coração do rei, para ornarmos a casa do Senhor, que _está_ em Jerusalem;
28 E _que_ estendeu [14] para mim a _sua_ beneficencia perante o rei e
os seus conselheiros e todos os principes poderosos do rei: assim me
esforcei, segundo a mão do Senhor [15] sobre mim, e ajuntei d’entre
Israel _uns_ chefes para subirem comigo.”
[1] Neh. 2.1. I Chr. 6.14.
[2] ver. 11, 12, 21.
[3] ver. 9. cap. 8.22, 31. cap. 8.1.
[4] ver. 6. Neh. 2.8, 10.
[5] ver. 6, 25. Deu. 33.10. Neh. 8.1-8. Mal. 2.7.
[6] Eze. 26.7. Dan. 2.37.
[7] Est. 1.14.
[8] II Chr. 6.2.
[9] cap. 8.25. I Chr. 29.6, 9.
[10] Deu. 12.5, 11.
[11] Exo. 18.21, 22. Deu. 16.18.
[12] ver. 10. II Chr. 17.7. Mal. 2.7. Mat. 23.2, 3.
[13] I Chr. 29.10. cap. 6.22.
[14] cap. 9.9.
[15] cap. 5.5. ver. 6, 9. cap. 8.18.
_A lista dos que voltaram de Babylonia com Esdras._
8 Estes pois _são_ os chefes de seus paes, com as suas genealogias, dos
que subiram comigo de Babylonia no reinado do rei Artaxerxes:
2 Dos filhos de Phineas, Gersom; dos filhos d’Ithamar, Daniel; dos filhos
de David, [1] Hatus;
3 Dos filhos de Sechanias, _e_ dos filhos de Pareos, [2] Zacharias; e com
elle por genealogias se contaram até cento e cincoenta homens.
4 Dos filhos de Pahath-moab, Elie-hoeni, filho de Zerachias; e com elle
duzentos homens.
5 Dos filhos de Sechanias, o filho de Jehaziel; e com elle trezentos
homens.
6 E dos filhos d’Adin, Ebed, filho de Jonathan; e com elle cincoenta
homens.
7 E dos filhos d’Elam, Jesaias, filho d’Athalias; e com elle setenta
homens.
8 E dos filhos de Sephatias, Zebadias, filho de Michael; e com elle
oitenta homens.
9 Dos filhos de Joab, Obadias filho de Jehiel; e com elle duzentos e
dezoito homens.
10 E dos filhos de Selomith, o filho de Josiphias; e com elle cento e
sessenta homens.
11 E dos filhos de Bebai, Zacharias, o filho de Bebai; e com elle vinte e
oito homens.
12 E dos filhos d’Azgad, Johanan, o filho de Katan; e com elle cento e
dez homens.
13 E dos ultimos filhos d’Adonikam, cujos nomes eram estes: Eliphelet,
Jeiel e Semais; e com elles sessenta homens.
14 E dos filhos de Bigvai, Uthai e Zabbud; e com elles setenta homens.
15 E ajuntei-os para o rio que vae a Ahava, e ficámos ali acampados tres
dias: então attentei para o povo e para os sacerdotes, e não achei ali
nenhum dos filhos [3] de Levi.
16 Enviei pois Eliezer, Ariel, Semaias, e Elnathan, e Jarib, e Elnathan,
e Nethan, e Zacharias, e Mesullam, os chefes: como tambem a Joiarib, e a
Elnathan, _que eram_ sabios.
17 E dei-lhes mandado para Iddo, chefe no logar de Casiphia: e lhes puz
palavras na bocca para dizerem a Iddo, seu irmão, _e_ aos nethineos, no
logar de Casiphia, que nos trouxessem ministros para a casa do nosso Deus.
18 E trouxeram-nos segundo a boa mão de Deus sobre nós, um [4] homem
entendido, dos filhos de Machli, filho de Levi, filho de Israel: _a
saber_: Serebias, com os seus filhos e irmãos, dezoito;
19 E a Hasabias, e com elle Jesaias, dos filhos de Merari; com seus
irmãos e os filhos d’elles, vinte;
20 E dos nethineos [5] que David e os principes deram para o ministerio
dos levitas, duzentos e vinte nethineos: que todos foram expressos por
_seus_ nomes.
21 Então apregoei ali um jejum junto ao rio Ahava, [6] para nos
humilharmos diante da face de nosso Deus, para lhe pedirmos caminho
direito para nós, e para nossos filhos, e para toda a nossa fazenda.
22 Porque me [7] envergonhei de pedir ao rei exercito e cavalleiros para
nos defenderem do inimigo no caminho: porquanto tinhamos fallado ao rei,
dizendo: A mão do nosso Deus _é_ sobre todos os que o buscam para o bem
d’elles, mas a sua força e a sua ira sobre todos os que o [8] deixam.
23 Nós pois jejuámos, e pedimos isto ao nosso Deus, e moveu-se [9] pelas
nossas orações.
24 Então separei doze dos maioraes dos sacerdotes: Serebias, Hasabias, e
com elles dez dos seus irmãos.
25 E pesei-lhes a prata, [10] e o oiro, e os vasos: _que era_ a offerta
para a casa de nosso Deus, que offereceram o rei e os seus conselheiros,
e os seus principes, e todo o Israel que ali se achou.
26 E pesei em suas mãos seiscentos e cincoenta talentos de prata, e em
vasos de prata cem talentos, e cem talentos de oiro.
27 E vinte taças d’oiro, de mil [MO] drachmas, e dois vasos de bom metal
lustroso, _tão_ desejavel como oiro.
28 E disse-lhes: Consagrados [11] sois do Senhor, e sagrados _são_
estes vasos, como tambem esta prata e este oiro, offerta voluntaria,
_offerecida_ ao Senhor Deus de vossos paes,
29 Vigiae _pois_, e guardae-_os_ até que _os_ peseis na presença dos
maioraes dos sacerdotes e dos levitas, e dos principes dos paes de
Israel, em Jerusalem, nas camaras da casa de Deus.
30 Então receberam os sacerdotes e os levitas o peso da prata, e do oiro,
e dos vasos, para _o_ trazerem a Jerusalem, á casa do nosso Deus.
31 E partimos do rio d’Ahava, no dia doze do primeiro mez, para irmos
para Jerusalem: e a mão [12] do nosso Deus estava sobre nós, e livrou-nos
da mão dos inimigos, e dos que _nos_ armavam ciladas no caminho.
32 E viemos [13] a Jerusalem, e repousámos ali tres dias.
33 E no dia quatro [14] se pesou a prata, e o oiro, e os vasos, na casa
do nosso Deus, por mão de Meremoth, filho do sacerdote Urias, e com
elle Eleazar, filho de Phineas: e com elles Jozabad, filho de Jesué, e
Noadias, filho de Binui, levitas;
34 Conforme ao numero _e_ conforme ao peso de tudo aquillo; e todo o peso
se descreveu no mesmo tempo.
35 E os transportados, que vieram do captiveiro, [15] offereceram
holocaustos ao Deus de Israel: doze novilhos por todo o Israel, noventa e
seis carneiros, setenta e sete cordeiros, _e_ doze bodes _em sacrificio_
pelo peccado: tudo _em_ holocausto ao Senhor.
36 Então deram as [16] ordens do rei aos satrapas do rei, e aos
governadores de áquem do rio; e ajudaram o povo e a casa de Deus.
[1] I Chr. 3.22.
[2] cap. 2.3.
[3] cap. 7.7.
[4] Neh. 8.7 e 9.4, 5.
[5] cap. 2.43.
[6] II Chr. 20.3. Lev. 16.29 e 23.29. Isa. 58.3, 5.
[7] I Cor. 9.15. cap. 7.6, 9, 28. Rom. 8.28.
[8] II Chr. 15.2.
[9] I Chr. 5.20. II Chr. 33.13. Isa. 19.22.
[10] cap. 7.15, 16.
[11] Lev. 21.6, 7, 8. Deu. 33.8. Lev. 22.2, 3. Num. 4.4, 15, 19, 20.
[12] cap. 7.6, 9, 28.
[13] Neh. 2.11.
[14] ver. 25, 30.
[15] cap. 6.17.
[16] cap. 7.21.
_Esdras sabe que muitos israelitas casaram com mulheres hetheas, e faz
oração e confissão a Deus._
9 Acabadas pois estas coisas, chegaram-se a mim os principes, dizendo: O
povo de Israel, e os sacerdotes, e os levitas, se não [1] teem separado
dos povos d’estas terras; segundo as suas abominações, _a saber_: dos
cananeos, dos hetheos, dos pherezeos, dos jebuseos, dos amonitas, dos
moabitas, dos egypcios, e dos amorrheos.
2 Porque tomaram [2] das suas filhas para si e para seus filhos, e
_assim_ se misturou a semente sancta com os povos d’estas terras: e até a
mão dos principes e magistrados foi a primeira n’esta transgressão.
3 E, ouvindo eu tal coisa, rasguei [3] o meu vestido e o meu manto, e
arranquei os cabellos da minha cabeça e da minha barba, e me assentei
attonito.
4 Então se ajuntaram a mim todos os que tremiam das [4] palavras do Deus
d’Israel por causa da transgressão _dos_ do captiveiro: porém eu me
fiquei assentado attonito até ao sacrificio [5] da tarde.
5 E perto do sacrificio da tarde me levantei da minha afflicção, havendo
_já_ rasgado o meu vestido e o meu manto, e me puz de joelhos, [6] e
estendi as minhas mãos para o Senhor meu Deus;
6 E disse: Meu Deus! Estou confuso [7] e envergonhado, de levantar a ti a
minha face, meu Deus: porque as nossas iniquidades se multiplicaram sobre
a _nossa_ cabeça, e a nossa culpa tem crescido até aos céus.
7 Desde os dias de nossos paes até _ao dia de_ hoje _estamos_ [8] em
grande culpa, e por causa das nossas iniquidades somos entregues, nós,
os nossos reis, e os nossos sacerdotes, na mão dos reis das terras, á
espada, ao captiveiro, e ao roubo, e á confusão do rosto, como hoje se vê.
8 E agora, como por _um_ pequeno momento, se _nos_ fez graça da parte do
Senhor, nosso Deus, para nos deixar aquelles que escapem, e para dar-nos
_uma_ estaca no seu sancto logar: para nos alumiar os olhos, ó Deus
nosso, e para nos dar uma pouca de vida na nossa servidão;
9 Porque servos _somos_; porém na nossa servidão não nos desamparou [9]
o nosso Deus; antes estendeu sobre nós beneficencia perante os reis da
Persia, para que nos desse vida, para levantarmos a casa do nosso Deus, e
para restaurarmos as suas assolações; e para que nos desse _uma_ parede
[10] em Judah e em Jerusalem.
10 Agora pois, ó nosso Deus, que diremos depois d’isto? pois deixámos os
teus mandamentos,
11 Os quaes mandaste pelo ministerio de teus servos, os prophetas,
dizendo: A terra em que entraes para a possuir, terra immunda é [11]
pelas immundicias dos povos das terras, pelas suas abominações com que a
encheram, d’uma extremidade á outra, com a sua immundicia.
12 Agora pois vossas [12] filhas não dareis a seus filhos, e suas filhas
não tomareis para vossos filhos, e nunca procurareis a sua paz e o seu
bem; para que vos esforceis, e comaes o bem da terra, e a façaes possuir
a [13] vossos filhos para sempre.
13 E depois de tudo o que nos tem succedido por causa das nossas más
obras, e da nossa grande culpa: porquanto tu, ó nosso Deus, estorvaste
que fossemos destruidos, por causa da nossa iniquidade, e _ainda_ nos
deste livramento como este;
14 Tornaremos pois agora a violar os [14] teus mandamentos, e a
aparentar-nos com os povos d’estas abominações? não te indignarias tu
_assim_ contra nós até _de todo nos_ consumir, até que não _ficasse_
resto nem quem escapasse?
15 Ah! Senhor Deus d’Israel, [15] justo _és_: pois ficamos escapos, como
hoje _se vê_: eis que _estamos_ diante de ti no nosso delicto; porque
depois d’isto ninguem _ha_ que possa estar na tua presença.
[1] cap. 6.21. Neh. 9.2. Deu. 12.30, 31.
[2] Exo. 34.16. Deu. 7.3. Neh. 13.23. II Cor. 6.14.
[3] Job 1.20.
[4] cap. 10.3. Isa. 66.2.
[5] Exo. 29.39.
[6] Exo. 9.29, 33.
[7] Dan. 9.7, 8.
[8] Dan. 9.5, 6, 8. Deu. 28.36, 64. Neh. 9.30. Dan. 9.7, 8.
[9] Neh. 9.36. cap. 7.28.
[10] Isa. 5.2.
[11] cap. 6.21.
[12] Exo. 23.32 e 34.16. Deu. 7.3. Deu. 23.6.
[13] Pro. 13.22 e 20.7.
[14] João 5.14. II Ped. 2.20, 21. ver. 2. Neh. 13.23, 27. Deu. 9.8.
[15] Neh. 9.33. Dan. 9.14. Rom. 3.19. I Cor. 15.17.
_Os israelitas arrependem-se e despedem suas mulheres hetheas._
10 E orando [1] Esdras assim, e fazendo esta confissão, chorando, e
prostrando-se diante da casa de Deus, ajuntou-se a elle d’Israel uma mui
grande congregação, de homens e de mulheres, e de crianças; porque o povo
chorava com grande choro.
2 Então respondeu Sechanias, filho de Jehiel, _um_ dos filhos de Elam,
e disse a Esdras: Nós temos transgredido [2] contra o nosso Deus, e
casámos com mulheres estranhas do povo da terra, mas, no tocante a isto,
ainda ha esperança para Israel.
3 Agora pois façamos [3] concerto com o nosso Deus de que despediremos
todas as mulheres, e tudo o que é nascido d’ellas, conforme ao conselho
do Senhor, e dos que tremem ao mandado do nosso Deus; e faça-se conforme
a lei.
4 Levanta-te, pois, porque te _pertence este_ negocio, e nós _seremos_
comtigo; [4] esforça-te, _e_ obra.
5 Então Esdras se levantou, e ajuramentou os maioraes dos sacerdotes _e_
dos levitas, e a todo o Israel, de que fariam conforme a esta palavra,
[5] e juraram.
6 E Esdras se levantou de diante da casa de Deus, e entrou na camara de
Johanan, filho de Eliasib: e, vindo lá, pão [6] não comeu, e agua não
bebeu; porque estava annojado pela transgressão _dos_ do captiveiro.
7 E fizeram passar pregão por Judah e Jerusalem, e todos os que vieram do
captiveiro, para que se ajuntassem em Jerusalem.
8 E que todo aquelle que em tres dias não viesse, segundo o conselho dos
principes e dos anciãos, toda a sua fazenda se poria em interdicto, e
elle seria separado da congregação _dos_ do captiveiro.
9 Então todos os homens de Judah e Benjamin em tres dias se ajuntaram em
Jerusalem: _era_ o nono mez, no _dia_ vinte do mez: e todo [7] o povo se
assentou na praça da casa de Deus, tremendo por este negocio e por causa
das grandes chuvas.
10 Então se levantou Esdras, o sacerdote, e disse-lhes: Vós tendes
transgredido, e casastes com mulheres estranhas, multiplicando o delicto
d’Israel.
11 Agora pois fazei [8] confissão ao Senhor Deus de vossos paes; e
fazei a sua vontade; e apartae-vos dos povos das terras, e das mulheres
estranhas.
12 E respondeu toda a congregação, e disseram em altas vozes: Assim
_seja_, conforme ás tuas palavras nos convem fazer.
13 Porém o povo _é_ muito, e tambem _é_ tempo de grandes chuvas, e não se
pode estar aqui fóra: nem _é_ obra d’um dia nem de dois, porque _somos_
muitos os _que_ transgredimos n’este negocio.
14 Ora ponham-se os nossos principes, por toda a congregação _sobre este
negocio_; e todos os que em nossas cidades casaram com mulheres estranhas
venham em tempos apontados, e com elles os anciãos de cada cidade, e os
seus juizes, até que desviemos de nós o ardor da ira [9] do nosso Deus,
por esta causa.
15 Porém sómente Jonathan, filho d’Asael, e Jehazias, filho de Tikva,
se pozeram sobre este _negocio_: e Mesullam, e Sabbethai, levita, os
ajudaram.
16 E assim o fizeram os que tornaram do captiveiro: e apartaram-se o
sacerdote Esdras _e_ os homens, cabeças dos paes, segundo a casa de seus
paes, e todos pelos _seus_ nomes; e assentaram-se no primeiro dia do
decimo mez, para inquirirem n’este negocio.
17 E acabaram-n’o com todos os homens que casaram com mulheres estranhas,
até ao primeiro dia do primeiro mez.
18 E acharam-se dos filhos dos sacerdotes que casaram com mulheres
estranhas: dos filhos de Josué, filho de Josadak, e seus irmãos,
Maaseias, e Eliezer, e Jarib, e Gadalias.
19 E deram a sua mão de que despediriam [10] suas mulheres: e, achando-se
culpados, _offereceram_ um carneiro do rebanho pelo seu delicto.
20 E dos filhos d’Immer: Hanani, e Zabadias.
21 E dos filhos d’Harim: Maaseias, e Elias, e Semaias, e Jehiel, e Uzias.
22 E dos filhos de Pashur: Elioenai, Maseias, Ishmael, Nathanel, Jozabad,
e Elasa.
23 E dos levitas: Jozabad, e Simei, e Kelaias (este _é_ Kelitas),
Pethahias, Judah, e Eliezer.
24 E dos cantores: Eliasib: e dos porteiros: Sallum, e Telem, e Uri.
25 E d’Israel, dos filhos de Paros: Ramias, e Jezias, e Malchias, e
Miamin, e Eleazer, e Malchias, e Benaias.
26 E dos filhos d’Elam: Matthanias, Zacharias, e Jehiel, e Abdi, e
Jeremoth, e Elias.
27 E dos filhos de Zattu: Elioenai, Eliasib, Matthanias, e Jeremoth, e
Zabad, e Aziza.
28 E dos filhos de Bebai: Johanan, Hananias, Zabbai, Athlai.
29 E dos filhos de Bani: Mesullam, Malluch, e Adaias, Jasub, e Seal,
Jeremoth.
30 E dos filhos de Pahath-moab: Adna, e Chelal, Benaias, Maseias,
Matthanias, Besaleel, e Binnui, e Manasseh.
31 E dos filhos d’Harim: Eliezer, Jesias, Malchias, Semaias, Simeão,
32 Benjamin, Malluch, Semarias.
33 Dos filhos d’Hasum: Mathnai, Matthattha, Zabad, Eliphelet, Jeremai,
Manasseh, Simei.
34 Dos filhos de Bani: Maadai, Amram, e Uel,
35 Benaias, Bedias, Cheluhi,
36 Vanias, Meremoth, Eliasib,
37 Matthanias, Mathnai, e Jaasai,
38 E Bani, e Binnui, Simei,
39 E Selemias, e Nathan, e Adaias,
40 Machnadbai, Sasai, Sarai,
41 Azareel, e Selemias, Semarias,
42 Sallum, Amarias, José.
43 Dos filhos de Nebo: Jeiel, Mattithias, Zabad, Zebina, Jaddai, Joel, e
Benaias.
44 Todos estes tomaram mulheres estranhas: e _alguns_ d’elles tinham
mulheres de quem alcançaram filhos.
[1] Dan. 9.20. II Chr. 20.9.
[2] Neh. 13.27.
[3] II Chr. 34.31. cap. 9.4. Deu. 7.2, 3.
[4] I Chr. 28.10.
[5] Neh. 5.12.
[6] Deu. 9.18.
[7] I Sam. 12.18.
[8] Jos. 7.19. Pro. 28.13. ver. 3.
[9] II Chr. 30.8.
[10] II Reis 10.15. I Chr. 29.24. II Chr. 30.8. Lev. 6.4, 6.
O LIVRO DE NEHEMIAS.
_Nehemias, sabendo o triste estado de Jerusalem, ora a Deus._
[Antes de Christo 456]
1 As palavras de Nehemias, [1] filho d’Hacalias. E succedeu no mez de
chisleu, no anno vigesimo, estando eu em Susan, [MP] a fortaleza,
2 Que veiu Hanani, um de meus irmãos, elle e alguns de Judah; e
perguntei-lhes pelos judeos que escaparam, e que restaram do captiveiro,
e ácerca de Jerusalem.
3 E disseram-me: Os restantes, que restaram do captiveiro, lá na
provincia _estão_ em grande miseria e desprezo: [2] e o muro de Jerusalem
fendido, e as suas portas queimadas a fogo.
4 E succedeu que, ouvindo eu estas palavras, assentei-me e chorei, e
lamentei por _alguns_ dias: e estive jejuando e orando perante o Deus dos
céus.
5 E disse: Ah Senhor, [3] Deus dos céus, Deus grande e terrivel! que
guarda [4] o concerto e a benignidade para com aquelles que o amam e
guardam os seus mandamentos;
6 Estejam pois attentos os teus ouvidos, e os teus olhos [5] abertos,
para ouvires a oração do teu servo, que eu hoje oro perante ti, de dia
e de noite, pelos filhos d’Israel, teus servos: e faço confissão pelos
peccados dos filhos d’Israel, que peccámos contra ti; tambem eu e a casa
de meu pae peccámos.
7 De todo nos corrompemos contra ti, e não guardámos os mandamentos, nem
os [6] estatutos, nem os juizos, que ordenaste a Moysés teu servo.
8 Lembra-te pois da palavra que ordenaste a Moysés, teu servo, dizendo:
Vós transgredireis, [7] e eu vos espalharei entre os povos.
9 E vós [8] vos convertereis a mim, e guardareis os meus mandamentos, e
os fareis: então, ainda que os vossos rejeitados estiverem no cabo do
céu, de lá os ajuntarei e os trarei ao logar que tenho escolhido para ali
fazer habitar o meu nome.
10 Ainda _são_ [9] teus servos e o teu povo que resgataste com a tua
grande força e com a tua forte mão.
11 Ah, Senhor, estejam [10] pois attentos os teus ouvidos á oração do teu
servo, e á oração dos teus servos que desejam [11] temer o teu nome; e
faze prosperar hoje o teu servo, e dá-lhe graça perante este homem. Então
era eu copeiro do rei.
[1] cap. 10.1.
[2] cap. 2.17. II Reis 25.10.
[3] Dan. 9.4.
[4] Exo. 20.6.
[5] II Reis 8.28, 29. II Chr. 6.40. Dan. 9.17, 18.
[6] Deu. 28.15.
[7] Lev. 26.33. Deu. 4.25, 26, 27 e 28.64.
[8] Lev. 26.39, etc. Deu. 4.29, 30, 31 e 30.2. Deu. 30.4.
[9] Deu. 9.29. Dan. 9.15.
[10] ver. 6.
[11] Isa. 26.8. Heb. 13.18. cap. 2.1.
_Artaxerxes permitte a Nehemias ir a Jerusalem e edificar os muros._
[Antes de Christo 445]
2 Succedeu pois no mez de nisan, no anno vigesimo do rei [1] Artaxerxes,
que _estava posto_ vinho diante d’elle, e eu tomei o vinho, e _o_ dei ao
rei; porém nunca estivera triste diante d’elle.
2 E o rei me disse: Porque está triste o teu rosto, pois não estás
doente? Não _é_ isto senão tristeza de coração: [2] então temi _muito_ em
grande maneira.
3 E disse ao rei: Viva o rei para sempre! [3] Como não estaria triste
o meu rosto, estando a cidade, o logar dos sepulchros de meus paes,
assolada, e tendo sido consumidas as suas portas a fogo?
4 E o rei me disse: Que me pedes agora? Então orei ao Deus dos céus,
5 E disse ao rei: Se é do agrado do rei, e se o teu servo é acceito em
tua presença, _peço-te_ que me envies a Judah, á cidade dos sepulchros de
meus paes, para que eu a edifique.
6 Então o rei me disse, estando a rainha assentada junto a elle: Quanto
durará a tua viagem, e quando voltarás? [4] E aprouve ao rei enviar-me,
apontando-lhe eu um certo tempo.
7 Disse mais ao rei: Se ao rei parece bem, dêem-se-me cartas para os
governadores d’além do rio, para que me dêem passagem até que chegue a
Judah.
8 Como tambem uma carta para Asaph, guarda do jardim do rei, que me dê
madeira para cobrir [5] as portas do paço da casa, e para o muro da
cidade, e para a casa em que eu houver de entrar. E o rei m’as deu,
segundo a boa [6] mão de Deus sobre mim.
9 Então vim aos governadores d’além do rio, e dei-lhes as cartas do rei:
e o rei tinha enviado comigo chefes do exercito e cavalleiros.
10 O que ouvindo Sanballat, o horonita, e Tobias, o servo ammonita, lhes
desagradou com grande desagrado que alguem viesse a procurar o bem dos
filhos d’Israel.
11 E cheguei [7] a Jerusalem, e estive ali tres dias.
12 E de noite me levantei, eu e poucos homens comigo, e não declarei a
ninguem o que o meu Deus me poz no coração para fazer em Jerusalem: e não
_havia_ comigo animal algum, senão aquelle em que estava montado.
13 E de noite sahi pela [8] porta do valle, e para a banda da fonte do
dragão, e para a porta do monturo, e contemplei os muros de Jerusalem,
que estavam fendidos, [9] e as suas portas, _que tinham sido_ consumidas
pelo fogo.
14 E passei á porta da [10] fonte, e ao viveiro do rei; e não _havia_
logar por onde podesse passar a cavalgadura debaixo de mim.
15 Então de noite subi pelo ribeiro, e [11] contemplei o muro: e voltei,
e entrei pela porta do valle, e _assim_ voltei.
16 E não souberam os magistrados aonde eu fui nem o que eu fazia: porque
ainda nem aos judeos, nem aos nobres, nem aos magistrados, nem aos mais
que faziam a obra, até então tinha declarado _coisa alguma_.
17 Então lhes disse: Bem vêdes vós a miseria em que estamos, que
Jerusalem _está_ assolada, e que as suas portas _teem sido_ queimadas
a fogo: vinde _pois_ e reedifiquemos o muro de Jerusalem, [12] e não
sejamos mais em opprobrio.
18 Então lhes declarei [13] como a mão do meu Deus me fôra favoravel,
como tambem as palavras do rei, que elle me tinha dito: então disseram:
Levantemo-nos, e edifiquemos. E esforçaram as suas mãos [14] para _o_ bem.
19 _O que_ ouvindo Sanballat, o horonita, e Tobias, o servo ammonita, e
Gesem, o arabio, zombaram de nós, e desprezaram-n’os, e disseram: Que é
isto que fazeis? quereis [15] rebellar-vos contra o rei?
20 Então lhes respondi, e disse: O Deus dos céus é o que nos fará
prosperar; e nós, seus servos, nos levantaremos e edificaremos: [16] que
vós não tendes parte, nem justiça, nem memoria em Jerusalem.
[1] Esd. 7.4. cap. 1.11.
[2] Pro. 15.13.
[3] I Reis 1.31. cap. 1.3.
[4] cap. 5.14 e 13.6.
[5] cap. 3.7.
[6] ver. 18. Esd. 5.5 e 7.6, 9, 28.
[7] Esd. 8.32.
[8] II Chr. 26.9. cap. 3.13.
[9] cap. 1.3. ver. 17.
[10] cap. 3.15.
[11] II Sam. 15.23. Jer. 31.40.
[12] cap. 1.3. Jer. 24.9. Eze. 5.14, 15 e 22.4.
[13] ver. 8.
[14] II Sam. 2.7.
[15] cap. 6.6.
[16] Esd. 4.3.
_Dos que trabalharam na edificação dos muros._
3 E levantou-se [1] Eliasib, o summo sacerdote, com os seus irmãos,
os sacerdotes, e edificaram a porta do gado, a qual consagraram; e
levantaram as suas portas: e até a torre de Meah consagraram, _e_ até a
torre d’Hananel.
2 E junto a elle [2] edificaram os homens de Jericó: tambem ao seu lado
edificou Zaccur, filho d’Imri.
3 E a porta do [3] peixe edificaram os filhos de Senaa; a qual
emmadeiraram, e levantaram as suas portas _com_ as suas fechaduras e os
seus ferrolhos.
4 E ao seu lado reparou Meremoth, filho d’Urias, o filho de Kós; e ao seu
lado reparou Mesullam, filho de Berechias, o filho de Mesezabel; e ao seu
lado reparou Zadok, filho de Baana.
5 E ao seu lado repararam os tekoitas: porém os seus illustres não
metteram [4] o seu pescoço ao serviço de seu senhor.
6 E a porta velha repararam-_n’a_ Joiada, filho de Paseah, e Mesullam,
filho de Besodias: [5] estes a emmadeiraram, e levantaram as suas portas
com _as_ suas fechaduras e os seus ferrolhos.
7 E ao seu lado repararam Melatias, o gibeonita, e Jadon, meronothita,
homens de Gibeon e Mispah, até ao assento do governador [6] d’áquem do
rio.
8 Ao seu lado reparou Uziel, filho d’Harhaias, um dos ourives; e ao seu
lado reparou Hananias, filho d’um dos boticarios; e deixaram a Jerusalem
até ao muro [7] largo.
9 E ao seu lado reparou Rephaias, filho d’Hur, maioral d’ametade de
Jerusalem.
10 E ao seu lado reparou Jedaias, filho d’Harumaph, e defronte de sua
casa; e ao seu lado reparou Hattus, filho d’Hasabneias.
11 A outra porção reparou Malchias, filho d’Harim, e Hasub, filho de
Pahath-moab: como tambem a torre [8] dos fornos.
12 E ao seu lado reparou Sallum, filho de Lohes, maioral da _outra_ meia
parte de Jerusalem, elle e suas filhas.
13 A porta [9] do valle reparou-a Hanun e os moradores de Zanoah: estes a
edificaram, e lhe levantaram as portas _com_ as suas fechaduras e os seus
ferrolhos, como tambem mil covados no muro, até á porta do [10] monturo.
14 E a porta do monturo reparou-a Malchias, filho de Rechab, maioral do
districto de Beth-cherem: este a edificou, e lhe levantou as portas _com_
as suas fechaduras e os seus ferrolhos.
15 E a porta [11] da fonte reparou-a Sallum, filho de Col-hose, maioral
do districto de Mispah: este a edificou, e a cobriu, e lhe levantou as
portas _com_ as suas fechaduras e os seus ferrolhos, como tambem o muro
do viveiro [12] de Selah, ao pé do jardim do rei, e até aos degraus que
descem da cidade de David.
16 Depois d’elle edificou Nehemias, filho d’Azbuk, maioral da metade de
Beth-zur, até defronte dos sepulchros de David, e até ao viveiro [13]
artificial, e até á casa dos varões.
17 Depois d’elle repararam os levitas, Rehum, filho de Bani: ao seu lado
reparou Hasabias, maioral da metade de Keila, no seu districto.
18 Depois d’elle repararam seus irmãos, Bavai, filho d’Henadad, maioral
da _outra_ meia parte de Keila.
19 Ao seu lado reparou Ezer, filho de Josué, maioral de Mispah, outra
porção, defronte da subida [14] á casa das armas, á esquina.
20 Depois d’elle reparou com grande ardor Baruch, filho de Zabbai, outra
medida, desde a esquina até á porta da casa d’Eliasib, o summo sacerdote.
21 Depois d’elle reparou Meremoth, filho d’Urias, o filho de Kos, outra
porção, desde a porta da casa d’Eliasib, até á extremidade da casa
d’Eliasib.
22 E depois d’elle repararam os sacerdotes que habitavam na campina.
23 Depois reparou Benjamin e Hasub, defronte da sua casa: depois d’elle
reparou Azarias, filho de Maaseias, o filho d’Ananias, junto á sua casa.
24 Depois d’elle reparou Binnui, filho d’Henadad, outra porção, desde a
casa d’Azarias até á [15] esquina, e até ao canto.
25 Palal, filho d’Uzai, defronte da esquina, e a torre que sae da casa
real superior, que está junto [16] ao pateo da prisão: depois d’elle
Pedaias, filho de Parós.
26 E os nethineos [17] _que_ habitavam em Ophel, até defronte da porta
das aguas, para o oriente, e até á torre alta.
27 Depois repararam os tekoitas outra porção, defronte da torre grande
_e_ alta, e até ao muro d’Ophel.
28 Desde acima da porta [18] dos cavallos repararam os sacerdotes, cada
um defronte da sua casa.
29 Depois d’elles reparou Zadok, filho d’Immer, defronte de sua casa:
e depois d’elle reparou Semaias, filho de Sechanias, guarda da porta
oriental.
30 Depois d’elle reparou Hananias, filho de Selemias, e Hanun, filho de
Zalaph, o sexto, outra porção: depois d’elle reparou Mesullam, filho de
Berechias, defronte da sua camara.
31 Depois d’elle reparou Malchias, filho d’um ourives, até á casa dos
nethineos e mercadores, defronte da porta de Miphkad, e até á camara do
canto.
32 E entre a camara do canto e a porta do gado, repararam os ourives e os
mercadores.
[1] cap. 12.10. João 5.2. cap. 12.39.
[2] Esd. 2.34.
[3] II Chr. 33.14. cap. 12.39.
[4] Jui. 5.23.
[5] cap. 12.39.
[6] cap. 2.8.
[7] cap. 12.38.
[8] cap. 12.38.
[9] cap. 2.13.
[10] cap. 2.13.
[11] cap. 2.14.
[12] João 9.7.
[13] Jui. 5.23.
[14] II Chr. 26.9.
[15] ver. 19.
[16] Jer. 32.2 e 33.1 e 37.21.
[17] Esd. 2.43. cap. 11.21. II Chr. 27.3.
[18] II Reis 11.16. II Chr. 23.15. Jer. 31.40.
_Os inimigos pretendem retardar a edificação dos muros._
4 E succedeu [1] que, ouvindo Sanballat que edificavamos o muro, ardeu em
ira, e se indignou muito; e escarneceu dos judeos.
2 E fallou na presença de seus irmãos, e do exercito de Samaria, e disse:
Que fazem estes fracos judeos? permittir-se-lhes-ha isto? sacrificarão?
acabal-o-hão n’um _só_ dia? vivificarão dos montões do pó as pedras que
foram queimadas?
3 E estava com elle Tobias, [2] o ammonita, e disse: Ainda que
edifiquem, comtudo, vindo uma raposa, derrubará facilmente o seu muro de
pedra.
4 Ouve, ó nosso Deus, que somos tão desprezados, e torna o seu opprobrio
sobre a sua cabeça, e faze com que sejam um despojo, na terra do
captiveiro.
5 E não cubras a sua iniquidade, [3] e não se risque diante de ti o seu
peccado, pois que _te_ irritaram defronte dos edificadores.
6 Porém edificámos o muro, e todo o muro se cerrou até sua metade: porque
o coração do povo se inclinava a trabalhar.
7 E succedeu que, [4] ouvindo Sanballat e Tobias, e os arabios, e os
ammonitas, e os asdoditas, que _tanto_ ia crescendo a reparação dos muros
de Jerusalem, que já as roturas se começavam a tapar, iraram-se sobremodo,
8 E ligaram-se entre si todos, para virem guerrear a Jerusalem, e para os
desviarem do seu intento.
9 Porém nós orámos ao nosso Deus, e pozemos uma guarda contra elles, de
dia e de noite, por causa d’elles.
10 Então disse Judah: Já desfalleceram as forças dos acarretadores, e o
pó _é_ muito, e nós não poderemos edificar o muro.
11 Disseram porém os nossos inimigos: Nada saberão d’isto, nem verão, até
que entremos no meio d’elles, e os matemos; assim faremos cessar a obra.
12 E succedeu que, vindo os judeos que habitavam entre elles, dez vezes
nol-o disseram, de todos os logares, porque tornavam a nós.
13 Pelo que puz _guardas_ nos logares baixos por detraz do muro _e_ nos
altos: e puz ao povo pelas _suas_ familias com as suas espadas, _com_ as
suas lanças, e _com_ os seus arcos.
14 E olhei, e levantei-me, e disse aos nobres, e aos magistrados, e
ao resto do povo: Não os temaes: [5] lembrae-vos do grande e terrivel
Senhor, e pelejae pelos vossos irmãos, vossos filhos, vossas mulheres e
vossas casas.
15 E succedeu que, ouvindo os nossos inimigos que nol-o fizeram saber, e
que Deus [6] tinha dissipado o conselho d’elles, todos voltámos ao muro,
cada um á sua obra.
16 E succedeu que desde aquelle dia metade dos meus moços trabalhava
na obra, e metade d’elles tinha as lanças, os escudos, os arcos, e as
couraças; e os chefes _estavam_ por detraz de toda a casa de Judah.
17 Os que edificavam o muro, e os que traziam as cargas, _e_ os que
carregavam, _cada um_ com uma mão fazia a obra e na outra tinha as armas.
18 E os edificadores cada um trazia a sua espada cingida aos lombos, e
edificavam: e o que tocava a trombeta _estava_ junto comigo.
19 E disse eu aos nobres, e aos magistrados, e ao resto do povo: Grande e
extensa _é_ a obra, e nós estamos apartados do muro, longe uns dos outros.
20 No logar onde ouvirdes o som da buzina ali vos ajuntareis comnosco; o
nosso Deus pelejará [7] por nós.
21 Assim trabalhavamos na obra: e metade d’elles tinha as lanças desde a
subida da alva até ao sair das estrellas.
22 Tambem n’aquelle tempo disse ao povo: Cada um com o seu moço passe a
noite em Jerusalem, para que de noite nos sirvam de guarda, e de dia na
obra.
23 E nem eu, nem meus irmãos, nem meus moços, nem os homens da guarda que
me seguiam largavamos os nossos vestidos: cada um _tinha_ suas armas _e_
agua.
[1] cap. 2.10, 19.
[2] cap. 2.10, 19.
[3] Pro. 3.34. Jer. 18.23.
[4] ver. 1.
[5] Num. 14.9. Deu. 1.29 e 10.17.
[6] Job 5.12.
[7] Exo. 14.14, 25. Deu. 1.30 e 3.22 e 20.4. Jos. 23.10.
_Os pobres murmuram contra os ricos, e Nehemias reprehende os ultimos._
5 Foi porém grande [1] o clamor do povo e de suas mulheres, contra os
judeos, seus irmãos.
2 Porque havia quem dizia: _Com_ nossos filhos, e nossas filhas, nós
_somos_ muitos; pelo que tomámos trigo, para que comamos e vivamos.
3 Tambem havia quem dizia: As nossas terras, as nossas vinhas, e as
nossas casas empenhámos, para tomarmos trigo n’esta fome.
4 Tambem havia quem dizia: Tomámos emprestado dinheiro até para o tributo
do rei, _sobre_ as nossas terras e as nossas vinhas.
5 Agora pois a nossa carne [2] é como a carne de nossos irmãos, _e_
nossos filhos como seus filhos; e eis que sujeitámos nossos filhos e
nossas filhas para _serem_ servos: e até _algumas_ de nossas filhas são
_tão_ sujeitas, que _já_ não estão no poder de nossas mãos; e outros teem
as nossas terras e as nossas vinhas.
6 Ouvindo eu pois o seu clamor, e estas palavras, muito me enfadei.
7 E considerei comigo mesmo no meu coração; depois pelejei com os nobres
e com os magistrados, e disse-lhes: [3] Usura tomaes cada um de seu
irmão. E ajuntei contra elles _um_ grande ajuntamento.
8 E disse-lhes: Nós resgatámos [4] os judeos, nossos irmãos, que foram
vendidos ás gentes segundo nossas posses; e vós outra vez venderieis a
vossos irmãos, ou vender-se-hão a nós? Então se callaram, e não acharam
que _responder_.
9 Disse mais: Não _é_ bom o que fazeis: _Porventura_ não andarieis no
temor do nosso Deus, [5] por causa do opprobrio dos gentios, os nossos
inimigos?
10 Tambem eu, meus irmãos e meus moços, ao ganho lhes temos dado dinheiro
e trigo. Deixemos este ganho.
11 Restitui-lhes hoje, vos peço, as suas terras, as suas vinhas, os seus
olivaes, e as suas casas; como tambem a centena do dinheiro, do trigo, do
mosto, e do azeite, que vós exigis d’elles.
12 Então disseram: Restituir-_lh’o_-hemos, e nada procuraremos d’elles;
faremos assim como dizes. Então chamei os sacerdotes, e os fiz [6] jurar
que fariam conforme a esta palavra.
13 Tambem o meu regaço sacudi, e disse: [7] Assim sacuda Deus todo o
homem da sua casa e do seu trabalho que não confirmar esta palavra, e
assim seja sacudido e vazio. E toda a congregação disse: Amen! E louvaram
ao Senhor; e o povo [8] fez conforme a esta palavra.
14 Tambem desde o dia em que me mandou que eu fosse seu governador na
terra de Judah, [9] desde o anno vinte, até ao anno trinta e dois do rei
Artaxerxes, doze annos, nem eu nem meus irmãos comemos o [10] pão do
governador.
15 Mas os primeiros governadores, que _foram_ antes de mim, opprimiram
o povo, e tomaram-lhe pão e vinho, _e_ além d’isso, quarenta siclos de
prata, como tambem os seus moços dominavam sobre o povo: porém eu assim
não fiz, por causa do [11] temor de Deus.
16 Como tambem na obra d’este muro fiz reparação, e terra nenhuma
comprámos: e todos os meus moços se ajuntaram ali á obra.
17 Tambem dos judeos e dos magistrados, cento e cincoenta homens, e os
que vinham a nós, d’entre as gentes, que _estão_ á roda de nós, se [12]
punham á minha mesa.
18 E o que se preparava para cada dia _era_ [13] um boi _e_ seis ovelhas
escolhidas; tambem aves se me preparavam, e de dez em dez dias de todo
o vinho muitissimo: e nem por isso exigi [14] o pão do governador,
porquanto a servidão d’este povo era grande.
19 Lembra-te [15] de mim para bem, ó meu Deus, _e de_ tudo quanto fiz a
este povo.
[1] Isa. 5.7. Lev. 25.35, 36, 37. Deu. 15.7.
[2] Isa. 58.7. Exo. 21.7. Lev. 25.39.
[3] Exo. 22.25. Lev. 35.36. Eze. 22.12.
[4] Lev. 25.48.
[5] Lev. 25.36. II Sam. 12.14. Rom. 2.24. I Ped. 2.12.
[6] Esd. 10.5. Jer. 34.8, 9.
[7] Mat. 10.14. Act. 13.51 e 18.6.
[8] II Reis 23.3.
[9] cap. 13.6.
[10] I Cor. 9.4, 15.
[11] II Cor. 11.9 e 12.13. ver. 9.
[12] II Sam. 9.7. I Reis 18.19.
[13] I Reis 4.22.
[14] ver. 14, 15.
[15] cap. 13.22.
_Os inimigos conspiram para surprehender e intimidar Nehemias._
6 Succedeu mais [1] que, ouvindo Sanballat, Tobias, Gesem, o arabio, e
o resto dos nossos inimigos que eu tinha edificado o muro, e que n’elle
_já_ não havia brecha alguma; ainda que [2] até este tempo não tinha
posto as portas nos portaes;
2 Sanballat e Gesem [3] enviaram a dizer: Vem, e congreguemo-nos
juntamente nas aldeias, no valle [4] d’Ono. Porém intentavam fazer-me mal.
3 E enviei-lhes mensageiros a dizer: Faço uma grande obra, de modo que
não poderei descer: porque cessaria esta obra, emquanto eu a deixasse, e
fosse ter comvosco?
4 E da mesma maneira enviaram a mim quatro vezes; e da mesma maneira lhes
respondi.
5 Então Sanballat da mesma maneira a quinta vez me enviou seu moço com
uma carta aberta na sua mão;
6 E na qual _estava_ escripto: Entre as gentes se ouviu, e Gusmu diz: Tu
e [5] os judeos intentaes rebellar-vos, pelo que edificas o muro; e tu te
farás rei d’elles segundo estas palavras;
7 E que pozeste prophetas, para prégarem de ti em Jerusalem, dizendo:
Este _é_ rei em Judah: de modo que o rei o ouvirá, segundo estas
palavras: vem pois agora e consultemos juntamente.
8 Porém eu enviei a dizer-lhe: De tudo o que dizes coisa nenhuma
succedeu; mas tu do teu coração o inventas.
9 Porque todos elles nos procuravam atemorizar, dizendo: As suas mãos
largarão a obra, e não se effeituará. Agora pois, _ó Deus_, esforça as
minhas mãos.
10 E, entrando eu em casa de Semaias, filho de Delaias, o filho de
Mehetabel (que estava encerrado), disse elle: Vamos juntamente á casa de
Deus, ao meio do templo, e fechemos as portas do templo; porque virão
matar-te: sim, de noite virão matar-te.
11 Porém eu disse: _Um_ homem como eu fugiria? e quem _ha_, como eu, que
entre no templo e viva? de maneira nenhuma entrarei.
12 E conheci que eis-que não _era_ Deus quem o enviara; mas esta
prophecia fallou contra mim, porquanto Tobias e Sanballat o alugaram.
13 Para isto o alugaram, para me atemorisar, e para que assim fizesse, e
peccasse, para que tivessem _alguma causa_ para me infamarem, e assim me
vituperarem.
14 Lembra-te, [6] meu Deus, de Tobias e de Sanballat, conforme a estas
suas obras: e tambem da prophetiza Noadia, e dos mais prophetas que
procuraram atemorisar-me.
15 Acabou-se pois o muro aos vinte e cinco d’elul: em cincoenta e dois
dias.
16 E succedeu que, ouvindo-_o_ todos os nossos [7] inimigos, temeram,
todos os gentios que _havia_ em roda de nós, e abateram-se muito em seus
_proprios_ olhos; porque reconheceram que o nosso Deus fizera esta obra.
17 Tambem n’aquelles dias _alguns_ nobres de Judah escreveram muitas
cartas, que iam para Tobias: e as _cartas_ de Tobias vinham para elles.
18 Porque muitos em Judah se lhe ajuramentaram, porque _era_ genro de
Sechanias, filho d’Arah; e seu filho Johanan tomara a filha de Mesullam,
filho de Berechias.
19 Tambem as suas bondades contavam perante mim, e as minhas palavras lhe
levavam _a elle_: _portanto_ Tobias escrevia cartas para me atemorizar.
[1] cap. 2.10, 19 e 4.1, 7.
[2] cap. 3.1, 3.
[3] Pro. 26.24, 25.
[4] I Chr. 8.12. cap. 11.35.
[5] cap. 2.19.
[6] cap. 13.29. Eze. 13.17.
[7] cap. 2.10 e 4.1, 7 e 6.1.
_Nehemias estabelece guardas e faz uma relação dos que primeiro vieram a
Jerusalem._
[Antes de Christo 536]
7 Succedeu mais que, depois que o muro fôra edificado, eu levantei as
portas; e [1] foram estabelecidos os porteiros, e os cantores, e os
levitas.
2 Eu nomeei a Hanani, meu irmão, e a Hananias, maioral da fortaleza em
[2] Jerusalem: porque _era_ como homem fiel e temente [3] a Deus, mais do
que muitos.
3 E disse-lhes: Não se abram as portas de Jerusalem até que o sol aqueça,
e emquanto os que assistirem ali fechem as portas, e vós trancae-_as_: e
ponham-se guardas dos moradores de Jerusalem, cada um na sua guarda, e
cada um diante da sua casa.
4 E _era_ a cidade larga d’espaço, e grande, porém pouco povo _havia_
dentro d’ella: e _ainda_ as casas não _estavam_ edificadas.
5 Então o meu Deus me poz no coração que ajuntasse os nobres, e os
magistrados, e o povo, para registrar as genealogias: e achei o livro da
genealogia dos que subiram primeiro e _assim_ achei escripto n’elle:
6 Estes [4] _são_ os filhos da provincia, que subiram do captiveiro
dos transportados, que transportara Nabucodonosor, rei de Babylonia; e
voltaram para Jerusalem e para Judah, cada um para a sua cidade.
7 Os quaes vieram com Zorobabel, Jesué, Nehemias, Azarias, Raamias,
Nahamani, Mardiques, Bilsan, Mispereth, Bigvai, Nehum, e Baana: _este é_
o numero dos homens do povo d’Israel.
8 Foram os filhos de Paros, dois mil, cento e setenta e dois.
9 Os filhos de Sephatias, trezentos e setenta e dois.
10 Os filhos d’Arah, seiscentos e cincoenta e dois.
11 Os filhos de Pahath-moab, dos filhos de Jesué e de Joab, dois mil,
oitocentos e dezoito.
12 Os filhos d’Elam, mil, duzentos e cincoenta e quatro.
13 Os filhos de Zatthu, oitocentos e quarenta e cinco.
14 Os filhos de Zaccai, setecentos e sessenta.
15 Os filhos de Binnui, seiscentos e quarenta e oito.
16 Os filhos de Babai, seiscentos e vinte e oito.
17 Os filhos d’Azgad, dois mil, trezentos e vinte e dois.
18 Os filhos d’Adonikam, seiscentos e sessenta e sete.
19 Os filhos de Bigvai, dois mil e sessenta e sete.
20 Os filhos d’Adin, seiscentos e cincoenta e cinco.
21 Os filhos d’Ater, d’Hizkia, noventa e oito.
22 Os filhos d’Hassum, trezentos e vinte e oito.
23 Os filhos de Besai, trezentos e vinte e quatro.
24 Os filhos d’Hariph, cento e doze.
25 Os filhos de Gibeon, noventa e cinco.
26 Os homens de Bethlehem e de Netopha, cento e oitenta e oito.
27 Os homens d’Anathoth, cento e vinte e oito.
28 Os homens de Beth-azmaveth, quarenta e dois.
29 Os homens de Kiriath-jearim, Cephira, e Beeroth, setecentos e quarenta
e tres.
30 Os homens de Rama e Gaba, seiscentos e vinte e um.
31 Os homens de Michmas, cento e vinte e dois.
32 Os homens de Beth-el e Ai, cento e vinte e tres.
33 Os homens d’outra Nebo, cincoenta e dois.
34 Os filhos d’outro [5] Elam, mil, duzentos e cincoenta e quatro.
35 Os filhos d’Harim, trezentos e vinte.
36 Os filhos de Jericó, trezentos e quarenta e cinco.
37 Os filhos de Lod, Hadid e Ono, setecentos e vinte e um.
38 Os filhos de Senaa, tres mil, novecentos e trinta.
39 Os sacerdotes: Os filhos de [6] Jedaias, da casa de Jesué, novecentos
e setenta e tres.
40 Os filhos [7] d’Immer, mil e cincoenta e dois.
41 Os filhos de [8] Pashur, mil, duzentos e quarenta e sete.
42 Os filhos [9] d’Harim, mil e dezesete.
43 Os levitas: Os filhos de Jesué, de Kadmiel, dos filhos d’Hodeva,
setenta e quatro.
44 Os cantores: os filhos d’Asaph, cento e quarenta e oito.
45 Os porteiros: os filhos de Sallum, os filhos d’Ater, os filhos de
Talmon, os filhos d’Hacub, os filhos d’Hattita, os filhos de Sobai, cento
e trinta e oito.
46 Os nethineos: os filhos de Ziha, os filhos d’Hasupha, os filhos de
Tabbaoth,
47 Os filhos de Keros, os filhos de Sia, os filhos de Padon,
48 Os filhos de Lebana, os filhos d’Hagaba, os filhos de Salmai,
49 Os filhos d’Hanan, os filhos de Giddel, os filhos de Gahar,
50 Os filhos de Reaias, os filhos de Resin, os filhos de Nekoda,
51 Os filhos de Gazam, os filhos d’Uza, os filhos de Paseah,
52 Os filhos de Besai, os filhos de Meunim, os filhos de Nephussim,
53 Os filhos de Bakbuk, os filhos d’Hakupha, os filhos d’Harhur,
54 Os filhos de Baslith, os filhos de Mehida, os filhos d’Harsa,
55 Os filhos de Barkos, os filhos de Sisera, os filhos de Tamah,
56 Os filhos de Nesiag, os filhos d’Hatipha.
57 Os filhos dos servos de Salomão: os filhos de Sotai, os filhos de
Sophereth, os filhos de Perida,
58 Os filhos de Jaela, os filhos de Darkon, os filhos de Giddel,
59 Os filhos de Sephatias, os filhos d’Hattil, os filhos de
Pochereth-zebaim, os filhos de Amon.
60 Todos os nethineos e os filhos dos servos de Salomão, trezentos e
noventa e dois.
61 Tambem [10] estes subiram de Thel-melah, e Thel-harsa, Cherub, Addon,
Immer: porém não poderam mostrar a casa de seus paes e a sua linhagem, se
_eram_ d’Israel.
62 Os filhos de Dalaias, os filhos de Tobias, os filhos de Nekoda,
seiscentos e quarenta e dois.
63 E dos sacerdotes: os filhos d’Habaias, os filhos de Kos, os filhos de
Barzillai, que tomara uma mulher das filhas de Barzillai, o gileadita, e
se chamou do nome d’ellas.
64 Estes buscaram o seu registro, querendo contar a sua geração, porém
não se achou: pelo que, como immundos, foram excluidos do sacerdocio.
65 E o tirsatha lhes disse, que não comessem das coisas sagradas, até que
se apresentasse o sacerdote com Urim e Thummim.
66 Toda esta congregação junta _foi_ de quarenta e dois mil, trezentos e
sessenta,
67 Afóra os seus servos e as suas servas, que _foram_ sete mil, trezentos
e trinta e sete: e tinham duzentos e quarenta e cinco cantores e cantoras.
68 Os seus cavallos, setecentos e trinta e seis; os seus mulos, duzentos
e quarenta e cinco.
69 Camelos, quatrocentos e trinta e cinco; jumentos, seis mil, setecentos
e vinte.
70 E uma _parte_ dos cabeças dos paes deram para a obra: o tirsatha deu
[11] para o thesouro, em oiro, mil [MQ] drachmas, cincoenta bacias, e
quinhentas e trinta vestes sacerdotaes.
71 E _alguns mais_ dos cabeças dos paes deram para o thesouro da obra, em
oiro, vinte mil drachmas: e em prata, duas mil e duzentas libras.
72 E o que deu o resto do povo, foi, em oiro, vinte mil drachmas: [12] e
em prata duas mil libras: e sessenta e sete vestes sacerdotaes.
73 E habitaram os sacerdotes, e os levitas, e os porteiros, e os
cantores, e _alguns_ do povo, e os nethineos, e todo o Israel nas suas
cidades.
[1] cap. 6.1.
[2] cap. 2.5.
[3] Exo. 18.21.
[4] Esd. 2.1, etc.
[5] ver. 12.
[6] I Chr. 24.7.
[7] I Chr. 24.14.
[8] I Chr. 9.12 e 24.9.
[9] I Chr. 24.8.
[10] Esd. 2.59.
[11] cap. 8.9.
[12] Esd. 2.69.
_Esdras lê a lei diante do povo._
[Antes de Christo 445]
8 E chegado o setimo mez, e estando os filhos d’Israel nas suas cidades,
todo o povo [1] se ajuntou como um só homem, na praça, diante da porta
das aguas: e disseram a Esdras, [2] o escriba, que trouxesse o livro da
lei de Moysés, que o Senhor tinha ordenado a Israel.
2 E Esdras, [3] o sacerdote, trouxe a lei perante a congregação, assim
d’homens como de mulheres, e de todos os entendidos para ouvirem, no
primeiro dia do setimo mez.
3 E leu n’elle diante da praça, que está diante da porta das aguas, desde
a alva até ao meio dia, perante homens e mulheres, e entendidos: e os
ouvidos de todo o povo _estavam attentos_ ao livro da lei.
4 E Esdras, o escriba, estava sobre um pulpito de madeira, que fizeram
para aquillo: e estava _em pé_ junto a elle, á sua mão direita,
Mattithias, e Sema, e Anaias, e Urias, e Hilkias, e Maaseias; e á sua
mão esquerda, Pedaias, e Misael, e Melchias, e Hasum, e Hasbaddana,
Zacharias, e Mesullam.
5 E Esdras abriu o livro perante os olhos de todo o povo; porque estava
acima de todo o povo; e, abrindo-o elle, todo o povo se poz [4] em pé.
6 E Esdras louvou ao Senhor, o grande Deus: e todo o povo [5] respondeu,
Amen, Amen! levantando as suas mãos; e inclinaram-se, e adoraram ao
Senhor, com os rostos em terra.
7 E Jesua, e Bani, e Serebias, Jamin, Akkub, Sabbethai, Hodias, Maaseias,
Kelita, Azarias, Jozabad, Hanan, Pelaias, e os levitas ensinavam [6] o
povo na lei: e o povo _estava_ no seu posto.
8 E leram no livro, na lei de Deus; e declarando, e explicando o sentido,
faziam que, lendo, se entendesse.
9 E [7] Nehemias (que era o [MR] tirsatha), e o sacerdote Esdras, o
escriba, e os levitas que ensinavam ao povo, disseram a todo o povo: Este
dia _é_ consagrado ao Senhor vosso Deus, _pelo que_ não vos lamenteis,
nem choreis. Porque todo o povo chorava, [8] ouvindo as palavras da lei.
10 Disse-lhes mais: Ide, comei as gorduras, e bebei as doçuras, e [9]
enviae porções aos que não teem nada preparado para si; porque este dia
_é_ consagrado ao nosso Senhor: portanto não vos entristeçaes: porque a
alegria do Senhor é a vossa força.
11 E os levitas fizeram calar a todo o povo, dizendo: Calae-vos; porque
este dia _é_ santo: por isso não vos entristeçaes.
12 Então todo o povo se foi a comer, e a beber, e a enviar porções, e
a fazer grandes alegrias: porque [10] entenderam as palavras que lhes
fizeram saber.
_A festa dos tabernaculos._
13 E no dia seguinte ajuntaram-se os cabeças dos paes de todo o povo, os
sacerdotes, e os levitas, a Esdras, o escriba: e isto para attentarem nas
palavras da lei.
14 E acharam escripto na lei que o Senhor ordenara, pelo ministerio de
Moysés, que os filhos d’Israel habitassem em cabanas, [11] na solemnidade
_da festa_, no setimo mez.
15 Assim o publicaram, e fizeram passar pregão por todas as suas cidades,
e em Jerusalem, dizendo: [12] Sahi ao monte, e trazei ramos d’oliveiras,
e ramos d’arvores olearias, e ramos de murtas, e ramos de palmeiras, e
ramos d’arvores espessas, para fazer cabanas, como _está_ escripto.
16 Saiu pois o povo, e _os_ trouxeram, e fizeram para si cabanas, cada um
no seu [13] terrado, e nos seus pateos, e nos atrios da casa de Deus, e
na praça da porta das aguas, e na praça da porta d’Ephraim.
17 E toda a congregação dos que voltaram do captiveiro fizeram cabanas
e habitaram nas cabanas, porque nunca fizeram assim os filhos d’Israel,
desde os dias de Josué, filho de Nun, até áquelle dia: e houve mui [14]
grande alegria.
18 E de dia em dia se leu no livro da lei de Deus, [15] desde o primeiro
dia até ao derradeiro; e celebraram a solemnidade _da festa_ sete dias, e
no oitavo dia, o dia da prohibição, segundo o rito.
[1] Esd. 3.1. cap. 3.26.
[2] Esd. 7.6.
[3] Deu. 31.11, 12. Lev. 23.24.
[4] Jui. 3.20.
[5] I Cor. 14.16. I Tim. 2.8. Exo. 4.31 e 12.27.
[6] Lev. 10.11. Deu. 33.10. II Chr. 17.7, 8, 9. Mal. 2.7.
[7] Esd. 2.63. cap. 7.65 e 10.1. II Chr. 35.3. ver. 8. Lev. 23.24. Num.
29.1.
[8] Deu. 16.14, 15. Ecc. 3.4.
[9] Est. 9.19, 22. Apo. 11.10.
[10] ver. 7, 8.
[11] Lev. 23.34, 42. Deu. 16.13.
[12] Lev. 23.4. Deu. 16.16. Lev. 23.40.
[13] Deu. 22.8. cap. 12.37. II Reis 14.13. cap. 12.39.
[14] II Chr. 30.21.
[15] Deu. 31.10, etc. Lev. 23.36. Num. 29.35.
_Arrependimento e confissão do peccado._
9 E no dia vinte e quatro d’este mez [1] se ajuntaram os filhos d’Israel
com jejum e com saccos, e traziam terra sobre si.
2 E a geração [2] d’Israel se apartou de todos os estranhos, e pozeram-se
em pé, e fizeram confissão pelos seus peccados e pelas iniquidades de
seus paes.
3 Porque, levantando-se no seu posto, leram [3] no livro da lei do Senhor
seu Deus uma quarta parte do dia; e na _outra_ quarta parte fizeram
confissão, e adoraram ao Senhor seu Deus.
4 E Jesué, Bani, Kadmiel, Sebanias, Bunni, Serebias, Bani _e_ Chenani se
pozeram em pé no logar alto dos levitas, e clamaram em alta voz ao Senhor
seu Deus.
5 E os levitas, Jesué, e Kadmiel, Bani, Hasabneias, Serebias, Hodias,
Sebanias, Pethachias, disseram: Levantae-vos, bemdizei ao Senhor vosso
Deus d’eternidade em eternidade: ora bemdigam o nome [4] da tua gloria,
que está levantado sobre toda a benção e louvor.
6 Tu [5] só _és_ Senhor, tu fizeste o céu, o céu dos céus, e todo o seu
exercito; a terra e tudo quanto n’ella _ha_; os mares e tudo quanto
n’elles _ha_, e tu os guardas em vida a todos; e o exercito dos céus te
adora.
7 Tu _és_ Senhor, o Deus, que elegeste a [6] Abrão, e o tiraste d’Ur dos
chaldeos, e lhe pozeste por nome Abrahão.
8 E achaste o seu coração fiel perante ti, [7] e fizeste com elle o
concerto, que _lhe_ darias a terra dos cananeos, dos hetheos, dos
amorrheos, e dos pherezeos, e dos jebuseos, e dos girgaseos, para a dares
á sua semente: e confirmaste [8] as tuas palavras, porquanto és justo.
9 E viste [9] a afflicção de nossos paes no Egypto: e ouviste o seu
clamor junto ao Mar Vermelho.
10 E déste [10] signaes e prodigios a Pharaó, e a todos os seus servos,
e a todo o povo da sua terra; porque soubeste que [11] soberbamente os
trataram; e assim te adquiriste nome, como hoje _se vê_.
11 E o mar [12] fendeste perante elles, e passaram pelo meio do mar, em
secco: e lançaste os seus perseguidores nas profundezas, como [13] uma
pedra nas aguas violentas.
12 E os [14] guiaste de dia por _uma_ columna de nuvem, e de noite por
_uma_ columna de fogo, para os alumiares no caminho por onde haviam de ir.
13 E sobre o [15] monte de Sinai desceste, e fallaste com elles desde
os céus: e déste-lhes juizos rectos, e leis verdadeiras, estatutos e
mandamentos bons.
14 E o teu sancto [16] sabbado lhes fizeste saber: e preceitos, e
estatutos, e lei lhes mandaste pelo ministerio de Moysés, teu servo.
15 E pão dos céus lhes déste [17] na sua fome, e agua da penha lhes
produziste na sua sêde: e lhes disseste que entrassem para possuirem a
terra pela qual alçaste a tua mão, que lh’a havias de dar.
16 Porém [18] elles e nossos paes se houveram soberbamente: e endureceram
a sua cerviz, e não deram ouvidos aos teus mandamentos.
17 E recusaram ouvir-_te_, e não se lembraram das tuas maravilhas,
que lhes fizeste, e endureceram a sua cerviz, e na [19] sua rebellião
levantaram _um_ chefe, afim de voltarem para a sua servidão: porém tu,
[20] ó Deus perdoador, clemente e misericordioso, tardio em irar-te, e
grande em beneficencia, comtudo os não desamparaste.
18 Ainda [21] mesmo quando elles fizeram para si _um_ bezerro de
fundição, e disseram: Este _é_ o teu Deus, que te tirou do Egypto; e
commetteram grandes blasphemias:
19 Todavia tu, pela [22] multidão das tuas misericordias, os não deixaste
no deserto: a columna de nuvem nunca d’elles se apartou de dia, para os
guiar pelo caminho, nem a columna de fogo de noite, para os alumiar: e
isto pelo caminho por onde haviam de ir.
20 E déste [23] o teu bom espirito, para os ensinar: e o teu manná não
retiraste da sua bocca; e agua lhes déste na sua sêde.
21 De tal modo os sustentaste [24] quarenta annos no deserto: falta
nenhuma tiveram: os seus vestidos se não envelheceram, e os seus pés se
não incharam.
22 Tambem lhes déste reinos e povos, e os repartiste em porções: e elles
possuiram a terra de [25] Sihon, a saber, a terra do rei d’Hesbon, e a
terra d’Og, rei de Basan.
23 E multiplicaste [26] os seus filhos como as estrellas do céu, e
trouxeste-os á terra de que tinhas dito a seus paes que entrariam
_n’ella_ para _a_ possuirem.
24 Assim entraram n’ella [27] os filhos, e tomaram aquella terra: e
abateste perante elles os moradores da terra, os cananeos, e lh’os
entregaste na mão, como tambem os reis, e os povos da terra, para fazerem
d’elles conforme á sua vontade.
25 E tomaram cidades fortes e terra [28] grossa, e possuiram casas cheias
de toda a fartura, cisternas cavadas, vinhas e olivaes, e arvores de
mantimento, em abundancia: e comeram e se fartaram [29] e engordaram, e
viveram em delicias, pela tua grande bondade.
26 Porém se obstinaram, e se rebellaram contra [30] ti, e lançaram a
tua lei para traz das suas costas, e mataram [31] os teus prophetas,
que protestavam contra elles, para que voltassem para ti: assim fizeram
grandes abominações.
27 Pelo que os entregaste [32] na mão dos seus angustiadores, que os
angustiaram: mas no tempo de sua angustia, clamando a ti, desde os céus
tu ouviste; e segundo a tua grande misericordia lhes déste libertadores
que os libertaram da mão de seus angustiadores.
28 Porém, em tendo repouso, tornavam [33] a fazer o mal diante de ti: e
tu os deixavas na mão dos seus inimigos, para que dominassem sobre elles;
e convertendo-se elles, e clamando a ti, tu os ouviste desde os céus, e
segundo a tua misericordia os livraste muitas vezes.
29 E protestaste contra elles, para que voltassem para a tua lei; porém
elles [34] se houveram soberbamente, e não deram ouvidos aos teus
mandamentos, mas peccaram contra os teus juizos pelos quaes o homem que
os fizer viverá; e te deram o hombro rebelde, e endureceram a sua cerviz,
e não ouviram.
30 Porém estendeste _a tua benignidade_ sobre elles por muitos annos, e
protestaste contra elles [35] pelo teu Espirito, pelo ministerio dos teus
prophetas; porém elles não deram ouvidos: pelo que os entregaste na mão
dos povos das terras.
31 Mas pela tua grande misericordia [36] os não destruiste nem
desamparaste: porque _és um_ Deus clemente e misericordioso.
32 Agora pois, ó Deus nosso, ó Deus [37] grande, poderoso e terrivel,
que guardas o concerto e beneficencia, não tenhas em pouca conta todo o
trabalho que _nos_ alcançou a nós, aos nossos reis, aos nossos principes,
e aos nossos sacerdotes, e aos nossos prophetas, e aos nossos paes, e a
todo o teu povo, desde os dias dos reis da Assyria até _ao dia_ de hoje.
33 Porém tu _és_ justo [38] em tudo quanto tem vindo sobre nós; porque tu
tens obrado fielmente, e nós temos obrado impiamente.
34 E os nossos reis, os nossos principes, os nossos sacerdotes, e os
nossos paes não guardaram a tua lei, e não deram ouvidos aos teus
mandamentos e aos teus testemunhos, que protestaste contra elles.
35 Porque elles nem no seu reino, [39] nem na muita abundancia de bens
que lhes déste nem na terra espaçosa e gorda que déste diante d’elles, te
serviram, nem se converteram de suas más obras.
36 Eis-que hoje [40] _somos_ servos: e _até_ na terra que déste a nossos
paes, para comerem o seu fructo e o seu bem, eis que _somos_ servos
n’ella.
37 E ella multiplica os seus productos [41] para os reis, que pozeste
sobre nós, por causa dos nossos peccados: e conforme a sua vontade
dominam [42] sobre os nossos corpos e sobre as nossas bestas; e estamos
_n’uma_ grande angustia.
38 E com tudo isto fizemos um [43] firme _concerto_, e o escrevemos:
e sellaram-n’o os nossos principes, os nossos levitas _e_ os nossos
sacerdotes.
[1] cap. 8.2. Jos. 7.6. II Sam. 1.2. Job 2.12.
[2] Esd. 10.11. cap. 13.3, 30.
[3] cap. 8.7, 8.
[4] I Chr. 29.13.
[5] II Reis 19.15, 19. Isa. 37.16, 20. Gen. 1.1. Apo. 14.7. Deu. 10.14.
[6] Gen. 11.31 e 12.1. Gen. 17.5.
[7] Gen. 15.6. Gen. 12.7 e 15.18 e 17.7, 8.
[8] Jos. 23.14.
[9] Exo. 2.25 e 3.7. Exo. 14.10.
[10] cap. 7, 8, 9, 10, 12 e 14.
[11] Exo. 18.11. Exo. 9.16. Isa. 63.12, 14. Jer. 32.20.
[12] Exo. 14.21, 22, 27, 28.
[13] Exo. 15.5, 10.
[14] Exo. 13.21.
[15] Exo. 19.20 e 20.1.
[16] Gen. 2.3. Exo. 20.8, 11.
[17] Exo. 16.14, 15. João 6.31. Exo. 17.6. Num. 20.9, etc. Deu. 1.8.
[18] ver. 29. Deu. 31.37. II Reis 17.14. Jer. 19.15.
[19] Num. 14.4.
[20] Exo. 34.6. Num. 14.18. Joel 2.13.
[21] Exo. 32.4.
[22] ver. 27. Exo. 13.21, 22. Num. 14.14. I Cor. 10.1.
[23] Num. 11.17. Isa. 63.11. Exo. 16.15. Jos. 5.12. Exo. 17.6.
[24] Deu. 2.7 e 8.4 e 29.5.
[25] Num. 21.21, etc.
[26] Gen. 22.17.
[27] Jos. 1.2, etc.
[28] ver. 35. Num. 13.27. Deu. 8.7, 8. Eze. 20.6. Deu. 6.11.
[29] Deu. 32.15. Ose. 3.5.
[30] Jui. 2.11, 12. Eze. 20.21. I Reis 14.9.
[31] I Reis 18.4 e 19.10. II Chr. 24.20, 21. Mat. 23.37. Act. 7.52.
[32] Jui. 2.14 e 3.8, etc. Jui. 2.18 e 3.9.
[33] Jui. 3.11, 12, 30 e 4.1 e 5.31 e 6.1.
[34] ver. 16. Lev. 18.5. Eze. 20.11. Rom. 10.5. Gal. 3.12.
[35] II Reis 17.13. II Chr. 36.15. Jer. 7.25 e 25.4. I Ped. 1.11. II Ped.
1.21. Isa. 5.5 e 42.24.
[36] Jer. 4.27 e 5.10, 18. ver. 17.
[37] Exo. 34.6, 7. cap. 1.5.
[38] II Reis 17.3. Dan. 9.14 e 9.5, 6, 8.
[39] Deu. 28.47. ver. 25.
[40] Deu. 28.48. Esd. 9.9.
[41] Deu. 28.33, 51.
[42] Deu. 28.48.
[43] II Reis 23.3. II Chr. 29.10 e 34.31. Esd. 10.3. cap. 10.29.
_Os nomes dos que sellaram o concerto._
10 E os que sellaram _foram_ [1] Nehemias, o [MS] tirsatha, filho de
Hacalias, e Zedekias,
2 Seraias, [2] Azarias, Jeremias,
3 Pashur, Amarias, Malchias,
4 Hattus, Sebanias, Malluch,
5 Harim, Meremoth, Obadias,
6 Daniel, Ginnethon, Baruch,
7 Mesullum, Abias, Miamin,
8 Maasias, Bilgai, Semaias: estes _foram_ os sacerdotes.
9 E os levitas: Jesué, filho de Azanias, Binnui, dos filhos de Henadad,
Kadmiel,
10 E seus irmãos: Sebanias, Hodias, Kelita, Pelaias, Hanan,
11 Micha, Rehob, Hasabias,
12 Zacchur, Serebias, Sebanias,
13 Hodias, Bani, Beninu.
14 Os chefes do povo: [3] Pareos, Pahat-moab, Elam, Zatthu, Bani,
15 Bunni, Asgad, Bebai,
16 Adonias, Bigvai, Adin,
17 Ater, Hiskias, Azur,
18 Hodias, Hasum, Besai,
19 Hariph, Anathoth, Nebai,
20 Magpias, Mesullum, Hezir,
21 Mezezabeel, Zadok, Jaddua,
22 Pelatias, Hanan, Anaias,
23 Hoseas, Hananias, Hassub,
24 Hollohes, Pilha, Sobek,
25 Rehum, Hasabna, Maaseias;
26 E Ahias, Hanan, Anan,
27 Malluch, Harim, Baana.
28 E o resto [4] do povo, os sacerdotes, os levitas, os porteiros, os
cantores, os nethineos, todos os que se tinham separado dos povos das
terras para [5] a lei de Deus, suas mulheres, seus filhos, e suas filhas;
todos os sabios _e_ entendidos;
29 Firmemente adheriam a seus irmãos os mais nobres de entre elles, e
convieram n’um anathema e n’um juramento, de que andariam na lei de
Deus, que foi dada pelo ministerio de Moysés, servo de Deus; e de que
guardariam e fariam todos os mandamentos do Senhor, nosso Senhor, e os
seus juizos e os seus estatutos;
30 E que não dariamos as nossas filhas [6] aos povos da terra, nem
tomariamos as filhas d’elles para os nossos filhos.
31 E que, trazendo [7] os povos da terra no dia de sabbado algumas
fazendas, e qualquer grão para venderem, não a tomariamos d’elles no
sabbado, nem no dia sanctificado: e livre deixariamos o [8] anno setimo,
e toda e qualquer cobrança.
32 Tambem nos pozemos preceitos, impondo-nos cada anno a terça parte d’um
siclo, para o ministerio da casa do nosso Deus;
33 Para os pães [9] da proposição, e para a continua offerta de manjares,
e para o continuo holocausto dos sabbados, das luas novas, para as
festas solemnes, e para as _coisas_ sagradas, e para os sacrificios pelo
peccado, para reconciliar a Israel, e _para_ toda a obra da casa do nosso
Deus.
34 Tambem lançámos as sortes entre os sacerdotes, levitas, e o povo,
ácerca da offerta da [10] lenha que se havia de trazer á casa do nosso
Deus, segundo as casas de nossos paes, a tempos determinados, de anno em
anno, para se queimar sobre o altar do Senhor nosso Deus, como _está_
escripto [11] na lei.
35 Que tambem trariamos [12] as primeiras novidades da nossa terra, e
todos os primeiros fructos de todas as arvores, de anno em anno, á casa
do Senhor.
36 E os primogenitos dos nossos filhos, e os das nossas bestas, como
_está_ escripto [13] na lei: e que os primogenitos das nossas vaccas e
das nossas ovelhas trariamos á casa do nosso Deus, aos sacerdotes, que
ministram na casa do nosso Deus.
37 E _que_ as primicias da nossa massa, e as nossas offertas alçadas,
e o fructo de toda a arvore, o mosto e o azeite, [14] trariamos aos
sacerdotes, ás camaras da casa do nosso Deus; e os dizimos [15] da nossa
terra aos levitas: e que os levitas pagariam os dizimos em todas as
cidades da nossa lavoura.
38 E que o sacerdote, filho de Aarão, estaria com os levitas quando os
levitas recebessem os dizimos, [16] e que os levitas trariam os dizimos
dos dizimos á casa do nosso Deus, ás camaras da casa do thesouro.
39 Porque áquellas camaras os filhos de Israel e os filhos de Levi devem
[17] trazer offertas alçadas do grão, do mosto e do azeite: porquanto ali
estão os vasos do sanctuario, como tambem os sacerdotes que ministram, e
os porteiros, e os cantores: e que assim não [18] desamparariamos a casa
do nosso Deus.
[1] cap. 8.9. cap. 1.1.
[2] cap. 12.1, 24.
[3] Esd. 2.3, etc. cap. 7.8, etc.
[4] Esd. 2.36, 43 e 9.1 e 10.11, 12, 19. cap. 13.3.
[5] Deu. 29.12, 14. cap. 5.12, 13. II Reis 23.3. II Chr. 34.31.
[6] Exo. 34.16. Deu. 7.3. Esd. 9.12, 14.
[7] Exo. 20.10. Lev. 23.3. Deu. 5.12. cap. 13.15, etc.
[8] Exo. 23.10, 11. Lev. 25.4. Deu. 15.1, 2. cap. 5.12.
[9] Lev. 24.5, etc. II Chr. 2.4. Num. 28 e 29.
[10] cap. 13.31. Isa. 40.16.
[11] Lev. 6.12.
[12] Exo. 23.19 e 34.26. Lev. 19.23. Num. 18.12. Deu. 26.2.
[13] Exo. 13.2, 12, 13. Lev. 27.26, 27. Num. 18.15, 16.
[14] Lev. 23.17. Num. 15.19 e 18.12, etc. Deu. 18.4 e 26.2.
[15] Lev. 27.30. Num. 18.21, etc.
[16] Num. 18.26.
[17] Deu. 12.6, 11. II Chr. 31.12. cap. 13.12.
[18] cap. 13.10, 11.
_Relação dos que habitaram em Jerusalem._
11 E os principes do povo habitaram em Jerusalem, porém o resto do povo
lançou sortes, para tirar um de dez, que habitasse na sancta [1] cidade
de Jerusalem, e as nove partes nas _outras_ cidades.
2 E o povo bemdisse a todos os homens que voluntariamente se offereciam
[2] para habitarem em Jerusalem.
3 E estes [3] _são_ os chefes da provincia, que habitaram em Jerusalem
(porém nas cidades de Judah habitou cada um na sua possessão, nas suas
cidades, Israel, os sacerdotes, e os levitas, e os [4] nethineos, e os
filhos dos servos de Salomão):
4 Habitaram pois em [5] Jerusalem _alguns_ dos filhos de Judah e dos
filhos de Benjamin: dos filhos de Judah, Athaias, filho d’Uzias, filho de
Zacharias, filho de Amarias, filho de Sephatias, filho de Mahalaleel, [6]
dos filhos de Peres;
5 E Maaseias, filho de Baruch, filho de Col-hose, filho d’Hazaias, filho
d’Adaias, filho de Joiarib, filho de Zacharias, filho de Siloni.
6 Todos os filhos de Peres, que habitaram em Jerusalem, _foram_
quatrocentos _e_ sessenta e oito homens valentes.
7 E estes _são_ os filhos de Benjamin: Sallu, filho de Messullam, filho
de Joed, filho de Pedaias, filho de Kolaias, filho de Maaseias, filho
d’Ithiel, filho de Jesaias.
8 E depois d’elle Gabbai, Sallai: novecentos _e_ vinte e oito.
9 E Joel, filho de Zichri, superintendente sobre elles: e Judah, filho de
Senua, segundo sobre a cidade.
10 Dos [7] sacerdotes: Jedaias, filho de Joiarib, Jachin,
11 Seraias, filho d’Hilkias, filho de Mesullam, filho de Zadok, filho de
Meraioth, filho d’Ahitub, maioral da casa de Deus.
12 E seus irmãos, que faziam a obra na casa, oitocentos _e_ vinte e dois:
e Adaias, filho de Jeroham, filho de Pelalias, filho de Amsi, filho de
Zacharias, filho de Pashur, filho de Malchias.
13 E seus irmãos, cabeças dos paes, duzentos _e_ quarenta e dois; e
Amasai, filho d’Azareel, filho d’Ahazai, filho de Mesillemoth, filho
d’Immer.
14 E os irmãos d’elles, varões valentes, cento _e_ vinte e oito, e
superintendente sobre elles Zabdiel, filho de Gedolim.
15 E dos levitas: Semaias, filho d’Hassub, filho d’Azrikam, filho
d’Hasabias, filho de Buni;
16 E Sabbethai, e Jozabad, dos cabeças dos levitas, _presidiam_ sobre [8]
a obra de fóra da casa de Deus;
17 E Matthanias, filho de Micha, filho de Zabdi, filho d’Asaph, o cabeça,
que começava a dar graças na oração, e Bakbukias, o segundo de seus
irmãos: depois Abda, filho de Sammua, filho de Galal, filho de Jeduthun.
18 Todos os levitas na sancta [9] cidade, _foram_ duzentos _e_ oitenta e
quatro.
19 E os porteiros, Akkub, Talmon, com seus irmãos, os guardas das portas,
cento _e_ setenta e dois.
_Dos que habitaram nas cidades de Judah._
20 E o resto d’Israel, dos sacerdotes _e_ levitas, _esteve_ em todas as
cidades de Judah, cada um na sua herdade.
21 E os [10] nethineos habitaram em Ophel; e Ziha e Gispa presidiam sobre
os nethineos.
22 E o superintendente dos levitas em Jerusalem _foi_ Uzzi, filho de
Bani, filho d’Hasabias, filho de Matthanias, filho de Micha: dos filhos
d’Asaph os cantores, no serviço da casa de Deus.
23 Porque _havia um_ mandado do rei ácerca [11] d’elles: a saber, _uma_
certa porção para os cantores, cada _qual no seu_ dia.
24 E Petahias, filho de Mesezabeel, dos filhos de [12] Zerah, filho de
Judah, _estava_ á mão do rei, em todos os negocios do povo.
25 E nas aldeias, nas suas terras, _alguns_ dos filhos de Judah habitaram
em [13] Kiriath-arba, e nos logares da sua jurisdicção; e em Dibon, e nos
logares da sua jurisdicção; e em Jekabseel, e nas suas aldeias,
26 E em Jesua, e em Molada, e em Beth-pelet,
27 E em Hasar-sual, e em Berseba, e nos logares da sua jurisdicção,
28 E em Siclag, e em Mechona, e nos logares da sua jurisdicção,
29 E em En-rimmon, e em Zora, e em Jarmuth;
30 Em Zanoah, Adullam, e nas suas aldeias; em Lachis, e nas suas terras;
em Azaka, e _nos_ logares da sua jurisdicção: acamparam-se desde Berseba
até ao valle de Hinnom.
31 E os filhos de Benjamin, de Geba, _habitaram em_ Michmas, e Aia, e
Beth-el, e nos logares da sua jurisdicção,
32 E _em_ Anathoth, em Nob, em Anania,
33 Em Hasor, em Rama, em Gitthaim,
34 Em Hadid, em Zeboim, em Neballat,
35 Em Lod, e em Ono, no valle [14] dos artifices.
36 E _alguns_ dos levitas nos repartimentos de Judah _e_ de Benjamin.
[1] ver. 18. Mat. 4.5 e 27.53.
[2] Jui. 5.9.
[3] I Chr. 9.2, 3.
[4] Esd. 2.43. Esd. 2.55.
[5] I Chr. 9.3, etc.
[6] Gen. 38.29.
[7] I Chr. 9.10, etc.
[8] I Chr. 26.29.
[9] ver. 1.
[10] cap. 3.26.
[11] Esd. 6.8, 9 e 7.20, etc.
[12] Gen. 38.30. I Chr. 18.17 e 23.28.
[13] Jos. 14.15.
[14] I Chr. 4.14.
_Os sacerdotes que vieram para Jerusalem com Zorobabel._
[Antes de Christo 536]
12 Estes _são_ sacerdotes [1] e levitas que subiram com Zorobabel, filho
de Sealthiel, e _com_ Jesué: [2] Seraias, Jeremias, Esdras,
2 Amarias, Malluch, Hattus,
3 Sechanias, Rehun, Meremoth,
4 Iddo, Ginnethoi, [3] Abias,
5 Miamin, Maadias, Bilga,
6 Semaias, e Joiarib, Jedaias,
7 Sallu, Amok, Hilkias, Jedaias: estes _foram_ os chefes dos sacerdotes e
de seus irmãos, nos dias de [4] Jesué.
8 E _foram_ os levitas: Jesué, Binnui, Kadmiel, Serebias, Judah,
Matthanias: este e seus irmãos _presidiam_ sobre os louvores.
9 E Bakbukias e Uni, seus irmãos, defronte d’elle, nas guardas.
10 E Jesué gerou a Joaquim, e Joaquim gerou a Eliasib, e Eliasib gerou a
Joiada,
11 E Joiada gerou a Jonathan, e Jonathan gerou a Jaddua.
12 E nos dias de Joaquim _foram_ sacerdotes, cabeças dos paes: de
Seraias, Meraias; de Jeremias, Hananias;
13 D’Esdras, Messullam; de Amarias, Johanan;
14 De Melichu, Jonathan; de Sebanias, José;
15 D’Harim, Adna; de Meraioth, Helkai;
16 D’Iddo, Zacharias; de Ginnethon, Messullam;
17 D’Abias, Zichri; de Miamin _e_ de Moadias, Piltai;
18 De Bilga, Sammua; de Semaias, Jonathan;
19 E de Joiarib, Matthenai; de Jedaias, Ezzi;
20 De Sallai, Kallai; de Amok, Eber;
21 D’Hilkias, Hasabias; de Jedaias, Nethanael.
22 Dos levitas _foram_ nos dias d’Eliasib escriptos como cabeças de paes,
Joiada, e Johnan, e Jaddua; como tambem os sacerdotes, até ao reinado de
Dario [5] o persa.
23 Os filhos de Levi escriptos como cabeças de paes no livro das
chronicas, até aos dias de Johanan, filho d’Eliasib.
24 _Foram_ pois os cabeças dos levitas: Hasabias, Serabias, e Jesué,
filho de Kadmiel, e seus irmãos defronte d’elles, para louvarem _e_ darem
graças, [6] segundo o mandado de David, homem de Deus: guarda contra
guarda.
25 Matthanias, e Bakbukias, Obadias, Mesullam, Talmon, _e_ Akkub, _eram_
porteiros, que faziam a guarda ás thesourarias das portas.
26 Estes _foram_ nos dias de Joaquim, filho de Jesué, o filho de Josadak;
como tambem nos dias de Nehemias, o governador, [7] e do sacerdote
Esdras, o escriba.
_A dedicação dos muros._
[Antes de Christo 445]
27 E na dedicação [8] dos muros de Jerusalem buscaram os levitas de
todos os seus logares, para os trazerem, afim de fazerem a dedicação com
alegrias, e com louvores, e com canto, psalterios, alaudes, e com harpas.
28 E assim ajuntaram os filhos dos cantores, tanto da campina dos
arredores de Jerusalem, como das aldeias de Netophati;
29 Como tambem da casa de Gilgal, e dos campos de Gibeah, e Azmaveth:
porque os cantores se edificaram aldeias nos arredores de Jerusalem.
30 E purificaram-se os sacerdotes e os levitas; e _logo_ purificaram o
povo, e as portas, e o muro.
31 Então fiz subir os principes de Judah sobre o muro, e ordenei dois
grandes coros e procissões, _um_ á mão direita [9] sobre o muro da banda
da porta do monturo.
32 E após elles ia Hosaias, e a metade dos principes de Judah,
33 E Azarias, Esdras, e Mesullam,
34 Judah, e Benjamin, e Semaias, e Jeremias.
35 E dos filhos dos sacerdotes, com trombetas: Zacharias, filho de
Jonathan, o filho de Semaias, filho de Matthanias, filho de Michaias,
filho de Zacchur, filho d’Asaph,
36 E seus irmãos, Semaias, e Azareel, Milalai, Gilalai, Maai, Nethanael,
e Judah, _e_ Hanani, com [10] os instrumentos musicos de David, homem de
Deus; e Esdras o escriba _ia_ adiante d’elles.
37 _Indo_ assim para a porta da fonte, e defronte d’elles, subiram as
escadas da cidade de David pela subida do muro, desde cima da casa de
David, até á porta das aguas, [11] _da banda_ do oriente.
38 E o coro segundo ia defronte, e eu após elle; e a metade do povo _ia_
sobre o muro, desde a torre dos fornos, até á muralha larga;
39 E desde a porta d’Ephraim, e para a porta velha, e para a porta do
peixe, e a torre [12] d’Hananeel, e a torre de Mea, até á porta do gado;
e pararam á porta da prisão.
40 Então ambos os coros pararam na casa de Deus; como tambem eu, e a
metade dos magistrados comigo.
41 E os sacerdotes Eliakim, Maaseias, Miniamin, Michaias, Elioenai,
Zacharias, _e_ Hananias, com trombetas,
42 Como tambem, Maaseias, e Semaias, e Eleazar, e Uzzi, e Johanan, e
Malchias, e Elam, e Ezer; e faziam-se ouvir os cantores, _juntamente_
com Jezrahias, o superintendente.
43 E sacrificaram no mesmo dia grandes sacrificios, e se alegraram;
porque Deus os alegrara com grande alegria; e até as mulheres e os
meninos se alegraram, que a alegria de Jerusalem se ouviu até de longe.
_O ministerio do templo._
44 Tambem no [13] mesmo dia se nomearam homens sobre as camaras, para
os thesouros, para as offertas alçadas, para as primicias, e para os
dizimos, para ajuntarem n’ellas, das terras das cidades, as partes da
lei para os sacerdotes e para os levitas; porque Judah estava alegre por
causa dos sacerdotes e dos levitas que assistiam ali.
45 E faziam a guarda do seu Deus, e a guarda da purificação; como tambem
os cantores e porteiros, conforme ao [14] mandado de David _e_ de seu
filho Salomão.
46 Porque já nos dias de David e Asaph, desde a antiguidade, _havia_
cabeças dos cantores, e dos canticos de louvores, e d’acção de graças a
Deus.
47 Pelo que todo o Israel, _já_ nos dias de Zorobabel, nos dias de
Nehemias, dava as partes dos cantores e dos porteiros a cada um no
seu dia; e sanctificavam [15] _as porções_ aos levitas, e os levitas
sanctificavam aos filhos d’Aarão.
[1] Esd. 2.1, 2.
[2] cap. 10.2, 8.
[3] Luc. 1.5.
[4] Esd. 3.2. Agg. 1.1. Zac. 3.1.
[5] I Chr. 9.14, etc.
[6] I Chr. 23 e 25 e 26. Esd. 3.11.
[7] cap. 8.9. Esd. 7.6, 11.
[8] Deu. 20.5. I Chr. 25.6. II Chr. 5.13 e 7.6.
[9] ver. 38. cap. 2.13 e 3.13.
[10] Num. 10.2, 8.
[11] cap. 2.14. cap. 3.15.
[12] cap. 3.1. cap. 3.32. Jer. 32.2.
[13] II Chr. 31.11, 12. cap. 13.5, 12, 13.
[14] I Chr. 25 e 26.
[15] Num. 18.21, 24, 26.
_Nehemias remove diversos abusos._
[Antes de Christo 434]
13 N’aquelle dia [1] leu-se no livro de Moysés, aos ouvidos do povo: e
achou-se escripto [2] n’elle que os ammonitas e os moabitas não entrassem
jámais na congregação de Deus,
2 Porquanto não sairam ao encontro dos filhos d’Israel com pão e agua;
antes alugaram contra [3] elles a Balaão para os amaldiçoar; ainda que o
nosso Deus converteu a maldição em benção.
3 Succedeu pois que, ouvindo elles esta lei, apartaram [4] d’Israel toda
a mistura.
4 E d’antes Eliasib, sacerdote, que presidia sobre a camara da casa do
nosso Deus, _se tinha_ aparentado com Tobias;
5 E fizera-lhe uma camara grande, onde d’antes se mettiam as offertas de
manjares, [5] o incenso, e os vasos, e os dizimos do grão, do mosto, e do
azeite, que se ordenaram para os levitas, e cantores, [6] e porteiros,
como tambem a offerta alçada para os sacerdotes.
6 Porém em tudo isto não estava eu em Jerusalem; [7] porque no anno
trinta e dois de Artaxerxes, rei de Babylonia, vim eu ter com o rei; mas
ao cabo de _alguns_ dias _tornei_ a alcançar licença do rei.
7 E vim a Jerusalem, e entendi o mal que Eliasib fizera para Tobias, [8]
fazendo-lhe uma camara nos pateos da casa de Deus.
8 O que muito me desagradou: de sorte que lancei todos os moveis da casa
de Tobias fóra da camara.
9 E, ordenando-o eu, purificaram [9] as camaras: e tornei a trazer ali os
vasos da casa de Deus, com as offertas de manjares, e o incenso.
10 Tambem entendi que o quinhão dos levitas [10] se _lhes_ não dava: de
maneira que os levitas e os cantores, que faziam a obra, tinham fugido
cada um para a sua terra.
11 Então [11] contendi com os magistrados, e disse: Porque se desamparou
a casa de Deus? Porém eu os ajuntei, e os restaurei no seu posto.
12 Então todo o Judah trouxe [12] os dizimos do grão, e do mosto, e do
azeite aos celleiros.
13 E por thesoureiros [13] puz sobre os celleiros a Selemias o sacerdote,
e a Zadok o escrivão, e a Pedaias, d’entre os levitas; e á mão d’elles
Hanan, filho de Zacchur, o filho de Matthanias: porque se tinham achado
[14] fieis: e se lhes encarregou _a elles_ a distribuição para seus
irmãos.
14 (Por isto, Deus meu, lembra-te de mim: [15] e não risques as minhas
beneficencias que eu fiz á casa de meu Deus e ás suas guardas.)
15 N’aquelles dias vi em Judah os que pisavam lagares ao sabbado [16] e
traziam feixes que carregavam sobre _os_ jumentos; como tambem vinho,
uvas e figos, e toda _a casta de_ [17] cargas, que traziam a Jerusalem
no dia de sabbado; e protestei _contra elles_ no dia em que vendiam
mantimentos.
16 Tambem tyrios habitavam dentro, que traziam peixe, e toda a
mercadoria, que no sabbado vendiam aos filhos de Judah, e em Jerusalem.
17 E contendi [18] com os nobres de Judah, e lhes disse: Que mal _é_ este
que fazeis, e profanaes o dia de sabbado?
18 _Porventura_ [19] não fizeram vossos paes assim, e nosso Deus não
trouxe todo este mal sobre nós e sobre esta cidade? e vós ainda mais
accrescentaes o ardor de _sua_ ira sobre Israel, profanando o sabbado.
19 Succedeu pois que, dando [20] as portas de Jerusalem já sombra antes
do sabbado, ordenando-o eu, as portas se fecharam; e mandei que as não
abrissem até passado o sabbado; e puz ás portas _alguns_ [21] de meus
moços, para que carga nenhuma entrasse no dia de sabbado.
20 Então os negociantes e os vendedores de toda a mercadoria passaram a
noite fóra de Jerusalem, uma ou duas vezes.
21 Protestei pois contra elles, e lhes disse: Porque passaes a noite
defronte do muro? se outra vez o fizerdes, hei de lançar mão de vós:
d’aquelle tempo em diante não vieram no sabbado.
22 Tambem disse aos levitas que se [22] purificassem, e viessem guardar
as portas, para sanctificar o sabbado. (N’isto tambem, Deus meu,
lembra-te de mim; e perdoa-me segundo a abundancia da tua benignidade.)
23 Vi tambem n’aquelles dias judeos que tinham [23] casado com mulheres
asdoditas, ammonitas, _e_ moabitas.
24 E seus filhos fallavam meio asdotita, e não podiam fallar judaico,
senão segundo a lingua de cada povo.
25 E contendi [24] com elles, e os amaldiçoei e espanquei _alguns_
d’elles, e lhes arranquei os cabellos, e os fiz jurar por [25] Deus,
_dizendo_: Não dareis mais vossas filhas a seus filhos, e não tomareis
mais suas filhas, _nem_ para vossos filhos nem para vós mesmos.
26 _Porventura_ [26] não peccou n’isto Salomão, rei d’Israel, não havendo
entre muitas gentes rei similhante a elle, e sendo amado de seu Deus, e
pondo-o Deus rei sobre todo o Israel? e _comtudo_ as mulheres estranhas o
fizeram peccar.
27 E dar-vos-hiamos _nós_ ouvidos, para [27] fazermos todo este grande
mal, prevaricando contra o nosso Deus, casando com mulheres estranhas?
28 Tambem _um_ dos filhos de Joiada, [28] filho d’Eliasib, o summo
sacerdote, era genro de Sanballat, o horonita, pelo que o afugentei de
mim.
29 Lembra-te d’elles, [29] Deus meu, pois contaminaram o sacerdocio, como
tambem o concerto do sacerdocio e dos levitas.
30 Assim os alimpei [30] de todo o estranho, e ordenei as guardas dos
sacerdotes e dos levitas, cada um na sua obra.
31 Como tambem para com as offertas [31] da lenha em tempos determinados,
e para com as primicias: lembra-te de mim, Deus meu, para bem.
[1] Deu. 31.11, 12. II Reis 23.2. cap. 8.3, 8 e 9.3. Isa. 34.16.
[2] Deu. 23.3, 4.
[3] Num. 22.5. Jos. 24.9, 10. Num. 23.11 e 24.10. Deu. 23.5.
[4] cap. 9.2 e 10.28.
[5] cap. 12.44.
[6] Num. 18.21, 24.
[7] cap. 5.14.
[8] ver. 1, 5.
[9] II Chr. 29.5, 15, 16, 18.
[10] Mal. 3.8. Num. 35.2.
[11] ver. 17, 25. Pro. 28.4. cap. 10.39.
[12] cap. 10.38, 39 e 12.44.
[13] II Chr. 31.12. cap. 12.44.
[14] cap. 7.2. I Cor. 4.2.
[15] ver. 22, 31. cap. 5.19.
[16] Exo. 20.10.
[17] cap. 10.31. Jer. 17.21, 22.
[18] ver. 11.
[19] Jer. 17.21, 22, 23.
[20] Lev. 23.32.
[21] Jer. 17.21, 22.
[22] cap. 12.30. ver. 14, 31.
[23] Esd. 9.2.
[24] ver. 11. Pro. 28.4.
[25] Esd. 10.5. cap. 10.29, 30.
[26] I Reis 11.1, etc. I Reis 3.13. II Chr. 1.12. II Sam. 12.24. I Reis
11.4, etc.
[27] Est. 10.2.
[28] cap. 12.10, 22.
[29] cap. 6.14. Mal. 2.4, 11, 12.
[30] cap. 10.30 e 12.1, etc.
[31] cap. 10.34. ver. 14, 22.
O LIVRO DE ESTHER.
_O banquete de Assuero._
[Antes de Christo 519]
1 E succedeu nos dias [1] de Assuero (este _é_ aquelle Assuero que reinou
desde a India até Ethiopia, _sobre_ cento e vinte e sete provincias):
2 N’aquelles dias, assentando-se [2] o rei Assuero sobre o throno do seu
reino, que _está_ na fortaleza de Susan,
3 No terceiro anno do seu reinado, fez [3] um convite a todos os seus
principes e seus servos (o poder da Persia e Media e os maiores senhores
das provincias _estavam_ perante elle),
4 Para mostrar as riquezas da gloria do seu reino, e o esplendor da sua
excellente grandeza, por muitos dias, _a saber_: cento e oitenta dias.
5 E, acabados aquelles dias, fez o rei _um_ convite a todo o povo que se
achou na fortaleza de Susan, desde o maior até ao menor, por sete dias,
no pateo do jardim do palacio real.
6 _As tapeçarias eram_ de branco, verde, e azul celeste, pendentes
de cordões de linho fino e purpura, e argolas de prata, e columnas
de marmore: [4] os leitos d’oiro e de prata, sobre um pavimento de
porphyro, e de marmore, e d’alabastro, e de pedras preciosas.
7 E dava-se de beber em vasos d’oiro, e os vasos eram differentes uns dos
outros; e havia muito vinho real, segundo o estado do rei.
8 E o beber _era_ por lei, que ninguem forçasse _a outro_: porque assim
o tinha ordenado o rei expressamente a todos os grandes da sua casa, que
fizessem conforme á vontade de cada um.
9 Tambem a rainha Vasthi fez um convite ás mulheres, na casa real, que
_tinha_ o rei Assuero.
_Vasthi, a rainha, recusa assistir ao banquete._
10 E ao setimo dia, [5] estando já o coração do rei alegre do vinho,
mandou a Mehuman, Biztha, [6] Harbona, Bigtha, e Abagtha, Zethar, e a
Carchas, os sete eunuchos que serviam na presença do rei Assuero,
11 Que introduzissem na presença do rei a rainha Vasthi, com a corôa
real, para mostrar aos povos e aos principes a sua formosura, porque era
formosa á vista.
12 Porém a rainha Vasthi recusou vir _conforme_ á palavra do rei, pela
mão dos eunuchos; pelo que o rei muito se enfureceu, e ardeu n’elle a sua
ira.
13 Então disse o rei aos sabios que entendiam [7] dos tempos (porque
assim se tratavam os negocios do rei na presença de todos os que sabiam a
lei e o direito;
14 E os mais chegados a elle _eram_: Carsena, Sethar, Admatha, Tarsis,
Meres, Marsena, Memuchan, os [8] sete principes dos persas e dos medos,
que viam a face do rei, e se assentavam os primeiros no reino).
15 Que, segundo a lei, se devia fazer da rainha Vasthi, por não haver
feito o mandado do rei Assuero, pela mão dos eunuchos?
16 Então disse Memuchan na presença do rei e dos principes: Não sómente
peccou contra o rei a rainha Vasthi, porém tambem contra todos os
principes, e contra todos os povos que _ha_ em todas as provincias do rei
Assuero.
17 Porque _a noticia d’este_ feito da rainha sairá a todas as mulheres,
[9] de modo que desprezarão a seus maridos aos seus olhos quando se
disser: Mandou o rei Assuero que introduzissem á sua presença a rainha
Vasthi, porém ella não veiu.
18 E n’este _mesmo_ dia as princezas da Persia e da Media dirão _o mesmo_
a todos os principes do rei, ouvindo o feito da rainha: e _assim haverá_
assaz desprezo e indignação.
19 Se bem parecer ao rei, saia da sua parte um edicto real, e escreva-se
nas leis dos persas e dos medos, e não se quebrante, _a saber_: que
Vasthi não entre _mais_ na presença do rei Assuero, e o rei dê o reino
d’ella á sua companheira que seja melhor do que ella.
20 E, ouvindo-se o mandado, que o rei mandar em todo o seu reino (ainda
que é grande), todas [10] as mulheres darão honra a seus maridos, desde a
maior até á menor.
21 E pareceram bem estas palavras aos olhos do rei e dos principes: e fez
o rei conforme á palavra de Memuchan.
22 Então enviou cartas a todas [11] as provincias do rei, a cada
provincia segundo a sua escriptura, e a cada povo segundo a sua lingua:
[12] que cada homem fosse senhor em sua casa, e _que se_ publicasse
conforme á lingua do seu povo.
[1] Esd. 4.6. Dan. 9.1. cap. 8.9. Dan. 6.1.
[2] I Reis 1.46. Neh. 1.1.
[3] Gen. 40.20. cap. 2.18. Mar. 6.21.
[4] cap. 7.8. Eze. 23.41. Amós 2.8 e 6.4.
[5] II Sam. 13.28.
[6] cap. 7.9.
[7] Jer. 10.7. Dan. 2.12. Mat. 2.1. I Chr. 12.32.
[8] Esd. 7.14. II Reis 25.19.
[9] Eph. 5.33.
[10] Eph. 5.33. Col. 3.18. I Ped. 3.1.
[11] cap. 8.9.
[12] Eph. 5.22, 23, 24. I Tim. 2.12.
_Assuero casa com Esther._
[Antes de Christo 518]
2 Passadas estas coisas, e apaziguado já o furor do rei Assuero,
lembrou-se de Vasthi, e do que fizera, e do que se tinha decretado [1] a
seu respeito.
2 Então disseram os mancebos do rei, que lhe serviam: Busquem-se para o
rei moças virgens, formosas á vista.
3 E ponha o rei commissarios em todas as provincias do seu reino, que
ajuntem a todas as moças virgens, formosas á vista, na fortaleza de
Susan, na casa das mulheres, debaixo da mão d’Hegai, eunucho do rei,
guarda das mulheres, e dêem-se-lhes os seus enfeites.
4 E a moça que parecer bem aos olhos do rei, reine em logar de Vasthi. E
isto pareceu bem aos olhos do rei, e assim fez.
5 Havia então um homem judeo na fortaleza de Susan, cujo nome _era_
Mardoqueo, filho de Jair, filho de Simei, filho de Kis, homem benjamita,
6 Que [2] fôra transportado de Jerusalem, com os transportados que
foram transportados com Jechonias, rei de Judah, o qual transportara
Nabucodonosor, rei de Babylonia.
7 Este criara a [3] Hadassa (que _é_ Esther, filha de seu tio), porque
não tinha pae nem mãe: e era moça bella de parecer, e formosa á vista; e,
morrendo seu pae e sua mãe, Mardoqueo a tomara por sua filha.
8 Succedeu pois que, divulgando-se o mandado do rei e a sua lei, e
ajuntando-se muitas moças na fortaleza de [4] Susan, debaixo da mão
d’Hegai, tambem levaram Esther á casa do rei, debaixo da mão d’Hegai,
guarda das mulheres.
9 E a moça pareceu formosa aos seus olhos, e alcançou graça perante elle;
pelo que se apressurou [5] com os seus enfeites, e em lhe dar os seus
quinhões, como tambem em lhe dar sete moças de respeito da casa do rei; e
a fez passar com as suas moças ao melhor _logar_ da casa das mulheres.
10 Esther [6] porém não declarou o seu povo e a sua parentela; porque
Mardoqueo lhe tinha ordenado que o não declarasse.
11 E passeava Mardoqueo cada dia diante do pateo da casa das mulheres,
para se informar de como Esther passava, e do que lhe succederia.
12 E, chegando já a vez de cada moça, para vir ao rei Assuero, depois
que fôra feito a ella segundo a lei das mulheres, por doze mezes (porque
assim se cumpriam os dias das suas purificações), seis mezes com oleo de
myrrha, e seis mezes com especiarias, e com as coisas para a purificação
das mulheres:
13 D’esta maneira pois entrava a moça ao rei: tudo quanto ella dizia se
lhe dava, para se ir com aquillo da casa das mulheres á casa do rei:
14 Á tarde entrava, e pela manhã tornava á segunda casa das mulheres,
debaixo da mão de Saasgaz, eunucho do rei, guarda das concubinas: não
tornava mais ao rei, salvo se o rei a desejasse, e fosse chamada por nome.
15 Chegando pois a vez d’Esther, filha [7] d’Abihail, tio de Mardoqueo
(que a tomara por sua filha), para ir ao rei, coisa nenhuma pediu, senão
o que disse Hegai, eunucho do rei, guarda das mulheres: e alcançava
Esther graça aos olhos de todos quantos a viam.
[Antes de Christo 514]
16 Assim foi levada Esther ao rei Assuero, á sua casa real, no decimo
mez, que _é_ o mez de tebeth, no setimo anno do seu reinado.
17 E o rei amou a Esther mais do que a todas as mulheres, e alcançou
perante elle graça e benevolencia mais do que todas as virgens: e poz a
corôa real na sua cabeça, e a fez rainha em logar de Vasthi.
18 Então o rei fez _um_ grande convite a [8] todos os seus principes
e aos seus servos, _que era_ o convite d’Esther: e deu repouso ás
provincias, e fez presentes segundo o estado do rei.
19 E ajuntando-se segunda vez as virgens, [9] Mardoqueo estava assentado
á porta do rei.
20 Esther [10] _porém_ não declarava a sua parentela e o seu povo, como
Mardoqueo lhe ordenara; porque Esther fazia o mandado de Mardoqueo, como
quando a criara.
_Mardoqueo descobre uma conspiração._
21 N’aquelles dias, assentando-se Mardoqueo á porta do rei, dois
eunuchos do rei, dos guardas da porta, Bigthan e Theres, grandemente se
indignaram, e procuraram pôr as mãos no rei Assuero.
22 E veiu isto ao conhecimento de Mardoqueo, [11] e elle fez saber á
rainha Esther, e Esther o disse ao rei, em nome de Mardoqueo.
23 E inquiriu-se o negocio, e se descobriu, e ambos foram enforcados
n’uma forca: e foi escripto [12] nas chronicas perante o rei.
[1] cap. 1.19, 20.
[2] II Reis 24.14, 15. II Chr. 36.10, 20. Jer. 24.1.
[3] ver. 15.
[4] ver. 3.
[5] ver. 3, 12.
[6] ver. 20.
[7] ver. 7.
[8] cap. 1.3.
[9] ver. 21. cap. 3.2.
[10] ver. 10.
[11] cap. 6.2.
[12] cap. 6.1.
_Haman é exaltado, e cria odio a Mardoqueo._
[Antes de Christo 510]
3 Depois d’estas coisas o rei Assuero engrandeceu a Haman, filho
d’Hammedatha, [1] agagita, e o exaltou: e poz o seu assento acima de
todos os principes que _estavam_ com elle.
2 E todos os servos do rei, que _estavam_ [2] á porta do rei, se
inclinavam e se prostravam perante Haman; porque assim tinha ordenado o
rei ácerca d’elle: porém Mardoqueo [3] não se inclinava nem se prostrava.
3 Então os servos do rei, que _estavam_ á porta do rei, disseram a
Mardoqueo: Porque traspassas o [4] mandado do rei?
4 Succedeu pois que, dizendo-lhe elles _isto_ de dia em dia, e não lhes
dando elle ouvidos, o fizeram saber a Haman, para verem se as palavras
de Mardoqueo se sustentariam, porque elle lhes tinha declarado que _era_
judeo.
5 Vendo pois Haman que Mardoqueo se não inclinava nem se prostrava diante
d’elle, [5] Haman se encheu de furor.
6 Porém em seus olhos teve em pouco de pôr as mãos só em Mardoqueo
(porque lhe haviam declarado o povo de Mardoqueo); Haman pois procurou
destruir a todos os judeos que _havia_ em todo o reino d’Assuero, ao povo
de Mardoqueo.
_Haman pretende matar todos os judeos._
7 No primeiro mez (que é o mez de nisan), no anno duodecimo do rei
Assuero, se lançou pur, isto [6] é, sorte, perante Haman, de dia em dia,
e de mez em mez, até ao duodecimo _mez_, que é o mez d’adar.
8 E Haman disse ao rei Assuero: Ha um povo espargido e dividido entre
os povos em todas as provincias do teu reino, [7] cujas leis _são_
differentes _das leis_ de todos os povos, e tão pouco fazem as leis do
rei; pelo que não convém ao rei deixal-os _ficar_.
9 Se bem parecer ao rei, escreva-se que os matem: e eu porei nas mãos
dos que fizerem a obra dez mil talentos de prata, para que se mettam nos
thesouros do rei.
10 Então tirou o rei [8] o seu annel da sua mão, e o deu a Haman, filho
d’Hammedatha, agagita, adversario dos judeos.
11 E disse o rei a Haman: Essa prata te é dada, como tambem esse povo,
para fazeres d’elle o que bem _parecer_ aos teus olhos.
12 Então [9] chamaram os escrivães do rei no primeiro mez, no dia treze
do mesmo, e conforme a tudo quanto Haman mandou se escreveu aos principes
do rei, e aos governadores que _havia_ sobre cada provincia, e aos
principaes de cada povo; a cada provincia segundo a sua escriptura, e a
cada povo segundo [10] a sua lingua; em nome do rei Assuero se escreveu,
e com o annel do rei se sellou.
13 E as cartas se enviaram pela mão [11] dos correios a todas as
provincias do rei, que destruissem, matassem, e lançassem a perder a
todos os judeos desde o moço até ao velho, creanças e mulheres, em um
_mesmo_ dia, a treze do duodecimo mez (que é o mez d’adar), [12] e que
saqueassem o seu despojo.
14 Uma copia [13] do escripto que se proclamasse lei em cada provincia
era publicada a todos os povos, para que estivessem preparados para
aquelle dia.
15 Os correios, pois, impellidos pela palavra do rei, sairam, e a lei se
proclamou na fortaleza de Susan; e o rei e Haman se assentaram a beber;
porém a cidade de Susan [14] estava confusa.
[1] Num. 24.7. I Sam. 15.8.
[2] cap. 2.19.
[3] ver. 5.
[4] ver. 2.
[5] ver. 2. cap. 5.9. Dan. 3.19.
[6] cap. 9.24.
[7] Esd. 4.13. Act. 16.20.
[8] Gen. 41.42. cap. 8.2, 8.
[9] cap. 8.9.
[10] cap. 1.22 e 8.9.
[11] I Reis 21.8. cap. 8.8, 10, 12, etc.
[12] cap. 8.11.
[13] cap. 8.13, 14.
[14] cap. 8.15. Pro. 29.2.
_A consternação e tristeza dos judeos._
4 Quando Mardoqueo soube tudo quanto havia passado, [1] rasgou Mardoqueo
os seus vestidos, e vestiu-se de _um_ sacco com cinza, e saiu pelo meio
da cidade, e clamou com grande e amargo clamor;
2 E chegou até diante da porta do rei: porque ninguem vestido de sacco
podia entrar pelas portas do rei.
3 E em todas as provincias aonde a palavra do rei e a sua lei chegava,
havia entre os judeos grande luto, com jejum, e choro, e lamentação: _e_
muitos estavam deitados em sacco e em cinza.
4 Então vieram as moças de Esther, e os seus eunuchos, e fizeram-lh’o
saber, do que a rainha muito se doeu: e mandou vestidos para vestir a
Mardoqueo, e tirar-lhe o seu sacco; porém elle os não acceitou.
5 Então Esther chamou a Hathach (_um dos_ eunuchos do rei, que _este_
tinha posto na presença d’ella), e deu-lhe mandado para Mardoqueo; para
saber que _era_ aquillo; e para quê.
6 E, saindo Hathach a Mardoqueo, á praça da cidade, que _estava_ diante
da porta do rei,
7 Mardoqueo lhe fez saber tudo quanto lhe tinha succedido; como tambem a
offerta [2] da prata, que Haman dissera que daria para os thesouros do
rei, pelos judeos, para os lançar a perder.
8 Tambem lhe deu a copia da lei escripta, [3] que se publicara em Susan,
para os destruir, para _a_ mostrar a Esther, e a fazer saber: e para lhe
ordenar que, se fosse _ter com_ o rei, e lhe pedisse e supplicasse na sua
presença pelo seu povo.
9 Veiu pois Hathach, e fez saber a Esther as palavras de Mardoqueo.
10 Então disse Esther a Hathach, e mandou-lhe _dizer_ a Mardoqueo:
11 Todos os servos do rei, e o povo das provincias do rei, bem sabem que
todo o homem ou mulher que entrar no pateo interior ao rei [4] sem ser
chamado _não ha senão_ uma sentença, que morra, salvo se o rei estender
para elle o sceptro d’oiro, para que viva; e eu estes trinta dias não sou
chamada para entrar ao rei.
12 E fizeram saber a Mardoqueo as palavras d’Esther.
13 Então disse Mardoqueo que tornassem a dizer a Esther: Não imagines em
teu animo que escaparás na casa do rei, mais do que todos os _outros_
judeos.
14 Porque, se de todo te calares n’este tempo, soccorro e livramento
d’outra parte sairá para os judeos, mas tu e a casa de teu pae
perecereis: e quem sabe se para tal tempo como este chegaste a este reino?
15 Então disse Esther que tornassem _a dizer_ a Mardoqueo:
16 Vae, ajunta a todos os judeos que se acharem em Susan, e jejuae por
mim, e não comaes nem bebaes por [5] tres dias, nem de dia nem de noite,
_e_ eu e as minhas moças tambem assim jejuaremos: e assim entrarei a ter
com o rei, ainda que não _é_ segundo a lei; e, perecendo, pereça.
17 Então Mardoqueo foi, e fez conforme a tudo quanto Esther lhe ordenou.
[1] II Sam. 1.11. Jos. 7.6. Eze. 27.30. Gen. 27.34.
[2] cap. 3.9.
[3] cap. 3.14, 15.
[4] cap. 5.1. Dan. 2.9. cap. 5.2 e 8.4.
[5] cap. 3.5.
_Esther entra á presença do rei, e convida-o, e a Haman, para dois
banquetes._
5 Succedeu pois que ao terceiro dia [1] Esther se vestiu _de seus
vestidos_ reaes, e se poz no pateo interior da casa do rei, defronte do
aposento do rei: e o rei estava assentado sobre o seu throno real, na
casa real defronte da porta do aposento.
2 E succedeu que, vendo o rei a rainha Esther, que estava no pateo,
alcançou graça aos seus [2] olhos, que o rei apontou para Esther com o
sceptro d’oiro, que _tinha_ na sua mão, e Esther chegou, e tocou a ponta
do sceptro.
3 Então o rei lhe disse: Que _é_ o que tens, rainha Esther? ou qual é a
tua petição? até metade [3] do reino se te dará:
4 E disse Esther: Se bem parecer ao rei, venha o rei e Haman hoje ao
convite que lhe tenho preparado.
5 Então disse o rei: Fazei apressar a Haman, que faça o mandado d’Esther.
Vindo pois o rei e Haman ao banquete, que Esther tinha preparado,
6 Disse [4] o rei a Esther, no banquete do vinho: Qual _é_ a tua petição?
e se te dará: e qual é o teu requerimento? e se fará ainda até metade do
reino.
7 Então respondeu Esther, e disse: Minha petição e requerimento _é_:
8 Se achei graça aos olhos do rei, e se bem parecer ao rei conceder-me a
minha petição, e outorgar-me o meu requerimento, venha o rei com Haman ao
banquete que lhes hei de preparar, e ámanhã farei conforme ao mandado do
rei.
9 Então saiu Haman n’aquelle dia alegre e de bom animo: porém, vendo
Haman a Mardoqueo á porta do rei, e que não se levantara [5] nem se
movera por elle, então Haman se encheu de furor contra Mardoqueo.
10 Haman porém se refreou, e veiu á sua casa: e enviou, e mandou vir os
seus amigos, e a Zeres sua mulher.
11 E contou-lhes Haman a gloria das suas riquezas [6] e a multidão de
seus filhos, e tudo em que o rei o tinha engrandecido, e o em que o tinha
exaltado sobre os principes e servos do rei.
12 Disse mais Haman: Tão pouco a rainha Esther a ninguem fez vir com o
rei ao banquete que tinha preparado, senão a mim: e tambem para ámanhã
estou convidado por ella juntamente com o rei.
13 Porém tudo isto me não satisfaz, emquanto vir o judeo Mardoqueo
assentado á porta do rei.
14 Então lhe disse Zeres, sua mulher, e todos os seus amigos: Faça-se
uma forca [7] de cincoenta covados d’altura, e ámanhã dize ao rei que
enforquem n’ella Mardoqueo, e então entra com o rei alegre ao convite. E
este conselho bem pareceu a Haman, e mandou fazer [8] a forca.
[1] cap. 4.16. cap. 4.11. cap. 6.4.
[2] Pro. 21.1. cap. 4.11 e 8.4.
[3] Mar. 6.23.
[4] cap. 7.2 e 9.12.
[5] cap. 3.5.
[6] cap. 9.7, etc. cap. 3.1.
[7] cap. 7.9. cap. 6.4.
[8] cap. 7.10.
_O rei lê as chronicas e determina honrar Mardoqueo._
6 N’aquella mesma noite fugiu o somno do rei: então mandou trazer o livro
[1] das memorias das chronicas, e se leram diante do rei.
2 E achou-se escripto que Mardoqueo tinha dado noticia de Bigthan e de
Teres, dois eunuchos do rei, dos da guarda da porta, que procuraram pôr
as mãos no rei Assuero.
3 Então disse o rei: Que honra e magnificencia se fez por isto a
Mardoqueo? E os mancebos do rei, seus servos, disseram: Coisa nenhuma se
lhe fez.
4 Então disse o rei: Quem _está_ no pateo? E Haman tinha [2] entrado no
pateo exterior do rei, para dizer ao rei que enforcassem a Mardoqueo na
forca que lhe tinha preparado.
5 E os mancebos do rei lhe disseram: Eis que Haman está no pateo. E disse
o rei que entrasse.
6 E, entrando Haman, o rei lhe disse: Que se fará ao homem de cuja honra
o rei se agrada? Então Haman disse no seu coração: De quem se agradará o
rei para _lhe_ fazer honra mais do que a mim?
7 Pelo que disse Haman ao rei: O homem de cuja honra o rei se agrada,
8 Traga o vestido real de que o rei se costuma vestir, como tambem o
cavallo em que o rei costuma andar montado, [3] e ponha-se-lhe a corôa
real na sua cabeça;
9 E entregue-se o vestido e o cavallo, á mão d’um dos principes do
rei, dos maiores senhores, e vistam d’elle aquelle homem de cuja honra
se agrada: e levem-n’o a cavallo pelas ruas da cidade, [4] e apregôe-se
diante d’elle: Assim se fará ao homem de cuja honra o rei se agrada!
10 Então disse o rei a Haman: Apressa-te, toma o vestido e o cavallo,
como disseste, e faze assim para com o judeo Mardoqueo, que está
assentado á porta do rei; e coisa nenhuma deixes cair de tudo quanto
disseste.
11 E Haman tomou o vestido e o cavallo, e vestiu a Mardoqueo, e o levou a
cavallo pelas ruas da cidade, e apregoou diante d’elle: Assim se fará ao
homem de cuja honra o rei se agrada!
12 Depois d’isto Mardoqueo voltou para a porta do rei: porém Haman se
retirou [5] correndo a sua casa, anojado, e coberta a cabeça.
13 E contou Haman a Zeres, sua mulher, e a todos os seus amigos, tudo
quanto lhe tinha succedido. Então os seus sabios, e Zeres, sua mulher,
lhe disseram: Se Mardoqueo, diante de quem _já_ começaste a cair, _é_ da
semente dos judeos, não prevalecerás contra elle, antes certamente cairás
perante elle.
14 Estando elles ainda fallando com elle, chegaram os eunuchos do rei, e
se apressaram a levar Haman [6] ao banquete que Esther preparara.
[1] cap. 2.23.
[2] cap. 5.1, 14.
[3] I Reis 1.33.
[4] Gen. 41.43.
[5] II Chr. 26.20.
[6] cap. 5.8.
_Esther denuncia Haman._
7 Vindo pois o rei com Haman, para beber com a rainha Esther,
2 Disse tambem o rei a Esther no segundo dia, [1] no banquete do vinho:
Qual _é_ a tua petição, rainha Esther? e se te dará: e qual é o teu
requerimento? até metade do reino, se fará.
3 Então respondeu a rainha Esther, e disse: Se, ó rei, achei graça aos
teus olhos, e se bem parecer ao rei, dê-se-me a minha vida como minha
petição, e o meu povo como meu requerimento.
4 Porque estamos vendidos, eu e o meu povo, [2] para _nos_ destruirem,
matarem, e lançarem a perder: se ainda por servos e por servas nos
vendessem, calar-me-hia; ainda que o oppressor não recompensaria a perda
do rei.
5 Então fallou o rei Assuero, e disse á rainha Esther: Quem é esse? e
onde _está_ esse, cujo coração o instigou a assim fazer?
6 E disse Esther: O homem, o oppressor, e o inimigo, é este mau Haman.
Então Haman se perturbou perante o rei e a rainha.
7 E o rei no seu furor se levantou do banquete do vinho para o jardim do
palacio; e Haman se poz em pé, para rogar á rainha Esther pela sua vida;
porque viu que já o mal lhe era determinado pelo rei.
8 Tornando pois o rei do jardim do palacio á casa do banquete do vinho,
Haman tinha caido prostrado [3] sobre o leito em que _estava_ Esther.
Então disse o rei: _Porventura_ quereria elle tambem forçar a rainha
perante mim n’esta casa? Saindo esta palavra da bocca do rei, cobriram a
Haman [4] o rosto.
9 Então disse Harbona, [5] um dos eunuchos _que serviam_ diante do rei:
Eis aqui tambem a [6] forca de cincoenta covados de altura que Haman
fizera para Mardoqueo, que fallara para bem do rei, está junto á casa de
Haman. Então disse o rei: Enforcae-o n’ella.
10 Enforcaram pois a [7] Haman na forca, que elle tinha preparado para
Mardoqueo. Então o furor do rei se aplacou.
[1] cap. 5.6.
[2] cap. 3.9 e 4.7.
[3] cap. 1.6.
[4] Job 9.24.
[5] cap. 1.10.
[6] cap. 5.14. Pro. 11.5, 6.
[7] Dan. 6.24.
_O rei concede a Mardoqueo um edicto em favor dos judeos._
8 N’aquelle mesmo dia deu o rei Assuero á rainha Esther a casa d’Haman,
inimigo dos judeos: e Mardoqueo veiu perante o rei; porque Esther tinha
declarado [1] o que lhe era.
2 E tirou [2] o rei o seu annel, que tinha tomado a Haman, e o deu a
Mardoqueo. E Esther ordenou a Mardoqueo sobre a casa d’Haman.
3 Fallou mais Esther perante o rei, e se lhe lançou aos pés: e chorou, e
lhe supplicou que revogasse a maldade d’Haman, o agagita, e o seu intento
que tinha intentado contra os judeos.
4 E estendeu o rei [3] para Esther o sceptro de oiro. Então Esther se
levantou, e se poz em pé perante o rei,
5 E disse: Se bem parecer ao rei, e se eu achei graça perante elle, e
_se_ este negocio é recto diante do rei, e _se_ eu lhe agrado aos seus
olhos, escreva-se que se revoguem as cartas e o intento d’Haman filho
d’Hammedatha, o agagita, as quaes elle escreveu para lançar a perder os
judeos, que _ha_ em todas as provincias do rei.
6 Porque [4] como poderei ver o mal que sobrevirá ao meu povo? e como
poderei ver a perdição da minha geração?
7 Então disse o rei Assuero á rainha Esther e ao judeo Mardoqueo:
Eis-que dei [5] a Esther a casa de Haman, e a elle enforcaram n’uma
forca, porquanto _quizera_ pôr as mãos nos judeos.
8 Escrevei pois aos judeos, como _parecer_ bem aos vossos olhos, em nome
do rei, e sellae-o com o annel do rei; porque [6] a escriptura que se
escreve em nome do rei, e se sella com o annel do rei, não é para revogar.
9 Então foram chamados [7] os escrivães do rei, n’aquelle mesmo tempo, e
no mez terceiro (que _é_ o mez de sivan), aos vinte e tres do mesmo, e se
escreveu conforme a tudo quanto ordenou Mardoqueo aos judeos, como tambem
aos satrapas, e aos governadores, e aos maioraes das provincias, que _se
estendem_ [8] da India até Ethiopia, cento e vinte e sete provincias, a
cada provincia segundo a sua escriptura, e a cada povo conforme a sua
lingua: como tambem aos judeos segundo a sua escriptura, e conforme a sua
lingua.
10 E se escreveu [9] em nome do rei Assuero, e se sellou com o annel
do rei: e se enviaram as cartas pela mão de correios a cavallo, e que
cavalgavam sobre ginetes, _e sobre_ mulas _e_ filhos de eguas.
11 Que o rei concedia aos judeos, que havia em cada cidade, que se
ajuntassem, e se dispozessem para defenderem as suas vidas: para
destruirem, matarem e assolarem a todas as forças do povo e provincia que
com elles apertassem, creanças e mulheres, e que se [10] saqueassem os
seus despojos,
12 N’um mesmo [11] dia, em todas as provincias do rei Assuero, no _dia_
treze do duodecimo mez, que é o mez d’adar.
13 E a copia [12] da carta foi que uma ordem se annunciaria em todas as
provincias, publicamente a todos os povos, para que os judeos estivessem
preparados para aquelle dia, para se vingarem dos seus inimigos.
14 Os correios sobre ginetes _e_ mulas apressuradamente sairam,
impellidos pela palavra do rei: e foi publicada esta ordem na fortaleza
de Susan.
15 Então Mardoqueo saiu da presença do rei com um vestido real azul
celeste e branco, como tambem com uma grande corôa d’oiro, e com uma capa
de linho fino e purpura, [13] e a cidade de Susan jubilou e se alegrou.
16 _E_ para os judeos houve luz, e alegria, e gozo, e honra.
17 Tambem em toda a provincia, e em toda a cidade, aonde chegava a
palavra do rei e a sua ordem, havia entre os judeos alegria, e gozo,
convites [14] e dias de folguedo: e muitos dos povos da terra se fizeram
judeos; porque o temor dos judeos [15] tinha caido sobre elles.
[1] cap. 2.7.
[2] cap. 3.10.
[3] cap. 4.11 e 5.2.
[4] Neh. 2.3. cap. 7.4.
[5] ver. 1. Pro. 13.22.
[6] cap. 1.19. Dan. 6.8, 12, 15.
[7] cap. 3.12.
[8] cap. 1.32 e 3.12.
[9] I Reis 21.8. cap. 3.12, 13.
[10] cap. 9.10, 15, 16.
[11] cap. 3.13, etc. e 9.1.
[12] cap. 3.14, 15.
[13] cap. 3.15. Pro. 29.2.
[14] I Sam. 25.8. cap. 9.19, 22.
[15] Gen. 35.5. Exo. 15.16. Deu. 2.25 e 11.25. cap. 9.2.
_Os judeos matam os seus inimigos._
[Antes de Christo 509]
9 E no [1] mez duodecimo, que _é_ o mez d’adar, no dia treze do mesmo
_mez_ em que chegou a palavra do rei e a sua ordem para a executar, no
dia em que os inimigos dos judeos esperavam assenhorear-se d’elles,
succedeu o contrario, porque os judeos foram os [2] que se assenhorearam
dos seus aborrecedores.
2 _Porque_ os judeos nas suas cidades, em todas as provincias do rei
Assuero, [3] se ajuntaram para pôr as mãos n’aquelles que procuravam o
seu mal: e nenhum parou diante d’elles; porque o seu terror caiu [4]
sobre todos aquelles povos.
3 E todos os maioraes das provincias, e os satrapas, e os governadores, e
os que faziam a obra do rei, exaltavam os judeos porque tinha caido sobre
elles o temor de Mardoqueo.
4 Porque Mardoqueo _era_ grande na casa do rei, e a sua fama sahia por
todas as provincias; porque o homem Mardoqueo se ia engrandecendo.
5 Feriram pois os judeos a todos os seus inimigos, ás cutiladas da
espada, e da matança e da destruição: e fizeram dos seus aborrecedores o
que quizeram.
6 E na fortaleza de Susan mataram e destruiram os judeos quinhentos
homens;
7 Como tambem a Parsandatha, e a Dalphon, e a Aspatha,
8 E a Poratha, e a Adalia, e a Aridatha,
9 E a Pharmasta, e a Arisai, e a Aridai, e a Vaizatha:
10 Os dez filhos d’Haman, filho d’Hammedatha, o inimigo dos judeos,
mataram, [5] porém ao despojo não estenderam a sua mão.
11 No mesmo dia veiu perante o rei o numero dos mortos na fortaleza de
Susan.
12 E disse o rei á rainha Esther: Na fortaleza de Susan mataram e
destruiram os judeos quinhentos homens, e os dez filhos d’Haman; nas
mais provincias do rei que fariam? qual é pois a [6] tua petição, e
dar-se-te-ha; ou qual é ainda o teu requerimento? e far-se-ha.
13 Então disse Esther: Se bem parecer [7] ao rei, conceda-se tambem
ámanhã aos judeos que _se acham_ em Susan que façam conforme ao mandado
d’hoje: e enforquem os dez filhos d’Haman n’_uma_ forca.
14 Então disse o rei que assim se fizesse; e deu-se _um_ edicto em Susan,
e enforcaram os dez filhos d’Haman.
15 E ajuntaram-se [8] os judeos que _se achavam_ em Susan tambem no dia
quatorze do mez d’adar, e mataram em Susan a trezentos homens: porém ao
despojo não estenderam a sua mão.
16 Tambem os demais [9] judeos que se achavam nas provincias do rei se
ajuntaram para se pôrem em defeza da sua vida, e tiveram repouso dos seus
inimigos; e mataram dos seus aborrecedores setenta e cinco mil; porém ao
despojo não [10] estenderam a sua mão.
17 _Succedeu isto_ no dia treze [11] do mez d’adar: e repousaram no dia
quatorze do mesmo, e fizeram d’aquelle _dia_ dia de banquetes e d’alegria.
18 Tambem os judeos, que _se achavam_ em Susan se ajuntaram nos dias
treze e quatorze do mesmo: e repousaram no dia quinze do mesmo, e fizeram
d’aquelle _dia_ dia de banquetes e d’alegria.
19 Os judeos porém das aldeias, que habitavam nas villas, fizeram do
_dia_ quatorze [12] do mez d’adar dia d’alegria e de banquetes, e dia de
folguedo, e de mandarem presentes uns aos outros.
_A festa de purim._
20 E Mardoqueo escreveu estas coisas, e enviou cartas a todos os judeos
que _se achavam_ em todas as provincias do rei Assuero, aos de perto, e
aos de longe,
21 Ordenando-lhes que guardassem o dia quatorze do mez d’adar, e o dia
quinze do mesmo, todos os annos,
22 Conforme aos dias em que os judeos tiveram repouso dos seus inimigos;
e ao mez que se lhes mudou de tristeza em alegria, e de luto em dia
de folguedo; para que os fizessem dias de banquetes e d’alegria, e de
mandarem [13] presentes uns aos outros, e aos pobres dadivas.
23 E se encarregaram os judeos de fazerem o que _já_ tinham começado,
como tambem o que Mardoqueo lhes tinha escripto.
24 Porque Haman, filho d’Hammedatha, o agagita, [14] inimigo de todos os
judeos, tinha intentado destruir os judeos; e tinha lançado pur, isto é,
a sorte, para os assolar e destruir.
25 Mas, vindo isto perante o rei, mandou elle por cartas que o seu mau
intento, que intentara contra os judeos, se tornasse sobre [15] a sua
cabeça; pelo que o enforcaram a elle e a seus filhos n’uma forca.
26 Por isso áquelles dias chamam purim, do nome pur; pelo que _tambem_
por _causa de_ todas as palavras d’aquella carta, [16] e do que viram
sobre isso, e do que lhes tinha succedido,
27 Confirmaram os judeos, [17] e tomaram sobre si, e sobre a sua semente,
e sobre todos os que se achegassem a elles, que não se deixaria de
guardar estes dois dias conforme ao que se escrevêra d’elles, e segundo o
seu tempo determinado, todos os annos.
28 E que estes dias seriam lembrados e guardados por cada geração,
familia, provincia, e cidade, e que estes dias de purim não traspassariam
d’entre os judeos, e que a memoria d’elles nunca teria fim entre os de
sua semente.
29 Depois d’isto escreveu a rainha Esther, [18] filha d’Abigail, e
Mardoqueo o judeo, com toda a força, para confirmarem segunda vez esta
carta de purim.
30 E mandaram cartas a todos os judeos, ás [19] cento e vinte e sete
provincias do reino d’Assuero, com palavras de paz e fidelidade,
31 Para confirmarem estes dias de purim nos seus tempos _determinados_,
como Mardoqueo, o judeo, e a rainha Esther lhes tinham estabelecido,
e como elles mesmos _já_ o tinham estabelecido sobre si e sobre a sua
semente, ácerca do jejum e do seu [20] clamor.
32 E o mandado d’Esther estabeleceu os successos d’aquelle purim: e
escreveu-se n’_um_ livro.
[1] cap. 8.12. cap. 3.13.
[2] II Sam. 22.41.
[3] cap. 8.11. ver. 16.
[4] cap. 8.17.
[5] cap. 5.11. Job 18.19 e 27.13, 14, 15. cap. 8.11.
[6] cap. 5.6 e 7.2.
[7] cap. 8.11. II Sam. 21.6, 9.
[8] ver. 2. cap. 8.11. ver. 10.
[9] ver. 2. cap. 8.11.
[10] cap. 8.11.
[11] ver. 11, 15.
[12] Deu. 16.11, 14. cap. 8.17. ver. 22. Neh. 8.10, 12.
[13] ver. 19. Neh. 8.11.
[14] cap. 3.6, 7.
[15] ver. 13, 14. cap. 7.5, etc. e 8.3, etc. cap. 7.10.
[16] ver. 20.
[17] cap. 8.17. Isa. 56.3, 6. Zac. 2.11.
[18] cap. 2.15. cap. 8.10. ver. 20.
[19] cap. 1.1.
[20] cap. 2.3 e 34.6.
_Exaltação de Mardoqueo._
10 Depois d’isto poz o rei Assuero tributo sobre a terra, e _sobre_ [1]
as ilhas do mar,
2 E todas as obras do seu poder e do seu valor, e a declaração da
grandeza de [2] Mardoqueo, a quem o rei engrandeceu, _porventura_ não
_estão_ escriptas no livro das chronicas dos reis da Media e da Persia?
3 Porque o judeo Mardoqueo _foi_ o segundo [3] depois do rei Assuero,
e grande para com os judeos, e agradavel para com a multidão de seus
irmãos, que procurava o [4] bem do seu povo, e fallava pela prosperidade
de toda a sua nação.
[1] Gen. 10.5. Isa. 24.15.
[2] cap. 8.15 e 9.4.
[3] Gen. 41.40. II Chr. 28.7.
[4] Neh. 2.10.
[MT] O LIVRO DE JOB.
_A virtude, tentação e perdas de Job._
[Antes de Christo 1520]
1 Havia _um_ homem [1] na terra d’Uz, cujo nome _era_ Job: e era este
homem sincero, recto e temente a Deus e desviando-se do mal.
2 E nasceram-lhe sete filhos e tres filhas.
3 E era o seu gado sete mil ovelhas, e tres mil camelos, e quinhentas
juntas de bois, e quinhentas jumentas; era tambem muitissima a gente
ao seu serviço, de maneira que era este homem maior do que todos os do
oriente.
4 E iam seus filhos, e faziam banquetes em casa de cada um no seu dia; e
enviavam, e convidavam as suas tres irmãs a comerem e beberem com elles.
5 Succedeu pois que, tendo decorrido o turno de dias de seus banquetes,
enviava Job, e os sanctificava, e se levantava de madrugada, [2] e
offerecia holocaustos _segundo_ o numero de todos elles; porque dizia
Job: _Porventura_ peccaram meus filhos, e [MU] amaldiçoaram a Deus no seu
coração. Assim o fazia Job continuamente.
6 E vindo [3] um dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se
perante o Senhor, veiu tambem Satanaz entre elles.
7 Então o Senhor disse a Satanaz: D’onde vens? [4] E Satanaz respondeu ao
Senhor, e disse: De rodeiar a terra, e passeiar por ella.
8 E disse o Senhor a Satanaz: [5] Consideraste tu a meu servo Job? porque
ninguem _ha_ na terra similhante a elle, homem sincero e recto, temente a
Deus, e desviando-se do mal.
9 Então respondeu Satanaz ao Senhor, e disse: _Porventura_ teme Job a
Deus debalde?
10 _Porventura_ não [6] o circumvallaste tu a elle, e a sua casa, e a
tudo quanto tem? [7] A obra de suas mãos abençoaste e o seu gado está
augmentado na terra.
11 Mas estende [8] a tua mão, e toca-_lhe_ em tudo quanto tem, _e verás_
se te não amaldiçoa na tua face!
12 E disse o Senhor a Satanaz: Eis-que tudo quanto tem _está_ na tua mão;
sómente contra elle não estendas a tua mão. E Satanaz saiu da presença do
Senhor.
13 E succedeu um [9] dia, em que seus filhos e suas filhas comiam, e
bebiam vinho, na casa de seu irmão primogenito,
14 Que veiu um mensageiro a Job, e _lhe_ disse: Os bois lavravam, e as
jumentas pasciam junto a elles;
15 E deram _sobre elles_ os sabeos, e os tomaram, e aos moços feriram ao
fio da espada: e só eu escapei tão sómente, para te trazer a nova.
16 Estando este ainda fallando, veiu outro e disse: Fogo de Deus caiu do
céu, e queimou as ovelhas e os moços, e os consumiu, e só eu escapei tão
sómente para te trazer a nova.
17 Estando ainda este fallando, veiu outro, e disse: Ordenando os
chaldeos tres tropas, deram sobre os camelos, e os tomaram, e aos moços
feriram ao fio da espada: e só eu escapei tão sómente para te trazer a
nova.
18 Estando ainda este fallando, veiu outro, e disse: Estando [10] teus
filhos, tuas filhas comendo e bebendo vinho, em casa de seu irmão
primogenito,
19 Eis que _um_ grande vento sobreveiu d’além do deserto, e deu nos
quatro cantos da casa, e caiu sobre os mancebos, e morreram: e só eu
escapei tão sómente, para te trazer a nova.
20 Então Job [11] se levantou, e rasgou o seu manto, e tosquiou a sua
cabeça, e se lançou em terra, e adorou,
21 E disse: Nu sahi do ventre de minha mãe, e nu tornarei para lá; o
Senhor _o_ deu, [12] e o Senhor _o_ tomou: bemdito seja o nome do Senhor.
22 Em tudo [13] isto Job não peccou, nem attribuiu a Deus falta alguma.
[1] Gen. 22.20, 21. Eze. 14.14. Thi. 5.11. Gen. 6.9 e 17.1. cap. 2.3.
Pro. 8.13 e 16.6.
[2] Gen. 8.20. cap. 42.8. I Reis 21.10, 13.
[3] cap. 2.1. I Reis 22.19. cap. 38.7.
[4] cap. 2.2. Mat. 12.43. I Ped. 5.8.
[5] cap. 2.3. ver. 1.
[6] Isa. 5.2.
[7] Pro. 10.22.
[8] cap. 2.6 e 19.21. Mal. 3.13, 14.
[9] Ecc. 9.12.
[10] ver. 4, 13.
[11] Gen. 37.29. Esd. 9.3. I Ped. 5.6.
[12] Ecc. 5.15. I Tim. 6.7. Ecc. 5.19. Thi. 1.17. Mat. 20.15. I The. 5.18.
[13] cap. 2.10.
_A adversidade e cruel afflicção de Job._
2 E, vindo [1] outro dia, em que os filhos de Deus vieram apresentar-se
perante o Senhor, veiu tambem Satanaz entre elles, apresentar-se perante
o Senhor.
2 Então o Senhor [2] disse a Satanaz: D’onde vens? E respondeu Satanaz ao
Senhor, e disse: De rodeiar a terra, e passeiar por ella.
3 E disse o Senhor a Satanaz: Consideraste ao meu servo Job? porque
ninguem _ha_ na terra similhante a elle, homem sincero e [3] recto,
temente a Deus, e desviando-se do mal, e que ainda retem [4] a sua
sinceridade; havendo-me tu incitado contra elle, para o consumir sem
causa.
4 Então Satanaz respondeu ao Senhor, e disse: Pelle por pelle, e tudo
quanto o homem tem dará pela sua vida.
5 Porém estende [5] a tua mão, e toca-lhe nos ossos, e na carne, _e
verás_ se te não amaldiçoa na tua face!
6 E disse [6] o Senhor a Satanaz: Eis-que elle _está_ na tua mão; porém
guarda a sua vida.
7 Então saiu Satanaz da presença do Senhor, e feriu a Job [MV] d’uma
chaga maligna, [7] desde a planta do pé até ao alto da cabeça.
8 E tomou um caco para se raspar com elle: e estava [8] assentado no meio
da cinza.
9 Então sua mulher lhe disse: Ainda [9] retens a tua sinceridade?
amaldiçoa a Deus, e morre.
10 Porém elle lhe disse: Como falla qualquer das doidas, fallas tu;
receberemos [10] o bem de Deus, e não receberiamos o mal? Em tudo isto
não peccou Job com os seus labios.
11 Ouvindo [11] pois tres amigos de Job todo este mal que tinha vindo
sobre elle, vieram cada um do seu logar; Eliphaz o temanita, e Bildad
o suhita, e Sofar o naamathita; e concertaram juntamente de virem
condoer-se d’elle, [12] e para o consolarem.
12 E, levantando de longe os seus olhos, não o conheceram: e levantaram
a sua voz e choraram; e rasgaram cada um o seu manto, e sobre as suas
cabeças lançaram [13] pó ao ar.
13 E se assentaram juntamente com elle na terra, sete dias [14] e sete
noites: e nenhum lhe dizia palavra alguma, porque viam que a dôr era mui
grande.
[1] cap. 1.6.
[2] cap. 1.7.
[3] cap. 1.1, 8.
[4] cap. 27.5, 6. cap. 9.17.
[5] cap. 1.11 e 19.20.
[6] cap. 1.12.
[7] Isa. 1.6.
[8] II Sam. 13.19. cap. 42.6. Eze. 27.30. Mat. 11.21.
[9] cap. 21.15. ver. 3.
[10] cap. 1.21. Rom. 12.12. Thi. 5.10, 11. cap. 1.22.
[11] Pro. 17.17. Gen. 36.11. Jer. 49.7. Gen. 25.2.
[12] cap. 42.11. Rom. 12.15.
[13] Neh. 9.1. Lam. 2.10. Eze. 27.30.
[14] Gen. 50.10.
_Job amaldiçoa o seu nascimento e lamenta a sua miseria._
3 Depois d’isto abriu Job a sua bocca, e amaldiçoou o seu dia.
2 E Job respondeu, e disse:
3 Pereça [1] o dia em que nasci, e a noite _em que_ se disse: Foi
concebido _um_ homem!
4 Converta-se aquelle dia em trevas; _e_ Deus de cima não tenha cuidado
d’elle, nem resplandeça sobre elle a luz.
5 Contaminem-n’o as trevas [2] e a sombra de morte; habitem sobre elle
nuvens: a escuridão do dia o espante!
6 A escuridão tome aquella noite, _e_ não se goze entre os dias do anno,
_e_ não entre no numero dos mezes!
7 Ah que solitaria seja aquella noite, _e_ suave musica não entre n’ella!
8 Amaldiçoem-n’a aquelles que amaldiçoam o dia, [3] que estão promptos
para levantar o seu pranto.
9 Escureçam-se as estrellas do seu crepusculo; que espere a luz, e não
_venha_: e não veja as pestanas dos olhos da alva!
10 Porque não fechou as portas do ventre; nem escondeu dos meus olhos a
canceira?
11 Porque [4] não morri eu desde a madre? _e_ em saindo do ventre, não
expirei?
12 Porque [5] me receberam os joelhos? e porque os peitos, para que
mamasse?
13 Porque _já_ agora jazera e repousara; dormiria, e então haveria
repouso para mim.
14 Com os reis e conselheiros da terra, que se edificavam casas nos
logares [6] assolados,
15 Ou com os principes que tinham oiro, que enchiam as suas casas de
prata,
16 Ou como aborto occulto, não existiria: como as creanças _que_ não
viram a luz.
17 Ali os maus cessam de perturbar: e ali repousam os cançados.
18 Ali os presos juntamente repousam, _e_ não ouvem [7] a voz do exactor:
19 Ali está o pequeno e o grande, e o servo fica livre de seu senhor.
20 Porque [8] se dá luz ao miseravel, e vida aos [9] amargosos d’animo?
21 Que esperam [10] a morte, e não se acha: e cavam em busca d’ella mais
do que _de_ thesouros occultos:
22 Que d’alegria saltam, _e_ exultam, achando a sepultura:
23 Ao homem, cujo caminho é occulto, e a quem [11] Deus o encobriu?
24 Porque antes do meu pão vem o meu suspiro: e os meus gemidos se
derramam como agua.
25 Porque o temor que temo me veiu: e o que receiava me aconteceu.
26 Nunca estive descançado, nem soceguei, nem repousei, mas veiu sobre
mim a perturbação.
[1] cap. 10.18, 19. Jer. 15.10, 20, 14.
[2] cap. 10.21, 22 e 16.16 e 28.3. Jer. 13.16. Amós 5.8.
[3] Jer. 9.17, 18.
[4] cap. 10.18.
[5] Gen. 30.3. Isa. 66.12.
[6] cap. 15.28.
[7] cap. 39.7.
[8] Jer. 20.18.
[9] I Sam. 1.10. II Reis 4.27. Pro. 31.6.
[10] Apo. 9.6. Pro. 2.4.
[11] cap. 19.8. Lam. 3.7.
_Eliphaz reprehende Job._
4 Então respondeu Eliphaz o temanita, e disse:
2 Se intentarmos fallar-te, enfadar-te-has? mas quem poderia conter as
palavras?
3 Eis que ensinaste a muitos, e esforçaste [1] as mãos fracas.
4 As tuas palavras levantaram os que tropeçavam [2] e os joelhos
desfallecentes fortificaste.
5 Mas agora a ti te vem, e te enfadas: e, tocando-te a ti, te perturbas.
6 _Porventura_ não _era_ o [3] teu temor _de Deus_ a tua confiança, e a
tua esperança a sinceridade dos teus caminhos?
7 Lembra-te agora qual é o innocente que _jamais_ perecesse? e onde foram
os sinceros destruidos?
8 Como eu tenho visto, os que lavram iniquidade, e semeam trabalho segam
[4] o mesmo.
9 Com o bafo de Deus perecem; e com o assopro da sua ira se consomem.
10 O bramido do leão, e a voz do leão feroz, e os dentes dos leõezinhos
se quebrantam.
11 Perece o leão velho, porque não ha preza; e os filhos da leoa andam
esparzidos.
12 Uma palavra se me disse em segredo; e os meus ouvidos perceberam um
sussurro d’ella.
13 Entre imaginações de visões da noite, quando cae sobre os [5] homens o
somno profundo;
14 Sobreveiu-me o espanto e o [6] tremor, e todos os meus ossos
estremeceram.
15 Então um espirito passou por diante de mim; fez-me arrepiar os
cabellos da minha carne;
16 Parou elle, porém não conheci a sua feição; um vulto estava diante dos
meus olhos: e, calando-me, ouvi uma voz _que dizia_:
17 Seria _porventura_ [7] o homem mais justo do que Deus? seria
_porventura_ o varão mais puro do que o seu Creador?
18 Eis-que [8] nos seus servos não confiaria, e aos seus anjos imputaria
loucura:
19 Quanto [9] menos n’aquelles que habitam em casas de lodo, cujo
fundamento _está_ no pó, e são machucados como a traça!
20 Desde a manhã até á tarde são despedaçados: e eternamente perecem sem
que d’isso se faça caso.
21 _Porventura_ se não passa com elles a sua excellencia? morrem, porém
sem sabedoria.
[1] Isa. 35.3.
[2] Isa. 35.3.
[3] cap. 1.1. Pro. 3.26.
[4] Pro. 22.8. Ose. 10.13. Gal. 6.7, 8.
[5] cap. 33.15.
[6] Hab. 3.16.
[7] cap. 9.2.
[8] cap. 15.15 e 25.5. II Ped. 2.4.
[9] cap. 15.16. II Cor. 4.7 e 5.1.
_Eliphaz exhorta a Job a que busque a Deus._
5 Chama agora; ha alguem que te responda? e para qual dos sanctos te
virarás?
2 Porque a ira destroe o louco; e o zelo mata o tolo.
3 _Bem_ vi eu [1] o louco lançar raizes; porém logo amaldiçoei a sua
habitação.
4 Seus filhos estão longe da salvação; e são despedaçados ás portas, e
não ha quem os livre.
5 A sua sega a devora o faminto, e até d’entre os [2] espinhos a tira;
_e_ o salteador traga a sua fazenda.
6 Porque do pó não procede a afflicção, nem da terra brota o trabalho.
7 Mas o homem [3] nasce para o trabalho, como as faiscas das brazas se
levantam para voarem.
8 Porém eu buscaria a Deus; e a Elle dirigiria a minha falla.
9 Elle faz [4] coisas _tão_ grandiosas, que se não podem esquadrinhar; _e
tantas_ maravilhas, que se não podem contar.
10 Que dá [5] a chuva sobre a terra, e envia aguas sobre os campos,
11 Para pôr [6] aos abatidos n’_um logar_ alto: e para que os enlutados
se exaltem na salvação.
12 Elle aniquila [7] as imaginações dos astutos, para que as suas mãos
não possam levar coisa alguma a effeito.
13 Elle apanha [8] os sabios na sua _propria_ astucia; e o conselho dos
perversos se precipita.
14 Elles de dia [9] encontrem as trevas; e ao meio dia andem como de
noite, ás apalpadelas.
15 Porém ao necessitado livra da espada, _e_ da bocca d’elles, e da mão
do forte.
16 Assim ha esperança para o pobre; [10] e a iniquidade tapa a sua bocca.
17 Eis que bemaventurado _é_ o homem a quem [11] Deus castiga; pois não
desprezes o castigo do Todo-poderoso.
18 Porque [12] elle faz a chaga, e elle _mesmo a_ liga: elle fere, e as
suas mãos curam.
19 Em seis angustias [13] te livrará; e na setima o mal te não tocará.
20 Na fome te livrará da morte; e na guerra da violencia da espada.
21 Do açoite da lingua estarás encoberto; e não temerás a assolação,
quando vier.
22 Da assolação e [14] da fome te rirás, e os animaes da terra não
temerás.
23 Porque até [15] com as pedras do campo terás a tua alliança; e os
animaes do campo serão pacificos comtigo.
24 E saberás que a tua tenda _está_ em paz; e visitarás a tua habitação,
e não falharás.
25 Tambem saberás que se multiplicará a tua semente e a tua posteridade
como a herva da terra.
26 Na [16] velhice virás á sepultura, como se recolhe o feixe de trigo a
seu tempo.
27 Eis que isto já o havemos inquirido, _e_ assim é; ouve-o, e medita
n’isso para teu _bem_.
[1] Jer. 12.2, 3.
[2] Gen. 3.17, 18, 19. I Cor. 10.13.
[3] Gen. 3.17, 18, 19.
[4] cap. 9.10 e 37.5.
[5] cap. 28.23. Jer. 5.24 e 10.13 e 51.16. Act. 14.17.
[6] I Sam. 2.7.
[7] Neh. 4.15. Isa. 8.10.
[8] I Cor. 3.19.
[9] Deu. 28.29. Isa. 59.10. Amós 8.9.
[10] I Sam. 2.9.
[11] Pro. 3.11, 12. Heb. 12.5. Thi. 1.12. Apo. 3.19.
[12] Deu. 32.39. I Sam. 2.6. Isa. 30.26. Ose. 6.1.
[13] Pro. 24.16. I Cor. 10.13.
[14] Isa. 11.9 e 35.9 e 65.25. Eze. 34.25.
[15] Ose. 2.18.
[16] Pro. 9.11 e 10.27.
_Job justifica as suas queixas._
6 Então Job respondeu, e disse:
2 Oh se a minha magoa rectamente se pezasse, e a minha miseria juntamente
se alçasse n’uma balança!
3 Porque na verdade mais pesada seria, do que a areia [1] dos mares: por
isso é que as minhas palavras se _me_ afogam.
4 Porque as frechas do Todo-poderoso _estão_ em mim, cujo ardente veneno
me chupa o espirito: os terrores de Deus se armam contra mim.
5 _Porventura_ zurrará o jumento montez junto á relva? ou berrará o boi
junto ao seu pasto?
6 Ou comer-se-ha sem sal o que é insipido? ou haverá gosto na clara do
ovo?
7 A minha alma recusa tocal-o, pois é como a minha comida fastienta.
8 Quem dera que se cumprisse o meu desejo, e que Deus _me_ désse o que
espero!
9 E _que_ [2] Deus quizesse quebrantar-me, e soltasse a sua mão, e me
acabasse!