Remissa e vagarosa, porém, vae a instrucção por esta boa terra de
Portugal; e ai de nós se não se attende a este grave mal com promptos
remedios, ai de nós, por que um povo que possue a liberdade sem
instrucção, que só o póde n'ella iniciar e nos sagrados direitos em que
se resolve, a custo poderá conserval-a, e o que é mais, conserval-a sem
abusar.
Saidos apenas d'um baptismo de sangue, em que nos foi mister mergulhar
para grangear uma alma nova, para reconquistar a austera mãe dos
povos, a liberdade, conservamos ainda vestigios cruentos, reminiscencias
odiosas d'essa lucta fratricida, bem que em prol da patria; e é só a
instrução que nos póde lavar da fronte as manchas do sangue de nossos
irmãos, e conduzir-nos a bom fim.
Qual é pois a causa da ignorancia--indigna do seculo--em que vegeta todo
o nosso povo e grande parte da burguezia? Porque não é só o proletario,
é tambem a classe media em grande escala, que não cura de seus direitos
e liberdades, considerando-os, indifferente, como uma invenção do
seculo, e desconhecendo que só elles são as garantias unicas e
segurissimas da sua individualidade e progresso.
A causa não está na escassez de livros populares, que alguns temos nós e
de elevado merito; nem mesmo na indifferença do povo portuguez, que
sabido tem elle mostrar o como zela seus direitos, uma vez compenetrado
por elles. A resposta já de ha muito a deu um grande homem e um grande
Portuguez, quando se lastimava de que possuindo nós ainda todos os
elementos d'uma grande ventura, só nos faltasse um _a vontade dos que
podem_.