II

Senhor! Tu que me consentiste a graça de escutar a voz bendita com que

no outono as urzes roxas vem a libertar-nos das dores de embriaguez

obcecada que pôs sua ambição em querer muito, em vez de a consagrar

à fortaleza de se sujeitar à lei que em teu mistério deste ao universo,

não permitas, Senhor, que eu desfaleça! Enquanto a minha jornada não

findar, que eu não deixe jamais de te escutar no canto benfazejo das

urzes roxas, monjas do outono!

Possa eu beber com elas no seu cálice a suave resignação da sua pobreza,

seu valoroso animo que afronta, cantando e derramando suavidade,

pressentimentos que aos demais oprimem, esse cair da noite do inverno,

seus flagelos, suas privações, o gelo, a morte, todo o seu cortejo de

crueldades sem fim, inexoráveis!

Rogações de Eremita · 第 69 / 111 题