E a balla sibillando,
E o trom da artilharia,
E a tuba clamorosa,
Que os peitos accendia;
E as ameaças torvas,
E os gritos de furor,
E desses, que expiravam,
Som cavo de estertor;
E as pragas do vencido,
Do vencedor o insulto,
E a palidez do morto,
Nu, sanguento, insepulto,
Eram um cháos de dores,
Em convulsão horrivel,
Sonho de accesa febre,
Scena tremenda e incrivel!
E suspirei:--nos olhos
Me borbulhava o pranto;
E a dor, que trasbordava,
Pediu-me infernal canto.
Oh, sim!--maldisse o instante,
Em que buscar viera,
Por entre as tempestades,
A terra em que nascêra.
Que é, em fraternas lides,
Um canto de victoria?
É um prazer mesquinho;
É triumphar sem gloria.
Maldicto era o triumpho,
Que rodeava o horror,
Que me tingia tudo
De sanguinosa côr!
Então olhei saudoso
Para o sonoro mar;
Da nau do vagabundo
Meigo me riu o arfar.
De desespero um brado
Soltou, impio, o poeta.
Perdão!--chegára o misero
Da desventura á meta.