Terra infame!--de servos aprisco,
Mais chamar-me teu filho não sei:
Desterrado, mendigo serei;
De outra terra meus ossos serão!
Mas a escravo, que pugna por ferros,
Que herdará só maldicta memoria,
Renegando da terra sem gloria,
Nunca mais darei nome de irmão!
Largo o mundo ahi 'stá ante o livre;
Que este mundo é a patria do forte:
Sobre os plainos gelados do norte,
Luz do sol tambem mana do céu:
Tambem lá se erguem montes, e o prado
De boninas, em maio, se veste;
Tambem lá se menêa um cypreste
Sobre o corpo que á terra desceu!
Que me importa o carvalho da encosta?
Que me importa da fonte o ruido?
Que me importa o saudoso gemido
Da rollinha sedenta de amor?
Que me importam outeiros cubertos
Da verdura da vinha, no estio?
Que me importa o remanso do rio,
E, na calma, da selva o frescor?
Que me importa o perfume dos campos,
Quando passa de tarde a bafagem,
Que se embebe, na sua passagem,
Na fragrancia da flor do alecrim?
Que me importa? Pergunta do inferno!
É meu berço!--A minh'alma está lá!
Que me importa?.... esta boca o dirá?!
Maldicção, maldicção sobre mim!
Combatamos!--O ferro se cruze,
Assobie o pelouro nos ares;
Estes campos convertam-se em mares,
Onde o sangue se possa beber!
Larga a valla!--que, apoz a peleja,
Nós e elles seremos unidos!
Lá, vingados, e do odio esquecidos,
Paz faremos.... depois do morrer!