Oh, magia do verbo que converte passageiro murmúrio em eternidade!...
Por que subtil poder e invencível palavras dum instante, etéreamente
aladas e fugazes, voltam do infinito espaço em que as lançou a vibração
dum peito comovido, para de novo as ouvirmos tão altas e claras e
tocantes como da vez primeira que as sentimos?!... Por que energia
oculta se renovam, e nos povoam de visões os sonhos, e nos amparam os
passos com o conselho, e nos fazem sangrar o coração, e nos desprendem o
sorriso e o canto, e nos elevam na oração divina, as palavras que
alguém, um pequenino ser mortal e fraco, mínimo átomo no volver dos
mundos, um dia segredou timidamente na mansidão dos seus lábios
mortais?!...
São anjos teus, Senhor, são anjos teus! Pastores do teu rebanho louco e
débil, os enviados bons do teu amor que vem a encaminhar nossa fraqueza
no caminho da tua salvação!
Antes, Senhor, a inconsciência, a morte, o infindo dormir da própria
alma, do que o errar no mundo ao desamparo, sem a bendita voz dessas
palavras que de contínuo ouvimos repetir-se, «aqui e além,
perpétuamente, em todo o espaço», e nos renovam quantas visões de amor
nos enlevaram, quanta beleza e graça nos mostraram para além deste mundo
os céus e os anjos!