moysés, seu servo, _e_ Aarão, a quem escolhera.

27 Mostraram entre elles os seus signaes e prodigios, na terra de Cão.

28 Mandou trevas, e a fez escurecer; e não foram rebeldes á sua palavra.

29 Converteu [14] as suas aguas em sangue, e matou os seus peixes.

30 A sua terra produziu [15] rãs em abundancia, até nas camaras dos seus

reis.

31 Fallou elle, e vieram enxames de moscas _e_ piolhos em todo o seu

termo.

32 Converteu [16] as suas chuvas em saraiva, _e_ fogo abrazador na sua

terra.

33 Feriu as suas vinhas e os seus figueiraes, e quebrou as arvores dos

seus termos.

34 Fallou elle, e vieram gafanhotos e pulgão sem numero.

35 E comeram toda a herva da sua terra, e devoraram o fructo dos seus

campos.

36 Feriu [17] tambem a todos os primogenitos da sua terra, as primicias

de todas as suas forças.

37 E tirou-os _para fóra_ com prata e oiro, e entre as suas tribus não

houve um só fraco.

38 O Egypto [18] se alegrou quando elles sairam, porque o seu temor caira

sobre elles.

39 Estendeu [19] uma nuvem por coberta, e um fogo para alumiar de noite.

40 Oraram, [20] e elle fez vir codornizes, e os fartou de pão do céu.

41 Abriu a penha, e d’ella correram aguas; correram pelos logares seccos

_como_ um rio.

42 Porque [21] se lembrou da sua sancta palavra, e de Abrahão, seu servo.

43 E tirou _d’ali_ o seu povo com alegria, _e_ os seus escolhidos com

regozijo.

44 E deu-lhes [22] as terras das nações; e herdaram o trabalho dos povos;

45 Para que guardassem os seus preceitos, e observassem as suas leis.

Louvae ao Senhor.

[1] I Chr. 16.8, 22.

[2] Isa. 26.9.

[3] Luc. 1.72.

[4] Gen. 17.2 e 22.16, etc. e 26.3. Luc. 1.73. Heb. 6.17.

[5] Gen. 13.15 e 15.18.

[6] Gen. 35.5.

[7] Gen. 41.45.

[8] Gen. 37.28 e 45.5, 36.

[9] Gen. 41.14.

[10] Gen. 41.40.

[11] Exo. 1.7.

[12] Exo. 1.8.

[13] Exo. 3.10 e 4.12, 14.

[14] Exo. 7.20.

[15] Exo. 8.6.

[16] Exo. 9.23, 25.

[17] Exo. 12.29. Gen. 49.3.

[18] Exo. 12.33.

[19] Exo. 16.21.

[20] Exo. 16.12.

[21] Gen. 15.14.

[22] Deu. 6.10.

_Deus é louvado por haver supportado o seu povo, apezar das suas muitas

rebelliões._

106 Louvae ao Senhor. Louvae ao Senhor, porque elle é bom, porque a sua

misericordia _dura_ para sempre.

2 Quem pode referir as obras poderosas do Senhor? _Quem_ annunciará os

seus louvores?

3 Bemaventurados os que guardam o juizo, [1] o que obra justiça em todos

os tempos.

4 Lembra-te de mim, Senhor, segundo a _tua_ boa vontade para com o teu

povo: visita-me com a tua salvação;

5 Para que eu veja os bens de teus escolhidos, para que eu me alegre com

a alegria do teu povo, para que me glorie com a tua herança.

6 Nós peccámos [2] com os nossos paes, commettemos a iniquidade, obrámos

perversamente.

7 Nossos paes não entenderam as tuas maravilhas no Egypto; [3] não se

lembraram da multidão das tuas misericordias; antes _o_ provocaram no

mar, _sim_ no Mar Vermelho.

8 Não obstante, [4] elle os salvou por amor do seu nome, para fazer

conhecido o seu poder.

9 Reprehendeu o Mar Vermelho e se seccou, e os fez caminhar pelos

abysmos como pelo deserto.

10 E os livrou [5] da mão d’aquelle que os aborrecia, e os remiu da mão

do inimigo.

11 E as aguas [6] cobriram os seus adversarios: nem um _só_ d’elles ficou.

12 Então creram [7] as suas palavras, e cantaram os seus louvores.

13 _Porém_ cedo se esqueceram das suas obras; não esperaram o seu

conselho,

14 Mas deixaram-se levar da cubiça no deserto, e tentaram a Deus na

solidão.

15 E elle lhes cumpriu o seu desejo, mas enviou magreza ás suas almas.

16 E invejaram a [8] Moysés no campo, _e_ a Aarão, o sancto do Senhor.

17 Abriu-se [9] a terra, e enguliu a Dathan, e cobriu a gente de Abiram.

18 E um fogo se accendeu [10] na sua gente: a chamma abrazou os impios.

19 Fizeram um bezerro [11] em Horeb, e adoraram a imagem fundida.

20 E converteram [12] a sua gloria na figura de um boi que come herva.

21 Esqueceram-se de Deus, seu salvador, que fizera grandezas no Egypto,

22 Maravilhas na terra de Cão, coisas tremendas no Mar Vermelho.

23 Pelo que disse que os [13] destruiria, se Moysés, seu escolhido, se

não pozesse perante elle na abertura, para desviar a sua indignação, afim

de _os_ não destruir.

24 Tambem desprezaram [14] a terra aprazivel: não creram na sua palavra.

25 Antes murmuraram [15] nas suas tendas, _e_ não deram ouvidos á voz do

Senhor.

26 Pelo que levantou [16] a sua mão contra elles, para os derribar no

deserto;

27 Para derribar tambem a sua semente entre as nações, e espalhal-os

pelas terras.

28 Tambem se juntaram [17] com Baal-peor, e começaram os sacrificios dos

mortos.

29 Assim _o_ provocaram á ira com as suas invenções; e a peste rebentou

entre elles.

30 Então se levantou [18] Phineas, e fez juizo, e cessou aquella peste.

31 E isto lhe foi contado [19] como justiça, de geração em geração, para

sempre.

32 Indignaram-n’_o_ [20] tambem junto ás aguas da contenda, de sorte que

succedeu mal a Moysés, por causa d’elles;

33 Porque irritaram o seu espirito, [21] de modo que fallou

imprudentemente com seus labios.

34 Não [22] destruiram os povos, como o Senhor lhes dissera.

35 Antes se misturaram com as nações, e aprenderam as suas obras.

36 E serviram aos seus idolos, que vieram a ser-lhes um laço.

37 Demais _d’isto_, [23] sacrificaram seus filhos e suas filhas aos

demonios,

38 E derramaram sangue innocente, o sangue de seus filhos e de suas

filhas, que sacrificaram aos idolos de Canaan; [24] e a terra foi

manchada com sangue.

39 Assim se contaminaram [25] com as suas obras, e se prostituiram com os

seus feitos.

40 Pelo que se accendeu a ira do Senhor contra o seu povo, de modo que

abominou a sua herança.

41 E os entregou [26] nas mãos das nações; e aquelles que os aborreciam

se assenhorearam d’elles.

42 E os seus inimigos os opprimiram, e foram humilhados debaixo das suas

mãos.

43 Muitas vezes os livrou, mas _o_ provocaram com o seu conselho, e foram

abatidos pela sua iniquidade.

44 Comtudo, attendeu á sua afflicção, ouvindo o seu clamor.

45 E se lembrou [27] do seu concerto, e se arrependeu segundo a multidão

das suas misericordias.

46 Pelo que fez [28] com que d’elle tivessem misericordia os que os

levaram captivos.

47 Salva-nos, Senhor, nosso Deus, e congrega-nos d’entre as nações, para

que louvemos o teu nome sancto, e nos gloriemos no teu louvor.

48 Bemdito _seja_ o Senhor, Deus d’Israel, de eternidade em eternidade, e

todo o povo diga: Amen. Louvae ao Senhor.

[1] Act. 24.16. Gal. 6.9.

[2] Lev. 26.40. Dan. 9.5.

[3] Exo. 14.11, 12.

[4] Eze. 20.14. Exo. 9.16.

[5] Exo. 14.30.

[6] Exo. 14.27, 28 e 15.5.

[7] Exo. 14.31 e 15.1.

[8] Num. 16.1, etc.

[9] Num. 16.31, 32. Deu. 11.6.

[10] Num. 16.35, 46.

[11] Exo. 32.4.

[12] Jer. 2.11. Rom. 1.23.

[13] Exo. 32.10, 11, 32. Deu. 9.19, 25 e 10.10.

[14] Deu. 8.7.

[15] Num. 14.2, 27.

[16] Num. 14.28. Heb. 3.11, 18.

[17] Num. 25.2, 3.

[18] Num. 25.7, 8.

[19] Num. 25.11, 12, 13.

[20] Num. 20.3, 13. Deu. 1.37 e 3.26.

[21] Num. 20.10.

[22] Jui. 1.21, 27, 28, 29, etc.

[23] II Reis 16.3. Isa. 57.5. I Cor. 10.20.

[24] Num. 35.33.

[25] Eze. 20.30, 31. Lev. 17.7.

[26] Jui. 2.14. Neh. 9.27.

[27] Lev. 26.41, 42.

[28] Esd. 9.9. I Chr. 16.35, 36. Jer. 42.12.

_A bondade de Deus em proteger os viajantes, os encarcerados, os doentes,

os que navegam, e em geral todos os homens._

107 Louvae ao Senhor, porque elle _é_ bom, porque a sua benignidade

_dura_ para sempre.

2 Digam-n’_o_ os remidos do Senhor, os que remiu da mão do inimigo,

3 E os _que_ congregou das terras do oriente [1] e do occidente, do norte

e do sul.

4 Andaram desgarrados pelo deserto, por caminhos solitarios; não acharam

cidade para habitarem.

5 Famintos e sedentos, a sua alma n’elles desfallecia.

6 E clamaram [2] ao Senhor na sua angustia, _e_ os livrou das suas

necessidades.

7 E os levou por caminho direito, para irem a _uma_ cidade de habitação.

8 Louvem ao Senhor _pela_ sua bondade, e _pelas_ suas maravilhas para com

os filhos dos homens.

9 Pois fartou a alma sedenta, e encheu de bondade a alma faminta.

10 Tal como a que se assenta nas trevas e sombra da morte, presa em

afflicção e em ferro;

11 Porquanto se rebellaram contra as palavras de Deus, e desprezaram o

conselho do Altissimo,

12 Portanto lhes abateu o coração com trabalho; tropeçaram, e não _houve_

quem _os_ ajudasse.

13 Então clamaram ao Senhor na sua angustia, _e_ os livrou das suas

necessidades.

14 Tirou-os das trevas e sombra da morte; e quebrou as suas prisões.

15 Louvem ao Senhor pela sua bondade, e _pelas_ suas maravilhas para com

os filhos dos homens.

16 Pois quebrou [3] as portas de bronze; e despedaçou os ferrolhos de

ferro.

17 Os loucos, por causa da sua transgressão, e por causa das suas

iniquidades, são afflictos.

18 A sua alma aborreceu toda a comida, e chegaram até ás portas da morte.

19 Então clamaram ao Senhor na sua angustia: _e_ elle os livrou das suas

necessidades.

20 Enviou a sua palavra, e os sarou; e os livrou da sua destruição.

21 Louvem ao Senhor _pela_ sua bondade, e _pelas_ suas maravilhas para

com os filhos dos homens.

22 E offereçam os sacrificios de louvor, e relatem as suas obras com

regozijo.

23 Os que descem ao mar em navios, mercando nas grandes aguas,

24 Esses vêem as obras do Senhor, e as suas maravilhas no profundo.

25 Pois elle manda, e se levanta o vento tempestuoso, que eleva as suas

ondas.

26 Sobem aos céus; descem aos abysmos, _e_ a sua alma se derrete em

angustias.

27 Andam e cambaleam como ebrios, e perderam todo o tino.

28 Então clamam ao Senhor na sua angustia; e elle os livra das suas

necessidades.

29 Faz cessar a tormenta, e calam-se as suas ondas.

30 Então se alegram, porque se aquietaram; assim os leva ao seu porto

desejado.

31 Louvem ao Senhor _pela_ sua bondade, e _pelas_ suas maravilhas para

com os filhos dos homens.

32 Exaltem-n’o na congregação do povo, e glorifiquem-n’o na assembléa dos

anciãos.

33 Elle converte [4] os rios em um deserto, e as fontes em _terra_

sedenta:

34 A terra fructifera [5] em esteril, pela maldade dos que n’ella habitam.

35 Converte o deserto em lagoa, e a terra secca em fontes.

36 E faz habitar ali os famintos, para que edifiquem cidade para

habitação;

37 E semeiam os campos e plantam vinhas, que produzem fructo abundante.

38 Tambem os abençoa, [6] de modo que se multiplicam muito; e o seu gado

não diminue.

39 Depois se diminuem e se abatem, pela oppressão, afflicção e tristeza.

40 Derrama o desprezo sobre os principes, e os faz andar desgarrados pelo

deserto, _onde_ não ha caminho.

41 Porém livra ao necessitado da oppressão em um logar alto, e multiplica

as familias como rebanhos.

42 Os rectos _o_ verão, e se alegrarão, e toda a iniquidade tapará a

bocca.

43 Quem [7] _é_ sabio observará estas _coisas_, e elles comprehenderão as

benignidades do Senhor.

[1] Isa. 43.5, 6. Jer. 39.14 e 31.3, 10.

[2] Ose. 5.15.

[3] Isa. 45.2.

[4] I Reis 17.1, 7.

[5] Gen. 13.10 e 14.3.

[6] Gen. 12.2 e 17.16, 20. Exo. 1.7.

[7] Jer. 9.12. Ose. 14.

_David louva a Deus pela victoria que lhe concedeu._

Cantico e psalmo de David.

108 Preparado está o meu coração, ó Deus; cantarei e direi psalmos até

com a minha gloria.

2 Desperta-te, psalterio e harpa; eu _mesmo_ despertarei ao romper da

alva.

3 Louvar-te-hei entre os povos, Senhor, e a ti cantarei psalmos entre as

nações.

4 Porque a tua benignidade se estende até aos céus, e a tua verdade

_chega_ até ás mais altas nuvens.

5 Exalta-te sobre os céus, ó Deus, e a tua gloria sobre toda a terra,

6 Para que sejam livres os teus amados: salva-_nos_ com a tua dextra, e

ouve-nos.

7 Deus fallou na sua sanctidade: eu me regozijarei; repartirei a Sichem,

e medirei o valle de Succoth.

8 Meu _é_ [QY] Galaad, meu é Manassés; e Ephraim a força da minha cabeça,

Judah [1] o meu legislador,

9 Moab o _meu vaso de lavar_: sobre Edom lançarei o meu sapato, sobre a

Palestina jubilarei.

10 Quem me levará á cidade forte? Quem me guiará até Edom?

11 _Porventura_ não _serás tu_, ó Deus, _que_ nos rejeitaste? E não

sairás, ó Deus, com os nossos exercitos?

12 Dá-nos auxilio [QZ] para sair da angustia, porque vão _é_ o soccorro

_da parte_ do homem.

13 Em Deus faremos proezas, pois elle calcará aos pés os nossos inimigos.

[1] Gen. 49.10.

_David roga a Deus o castigo dos impios, e que o livre das suas

afflicções._

Psalmo de David para o cantor-mór.

109 Ó Deus do meu louvor, não te cales,

2 Pois a bocca do impio e a bocca do enganador estão abertas contra mim:

teem fallado contra mim com uma lingua mentirosa.

3 Elles me cercaram com palavras odiosas, e pelejaram contra mim sem

causa.

4 _Em recompensa_ do meu amor são meus adversarios: mas eu _faço_ oração.

5 E me deram mal pelo bem, e odio pelo meu amor.

6 Põe [1] sobre elle um impio, e Satanaz esteja á sua direita.

7 Quando fôr julgado, saia condemnado; e a sua oração se lhe torne em

peccado.

8 Sejam poucos [2] os seus dias, _e_ outro tome o seu officio.

9 Sejam orphãos [3] os seus filhos, e viuva sua mulher.

10 Sejam vagabundos e pedintes os seus filhos, e busquem _o pão_ dos seus

logares desolados.

11 Lance o credor a mão a tudo quanto tenha, e despojem os estranhos o

seu trabalho.

12 Não haja ninguem que se compadeça d’elle, nem haja quem favoreça os

seus orphãos.

13 Desappareça a sua posteridade, o seu nome seja apagado na seguinte

geração.

14 Esteja na memoria do Senhor a iniquidade [4] de seus paes, e não se

apague o peccado de sua mãe.

15 Antes estejam sempre perante o Senhor, para que faça desapparecer a

sua memoria da terra.

16 Porquanto não se lembrou de fazer misericordia; antes perseguiu ao

varão afflicto e ao necessitado, para que podesse até matar o quebrantado

de coração.

17 Visto que amou a maldição, ella lhe sobrevenha, [5] _e assim_ como não

desejou a benção, ella se affaste d’elle.

18 Assim como se vestiu de maldição, como d’um vestido, assim penetre

ella nas suas entranhas como agua, e em seus ossos como azeite.

19 Seja para elle como o vestido _que_ o cobre, e como cinto que o cinja

sempre.

20 _Seja_ este o galardão dos meus contrarios, da parte do Senhor, e dos

que fallam mal contra a minha alma.

21 Mas tu, Deus Senhor, trata comigo por amor do teu nome, porque a tua

misericordia _é_ boa; livra-me,

22 Pois _estou_ afflicto e necessitado, e o meu coração está ferido

dentro de mim.

23 Vou-me como a sombra que declina; sou sacudido como o gafanhoto.

24 De jejuar estão enfraquecidos os meus joelhos, [6] e a minha carne

emmagrece.

25 E _ainda_ lhes sou opprobrio; _quando_ me contemplam, [7] movem as

cabeças.

26 Ajuda-me, Senhor Deus meu, salva-me segundo a tua misericordia.

27 Para que saibam que esta _é_ a tua mão, _e que_ tu, Senhor, o fizeste.

28 Amaldiçoem [8] elles, mas abençoa tu: quando se levantarem fiquem

confundidos; e alegre-se o teu servo.

29 Vistam-se os meus adversarios de vergonha, e cubram-se com a sua

propria confusão como com _uma_ capa.

30 Louvarei grandemente ao Senhor com a minha bocca: louval-o-hei entre a

multidão.

31 Pois se porá á _mão_ direita do pobre, para _o_ livrar dos que

condemnam a sua alma.

[1] Zac. 13.1.

[2] Act. 1.20.

[3] Exo. 22.24.

[4] Exo. 20.5. Neh. 4.5. Jer. 18.23.

[5] Num. 5.22.

[6] Heb. 12.12.

[7] Mat. 27.39.

[8] II Sam. 16.11, 12. Isa. 65.14.

_O reino, o sacerdocio e a conquista do Messias._

Psalmo de David.

110 Disse o Senhor [1] ao meu Senhor: Assenta-te á minha mão direita,

até que ponha aos teus inimigos _por_ escabello dos teus pés.

2 O Senhor enviará o sceptro da tua fortaleza desde Sião, _dizendo_:

Domina no meio dos teus inimigos.

3 O teu povo _será_ [RA] mui voluntario no dia do teu poder, [RB] nos

ornamentos de sanctidade, desde a madre da alva: tu tens o orvalho da tua

mocidade.

4 Jurou [2] o Senhor, e não se arrependerá: tu _és_ um sacerdote eterno,

segundo a ordem de Melchisedec.

5 O Senhor, á tua direita, ferirá os reis no dia da sua ira.

6 Julgará entre as nações: _tudo_ encherá de corpos mortos: ferirá os

cabeças de [RC] grandes terras.

7 Beberá [3] do ribeiro no caminho, pelo que exaltará a cabeça.

[1] Mat. 22.44. Mar. 12.36. Luc. 20.42.

[2] Heb. 5.6 e 6.20.

[3] Jui. 7.5, 6.

_Deus é louvado por amor das suas obras maravilhosas._

111 Louvae ao Senhor. Louvarei ao Senhor de todo _o meu_ coração, na

assembléa dos justos e na congregação.

2 Grandes _são_ as obras do Senhor, procuradas por todos os que n’ellas

tomam prazer.

3 A sua obra _tem_ gloria e magestade, e a sua justiça permanece para

sempre.

4 Fez _com que_ as suas maravilhas fossem lembradas: piedoso e

misericordioso _é_ o Senhor.

5 Deu mantimento aos que o temem; lembrar-se-ha sempre do seu concerto.

6 Annunciou ao seu povo o poder das suas obras, para lhe dar a herança

das nações.

7 As obras [1] das suas mãos _são_ verdade e juizo, seguros todos os seus

mandamentos.

8 Permanecem firmes para sempre, e sempre; e são feitos em verdade e

rectidão.

9 Redempção enviou ao seu povo; ordenou o seu concerto para sempre; [2]

sancto e tremendo _é_ o seu nome.

10 O temor do Senhor é o principio da sabedoria: [3] bom entendimento

teem todos os que cumprem _os seus mandamentos_: o seu louvor permanece

para sempre.

[1] Apo. 15.3.

[2] Luc. 1.49.

[3] Deu. 4.6.

_A felicidade d’aquelle que teme a Deus._

112 Louvae ao Senhor. Bemaventurado o homem que teme ao Senhor, _que_ em

seus mandamentos tem grande prazer.

2 A sua semente será poderosa na terra: a geração dos rectos será

abençoada.

3 Fazenda [1] e riquezas _haverá_ na sua casa, e a sua justiça permanece

para sempre.

4 Aos justos nasce luz nas trevas: elle _é_ piedoso, misericordioso e

justo.

5 O homem bom se compadece, e empresta: [RD] disporá as suas coisas com

juizo.

6 Na verdade que nunca será commovido: o justo estará em memoria eterna.

7 Não temerá maus rumores: o seu coração está firme, confiando no Senhor.

8 O seu coração _bem_ confirmado, elle não temerá, até que veja o seu

desejo sobre os seus inimigos.

9 Elle espalhou, [2] deu aos necessitados: a sua justiça permanece para

sempre, e a sua força se exaltará em gloria.

10 O impio _o_ verá, e se entristecerá: rangerá com os dentes, e se

consumirá: o desejo dos impios perecerá.

[1] Mat. 6.33.

[2] II Cor. 9.9. Deu. 24.13.

_Exhortação a louvar a Deus pela sua grandeza e por amor da sua bondade

para com os pobres._

113 Louvae ao Senhor. Louvae, servos do Senhor, louvae o nome do Senhor.

2 Seja bemdito [1] o nome do Senhor, desde agora para sempre.

3 Desde o [2] nascimento do sol até ao occaso, _seja_ louvado o nome do

Senhor.

4 Exaltado _está_ o Senhor acima de todas as nações, _e_ a sua gloria

sobre os céus.

5 Quem _é_ como o Senhor nosso Deus, que habita nas alturas?

6 O qual _se_ abate, para vêr _o que está_ nos céus e na terra!

7 Levanta o pobre do pó, _e do_ monturo levanta o necessitado,

8 Para o fazer assentar com os principes, _mesmo_ com os principes do seu

povo.

9 Faz com que a mulher esteril habite na casa, e _seja_ alegre mãe de

filhos. Louvae ao Senhor.

[1] Dan. 2.20.

[2] Isa. 50.19. Mal. 1.11.

_O psalmista celebra a passagem maravilhosa pelo Mar Vermelho e Jordão._

114 Quando Israel saiu [1] do Egypto, e a casa de Jacob de um povo

barbaro,

2 Judah [2] ficou seu sanctuario, _e_ Israel seu dominio.

3 O mar _o_ viu, e fugiu: o Jordão voltou para traz.

4 Os montes saltaram como carneiros, _e_ os outeiros como cordeiros.

5 Que tiveste tu, ó mar, que fugiste, e tu, ó Jordão, que voltaste para

traz?

6 Montes, que saltastes como carneiros, e outeiros, como cordeiros?

7 Treme, terra, na presença do Senhor, na presença do Deus de Jacob.

8 O qual converteu [3] o rochedo em lago de aguas, e o seixo em fonte de

agua.

[1] Exo. 13.3.

[2] Exo. 6.7 e 19.6 e 25.8.

[3] Exo. 17.6. Num. 20.11.

_A gloria do Senhor e a vaidade dos idolos. Exhortação a confiar só em

Deus._

115 Não a nós, [1] Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá gloria, por amor

da tua benignidade e da tua verdade.

2 Porque dirão as nações: Onde _está_ o seu Deus?

3 Porém o nosso Deus _está_ nos céus: fez tudo o que lhe aprouve.

4 Os idolos d’elles [2] _são_ prata e oiro, obra das mãos dos homens.

5 Teem bocca mas não fallam: olhos teem, mas não vêem:

6 Teem ouvidos, mas não ouvem; narizes teem, mas não cheiram:

7 Teem mãos, mas não apalpam; pés teem, mas não andam; nem som algum sae

da sua garganta.

8 A elles se tornem similhantes os que os fazem, _assim como_ todos os

que n’elles confiam.

9 Israel, confia no Senhor: elle _é_ o seu auxilio e o seu escudo.

10 Casa de Aarão, confia no Senhor: elle _é_ o seu auxilio e o seu escudo.

11 Vós, os que temeis ao Senhor, confiae no Senhor: elle _é_ o seu

auxilio e o seu escudo.

12 O Senhor se lembrou de nós; elle _nos_ abençoará; abençoará a casa

d’Israel; abençoará a casa d’Aarão.

13 Abençoará os que temem ao Senhor, tanto pequenos como grandes.

14 O Senhor vos augmentará cada vez mais, _a_ vós e _a_ vossos filhos.

15 _Sois_ bemditos [3] do Senhor que fez os céus e a terra.

16 Os céus são os céus do Senhor; mas a terra _a_ deu aos filhos dos

homens.

17 Os mortos não louvam ao Senhor, [4] nem os que descem ao silencio.

18 Mas [5] nós bemdiremos ao Senhor, desde agora e para sempre. Louvae ao

Senhor.

[1] Isa. 48.11. Eze. 36.32.

[2] Deu. 4.28.

[3] Gen. 1.1 e 14.19.

[4] Isa. 38.18.

[5] Dan. 2.20.

_Amor e gratidão a Deus pela sua salvação._

116 Amo ao Senhor, porque elle ouviu a minha voz _e_ a minha supplica.

2 Porque inclinou a mim os seus ouvidos; portanto _o_ invocarei emquanto

viver.

3 Os cordeis da morte me cercaram, e angustias do inferno se apoderaram

de mim: encontrei aperto e tristeza.

4 Então invoquei o nome do Senhor, _dizendo_: Ó Senhor, livra a minha

alma.

5 Piedoso _é_ o Senhor e justo: o nosso Deus tem misericordia.

6 O Senhor guarda aos simplices: fui abatido, mas elle me livrou.

7 Alma minha, volta para o [1] teu repouso, pois o Senhor te fez bem.

8 Porque tu, _Senhor_, livraste a minha alma da morte, os meus olhos das

lagrimas, e os meus pés da queda.

9 Andarei perante a face do Senhor na terra dos viventes.

10 Cri, [2] por isso fallei: estive muito afflicto.

11 Dizia na minha pressa: Todos os homens são mentirosos.

12 Que darei eu ao Senhor, por todos os beneficios que me tem feito?

13 Tomarei o calix da salvação, e invocarei o nome do Senhor.

14 Pagarei os meus votos ao Senhor, agora, na presença de todo o seu povo.

15 Preciosa _é_ á vista do Senhor a morte dos seus sanctos.

16 Ó Senhor, devéras _sou_ teu servo: _sou_ teu servo, filho da tua

serva; soltaste as minhas ataduras.

17 Offerecer-te-hei [3] sacrificios de louvor, e invocarei o nome do

Senhor.

18 Pagarei os meus votos ao Senhor, na presença de todo o meu povo.

19 Nos atrios da casa do Senhor, no meio de ti, ó Jerusalem. Louvae ao

Senhor.

[1] Jer. 6.16. Mat. 11.29.

[2] II Cor. 4.13.

[3] Lev. 7.12.

_Deus é louvado por amor da sua bondade e veracidade._

117 Louvae [1] ao Senhor todas as nações, louvae-o todos os povos.

2 Porque a sua benignidade é grande para comnosco, e a verdade do Senhor

_dura_ para sempre. Louvae ao Senhor.

[1] Rom. 15.11.

_O psalmista louva a Deus por amor do livramento de muitos inimigos._

118 Louvae ao Senhor, porque elle é bom, porque a sua benignidade _dura_

para sempre.

2 Diga agora Israel que a sua benignidade _dura_ para sempre.

3 Diga agora a casa d’Aarão que a sua benignidade _dura_ para sempre.

4 Digam agora os que temem ao Senhor que a sua benignidade _dura_ para

sempre.

5 Invoquei o Senhor na angustia; o Senhor me ouviu, e me tirou para _um_

logar largo.

6 O Senhor _está_ comigo: [1] não temerei o que me pode fazer o homem.

7 O Senhor _está_ comigo com aquelles que me ajudam; pelo que verei

_cumprido o meu desejo_ sobre os que me aborrecem.

8 _É_ melhor confiar no Senhor [2] do que confiar no homem.

9 _É_ melhor confiar no Senhor do que confiar nos principes.

10 Todas as nações me cercaram, mas no nome do Senhor as despedaçarei.

11 Cercaram-me, e tornaram a cercar-me; mas no nome do Senhor eu as

despedaçarei.

12 Cercaram-me como abelhas: _porém_ apagaram-se como o fogo d’espinhos;

pois no nome do Senhor os despedaçarei.

13 Com força me impelliste para me fazeres cair, porém o Senhor me ajudou.

14 O Senhor [3] _é_ a minha força e o _meu_ cantico; e se fez a minha

salvação.

15 Nas tendas dos justos _ha_ voz de jubilo e de salvação: a dextra do

Senhor faz proezas.

16 A dextra [4] do Senhor se exalta: a dextra do Senhor faz proezas.

17 Não morrerei, [5] mas viverei; e contarei as obras do Senhor.

18 O Senhor me [6] castigou muito, mas não me entregou á morte.

19 Abri-me [7] as portas da justiça: entrarei por ellas, _e_ louvarei ao

Senhor.

20 Esta _é_ a porta do Senhor, [8] pela qual os justos entrarão.

21 Louvar-te-hei, pois me escutaste, e te fizeste a minha salvação.

22 A Pedra [9] _que_ os edificadores rejeitaram se tornou a cabeça da

esquina.

23 Da parte do Senhor se fez isto; maravilhoso _é_ aos nossos olhos.

24 Este _é_ o dia que fez o Senhor: regozijemo-nos, e alegremo-nos n’elle.

25 Salva-_nos_, agora, te pedimos, ó Senhor, ó Senhor, te pedimos,

prospera-_nos_.

26 Bemdito [10] aquelle que vem em nome do Senhor: nós vos bemdizemos

desde a casa do Senhor.

27 Deus _é_ o Senhor [11] que nos mostrou a luz: atae a victima _da

festa_ com cordas, até aos cornos do altar.

28 _Tu és_ o meu Deus, e eu te louvarei; [12] _tu és_ o meu Deus, e eu te

exaltarei.

29 Louvae [13] ao Senhor, porque _elle é_ bom; porque a sua benignidade

_dura_ para sempre.

[1] Isa. 51.12. Heb. 13.6.

[2] Jer. 17.5, 7.

[3] Exo. 15.2. Isa. 12.2.

[4] Exo. 15.6.

[5] Hab. 1.12.

[6] II Cor. 6.9.

[7] Isa. 26.2.

[8] Isa. 35.8. Apo. 21.27 e 22.14, 15.

[9] Mat. 21.42. Mar. 12.10. Luc. 20.17. Act. 4.11. Eph. 2.20. I Ped. 2.4,

7.

[10] Mat. 21.9 e 23.39. Mar. 11.9. Luc. 19.38.

[11] I Ped. 2.9.

[12] Exo. 15.2. Isa. 25.1.

[13] ver. 1.

_A excellencia da lei do Senhor e a felicidade d’aquelle que a observa._

_Aleph._

119 Bemaventurados os rectos em seus caminhos, que andam na lei do Senhor.

2 Bemaventurados os que guardam os seus testemunhos, _e que_ o buscam com

todo o coração.

3 E não obram iniquidade: andam nos seus caminhos.

4 Tu ordenaste os teus mandamentos, para que diligentemente os

observassemos.

5 Oxalá _que_ os meus caminhos fossem dirigidos a observar os teus

estatutos.

6 Então não serei envergonhado, quando tiver respeito a todos os teus

mandamentos.

7 Louvar-te-hei com rectidão de coração, quando tiver aprendido os teus

justos juizos.

8 Observarei os teus estatutos: não me desampares totalmente.

_Beth._

9 Com que purificará o mancebo o seu caminho? observando-_o_ conforme a

tua palavra.

10 Com todo [1] o meu coração te busquei: não me deixes desviar dos meus

mandamentos.

11 A tua palavra tenho eu escondido [2] no meu coração, para não peccar

contra ti.

12 Bemdito _és_ tu, ó Senhor; ensina-me os teus estatutos.

13 Com os meus labios declarei todos os juizos da tua bocca.

14 Folguei tanto no caminho dos teus testemunhos, como em todas as

riquezas.

15 Meditarei nos teus preceitos, e terei respeito aos teus caminhos.

16 Recrear-me-hei nos teus estatutos: não me esquecerei da tua palavra.

_Gimel._

17 Faze bem ao teu servo, _para que_ viva e observe a tua palavra.

18 Abre tu os meus olhos, para que veja as maravilhas da tua lei.

19 _Sou_ peregrino [3] na terra: não escondas de mim os teus mandamentos.

20 A minha alma está quebrantada de desejar os teus juizos em todo o

tempo.

21 Tu reprehendeste asperamente os soberbos _que são_ amaldiçoados, que

se desviam dos teus mandamentos.

22 Tira de sobre mim o opprobrio e o desprezo, pois guardei os teus

testemunhos.

23 Principes tambem se assentaram, e fallaram contra mim, _mas_ o teu

servo meditou nos teus estatutos.

24 Tambem os teus testemunhos _são_ o meu prazer _e_ os meus conselheiros.

_Daleth._

25 A minha alma está pegada ao pó: vivifica-me segundo a tua palavra.

26 Eu _te_ contei os meus caminhos, e tu me ouviste: ensina-me os teus

estatutos.

27 Faze-me entender os caminhos dos teus preceitos: assim fallarei das

tuas maravilhas.

28 A minha alma se derrete de tristeza: fortalece-me segundo a tua

palavra.

29 Desvia de mim o caminho da falsidade, e concede-me piedosamente a tua

lei.

30 Tenho escolhido o caminho da verdade: os teus juizos tenho posto

_diante de mim_.

31 Tenho-me apegado aos teus testemunhos: ó Senhor, não me confundas.

32 Percorrerei o caminho dos teus mandamentos, [4] quando dilatares o meu

coração.

_He._

33 Ensina-me, [5] ó Senhor, o caminho dos teus estatutos, e guardal-o-hei

até ao fim.

34 Dá-me [6] entendimento, e guardarei a tua lei, e observal-a-hei de

todo o meu coração.

35 Faze-me andar na vereda dos teus mandamentos, porque n’ella tenho

prazer.

36 Inclina o meu coração aos teus testemunhos, e não á cubiça.

37 Desvia os meus olhos de contemplarem a vaidade, e vivifica-me no teu

caminho.

38 Confirma a tua palavra ao teu servo, que _é dedicado_ ao teu temor.

39 Desvia de mim o opprobrio que temo, pois os teus juizos _são_ bons.

40 Eis que tenho desejado os teus preceitos; vivifica-me na tua justiça.

_Vau._

41 Venham sobre mim tambem as tuas misericordias, ó Senhor, _e_ a tua

salvação segundo a tua palavra.

42 Assim terei que responder ao que me affronta, pois confio na tua

palavra.

43 E não tires totalmente a palavra de verdade da minha bocca, pois tenho

esperado nos teus juizos.

44 Assim observarei de continuo a tua lei para sempre e eternamente.

45 E andarei em liberdade; pois busco os teus preceitos.

46 Tambem fallarei [7] dos teus testemunhos perante os reis, e não me

envergonharei.

47 E recrear-me-hei em teus mandamentos, que tenho amado.

48 Tambem levantarei as minhas mãos para os teus mandamentos, que amei, e

meditarei nos teus estatutos.

_Zain._

49 Lembra-te da palavra _dada_ ao teu servo, na qual me fizeste esperar.

50 Isto [8] _é_ a minha consolação na minha afflicção, porque a tua

palavra me vivificou.

51 Os soberbos [9] zombaram grandemente de mim; _comtudo_ não me desviei

da tua lei.

52 Lembrei-me dos teus juizos antiquissimos, ó Senhor, e _assim_ me

consolei.

53 Grande indignação se apoderou de mim por causa dos impios que

desamparam a tua lei.

54 Os teus estatutos teem sido os meus canticos, na casa da minha

peregrinação.

55 Lembrei-me do teu nome, ó Senhor, de noite, e observei a tua lei.

56 Isto fiz eu, porque guardei os teus mandamentos.

_Heth._

57 O Senhor _é_ a minha porção: eu disse que observaria as tuas palavras.

58 Roguei devéras o teu favor com todo o _meu_ coração: tem piedade de

mim, segundo a tua palavra.

59 Considerei [10] os meus caminhos, e voltei os meus pés para os teus

testemunhos.

60 Apressei-me, e não me detive, a observar os teus mandamentos.

61 Bandos de impios me despojaram, _mas_ eu não me esqueci da tua lei.

62 Á meia noite [11] me levantarei para te louvar, pelos teus justos

juizos.

63 Companheiro _sou_ de todos os que te temem e dos que guardam os teus

preceitos.

64 A terra, ó Senhor, está cheia da tua benignidade: ensina-me os teus

estatutos.

_Teth._

65 Fizeste bem ao teu servo, Senhor, segundo a tua palavra.

66 Ensina-me bom juizo e sciencia, pois cri nos teus mandamentos.

67 Antes de ser afflicto andava errado; mas agora tenho guardado a tua

palavra.

68 Tu _és_ bom e [12] fazes bem: ensina-me os teus estatutos.

69 Os soberbos forjaram mentiras contra mim; _mas_ eu com todo o _meu_

coração guardarei os teus preceitos.

70 Engrossa-se-lhes o coração como gordura, _mas_ eu me recreio na tua

lei.

71 _Foi_-me bom ter sido afflicto, para que aprendesse os teus estatutos.

72 Melhor _é_ para mim a lei da tua bocca do que milhares de oiro ou

prata.

_Jod._

73 As tuas mãos me fizeram e me formaram; dá-me intelligencia para

entender os teus mandamentos.

74 Os que te temem alegraram-se quando me viram, porque tenho esperado na

tua palavra.

75 Bem sei eu, ó Senhor, que os teus juizos _são_ justos, e _que segundo_

a tua fidelidade me affligiste.

76 Sirva pois a tua benignidade para me consolar, segundo a palavra _que

déste_ ao teu servo.

77 Venham sobre mim as tuas misericordias, para que viva, pois a tua lei

_é_ as minhas delicias.

78 Confundam-se os soberbos, pois me trataram d’uma maneira perversa, sem

causa; _mas_ eu meditarei nos teus preceitos.

79 Voltem-se para mim os que te temem, e aquelles que teem conhecido os

teus testemunhos.

80 Seja recto o meu coração nos teus estatutos, para que não seja

confundido.

_Caph._

81 Desfallece a minha alma pela tua salvação, _mas_ espero na tua palavra.

82 Os meus olhos desfallecem pela tua palavra; _entretanto_ dizia: Quando

me consolarás tu?

83 Pois estou como odre no fumo; _comtudo_ não me esqueço dos teus

estatutos.

84 Quantos _serão_ os dias do teu servo? [13] Quando _me_ farás justiça

contra os que me perseguem?

85 Os soberbos me cavaram covas, o que não _é_ conforme á tua lei.

86 Todos os teus mandamentos _são_ verdade: com mentiras me perseguem;

ajuda-me.

87 Quasi que me teem consumido sobre a terra, mas eu não deixei os teus

preceitos.

88 Vivifica-me segundo a tua benignidade; assim guardarei o testemunho da

tua bocca.

_Lamed._

89 Para sempre, ó Senhor, [14] a tua palavra permanece no céu.

90 A tua fidelidade _dura_ de geração em geração: tu firmaste a terra, e

ella permanece _firme_.

91 [RE] Elles continuam até _ao dia d’_hoje, segundo as tuas ordenações;

porque todos são teus servos.

92 Se a tua lei não _fôra_ toda a minha recreação, _ha muito_ que

pereceria na minha afflicção.

93 Nunca me esquecerei dos teus preceitos; pois por elles me tens

vivificado.

94 _Sou_ teu, salva-me; pois tenho buscado os teus preceitos.

95 Os impios me esperam para me destruirem, _mas_ eu considerarei os teus

testemunhos.

96 Tenho visto [15] fim a toda a perfeição, _mas_ o teu mandamento _é_

amplicissimo.

_Mem._

97 Oh! quanto amo a tua lei! _é_ a minha meditação em todo o dia.

98 Tu pelos teus mandamentos me fazes mais sabio [16] do que os meus

inimigos, pois _estão_ sempre comigo.

99 Tenho mais [17] entendimento do que todos os meus mestres, porque os

teus testemunhos _são_ a minha meditação.

100 Entendo mais do que os antigos; porque guardo os teus preceitos.

101 Desviei os meus pés de todo o caminho mau, para guardar a tua palavra.

102 Não me apartei dos teus juizos, pois tu me ensinaste.

103 Oh! quão [18] doces são as tuas palavras ao meu paladar, _mais doces_

do que o mel á minha bocca.

104 Pelos teus mandamentos alcancei entendimento; pelo que aborreço todo

o falso caminho.

_Nun._

105 A tua palavra _é uma_ lampada para os meus pés e _uma_ luz para o meu

caminho.

106 Jurei, [19] e _o_ [RF] cumprirei, que guardarei os teus justos juizos.

107 Estou afflictissimo; vivifica-me, ó Senhor, segundo a tua palavra.

108 Acceita, eu te rogo, as offerendas voluntarias [20] da minha bocca, ó

Senhor; ensina-me os teus juizos.

109 A minha alma _está_ de continuo nas minhas mãos; todavia não me

esqueço da tua lei.

110 Os impios me armaram laço; comtudo não me desviei dos teus preceitos.

111 Os teus testemunhos tenho eu tomado por herança [21] para sempre,

pois _são_ o gozo do meu coração.

112 Inclinei o meu coração a guardar os teus estatutos, para sempre, até

ao fim.

_Samech._

113 Aborreço a duplicidade, mas amo a tua lei.

114 Tu _és_ o meu refugio e o meu escudo; espero na tua palavra.

115 Apartae-vos [22] de mim, malfeitores, pois guardarei os mandamentos

do meu Deus.

116 Sustenta-me conforme a tua palavra, para que viva, [23] e não me

deixes envergonhado da minha esperança.

117 Sustenta-me, e serei salvo, e de continuo terei respeito aos teus

estatutos.

118 Tu tens [RG] pisado aos pés todos os que se desviam dos teus

estatutos, pois o engano d’elles _é_ falsidade.

119 Tu tiraste da terra todos os impios, _como_ a escoria, pelo que amo

os teus testemunhos.

120 O meu corpo se arrepiou com temor [24] de ti, e temi os teus juizos.

_Ain._

121 Fiz juizo e justiça: não me entregues aos meus oppressores.

122 Fica por fiador do teu servo para o bem; não deixes que os soberbos

me opprimam.

123 Os meus olhos desfalleceram pela tua salvação e pela promessa da tua

justiça.

124 Usa com o teu servo segundo a tua benignidade, e ensina-me os teus

estatutos.

125 _Sou_ teu servo: dá-me intelligencia, para entender os teus

testemunhos.

126 _Já é_ tempo de operares ó Senhor, _pois_ elles teem quebrantado a

tua lei.

127 Pelo que amo os teus mandamentos mais do que o oiro, e _ainda_ mais

do que o oiro fino.

128 Por isso estimo todos os _teus_ preceitos ácerca de tudo, como

rectos, _e_ aborreço toda a falsa vereda.

_Pe._

129 Maravilhosos _são_ os teus testemunhos; portanto a minha alma os

guarda.

130 A entrada das tuas palavras dá luz, [25] dá entendimento aos

simplices.

131 Abri a minha bocca, e respirei, pois que desejei os teus mandamentos.

132 Olha para mim, e tem piedade de mim, conforme usas com os que amam o

teu nome.

133 Ordena os meus passos na tua palavra, [26] e não se apodere de mim

iniquidade alguma.

134 Livra-me [27] da oppressão do homem; assim guardarei os teus

preceitos.

135 Faze resplandecer o teu rosto sobre o teu servo, e ensina-me os teus

estatutos.

136 Rios [28] d’aguas correm dos meus olhos, porque não guardam a tua lei.

_Tsade._

137 Justo és, [29] ó Senhor, e rectos _são_ os teus juizos.

138 Os teus testemunhos _que_ ordenaste _são_ rectos e muito fieis.

139 O meu zelo me consumiu, porque os meus inimigos se esqueceram da tua

palavra.

140 A tua palavra _é_ muito pura; portanto o teu servo a ama.

141 Pequeno _sou_ e desprezado, porém não me esqueço dos teus mandamentos.

142 A tua justiça _é uma_ justiça eterna, [30] e a tua lei _é_ a verdade.

143 Aperto e angustia se apoderam de mim; _comtudo_ os teus mandamentos

_são_ o meu prazer.

144 A justiça dos teus testemunhos _é_ eterna; dá-me intelligencia, e

viverei.

_Koph._

145 Clamei de todo o meu coração; escuta-me, Senhor, _e_ guardarei os

teus estatutos.

146 _A ti_ te invoquei; salva-me, e guardarei os teus testemunhos.

147 Preveni a alva da manhã, e clamei: esperei na tua palavra.

148 Os meus olhos preveniram as vigilias _da noite_, para meditar na tua

palavra.

149 Ouve a minha voz, segundo a tua benignidade; vivifica-me, ó Senhor,

segundo o teu juizo.

150 Approximam-se os que se dão a maus tratos; affastam-se da tua lei.

151 Tu _estás_ perto _ó_ Senhor, e todos os teus mandamentos _são_ a

verdade.

152 Ácerca dos teus testemunhos soube, desde a antiguidade, [31] que tu

os fundaste para sempre.

_Res._

153 Olha para a minha afflicção, e livra-me, pois não me esqueci da tua

lei.

154 Pleiteia a minha causa, e livra-me: vivifica-me segundo a tua palavra.

155 A salvação _está_ longe dos impios, pois não buscam os teus estatutos.

156 Muitas _são_, ó Senhor, as tuas misericordias: vivifica-me segundo os

teus juizos.

157 Muitos _são_ os meus perseguidores e os meus inimigos; _porém_ não me

desvio dos teus testemunhos.

158 Vi os transgressores, e me affligi, porque não observam a tua palavra.

159 Considera como amo os teus preceitos: vivifica-me, ó Senhor, segundo

a tua benignidade.

160 A tua palavra _é_ a verdade desde o principio, e cada um dos teus

juizos _dura_ para sempre.

_Sin._

161 Principes me perseguiram sem causa, mas o meu coração temeu a tua

palavra.

162 Folgo com a tua palavra, como aquelle que acha _um_ grande despojo.

163 Abomino e aborreço a falsidade, _porém_ amo a tua lei.

164 Sete vezes no dia te louvo pelos juizos da tua justiça.

165 Muita paz teem os que amam a tua lei, e para elles não _ha_ tropeço.

166 Senhor, tenho esperado na tua salvação, [32] e tenho cumprido os teus

mandamentos.

167 A minha alma tem observado os teus testemunhos; amo-os excessivamente.

168 Tenho observado os teus preceitos e os teus testemunhos, porque todos

os meus caminhos _estão_ diante de ti.

_Tau._

169 Chegue a ti o meu clamor, ó Senhor: dá-me entendimento conforme a tua

palavra.

170 Chegue a minha supplica perante a tua face: livra-me segundo a tua

palavra.

A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento · 第 20 / 44 章