_Babylonia_
Assente sobre o Euphrates e embellezada por Semiramis, a Babylonia
parecia ter sido a cidade mais esplendorosa da antiguidade. As suas
muralhas de cincoenta pés de largura e d'uma altura prodigiosa, as suas
cem portas de bronze, os templos, os palacios, as estatuas d'ouro, e,
sobretudo, os seus jardins suspensos, tornavam-na a rainha das cidades
antigas.
Rival de Jerusalem foi muitas vezes em guerra com o povo judeu que alli
passou setenta annos de captiveiro, durante os quaes um grande numero
_não suspenderam as suas harpas nos salgueiros da margem_, e abandonaram
a religião de seus paes. As Escripturas fallam de Babylonia como de um
foco de corrupção e idolatria; fizeram-na a personificação do mundo
profano, o receptaculo de todos os vicios e de todas as impurezas.
Exasperados pela politica barbara dos babylonios os israelitas
votaram-lhes um odio profundo, e a dissolução dos costumes, de que foram
testemunhas no captiveiro, augmentou áquelle sentimento o do horror e do
desgosto. D'aqui o nome de _grande prostituta_, que elles deram a essa
cidade.
--Hoje, que já não existe a Babylonia, que os viajantes e archeologos
nem mesmo podem encontrar-lhe o local, só o nome sobreviveu, e
applica-se aos grandes centros populosos, como Londres, e, sobretudo,
como Pariz, onde a agglomeração das massas, as riquezas, os progressos
da industria e da civilisação engendram fatalmente a corrupção de
costumes.
--Os protestantes, que pretendem ser os unicos observadores da lettra e
do espirito evangelico, chamam á vida eterna--a _grande Babylonia_.