VI

—‘Filha, filha... a ésta hora!

Que succedeu?... que tens tu?’

Callada Adozinda chora.

—‘Ai, não, não me chameis filha!’

Rompe em fim, a soluçar,

Nadando n’um mar de pranto.

Pasmo, terror, maravilha,

Susto, medo, horror, espanto

No peito da triste Auzenda

Em confusão estupenda

De tropel foram quebrar.

—Que será?—E esse tyranno

De todo o socêgo humano,

_Dúvida_, o monstro fatal,

Que até nos deixa a esperança

Paraque do incerto mal

Seja maior a pujança,

Venha mais fino o punhal

Quando n’alma se nos crava,

Esse do peito lhe trava,

E ao cruel padecimento

Dobra angústias e tormento.

Romanceiro I: Romances da Renascença · 第 49 / 209 题