Bem abundante messe
De pranto, e de saudade,
O foragido errante
Colhe na soledade!
Para o que a patria perde
É o universo mudo;
Nada lhe ri na vida;
Móra o fastio em tudo;
No meio das procellas;
Na calma do oceano;
No sopro do galerno,
Que enfuna o largo panno;
E no entestar co'a terra
Por abrigado esteiro;
E no pousar á sombra
Do tecto do estrangeiro.
E essas memorias tristes
Minha alma laceraram;
E a senda da existencia
Bem agra me tornaram:
Porém nem sempre ferreo
Foi meu destino escuro;
Sulcou de luz um raio
As trévas do futuro:
Do meu paiz querido
A praia ainda beijei;
E o velho castanheiro
No valle ainda abracei!
Nesta alma regelada
Surgiu ainda o goso;
E um sonho lhe sorriu
Fugaz, mas amoroso.
Oh, foi sonho da infancia
Desse momento o sonho!
Paz e esperança vinham
Ao coração tristonho.
Mas o sonhar que monta
Se passa, e não conforta?
Minh'alma deu em terra,
Como se fosse morta,
Foi a esperança nuvem,
Que o vento some á tarde.
Facho de guerra acceso
Em labaredas arde!
Do fratricidio a luva
Irmão a irmão lançára;
E o grito: _ai do vencido!_
Nos montes retumbára.
As armas se hão cruzado:
O pó mordeu o forte:
Caiu: dorme tranquillo:
Deu-lhe repouso a morte.
Ao menos, nestes campos
Sepulchro conquistou;
E o adro do estrangeiro
Seus ossos não tragou.
Elle herdará, ao menos,
Aos seus honrado nome:
Paga de curta vida
Ser-lhe-ha largo renome.