O Conselho dos Superintendentes

O rei levantou-se cedo na manhã seguinte e desceu três degraus de cada

vez como um colegial. Depois de ter comido seu café da manhã às pressas,

mas com apetite, ele convocou um dos mais altos funcionários do Palácio,

e lhe presenteou com um xelim.

—Vai, e compra-me uma caixa de tintas de um xelim, que você vai

conseguir, a menos que as brumas do tempo me enganem, em uma loja na

esquina da segunda e mais suja rua que leva para a linha Rochester. Já

solicitei ao mestre de Buckhounds para fornecer-me papelão. Pareceu-me

(não sei porque) que caia dentro de suas especialidades.

O Rei estava feliz durante toda a manhã com o seu papelão e sua caixa de

tintas. Ele estava envolvido na concepção dos uniformes e brasões de

armas para os vários bairros de Londres. Pensou profunda e

consideravelmente nisto. Sentiu a responsabilidade.

— Não posso imaginar porque as pessoas pensam nos nomes de lugares do

campo como mais poéticos do que aqueles em Londres. Românticos

superficiais pegam o trem e param em lugares chamados

Hugmy-in-the-Hole^1 <#note2> , ou Bumps-on-the-Puddle^2 <#note3> .

Enquanto poderiam, se quisessem, morar em um lugar com o nome, divino e

tenebroso de St. John’s Wood^3 <#note4> . Nunca fui à St. John’s Wood.

Não ouso. Devo ter medo da noite inumerável de pinheiros, medo de

encontrar um buraco vermelho-sangue e do bater das asas da águia. Mas

todas estas coisas podem ser imaginadas, permanecendo-se dignamente no

trem de Harrow.

E cuidadosamente retocou seu projeto para a vestimenta principal do

alabardeiro da St. John’s Wood, um desenho em preto e vermelho, composta

de um pinheiro e da plumagem de uma águia. Então se virou para outro

cartão.

— Vamos pensar em assuntos mais leves — disse ele. — Lavender Hill!

Poderia qualquer uma das suas glebas, vales e todo o resto produzir tão

perfumada ideia? Pense em uma montanha de lavanda levantando-se em

pungência púrpura nos céus de prata e enchendo as narinas dos homens com

um novo sopro de vida, uma colina púrpura de incenso. É verdade que nas

minhas poucas excursões de exploração num bonde barato, falhei em

localizar o ponto exato. Mas deve estar lá; algum poeta o chamou pelo

nome. Há pelo menos o suficiente para justificar as solenes plumas

púrpuras (seguindo a formação botânica da lavanda) que tornei de uso

obrigatório, na vizinhança de Clapham Junction. Depois de tudo, será

assim em toda parte. Nunca fui realmente para Southfields, mas suponho

que um esquema de de limões e azeitonas represente seus instintos

austrais. Nunca visitei Parson’s Green, ou vi tanto o verde ou o pastor,

mas certamente os chapéus verde-pálido que projetei devem estar mais ou

menos no espírito. Preciso trabalhar no escuro e deixar meus instintos

me guiar. O grande amor que tenho pelo meu povo, certamente me salvará

de angustiar seu nobre espírito ou violar as suas grandes tradições.

Enquanto estava refletindo nesse sentido, a porta se abriu, e um

funcionário anunciou o sr. Barker e o sr. Lambert.

O sr. Barker e sr. Lambert não estavam particularmente surpresos ao

encontrar o rei sentado no chão em meio a um monte de esboços de

aquarela. Eles não estavam particularmente surpresos porque a última vez

que tinham sido convidados haviam o encontrado sentado no chão, rodeado

por um monte de tijolos de criança, e da vez anterior cercado por um

monte de tentativas inteiramente frustradas de fazer dardos de papel.

Mas a tendência de observações da criança real, proferidas no meio deste

caos infantil, era algo novo.

Por algum tempo deixaram-no balbuciar, consciente de que suas

observações não significavam nada. E então um pensamento horrível

começou a se apossar da mente de James Barker. Ele começou a pensar que

as observações do rei significavam algo.

— Em nome de Deus, Auberon — gritou de repente, surpreendendo o calmo

salão —, você não quer dizer que vai realmente ter essas guardas da

cidade, muralhas e todo o resto?

— Terei, realmente — disse a criança, em uma calma voz. — Por que eu não

deveria tê-los? Eu os modelei precisamente com seus princípios

políticos. Sabe o que eu fiz, Barker? Eu me comportei como um verdadeiro

Barkeriano. Eu... mas talvez não interesse a você, a minha noção de

conduta Barkeriana.

— Ah, vá, vá em frente — gritou Barker.

— A minha noção da conduta Barkeriana — disse Auberon, calmamente —

parece não só interessar, mas alarmá-lo. No entanto, é muito simples.

Simplesmente consiste em escolher todos os Superintendentes sob qualquer

novo regime pelo mesmo princípio pelo qual o déspota central é nomeado.

Cada Superintendente, de cada cidade, sob a minha carta, deve ser

nomeado por rotação. Portanto, meu caro Barker, tenha um sono tranquilo.

Os olhos selvagens de Barker brilharam.

— Mas, em nome de Deus, você não vê, Quin, que a coisa é bem diferente?

O centro, não importa tanto, apenas porque todo o objetivo do despotismo

é obter algum tipo de unidade. Mas se qualquer maldita paróquia pode ser

encarregada a qualquer maldito homem...

— Vejo a sua dificuldade — disse o rei Auberon, calmamente. — Você sente

que seus talentos podem ser negligenciados. Ouça! — E levantou-se com

imensa magnificência. — Eu solenemente dou ao meu vassalo, James Barker,

meu favor especial e esplêndido, o direito de substituir o óbvio texto

da Carta das Cidades, e ser, em seu direito próprio, alto lorde

Superintendente de South Kensington. E agora , meu caro James, está tudo

bem. Bom dia.

— Mas... — começou Barker.

— A audiência terminou, Superintendente. — disse o rei, sorrindo.

Até que ponto sua confiança se justificava, exigiria uma descrição um

tanto complicada de explicar. “A grande proclamação da Carta das Cidades

Livres” apareceu no tempo devido, naquela manhã, e foi afixada em toda

parte da frente do palácio por fixadores de cartazes, o rei os ajudando

dando direções animadamente, e de pé no meio da estrada, com a cabeça de

lado, contemplava o resultado. Também foi exibida, em cima e em baixo,

nas vias principais por homens-sanduíche, e o rei foi impedido de fazer

o mesmo por dificuldades próprias, sendo, de fato, encontrado pelo moço

da estola e o capitão Bowler, lutando entre duas placas. Sua excitação

teve de ser acalmada como a de uma criança.

A recepção que a Carta das Cidades encontrou nas mãos do público pode

ser moderadamente descrita como uma mistura. Em certo sentido, era

bastante popular. Em muitos lares felizes aquele notável documento legal

foi lido em voz alta nas noites de inverno em meio a uma apreciação

hilariante, quando todos já tinham decorado aquele clássico antiquado

mas imortal que era sr. WW Jacobs. Mas quando foi descoberto que o rei

tinha a intenção de exigir a sério as disposições a serem realizadas, de

insistir que as grotescas cidades, com toques de emergência e guardas

municipais, deveriam realmente vir a existir, iniciou-se uma confusão

bem raivosa. Os londrinos não tinham nenhuma objeção particular ao rei

fazendo papel de bobo, mas ficaram indignados quando se tornou evidente

que ele quis fazer eles de bobos, e os protestos começaram a surgir.

O Alto Lorde Superintendente da Boa e Valente Cidade de West Kensington

escreveu uma carta respeitosa ao rei, explicando que em ocasiões de

Estado seria, é claro, o seu dever observar as formalidades que o Rei

pensou adequadas, mas que era realmente estranho para um pai de família

decente ser proibido de sair e colocar um cartão-postal em uma caixa

postal sem ser escoltado por cinco arautos, que anunciavam, com gritos e

explosões formais de um trompete, que o Alto Lorde Superintendente

desejava enviar sua correspondência.

O Alto Lorde Superintendente de North Kensington, que era um próspero

comerciante de tecidos, escreveu uma breve carta de negócios, como um

homem queixando-se de uma empresa ferroviária, queixando-se da

definitiva inconveniência causada pela presença dos alabardeiros, que

ele tinha que levar por toda parte. Ao tentar pegar um ônibus para a

cidade, descobriu que enquanto poderia encontrar espaço para si mesmo,

os alabardeiros tinham dificuldade em entrar no veículo: dou fé, seu

fiel servidor.

O Alto Lorde Superintendente de Shepherd’s Bush disse que sua esposa não

gostava de homens em volta da cozinha.

O rei ficava sempre encantado ao ouvir essas queixas, oferecendo

respostas lenientes e reais, mas como ele sempre insistia, com absoluto

sine qua non, que as queixas verbais deviam ser apresentados a ele com a

maior pompa de trombetas, plumas, e alabardas, apenas alguns espíritos

resolutos estavam preparados para encarar o desafio dos pequenos meninos

na rua.

Entre estes, no entanto, destacou-se o abrupto, eficiente e metódico

cavalheiro, que governava North Kensington. E ele teve em pouco tempo,

uma ocasião para entrevistar o rei sobre um assunto mais amplo e ainda

mais urgente do que o problema dos alabardeiros e o ônibus. Esta foi a

grande questão que, então e por muito tempo, agitou o sangue e

enrubesceu o rosto de todos os construtores especulativos e agentes

imobiliários de Shepherd’s Bush a Marble Arch, e de Westbourne Grove a

High Street de Kensington. Refiro-me ao grande assunto das melhorias em

Notting Hill. O esquema foi conduzido principalmente pelo Sr. Buck, o

abrupto magnata de North Kensington, e pelo Sr. Wilson, o

Superintendente de Bayswater. Uma grande avenida deveria ser conduzida

através de três bairros, através de West Kensington, North Kensington e

Notting Hill, a abertura em uma extremidade de Hammersmith Broadway, e a

outra em Westbourne Grove. As negociações, compras e vendas, a

intimidação e o suborno levou dez anos, e no final dela, Buck, que as

conduziu quase sozinho, provou-se um homem do tipo mais forte de

diplomacia e energia. E assim quando sua esplêndida paciência e ainda

mais esplêndida impaciência finalmente trouxeram-lhe a vitória, quando

os operários já estavam demolindo casas e muros ao longo da grande linha

de Hammersmith, apareceu um obstáculo repentino que não contavam ou

mesmo sonhavam, um obstáculo pequeno e estranho, que, como um grão de

areia em uma grande máquina, abalou todo o vasto esquema e o paralisou.

E o Sr. Buck, o tecelão, vestindo com grande impaciência sua

indumentária oficial e convocando com desgosto indescritível seus

alabardeiros, correu para falar com o rei.

Dez anos não haviam cansado o rei de sua piada. Havia ainda novos rostos

para serem vistos olhando para ele usando os simbólicos chapéus que

havia projetado, no meio das fitas pastorais da Shepherd’s Bush ou

debaixo dos capuzes sombrios da estrada de Blackfriars. E a entrevista

que foi prometida ao superintendente de North Kensington, antecipou com

um prazer especial, pois “nunca apreciava toda a riqueza das vestes

medievais, a menos que as pessoas obrigadas a usá-las não fossem muito

irritadas, eficientes e metódicas”.

O sr. Buck era tal. Ao comando do rei, a porta da câmara de audiência

foi aberta e um arauto apareceu nas cores púrpuras da comunidade do sr.

Buck, estampada com a grande águia que o rei havia atribuído a North

Kensington, em vaga reminiscência à Rússia, pois ele sempre insistiu em

relacionar North Kensington como uma espécie de bairro semi-ártico. O

arauto anunciou que o superintendente daquela cidade desejava uma

audiência com o rei.

— De North Kensington? — disse o Rei, subindo graciosamente. — Que

notícias traz de sua terra de altas colinas e mulheres justas? Ele é

bem-vindo.

O arauto avançou para o quarto, e foi imediatamente seguido por doze

guardas vestidos de purpura, que foram seguidos por um atendente

ostentando a bandeira da Águia, que foi seguido por outro atendente

tendo as chaves da cidade em cima de uma almofada, que foi seguido pelo

sr. Buck com muita pressa. Quando o Rei viu seu forte rosto animal e os

olhos fixos, ele sabia que estava na presença de um grande homem de

negócios, e preparou-se conscientemente.

— Bem, bem – disse ele, alegremente descendo dois ou três passos de um

estrado, e juntando as mãos lentamente —, estou contente de vê-lo. Não

se importe, não se importe. Cerimônia não é tudo.

— Não entendo, vossa Majestade — disse o superintendente, impassível.

— Não se preocupe, não importa — disse o Rei, alegremente. — O

conhecimento da corte não é de nenhuma maneira um mérito puro, fará

melhor da próxima vez, sem dúvida.

O homem de negócios olhou para ele de mau humor sob as sobrancelhas

negras e disse mais uma vez sem mostras de civilidade:

— Não entendo.

— Bem, bem — respondeu o rei, bem-humorado —, se você me perguntar, não

me importo de lhe contar, porque não atribuo qualquer importância a

estas formalidades em comparação com um coração honesto. Mas é usual (e

isto é tudo, é usual) para um homem ao entrar na presença da realeza se

deitar de costas sobre o chão e elevar seus pés para o céu (como a fonte

do poder real) e dizer três vezes: ’Instituições monárquicas melhoram as

maneiras.’ Mas a pompa, tal pompa é muito menos verdadeiramente digna do

que a sua simples bondade.

O rosto do Superintendente estava vermelho de raiva, mas manteve silêncio.

— E agora — disse o Rei, de ânimo leve, e com o ar exasperante de um

homem encerrando uma afronta — que tempo agradável estamos tendo! Deve

achar as suas vestes oficiais bem quentes, meu Lorde. Eu as projetei

para a sua própria terra coberta de neve!

— Elas são tão quentes como o inferno — disse Buck, brevemente. — Vim

aqui a negócios.

— Certo — disse o rei, apontando um grande número de vezes com

solenidade bastante inexpressiva —, certo, certo. Negócio, como o velho

triste contente persa dizia, é negócio. Seja pontual. Levante cedo. Leve

a caneta no ombro, porque você não sabe de onde você vem, nem porquê.

Leve a caneta no ombro, porque você não sabe quando nem onde ir.

O Superintendente tirou uma série de papéis do bolso e os abriu

violentamente.

— Vossa Majestade deve ter ouvido falar — começou ele, sarcasticamente —

de Hammersmith e uma coisa chamada estrada. Estamos trabalhando faz dez

anos, comprando propriedades, obtendo poderes compulsórios, fixando

indenizações, acomodando interesses velados e, agora, no final, a coisa

é interrompido por um idiota. O velho Prout, que era superintendente de

Notting Hill, era um homem de negócios, e lidávamos com ele de forma bem

satisfatória. Mas ele está morto, e o lote amaldiçoado caiu sobre um

jovem chamado Wayne, que está metido em algum jogo que é completamente

incompreensível para mim. Nós lhe oferecemos um preço melhor do que

qualquer um poderia sonhar, mas ele não vai deixar a estrada passar. E o

seu conselho parece estar apoiando-o. É uma loucura de verão.

O Rei, que estava desatento, envolvido em desenhar o nariz do

superintendente com o dedo na vidraça, ouviu as duas últimas palavras.

— Que frase perfeita! “Loucura de Verão!”

— O ponto principal é — continuou Buck, obstinadamente — que a única

parte que realmente está em questão é uma pequena rua suja, Pump Street,

uma rua sem nada, exceto uma taverna, uma loja de brinquedos baratos, e

esse tipo de coisa. Todas as pessoas respeitáveis de Notting Hill

aceitaram a nossa compensação. Mas o inefável Wayne não cede Pump

Street. Diz que é o superintendente de Notting Hill. Ele é apenas

superintendente de Pump Street.

— Um bom pensamento — respondeu Auberon. — Gosto da ideia de um

superintendente de Pump Street. Por que não deixá-lo em paz?

— E arruinar todo o esquema? — gritou Buck, numa explosão de espírito

brutal. — Que eu seja amaldiçoado se o fazemos! Não. Pretendo enviar os

trabalhadores para derrubar, sem mais delongas.

— Ataque pela águia purpura! — gritou o rei acalorado pelas associações

históricas.

— Vou dizer — disse Buck, perdendo a paciência por completo — , se Vossa

Majestade gastasse menos tempo insultando pessoas respeitáveis com seus

brasões de armas bobos, e mais tempo com os negócios da nação...

O rei enrugou a testa, pensativo:

— A situação é ruim, o cidadão arrogante desafiando o rei em seu próprio

palácio. A cabeça do cidadão deveria estar inclinada e o braço direito

estar estendido; a esquerda pode estar levantada para o céu, mas isto

deixo para o seu sentimento religioso privado. Estou afundado nesta

cadeira, golpeado com fúria perplexa. Agora, de novo, por favor.

Buck abriu a boca como um cão, mas antes que pudesse falar, outro arauto

apareceu na porta:

— O alto lorde Superintendente de Bayswater deseja uma audiência.

— Deixe ele entrar — disse Auberon. — Este é um dia alegre.

Os alabardeiros de Bayswater usavam um uniforme predominante verde, e a

bandeira que foi levada depois deles era estampada com uma coroa de

louro verde sobre um fundo prata, que o rei, no curso de suas pesquisas

junto a uma garrafa de champanhe, tinha descoberto ser o trocadilho

pitoresco de Bayswater^4 <#note5> .

— É um símbolo adequado — disse o Rei —, a imortal coroa de louros.

Fulham pode buscar riqueza, Kensington a arte, mas quando os homens de

Bayswater se importaram com algo, exceto a glória?

Imediatamente atrás da bandeira, e quase completamente escondido por

ela, veio o superintendente, em vestes esplêndidas de verde e prata com

peles brancas e coroado com louro. Ele era um pequeno homem ansioso com

bigodes vermelhos, originalmente proprietário de uma loja de pequenos doces.

— Nosso primo de Bayswater — disse o Rei, com prazer —, o que podemos

servir a ele? O Rei falou distintamente a murmurar — carne, presunto,

frango frio — sua voz morrendo em silêncio.

— Vim ver vossa Majestade — disse o superintendente de Bayswater, cujo

nome era Wilson — a respeito de Pump Street.

— Acabei de explicar a situação para vossa Majestade — disse Buck,

secamente, mas recuperando sua civilidade. — Não tenho certeza, porém,

se vossa Majestade sabe o quanto a matéria afeta você também.

— Afeta a ambos, veja Majestade, como este projeto foi iniciado para o

benefício de toda a vizinhança. Assim, o Sr. Buck e eu colocamos nossas

cabeças juntos...

O rei aplaudiu.

— Perfeito — gritou em êxtase —! Suas cabeças juntas! Já posso

visualizar! Não podem fazer isso agora? Oh, façam isso agora!

Um som abafado de divertimento parecia vir dos alabardeiros, mas o sr.

Wilson parecia apenas perplexo, e o sr. Buck simplesmente diabólico.

— Acho.. — começou amargamente, mas o rei o deteve fazendo um gesto para

ouvir.

— Quieto! Acho que ouvi alguma outra pessoa vindo. Pareço escutar outro

arauto, um arauto cujas botas rangem.

Enquanto falava outra voz gritou da porta:

— O alto lorde superintendente de South Kensington deseja uma audiência.

— O alto lorde superintendente de South Kensington — gritou o rei —! Por

que? É o meu velho amigo James Barker! Eu me pergunto o que ele quer? Se

minhas afetuosas memórias de amizade não ficaram nebulosas, imagino que

ele queira algo para si, provavelmente dinheiro. Como está, James?

O sr. James Barker, cuja guarda estava vestida num esplêndido azul, e

cuja bandeira azul levava três de ouro pássaros cantando, entrou

apressado, em suas vestes azuis e douradas, no quarto. Apesar do absurdo

de todas estas vestes, vale a pena notar que aguentava melhor do que o

resto, embora detestasse tanto quanto qualquer um deles. Ele era um

cavalheiro e um homem muito bonito, e não poderia evitar,

inconscientemente, de vestir mesmo o manto absurdo como deveria ser

usado. Falou rapidamente, mas com a ligeira hesitação inicial que sempre

demonstrou ao falar com o Rei, devido a supressão de um impulso de

tratar seu velho conhecido da maneira antiga.

— Vossa Majestade, perdoe a minha intrusão. É sobre este homem em Pump

Street.. Vejo que Buck está aqui, então provavelmente já ouviu o que é

necessário...

O Rei varreu os olhos ansiosamente em volta da sala, que agora ardia com

os ornamentos dos três bairros:

— Falta algo necessário.

— Sim, vossa Majestade — disse Wilson de Bayswater, um pouco ansioso. —

O que vossa Majestade acha necessário?

— Um pouco de amarelo — disse o Rei, com firmeza. — Chame o

superintendente de West Kensington.

Em meio a alguns protestos materialistas, ele foi chamado e chegou com

os seus alabardeiros amarelos em suas vestes cor de açafrão, enxugando a

testa com um lenço. Afinal de contas, como estava, tinha bastante a

dizer sobre o assunto.

— Bem-vindo, West Kensington — disse o rei. — Há tempo desejava vê-lo

sobre esse assunto da terra de Hammersmith ao sul da Casa Rowton. Será

que você o receberá feudalmente do superintendente de Hammersmith? Só

tem de homenageá-lo colocando o braço esquerdo em seu casaco e depois

marchar para casa neste estado.

— Não, Majestade, preferiria não fazê-lo — disse o superintendente de

West Kensington, que era um jovem pálido, com um bigode justo e suíças,

que mantinha um laticínio de sucesso.

O rei bateu cordialmente no seu ombro:

— O velho forte sangue de West Kensington. Aqueles que lhe pedem

homenagem não são sábios.

Então olhou novamente em volta da sala. Estava cheio de um por do sol

rugindo de cor, e gostou da vista, possível para tão poucos artistas — a

visão dos seus próprios sonhos em movimento e em chamas na sua frente.

Em primeiro plano o amarelo das texturas de West Kensington delineou-se

contra as roupagens azuis escuras de South Kensington. As cristas destes

brilhavam subitamente em verde como as cores quase florestais de

Bayswater que subiam detrás deles. E acima e detrás de todos, as grandes

plumas púrpuras de North Kensington pretas, quase fúnebres.

— Algo está faltando.. — disse o Rei. — O que pode... Ah, aí está! Aí está!

Na porta apareceu uma nova figura, um arauto em vermelho flamejante. Ele

gritou numa voz alta, mas sem emoção:

— O alto lorde superintendente de Notting Hill deseja uma audiência.

------------------------------------------------------------------------

1 <#text2>

Hugmy-in-the-Hole = Abrace-me no buraco

Não existe “hugmy” em dicionários, mas soa similar a “hug me”

(abrace-me)

2 <#text3>

Bumps-on-the-Puddle = solavancos na Poça

3 <#text4>

St. John’s Wood = Floresta de São João

4 <#text5>

Bay pode ser traduzido como ’louro’

O Napoleão de Notting Hill · 第 15 / 30 题