_Mario sobre as ruinas de Carthago_
Mario, livre das prisões de Minturnes, fez-se á vela para a Africa. O
navio que o conduzia, privado d'agua, quiz aportar á Sicilia, mas uma
força armada assaltou a equipagem, matou varios homens, e o proprio
Mario só com difficuldade escapou. Alguns dias depois desembarcou na
Africa, nos mesmos locaes aonde se elevava outr'ora a poderosa cidade de
Carthago.
Apenas em terra, Sextilio, pretor da Lybia, homem dedicado a Sylla,
fez-lhe intimar ordem de deixar aquella provincia, e como o mensageiro
lhe pedisse uma resposta, elle disse-lhe:
--«_Vae dizer a teu senhor, que viste Mario, errante e fugitivo, sentado
sobre as ruinas de Carthago!_»
A presença d'este grande proscripto sobre as ruinas ainda fumegantes da
antiga e poderosa rival de Roma, é um dos mais frisantes exemplos das
vicissitudes humanas, e a maneira simples e energica com que esta
approximação é expressa, faz d'elle uma das mais sublimes lições que a
historia tem tido a consignar.
Toda a gente conhece o verso em que Delille poz em presença esses dois
infortunios:
«_E essas ruinas, sim, consolavam-se a si!_»