NOTAS DE RODAPÉ:

[Footnote 13: No _tom._ III. _pag._ 158. se lhe deo por

equivocação o titulo de Conselheiro.]

[Footnote 14: Quando a junta de Moncorvo, que alias foi incansavel nos

seus trabalhos sobre outros muitos, e mui importantes objectos, não

tivesse feito outra cousa, que o preservar aquella parte da provincia

das commoções anarquicas, já era hum grande serviço feito á nação.

Teve inimigos, que a pertendêrão desacreditar, e ás mais authoridades

estabelecidas naquella villa, e eu mesmo participei da censura, pelo

que disse em seu abono no _tom. III cap. XII._, notando-se-me

particularmente, como huma falsidade, o ter affirmado (_pag._

156) que o Capitão-mór aggregado João Carlos de Oliveira, recitára em

24 de junho por ordem da camara, e perante o povo, huma proclamação

patriotica, incitando-o a tomar as armas, quando tal proclamação não

houvera. Não he muito regular o responder pela imprensa a criticas

clandestinas; mas quando procedem, como esta, de pessoas constituidas

em dignidade, e que impõe pelo seu caracter, onde chegão desfigurão

a verdade, e por isso he necessario combatellas, mais por credito da

mesma verdade, do que pelo do escritor. A proclamação, não só existio,

e foi recitada pelo referido Capitão-mór em presença de milhares de

testemunhas, que podem attestar o facto, mas publicou-se, e imprimio-se

na 1.^a _parte dos Papeis officiaes da junta da Segurança, e

Administração pública da Torre de Moncorvo pag._ 5, d’onde a vou

copiar. Ponho-a aos olhos dos meus leitores, para que os que tiverem

ouvido a censura possão estar prevenidos contra quaesquer outras

igualmente desarrasoadas, que de ordinario provém de pessoas, a quem os

factos desagradão.

Proclamação.

_Honrados habitantes de Moncorvo, e seu districto. A nossa patria foi

huma das mais distinctas povoações destes reinos nas crizes politicas,

que nelles tem acontecido. Os nossos veneraveis antepassados forão dos

primeiros Portuguezes, que segurárão a Corôa ao immortal Rei o Senhor

D. João I, Augusto chéfe da religiosa, e distincta Casa de Bragança.

Este grande Monarca honrou com a sua presença o nosso destricto,

confiando-se na decidida fidelidade dos nossos antepassados. O mesmo

patriotismo mostrárão, quando o throno de Portugal foi restituido aos

nossos legitimos Reis da Casa reinante de Bragança. Estes factos, que a

mais authentica Historia, e monumentos de illibada fé nos testemunhão,

são vehementes estimulos, para não degenerarmos de taes progenitores

na terrivel collizão, que produz este ajuntamento. As grandes virtudes

do nosso Augusto Principe, que a Providencia adoravel do Omnipotente

inspirou, para tomar huma resolução heroica, que segurando a sua

alta dignidade, trouxe comsigo o desengano dos Castelhanos, que

hoje reconhecem dever só confiar no valor, e união dos Portuguezes,

serião hum motivo sobejo, para sacrificarmos as vidas, e fazendas,

para lhe defender, e conservar os seus reinos, que terião sido os

mais felizes, a não se ter impedido pelos scelerados, que devastão,

e arruinão a Europa. Mas nós temos outros motivos, que tambem nos

obrigão a sacrificar as vidas, para lançar fóra destes reinos tão

injustos inimigos. A religião iria a fazer-se hum simples manejo de

politica. Os ecclesiasticos, que são hum ornamento da monarquia, serião

despojados dos seus bens, e da subsistencia, que a piedade Portugueza

lhes conferio, e sem a qual não ha dignidade; as lições da perseguição

do ímpio Juliano são a regra, que o governo Francez pertende induzir

nestes reinos. A innocencia das nossas donzellas, e o decoro das nossas

matronas está ameaçado pela depravação de hum Governo sem religião,

sem moralidade, e que só quer introduzir a dissolução, e o atheismo.

Pertendião recrutar a nossa mocidade, para fazella perecer entre os

gelos, e neves das regiões septentrionaes, ou nas escaldadas arêas dos

caminhos para o Indostão, para desta maneira nos cortarem os meios de

regenerarmos a nobreza, e virtude da nação Portugueza, tão valorosa,

célebre, e conspicua nos annaes do mundo. Nós todos com o pretexto de

protecção estamos roubados, os templos destituidos das decorações,

e riqueza, que a piedade lhes havia conferido. Eis-aqui os dignos

objectos, que vamos a defender. Á nossa união presidirá moderação, e

prudencia, para na defeza do Principe Nosso Senhor não sermos notados

de barbaridade, ou de espirito de furor popular: firmes neste proposito

repitamos: Viva o Principe Regente, viva Portugal, viva Moncorvo._]

[Footnote 15: Carta de lei de 25 de maio de 1773. Ditas d’ElRei D.

Manoel do 1.^o de marco de 1507, e d’ElRei D. João III. de 16 de

dezembro de 1524.]

[Footnote 16: Lei de 25 de maio de 1773.]

Historia geral da invasão dos francezes em Portugal e da restauração deste reino (Volume IV) · 第 30 / 42 题