Nossos votos são carta e rainha;
Nosso guia quem ambas nos deu;
Defendemos a causa do mundo;
É por nós a justiça do ceu.
appareceu azul o sol, velado por tons de anil, pondo em tudo reflexos
ceruleos, casando se ás côres da nova bandeira azul e branca, as côres
do laço liberal de Vinte, o branco da espuma da onda, o puro azul do
ceu de Portugal.
Fez-se ao largo temerariamente, em velhos transportes comboiados por
uma esquadrilha, esse punhado de homens, cerca de sete mil e
quinhentos, o numero que a tradicção para sempre fixou, n'uma
commovida gratidão.
Realisava-se emfim o longo sonho do exilio, e, ao saltarem no
Mindello, prostravam-se os expatriados, beijando o querido solo, cujas
poças de sangue reflectiam as rubras tintas d'uma nova aurora.
Apertando convulsos as armas fraticidas, com que eram forçados a
apoiar os gritos de liberdade, os votos de egualdade e fraternisação,
pediam novas forças a essa terra que ainda defenderiam cobrindo-a com
o retalho do seu corpo, osculando a na crispação da ultima agonia;
sentiam-se felizes ao tocarem-a, embora para morrerem n'ella,
ameaçados por oitenta mil soldados, e pelo fanatismo catholico mantido
por frades e jesuitas entre as populações a libertar.
Na patria ensanguentada, apunhalada pelos pés das forcas, oscilavam
garrotados, como pendulos sinistros, marcando á tyrannia a hora fatal.