II

Oh, magia do verbo que converte passageiro murmúrio em eternidade!...

Por que subtil poder e invencível palavras dum instante, etéreamente

aladas e fugazes, voltam do infinito espaço em que as lançou a vibração

dum peito comovido, para de novo as ouvirmos tão altas e claras e

tocantes como da vez primeira que as sentimos?!... Por que energia

oculta se renovam, e nos povoam de visões os sonhos, e nos amparam os

passos com o conselho, e nos fazem sangrar o coração, e nos desprendem o

sorriso e o canto, e nos elevam na oração divina, as palavras que

alguém, um pequenino ser mortal e fraco, mínimo átomo no volver dos

mundos, um dia segredou timidamente na mansidão dos seus lábios

mortais?!...

São anjos teus, Senhor, são anjos teus! Pastores do teu rebanho louco e

débil, os enviados bons do teu amor que vem a encaminhar nossa fraqueza

no caminho da tua salvação!

Antes, Senhor, a inconsciência, a morte, o infindo dormir da própria

alma, do que o errar no mundo ao desamparo, sem a bendita voz dessas

palavras que de contínuo ouvimos repetir-se, «aqui e além,

perpétuamente, em todo o espaço», e nos renovam quantas visões de amor

nos enlevaram, quanta beleza e graça nos mostraram para além deste mundo

os céus e os anjos!

Rogações de Eremita · 第 54 / 111 题