Senhor! Tu que me consentiste a graça de escutar a voz bendita com que
no outono as urzes roxas vem a libertar-nos das dores de embriaguez
obcecada que pôs sua ambição em querer muito, em vez de a consagrar
à fortaleza de se sujeitar à lei que em teu mistério deste ao universo,
não permitas, Senhor, que eu desfaleça! Enquanto a minha jornada não
findar, que eu não deixe jamais de te escutar no canto benfazejo das
urzes roxas, monjas do outono!
Possa eu beber com elas no seu cálice a suave resignação da sua pobreza,
seu valoroso animo que afronta, cantando e derramando suavidade,
pressentimentos que aos demais oprimem, esse cair da noite do inverno,
seus flagelos, suas privações, o gelo, a morte, todo o seu cortejo de
crueldades sem fim, inexoráveis!