II

Oh, sagrado holocausto duma vida austera e solitária, corajosa, vivida a

todo o tempo, paciente labor de muitos sóis, de rudes provações que

experimentaram a tempestade, a calma, a noite e o dia, águas violentas

que flagelavam e águas de brandura, salutar afago, luares calados, doces

sonhadores, e o desalento do ardor do Estio e a branca inércia das

manhãs do inverno, toda a luz, todo o tumulto e toda a paz, todo o

infinito ser de infinitos mundos!... Tu morreste bendita dando aos

homens todo o calor que guardas nas entranhas, para agasalhares os

berços e o trabalho, para retemperares os seios que amamentam e para

aquecer os braços que se tisnam na escravidão da terra redentora!

Eu não sei se é de dor, se de gloria, se é louvor ou lamento que te

envia, a ti, Senhor, que lhe traçaste a sorte, esse grito que ouvi no

pinheiral quando ao cair da árvore bradou seu ansiado brado a sonorosa

haste que cantara a mansidão das brisas que a tangiam. Mas ouvindo-o,

Senhor, ouvi tua voz; e, turvado da abundância da tua caridade,

implorei-a--não me abandonasse, como não me abandona a fé que eu tenho

em teu mistério de bondade e amor.

Rogações de Eremita · 第 58 / 111 题