A face oeste do lago toca o muro, que forma um grande paralelogramo de
30 metros de largo, emoldurado numa tarja longa de azulejo de relevo,
reparado posteriormente com azulejo de igual desenho, mas de superfície
lisa (n.ᵒ 2).
Dentro deste quadro é a entrada da água, que vem pela boca de um
golfinho, tendo por cima um edículo, em que esteve um Tritão. Há mais
dois nichos igualmente ermos; por debaixo do que fica mais ao sul, numa
lápide, lê-se: «_Tempora labuntur more fluentis agua_». Na lápide que do
outro lado lhe corresponde: «_Visite victuri moneo omnibus instat_».
Estes nichos ficam entre quatro grandes medalhões circulares, decerto
os melhores da famosa coleção. São de alto relevo, apresentam bustos de
tamanho quase natural, vistos até mais de meio peito. Os medalhões medem
de diâmetro 0,54m só por si, e com as cercaduras 0,78m.
Estas cercaduras são em forma de corça, tecida de folhagem, flores e
frutos.
A primeira, terceira e quarta parece terem sido menos boas e estão muito
mutiladas. Da segunda tratarei em separado.
São, sem dúvida, da escola dos Della Robbia, notando-se variantes na cor
dos fundos.
Andrea della Robbia foi quase constante na cor azul dos seus fundos,
sendo este um característico das suas composições. Giovanni variou na cor
dos fundos e usou mais desenvolvidamente a policromia.
Além das mutilações, uma velha camada de musgos cobre especialmente as
partes cavadas das figuras.
Vou descrevê-los, começando da _casa da pena_:
1.º Busto de homem com pouca barba, parecendo um mancebo que entra na
puberdade, tem cabelo comprido puxado para trás das orelhas. Tem coroa de
louro. A imagem é bem modelada, olha à esquerda. Não foi (ao que parece)
colorida, nem é esmaltada. O medalhão é de barro vermelho, a moldura de
grés amarelado e brando.
2.º Está em quase perfeito estado de conservação, sem deixar de ser
tocado por alguns tiros de pedra. Medalhão circular, medindo, como os
demais, 1,54 e com a cercadura 0,78 de diâmetro. Relevo alto, fundo
arroxeado, busto de mulher como que mirando as águas. O peito está todo
a descoberto, apenas um manto de tecido ligeiro, que se traça debaixo do
braço direito, vem prender-se sobre o ombro esquerdo. Este manto é de um
roxo quase transparente. O cabelo louro, entrançado na parte anterior,
cai em madeixas nos ombros até ao peito. Um véu, ou coisa assim de tecido
leve, azul muito claro, nascendo da testa, aonde tem um pingente, segue
pelo meio do penteado, até envolver-lhe de todo a parte de trás; género
de toucado de fantasia. A carnação é clara, as faces rosadas, olhos e
supercílios negros. Tipo italiano. O esmalte de toda a figura é nítido e
transparente.
A moldura, coberta de musgo, tem mutilações, ainda que pouco importantes.
A sua composição é de folhagem e frutos policrómicos esmaltados. Os
frutos, começando do lugar onde os relógios de torre marcam o meio-dia,
são: 2 pepinos, 1 nabo, 2 marmelos, 1 romã, 1 pera, 1 cidra, 2 cachos
de uva branca, 1 nabo, 1 marmelo, 1 cidra, 2 cachos de uva tinta. Este
círculo engrinaldado é de grés e feito de peças unidas ao assentamento.
Se aproximarmos esta moldura dos desenhos de outras das oficinas dos
Della Robbia, não pode deixar de encontrar-se-lhes grandes semilhanças.
Um medalhão da academia das belas artes de Florença, atribuído a Andrea,
tem uma cercadura muito parecida. No hospital de Ceppo em Pistoia há um
medalhão da oficina de Giovanni, cujas molduras também muito se aproximam
desta, ainda que de mais desenvolvidas proporções (1,32m).
3.º Medalhão circular, das dimensões do precedente. Moldura muito
mutilada. Busto de mulher. Olha à direita. Toucado flutuante. Manto preso
sobre o ombro direito, deixando a descoberto o peito esquerdo. Não é
esmaltado. Se foi colorido, o tempo destruiu-lhe as tintas. A moldura de
folhagem e frutos engrinaldados é policrómica esmaltada, na máxima parte
destruída.
4.º Medalhão como os anteriores no tamanho e moldura. A figura, a que
falta a cabeça, era de homem. É policromo esmaltado.