_Incendiar os seus navios_
Esta locução allude ao procedimento de alguns grandes capitães, que a
historia nos representa incendiando os seus navios, que os haviam
conduzido á abordagem nos barcos inimigos, afim de que os marinheiros e
soldados, privados de toda a especie de fuga se vissem na contingencia
de vencerem ou morrerem. Agathocles, tyranno de Syracusa foi o primeiro
que na Costa d'Africa deu o exemplo d'esta resolução arrojada.
O imperador Juliano poz fogo aos seus depositos e aos seus mil e cem
navios, no Tigre, quando fez a sua expedição contra Sapor, um rei da
Persia. Guilherme, o Conquistador, abordando a Inglaterra em 1066,
recorreu ao mesmo expediente, que foi seguido da victoria d'Hastings.
Roberto Guiscard, no perigo eminente em que se achava com a sua pequena
armada deante das forças consideraveis de Alexis Commene, incendiou a
sua frota e as suas bagagens e ganhou a victoria de Durazzo a 13
d'outubro de 1084. Foi d'este modo, emfim, que Fernando Cortez,
desembarcando na costa do Mexico preludiou a conquista d'esta região.
--Esta locução--_incendiar os seus navios_--passou a proverbio e quer
dizer:--interdizer, subtrahir por uma iniciativa arrojada os meios de
volver a uma resolução, de renunciar a uma empreza; pôr-se na
impossibilidade de retroceder.