Oh, sagrado holocausto duma vida austera e solitária, corajosa, vivida a
todo o tempo, paciente labor de muitos sóis, de rudes provações que
experimentaram a tempestade, a calma, a noite e o dia, águas violentas
que flagelavam e águas de brandura, salutar afago, luares calados, doces
sonhadores, e o desalento do ardor do Estio e a branca inércia das
manhãs do inverno, toda a luz, todo o tumulto e toda a paz, todo o
infinito ser de infinitos mundos!... Tu morreste bendita dando aos
homens todo o calor que guardas nas entranhas, para agasalhares os
berços e o trabalho, para retemperares os seios que amamentam e para
aquecer os braços que se tisnam na escravidão da terra redentora!
Eu não sei se é de dor, se de gloria, se é louvor ou lamento que te
envia, a ti, Senhor, que lhe traçaste a sorte, esse grito que ouvi no
pinheiral quando ao cair da árvore bradou seu ansiado brado a sonorosa
haste que cantara a mansidão das brisas que a tangiam. Mas ouvindo-o,
Senhor, ouvi tua voz; e, turvado da abundância da tua caridade,
implorei-a--não me abandonasse, como não me abandona a fé que eu tenho
em teu mistério de bondade e amor.