mostram tantos socos repelidos quantas são as columnasinhas, e são de
fórma octogonaes ou prismaticas. Quando o soco tem muitos _resaltos_,
esses resaltos ficam separados por molduras reentrantes; algumas vezes,
emfim, a parte inferior do pilar é formado por um massiço no qual os
socos parece que são embutidos.
*Janellas*
No seculo XIV, muitas columnas servindo de pinasios verticaes dividiam
essas aberturas no sentido da largura, e o centro da arcada apresentava
muitos compartimentos em feitio de flôr de trêvo, folhas de quatro
pontas ou em florões.
[Figura 217: Janellas do seculo XIV]
A combinação mais usual era aquella que se vê na figura A: duas ogivas
gemeas encimadas por um oculo polylobado, enche todo o vão da janella.
Cada uma das duas ogivas se decompõe em duas outras partes ou em duas
novas aberturas, tendo por cima um florão; de maneira que o todo da
janella apresenta em ponto grande a imagem das duas ogivas gemeas que
emmolduram, e que representara portanto o mesmo feitio das janellas do
seculo XIII. Nos edificios de ordem interior, a janella B é muito
frequente a sua applicacão no seculo XIV. A gravura seguinte mostra uma
janella muito grande, pertencente ao seculo XIV; tal como se vê algumas
vezes na extremidade dos cruzeiros das igrejas, ou na sua fachada
occidental, as mais importantes.
[Figura 218: Janella do cruzeiro usada no século XVI]
*Portaes*
As portas do seculo XIV differem pouco das do seculo XIII: as voltas e
os tympanos são igualmente cheios de pequenas figuras em baixo-relevo;
os frontões triangulares que lhe servem de remate tem rendilhados, em
logar de ficarem lisos ou cheios como no seculo XIII; são tambem
ordinariamente mais elevados e ornados de _crochets_. Sobre os tympanos
de algumas portas, a flor de trêvo, as folhas de quatro pontas, ou
florões, substituem as figuras em alto relevo.
*Arcadas*
Não se encontram as molduras tão excessivamente pronunciadas e
executadas alternativamente, ora redondas, ora concavas, que ornavam no
seculo XIII as archivoltas das grandes arcadas; os toros são muito menos
boliados e por vezes tem feitio ellyptico, não produzindo o contraste da
luz e sombra que dava tão notavel distincção aos arcos repelidos do
primeiro estylo ogival.
*Torres*
As torres eram rematadas por uma agulha em pedra, e tinham passeio com
parapeito e corrimão, como se vê quasi sempre entre a torre e a base da
pyramide, que lhe fica superior, conforme se construia desde o seculo
XIV. Até lá nos telhados pyramidaes das torres tinham posto poucos
ornamentos: esculpiam-lhes unicamente modilhões curvilineos, ou telhas
recortadas; mas no XIV, abriram-lhes buracos contornados como as flôres
de trêvo, em florões, etc., cobriram-lhes os angulos de ornatos de forma
de _crochets_. A reunião d'estes differentes caracteres podem servir
para se distinguirem as grandes torres do seculo XIV das do XIII.
*Ladrilhos*
Os pavimentos de tijolos vidrados foram empregados nas capellas e nas
igrejas, compondo magnificos florões.
*Pinturas muraes*
A pintura empregada nos seculos antecedentes, e que no seculo XIII
cobria os portaes, as curvaturas e partes mais notaveis dos edificios,
foram igualmente prodigalisadas no XIV. Existe d'essa época grande
numero de decorações _polycromaticas_, infelizmente apagadas e
muitissimo deterioradas.
*Pinturas sobre vidro*
Se se considera o effeito geral, a harmonia das tintas e o brilhantismo
das côres, a bella época das vidraças coloridas, foi a do seculo XIII. Á
medida que nos afastamos d'essa época, tão auspiciosa tambem para a
architectura, as producções das pinturas sobre o vidro perdem do seu
brilho, porém as figuras são de maior estatura e desenhadas com mais
esmero.
Considerando, que no sul da França e nas margens do Rheno, os
architectos estavam ainda no seculo XIII dominados pelos principios da
escola do seculo XII, poder-se-hia suppôr que no seculo XIV deveriam ter
adoptado o estylo ogival primitivo; porém não aconteceu assim: quando
elles se decidiram a adoptar o estylo ogival, foram tomal-o no estado em
que se achava. Assim vemol-o, no seculo XIV, na Allemanha e na Bélgica,
com os caracteres quasi similhantes áquelles que dominavam em França.
*Altares*
Os _altares_ do seculo XIV não differem dos do XIII, senão pela natureza
dos detalhes de architectura que fizeram entrar na sua decoração, e que
oferecem os mesmos caracteres que os dos monumentos da época.
Os _armarios_, ou tabernaculos, mettidos nas paredes, proximo do altar,
imitavam, pouco mais ou menos, as mesmas disposições que no seculo XIII.
As _credencias_, por vezes _gemeas_, como se faziam no seculo anterior,
não tinham todavia, no meado seculo XIV, senão uma arcada única e com
uma só piscina.
*Pias baptismaes*
A mesma observação ha que fazer para as pias baptismaes como para os
altares. As formas usadas no seculo XIII encontram-se no XIV; sómente
com a differença de que as pias pedicelladas, com columnas auxiliares,
eram mui raras, e as columnasinhas são applicadas como decorações sobre
um apoio central e fazem corpo com elle, em logar de ficarem destacadas
como antes se praticava.
[Figura 219]
Encontram-se muitas vezes pias oitavadas, como a que está representada
na pag. seguinte [fig. 220], tendo cada um dos lados ornatos e
compartimentos com o feitio de uma janella do estylo radiante: além das
pias d'este typo, vêem-se tambem columnasinhas moldurando essas janellas
e separando as faces umas das outras.
[Figura 220: Pia baptismal octogona do seculo XIV]
*Sepulturas e tumulos*
Os tumulos do seculo XIV distinguem-se dos do XIII unicamente pelo modo
como os ornamentos são executados. Os caracteres que indicamos para a
architectura do seculo XIV dão facilmente a conhecer os tumulos formados
de arcadas collocadas ao correr das paredes.
*Campas*
As pedras tumulares, no seculo XIV, tiveram aprimorada execução; pois
que todos os detalhes dos vestuarios estão reproduzidos com grande
fidelidade, e as composições architecturaes destinadas a formar a parte
ornamental, que encerrava a representação dos personagens, tomam o
feitio das capellas ou das naves de igrejas. Tinham os seus typos
correspondentes nas decorações do mesmo genero no seculo XIII, e nas
vidraças pintadas com representações dos santos, que a igreja expunha á
veneração dos fieis.
No norte, nos Paizes Baixos, e em outras nações, as lageas escolhidas
eram de marmore de côr cinzenta ou preta; em grande parte da França,
foram as campas feitas principalmente de pedra calcaria branca, como
usavam em Portugal; tambem usavam as lageas amarellas ou jaspeadas,
pertencendo ás formações secundarias e terciarias; finalmente, nas
regiões graniticas e schistosas, serviam-se de lageas fornecidas d'estas
rochas[51], porém eram menos empregadas, por causa da difficuldade com
que n'ellas executavam os ornamentos.
*ARCHITECTURA CIVIL*
A architectura monastica conservou no seculo XIV as disposições geraes
adoptadas precedentemente; modificaram apenas a ornamentação: portanto
nos claustros apparecem as arcadas com muitos vãos, tendo como remate
oculos ou espelhos, como se praticava nas construcções das janellas; e
assim o mostra a gravura da pag. 226. [fig. 222]
Pode-se dizer outro tanto dos paços archiepiscopaes, e outros grandes
edificios civis; notando-se, todavia, que foi no seculo XIV que
principiaram a apparecer as grandes janellas com cruzetas de pedra, fig.
B, pag. 225 [fig. 221], que vieram a ser depois tão communs nos seculos
seguintes.
As chaminés conservaram a sua forma elegante, e quando não ficavam
cobertas por um abrigo pyramidal, então assimilhavam-se a uma colunma
cylindrica ou octogona; ás vezes eram ornadas no cimo por folhas de
quatro pontas ou outras molduras.
[Figura 221: Janellas do seculo XIV]
*Hospicios*
Os _hospicios_, os _mercados cobertos_, as _casas da camara_, e os
outros edificios de utilidade publica, não se differençavam dos que eram
construidos no seculo XIII, tanto pela fórma das aberturas, como pela
qualidade das molduras.
Os _hospicios_ compunham-se sempre de um ou muitos salões para os
doentes, dependendo da casa conventual, ou da igreja. Estes edificios
eram dispostos á roda de um pateo principal, mas havia alguns com
segundo pateo para o serviço do estabelecimento.
[Figura 222: Arcos de claustro do seculo XIV]
[Figura 223: Chaminé do seculo XIV]
O hospicio de Nuremberg apresenta corpos de habitações parallelos com
alguns pateos centraes debaixo dos quaes passava um braço de rio, que
era desviado da corrente principal. A architectura das salas d'este
hospicio parecia pertencer além do seculo XIV.
Não fallaremos das _gafarias_, as quaes tinham chegado ao numero de
19:000, depois das guerras das cruzadas, porque eram antes uma reunião
de casinhas ou cellas, no meio das quaes havia um pateo e uma capellinha
consagrada a S. Lazaro, que se não deve considerar hospital publico. Das
numerosas gafarias dos seculos XIII e XIV só existem actualmente as
capellinhas sem que apresentem interesse algum architectonico.[52]
[Figura 224: Hospital de Nuremberg]
*Casas da camara*
Algumas casas dos municipios do seculo XIV, como a de Brunswich, mostra
qual a importancia adquirida por estes monumentos desde o seculo XIII
(vêde a pag. 193 [fig. 195], a casa da camara de Ypres), como se
conservou até no seculo XIV, sendo então decorada com coruchéos,
balaustradas e estatuas, e com as molduras mais elegantes d'aquella
época.
*Mercados, açougues e armazens*
_Mercado coberto de Bruges_. O mercado de Bruges, que pode ser
considerado como monumento mixto, pois que é ornado do campanario
communal, fórma um quadrilatero de 84 metros por 43. As casas mais
visinhas do campanario estavam d'antes isoladas; acrescentaram-lhe as
azas desde 1325 até 1364.
O mercado de _Evron_, em França, construido de madeira, data do seculo
XIV, como igualmente o côro da igreja abbacial: compunha-se de duas
naves formadas por tres filas de prumos.
[Figura 225: Prumos que sustentam o grande madeiramento dos mercados em
Évron]
Apresentemos o traçado das peças de madeira de uma asna d'este grande
madeiramento, e que se apoiam sobre o renque dos prumos de vigas, que
separam as duas naves. Este madeiramento merece estudo particular, e
será apreciado pelos constructores, visto que estes grandes edificios
construidos por esta fórma acabaram de todo, e ainda não foram
sufficientemente estudados.
_Mercado de Dives_. O antigo mercado de Dives, em madeira, tem
igualmente certa importancia. A parte menos antiga, que está do lado
leste, pertence ao seculo XIV; os dez vãos mais bem construidos que
compõem o mercado primitivo, datam certamente da idade media; tem 32
metros de comprimento e 11 metros de largura, decompondo-se da maneira
seguinte: a nave central, 7 metros; as lateraes 4^m,32. A gravura mostra
o córte transversal do madeiramento.
[Figura 226: Córte transversal do mercado de Dives]
Em certas cidades bastante povoadas, onde a corporação dos carniceiros
era poderosa, como em Gand (Belgica) e na Inglaterra, o mercado coberto
formava um monumento.
[Figura 227: Vista d'uma parte do açougue de Gand]
_Açougue de Gand_. Este grande edificio, do qual os viajantes vulgares
não fazem caso, e que os itinerarios não se dão ao incommodo de
descrever, é comtudo digno de ser citado. É dividido no interior em duas
naves por bem combinadas divisões de madeira. As duas portas das
fachadas correspondem ás duas naves. Datando a sua construcção do fim do
seculo XIV, o açougue de Gand foi consideravelmente augmentado depois, e
reconstruido em grande parte no reinado de Carlos V, em 1542.
[Figura 228: Grande armazem de deposito na cidade de Constance]
O armazem de deposito de Constance, pag. 232 [fig. 228], pode dar-nos
idéa dos grandes armazens do seculo XIV; compõe-se de muitos andares,
cujos pavimentos de madeira são sustentados por grossas vigas a prumo.
*Casas particulares*
[Figura 229: Casa antiga construida em Cordes]
As casas particulares do seculo XIV eram, como as do seculo XIII,
construidas de cantaria ou madeira; quando havia na proximidade bons
materiaes, que facilmente se extrahiam e transportavam, davam-lhe a
preferencia; porém, achar-se em similhantes condições era raro, e por
isso preferiam a madeira; veio d'ahi certa combinação no systema
particular das construcções, de que se encarregavam especialmente os
entalhadores para ornamentar as madeiras apparentes; além de facilitarem
as suas edificações.
Escolhemos como especimen das casas construidas de cantaria, uma das
mais notaveis que existem em _Cordes_, como se vê na gravura da pag. 233
[fig. 229].
*ARCHITECTURA MILITAR*
*Formas geraes*
[Figura 230: Galeria saliente de cantaria]
A começar do seculo XIV, as partes habitadas dos castellos tomam formas
mais regulares, encaminhando-a a se aproximar do estylo moderno. No
pateo principal, que é ordinariamente quadrado, apresentam grandes e
vastas habitações que se ligam intimamente com as muralhas de recinto.
Por esta forma, as obras de defensa estão alternadas com os aposentos,
ficando _as construcções civis augmentadas em prejuizo das
fortificações_. Muitos castellos do seculo XIII se completam no XIV com
grandes addicionamentos.
As torres dos angulos encerravam geralmente as escadas para se subir aos
differentes andares. Collocavam tambem uma escada principal na torre
levantada ao centro da fachada nobre do edificio.
Os cachorros de madeira que coroavam as paredes das fortificações
apresentavam, como já dissemos, bastantes inconvenientes, aos quaes
procuravam dar remedio. No seculo XIV as galerias salientes de cantaria
com bésteiras, gravura da pag. 234 [fig. 230], substituiram pouco a
pouco os cachorros nas praças fortes. As muralhas d'_Avignon_, e as de
_Cahors_, reconstruidas no seculo XIV, offerecem bellos exemplos.
[Figura 231: Interior de uma porta com ponte levadiça]
As bésteiras não existiam antes dos seculos XIV e XV; á falta de outro
typo, pela sua construcção pode-se confirmar a antiguidade das muralhas,
quando ellas lhe servem de remate sem nenhuma interrupção. As portas dos
recintos são constantemente defendidas por duas torres, e tendo na parte
superior, como no seculo XIII, uma sala onde faziam mover a ponte
levadiça. Foi no seculo XIV, que principiaram, como já referimos, a ser
munidas de pontes levadiças,[53] movidas por contrapesos. A pequena
porta destinada aos pedestres tinha ponte levadiça particular, como se
vê na gravura da pag. 235 [fig. 231].
Citaremos entre os castellos mais completos do seculo XIV o de
_Pierrefont_, que fomos vêr em 1867 quando a sua restauração era
dirigida pelo eminente architecto e archeologo, o nosso confrade mr.
Viollet-le-Duc.
A formidavel Bastilha de Paris, destruida em 1789, cujo _fac-simile_ se
encontra em grande numero de bibliothecas publicas, fôra começada em
1369 por ordem do rei Carlos V. Esta fortaleza compunha-se de habitações
em grande altura, dispostas regularmente em roda de um pateo
quadrilongo; tinha quatro torres semiesphericas nos angulos do quadrado
e mais duas no centro dos dois maiores lados.
[Figura 232: Vista exterior da Bastilha]
Diversas janellas quadradas se abriam para o interior dos pateos, e
algumas nas muralhas exteriores.
_Vincennes_ é antes uma praça forte do que um castello propriamente
dito; a forma regular do recinto, o torreão, as torres, os parapeitos,
este todo offerece um bello exemplo do grande monumento militar do
seculo XIV,[54] e sempre que se pudesse, dever-se-hia adoptar um plano
symetrico, quando o terreno fosse aproprido para similhante construcção.
Esta fortaleza conserva ainda algumas construcções muito antigas.
O rei Filippe Augusto foi o primeiro soberano que mandou edificar n'este
logar uma casa de campo para suas caçadas.
A maior parte das fortificações foram demolidas em 1337, para se
construirem as que existem; assim como o bello torreão do castello, que
veio a ser prisão do Estado no reinado de Luiz XI. Este torreão é um dos
melhores, no seu genero, que possue a França.
É notavel a elegancia da galeria dos antigos aposentos reaes, bem como a
architectura da capella, construcções pertencentes aos reinados de
Francisco I e da rainha Maria de Medicis.
CAPITULO VI
ERA OGIVAL DO SECULO XV E PRINCIPIO DO XVI
*ARCHITECTURA RELIGIOSA*
Posto que a fórma usual das igrejas tivesse ficado a mesma no seculo XV
e no principio do XVI, os architectos tiveram certa tendência para se
afastarem da regularidade symetrica da época anterior; fizeram nas
igrejas existentes augmentos que vieram a destruir a harmonia,
juntando-lhes, por exemplo, outras capellas fóra das proporções das que
já existiam.
*Ornamentos*
As formas prismaticas ou angulares dominam no feitio das molduras do
seculo XV, tanto nos toros e nas nervuras, como nos pinasios, e até nos
mais insignificantes detalhes; isto dava aos ornamentos _aspero_
aspecto, por causa de _magreza_ no cinzelado, que nunca apresentaram os
executados nos seculos XIII e XIV.
As folhagens mostram, a começar do seculo XV, fórmas inteiramente
differentes das que notámos nos seculos XIII e XIV, são folhas de couve
encrespadas, de cardo e outras plantas. As folhas de vinha foram tambem
empregadas com as outras folhas recortadas: estas formam, nas hombreiras
das portas, das janellas, cornijas e festões executados com tanta
habilidade, que parece se despegam da pedra, e são apenas adherentes na
sua superficie: estas grinaldas eram ás vezes entrelaçadas com fitas. Os
esculptores divertiam-se tambem em representar diversos animaes entre as
folhagens.
[Figura 233: Grinaldas de folhas recortadas]
Os _crochets_, em parte differentes dos executados no seculo XIV,
mostram em geral mudança de fórma análoga a dos ornamentos, representam
folhas de couve ou cardo encrespadas, arredondadas, reviradas,
parecendo-se com cabeças de golphinhos.
*Contrafortes*
O fragmento representado na pag. seguinte [fig. 234], mostra o effeito
dos apainelados, dos pinaculos na sua applicação descançando sobre
animaes--caryatides; finalmente os dos frontões triangulares, por cima
das janellas ornados de folhas encrespadas, rematavam com balaustradas e
divisões do estylo flamejante de _labaredas_.
[Figura 234: Pinaculos descançando sobre animaes--caryátides]
*Columnas e pilastras*
Já não se vêem columnasinhas enfeixadas, porque foram substituidas por
simples nervuras prismzticas. Os capiteis, mais geraes, eram ornadas de
folhagens encrespadas, dispostas em dois ramos sobrepostos um ao outro.
No final do seculo XV e no XVI, não é raro encontrar as columnas
completamente sem capiteis; então as nervuras dos pilares prolongam-se
sem interrupção até ao cimo do edificio e formam um todo com os arcos
ramificados de abobada. Sobre algumas pilastras, encontram-se pinaculos,
molduras com grandes relevos mais ou menos complicados, e misulas para
servirem de peanhas ás estatuas.
[Figura 235]
*Portas*
As portas de arcos abatidas, ou de volta de sarapanel, que se chamam
arcos _Tudor_, porque foram mui usadas em Inglaterra no reinado de
Henrique VII e Henrique VIII, vêem-se principalmente no final do seculo
XV ou no principio do XVI, e eram enfeitadas como as outras portas, com
bellas folhas retorcidas e coroadas de um penacho pediculado, como está
representado na seguinte gravura.
[Figura 236]
*Janellas e oculos (espelhos)*
Os compartimentos, que dividem as janellas e aberturas circulares
chamadas _oculos_ ou _espelhos_, apresentam mais geralmente feitios
retorcidos, assimilhando-se a labaredas, corações esguios, etc. etc.,
que differem das flores de trevo, folhas de quatro pontas, e outras
figuras radiantes. Foi em razão d'estas formas retorcidas, tantas vezes
reproduzidas nos compartimentos das janellas, nos espelhos, nas
balaustradas e nos ornamentos representados na cantaria, que se tem
designado o estylo ogival do seculo XV sob o nome de gothico
_flamejante_.
*Abobadas*
Os arcos das abobadas vieram a ser mais salientes e prismaticos: as suas
peças curvas principiaram tambem a ramificar-se na segunda metade do
seculo XV e no XVI, e os pontos de juncção mostram por vezes
_penduraes_.
[Figura 237: Rosa flammejante em compartimentos triangulares]
*Torres*
As torres do seculo XV apresentam uma grande variedade de formas: ha
algumas, cujas agulhas são muito elegantes (Belgica, Bordelez,
Normandia, ele.); outras são quadradas, flanqueadas de contrafortes
salientes, e que não tem a leveza dos primeiros.
No seculo XV, em logar de flanquear com duas torres as fachadas das
grandes igrejas, tinham muitas vezes levantado uma unica torre quadrada
ao meio do frontão occidental, como _S. Bavon de Gand_, a cathedral de
Berne, e a cathedral de Ulm, etc.
Muitas torres d'esta época apresentam, grav. pag. 245 [fig. 239] sobre
os angulos do corpo quadrado que sustenta a pyramide, _obeliscos_ ou
_torresinhos_ que se ligam ao corpo da torre por arcos botantes de uma
leveza extrema, cujo _intradoz_ é ornado de festões arrendilhados.
Haveria um estudo interessante a fazer-se sobre as torres do seculo XV,
as que existem na cidade de _Ruão_, pois são todas de notavel elegancia,
embora não tenham como remate nem frechas, nem agulhas.
*Altares*
O altar, representado na gravura seguinte, tem 2^m,40 de comprido por
0^m,90 de fundo e 1^m,80 de altura. Sustentam-no tres pequenas columnas.
A decoração na frente compõe-se de quatro curvaturas, alternadamente
separadas por uma columna e por um pendural.
[Figura 238: Um dos altares da igreja do Flogoat (Finisterra)]
*Tabernaculos*
Encontram-se no seculo XV tabernaculos ou _ciboriums_ de pedra que podem
egualmente ser considerados como accessorio dos altares; ainda que
estejam a maior parte das vezes separados e encaixados nas paredes
proximas, como tambem estão as credencias. O especimen seguinte mostra a
configuração dos que existem em muitas igrejas já d'esta epoca.
[Figura 239]
Algumas credencias, do fim do seculo XV, são tambem mui notaveis pelo
numero e acabamento de suas molduras, como se vê na gravura seguinte.
[Figura 240: Credencia dos ultimos annos do seculo XV, na capella de
Jucoville]
*Pias baptismaes*
A forma mais usada no seculo XIV para as pias baptismaes foram
egualmente imitadas no XV, porém as pias d'este ultimo seculo e do
principio do XVI mostram, enquanto ás esculpturas, que foram executadas
primorosamente com molduras prismaticas, similhantes ás que ornam os
nichos, os doceis e os pinaculos da architectura ogival da epoca
terciaria.
[Figura 241: Pia baptismal na igreja de S. Sebaldo]
[Figura 242]
As pias _monopediculadas_ com reservatorio e pé octogono não são raras
no seculo XV: algumas imitam o feitio d'um calix e apresentam da parte
externa a forma hemispherica ou ovoide.
A pia baptismal da cathedral de Bale é pediculada; o calix tem oito
faces com a data de 1465. Estão representados sobre os oito lados d'este
calix: Jesus Christo baptisado no Jordão; S. Lourenço, S. Thiago, S.
Paulo, S. Pedro e S. Martinho. O pé tem egualmente a fórma octogona.
As pias de bronze da igreja de _S. Sebaldo_, em Nuremberg, apresentam a
forma cylindra ornada com circulos em relevo. Os contornos são
graciosos, e está dividida em duas partes e com arcadas collocadas a
par. Os quatro evangelistas se destacam no socco, e parece que sustentam
a parte superior da mesma pia.
*Tribunas--Separações formadas de cantaria*
Era do uso fazer-se um ambito gradado, especie de barreira ou separação
muito enfeitada, posta entre a nave principal e o côro, sustentando
geralmente uma tribuna e a estante onde se lia o Evangelho, como
praticavam antes servindo-se do pulpito. As mais primorosas datam do fim
do seculo XV, ás barreiras em cantaria que separavam o côro das naves, e
que, desde o seculo XIII, já existiam em algumas igrejas; ellas vieram a
ser nos seculos XV e XVI de grande riqueza de trabalho e de merecida
admiração.
*Tumulos e campas*