Act. 6.15. ver. 17, 18.

[8] ver. 4.

[9] Gen. 18.5. cap. 6.18.

[10] Gen. 32.29.

[11] cap. 6.19, 20.

[12] Lev. 9.24. I Chr. 21.16. Eze. 1.28. Mat. 17.6.

[13] cap. 6.22.

[14] Gen. 32.30. Exo. 33.20. Deu. 5.26. cap. 6.22.

[15] Heb. 11.32. I Sam. 3.19. Luc. 1.80 e 2.52.

[16] cap. 3.10. I Sam. 11.6. Mat. 4.1. Jos. 15.33. cap. 18.11.

_O casamento de Sansão._

[Antes de Christo 1141]

14 E desceu Sansão a [1] Timnatha: e, vendo em Timnatha a uma mulher das

filhas dos philisteos,

2 Subiu, e declarou-o a seu pae e sua mãe, e disse: Vi _uma_ mulher em

Timnatha, das filhas dos philisteos; agora pois, tomae-m’a [2] por mulher.

3 Porém seu pae e sua mãe lhe disseram: Não _ha porventura_ mulher entre

as filhas de teus irmãos, [3] nem entre todo o meu povo, para que tu vás

tomar mulher dos philisteos, d’aquelles incircumcisos? E disse Sansão a

seu pae: Tomae-me esta, porque ella agrada aos meus olhos.

4 Mas seu pae e sua mãe não sabiam que isto _vinha_ do Senhor; [4] pois

buscava occasião dos philisteos: porquanto n’aquelle tempo os philisteos

dominavam [5] sobre Israel.

5 Desceu pois Sansão com seu pae e com sua mãe a Timnatha: e, chegando

ás vinhas de Timnatha, eis que um filho de leão, bramando, lhe _saiu_ ao

encontro.

6 Então o espirito do Senhor [6] se apossou d’elle tão possantemente que

o fendeu _d’alto a baixo_, como quem fende um cabrito, sem _ter_ nada na

sua mão: porém nem a seu pae nem a sua mãe deu a saber o que tinha feito.

7 E desceu, e fallou áquella mulher, e agradou aos olhos de Sansão.

8 E depois de alguns dias voltou _elle_ para a tomar: e, apartando-se do

_caminho_ a ver o corpo do leão morto, eis que no corpo do leão _havia_

um enxame de abelhas com mel.

9 E tomou-o nas suas mãos, e foi-se andando e comendo _d’elle_; e foi-se

a seu pae e a sua mãe, e deu-lhes _d’elle_, e comeram, porém não lhes deu

a saber que tomara o mel do corpo do leão.

10 Descendo pois seu pae áquella mulher, fez Sansão ali um banquete;

porque assim o costumavam fazer os mancebos.

11 E succedeu que, como o vissem, tomaram trinta companheiros para

estarem com elle.

_O enigma de Sansão._

12 Disse-lhes pois Sansão: Vos darei _um_ enigma [7] a adivinhar: _e_, se

nos sete dias das bodas m’o declarardes e descobrirdes, vos darei trinta

lençoes e trinta mudas de vestidos.

13 E, se m’o não poderdes declarar, vós me dareis _a mim_ os trinta

lençoes e as trinta mudas de vestidos. E elles lhe disseram: Dá-_nos_ o

teu enigma a adivinhar, para que o ouçamos.

14 Então lhes disse: Do comedor saiu comida, e doçura saiu do forte. E

em tres dias não poderam declarar o enigma.

15 E succedeu que, ao setimo dia, disseram á mulher de Sansão: Persuade

a teu marido [8] que nos declare o enigma, para que _porventura_ não

queimemos a fogo a ti e á casa de teu pae: chamastes-nos vós aqui para

possuir o que é nosso, não _é assim_?

16 E a mulher de Sansão chorou diante d’elle, e disse: _Tão_ sómente me

aborreces, e não me amas; [9] _pois_ déste aos filhos do meu povo _um_

enigma a adivinhar, e _ainda_ m’o não declaraste a mim. E elle lhe disse:

Eis que nem a meu pae nem a minha mãe o declarei, e t’o declararia a ti?

17 E chorou diante d’elle os sete dias em que celebravam as bodas:

succedeu pois que ao setimo dia lh’o declarou, porquanto o importunava;

então _ella_ declarou o enigma aos filhos do seu povo.

18 Disseram-lhe pois os homens d’aquella cidade, ao setimo dia, antes de

se por o sol: Que _coisa ha_ mais doce do que o mel? e que _coisa ha_

mais forte do que o leão? E elle lhes disse: Se vós não lavrasseis com a

minha novilha, nunca terieis descoberto o meu enigma.

19 Então [10] o espirito do Senhor tão possantemente se apossou d’elle,

que desceu aos ascalonitas, e matou d’elles trinta homens, e tomou os

seus vestidos, e deu as mudas de vestidos aos que declararam o enigma:

porém accendeu-se a sua ira, e subiu á casa de seu pae.

20 E a mulher de Sansão foi _dada_ ao [11] seu companheiro que o

acompanhava.

[1] Gen. 38.13. Jos. 15.10. Gen. 34.2.

[2] Gen. 21.21 e 34.4.

[3] Gen. 24.3, 4 e 34.14. Exo. 34.16. Deu. 7.3.

[4] Jos. 11.20. I Reis 12.15. II Reis 6.33. II Chr. 10.15 e 22.7 e 25.20.

[5] cap. 13.1. Deu. 28.48.

[6] cap. 3.10 e 13.25. I Sam. 11.6.

[7] I Sam. 10.1. Eze. 17.2. Luc. 14.7. Gen. 29.27.

[8] cap. 16.5 e 15.6.

[9] cap. 16.15.

[10] cap. 3.10 e 13.25.

[11] cap. 15.2. João 3.29.

_Sansão põe fogo ás searas dos philisteos._

15 E aconteceu, depois d’_alguns_ dias, que na sega do trigo Sansão

visitou a sua mulher com um cabrito, e disse: Entrarei na camara a minha

mulher. Porém o pae d’ella não o deixou entrar.

2 Porque disse seu pae: Por certo dizia eu que de todo a aborrecias: [1]

de sorte que a dei ao teu companheiro: porém não _é_ sua irmã mais nova,

mais formosa do que ella? toma-a pois em seu logar.

3 Então Sansão disse ácerca d’elles: Innocente sou esta vez para com os

philisteos, quando lhes fizer _algum_ mal.

4 E foi Sansão, e tomou trezentas raposas: e, tomando tições, as virou

cauda a cauda, e lhes poz um tição no meio de cada duas caudas.

5 E chegou fogo aos tições, e largou-as na seara dos philisteos: e

_assim_ abrazou os molhos com a sega do trigo, e as vinhas com os olivaes.

6 Então disseram os philisteos: Quem fez isto? E disseram: Sansão,

o genro do Timnatha, porque lhe tomou a sua mulher, e a deu a seu

companheiro. Então subiram os philisteos, [2] e queimaram a fogo a ella e

a seu pae.

7 Então lhes disse Sansão: Assim o haveis de fazer? pois havendo-me

vingado eu de vós então cessarei.

8 E feriu-os com grande ferimento, perna juntamente com côxa: e desceu, e

habitou no cume da rocha d’Etam.

9 Então os philisteos subiram, e acamparam-se contra Judah, e

estenderam-se por [3] Lechi,

_Os homens de Judah amarram a Sansão._

[Antes de Christo 1140]

10 E disseram os homens de Judah: Porque subistes contra nós? E elles

disseram: Subimos para amarrar a Sansão, para lhe fazer a elle como elle

nos fez a nós.

11 Então tres mil homens de Judah desceram até á cova da rocha d’Etam, e

disseram a Sansão: Não sabias tu que [4] os philisteos dominam sobre nós?

porque _pois_ nos fizeste isto? E elle lhes disse: _Assim_ como elles me

fizeram a mim, eu lhes fiz a elles.

12 E disseram-lhe: Descemos para te amarrar, para te entregar nas mãos

dos philisteos. Então Sansão lhes disse: Jurae-me que vós mesmos me não

accommettereis.

13 E elles lhe fallaram, dizendo: Não, mas fortemente te amarraremos,

e te entregaremos na sua mão; porém de maneira nenhuma te mataremos. E

amarraram-n’o com duas cordas novas e fizeram-n’o subir da rocha.

_Sansão fere mil homens com a queixada d’um jumento._

14 E, vindo elle a Lechi, os philisteos lhe _sairam_ ao encontro,

jubilando: porém [5] o espirito do Senhor possantemente se apossou

d’elle, e as cordas que elle _tinha_ nos braços se tornaram como fios de

linho que se queimaram no fogo, e as suas amarraduras se desfizeram das

suas mãos.

15 E achou uma queixada fresca d’_um_ jumento, e estendeu a sua mão, e

tomou-a, e feriu [6] com ella mil homens,

16 Então disse Sansão: Com _uma_ queixada de jumento um montão, dois

montões; com _uma_ queixada de jumento feri a mil homens.

17 E aconteceu que, acabando elle de fallar, lançou a queixada da sua

mão: e chamou áquelle logar [IY] Ramath-lechi.

18 E como tivesse grande sede, clamou ao Senhor, e disse: Pela mão do teu

servo [7] tu déste esta grande salvação: morrerei eu pois agora de sede,

e cairei na mão d’estes incircumcisos?

19 Então o Senhor fendeu a caverna que _estava_ em [IZ] Lechi; e saiu

d’ella agua, e bebeu; e o seu espirito tornou, [8] e reviveu: pelo que

chamou o seu nome: A fonte do que clama, que _está_ em Lechi até _ao dia

d’_hoje.

20 E julgou a Israel, [9] nos dias dos philisteos, vinte annos.

[1] cap. 14.20.

[2] cap. 14.15.

[3] ver. 19.

[4] cap. 14.4.

[5] cap. 3.10 e 14.6.

[6] Lev. 26.8. Jos. 23.10. cap. 3.31.

[7] Psa. 3.7.

[8] Gen. 45.27. Isa. 40.29.

[9] cap. 13.1.

_Sansão é trahido por Dalila._

[Antes de Christo 1120]

16 E foi-se Sansão a Gaza, e viu ali uma mulher prostituta, e entrou a

ella.

2 _E foi dito_ aos gazitas: Sansão entrou [1] aqui. Foram pois em roda,

e toda a noite lhe puzeram espias á porta da cidade: porém toda a noite

estiveram socegados, dizendo: Até á luz da manhã _esperaremos_; então o

mataremos.

3 Porém Sansão deitou-se até á meia noite, e á meia noite se levantou,

e travou das portas da entrada da cidade com ambas as umbreiras, e

juntamente com a tranca as tomou, pondo-as sobre os hombros; e levou-as

para cima até ao cume do monte que está defronte de Hebron.

4 E depois d’isto aconteceu que se affeiçoou a uma mulher do valle de

Sorec, cujo nome _era_ Dalila.

5 Então os principes dos philisteos subiram a ella, e lhe disseram:

Persuade-o, [2] e vê, em que _consiste_ a sua grande força, e com

que poderiamos assenhorear-nos d’elle e amarral-o, para _assim_ o

affligirmos: e te daremos cada um mil e cem [JA] _moedas_ de prata.

6 Disse pois Dalila a Sansão: Declara-me, peco-te, em que _consiste_

a tua grande força, e com que poderias ser amarrado para te poderem

affligir.

7 Disse-lhe Sansão: Se me amarrassem com sete _vergas de_ vimes frescos,

que ainda não estivessem seccos, então me enfraqueceria, e seria como

qualquer _outro_ homem.

8 Então os principes dos philisteos lhe trouxeram sete _vergas de_ vimes

frescos, que ainda não estavam seccos: e amarrou-o com ellas.

9 E os espias _estavam_ assentados com ella n’uma camara. Então ella lhe

disse: Os philisteos _veem_ sobre ti, Sansão. Então quebrou as _vergas

de_ vimes, como se quebra o fio da estopa ao cheiro do fogo; assim não se

soube _em que consistia a_ sua força.

10 Então disse Dalila a Sansão: Eis que zombaste de mim, e me disseste

mentiras: ora declara-me agora com que poderias ser amarrado.

11 E elle lhe disse: Se me amarrassem fortemente com cordas novas, com

que se não houvesse feito obra nenhuma, então me enfraqueceria, e seria

como qualquer _outro_ homem.

12 Então Dalila tomou cordas novas, e o amarrou com ellas, e disse-lhe:

Os philisteos _veem_ sobre ti, Sansão. E os espias _estavam_ assentados

n’uma camara. Então as quebrou de seus braços como um fio.

13 E disse Dalila a Sansão: Até agora zombaste de mim, e me disseste

mentiras; declara-me _pois agora_ com que poderias ser amarrado? E elle

lhe disse: Se teceres sete tranças _dos cabellos_ da minha cabeça com os

liços da têa.

14 E ella as fixou com uma estaca, e disse-lhe: Os philisteos _veem_

sobre ti, Sansão. Então despertou do seu somno, e arrancou a estaca das

_tranças_ tecidas, _juntamente_ com o liço da têa.

15 Então ella lhe disse: Como dirás: Tenho-te amor, [3] não _estando_

comigo o teu coração? já tres vezes zombaste de mim, e ainda me não

declaraste em que _consiste_ a tua força.

16 E succedeu que, importunanado-o ella todos os dias com as suas

palavras, e molestando-o, a sua alma se angustiou até á morte.

17 E descobriu-lhe todo o seu coração, [4] disse-lhe: Nunca subiu

navalha á minha cabeça, porque _sou_ nazireo de Deus desde o ventre de

minha mãe: se viesse a ser rapado, ir-se-hia de mim a minha força, e me

enfraqueceria, e seria como todos os _mais_ homens.

18 Vendo pois Dalila que já lhe descobrira todo o seu coração, enviou,

e chamou os principes dos philisteos, dizendo: Subi esta vez, porque

_agora_ me descobriu elle todo o seu coração. E os principes dos

philisteos subiram a ella, e trouxeram o dinheiro na sua mão.

19 Então ella o fez dormir [5] sobre os seus joelhos, e chamou a _um_

homem, e rapou-lhe as sete tranças _do cabello_ de sua cabeça: e começou

a affligil-o, e retirou-se d’elle a sua força.

20 E disse ella: Os philisteos _veem_ sobre ti, Sansão. E despertou

do seu somno, e disse: Sairei _ainda_ esta vez como d’antes, e me

sacudirei. Porque elle não sabia que já o Senhor se tinha retirado [6]

d’elle.

21 Então os philisteos pegaram n’elle, e lhe arrancaram os olhos, e

fizeram-n’o descer a Gaza, e amarraram-n’o com duas cadeias de bronze, e

andava elle moendo no carcere.

22 E o cabello da sua cabeça lhe começou a ir crescendo, como quando foi

rapado.

_Sansão faz cair o templo de Dagon._

23 Então os principes dos philisteos se ajuntaram para offerecer _um_

grande sacrificio ao seu deus Dagon, e para se alegrarem, e diziam: Nosso

deus nos entregou nas mãos a Sansão, nosso inimigo.

24 Similhantemente, vendo-o o povo, [7] louvavam ao seu deus; porque

diziam: Nosso deus nos entregou na mão o nosso inimigo, e ao que destruia

a nossa terra, e ao que multiplicava os nossos mortos.

25 E succedeu que, alegrando-se-lhes [8] o coração, disseram: Chamae a

Sansão, para que brinque diante de nós. E chamaram a Sansão do carcere, e

brincou diante d’elles, e fizeram-n’o estar _em pé_ entre as columnas.

26 Então disse Sansão ao moço que o tinha pela mão: Guia-me para que

apalpe as columnas em que se sustém a casa, para que me encoste a ellas.

27 Ora _estava_ a casa cheia de homens e mulheres: e _tambem_ ali

_estavam_ todos os principes dos philisteos: e sobre o telhado _havia_

alguns tres mil homens e mulheres, [9] que estavam vendo brincar Sansão.

28 Então Sansão clamou ao Senhor, e disse: Senhor JEHOVAH, peço-te que te

lembres [10] de mim, e esforça-me agora só esta vez, ó Deus, para que de

uma vez me vingue dos philisteos, pelos meus dois olhos.

29 Abraçou-se pois Sansão com as duas columnas do meio, em que se

sustinha a casa, e arrimou-se sobre ellas, com a sua mão direita n’uma, e

com a sua esquerda na outra.

30 E disse Sansão: Morra eu com os philisteos. E inclinou-se com força, e

a casa caiu sobre os principes e sobre todo o povo que n’ella _havia_: e

foram mais os mortos que matou na sua morte do que _os_ que matara na sua

vida.

31 Então seus irmãos desceram, e toda a casa de seu pae, e tomaram-n’o,

e subiram _com elle_, e sepultaram-n’o [11] entre Tsora e Estaol, no

sepulchro de Manué, seu pae: e julgou elle a Israel vinte annos.

[1] I Sam. 23.26. Act. 9.24.

[2] cap. 14.15. Pro. 2.16-19 e 5.3-11 e 6.24, 25, 26 e 7.21, 22, 23.

[3] cap. 14.16.

[4] Miq. 7.5. Num. 6.5.

[5] Pro. 7.26, 27.

[6] Num. 14.9, 42, 43. Jos. 7.12. I Sam. 16.14 e 18.12 e 28.15, 16. II

Chr. 15.2.

[7] Dan. 5.4.

[8] cap. 9.27.

[9] Deu. 22.8.

[10] Jer. 15.15.

[11] cap. 13.25.

_Micah e o idolo da sua casa._

[Antes de Christo 1406]

17 E havia um homem da montanha d’Ephraim, cujo nome _era_ Micah.

2 O qual disse a sua mãe: As mil e cem _moedas_ de prata que te foram

tiradas, por cuja _causa_ deitavas maldições, e tambem as disseste em

meus ouvidos, eis que este dinheiro eu o tenho, eu _o_ tomei. Então disse

sua mãe: Bemdito [1] _seja_ meu filho do Senhor.

3 Assim restituiu as mil e cem _moedas_ de prata a sua mãe: porém sua mãe

disse: Inteiramente tenho dedicado este dinheiro da minha mão ao Senhor

para meu filho, para fazer uma imagem [2] de esculptura e de fundição: de

sorte que agora t’o tornarei _a dar_.

4 Porém elle restituiu aquelle dinheiro a sua mãe: e sua mãe tomou

duzentas _moedas_ de prata, e as deu ao ourives, o qual fez d’ellas uma

imagem [3] de esculptura e de fundição, e esteve em casa de Micah.

5 E teve este homem, Micah, uma casa de deuses: e fez um ephod [4] e

teraphins, e consagrou a um de seus filhos, para que lhe fosse por

sacerdote.

6 N’aquelles dias [5] não _havia_ rei em Israel: cada qual fazia o _que

parecia_ direito aos seus olhos.

_O levita em casa de Micah._

7 E havia um mancebo de Beth-lehem de Judah, da tribu de Judah, [6] que

_era_ levita, e peregrinava ali.

8 E este homem partiu da cidade de Beth-lehem de Judah para peregrinar

onde quer que achasse _commodidade_: chegando elle pois á montanha

d’Ephraim, até á casa de Micah, seguindo o seu caminho.

9 Disse-lhe Micah: D’onde vens? E elle lhe disse: Sou levita de

Beth-lehem de Judah, e vou peregrinar onde quer que achar _commodidade_.

10 Então lhe disse Micah: Fica commigo, e sê-me [7] por pae e sacerdote;

e cada anno te darei dez _moedas_ de prata, e vestuario, e o teu

sustento. E o levita entrou.

11 E consentiu o levita em ficar com aquelle homem: e este mancebo lhe

foi como um de seus filhos.

12 E consagrou Micah ao levita, [8] e aquelle mancebo lhe foi por

sacerdote; e esteve em casa de Micah.

13 Então disse Micah: Agora sei que O Senhor me fará bem: porquanto tenho

um levita por sacerdote.

[1] Gen. 14.19. Ruth 3.10.

[2] Exo. 24.4, 23. Lev. 19.4.

[3] Isa. 46.6.

[4] cap. 8.27. Gen. 31.19, 30. Ose. 3.4.

[5] cap. 18.1 e 19.1 e 21.25. Deu. 33.5 e 12.8.

[6] Jos. 19.15. cap. 19.1. Ruth 1.1, 2. Miq. 5.2. Mat. 2.1, 5, 6.

[7] cap. 18.19. Gen. 45.8. Job 29.16.

[8] ver. 5. cap. 18.30.

_Os daneos buscam uma herança e tomam Lais._

18 N’aquelles dias [1] não _havia_ rei em Israel: e nos mesmos dias a

tribu dos daneos buscava para si herança para habitar; porquanto até

áquelle dia entre as tribus d’Israel lhe não havia caido em herança

_bastante sorte_.

2 E enviaram os filhos de Dan [2] da sua tribu cinco homens dos seus

confins, homens valorosos, de Zora e de Estaol, a espiar e rastejar

a terra; e lhes disseram: Ide, rastejae a terra. E vieram á montanha

d’Ephraim, até á casa de Micah, [3] e passaram ali a noite.

3 E quando elles _estavam_ junto da casa de Micah, conheceram a voz do

mancebo, do levita; e chegaram-se para lá, e lhe disseram: Quem te trouxe

aqui, que fazes aqui, e que _é o que_ tens aqui?

4 E elle lhes disse: Assim e assim me tem feito Micah; pois me tem

alugado, e eu [4] lhe sirvo de sacerdote.

5 Então lhe disseram: [5] Ora pergunta a Deus, para que possamos saber se

prosperará o caminho que levamos.

6 E disse-lhes o sacerdote: Ide em paz; [6] o caminho que levardes _está_

perante o Senhor.

7 Então foram-se aquelles cinco homens, e vieram a Lais; [7] e viram que

o povo que _havia_ no meio d’ella estava seguro, conforme ao costume

dos sidonios, quieto e confiado; nem _havia_ possessor _algum_ do reino

que por causa alguma envergonhasse _a alguem_ n’aquella terra: tambem

_estavam_ longe doa sidonios, e não tinham que fazer com ninguem.

8 Então voltaram a seus irmãos, a Zora [8] e a Estaol: e seus irmãos lhes

disseram: Que _dizeis_ vós?

9 E elles disseram: Levantae-vos, [9] e subamos a elles; porque

examinámos a terra, e eis que _é_ muitissimo boa; pois estareis

tranquillos? [10] não sejaes preguiçosos em irdes para entrar a possuir

esta terra.

10 Quando lá chegardes, vereis a _um_ povo confiado, [11] e a terra _é_

larga de extensão; porque Deus vol-a entregou na mão; logar em que não

_ha_ falta de coisa alguma que ha na terra.

11 Então partiram d’ali, da tribu dos daneos, de Zora e d’Estaol,

seiscentos homens armados de armas de guerra.

12 E subiram, e acamparam-se em Kiriath-jearim, [12] em Judah; pelo que

chamaram a este logar Mahaneh-dan, até _ao dia de_ hoje; eis que _está_

por detraz de Kiriath-jearim.

13 E d’ali passaram á montanha d’Ephraim; e vieram até [13] á casa de

Micah.

_Os daneos levam da casa de Micah a imagem e o levita._

14 Então responderam os cinco homens, que foram espiar a terra de Lais, e

disseram [14] a seus irmãos: Sabeis vós tambem que n’aquellas casas [15]

ha _um_ ephod, e terafins, e imagem de esculptura e de fundição? vêde

pois agora o que haveis de fazer.

15 Então foram-se para lá, e vieram á casa do mancebo, o levita, em casa

de Micah, e o saudaram.

16 E os seiscentos [16] homens, que _eram_ dos filhos de Dan, armados de

suas armas de guerra, ficaram á entrada da porta.

17 Porém subindo os cinco homens, que foram espiar a terra, [17] entraram

n’ella, e tomaram a imagem d’esculptura, o ephod, e os terafins, e a

imagem de fundição, ficando o sacerdote _em pé_ á entrada da porta, com

os seiscentos homens _que estavam_ armados com as armas de guerra.

18 Entrando elles pois em casa de Micah, e tomando a imagem de

esculptura, e o ephod, e os terafins, e a imagem de fundição, disse-lhes

o sacerdote: Que estaes fazendo?

19 E elles lhe disseram: Cala-te, põe [18] a mão na bocca, e vem

comnosco, e sê-nos por pae e sacerdote: _é_-te melhor que sejas sacerdote

da casa d’um só homem, do que ser sacerdote d’uma tribu e d’uma geração

em Israel?

20 Então alegrou-se o coração do sacerdote, e tomou o ephod, e os

terafins, e a imagem de esculptura: e entrou no meio do povo.

21 Assim viraram, e partiram: e os meninos, e o gado, e a bagagem puzeram

diante de si.

22 _E_, estando já longe da casa de Micah, os homens que _estavam_ nas

casas junto á casa de Micah, se convocaram, e alcançaram os filhos de Dan.

23 E clamaram após dos filhos de Dan, os quaes viraram os seus rostos, e

disseram a Micah: Que tens, que assim te convocaste?

24 Então elle disse: Os meus deuses, que eu fiz, _me_ tomastes,

juntamente com o sacerdote, e vos fostes; que mais me fica _agora_? Como

pois me dizeis: Que _é o que_ tens?

25 Porém os filhos de Dan lhe disseram: Não nos faças ouvir a tua voz,

para que _porventura_ homens de animo amargoso não se lancem sobre vós, e

tu percas a tua vida, e a vida _dos_ da tua casa.

26 Assim seguiram o seu caminho os filhos de Dan: e Micah, vendo que

_eram_ mais fortes do que elle, voltou, e tornou-se a sua casa.

27 Elles pois tomaram o que Micah tinha feito, e o sacerdote que tivera,

e vieram a Lais, a [19] um povo quieto e confiado, e os feriram ao fio da

espada, e queimaram a cidade a fogo.

28 E ninguem _houve_ que os livrasse, porquanto _estavam_ longe de Sidon,

[20] e não tinham que fazer com ninguem, e _a cidade_ estava no valle que

_está_ junto a Beth-rechob: [21] depois reedificaram a cidade e habitaram

n’ella.

29 E chamaram o nome [22] da cidade Dan, conforme ao nome de Dan, seu

pae, que nascera a Israel: _sendo_ porém d’antes o nome d’esta cidade

Lais.

30 E os filhos de Dan levantaram para si _aquella_ imagem de esculptura:

e Jonathan, filho de Gerson, o filho de Manasseh, elle e seus filhos

foram sacerdotes da tribu dos daneos, até [23] ao dia do captiveiro da

terra.

31 Assim pois a imagem d’esculptura que fizera Micah, estabeleceram entre

si, todos os dias que a [24] casa de Deus esteve em Silo.

[1] cap. 17.6 e 21.25. Jos. 19.47.

[2] cap. 13.25. Num. 13.17. Jos. 2.1.

[3] cap. 17.1.

[4] cap. 17.10.

[5] I Reis 22.5. Isa. 30.1. Ose. 4.12. cap. 17.5. ver. 14.

[6] I Reis 22.6.

[7] Jos. 19.47. ver. 27, 28.

[8] ver. 2.

[9] Num. 13.30. Jos. 2.23, 24.

[10] I Reis 23.3.

[11] ver. 7, 27. Deu. 8.9.

[12] Jos. 15.60.

[13] ver. 2.

[14] I Sam. 14.28.

[15] cap. 17.5.

[16] ver. 11.

[17] ver. 2, 14. cap. 17.4, 5.

[18] Job 21.5 e 29.9 e 40.4. Pro. 30.32. Miq. 7.16. cap. 17.10.

[19] ver. 7, 10. Deu. 33.22. Jos. 19.47.

[20] ver. 7.

[21] Num. 13.21. II Sam. 10.6.

[22] Jos. 19.47. Gen. 14.14. cap. 20.1. I Reis 12.29, 30 e 15.20.

[23] cap. 13.1. I Sam. 4.2, 3, 10, 11. Psa. 78.60, 61.

[24] Jos. 18.1. cap. 19.18 e 21.12.

_Os homens de Gibeah abusam da mulher d’um levita._

19 Aconteceu tambem n’aquelles dias, em que não _havia_ rei em Israel

que, houve um homem levita, que peregrinando [1] aos lados da montanha de

Ephraim, tomou para si _uma_ mulher concubina, de Beth-lehem [2] de Judah.

2 Porém a sua concubina fornicou contra elle, e foi-se d’elle para casa

de seu pae, a Beth-lehem de Judah, e esteve ali _alguns_ dias, _a saber_,

quatro mezes.

3 E seu marido se levantou, e partiu após d’ella, para lhe fallar

conforme ao seu coração, _e_ para tornar a trazel-a: e o seu moço e um

par de jumentos _iam_ com elle: e ella o levou a casa de seu pae, e,

vendo-o o pae da moça, alegrou-se ao encontrar-se com elle.

4 E seu sogro, o pae da moça, o deteve, e ficou com elle tres dias: e

comeram e beberam, e passaram ali a noite.

5 E succedeu que ao quarto dia pela manhã madrugaram, e elle levantou-se

para partir: então o pae da moça disse a seu genro: Conforta o teu

coração com [3] um bocado de pão, e depois partireis.

6 Assentaram-se pois, e comeram ambos juntos, e beberam; e disse o pae da

moça ao homem: Peço-te que ainda esta noite queiras passal-a _aqui_, e

alegre-se o teu coração.

7 Porém o homem levantou-se para partir: mas seu sogro o constrangeu a

tornar a passar ali a noite.

8 E, madrugando ao quinto dia pela manhã para partir, disse o pae da

moça: Ora conforta o teu coração. E detiveram-se até já declinar o dia: e

ambos _juntos_ comeram.

9 Então o homem levantou-se para partir, elle, e a sua concubina, e o seu

moço: e disse-lhe seu sogro, o pae da moça: Eis que já o dia se abaixa, e

_já_ a tarde vem entrando, peço-te que aqui passes a noite; eis que _já_

o dia vae acabando, passa aqui a noite, e que o teu coração se alegre; e

ámanhã de madrugada levantae-vos a caminhar, e vae-te para a tua tenda.

10 Porém o homem não quiz _ali_ passar a noite, mas levantou-se, e

partiu, e veiu até defronte de [4] Jebus (que _é_ Jerusalem), e com elle

o par de jumentos albardados, como tambem a sua concubina.

11 Estando _pois_ já perto de Jebus, e tendo-se _já_ declinado muito o

dia, disse o moço a seu senhor: Caminhae agora, e retiremo-nos a esta

cidade dos jebuseos, [5] e passemos ali a noite.

12 Porém disse-lhe seu senhor: Não nos retiraremos a nenhuma cidade

estranha, que não _seja_ dos filhos de Israel: mas passaremos até [6]

Gibeah.

13 Disse mais a seu moço; Caminha, e cheguemos a um d’aquelles logares, e

passemos em Gibeah ou em [7] Ramah.

14 Passaram pois _adiante_, e caminharam, e o sol se lhes poz junto a

Gibeah, que _é cidade_ de Benjamin.

15 E retiraram-se para lá, para entrarem a passar a noite em Gibeah; e,

entrando elle, assentou-se na praça da cidade, porque não _houve_ quem os

recolhesse em casa para ali [8] passarem a noite.

16 E eis que um homem velho vinha á tarde do seu trabalho do campo; e

_era_ este homem da montanha de Ephraim, mas peregrinava em Gibeah:

_eram_ porém os homens d’este logar filhos de Benjamin.

17 Levantando elle pois os olhos, viu a este passageiro na praça da

cidade, e disse o velho: Para onde vaes, e d’onde vens?

18 E elle lhe disse: Passamos de Beth-lehem de Judah até aos lados da

montanha de Ephraim, d’onde sou; porquanto fui a Beth-lehem de Judah:

porém _agora_ vou [9] á casa do Senhor; e ninguem _ha_ que me recolha em

casa,

19 Ainda que ha palha e pasto para os nossos jumentos, e tambem pão e

vinho ha para mim, e para a tua serva, e para o moço que _vem_ com os

teus servos: de coisa nenhuma _ha_ falta.

20 Então disse o velho: Paz _seja_ comtigo; [10] tudo quanto te faltar

_fique_ ao meu cargo: tão sómente não passes a noite na praça,

21 E trouxe-o a [11] sua casa, e deu pasto aos jumentos: e, lavando-se os

pés, comeram e beberam.

22 Estando elles alegrando o seu coração, eis que os homens d’aquella

cidade [12] (homens _que eram_ filhos de Belial) cercaram a casa, batendo

á porta; e fallaram ao velho, senhor da casa, dizendo: Tira para fóra o

homem que entrou em tua casa, para que o conheçamos.

23 E o homem, senhor da [13] casa, saiu a elles, e disse-lhes: Não,

irmãos meus, ora não façaes similhante mal: já que este homem entrou em

minha casa, não façaes tal loucura.

24 Eis que a minha filha [14] virgem e a concubina d’elle vol-as tirarei

fóra; humilhae-as a ellas, e fazei d’ellas o que parecer bem aos vossos

olhos; porém a este homem não façaes loucura similhante.

25 Porém aquelles homens não o quizeram ouvir: então aquelle homem pegou

da sua concubina, e lh’a tirou para fóra: [15] e elles a conheceram

e abusaram d’ella toda a noite até pela manhã, e, subindo a alva, a

deixaram.

26 E ao romper da manhã veiu a mulher, e caiu á porta da casa d’aquelle

homem, onde _estava_ seu senhor, e ficou ali até que se fez claro.

27 E, levantando-se seu senhor pela manhã, e abrindo as portas da casa, e

saindo a seguir o seu caminho, eis que a mulher, sua concubina, jazia á

porta da casa, com as mãos sobre o limiar.

28 E elle lhe disse: Levanta-te, e vamo-nos, porém não respondeu; [16]

então pôl-a sobre o jumento, e levantou-se o homem, e foi-se para o seu

logar.

29 Chegando pois á sua casa, tomou _um_ cutelo, e pegou na sua concubina,

e a despedaçou [17] com os seus ossos em doze partes: e enviou-as por

todos os termos de Israel.

30 E succedeu que cada um que _tal_ via dizia: Nunca tal se fez, nem se

viu desde o dia em que os filhos d’Israel subiram da terra do Egypto, até

_ao dia d_’hoje: ponderae isto _no coração_, [18] considerae, e fallae.

[1] cap. 17.6 e 18.1 e 21.25.

[2] cap. 17.7.

[3] Gen. 18.5.

[4] Jos. 18.28.

[5] Jos. 15.8, 63. cap. 1.21. II Sam. 5.6.

[6] Jos. 18.28.

[7] Jos. 18.25.

[8] Mat. 25.43. Heb. 13.2.

[9] Jos. 18.1. cap. 18.31 e 20.18. I Sam. 1.3, 7.

[10] Gen. 43.23. cap. 6.23. Gen. 19.2.

[11] Gen. 24.32 e 43.24 e 18.4. João 13.5.

[12] Gen. 19.4. cap. 20.5. Ose. 9.9 e 10.9. Deu. 13.13. Gen. 19.5. Rom.

1.26, 27.

[13] Gen. 19.6, 7. II Sam. 13.12.

[14] Gen. 19.8 e 34.2. Deu. 21.14.

[15] Gen. 4.1.

[16] cap. 20.5.

[17] cap. 20.6. I Sam. 11.7.

[18] cap. 20.7. Pro. 13.10.

_Os israelitas vingam o ultrage feito ao levita._

20 Então todos [1] os filhos d’Israel sairam, e a congregação se ajuntou,

como _se fôra_ um só homem, desde Dan até [2] Berseba como tambem a terra

de Gilead, ao Senhor em Mispah.

2 E _dos_ cantos de todo o povo se apresentaram _de_ todas as tribus

d’Israel na congregação do povo de Deus quatrocentos mil homens de pé [3]

que arrancavam a espada.

3 (Ouviram pois os filhos de Benjamin que os filhos d’Israel haviam

subido a Mispah) E disseram os filhos de Israel: Fallae, como succedeu

esta maldade?

4 Então respondeu o homem levita, marido da mulher que fôra morta, e

disse: Cheguei com a minha concubina a [4] Gibeah _cidade_ de Benjamin,

para passar a noite;

5 E os cidadãos de [5] Gibeah se levantaram contra mim, e cercaram a casa

de noite: intentaram matar-me, e violaram a minha concubina, _de maneira_

que morreu.

6 Então peguei [6] na minha concubina, e fil-a em pedaços, e a enviei por

toda a terra da herança d’Israel: porquanto fizeram _tal_ maleficio e

loucura em Israel.

7 Eis que todos [7] sois filhos d’Israel: dae aqui a vossa palavra e

conselho.

8 Então todo o povo se levantou como um só homem, dizendo: Nenhum _de

nós_ irá á sua tenda nem nenhum _de nós_ se retirará á sua casa.

9 Porém isto _é_ o que faremos a Gibeah: _procederemos_ contra ella por

sorte.

10 E tomaremos dez homens de cem de todas as tribus d’Israel, e cem de

mil, e mil de dez mil, para tomarem mantimento para o povo: para que,

vindo elles a Gibeah de Benjamin, _lhe_ façam conforme a toda a loucura

que tem feito em Israel.

11 Assim ajuntaram-se contra esta cidade todos os homens d’Israel,

alliados como um só homem.

12 E as tribus d’Israel enviaram homens por toda a tribu [8] de Benjamin,

dizendo: Que maldade _é_ esta que se fez entre vós?

13 Dae-_nos_ pois agora aquelles homens, [9] filhos de Belial, que

_estão_ em Gibeah, para que os matemos, e tiremos d’Israel o mal: porém

os _filhos_ de Benjamin não quizeram ouvir a voz de seus irmãos, os

filhos d’Israel.

14 Antes os filhos de Benjamin se ajuntaram das cidades em Gibeah, para

sairem a pelejar contra os filhos d’Israel.

15 E contaram-se n’aquelle dia os filhos de Benjamin, das cidades, vinte

e seis mil homens que arrancavam a espada, afóra os moradores de Gibeah,

de que se contaram setecentos homens escolhidos.

16 Entre todo este povo _havia_ setecentos homens escolhidos, [10]

canhotos, os quaes todos atiravam com a funda uma pedra a um cabello, e

não erravam.

17 E contaram-se dos homens d’Israel, afóra _os de_ Benjamin,

quatrocentos mil homens que arrancavam da espada, _e_ todos _elles_

homens de guerra.

18 E levantaram-se [11] os filhos d’Israel, e subiram a Beth-el, e

perguntaram a Deus, e disseram: Quem d’entre nós subirá o primeiro a

pelejar contra Benjamin? E disse o Senhor: Judah _subirá_ primeiro.

19 Levantaram-se pois os filhos d’Israel pela manhã, e acamparam-se

contra Gibeah.

20 E os homens d’Israel sairam á peleja contra Benjamin: e ordenaram os

homens d’Israel contra elles a peleja ao pé de Gibeah.

21 Então os filhos de Benjamin sairam [12] de Gibeah, e derribaram por

terra n’aquelle dia vinte e dois mil homens d’Israel.

22 Porém esforçou-se o povo dos homens d’Israel, e tornaram a ordenar a

peleja no logar onde no primeiro dia a tinham ordenado.

23 E subiram os filhos d’Israel, e choraram [13] perante o Senhor até á

tarde, e perguntaram ao Senhor, dizendo: Tornar-me-hei a chegar á peleja

contra os filhos de Benjamin, meu irmão? E disse o Senhor: Subi contra

elle.

24 Chegaram-se pois os filhos d’Israel aos filhos de Benjamin, no dia

seguinte.

25 Tambem os de Benjamin no dia seguinte lhes sairam [14] ao encontro

_fóra_ de Gibeah, e derribaram ainda por terra mais dezoito mil homens,

todos dos que arrancavam a espada.

26 Então todos os filhos de Israel, e todo o povo, subiram, [15] e vieram

a Beth-el, e choraram, e estiveram ali perante o Senhor, e jejuaram

aquelle dia até á tarde: e offereceram holocaustos e offertas pacificas

perante o Senhor.

27 E os filhos d’Israel perguntaram ao Senhor (porquanto a [16] arca do

concerto de Deus _estava_ ali n’aquelles dias;

28 E Phineas, [17] filho d’Eleazar, filho d’Aarão, estava perante elle

n’aquelles dias), dizendo: Sairei ainda mais a pelejar contra os filhos

de Benjamin, meu irmão, ou pararei? E disse o Senhor; Subi, que ámanhã eu

t’o entregarei na mão.

29 Então Israel poz emboscadas [18] em redor de Gibeah.

30 E subiram os filhos d’Israel ao terceiro dia contra os filhos de

Benjamin, e ordenaram _a peleja_ junto a Gibeah, como das outras vezes.

31 Então os filhos de Benjamin sairam ao encontro do povo, _e_

desviaram-se da cidade: e começaram a ferir _alguns_ do povo,

atravessando-os, como das outras vezes, pelos caminhos (um dos quaes sobe

para Beth-el, e o outro para Gibeah pelo campo), alguns trinta dos homens

d’Israel.

32 Então os filhos de Benjamin disseram: _Vão_ derrotados diante de nós

como d’antes. Porém os filhos d’Israel disseram: Fujamos, e desviemol-os

da cidade para os caminhos.

33 Então todos os homens de Israel se levantaram do seu logar, e

ordenaram, _a peleja_ em Baal-tamar: e a emboscada d’Israel saiu do seu

logar, da caverna de Gibeah.

34 E dez mil homens escolhidos de todo o Israel vieram contra Gibeah, e a

peleja se engraveceu: porém elles não sabiam [19] que o mal lhes tocaria.

35 Então feriu o Senhor a Benjamin diante d’Israel; e desfizeram os

filhos d’Israel n’aquelle dia vinte e cinco mil e cem homens de Benjamin,

todos dos que arrancavam espada.

36 E viram os filhos de Benjamin que estavam feridos: porque os homens

[20] d’Israel deram logar aos benjamitas, porquanto estavam confiados na

emboscada que haviam posto contra Gibeah.

37 E a [21] emboscada se apressou, e accommetteu a Gibeah: e a emboscada

arremetteu _contra ella_, e feriu ao fio da espada toda a cidade.

38 E os homens d’Israel tinham um signal determinado com a emboscada, que

_era_ quando fizessem levantar da cidade uma grande nuvem de fumo.

39 Viraram-se pois os homens d’Israel na peleja; e já Benjamin começava a

ferir, dos homens de Israel, quasi trinta homens, atravessando-os, porque

diziam: Já infallivelmente estão derrotados diante de nós, como na peleja

passada.

40 Então a nuvem de fumo se começou a levantar da cidade, _como uma_

columna de fumo: e, virando-se Benjamin a olhar para [22] traz de si, eis

que o fumo da cidade subia ao céu.

41 E os homens d’Israel viraram _os rostos_, e os homens de Benjamin

pasmaram; porque viram que o mal lhes tocaria.

42 E viraram _as costas_ diante dos homens d’Israel, para o caminho do

deserto; porém a peleja os apertou; e os das cidades os desfizeram no

meio d’elles.

43 E cercaram a Benjamin, _e_ o seguiram, _e_ descançadamente o pisaram,

até diante de Gibeah, para o nascente do sol.

44 E cairam de Benjamin dezoito mil homens, todos estes _sendo_ homens

valentes.

45 Então _viraram as costas_, e fugiram para o deserto, á penha de

Rimmon; [23] rabiscaram _ainda_ d’elles pelos caminhos _uns_ cinco mil

homens: e de perto os seguiram até Gideon, e feriram d’elles dois mil

homens.

46 E foram todos os que de Benjamin n’aquelle dia cairam vinte e cinco

mil homens que arrancavam a espada, todos elles homens valentes.

47 Porém seiscentos homens viraram _as costas_ e fugiram para o deserto,

á penha de [24] Rimmon: e ficaram na penha de Rimmon quatro mezes.

48 E os homens d’Israel voltaram para os filhos de Benjamin, e os feriram

ao fio da espada, desde os homens da cidade até aos animaes, até a tudo

quanto se achava, como tambem a todas as cidades quantas se acharam

pozeram a fogo.

[1] Deu. 13.12. Jos. 22.12. cap. 21.5. I Sam. 11.7.

[2] cap. 18.29. I Sam. 3.20. II Sam. 3.10 e 24.2. Jui. 10.17 e 11.11. I

Sam. 7.5 e 10.17.

[3] cap. 8.10.

[4] cap. 19.15.

[5] cap. 19.22, 25, 26.

[6] cap. 19.29. Jos. 7.15.

[7] cap. 19.30.

[8] Deu. 13.14. Jos. 22.13, 16.

[9] Deu. 13.13. cap. 19.22. Deu. 17.12.

[10] cap. 3.15. I Chr. 12.2.

[11] ver. 23, 26. Num. 27.21. cap. 1.1.

[12] Gen. 49.27.

[13] ver. 26, 27.

[14] ver. 21.

[15] ver. 18.

[16] Jos. 18.1. I Sam. 4.3, 4.

[17] Jos. 24.33. Deu. 10.8 e 18.5.

[18] Jos. 8.4.

[19] Jos. 8.14. Isa. 47.11.

[20] Jos. 8.15.

[21] Jos. 8.19.

[22] Jos. 8.20.

[23] Jos. 15.32.

[24] cap. 21.13.

_A ruina de Jabes Gilead._

[Antes de Christo 1322]

21 Ora tinham jurado [1] os homens d’Israel em Mispah, dizendo: Nenhum de

nós dará sua filha por mulher aos benjamitas.

2 Veiu pois o povo a [2] Beth-el, e ali ficaram até á tarde diante de

Deus: e levantaram a sua voz, e prantearam com grande pranto,

3 E disseram: Ah! Senhor Deus d’Israel, porque succedeu isto em Israel,

que hoje falte uma tribu em Israel?

4 E succedeu que, no dia seguinte, o povo pela manhã se levantou, e

edificou ali [3] _um_ altar; e offereceram holocaustos e offertas

pacificas.

5 E disseram os filhos d’Israel: Quem de todas as tribus d’Israel não

subiu ao ajuntamento ao Senhor? Porque se tinha feito _um_ grande

juramento [4] ácerca dos que não viessem ao Senhor a Mispah, dizendo:

Morrerá certamente.

6 E arrependeram-se os filhos d’Israel ácerca de Benjamin, seu irmão, e

disseram: Cortada é hoje d’Israel uma tribu.

7 Que faremos, ácerca de mulheres, com os que ficaram de resto, pois nós

temos jurado pelo Senhor que nenhuma de nossas filhas lhes dariamos por

mulheres?

8 E disseram: Ha alguma das tribus d’Israel que não subisse ao Senhor

a Mispah? E eis que ninguem de Jabes de Gilead [5] viera ao arraial, á

congregação.

9 Porquanto o povo se contou: e eis que nenhum dos moradores de Jabes de

Gilead se achou ali.

10 Então o ajuntamento enviou lá doze mil homens dos mais valentes, e

lhes ordenou, dizendo: Ide, [6] e ao fio da espada feri aos moradores de

Jabes de Gilead, e ás mulheres e aos meninos.

11 Porém isto _é_ o que haveis de fazer: A todo [7] o macho e a toda a

mulher que se houver deitado com um homem totalmente destruireis.

12 E acharam entre os moradores de Jabes de Gilead quatrocentas moças

virgens, que não conheceram homem deitando-se com macho: e as trouxeram

ao arraial, a Silo, [8] que _está_ na terra de Canaan.

_Dão-se quatrocentas mulheres aos benjamitas._

13 Então todo o ajuntamento enviou, e fallou aos filhos de Benjamin, que

_estavam_ na penha de Rimmon, [9] e lhes proclamou a paz.

14 E ao mesmo tempo voltaram os benjamitas; e deram-lhes as mulheres que

haviam guardado com vida, das mulheres de Jabes de Gilead: porém estas

ainda lhes não bastaram.

15 Então o povo [10] se arrependeu por causa de Benjamin: porquanto o

Senhor tinha feito abertura nas tribus d’Israel.

16 E disseram os anciãos do ajuntamento: Que faremos ácerca de mulheres

para os que ficaram de resto? pois as mulheres são destruidas de Benjamin.

17 Disseram mais: A herança dos que ficaram de resto é de Benjamin, e

nenhuma tribu de Israel deve ser destruida.

18 Porém nós não lhes poderemos dar mulheres de nossas filhas, porque os

filhos d’Israel juraram, [11] dizendo: Maldito _aquelle_ que der mulher

aos benjamitas.

19 Então disseram: Eis que de anno em anno _ha_ solemnidade do Senhor

em Silo, que _se celebra_ para o norte de Beth-el, da banda do nascente

do sol, pelo caminho alto que sobe de Beth-el a Sichem, e para o sul de

Lebona.

20 E mandaram aos filhos de Benjamin, dizendo: Ide, e emboscae-vos nas

vinhas,

21 E olhae, e eis ahi, saindo as filhas de Silo a dançar em ranchos, [12]

sahi vós das vinhas, e arrebatae-vos cada um sua mulher das filhas de

Silo, e ide-vos á terra de Benjamin.

22 E será que, quando seus paes ou seus irmãos vierem a litigar comnosco,

nós lhes diremos: Por amor de nós, tende compaixão d’elles, pois n’esta

guerra não tomámos mulheres para cada um d’elles: porque não lh’as déstes

vós, _para_ que agora ficasseis culpados?

23 E os filhos de Benjamin o fizeram assim, e levaram mulheres conforme

ao numero d’elles, das que arrebatavam dos ranchos que dançavam: e

foram-se, e voltaram á sua herança, e reedificaram as [13] cidades, e

habitaram n’ellas.

24 Tambem os filhos d’Israel partiram então d’ali, cada um para a sua

tribu e para a sua geração: e sairam d’ali, cada um para a sua herança.

25 N’aquelles dias não _havia_ rei em Israel: [14] porém cada um fazia o

_que parecia_ recto aos seus olhos.

[1] cap. 20.1.

[2] cap. 20.18, 26.

[3] II Sam. 24.25.

[4] cap. 5.23.

[5] I Sam. 11.1 e 31.11.

[6] ver. 5. cap. 5.23. I Sam. 11.7.

[7] Num. 31.17.

[8] Jos. 18.1.

[9] cap. 20.47.

[10] ver. 6.

[11] ver. 1. cap. 11.35.

[12] Exo. 15.20. cap. 11.14. I Sam. 18.6. Jer. 31.13.

[13] cap. 20.48.

[14] cap. 17.6 e 18.1 e 19.1. Deu. 12.8.

O LIVRO DE RUTH.

_Noemi e suas noras Orpha e Ruth._

[Antes de Christo 1312]

1 E succedeu que, nos dias em que os juizes [1] julgavam, houve uma fome

na terra: pelo que um homem de Beth-lehem de Judah saiu [2] a peregrinar

nos campos de Moab, elle e sua mulher, e seus dois filhos:

2 E _era_ o nome d’este homem Elimelech, e o nome de sua mulher [JB]

Noemi, e os nomes de seus dois filhos Mahon e Chilion, ephrateos, [3] de

Beth-lehem de Judah: e vieram aos campos de Moab, [4] e ficaram ali.

3 E morreu Elimelech, marido de Noemi: e ficou ella com os seus dois

filhos,

4 Os quaes tomaram para si mulheres moabitas: _e era_ o nome d’uma Orpha,

e o nome da outra Ruth; e ficaram ali quasi dez annos.

5 E morreram tambem ambos, Mahalon e Chilion, ficando assim esta mulher

_desamparada_ dos seus dois filhos e de seu marido.

6 Então se levantou ella com as suas noras, e voltou dos campos de Moab:

porquanto na terra de Moab ouviu que o Senhor tinha visitado o seu povo,

[5] dando-lhe pão.

7 Pelo que saiu do logar onde estivera, e as suas duas noras com ella. E,

indo ellas caminhando, para voltarem para a terra de Judah,

8 Disse Noemi ás suas duas noras: Ide, voltae cada uma á casa [6] de sua

mãe; e o Senhor use comvosco de benevolencia, como vós usastes com [7] os

defuntos e comigo.

9 O Senhor vos dê que acheis descanço cada uma em casa de seu marido. E,

beijando-as ella, levantaram a sua voz e choraram.

10 E disseram-lhe: Certamente voltaremos comtigo ao teu povo.

11 Porém Noemi disse: Tornae, minhas filhas, porque irieis comigo? tenho

eu ainda no meu ventre _mais_ filhos, para que vos fossem [8] por maridos?

12 Tornae, filhas minhas, ide-vos _embora_, que já mui velha sou para ter

marido: _ainda_ quando eu dissesse, Tenho esperança, _ou_ ainda que esta

noite tivesse marido e ainda parisse filhos,

13 Esperal-os-hieis até que viessem a ser grandes? deter-vos-hieis por

elles, sem tomardes marido? não, filhas minhas, que mais amargo me é a

mim do que a vós _mesmas_; porquanto a mão [9] do Senhor se descarregou

contra mim.

14 Então levantaram a sua voz, e tornaram a chorar: e Orpha beijou a sua

sogra, porém Ruth [10] se apegou a ella.

15 Pelo que disse: Eis que voltou tua cunhada ao seu povo [11] e aos seus

deuses: volta tu tambem após da tua cunhada.

16 Disse porém Ruth: Não me instes para que te deixe, [12] e me torne de

detraz de ti; porque aonde quer que tu fores irei eu, e onde quer que

pousares á noite ali pousarei eu; o teu povo _é_ o meu povo, o teu Deus

_é_ o meu Deus;

17 Onde quer que morreres morrerei eu, e ali serei sepultada: me [13]

faça assim o Senhor, e outro tanto, _se outra coisa_ que não seja a morte

me separar de ti.

18 Vendo ella, pois, [14] que de todo estava resolvida para ir com ella,

deixou de lhe fallar.

19 Assim _pois_ foram-se ambas, até que chegaram a Beth-lehem: e succedeu

que, entrando ellas em Beth-lehem, toda a cidade se commoveu por causa

d’ellas, [15] e diziam: _Não é_ esta Noemi?

20 Porém ella lhes dizia: Não me chameis [JC] Noemi; chamae-me [JD] Mara;

porque grande amargura me tem dado o Todo-poderoso.

21 Cheia parti, [16] porém vazia o Senhor me fez tornar: porque _pois_ me

chamareis Noemi? pois o Senhor testifica contra mim, e o Todo-poderoso me

tem feito _tanto_ mal.

22 Assim Noemi voltou, e com ella Ruth a moabita, sua nora, que voltou

dos campos de Moab: e chegaram a Beth-lehem [17] no principio da sega das

cevadas.

[1] Jui. 2.16. Gen. 12.10 e 26.1. II Reis 8.1.

[2] Jui. 17.8.

[3] Gen. 25.19.

[4] Jui. 3.30.

[5] Exo. 4.31. Luc. 1.68. Psa. 132.15. Mat. 6.11.

[6] Jos. 24.15. II Tim. 1.16, 17, 18.

[7] ver. 5. cap. 2.20 e 3.1.

[8] Gen. 38.11. Deu. 25.5.

[9] Jui. 2.15. Job 19.21.

[10] Pro. 17.17 e 18.24.

[11] Jui. 11.24. Jos. 24.15, 19. II Reis 2.2. Luc. 24.28.

[12] II Reis 2.2, 4, 6. cap. 2.11, 13.

[13] I Sam. 3.17 e 25.22. II Sam. 19.13. II Reis 6.31.

[14] Act. 21.14.

[15] Mat. 21.10. Isa. 23.7. Lam. 2.15.

[16] Job 1.21.

[17] Exo. 9.21, 32. cap. 2.23. II Sam. 21.9.

_Ruth vae rabiscar espigas._

2 E tinha Noemi um parente de seu marido, homem valente _e_ poderoso, [1]

da geração de Elimelech; e _era_ o seu nome Boaz.

2 E Ruth a moabita disse a Noemi: Deixa-me ir ao campo, e apanharei

espigas [2] após d’aquelle em cujos olhos eu achar graça. E ella lhe

disse: Vae, minha filha.

3 Foi pois, e chegou, e apanhava _espigas_ no campo após dos segadores:

e caiu-lhe em sorte uma parte do campo de Boaz, que _era_ da geração de

Elimelech.

4 E eis que Boaz veiu de Beth-lehem, e disse aos segadores: O Senhor

_seja_ comvosco. [3] E disseram-lhe elles: O Senhor te abençoe.

5 Depois disse Boaz a seu moço, que estava posto sobre os segadores: De

quem _é_ esta moça?

6 E respondeu o moço, que estava posto sobre os segadores, e disse: Esta

_é_ a moça moabita [4] que voltou com Noemi dos campos de Moab.

7 Disse-me ella: Deixa-me colher _espigas_, e ajuntal-_as_ entre [JE] as

gavellas após dos segadores. Assim ella veiu, e desde pela manhã está

_aqui_ até agora, a não ser um pouco que esteve sentada em casa.

_Boaz falla a Ruth benignamente._

8 Então disse Boaz a Ruth: Não ouves, filha minha? não vás colher a outro

campo, nem tão pouco passes d’aqui: porém aqui te ajuntarás com as minhas

moças.

9 Os teus olhos _estarão attentos_ no campo que segarem, e irás após

d’ellas; não dei ordem aos moços, que te não toquem? tendo tu sede, vae

aos vasos, e bebe do que os moços tirarem.

10 Então ella caiu sobre o seu rosto, e se inclinou á [5] terra: e

disse-lhe: Porque achei graça em teus olhos, para que faças caso de mim,

sendo eu _uma_ estrangeira?

11 E respondeu Boaz, e disse-lhe: Bem se me contou quanto fizeste [6]

a tua sogra, depois da morte de teu marido: e deixaste a teu pae e a

tua mãe, e a terra onde nasceste, e vieste para um povo que d’antes não

conheceste.

12 O Senhor galardoe [7] o teu feito: e seja cumprido o teu galardão do

Senhor Deus de Israel, sob [8] cujas azas te vieste abrigar.

13 E disse ella: Ache eu graça [9] em teus olhos, senhor meu, pois me

consolaste, e pois fallaste ao coração da tua serva, não sendo eu _ainda_

como uma das tuas creadas.

14 E, sendo já horas de comer, disse-lhe Boaz: Achega-te aqui, e come

do pão, e molha o teu bocado no vinagre. E ella se assentou ao lado dos

segadores, e elle lhe deu do _trigo_ tostado, e comeu, e se fartou, [10]

e _ainda_ lhe sobejou.

15 E, levantando-se ella a colher, Boaz deu ordem aos seus moços,

dizendo: Até entre as gavelas deixae-a colher, e não lh’o embaraceis.

16 E deixae cair alguns punhados, e deixae-os ficar, para que _os_ colha,

e não a reprehendaes.

17 E esteve ella apanhando n’aquelle campo até á tarde: e debulhou o que

apanhou, e foi quasi um epha de cevada.

18 E tomou-_o_, e veiu á cidade; e viu sua sogra o que tinha apanhado:

tambem tirou, e deu-lhe o [11] que lhe sobejara depois de fartar-se.

19 Então disse-lhe sua sogra: Onde colheste hoje, e onde trabalhaste?

bemdito seja aquelle que [12] te reconheceu. E relatou a sua sogra com

quem tinha trabalhado, e disse: O nome do homem com quem hoje trabalhei

_é_ Boaz.

20 Então Noemi disse a sua nora: Bemdito [13] _seja_ do Senhor, que

_ainda_ não tem deixado a sua beneficencia nem para com os vivos nem

para com os mortos. Disse-lhe mais Noemi: Este homem é nosso _parente_

chegado, [14] _e_ um d’entre os nossos remidores.

21 E disse Ruth, a moabita: Tambem ainda me disse: Com os moços que tenho

te ajuntarás, até que acabem toda a sega que tenho.

22 E disse Noemi a sua nora, Ruth: Melhor _é_, filha minha, que saias com

as suas moças, para que n’outro campo não te encontrem.

23 Assim, ajuntou-se com as moças de Boaz, para colher até que a sega das

cevadas e dos trigos se acabou; e ficou com a sua sogra.

[1] cap. 3.2, 12 e 4.21.

[2] Lev. 19.9. Deu. 24.19.

[3] Psa. 129.8. Luc. 1.28. II The. 3.16.

[4] cap. 1.22.

[5] I Sam. 25.23.

[6] cap. 1.14, 16, 17.

[7] I Sam. 24.19.

[8] cap. 1.16. Psa. 17.8 e 35.8 e 57.2 e 63.8.

[9] Gen. 33.15. I Sam. 1.18 e 25.41.

[10] ver. 18.

[11] ver. 14.

[12] ver. 10. Psa. 41.2.

[13] cap. 3.10. II Sam. 2.5. Job 29.13. Pro. 17.17.

[14] cap. 3.9 e 4.6.

_Ruth vae deitar-se aos pes de Boaz._

3 E disse-lhe [1] Noemi, sua sogra: Minha filha, não hei de eu buscar

descanço, para que fiques bem?

2 Ora pois, não _é_ Boaz, com cujas moças estiveste, [2] _de_ nossa

parentela? eis que esta noite padejará a cevada na eira.

3 Lava-te pois, [3] e unge-te, e veste os teus vestidos, e desce á eira:

_porém_ não te dês a conhecer ao homem, até que tenha acabado de comer e

beber.

4 E ha de ser que, quando elle se deitar, notarás o logar em que se

deitar; então entra, e descobrir-lhe-has os pés, e te deitarás, e elle te

fará saber o que deves fazer.

5 E ella lhe disse: Tudo quanto _me_ disseres, farei.

6 Então foi para a eira, e fez conforme a tudo quanto sua sogra lhe tinha

ordenado.

7 Havendo pois Boaz comido e bebido, e estando já o seu coração alegre,

[4] veiu deitar-se ao pé de uma meda; então veiu ella de mansinho, e lhe

descobriu os pés, e se deitou.

_Boaz promette a Ruth casar com ella._

8 E succedeu que, pela meia noite, o homem estremeceu, e se voltou: e eis

que _uma_ mulher jazia a seus pés.

9 E disse elle: Quem _és_ tu? E ella disse: _Sou_ Ruth, tua serva;

estende pois tua aba [5] sobre a tua serva, porque tu _és_ o [6] remidor,

10 E disse elle: Bemdita _sejas_ tu do [7] Senhor, minha filha; melhor

fizeste esta tua ultima beneficencia do que a primeira, pois após de

nenhuns mancebos foste, quer pobres quer ricos.

11 Agora pois, minha filha, não temas; tudo quanto disseste te farei,

pois toda a cidade do meu povo sabe que és mulher [8] virtuosa.

12 Porém agora é muito verdade que eu sou [9] remidor: mas ainda _outro_

remidor ha mais chegado do que eu.

13 Fica-te _aqui_ esta noite, e será que, pela manhã, se _elle_ te [10]

redimir, bem _está_, _elle te_ redima; porém, se te não quizer redimir,

vive o [11] Senhor, que eu te redimirei: deita-te _aqui_ até ámanhã.

14 Ficou-se pois deitada a seus pés até pela manhã, e levantou-se antes

que podesse [12] um conhecer a outro, porquanto disse: Não se saiba que

_alguma_ mulher veiu á eira.

15 Disse mais: Dá cá o roupão que _tens_ sobre ti, e tem mão n’elle. E

ella teve mão n’elle; e elle mediu seis _medidas_ de cevada, e lh’as poz

em cima; então entrou na cidade,

16 E veiu á sua sogra, a qual disse: Quem _és_ tu, minha filha? E ella

lhe contou tudo quanto aquelle homem lhe fizera.

17 Disse mais: Estas seis _medidas_ de cevada me deu, porque me disse:

Não vás vazia a tua sogra.

18 Então disse ella: Está quieta, minha filha, [13] até que saibas como

irá o caso, porque aquelle homem não descançará até que conclua hoje este

negocio.

[1] I Cor. 7.36. I Tim. 5.8. cap. 1.9.

[2] cap. 2.8.

[3] II Sam. 14.2.

[4] Jui. 19.6, 9, 22. II Sam. 13.28. Est. 1.10.

[5] Eze. 16.8.

[6] ver. 12. cap. 2.20.

[7] cap. 2.20.

[8] Pro. 12.4.

[9] ver. 9. cap. 4.1.

[10] Deu. 25.5. cap. 4.5. Mat. 22.24.

[11] Jui. 8.19. Jer. 4.2.

[12] Rom. 12.17 e 14.16. I Cor. 10.32. II Cor. 8.21. I The. 5.22.

[13] Psa. 37.3, 5.

_Boaz casa com Ruth._

4 E Boaz subiu á porta, e assentou-se ali: e eis que o remidor [1] de que

Boaz tinha fallado ia passando, e disse-lhe: Ó fulano, desvia-te _para

cá_, assenta-te aqui. E desviou-se _para ali_, e assentou-se.

2 Então tomou dez homens [2] dos anciãos da cidade, e disse: Assentae-vos

aqui. E assentaram-se.

3 Então disse ao remidor: Aquella parte da terra que _foi_ de Elimelech,

nosso irmão, Noemi, que tornou da terra dos moabitas, a vendeu.

4 E disse eu: Manifestal-o-hei _em_ teus ouvidos, dizendo: Toma-_a_

diante dos habitantes, e diante [3] dos anciãos do meu povo; se _a_ has

de redimir, redime-_a_, e, se não se houver de redimir, declara-m’o, para

que o saiba, pois outro não _ha_ senão [4] tu que _a_ redima, e eu depois

de ti. Então disse elle: Eu _a_ redimirei.

5 Disse porém Boaz: No dia em que tomares a terra da mão de Noemi, tambem

a tomarás da mão de Ruth, a moabita, mulher do defunto, para suscitar o

nome do defunto [5] sobre a sua herdade.

6 Então disse [6] o remidor: Para mim não _a_ poderei redimir, para que

não damne a minha herdade: redime tu a minha remissão para ti, porque eu

não _a_ poderei redimir.

7 Havia, pois, [7] já de muito tempo este _costume_ em Israel, emquanto

a remissão e contracto, para confirmar todo o negocio, que _o_ homem

descalçava o sapato e _o_ dava ao seu proximo: e isto _era_ por

testemunho em Israel.

8 Disse pois o remidor a Boaz: Toma-_a_ para ti. E descalçou o sapato.

9 Então Boaz disse aos anciãos e a todo o povo: _Sois_ hoje testemunhas

de que tomei tudo quanto _foi_ d’Elimelech, e de Chilion, e de Mahlon, da

mão de Noemi,

10 E de que tambem tomo por mulher a Ruth, a moabita, _que foi_ mulher de

Mahlon, para suscitar o nome do defunto sobre a sua herdade, [8] para que

o nome do defunto não seja desarraigado d’entre seus irmãos e da porta do

seu logar: _d’isto sois_ hoje testemunhas.

11 E todo o povo que _estava_ na porta, e os anciãos, disseram: _Somos_

testemunhas: [9] o Senhor faça a esta mulher, que entra na tua casa, como

a Rachel e como a Leah, [10] que ambas edificaram a casa d’Israel; e

ha-te já valorosamente em Ephrata, e faze-_te_ nome afamado em Beth-lehem.

12 E seja a tua casa como a casa de Perez [11] (que Tamar pariu a Judah),

da semente que o Senhor te der d’esta moça.

_Ruth dá á luz Obed, avô de David._

13 Assim tomou [12] Boaz a Ruth, e ella lhe foi por mulher; e elle entrou

a ella, e o Senhor lhe deu conceição, e pariu _um_ filho.

14 Então as mulheres disseram [13] a Noemi: Bemdito _seja_ o Senhor, que

não deixou hoje de te dar remidor, e seja o seu nome afamado em Israel.

15 Elle te será por recreador da alma, e conservará a tua velhice, pois

tua nora, que te ama, [14] o pariu, e ella te é melhor do que sete filhos.

16 E Noemi tomou o filho, e o poz no seu regaço, e foi sua ama.

17 E as visinhas [15] lhe deram _um_ nome, dizendo: A Noemi nasceu _um_

filho. E chamaram o seu nome Obed. Este _é_ o pae de [JF] Jessé, pae de

David.

18 Estas _são_ pois as gerações [16] de Perez: Perez gerou a Esrom,

19 E Esrom gerou a Arão, e Arão gerou a Amminadab,

20 E Amminadab gerou a Nahasson, e [17] Nahasson gerou a Salmon,

21 E Salmon gerou a Boaz, e Boaz gerou a Obed,

22 E Obed gerou a Jessé, [18] e Jessé gerou a David.

[1] cap. 3.12.

[2] I Reis 21.8. Pro. 31.23.

[3] Jer. 32.7, 8. Gen. 23.18.

[4] Lev. 25.25.

[5] Gen. 38.8. Deu. 25.5, 6. cap. 3.13. Mat. 22.24.

[6] cap. 2.12, 13.

[7] Deu. 25.7, 9.

[8] Deu. 25.6.

[9] Psa. 127.3 e 128.3.

[10] Deu. 25.9. Gen. 35.16, 19.

[11] Gen. 38.29. I Chr. 2.4. Mat. 1.3. I Sam. 2.20.

[12] cap. 3.11. Gen. 29.31 e 33.5.

[13] Luc. 1.58. Rom. 12.15.

[14] I Sam. 1.8.

[15] Luc. 1.58, 59.

[16] I Chr. 2.4, etc. Mat. 1.3.

[17] Num. 1.7. Mat. 1.4, etc.

[18] I Chr. 2.15. Mat. 1.6.

O PRIMEIRO LIVRO DE SAMUEL.

_Elcana e suas mulheres._

[Antes de Christo 1171]

1 Houve um homem de [1] Ramathaim de Zophim, da montanha de Ephraim, cujo

nome _era_ Elcana, filho de Jeroham, filho de Elihu, filho de Tohu, filho

de Suph, ephrateo.

2 E este tinha duas mulheres: o nome d’uma _era_ Anna, e o nome da outra

Peninna: e Peninna tinha filhos, porém Anna não tinha filhos.

3 Subia pois este homem da sua cidade [2] de anno em anno a adorar e a

sacrificar ao Senhor dos Exercitos em Silo: e _estavam_ ali os sacerdotes

do Senhor, Hophni e Phineas, os dois filhos d’Eli.

4 E succedeu _que_ no dia em que Elcana sacrificava [3] dava elle porções

a Peninna, sua mulher, e a todos os seus filhos, e a todas as suas filhas.

5 Porém a Anna dava uma parte excellente; porquanto a Anna amava, porém o

Senhor [4] lhe tinha cerrado a madre.

6 E a sua competidora excessivamente a irritava, [5] para a embravecer:

porquanto o Senhor lhe tinha cerrado a madre.

7 E assim o fazia _elle_ de anno em anno: desde que subia á casa do

Senhor, assim a _outra_ a irritava: pelo que chorava, e não comia.

8 Então Elcana, seu marido, lhe disse: Anna, porque choras? e porque não

comes? e porque está mal o teu coração? não te _sou_ [6] eu melhor do que

dez filhos?

_Anna roga a Deus que lhe dê um filho._

9 Então Anna se levantou, depois que comeram e beberam em Silo: e Eli,

sacerdote, estava assentado n’_uma_ cadeira, junto a um pilar do templo

[7] do Senhor.

10 Ella pois, com amargura [8] de alma, orou ao Senhor, e chorou

abundantemente.

11 E votou _um_ voto, [9] dizendo: Senhor dos Exercitos! se benignamente

attenderes para a afflicção da tua serva, e de mim te lembrares, e da

tua serva te não esqueceres, mas á tua serva deres _um_ filho varão, ao

Senhor o darei por todos os dias da sua vida, e sobre a sua cabeça não

subirá [10] navalha.

12 E succedeu que, perseverando ella em orar perante o Senhor, Eli fez

attenção á sua bocca.

13 Porquanto Anna no seu coração fallava, só se moviam os seus beiços,

porém não se ouvia a sua voz: pelo que Eli a teve por embriagada.

14 E disse-lhe Eli: Até quando estarás tu embriagada? aparta de ti o teu

vinho.

15 Porém Anna respondeu, e disse: Não, senhor meu, eu _sou uma_ mulher

attribulada de espirito; nem vinho nem bebida forte tenho bebido: [11]

porém tenho derramado a minha alma perante o Senhor.

16 Não tenhas _pois_ a tua serva por filha [12] de Belial: porque da

multidão dos meus cuidados e do meu desgosto tenho fallado até agora.

17 Então respondeu Eli, [13] e disse: Vae em paz: e o Deus de Israel _te_

conceda a tua petição que lhe pediste.

18 E disse ella: Ache a tua serva graça em teus olhos. [14] Assim a

mulher se foi seu caminho, e comeu, e o seu semblante já não era _triste_.

[Antes de Christo 1165]

19 E levantaram-se de madrugada, e adoraram perante o Senhor, e

tornaram-se, e vieram á sua casa, a Rama, e [15] Elcana conheceu a Anna,

sua mulher, e o Senhor se lembrou d’ella.

_Nasce Samuel e é consagrado a Deus._

20 E succedeu que, passado _algum_ tempo, Anna concebeu, e pariu _um_

filho, e chamou o seu nome [JG] Samuel; porque, _dizia ella_, o tenho

pedido ao Senhor.

21 E subiu aquelle homem [16] Elcana com toda a sua casa, a sacrificar ao

Senhor o sacrificio annual e _a cumprir_ o seu voto.

22 Porém Anna não subiu; mas disse a seu marido: Quando o menino fôr

desmamado, _então_ o levarei, [17] para que appareça perante o Senhor, e

lá fique para sempre.

23 E Elcana, [18] seu marido, lhe disse: Faze o que bem _te parecer_ em

teus olhos, fica até que o desmames; tão sómente confirme [19] o Senhor

a sua palavra: assim ficou a mulher, e deu leite a seu filho, até que o

desmamou.

24 E, havendo-o desmamado, o levou [20] comsigo, com tres bezerros, e um

epha de farinha, e um odre de [21] vinho, e o trouxe á casa do Senhor, a

Silo, e _era_ o menino _ainda muito_ creança.

25 E degolaram um bezerro: [22] e _assim_ trouxeram o menino a Eli.

26 E disse ella: Ah, meu senhor, viva [23] a tua alma, meu senhor; eu

_sou_ aquella mulher que aqui esteve comtigo, para orar ao Senhor.

27 Por este menino [24] orava eu; e o Senhor me concedeu a minha petição,

que eu lhe tinha pedido.

28 Pelo que tambem ao Senhor eu o entreguei, [25] por todos os dias que

viver: _pois_ ao Senhor foi pedido. E elle adorou ali ao Senhor.

[1] I Chr. 6.27, 34. Ruth 1.2.

[2] Exo. 23.14. Deu. 16.16. Luc. 2.41. Deu. 12.5, 6, 7. Jos. 18.1.

[3] Deu. 12.17, 18 e 16.11.

[4] Gen. 30.2.

[5] Job 24.21.

[6] Ruth 4.15.

[7] cap. 3.3.

[8] Job 7.11 e 10.1.

[9] Gen. 28.20. Num. 30.3. Jui. 11.30. Gen. 29.32. Exo. 4.31. II Sam.

16.12. Psa. 25.18. Gen. 8.1 e 30.22.

[10] Num. 6.5. Jui. 13.5.

[11] Psa. 62.8 e 142.2.

[12] Deu. 13.13.

[13] Jui. 18.6. Mar. 5.34. Luc. 7.50 e 8.48. Psa. 20.4, 5.

[14] Gen. 33.15. Ruth 2.13. Ecc. 9.7.

[15] Gen. 4.1 e 30.22.

[16] ver. 3.

[17] Luc. 2.22. ver. 11, 28. cap. 2.11, 18 e 3.1. Exo. 21.6.

[18] Num. 30.7.

[19] II Sam. 7.25.

[20] Deu. 12.5, 6, 11.

[21] Jos. 18.1.

[22] Luc. 2.22.

[23] Gen. 42.15. II Reis 2.2, 4, 6.

[24] Mat. 7.7.

[25] ver. 11, 22.

_O cantico de Anna._

2 Então orou Anna, e disse: O meu coração [1] exulta ao Senhor, o meu

[JH] poder está exaltado no Senhor: a minha bocca se dilatou sobre os

meus inimigos, porquanto me alegro na tua salvação.

2 Não _ha_ sancto [2] como _é_ o Senhor; porque não _ha_ outro fóra de

ti: e rocha nenhuma _ha_ como o nosso Deus.

3 Não multipliqueis palavras de altissimas altivezas, _nem_ [3] saiam

coisas arduas da vossa bocca: porque o Senhor _é_ o Deus de conhecimento,

e por elle são as obras pesadas _na balança_.

4 O arco [4] dos fortes _foi_ quebrado, e os que tropeçavam foram

cingidos de força.

5 Os fartos se alugaram por pão, e cessaram os famintos: [5] até a

esteril pariu [6] sete _filhos_, e a que tinha muitos filhos enfraqueceu.

6 O Senhor é [7] o que tira a vida e a dá: faz descer á sepultura e faz

_tornar a_ subir _d’ella_.

7 O Senhor empobrece [8] e enriquece: abaixa _e_ tambem exalta.

8 Levanta o pobre [9] do pó, _e_ desde o esterco exalta o necessitado,

para o fazer assentar entre os principes, para os fazer herdar o throno

de [10] gloria: porque do Senhor _são_ os alicerces da terra, e assentou

sobre elles o mundo.

9 Os pés [11] dos seus sanctos guardará, porém os impios ficarão mudos

nas trevas: porque o homem não prevalecerá pela força.

10 Os que contendem com o Senhor serão quebrantados, desde os céus [12]

trovejará sobre elles: o Senhor julgará as extremidades da terra: e dará

força ao seu rei, e exaltará [JI] o poder do seu ungido.

11 Então Elcana foi-se a Rama, á [13] sua casa: porém o menino ficou

servindo ao Senhor, perante o sacerdote Eli.

_Os crimes dos filhos de Eli._

12 _Eram_ porém os filhos d’Eli filhos de Belial, [14] não conheciam ao

Senhor.

13 Porquanto o costume d’aquelles sacerdotes com o povo _era que_,

offerecendo alguem _algum_ sacrificio, vinha o moço do sacerdote,

estando-se cozendo a carne, com um garfo de tres dentes em sua mão;

14 E dava _com elle_ na caldeira, ou na panella, ou no caldeirão, ou na

marmita; _e_ tudo quanto o garfo tirava, o sacerdote tomava para si:

assim faziam a todo o Israel que ia ali a Silo.

15 Tambem antes [15] de queimarem a gordura vinha o moço do sacerdote, e

dizia ao homem que sacrificava: Dá _essa_ carne para assar ao sacerdote:

porque não tomará de ti carne cozida, senão crua.

16 E, dizendo-lhe o homem: Queimem primeiro a gordura de hoje, e _depois_

toma para ti quanto desejar a tua alma, então elle lhe dizia: _Não_,

agora _a_ has de dar, e, se não, por força a tomarei.

17 Era pois muito grande o peccado d’estes mancebos perante [16] o

Senhor, porquanto os homens desprezavam a offerta do Senhor.

_O ministerio de Samuel._

18 Porém Samuel ministrava perante o Senhor, [17] _sendo ainda_ mancebo,

vestido com _um_ ephod de linho.

19 E sua mãe lhe fazia uma tunica pequena, e de anno em anno lh’a trazia,

quando [18] com seu marido subia a sacrificar o sacrificio annual.

20 E Eli abençoava [19] a Elcana e a sua mulher, e dizia: O Senhor te dê

semente d’esta mulher, pela petição que fez ao Senhor. E voltaram para o

seu logar.

21 Visitou pois [20] o Senhor a Anna, e concebeu, e pariu tres filhos e

duas filhas: e o mancebo Samuel crescia diante do Senhor.

22 Era porém Eli _já_ muito velho, e ouvia tudo quanto seus filhos faziam

a todo o Israel, e de como se deitavam com as mulheres [21] que em bandos

se ajuntavam á porta da tenda da congregação.

23 E disse-lhes: Porque fazeis taes coisas? porque ouço de todo este povo

os vossos maleficios.

24 Não, filhos meus, porque não _é_ boa fama esta que ouço: fazeis

transgredir o povo do Senhor.

25 Peccando homem contra homem, os juizes o julgarão; peccando porém o

homem contra o Senhor, [22] quem rogará por elle? Mas não ouviram a voz

de seu pae, [23] porque o Senhor os queria matar.

26 E o mancebo Samuel ia crescendo, [24] e _fazia-se_ agradavel, assim

para com o Senhor como _tambem_ para com os homens.

_Prophecia contra a casa de Eli._

27 E veiu um homem de Deus a Eli, e disse-lhe: [25] Assim diz o Senhor.

Não me manifestei, na verdade, á casa de teu pae, estando elles _ainda_

no Egypto, na casa de Pharaó?

28 E m’o escolhi [26] d’entre todas as tribus d’Israel por sacerdote,

para offerecer sobre o meu altar, para accender o incenso, e para trazer

o ephod perante mim, [27] e dei á casa de teu pae todas as offertas

queimadas dos filhos d’Israel.

29 Porque dáes [28] coices contra o sacrificio e contra a minha offerta

de manjares, que ordenei na _minha_ morada, e honras a teus filhos mais

do que a mim, para vos engordardes do principal de todas as offertas do

meu povo d’Israel?

30 Portanto, diz o Senhor Deus d’Israel: Na verdade tinha dito [29]

eu _que_ a tua casa e a casa de teu pae andariam diante de mim

perpetuamente; porém agora diz [30] o Senhor: Longe de mim tal coisa,

porque aos que me honram honrarei, porém os que me desprezam serão

envilecidos.

31 Eis que veem dias [31] em que cortarei o teu braço e o braço da casa

de teu pae, para que não haja _mais_ velho algum em tua casa.

32 E verás o aperto da morada _de Deus_, em logar de todo o bem que

houvera de fazer a Israel: nem haverá por todos os dias [32] velho algum

em tua casa.

33 O homem porém que eu te não desarraigar do meu altar _seria_ para vos

consumir os olhos e para te entristecer a alma: e toda a multidão da tua

casa morrerá quando chegar á _edade_ varonil.

34 E isto te _será por_ signal, _a saber_: o que sobrevirá a teus dois

filhos, a [33] Hophni e a Phineas, _que_ ambos morrerão no mesmo dia.

35 E eu suscitarei [34] para mim _um_ sacerdote fiel, que obrará segundo

o meu coração e a minha alma, e eu lhe edificarei uma casa firme, [35] e

andará sempre diante do meu ungido.

36 E será [36] que todo aquelle que ficar de resto da tua casa virá a

inclinar-se diante d’elle por uma moeda de prata e por um bocado de pão,

e dirá: Rogo-te que me admittas a algum ministerio sacerdotal, para que

possa comer um pedaço de pão.

[1] Phi. 4.6. Luc. 1.46, etc. Psa. 92.10 e 112.9.

[2] Exo. 15.11. Deu. 3.24 e 32.4. Deu. 4.35. II Sam. 22.32.

[3] Psa. 94.4. Mal. 3.13. Jud. 15.

[4] Psa. 37.15, 17 e 76.4. Mal. 3.13.

[5] Psa. 34.10. Luc. 1.53.

[6] Psa. 113.9. Isa. 54.1. Jer. 15.9.

[7] Deu. 32.39. Job 5.16. Ose. 6.1.

[8] Job 1.21. Psa. 75.8.

[9] Psa. 113.7, 8. Dan. 4.17. Luc. 1.52. Job 36.7.

[10] Job 38.4, 5, 6. Psa. 24.2. Heb. 1.3.

[11] Psa. 91.11 e 121.3.

[12] Psa. 2.9. cap. 7.10.

[13] ver. 18. cap. 3.1.

[14] Deu. 13.13. Jui. 2.10. Jer. 22.16. Rom. 1.28.

[15] Lev. 3.3, 4, 5, 16.

[16] Gen. 6.11. Mal. 2.8.

[17] ver. 11. Exo. 28.4. II Sam. 6.14.

[18] cap. 1.3.

[19] Gen. 14.19.

[20] Gen. 21.1. ver. 26. Jui. 13.24. cap. 3.19. Luc. 1.80 e 2.40.

[21] Exo. 38.8.

[22] Num. 15.30.

[23] Jos. 11.20. Pro. 15.10.

[24] ver. 21. Pro. 3.4. Luc. 2.52. Act. 2.47. Rom. 14.18.

[25] I Reis 13.1. Exo. 4.14, 27.

[26] Exo. 28.1, 4. Num. 16.5 e 18.1, 7.

[27] Lev. 2.3, 10 e 6.16. Num. 5.9.

[28] Deu. 32.15 e 12.5, 6.

[29] Exo. 29.9.

[30] Jer. 18.9, 10. Psa. 18.21 e 91.14. Mal. 2.9.

[31] II Reis 2.27. Eze. 44.10. cap. 4.11, 18, 20 e 14.3 e 22.18, etc.

[32] Zac. 8.4.

[33] I Reis 13.3. cap. 4.11.

[34] I Reis 2.35. I Chr. 29.22. Eze. 44.15.

[35] II Sam. 7.11, 27. I Reis 11.38. Psa. 2.2 e 18.50.

[36] I Reis 2.27.

_Deus falla com Samuel em sonhos._

[Antes de Christo 1141]

3 E o mancebo [1] Samuel servia ao Senhor perante Eli: e a palavra do

Senhor era de muita valia n’aquelles dias; não _havia_ visão manifesta.

2 E succedeu n’aquelle dia que, _estando_ Eli deitado no seu locar (e os

seus olhos se começavam [2] _já_ a escurecer, _que_ não podia ver),

3 E _estando tambem_ Samuel _já_ deitado, antes que a [3] lampada de Deus

se apagasse no templo do Senhor, em que _estava_ a arca de Deus,

4 O Senhor chamou a Samuel, e disse elle: Eis-me _aqui_.

5 E correu a Eli, e disse: Eis-me _aqui_, porque tu me chamaste. Mas elle

disse: Não _te_ chamei eu, torna a deitar-te. E foi e se deitou.

6 E o Senhor tornou a chamar outra vez a Samuel, e Samuel se levantou,

e foi-se a Eli, e disse: Eis-me _aqui_, porque tu me chamaste. Mas elle

disse: Não _te_ chamei eu, filho meu, torna a deitar-te.

7 Porém Samuel [4] ainda não conhecia ao Senhor, e ainda não lhe tinha

sido manifestada a palavra do Senhor.

8 O Senhor pois tornou a chamar a Samuel terceira vez, e elle se

levantou, e foi a Eli, e disse: Eis-me _aqui_, porque tu me chamaste.

Então entendeu Eli que o Senhor chamava o mancebo.

9 Pelo que Eli disse a Samuel: Vae te deitar, e ha de ser que, se te

chamar, dirás: Falla, Senhor, porque o teu servo ouve. Então Samuel foi e

se deitou no seu logar.

10 Então veiu o Senhor, e poz-se ali, e chamou como das outras vezes:

Samuel, Samuel. E disse Samuel: Falla, porque o teu servo ouve.

11 E disse o Senhor a Samuel: Eis aqui vou eu a fazer _uma_ coisa em

Israel, a qual todo o que ouvir [5] lhe tinirão ambas as orelhas.

12 N’aquelle mesmo dia suscitarei contra Eli tudo [6] quanto tenho

fallado contra a sua casa: começal-o-hei e acabal-o-hei.

13 Porque _já_ eu lhe fiz saber que julgarei [7] a sua casa para sempre,

pela iniquidade que bem conhecia, porque, fazendo-se os seus filhos

execraveis, não os reprehendeu.

14 Portanto, jurei á casa d’Eli [8] que nunca jámais será expiada a

iniquidade da casa d’Eli com sacrificio nem com offerta de manjares.

_Samuel conta a visão a Eli._

15 E Samuel ficou deitado até pela manhã, e _então_ abriu as portas da

casa do Senhor: porém temia Samuel de relatar esta visão a Eli.

16 Então chamou Eli a Samuel, e disse: Samuel, meu filho. E disse elle:

Eis-me _aqui_.

17 E elle disse: Que _é_ a palavra que te fallou? peço-te que m’_a_

não encubras: [9] assim Deus te faça, e outro tanto, se me encobrires

_alguma_ palavra de todas as palavras que te fallou.

18 Então Samuel lhe contou todas aquellas palavras, e nada lhe encobriu.

E disse elle: O Senhor _é_, [10] faça o que bem _parecer_ aos seus olhos.

19 E crescia Samuel, [11] e o Senhor era com elle, e nenhuma de todas as

suas palavras deixou cair em terra.

20 E todo o Israel, desde [12] Dan até Berseba, conheceu que Samuel

_estava_ confirmado por propheta do Senhor.

21 E continuou o Senhor a apparecer em Silo: porquanto o Senhor se

manifestava a Samuel [13] em Silo pela palavra do Senhor.

[1] cap. 2.11. Psa. 74.9. Amós 8.11. ver. 21.

[2] Gen. 27.1 e 48.10. cap. 2.22 e 4.15.

[3] Exo. 27.21. Lev. 24.3. II Chr. 13.11. cap. 1.9.

[4] Act. 19.2.

[5] II Reis 21.22. Jer. 19.3.

[6] cap. 2.30, 36.

[7] cap. 2.29, 30, 31, etc. Eze. 7.3 e 18.30. cap. 2.12, 17, 22, 23, 25.

[8] Num. 15.30, 31. Isa. 22.14.

[9] Ruth 1.17.

[10] Job 1.21 e 2.10. Psa. 39.19. Isa. 39.8.

[11] cap. 2.21. Gen. 39.2, 21, 23. cap. 9.6.

[12] Jui. 20.1.

[13] ver. 1, 4.

_Os philisteos vencem os israelitas._

4 E veiu a palavra de Samuel a todo o Israel: e Israel saiu ao encontro,

á peleja, aos philisteos, [1] e se acamparam junto a Eben-ezer: e os

philisteos se acamparam junto a Afek.

2 E os philisteos se dispozeram em ordem de batalha, para sair ao

encontro a Israel; e, estendendo-se a peleja, Israel foi ferido diante

dos philisteos, porque feriram na batalha, no campo, uns quatro mil

homens.

3 E tornando o povo ao arraial, disseram os anciãos d’Israel: Porque nos

feriu o Senhor hoje diante dos philisteos? tragamos de Silo a arca do

concerto do Senhor, e venha no meio de nós, para que nos livre da mão de

nossos inimigos.

4 Enviou pois o povo a Silo, e trouxeram de lá a arca do concerto do

Senhor dos exercitos, que habita _entre_ [2] os cherubins: e os dois

filhos d’Eli, Hophni e Phineas _estavam_ ali com a arca do concerto de

Deus.

5 E succedeu que, vindo a arca do concerto do Senhor ao arraial, todo o

Israel jubilou com grande jubilo, _até_ que a terra estremeceu.

6 E os philisteos, ouvindo a voz do jubilo, disseram: Que voz de _tão_

grande jubilo _é_ esta no arraial dos hebreos? então souberam que a arca

do Senhor era vinda ao arraial.

7 Pelo que os philisteos se atemorisaram; porque diziam: Deus veiu ao

arraial. E diziam _mais_: Ai de nós! que tal nunca jámais succedeu antes.

8 Ai de nós! quem nos livrará da mão d’estes grandiosos deuses? estes

_são_ os deuses que feriram aos egypcios com todas as pragas junto ao

deserto.

9 Esforçae-vos, e sêde homens, [3] ó philisteos, para que _porventura_

não venhaes a servir aos hebreos, como elles serviram a vós; [4] sêde

pois homens, e pelejae.

10 Então pelejaram os philisteos, [5] e Israel foi ferido, e fugiram cada

um para a sua tenda; e foi tão grande o estrago, que cairam de Israel

trinta mil homens de pé.

_A arca é tomada. Hophni e Phineas são mortos._

11 E foi tomada a [6] arca de Deus: e os dois filhos d’Eli, Hophni e

Phineas, morreram.

12 Então correu da batalha _um_ homem de Benjamin, e chegou no mesmo [7]

dia a Silo: _e trazia_ os vestidos rotos, e terra sobre a cabeça.

13 E, chegando elle, eis que Eli estava assentado sobre _uma_ [8]

cadeira, vigiando ao pé do caminho; porquanto o seu coração estava

tremendo pela arca de Deus: entrando pois aquelle homem a annunciar

_isto_ na cidade, toda a cidade gritou.

14 E Eli, ouvindo a voz do grito, disse: Que voz de alvoroço _é_ esta?

Então chegou aquelle homem a _grande_ pressa, e veiu, e _o_ annunciou a

Eli.

15 E _era_ Eli da edade de noventa e oito annos: e estavam os seus olhos

_tão_ escurecidos, [9] que _já_ não podia ver.

16 E disse aquelle homem a Eli: Eu _sou_ o que venho da batalha; porque

eu fugi hoje da batalha. E disse elle: [10] Que coisa succedeu, filho meu?

17 Então respondeu o que trazia as novas, e disse: Israel fugiu de diante

dos philisteos, e houve tambem grande desfeita entre o povo: e, _de mais

d’isto_, tambem teus dois filhos, Hophni e Phineas, morreram, e a arca de

Deus é tomada.

_A morte de Eli e da mulher de Phineas._

18 E succedeu que, fazendo elle menção da arca de Deus, _Eli_ caiu da

cadeira para traz, da banda da porta, e quebrou-se-lhe o pescoço e

morreu: porquanto o homem era velho e pesado; e tinha elle julgado a

Israel quarenta annos.

19 E, _estando_ sua nora, a mulher de Phineas, gravida, _e_ proxima ao

parto, e ouvindo estas novas, de que a arca de Deus era tomada, e de que

seu sogro e seu marido morreram, encurvou-se e pariu; porquanto as dores

lhe sobrevieram.

20 E, ao tempo em que ia morrendo, disseram as [11] mulheres que estavam

com ella: Não temas, pois pariste _um_ filho. Ella porém não respondeu,

nem fez caso d’isso.

21 E chamou ao menino [JJ] Icabod, dizendo: [12] Foi-se [13] a gloria de

Israel. Porquanto a arca de Deus foi levada presa, e por causa de seu

sogro e de seu marido.

22 E disse: De Israel a gloria é levada presa: pois é tomada a arca de

Deus.

[1] cap. 5.1 e 7.13.

[2] II Sam. 6.2. Psa. 80.1 e 99.1. Exo. 25.18, 22. Num. 7.89.

[3] I Cor. 16.13.

[4] Jui. 13.1.

[5] ver. 2. Lev. 26.17. Deu. 28.25. Psa. 78.9, 62.

[6] cap. 2.32. Psa. 78.61. cap. 2.34. Psa. 78.64.

[7] II Sam. 1.2. Jos. 7.6. II Sam. 13.19 e 15.32. Neh. 9.1. Job 2.12.

[8] cap. 1.9.

[9] cap. 3.2.

[10] II Sam. 1.4.

[11] Gen. 35.17.

[12] cap. 14.3.

[13] Psa. 26.8 e 78.61.

_A arca, na terra dos philisteos, causa-lhes afflicções._

5 Os philisteos pois tomaram a arca de Deus, e a trouxeram [1] de

Eben-ezer, a Asdod.

2 E tomaram os philisteos a arca de Deus, e a metteram na casa de Dagon,

e a pozeram junto a [2] Dagon.

3 Levantando-se porém de madrugada os d’Asdod, no dia seguinte, eis que

Dagon _estava_ [3] caido com o rosto em terra diante da arca do Senhor: e

tomaram a Dagon, e tornaram a pôl-o no seu logar.

4 E, levantando-se de madrugada no dia seguinte pela manhã, eis que [4]

Dagon jazia caido com o rosto em terra diante da arca do Senhor; e a

cabeça de Dagon e ambas as palmas das suas mãos cortadas sobre o lumiar;

sómente o _tronco_ ficou a Dagon.

5 Pelo que nem os sacerdotes de Dagon, nem _nenhum de_ todos os que

entram [5] na casa de Dagon pisam o lumiar de Dagon em Asdod, até _ao dia

d’_hoje.

6 Porém a mão [6] do Senhor se aggravou sobre os d’Asdod, e os assollou:

e os feriu com hemorrhoidas, a Asdod e aos seus termos.

7 Vendo então os homens d’Asdod que assim _foi_, disseram: Não fique

comnosco a arca do Deus de Israel; pois a sua mão é dura sobre nós, e

sobre Dagon, nosso deus.

8 Pelo que enviaram e congregaram a si todos os principes dos philisteos,

e disseram: Que faremos nós da arca do Deus d’Israel? E responderam: A

arca do Deus d’Israel dará volta a Gath. Assim a rodearam _com_ a arca do

Deus de Israel.

9 E succedeu _que_, desde que a rodearam com ella, a mão [7] do Senhor

veiu contra aquella cidade, com mui grande vexação: pois feriu aos homens

d’aquella cidade, desde o pequeno até ao grande: e tinham hemorrhoidas

nas partes secretas.

10 Então enviaram a arca de Deus a Ekron. Succedeu porém que, vindo a

arca de Deus a Ekron, os de Ekron exclamaram, dizendo: Transportaram para

mim a arca do Deus de Israel, para me matarem, a mim e ao meu povo.

11 E enviaram, e congregaram a todos os principes dos philisteos, e

disseram: Enviae a arca do Deus de Israel, e torne para o seu logar, para

que não mate nem a mim nem ao meu povo. Porque havia mortal vexação em

toda a cidade, _e_ a mão [8] de Deus muito se aggravara ali.

12 E os homens que não morriam eram _tão_ feridos com hemorrhoidas que o

clamor da cidade subia até o céu.

[1] cap. 4.1 e 7.12.

[2] Jui. 16.23.

[3] Isa. 19.1 e 46.1, 2. Isa. 46.7.

[4] Jer. 50.2. Eze. 6.4, 6. Miq. 1.7.

[5] Sof. 1.9.

[6] ver. 7, 11. Exo. 9.3. Psa. 32.4. Act. 3.11. cap. 6.5. Deu. 28.27. Psa.

78.66.

[7] Deu. 2.15. cap. 7.13 e 12.15. ver. 6, 11. Psa. 78.66.

[8] ver. 6, 9.

_Os philisteos enviam a arca para fóra da tua terra._

[Antes de Christo 1140]

6 Havendo pois estado a arca do Senhor na terra dos philisteos sete mezes,

2 Os philisteos [1] chamaram os sacerdotes e os adivinhadores, dizendo:

Que faremos nós da arca do Senhor? fazei-nos saber com que a tornaremos a

enviar ao seu logar.

3 Os quaes disseram: Se enviardes a arca do Deus de Israel, não a envieis

vazia, [2] porém sem falta lhe enviareis _uma offerta para_ a expiação da

culpa: então sereis curados, e se vos fará saber porque a sua mão se não

tira de vós.

4 Então disseram: Qual _é_ a expiação da culpa que lhe havemos de render?

E disseram: _Segundo_ o numero dos principes dos philisteos, cinco

hemorrhoidas de oiro e [3] cinco ratos de oiro: porquanto a praga [4] _é_

uma mesma sobre todos vós e sobre todos os vossos principes.

5 Fazei pois umas imagens das vossas hemorrhoidas e as imagens dos vossos

ratos, que andam destruindo a terra, e dae gloria ao Deus de Israel:

porventura alliviará a sua mão de cima de vós, e de cima do vosso deus,

[5] e de cima da vossa terra.

6 Porque pois endurecereis o vosso coração, como os egypcios e Pharaó

endureceram o seu coração? _porventura_ depois de os haver tratado tão

_mal_, os não deixaram ir, e elles não se foram?

7 Agora, pois, tomae e fazei-_vos_ [6] um carro novo, e _tomae_ duas

vaccas que criem, sobre as quaes não tenha subido o jugo, e atae as

vaccas ao carro, e levae os seus bezerros d’após d’ellas a casa.

8 Então tomae a arca do Senhor, e ponde-a sobre o carro, e mettei n’_um_

cofre, ao seu lado, as figuras de oiro que lhe haveis de render _em_

expiação da culpa, e _assim_ a enviareis, para que se vá.

9 Vêde então: se subir pelo caminho do seu termo a Beth-semes, [7] _foi_

elle _que_ nos fez este grande mal; e, se não, saberemos que não nos

tocou a sua mão, _e que_ isto nos succedeu por acaso.

10 E assim fizeram aquelles homens, e tomaram duas vaccas que criavam, e

as ataram ao carro: e os seus bezerros encerraram em casa.

11 E pozeram a arca do Senhor sobre o carro, como tambem o cofre com os

ratos de oiro e com as imagens das suas hemorrhoidas.

12 Então as vaccas se encaminharam direitamente pelo caminho de

Beth-semes, _e seguiam_ um mesmo caminho, andando e berrando, sem se

desviarem nem para a direita nem para a esquerda: e os principes dos

philisteos foram atraz d’ellas, até ao termo de Beth-semes.

_A arca chega a Beth-semes._

13 E _andavam os de_ Beth-semes segando a sega do trigo no valle, e,

levantando os seus olhos, viram a arca, e, vendo-_a_, se alegraram.

14 E o carro veiu ao campo de Josué, o beth-semita, e parou ali; e ali

_estava_ uma grande pedra: e fenderam a madeira do carro, e offereceram

as vaccas ao Senhor em holocausto.

15 E os levitas descenderam a arca do Senhor, como tambem o cofre

que _estava_ junto a ella, em que _estavam_ as obras de oiro, e

pozeram-_n’os_ sobre aquella grande pedra: e os homens de Beth-semes

offereceram holocaustos, e sacrificaram sacrificios ao Senhor no mesmo

dia.

16 E, vendo aquillo [8] os cinco principes dos philisteos, voltaram para

Ekron no mesmo dia.

17 Estas [9] pois _são_ as hemorrhoidas de oiro que enviaram os

philisteos ao Senhor _em_ expiação da culpa: por Asdod uma, por Gaza

outra, por Askelon outra, por Gath outra, por Ekron outra.

18 Como tambem os ratos de oiro, _segundo_ o numero de todas as cidades

dos philisteos, pertencentes aos cinco principes, desde as cidades fortes

até ás aldeias, e até Abel, a grande _pedra_ sobre a qual pozeram a arca

do Senhor, que _ainda está_ até _ao dia de_ hoje no campo de Josué, o

beth-semita.

19 E feriu [10] o Senhor os homens de Beth-semes, porquanto olharam para

dentro da arca do Senhor, até ferir do povo cincoenta mil e setenta

homens: então o povo se entristeceu, porquanto o Senhor fizera tão grande

estrago entre o povo.

20 Então disseram os homens de Beth-semes: Quem poderia [11] estar em pé

perante o Senhor, este Deus sancto? e a quem subirá desde nós?

21 Enviaram pois mensageiros aos habitantes de Kiriath-jearim, [12]

dizendo: Os philisteos remetteram a arca do Senhor; descei, _pois_, e

fazei-a subir para vós.

[1] Gen. 41.8. Exo. 7.11. Dan. 2.2 e 5.7. Mat. 2.4.

[2] Exo. 23.15. Deu. 16.16. Lev. 5.15, 16. ver. 9.

[3] ver. 17, 18. Jos. 13.3. Jui. 3.3.

[4] cap. 5.6. Jos. 7.19. Isa. 42.12. Mal. 2.2. João 9.24.

[5] cap. 5.4, 7. Exo. 7.13 e 8.15 e 14.17 e 12.31.

[6] II Sam. 6.3. Num. 19.2. ver. 4, 5.

[7] Jos. 15.10. ver. 3.

[8] Jos. 13.3.

[9] ver. 4.

[10] Exo. 19.21. Num. 4.5, 15, 20. II Sam. 6.7.

[11] II Sam. 6.9. Mal. 3.2.

[12] Jos. 18.14. Jui. 18.12. I Chr. 13.5, 6.

7 Então vieram os homens de [1] Kiriath-jearim, e levaram a arca do

Senhor, e a trouxeram á casa de Abinadab, [2] no outeiro: e consagraram a

Eleazar, seu filho, para que guardasse a arca do Senhor.

_Samuel exhorta ao arrependimento._

[Antes de Christo 1120]

2 E succedeu _que_, desde aquelle dia, a arca ficou em Kiriath-jearim, e

tantos dias se passaram que até chegaram vinte annos, e lamentava toda a

casa de Israel após do Senhor.

3 Então fallou Samuel a toda a casa de Israel, dizendo: Se com [3] todo

o vosso coração vos converterdes ao Senhor, tirae d’entre vós os deuses

estranhos e os astaroths, e [4] preparae o vosso coração ao Senhor, e

servi a elle só, e vos livrará da mão dos philisteos.

4 Então os filhos de Israel tiraram _d’entre si_ aos baalins e aos [5]

astaroths, e serviram só ao Senhor.

5 Disse mais Samuel: [6] Congregae a todo o Israel em Mispah: e orarei

por vós ao Senhor.

6 E congregaram-se em Mispah, e tiraram agua, [7] e _a_ derramaram

perante o Senhor, e jejuaram aquelle dia, e disseram ali: Peccámos contra

o Senhor. E julgava Samuel os filhos de Israel em Mispah.

_Os philisteos são vencidos._

7 Ouvindo pois os philisteos que os filhos d’Israel estavam congregados

em Mispah, subiram os maioraes dos philisteos contra Israel: _o que_

ouvindo os filhos de Israel, temeram por causa dos philisteos.

8 Pelo que disseram os filhos d’Israel a Samuel: Não cesses de [8] clamar

ao Senhor nosso Deus por nós, para que nos livre da mão dos philisteos.

9 Então tomou Samuel um cordeiro de mama, e sacrificou-_o_ inteiro _em_

holocausto ao Senhor: e clamou [9] Samuel ao Senhor por Israel, e o

Senhor lhe deu ouvidos.

10 E succedeu que, estando Samuel sacrificando o holocausto, os

philisteos chegaram á peleja contra Israel: e trovejou [10] o Senhor

aquelle dia com grande trovoada sobre os philisteos, e os aterrou _de tal

modo_ que foram derrotados diante dos filhos d’Israel.

11 E os homens d’Israel sairam de Mispah, e perseguiram os philisteos, e

os feriram até abaixo de Beth-car.

12 Então tomou [11] Samuel _uma_ pedra, e _a_ poz entre Mispah e Sen, e

chamou o seu nome [JK] Eben-ezer: e disse: Até aqui nos ajudou o Senhor.

13 Assim os philisteos foram abatidos, [12] e nunca mais vieram aos

termos d’Israel, porquanto foi a mão do Senhor contra os philisteos todos

os dias de Samuel.

14 E as cidades que os philisteos tinham tomado a Israel foram

restituidas a Israel, desde Ekron até Gath, e _até_ os seus termos Israel

arrebatou da mão dos philisteos; _e_ houve paz entre Israel e entre os

amorrheos.

15 E Samuel julgou [13] a Israel todos os dias da sua vida.

16 E ia de anno, em anno, e rodeava a Beth-el, e a Gilgal, e a Mispah, e

julgava a Israel em todos aquelles logares.

17 Porém voltava [14] a Rama, porque _estava_ ali a sua casa, e ali

julgava a Israel: e edificou [15] ali um altar ao Senhor.

[1] cap. 6.21. Psa. 132.6.

[2] II Sam. 6.4.

[3] Deu. 30.2-10. I Reis 8.48. Isa. 55.7, 8. Jos. 24.14, 23. Jui. 2.13.

[4] II Chr. 30.19. Job 11.13, 14. Deu. 6.13 e 10.20 e 13.4. Mat. 4.10.

Luc. 4.8.

[5] Jui. 2.11.

[6] Jui. 20.1. II Reis 25.23.

[7] II Sam. 14.14. Neh. 9.1, 2. Dan. 9.3, 4, 5. Joel 2.12. Jui. 10.10. I

Reis 8.47. Psa. 106.6.

[8] Isa. 37.4.

[9] Psa. 99.6. Jer. 15.1.

[10] Jos. 10.10. Jui. 4.15 e 5.20. cap. 2.10. II Sam. 22.14, 15.

[11] Gen. 28.18 e 31.45 e 35.14. Jos. 4.9 e 24.26.

[12] Jui. 13.1. cap. 13.5.

[13] ver. 6. cap. 12.11. Jui. 2.16.

[14] cap. 8.4.

[15] Jui. 21.4.

_Os israelitas pedem um rei e Deus concede-o._

[Antes de Christo 1095]

8 E succedeu que, tendo Samuel envelhecido, constituiu [1] a seus filhos

por juizes sobre Israel.

2 E era o nome do seu filho primogenito Joel, e o nome do seu segundo

Abia: e _foram_ juizes em Berseba.

3 Porém seus filhos não andaram pelos caminhos d’elle, [2] antes se

inclinaram á avareza, e tomaram presentes, e perverteram o juizo.

4 Então todos os anciãos de Israel se congregaram, e vieram a Samuel, a

Rama.

5 E disseram-lhe: Eis que _já_ estás velho, e teus filhos não andam pelos

teus caminhos; constitue-nos [3] pois agora um rei sobre nós, para que

elle nos julgue, como _o teem_ todas as nações.

6 Porém esta palavra pareceu mal aos olhos de Samuel, quando disseram:

Dá-nos um rei, para que nos julgue. E Samuel orou ao Senhor.

7 E disse o Senhor a Samuel: Ouve a voz do povo em tudo quanto te

disserem, pois não te teem rejeitado a ti, [4] antes a mim me teem

rejeitado para eu não reinar sobre elles.

8 Conforme a todas as obras que fizeram desde o dia em que os tirei do

Egypto até _ao dia de_ hoje, e a mim me deixaram, e a outros deuses

serviram, assim tambem te fizeram a ti.

9 Agora, pois, ouve a sua voz, porém protesta-lhes solemnemente, e

declara-lhes _qual será_ o [5] costume do rei que houver de reinar sobre

elles.

10 E fallou Samuel todas as palavras do Senhor ao povo, que lhe pedia um

rei.

11 E disse: Este será [6] o costume do rei que houver de reinar sobre

vós: elle tomará [7] os vossos filhos, e _os_ empregará para os seus

carros, e para seus cavalleiros, para que corram adiante dos seus carros.

12 E os porá por principes de milhares e por cincoentenarios; e para

que lavrem a sua lavoura, e seguem a sua sega, e façam as suas armas de

guerra e os petrechos de seus carros.

13 E tomará as vossas filhas para perfumistas, cozinheiras, e padeiras.

14 E tomará [8] o melhor das vossas terras, e das vossas vinhas, e dos

vossos olivaes, e _os_ dará aos seus creados.

15 E as vossas, sementes, e as vossas vinhas dizimará, para dar aos seus

[JL] eunuchos, e aos seus creados.

16 Tambem os vossos creados, e as vossas creadas, e os vossos melhores

mancebos, e _os_ vossos jumentos tomará, e os empregará no seu trabalho.

17 Dizimará o vosso rebanho, e vós lhe servireis de creados.

18 Então n’aquelle dia clamareis por causa do vosso rei, que vós

houverdes escolhido; mas o Senhor não vos ouvirá n’aquelle [9] dia.

19 Porém o povo não quiz ouvir a voz de Samuel; e disseram: Não, mas

haverá sobre nós [10] um rei.

20 E nós tambem seremos como todas [11] as _outras_ nações; e o nosso rei

nos julgará, e sairá adiante de nós, e fará as nossas guerras.

21 Ouvindo pois Samuel todas as palavras do povo, as fallou perante os

ouvidos do Senhor.

22 Então o Senhor disse a Samuel: Dá ouvidos á sua voz, [12] e

constitue-lhes rei. Então Samuel disse aos filhos de Israel: Vá-se cada

qual á sua cidade.

[1] Deu. 16.18. II Chr. 19.5. Jui. 10.4 e 12.14. Jui. 5.10. I Chr. 6.28.

[2] Jer. 22.15, 16, 17. Exo. 18.21. I Tim. 3.3 e 6.10. Deu. 16.19. Psa.

15.5.

[3] ver. 19, 20. Deu. 17.14. Ose. 13.10. Act. 13.21.

[4] Exo. 16.8. cap. 10.19 e 12.17, 19. Ose. 13.10, 11.

[5] ver. 11.

[6] Deu. 17.16, etc.

[7] cap. 14.52.

[8] I Reis 21.7. Eze. 46.18.

[9] Pro. 1.25, 26, 27, 28. Isa. 1.15. Miq. 3.4.

[10] Jer. 44.16.

[11] ver. 5.

[12] ver. 7. Ose. 13.11.

_Saul busca as jumentas extraviadas e vae ter com Samuel._

9 E havia um homem de Benjamin, cujo nome _era_ Kis, [1] filho de Abiel,

filho de Zeror, filho de Bechorath, filho de Aphia, filho d’um homem de

Benjamin: varão alentado em força.

2 Este tinha um filho, cujo nome _era_ Saul, mancebo, e tão bello que

entre os filhos de Israel não _havia_ outro homem mais bello do que elle;

desde os hombros [2] para cima sobresahia a todo o povo.

3 E perderam-se as jumentas de Kis, pae de Saul; pelo que disse Kis a

Saul, seu filho: Toma agora comtigo um dos moços, e levanta-te _e_ vae a

buscar as jumentas.

4 Passou pois pela montanha de Ephraim, e _d’ali_ passou á terra de

Salisa, porém [3] não _as_ acharam: depois passaram á terra de Sahalim,

porém tão pouco _estavam ali_: tambem passou á terra de Benjamin, porém

tão pouco _as_ acharam.

5 Vindo elles então á terra de Zuph, Saul disse para o seu moço, com quem

elle _ia_: Vem, e voltemos; para que porventura meu pae não deixe _de

inquietar-se_ pelas jumentas e se afflija por causa de nós.

6 Porém elle lhe disse: Eis que _ha_ n’esta cidade um homem de Deus, e

homem honrado _é_: [4] tudo quanto diz, succede _assim_ infallivelmente:

vamo-nos agora lá; porventura nos mostrará o caminho que devemos seguir.

7 Então Saul disse ao seu moço: Eis, porém, _se lá_ formos, que levaremos

então áquelle homem? porque o pão de nossos alforges se acabou, e

presente nenhum temos que levar [5] ao homem de Deus: que temos?

8 E o moço tornou a responder a Saul, e disse: Eis que ainda se acha na

minha mão um quarto d’um siclo de prata, _o qual_ darei ao homem de Deus,

para que nos mostre o caminho.

9 (Antigamente em Israel, indo qualquer consultar [6] a Deus, dizia

assim: Vinde, e vamos ao vidente: porque ao propheta de hoje antigamente

se chamava [7] vidente.)

10 Então disse Saul ao moço: Bem dizes, vem, _pois_, vamos. E foram-se á

cidade onde _estava_ o homem de Deus.

11 _E_, subindo elles pela subida da cidade, acharam [8] umas moças que

sahiam a tirar agua; e disseram-lhes: Está cá o vidente?

12 E ellas lhes responderam, e disseram: Sim, eil-o aqui tens diante de

ti: apressa-te pois, porque hoje veiu á cidade; porquanto o povo tem hoje

sacrificio [9] no alto.

13 Entrando vós na cidade, logo o achareis, antes que suba ao alto para

comer; porque o povo não comerá, até que elle venha; porque elle _é o

que_ abençoa o sacrificio, _e_ depois comem os convidados: subi pois

agora, que hoje o achareis.

14 Subiram pois á cidade: _e_, vindo elles no meio da cidade, eis que

Samuel lhes saiu ao encontro, para subir ao alto.

15 Porque o Senhor _o_ revelara aos ouvidos [10] de Samuel, um dia antes

que Saul viesse, dizendo:

16 Ámanhã a estas horas te enviarei _um_ homem da terra de Benjamin,

o qual ungirás [11] _por_ capitão sobre o meu povo de Israel, e elle

livrará o meu povo da mão dos philisteos; [12] porque tenho olhado para o

meu povo; porque o clamor chegou a mim.

17 E quando Samuel viu a Saul, o Senhor lhe respondeu: Eis aqui [13] o

homem de quem já te tenho dito. Este dominará sobre o meu povo.

18 E Saul se chegou a Samuel no meio da porta, e disse: Mostra-me,

peço-te, onde _está aqui_ a casa do vidente.

19 E Samuel respondeu a Saul, e disse: Eu _sou_ o vidente; sobe diante

de mim ao alto, e comei hoje comigo; e pela manhã te despedirei, e tudo

quanto _está_ no teu coração, t’o declararei.

20 E quanto ás jumentas [14] que _ha_ tres dias se te perderam, não

occupes o teu coração com ellas, porque _já_ se acharam. E para quem _é_

todo o desejo de Israel? _porventura_ não _é_ para [15] ti, e para toda a

casa de teu pae?

21 Então respondeu Saul, e disse: _Porventura_ não _sou_ eu filho de

Benjamin, da mais pequena das tribus de Israel? [16] e a minha familia a

mais pequena de todas as familias da tribu de Benjamin? porque pois me

fallas com similhantes palavras?

22 Porém Samuel tomou a Saul e ao seu moço, e os levou á camara; e

deu-lhes logar a cima de todos os convidados, que _eram_ uns trinta

homens.

23 Então disse Samuel ao cozinheiro: Dá cá a porção que te dei, de que te

disse: Pôe-n’a á parte comtigo.

24 Levantou pois o cozinheiro a espadoa, [17] com o que _havia_ n’ella, e

pôl-a diante de Saul: e disse _Samuel_: Eis que isto é o sobejo; pôe-n’o

diante de ti, _e_ come; porque se guardou para ti para esta occasião,

dizendo eu: Tenho convidado o povo. Assim comeu Saul aquelle dia com

Samuel.

25 Então desceram do alto para a cidade; e fallou com Saul sobre o eirado.

26 E se levantaram de madrugada; e succedeu que, quasi ao subir da alva,

chamou Samuel a Saul ao eirado, dizendo: Levanta-te, e despedir-te-hei.

Levantou-se Saul, e sairam para fóra ambos, elle e Samuel.

27 E, descendo elles para a extremidade da cidade, Samuel disse a Saul:

Dize ao moço que passe adiante de nós; (e passou) porém tu espera agora,

e te farei ouvir a palavra de Deus.

[1] cap. 14.51. I Chr. 8.33 e 9.39.

[2] cap. 10.26.

[3] II Reis 4.42.

[4] Deu. 33.1. I Reis 13.1. cap. 3.19.

[5] Jui. 6.18 e 13.17. I Reis 14.3. II Reis 4.42 e 8.8.

[6] Gen. 25.22.

[7] II Sam. 24.11. II Reis 17.13. I Chr. 26.28 e 29.29. II Chr. 16.7, 10.

Isa. 30.10. Amós 7.12.

[8] Gen. 24.11.

[9] Gen. 31.54. cap. 16.2. I Reis 3.2.

[10] cap. 15.1. Act. 13.21.

[11] cap. 10.1.

[12] Exo. 2.25 e 3.7, 9.

[13] cap. 16.12. Ose. 13.11.

[14] ver. 3.

[15] cap. 8.5, 19 e 12.13.

[16] cap. 15.17. Jui. 20.46, 47, 48. Psa. 68.28. Jui. 6.15.

[17] Lev. 7.32, 33. Eze. 24.4.

_Samuel unge Saul como rei de Israel._

10 Então tomou Samuel [1] _um_ vaso de azeite, e lh’_o_ derramou sobre a

cabeça, e o beijou, e disse: _Porventura_ te não tem ungido [2] o Senhor

_por_ capitão sobre a sua herdade?

2 Partindo-te hoje de mim, acharás dois homens junto ao [3] sepulchro de

Rachel, no termo de Benjamin, em Zelsah, os quaes te dirão: Acharam-se as

jumentas que foste buscar, e eis que já o teu pae deixou o negocio das

jumentas, e anda afflicto por causa de vós, dizendo: Que farei eu por meu

filho?

3 E quando d’ali passares mais adiante, e chegares ao carvalho de Tabor,

ali te encontrarão tres homens, que vão subindo a [4] Deus a Beth-el: um

levando tres cabritos, o outro tres bolos de pão, e o outro um odre de

vinho.

4 E te perguntarão como estás, e te darão dois pães, que tomarás da sua

mão.

5 Então virás ao [5] outeiro de Deus, onde _está_ a guarnição dos

philisteos; e ha de ser que, entrando ali na cidade, encontrarás um

rancho de prophetas que descem do alto, e [6] _trazem_ diante de si

psalterios, e tambores, e flautas, e harpas; e prophetizarão.

6 E o espirito [7] do Senhor se apoderará de ti, e prophetizarás com

elles, e te mudarás em outro homem.

7 E ha de ser que, quando estes signaes [8] te vierem, faze o que achar a

tua mão, porque Deus _é_ comtigo.

8 Tu porém descerás diante de mim a Gilgal, [9] e eis que eu descerei a

ti, para sacrificar holocaustos, _e_ para offerecer offertas pacificas:

_ali_ sete dias esperarás, [10] até que eu venha a ti, e te declare o que

has de fazer.

9 Succedeu pois que, virando elle as costas para partir de Samuel, Deus

lhe mudou o coração _em_ outro: e todos aquelles signaes aconteceram

aquelle _mesmo_ dia.

10 E, chegando [11] elles ao outeiro, eis que _um_ rancho de prophetas

lhes saiu ao encontro: e o espirito do Senhor se apoderou d’elle, e

prophetizou no meio d’elles.

11 E aconteceu que, como todos os que d’antes o conheciam viram que eis

que com os prophetas prophetizava, então disse o povo, cada qual ao seu

companheiro: Que _é o que_ succedeu ao filho de Kis? Está tambem [12]

Saul entre os prophetas?

12 Então um _homem_ d’ali respondeu, e disse: Pois quem _é_ [13] o pae

d’elles? Pelo que se tornou em proverbio: _Está_ tambem Saul entre os

prophetas?

13 E, acabando de prophetizar, veiu ao alto.

14 E disse-lhe o tio de Saul, a elle e ao seu moço: Aonde fostes? E disse

elle: A buscar as jumentas, e, vendo que não _appareciam_, viemos a

Samuel.

15 Então disse o tio de Saul: Declara-me, peço-te, que _é o que_ vos

disse Samuel?

16 E disse Saul a seu tio: Declarou-nos, na verdade, que as jumentas

se acharam. Porém o negocio do reino, de que Samuel fallara, lhe não

declarou.

_O povo escolhe Saul para seu rei._

17 Convocou pois Samuel o povo ao Senhor [14] em Mispah.

18 E disse aos filhos de Israel: [15] Assim disse o Senhor Deus de

Israel: Eu fiz subir a Israel do Egypto, e livrei-vos da mão dos egypcios

e da mão de todos os reinos que vos opprimiam.

19 Mas vós tendes rejeitado hoje [16] a vosso Deus, que vos livrou de

todos os vossos males e trabalhos, e lhe tendes dito: Põe _um_ rei sobre

nós: agora, pois, ponde-vos perante o Senhor, pelas vossas tribus e pelos

vossos milhares.

20 Fazendo pois chegar [17] Samuel todas as tribus, tomou-se a tribu de

Benjamin.

21 E, fazendo chegar a tribu de Benjamin pelas suas familias, tomou-se a

familia de Matri: e _d’ella_ se tomou Saul, filho de Kis; e o buscaram,

porém não se achou.

22 Então tornaram a perguntar [18] ao Senhor se aquelle homem ainda viria

ali. E disse o Senhor: Eis que se escondeu entre a bagagem.

23 E correram, e o tomaram d’ali, e poz-se no meio do povo: e era [19]

mais alto do que todo o povo desde o hombro para cima.

24 Então disse Samuel a todo o povo: Vêdes já a quem o Senhor tem

elegido? [20] pois em todo o povo _não ha_ nenhum similhante a elle.

Então jubilou todo o povo, e disseram: Viva o rei!

25 E declarou Samuel ao povo o direito do reino, [21] e escreveu-_o_ n’um

livro, e pôl-_o_ perante o Senhor: então enviou Samuel a todo o povo,

cada _um_ para sua casa.

26 E foi-se tambem Saul a sua casa, a [22] Gibeah: e foram com elle do

exercito _aquelles_ cujos corações Deus tocara.

27 Mas os filhos [23] de Belial disseram: _É_ este o que nos ha de

livrar? E o desprezaram, [24] e não lhe trouxeram presentes: porém elle

se fez como surdo.

[1] cap. 9.16 e 16.13. II Reis 9.3, 6. Psa. 2.12. Act. 13.21.

[2] Deu. 32.9. Psa. 78.71.

[3] Gen. 35.19, 20. Jos. 18.28.

[4] Gen. 28.22 e 35.1, 3, 7.

[5] ver. 10. cap. 13.3.

[6] cap. 9.12. Exo. 15.20, 21. II Reis 3.15. I Cor. 14.1.

[7] Num. 11.25. cap. 16.13. ver. 10. cap. 19.23.

[8] Exo. 4.8. Luc. 2.12. Jui. 6.12.

[9] cap. 11.14, 15 e 13.4.

[10] cap. 13.8.

[11] ver. 5. cap. 19.20. ver. 6.

[12] cap. 19.24. Mat. 13.54, 55. João 7.15. Act. 4.13.

[13] Isa. 54.13. João 6.45 e 7.16.

[14] Jui. 11.11 e 20.1. cap. 11.15 e 7.5, 6.

[15] Jui. 6.8, 9.

[16] cap. 8.7, 19 e 12.12.

[17] Jos. 7.14, 16, 17. Act. 1.24, 26.

[18] cap. 23.2, 4, 10, 11.

[19] cap. 9.2.

[20] II Sam. 21.6. I Reis 1.25, 39. II Reis 11.12.

[21] Deu. 17.14, etc. cap. 8.11.

[22] Jui. 20.14. cap. 11.4.

[23] cap. 11.12. Deu. 13.13.

[24] II Sam. 8.2. I Reis 4.21 e 10.25. II Chr. 17.5. Psa. 72.10. Mat.

2.11.

_Saul vence os ammonitas._

11 Então subiu Nahas, ammonita, [1] e sitiou a Jabez-gilead: e disseram

todos os homens de Jabez a Nahas: Faze alliança [2] comnosco, e te

serviremos.

2 Porém Nahas, ammonita, lhes disse: Com esta _condição_ farei _alliança_

comvosco: que a todos vos arranque o olho direito, e _assim_ ponha esta

affronta [3] sobre todo o Israel.

3 Então os anciãos de Jabez lhe disseram: Deixa-nos por sete dias, para

que enviemos mensageiros por todos os termos de Israel, e, não havendo

ninguem que nos livre, então sairemos a ti.

4 E, vindo os mensageiros a Gibeah [4] de Saul, fallaram estas palavras

_aos_ ouvidos do povo. Então todo o povo levantou a sua voz, e chorou.

5 E eis que Saul vinha do campo, atraz dos bois; e disse Saul: Que _tem_

o povo, que chora? E contaram-lhe as palavras dos homens de Jabez.

6 Então o [5] espirito de Deus se apoderou de Saul, ouvindo estas

palavras: e accendeu-se em grande maneira a sua ira.

7 E tomou um par de bois, e cortou-os em pedaços, [6] e _os_ enviou a

todos os termos de Israel pelas mãos dos mensageiros, dizendo: Qualquer

que não sair atraz [7] de Saul e atraz de Samuel, assim se fará aos seus

bois. Então caiu o temor do Senhor sobre o povo, e sairam como um _só_

homem.

8 E contou-os em Bezek: [8] e houve dos filhos d’Israel trezentos mil, e

dos homens de Judah trinta mil.

9 Então disseram aos mensageiros que vieram: Assim direis aos homens de

Jabez-gilead: Ámanhã, em aquecendo o sol, vos virá livramento. Vindo pois

os mensageiros, e annunciando-_o_ aos homens de Jabez, se alegraram.

10 E os homens de Jabez disseram: Ámanhã sairemos a vós; então [9] nos

fareis conforme a tudo o que _parecer_ bem aos vossos olhos.

11 E succedeu que ao outro dia Saul [10] poz o povo em tres companhias, e

vieram ao meio do arraial pela vela da manhã, e feriram a Ammon, até que

o dia aqueceu: e succedeu que os restantes se espalharam, que não ficaram

dois d’elles juntos.

12 Então disse o povo a Samuel: Quem _é_ aquelle que [11] dizia que Saul

não reinaria sobre nós? Dae _cá_ aquelles homens, e os mataremos.

13 Porém Saul disse: Hoje não morrerá nenhum, [12] pois hoje tem obrado o

Senhor _um_ livramento em Israel.

14 E disse Samuel ao povo: Vinde, vamos nós a Gilgal, [13] e renovemos

ali o reino.

15 E todo o povo partiu para Gilgal, e levantaram ali a Saul por rei

perante o Senhor em Gilgal, [14] e offereceram ali offertas pacificas

perante o Senhor: e Saul se alegrou muito ali com todos os homens

d’Israel.

[1] cap. 12.12. Jui. 21.8.

[2] Gen. 26.28. Exo. 23.32. I Reis 20.34. Job 41.4. Eze. 17.13.

[3] Gen. 34.14. cap. 17.26.

[4] cap. 10.26 e 15.34. II Sam. 21.6. Jui. 2.4 e 21.2.

[5] Jui. 3.10 e 6.34 e 11.29 e 13.25 e 14.6. cap. 10.10 e 16.13.

[6] Jui. 19.29.

[7] Jui. 21.5, 8, 10.

[8] Jui. 1.5. II Sam. 24.9.

[9] ver. 3.

[10] cap. 31.11. Jui. 7.16.

[11] cap. 10.27. Luc. 19.27.

[12] II Sam. 19.22. Exo. 14.13, 30. cap. 19.5.

[13] cap. 10.8.

[14] cap. 10.17 e 10.8.

_Samuel resigna o seu cargo._

12 Então disse Samuel a todo o Israel: Eis que ouvi a vossa voz em tudo

quanto me dissestes, [1] e puz sobre vós um rei.

2 Agora, pois, eis que o rei [2] vae diante de vós, e já envelheci e

encaneci, e eis que meus filhos estão comvosco, e eu tenho andado diante

de vós desde a minha mocidade até _ao dia de_ hoje.

3 Eis-me _aqui_, testificae contra mim perante o Senhor, e perante o seu

ungido, [3] a quem o boi tomei, a quem o jumento tomei, [4] e a quem

defraudei, a quem tenho opprimido, e de cuja mão tenho tomado presente e

com elle encobri os meus olhos, e vol-o restituirei.

4 Então disseram: Em nada nos defraudaste, nem nos opprimiste, nem

tomaste coisa alguma da mão de ninguem.

5 E elle lhes disse: O Senhor _seja_ testemunha contra vós, e o seu

ungido seja hoje testemunha, que nada [5] tendes achado na minha mão. E

disse o _povo_: Seja testemunha.

6 Então disse Samuel ao povo: O Senhor _é_ o que fez [6] a Moysés e a

Aarão, e tirou a vossos paes da terra do Egypto.

7 Agora pois ponde-vos _aqui em pé_, e contenderei comvosco [7] perante o

Senhor, sobre todas as justiças do Senhor, que fez a vós e a vossos paes.

8 Havendo entrado Jacob no Egypto, vossos paes [8] clamaram ao Senhor, e

o Senhor enviou a Moysés e a Aarão, que tiraram a vossos paes do Egypto,

e os fizeram habitar n’este logar.

9 Porém esqueceram-se [9] do Senhor seu Deus: então os vendeu á mão de

Sisera, cabeça do exercito de Hazor, e em mão [10] dos philisteos, e em

mão do rei dos moabitas, que pelejaram contra elles.

10 E clamaram ao Senhor, e disseram: Peccámos, [11] pois deixámos ao

Senhor, e servimos aos baalins e astaroths: agora pois livra-nos da mão

[12] de nossos inimigos, e te serviremos.

11 E o Senhor enviou a Jerubbaal, e a [13] Bedan, e a Jefte, e a Samuel;

e livrou-vos da mão de vossos inimigos em redor, e habitastes seguros.

12 E vendo vós que Nahas, [14] rei dos filhos de Ammon, vinha contra vós,

me dissestes: Não, mas reinará sobre nós um rei: _sendo_ porém o [15]

Senhor vosso Deus, o vosso Rei.

13 Agora [16] pois vedes ahi o rei que elegestes _e_ que pedistes; e eis

que o Senhor tem posto [17] sobre vós um rei.

14 Se temerdes [18] ao Senhor, e o servirdes, e derdes ouvidos á sua voz,

e não fordes rebeldes ao dito do Senhor, assim vós, como o rei que reina

sobre vós, seguireis o Senhor vosso Deus.

15 Mas se não derdes ouvidos á [19] voz do Senhor, mas antes fordes

rebeldes ao dito do Senhor, a mão do Senhor será contra vós, como o _era_

[20] contra vossos paes.

16 Ponde-vos [21] tambem agora _aqui_, e vêde esta grande coisa que o

Senhor vae fazer diante dos vossos olhos.

17 Não _é_ hoje a [22] sega dos trigos? [23] clamarei _pois_ ao Senhor, e

dará trovões e chuva; e sabereis e vereis que _é_ grande a vossa maldade

que tendes feito perante o Senhor, pedindo para vós _um_ rei.

18 Então invocou Samuel ao Senhor, e o Senhor deu trovões e chuva

n’aquelle dia; pelo que todo o povo temeu em grande maneira ao Senhor e a

Samuel.

19 E todo o povo [24] disse a Samuel: Roga [25] pelos teus servos ao

Senhor teu Deus, para que não venhamos a morrer: porque a todos os nossos

peccados temos accrescentado _este_ mal, de pedirmos para nós um rei.

20 Então disse Samuel ao povo: Não temaes; vós tendes commettido todo

este mal; porém não vos desvieis de detraz do Senhor, mas servi ao Senhor

com todo o vosso coração.

21 E não vos desvieis; [26] pois _seguirieis_ as vaidades, que nada

aproveitam, e tão pouco vos livrarão, porque vaidades _são_.

22 Pois o Senhor não desamparará o seu povo, por causa do seu grande

nome: [27] porque aprouve ao Senhor fazer-vos o seu povo.

23 E quanto a mim, longe de mim que eu peque contra o Senhor, deixando

[28] de orar por vós: antes vos ensinarei o caminho bom e direito.

24 Tão sómente temei [29] ao Senhor, e servi-o fielmente com todo o vosso

coração: porque vede quão grandiosas _coisas_ vos fez.

25 Porém, se perseverardes em fazer mal, perecereis, assim vós [30] como

o vosso rei.

[1] cap. 8.5, 19, 20 e 10.24 e 11.14, 15.

[2] Num. 27.17. cap. 8.20 e 8.1, 6.

[3] ver. 5. cap. 10.1 e 24.6. II Sam. 1.14.

[4] Num. 16.15. Act. 20.33. I The. 2.5. Deu. 16.19.

[5] João 18.38. Act. 23.9 e 24.16, 20. Exo. 22.4.

[6] Miq. 6.4.

[7] Isa. 1.18 e 5.3, 4. Miq. 6.2, 3.

[8] Gen. 46.4, 6. Exo. 2.23 e 3.10 e 4.10.

[9] Jui. 3.7.

[10] Jui. 4.2 e 10.7 e 13.1.

[11] Jui. 3.12 e 10.10 e 2.13.

[12] Jui. 10.15, 16.

[13] Jui. 6.14, 32 e 11.1. cap. 7.13.

[14] cap. 11.1 e 8.5, 19.

[15] Jui. 8.23. cap. 8.7 e 10.19, 24.

[16] cap. 8.5 e 9.20.

[17] Ose. 13.11.

[18] Jos. 24.14. Psa. 81.14, 15, etc.

[19] Lev. 26.14, 15, etc. Deu. 28.15. Jos. 24.20.

[20] ver. 9.

[21] Exo. 14.13, 31.

[22] Pro. 26.1.

[23] Jos. 10.12. cap. 7.9, 10. Thi. 5.16, 17, 18. cap. 8.7.

[24] Exo. 14.31. Esd. 10.9.

[25] Exo. 9.28 e 10.17. Thi. 5.15. I João 5.16.

[26] Deu. 11.16. Jer. 16.19. Hab. 2.18. I Cor. 8.4.

[27] I Reis 6.13. Psa. 94.14. Jos. 7.9. Jer. 14.21. Eze. 20.9. Deu. 7.7,

6 e 14.2. Mal. 1.2.

[28] Act. 12.5. Rom. 1.9. Col. 1.9. II Tim. 1.3. Psa. 34.12. Pro. 4.11. I

Reis 8.36. II Chr. 6.27. Jer. 6.16.

[29] Ecc. 12.13. Isa. 5.12. Deu. 10.21. Psa. 126.2, 3.

[30] Jos. 24.20. Deu. 28.36.

_Guerra entre os israelitas e os philisteos._

[Antes de Christo 1093]

13 Um anno tinha estado Saul em seu reinado: e o segundo anno reinou

sobre Israel.

2 Então Saul escolheu para si tres mil de Israel; e estavam com Saul dois

mil em Michmas, e na montanha de Beth-el, e mil estavam com Jonathan em

Gibeah [1] de Benjamin: e o resto do povo despediu, cada um para sua casa.

3 E Jonathan feriu [2] a guarnição dos philisteos que _estava_ em Gibeah,

_o_ que os philisteos ouviram: pelo que Saul tocou a trombeta por toda a

terra, dizendo: Ouçam os hebreos.

4 Então todo o Israel ouviu dizer: Saul feriu a guarnição dos philisteos,

e tambem Israel se fez abominavel aos philisteos. Então o povo foi

convocado atraz de Saul em Gilgal.

5 E os philisteos se ajuntaram para pelejar contra Israel, trinta mil

carros, e seis mil cavalleiros, e povo em multidão como a areia que

_está_ á borda do mar; e subiram, e se acamparam em Michmas, ao oriente

de Beth-aven.

6 Vendo pois os homens de Israel que estava em angustia (porque o

povo estava apertado) o povo se escondeu [3] pelas cavernas, e pelos

espinhaes, e pelos penhascos, e pelas fortificações, e pelas covas.

7 E os hebreos passaram o Jordão para a terra de Gad e Gilead: e, estando

Saul ainda em Gilgal, todo o povo veiu atraz d’elle tremendo.

_Saul offerece sacrificios e Samuel reprova-o._

8 E esperou [4] sete dias, até ao tempo que Samuel _determinara_; não

vindo, porém, Samuel a Gilgal, o povo se espalhava d’elle.

9 Então disse Saul: Trazei-me aqui um holocausto, e offertas pacificas. E

offereceu o holocausto.

10 E succedeu que, acabando elle de offerecer o holocausto, eis que

Samuel chegou; e Saul lhe saiu ao encontro, para o saudar.

11 Então disse Samuel: Que fizeste? Disse Saul: Porquanto via que o povo

se espalhava de mim, e tu não vinhas nos dias aprazados, e os philisteos

já se tinham ajuntado em Michmas,

12 Eu disse: Agora descerão os philisteos sobre mim a Gilgal, e ainda á

face do Senhor não orei: e violentei-me, e offereci holocausto.

13 Então disse Samuel a Saul: Obraste nesciamente, [5] e não guardaste o

mandamento que o Senhor teu Deus te ordenou; porque agora o Senhor teria

confirmado o teu reino sobre Israel para sempre.

14 Porém [6] agora não subsistirá o teu reino: já tem buscado [7] o

Senhor para si um homem segundo o seu coração, e já lhe tem ordenado o

Senhor, que seja chefe sobre o seu povo, porquanto não guardaste o que o

Senhor te ordenou.

15 Então se levantou Samuel, e subiu de Gilgal a Gibeah de Benjamin: e

Saul numerou o povo que achou com elle, [8] uns seiscentos varões.

16 E Saul e Jonathan, seu filho, e o povo que se achou com elles, ficaram

em Gibeah de Benjamin: porém os philisteos se acamparam em Michmas.

17 E os destruidores sairam do campo dos philisteos em tres companhias:

uma das companhias voltou pelo caminho [9] d’Ophra á terra de Sual:

18 Outra companhia voltou pelo caminho de [10] Beth-horon: e a outra

companhia voltou pelo caminho do termo que olha para o valle Zeboim

contra o deserto.

19 E em toda a terra de Israel nem um ferreiro se achava: [11] porque os

philisteos tinham dito: Para que os hebreos não façam espada nem lança.

20 Pelo que todo o Israel tinha que descer aos philisteos para amolar

cada um a sua relha, e a sua enxada, e o seu machado, e o seu sacho.

21 Tinham porém limas adentadas para os seus sachos, e para as suas

enxadas, e para as forquilhas de tres dentes, e para os machados, e para

concertar as aguilhadas.

22 E succedeu que, no dia da peleja, se não achou [12] nem espada nem

lança na mão de todo o povo que _estava_ com Saul e com Jonathan: porém

acharam-se com Saul e com Jonathan seu filho.

23 E saiu a guarnição [13] dos philisteos ao passo de Michmas.

[1] cap. 10.26.

[2] cap. 10.5.

[3] Jui. 6.2.

[4] cap. 10.8.

[5] II Chr. 16.9. cap. 15.11.

[6] cap. 15.28.

[7] Psa. 89.20. Act. 13.22.

[8] cap. 14.2.

[9] Jos. 18.23.

[10] Jos. 16.3 e 13.13, 14. Neh. 11.34.

[11] II Reis 24.14. Jer. 24.1.

[12] Jui. 5.8.

[13] cap. 14.1, 4.

_A victoria de Jonathan sobre os philisteos._

[Antes de Christo 1087]

14 Succedeu pois que um dia disse Jonathan, filho de Saul, ao moço que

lhe levava as armas: Vem, passemos á guarnição dos philisteos, que _está_

lá d’aquella banda. Porém não o fez saber a seu pae.

2 E estava Saul á extremidade de Gibeah, debaixo da romeira que _estava_

em Migron; e o povo que havia com elle _eram_ uns [1] seiscentos homens.

3 E Ahija, [2] filho d’Ahitub, irmão d’Icabod, o filho de Phineas, filho

d’Eli, sacerdote do Senhor em Silo, trazia o ephod: porém o povo não

sabia que Jonathan tinha ido.

4 E entre os passos pelos quaes Jonathan procurava passar á guarnição [3]

dos philisteos, d’esta banda _havia_ uma penha aguda, e da outra banda

uma penha aguda: e _era_ o nome de uma Bozez, e o nome da outra Senné.

5 Uma penha para o norte _estava_ defronte de Michmas, e a outra para o

sul defronte de Gibeah.

6 Disse pois Jonathan ao moço que lhe levava as armas: Vem, passemos á

guarnição d’estes incircumcisos; porventura obrará o Senhor por nós,

porque para com o Senhor nenhum impedimento _ha_ de livrar [4] com muitos

ou com poucos.

7 Então o seu pagem d’armas lhe disse: Faze tudo o que _tens_ no coração;

volta, eis-me aqui comtigo, conforme ao teu coração.

8 Disse pois Jonathan: Eis que passaremos _áquelles_ homens, e nos

descobriremos a elles.

9 Se nos disserem assim: Parae até que cheguemos a vós; então ficaremos

no nosso logar, e não subiremos a elles.

10 Porém, dizendo assim: Subi a nós; então subiremos, pois o Senhor os

tem entregado na nossa mão, [5] e isto nos _será_ por signal.

11 Descobrindo-se ambos elles pois á guarnição dos philisteos, disseram

os philisteos: Eis que _já_ os hebreos sairam das cavernas em que se

tinham escondido.

12 E os homens da guarnição responderam a Jonathan e ao seu pagem

d’armas, e disseram: Subi a nós, e nós vol-o ensinaremos. E disse

Jonathan ao seu pagem d’armas: Sobe atraz de mim, porque o Senhor os tem

entregado na mão d’Israel.

13 Então trepou Jonathan com os pés e com as mãos, e o seu pagem d’armas

atraz d’elle: e cairam diante de Jonathan, e o seu pagem d’armas os

matava atraz d’elle.

14 E succedeu esta primeira desfeita, em que Jonathan e o seu pagem

d’armas feriram até uns vinte homens, quasi no meio de uma geira de terra

que uma junta _de bois podia lavrar_.

15 E houve tremor [6] no arraial, no campo e em todo o povo; tambem a

mesma guarnição e os destruidores tremeram, e até a terra se alvoroçou,

porquanto era tremor de Deus.

16 Olharam pois as sentinellas de Saul em Gibeah de Benjamin, e eis que a

multidão se derramava, e fugia batendo-se.

17 Disse então Saul ao povo que estava com elle: Ora numerae, e vêde quem

é que saiu d’entre nós. E numeraram, e eis que nem Jonathan nem o seu

pagem d’armas _estavam ali_.

18 Então Saul disse a Ahija: Traze aqui a arca de Deus (porque n’aquelle

dia estava a arca de Deus com os filhos d’Israel).

19 E succedeu que, estando Saul ainda fallando com [7] o sacerdote, o

alvoroço que _havia_ no arraial dos philisteos ia crescendo muito, e se

multiplicava, pelo que disse Saul ao sacerdote: Retira a tua mão.

20 Então Saul e todo o povo que _havia_ com elle se convocaram, e vieram

á peleja; e eis que a espada d’um era contra o outro, [8] _e houve_ mui

grande tumulto.

21 Tambem com os philisteos havia hebreos, como d’antes, que subiram com

elles ao arraial em redor; e tambem estes se ajuntaram com os israelitas

que _estavam_ com Saul e Jonathan.

22 Ouvindo pois todos os homens d’Israel que se esconderam [9] pela

montanha d’Ephraim que os philisteos fugiam, elles tambem os perseguiram

de perto na peleja.

23 Assim livrou o Senhor a Israel n’aquelle dia: [10] e o arraial passou

a Beth-aven.

_O atrevido voto de Saul._

24 E estavam os homens d’Israel já exhaustos n’aquelle dia, porquanto

Saul conjurou [11] o povo, dizendo: Maldito o homem que comer pão até

á tarde, para que me vingue de meus inimigos. Pelo que todo o povo se

absteve de provar pão.

25 E toda [12] a terra chegou a um bosque: e havia mel na superficie do

campo.

26 E, chegando o povo ao bosque, eis que havia um manancial de mel: porém

ninguem chegou a mão á bocca, porque o povo temia a conjuração.

27 Porém Jonathan não tinha ouvido quando seu pae conjurava o povo, e

estendeu a ponta da vara que _tinha_ na mão, e a molhou no favo de mel;

e, tornando a mão á bocca, aclararam-se os seus olhos.

28 Então respondeu um do povo, e disse: Solemnemente conjurou teu pae

o povo, dizendo: Maldito o homem que comer hoje pão. Pelo que o povo

desfallecia.

29 Então disse Jonathan: Meu pae tem turbado a terra; ora vêde como se me

aclararam os olhos por ter gostado um pouco d’este mel.

30 Quanto mais se o povo hoje livremente tivesse comido do despojo que

achou de seus inimigos. Porém agora não foi tão grande o estrago dos

philisteos.

31 Feriram porém aquelle dia aos philisteos, desde Michmas até Ajalon, e

o povo desfalleceu em extremo.

32 Então o povo se lançou ao despojo, e tomaram ovelhas, e vaccas, e

bezerros, e os degolaram no chão; e o povo os comeu [13] com sangue.

33 E o annunciaram a Saul, dizendo: Eis que o povo pecca contra o Senhor,

comendo com sangue. E disse elle: Aleivosamente obrastes; revolvei-me

hoje uma grande pedra.

34 Disse mais Saul: Derramae-vos entre o povo, e dizei-lhes: Trazei-me

cada um o seu boi, e cada um a sua ovelha, e degolae-_os_ aqui, e comei,

e não pequeis contra o Senhor, comendo com sangue. Então todo o povo

trouxe de noite, cada um com a sua mão, o seu boi, e _os_ degolaram ali.

35 Então edificou [14] Saul _um_ altar ao Senhor: este foi o primeiro

altar que edificou ao Senhor.

_Jonathan é condemnado á morte._

36 Depois disse Saul: Desçamos de noite atraz dos philisteos, e

despojemol-os, até que amanheça a luz, e não deixemos de resto _um_ homem

d’elles. E disseram: Tudo o que parecer bem aos teus olhos faze. Disse

porém o sacerdote: Cheguemo-nos aqui a Deus.

37 Então consultou Saul a Deus, dizendo: Descerei atraz dos philisteos?

entregal-os-has na mão de Israel? Porém aquelle dia lhe não [15]

respondeu.

38 Então disse Saul: [16] Chegae-vos para cá _de_ todos os chefes do

povo, e informae-vos, e vêde em que se commetteu hoje este peccado;

39 Porque vive [17] o Senhor que salva a Israel, que, ainda que fosse

em meu filho Jonathan, certamente morrerá. E nenhum de todo o povo lhe

respondeu.

40 Disse mais a todo o Israel: Vós estareis d’uma banda, e eu e meu filho

Jonathan estaremos da outra banda. Então disse o povo a Saul: Faze o que

_parecer_ bem aos teus olhos.

41 Fallou pois Saul ao Senhor Deus d’Israel: Mostra o innocente. Então

Jonathan e Saul [18] foram tomados _por sorte_, e o povo saiu _livre_.

42 Então disse Saul: Lançae a _sorte_ entre mim e Jonathan, meu filho. E

foi tomado Jonathan.

43 Disse então Saul a Jonathan: Declara-me [19] o que tens feito. E

Jonathan lh’o declarou, e disse: Tão sómente gostei um pouco de mel com a

ponta da vara que _tinha_ na mão; eis que devo morrer.

44 Então disse Saul: [20] Assim _me_ faça Deus, e outro tanto, que com

certeza morrerás, Jonathan.

45 Porém o povo disse a Saul: Morrerá Jonathan, que obrou tão grande

salvação em Israel? nunca tal succeda; vive o Senhor, [21] que não lhe

ha de cair no chão um só cabello da sua cabeça! pois com Deus fez _isso_

hoje. Assim o povo livrou a Jonathan, para que não morresse.

46 E Saul deixou de seguir os philisteos: e os philisteos se foram ao seu

logar.

47 Então tomou Saul o reino sobre Israel; e pelejou contra todos os

seus inimigos em redor: contra Moab, e contra os [22] filhos de Ammon,

e contra Edom, e contra os reis de Zoba, [23] e contra os philisteos, e

para onde quer que se tornava executava castigos.

48 E houve-se valorosamente, e feriu [24] aos amalekitas: e libertou a

Israel da mão dos que o saqueavam.

49 E os filhos [25] de Saul eram Jonathan, e Isvi, e Malchisua: e os

nomes de suas duas filhas _eram estes_: o nome da mais velha Merab, e o

nome da mais nova, Michal.

50 E o nome da mulher de Saul, Ahinoam, filha d’Ahimaas: e o nome do

general do exercito, Abner, filho de Ner, tio de Saul.

51 E Kis, [26] pae de Saul, e Ner, pae d’Abner, eram filhos d’Abiel.

52 E houve uma forte guerra contra os philisteos, todos os dias de Saul:

pelo que Saul a todos os homens valentes e valorosos que via os aggregava

[27] a si.

[1] cap. 13.15.

[2] cap. 22.9, 11, 20 e 4.21 e 2.28.

[3] cap. 13.23.

[4] Jui. 7.4, 7. II Chr. 14.11.

[5] Gen. 24.14. Jui. 7.11.

[6] II Reis 7.7. Job 18.11.

[7] Num. 27.21.

[8] Jui. 7.22. II Chr. 20.23.

[9] cap. 13.6.

[10] Exo. 14.30. Psa. 44.7, 8. Ose. 1.7. cap. 13.5.

[11] Jos. 6.26.

[12] Deu. 9.28. Mat. 3.5. Exo. 3.8. Num. 13.27. Mat. 3.4.

[13] Lev. 3.17 e 7.26 e 17.10 e 19.26. Deu. 12.16, 23, 24.

[14] cap. 7.17.

[15] cap. 28.6.

[16] Jos. 7.14. cap. 10.19.

[17] II Sam. 12.5.

[18] Pro. 16.33. Act. 1.24. Jos. 7.16. cap. 10.20, 21.

[19] Jos. 7.19. ver. 27.

[20] Ruth 1.17. ver. 39.

[21] II Sam. 14.11. I Reis 1.52. Luc. 21.18.

[22] cap. 11.11.

[23] II Sam. 10.6.

[24] cap. 15.3, 7.

[25] cap. 31.2. I Chr. 8.33.

[26] cap. 9.1.

[27] cap. 8.11.

_Samuel manda a Saul destruir os amalekitas._

[Antes de Christo 1079]

15 Então disse Samuel a Saul: Enviou-me [1] o Senhor a ungir-te rei sobre

o seu povo, sobre Israel: ouve pois agora a voz das palavras do Senhor.

2 Assim diz o Senhor dos exercitos: Eu me recordei do que fez Amalek a

Israel; como se lhe oppoz [2] no caminho, quando subia do Egypto.

3 Vae pois agora e fere a Amalek; e destroe totalmente a [3] tudo o que

tiver, e não lhe perdoes; porém matarás desde o homem até á mulher, desde

os meninos até aos de mama, desde os bois até ás ovelhas, e desde os

camelos até aos jumentos.

4 O que Saul annunciou ao povo, e os contou em Teilaim, duzentos mil

homens de pé, e dez mil homens de Judah.

5 Chegando pois Saul á cidade d’Amalek, poz emboscada no valle.

6 E disse Saul aos keneos: [4] Ide-vos, retirae-vos _e_ sahi do meio dos

amalekitas, para que vos não destrua juntamente com elles, porque vós

usastes de misericordia [5] com todos os filhos de Israel, quando subiram

do Egypto. Assim os keneos se retiraram do meio dos amalekitas.

7 Então feriu Saul [6] aos amalekitas desde Havia até chegar a Sur, [7]

que _está_ defronte do Egypto.

8 E tomou [8] vivo a Agag, rei dos amalekitas; porém a todo o povo

destruiu ao fio da espada.

9 E Saul e o povo [9] perdoaram a Agag, e ao melhor das ovelhas e das

vaccas, e ás da segunda sorte, e aos cordeiros e ao melhor que havia,

e não os quizeram destruir totalmente: porém a toda a coisa vil e

desprezivel destruiram totalmente.

_Deus manda Samuel reprehender a Saul._

10 Então veiu a palavra do Senhor a Samuel, dizendo:

11 Arrependo-me [10] de haver posto a Saul como rei; porquanto se tornou

de detraz de mim, e não executou as minhas palavras. [11] Então Samuel se

contristou, e toda a noite clamou ao Senhor.

12 E madrugou Samuel para encontrar a Saul pela manhã: e annunciou-se a

Samuel, dizendo: Já chegou Saul ao [12] Carmelo, e eis que levantou para

si uma columna. Então fez volta, e passou e desceu a Gilgal.

13 Veiu pois Samuel a Saul; e Saul lhe disse: Bemdito [13] tu do Senhor;

executei a palavra do Senhor.

14 Então disse Samuel: Que balido pois de ovelhas _é_ este nos meus

ouvidos, e o mugido de vaccas que oiço?

15 E disse Saul: De Amalek as trouxeram; porque o povo perdoou ao [14]

melhor das ovelhas e das vaccas, para as offerecer ao Senhor teu Deus: o

resto porém temos destruido totalmente.

16 Então disse Samuel a Saul: Espera, e te declararei o que o Senhor me

disse esta noite. E elle disse-lhe: Falla.

17 E disse Samuel: _Porventura_, sendo tu pequeno [15] aos teus olhos,

não _foste_ por Cabeça das tribus de Israel? e o Senhor te ungiu rei

sobre Israel.

18 E enviou-te o Senhor a _este_ caminho, e disse: Vae, e destroe

totalmente a estes peccadores, os amalekitas, e peleja contra elles, até

que os aniquiles.

19 Porque pois não déste ouvidos á voz do Senhor, antes voaste ao

despojo, e fizeste o _que parecia_ mal aos olhos do Senhor?

20 Então disse Saul a Samuel: Antes dei ouvidos á [16] voz do Senhor, e

caminhei no caminho pelo qual o Senhor me enviou; e trouxe a Agag, rei de

Amalek, e os amalekitas destrui totalmente;

21 Mas o povo tomou [17] do despojo ovelhas e vaccas, o melhor do [JM]

interdicto, para offerecer ao Senhor teu Deus em Gilgal.

22 Porém Samuel disse: Tem _porventura_ [18] o Senhor _tanto_ prazer em

holocaustos e sacrificios, como em que se obedeça á palavra do Senhor?

eis que o obedecer [19] _é_ melhor do que o sacrificar, e o attender

_melhor é_ do que a gordura de carneiros.

23 Porque a rebellião _é como_ o peccado de feitiçaria, e o porfiar

_é como_ iniquidade e idolatria. Porquanto tu rejeitaste a palavra do

Senhor, elle tambem te rejeitou [20] a ti, para que não _sejas rei_.

24 Então disse Saul [21] a Samuel: Pequei, porquanto tenho traspassado

o dito do Senhor e as tuas palavras: porque [22] temi ao povo, e dei

ouvidos á sua voz.

25 Agora pois, _te_ rogo, perdoa-_me_ o meu peccado: e torna-te comigo,

para que adore ao Senhor.

26 Porém Samuel disse a Saul: Não tornarei comtigo: porquanto rejeitaste

[23] a palavra do Senhor, já te rejeitou o Senhor, para que não sejas rei

sobre Israel.

27 E virando-se Samuel para se ir, elle lhe pegou [24] pela borda da

capa, e a rasgou.

28 Então Samuel lhe disse: O Senhor tem rasgado de ti hoje o [25] reino

de Israel, e o tem dado ao teu proximo, melhor do que tu.

29 E tambem aquelle que é a Força de Israel não mente nem se [26]

arrepende; porquanto não é _um_ homem para que se arrependa.

30 Disse elle então: Pequei; honra-me [27] porém agora diante dos anciãos

do meu povo, e diante de Israel: e torna-te comigo, para que adore ao

Senhor teu Deus.

31 Então Samuel se tornou atraz de Saul: e Saul adorou ao Senhor.

_Samuel mata a Agag._

32 Então disse Samuel: Trazei-me aqui a Agag, rei dos amalekitas. E

Agag veiu a elle melindrosamente: e disse Agag: Na verdade já passou a

amargura da morte.

33 Disse porém Samuel: _Assim_ como [28] a tua espada desfilhou as

mulheres, assim ficará desfilhada a tua mãe entre as mulheres. Então

Samuel despedaçou a Agag perante o Senhor em Gilgal.

34 Então Samuel se foi a Rama: e Saul subiu a sua casa, a [29] Gibeah de

Saul.

35 E [30] nunca mais viu Samuel a Saul até ao dia da sua morte; porque

[31] Samuel teve dó de Saul. E o Senhor se arrependeu de que pozera a

Saul rei sobre Israel.

[1] cap. 9.16.

[2] Exo. 17.8, 14. Num. 24.20. Deu. 25.17.

[3] Lev. 27.28. Jos. 6.17, 21.

[4] Num. 24.21. Jui. 1.16 e 4.11. Gen. 18.25 e 19.12, 14. Apo. 18.4.

[5] Exo. 18.10, 19. Num. 10.29, 32.

[6] cap. 14.48. Gen. 2.11 e 25.18.

[7] Gen. 16.7.

[8] I Reis 20.34, 35, etc. cap. 30.1.

[9] ver. 3, 15.

[10] ver. 35. Gen. 6.6, 7. II Sam. 24.16. Jos. 22.16. ver. 3, 9. cap.

13.13.

[11] ver. 35. cap. 16.1.

[12] Jos. 15.55.

[13] Gen. 14.19. Jui. 17.2. Ruth 3.10.

[14] ver. 9, 21. Gen. 3.12. Pro. 28.13.

[15] cap. 9.21.

[16] ver. 13.

[17] ver. 15.

[18] Psa. 50.8, 9. Pro. 21.3. Isa. 1.11, 17. Jer. 7.22. Miq. 6.6-8. Heb.

10.69.

[19] Ecc. 5.1. Ose. 6.6. Mat. 5.24 e 19.13 e 12.7. Mar. 12.33.

[20] cap. 13.14.

[21] II Sam. 12.13.

[22] Exo. 23.2. Pro. 29.25. Isa. 51.12, 13.

[23] cap. 2.30.

[24] I Reis 11.30.

[25] cap. 28.17, 18. I Reis 11.31.

[26] Num. 23.19. Eze. 24.14. II Tim. 2.13. Tito 1.2.

[27] João 5.41 e 12.43.

[28] Exo. 17.11. Num. 14.45. Jui. 1.7.

[29] cap. 11.4.

[30] cap. 19.24.

[31] ver. 11. cap. 16.1.

_Deus manda Samuel ungir a David como rei._

[Antes de Christo 1063]

16 Então disse o Senhor a Samuel: Até quando terás dó [1] de Saul,

havendo-o eu rejeitado, para que não reine sobre Israel? enche [2] o teu

[JN] vaso d’azeite, e vem, enviar-te-hei a Jessé o beth-lehemita; porque

d’entre os seus filhos me tenho provido de _um_ rei.

2 Porém disse Samuel: Como irei eu? pois, ouvindo-o Saul, me matará.

Então disse o Senhor: Toma uma bezerra das vaccas em tuas mãos, e dize:

Vim para sacrificar [3] ao Senhor.

3 E convidarás a [JO] Jessé ao sacrificio: e eu te farei saber [4] o que

has de fazer, e ungir-me-has a quem eu te disser.

4 Fez pois Samuel o que dissera o Senhor, e veiu a Beth-lehem: então os

anciãos da cidade sairam [5] ao encontro, tremendo, e disseram: _De_ paz

é a tua vinda?

5 E disse elle: _É de_ paz, vim sacrificar ao Senhor; sanctificae-vos,

[6] e vinde comigo ao sacrificio. E sanctificou elle a Jessé e a seus

filhos, e os convidou ao sacrificio.

6 E succedeu que, entrando elles, viu a Eliab, [7] e disse: Certamente

_está_ perante o Senhor o seu ungido.

7 Porém o Senhor disse a Samuel: Não attentes para a sua apparencia, [8]

nem para a altura da sua estatura, porque o tenho rejeitado, porque o

Senhor não vê como vê [9] o homem, pois o homem vê _o que está_ diante

dos olhos, porém o Senhor olha para o coração.

8 Então chamou Jessé a [10] Abinadab: e o fez passar diante de Samuel, o

qual disse: Nem a este tem escolhido o Senhor.

9 Então Jessé fez passar a Samma: porém disse: Tão pouco a este tem

escolhido o Senhor.

10 Assim fez passar Jessé a seus sete filhos diante de Samuel: porém

Samuel disse a Jessé: O Senhor não tem escolhido a estes.

11 Disse mais Samuel a Jessé: Acabaram-se os mancebos? E disse: Ainda

falta [11] o menor, e eis que apascenta as ovelhas. Disse pois Samuel a

Jessé: Envia, e manda-o [12] chamar, porquanto não nos assentaremos em

roda da _mesa_ até que elle venha aqui.

12 Então mandou, e o trouxe (e _era_ ruivo [13] e formoso de semblante e

de boa presença): e disse o Senhor: Levanta-te, _e_ unge-o, porque este

_mesmo_ é.

13 Então Samuel tomou o vaso do azeite, e ungiu-o [14] no meio de seus

irmãos; e desde aquelle dia em diante o espirito do Senhor se apoderou

de David: então Samuel se levantou, e se tornou a Rama.

_Saul é atormentado pelo espirito maligno._

A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento · 第 10 / 44 章