IV.

E a balla sibillando,

E o trom da artilharia,

E a tuba clamorosa,

Que os peitos accendia;

E as ameaças torvas,

E os gritos de furor,

E desses, que expiravam,

Som cavo de estertor;

E as pragas do vencido,

Do vencedor o insulto,

E a palidez do morto,

Nu, sanguento, insepulto,

Eram um cháos de dores,

Em convulsão horrivel,

Sonho de accesa febre,

Scena tremenda e incrivel!

E suspirei:--nos olhos

Me borbulhava o pranto;

E a dor, que trasbordava,

Pediu-me infernal canto.

Oh, sim!--maldisse o instante,

Em que buscar viera,

Por entre as tempestades,

A terra em que nascêra.

Que é, em fraternas lides,

Um canto de victoria?

É um prazer mesquinho;

É triumphar sem gloria.

Maldicto era o triumpho,

Que rodeava o horror,

Que me tingia tudo

De sanguinosa côr!

Então olhei saudoso

Para o sonoro mar;

Da nau do vagabundo

Meigo me riu o arfar.

De desespero um brado

Soltou, impio, o poeta.

Perdão!--chegára o misero

Da desventura á meta.

A Harpa do Crente Tentativas poeticas pelo auctor da Voz do Propheta · 第 72 / 76 题