commerciantes: portanto, estes edificios eram ao mesmo tempo destinados
aos negocios forenses, e uma especie de praça de commercio.
Em quanto á disposição das basilicas as primitivas egrejas christãs
transmittiram-nos a imitação, e conservaram o nome. As basilicas
consistiam pois em vasto recinto, tres vezes mais comprido que largo,
dividido em renques de columnas formando muitas naves. Não ha a certeza
de que as basilicas fossem rodeadas de paredes por todos os lados;
julga-se que algumas eram abertas, pelo menos de um lado, para dar mais
facil accesso ao povo, e para que as galerias communicassem melhor com a
praça publica.
Não se pode duvidar de que não tivessem existido basilicas nas cidades
gallo-romanas; porém seria difficil indicar o sitio que occupariam,
porque desappareceram completamente os vestigios.
*Arcos de triumpho e portas monumentaes*
Os _arcos de triumpho_, porticos levantados á entrada das cidades, no
logar da passagem publica, perto dos _forums_, diante dos templos, e na
cabeça das pontes, etc. etc.; afim de indicar a memoria de uma victoria,
de um grande serviço prestado ao imperio, e algumas vezes sem outro
intuito mais que o de aformosear as cidades onde se erigiam.
[Figura 43: Arco de triumpho]
Dá-se tambem esta denominação ás portas das cidades antigas, que
apresentavam uma disposição quasi similhante á dos arcos de triumpho.
Estes, porém, eram monumentos isolados, formando um só corpo, e não se
ligavam ás construções das trincheiras ou muralhas.
Era o contrario do que succedia nas _portas da cidade_, as quaes não
obstante patentearem por vezes nas fachadas grande magnificencia,
todavia as extremidades lateraes ficavam encravadas nas muralhas dos
recintos fortificados, formando-lhes assim o accessorio ou a
ornamentação.
[Figura 44: Portas de Santo André em Autun]
Entre as portas, a disposição mais seguida era a que a gravura
apresenta, copiada da de Santo André de _Autun_, em França.
*Templos*
Duas formas eram consagradas para estes edificios religiosos, a
quadrilonga e a circular. Seguiam mais geralmente a primeira. Os
_templos_ receberam differentes denominações, conforme a disposição das
columnas que os decoravam; distinguindo-se pela seguinte maneira:
Os templos com pilastras--Os _prostylos_, fig. 45.--Os _amphiprostylos_,
fig. 46.--Os_ peripteros_, fig. 47.--O _monoptero_, fig. 48.--Os
_pseudo-peripterios_, fig. 49.--Os _hypetheros_, fig. 50.--Os
_monopteros_.
[Figura 47: Periptero quadrado]
[Figura 48: Periptero redondo]
[Figura 45: Prostylos]
[Figura 49: Pseudo-Periptero]
[Figura 50: Hypethreos]
[Figura 46: Amphiprostylos]
Os primeiros não tinham senão pilastras nos cunhaes da frente, e só uma
columna de cada lado da porta.
Os templos _prostylos_ apresentavam quatro columnas na face exterior, e
não tinham nenhuma aos lados, nem na parte posterior.
Nos templos _peripteros_, as columnas rodeavam completamente o edificio;
sendo em o numero de seis nas fachadas anterior e posterior.
Nos templos _pseudo-peripteros_ differençavam-se dos antecedentes em que
as columnas estavam embebidas nas paredes lateraes e na parede do fundo,
em logar de ficarem separadas.
Duplo renque de columnas rodeava os templos dipteros, oito das quaes
ornavam a fachada.
Finalmente, o templo _monoptero_ apresentava simplesmente a cupula
sustentada sobre columnas dispostas em circumferencia; e o santuario não
era fechado.
Resulta pois, do que fica exposto, que em todos os templos, excepto nos
monopteros, havia uma parte fechada que era o santuario; em muitos
templos, corriam em roda d'esse santuario galerias abertas, como especie
de porticos para a ornamentação externa do edificio. A parte encerrada
era designada sob o nome de _cella_ ou _nau_. Ahi collocavam a estatua
da divindade, em honra da qual o templo fôra erigido.
Na frente da _cella_, e por detraz das columnas da fachada, estava o
_pronaus_ ou vestibulo, no qual abriam a porta da entrada; á extremidade
opposta do templo dava-se-lhe o nome de _posticum_. Algumas vezes
reservavam, na parte posterior da _cella_, um quarto A destinado a
guardar o thesouro do templo, e que se designava sob o nome de
_opisthodomos_.
As columnas eram sempre em numero par nas fachadas dos templos; e
conforme que se contava quatro, seis, oito ou dez, os templos tomavam a
denominação de _tetrastylos_ (4 columnas), _hexastylos_ (6 columnas),
_octostylos_ (8 columnas), ou _decastylos_ (10 columnas).
Finalmente, certos templos eram rodeados de uma cerca _peribobos_ ou
antecedidos de pateo fechado, e ornados com portico, á roda do qual
estavam os aposentos dos sacerdotes.
A estatua da divindade, feita de bronze, marmore, ou pedra, collocava-se
no fundo da _cella_, em pedestal um pouco mais elevado que o altar, e
fazia face á porta da entrada. Em geral, os templos ficavam voltados
para o oriente.
[Figura 51: Fachada da Casa Quadrada de Nimes]
Não se deve julgar que os templos fossem muito vastos; alguns d'elles
tinham até pequenissimas dimensões, e isso explica-se facilmente pelo
conhecimento dos usos religiosos antigos, porque o exercicio do culto
era individual; cada um tinha dias proprios para o sacrificio, em
quanto, no christianismo, o exercicio do culto é collectivo.
O templo _pseudo-periptero_ hexastylo ha em Nimes (França), da ordem
corinthia, o qual serve actualmente para museu de archeologia. A gravura
mostra as suas bellas proporções e belleza.
As dimensões e a disposição do _templo de Diana_, em Evora,
apresenta-nos outro exemplo d'esta ordem de edificios do antigo
paganismo, que felizmente se conserva em Portugal nas suas magestosas
ruinas, como se vê na presente gravura.
[Figura 52: Templo de Diana, em Evora]
Os templos rectangulares ficavam dispostos como indica a gravura da pag.
60 [fig. 53], rodeados de porticos; no meio d'elles havia o logar da
cella e dentro o pedestal para a divindade.
Os templos circulares dividiam-se em duas classes: a primeira chamada
_monoptero_, compunha-se sómente de recinto formado por columnas
collocadas em pedestal commum, _stylobato_; o segundo _periptero_,
apresentava uma _cella_ á roda da qual havia columnas, pousada
egualmente sobre um _stylobato_, com degraus para ganhar a altura do
pedestal, e dar entrada para o templo.
Fragmentos achados dos templos antigos, fizeram vêr que as suas
esculpturas tinham sido pintadas de branco e amarello com traços
encarnados, para dar mais relevo aos contornos.
Não só havia templos nas cidades, mas tambem nos campos. Alguns d'estes
eram de grande veneração, pois que serviam de deposito aos mais ricos
thesouros, principalmente os dedicados a Mercurio.
[Figura 53: Plano do templo rectangular de Izernore (França)]
_Altares_.--Já dissemos em que parte do templo se collocavam as estatuas
das divindades; agora nos occuparemos da forma dos _altares_.
Havia entre elles differença de forma e de materia, proporções e usos.
A maior parte dos que se conservaram até hoje mostra a construcção de
marmore ou cantaria simples; havia-os tambem de madeira; mas em menor
numero. Os altares de metal apresentavam o feitio de tripode; os altares
de marmore ou madeira eram quadrados, redondos, e ás vezes triangulares.
Os ornatos mais usados nos altares antigos eram os que representavam as
cabeças das victimas, taças, e outros vasos e instrumentos para os
sacrifícios, entrelaçados de grinaldas de flores e folhas[14]. Liam-se
em alguns altares inscripções indicando a data da consagração, o nome do
fundador, e as razões da devoção. Os mais bellos e custosos tinham
ornamentações em baixo-relevo representando a divindade que se queria
venerar e os seus attributos.
[Figura 54]
Costumavam fazer em cima dos altares e no meio d'elles, uma cavidade
para receber as _libações_ ou o sangue das victimas.
Alguns altares eram fundados nas encruzilhadas, junto das estradas mais
frequentadas, onde depois se ergueram cruzeiros, nos tempos modernos,
para memoria.
*Edificios destinados aos jogos publicos*
Tinham os povos antigos tres especies de edificios destinados aos jogos
publicos: o _circo_, o _theatro_, e o _amphitheatro_. Muitas vezes teem
confundido os três sob a mesma denominação, de _circos_; porém a forma,
as dimensões, e o destino estabelecem entre elles diferenças notaveis.
Os _circos_ eram mais bem considerados que os amphitheatros e os
theatros; a forma d'aquelles edificios era de um parallelogrammo
prolongado, circular em um dos topos, e quadrado ou levemente convexo do
lado opposto. Os dois lados maiores apresentavam exteriormente duas
ordens de architectura sobrepostas, limitadas por uma attica e cobertas
com terraço. _Lojas_ e _passagens cobertas_ conduziam ao interior do
circo, e occupavam o primeiro renque das arcadas. _Seis torres
quadradas_, quatro d'estas nos pontos de juncção dos grandes e pequenos
lados do circo, e duas nas extremidades, sobresaiam aos terraços; as
quaes torres eram ornadas de quadrigos, ou grupos de andarilhos.
[Figura 55: Circo Maximo de Roma]
A entrada para os carros destinados ás corridas era pela extremidade
convexa do circo; doze arcadas, não comprehendida a que se achava
debaixo da torre, fechadas por grades de ferro, serviam de cocheiras,
_carceres_, onde os cavallos eram guardados antes do começo das
corridas.
É fácil comprehender a disposição dos assentos postos no interior de um
circo: sobre os dois grandes lados e no hemiscyclo opposto aos
_carceres_, levantavam-se os palanques, tendo acima a galeria ornada de
columnas correspondentes ás paredes que separavam as arcadas exteriores
da _segunda ordem_, e por meio das quaes podiam circular os
espectadores.
Havia tambem, por cima dos carceres, outros palanques, e era ahi,
superior á entrada principal na torre collocada ao centro das cocheiras,
que estava a tribuna reservada para o imperador ou para o magistrado que
presidia aos jogos.
[Figura 56: Tribuna de um circo]
Entre os assentos dos espectadores e o espaço destinado para os jogos
(_area_), havia, em alguns circos, um canal, de largura de 10 pés, cheio
de agua (_euripus_), resguardado por engradamento do lado da _area_.
Porém os circos não eram rodeados de tal fosso: ainda não se encontrou
nenhum vestigio no de Caracalla em Roma, embora fosse um dos principaes,
assim como em outros explorados depois.
O _euripus_ não se abria nunca do lado dos _carceres_, para não
interromper a entrada para o circo.
No centro da _area_ dos circos levantavam uma parede de 4 pés de altura
e 12 de largura, prolongando-se em quasi todo o comprimento do recinto.
A esta construcção, que dividia o circo longitudinalmente, davam o nome
de _spina_. O imperador Augusto foi o primeiro que fez levantar sobre a
_spina_ um obelisco dedicado ao Sol.
Havia também sobre a _spina_ dos circos pequenos templos, altares,
estatuas e sete bolas, _ova_, sustentadas em eixos, que serviam para
indicar o numero de voltas executadas pelos carros, _ova ad metas
curriculis numerandis_, e sete delphins postos em pedestaes, ou em
architrave sustentada por columnas. Os delphins tinham sido escolhidos
em veneração de Neptuno, porque se suppunha serem estes os animaes mais
ageis do mar. Nas duas extremidades, e na parte exterior da _spina_,
havia sempre tres pyramides firmadas na mesma base, e servindo de ponto
de limite. Era junto d'estes marcos (_metoe_) que os carros deviam
voltar para as extremidades do circo, evitando tocar no marco. O ponto
de partida era collocado de modo que os concorrentes tinham sempre á
esquerda a _spina_ e os marcos.
Os conductores de carros (_aurigæ_) traziam um vestuario como especie
de librés de côres differentes e formavam partidos ou facções.
Primeiramente houve quatro librés: a branca, _alba_; a encarnada,
_russea_; a azul, _veneta_, e a verde, _prasina_. O imperador Domiciano
juntou a estas mais duas: a purpura, _purpurala_; e dourada, _aurata_.
Quando os espectadores se enthusiasmavam faziam apostas para que
alcançasse triumpho outra facção, ou côr. Tempos depois, as côres usadas
nos circos deram logar a formarem-se verdadeiras facções politicas, a
que pertenciam milhares de cidadãos.[15]
_Naumachia_.--Suppõem-se que os _circos_ serviam ás vezes de
_naumachia_. A _naumachia_ era para a simulação de combates navaes, que
se davam em grandes caldeiras cheias de agua, rodeadas de construcções
análogas ás dos circos; todavia, concebe-se difficilmente como um circo
podia estar apropriado para este genero de divertimentos sem grandes
inconvenientes e sem obras preparatorias. A transformação da _area_ dos
circos em lagos devia acontecer raras vezes, porque em algumas cidades
mandavam abrir lagos apropriados para os combates navaes.
*Theatros*
Quasi todas as cidades importantes da Gallia possuiam theatros
edificados no reinado de Adriano e Antonio, o _Piedoso;_ esses
monumentos eram encostados ás collinas sobre o declive das quaes se
dispunham os assentos de cantaria em semi-circulo. Na parte inferior
d'estas bancadas estava a orchestra, que correspondia ao que chamâmos
platéa nos actuaes theatros, e que ficava sobre um terreno plano, assim
como a scena.
[Figura 57: Plano de um theatro antigo]
Esta ultima disposição do theatro dividia-se em tres partes, a saber: o
_proscenium_, ou _pulpitum_, o palco em que representavam os dramas; a
_scena_, grande fachada muitas vezes ornada com as diversas ordens de
architectura, e o _post cenium_, onde os actores se preparavam para
entrar em scena.
_A scena_ apresentava tres portas no fundo: a do centro, mais alta e
ornada que as outras, chamava-se _porta real_; entrava por ali o
personagem principal da peça, que representasse o dono do palacio; as
figuras secundarias entravam pelas outras portas que se designavam
_hospitalia_, porque de certo representavam os hospedes ou familiares do
dono do palacio.
A parede do fundo da scena formava dois lados ou alas (_versuræ_,)
onde havia outras duas portas, uma á direita e outra á esquerda, as
quaes faziam suppôr darem saida para o campo e para a praça publica. A
configuração de um theatro apresentava pois de um lado a forma
semi-circular, do outro a de quadrado. Para chegar ao logar dos
espectadores havia muitas escadas partindo do circuito e dirigindo-se da
circumferencia para o centro, afim de estabelecer muitas divisões que,
pela rasão de sua forma de cunha, eram designadas com o nome de _cunei_.
Havia, além d'isso, na elevação do amphitheatro (_cavea_) que cercava a
orchestra, duas ou tres divisões principaes, indicadas por separações
chamadas _præcinctions_ e ficavam parallelas ás filas dos
assentos.[16] Estas divisões tinham o nome de _cavea prima_, _cavea
media_, _cavea maxima_ ou ultima, conforme estivessem mais ou menos
proximas da orchestra.[17]
Havia tambem, em muitos theatros, aberturas quadradas, correspondentes a
corredores abobadados dispostos sob os degraus do theatro, e por onde
cada qual podia passar para occupar o seu logar, sem ser obrigado a
subir da orchestra ou a descer da summa, _summa cavea_. Estas aberturas
chamavam-se vomitorios (_vomitoria_,) porque parecia que lançavam fóra
os espectadores, quando estes entravam em multidão para os seus logares.
Tinham os antigos tres especies de scenas, a scena tragica, a scena
comica e a scena satyrica.
As vistas do theatro eram diversas, conforme o genero das peças que se
representavam.
As mudanças da decoração praticavam-se por varios systemas. Chamava-se
aos bastidores _ductiles_, quando giravam em corrediças; _versatiles_,
quando se viravam sobre pião.
Muitas machinas fraccionavam na scena e coadjuvavam os papeis dos
actores.
Como os theatros não eram cobertos, estendia-se acima das paredes um
grande toldo para dar sombra aos espectadores. Este _velarium_[18]
estava fixo ou suspenso em mastros cravados no alto das paredes.
Vitruvio recommenda que não exponham os theatros do lado do sul, para
evitar que os raios do sol aqueçam demasiadamente o ar.
[Figura 58: Plano do theatro de Champlieu]
O theatro de Orange, em França, é uma ruina digna de ser contemplada, e
poucas ainda ha que se lhe possam comparar. As suas columnas tinham 18
pés de altura e 2 pés e 4 pollegadas de diametro; a altura das paredes
era de 108 pés com tres ordens de columnas. A fachada exterior era
decorada por duas fileiras de arcadas sobre as quaes havia um attico. O
theatro fôra construido com cantaria de extraordinarias dimensões;
notando-se n'estas pedras vestigios de incendio violento.
[Figura 59: Exterior da scena do theatro de Orange]
*Amphitheatros*
De todos os monumentos romanos existentes são os _amphitheatros_ os que
offerecem ainda as ruinas mais collossaes e magestosas. Eram, como
indica a etymologia da palavra _amphitheatro_, dous theatros collocados
em frente um do outro, e separados por um espaço livre de forma oval
destinado para os combates dos gladiadores e animaes ferozes.
A este espaço davam o nome de arena _arena_, por causa da areia que
espalhavam pelo chão, afim de fazer desapparecer o sangue dos homens e
dos animaes derramado durante a luta.
[Figura 60: Plano de um amphitheatro]
Os palanques eram dispostos á roda da _arena_, de maneira que de todos
os lados os espectadores podessem gosar o espectaculo. Nos
amphitheatros, como nos theatros, esses logares eram divididos
horisontalmente por cintas curvas ou _baltei_; e verticalmente pelas
escadas em subdivisões cuneiformes, como explicamos acima. Os degraus
apoiavam-se nas abobadas, que iam estreitando para o lado da _arena_,
alargando-se e elevando-se á medida que se aproximavam do portico ou
galeria, contornando o edificio. Estas abobadas, inclinadas para o
centro e alargando para o exterior, eram sobrepostas umas ás outras, e
formavam muitas ordens, onde havia muitas cintas curvas.
[Figura 61]
A vista do corte de um grande amphitheatro mostra claramente esta
disposição, com as cintas e o effeito produzido no meio dos palanques
pelos _vomitorios da cavea_. Outro corte apresenta parte do amphitheatro
de Aries, mostrando como as grandes escadas, partindo das galerias,
conduziam ao interior da _cavea_.
[Figura 62: Corte do amphitheatro de Aries]
Na _arena_ havia combates de gladiadores,[19] de homens e animaes, e só
de animaes.
Nos dias de combate eram os gladiadores conduzidos processionalmente em
volta da _arena_; depois punham-n'os aos pares, juntando os de força
egual. O signal do combate era dado por uma banda de trombetas.
[Figura 63: Fachada exterior do amphitheatro de Arles (França)]
Havia diversas classes de gladiadores, conforme as armas que empregavam
no ataque e na defeza.
O amphitheatro de Arles, ruina das mais pittorescas que existem n'este
genero em França, tinha de comprimento do grande eixo 420 pés de Norte
ao Sul; e do pequeno eixo 309 de Leste a Oeste. A arena tinha no grande
diametro 209 pés, e no pequeno diametro 119: gravura da pag. 71 [fig.
63].
[Figura 64: Uma das principaes entradas do amphitheatro de Bordeos]
Uma cousa particular, que não existe nos outros amphitheatros, é que as
galerias subterraneas giravam por baixo e á roda do _podium_.
O _podium_ estava a 14 pés acima do solo da arena. A parede do sucalco
que o levantava a esta altura, era furada na parte inferior, com oito
passagens, conduzindo das galerias subterraneas para a arena, passagens
que saiam da galeria exterior.
[Figura 65: Plano do amphitheatro de Chenevières (Loiret)]
O amphitheatro era construido com boa cantaria de grande apparelho,
posta sem cimento algum, e era tal a grandeza das pedras que, apesar de
tantos seculos decorridos, ainda se conservam solidas nos seus leitos.
O plano da gravura da pag. 73 [fig. 64] mostra a disposição de outro
amphitheatro, que pelo seu genero custava muito menos a construir, que
outros compostos de dois lados, porque sendo marcada a inclinação para a
encosta, bastava edificar o _podium_ do lado aberto. Podia-se também
facilmente transformar os amphitheatros em theatros com outras
disposições para o scenario e então constituíam monumentos mixtos, que
foram numerosos durante a dominação romana.
*Banhos publicos*
Os romanos tinham muitas especies d'estes estabelecimentos, que se
conheciam com os nomes de _thermæ_, _lavacra_ e _balnea_.
As _thermas_[20] eram vastos edificios que continham não só os banhos,
mas tambem porticos e passeios arborisados, salas onde os philosophos e
os rhetoricos davam lições publicas e liam as suas obras; onde se
exercitavam na luta: chamavam-lhes _gymnasios_.
Citavam, entre as mais sumptuosas de Roma, as de Agrippa, Nero, Tito,
Caracalla,[21] Antonino e Diocleciano, das quaes existiam ainda
consideraveis vestigios.
Não se deve suppôr comtudo que haveria similhantes estabelecimentos em
todas as cidades onde os romanos dominaram. O mais geral era construir
_lavacra_ ou _balnea_, de limitada dimensão, á qual estavam ás vezes
reunidas algumas dependencias dos _gymnasios_.
Taes edificios eram mais ou menos espaçosos conforme deviam ser francos
ao publico de uma cidade bastante povoada, ou simplesmente destinados
ao uso de pequena localidade, ou de uma unica familia.
O _apodyterium_ era a sala de vestir, ou em que ficavam depositados os
fatos antes do banho.
O _aquarium_ continha os reservatorios, nos quaes a agua era recebida e
podia clarificar-se antes de distribuida no edificio.
O _vasarium_, tirava este nome de tres grandes vasos, ou depositos
cheios de agua quente, de agua tepida e de agua fria.
O _laconicum_, estufa aquecida por um _hypocausto_, tinha ás vezes uma
das extremidades em semicirculo, onde havia um _disco de bronze_, pelo
movimento do qual, abaixando-se ou levantando-se, podia augmentar-se a
intensidade do calor, ou diminuir a temperatura.
O _tepidarium_ era, segundo Vitruvio, a estufa menos quente que a
antecedente, e em contacto com ella.
Havia outra casa destinada para o banho de agua quente, que se tomava
n'uma especie de tina, _labra_.
O pequeno pateo ou vestibulo que precedia o forno do hypocausto
chamava-se o _propnigeum_ ou o _proefurnium_.
A parte destinada ao banho frio era o _frigidarium_, ou sala não
aquecida, onde os banhistas descançavam alguns instantes antes de sairem
para a rua, afim de evitarem o perigo da mudança rapida da temperatura.
A _piscina natatilis_ ou _frigida lavatio_, reservatorio de agua fria em
que as pessoas robustas podiam banhar-se depois do banho quente, e de
que se fazia uso principalmente no verão.
O _eleothesium_, onde os banhistas podiam esfregar o corpo com oleo ou
perfumes[22].
Uma curiosa pintura a fresco, copiada das thermas de Tito, em Roma, e
que representava o interior de uma casa de banhos, faz comprehender
muito bem a disposição geral de taes estabelecimentos, como se vê na
gravura da pag. 76 [fig. 66].
Distinguem-se, no primeiro plano, duas salas sob as quaes arde o fogo do
hypocausto.
[Figura 66: Vista de uma pintura a fresco tirada dos banhos de Tito.]
Uma d'estas salas devia ser a _concamerata sudatio_, ou a estufa
abobadada para fazer transpiração.
Ha n'esta sala um pequeno forno, cuja abobada fecha em escudo de bronze
que se movia por meio de corrente, afim de deixar sair mais ou menos o
vapor da agua quente.
Junto do _laconicum_ está a sala do banho, separada por um corredor.
Vêem-se muitas pessoas n'uma grande tina _labrum_, em volta da qual
estão assentos encostados á parede.
Mais afastado apparece representado o _vasarium_, com os tres grandes
vasos collocados em diversos niveis: o primeiro menos elevado contem
agua a ferver; o segundo agua tepida, e o terceiro agua fria.
No segundo plano, e por detraz da estufa para suar, vê-se a sala chamada
_tepidarium_.
Passado o _tepidarium_, distingue-se a sala fria, _frigidarium_, que em
alguns banhos servia tambem ao _apoditerium_. Em ultimo plano está o
_eleothesium_, ou sala dos perfumes.
Para se formar idéa exacta d'estes monumentos, convem examinar e
comparar entre elles que se têem descoberto em differentes partes; para
o que apresentamos as gravuras dos banhos de Verdes e de Landunum.
*Explicações crestas casas de banhos*