Se o Estio esgotou fontes e rios e secou a campina, a ave infeliz, que
tem filhos no ninho a sustentar, e em vão moureja, diligente e muda, por
todo o abrasado e ingrato espaço, tem de voltar ao poiso desprovida.
Mas não castiga essas famintas bocas que a esperam, gritando e
atribuladas, a pedir-lhe o alimento que não pode dar-lhes, pois lho
recusam os calcinados campos adversos. Sofreu resignada o suplício, a
fome, a sede, e a amarga invocação dos que um mau sestro confiou ao seu
amparo.
Se o leite seca ao animal bravio, por qualquer contingência da sua
sorte, oferece o peito exausto ao filho débil, todo o seu sangue
quereria dar-lhe; e sentindo-o a morrer de inanição, responde com os
carinhos ao queixume da vergontea que vai a definhar, aquece-a junto ao
corpo, mas jamais se abandona a ímpetos de cólera, só porque um ser
amado lhe suplicou, inquieto, angustiado e lacrimoso, o mantimento que
carece para viver.