Os socos tem a importancia nova nos pilares do seculo XIV. Muitas vezes

mostram tantos socos repelidos quantas são as columnasinhas, e são de

fórma octogonaes ou prismaticas. Quando o soco tem muitos _resaltos_,

esses resaltos ficam separados por molduras reentrantes; algumas vezes,

emfim, a parte inferior do pilar é formado por um massiço no qual os

socos parece que são embutidos.

*Janellas*

No seculo XIV, muitas columnas servindo de pinasios verticaes dividiam

essas aberturas no sentido da largura, e o centro da arcada apresentava

muitos compartimentos em feitio de flôr de trêvo, folhas de quatro

pontas ou em florões.

[Figura 217: Janellas do seculo XIV]

A combinação mais usual era aquella que se vê na figura A: duas ogivas

gemeas encimadas por um oculo polylobado, enche todo o vão da janella.

Cada uma das duas ogivas se decompõe em duas outras partes ou em duas

novas aberturas, tendo por cima um florão; de maneira que o todo da

janella apresenta em ponto grande a imagem das duas ogivas gemeas que

emmolduram, e que representara portanto o mesmo feitio das janellas do

seculo XIII. Nos edificios de ordem interior, a janella B é muito

frequente a sua applicacão no seculo XIV. A gravura seguinte mostra uma

janella muito grande, pertencente ao seculo XIV; tal como se vê algumas

vezes na extremidade dos cruzeiros das igrejas, ou na sua fachada

occidental, as mais importantes.

[Figura 218: Janella do cruzeiro usada no século XVI]

*Portaes*

As portas do seculo XIV differem pouco das do seculo XIII: as voltas e

os tympanos são igualmente cheios de pequenas figuras em baixo-relevo;

os frontões triangulares que lhe servem de remate tem rendilhados, em

logar de ficarem lisos ou cheios como no seculo XIII; são tambem

ordinariamente mais elevados e ornados de _crochets_. Sobre os tympanos

de algumas portas, a flor de trêvo, as folhas de quatro pontas, ou

florões, substituem as figuras em alto relevo.

*Arcadas*

Não se encontram as molduras tão excessivamente pronunciadas e

executadas alternativamente, ora redondas, ora concavas, que ornavam no

seculo XIII as archivoltas das grandes arcadas; os toros são muito menos

boliados e por vezes tem feitio ellyptico, não produzindo o contraste da

luz e sombra que dava tão notavel distincção aos arcos repelidos do

primeiro estylo ogival.

*Torres*

As torres eram rematadas por uma agulha em pedra, e tinham passeio com

parapeito e corrimão, como se vê quasi sempre entre a torre e a base da

pyramide, que lhe fica superior, conforme se construia desde o seculo

XIV. Até lá nos telhados pyramidaes das torres tinham posto poucos

ornamentos: esculpiam-lhes unicamente modilhões curvilineos, ou telhas

recortadas; mas no XIV, abriram-lhes buracos contornados como as flôres

de trêvo, em florões, etc., cobriram-lhes os angulos de ornatos de forma

de _crochets_. A reunião d'estes differentes caracteres podem servir

para se distinguirem as grandes torres do seculo XIV das do XIII.

*Ladrilhos*

Os pavimentos de tijolos vidrados foram empregados nas capellas e nas

igrejas, compondo magnificos florões.

*Pinturas muraes*

A pintura empregada nos seculos antecedentes, e que no seculo XIII

cobria os portaes, as curvaturas e partes mais notaveis dos edificios,

foram igualmente prodigalisadas no XIV. Existe d'essa época grande

numero de decorações _polycromaticas_, infelizmente apagadas e

muitissimo deterioradas.

*Pinturas sobre vidro*

Se se considera o effeito geral, a harmonia das tintas e o brilhantismo

das côres, a bella época das vidraças coloridas, foi a do seculo XIII. Á

medida que nos afastamos d'essa época, tão auspiciosa tambem para a

architectura, as producções das pinturas sobre o vidro perdem do seu

brilho, porém as figuras são de maior estatura e desenhadas com mais

esmero.

Considerando, que no sul da França e nas margens do Rheno, os

architectos estavam ainda no seculo XIII dominados pelos principios da

escola do seculo XII, poder-se-hia suppôr que no seculo XIV deveriam ter

adoptado o estylo ogival primitivo; porém não aconteceu assim: quando

elles se decidiram a adoptar o estylo ogival, foram tomal-o no estado em

que se achava. Assim vemol-o, no seculo XIV, na Allemanha e na Bélgica,

com os caracteres quasi similhantes áquelles que dominavam em França.

*Altares*

Os _altares_ do seculo XIV não differem dos do XIII, senão pela natureza

dos detalhes de architectura que fizeram entrar na sua decoração, e que

oferecem os mesmos caracteres que os dos monumentos da época.

Os _armarios_, ou tabernaculos, mettidos nas paredes, proximo do altar,

imitavam, pouco mais ou menos, as mesmas disposições que no seculo XIII.

As _credencias_, por vezes _gemeas_, como se faziam no seculo anterior,

não tinham todavia, no meado seculo XIV, senão uma arcada única e com

uma só piscina.

*Pias baptismaes*

A mesma observação ha que fazer para as pias baptismaes como para os

altares. As formas usadas no seculo XIII encontram-se no XIV; sómente

com a differença de que as pias pedicelladas, com columnas auxiliares,

eram mui raras, e as columnasinhas são applicadas como decorações sobre

um apoio central e fazem corpo com elle, em logar de ficarem destacadas

como antes se praticava.

[Figura 219]

Encontram-se muitas vezes pias oitavadas, como a que está representada

na pag. seguinte [fig. 220], tendo cada um dos lados ornatos e

compartimentos com o feitio de uma janella do estylo radiante: além das

pias d'este typo, vêem-se tambem columnasinhas moldurando essas janellas

e separando as faces umas das outras.

[Figura 220: Pia baptismal octogona do seculo XIV]

*Sepulturas e tumulos*

Os tumulos do seculo XIV distinguem-se dos do XIII unicamente pelo modo

como os ornamentos são executados. Os caracteres que indicamos para a

architectura do seculo XIV dão facilmente a conhecer os tumulos formados

de arcadas collocadas ao correr das paredes.

*Campas*

As pedras tumulares, no seculo XIV, tiveram aprimorada execução; pois

que todos os detalhes dos vestuarios estão reproduzidos com grande

fidelidade, e as composições architecturaes destinadas a formar a parte

ornamental, que encerrava a representação dos personagens, tomam o

feitio das capellas ou das naves de igrejas. Tinham os seus typos

correspondentes nas decorações do mesmo genero no seculo XIII, e nas

vidraças pintadas com representações dos santos, que a igreja expunha á

veneração dos fieis.

No norte, nos Paizes Baixos, e em outras nações, as lageas escolhidas

eram de marmore de côr cinzenta ou preta; em grande parte da França,

foram as campas feitas principalmente de pedra calcaria branca, como

usavam em Portugal; tambem usavam as lageas amarellas ou jaspeadas,

pertencendo ás formações secundarias e terciarias; finalmente, nas

regiões graniticas e schistosas, serviam-se de lageas fornecidas d'estas

rochas[51], porém eram menos empregadas, por causa da difficuldade com

que n'ellas executavam os ornamentos.

*ARCHITECTURA CIVIL*

A architectura monastica conservou no seculo XIV as disposições geraes

adoptadas precedentemente; modificaram apenas a ornamentação: portanto

nos claustros apparecem as arcadas com muitos vãos, tendo como remate

oculos ou espelhos, como se praticava nas construcções das janellas; e

assim o mostra a gravura da pag. 226. [fig. 222]

Pode-se dizer outro tanto dos paços archiepiscopaes, e outros grandes

edificios civis; notando-se, todavia, que foi no seculo XIV que

principiaram a apparecer as grandes janellas com cruzetas de pedra, fig.

B, pag. 225 [fig. 221], que vieram a ser depois tão communs nos seculos

seguintes.

As chaminés conservaram a sua forma elegante, e quando não ficavam

cobertas por um abrigo pyramidal, então assimilhavam-se a uma colunma

cylindrica ou octogona; ás vezes eram ornadas no cimo por folhas de

quatro pontas ou outras molduras.

[Figura 221: Janellas do seculo XIV]

*Hospicios*

Os _hospicios_, os _mercados cobertos_, as _casas da camara_, e os

outros edificios de utilidade publica, não se differençavam dos que eram

construidos no seculo XIII, tanto pela fórma das aberturas, como pela

qualidade das molduras.

Os _hospicios_ compunham-se sempre de um ou muitos salões para os

doentes, dependendo da casa conventual, ou da igreja. Estes edificios

eram dispostos á roda de um pateo principal, mas havia alguns com

segundo pateo para o serviço do estabelecimento.

[Figura 222: Arcos de claustro do seculo XIV]

[Figura 223: Chaminé do seculo XIV]

O hospicio de Nuremberg apresenta corpos de habitações parallelos com

alguns pateos centraes debaixo dos quaes passava um braço de rio, que

era desviado da corrente principal. A architectura das salas d'este

hospicio parecia pertencer além do seculo XIV.

Não fallaremos das _gafarias_, as quaes tinham chegado ao numero de

19:000, depois das guerras das cruzadas, porque eram antes uma reunião

de casinhas ou cellas, no meio das quaes havia um pateo e uma capellinha

consagrada a S. Lazaro, que se não deve considerar hospital publico. Das

numerosas gafarias dos seculos XIII e XIV só existem actualmente as

capellinhas sem que apresentem interesse algum architectonico.[52]

[Figura 224: Hospital de Nuremberg]

*Casas da camara*

Algumas casas dos municipios do seculo XIV, como a de Brunswich, mostra

qual a importancia adquirida por estes monumentos desde o seculo XIII

(vêde a pag. 193 [fig. 195], a casa da camara de Ypres), como se

conservou até no seculo XIV, sendo então decorada com coruchéos,

balaustradas e estatuas, e com as molduras mais elegantes d'aquella

época.

*Mercados, açougues e armazens*

_Mercado coberto de Bruges_. O mercado de Bruges, que pode ser

considerado como monumento mixto, pois que é ornado do campanario

communal, fórma um quadrilatero de 84 metros por 43. As casas mais

visinhas do campanario estavam d'antes isoladas; acrescentaram-lhe as

azas desde 1325 até 1364.

O mercado de _Evron_, em França, construido de madeira, data do seculo

XIV, como igualmente o côro da igreja abbacial: compunha-se de duas

naves formadas por tres filas de prumos.

[Figura 225: Prumos que sustentam o grande madeiramento dos mercados em

Évron]

Apresentemos o traçado das peças de madeira de uma asna d'este grande

madeiramento, e que se apoiam sobre o renque dos prumos de vigas, que

separam as duas naves. Este madeiramento merece estudo particular, e

será apreciado pelos constructores, visto que estes grandes edificios

construidos por esta fórma acabaram de todo, e ainda não foram

sufficientemente estudados.

_Mercado de Dives_. O antigo mercado de Dives, em madeira, tem

igualmente certa importancia. A parte menos antiga, que está do lado

leste, pertence ao seculo XIV; os dez vãos mais bem construidos que

compõem o mercado primitivo, datam certamente da idade media; tem 32

metros de comprimento e 11 metros de largura, decompondo-se da maneira

seguinte: a nave central, 7 metros; as lateraes 4^m,32. A gravura mostra

o córte transversal do madeiramento.

[Figura 226: Córte transversal do mercado de Dives]

Em certas cidades bastante povoadas, onde a corporação dos carniceiros

era poderosa, como em Gand (Belgica) e na Inglaterra, o mercado coberto

formava um monumento.

[Figura 227: Vista d'uma parte do açougue de Gand]

_Açougue de Gand_. Este grande edificio, do qual os viajantes vulgares

não fazem caso, e que os itinerarios não se dão ao incommodo de

descrever, é comtudo digno de ser citado. É dividido no interior em duas

naves por bem combinadas divisões de madeira. As duas portas das

fachadas correspondem ás duas naves. Datando a sua construcção do fim do

seculo XIV, o açougue de Gand foi consideravelmente augmentado depois, e

reconstruido em grande parte no reinado de Carlos V, em 1542.

[Figura 228: Grande armazem de deposito na cidade de Constance]

O armazem de deposito de Constance, pag. 232 [fig. 228], pode dar-nos

idéa dos grandes armazens do seculo XIV; compõe-se de muitos andares,

cujos pavimentos de madeira são sustentados por grossas vigas a prumo.

*Casas particulares*

[Figura 229: Casa antiga construida em Cordes]

As casas particulares do seculo XIV eram, como as do seculo XIII,

construidas de cantaria ou madeira; quando havia na proximidade bons

materiaes, que facilmente se extrahiam e transportavam, davam-lhe a

preferencia; porém, achar-se em similhantes condições era raro, e por

isso preferiam a madeira; veio d'ahi certa combinação no systema

particular das construcções, de que se encarregavam especialmente os

entalhadores para ornamentar as madeiras apparentes; além de facilitarem

as suas edificações.

Escolhemos como especimen das casas construidas de cantaria, uma das

mais notaveis que existem em _Cordes_, como se vê na gravura da pag. 233

[fig. 229].

*ARCHITECTURA MILITAR*

*Formas geraes*

[Figura 230: Galeria saliente de cantaria]

A começar do seculo XIV, as partes habitadas dos castellos tomam formas

mais regulares, encaminhando-a a se aproximar do estylo moderno. No

pateo principal, que é ordinariamente quadrado, apresentam grandes e

vastas habitações que se ligam intimamente com as muralhas de recinto.

Por esta forma, as obras de defensa estão alternadas com os aposentos,

ficando _as construcções civis augmentadas em prejuizo das

fortificações_. Muitos castellos do seculo XIII se completam no XIV com

grandes addicionamentos.

As torres dos angulos encerravam geralmente as escadas para se subir aos

differentes andares. Collocavam tambem uma escada principal na torre

levantada ao centro da fachada nobre do edificio.

Os cachorros de madeira que coroavam as paredes das fortificações

apresentavam, como já dissemos, bastantes inconvenientes, aos quaes

procuravam dar remedio. No seculo XIV as galerias salientes de cantaria

com bésteiras, gravura da pag. 234 [fig. 230], substituiram pouco a

pouco os cachorros nas praças fortes. As muralhas d'_Avignon_, e as de

_Cahors_, reconstruidas no seculo XIV, offerecem bellos exemplos.

[Figura 231: Interior de uma porta com ponte levadiça]

As bésteiras não existiam antes dos seculos XIV e XV; á falta de outro

typo, pela sua construcção pode-se confirmar a antiguidade das muralhas,

quando ellas lhe servem de remate sem nenhuma interrupção. As portas dos

recintos são constantemente defendidas por duas torres, e tendo na parte

superior, como no seculo XIII, uma sala onde faziam mover a ponte

levadiça. Foi no seculo XIV, que principiaram, como já referimos, a ser

munidas de pontes levadiças,[53] movidas por contrapesos. A pequena

porta destinada aos pedestres tinha ponte levadiça particular, como se

vê na gravura da pag. 235 [fig. 231].

Citaremos entre os castellos mais completos do seculo XIV o de

_Pierrefont_, que fomos vêr em 1867 quando a sua restauração era

dirigida pelo eminente architecto e archeologo, o nosso confrade mr.

Viollet-le-Duc.

A formidavel Bastilha de Paris, destruida em 1789, cujo _fac-simile_ se

encontra em grande numero de bibliothecas publicas, fôra começada em

1369 por ordem do rei Carlos V. Esta fortaleza compunha-se de habitações

em grande altura, dispostas regularmente em roda de um pateo

quadrilongo; tinha quatro torres semiesphericas nos angulos do quadrado

e mais duas no centro dos dois maiores lados.

[Figura 232: Vista exterior da Bastilha]

Diversas janellas quadradas se abriam para o interior dos pateos, e

algumas nas muralhas exteriores.

_Vincennes_ é antes uma praça forte do que um castello propriamente

dito; a forma regular do recinto, o torreão, as torres, os parapeitos,

este todo offerece um bello exemplo do grande monumento militar do

seculo XIV,[54] e sempre que se pudesse, dever-se-hia adoptar um plano

symetrico, quando o terreno fosse aproprido para similhante construcção.

Esta fortaleza conserva ainda algumas construcções muito antigas.

O rei Filippe Augusto foi o primeiro soberano que mandou edificar n'este

logar uma casa de campo para suas caçadas.

A maior parte das fortificações foram demolidas em 1337, para se

construirem as que existem; assim como o bello torreão do castello, que

veio a ser prisão do Estado no reinado de Luiz XI. Este torreão é um dos

melhores, no seu genero, que possue a França.

É notavel a elegancia da galeria dos antigos aposentos reaes, bem como a

architectura da capella, construcções pertencentes aos reinados de

Francisco I e da rainha Maria de Medicis.

CAPITULO VI

ERA OGIVAL DO SECULO XV E PRINCIPIO DO XVI

*ARCHITECTURA RELIGIOSA*

Posto que a fórma usual das igrejas tivesse ficado a mesma no seculo XV

e no principio do XVI, os architectos tiveram certa tendência para se

afastarem da regularidade symetrica da época anterior; fizeram nas

igrejas existentes augmentos que vieram a destruir a harmonia,

juntando-lhes, por exemplo, outras capellas fóra das proporções das que

já existiam.

*Ornamentos*

As formas prismaticas ou angulares dominam no feitio das molduras do

seculo XV, tanto nos toros e nas nervuras, como nos pinasios, e até nos

mais insignificantes detalhes; isto dava aos ornamentos _aspero_

aspecto, por causa de _magreza_ no cinzelado, que nunca apresentaram os

executados nos seculos XIII e XIV.

As folhagens mostram, a começar do seculo XV, fórmas inteiramente

differentes das que notámos nos seculos XIII e XIV, são folhas de couve

encrespadas, de cardo e outras plantas. As folhas de vinha foram tambem

empregadas com as outras folhas recortadas: estas formam, nas hombreiras

das portas, das janellas, cornijas e festões executados com tanta

habilidade, que parece se despegam da pedra, e são apenas adherentes na

sua superficie: estas grinaldas eram ás vezes entrelaçadas com fitas. Os

esculptores divertiam-se tambem em representar diversos animaes entre as

folhagens.

[Figura 233: Grinaldas de folhas recortadas]

Os _crochets_, em parte differentes dos executados no seculo XIV,

mostram em geral mudança de fórma análoga a dos ornamentos, representam

folhas de couve ou cardo encrespadas, arredondadas, reviradas,

parecendo-se com cabeças de golphinhos.

*Contrafortes*

O fragmento representado na pag. seguinte [fig. 234], mostra o effeito

dos apainelados, dos pinaculos na sua applicação descançando sobre

animaes--caryatides; finalmente os dos frontões triangulares, por cima

das janellas ornados de folhas encrespadas, rematavam com balaustradas e

divisões do estylo flamejante de _labaredas_.

[Figura 234: Pinaculos descançando sobre animaes--caryátides]

*Columnas e pilastras*

Já não se vêem columnasinhas enfeixadas, porque foram substituidas por

simples nervuras prismzticas. Os capiteis, mais geraes, eram ornadas de

folhagens encrespadas, dispostas em dois ramos sobrepostos um ao outro.

No final do seculo XV e no XVI, não é raro encontrar as columnas

completamente sem capiteis; então as nervuras dos pilares prolongam-se

sem interrupção até ao cimo do edificio e formam um todo com os arcos

ramificados de abobada. Sobre algumas pilastras, encontram-se pinaculos,

molduras com grandes relevos mais ou menos complicados, e misulas para

servirem de peanhas ás estatuas.

[Figura 235]

*Portas*

As portas de arcos abatidas, ou de volta de sarapanel, que se chamam

arcos _Tudor_, porque foram mui usadas em Inglaterra no reinado de

Henrique VII e Henrique VIII, vêem-se principalmente no final do seculo

XV ou no principio do XVI, e eram enfeitadas como as outras portas, com

bellas folhas retorcidas e coroadas de um penacho pediculado, como está

representado na seguinte gravura.

[Figura 236]

*Janellas e oculos (espelhos)*

Os compartimentos, que dividem as janellas e aberturas circulares

chamadas _oculos_ ou _espelhos_, apresentam mais geralmente feitios

retorcidos, assimilhando-se a labaredas, corações esguios, etc. etc.,

que differem das flores de trevo, folhas de quatro pontas, e outras

figuras radiantes. Foi em razão d'estas formas retorcidas, tantas vezes

reproduzidas nos compartimentos das janellas, nos espelhos, nas

balaustradas e nos ornamentos representados na cantaria, que se tem

designado o estylo ogival do seculo XV sob o nome de gothico

_flamejante_.

*Abobadas*

Os arcos das abobadas vieram a ser mais salientes e prismaticos: as suas

peças curvas principiaram tambem a ramificar-se na segunda metade do

seculo XV e no XVI, e os pontos de juncção mostram por vezes

_penduraes_.

[Figura 237: Rosa flammejante em compartimentos triangulares]

*Torres*

As torres do seculo XV apresentam uma grande variedade de formas: ha

algumas, cujas agulhas são muito elegantes (Belgica, Bordelez,

Normandia, ele.); outras são quadradas, flanqueadas de contrafortes

salientes, e que não tem a leveza dos primeiros.

No seculo XV, em logar de flanquear com duas torres as fachadas das

grandes igrejas, tinham muitas vezes levantado uma unica torre quadrada

ao meio do frontão occidental, como _S. Bavon de Gand_, a cathedral de

Berne, e a cathedral de Ulm, etc.

Muitas torres d'esta época apresentam, grav. pag. 245 [fig. 239] sobre

os angulos do corpo quadrado que sustenta a pyramide, _obeliscos_ ou

_torresinhos_ que se ligam ao corpo da torre por arcos botantes de uma

leveza extrema, cujo _intradoz_ é ornado de festões arrendilhados.

Haveria um estudo interessante a fazer-se sobre as torres do seculo XV,

as que existem na cidade de _Ruão_, pois são todas de notavel elegancia,

embora não tenham como remate nem frechas, nem agulhas.

*Altares*

O altar, representado na gravura seguinte, tem 2^m,40 de comprido por

0^m,90 de fundo e 1^m,80 de altura. Sustentam-no tres pequenas columnas.

A decoração na frente compõe-se de quatro curvaturas, alternadamente

separadas por uma columna e por um pendural.

[Figura 238: Um dos altares da igreja do Flogoat (Finisterra)]

*Tabernaculos*

Encontram-se no seculo XV tabernaculos ou _ciboriums_ de pedra que podem

egualmente ser considerados como accessorio dos altares; ainda que

estejam a maior parte das vezes separados e encaixados nas paredes

proximas, como tambem estão as credencias. O especimen seguinte mostra a

configuração dos que existem em muitas igrejas já d'esta epoca.

[Figura 239]

Algumas credencias, do fim do seculo XV, são tambem mui notaveis pelo

numero e acabamento de suas molduras, como se vê na gravura seguinte.

[Figura 240: Credencia dos ultimos annos do seculo XV, na capella de

Jucoville]

*Pias baptismaes*

A forma mais usada no seculo XIV para as pias baptismaes foram

egualmente imitadas no XV, porém as pias d'este ultimo seculo e do

principio do XVI mostram, enquanto ás esculpturas, que foram executadas

primorosamente com molduras prismaticas, similhantes ás que ornam os

nichos, os doceis e os pinaculos da architectura ogival da epoca

terciaria.

[Figura 241: Pia baptismal na igreja de S. Sebaldo]

[Figura 242]

As pias _monopediculadas_ com reservatorio e pé octogono não são raras

no seculo XV: algumas imitam o feitio d'um calix e apresentam da parte

externa a forma hemispherica ou ovoide.

A pia baptismal da cathedral de Bale é pediculada; o calix tem oito

faces com a data de 1465. Estão representados sobre os oito lados d'este

calix: Jesus Christo baptisado no Jordão; S. Lourenço, S. Thiago, S.

Paulo, S. Pedro e S. Martinho. O pé tem egualmente a fórma octogona.

As pias de bronze da igreja de _S. Sebaldo_, em Nuremberg, apresentam a

forma cylindra ornada com circulos em relevo. Os contornos são

graciosos, e está dividida em duas partes e com arcadas collocadas a

par. Os quatro evangelistas se destacam no socco, e parece que sustentam

a parte superior da mesma pia.

*Tribunas--Separações formadas de cantaria*

Era do uso fazer-se um ambito gradado, especie de barreira ou separação

muito enfeitada, posta entre a nave principal e o côro, sustentando

geralmente uma tribuna e a estante onde se lia o Evangelho, como

praticavam antes servindo-se do pulpito. As mais primorosas datam do fim

do seculo XV, ás barreiras em cantaria que separavam o côro das naves, e

que, desde o seculo XIII, já existiam em algumas igrejas; ellas vieram a

ser nos seculos XV e XVI de grande riqueza de trabalho e de merecida

admiração.

*Tumulos e campas*

Noções elementares de archeologia · 第 10 / 13 段