V.

Terra infame!--de servos aprisco,

Mais chamar-me teu filho não sei:

Desterrado, mendigo serei;

De outra terra meus ossos serão!

Mas a escravo, que pugna por ferros,

Que herdará só maldicta memoria,

Renegando da terra sem gloria,

Nunca mais darei nome de irmão!

Largo o mundo ahi 'stá ante o livre;

Que este mundo é a patria do forte:

Sobre os plainos gelados do norte,

Luz do sol tambem mana do céu:

Tambem lá se erguem montes, e o prado

De boninas, em maio, se veste;

Tambem lá se menêa um cypreste

Sobre o corpo que á terra desceu!

Que me importa o carvalho da encosta?

Que me importa da fonte o ruido?

Que me importa o saudoso gemido

Da rollinha sedenta de amor?

Que me importam outeiros cubertos

Da verdura da vinha, no estio?

Que me importa o remanso do rio,

E, na calma, da selva o frescor?

Que me importa o perfume dos campos,

Quando passa de tarde a bafagem,

Que se embebe, na sua passagem,

Na fragrancia da flor do alecrim?

Que me importa? Pergunta do inferno!

É meu berço!--A minh'alma está lá!

Que me importa?.... esta boca o dirá?!

Maldicção, maldicção sobre mim!

Combatamos!--O ferro se cruze,

Assobie o pelouro nos ares;

Estes campos convertam-se em mares,

Onde o sangue se possa beber!

Larga a valla!--que, apoz a peleja,

Nós e elles seremos unidos!

Lá, vingados, e do odio esquecidos,

Paz faremos.... depois do morrer!

A Harpa do Crente Tentativas poeticas pelo auctor da Voz do Propheta · 第 73 / 76 题