_Subir ao Capitolio_
Na antiga Roma, os generaes vencedores subiam em triumpho ao Capitolio,
no meio das acclamações de todo o povo, e alli offereciam sacrificios
aos deuses; em seguida o povo os acompanhava a sua casa com archotes e
soltando gritos de alegria.
Na Edade Média, e durante o grande seculo litterario da Italia,
resuscitaram-se, em favor da poesia, os antigos triumphos do Capitolio.
No dia de Paschoa, a 8 d'abril de 1341, Petrarcha subiu ao Capitolio no
meio dos principaes cidadãos, precedidos de doze mancebos, escolhidos
nas familias mais illustres, que declamavam os seus versos. Recebeu a
corôa de louro e recitou um soneto ácerca do heroe da antiga Roma.
Tasso recebeu tambem as honras da coroação; a sua entrada em Roma já
teve o aspecto de um triumpho. O povo, os nobres, os prelados, os
cardeaes, os sobrinhos do Papa, foram ao seu encontro e o conduziram ao
Vaticano, no meio das mais vivas acclamações. O Papa, avistando-o,
disse-lhe com graça particular:
--«Vinde honrar esta corôa, que honrou todos quantos a collocaram antes
de vós.»
Os aprestos da cerimonia proseguiam com a maior rapidez e o Tasso ia,
emfim, receber a recompensa d'uma vida cheia d'amargura e de dôr; mas
por uma ultima irrisão da sorte elle morreu na vespera do proprio dia em
que devia subir ao Capitolio, e o louro poetico não adornou senão a
fronte do seu cadaver, que fôra amortalhado com a toga romana.
Pouca gente desconhece a magnifica descripção que Madame de Stael fez da
coroação de Corinna. A brilhante escriptora faz reviver no seu celebre
romance a _Corinna Thebana_, a rival feliz de Pindaro, varias vezes
coroada nos jogos olympicos.