Delira de humildade esta velhinha que em seu santo delírio desvairada,
aureolada de fulgores angélicos, me dá teu nome, Senhor, só porque a
sorte cega em seu capricho me envaideceu com os falsos bens do mundo,
enquanto a enriquecia de pobreza e me induzia, a mim, a ser soberbo, e a
me esquecer de ti no meu orgulho? Foi por isso, por ser a mais humilde,
por ser abençoada desse delírio santo de humildade que a enlouquece,
mostrando-lhe os seus senhores nos desgarrados da tua larga senda de
bondade, perdidos nos infernos das cobiças, foi por isso, Senhor, que a
escolheste para a enviar dizer-me que além desse outro mundo que ali
contemplava em confusão de esperanças, formosuras e terrores, mortal,
incerto, atormentado e turvo, além desse outro mundo um outro existe
onde Deus tem seu reino e onde nos salva?!...
Possa eu sempre ouvir a sua voz! Resgate-me essa fé, essa humildade que
no mais pervertido vê um senhor e o saúda e o serve obediente, e
suplicante, por ele erguendo aos céus a sua súplica, fraternamente para
ele implora a graça de salvação em Deus!...