IX.

_O Psalmo._

Quanto é grande o meu Deus!... Té onde chega

O seu poder immenso!

Elle abaixou os ceus, desceu, calcando

Um nevoeiro denso.

Dos cherubins nas azas radiosas

Sentado elle voou:

E sobre turbilhões de rijo vento

O mundo rodeou.

Se lança á terra o olhar, a terra treme,

E os mares assustados

Bramem ao longe, e os montes lançam fumo,

Da sua mão tocados.

Se pensou no Universo, ei-lo patente

Todo perante o Eterno:

Se o quiz, o firmamento os seios abre,

Abre os seios o inferno.

Dos olhos do Senhor, homem, se podes,

Esconde-te um momento:

Vê onde encontrarás logar que fique

Da sua vista isento:

Sobe aos ceus, transpõe mares, busca o abysmo,

Lá teu Deus has-de achar;

Elle te guiará, e a dextra sua

Lá te ha-de sustentar:

Desce á sombra da noite, e no seu manto

Involver-te procura;

Mas as trévas para elle não são trévas;

Nem é a noite escura.

No dia do furor, em vão buscáras

Fugir ante o Deus forte,

Quando do arco tremendo, irado, impelle

Setta em que pousa a morte.

Mas o que o teme dormirá tranquillo

No dia extremo seu,

Quando na campa se rasgar da vida

Das illusões o véu.

A Harpa do Crente Tentativas poeticas pelo auctor da Voz do Propheta · 第 24 / 76 题