Que estranha aberração induziu o homem a negar a robusta caridade,
comum, vulgar, no peito inconsciente?!... Que estranha perversão o fez
acrescentar à indigência a crueldade, torturando, somente por lhes
sentir as agonias, aquelas mesmas vidas que criou, carne da sua carne,
almas da sua alma?!...
Discípulo de Cristo a quem adoras, por comunhão na sua vontade e
anseio erguido à plena luz do entendimento que te mostrou irmãos nas
ínfimas partículas, na argila e na poeira, como no coração, na rosa e em
tudo quanto existe! Senhor soberano dessas forças terrenas formidáveis
que dominaste e trazes por escravas em proveito do teu gozo e teu
triunfo, convertendo-as do terror à mansidão, dócilmente vergadas ao
capricho!... Por maldição de trágico império, em tenebrosa queda
degradado, foste sujeito, louco, em teu orgulho de virtude e de crença e
de isenção, a repassar de fel a dor dos próprios filhos!