--ah! tambem, tambem!--
--vai mais chegadinho ao coração--
E uns dedos rosados vinham logo ageitar o _bouquet_, um pequeno ramo
gracioso, de flores de larangeira, que fechava o decóte do vestido,
poisando sobre a curva do seio, com uma castidade toda timida,
narcisando com a sua fina essencia a carne assetinada, d'uma alvura de
camelia, onde poisava um formoso signal escuro, cheio de pequeninas
provocações.
Estava prompta em fim. Nunca o seu espelho lhe parecera tão lisongeiro,
como n'aquelle momento;
--Ah, era assim que ella se tinha sonhado nos seus devaneios
incoherentes de mulher nova e moça!
--mas sentia-se nervosa, muito agitada; tinha sobretudo uma grande sêde!--
A Amelinha, disse-lhe:
--que tambem ella estivera assim, mas passava, não tinha duvida--e
preparou-lhe um copo d'agua com assucar, que a Ermelinda tomou,
curvando-se para não deixar cahir alguma gotta sobre a sua toilette de
noiva.
A D. Carola, a esposa do Mendes entrou, um sorriso largo, a pronuncia
brazileira:
--Vamos, meninas, são horas de conduzir minha afilhada--
--E elogiou-a,--que estava muito bonita realmente, era o mais formoso
dia da sua vida--
--Eu sei, D. Carola! talvez o mais infeliz!--e abriu as palpebras a umas
lagrimasinhas brancas, d'uma humidade crystallina, que rolaram como
pequenas perolas sobre os olhos negros, avelludados.
--Ora já viram, a menina a chorar--rompeu a Amelinha Bastos!--eu cá até
me ri, podera não! se eu ia por minha vontade--
Mas a D. Carola reflectiu:
--que poucas deixavam de chorar, realmente a cousa bem pensada, não era
para menos! mas que não havia nada mais lindo, dando-se bem...
Em baixo os convidados cercavam o Jorge, perguntando pelo Alberto, o
noivo. Elle explicava:
--O casamento effectuar-se-hia em Cedofeita, era um pouco do tom, e o
Alberto iria dar á Egreja com os seus amigos.
--E os padrinhos, os padrinhos quem eram?
--Da sua Ermelinda era o Mendes e a D. Carola.
--E do Alberto?
--Do Alberto, ah, do Alberto, era o commendador Faria e a senhora do Dr.
Roberto Jocy, um amigo d'elle, muito intimos, uma senhora de esmerada
educação, pertencente a uma familia ingleza.
A noiva desceu emfim.
Os homens olhavam-a com uma grande sensualidade hypocrita; trocavam-se
sorrisos velhacos e ditos apimentados, que Paulo de Koch não
despresaria. Tomaram logar nos trens. A D. Carola foi com Ermelinda, o
Jorge ia com o Mendes. O cortejo principiou a desfilar em direcção a
Cedofeita.
Lá estava o Alberto, o commendador Faria, um pouco pallido talvez e o
Dr. Roberto Jocy, um rapaz moreno, de physionomia insinuante e
sympatica, a senhora, um typo esguio, de ingleza magra, com uma
pronuncia incorrecta; e o Juca Mendes, o Alfredo Costa, o Luiz Serra, o
Carvalhinho e outros ainda, companheiros da _pandega_, uns _crevés_
perfumados; de penteados divididos em dous hemispherios, muito luzentes,
os pequenos bigodes retorcidos. Conversavam nos claustros.
--Um poucochito magra, ein,--rapazes.
--Havia de engordar com as delicias do matrimonio--
--Respeito á moral da burguezia, meus caros D. Juans.
--Que estupida asneira fez o Alberto!
Foram entrando no templo; alinhando-se; o sachristão, com a sua batinha
vermelha, d'um tom sanguineo, de carrasco, ia distribuindo brandões
accesos, aos homens, ás senhoras, como se os preparasse para um
sacrificio murtuario, de festas funebres. O povo entrava, collocando-se
ao fundo, na penumbra escura do guardavento. Um cheiro de cera derretida
se espalhava no ar e vozes ciciavam em commentarios de má lingua, de
sensualidade rutilante. Por fim os padrinhos e noivos sahiram da
sachristia, e os dous proximos um do outro, com um sorriso promettedor
de felicidades nubentes, caminharam entre as alas dos convidados, até ao
arco-cruzeiro, onde o padre, paramentado, com um livro d'orações na mão,
os esperava, com um latim já velho auctorisador de caricias para
mysticamente os unir n'um laço eterno, indissoluvel, que nunca mais
podesse desatar-se.
O padre enlaçou-lhes as mãos e ao pronunciar o «Ego vos conjugo»
Ermelinda sentiu a face orvalhada, as lagrimas convencionaes da noiva
romantica, que o Alberto recebeu com um sorriso leve, finamente
desenhado nos seus labios vermelhos. O commendador Faria, sentia-se mal;
bagas de suor frio lhe porejavam a fronte e o seu lenço de fina bretanha
roçava-se sobre a pelle humida, absorvente, como uma esponja; um
pensamento importuno, que se não sacode facilmente, penetrava-o com
grande desespero seu.
--Mas que me importa ella a mim?--perguntava a si proprio--e
insensivelmente os seus olhos cravavam-se em Ermelinda, toda formosa no
seu vestido branco, um bello ar de virgindade pudica, como as esposas do
Senhor nos dias de noviciado.
--mas, que raiva esta!... Ora, ora!...
E desviava os olhos, terminando em fitar um S. Miguel doirado, domando
bellicosamente o velho Lucifer, d'uma cara angulosa, que o olhava, o
pescoço torto, com um grande ar sarcastico.
--Podia ser minha, mas não é, acabou-se!... E desviava o pensamento para
objectos communs, negocios que o interessassem, passeios que tinha
destinado fazer; mas como um pendulo que se move em volta do mesmo
centro, a ideia voltava tenaz ao mesmo assumpto, suppliciando-o,
amargurando-lhe aquelles momentos, em que desejaria ter a mais santa
tranquillidade.
Só a D. Clementina adivinhava talvez, no seu ciume de solteirona, o
que se passava na alma do commendador.
--Ah, mas era bem feito, não estava ella ali que se morria por elle... e
agora, que felicidade... ficaria só no campo... Ermelinda era d'outro.--
A ceremonia terminou finalmente. Todos tratavam de a abraçar,
cumprimentando, com uma chuva de felicitações.
Depois do casamento os noivos iriam para Braga, passar a lua de mel no
Bom-Jesus.
--Era moda--dizia-se--havia tom n'este voejar de pombos livres para a
solidão tranquilla das florestas.
Ermelinda foi a casa mudar de vestido e o sequito esperando-a,
acompanhou-os até Campanhã, enchendo a gare.
Muitos abraços trocados, mas a machina silvou, um grande silvo agudo,
vibrante como um gemido soluçado. Ermelinda teve até um pequenino susto.
--Credo, não esperava agora por aquillo.--
Mas era tempo; entraram no wagon, a locomotiva arrastava-se lenta, com
um vagar preguiçoso, de quem sabe ser uma boa locomotiva portugueza. Os
adeuses cruzavam-se no ar, frementes de saudade, gloriosos, muito
alegres. Os convidados retiraram-se.
O Luiz Serra, um poetastro noviço, dizia para o Dr. Roberto, em cujo
trem regressava para a cidade:
--Gosto d'isto, tem poesia, Dr.--
--Escreva-lhe uns versos--respondeu ironicamente o joven medico.
--E vou escrever, a inspiração está ainda muito recente, muito viva! Um
casal de pombos, que se unem, n'uma união mystica, recamada de perfumes,
acompanhada dos canticos religiosos, e depois o esvoaçar livre, no
grande espaço, até irem poisar na floresta densa, onde ensaiam a
tentativa do primeiro ninho,--n'um idylio palpitante d'amor.
--Melhor o ensaiassem em casa.--
--Oh! Dr., isso é fossil!
--É por isso mesmo que na epocha de hoje deve ter um grande valor!
--Deve confessar que uma _lua de mel_ passada dentro de casa é a maior
sensaboria, que os nossos bons burguezes podiam inventar; falta o amor,
o idylio, a ventura, a felicidade dos primeiros dias de noivado! Eu cá
por mim protesto contra esse erro de chronologia, de lesa-elegancia, de
lesa-poesia.--
--Que de lesões ahi não vão, santo Deus,--ora oiça-me, Luiz Serra.--Tudo
o que o Sr. pensa a proposito d'esse primeiro periodo de noivado, não
passa d'um bolo coberto de assucar lyrico, deixe-me exprimir assim. Que
vantagem póde ter essa iniciação mentirosa na felicidade do casal, não
me dirá? E depois attenda; a lua de mel é um cyclo que devia deixar de
existir no casamento; o bom senso e a boa educação protestam contra
ella! Ou a lua de mel deve exprimir a synthese da felicidade e essa deve
durar sempre, não póde limitar-se a uns bons dias apenas, ou ella
exprime sómente uma convenção idylica entre os noivos e é isto o germen
de futuras questões, de dissidencias graves, que terminam muitas vezes
no adulterio, no divorcio.--Que faz o Alberto em ir com a Ermelinda
pipillar idylios nas carvalheiras do Bom-Jesus?
--Mas amam-se, asseguram a sua felicidade.
--É exactamente o contrario do que o meu amigo pensa; por que não iriam
antes sensatamente para sua casa perfumar com as primeiras alegrias de
noivos o quarto, onde teem sempre de dormir, a saleta do trabalho, onde
viverão juntos, o jardimsinho que os distrahirá nas horas de aborrecimento?
--Florian dentro de casa, Dr.--
--Ou Florian nos bosques do Bom-Jesus! Ora diga-me; que recordação podem
ligar os dous a esse leito de hospedaria, onde se tem deitado um casal
de noivos por semana, convencionalmente e só para obedecer a uma
imposição do _chic_? Com que alegrias podem elles revestir depois o seu
quarto, a sua casa, quando se recolherem quebrados já da vertigem
voluptuosa, com os primeiros defeitos mutuamente reconhecidos, murchas
as flores santas da illusão? Pois não lhe parece que a lua de mel deve
ser uma iniciação augusta, com que se cimente o bem estar do lar, longe
de ser uma iniciação mentirosa, com que se encobrem os primeiros
defeitos e se envenenam os pacificos dias do futuro?
N'este momento o trem parava em frente do escriptorio do medico. Luiz
Serra despediu-se:
--Discutiremos ainda, doutor, a sua doutrina tem um realismo, capaz
de estancar a mais copiosa fonte de lyrismo.--
--Se ella foi _secante_, deve confessar.
Riram-se; a esposa do medico apertou-lhe docemente a mão.
--Não auguro bem d'este casamento Roberto.
--Nem eu--concordou, encolhendo os hombros--deixal-os lá--educação,
educação--e o Dr. aspirou tranquillamente o seu charuto, expellindo um
fumo claro, que subiu em pequeninos rolos.
Mas o Luiz Serra precisava affirmar em publico a sua sympathia pelos
noivos e as incorrecções do seu estylo, e por isso nos jornaes do dia
immediato as iniciaes L. S. declaravam ao mundo:
--que se tinham unido pelos sagrados laços do matrimonio os Ex.mos
Srs. Alberto de Sá, um dos cavalheiros mais distinctos da nossa
sociedade elegante e D. Ermelinda Jorge a formosa filha do director do
Banco Commercial,--que os noivos tinham sido acompanhados á _gare_ do
Caminho de ferro por um numeroso sequito e arrastado na aza vertiginosa
do comboyo, iriam passar a lua de mel na floresta do Bom-Jesus--
que elle lhes desejava o mais auspicioso futuro, uma lua de mel perenne,
de que seriam fiadoras as qualidades distinctas dos nubentes--e
terminava por
um parabem enthusiasta.--
* * * * *
A payzagem tinha as macias tintas melancholicas do Outono, arvores que
se desfolhavam saudosas da sua côr esmeralda, olivaes escuros,
enfileirados ao longe como soldados obedientes d'um batalhão em marcha;
as casarias das aldeias, docemente esbatidas por uma luz crepuscular,
desappareciam, deixando no espirito, sensações ternas de idylios
perfumados. Os regatos, como cobras azuladas, enroscavam-se no verde das
campinas, em beijos limpidos de fecundidade luminosa; os montes
escalvados desfilavam ao longe n'uma fluctuação duvidosa de luz e os
pinheiraes, como pelotões de gigantes, formados á beira da estrada,
animavam-se, movendo-se n'uma illusão d'optica que se impõe quando
marchamos n'um movimento rapido. O comboyo tinha umas oscillações
cortantes, barulhosas, de ruidos de molas abafadas, e os _rails_, duas
fitas indefinidas que se desenrolavam diante d'elle, desappareciam n'um
recolher rapido, apressado, de _trou-trou_, incansavel.
Alberto e Ermelinda iam n'uma mesma janella, hombros chegados, mãos
enlaçadas na cintura, embevecidos no pantheismo bucolico d'aquelle
diorama que lhes fugia diante dos olhos.
--Como isto é lindo--dizia ella--eu gosto muito do campo.--
--É poetico...
--Olha aquella casinha, não vês... toda enfofada em verduras.--
--Havemos de arranjar uma assim; é bonito é _chic_ vir passar um mez na
nossa casinha de campo.--
--Ah, como tu és bom!...--e recolhia-se um pouco para dentro, a
imaginação debruada de phantasias coloristas, cofiando-lhe o queixo,
muito de leve, mansa e insinuante, offerecendo-lhe o rosto, em que elle
depunha um beijo amoravel, muito demorado. Sentaram-se um ao lado do
outro, começaram a brincar, umas pancadinhas furtivas, d'uma graça
infantil a que ella fazia uma _moue_ de ingenua, muito adoravel, de
pequenina gata.
E depois enroscando-lhe o pescoço com um grande impeto d'amor agradecido:
--Ainda me parece um sonho, Alberto.--
--É verdade, ainda me parece um sonho.--
E estreitava-a, arqueando-lhe a cintura na curva dos seus braços,
beijando-a doidamente, voluptuosamente, fustigando-a de excitações
nervosas. Ermelinda deixava-se amollentar no avelludado quente
d'aquellas caricias, que nunca conhecera.
--Ah, como era bom ser assim amada--dizia, toda offegante, a respiração
curta; muito quebrada por sensações incoherentes, d'uma delicia
indefinida; e ameigando-o, muito carinhosa:
--Tu és o meu maridinho, ora não és?--
--Se sou!--e segurava-a com vigor, apertando-a muito contra o peito,
n'uma sollicitação sedenta de namorado, communicando-lhe um tremor
convulso, entre voluptuoso e dolorido, que a perturbava de fortes
commoções.
Anoitecia; tinha-se passado Nine; principiava a lucillação do luar, n'um
tremulo vago, a palpitar amorosamente por sobre as cumieiras da
serra, que escureciam na grande paz dormente; as arvores tornavam-se
indistinctas massas confusas, fluctuantes, n'aquelle arfar constante do
comboyo; umas bafagens quentes penetrando pelas janellas, passavam de
quando em quando indo affagal-os n'um enlanguescimento morno.
Os beijos d'Alberto tinham um calor penetrante e Ermelinda, entre os
seus joelhos, o cerebro atordoado, deixando-se cahir n'um affrouxamento
languido, a voz ciciando um queixume:
--Alberto!...--
A locomotiva silvou; avistava-se Braga, com as suas luzes encravadas
como pequenos pyrilampos na massa vultuosa da cidade.
Um quarto de hora depois estavam no hotel.
--Ainda n'aquella noite iriam para o Bom-Jesus; que lindo! subir a
montanha á luz candida da lua, elles, agora tão felizes, tão amiguinhos
um do outro--dizia Ermelinda.
--E se nós fossemos ámanhã?--ponderou Alberto.
--Ámanhã, ora, que tolice!--replicou enfastiada.
--Tolice, não; ia-se mais descançado.--
--Olha a grande fadiga,--respondeu com uma nevoasinha de colera--que
semsaboria ficar em Braga!...--e amimando-o, a mãosinha no rosto,
--Havemos de ir hoje, sim?--
--Vamos la, és uma feiticeira!...
--E depois, que lindeza ámanhã, quando acordarmos, ouvirmos o gorgear
dos rouxinoes na sombra fresca das carvalheiras!
--Romantica!
--E tu não o és tambem! Não amas como eu esses espectaculos da
natureza!... e depois quando se é noivo!...
--Tens razão; seria uma tolice ficar em Braga.--
Mas no fundo, bem no fundo do pensamento de cada um, a desillusão
entre-abria-se, como uma flor venenosa que tem nas finas particulas
aromaticas a corrupção futura do ar que embalsama. Na imaginação
d'Ermelinda, Alberto cahira no prosaismo das commodidades triviaes,--um
materialão, ora vejam lá, e eu que o julgava uma alma apaixonada,
radiosa de luz, de poesia d'amor... e fiava que o futuro lhe descobriria
ainda mais em relevo esses defeitos,--que elle não saberia ter as
delicadezas subtis, de que toda a mulher se quer vêr rodeada, como n'uma
onda de finissimo arminho,--que seria talvez grosseiro, conhecera-o na
ruga animada da sobrancelha, quando lhe contrariou o seu desejo de irem
n'aquella mesma noite para o Bom-Jesus.--
Mas olhava para elle, era o seu Alberto, o seu maridinho;--ora, que lhe
importava tudo isso agora, era noiva, estava na sua lua de mel... e
rodeava-o d'uma caricia longa, na ebriedade do seu novo estado.
A seu turno o Alberto pensava:
--Uma romantica, ein!... gostava da mulher que não fosse prosaica, mas
parecia-lhe que a sua tinha essas qualidades exageradas, e depois um
vidrinho de cheiro, tinha genio, conhecia-se; mas havia de amansar, que
remedio!... mas, com os demonios, não era agora occasião de pensar
n'isso.--
E beijava-a, no aquecimento febril da sua paixão sensual, ébrio de gozo,
como um rapaz estroina que saboreia uma garrafa de champagne, sem se
lembrar que tem de pagar depois.
Alugaram um carro, e partiram. A cidade perseguiu-os durante algum tempo
com a illuminação dos seus candieiros, as suas casas interiormente
illuminadas, as suas tascas, as suas egrejas succedendo-se a curtos
espaços, os seus ruidos; mas para logo uma aragem fresca de campo lhes
beijou as faces, e o luar, na silenciosa tranquillidade da noite,
escorrendo como um banho de neve por sobre a fluctuação indistincta da
payzagem, envolvia-os suavemente, como n'um manto opalino, tecido por
mãos feericas.
O carro ia devagar, subindo sempre, n'um zig-zag monotono; as grandes
arvores velavam-lhe por vezes a lua, que logo reapparecia n'um vacillar
tremulo, d'uma limpidez crystallina. Chegaram ao hotel. O criado
appareceu, e logo o cocheiro, um poucochinho confidencial:
--Trata-me bem d'esses dous pombinhos.--