VIII

Trens de praça, os cocheiros com librés de luxo, iam-se pouco a pouco

enfileirando na rua onde morava o Jorge. O povinho ia parando, mulheres

sobretudo, desejosas de ver sahir o cortejo. Os convidados ainda com os

sobretudos e já de luva _gris-perle_, as senhoras de vestidos de sêda,

entravam e logo o director do banco com um sorriso amavel, d'uma

cortezia palaciana, sahia a recebel-os, um bello ar festivo, a barba

escanhoada, a gravata branca sobre um peitilho folheado, todo grave na

sua casaca preta.

Tinha sempre uma phrase nova para receber os cumprimentos.

--Meus parabens, sr. Jorge.

--Obrigado, amigo Mendes, sei que são sinceros!

Rodava mais uma carruagem e logo outro, entoando:

--Parabens, parabens!

--Recebo-os, como a mais amavel das felicitações--e sorria.

As senhoras todas subiam, queriam ajudar a vestir a noiva. Tinham o

fetichismo das grandes occasiões. A Adelaide Mendes dizia que havia de

ser ella quem pregaria o ultimo alfinete!--e todas queriam fazer o

mesmo, as solteironas afim de serem as primeiras a seguir na via lactea

do matrimonio.

No seu quarto a Ermelinda estava já vestida, o rosto afogueado n'uma

vermelhidão casta; um largo espelho a reflectia com o seu vestido de

_faille_ nevado, d'uma scintillação velludinea guarnecido a flores de

larangeira; iam pôr-lhe o véo, um largo véo de fino tulle branco!--Mas

em antes as amigas rodeando-a, notavam uma préga que era necessario

desfazer, encobrir... com um ramo, e uma elevação no penteado, que urgia

modificar.

Davam-lhe os parabens com sorrisinhos maliciosos e ditos agudos, d'uma

levesa picante, capazes de crestar o avelludado d'aquellas flores

virgineas, que a engrinaldavam,--e a corôa, que a repartisse pelas

amigas, não se esquecesse, para o noivo bastava a... outra--

A Divorciada · 第 23 / 63 题