Chega o conde á sua tôrre,
O conde de Valderey,
Topou n’um chapim bordado...
Como ficou não direi.
Vai-se ao quarto da condessa:
—‘Morrerá, mattá-la-hei.’
Viu-a dormir tão serena:
—‘Jesus! não sei que farei!’
Corre a casa ao derredor:
—‘Deus me tenha em sua lei,
Que ou ésta mulher é bruxa
Ou eu c’o chapim sonhei!
‘O chapim aqui o tenho,
O chapim bem n’o topei...
Mas que durma assim tão manso
Quem tal fez, não n’o crerei.’
Entrou a scismar n’aquillo:
—‘Valha-me Deus! que farei?
Por menos fica homem doudo;
E eu como o não ficarei?’
Minha vinha tão guardada!
Uvas que n’ella deixei
Não é fructa que se conte...
Da que me falta não sei.’