Foi-se fechar no mais alto
Da tôrre de Valderey:
—‘Não quero comer do pão,
Nem do vinho beberei;
‘Minhas barbas e cabellos
Tambem mais os não farei,
Que ésta verdade não saiba
D’aqui me não tirarei.’
Verdes parras d’essa vinha,
Uvas que eu não comerei,
Ficae-vos sêccas embora,
Que eu já’gora—morrerei.
X
Por tres dias e tres noites
Que se guarda aquella lei;
Clama a triste da condessa:
—‘Ao seu mal que lhe farei!’
De quem foi ella valer-se?
Agora vo-lo direi.
Foi lastimar-se a innocente...
Onde iria?—ao proprio rei.
—‘Ide, condessa, ide embora,
Que eu remedio lhe darei;
O segredo do seu mal
Sei-o eu... Se o saberei?
‘Palavra de cavalleiro
Em lealdade vos darei,
Que ou elle hade ser quem era,
Ou eu, quem sou, não serei.’
As verdes parras da vinha,
As uvas que eu cubicei,
Ellas a travar-me n’alma...
E mais d’ellas não provei!