--não, que pela parte d'elle não desejava tal conciliação, seria
uma indignidade, quando fôra ella que requerera o divorcio.--
Ermelinda por sua vez dizia:
--que bastava de martyrio, que esgotara o calix, não desejava de novo
unir-se a elle; uma vez dado aquelle passo não voltaria atraz.--
As testemunhas então vieram depôr; a D. Clementina e a Joaquina
especialmente foram eloquentes, d'uma convicção odiosa contra _aquelle
senhor_, que era peior que um selvagem--dizia a ex-criada vingando-se
d'aquelles bofetões, que a tinham despedido.
Os advogados fallaram, uma rhetorica eloquente, sobretudo o advogado
d'Ermelinda, a quem o commendador promettera uma boa recompensa; e em
seguida o juiz, os vogaes do conselho de familia, o ministerio publico,
o escrivão recolheram-se a uma sala de conferencias, votaram a separação.
Depois, por um accordo reciproco, convencionou-se que a filha ficasse
com a mãe, podendo ir visitar o pae todas as vezes que este o exigisse.
A questão de bens tinha pouco litigio; o Alberto fôra desbaratando as
pequenas economias do Jorge e alguma cousa que restava concordou-se, que
ficasse como subsidio de alimentos e como dote para a pequena.
Vestida de preto, a Rosina pela mão, os olhos cubrindo-se de lagrimas,
vexada no seu novo estado, cedendo ao peso da vergonha d'aquelle
processo judicial, Ermelinda entrou em casa da D. Clementina, muito
commovida, branca de marmore, a voz soluçante.
--Tudo, tudo acabou!
--ou elle credo, nem que tivesse morrido alguem.--
--antes morrera eu, D. Clementina, teria sido mais feliz!...
--e a tua filha, sim, não me dirás? o egoismo não te deixa ver o que
seria d'essa creança sem pae, nem mãe?...
--Tem razão, tem, é preciso viver para ella; ha-de ter mãe, já que não
tem pae--protestou.
As lagrimas foram rareando; a commoção esbatia-se na vulgaridade dos
accidentes chãos, como nuvem que se esfarrapa, aclareando-se, em pedaços
do azul; o tempo ia derramando um balsamo doce sobre aquella ferida,
cicatrisando-a, n'uma suavidade lenta.
O commendador visitava-a de quando em quando, sempre muito attencioso,
um pequeno _bijou_ para a Rosina.
--E porque não vinha mais vezes?--dizia a D. Clementina, entre suspirosa
e affogueada.--
--seus negocios, seus negocios, mas não as esquecia, tudo que
precisassem d'elle, era só dizer; não era homem de palavras, mas nas
occasiões alli estava prompto.--