Trens de praça, os cocheiros com librés de luxo, iam-se pouco a pouco
enfileirando na rua onde morava o Jorge. O povinho ia parando, mulheres
sobretudo, desejosas de ver sahir o cortejo. Os convidados ainda com os
sobretudos e já de luva _gris-perle_, as senhoras de vestidos de sêda,
entravam e logo o director do banco com um sorriso amavel, d'uma
cortezia palaciana, sahia a recebel-os, um bello ar festivo, a barba
escanhoada, a gravata branca sobre um peitilho folheado, todo grave na
sua casaca preta.
Tinha sempre uma phrase nova para receber os cumprimentos.
--Meus parabens, sr. Jorge.
--Obrigado, amigo Mendes, sei que são sinceros!
Rodava mais uma carruagem e logo outro, entoando:
--Parabens, parabens!
--Recebo-os, como a mais amavel das felicitações--e sorria.
As senhoras todas subiam, queriam ajudar a vestir a noiva. Tinham o
fetichismo das grandes occasiões. A Adelaide Mendes dizia que havia de
ser ella quem pregaria o ultimo alfinete!--e todas queriam fazer o
mesmo, as solteironas afim de serem as primeiras a seguir na via lactea
do matrimonio.
No seu quarto a Ermelinda estava já vestida, o rosto afogueado n'uma
vermelhidão casta; um largo espelho a reflectia com o seu vestido de
_faille_ nevado, d'uma scintillação velludinea guarnecido a flores de
larangeira; iam pôr-lhe o véo, um largo véo de fino tulle branco!--Mas
em antes as amigas rodeando-a, notavam uma préga que era necessario
desfazer, encobrir... com um ramo, e uma elevação no penteado, que urgia
modificar.
Davam-lhe os parabens com sorrisinhos maliciosos e ditos agudos, d'uma
levesa picante, capazes de crestar o avelludado d'aquellas flores
virgineas, que a engrinaldavam,--e a corôa, que a repartisse pelas
amigas, não se esquecesse, para o noivo bastava a... outra--