As estatuetas de barro cozido de côr alvacenta acompanham, muitas vezes,

os fragmentos que assignalam o logar occupado pelas construcções

gallo-romanas, e ainda constituem objectos pertencentes á arte de

oleiro.

Encontra-se sobre tudo, frequentemente entre ellas, a figura de _Venus_

Anadyomena,[32] e taes estatuetas são tão similhantes, que parece terem

saido do mesmo molde; estão completamente nuas, com a cabeça coberta de

abundantes cabellos, a mão direita apanhando-os, e a esquerda tomando a

roupagem.

As outras figurinhas que se encontram mais vezes junto das Venus,

representam uma mulher amamentando uma ou duas creanças, sentada n'uma

cadeira de braços feita de vime encanastrado. Alguns archeologos

suppôem ser esta a imagem de Latona,[33] outros a de Lucina:[34] porém,

julga-se que estas figuras serviam para _ex-voto_, tanto das mulheres

que desejavam obter feliz parto, como d'aquellas que mostravam a sua

gratidão pelo terem alcançado, ou em fim das mães que creavam os filhos,

e que o offereciam á deusa invocada por ellas n'esta circumstancia.

[Figura 85]

A imagem de Mercurio encontra-se em grande numero entre as estatuetas de

barro cozido.

Mas nem todas as figurinhas antigas que se encontram eram destinadas

para reproduzir a imagem das divindades. Eram vazadas nas formas como se

faz presentemente um grande numero de objectos profanos, caricaturas,

brinquedos para creanças, etc.

[Figura 86]

Entre estes ultimos, podem citar-se as figuras de aves, animaes

diversos, carneiro, javali, etc., e também chocalhos como os achados em

tantas localidades diversas, e que se compôem d'um pequeno globo de

barro cozido tendo dentro seixosinhos que produzem o effeito de um

cascavel.

*Objectos em metal, joias e utensilios*

Havia egualmente reproduzido em cobre grande parte dos vasos que se

faziam de barro, principalmente as travessas, bacias, garrafas e baldes

para sacrificios.

Fizeram-se até magnificos de prata, com figuras em relevo batido: a

prova d'isto são os utensilios de todas as formas, em bronze, que

existem em tantas collecções publicas e particulares: broches, fivelas,

e joias tão variadas como as que ahi se vêem, mostram a que ponto os

romanos tinham alcançado a perfeição no trabalho dos metaes, nas pedras

preciosas, no marfim, etc., etc. A descripção de todas estas riquezas

artisticas, não pode figurar n'este resumido compendio.

Os objectos de metal, e os restos mais preciosos pertencentes á

antiguidade, foram descriptos por Caylus, Winckelmann, Chabonillet,

etc., sabios antiquarios que deram a mais completa explicação a este

respeito.

Pela mesma razão, não nos devemos occupar das medalhas romanas, não

obstante o estudo ser util e importante, porém necessitaria augmentar

demasiadamente este livro, e o nosso intuito foi unicamente apresentar

resumida apreciação da architectura pertencente á época gallo-romana, e

descrever os vestigios dessiminados no solo habitado pelo povo-rei.

*Muralhas de defeza ou forticações*

Sem discutir aqui sobre qual seria a época a que pertencem as muralhas

que defendiam as cidades gallo-romanas, devemos comtudo fazer menção

d'ellas, porque constituem ainda provas muito importantes d'essa grande

época.

Quasi sempre estas muralhas foram construidas com pedra miuda, mostrando

na face exterior o pequeno apparelho, separado por cadeias de tijolos, e

cuja base formada por pedras de grande apparelho deviam já ter servido

nos monumentos da architectura, que provavelmente foi preciso sacrificar

para lhe aproveitar o material afim de se fortificarem em momento de

apuro.

O sabio Mr. de Caumont já tinha ha muitos annos insistido sobre um

grande facto, que nenhum historiador indicára, e que ainda ignoram quasi

todos, e é a existencia em differentes localidades d'um _castrum_, cujas

muralhas estão em grande parte formadas de cantaria mostrando obra de

esculptura dos seculos II e III, taes como os fustes de columnas,

frisos, capiteis, tumulos, pedras com inscripções; e por isso o illustre

archeologo julgou poder determinal-o como obra dos fins do seculo IV,

sendo a execução d'essas fortificações em todos os logares apropriados

para tal fim.

Seja como fôr, tendo-se as cidades concentrado cada vez mais, era

preciso restringir o perimetro do recinto á parte mais facil para ser

defendido, e na possivel extensão com os materiaes disponiveis, cercado

de muralhas. Podiamos citar diversos recintos fortificados com 3 a 10

hectares sómente, em quanto essas cidades onde os havia, occupavam antes

100 e até 200, durante o tempo que disfructavam a paz.

No fim de tres seculos de espantosa prosperidade, a Gallia viu, no

seculo IV, a desorganisação e o enfraquecimento gradual das instituições

romanas. Custa a comprehender a que grande aviltamento chegaram no

seculo V.

Um esboço rapido sobre os acontecimentos politicos da Gallia, no quarto

quartel do seculo III explicará claramente a marcha progressiva da

decadencia das artes do seculo IV. Depois das invasões, a miseria

publica augmentou, os abusos mutiplicaram-se, a energia moral diminuiu,

as grandes obras da architectura cessaram, e o gosto foi-se alterando

cada vez mais.

As artes, para prosperarem, tem necessidade de paz e liberdade: estas

condições essenciaes faltaram-lhe no seculo IV; vê-se portanto declinar

tanto mais rapidamente quanto os lapsos da paz eram mais curtos e raros.

Todavia, assim como as instituições romanas não desappareceram com a

quéda do governo romano, assim tambem as artes trazidas para a Gallia

pelo grande povo sobreviveram ao imperio.

«Tal era a robustez da organisação romana, diz Michelet, que, quando a

existencia parecia desemparal-a, quando até os barbaros estavam prestes

a distruil-a, sujeitaram-se a ella sem o quererem. Foram obrigados, de

boa ou má vontade, a habitar sob as abobadas invenciveis que não podiam

abalar; a curvar a cabeça e receber ainda por cima, embora vencedores, a

lei de Roma vencida.»

O que expressa Michelet com relação ás instituições romanas, poderemos

applical-o ás artes, com que o povo-rei dotou a Gallia. Os monumentos em

ruinas serviram em breve de modelos aos barbaros que apparecem armados

com o facho de incendio. Os barbaros começaram a trabalhar tambem, a

edificarem templos, palacios, mosteiros, etc, etc; foram procurar nas

tradicções dos antepassados os conhecimentos para repararem as proprias

devastações. A architectura gallo-romana, mais ou menos alterada nos

seculos V e VI, seguiram seu caminho, até que uma grande revolução, no

fim do XII seculo, substituiu por principios inteiramente novos as

antigas tradições. É o que nós propomos demonstrar nos capitulos que vão

seguir-se.

[Figura 87]

* * * * *

*ADDITAMENTO*

*Inscripções Latinas*

Como o estylo lapidar tem certas formulas, abreviaturas especiaes e

signaes particulares, sem adquirir algumas explicações a este respeito,

a interpretação ficaria baldada para quem não as possuisse; embora seja

tambem preciso não ignorar os acontecimentos historicos, todavia

julgamos conveniente ajuntar a este compendio alguns esclarecimentos

epigraphicos afim de facilitar aos principiantes a leitura das lapidas:

portanto, acrescentamos a esta publicação um quadro succinto das

principaes abreviaturas que se encontram nas inscripções luso-romana,

por serem estas as de mais difficil interpretação.

Ainda que a mesma lettra inicial corresponda a diversas palavras, o

sentido geral da inscripção indicará a que fôr mais apropriada á sua

significação. É pois facil distinguir, com alguma sagacidade, os nomes

proprios dos nomes substantivos.

A palavra _tribu_, á qual as familias romanas pertenciam, fica sempre

subentendida, e só se menciona o nome.

As datas, em geral, sabem-se pela indicação do anno do reinado do

imperador, ao tempo do qual o monumento foi erigido. Finalmente, deu-se

o epitheto de _Divus_, a cada um dos imperadores, depois da sua morte.

A.--ager; augustales: augustatis.--A. A.--apud agrum.

AB. AC. SEN.--ab actis senatus.

[AE]. CVR.--ædilis curulis. A. FRVM.--a frumento.

A. H. D. M.--amico hoc dedit monumentum.

A. K.--ante kalendas.--A. O. F. C.--amico optimo faciendum curavit.

A. P.--ædilitia potestate; amico posuit.

A. S. L.--animo solvit libens; a signis legionis.

A. T. V.--aram testamento vovit.

A. XX. H. EST.--annorum viginti hic est.

B. A.--bixit (pro vixit) annis.

B. DE. SE. M.--bene de se meritæ, _vel_ merito.

B. M. D. S.--bene merenti, _vel_ bene merito de se.

B. P. D.--bono publico datum.

B. Q.--bene quiescat.--B. V.--bene vale.

BX. ANOS. VII. ME. V. DI. XVII.--vixit annos septem, menses, sex,

dies decem septem.

7.--centuria; centurio.--C.--centurio.

C. B. M.--conjugi bene merenti; et F.--conjugi bene merenti fecit.

CENS. PERP. P. P., _vel_ CENS. PERP. p. r., _vel_ CENS. P. P.

P.--censor perpetuus; pater patriæ

COH. I. AFR. C. R.--cohors prima africanorum civium romanorum.--FL.

BF.---flavia beneficiariorium.

C. I. O. N. B. M. F.--civium illius omnium nomine bene merenti

fecit.

C. K. L. C. S. L. F. C.--conjugi carissimo loco concesso sibi

libenter fieri curavit.

C. P. T.--curavit poni titulum.

C. R.--civis romanus; civium romanorum; curaverunt refici.

C. S. H. S. T. T. L.--communi sumptu hæredum, sit tibi terra

levis.

D.--Decimus; decuria; decurio; dedicavit; dedit; devotus; dies;

diis; divus; dominus; domo; domus; quinquaginta.

D. C. D. P.--decuriones coloniæ dederunt publice.

D. D.--dedit, dedicavit.

D. D. D. S.--decreto decurionum datum sibi; dono dedit de suo.

D. K. OCT.--dedicatum kalendis octobris.

D. M. ET. M.--diis manibus et memoriæ.

D. N. M. E.--devotus numini majestati ejus.

D. O. S.--deo optimo sacrum; diis omnibus sacrum.

D. P. P. D. D.--de propria pecunia dedicaverunt; de pecunia publica

dono dedit.

D. S. F. C. H. S. E.--de suo faciundum curavit, hic situs est.

D. T. S. P.--dedit tumulum sumptu proprio.

E. CVR.--erigi curavit.--EDV. P. D.--edulium populo dedit.

E. E.--ex edicto; ejus ætas.

E. H. T. N. N. S.--exterum hæredem titulus nostre non sequitur.

E. I. M. C. V.--ex jure manium consertum voco.

E. S. ET. LIB. M. E.--et sibi et libertis monumentum erexit.

E. T. F. I. S.--ex testamento fieri jussit sibi.

E. V. L. S.--ei votum libens solvit.

FAC. C.--faciendum curavit.

F. C.--facere curavit; faciendum curavit; fevit conditorium; felix

constans; fidei commissum: fieri curavit.

F. H. F.--fieri hæres fecit: fieri hæredes fecerunt.

F. I. D. P. S.--fieri jussit de pecunia sua.

F. M. D. D. D.--fecit monumentum datum decreto decurionum.

F. P. D. D. L. M.--fecit publice decreto decurionum locum monumenti.

F. Q.--flamen quirinalis.

F. T. C.--fieri testamento curavit.

F. V. F.--fieri vivens fecit.

G. L.--genio loci.--G. M.--genio maio.

G. P. R.--genio _seu_ gloria, populi romani.

G. R. D.--gratis datus, _vel_ dedit.

G. S.--genio sacrum; genio senatus.

G. V. S.--genio urbis sacrum; gratis votum solvit.

H.--habet; hac hastatus; hæres; hic; homo; honesta; honor; hora;

horis; hostis.

H. B. M. F.--hæres bene merenti fecit.--F. C.--faciendum curavit.

H. C. CV.--hic condi curavit; hoc cinerarium constituit.

H. D. D.--hæredes dono dedere; honori domns divinæ.

HE. M. F. S. P.--hæres monumentum fecit sua pecunia.

HIC. LOC. HER. N. S.--_vel_ HIC. LOC. HER. NON. SEQ.--hic locus

hæredum non sequitur.

H. L. H. N. T.--hunc locum hæres non teneat.

H. M. AD. H. N. T.--_vel_ H. M. AD. H. N. TRAN.--hoc monumentum ad

hæredes non transit.

H. N. S. N. L. S.--hæres non sequitur nostrum locum sepulturæ,

_vel_ hæredem ... locus, etc.

HOC. M. H. N. F. P.--hoc monumentum hæredes nostri fecerunt

ponere.

H. P. C.--hæres ponendum curavit; hic ponendum curavit;--L. D. D.

D.--hæres ponendum curavit loco, dato decreto decurionum.

H. S. C. P. S.--hic curavit poni sepulcrum; hoc sepulcrum condidit

pecunia sua; hoc sibi condidit proprio sumptu.

H. T. V. P.--hæres titulum vivus posuit, hunc titulum vivus

posuit.

I. AG.--in agro.---I. C.---judex cognitionum.

I. D. M.--inferis diis maledictis: Jovi deo magno.

I. F. P. LAT.--in fronte pedes latum.

II. V. DD.--duumviris dedicantibus.

II. VIR. AVG.--duumvir Augustalis.

II. VIR. COL.--duumvir coloniæ.

II. VIR. L. D.--duumvir juri dicundo.

II. VIR. QQ. Q. R. P. O. PEC. ALMENT.--duumviro quinquennali

qætori reipublicæ operum pecuniæ alimentariæ.

III. VIR. AED. CER.--triumvir ædilis cerealis.

IIII. V.--quatuorviratus.

IIII. V. A. P. F.--quatuorviri argento publico feriundo, _vel_ auro.

IIII. VIREI. IOVR. DEIC.--quatuorviri juri dicundo.

IIIIII. VIR. QQ. L. D.--sexvir quinquennalis juri dicundo.

IN. AG. P. XV. IN. F. P. XXV.--in agro pedes quindecim in fronte

pedes viginti quinque.

I. O. M. D. D. SAC.--Jov. optimo maximo, diis deabus sacrum.

I. P.--indulgentissimo patrono; innocentissimo puero; in pace;

jussit poni.

I. S. V. P.--impensa sua vivus posuit, _vel_ vivi posuere.

K. B. M.--carissimæ bene merenti, _vel_ carissimo.

K. CON. D.--carissimæ conjugi defunctæ.

K. D.--kalendis decembris; capite diminutus.

L.--liberta; lucia.--L. B. M. D.--libens bene merito dicavit; locuno

bene merenti dedit, _vel_ libertæ, _seu_ liberto.

L. F. C.--libens fieri curavit; libertis faciendum curavit; libertis

fieri curavit, _vel_ locum _aut_ lugens.

LIB. ANIM. VOT.--libero animo votum.

L. L. FA. Q. L.--liberlis libertabus familiisque libertorum.

L. M. T. J.--locum monumenti testamento fieri jussit.

LOC. D. EX. D. D.--locus datus ex decreto decurionum.

L. P. C. D. D.--locus publice concessus, datus decreto decurionum.

L. Q. ET. LIB.--libertisque et libertabus.

L. XX. N. P.--sestertiis vigenti nummum pendit.

MAN. IRAT. H.--manes iratos habeat.

M. B.--memoriæ bonæ; merenti bene; mulier bona.

M. D. M. SACR.--magnæ deum matri sacrum.

MIL. K. PR.--milites cohortis prætoriæ.

M. P. V.--millia passuum quinque; monumentum posuit vivens, _vel_

memoriam.

NAT. ALEX.--natione Alexandrinus.

NB. G.--nobili genere.--N. D. F. E.--ne de familia exeat.

N. H. V. N. AVG--nuncupavit hoc votum numini augusto.

N. N. AVGG. IMPP.--nostri Augusti imperatores.

NON. TRAS. H. L.--non transilias hunc locum.

N. T. M.--numini tutelari mumicipii.

N. V. N. D. N. P. O.--neque vendetur, neque donabitur, neque pignori

obligabitur.

OB. HON. AVGVR.--ob honorem auguratus; ... H. VIR.--duumviratus

O. C.--ordo clarissimus.

O. E. B. Q. C.--ossa ejus bene quiescant condita.

O. H. IN. R. S. F.--omnibus honoribus in republica sua functus.

O. LIB. LIB.--omnibus libertis libertabus.

O. O.--ordo optimus.--OP. DOL.--opus doliare, _seu_ doliatum

P. B. M.--patri bene merenti, _vel_ patrono, _seu_ posuit.

P. C. ET. S. AS. D.--ponendum curavit et sub ascia dedicavit.

PED. Q. BIN.--pedes quadrati bini.

P. GAL.--præfectus Galliarum, _vel_ præses.

PIA. M. H. S. E. S. T. T. L.--pia mater hic sita est: sit tibi terra

levis.

P. M.--passus mille; patronus mnnicipii; pedes mille: plus minus;

pontifex maximus; post mortem; posuit merenti; posuit mærens;

posuit monumentum.

P. P.--pater patriæ; pater patratus; pater patrum; patrono

posuit; pecunia publica; perpetuus populus: posuit præfectus;

prætorio præpositus; propria pecunia; pro portione;

proprætor; provincia Pannoniæ; publice posuit; publice

propositum; publii _duo_.

P. Q. E, _vel_ P. Q. EOR.--posterisque corum.

P. S. D. N.--pro salute domini nostri.

P. V. S. T. L. M.--posuit, voto suscepto, titulum libens merito.

Q. K.--quæstor candidatus.

Q. PR. _vel_ Q. PROV.--quæstor provinciæ.

Q. R. _vel_ Q. RP.--quæstor reipublicæ.

Q. V. A. I.--qui vixit annum unum, _vel_ quæ. A. III. M.

II.--annos tres, menses duos.

A. L. M. IIII. D. V.--onnos quinquagnita, menses quatuor, dies

quinque. A. P. M.--qui vixit... annos plus minus.

R. C.--romana civitas; romani cives.

R. N. L. ONG. P. X.--retro non longe pedes decem.

ROM. ET. AVG. COM. ASI.--Romæ et Augusto communitates Asiæ.

R. P. C.--reipublicæ causa; reipublicæ conservator;

reipublicæ constituendæ, retro pedes centum.

R. R. PROX. CIPP. P. CLXXIIII.--rejectis ruderbusi proxime cippum

pedes centum septuaginta quatuor.

R. S. P.--requictorium sibi posuit.

S.--sacellum; sacrum; scriptus; semis; senatus; sepulcrum; sequitur;

serva; sibi: singuli; situs: solvit; stipendium.

S.--uncia.--S.--centuria.

S.--semuncia.--SB.--sibi; sub.

S. D. D.--simul dederunt, _vel_ dedicaverunt.

S. ET. L. L. P. E.--sibi et libertis libertabus posteris ejus.

S. F. S.--sine fraude sua.--SGN. signum.

S. M. P. I.--sibi monumentum poni jussit.

SOLO. PVB. S. P. D. D. D.--solo publico posuit, dato decreto

decurionum

S. P. C.--sua pecunia constitut; sumptu proprio caravit.

S. T. T. L.--sit tibi terra levis.

S. V. L. D.--sibi vivens locum dedit.

TABVL. P. H. C.--tabularius provinciae Hispaniae citerioris.

T. C.--testamento constituit, _vel_ curavit.

T. T. F. V.--titulum testamentum fieri voluit.

V. C. P. V.--vir clclarissimus praefectus urbi.

V. D. P. S.--vivens dedit proprio sumptu; vivens de pecunia sua.

V. E. D. N. M. Q. E.--vir egregius devotus numini majestatique ejus.

VI. ID. SEP.--sexto idus septembris.

VII. VIR. EPVL.--septemvir epulonum.

V. L. A. S.--votum libens animo solvit.

VO. DE.--vota decennalia.

V. S. A. L. P.--voto suscepto animo libens posuit.

V. S. L. M.--votum solvit libens merito.

V. V. C. C.--viri clarissimi.

VX. B. M. F. H. S. E. S. T. L.--uxor bene merenti fecit, hic situs

est. sit bibi terra levis.

X.--mille.--X. ANNALIB.--decennalibus.

X. IIII. K. F.--decimo quarto kalendas februarii.

X. VIR. AGR. DAND. ADTR. IUD.--decemvir agris dandis attribuendis

judicandis.

XV. VIR. SAC. FAC.--quindecemvir sacris faciendis.

XXX. P. IN. F.--triginta pedes in fronte.

XXX. S. S.--trigesimo stipendio sepultus.

[Figura 88]

CAPITULO III

*IDADE MEDIA*

ERA ROMANICA

Chama-se idade-media o periodo comprehendido desde a quéda do imperio

romano (V seculo), até o principio do seculo XVI.

A architectura dos primeiros seculos da idade-meia apresenta os

caracteres da architectura romana degenerada, e a designam com o nome de

_architectura Roman_: o typo roman persistiu até ao seculo XII.

Examinaremos este longo periodo da historia da arte, subdividindo em

duas epocas; o _roman primitivo_, que comprehende do V seculo ao XI; e o

_roman secundario_, que pertence aos seculos XI e XII.

PERIODO ROMAN PRIMITIVO

Depois das invasões dos barbaros, as artes e as lettras acharam amparo

nas cidades, e depois nos mosteiros. Os architectos apropriaram ás

necessidades da epoca parte dos edificios gallo-romanos; e exploraram a

outra parte como se o fizessem em uma pedreira; acharam nas columnas,

nos entablamentos, nas esculpturas diversas, e nos outros materiaes que

cobriam o solo, mina que por muito tempo lhes forneceu pedras já

lavradas: não tendo outro trabalho, o maior numero de vezes, senão

ajustal-os ao logar para que os destinavam: portanto a duração do _roman

primitivo_, pois, propriamente fallando, é a continuação do periodo

artistico antecedente, apenas com a alteração nas formas, pela

inhabilidade progressiva dos operarios e architectos.

Os elementos de decoração ficaram como estavam; as esculpturas, os

mosaicos, as pinturas, foram empregadas como no seculo IV; as

composições foram copiadas ou reproduzidas com insignificantes

variantes.

Infelizmente, possuimos bem poucos d'esses restos authenticos dos

edificios do _primeiro periodo roman_; é preciso recorrer aos ultimos

tempos do imperio, reunir mentalmente os mosaicos, as molduras das

decorações, as pinturas decorativas, então usadas, para completar a

escala da ornamentação durante os seculos V, VI, VII e VIII.

[Figura 89: Tumulo de marmore dos primeiros seculos christãos]

Ao passo que se aproveitaram os fragmentos preexistentes nos edificios,

que resistiram ás devastações dos barbaros, fazia-se um trabalho de

assimilação que devemos ter em conta: além de construir bastantes

edificios novos que lhes deviam ser indispensaveis, precisavam tambem de

supprir as faltas de outros, reparar as paredes e as esculpturas,

construir e ornar as igrejas novas. O elemento christão, com o seu

symbolismo novo, seus especiaes assumptos, fez nascer _uma nova escola_

de esculptura e de pintura, posto que se inspirassem dos modelos

romanos. Basta citar para prova d'isto os tumulos dos primeiros seculos

da idade media com as suas scenas biblicas, e as figuras cujos typos

existiam nas pinturas das catacumbas.

As primeiras igrejas christãs foram copiadas das basilicas romanas. As

basilicas eram como edificios para os tribunaes, centros commerciaes

(bolsas) ou bazares. Dois renques parallelos de columnas dividiam o

edificio em tres partes, no sentido da largura. A grande nave central

era mais larga e mais elevada que as outras duas. Na extremidade das

tres galerias, e na central havia um espaço pouco profundo, e de fórma

circular, onde se assentava o presidente ou o primeiro juiz, tendo aos

lados todos os juizes accessores; o bispo ahi collocava a sua cadeira, e

as ceremonias religiosas eram apropriadas á disposição do local.

[Figura 90]

Ha em Abrantes uma igreja que é perfeito especimen d'esta disposição; é

a unica que suppômos haver em Portugal com este typo.

As abbadias, ou communidades religiosas, foram egualmente imitadas das

grandes habitações romanas, tanto da cidade como do campo, de que

apresentâmos um specimen na pagina 82 [fig. 69]; o antigo _atrium_, o

perystilo, tem sido representado na disposição dos claustros.

O _tablium_, ou grande sala, foi representada na casa do capitulo.

No mais foi tudo imitado das outras partes das habitações romanas com as

modificações que necessitava a vida commum dos religiosos. A igreja veio

sómente trazer novo elemento á composição da parte central dos

conventos; porém o pateo externo, com os seus celeiros, curraes,

lagares, etc., apresentava a similhança de uma _villa rustica_ dos

romanos reunida á habitação do proprietario.

[Figura 91: Fragmento de um tabernaculo, ornado de pedras peciosas, de

pombas, palmeiras carregadas de fructas, symbolisando as graças

espirituaes. Esculptura mérovingia do museu d'Arles]

Os palacios tiveram disposição identica á das grandes casas romanas; os

seus pateos ornados de columnas ou de arcadas como os claustros, eram,

como estes, a reproducção exacta do _atrium_ e do _perystilo_. (Veja-se

a pag. 82. [fig. 69])

[Figura 92: O interior da crypta de Saint-Avit, em Orleans (IX seculo)]

[Figura 93: Columnas e pilastras da crypta com os capiteis]

As habitações ruraes dos proprietarios abastados reproduziam tambem as

disposições principaes das _villæ_ gallo-romanas.

[Figura 94: A igreja de Vieux-Pont-en-Auge (Calvados), construida com

pequeno apparelho]

Passemos rapidamente sobre esta primeira parte do periodo roman, do qual

existe mui pouco para citar, e vamos já occupar-nos do segundo periodo,

que nos apresenta grande numero de monumentos notaveis, dando porém

alguns fragmentos de architectura e esculptura pertencentes ao periodo

roman primitivo, n'esta pagina e nas seguintes para se formar melhor

idéa, posto que succinta, do estado da arte nos seculos IX e X.

[Figura 95: Capitel da igreja de Jouarre (VII seculo)]

[Figura 96: Frontão do baptisterio de Poitiers]

[Figura 97: Pavões e animaes symbolicos]

PERIODO ROMAN SECUNDARIO

O seculo IX, de tão crueis provações, vira desapparecer grande numero de

edificios pertencentes aos seculos anteriores. Estes edificios não

teriam grande solidez, porque os normandos facilmente os destruiram e

incendiaram, na occasião dos seus saques e vandalismos, e os que não

ficaram expostos a esta barbaria apresentam já o aspecto vetusto.

Noções elementares de archeologia · 第 6 / 13 段