multiplicaram [5] o seu trigo e o seu vinho.
8 Em paz tambem me deitarei e dormirei, [6] porque só tu, [7] Senhor, me
fazes habitar em segurança.
[1] II Tim. 2.19. II Ped. 2.9.
[2] Eph. 4.26. II Chr. 13.5.
[3] Deu. 33.19.
[4] Num. 6.26.
[5] Isa. 9.3.
[6] Job 11.18, 19.
[7] Lev. 25.18, 19.
_Deus aborrece os impios e abençoa os justos._
Psalmo de David para o cantor-mór, sobre Nehiloth.
5 Dá ouvidos ás minhas palavras, ó Senhor, entende a minha meditação.
2 Attende á voz do meu clamor, Rei meu e Deus meu, pois a ti orarei.
3 Pela manhã ouvirás a minha voz, ó Senhor; pela manhã _me_ apresentarei
a ti, e vigiarei.
4 Porque tu não _és um_ Deus que tenha prazer na iniquidade, nem comtigo
habitará o mal.
5 Os loucos não [1] pararão á tua vista; [2] aborreces a todos os que
obram a maldade.
6 Destruirás aquelles que fallam a mentira; o Senhor aborrecerá o homem
sanguinario e fraudulento.
7 Porém eu entrarei em tua casa pela grandeza de tua benignidade; _e_ em
teu temor me inclinarei para o teu sancto templo.
8 Senhor, guia-me na tua justiça, por causa dos meus inimigos: endireita
diante de mim o teu caminho.
9 Porque não _ha_ rectidão na bocca d’elles: as suas entranhas _são_
verdadeiras maldades, a sua garganta _é_ um sepulchro aberto; lisongeam
com a sua lingua.
10 Declara-os culpados, ó Deus: caiam [3] por seus proprios conselhos;
lança-os fóra por causa da multidão de suas transgressões, pois se
rebellaram contra ti.
11 Porém alegrem-se [4] todos os que confiam em ti; exultem eternamente,
porquanto tu os defendes; e em ti se gloriem os que amam o teu nome.
12 Pois tu, Senhor, abençoarás ao justo; coroal-o-has com a tua
benevolencia, como de um escudo.
[1] Hab. 1.13.
[2] Apo. 21.8.
[3] II Sam. 15.31 e 17.14, 23.
[4] Isa. 65.14.
_David recorre á misericordia de Deus e alcança perdão._
Psalmo de David para o cantor-mór em Neginoth, sobre Sheminith.
6 Senhor, [1] não me reprehendas na tua ira, nem me castigues no teu
furor.
2 Tem misericordia de mim, Senhor, porque _sou_ fraco: [2] sara-me,
Senhor, porque os meus ossos estão perturbados.
3 Até a minha alma está perturbada; mas tu, Senhor, até quando?
4 Volta-te, Senhor, livra a minha alma: salva-me por tua benignidade.
5 Porque na morte [3] não _ha_ lembrança de ti; no sepulchro quem te
louvará?
6 _Já_ estou cançado do meu gemido, toda a noite faço nadar a minha cama;
molho o meu leito com as minhas lagrimas.
7 _Já_ os meus olhos estão consumidos pela magoa, _e_ teem-se envelhecido
por causa de todos os meus inimigos.
8 Apartae-vos de [4] mim todos os que obraes a iniquidade; porque o
Senhor já ouviu a voz do meu pranto.
9 O Senhor já ouviu a minha supplica; o Senhor acceitará a minha oração.
10 Envergonhem-se e perturbem-se todos os meus inimigos; tornem atraz e
envergonhem-se n’um momento.
[1] Jer. 10.24 e 46.28.
[2] Ose. 6.1, 2.
[3] Isa. 38.18.
[4] Mat. 25.41.
_David confia em Deus e protesta a sua innocencia._
Schiggaion de David que cantou ao Senhor, sobre as palavras de Cush,
filho de Jemini.
7 Senhor, meu [1] Deus, em ti confio: salva-me de todos os que me
perseguem, e livra-me;
2 Para que [2] elle não arrebate a minha alma, como leão,
despedaçando-_a_, sem que _haja_ quem a livre;
3 Senhor, meu Deus, [3] se eu fiz isto, se ha perversidade nas minhas
mãos,
4 Se paguei _com_ o mal áquelle que tinha paz comigo (antes livrei ao que
me opprimia sem causa):
5 Persiga o inimigo a minha alma e alcance-a, calque aos pés a minha vida
sobre a terra, e reduza a pó a minha gloria. (Selah.)
6 Levanta-te Senhor, na tua ira; exalta-te por causa do furor dos meus
oppressores; [4] e desperta por mim _para_ o juizo _que_ ordenaste.
7 Assim te rodeará o ajuntamento de povos; por causa d’elles pois
volta-te para as alturas.
8 O Senhor julgará aos povos; julga-me, Senhor, [5] conforme a minha
justiça e conforme a integridade _que ha_ em mim.
9 Tenha já fim a malicia dos impios; mas estabeleça-se o justo; pois tu,
ó justo [6] Deus, provas os corações e os rins.
10 O meu escudo _é_ de Deus, que salva os rectos de coração.
11 Deus _é_ um juiz justo, um Deus que se ira todos os dias.
12 Se elle se não converter, amolará a sua espada; [7] já tem armado o
seu arco, e está apparelhado.
13 E já para elle preparou armas mortaes; e porá em obra as suas settas
inflammadas contra os perseguidores.
14 Eis que elle está [8] com dôres de perversidade; concebeu trabalhos, e
parirá mentiras.
15 Cavou [9] um poço e o fez fundo, e caiu na _cova que_ fez.
16 A sua obra cairá [10] sobre a sua cabeça; e a sua violencia descerá
sobre a sua mioleira.
17 Eu louvarei ao Senhor segundo a sua justiça, e cantarei louvores ao
nome do Senhor altissimo.
[1] Psa. 31.16.
[2] Psa. 38.13. Psa. 50.22.
[3] I Sam. 24.11.
[4] Psa. 44.23.
[5] Psa. 18.20.
[6] I Sam. 16.7. I Chr. 28.9. Apo. 2.23.
[7] Deu. 32.41.
[8] Job 15.35. Thi. 1.15.
[9] Psa. 35.8.
[10] I Reis 2.32. Est. 9.25.
_Deus é glorificado nas suas obras e na sua bondade para com o homem._
Psalmo de David para o cantor-mór, sobre Gittith.
8 Ó Senhor, [1] nosso Senhor, quão admiravel _é_ o teu nome em toda a
terra, [2] pois pozeste a tua gloria sobre os céus!
2 Tu ordenaste força [3] da bocca das creanças e dos que mamam, por causa
dos teus inimigos, para fazer calar ao inimigo e ao vingador.
3 Quando vejo [4] os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrellas
que preparaste;
4 Que _é_ o homem [5] mortal para que te lembres d’elle? e o filho do
homem, para que o visites?
5 Pois pouco menor o fizeste do que [NL] os anjos, e de gloria e de honra
o coroaste.
6 Fazes com que elle tenha dominio sobre [6] as obras das tuas mãos; tudo
pozeste debaixo de seus pés:
7 Todas as ovelhas e bois, assim como os animaes do campo,
8 As aves dos céus, e os peixes do mar, _e tudo o que_ passa pelas
veredas dos mares.
9 Ó Senhor, nosso Senhor, quão admiravel _é_ o teu nome sobre toda a
terra!
[1] Psa. 149.13.
[2] Psa. 113.4.
[3] Mat. 21.16. I Cor. 1.27.
[4] Psa. 111.2.
[5] Job 7.17. Heb. 2.6, 7.
[6] Gen. 1.26. I Cor. 15.27. Heb. 2.8.
_Acção de graças por um grande livramento._
Psalmo de David para o cantor-mór, sobre Muth-labben.
9 Eu _te_ louvarei, Senhor, com todo o meu coração; contarei todas as
tuas maravilhas.
2 Em ti me alegrarei [1] e saltarei de prazer; cantarei louvores ao teu
nome, ó Altissimo.
3 Porquanto os meus inimigos voltaram para traz, cairam e pereceram
diante da tua face.
4 Pois tu tens sustentado o meu direito e a minha causa; tu te assentaste
no tribunal, julgando justamente.
5 Reprehendeste as nações, destruiste os impios; [2] apagaste o seu nome
para sempre e eternamente.
6 Oh! inimigo! acabaram-se para sempre as assolações;—_e_ tu arrazaste as
cidades, e a sua memoria pereceu com ellas.
7 Mas o Senhor está assentado [3] perpetuamente; _já_ preparou o seu
tribunal para julgar.
8 Elle mesmo julgará o mundo com justiça; fará juizo aos povos com
rectidão.
9 O Senhor será tambem [4] _um_ alto refugio para o opprimido; _um_ alto
refugio em tempos de angustia.
10 E em ti confiarão os que conhecem [5] o teu nome; porque tu, Senhor,
nunca desamparaste aos que te buscam.
11 Cantae louvores ao Senhor, que habita em Sião; annunciae entre os
povos os seus feitos.
12 Pois quando [6] busca derramamento de sangue, lembra-se d’elles; não
se esquece do clamor dos miseraveis.
13 Tem misericordia de mim, Senhor, olha para a minha miseria, _que
soffro_ d’aquelles que me aborrecem; tu que me levantas das portas da
morte,
14 Para que eu conte todos os teus louvores nas portas da filha de Sião,
_e_ me alegre na tua salvação.
15 As gentes [7] enterraram-se na cova _que_ fizeram; na rede que
ocultaram ficou preso o seu pé.
16 O Senhor é conhecido [8] _pelo_ juizo _que_ fez; enlaçado foi o impio
nas obras de suas mãos (Higgaion; Selah).
17 Os impios serão lançados no inferno, _e_ todas as gentes [9] que se
esquecem de Deus.
18 Porque o necessitado não será esquecido para sempre, [10] _nem_ a
expectação dos miseraveis perecerá perpetuamente.
19 Levanta-te, Senhor; não prevaleça o homem; sejam julgadas as gentes
diante da tua face.
20 Põe-os em medo, Senhor, para que saibam as nações que _não são mais do
que_ homens (Selah).
[1] Psa. 5.12.
[2] Deu. 9.14. Pro. 10.7.
[3] Heb. 1.11.
[4] Psa. 32.7.
[5] Psa. 91.14.
[6] Gen. 9.5.
[7] Psa. 13.6. Pro. 5.22.
[8] Exo. 7.5.
[9] Job 8.13. Psa. 50.22.
[10] Pro. 23.18 e 24.14.
_A audacia dos perseguidores, e o refugio em Deus._
10 Porque estás ao longe, Senhor? _Porque_ te escondes nos tempos de
angustia?
2 Os impios na [1] _sua_ arrogancia perseguem furiosamente o miseravel;
sejam apanhados nas ciladas que machinaram.
3 Porque o impio gloria-se do desejo da sua alma; [2] bemdiz ao avarento,
e blasphema do Senhor.
4 Pela altivez do seu rosto o impio não busca _a Deus_: todas as suas
cogitações _são que_ não _ha_ Deus.
5 Os seus caminhos atormentam sempre: os teus juizos _estão_ longe da
vista d’elle em grande altura, e despreza aos seus inimigos.
6 Diz em seu coração: [3] Não serei commovido, porque nunca _me verei_ na
adversidade.
7 A sua bocca está cheia [4] d’inprecações, d’enganos e d’astucia;
debaixo da sua lingua _ha_ molestia e maldade.
8 Põe-se nas emboscadas das aldeias; nos logares [5] occultos mata ao
innocente; os seus olhos estão occultamente fitos contra o pobre.
9 Arma ciladas [6] no esconderijo, como o leão no seu covil; arma ciladas
para roubar ao miseravel; rouba ao miseravel, trazendo-o na sua rede.
10 Encolhe-se, abaixa-se, para que os pobres caiam em suas fortes
_garras_.
11 Diz em seu coração: Deus esqueceu-se, cobriu o seu rosto, [7] e nunca
_o_ verá.
12 Levanta-te, Senhor: oh! Deus, levanta [8] a tua mão; não te esqueças
dos miseraveis.
13 Porque blasphema o impio de Deus? dizendo no seu coração: Tu não _o_
esquadrinharás?
14 Tu _o_ viste, porque attentas para o trabalho e enfado, para o
entregar em tuas mãos; [9] a ti o pobre se encommenda, tu és o auxilio do
orphão.
15 Quebra o braço do impio e malvado; busca a sua impiedade, _até que_
nenhuma encontres.
16 O Senhor [10] _é_ Rei eterno; da sua terra perecerão [NM] os gentios.
17 Senhor, tu ouviste os desejos dos mansos; confortarás [11] os seus
corações; os teus ouvidos estarão abertos _para elles_;
18 Para fazer [12] justiça ao orphão e ao opprimido, afim de que o homem
da terra não prosiga mais em usar da violencia.
[1] Pro. 5.22.
[2] Rom. 1.32.
[3] Psa. 30.7.
[4] Rom. 3.14.
[5] Hab. 3.14.
[6] Miq. 7.2.
[7] Job 22.13. Eze. 8.12.
[8] Miq. 5.9.
[9] I Ped. 4.19.
[10] Jer. 10.10. I Tim. 1.17.
[11] I Chr. 29.18.
[12] Isa. 11.4.
_Deus salva os rectos e castiga os impios._
Psalmo de David para o cantor-mór.
11 No Senhor confio; como dizeis á minha alma: Foge para a vossa montanha
_como_ passaro?
2 Pois eis que os impios armam o arco, põem as frechas na corda, para com
ellas atirarem ás escuras aos rectos de coração.
3 Na verdade _que já_ os fundamentos se transtornam: o que pode fazer o
justo?
4 O Senhor _está_ [1] no seu sancto templo: o throno do Senhor _está_ nos
céus; os seus olhos attendem, e as suas palpebras provam os filhos dos
homens.
5 O Senhor prova [2] ao justo; porém ao impio e ao que ama a violencia
aborrece a sua alma.
6 Sobre os impios fará [3] chover laços, fogo, enxofre e vento
tempestuoso: _isto será_ a porção do seu copo.
7 Porque o Senhor _é_ justo, [4] _e_ ama a justiça; o seu rosto olha para
os rectos.
[1] Hab. 2.20. Isa. 66.1.
[2] Gen. 22.1.
[3] Gen. 19.24. Eze. 38.22.
[4] Job 36.7. I Ped. 3.12.
_A falsidade do homem e a veracidade de Deus._
Psalmo de David para o cantor-mór, sobre Sheminith.
12 Salva-nos, Senhor, [1] porque faltam os homens bons; porque são poucos
os fieis entre os filhos dos homens.
2 Cada um falla [2] a falsidade ao seu proximo: fallam _com_ labios
lisongeiros e coração dobrado.
3 O Senhor cortará todos os labios lisongeiros _e_ a lingua que falla [3]
soberbamente.
4 Pois dizem: Com a nossa lingua prevaleceremos: _são_ nossos os beiços;
quem _é_ o Senhor sobre nós?
5 Pela oppressão dos miseraveis, pelo gemido dos [4] necessitados me
levantarei agora, diz o Senhor; porei em salvo _aquelle_ para quem elles
assopram.
6 As palavras do Senhor [5] _são_ palavras puras, _como_ prata refinada
em fornalha de barro, purificada sete vezes.
7 Tu os guardarás, Senhor; d’esta geração os livrarás para sempre.
8 Os impios andam cercando, emquanto os mais vis dos filhos dos homens
são exaltados.
[1] Isa. 57.1. Miq. 7.2.
[2] Jer. 9.8. Rom. 16.18.
[3] I Sam. 2.3. Dan. 7.8.
[4] Exo. 3.7. Isa. 33.10.
[5] II Sam. 22.31. Pro. 30.5.
_David, na sua extrema tristeza, recorre a Deus e confia n’elle._
Psalmo de David para o cantor-mór.
13 Até quando te esquecerás de mim, Senhor? para sempre? até quando [1]
esconderás de mim o teu rosto?
2 Até quando consultarei com a minha alma, _tendo_ tristeza no meu
coração cada dia? Até quando se exaltará sobre mim o meu inimigo?
3 Attende-me, ouve-me, ó Senhor meu Deus; [2] alumia os meus olhos para
que eu não adormeça na morte;
4 Para que o meu inimigo não diga: Prevaleci contra elle; _e_ os meus
adversarios se não alegrem, vindo eu a vacillar.
5 Mas eu confio [3] na tua benignidade: na tua [4] salvação se alegrará o
meu coração.
6 Cantarei ao Senhor, porquanto me tem feito muito bem.
[1] Deu. 31.17. Job 13.24.
[2] Esd. 9.8. Jer. 51.39.
[3] Psa. 33.21, 22.
[4] Psa. 12.4, 7 e 119.17.
_A corrupção do homem; sua redempção provém de Deus._
Psalmo de David para o cantor-mór.
14 Disse o nescio no seu coração: Não _ha_ Deus. Teem-se corrompido, [1]
fazem-se abominaveis em suas obras, não _ha_ ninguem que faça o bem.
2 O Senhor olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se
havia _algum_ que tivesse entendimento _e_ buscasse a Deus.
3 Desviaram-se todos [2] e juntamente se fizeram immundos: não _ha_ quem
faça o bem, não _ha_ sequer um.
4 Não terão conhecimento os que obram a iniquidade? [3] os quaes comem o
meu povo, _como_ se comessem pão, e não invocam ao Senhor.
5 Ali se acharam em grande pavor, porque Deus _está_ na geração dos
justos.
6 Vós envergonhaes o conselho dos pobres, porquanto o Senhor _é_ o seu
refugio.
7 Oh, se de Sião [4] _tivera já vindo_ a redempção d’Israel! quando o
Senhor fizer voltar os captivos do seu povo, se regozijará Jacob _e se_
alegrará Israel.
[1] Gen. 6.11. Rom. 3.10.
[2] Rom. 3.10, 11, 12.
[3] Jer. 10.25. Amós 8.4. Miq. 3.3.
[4] Psa. 53.7. Job 42.10.
_O verdadeiro cidadão dos céus._
Psalmo de David.
15 Senhor, quem habitará no teu tabernaculo? quem morará no teu sancto
monte?
2 Aquelle que anda sinceramente, e [1] obra a justiça, e falla a verdade
do seu coração.
3 _Aquelle que_ não murmura com a sua lingua, nem faz mal ao seu proximo,
[2] nem acceita nenhum opprobrio contra o seu proximo.
4 Em [3] cujos olhos o reprobo é desprezado; mas honra aos que temem ao
Senhor. _Aquelle que_ jura com damno _seu_, e comtudo não muda.
5 _Aquelle que_ não dá o seu dinheiro á usura, nem recebe peitas contra o
innocente: quem faz isto nunca será abalado.
[1] Isa. 33.15.
[2] Exo. 23.1.
[3] Est. 3.2.
_A confiança e felicidade do crente e a certeza da vida eterna._
Psalmo excellentissimo de David.
16 Guarda-me, ó Deus, porque em ti confio.
2 _A minha alma_ disse ao Senhor: Tu _és_ o meu Senhor, [1] a minha
bondade não _chega_ á tua presença,
3 _Mas_ aos sanctos que _estão_ na terra, e aos illustres em quem _está_
todo o meu prazer.
4 As dôres se multiplicarão áquelles que fazem offerendas a outro _deus_;
eu não offerecerei as suas libações de sangue, [2] nem tomarei os seus
nomes nos meus labios.
5 O Senhor [3] _é_ a porção da minha herança e do meu calix: tu sustentas
a minha sorte.
6 As [NN] linhas caem-me em _logares_ deliciosos: sim, coube-me _uma_
formosa herança.
7 Louvarei ao Senhor que me aconselhou: até os meus rins me ensinam de
noite.
8 Tenho [4] posto o Senhor continuamente diante de mim: por isso que
_elle está_ á minha mão direita, nunca vacillarei.
9 Portanto está alegre o meu coração e se regozija a minha gloria: tambem
a minha carne repousará segura.
10 Pois não deixarás a minha alma no inferno, nem permittirás que o teu
[NO] Sancto veja corrupção.
11 Far-me-has ver a vereda da vida; na tua presença _ha_ fartura de [5]
alegrias; á tua mão direita _ha_ delicias perpetuamente.
[1] Rom. 11.35.
[2] Exo. 23.13. Jos. 23.16.
[3] Deu. 32.9.
[4] Act. 2.25.
[5] Mat. 5.8. I João 3.2.
_David pede a Deus que o proteja dos seus inimigos; confia na sua
innocencia e na justiça de Deus._
Oração de David.
17 Ouve, Senhor, a justiça, attende ao meu clamor; dá ouvidos á minha
oração, que não _é feita_ com labios enganosos.
2 Saia o meu juizo de diante do teu rosto; attendam os teus olhos á razão.
3 Provaste o meu coração; visitaste-_me_ de noite; examinaste-me, e nada
achaste; propuz _que_ a minha bocca não transgredirá.
4 Quanto ao trato dos homens, pela palavra dos teus labios _me_ guardei
das veredas do [NP] destruidor.
5 Dirige os meus passos nos teus caminhos, _para que_ as minhas pégadas
não vacillem.
6 Eu te invoquei, ó Deus, pois me queres ouvir; inclina para mim os teus
ouvidos, _e escuta_ as minhas palavras.
7 Faze maravilhosas as tuas beneficencias, ó tu que livras aquelles que
_em ti_ confiam dos que se levantam contra a tua _mão_ direita.
8 Guarda-me [1] como á menina do olho, esconde-me debaixo da sombra das
tuas azas,
9 Dos impios que me [NQ] opprimem, _dos_ meus inimigos mortaes _que_ me
andam cercando.
10 Na sua gordura se encerram, com a bocca fallam soberbamente.
11 Teem-nos cercado agora nossos passos; [NR] e abaixaram os seus olhos
para a terra;
12 Parecem-se com o leão que deseja arrebatar a sua preza, e com o
leãosinho que se põe em esconderijos.
13 Levanta-te, Senhor, detem-n’a, derriba-o, livra a minha alma do impio,
_com_ a espada tua,
14 Dos homens que são a tua mão, Senhor, dos homens do mundo, cuja porção
_está_ n’_esta_ vida, e cujo ventre enches do teu _thesouro_ occulto:
estão fartos de filhos e dão os seus sobejos ás suas creanças.
15 Emquanto [2] a mim, contemplarei a tua face na justiça;
satisfazer-me-hei da tua similhança quando acordar.
[1] Deu. 32.10. Zac. 2.8.
[2] João 3.2.
_Cantico de louvor a Deus pelas suas muitas bençãos._
Para o cantor-mór: psalmo do servo do Senhor, David, o qual fallou as
palavras d’este cantico ao Senhor, no dia em que o Senhor o livrou de
todos os seus inimigos e das mãos de Saul, e disse:
18 Eu te amarei do coração, ó Senhor, fortaleza minha.
2 O Senhor _é_ o meu rochedo, e o meu logar forte e o meu libertador; o
meu Deus, a minha fortaleza, em quem confio, [1] o meu escudo, [NS] a
força da minha salvação, _e_ o meu alto refugio.
3 Invocarei o nome do Senhor, _que é digno_ de louvor, e ficarei livre
dos meus inimigos.
4 Tristezas de morte me cercaram, e torrentes de impiedade me assombraram.
5 Tristezas do inferno me cingiram, laços de morte me surprehenderam.
6 Na angustia invoquei ao Senhor, e clamei ao meu Deus: desde o seu
templo ouviu a minha voz, aos seus ouvidos chegou o meu clamor perante a
sua face.
7 Então a terra [2] se abalou e tremeu; e os fundamentos dos montes
tambem se moveram e se abalaram, porquanto se indignou.
8 Do seu nariz subiu fumo, e da sua bocca saiu fogo que consumia; carvões
se accenderam d’elle.
9 Abaixou os céus, e desceu, e a escuridão _estava_ debaixo de seus pés.
10 E montou n’um cherubim, e voou; sim, voou sobre as azas do vento.
11 Fez das trevas o seu logar occulto; o pavilhão que o cercava _era_ a
escuridão das aguas _e_ as nuvens dos céus.
12 Ao resplandor da sua presença as nuvens se espalharam; a saraiva e as
brazas de fogo.
13 E o Senhor trovejou nos céus, o Altissimo levantou a sua voz; a
saraiva _e_ as brazas de fogo.
14 Despediu [3] as suas settas, e os espalhou: multiplicou raios, e os
perturbou.
15 Então foram vistas as profundezas das aguas, e foram descobertos os
fundamentos do mundo; pela tua reprehensão, Senhor, ao sopro do vento dos
teus narizes.
16 Enviou desde o alto, _e_ me tomou: tirou-me das muitas aguas.
17 Livrou-me do meu inimigo forte e dos que me aborreciam, pois eram mais
poderosos do que eu.
18 Surprehenderam-me no dia da minha calamidade; mas o Senhor foi o meu
encosto.
19 Trouxe-me para um logar espaçoso; livrou-me, porque tinha prazer em
mim.
20 Recompensou-me [4] o Senhor conforme a minha justiça, retribuiu-me
conforme a pureza das minhas mãos.
21 Porque guardei os caminhos do Senhor, e não me apartei impiamente do
meu Deus.
22 Porque todos os seus juizos _estavam_ diante de mim, e não rejeitei os
seus estatutos.
23 Tambem fui sincero perante elle, e me guardei da minha iniquidade.
24 Portanto retribuiu-me o Senhor conforme a minha justiça, conforme a
pureza de minhas mãos perante os seus olhos.
25 Com o benigno te mostrarás benigno; e com o homem sincero te mostrarás
sincero;
26 Com o puro te mostrarás puro; e com o perverso te mostrarás indomavel.
27 Porque tu livrarás ao povo afflicto, e abaterás os olhos altivos.
28 Porque tu [5] accenderás a minha candeia; o Senhor meu Deus allumiará
as minhas trevas.
29 Porque comtigo entrei pelo meio d’um esquadrão, com o meu Deus saltei
uma muralha.
30 O caminho de Deus [6] é perfeito; a palavra do Senhor _é_ provada: _é_
um escudo para todos os que n’elle confiam.
31 Porque quem [7] _é_ Deus senão o Senhor? e quem _é_ rochedo senão o
nosso Deus?
32 Deus _é_ o que me cinge de força e aperfeiçoa o meu caminho.
33 Faz os meus pés como _os das_ cervas, e põe-me nas minhas alturas.
34 Ensina as minhas mãos para a guerra, de sorte que os meus braços
quebraram um arco de cobre.
35 Tambem me déste o escudo da tua salvação: a tua mão direita me
susteve, e a tua mansidão me engrandeceu.
36 Alargaste os meus passos debaixo de mim, de maneira que os meus
artelhos não vacillaram.
37 Persegui os meus inimigos, e os alcancei: não voltei senão depois de
os ter consumido.
38 Atravessei-os, de sorte que não se poderam levantar: cairam debaixo
dos meus pés.
39 Pois me cingiste de força para a peleja: fizeste abater debaixo de mim
aquelles que contra mim se levantaram.
40 Déste-me tambem o pescoço dos meus inimigos para que eu podesse
destruir os que me aborrecem.
41 Clamaram, [8] mas não _houve_ quem _os_ livrasse: _até_ ao Senhor, mas
elle não lhes respondeu.
42 Então os esmiucei como o pó diante do vento; deitei-os fóra como a
lama das ruas.
43 Livraste-me das contendas do povo, _e_ me fizeste cabeça das nações;
_um_ povo que não conheci, me servirá.
44 Em ouvindo _a minha voz_, me obedecerão: os estranhos se submetterão a
mim.
45 Os estranhos decairão, e terão medo nos seus encerramentos.
46 O Senhor vive: e bemdito _seja_ o meu rochedo, e exaltado seja o Deus
da minha salvação.
47 _É_ Deus que me vinga inteiramente, [9] e sujeita os povos debaixo de
mim;
48 O que me livra de meus inimigos;—sim, tu me exaltas sobre os que se
levantam contra mim, tu me livras do homem violento.
49 Pelo que, ó Senhor, te louvarei entre as nações, e cantarei louvores
ao teu nome.
50 _Pois_ [10] engrandece a salvação do teu rei, e usa de benignidade com
o seu ungido, com David, e com a sua semente para sempre.
[1] Heb. 1.13.
[2] Act. 4.31.
[3] Isa. 30.30.
[4] I Sam. 24.19.
[5] Job 18.6.
[6] Deu. 32.4.
[7] Deu. 32.31, 39.
[8] Pro. 1.28. Isa. 1.15.
[9] Psa. 47.4.
[10] II Sam. 7.13.
_A excellencia da creação e das suas leis, assim como da palavra de Deus._
Psalmo de David para o cantor-mór.
19 Os céus [1] declararam a gloria de Deus e o firmamento annuncia a obra
das suas mãos.
2 _Um_ dia faz declaração a _outro_ dia, e _uma_ noite mostra sabedoria a
_outra_ noite.
3 Não _ha_ linguagem nem falla _onde_ se não oiçam as suas vozes.
4 A sua linha [2] se estende por toda a terra, e as suas palavras até ao
fim do mundo. N’elles poz _uma_ tenda para o sol,
5 O qual _é_ como _um_ noivo que sae do seu thalamo, _e_ se alegra como
um heroe, a correr o seu caminho.
6 A sua saida _é_ desde uma extremidade dos céus, e o seu curso até ás
outras extremidades d’elles, e nada se esconde ao seu calor.
7 A lei do Senhor _é_ perfeita, e refrigera a alma: o testemunho do
Senhor _é_ fiel, e dá sabedoria aos simplices.
8 Os preceitos do Senhor _são_ rectos e alegram o coração: o mandamento
do Senhor _é_ puro, e allumia os olhos.
9 O temor do Senhor é limpo, e permanece eternamente: os juízos do Senhor
_são_ verdadeiros e justos juntamente.
10 Mais desejaveis _são_ do que o oiro, sim, do que muito oiro fino; e
mais doces do que o mel e [NT] o licor dos favos.
11 Tambem por elles é admoestado o teu servo; _e_ em os guardar _ha_
grande recompensa.
12 Quem pode entender os _seus_ erros? expurga-me [3] tu dos _que me são_
occultos.
13 Tambem das soberbas guarda o teu servo, para que se não assenhoreiem
de mim: então serei sincero, e ficarei limpo de grande transgressão.
14 Sejam agradaveis as palavras da minha bocca e a meditação do meu
coração perante a tua face, Senhor, Rocha minha e [4] Libertador meu!
[1] Gen. 1.6. Rom. 1.19, 20.
[2] Rom. 10.18.
[3] Lev. 4.28.
[4] Isa. 44.6 e 47.4 e 48.14.
_Oração pelo rei na guerra._
Psalmo de David para o cantor-mór.
20 O Senhor te oiça no dia da angustia, o nome do [1] Deus de Jacob te
[NU] proteja.
2 Envie-te soccorro desde o seu sanctuario, e te sustenha desde Sião.
3 Lembre-se de todas as tuas offertas, e acceite os teus holocaustos
(Selah).
4 Conceda-te conforme ao teu coração, e cumpra todo o teu conselho.
5 Nós nos alegraremos [2] pela tua [NV] salvação, e em nome do nosso Deus
arvoraremos pendões; cumpra o Senhor todas as tuas petições.
6 Agora sei que o Senhor salva ao seu ungido: elle o ouvirá desde o seu
sancto céu, com a força salvadora da sua _mão_ direita.
7 Uns _confiam_ em carros e outros em cavallos, mas [3] nós faremos
menção do nome do Senhor nosso Deus.
8 Uns encurvam-se e caem, mas nós nos levantamos e estamos de pé.
9 Salva-_nos_, Senhor, oiça-nos o Rei quando clamarmos.
[1] Pro. 18.10.
[2] Exo. 17.6.
[3] II Chr. 32.8.
_David louva a Deus pela victoria._
Psalmo de David para o cantor-mór.
21 O rei se alegra em tua força, Senhor; e na tua salvação grandemente se
regozija.
2 Cumpriste-lhe o desejo do seu coração, e não negaste as supplicas dos
seus labios (Selah).
3 Pois o prevines das bençãos de bondade; [1] pões na sua cabeça _uma_
corôa d’oiro fino.
4 Vida te pediu, _e lh’a_ déste, _mesmo_ longura de dias para sempre e
eternamente.
5 Grande _é_ a sua gloria pela tua salvação; gloria e magestade pozeste
sobre elle.
6 Pois o abençoaste para sempre: tu o enches de gozo com a tua face.
7 Porque o rei confia no Senhor, e pela misericordia do Altissimo nunca
vacillará.
8 A tua mão [2] alcançará todos os teus inimigos, a tua _mão_ direita
alcançará aquelles que te aborrecem.
9 Tu os [3] farás como _um_ forno de fogo no tempo da tua ira; o Senhor
os devorará na sua indignação, e o fogo os consumirá.
10 Seu fructo [4] destruirás da terra, e a sua semente d’entre os filhos
dos homens.
11 Porque intentaram o mal contra ti; machinaram _uma_ trapaça, _mas_ não
prevalecerão.
12 Portanto tu lhes farás voltar as costas; _e_ com tuas _frechas postas
nas_ cordas lhes apontarás ao rosto.
13 Exalta-te, Senhor, na tua força; _então_ cantaremos e louvaremos o teu
poder.
[1] II Sam. 12.30.
[2] I Sam. 31.3.
[3] Mal. 4.1.
[4] I Reis 13.34. Job 18.16, 17, 19.
_O Messias soffre, mas triumpha._
Psalmo de David para o cantor-mór, sobre Aijeleth-hash-Shahar.
22 Meu Deus, [1] meu Deus, porque me desamparaste? _porque_ te alongas do
meu auxilio _e_ das palavras do meu bramido?
2 Meu Deus, eu clamo de dia, e tu não me ouves; de noite, e não tenho
socego,
3 Porém tu _és_ Sancto, o que habitas _entre_ os louvores d’Israel.
4 Em ti confiaram nossos paes; confiaram, e tu os livraste.
5 A ti clamaram e escaparam; em ti confiaram, e não foram confundidos.
6 Mas eu [2] _sou_ verme, e não homem, opprobrio dos homens e desprezado
do povo.
7 Todos [3] os que vêem zombam de mim, arreganham os beiços e meneiam a
cabeça, _dizendo_:
8 Confiou no Senhor, que o livre; livre-o, pois n’elle tem prazer.
9 Mas tu _és_ o que me tiraste do ventre: fizeste-me esperar, _estando_
aos peitos de minha mãe.
10 Sobre ti fui lançado desde a madre; tu _és_ o meu Deus desde o ventre
de minha mãe.
11 Não te alongues de mim, pois a angustia _está_ perto, e não _ha_ quem
ajude.
12 Muitos [4] toiros me cercaram; fortes _toiros_ de Bazan me rodearam.
13 Abriram contra mim suas boccas, _como_ um leão que despedaça e que
ruge.
14 Como agua me derramei, e todos os meus ossos [5] se desconjuntaram: o
meu coração é como cera, derreteu-se no meio das minhas entranhas.
15 A minha força se seccou como um caco, e a lingua se me pega ao
paladar: e me pozeste no pó da morte.
16 Pois me rodearam cães: o ajuntamento de malfeitores me cercou,
traspassaram-me [6] as mãos e os pés.
17 Poderia contar todos os meus ossos: elles _o_ vêem _e_ me contemplam.
18 Repartem [7] entre si os meus vestidos, e lançam sortes sobre a minha
tunica.
19 Mas tu, Senhor, não te alongues de mim: força minha, apressa-te em
soccorrer-me.
20 Livra-me a minha _alma_ da espada, _e_ a minha [NW] predilecta da
força do cão.
21 Salva-me da bocca do leão, sim, ouviste-me, desde as pontas dos
unicornios.
22 Então declararei o teu nome aos meus irmãos: louvar-te-hei no meio da
congregação.
23 Vós, que temeis ao Senhor, louvae-o; todos vós, semente de Jacob,
glorificae-o; e temei-o todos vós, semente d’Israel.
24 Porque não desprezou nem abominou a afflicção do afflicto, nem
escondeu d’elle o seu rosto; antes, quando elle clamou, o ouviu.
25 O meu louvor _virá_ de ti na grande congregação: pagarei os meus votos
perante os que o temem.
26 Os mansos comerão e se fartarão; louvarão ao Senhor os que o buscam:
[8] o vosso coração viverá eternamente.
27 Todos os limites da terra se lembrarão, e se converterão ao Senhor: e
todas as gerações das nações adorarão perante a tua face.
28 Porque o reino _é_ do Senhor, e elle domina entre as nações.
29 Todos _os que_ na terra _são_ gordos comerão e adorarão, e todos os
que descem ao pó se prostrarão perante elle: e ninguem poderá reter viva
a sua alma.
30 Uma semente o servirá: será contada ao Senhor de geração em geração.
31 Chegarão e annunciarão a sua justiça ao povo que nascer, porquanto
elle o fez.
[1] Mat. 27.46. Mar. 15.34.
[2] Job 25.6.
[3] Mat. 27.29.
[4] Deu. 32.24.
[5] Dan. 5.6.
[6] Mat. 27.35. Mar. 15.24. Luc. 23.33.
[7] Luc. 23.34. João 19.23, 24.
[8] João 65.1.
_A felicidade de termos o Senhor como nosso pastor._
Psalmo de David.
23 O Senhor [1] _é_ o meu pastor, nada me faltará.
2 Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a aguas [NX] mui
quietas.
3 Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por amor do
seu nome.
4 Ainda que eu andasse pelo valle da sombra [2] da morte, não temeria mal
algum, porque tu _estás_ comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.
5 Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a
minha cabeça com oleo, o meu calix trasborda.
6 Certamente que a bondade e a misericordia me seguirão todos os dias da
minha vida: e habitarei na casa do Senhor por longos dias.
[1] Jer. 23.4. João 10.11.
[2] Job 3.5.
_O dominio universal de Deus; quem é digno de entrar no seu sanctuario;
Deus é o Rei da gloria._
Psalmo de David.
24 Do Senhor [1] _é_ a terra e a sua plenitude, o mundo e aquelles que
n’elle habitam.
2 Porque elle a fundou sobre os mares, e a firmou [2] sobre os rios.
3 Quem subirá ao monte do Senhor, ou quem estará no seu logar sancto?
4 Aquelle que é limpo de [3] mãos e puro de coração, que não entrega a
sua alma á vaidade, nem jura enganosamente,
5 Este receberá a benção do Senhor e a justiça do Deus da sua salvação.
6 Esta _é_ a geração d’aquelles que buscam, d’aquelles que buscam a tua
face, _ó_ Deus de Jacob (Selah).
7 Levantae, [4] ó portas, as vossas cabeças; levantae-vos ó entradas
eternas, e entrará o Rei da Gloria.
8 Quem _é_ este Rei da Gloria? O Senhor forte e poderoso, o Senhor
poderoso na guerra.
9 Levantae, ó portas, as vossas cabeças, levantae-vos ó entradas eternas,
e entrará o Rei da Gloria.
10 Quem é este Rei da Gloria? O Senhor dos Exercitos, elle _é_ o Rei da
Gloria (Selah).
[1] Exo. 9.29 e 19.5.
[2] Gen. 1.9.
[3] Mat. 5.8.
[4] Isa. 26.2.
_David roga a Deus que o livre dos seus inimigos e lhe perdoe os seus
peccados._
Psalmo de David.
25 A ti, Senhor, levanto [1] a minha alma.
2 Deus meu, em ti confio, não me deixes confundido, nem que os meus
inimigos triumphem sobre mim.
3 Como, na verdade, não serão confundidos os que esperam em ti;
confundidos serão os que transgridem sem causa.
4 Faz-me saber [2] os teus caminhos, Senhor; ensina-me as tuas veredas.
5 Guia-me na tua verdade, e ensina-me, pois tu _és_ o Deus da minha
salvação; por ti estou esperando todo o dia.
6 Lembra-te, Senhor, das tuas misericordias e das tuas benignidades,
porque _são_ desde a eternidade.
7 Não te lembres dos peccados da minha mocidade, nem das minhas
transgressões; _mas_ segundo a tua misericordia, lembra-te de mim, por
tua bondade, Senhor.
8 Bom e recto _é o_ Senhor: pelo que ensinará o caminho aos peccadores.
9 Guiará os mansos em direitura: e aos mansos ensinará o seu caminho.
10 Todas as veredas do Senhor _são_ misericordia e verdade para aquelles
que guardam o seu concerto e os seus testemunhos.
11 Por amor do teu nome, Senhor, [3] perdoa a minha iniquidade, pois _é_
grande.
12 Qual _é_ o homem que teme ao Senhor? elle o ensinará no caminho _que_
deve escolher.
13 A sua alma pousará no bem, e a sua semente herdará a terra.
14 O segredo do Senhor _é_ com aquelles que o temem; e elle lhes mostrará
o seu concerto.
15 Os meus olhos _estão_ continuamente no Senhor, pois elle tirará os
meus pés da rede.
16 Olha para mim, e tem piedade de mim, porque _estou_ solitario e
afflicto.
17 As ancias do meu coração se teem multiplicado: tira-me dos meus
apertos.
18 Olha [4] para a minha afflicção e para a minha dôr, e perdoa todos os
meus peccados.
19 Olha para os meus inimigos, pois se vão multiplicando e me aborrecem
com odio cruel.
20 Guarda a minha alma, e livra-me; não me deixes confundido, porquanto
confio em ti.
21 Guardem-me a sinceridade e a direitura, porquanto espero em ti.
22 Redime, ó Deus, a Israel de todas as suas angustias.
[1] Lam. 3.41.
[2] Exo. 33.13.
[3] Rom. 5.20.
[4] II Sam. 16.12.
_David recorre a Deus, confiando na sua propria integridade._
Psalmo de David.
26 Julga-me, Senhor, pois tenho andado em minha sinceridade; tenho
confiado tambem no Senhor; não vacillarei.
2 Examina-me, Senhor, e prova-me: esquadrinha os meus rins e o meu
coração.
3 Porque a tua benignidade _está_ diante dos meus olhos; e tenho andado
na tua verdade.
4 Não me tenho assentado com homens vãos, nem converso com os _homens_
dissimulados.
5 Tenho aborrecido [1] a congregação de malfeitores; nem me ajunto com os
impios.
6 Lavo as [2] minhas mãos na innocencia; e assim andarei, Senhor, ao
redor do teu altar.
7 Para publicar com voz de louvor, e contar todas as tuas maravilhas.
8 Senhor, eu tenho amado a habitação da tua casa e o logar onde permanece
a tua gloria.
9 Não apanhes a minha alma com os peccadores, nem a minha vida com os
homens sanguinolentos,
10 Em cujas mãos _ha_ maleficio, e cuja _mão_ direita _está_ [3] cheia de
subornos.
11 Mas eu ando na minha sinceridade; livra-me e tem piedade de mim.
12 O meu pé está posto em caminho plano; nas congregações louvarei ao
Senhor.
[1] Psa. 31.7.
[2] Exo. 30.19, 20. I Tim. 2.8.
[3] Exo. 23.8. Deu. 16.19.
_Confiança em Deus e anhelo pela sua presença._
Psalmo de David.
27 O Senhor _é_ a minha luz e a minha salvação; a quem temerei? O Senhor
_é_ a força da minha vida; de quem me receiarei?
2 Quando os malvados, meus adversarios e meus inimigos, se chegaram
contra mim, para comerem as minhas carnes, tropeçaram e cairam.
3 Ainda que um exercito me cercasse, o meu coração não temeria: ainda que
a guerra se levantasse contra mim, n’isto confiarei.
4 Uma _coisa_ pedi ao Senhor, e a buscarei: [1] que possa morar na casa
do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a formosura do
Senhor, e inquirir no seu templo.
5 Porque no dia da adversidade me esconderá no seu pavilhão: no occulto
do seu tabernaculo me esconderá: pôr-me-ha sobre uma rocha.
6 Tambem agora a minha cabeça será exaltada sobre os meus inimigos _que
estão_ em redor de mim; portanto offerecerei sacrificio de jubilo no seu
tabernaculo; cantarei, sim, cantarei louvores ao Senhor.
7 Ouve, Senhor, a minha voz _quando_ clamo; tem tambem piedade de mim, e
responde-me.
8 Quando _tu disseste_: Buscae o meu rosto; o meu coração te disse a ti:
O teu rosto, Senhor, buscarei.
9 Não escondas de mim a tua face, não rejeites ao teu servo com ira; tu
foste a minha ajuda, não me deixes nem me desampares, ó Deus da minha
salvação.
10 Porque, quando [2] meu pae e minha mãe me desampararem, o Senhor me
recolherá.
11 Ensina-me, Senhor, o teu caminho, e guia-me pela vereda direita; por
causa dos que me andam espiando.
12 Não me entregues á vontade dos meus adversarios; pois se levantaram
falsas testemunhas contra mim, e os que respiram crueldade.
13 _Pereceria sem duvida_, se não cresse que veria os bens do Senhor na
terra dos viventes.
14 Espera [3] no Senhor, anima-te, e elle fortalecerá o teu coração;
espera pois no Senhor.
[1] Luc. 2.37.
[2] Isa. 49.15.
[3] Isa. 25.9. Hab. 2.3.
_David roga a Deus que o aparte dos impios a e louva, Deus porque ouviu
as suas supplicas._
Psalmo de David.
28 A ti clamarei, ó Senhor, Rocha minha; não emmudeças para comigo: _se_
te calares para comigo, fique eu similhante aos que descem ao abysmo.
2 Ouve a voz das minhas supplicas, quando a ti clamar, [1] quando
levantar as minhas mãos para o teu sancto oraculo.
3 Não me arremesses com os impios e com os que obram a iniquidade; que
fallam de paz ao seu proximo, mas _teem_ mal nos seus corações.
4 Dá-lhes segundo as suas obras e segundo a malicia dos seus esforços;
dá-lhes conforme [2] a obra das suas mãos; torna-lhes a sua recompensa.
5 Porquanto não attendem ás obras do Senhor, nem á obra das suas mãos;
pelo que elle os derribará e não os reedificará.
6 Bemdito _seja_ o Senhor, porque ouviu a voz das minhas supplicas.
7 O Senhor _é_ a minha força e o meu escudo; n’elle confiou o meu
coração, e fui soccorrido: pelo que o meu coração salta de prazer, e com
o meu canto o louvarei.
8 O Senhor _é_ a força d’elles: tambem _é_ a força salvadora do seu
ungido.
9 Salva o teu [3] povo, e abençoa a tua herança; e apascenta-os e
exalta-os para sempre.
[1] II Reis 8.28, 29.
[2] II Tim. 4.14. Apo. 18.6.
[3] Deu. 9.29. I Reis 8.51, 53.
_David exhorta a louvar a magestade de Deus._
Psalmo de David.
29 Dae ao Senhor, ó filhos dos poderosos, dae ao Senhor gloria e força.
2 Dae ao Senhor a gloria _devida ao_ seu nome, adorae o Senhor [NY] na
belleza da sanctidade.
3 A voz do Senhor _se ouve_ sobre as _suas_ aguas; o Deus da gloria
troveja; o Senhor _está_ sobre as muitas aguas,
4 A voz do Senhor _é_ poderosa; a voz do Senhor _é_ cheia de magestade.
5 A voz do Senhor quebra os cedros; sim, o Senhor quebra os cedros do
Libano.
6 Elle os faz saltar como um bezerro; ao Libano e Sirion, como novos
unicornios.
7 A voz do Senhor separa as labaredas do fogo.
8 A voz do Senhor faz tremer o deserto; o Senhor faz tremer o deserto de
[1] Kades.
9 A voz do Senhor faz parir as cervas, e descobre as brenhas; e no seu
templo cada um falla da _sua_ gloria.
10 O Senhor [2] se assentou sobre o diluvio; o Senhor se assenta como
Rei, perpetuamente.
11 O Senhor dará [3] força ao seu povo; o Senhor abençoará o seu povo com
paz.
[1] Num. 13.26, 27.
[2] Gen. 6.17.
[3] Psa. 28.8.
_A ira de Deus dura um momento só, mas a sua benignidade é eterna._
Psalmo e canção na dedicação da Casa. Psalmo de David.
30 Exaltar-te-hei, ó Senhor, porque tu me exaltaste; e não fizeste com
que meus inimigos se alegrassem sobre mim.
2 Senhor, meu Deus, clamei a ti, e tu me saraste.
3 Senhor, fizeste subir a minha alma [NZ] da sepultura: conservaste-me a
vida para que não descesse ao abysmo.
4 Cantae ao Senhor, [1] vós que sois seus sanctos, e celebrae a [OA]
memoria da sua sanctidade.
5 Porque a sua ira _dura só_ um momento; no seu favor _está_ a vida: o
choro pode durar uma noite, mas a alegria _vem_ pela manhã.
6 Eu dizia [2] na minha prosperidade: Não vacillarei jámais.
7 Tu, Senhor, pelo teu favor fizeste forte a minha montanha: tu
encobriste o teu rosto, e fiquei perturbado.
8 A ti, Senhor, clamei, e ao Senhor suppliquei.
9 Que proveito _ha_ no meu sangue, quando desço á cova? _Porventura_ te
louvará o pó? annunciará elle a tua verdade?
10 Ouve, Senhor, e tem piedade de mim, Senhor; sê o meu auxilio.
11 Tornaste [3] o meu pranto em folguedo: desataste o meu sacco, e me
cingiste de alegria:
12 Para que _a minha_ gloria a ti cante louvores, e não se cale: Senhor,
Deus meu, eu te louvarei para sempre.
[1] I Chr. 16.4.
[2] Job 29.18.
[3] II Sam. 6.14. Jer. 31.4.
_David roga a Deus que o livre, louva a sua benignidade e exhorta a
confiar n’Elle._
Psalmo de David para o cantor-mór.
31 Em ti, Senhor, confio; nunca me deixes confundido: livra-me pela tua
justiça.
2 Inclina para mim os teus ouvidos, livra-me depressa; sê a minha firme
rocha, uma casa fortissima que me salve.
3 Porque tu _és_ a minha rocha e a minha fortaleza; pelo que, por amor do
teu nome, guia-me e encaminha-me.
4 Tira-me da rede que para mim esconderam, pois tu _és_ a minha força.
5 Nas tuas mãos [1] encommendo o meu espirito: tu me redimiste, Senhor
Deus da verdade.
6 Aborreço aquelles que se entregam a vaidades enganosas; eu porém confio
no Senhor.
7 Eu me alegrarei e regozijarei na tua benignidade, pois consideraste a
minha afflicção: [2] conheceste a minha alma nas angustias.
8 E não me entregaste nas mãos do inimigo; pozeste os meus pés n’um logar
espaçoso.
9 Tem misericordia de mim, ó Senhor, porque estou angustiado: consumidos
estão de tristeza os meus olhos, a minha alma e o meu ventre.
10 Porque a minha vida está gasta de tristeza, e os meus annos de
suspiros; a minha força descae por causa da minha iniquidade, e os meus
ossos se consomem.
11 Fui opprobrio entre todos os meus inimigos, até entre os meus
visinhos, e horror para os meus conhecidos: os que me viam na rua fugiam
de mim.
12 Estou esquecido no coração d’elles, como um morto; sou como um vaso
quebrado.
13 Pois ouvi [3] a murmuração de muitos, temor _havia_ ao redor; emquanto
juntamente consultavam contra mim, intentaram tirar-me a vida.
14 Mas eu confiei em ti, Senhor: e disse: Tu _és_ o meu Deus.
15 Os meus tempos _estão_ nas tuas mãos: livra-me das mãos dos meus
inimigos e dos que me perseguem.
16 Faze resplandecer o teu rosto sobre o teu servo: salva-me por tuas
misericordias.
17 Não me deixes confundido, Senhor, porque te tenho invocado: deixa
confundidos os impios, _e_ emmudeçam na sepultura.
18 Emmudeçam os labios mentirosos que fallam [OB] coisas más com soberba
e desprezo contra o justo.
19 _Oh!_ quão grande _é_ a tua bondade, que guardaste para os que te
temem! _a qual_ obraste para aquelles que em ti confiam na presença dos
filhos dos homens!
20 Tu os esconderás, no secreto da tua presença, dos desaforos dos
homens: encobril-os-has em um pavilhão da contenda das linguas.
21 Bemdito _seja_ o Senhor, pois fez maravilhosa a sua misericordia para
comigo em cidade segura.
22 Pois eu dizia [OC] na minha pressa: Estou cortado de diante dos teus
olhos; não obstante, tu ouviste a voz das minhas supplicas, quando eu a
ti clamei.
23 Amae ao Senhor, vós todos que sois seus sanctos; _porque_ o Senhor
guarda os fieis e retribue com abundancia ao que usa de soberba.
24 Esforçae-vos, e elle fortalecerá o vosso coração, vós todos que
esperaes no Senhor.
[1] Luc. 23.46. Act. 7.58.
[2] Psa. 33.5.
[3] Jer. 20.10.
_A felicidade do homem perdoado; exhortação ao arrependimento._
Maschil de David.
32 Bemaventurado _aquelle cuja_ transgressão [1] _é_ perdoada, _e cujo_
peccado _é_ coberto.
2 Bemaventurado o homem a quem o Senhor não [2] imputa maldade, e em cujo
espirito não _ha_ engano.
3 Quando eu guardei silencio, envelheceram os meus ossos pelo meu bramido
em todo o dia.
4 Porque de dia e de noite a tua mão [3] pesava sobre mim; o meu humor se
tornou em sequidão de estio (Selah).
5 Confessei-te o meu peccado, e a minha maldade não encobri; dizia eu:
Confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a maldade
do meu peccado (Selah).
6 Portanto todo aquelle que é sancto orará a ti, em tempo que te possa
achar: até no trasbordar de muitas aguas, _estas_ não lhe chegarão.
7 Tu _és_ o logar [4] em que me escondo, tu me preservas da angustia: tu
me cinges d’alegres cantos de livramento (Selah).
8 Instruir-te-hei, e ensinar-te-hei o caminho que deves seguir;
guiar-te-hei com os meus olhos.
9 Não sejaes como o cavallo, _nem_ como a mula, _que_ não tem
entendimento, cuja bocca precisa de cabresto e freio, para que se não
cheguem a ti.
10 O impio tem [5] muitas dôres, mas áquelle que confia no Senhor a
misericordia o cercará.
11 Alegrae-vos no Senhor, e regozijae-vos, vós os justos; e cantae
alegremente, todos _vós que sois_ rectos de coração.
[1] Rom. 4.6, 7, 8.
[2] II Cor. 5.19. João 1.47.
[3] I Sam. 5.6.
[4] Psa. 9.10.
[5] Pro. 13.21. Rom. 2.9.
_O jubilo do crente na contemplação das obras de Deus._
33 Regozijae-vos no Senhor, vós, justos, _pois_ aos rectos convem o
louvor.
2 Louvae ao Senhor com harpa, cantae a elle com psalterio de dez cordas.
3 Cantae-lhe [1] um cantico novo: tocae bem e com jubilo.
4 Porque a palavra do Senhor _é_ recta, e todas as suas obras _são_ fieis.
5 Elle ama a justiça e o juizo: a terra está cheia da bondade do Senhor.
6 Pela [2] palavra do Senhor foram feitos os céus, e todo o exercito
d’elles pelo espirito da sua bocca.
7 Elle ajunta as aguas do mar como n’um montão; põe os abysmos em [OD]
thesouros.
8 Tema toda a terra ao Senhor; temam-n’o todos os moradores do mundo.
9 Porque fallou, e foi _feito_: mandou, e logo appareceu.
10 O Senhor desfaz [3] o conselho das nações, quebranta os intentos dos
povos.
11 O conselho do Senhor permanece para sempre: os intentos do seu coração
de geração em geração.
12 Bemaventurada _é_ a nação cujo Deus _é_ o Senhor, _e_ o povo _ao qual_
escolheu [4] para sua herança.
13 O Senhor olha desde os céus e está vendo a todos os filhos dos homens.
14 Do logar da sua habitação contempla todos os moradores da terra,
15 Aquelle que forma [5] o coração de todos elles, que contempla todas as
suas obras.
16 Não ha rei que se salve com a grandeza d’um exercito, nem o homem
valente se livra pela muita força.
17 O cavallo é fallaz para a _segurança_: não livra _ninguem_ com a sua
grande força.
18 Eis que [6] os olhos do Senhor _estão_ sobre os que o temem, sobre os
que esperam na sua misericordia;
19 Para lhes livrar as almas da morte, e para os conservar vivos na fome.
20 A nossa alma espera no Senhor: elle _é_ o nosso auxilio e o nosso
escudo.
21 Pois n’elle se alegra o [7] nosso coração; porquanto temos confiado no
seu sancto nome.
22 Seja a tua misericordia, Senhor, sobre nós, como em ti esperamos.
[1] Isa. 42.10. Apo. 5.9.
[2] Gen. 1.6, 7. Heb. 11.3. II Ped. 3.5.
[3] Isa. 10.8.
[4] Exo. 19.5. Deu. 7.6.
[5] Jer. 32.19.
[6] Job 36.7. I Ped. 3.12.
[7] Zac. 10.7. João 16.22.
_David louva a Deus, porque respondeu ás suas supplicas, e exhorta a
confiar n’Elle._
Psalmo de David, quando mudou o seu semblante perante Abimelech, e o
lançou fóra, e se foi.
34 Louvarei [1] ao Senhor em todo o tempo: o seu louvor _estará_
continuamente na minha bocca.
2 A minha alma se [2] gloriará no Senhor: os mansos _o_ ouvirão e se
alegrarão.
3 Engrandecei ao Senhor comigo; e juntos exaltemos o seu nome.
4 Busquei [3] ao Senhor, e elle me respondeu: livrou-me de todos os meus
temores.
5 Olharam para elle, e foram illuminados; e os seus rostos não ficaram
confundidos.
6 Clamou este pobre, e o Senhor _o_ ouviu, e o salvou de todas as suas
angustias.
7 O anjo [4] do Senhor acampa-se em redor dos que o temem, e os livra.
8 Provae, e vêde que o Senhor é bom; bemaventurado o homem que n’elle
confia.
9 Temei ao Senhor, _vós_, os seus sanctos, pois não teem falta alguma
aquelles que o temem.
10 Os filhos dos leões necessitam e soffrem fome, mas aquelles que temem
ao Senhor não teem falta de _coisa_ alguma.
11 Vinde, meninos, ouvi-me: eu vos ensinarei o temor do Senhor.
12 Quem [5] _é_ o homem que deseja a vida, que quer _largos_ dias para
vêr o bem?
13 Guarda [6] a tua lingua do mal, e os teus labios de fallarem o engano.
14 Aparta-te do mal, e faze o bem: procura a paz, e segue-a.
15 Os olhos [7] do Senhor _estão_ sobre os justos, e os seus ouvidos
_attentos_ ao seu clamor.
16 A face [8] do Senhor _está_ contra os que fazem o mal, para
desarreigar da terra a memoria d’elles.
17 _Os justos_ clamam, e o Senhor os ouve, e os livra de todas as suas
angustias.
18 Perto [9] _está_ o Senhor dos que teem o coração quebrantado, e salva
os contritos de espirito.
19 Muitas _são_ as afflicções do justo, mas o Senhor o livra de todas.
20 Elle lhe guarda [10] todos os seus ossos; nem sequer um d’elles se
quebra.
21 A malicia matará o impio, e os que aborrecem o justo serão [OE]
desolados.
22 O Senhor resgata a alma dos seus servos, e nenhum dos que n’elle
confiam será [OF] desolado.
[1] Eph. 5.20. I The. 5.18.
[2] Jer. 9.24. I Cor. 1.31.
[3] Mat. 7.7. Luc. 11.9.
[4] Dan. 6.22. Heb. 1.14.
[5] I Ped. 3.10, 11.
[6] I Ped. 2.22.
[7] I Ped. 3.12.
[8] Lev. 17.10. Jer. 44.11. Amós 9.4.
[9] Isa. 57.15 e 61.1.
[10] João 19.36.
_David pede o castigo dos impios; descripção da miseria d’estes e
supplica para que Deus os julgue._
Psalmo de David.
35 Pleiteia, Senhor, com aquelles que pleiteiam comigo: peleja contra [1]
os que pelejam contra mim.
2 Pega do escudo e da rodela, e levanta-te em minha ajuda.
3 Tira da lança e [OG] obstroe _o caminho_ aos que me perseguem; dize á
minha alma: Eu _sou_ a tua salvação.
4 Sejam [2] confundidos e envergonhados os que buscam a minha vida:
voltem atraz e envergonhem-se os que contra mim tentam mal.
5 Sejam como _moinho_ perante o vento, o anjo do Senhor os faça fugir.
6 Seja o seu caminho tenebroso e escorregadio, e o anjo do Senhor os
persiga.
7 Porque sem causa encobriram de mim a rede na cova, _a qual_ sem razão
cavaram para a minha alma.
8 Sobrevenha-lhe destruição sem o saber, e prenda-o a rede que occultou;
caia elle n’essa mesma destruição.
9 E a minha alma se alegrará no Senhor; alegrar-se-ha na sua salvação.
10 Todos os meus ossos dirão: Senhor, quem _é_ como tu, que livras
o pobre d’aquelle que é mais forte do que elle? sim, o pobre e o
necessitado d’aquelle que o rouba.
11 Falsas testemunhas se levantaram: depozeram contra mim _coisas_ que eu
não sabia.
12 Tornaram-me o mal pelo bem, roubando a minha alma.
13 Mas, quanto a mim, quando estavam enfermos, o meu vestido _era_ o
sacco; humilhava a minha alma com o jejum, e a minha oração voltava para
o meu seio.
14 Portava-me como _se elle fôra_ meu irmão ou amigo; andava lamentando e
muito encurvado, como quem chora _por sua_ mãe.
15 Mas elles com a minha adversidade se alegravam e se congregavam: os
objectos se congregavam contra mim, e eu não o sabia; [OH] rasgavam-me, e
não cessavam.
16 Como hypocritas zombadores nas festas, rangiam os dentes contra mim.
17 Senhor, [3] até quando verás isto? resgata a minha alma das suas
assolações, e a minha [OI] predilecta dos leões,
18 Louvar-te-hei na grande congregação: entre muitissimo povo te
celebrarei.
19 Não se alegrem os meus inimigos de mim sem razão, _nem_ acenem com os
olhos aquelles que me aborrecem sem causa.
20 Pois não fallam de paz; antes projectam [OJ] enganar os quietos da
terra.
21 Abrem a bocca de par em par contra mim, _e_ dizem: Ólá, Ólá! os nossos
olhos _o_ viram.
22 Tu, Senhor, _o_ tens visto, não te cales: Senhor, não te alongues de
mim;
23 Desperta e acorda para o meu julgamento, para a minha causa, Deus meu,
e Senhor meu.
24 Julga-me segundo a tua justiça, Senhor Deus meu, e não deixes que se
alegrem de mim.
25 Não digam em seus corações: Eia, sus, alma nossa: não digam: Nós o
havemos devorado.
26 Envergonhem-se [4] e confundam-se á uma os que se alegram com o meu
mal; vistam-se de vergonha e de confusão os que _se_ engrandecem contra
mim.
27 Cantem [5] e alegrem-se os que amam a minha justiça, e digam
continuamente: O Senhor seja engrandecido, o qual ama a prosperidade do
seu servo.
28 E assim a minha lingua fallará da tua justiça _e_ do teu louvor todo o
dia.
[1] Lam. 3.58. Exo. 14.25.
[2] Isa. 29.5. Ose. 13.3.
[3] Hab. 1.13.
[4] ver. 4.
[5] Rom. 12.15. I Cor. 12.26.
_A malicia dos impios. Nosso refugio está em Deus, que salva os rectos._
Psalmo de David, servo do Senhor, para o cantor-mór.
36 A prevaricação do impio diz no intimo do seu coração: Não _ha_ temor
[1] de Deus perante os seus olhos.
2 Porque em seus olhos se lisongeia, até que a sua iniquidade se descubra
ser detestavel.
3 As palavras da sua bocca _são_ malicia e engano: deixou de entender _e_
de fazer o bem.
4 Projecta a malicia na sua cama; põe-se no caminho _que_ não _é_ bom:
não aborrece o mal.
5 A tua misericordia, Senhor, _está_ nos céus, e a tua fidelidade _chega_
até ás mais _excelsas_ nuvens.
6 A tua justiça _é_ como as grandes montanhas; os teus juizos _são um_
grande abysmo; Senhor, tu conservas os homens e os animaes.
7 Quão preciosa _é_, ó Deus, a tua benignidade, pelo que os filhos dos
homens se abrigam á sombra das tuas azas.
8 Elles se fartarão da gordura da tua casa, e os farás [2] beber da
corrente das tuas delicias;
9 Porque [3] em ti _está_ o manancial da vida; na tua luz veremos a luz.
10 Estende a tua benignidade sobre os que te conhecem, e a tua justiça
sobre os rectos de coração.
11 Não venha sobre mim o pé dos soberbos, e não me mova a mão dos impios.
12 Ali caem os que obram a iniquidade; cairão, e não se poderão levantar.
[1] Rom. 3.18.
[2] Apo. 22.1.
[3] Jer. 2.13. João 4.10, 14.
_A prosperidade dos peccadores acaba, mas sómente os justos serão
felizes._
Psalmo de David.
37 Não te indignes por causa dos malfeitores, nem tenhas inveja dos que
obram a iniquidade.
2 Porque cedo serão ceifados como a herva, e murcharão como a verdura.
3 Confia no Senhor e faze o bem; habitarás na terra, e verdadeiramente
serás alimentado.
4 Deleita-te [1] tambem no Senhor, e te concederá os desejos do teu
coração.
5 Entrega o [2] teu caminho ao Senhor; confia n’elle, e elle o fará.
6 E elle fará sobresair a tua justiça como a luz, e o teu juizo como o
meio-dia.
7 Descança no Senhor, e espera n’elle; não te indignes por causa
d’aquelle que prospera em seu caminho, por causa do homem que executa
astutos intentos.
8 Deixa a ira, e abandona o furor: não te indignes para fazer sómente o
mal.
9 Porque os malfeitores serão desarreigados; mas aquelles que esperam no
Senhor herdarão a terra.
10 Pois ainda um pouco, e o impio não _existirá_; olharás para o seu
logar, e não _apparecerá_.
11 Mas os mansos herdarão a terra, e se deleitarão na abundancia de paz.
12 O impio maquina contra o justo, e contra elle range os dentes.
13 O Senhor se rirá d’elle, pois vê que vem chegando o seu dia.
14 Os impios puxaram da espada e entesaram o arco, para derribarem o
pobre e necessitado, _e_ para matarem os [OK] de recta conversação.
15 _Porém_ a sua espada lhes entrará no coração, e os seus arcos se
quebrarão.
16 Vale mais o pouco que tem o justo, do que as riquezas de muitos impios.
17 Pois os braços dos impios se quebrarão, mas o Senhor sustem os justos.
18 O Senhor conhece os dias dos rectos, [3] e a sua herança permanecerá
para sempre.
19 Não serão envergonhados nos dias maus, e nos dias de fome se fartarão.
20 Mas os impios perecerão, e os inimigos do Senhor _serão_ como a
gordura dos cordeiros; desapparecerão, e em fumo se desfarão.
21 O impio toma emprestado, e não paga; mas o justo se compadece, e dá.
22 Porque _aquelles que_ elle abençoa herdarão a terra, e aquelles _que
forem_ por elle amaldiçoados serão desarreigados.
23 Os passos de _um_ homem _bom_ são confirmados pelo Senhor, e
deleita-se no seu caminho.
24 Ainda que caia, não ficará prostrado, pois o Senhor _o_ sustem _com_ a
sua mão.
25 Fui moço, e agora sou velho; mas nunca vi desamparado o justo, nem a
sua semente a mendigar o pão.
26 Compadece-se sempre, e empresta, e a sua semente _é_ abençoada.
27 Aparta-te do mal e faze o bem; e habita para sempre.
28 Porque o Senhor ama o juizo e não desampara os seus sanctos; elles são
preservados para sempre; mas a semente dos impios será desarreigada.
29 Os justos herdarão a terra e habitarão n’ella para sempre.
30 A bocca do justo falla a sabedoria: a sua lingua falla do juizo.
31 A lei do seu Deus _está_ em seu coração; os seus passos não
resvallarão.
32 O impio espreita ao justo, e procura matal-o.
33 O Senhor não o deixará em suas mãos, nem o condemnará quando fôr
julgado.
34 Espera no Senhor, e guarda o seu caminho, e te exaltará para herdares
a terra: tu _o_ verás quando os impios forem desarreigados.
35 Vi o impio com grande poder espalhar-se como a arvore verde na terra
natal.
36 Mas passou e já não _apparece_: procurei-o, mas não se poude encontrar.
37 Nota o _homem_ sincero, e considera o recto, porque o fim d’_esse_
homem _é_ a paz.
38 Emquanto aos transgressores serão á uma destruidos, e as reliquias dos
impios serão destruidas.
39 Mas a salvação dos justos _vem_ do Senhor; _elle é_ a sua fortaleza no
tempo da angustia.
40 E o Senhor os [4] ajudará e os livrará; elle os livrará dos impios e
os salvará, [5] porquanto confiam n’elle.
[1] Isa. 58.14.
[2] Luc. 12.22.
[3] Isa. 60.21.
[4] Isa. 31.5.
[5] Dan. 3.17, 28 e 6.23.
_A dôr e o arrependimento do peccador; dirige-se a Deus para obter perdão
e salvação._
Psalmo de David para lembrança.
38 Ó Senhor, não me reprehendas na tua ira, nem me castigues em teu furor.
2 Porque as tuas frechas se cravaram em mim, e a tua mão sobre mim desceu.
3 Não _ha_ coisa sã na minha carne, por causa da tua colera; nem _ha_ paz
em meus ossos, por causa do meu peccado.
4 Pois _já_ as minhas [1] iniquidades sobrepassam a minha cabeça: como
carga pesada são de mais para as minhas forças.
5 As minhas chagas [2] cheiram mal e estão corruptas, por causa da minha
loucura.
6 Estou encurvado, estou muito abatido, ando lamentando todo o dia.
7 Porque as minhas ilhargas estão cheias de ardor, e não _ha_ coisa sã na
minha carne.
8 Estou fraco e mui quebrantado; tenho rugido pela inquietação do meu
coração.
9 Senhor, diante de ti _está_ todo o meu desejo, e o meu gemido não te é
occulto.
10 O meu coração dá voltas, a minha força me falta; emquanto á luz dos
meus olhos, ella me deixou.
11 Os meus amigos e os meus propinquos estão ao longe da minha chaga; e
os meus parentes se pôem em distancia.
12 Tambem os que buscam a minha vida _me_ armam laços, e os que procuram
o meu mal fallam coisas que damnificam, e imaginam astucias todo o dia.
13 Mas eu, como surdo, não ouvia, e _era_ como mudo _que_ não abre a
bocca.
14 Assim eu sou como homem que não ouve, e em cuja bocca não _ha_
reprovação.
15 Porque em ti, Senhor, espero; tu, Senhor meu Deus, me ouvirás.
16 Porque dizia eu: _Ouve-me_, para que se não alegrem de mim: quando
escorrega o meu pé, elles _se_ engrandecem contra mim.
17 Porque _estou_ prestes a coxear; a minha dôr _está_ constantemente
perante mim.
18 Porque eu declararei a minha iniquidade; affligir-me-hei por causa do
meu peccado.
19 Mas os meus inimigos _estão_ vivos _e_ são fortes, e os que sem causa
me odeiam se engrandecem.
20 Os que dão mal pelo bem são meus adversarios, porquanto eu sigo _o que
é_ bom.
21 Não me desampares, Senhor, meu Deus, [3] não te alongues de mim.
22 Apressa-te em meu auxilio, Senhor, minha salvação.
[1] Esd. 9.6.
[2] Mat. 11.28.
[3] Isa. 12.2.
_O cuidado com as nossas palavras; a brevidade e vaidade da vida; a
supplica para que Deus o guarde da impaciencia._
Psalmo de David para o cantor-mór, para Jeduthun.
39 Disse: Guardarei os meus caminhos para não delinquir com a minha
lingua: guardarei a bocca com um freio, emquanto o impio _estiver_ diante
de mim.
2 Com o silencio fiquei mudo; calava-me mesmo _ácerca_ do bem, e a minha
dôr se aggravou.
3 Esquentou-se-me o coração dentro de mim; emquanto eu meditava se
accendeu um fogo: _então_ fallei com a minha lingua.
4 Faze-me conhecer, Senhor, o meu fim, e a medida dos meus dias qual é,
para que eu sinta quanto sou fragil.
5 Eis que fizeste os meus dias como a palmos, o tempo da minha _vida_ é
como nada diante de ti; na verdade que todo o homem, por mais firme que
esteja, é totalmente vaidade (Selah).
6 Na verdade que todo o homem anda como uma [OL] apparencia; na verdade
que em vão se inquietam: amontoam _riquezas_, e não sabem quem as levará.
7 Agora, pois, Senhor, que espero eu? A minha esperança _está_ em ti.
8 Livra-me de todas as minhas transgressões; não me faças o opprobrio dos
loucos.
9 Emmudeci: não abro a minha bocca, porquanto tu _o_ fizeste.
10 Tira de sobre mim a tua praga; estou desfallecido pelo golpe da tua
mão.
11 _Quando_ castigas o homem, por causa da iniquidade, com reprehensões,
fazes com que a sua belleza se consuma como a traça: assim todo o homem
_é_ [OM] vaidade (Selah.)
12 Ouve, Senhor, a minha oração, e inclina os teus ouvidos ao meu clamor;
não te cales perante as minhas lagrimas, porque [1] _sou_ estranho para
ti _e_ peregrino como todos os meus paes.
13 Poupa-me, até que tome alento, antes que me vá, e não seja _mais_.
[1] Lev. 25.23. Heb. 11.13.
_Deus ouve a alma paciente: a obediencia é melhor do que o sacrificio;
oração a Deus para que o livre dos males._
Psalmo de David para o cantor-mór.
40 Esperei com paciencia ao Senhor, e elle se inclinou para mim, e ouviu
o meu clamor.
2 Tirou-me [ON] d’um lago horrivel, d’um charco de lodo, poz os meus pés
sobre uma rocha, firmou os meus passos,
3 E poz um novo cantico na minha bocca, um hymno ao nosso Deus; muitos
_o_ verão, e temerão, e confiarão no Senhor.
4 Bemaventurado [1] o homem que põe no Senhor a sua confiança, e o que
não respeita os soberbos nem os que se desviam para a mentira.
5 Muitas são, Senhor meu Deus, as maravilhas _que_ tens obrado para
comnosco, e os teus pensamentos não se podem contar por ordem diante de
ti; _se_ eu _os_ quizera annunciar, e d’elles fallar, são mais do que se
podem contar.
6 Sacrificio [2] e offerta não quizeste; as minhas orelhas [OO] abriste,
holocausto e expiação pelo peccado não reclamaste.
7 Então disse: Eis aqui venho; no rolo do livro de mim _está_ escripto.
8 Deleito-me em fazer a tua vontade, _ó_ Deus meu; sim, a tua lei _está_
dentro do meu coração.
9 Préguei a justiça na grande congregação; eis-que não retive os meus
labios, Senhor, tu o sabes.
10 Não escondi a tua justiça dentro do meu coração; apregoei a tua
fidelidade e a tua salvação: [3] não escondi da grande congregação a tua
benignidade e a tua verdade.
11 Não retires de mim, Senhor, as tuas misericordias; guardem-me
continuamente a tua benignidade e a tua verdade.
12 Porque males sem numero me teem rodeado: as minhas iniquidades me
prenderam de modo que não posso olhar para cima: são muitas mais do que
os cabellos da minha cabeça; pelo que desfallece o meu coração.
13 Digna-te, Senhor, livrar-me: Senhor, apressa-te em meu auxilio.
14 Sejam á uma confundidos e envergonhados os que buscam a minha vida
para destruil-a; tornem atraz e confundam-se os que me querem mal.
15 Desolados sejam em pago da sua affronta os que me dizem: Ha! Ha!
16 Folguem e alegrem-se em ti os que te buscam: digam constantemente os
que amam a tua salvação: Magnificado seja o Senhor.
17 Mas eu _sou_ pobre e necessitado; comtudo o Senhor [4] cuida de mim:
tu _és_ o meu auxilio e o meu libertador; não te detenhas, ó meu Deus.
[1] Jer. 17.7.
[2] I Sam. 15.22.
[3] Act. 20.20, 27.
[4] I Ped. 5.7.
_O cuidado de Deus para com os pobres. David queixa-se da traição de seus
inimigos e busca o soccorro de Deus._
Psalmo de David para o cantor-mór.
41 Bemaventurado [1] _é_ aquelle que attende ao pobre; o Senhor o livrará
no dia do mal.
2 O Senhor o livrará, e o conservará em vida; será abençoado na terra, e
tu não o entregarás á vontade de seus inimigos.
3 O Senhor o sustentará no leito da enfermidade; tu farás toda a sua cama
na doença.
4 Dizia eu: Senhor, tem piedade de mim; sára [2] a minha alma, porque
pequei contra ti.
5 Os meus inimigos fallam mal de mim, _dizendo_: Quando morrerá elle, e
perecerá o seu nome?
6 E, se _algum d’elles_ vem ver-me, falla coisas vãs; no seu coração
amontoa a maldade; saindo para fóra, falla _d’ella_.
7 Todos os que me aborrecem murmuram á uma contra mim; contra mim
imaginam o mal, _dizendo_:
8 Uma má doença se lhe tem apegado; e, _agora_ que está deitado, não se
levantará mais.
9 Até o meu proprio amigo intimo, em quem eu _tanto_ confiava, que comia
do meu pão, levantou contra mim o seu calcanhar.
10 Porém tu, Senhor, tem piedade de mim, e levanta-me, para que eu lhes
dê o pago.
11 Por isto conheço eu que tu me favoreces: que o meu inimigo não
triumpha de mim.
12 Emquanto a mim, tu me sustentas na minha sinceridade, e me pozeste
diante da tua face para sempre.
13 Bemdito _seja_ o Senhor Deus d’Israel, de seculo em seculo: Amen e
Amen.
[1] Pro. 14.21.
[2] Psa. 6.3.
_A alma anhela por servir a Deus no seu templo._
Maschil para o cantor-mór, entre os filhos de Korah.
42 Assim como o cervo [OP] brama pelas correntes das aguas, assim brama a
minha alma por ti, ó Deus!
2 A minha alma tem sêde de Deus, do Deus vivo: quando entrarei e me
apresentarei ante a face de Deus?
3 As minhas lagrimas servem-me de mantimento de dia e de noite, emquanto
me dizem constantemente: Onde _está_ o teu Deus?
4 Quando me lembro d’isto, dentro de mim derramo a minha alma: pois
[1] eu havia ido com a multidão; fui com elles á casa de Deus, com voz
d’alegria e louvor, com a multidão que festejava.
5 Porque estás abatida, ó alma minha, e _porque_ te perturbas em mim?
Espera em Deus, pois ainda o louvarei _pela_ salvação da sua face.
6 Ó meu Deus, dentro de mim a minha alma está abatida; portanto lembro-me
de ti desde a terra do Jordão, e desde os hermonitas, desde [OQ] o
pequeno monte.
7 _Um_ abysmo [2] chama _outro_ abysmo; ao ruido das tuas catadupas:
todas as tuas ondas e as tuas vagas teem passado sobre mim.
8 Comtudo o Senhor mandará a sua misericordia de dia, e de noite a sua
canção estará comigo, _e_ a oração ao Deus da minha vida.
9 Direi a Deus, minha Rocha: Porque te esqueceste de mim? porque ando
lamentando por causa da oppressão do inimigo?
10 [OR] Com ferida mortal em meus ossos me affrontam os meus adversarios,
quando todo o dia me dizem: Onde _está_ o teu Deus?
11 Porque estás [3] abatida, ó alma minha, e porque te perturbas dentro
de mim? espera em Deus, pois ainda o louvarei, _o qual é_ [OS] a salvação
da minha face, e o meu Deus.
[1] Isa. 30.29.
[2] Jer. 4.20. Eze. 7.26.
[3] ver. 5.
_Oração para que seja restituido aos privilegios do sanctuario._
43 Faze-me justiça, ó Deus, e pleiteia a minha causa contra a [OT] gente
impia; livra-me do homem fraudulento e injusto.
2 Pois tu _és_ o Deus da minha fortaleza; porque me rejeitas? porque ando
lamentando por causa da oppressão do inimigo?
3 Envia a tua luz e a tua verdade, para que me guiem e me levem ao teu
sancto monte, e aos teus tabernaculos.
4 Então irei ao altar de Deus, a Deus, _que é_ [OU] a minha grande
alegria, e com harpa te louvarei, ó Deus, Deus meu.
5 Porque estás abatida, ó alma minha? e porque te perturbas dentro de
mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, _o qual é_ a salvação da
minha face e Deus meu.
_O povo de Deus recorda os favores antigos, e roga o livramento dos males
presentes._
Maschil para o cantor-mór, entre os filhos de Korah.
44 Ó Deus, nós ouvimos com os nossos ouvidos, [1] e nossos paes nos teem
contado a obra _que_ fizeste em seus dias, nos tempos da antiguidade.
2 Como expelliste as nações com a tua mão e os plantaste a elles: _como_
affligiste os povos e [OV] os derribaste.
3 Pois não conquistaram a terra pela sua espada, nem o seu braço os
salvou, mas a tua dextra e o teu braço, e a luz da tua face, porquanto te
agradaste d’elles.
4 Tu és o meu Rei, ó Deus: ordena [OW] salvações para Jacob.
5 Por ti escornearemos [2] os nossos inimigos: pelo teu nome pizaremos os
que se levantam contra nós:
6 Pois eu não confiarei no meu arco, nem a minha espada me salvará.
7 Mas tu nos salvaste dos nossos inimigos, e confundiste os que nos
aborreciam.
8 Em Deus nos gloriamos todo o dia, e louvamos o teu nome eternamente
(Selah).
9 Mas agora tu nos rejeitaste e nos confundiste, e não saes com os nossos
exercitos.
10 Faze-nos [3] retirar do inimigo, e aquelles que nos odeiam _nos_
saqueiam para si.
11 Tu nos entregaste como [4] ovelhas para comer, e nos espalhaste entre
as nações.
12 Tu vendes por nada o teu povo, e não augmentas _a tua riqueza_ com o
seu preço.
13 Tu nos pões por opprobrio aos nossos visinhos, por escarneo e zombaria
de aquelles que estão á roda de nós.
14 Tu nos pões por proverbio entre as nações, por movimento de cabeça
entre os povos.
15 A minha [OX] confusão _está_ constantemente diante de mim, e a
vergonha do meu rosto me cobre:
16 Á voz d’aquelle que affronta e blasphema, por causa do inimigo e do
vingador.
17 Tudo [5] isto nos sobreveiu: _comtudo_ não nos esquecemos de ti, nem
nos houvemos falsamente contra o teu concerto.
18 O nosso coração não voltou atraz, nem os nossos passos se desviaram
das tuas veredas;
19 Ainda que nos quebrantaste n’um logar de [OY] dragões, e nos cobriste
com a sombra da morte.
20 Se nós esquecemos o nome do nosso Deus, e estendemos as nossas mãos
para _um_ deus estranho,
21 _Porventura_ não esquadrinhará Deus isso? pois elle sabe os segredos
do coração.
22 Sim, por amor de ti, somos mortos todo o dia: somos tidos na conta de
ovelhas para o matadouro.
23 Desperta, porque dormes, Senhor? acorda, não _nos_ rejeites para
sempre.
24 Porque escondes [6] a tua face, e te esqueces da nossa miseria e da
nossa oppressão?
25 Pois a nossa alma está abatida até ao pó; o nosso ventre se apega á
terra.
26 Levanta-te em nosso auxilio, e resgata-nos por amor das tuas
misericordias.
[1] Exo. 12.26.
[2] Dan. 8.6.
[3] Lev. 26.17.
[4] Rom. 8.36.
[5] Dan. 9.13.
[6] Job 13.24.
_Descripção prophetica da união entre Christo e a sua egreja._
Maschil, cantico d’amor, para o cantor-mór, entre os filhos de Korah,
sobre Shoshannim.
45 O meu coração ferve com palavras boas, fallo do que tenho feito no
tocante ao Rei: a minha lingua _é_ a penna de um dextro escriptor.
2 Tu és mais formoso do que os filhos dos homens; [1] a graça se derramou
em teus labios; portanto Deus te abençoou para sempre.
3 Cinge [2] a tua espada á coxa, ó Valente, com a tua gloria e a tua
magestade.
4 [OZ] E n’_este_ teu esplendor cavalga prosperamente, por causa da
verdade, da mansidão _e_ da justiça; e a tua dextra te ensinará coisas
terriveis.
5 As tuas frechas _são_ agudas [PA] no coração dos inimigos do Rei, _e
por ellas_ os povos cairam debaixo de ti.
6 O teu throno, ó Deus, é eterno e perpetuo; o sceptro do teu reino _é_
um sceptro d’equidade.
7 Tu amas a justiça e aborreces a impiedade; portanto, Deus, o teu Deus,
te ungiu com oleo de alegria, mais do que a teus companheiros.
8 Todos os teus vestidos _cheiram_ a myrrha, e aloes _e_ cassia, desde os
palacios de marfim de onde te alegram.
9 As filhas dos reis _estavam_ entre as tuas illustres _donzellas_; á tua
direita estava a rainha _ornada_ de finissimo oiro de Ophir.
10 Ouve, filha, e olha, e inclina os teus ouvidos; esquece-te do teu povo
e da casa do teu pae.
11 Então o rei se afeiçoará da tua formosura, pois elle _é_ teu Senhor;
adora-o.
12 E a filha de Tyro _estará ali_ com presentes; os ricos do povo
supplicarão o teu favor.
13 A filha do rei _é_ toda illustre por dentro: o seu vestido _é_ de oiro
engastado.
14 Leval-a-hão ao rei com vestidos bordados; as virgens que a acompanham
a trarão a ti.
15 Com alegria e regozijo as trarão: ellas entrarão no palacio do rei.
16 Em logar de teus paes serão teus filhos; d’elles farás [3] principes
sobre toda a terra.
17 Farei lembrado [4] o teu nome de geração em geração; pelo que os povos
te louvarão eternamente.
[1] Luc. 4.22.
[2] Isa. 49.2. Heb. 4.12. Apo. 1.16.
[3] I Ped. 2.9. Apo. 1.6.
[4] Mal. 1.11.
_A fé perfeita que aquelle que crê tem em Deus._
Cantico sobre Alamoth, para o cantor-mór entre os filhos de Korah.
46 Deus _é_ o nosso refugio e fortaleza, soccorro [1] bem presente na
angustia.
2 Pelo que não temeremos, ainda que a terra se mude, e ainda que os
montes se transportem para o meio dos mares.
3 _Ainda que_ as aguas rujam _e_ se perturbem, _ainda que_ os montes se
abalem pela sua braveza (Selah).
4 _Ha_ um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus, o sanctuario das
moradas do Altissimo.
5 Deus _está_ [2] no meio d’ella, não se abalará; Deus a ajudará ao
romper da manhã.
6 As nações se embraveceram; os reinos se moveram; elle levantou a sua
voz e a terra se derreteu.
7 O Senhor dos Exercitos _está_ comnosco: o Deus de Jacob _é_ o nosso
refugio (Selah).
8 Vinde, contemplae as obras do Senhor; que desolações tem feito na terra!
9 Elle faz cessar as guerras até ao fim da terra: quebra o arco e corta a
lança; queima os carros no fogo.
10 Aquietae-vos, e sabei que eu sou Deus; [3] serei exaltado entre as
nações; serei exaltado sobre a terra.
11 O Senhor dos Exercitos _está_ comnosco: o Deus de Jacob _é_ o nosso
refugio (Selah).
[1] Deu. 4.7.
[2] Deu. 24.14. Isa. 12.6. Ose. 11.9.
[3] Isa. 2.11, 17.
_O triumpho do reino de Deus._
Psalmo para o cantor-mór, entre os filhos de Korah.
47 Applaudi com as mãos, todos os povos; cantae a Deus com voz de
triumpho.
2 Porque o Senhor Altissimo _é_ tremendo, e Rei grande sobre toda a terra.
3 Elle nos subjugará os povos e as nações debaixo dos nossos pés.
4 Escolherá para nós a nossa herança, a gloria de Jacob, a quem amou
(Selah).
5 Deus _subiu_ com jubilo, o Senhor _subiu_ ao som de trombeta.
6 Cantae louvores a Deus, cantae louvores; cantae louvores ao nosso Rei,
cantae louvores.
7 Pois Deus _é_ o Rei de toda a terra, cantae louvores com intelligencia.
8 Deus reina sobre as nações: Deus se assenta [PB] sobre o throno da sua
sanctidade.
9 Os principes do povo se ajuntam, o povo do Deus de Abrahão; porque os
escudos da terra _são_ de Deus: elle está muito elevado!
_A belleza e os privilegios de Sião._
Cantico e psalmo para os filhos de Korah.
48 Grande _é_ o Senhor e mui _digno_ de louvor, na cidade do nosso Deus,
_no_ seu monte sancto.
2 Formoso de [PC] sitio, e alegria de toda a terra _é_ o monte de Sião
sobre os lados do norte, a cidade do grande Rei.
3 Deus _é_ conhecido nos seus palacios por um alto refugio.
4 Porque eis que os reis se ajuntaram: elles passaram juntos.
5 Viram-_n’o_, e ficaram maravilhados; ficaram assombrados e _se_
apressaram em fugir.
6 Tremor ali os tomou, e dôres como de mulher de parto.
7 Tu quebras as náus de Tarsis com um vento oriental.
8 Como _o_ ouvimos, assim _o_ vimos na cidade do Senhor dos Exercitos, na
cidade do nosso Deus. [1] Deus a confirmará para sempre (Selah).
9 Lembramo-nos, ó Deus, da tua benignidade no meio do teu templo.
10 Segundo _é_ o teu nome, ó Deus, assim _é_ o teu louvor, até aos fins
da terra: a tua mão direita está cheia de justiça.
11 Alegre-se o monte de Sião; alegrem-se as filhas de Judah por _causa
dos_ teus juizos.
12 Rodeae Sião, e cercae-a, contae as suas torres.
13 Marcae bem os seus antemuros, considerae os seus palacios, para que o
conteis á geração seguinte.
14 Porque este Deus _é_ o nosso Deus para sempre, elle será nosso guia
até á morte.
[1] Isa. 2.2. Miq. 4.1.
_A vaidade dos bens terrestres. Só Deus salva da morte._
Psalmo para o cantor-mór, entre os filhos de Korah.
49 Ouvi isto, _vós_ todos os povos; inclinae os ouvidos, todos os
moradores do mundo,
2 Tanto baixos como altos, tanto ricos como pobres.
3 A minha bocca fallará de sabedoria; e a meditação do meu coração _será_
de entendimento.
4 Inclinarei [1] os meus ouvidos a _uma_ parabola: declararei o meu
enigma na harpa.
5 Porque temerei eu nos dias maus, _quando_ me cercar a iniquidade dos
que me armam ciladas?
6 Aquelles [2] que confiam na sua fazenda, e se gloriam na multidão das
suas riquezas,
7 Nenhum d’elles de modo algum pode remir a seu irmão, ou dar a Deus o
resgate d’elle
8 (Pois a redempção da sua alma é carissima, e cessará para sempre);
9 Para que viva para sempre, _e_ não veja corrupção:
10 Porque elle vê _que_ os sabios morrem: perecem egualmente tanto o
louco como o brutal, e deixam a outros os seus bens.
11 O seu _pensamento_ interior _é que_ as suas casas _serão_ perpetuas
_e_ as suas habitações de geração em geração; dão ás suas terras os seus
proprios nomes.
12 Todavia o homem _que está_ na honra [3] não permanece; _antes_ é como
os brutos _que_ perecem.
13 Este caminho d’elles _é_ a sua loucura; comtudo a sua posteridade
approva as suas palavras (Selah).
14 Como ovelhas são postos na [PD] sepultura; a morte se alimentará
d’elles; e os rectos terão dominio sobre elles na manhã, e a sua
formosura na sepultura se consumirá [PE] da sua morada.
15 Mas Deus remirá a minha alma do poder da sepultura, pois me receberá
(Selah).
16 Não temas, quando alguem se enriquece, quando a gloria da sua casa se
engrandece.
17 Porque, quando morrer, nada levará _comsigo_, nem a sua gloria o
acompanhará.
18 Ainda que na sua vida elle bemdisse a sua alma, e _os homens_ te
louvam, quando fizeres bem a ti _mesmo_,
19 Irá para a geração de seus paes; elles nunca verão a luz.
20 O homem _que está_ na honra, e não tem entendimento, é similhante ás
bestas que perecem.
[1] Mat. 13.35.
[2] Mar. 10.24. I Tim. 6.17.
[3] Luc. 12.10.
_Deus governa o mundo: Deus tem mais prazer na obediencia do que no
sacrificio._
Psalmo de Asaph.
50 O Deus poderoso, o Senhor, fallou e chamou a terra desde o nascimento
do sol até ao seu occaso.
2 Desde Sião, a perfeição da formosura, resplandeceu Deus.
3 Virá o nosso Deus, e não se calará; _um_ fogo se irá consumindo diante
d’elle, e haverá grande tormenta ao redor d’elle.
4 Chamará os céus lá do alto, e a terra, para julgar o seu povo.
5 Ajuntae-me os meus sanctos, aquelles que fizeram comigo _um_ concerto
com sacrificios.
6 E os céus annunciarão a sua justiça; pois Deus mesmo _é_ o Juiz (Selah).
7 Ouve, povo meu, e eu fallarei; Ó Israel, e eu protestarei contia ti;
_Sou_ Deus, _sou_ o teu Deus.
8 Não te reprehenderei pelos teus sacrificios, ou holocaustos, _que
estão_ continuamente perante mim.
9 Da tua casa não tirarei [1] bezerro _nem_ bodes dos teus curraes.
10 Porque meu _é_ todo o animal da selva, _e_ o gado sobre milhares de
montanhas.
11 Conheço todas as aves dos montes; e minhas _são_ todas as feras do
campo.
12 Se eu tivesse fome, não t’o diria, pois meu _é_ o mundo e _toda_ a sua
plenitude.
13 Comerei eu carne de toiros? ou beberei sangue de bodes?
14 Offerece a Deus sacrificio de louvor, e paga ao Altissimo os teus
votos.
15 E invoca-me [2] no dia da angustia: eu te livrarei, e tu me
glorificarás.
16 Mas ao impio diz Deus: Que fazes tu em recitar os meus estatutos, e em
tomar o meu concerto na tua bocca?
17 Visto que [3] aborreces a correcção, e lanças as minhas palavras para
detraz de ti.
18 Quando vês o ladrão, consentes com elle, e _tens_ a tua parte com
adulteros.
19 Soltas a tua bocca para o mal, e a tua lingua compõe o engano.
20 Assentas-te a fallar contra teu irmão; fallas mal contra o filho de
tua mãe.
21 Estas _coisas_ tens feito, e eu me calei; pensavas que era _tal_ como
tu; _mas_ eu te arguirei, e _as_ porei por ordem diante dos teus olhos.
22 Ouvi pois isto, vós que vos esqueceis de Deus; para que _vos_ não faça
em pedaços, sem haver quem _vos_ livre.
23 Aquelle [4] que offerece o sacrificio de louvor me glorificará; e
áquelle que _bem_ ordena o _seu_ caminho eu mostrarei a salvação de Deus.
[1] Miq. 6.6. Act. 17.25.
[2] Zac. 13.9.
[3] Rom. 2.21, 22. Neh. 9.26.
[4] Rom. 12.1. Gal. 6.16.
_David confessa o seu peccado, supplica o perdão e roga a Deus que lhe
renove um espirito recto._
Psalmo de David para o cantor-mór, quando o propheta Nathan veiu a elle,
depois d’entrar a Bathseba.
51 Tem misericordia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as
minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericordias.
2 Lava-me completamente da minha iniquidade, e purifica-me do meu peccado.
3 Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu peccado _está_
sempre diante de mim.
4 Contra ti, contra ti sómente pequei, e fiz o que é mau á tua vista,
para que sejas justificado quando fallares, _e_ puro quando julgares.
5 Eis que em iniquidade fui formado, e em peccado me concebeu minha mãe.
6 Eis que amas a verdade no intimo, e no occulto me fazes conhecer a
sabedoria.
7 Purifica-me [1] com hyssope, e ficarei puro: lava-me, e ficarei mais
branco do que a neve.
8 Faze-me ouvir jubilo e alegria, _para que_ gozem os ossos _que_ tu
quebraste.
9 Esconde a tua face dos meus peccados, e apaga todas as minhas
iniquidades.
10 Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espirito
recto.
11 Não me lances fóra da tua presença, [2] e não retires de mim o teu
Espirito Sancto.
12 Torna a dar-me a alegria da tua salvação, e sustem-me _com o teu_
Espirito voluntario.
13 _Então_ ensinarei aos transgressores os teus caminhos, e os peccadores
a ti se converterão.
14 Livra-me [3] dos crimes de sangue, ó Deus, Deus da minha salvação, _e_
a minha lingua louvará altamente a tua justiça.
15 Abre, Senhor, os meus labios, e a minha bocca entoará o teu louvor.
16 Pois não queres os sacrificios que eu daria; tu não te deleitas em
holocaustos.
17 Os sacrificios para Deus _são_ o espirito quebrantado; [4] a _um_
coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus.
18 Faze o bem a Sião, segundo a tua boa vontade; edifica os muros de
Jerusalem.
19 Então te agradarás [5] dos sacrificios da justiça, dos holocaustos e
das offertas queimadas; então se offerecerão novilhos sobre o teu altar.
[1] Num. 19.18. Heb. 9.19. Isa. 1.18.
[2] Rom. 8.9. Eph. 4.30.
[3] II Sam. 11.17.
[4] Isa. 57.15.
[5] Mal. 3.3.
_David prediz a ruina do impio, e confia em Deus._
Maschil de David para o cantor-mór, quando Doeg, o idumeo, o annunciou a
Saul, e lhe disse: David veiu a casa de Abimelech.
52 Porque te glorias na malicia, ó homem poderoso? pois a bondade de Deus
_permanece_ continuamente.
2 A tua lingua intenta o mal, como uma navalha amolada, traçando enganos.
3 Tu amas mais o mal do que o bem, _e_ a mentira [1] mais do que o fallar
a rectidão (Selah).
4 Amas todas as palavras devoradoras, ó lingua fraudulenta.
5 Tambem Deus te destruirá para sempre; arrebatar-te-ha e arrancar-te-ha
da _tua_ habitação; e desarreigar-te-ha da terra dos viventes (Selah).
6 E os justos [2] o verão, e temerão: e se rirão d’elle:
7 Eis aqui o homem _que_ não poz em Deus a sua fortaleza; antes confiou
na abundancia das suas riquezas, _e_ se fortaleceu na sua maldade.
8 Mas eu [3] _sou_ como a oliveira verde na casa de Deus; confio na
misericordia de Deus para sempre, eternamente.
9 Para sempre te louvarei, porque tu _o_ fizeste, e esperarei no teu
nome, porque _é_ bom diante de teus sanctos.
[1] Jer. 9.4, 5.
[2] Mal. 1.5.
[3] Jer. 11.16.
_O impio nega a existencia de Deus e se corrompe._
Maschil de David para o cantor-mór sobre Machalath.
53 Disse o [PF] nescio no seu coração: Não _ha_ Deus. Teem-se corrompido,
[1] e commettido abominavel iniquidade: não _ha_ ninguem que faça o bem.
2 Deus olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia
_algum_ que tivesse entendimento e buscasse a Deus.
3 Desviaram-se todos, e juntamente se fizeram immundos; não _ha_ quem
faça o bem, não, nem sequer um.
4 Acaso não teem conhecimento [2] os que obram a iniquidade, os quaes
comem o meu povo _como se_ comessem pão? elles não invocaram a Deus.
5 Ali se acharam em grande temor, _onde_ não havia temor, [3] pois Deus
espalhou os ossos d’aquelle que te cercava; tu _os_ confundiste, porque
Deus os rejeitou.
6 Oh! se _já_ de Sião viera a salvação de Israel! Quando Deus fizer
voltar os captivos do seu povo, _então_ se regozijará Jacob _e_ se
alegrará Israel.
[1] Rom. 3.10.
[2] Jer. 4.22.
[3] Eze. 6.5.
_David roga a Deus que o salve dos seus inimigos._
Maschil de David para o cantor-mór sobre Neginoth, quando os zipheos
vieram e disseram a Saul: Porventura não está escondido entre nós?
54 Salva-me, ó Deus, pelo teu nome, e faze-me justiça pelo teu poder.
2 Ó Deus, ouve a minha oração, inclina os teus ouvidos ás palavras da
minha bocca.
3 Porque os estranhos se levantam contra mim, e tyrannos procuram a minha
vida: não teem posto Deus perante os seus olhos (Selah).
4 Eis que Deus _é_ o meu ajudador, o Senhor _está_ com aquelles que
susteem a minha alma.
5 Elle recompensará com o mal aquelles que me andam espiando: destroe-os
na tua verdade.
6 Eu te offerecerei voluntariamente sacrificios, louvarei o teu nome ó
Senhor, porque _é_ bom.
7 Pois me tem livrado de toda a angustia; e os meus olhos viram _o meu
desejo_ sobre os meus inimigos.
_David queixa-se da malicia dos seus inimigos; persevera em oração, e
lança a sua carga sobre o Senhor._
Maschil de David para o cantor-mór, sobre Neginoth.
55 Inclina ó Deus os _teus_ ouvidos á minha oração, e não te escondas da
minha supplica.
2 Attende-me, e ouve-me: lamento na minha queixa, [1] e faço ruido,
3 Pelo clamor do inimigo e por causa da oppressão do impio: pois lançou
sobre mim a iniquidade, e com furor me aborrecem.
4 O meu coração está dolorido dentro de mim, e terrores da morte cairam
sobre mim.
5 Temor e tremor vieram sobre mim; e o horror me cobriu.
6 Pelo que disse: Oh! quem me déra azas como de pomba! _porque então_
voaria, e estaria em descanço.
7 Eis que fugiria para longe, _e_ pernoitaria no deserto (Selah).
8 Apressar-me-hia a escapar da furia do vento _e_ da tempestade.
9 [PG] Despedaça, [2] Senhor, e divide as suas linguas, pois tenho visto
violencia e contenda na cidade.
10 De dia e de noite a cercam sobre os seus muros; iniquidade e malicia
_estão_ no meio d’ella.
11 Maldade _ha_ dentro d’ella: astucia e engano não se apartam das suas
ruas.
12 Pois não _era um_ inimigo _que_ me affrontava: então eu _o_ houvera
supportado: nem _era_ o que me aborrecia _que se_ engrandecia contra mim,
porque d’elle me teria escondido.
13 Mas eras tu, homem meu egual, meu guia e meu intimo amigo.
14 Consultavamos juntos suavemente, [3] _e_ andavamos em companhia na
casa de Deus.
15 A morte os assalte, _e_ vivos desçam ao [PH] inferno; porque _ha_
maldade nas suas habitações _e_ no meio d’elles.
16 Porém eu invocarei a Deus, e o Senhor me salvará.
17 De tarde [4] e de manhã e ao meio dia orarei; e clamarei, e elle
ouvirá a minha voz.
18 Livrou em paz a minha alma da peleja _que havia_ contra mim; pois
havia muitos [PI] comigo.
19 Deus ouvirá, e os affligirá, Aquelle que preside desde a antiguidade
(Selah), porque não ha n’elles nenhuma mudança, _e_ portanto não temem a
Deus.
20 Elle [5] poz as suas mãos n’aquelles que teem paz com elle: quebrou a
sua alliança.
21 _As palavras_ da sua bocca eram mais macias do que a manteiga, mas
_havia_ guerra no seu coração: as suas palavras _eram_ mais brandas do
que o azeite; comtudo, eram espadas nuas.
22 Lança [6] a tua carga sobre o Senhor, e elle te susterá: não
permittirá nunca que o justo seja abalado.
23 Mas tu, ó Deus, os farás descer ao poço da perdição; homens de sangue
e de fraude não viverão metade dos seus dias; mas eu em ti confiarei.
[1] Isa. 38.14.
[2] Jer. 6.7.
[3] Psa. 42.5.
[4] Dan. 6.10. Luc. 18.1.
[5] Act. 12.1.
[6] Mat. 6.25.
_David roga a Deus que o livre dos seus inimigos, e confia em que elle
lh’o conceda._
Mictam de David para o cantor-mór, sobre Jonath-elem-rechokin, quando os
philisteos o prenderam em Gath.
56 Tem misericordia de mim, ó Deus, porque o homem procura devorar-me;
pelejando todo o dia, me opprime.
2 Os que me andam espiando procuram devorar-me todo o dia; pois são
muitos os que pelejam contra mim, ó Altissimo.
3 Em qualquer tempo que eu temer, me confiarei de ti.
4 Em Deus louvarei a sua palavra, em Deus puz a minha confiança; [1] não
temerei o que me possa fazer a carne.
5 Todos os dias torcem as minhas palavras: todos os seus pensamentos
_são_ contra mim para o mal.
6 Ajuntam-se, escondem-se, marcam os meus passos, como aguardando a minha
alma.
7 _Porventura_ escaparão elles por meio da sua iniquidade? Ó Deus,
derriba os povos na _tua_ ira!
8 Tu contas as minhas [PJ] vagueações; [2] põe as minhas lagrimas no teu
odre; não _estão ellas_ no teu livro?
9 Quando eu a _ti_ clamar, então voltarão para traz os meus inimigos:
isto sei eu, porque Deus _é_ por mim.
10 Em Deus louvarei a _sua_ palavra; no Senhor louvarei a _sua_ palavra.
11 Em Deus tenho posto a minha confiança; não temerei o que me possa
fazer o homem.
12 Os teus votos _estão_ sobre mim, ó Deus; eu te renderei acções de
graças;
13 Pois tu livraste a minha alma da morte; não _livrarás_ os meus pés da
queda, para andar diante de Deus na luz dos viventes?
[1] Isa. 31.3. Heb. 13.6.
[2] Mal. 3.16.
_David acha soccorro contra os seus inimigos e louva a Deus._
Mictam de David para o cantor-mór Al-tascheth, quando fugia de diante de
Saul na caverna.
57 Tem misericordia de mim, ó Deus, tem misericordia de mim, porque a
minha alma confia em ti; e na sombra das tuas azas me abrigo, até que
passem [1] as calamidades.
2 Clamarei ao Deus altissimo, ao Deus que por mim tudo executa.
3 Elle enviará desde os céus, e me salvará _do_ desprezo d’aquelle que
procurava devorar-me (Selah). Deus enviará a sua misericordia e a sua
verdade.
4 A minha alma _está_ entre leões, e eu estou _entre_ aquelles que estão
abrazados, filhos dos homens, cujos dentes são lanças e frechas, e a sua
lingua espada afiada.
5 Sê exaltado, ó Deus, sobre os céus; seja a tua gloria sobre toda a
terra.
6 Armaram uma rede aos meus passos; a minha alma está abatida; cavaram
uma cova diante de mim, _porém elles mesmos_ cairam no meio d’ella
(Selah).
7 Preparado está o meu coração, ó Deus, preparado está o meu coração;
cantarei, e direi psalmos.
8 Desperta, gloria minha, desperta, alaude e harpa; eu _mesmo_
despertarei ao romper da alva.
9 Louvar-te-hei, Senhor, entre os povos; eu te cantarei entre as nações.
10 Pois a tua misericordia _é_ grande até aos céus, e a tua verdade até
ás nuvens.
11 Sê exaltado, ó Deus, sobre os céus; e seja a tua gloria sobre toda a
terra.
[1] Isa. 26.20.
_David reprova os impios. Deus os castigará, e salvará os justos._
Mictam de David para o cantor-mór Al-tascheth.
58 Acaso fallaes vós devéras, ó congregação, a justiça? Julgaes
realmente, ó filhos dos homens?
2 Antes no coração obraes perversidades: sobre a terra pesaes a violencia
das vossas mãos.
3 Alienam-se os impios desde a madre; andam errados desde que nasceram,
fallando mentiras.
4 O seu veneno é similhante ao veneno da serpente; _são_ como a vibora
surda _que_ tapa os ouvidos,
5 Para não ouvir a voz dos encantadores, do encantador sabio em
encantamentos.
6 Ó Deus, quebra-lhes os dentes nas suas boccas; arranca, Senhor, os
dentes queixaes aos filhos dos leões.
7 Escorram como aguas _que_ correm constantemente; _quando_ elle armar as
suas frechas, fiquem feitos em pedaços.
8 Como a lesma se derrete, _assim_ se vá _cada um d’elles_, _como_ o
aborto d’uma mulher, que nunca viu o sol.
9 Antes que as vossas panellas sintam os espinhos, elle os arrebatará na
sua indignação como com um redemoinho.
10 O justo se alegrará quando vir a vingança; lavará os seus pés no
sangue do impio.
11 Então dirá o homem: Devéras _ha_ uma recompensa para o justo; devéras
ha um Deus que julga na terra.
_David supplica a Deus que o livre, e protesta a sua innocencia._
Mictam de David para o cantor-mór Al-taschet, quando Saul lhes mandou que
guardassem a sua casa para o matarem.
59 Livra-me, meu Deus, dos meus inimigos, defende-me d’aquelles que se
levantam contra mim.
2 Livra-me dos que obram a iniquidade, e salva-me dos homens sanguinarios.
3 Pois eis que põem ciladas á minha alma; os fortes se ajuntam contra
mim, não _por_ transgressão minha ou _por_ peccado meu, ó Senhor.
4 Elles correm, e se preparam, sem culpa _minha_: desperta para me
ajudares, e olha.
5 Tu, pois, ó Senhor, Deus dos Exercitos, Deus d’Israel, desperta para
visitares [PK] todos os gentios: não tenhas misericordia de nenhum dos
perfidos que obram a iniquidade (Selah).
6 Voltam á tarde: dão ganidos como cães, e rodeiam a cidade.
7 Eis que elles dão gritos com as suas boccas; espadas _estão_ nos seus
labios, porque _dizem elles_: Quem ouve?
8 Mas tu, Senhor, te rirás d’elles: zombarás de todos os gentios.
9 _Por causa_ da sua força eu te aguardarei; pois Deus é a minha alta
defeza.
10 O Deus da minha misericordia me prevenirá: Deus me fará ver _o meu
desejo_ sobre os meus inimigos.
11 Não os mates, para que o meu povo se não esqueça: espalha-os pelo teu
poder, e abate-os, ó Senhor, nosso escudo.
12 _Pelo_ peccado da sua bocca _e pelas_ palavras dos seus labios fiquem
presos na sua soberba, e pelas maldições e pelas mentiras que fallam.
13 Consome-_os_ na _tua_ indignação, consome-_os_, para que não existam,
e para que saibam que Deus reina em Jacob até aos fins da terra (Selah).
14 E tornem a vir á tarde, e dêem ganidos como cães, e cerquem a cidade.
15 Vagueiem para cima e para baixo por mantimento, e passem a noite sem
se saciarem.
16 Eu porém cantarei a tua força; pela manhã louvarei com alegria a tua
misericordia; porquanto tu foste o meu alto refugio, e protecção no dia
da minha angustia.
17 A ti, ó fortaleza minha, cantarei _psalmos_; porque Deus _é_ a minha
defeza e o Deus da minha misericordia.
_Acção de graças por varias victorias._
Mictam de David, de doutrina, para o cantor-mór, sobre Susan Eduth,
quando pelejou com os syros de Mesopotamia, e com os syros de Zoba, e
Joab, tornando, feriu no Valle do Sal a doze mil dos idumeos.
60 Ó Deus, tu nos rejeitaste, tu nos espalhaste, tu te indignaste; oh,
volta-te para nós.
2 Abalaste a terra, _e_ a fendeste; sara as suas fendas, pois ella treme.
3 Fizeste ver ao teu povo coisas arduas; [1] fizeste-nos beber o vinho da
perturbação.
4 Déste um estandarte aos que te temem, para arvorarem no alto, por causa
da verdade (Selah).
5 Para que os teus amados sejam livres, salva-_nos com_ a tua dextra, e
ouve-nos;
6 Deus fallou na sua sanctidade: Eu me regozijarei, [2] repartirei a
Sichem e medirei o valle de Succoth.
7 Meu _é_ Galaad, e meu _é_ Manasseh; Ephraim _é_ a força da minha
cabeça; Judah é o meu legislador.
8 Moab _é_ o meu vaso de lavar; sobre Edom lançarei o meu sapato;
alegra-te, ó Palestina, por minha causa.
9 Quem me conduzirá á cidade forte? Quem me guiará até Edom?
10 Não _serás_ tu, ó Deus, _que_ nos tinhas rejeitado? _tu_, ó Deus,
_que_ não saiste com os nossos exercitos?
11 Dá-nos auxilio na angustia, porque vão _é_ [PL] o soccorro do homem.
12 Em Deus faremos proezas; porque _elle é que_ pisará os nossos inimigos.
[1] Isa. 51.17. Jer. 51.17, 21.
[2] Jos. 1.6. Gen. 12.6.
_David confia em Deus como seu refugio._
Psalmo de David para o cantor-mór, sobre Neginoth.
61 Ouve, ó Deus, o meu clamor; attende á minha oração.
2 Desde o fim da terra clamarei a ti, quando o meu coração estiver
desmaiado; leva-me para a rocha que é mais alta do que eu.
3 Pois tens sido um refugio para mim, _e_ uma torre forte contra o
inimigo.
4 Habitarei no teu tabernaculo para sempre: abrigar-me-hei no occulto das
tuas azas (Selah).
5 Pois tu, ó Deus, ouviste os meus votos: déste-_me_ a herança dos que
temem o teu nome.
6 Prolongarás os dias do rei; _e_ os seus annos serão como muitas
gerações.
7 Elle permanecerá diante de Deus para sempre; prepara-_lhe_ misericordia
e verdade _que_ o preservem.
8 Assim cantarei psalmos ao teu nome perpetuamente, para pagar os meus
votos de dia em dia.
_Exhortação a que se confie sómente em Deus._
Psalmo de David para o cantor-mór, sobre Jeduthun.
62 A minha alma [PM] espera sómente em Deus: d’elle _vem_ a minha
salvação.
2 Só elle _é_ a minha rocha e a minha salvação; _é_ a minha defeza; não
serei grandemente abalado.
3 Até quando maquinareis o _mal_ contra um homem? sereis mortos todos
vós, [1] _sereis_ como uma parede encurvada _e_ um vallado bambaleante.
4 Elles sómente consultam _como_ o hão de derribar da sua excellencia:
deleitam-se em mentiras; com a bocca bemdizem, mas nas suas entranhas
maldizem (Selah).
5 Ó minha alma, [PN] espera sómente em Deus, porque d’elle _vem_ a minha
esperança.
6 Só elle _é_ a minha rocha e a minha salvação; _é_ a minha defeza; não
serei abalado.
7 Em Deus _está_ a minha [2] salvação e a minha gloria: a rocha da minha
fortaleza, _e_ o meu refugio _estão_ em Deus.
8 Confiae n’elle, ó povo, em todos os tempos; derramae perante elle o
vosso coração; Deus _é_ o nosso refugio (Selah).
9 Certamente [3] que os homens de classe baixa _são_ vaidade, e os homens
d’ordem elevada são mentira; pesados em balanças, elles juntos _são mais
leves_ do que a vaidade.
10 Não confieis na oppressão, nem vos ensoberbeçaes na rapina; se as
vossas riquezas augmentam, não ponhaes _n’ellas_ o coração.
11 Deus fallou uma vez; duas vezes tenho ouvido isto: que o poder
_pertence_ a Deus.
12 A ti tambem, Senhor, _pertence_ a misericordia; [4] pois retribuirás a
cada um segundo a sua obra.
[1] Isa. 30.13.
[2] Jer. 3.23.
[3] Rom. 3.4.
[4] Jer. 32.19. Eze. 7.27 e 33.21. Rom. 2.8. Col. 3.25. I Ped. 1.17. Apo.
22.12.
_David anhela pela presença de Deus._
Psalmo de David quando estava no deserto de Judah.
63 Ó Deus, tu _és_ o meu Deus, de madrugada te buscarei: a minha alma tem
sêde de ti; a minha carne te deseja muito em uma terra secca e cançada,
onde não ha agua,
2 Para [1] ver a tua fortaleza e a tua gloria, como te vi no sanctuario.
3 Porque a tua benignidade _é_ melhor do que a vida; os meus labios te
louvarão.
4 Assim eu te bemdirei emquanto viver: em teu nome levantarei as minhas
mãos.
5 A minha alma se fartará, como de tutano e de gordura; e a minha bocca
_te_ louvará com alegres labios,
6 Quando me lembrar de ti na minha cama, _e_ meditar em ti nas vigilias
_da noite_.
7 Porque tu tens sido o meu auxilio; portanto na sombra das tuas azas me
regozijarei.
8 A minha alma te segue de perto: a tua dextra me sustenta.
9 Mas aquelles _que_ procuram a minha alma para _a_ destruir, irão para
as profundezas da terra.
10 Cairão á espada, serão _uma_ ração para as raposas.
11 Mas o rei se regozijará em Deus; [2] qualquer que por elle jurar se
gloriará; porque se taparão as boccas dos que fallam a mentira.
[1] I Sam. 4.21.
[2] Deu. 6.13.
_David supplica a Deus que guarde a sua vida, e espera que lh’o conceda._
Psalmo de David para o cantor-mór.
64 Ouve, ó Deus, a minha voz na minha oração: guarda a minha vida do
temor do inimigo.
2 Esconde-me do secreto conselho dos maus, e do tumulto dos que obram a
iniquidade.
3 Que afiaram as suas linguas como espadas; _e_ armaram _por_ suas
frechas palavras amargas,
4 A fim de atirarem em logar occulto ao _que é_ recto; disparam sobre
elle repentinamente, e não temem.
5 Firmam-se em mau intento; fallam de armar laços secretamente, _e_
dizem: Quem os verá?
6 Andam inquirindo malicias, inquirem tudo o que se pode inquirir; e o
intimo _pensamento_ de cada um d’elles, e o coração, é profundo.
7 Mas Deus atirará sobre elles uma setta, _e_ de repente ficarão feridos.
8 Assim elles farão com que as suas linguas tropecem contra si mesmos;
todos aquelles que os virem fugirão.
9 E todos os homens temerão, [1] e annunciarão a obra de Deus; e
considerarão prudentemente os feitos d’elle.
10 O justo se alegrará no Senhor, e confiará n’elle, e todos os rectos de
coração se gloriarão.
[1] Jer. 50.28 e 51.10.
_David louva a Deus e dá-lhe graças pelas bençãos concedidas._
Psalmo e cantico de David para o cantor-mór.
65 [PO] A ti, ó Deus, espera o louvor em Sião, e a ti se pagará o voto.
2 Ó tu que ouves as orações, [1] a ti virá toda a carne.
3 Prevalecem as iniquidades contra mim; _porém_ tu expias as nossas
transgressões.
4 Bemaventurado _aquelle a quem_ tu escolhes, e fazes chegar _a ti_,
_para que_ habite em teus atrios: nós seremos fartos da bondade da tua
casa _e_ do teu sancto templo.
5 Pelas coisas tremendas em justiça nos responderás, ó Deus da nossa
salvação; tu és a esperança de todas as extremidades da terra, e
d’aquelles que estão longe sobre o mar.
6 O que pela sua força consolida os montes, cingido de fortaleza:
7 O que applaca o ruido dos mares, o ruido das suas ondas, e o tumulto
das gentes.
8 E os que habitam nos fins _da terra_ temem os teus signaes; tu fazes
alegres as saidas da manhã e da tarde.
9 Tu visitas [2] a terra, e a refrescas; tu a enriqueces grandemente com
o rio de Deus, _que está_ cheio d’agua; tu lhe preparas o trigo, quando
assim a tens preparada.
10 Enches _d’agua_ os seus regos, fazendo-_a_ descer _em_ suas margens:
tu a amoleces com a muita chuva: abençoas as suas novidades.
11 Coroas o anno da tua bondade, e as tuas veredas distillam gordura.
12 Distillam _sobre_ os pastos do deserto, e os outeiros os cingem de
alegria.
13 Os campos se vestem de rebanhos, [3] e os valles se cobrem de trigo:
elles se regozijam e cantam.
[1] Isa. 66.23.
[2] Deu. 11.12. Jer. 5.24.
[3] Isa. 55.12.
_Cantico de louvor a Deus pelas suas grandes obras._
Cantico e psalmo para o cantor-mór.
66 Jubilae a Deus, todas as terras.
2 Cantae a gloria do seu nome; dae gloria ao seu louvor.
3 Dizei a Deus: Quão terrivel _és tu nas_ tuas obras! pela grandeza do
teu poder se submetterão a ti os teus inimigos.
4 Toda a terra te adorará e te cantará louvores: elles cantarão o teu
nome (Selah).
5 Vinde, e vêde as obras de Deus: _é_ terrivel nos _seus_ feitos para com
os filhos dos homens.
6 Converteu o [1] mar em _terra_ secca; passaram o rio a pé; ali nos
alegrámos n’elle.
7 Elle domina eternamente pelo seu poder: os seus olhos estão sobre as
nações; não se exaltem os rebeldes (Selah).
8 Bemdizei, povos, ao nosso Deus, e fazei ouvir a voz do seu louvor:
9 Ao que sustenta com vida a nossa alma, e não consente que sejam
abalados os nossos pés.
10 Pois tu, ó Deus, nos provaste; [2] tu nos afinaste como se afina a
prata.
11 Tu nos metteste na rede; affligiste os nossos lombos.
12 Fizeste com que os homens cavalgassem sobre as nossas cabeças; [3]
passámos pelo fogo e pela agua; mas nos trouxeste a _um_ logar copioso.
13 Entrarei em tua casa com holocaustos; pagar-te-hei os meus votos.
14 Os quaes pronunciaram os meus labios, e fallou a minha bocca, quando
estava na angustia.
15 Offerecer-te-hei holocaustos gordurosos com incenso de carneiros;
offerecerei novilhos com cabritos (Selah).
16 Vinde, e ouvi, todos os que temeis a Deus, e eu contarei o que elle
tem feito á minha alma.
17 A elle clamei com a minha bocca, e elle foi exaltado pela minha lingua.
18 Se eu attender [4] á iniquidade no meu coração, o Senhor não _me_
ouvirá;
19 _Mas_, na verdade, Deus _me_ ouviu; attendeu á voz da minha oração.
20 Bemdito _seja_ Deus, que não rejeitou a minha oração, nem _desviou_ de
mim a sua misericordia.
[1] Exo. 14.21.
[2] Zac. 13.9. I Ped. 1.6, 7.
[3] Isa. 43.2.
[4] Isa. 1.15. João 9.31. Thi. 4.3.
_O reino de Deus abrange toda a terra._
Psalmo e cantico para o cantor-mór sobre Neginoth.
67 Deus tenha misericordia de nós e nos abençõe; [1] _e_ faça
resplandecer o seu rosto sobre nós (Selah).
2 Para [2] que se conheça na terra o teu caminho, _e_ entre todas as
nações a tua salvação.
3 Louvem-te _a ti_, ó Deus, os povos; louvem-te os povos todos.
4 Alegrem-se e regozijem-se as nações, pois julgarás os povos _com_
equidade, e governarás as nações sobre a terra (Selah).
5 Louvem-te _a ti_, ó Deus, os povos; louvem-te os povos todos.
6 _Então_ a terra dará [3] o seu fructo; e Deus, o nosso Deus, nos
abençoará.
7 Deus nos abençoará, e todas as extremidades da terra o temerão.
[1] Num. 6.25.
[2] Act. 18.25.
[3] Lev. 26.4.
_Cantico de louvor e acção de graças a Deus como nosso salvador._
Psalmo e cantico de David para o cantor-mór.
68 Levante-se Deus, [1] e sejam [PP] dissipados os seus inimigos; fugirão
de diante d’elle os que o aborrecem.
2 Como se impelle o fumo _assim_ tu _os_ impelles; _assim_ como a cera se
derrete diante do fogo, _assim_ pereçam os impios diante de Deus.
3 Mas alegrem-se os justos, e se regozijem na presença de Deus, e folguem
d’alegria.
4 Cantae a Deus, cantae louvores ao seu nome; louvae aquelle que vae
montado sobre os céus, pois o seu nome _é_ JAH, e exultae diante d’elle.
5 Pae d’orphãos e juiz de viuvas _é_ Deus, no seu logar sancto.
6 Deus faz que o solitario viva em familia; liberta aquelles que estão
presos em grilhões; mas os rebeldes habitam em _terra_ secca.
7 Ó Deus, [2] quando sahias diante do teu povo, quando caminhavas pelo
deserto, (Selah).
8 A terra se abalava, e os céus distillavam perante a face de Deus; [3]
_até_ o proprio Sinai _foi commovido_ na presença de Deus, do Deus de
Israel.
9 Tu, ó Deus, mandaste a chuva em abundancia, confortaste a tua herança,
quando estava cançada.
10 N’ella habitava o teu rebanho; tu, ó Deus, preparaste na tua bondade
para o pobre.
11 O Senhor deu a palavra: grande _era_ o exercito dos que annunciavam as
boas novas.
12 Reis de exercitos fugiram á pressa; e aquella que ficava em casa
repartia os despojos.
13 Ainda que vos tenhaes deitado entre [PQ] panellas, _comtudo sereis
como_ as azas d’_uma_ pomba, cobertas de prata, e as suas pennas d’oiro
amarello.
14 Quando o Omnipotente ali espalhou os reis, ella ficou _alva_ como a
neve em Salmon.
15 O monte de Deus _é como_ o monte de Basan, _um_ monte elevado _como_ o
monte de Basan.
16 Porque [PR] saltaes, ó montes elevados? _este é o_ monte _que_ Deus
desejou para a sua habitação, e o Senhor habitará _n’elle_ eternamente.
17 Os [4] carros de Deus _são_ vinte milhares, milhares de milhares. O
Senhor _está_ entre elles, _como em_ Sinai, no _logar_ sancto.
18 Tu subiste ao alto, levaste captivo o captiveiro, recebeste dons para
os homens, e até _para_ os rebeldes, para que o Senhor Deus habitasse
_entre elles_.
19 Bemdito _seja_ o Senhor, que de dia em dia nos carrega de
_beneficios_: o Deus _que é_ a nossa salvação (Selah).
20 _Aquelle que é_ o nosso Deus _é_ o Deus da salvação; e a JEHOVAH, o
Senhor, _pertencem_ as saidas da morte.
21 Mas Deus ferirá gravemente a cabeça de seus inimigos _e_ o craneo
cabelludo do que anda em suas culpas.
22 Disse o Senhor: Eu os farei voltar de Basan, farei voltar _o meu povo_
das profundezas do mar.
23 Para que o teu pé mergulhe no sangue de _teus_ inimigos, e no mesmo a
lingua dos teus cães.
24 Ó Deus, elles teem visto os teus caminhos; os caminhos do meu Deus,
meu Rei, no sanctuario.
25 Os cantores iam adiante, os tocadores de instrumentos atraz; entre
elles as donzellas tocando adufes.
26 Celebrae a Deus nas congregações; ao Senhor, desde a fonte d’Israel.
27 Ali _está_ o pequeno Benjamin, que domina sobre elles, os principes de
Judah _com_ o seu ajuntamento, os principes de Zabulon _e_ os principes
de Naphtali.
28 O teu Deus ordenou a tua força: fortalece, ó Deus, o que _já_ obraste
para nós.
29 Por amor do teu templo em Jerusalem, os reis te trarão presentes.
30 Reprehende _asperamente_ as feras das cannas, a multidão dos toiros,
com os novilhos dos povos, _até que cada um_ se submetta com pedaços de
prata; dissipa os povos _que_ desejam a guerra.
31 Embaixadores reaes virão do Egypto; a Ethiopia cedo estenderá para
Deus as suas mãos.
32 Reinos da terra, cantae a Deus, cantae louvores ao Senhor (Selah),
33 Áquelle que vae montado sobre os céus dos céus, _que existiam_ desde a
antiguidade; eis que envia a sua voz, _dá_ um brado vehemente.
34 Dae a Deus fortaleza: a sua excellencia _está_ sobre Israel e a sua
fortaleza nas _mais altas_ nuvens.
35 Ó Deus, _tu és_ tremendo desde os teus sanctuarios: o Deus d’Israel
_é_ o que dá fortaleza e poder ao seu povo. Bemdito _seja_ Deus!
[1] Num. 10.35. Isa. 33.3.
[2] Exo. 13.21. Jui. 4.14. Hab. 3.13.
[3] Exo. 19.16.
[4] Deu. 33.2. Heb. 12.12.
_Os soffrimentos de David prefiguram os do Messias._
Psalmo de David para o cantor-mór sobre Shoshannim.
69 Livra-me, ó Deus, pois as aguas entraram até á _minha_ alma.
2 Atolei-me em profundo lamaçal, onde _se_ não _póde estar em_ pé; entrei
na profundeza das aguas, onde a corrente me leva.
3 Estou cançado de clamar; a minha garganta se seccou: os meus olhos
desfallecem esperando o meu Deus.
4 Aquelles que me aborrecem sem causa [1] são mais do que os cabellos da
minha cabeça; aquelles que procuram destruir-me, _sendo_ injustamente
meus inimigos, são poderosos: então restitui o que não furtei.
5 Tu, ó Deus, bem conheces a minha insipiencia; e os meus peccados não te
são encobertos.
6 Não sejam envergonhados por minha causa aquelles que esperam em ti,
ó Senhor, Senhor dos Exercitos; não sejam confundidos por minha causa
aquelles que te buscam, ó Deus d’Israel.
7 Porque por amor de ti tenho supportado affrontas; a confusão cobriu o
meu rosto.
8 Tenho-me tornado um estranho para com meus irmãos, e um desconhecido
para com os filhos de minha mãe.
9 Pois o zelo da tua casa me devorou, e as affrontas dos que te affrontam
cairam sobre mim.
10 Quando chorei, e _castiguei_ com jejum a minha alma, isto se me tornou
em affrontas.
11 Puz por vestido um sacco, e me fiz um proverbio para elles.
12 Aquelles que se assentam á porta fallam contra mim; e fui o cantico
dos bebedores de bebida forte.
13 Eu porém _faço_ a minha oração a ti, Senhor, [2] _n’um_ tempo
acceitavel: ó Deus, ouve-me segundo a grandeza da tua misericordia,
segundo a verdade da tua salvação.
14 Tira-me do lamaçal, e não me deixes atolar; seja eu livre dos que me
aborrecem, e das profundezas das aguas.
15 Não me leve a corrente das aguas, e não me absorva ao profundo, nem o
poço cerre a sua bocca sobre mim.
16 Ouve-me, Senhor, pois boa _é_ a tua misericordia: olha para mim
segundo a tua muitissima piedade.
17 E não escondas o teu rosto do teu servo, porque estou angustiado:
ouve-me depressa.
18 Approxima-te da minha alma, _e_ resgata-a; livra-me por causa dos meus
inimigos.
19 Bem tens [3] conhecido a minha affronta, e a minha vergonha, e a minha
confusão; diante de ti _estão_ todos os meus adversarios.
20 Affrontas me quebrantaram o coração, e estou fraquissimo: esperei
_por alguem_ que tivesse compaixão, mas não _houve_ nenhum; e por
consoladores, mas não os achei.
21 Deram-me fel por mantimento, e na minha sêde me deram a beber vinagre.
22 Torne-se-lhes a sua mesa diante d’elles em laço e [PS] para _sua_
recompensa em ruina.