servia de base á calçada. Estes _caminhos alteados_ conservam ainda o
seu nivel superior em espaços muito extensos, e são faceis de
reconhecer.
As estradas antigas eram tambem cavadas, como se as preparassem para o
leito de um rio. As excavações em algumas partes podiam ser consequencia
do uso prolongado de viandantes e vechiculos; porém, em outras, foi
visivelmente praticado com o fim de tornar mais suaves as subidas muito
ingremes.
[Figura 27: Torre de Pirelonge]
O uso das columnas milliares data do anno 183 antes da era christã. Foi
determinado em lei proposta por C.S. Graccho, e depois ampliada ás
provincias do imperio.
As inscripções collocadas n'estas columnas foram primitivamente
laconicas; indicavam apenas o numero de milhas comprehendidas de uma a
outra localidade. Augusto foi o primeiro que mandou gravar os seus nomes
e qualificações nos marcos levantados por sua ordem, e os successores
seguiram-lhe o exemplo.
_Pyramides_.--As vias romanas não eram sómente guarnecidas pelas
columnas itinerarias; aos seus lados viam-se tambem torres massiças, ou
pyramides, ora circulares, ora quadradas.[10]
Consideravam-se essas pyramides como tumulos; mas a maior parte parecia
terem sido levantadas para ornar os caminhos, ou antes dedicadas a
Mercurio, como deus protector das estradas, das artes, e do commercio.
Em algumas d'ellas abriam especies de nichos que deviam receber a
estatua de Deus.
Formavam-se taes construcções de bases quadradas de alvenaria, que
sustentavam uma serie de grandes pedras de cantaria; o remate
apresentava a configuração conica, tendo a superficie coberta de
entalhos sobrepostos, representando folhas de arvores em camadas. A
torre de Pirelonge, em França, de 74 pés de altura, é um especimen
d'este genero.
_Mansão_.--Encontravam-se nas estradas mansões, ou pousadas, mais
especialmente destinadas para o serviço dos correios, e para os que
viajavam com auctorisação do imperador. Eram administradas por uns
funccionarios chamados _mancipes_, cathegoria pouco mais ou menos egual
á dos nossos directores do correio. Os logares das mudas de menor
importancia e situadas com pequenos intervallos, chamavam-se _mutações_.
Denominavam-se emfim _diversoria_ as casas construidas ao longo das
estradas, quer pertencessem a proprietarios que hospedavam ahi os seus
amigos, quer recebessem viajantes como os nossos hospedeiros.
As principaes estradas romanas tinham a classificação de _publicas_ ou
_militares_, _consulares_ ou _pretorianas_, e os caminhos menos
frequentados designavam-se com os nomes de _particulares_, _agrarios_ ou
_vicinaes_.
*Architectura*
Os romanos imitavam na sua architectura os Etruscos e os Gregos, porém
foram menos cuidadosos na pureza das formas, do que no aspecto
grandioso; e preferiram á formosura monumental o effeito da apparencia e
da utilidade; portanto, procuravam sempre adpotar um systema que lhes
desse logar a utilisar nas obras publicas o trabalho dos soldados, e
dos escravos, dirigidos sómente por limitado numero de architectos ou
engenheiros. Comprehendiam que era poderoso meio de dominação dotar o
paiz vencido com os monumentos que não possuissem, introduzir em toda a
parte a civilisação, transmittindo aos subordinados as vantagens, as
instituições e os estabelecimentos uteis, dos quaes estavam até então
privados.
[Figura 28: Pequeno aparelho, e de espinha como está construido o
monumento romano de Theséo]
Em logar, pois, de empregar, como os Gregos, materiaes de extraordinaria
dimensão, e por consequencia difficies de se ajustarem, preferiam, salvo
em casos excepcionaes, pôr em obra materiaes de pequena dimensão,
alvenaria, tijolos reunidos entre si por abundante argamassa.
Um grande facto architectonico, como foi a adopção da abobada cylindrica
composta de peças em forma de cunhas, fez com que pudessem afastar-se do
systema da edificação grega, no qual dominavam as architraves e os
apoios verticaes. Com a abobada e as arcadas de volta perfeita, de que
os romanos tiravam tão vantajoso resultado, effectuaram-se notaveis
construcções, que não se deveram nunca ao genio dos gregos.
_Pequeno apparelho_.--As paredes de pequeno apparelho, o modo de
construir mais habitualmente empregado, tem as faces formadas de pedras
symetricas, quasi quadradas, e cuja face não tem mais de 3 a 4
pollegadas e raras vezes de 5 a 6. O centro da parede mostra um massiço
de alvenaria irregular feito com pedra miuda imbebido de cimento.
Notam-se em varias construcções, de pequeno apparelho, zonas horisontaes
e continuas de grandes tijolos, destinados a sustentar o nivel das
pedras pequenas do refôrço da alvenaria. Estas zonas compôem-se
geralmente de dois ou tres, e tambem de cinco, seis ou sete fileiras de
tijolos separados por camadas de cimento, cuja espessura é quasi egual á
dos tijolos.
Os romanos dispozeram tambem as pedras com o feitio de folhas de fetos,
ou em espinhas, como se vê na gravura da pagina anterior.
A argamassa era sempre applicada com grande espessura entre as pedras e
nenhuma das quaes estava em contacto immediato, mas de certo modo
imbebidas no cimento.
As dimensões dos tijolos variavam muito para poder indicar-se
absolutamente a mais usual; comtudo era entre 14 a 15 pollegadas de
comprimento por 8 a 10 de largura; mas havia maiores, e até alguns mui
pequenos.
_Apparelho reticular_.--Os architectos romanos empregavam egualmente a
_obra articulada_, ou alvenaria em forma de malhas, differente do
pequeno apparelho ordinario, por que as pedras do revestimento eram
cortadas com esmero, de tamanhos eguaes, e collocadas de modo que as
juntas apresentavam linhas diagonaes, simelhando uma rede. Este genero
de reforço de alvenaria empregavam-no geralmente como ornamento, pois
não se encontra applicado exclusivamente, mas quasi sempre combinado e
intercalado com o pequeno apparelho.
[Figura 29]
As paredes do grande apparelho encontram-se nos mais importantes e
grandiosos edificios, como os templos, os arcos de triumpho, os
theatros, etc.
_Argamassa e cimento_.--As argamassas dos romanos compunham-se de cal
viva e de areia, e frequentemente de tijolo pizado, em proporções
variaveis, e que seria difficil determinar. A presença do tijolo pisado
distingue-se de quasi todas as que depois foram empregadas. Todavia
encontram-se tambem argamassas romanas que não contem nenhuma parcella
de tijolo, assim como não apresenta nenhum caracter particular.
_Ordens_.--chama-se _Ordem_ a combinação de diversas partes salientes
dispostas, com proporções fixas, para compôr um conjuncto regular e
harmonico de ornamentação das fachadas dos edificios importantes.
Divide-se uma ordem de architectura em tres partes, ou membros, que são
pedestal--columna--e um entablamento. Cada membro divide-se em tres
partes d'este modo:
{ Base.
Primeiro membro ou pedestal { Soco.
{ Cornija.
{ Base.
Segundo membro ou columna { Fuste.
{ Capitel.
{ Architrave.
Terceiro membro ou entablamento { Friso.
{ Cornija.
Os romanos empregavam cinco ordens:
A Toscana.
A Dorica.
A Jonica.
A Corinthia.
A Composita.
A Dorica, a Jonica e a Corinthia, eram de origem grega.
A Toscana e a Composita nasceram na Italia.
É por isso que se designam algumas vezes as tres primeiras sob a
denominação _ordens gregas_, e as duas outras sob a de _ordem latina_.
Nas ordens Toscana, Dorica, Jonica e Corinthia, a columna tem proporções
differentes; as da Corinthia e Composita são eguaes.
Eis o quadro d'estas proporções conforme o architecto Vignola, que é o
auctor mais seguido pela simplicidade das subdivisões:
A altura da { Toscana, de 7 vezes. } Do diametro
columna vem a { Dorica, de 8 idem. } inferior, isto é
ser para a { Jonica, de 9 idem. } a grossura tomada
ordem: { Corinthia, de 10 idem. } no fuste junto da
{ Composita, de 10 idem. } base.
Portanto, as quatro primeiras ordens differem nas proporções; a da
quinta ordem são eguaes ás da quarta. Os pedestaes e os entablamentos
differem tambem nas quatro primeiras ordens.
Em geral, o pedestal tem o _terço_ da altura da columna, e o
entablamento a _quarta_ parte, conforme o auctor citado.
O modulo é medida convencional que serve de escala para desenhar as
ordens; é sempre a metade do diametro inferior do fuste da columna, o
qual se divide em 12 partes para as tres primeiras ordens, e em 18
partes para as duas ultimas.
{ A menos elevada e a mais simples das cinco
Toscana { ordens.
{ Cornija sem modilhões, nem denticulos.
{ Modilhões, denticulos ou mutulos na cornija,
{ triglyphos no friso, gottas na architrave.
Dorica { Capitel da mesma forma que o da Toscana, porém
{ um pouco mais ornado, caneluras ou estrias
{ no fuste.
{ Capitel com volutas, cornija ornada de
Jonica { denticulos.
{ Architrave dividida em três platebandas ou faixas.
[Figura 30: Fachada d'um templo Dorico]
[Figura 31: Dorico]
[Figura 32: Jonico]
[Figura 33: Corinthio]
{ Capitel ornado de dois renques de folhas de
{ acantho e dezeseis volutas.--Dois renques de
Corinthia { denticulos e um de modilhões na cornija.--Architrave
{ dividida em tres platebandas ou faixas
{ por baguetas ornadas de molduras.
{ Capitel imitando o das Ordens Corinthia e
Composita { Jonica.--Cornija com denticulos.--Duas platebandas
{ ou faixas na architrave.
[Figura 34: Portico da Ordem Toscana]
As columnas não são sempre applicadas para decoração dos edificios;
substituem-se ás vezes por pilastras, que, sem ter o aspecto gracioso
das columnas, produzem não obstante um effeito agradavel á vista. As
_pilastras_ tem em geral pouca saliencia, não excedendo a mais da metade
da largura; e não se lhes diminue o diametro da parte superior do fuste,
como acontece ás columnas.
Eis a disposição de um _portico_ da ordem Toscana: quando se collocam
muitas ordens de columnas ou pilastras em um edificio, é preciso que as
Ordens mais delicadas fiquem sobrepostas ás mais solidas: portanto, não
se collocam nunca as columnas Toscanas sobre as columnas Jonicas, e se o
architecto empregar a Jonica, ou a Corinthia, seguirá a regra de
sobrepôr a segunda á primeira.
Não julguemos que a architectura antiga está representada pelas _cinco
ordens_ classificadas e regularisadas pelos insignes architectos
italianos do _Renascimento das artes_. Ficaremos muito surprehendidos
quando, examinando os restos da architectura romana existentes nas
antigas cidades, particularmente na Italia, e n'este paiz em especial
Roma, virmos que não differem, quasi em parte alguma, na _rigorosa
similhança_, as cinco celebres Ordens desenhadas e medidas por Vignola,
Palladio, Serlio, Scamozzi e outros architectos illustres. Pelo
contrario, os typos principaes da architectura antiga apresentam
infinita variedade, que augmenta nos edificios cuja data se aproxima dos
ultimos tempos do imperio, a tal ponto que vem a ser realmente mui
difficil determinar a Ordem a que pertencem taes ou taes entablamentos,
capiteis, bases, columnas, etc.
Os capiteis, principalmente, apresentam diversidade de formas e
ornamentações, que será baldada a classificação rigorosa; mostram
todavia na composição riqueza e delicadeza de cinzel, sobejamente
notaveis; observando-se pelo conhecimento dos effeitos pittorescos,
produzidos no claro-escuro, o esmero do trabalho. As partes em relevo
são conservadas com acerto e habilmente executadas.
Os architectos modernos, creando typos unicos sob a denominação de cada
uma das Ordens; desejando subordinar tudo a esses typos, privaram-se de
produzir combinações graciosas, em quanto os artistas do estylo romano,
engenhosos e fecundos, tiravam partido da liberdade de composição,
enriquecendo a architectura em que reproduziam as formas, não punham
peias á imaginação, e evitavam executar obras monotonas, pobres e sem
attractivos, como succede em muitas presentemente levantadas.
Os edificios publicos e muitas casas particulares eram durante a
dominação romana, revestidas de marmore, ou de cimento e cal; e algumas
tinham mosaicos, e aqueciam-n'as por meio dos hypocaustos.
Os _mosaicos_[11] antigos, dos quaes se tem encontrado repetidamente
fragmentos em localidades hoje inhabitaveis, compõem-se de pequeninas
peças cubicas imbebidas em especie de massa e assentes em cimento
misturado com tijolo moido.
[Figura 35]
Estas pequenas peças de diversas cores eram combinadas de maneira que
formavam differentes desenhos. Alguns mosaicos representavam combates de
animaes e outras scenas.
A mais importante descoberta feita em Portugal foi a que fizemos perto
de Leiria, em 1874, de um mosaico de cinco côres e com difficeis
combinações de linhas geometricas, pertencente a uma _villa rustica
romana_.
_Hypocaustos_.--Os hypocaustos, estabelecidos no pavimento terreo das
habitações romanas, eram empregados como os caloriferos modernos.
Para formarmos idéa exacta do hypocausto, é preciso figurarmos um
sobrado levantado quasi a 2 pés acima do solo, e sustentado sobre
pequenos pilares A de egual altura, distantes uns dos outros 1 pé, por
meio dos quaes o calor circulava e aquecia por egual o piso que cobria
esta especie de subterraneo. Os pilares dos hypocaustos eram geralmente
quadrados, compostos de tijolos de 7, e 8 ou 10 pollegadas de
comprimento, uns sobre os outros, com o intervallo de uma camada de
argamassa.
[Figura 36]
Os pilares do hypocausto recebiam grandes tijolos de 18 a 20 pollegadas
em quadrado B, formando a base do pavimento das habitações.
Em muitas localidades, os tijolos eram sobrepostos de modo que
apresentavam o cimo menos largo que a base.
O calorico não ficava concentrado no subterraneo onde estava o
hypocausto: circulava nos pontos mais elevados, e entrava egualmente em
todas as partes da atmosphera das salas, passando dor tubos quadrados de
barro cozido 4 e 5, introduzidos na grossura da parede, 3 e 3, gravura
de pag. 46 [fig. 37], um dos quaes, em posição vertical, penetrava no
hypocausto, emquanto outros, collocados horisontalmente, circumdavam os
aposentos.
O lume que aquecia o hypocausto era acêso n'um forno posto em pequenos
pateos ou vestibulos proximos do hypocausto.
_Embutidos e ornamentos_.--O marmore foi frequentemente empregado para a
decoração das paredes.
Em geral, os architectos romanos souberam tirar grande partido dos
materiaes que fornecia o paiz em que se faziam as obras.
Não era raro vêr entrar em combinação os materiaes indigenas com os
exoticos mais preciosos, taes como o porphyro, os marmores cipolino, os
ophitos, etc., etc.
O uso de pintar as paredes era tão geral que as simples construcções em
taipa e os tectos revestidos de barro tambem recebiam essa ornamentação.
A pintura era applicada sobre delgado guarnecimento de cal.
Os methodos usados pelos romanos para a pintura das paredes são-nos
imperfeitamente conhecidos. Comtudo, um d'elles consistia em applicar
com a broxa cera colorida e derretida, estendendo-se ainda quente nas
paredes.
[Figura 37: Tubos verticaes (4 e 5) para circular o calor, mettidos nas
paredes]
A cêra não era empregada só, mas misturavam-n'a com azeite para a tornar
mais liquida: todavia, a maior parte d'essas pinturas parece ter sido
assente a frio, e a sua adherencia seria produzida, talvez, por uma
especie de colla que lhe ajuntavam.
As paredes e os tectos eram tambem em algumas habitações revestidos de
mosaicos de vidro preto, azul, branco, verde escuro, etc., decorações
que se encontravam em muitas salas de banhos.
Plinio diz-nos que empregavam o vidro nos mosaicos das abobadas e das
paredes, advertindo que este uso era recente, comparativamente com o dos
mosaicos de pedra ou barro cozido. Achâmos na _villa rustica romana_,
descoberta por nós em Leiria, duas casas com mosaicos d'este ultimo
modo, e outra de argila cozida.
_Telhas e telhados_.--Os telhados das casas romanas eram formados de
telhas chatas de grande dimensão, mais compridas que largas com um
resalto sobre os dois lados: assim como havia telhas curvas similhantes
ás dos telhados modernos.[12] As primeiras adaptavam-se umas ás outras
pelas extremidades que não tinham resalto; as segundas ligavam-se entre
si no sentido da inclinação do telhado, ficando em fiadas parallelas as
telhas chatas e para cobrir as juntas e evitar a infiltração das aguas
da chuva.
Os fragmentos das telhas com resalto tem resistido quatorze seculos á
acção destruidora dos elementos, e das pancadas do arado; encontram-se
espalhados e enterrados em grande quantidade em quasi todos os logares
onde existiram construcções romanas.
Em fim, estes restos são o melhor indicio para o reconhecimento das
regiões antigamente occupadas pelos romanos.
*Pontes*
As pontes, obra de tamanha utilidade, tornam-se mui notaveis pelas suas
ousadas dimensões. Existem presentemente poucos vestigios d'ellas: o
maior numero ficou destruido, pela força das correntes, ou reconstruido
em diversas épocas e alterado na primitiva construcção. Podemos apenas
citar poucas das compostas na época romana.
Nas pontes, como em outros monumentos gallo-romanos e luso-romanos,
empregou-se o grande apparelho, e muitas vezes de alvenaria com
argamassa (_empleton_) revestido de pequenas pedras symetricas (_opus
incertum_).
[Figura 38: A ponte de S. Chamas, e as suas duas portas monumentaes]
Quando usavam os materiaes de grande dimensão, as pedras ficavam prezas
umas ás outras com os cancros de ferro ou de bronze, e algumas vezes com
malhetes de madeira de oliveira, previamente secca no forno.
Nas pontes construidas com pequeno apparelho a boa qualidade da
argamassa dava-lhes tal solidez, que os pegões que sustentavam os arcos
não soffreram depois nenhuma alteração.
Os pegões apresentavam algumas vezes, do lado da corrente, uma parte
saliente triangular, para cortar assim a força da agua; e se o rio tinha
demasiada extensão, acontecia então dividil-o em muitos braços, afim de
construir a ponte em secções. D'este modo corrigia-se a rapidez dos rios
pela divisão das aguas, e tornava-se menos difficil a construcção das
pontes. Na idade media foram imitadas.
As pontes construidas com mais esmero e regularidade eram ás vezes
verdadeiros monumentos, que serviam tambem para aformoseamento. Algumas
tinham portas monumentaes ou arcos de triumpho.
_Pontes de madeira_.--Tratámos das pontes de pedra, porque só estas
poderiam subsistir até os nossos dias; mas, durante o dominio dos
romanos, tinham elles egualmente grande numero de pontes construidas de
madeira.
Passava-se tambem os rios servindo-se de barcos de passagem, com
jangadas sustentadas em odres ou tonneis vazios, como é usado ainda hoje
em casos urgentes. Havia tambem pontes firmadas em barcos, como se vê
figurado na columna de Trajano em Roma.
_Muralhas e caes_.--Os caes ou as grandes muralhas de supporte,
construidas nas margens dos rios, vinham ligar-se ás pontes, quando
estas existiam nas cidades.
*Aqueductos*
Os aqueductos, pela sua consideravel extensão e a importancia das ruinas
que se conhecem em differentes pontos, offerecem interesse especial.
Os romanos, como todas as nações civilisadas, gastavam grande
quantidade de agua para os usos domesticos; sendo muito escrupulosos na
boa qualidade da agua, embora a fossem buscar a grandes distancias para
os centros da povoação, empregando para esse fim canaes ou aqueductos.
[Figura 39: Restauração de um aqueduto em siphão]
Os aqueductos antigos que ainda existem, como os que possue a Italia, e
os vêmos em outras partes, apresentam os canos de alvenaria feitos com
mais ou menos solidez, e mais ou menos cuidadosamente betumados.
Serviam-se geralmente das pedras de pequenas dimensões, embebidas na
argamassa. Os canos, sendo proporcionados ao volume de agua que deviam
levar, eram formados com abobada em volta perfeita, se ás vezes cobertos
com grandes lageas assentes e sobrepostas sem cimento.
Para se obter o nivel das encostas que se encontravam na juncção dos
encanamentos, faziam-n'os passar então sobre arcos mais ou menos
elevados, que reuniam os dois lados do valle; outras vezes
sobrepunham-se dois ou tres renques de arcos, com receio de que a
demasiada altura dos pilares lhes diminuisse a solidez.
Quando o valle era muito profundo, para por este meio poder firmar-se o
encanamento do aqueducto em nivel conveniente, conduziam a agua em tubos
de chumbo que subiam até o cume da collina opposta, onde a agua pudesse
seguir a sua corrente natural, conforme Vitruvio descreve mui claramente
no seu 8.^o livro de architectura.
[Figura 40: Canal subterraneo do aqueducto]
[Figura 41: Canal de aqueducto sustentado sobre arcadas]
[Figura 42: Vista geral da ponte do Gard]
Para evitar trabalhos sempre difficies e dispendiosos, faziam seguir aos
encanamentos subterrâneos, rodeios, ou sinuosidades, e por esta maneira
as aguas podiam transpôr grandes espaços sem encontrarem encostas, e sem
ficarem impedidas pelos obstáculos das montanhas.
Os aqueductos eram todavia mais communs soterrados, e só apparentes nos
valles, onde necessariamente os canos passavam sobre paredões ou
arcarias.
Os encanamentos que distribuiam as aguas nas fontes para os banhos e
para outros estabelecimentos publicos e particulares das cidades
gallo-romanas, eram feitos de chumbo ou barro. Saiam de um reservatório
commum, ou castello de agua, _castellum_, como se vê um em Évora, do
tempo de Sertorio.
A primeira gravura da pag. 51 [fig. 40], mostra o encanamento do
aqueducto de Fréjo, um dos mais extensos que subsistem, tal qual se
apresenta á vista quando se mantém subterraneo, ou collocado nas
encostas das collinas, fig. 41. Este exemplo explica todo o systema
empregado pelos engenheiros romanos.
Os aqueductos seguem a construcção egual das obras de arte executadas
nos caminhos de ferro, transpôem como ellas os valles sobre viaductos, e
atravessam as montanhas por meio de vallas ou tUneis.
Pontes e aqueductos serviam para transpôr os valles, e alguns tinham 90
arcos. A ponte do Gard, em França, era formada de três renques de
arcadas sobrepostas, servia para o transito e o ultimo conduzia a agua á
cidade, correndo na extensão de 41:000 metros. Indica a gravura da
pagina anterior a sua construcção.
O numero dos aqueductos era extraordinario; não só se encontravam nas
proximidades das grandes povoações, mas tambem das pequenas, e até junto
das casas de campo de limitada apparencia.
*Cloacas*
As _cloacas_ constituiam outra especie de aqueductos subterraneos para
receber as aguas inuteis, ou para as aguas da chuva e immundicies.
Em Roma, estendiam-n'as por toda a cidade, e subdividiam-n'as em muitos
ramaes que vinham desaguar no Tibre. O principal cano de despejo, com o
qual os outros communicavam era chamado _cloaca maxima_. Tinha abobadas
elevadas construidas com grande solidez, por debaixo das quaes se
passava em barcos[13].
*Praças publicas*
_O forum_ era geralmente uma praça onde se reuniam as assembléas do
povo, onde se administrava a justiça e onde se tratavam os negocios
publicos. Estava em certas partes rodeado de _porticos_, edificios e
lojas.
Nas cidades de importancia secundaria, onde os porticos não eram
repetidos como em Roma, achavam-se principalmente perto dos monumentos
publicos, taes como os theatros, as thermas, os palacios, os templos,
etc. etc.; collocavam muitas vezes os porticos do _forum_, por detraz da
scena dos theatros, afim de que, conforme diz Vitruvio, quando
inopinadamente chovesse durante o espectaculo, o povo pudesse abrigar-se
ali.
A forma das praças, ou _fora_, era a do quadrilongo. Vitruvio affirma
que devia ter um terço em comprimento, a mais de um lado que de outro.
*Basilicas*
A palavra _basilica_, significa _casa real_: designava em Roma um
edificio sumptuoso dentro do qual os magistrados faziam justiça, por
isso a distinguiam do _forum_, onde as sessões eram celebradas ao ar
livre. As basilicas tinham tambem a fórma de um quadrilongo.