Mas troa a voz do monge, e no meu seio
O coração bateu. Eia, retumbem
Pela abobada aguda os sons dos psalmos,
Que em dia de afflicção ignoto vate
Teceu, banhado em dôr: talvez foi elle
O primeiro cantor que em varias cordas,
Á sombra das palmeiras da Idumea,
Soube entoar melodioso um hymno.
Deus inspirava então os trovadores
Do seu povo querido, e a Palestina,
Rica dos meigos dons da natureza,
Tinha o sceptro tambem do enthusiasmo.
Virgem o genio ainda, o estro puro
Louvava Deus somente, á luz da aurora,
E ao esconder-se o sol entre as montanhas
De Bethoron:--agora o genio é morto
Para o Senhor, e os cantos dissolutos
Do lodoso folguedo os ares rompem,
Ou sussurram por paços de tyrannos,
Assellados de putrida lisonja,
Por preço vil, como o cantor que os tece.