Mas ja despontava o dia,
Que tam alegre hoje vem,
Tam risonho parecia,
Que não dissera ninguem
Senão que traz alegria:
—E tantas, tam negras mágoas,
Nunca as trouxe o sol nascente
Desde que assoma no oriente
E se sepulta nas aguas.
Toda a noite longa, immensa,
Auzenda velou chorando,
De suas lagrymas regando
O leito viuvo e só;
A ninguem sua dor intensa
A desgraçada confia:
Ninguem da triste houve dó,
Que do espôso em companhia
Todo o castello a julgou.
Porêm a noite passou,
E porfim, do novo dia
Ja o alvor vinha raiando,
Sem apparecer Sisnando.
V
É manhan;—tenue inda a luz,
Mas ve-se que é madrugada.
Auzenda ainda acordada
Sente abrirem-lhe com tento
A porta do aposento,
E entrar...—‘Será elle?... Oh vem!
És tu, suspirado espôso?!
Disse ella em timida voz:
Não lhe responde ninguem.
Um suspiro doloroso
Lhe dissipou a illusão.
Oh! quem se hade inganar
Com aquelle suspirar!
É Adozinda,—voaram
Do maternal coração
Toda a mágoa e dissabores;
E os sentidos que ficaram
Foi para amargar as dores
Que n’aquelle _ai_ a assaltaram.