_Festim de Balthazar_
Cyro, rei dos persas, cercava Babylonia á frente d'um exercito
formidavel; Balthazar, confiando na força das suas muralhas, ria dos
vãos exforços do seu inimigo e esquecia, nos festins, os enfados d'um
longo cêrco. Uma noite em que celebrava uma orgia com os grandes da sua
côrte e todas as suas mulheres, fez trazer, por uma fanfarronada de
impiedade, os vasos sagrados que Nabuchodonosor tinha outr'ora
subtrahido ao templo de Jerusalem. Realisada aquella profanação, o impio
monarcha viu com espanto uma mão que traçava na parede, em traços
ardentes, caracteres mysteriosos, que nem Balthazar nem ninguem da côrte
pôde traduzir.
O propheta Daniel tendo sido chamado, disse ao rei.
--«Foi Deus que enviou aquella mão, e é isto o que está escripto: _Mané,
Thécel, Pharés_;--_Mané_, Deus contou os dias do teu reino e lhe marcou
o fim; _Thécel_, foste collocado na balança e achado muito leve;
_Pharés_, o teu reino será dividido!»
Na mesma noite, com effeito, Cyro, tendo conseguido desviar o curso do
Euphrates, penetrou na Babylonia pelo seu leito secco. Balthazar foi
morto e a Babylonia reunida ao imperio dos persas.
--Por allusão a este festim celebre, chama-se _festim de Balthazar_ a
toda a orgia ruidosa, ou, por uma hyperbole familiar, a todo o banquete
copioso e prolongado.