terra. Tem-se encontrado em algumas partes, posto que raramente,
terrados parallelos na direcção de Leste a Oeste, e do Norte a Sul, que
apresentam, em quanto á disposição, muita analogia com os alinhamentos
de pedras e parece terem tido o mesmo destino.
Os alinhamentos de pedras mais notaveis e mais vastos que se conhecem em
França, são os de _Karnac_, de _Ardeven_, e de _Penmarch_. Compõem-se de
mais de 1:200 pedras toscas em 11 filas parallelas com 763 toezas de
comprimento, e 47 de largura. As mais elevadas tem 18 a 20 pés, e as
mais pequenas 4 a 5. Ha entre ellas algumas de volume tão extraordinario
que lhes avaliam o pezo em 70 a 80 milheiros.
Os alinhamentos de _Ardeven_ estão dispostos regularmente em filas
parallelas, tambem na direcção do Norte para o Sul, e no espaço de 3
kilometros de extensão.
*Circulos*
Outra combinação de pedras erguidas toma a forma de circulos, que têem
sido designados pelo nome de _cromlecks_.[3]
[Figura 10: Circulo de pedras]
Os maiores d'estes circulos existem em Inglaterra; um d'elles, o vasto
circulo de Avebury, em Wiltshire, está totalmente destruido; porém ainda
houve quem o visse quasi completo por 1713; compunha-se de 660 pedras, e
achava-se situado no meio de uma planicie, ficando-lhe o terreno em
declive de todos os lados, como pode vêr-se na gravura junta.
[Figura 11: Restauração do monumento d'Avebury.]
O circulo exterior era formado de 100 pedras de 15 a 16 pés de altura,
collocadas a 27 pés umas das outras; tinha perto de 1:300 pés de
diametro, e via-se cercado de profundo fôsso, contornado exteriormente
por larga trincheira de terra.
Este grande circulo continha dois circulos mais pequenos, compostos cada
um de dois renques concentricos de _peulvans_, do qual um tinha 30
pedras, apresentando um diametro de 466 pés; e o outro 12 pedras, com o
diâmetro de 186 pés.
O monumento de Stone-Henge[4] está situado a 6 milhas de Salisbury, em
uma eminencia, na proximidade da qual se encontram muitos _tumulos_; é
composto de 4 circulos concentricos, dos quaes os dois maiores são
circulares, em quanto os outros dois mostram a forma um tanto elliptica.
[Figura 12: Vista de Stone-Henge, proximo de Salisbury]
O circulo exterior tinha quasi 97 pés de diâmetro; e compunha-se
primitivamente de 30 pedras erguidas com altura de 10 a 12 pés,
collocadas a 1 metro de distancia umas das outras; estas 30 pedras
sustentavam egual numero de impostas ou pedras collocadas
horizontalmente que se ligavam nas extremidades e formavam d'este modo
uma especie de balustrada tosca.
O segundo circulo ficava a 9 pés do precedente, era formado de 29 pedras
esguias sem impostas, e por metade da grandeza das do circulo exterior:
apenas 19 estavam erguidas haverá 38 annos.
O terceiro circulo, a 13 pés do precedente, apresentava uma illipse
tendo o pequeno eixo 52 pés, e o maior quasi 55; formado por
_trilithos_[5] de grande dimensão, o mais elevado, dos quaes tinha 22
pés de altura.
Finalmente, o circulo central tambem um pouco elliptico, compunha-se de
20 _peulvans_ com a altura de quasi 6 pés.
[Figura 13: Disposição dos renques de pedras em Stone-Henge]
Na extremidade oriental do oval, dentro do ultimo circulo, havia uma
pedra medindo 16 pés de comprimento e 4 de largura, posta em plano na
terra, e que se suppõe serviria de altar.
As pedras esguias que compunham estes quatro circulos eram quasi todas
mais largas na base que no vertice; tinham sido cravadas em cavidades
abertas em rocha de natureza graphite, e havia o cuidado de as
consolidarem calcando-as com fragmentos de pederneira em volta das
cavidades.
Um largo fôsso de 30 pés, collocado entre duas trincheiras, formava o
quinto recinto circular á roda das pedras do circulo exterior.
A Dinamarca, a Noruega e a Suecia, conteem certo numero de _cromlecks_,
quasi todos circulares ou ellipticos, apresentando geralmente uma pedra
no centro, que se suppõe ter servido de altar.[6]
Acredita-se que estes monumentos nem sempre foram usados nas ceremonias
religiosas.[7] Na infancia dos povos, os logares consagrados ao culto
deviam servir tambem para tribunal de justiça, assim como para ponto de
reunião dos conselhos patriarchaes ou de notaveis, que tratavam dos
interesses da nação, das eleições, das inaugurações, etc.
Em o Norte, os nobres reuniam-se antigamente dentro de recintos
circulares formados de pedras, para elegerem os seus principes, até a
promulgação da Bulla de Ouro pelo imperador Carlos IV, em 1356. O
circulo de pedras, no qual Eric foi proclamado rei da Suecia, existe
ainda proximo de Upsal; uma grande pedra toma o centro, como em outros
recintos d'aquelle paiz. Outrotanto se praticava na Irlanda e na
Escossia.
Taes são os principaes monumentos de pedra dos tempos prehistoricos.
Accrescentemos que o vulgo lhes attribue origens fabulosas, como obra de
um ente colossal chamado _Gargantua_; que a tradicção os tem indicado
como encerrando preciosos thesouros; abrigos de fadas, de almas do outro
mundo, e dos espiritos que as acompanham!
*Recintos formados com terra*
Estes recintos consistem em um _vallum_ de terra, ás vezes misturada de
seixos, circumdando extensões mais ou menos consideraveis e cujas formas
são mui variadas. Poder-se-hia attribuir essa especie de claustros á
outra época do que a que corresponde aos tempos prehistoricos, se não
houvesse tumulos encerrados no _vallum_, ou levantados proximo d'elles,
o que faz suppôr que serão contemporaneos.
*Architectura dos tempos prehistoricos*
Pouco sabemos acerca de qual seria a architectura anterior ao dominio
dos romanos. Presume-se porém que nas primitivas construcções
empregariam a madeira e o barro.
As habitações eram circulares, construidas com madeiras e vimes
enlaçados.
No interior faziam as divisões com terra; o telhado formavam-n'o de
ripas de carvalho ligadas com massa de argila e palha cortada, conforme
os vestigios encontrados na Gallia, na Bretanha, na Germania, em
Hespanha e Portugal.
De investigações feitas em França e na Inglaterra, conheceu-se que
muitas habitações dos celtas tinham antes a forma oval do que redonda, e
algumas vezes rectangular; mostravam alicerces de pedra secca, e muitas
eram construidas em nivel inferior ao solo que as circumdavam, quer
fosse para se resguardarem dos rigores do clima, ou quer para não darem
ás paredes altura consideravel.
Estas casas estavam em relação com a simplicidade dos costumes; deviam
ter um só andar, e apresentavam uma só abertura, que servia de porta e
janella.
Em todas a forma era egual, mas as dimensões divergiam. O numero e a
grandeza das casas deviam corresponder á cathegoria e opulencia dos
possuidores.
Os gaulezes abastados tinham sempre junto de si séquito para o qual
necessitavam de grandes habitações. Escolhiam portanto o terreno para
ellas nos bosques e perto dos rios, ou em eminencias, afim de servirem
egualmente de fortalezas para a propria defensa.
*Utensilios e instrumentos diversos*
Em época, que não podemos determinar, os nossos antepassados souberam,
que o estanho combinado com o cobre produzia uma liga mais rija e mais
pesada que estes dois metaes separados; as analyses que o celebre
mineralogista Clarke repetidas vezes fez em Inglaterra, e aquellas que
se fizeram em França, demonstraram que sobre 100 partes quasi todos os
bronzes antigos contem 12 de estanho e 88 de cobre; porém que esta
proporção não é constante, e que a quantidade de estanho ou de chumbo
combinada com o cobre, varia ás vezes desde 4 até 15 por 100.
Mr. Clarke verificou que os antigos bronzes descobertos na Grecia, no
Egypto e em algumas partes da Asia,[8] continham a mesma quantidade de
estanho (88 e 12): sendo esta a proporção necessaria para se obter o
_maximum_ de densidade resultante d'estes dois metaes.
Os machados de bronze, que tem sido encontrados em grandissimo numero em
toda a parte e que se vêem em quasi todas as collecções,[9] apresentam
entre si differenças notaveis; os typos que damos são os mais
conhecidos. Estes machados teem um olhal nos lados, e existem de
diversos tamanhos; as faces lateraes são de feitio de uma folha
lanceolada sobre o comprido, na qual se vê o vestigio da juncção das
duas peças do molde em que o instrumento foi vasado.
Em Portugal descobriu-se um muito singular, não só por suas grandes
dimensões, mas por ter _dois olhaes_, o que o torna raro no seu genero.
[Figura 14a]
[Figura 14b]
[Figura 14c]
[Figura 14d]
Estes machados deviam encavar-se de duas maneiras: n'uns, o cabo entrava
de espiga n'uma cavidade central _a_, _b_; n'outros, dar-se-lhe-hia a
forma de palmeta para entrar nos dois lados do instrumento no logar
preparado _c_; algumas vezes as bordas delgadas e salientes que formavam
a parte ôcca ficavam reviradas sobre si, por modo a formar uma especie
de calha _d_, apropriada para conservar a parte encavada.
*Moldes para machados*
Os machados de bronze foram sem duvida fundidos em moldes compostos de
duas peças symetricas, pouco mais ou menos como os que ainda hoje são
empregados na fundição das colheres de estanho.
[Figura 15: Molde aberto]
[Figura 16: Molde fechado]
É provavel que alguns d'estes moldes fossem de terra ou de pedra; porém
o maior numero dos que se conservam nos museus são de bronze, fundidos
egualmente como os machados.
O primeiro molde para machados celticos que chamou a attenção dos sabios
foi descoberto na Inglaterra em 1779. Encontraram-se depois em muitas
partes da França, principalmente na Normandia.
Estes moldes compôem-se de duas peças ôccas, que se podem juntar e unir
sem se desconcertar, por meio de uma parte saliente chamada _macho_ que
está na virola do molde de uma das peças, e se encaixa na fenda
praticada na virola da outra peça.
_Espadas de bronze_.--As espadas de bronze compõem-se de lamina e cabo
(punho). São de folhas direitas, chatas, mas reforçadas no centro da
lamina, e ás vezes ainda com bojo no espaço comprehendido nos dois
terços da folha. Cortam dos dois lados e tem ponta aguda.
A largura de lamina quasi sempre é de pollegada e meia ou duas
pollegadas na parte mais larga, sendo a sua maior grossura de um quarto
de pollegada.
No punho ainda algumas tem os pregos de bronze que haviam servido para
segurar a guarnição.
As espadas eram tambem fundidas, e o metal identico ao empregado nos
machados.
[Figura 17]
_Punhaes de bronze_.--Estas armas parecem-se com as espadas, exceptuando
a lamina que é mais curta. O comprimento de alguns é de 10 a 14
pollegadas, e a largura da folha de 2 a 21/2 pollegadas na base.
_Pontas de lança_.--Juntamente com as armas que descrevemos,
encontram-se de vez em quando pontas de lanças e objectos que foram
considerados como especies de virolas ou ferragens para guarnecer a
parte inferior da hastea.
_Rodeias ou collares (torques)_.--Affirmam alguns historiadores que os
gaulezes traziam collares ou _torques_, como tambem braceletes e argolas
nos braços.
[Figura 18]
O collar era egualmente usado pelos gregos e romanos, e outros povos;
talvez não haja outro ornamento de uso mais antigo, nem mais geral.
Deve-se distinguir entre os _torques_; em primeiro logar, os que são
formados de muitas peças encadeadas e enfiadas em especie de rosarios de
perolas grossas de ambar, de azeviche, de vidro colorido, etc., como se
encontraram dentro de alguns _tumulos_; e depois as cadeias, cujos elos
são de ouro ou bronze. Em segundo logar, os _torques_, compostos de uma
unica peça de metal (ouro, bronze, etc.) arqueada de maneira a formar
circulo do diametro mais ou menos consideravel, e muitas vezes com
lavores. Em muitos _torques_ as duas extremidades da peça metalica não
estão soldadas, porém o metal offerece bastante flexibilidade para
facilitar mettel-as nos punhos, podendo-se unir ou abrir,
independentemente do fecho; outros _torques_ não apresentam nenhuma
d'estas formas.
[Figura 19]
Appareceram tambem chapas de ouro bastante delgadas com feitio de
meias-luas, porém cujas pontas estavam arqueadas de modo a formarem
circulo quasi perfeito. Vêem-se, aos lados e nas extremidades de algumas
d'estas peças, festões e molduras.
[Figura 20]
O pequeno intervallo que separa as duas pontas do crescente não nos faz
suppôr que este enfeite servisse para se trazer em volta do collo;
provavelmente ficava suspenso por uma corrente.
Alguns instrumentos achados por varias vezes nos sepulchros, ou junto
dos dolmens, em França e mais frequentemente na Irlanda, consistiam em
hastea de ouro arqueada tendo nas duas extremidades um disco, em alguns
chato, em outros levemente concavo.
[Figura 21]
Ignora-se absolutamente para que uso seriam destinados.
Finalmente, o objecto seguinte, uma especie de _gargantilha_ formada de
uma folha de ouro mui delgada, foi achado em França em diversas
localidades.
[Figura 22: Collar de ouro descoberto em França]
As _moedas_ chamadas _celticas_ são provavelmente em parte
contemporaneas dos ornamentos ou enfeites que descrevemos acima.
*Objectos de barro*
São tanto mais difficeis de se distinguirem os _objectos de barro
celticos_, com excepção dos que se tem encontrado nos _tumulos_, quanto
em algumas partes estão muitas vezes misturados com outros similhantes
aos do tempo dos romanos; visto que os mesmos sitios foram habitados
antes e depois da conquista de Cezar na Peninsula.
[Figura 23]
Os objectos de barro descobertos nos _tumulos_, são formados de terra
preta, mal preparada e com pequenos seixos, o que produziu massa pouco
solida. Os seus fragmentos são frageis, e não foram cozidos
sufficientemente; a parte quebrada não mostra arestas vivas, mas sempre
cheias de cavidades. As superficies d'essas peças, tanto na parte
interna, como na externa, tem côr quasi egual á do ferro ferrugento;
porém na parte interna é de negro carregado. Expostas á acção do lume
tomam exteriormente a côr avermelhada do tijolo; em quanto no interior
ficam negras, e mais frageis depois d'esta operação.
[Figura 24: Vasos achados nos tumulos de Inglaterra, Hollanda e outros
paizes]
Esses vasos não parece terem sido feitos com auxilio do torno, e não
apresentam nenhum moldado ou borda; foram unicamente alisados na parte
exterior com um objecto qualquer, que lhes deu lustro irregularmente, de
maneira que mostram na superficie altos e baixos, mais ou menos lisos,
conforme vai indicado na gravura junta.
Os que foram encontrados nas cidades _lacustras_, mostram inteira
similhança e caracter no fabrico. A massa não está solidamente ligada,
por ter algumas partes de pederneira; a côr é preta ou cinzento escuro.
Esta massa tem pouca consistencia; quando está secca quebra-se
facilmente, e pode-se desfazer entre os dedos; se a molharmos,
dar-nos-ha a apparencia de bocados de cortiça velha que estivesse por
muito tempo exposta á chuva. As suas formas indicam a infancia da arte,
excepto os fragmentos onde se descobre o uso do torno; os demais
pertenceram a objectos que parece foram vasados em moldes e polidos á
mão, ou lavrados com algum instrumento. Reconhece-se na superficie
exterior de alguns fragmentos o trabalho de uma especie de plaina. Os
ornamentos compôem-se de filetes imperfeitos, e em pequenos riscos junto
á borda do orificio.
[Figura 25: Outros vasos achados nos tumulos]
Entre os objectos de arte que enumeramos, só vemos os instrumentos cuja
materia unicamente podia resistir á acção do tempo; os moveis de madeira
que teriam as habitações gaulezas não conseguiram chegar até os nossos
dias. Os lagos de certo conservaram-nos muitos objectos, e até pedaços
de tecidos que recentemente nos esclareceram alguns pontos relativos á
industria d'esses povos, antes da occupação do territorio da Gallia
pelos romanos, porém são ainda dados incompletos para se formar cabal
idéa do estado da industria.
Terminamos este rapido esboço, apresentando o quadro synoptico das
antiguidades que servem de assumpto ao primeiro capitulo.
*MAPPA SYNOPTICO DAS ANTIGUIDADES PREHISTORICAS*
+-----------------------------------+---------------------------------------+
| | |
| *Nomes especificos* | *Caracteres* |
| | |
| | |
| {conicos |Outeirinhos artificiaes de forma, e |
|_Tumulos_ { |de dimensões differentes, compostos de |
| {ovaes |pedra e de terra, com _dolmens_ no |
| |centro. |
| | |
| {erguidas |De forma esguia. Firmadas verticalmente|
| { |na terra como se fossem marcos. |
|_Pedras_ { | |
| {assentes |De forma indeterminada. Simplesmente |
| { |collocadas sobre o solo sem estarem |
| |cravadas no chão. |
| | |
|_Trilithos_ |Duas pedras verticaes sustendo outra |
| |horisontalmente. |
| { | |
| {simples |Uma mesa de pedra collocada sobre |
| { |pedras postas de cutello, em numero |
| { |de 3, 4 ou 6. |
|_Dolmens_ { | |
| {compostos |Grande mesa de pedra composta de |
| { |muitos pedaços, sendo, pelo menos, 6 o |
| { |numero dos pontos de apoio. |
| | |
| |_Nota_. Os mais collossaes d'estes |
| |dolmens formam galeria ficando abertos |
| |n'uma das extremidades; costumam ser |
| |designados de _avenidas cobertas_. |
| | |
| {simples |Um ou dois renques de pedras em linha |
| { |recta. |
|_Alinhamentos_ { | |
| {compostos |Quatro, cinco e algumas vezes até onze |
| { |ou doze renques de pedras formando |
| { |avenidas parallelas. |
| | |
|_Pedras postas em grupo_ |Accumulação de pedras, sem ordem, |
| |mais ou menos consideravel. |
| | |
| {simples |Composto d'um só renque de pedras |
|_Circulos formados { |cravadas ou assentes. |
|com pedras_ {compostos | |
| { |Formados de muitos renques de pedras. |
| | |
|_Recintos cercados de terra, ou de |De diversas formas. |
|pedras_. | |
| | |
| H { | |
| A { Vestigios de casas |Logar de cabanas redondas, ovaes, |
|L B { |algumas vezes rectangulares, indicadas |
|O I { |por alicerces de pedra tosca sem |
|G D T { |argamassa ou tão sómente pelo |
|A E A { |abaixamento do solo. |
|R Ç { | |
|E Õ { Subterraneas |Galerias e casas cortadas na rocha. |
|S E { |Excavações diversas. |
| S { | |
| | |
| { { Punhaes e facas |Um pedaço de silex cortado de maneira |
| { { |a apresentar uma folha aguda, com dois |
| { { |gumes, e armado d'um cabo. |
| { { |Folha de silex sem cabo. |
| { { | |
| { { { para frechas|Pequenos dardos, dos quaes o |
| { { { |comprimento varia desde meia pollegada |
| { E { _Pontas_ { |até duas |
| { { { | |
| I { M { {para rojões |Dardos quasi similhantes aos |
| N { { { |precedentes, porem mais sobre o |
| S { { { |comprido. |
| T { { | |
| R { P { Martellos |Peça quer redonda dos dois lados, quer |
| U { E { |d'um lado sómente. |
| M { D { | |
| E { R { Pedras para fundas |Redondas ou ovoides, de 2 a 3 polegadas|
| N { A { |de diametro. |
| T { { | |
| O { { Machados |Convexos para o centro, cortados em |
| S { { |aresta viva nos bordos, acabando de um |
| { { |lado em ponta romba, e de outro em |
| { { |gume, o qual descreve uma porção de |
| { { |ellipse. |
| D { | |
| I { { Machados |De formas diversas similhando-se mais |
| V { { |ou menos a uma cunha. |
| E { { | |
| R { E { Fôrmas para machados |São duas peças symetricas, que depois |
| S { M { |de reunidas a parte ôcca mostra o |
| O { { |feitio do machado. |
| S { { | |
| { B { Espadas |Folhas direitas, chatas, de dois gumes,|
| { R { |acabando em ponta. |
| { O { | |
| { N { Punhaes |Quasi similhante ás espadas na forma, |
| { Z { |porém com menor comprimento. |
| { E { | |
| { { Cabeças de rojões |De forma lanceolada tendo um |
| { { |engrossamento no meio. |
| | |
| { compostas de peças |Correntes metallicas.--Perolas de pedra|
| { |de côr-alambre, formando rosario. |
|_Torques_{ | |
| { de uma só peça |Argolas metallicas mais ou menos |
| { |grossas muitas vezes com |
| { |lavrados.--Chapas do feitio de meia |
| { |lua. |
| | |
|Ornamentos diversos |Em bronze e em ouro, com lavrados. |
| | |
|Louça de barro |Muito fragil, mal cozida, composta de |
| |terra preta mal preparada e cheia de |
| |pequeninos seixos. |
| | |
|Moedas |Em ouro, em prata e em bronze. |
+-----------------------------------+---------------------------------------+
CAPITULO II
*Era gallo-romana*
Entreapparece-nos um dos mais amplos horisontes da historia dos povos
occidentaes na conquista do imperador romano Cesar. Nos _Commentarios_
d'este grande general temos perfeita idéa do estado da Gallia na época
da conquista; conhecem-se tanto os grandes factos que consumou, quanto
se inferem as consequencias que d'elles advieram á civilisação.
Cesar encontrou a Gallia dividida em tres nações principaes: os Belgas,
os Celtas e os Aquitanios.
O imperador Augusto, que pretendeu organisar o governo regular nos
paizes conquistados, formou tres novas provincias d'essas tres regiões.
Segundo esta divisão, foram desannexados e encorporados na Aquitania 14
povos da Celtica; além de dois que passaram do Norte para a Belgica.
Assim ficou modificado o territorio dos primitivos povos d'esta parte da
Europa.
*Vias de communicação*
Começaremos a nossa revista dos monumentos da grande época romana,
descrevendo as vias publicas ou as grandes estradas; tanto mais que
foram as primeiras obras que o povo rei executou e de que nos deixou
vestigios.
As cidades e as estancias eram accessiveis por meio de estradas solidas,
ou calçadas. Nos intervallos que separavam estes estabelecimentos uns
dos outros, é que principalmente se encontravam vestigios das vias
romanas. Seguiam em geral linhas rectas, excepto quando obstaculos
naturaes, como as montanhas, os barrancos profundos, as lagôas, se
oppunham a isso, e prolongavam-se tanto quanto possivel nas planicies,
afim de evitar os terrenos pantanosos.
Além das estradas principaes, que communicavam uma cidade com outra,
havia os caminhos vicinaes, _viae vicinales_, que conduziam ás aldeias,
e estabeleciam relações entre estas e as cidades. Não eram alinhados
como as primeiras, nem feitos com egual esmero.
Nas estradas mais bem executadas, a primeira camada, ou a mais funda,
compunha-se de pedras collocadas em raso, ás vezes assentes com
argamassa, mas em geral postas simplesmente umas sobre as outras: era o
que chamavam _statumen_. Em algumas vias, as pedras do _statumen_ eram
postas de cutello e com inclinação, como explicaremos quando fallarmos
das paredes construidas em espinha de peixe.
A largura ordinaria das vias romanas era de 15 a 20 pés. As bordas das
partes alteadas não se conservam em muitas localidades; arruinaram-se
por modo que não apresentam hoje sufficiente largura para um carro poder
passar; e em certos pontos aproximam-se mais de um fôsso, que de uma
estrada.
Os caminhos romanos atravessavam os rios sobre pontes, e vaus calçados.
Em grande numero de localidades, encontram-se os alicerces das pontes,
ou dos vaus, debaixo da agua, seguindo a directriz das antigas vias. Em
certos casos o trilho era estabelecido sobre travessas de madeira.
_Columnas itinerarias_.--Os caminhos romanos eram divididos por marcos
situados em espaços regulares, e com inscripções que indicavam o numero
de leguas ou de milhas, comprehendido entre as diversas povoações.
As capitaes serviam de ponto central para marcar as distancias em todo o
territorio.
_Os marcos milliares_ tinham 5 a 6 pés de altura; eram de fórma
cylindrica; chamavam-se milliares, _milliaria_, ou simplesmente
_lapidas_.
D'aqui provem as phrases tão frequentes nos auctores antigos, _ad
primum_, _secundum_, _tertium lapidem_, a primeira, a segunda e a
terceira pedra, ou só _ad primum_, _secundum_, _tertium_, etc. ficando
subentendido _lapidem_ ou _milliarium_.
A segunda camada, chamada _ruderatio_, era formada de pedras britadas de
dimensão menor que as anteriores.
A terceira camada, _nucleus_, compunha-se, ora de cal misturada com
fragmentos de telha pisados, ora de areia misturada com argila.
[Figura 26: Columna milliar que existe em França]
Seixos inteiros, apertados uns contra os outros, ou postos simplesmente
em leito de areia grossa, _glarea_, formavam a quarta e ultima camada,
chamada _summa crusta_.
Era excepcionalmente nas cidades, aldeias ou nos paizes pantanosos, que
formavam a _summa crusta_ com calçada de pedras cubicas ou polygonaes
irregulares.
Em geral, serviam-se para estes trabalhos dos materiaes que encontravam
na localidade, ou a pequena distancia; sómente os mandavam buscar mais
longe quando eram de má qualidade no terreno das obras.